Printer Friendly

Female sexuality expression in Borderline Personality Disorder/Expressoes da sexualidade feminina no transtorno de personalidade borderline.

Introducao

O transtorno da personalidade bordeline (TPB) consiste num padrao global de instabilidade dos relacionamentos interpessoais, da autoimagem e dos afetos. A impulsividade acentuada se apresenta em varios contextos, como por exemplo: instabilidade emocional (troca de parceiros, amigos e atividade ocupacional), dilemas, incertezas, preferencias por coisas que venham a provocar ansiedade ou alteracao de humor (American Psychiatric Association, APA, 2014). Trata-se de uma patologia grave e que interfere muito na vida de cada sujeito tanto na area social, afetiva, ocupacional e familiar (Leichsenring, Leibing, Kruse, New, & Leweke, 2011; Pec, Bob, & Raboch, 2014).

Conforme o Manual Diagnostico e Estatistico de Transtornos Mentais, e necessario a presenca de cinco ou mais criterios para fechar o diagnostico para TPB: 1) a utilizacao de esforcos freneticos, no sentido de evitar um abandono real ou imaginario; 2) a presenca de um padrao de relacionamentos interpessoais instaveis e intensos, caracterizado pela alternancia entre extremos de idealizacao e desvalorizacao; 3) a presenca de perturbacoes da identidade, como instabilidade acentuada e resistente de autoimagem ou do sentimento do self, 4) comportamentos impulsivos em pelo menos duas areas potencialmente prejudiciais a propria pessoa (por exemplo, gastos financeiros, sexo, abuso de substancias, direcao imprudente, comer compulsivo); 5) recorrencia de comportamentos, gestos ou ameacas suicidas ou de automutilacao; 6) instabilidade afetiva devido a uma acentuada reatividade do humor (isto e, episodios de intensa disforia, irritabilidade ou ansiedade geralmente durante algumas horas e apenas raramente mais de alguns dias); 7) sentimentos cronicos de vazio; 8) raiva inadequada e intensa ou dificuldade em controlar a raiva (com demonstracoes frequentes de irritacao, raiva constante, lutas corporais recorrentes); 9) ideacao paranoide transitoria e relacionada ao estresse ou graves sintomas dissociativos (APA, 2014).

O TPB e mais prevalente em mulheres, sendo que 75% dos diagnosticos desse TP sao aplicados a pacientes do genero feminino (APA, 2014). Pesquisadores relatam a sua prevalencia em cerca de 1,6 a 5,9% da populacao geral, tambem apresentando-se em praticamente 10% dos individuos avaliados em clinicas de saude mental e 20% dos pacientes psiquiatricos internados. Os sintomas, na grande maioria, podem ocorrer entre os 18-25 anos de idade: 90% tem inicio antes dos 30 anos de idade (Faria & Sauaia, 2011). Um ponto a ser destacado nesses pacientes e o comportamento suicida, em torno de 75% dos pacientes com TPB tentaram o suicidio pelo menos uma vez, e desses 10% conseguiram concluir o ato, sendo que a maior parte aconteceu antes dos 40 anos (Black, Blum, Pfohl, & Hale, 2004). Uma pratica comum dos pacientes com TPB e a automutilacao que se caracteriza por lesoes no seu proprio corpo, sem intencao de morrer. O sujeito faz uso desse comportamento porque nao tem estrategias mais adequadas para lidar com sentimentos os quais descrevem muito dolorosos e insuportaveis. Atraves da dor fisica, ou seja, do ato de se machucar, sentem um alivio da dor psiquica (Sousa & Vandenbergue, 2005; Covelli, 2010). Um estudo avaliou a relacao entre os sintomas, os problemas interpessoais e os tipos de comportamentos agressivos apresentados por pacientes com TPB durante dois anos. Constataram que pacientes com TPB que apresentavam dificuldades interpessoais envolviam-se, com mais frequencia, em experiencias de violencia no seu cotidiano (Stepp, Smith, Morse, Hallquist, & Pilkonis, 2012).

Quanto a etiologia do TPB, associam-na a interacao de questoes biologicas e a eventos de vida adversos, predispondo o individuo com esse diagnostico a dificuldades em regular o controle das suas emocoes (Leichsenring et al., 2011). Estudos afirmam que a forma de afeto e tratamento destinado ao paciente na infancia pode estar vinculada a construcao do TPB, ja que os mesmos apresentam caracteristicas semelhantes como inseguranca e dificuldades de vinculos afetivos (Jordao & Ramires, 2010).

E bastante comum o TPB estar associado a outro transtorno mental. As principais comorbidades sao: transtornos depressivos, transtornos bipolares, transtornos relacionados ao uso de substancias, transtornos da alimentacao (bulimia nervosa), transtorno de estresse pos-traumatico, transtorno de deficit de atencao / hiperatividade. Outros TP tambem estao relacionados ao TPB: transtorno da personalidade histrionica, transtorno da personalidade esquizotipica, transtorno da personalidade paranoide, transtorno da personalidade narcisista, transtorno da personalidade antissocial e transtorno da personalidade dependente (APA, 2014). Nos casos de comorbidade, o tratamento costuma ser mais longo, e a participacao da familia e fundamental (Rosa & Santos, 2011).

O tratamento para o TPB e feito com farmacoterapia e psicoterapia. Embora se trate de um TP, medicamentos psiquiatricos causam o efeito de estabilidade nesses pacientes (Lieb et al., 2010). Quanto a psicoterapia, independente de linha teorica, o profissional precisa estabelecer um bom vinculo com o paciente. Normalmente, os sujeitos iniciam a terapia muito fragilizados, logo, empatia e essencial ao longo do tratamento (Minto, 2012; Bourke, 2013; Liebman & Burnette, 2013).

Individuos com TPB manifestam limitacoes significativas na esfera sexual, as quais podem interferir ativamente no curso e na manutencao de determinados sintomas da psicopatologia (Abdo, 2011).

A sexualidade compreende um fenomeno natural que esta relacionado ao desenvolvimento humano. Suas primeiras manifestacoes ocorrem no inicio na infancia, momento em que as criancas apresentam maior curiosidade acerca do seu corpo. Em seguida, na adolescencia, intensificam-se as mudancas no organismo e se iniciam os primeiros relacionamentos afetivos e da vida sexual do sujeito (Rheaume & Mitty, 2008; Tolman & McClelland, 2011). Ao longo da vida, cada ser humano vai construindo sua sexualidade, de forma que venha a alcancar seus desejos e satisfacoes sexuais (Bretas, Ohara, Jardim, Aguiar, & Oliveira, 2011). Individuos com TPB manifestam limitacoes significativas na esfera sexual, as quais podem interferir ativamente no curso e na manutencao de determinados sintomas da psicopatologia (Abdo, 2011).

A vida sexual ativa e saudavel e fator fundamental para o bem-estar do individuo, sendo considerada um ponto de qualidade de vida (Rheaume & Mitty, 2008; Yano & Ribeiro, 2011; Correa, Silva, & Rombaldi, 2013). A relacao sexual, o erotismo, o prazer, a orientacao sexual e a reproducao se expressam por meio de pensamentos, fantasias, desejos, comportamentos e relacionamentos, os quais sao influenciados pelos fatores biologicos, psicologicos, sociais, economicos, politicos, culturais, eticos, legais, historicos e religiosos. Ademais, esta ligada a intimidade de duas pessoas, independente do genero. Atraves desse vinculo, busca-se a satisfacao sexual, a necessidade da construcao familiar (Petersen & Hyde, 2010; Tolman & McClelland, 2011; Yano & Ribeiro, 2011).

Para uma relacao sexual ser completa, depende de fatores hormonais, biologicos e motivacionais. Nesse sentido, Masters e Johnson (1984), em 1970, descreveram o ciclo de respostas sexuais, que e composto por quatro fases: 1) Excitacao: pode durar de minutos a horas, acontece quando o homem e a mulher se estimulam para a realizacao do ato sexual (caracterizado por dois fenomenos: vasocongestao e miotonia); 2) Plato: excitacao continuada que pode durar de segundos a varios minutos; 3) Orgasmo: quando ocorre o pico de prazer, ou seja, a mulher tem um aumento de excitacao maxima com grande vasocongestao e miotonia ritmica da regiao pelvica alcancando o maximo de prazer, seguido de relaxamento, onde ha uma serie de contracoes ritmicas de (03 a 15) da plataforma orgastica, com intervalo de 08 segundos; 4) Resolucao: segue de forma que o corpo fica totalmente relaxado, e um estado de bem-estar que se segue ao orgasmo, em que os musculos ficam relaxados, podendo durar de minutos a horas. As fantasias, desejos sexuais, entre outros, estariam ligados a primeira fase do ciclo da mulher--o desejo, o qual tem a funcao de excitar a mulher pela busca do prazer sexual com o parceiro e sentir prazer em se relacionar; em seguida vem a excitacao sexual, momento em que ambos estao preparados para alcancar o objetivo maior, que e o orgasmo, o qual esta vinculado ao prazer e a satisfacao (Sena, 2010; Marques, Chedid & Eizerik, 2012).

Quando ha falhas em alguma dessas fases do ciclo de resposta sexual, podese dizer que ha uma patologia, denominada de disfuncao sexual. Conforme Basson (2000), a disfuncao sexual feminina ocorre quando ha falta de desejo, excitacao ou dificuldade de alcancar o orgasmo, alem de dor durante o ato sexual. Geralmente, essas mulheres apresentam problemas de humor e baixa autoestima, sendo, por muitas vezes, mais ansiosas e envergonhadas, quando comparadas com mulheres com funcionamento sexual normal (Hartmann, Heiser, Ruffer-Hesse, & Kloth, 2002; Sena, 2010; Marques et al., 2012). Estudos constataram que a depressao e o primeiro impedimento nas primeiras fases do ciclo sexual da mulher (desejo e excitacao) e que grande parte delas nao chega ao orgasmo se estiverem com sintomas depressivos e ansiosos (Kashdan et al., 2011; Shindel, Eisenberg, Breyer, Sharlip, & Smith, 2011; Lucena, 2013; Pereira, Nardi, & Silva, 2013). Alem disso, ha uma ligacao entre os TP e as disfuncoes sexuais, ou seja, pacientes com TP tem mais comorbidades com disfuncoes sexuais (Abdo, 2011).

As disfuncoes sexuais femininas poderiam ser decorrentes de causas biologicas, fisicas e psicologicas. Quanto aos fatores psicologicos, percebe-se dificuldade em se comunicar com o parceiro, sentimento de culpa e vergonha quanto ao sexo, medo de sentir dor, historia de abuso sexual, falta de estimulo sexual e falta de lubrificacao. A chegada da menopausa, os fatores neurologicos, uma cirurgia ou trauma, o uso de substancias quimicas e as doencas sexualmente transmissiveis tambem podem estar ligados as disfuncoes sexuais (Trompeter, Bettencourt, & Barrett-Connor, 2012; Pereira et al., 2013).

O Manual Diagnostico e Estatistico de Transtornos Mentais--DSM-5 (APA, 2014) determina tres diagnosticos de disfuncao sexual na mulher: o transtorno do interesse / excitacao sexual feminino (individuo que apresenta ausencia ou reducao importante no interesse ou na excitacao sexual); transtorno do orgasmo feminino (ausencia ou muita dificuldade em atingir o orgasmo); transtorno da dor genito-pelvica / penetracao (dificuldade persistente ou recorrente com a penetracao vaginal; dor vulvovaginal ou pelvica intensa durante a relacao ou tentativa de penetracao; medo ou ansiedade intensa de dor antes, durante ou apos a penetracao; tensao ou contracao acentuada dos musculos pelvicos durante a tentativa de penetracao). Ainda, pode ocorrer a disfuncao sexual devido ao uso de alguma substancia ou medicamento (Lucena, 2013).

Outro ponto a ser destacado sao as parafilias, que antigamente eram chamadas de perversoes sexuais. Elas se caracterizam por qualquer interesse sexual intenso e persistente que nao e voltado para a estimulacao da genitalia, ou seja, o individuo tem prazer com objetos nao humanos, por atos que envolvem objetos inanimados, por atos que envolvem sofrimento ou humilhacao, proprios ou do parceiro, ou por criancas ou outras pessoas sem o seu consentimento. Os principais transtornos parafilicos sao: transtorno voyerista (excitacao ao ver uma pessoa nua, se despindo ou mantendo uma relacao sexual, sem ela saber que esta sendo observada); transtorno exibicionista (quando o sujeito passa a mostrar seus orgaos genitais a outras pessoas em lugares publicos, sendo que o prazer do mesmo ocorre quando ele ve o espanto da outra pessoa em ver seu orgao); transtorno frotteurista (excitacao sexual resultante em tocar ou se esfregar em outra pessoa que nao lhe deu o consentimento); transtorno do masoquismo sexual (quando o sujeito necessita e se submete ao sofrimento e humilhacao para obter prazer sexual); transtorno do sadismo sexual (quando o sujeito necessita fazer o outro sofrer para obter prazer sexual); transtorno pedofilico (fantasias e atos sexuais com criancas e pre-puberes); transtorno fetichista (quando o foco e especifico em um objeto ou em uma parte do corpo); transtorno transvestico (excitacao sexual em se vestir como o sexo oposto) (APA, 2014).

O presente estudo tem como objetivo descrever como e a vida sexual de pacientes com diagnostico de TPB. Alem disso, pretende-se discorrer sobre a relacao entre o diagnostico de TPB, disfuncoes sexuais e parafilias.

Metodo

Trata-se de uma pesquisa qualitativa, em que a forma detalhada de elaboracao das perguntas mostra-se mais relevante que o numero de sujeitos entrevistados, a fim de que os dados coletados mostrem-se uteis para a investigacao do conteudo, uma vez que o trabalho de descricao e interpretacao tem carater fundamental na elaboracao da pesquisa qualitativa. O instrumento para a coleta de dados foi uma entrevista semiestruturada. A entrevista semiestruturada e como um dialogo, em que sao feitas perguntas abertas, utilizando-se quase sempre expressoes como: "O que?", "Por que?", "Quando?", "Como?" e "Quem" (Diedrich, 2007).

Participaram do estudo sete mulheres que tem o diagnostico de TPB, dado previamente por um profissional da psiquiatria. Os criterios de inclusao para a pesquisa foram: pacientes do sexo feminino, maiores de 18 anos, com diagnostico de TPB e comorbidades. Como criterios de exclusao foram utilizados: pacientes menores de 18 anos, pacientes que nao tinham condicoes psiquicas no momento da entrevista e pacientes que nao sabiam ler nem escrever.

O respectivo estudo foi submetido ao Comite de Etica em Pesquisa (CEP) da Faculdade Meridional (IMED) e teve seu aceite registrado no Parecer Consubstanciado numero 689.469. Apos essa etapa do processo, efetuou-se o contato com o psiquiatra que atende na Secretaria de Saude do municipio de Passo Fundo-RS, o qual disponibilizou o contato de pacientes que estavam sendo acompanhadas por ele e estavam de acordo com os criterios de inclusao para o estudo. O pesquisador fez um contato com as pacientes via telefone e explicou-lhes que estava realizando um estudo, solicitando se poderia ir ate a residencia das mesmas para conversar sobre o assunto. Todas as pacientes aceitaram participar da pesquisa.

A entrevista foi realizada individualmente, na casa das participantes. Foram esclarecidas possiveis duvidas, e, em seguida, foi lido e assinado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), de acordo com a Resolucao 466/12 do Conselho Nacional de Saude. Cada entrevista teve a duracao de aproximadamente uma hora e foram gravadas em audio.

Posteriormente, foram transcritas e organizadas por categoria de respostas atraves de analise de conteudo. O metodo de analise de conteudo e organizado em tres fases. A primeira, chamada de pre-analise, organizou-se o material a ser analisado para sintetizar as ideias iniciais. Essa organizacao se deu pela leitura flutuante; escolha dos documentos (demarcacao do que seria analisado) e na formulacao das hipoteses e dos objetivos (determinando atraves de recortes no texto, o que seria utilizado). Apos, o material foi explorado atraves da codificacao, classificacao e categorizacoes. Por fim, houve o tratamento dos resultados, inferencia e interpretacao, onde ocorreu a condensacao e foi destacado as informacoes que foram utilizadas para a analise (Bardin, 2009).

Resultados e discussao

O presente estudo foi dividido em cinco categorias: comportamento sexual atual, abuso sexual, preocupacoes relacionadas ao sexo, diagnostico de TPB, tratamento medicamentoso e sexualidade e atitude dos pais com relacao ao sexo. Por questoes eticas, as participantes foram identificadas por numeros para facilitar a visualizacao das informacoes, conforme demonstrado na Tabela 1.

Do total da amostra, a media de idade das participantes e de 38,2 anos. Quanto ao estado civil, 57,1% (n=4) sao casadas e 42,9% (n=3) sao solteiras. No que se refere ao diagnostico, todas tem TPB, e duas delas apresentam comorbidade, uma com dependencia quimica e outra com sintomas de depressao. Em relacao a filhos, 71,4% (n=5) possuem no minimo um e 28,6 (n=2) nao tem filhos. Quanto a escolaridade, 43% (n=3) tem ensino medio, 28,5% (n=2) tem ensino superior incompleto e 28,5% (n=2) possuem ensino superior completo. A maioria das pacientes, ou seja, 57,1% (n=4) possuem uma atividade laboral (veterinaria, professora, tecnica em contabilidade, cabeleireira) e 42,9% (n=3) nao trabalha, uma delas e do lar, uma e estudante e a outra, aposentada. Todas as participantes do estudo fazem uso de medicacao psiquiatrica, sendo que 85,7% (n=6) fazem uso de antidepressivos, 71,4% (n=5) usam estabilizadores de humor, 28,5% (n=2) utilizam ansioliticos e 28,5 (n=2) fazem uso de antipsicoticos. As media de tempo de tratamento psiquiatrico das pacientes e 12,4 anos. Os dados sao demonstrados na Tabela 1.

Comportamento sexual atual

Essa categoria buscou avaliar como esta o comportamento sexual das pacientes com TPB nesse momento de suas vidas. Percebeu-se que tres das participantes nao tem interesse no ambito sexual, revelando nao ter uma vida sexual ativa, conforme os depoimentos:
   S.2 "Porque eu nao me interesso, pra mim sexo nao tem tao grande
   importancia. Entao sao muitas queixas do meu marido. Ate esses dias
   a gente falou em separacao, mas eu nao me importo se eu tiver que
   me separar, mas eu fazer o que eu nao quero, e impossivel. Nao
   existe a questao de vida sexual do casal".

   S.3 "Nao tenho relacao sexual com meu marido depois que a
   minhafilha nasceu, ja faz cinco anos. Ele me atura porque deve me
   amar muito ou deve amar muito a filha dele, tambem ja me traiu".

   S.6 "Agora estou bem mais fria".


O relato de S.2 e S.3 sugerem a possivel presenca de uma disfuncao de ordem sexual especificamente relacionada a falta de desejo sexual. No Manual Diagnostico e Estatistico de Transtornos Mentais, DSM-5 (APA, 2014), o transtorno do desejo sexual hipoativo diz respeito a falta de desejo sexual e tambem de fantasias, ao desconforto fisico, assim como pouca motivacao para a busca de estimulos sexuais, o que traz sofrimento as mesmas. Isso pode estar relacionado a dificuldade de ter uma excitacao sexual ou ate mesmo de alcancar um orgasmo.

Ainda sao escassos estudos que evidenciem relacao entre desejo sexual hipoativo e TPB. Problemas com a autoimagem e com vinculo conjugal, fantasias impeditivas de manifestacao mais livre da propria sexualidade e ansiedade excessiva podem ser fatores psicologicos para a falta de desejo sexual. Nesses casos, tanto em relacao a sua funcao sexual, quanto na busca do prazer pela vida, as pacientes manifestam dificuldades em lidar com sentimentos de raiva e hostilidade em relacao ao parceiro, sugerindo que aspectos cognitivos e emocionais estariam associados a problemas de ordem sexual, como e o caso da inibicao do desejo (Abdo & Flemy, 2006; Carvalho & Nobre, 2010; Goldhammer & McCabe, 2011).

A relacao com o companheiro esta intimamente ligada a questao sexual, aspecto que pode ser visto nos depoimentos. Nesse sentido, Sousa e Vandenberghe (2005) afirmam que a questao conjugal pode oscilar entre a valorizacao e idealizacao, ate a rejeicao e desvalorizacao. Por mais que sintam a necessidade de atencao e de relacoes que envolvam intimidade entre o casal, em pequeno periodo de tempo, podem rejeitar o que o outro tem para oferecer com o termino da relacao ou com comportamentos de esquiva em torno da conjugalidade.

Atraves do depoimento de S.5 e possivel observar as oscilacoes de desejo e de pratica sexual, evidenciando que a instabilidade tambem esta presente nos comportamentos sexuais dos sujeitos com TPB:

S.5 "Uns dias muito ativo e depois muito parado porque eu sou muito de lua. Eu nao deixo ninguem se aproximar".

Ja, as pacientes S.1, S.4, S.5 e S.7 demonstram a preferencia por ser humilhada durante o ato sexual, revelando sentir prazer com isso, conforme a fala abaixo:

S.1 "Eu busco o sexo hoje em dia, nesse momento da minha vida, porque eu entendo que o sexo e uma relacao de amor. Como eu nao tenho amor na minha familia ou eu nunca senti, entao o sexo pra mim quer dizer que a pessoa que faz sexo comigo e porque ela tem interesse em mim e porque me ama. Eu tenho relacao sadomasoquista, eu sinto prazer com dor. Eu nao consigo sentir prazer com aquela coisa calma, eu tenho que me machucar, tem que me prender, tem que me bater. Mas pra mim isso nao me faz ruim, pra mim isso e normal".

S.5 "Tipo rola de tudo e mais um pouco. Vela, gosto de ser queimada com vela!".

O depoimento da paciente S.1 mostra uma relacao entre nao se sentir amada pela familia com a presenca de comportamento masoquista na relacao sexual. A necessidade do paciente de submeter-se a situacoes reais que causam sofrimento e humilhacao no intuito de obter prazer sexual refere-se ao transtorno do masoquismo sexual, o que ficou evidente na fala da S.5, a qual tem prazer em ser queimada durante o ato sexual. Essa caracteristica de comportamento, em alguns casos, pode ser compreendida como um reflexo do TPB e uma tentativa de adaptacao para situacoes de abuso verbal, fisico e/ou sexual ocorridas com a paciente durante a sua vida (APA, 2014).

Uma das participantes mostra que tem uma vida sexual satisfatoria, revelando desejo sexual intenso:

S.4 "Assim eu sou bem namoradeira. Se me deixar oportunidade, passou por mim eu traco".

Abuso sexual

O abuso sexual configura-se como uma das formas mais graves de violencia praticada contra um individuo. Trata-se de uma forma de contato, interacao ou estimulacao sexual nao consentida, ou induzida, que pode acontecer atraves de caricias, toques, sexo oral e/ou penetracao, bem como outras maneiras que nao envolvam o contato fisico (pornografia, exibicionismo e exploracao sexual). A tentativa ou a consumacao do abuso podem influenciar significativamente no desenvolvimento emocional, cognitivo e comportamental de um sujeito, causando reacoes negativas graves em determinadas situacoes. Em alguns casos, inclusive, o historico de abuso sexual pode estar relacionado a presenca do TPB (Sansone, Chu, & Wiederman, 2011; Schaefer, Rossetto, & Kristensen, 2012).

Sob essa otica, e possivel verificar que tres das pacientes entrevistadas tiveram historia de abuso sexual na infancia, conforme o relato:

S.1 "Quando eu tinha uns cinco anos eu estava com meu pai numa festa tipo junina e dai eu nao me lembro direito, eu nao sei se eu me perdi. Eu sei que eu corri no colo de um homem que meu pai considerava amigo. E ele me tocou, ele me machucou entendeu, eu achei que era culpa minha. E dai eu nao me lembro sabe direito, porque eu era muito nova. Eu fui molestada".

S.3 "Fui estuprada com seis anos, nao tive vida romantica, fui torturada, nao consigo falar a respeito do que aconteceu. Esse cara era meu padrasto. Tudo que eu passei, ele botava uma faca embaixo do travesseiro e dizia que se eu gritasse ele ia matar eu e a mae a facada. Ele me abusou muito tempo pra depois me estuprar. Foi anal e quando ele me estuprou foi pelos dois buracos no caso. Ele me destruiu mesmo".

S.7 "Com seis anos meu avo me passava a mao e eu tentei dizer isso para a minha mae, mas ela nao acreditou ate que ocorreu a penetracao".

Os dados corroboram com a literatura, que contempla o abuso sexual na infancia geralmente ser cometido por um membro da familia ou que mantem proximidade com esta, ocasionando serios prejuizos ao desenvolvimento psiquico do sujeito, impedindo o desenvolvimento sexual, social e moral saudaveis, alem de uma imagem corporal destruida. As vitimas chegam a vida adulta sem os beneficios da infancia, culpandose cotidianamente pela ocorrencia e perpetuacao do incesto, perdendo os referenciais familiares como instituicao basica. Para manter o equilibrio na familia e conviver com o abusador ou com pessoas que sabem do fato e nao o denunciam, a crianca, com seus sentimentos ambivalentes, pode silenciar ou dizer que inventou o abuso (Schaefer et al., 2012; Risman, Figueira, Vieira, & Azevedo, 2014).

Estudos mostram que pacientes podem ter sofrido algum tipo de abuso, fisico e/ou sexual, na infancia, de modo que esse numero pode chegar a 70%, cuja grande parte desses podem ter sofrido algum tipo de abuso grave antes dos seis anos de idade (McGowan, King, Frankenburg, Fitzmaurice, & Zanarini, 2012; Bornovalova et al., 2013).

Em uma revisao de estudos publicados em lingua inglesa e espanhola, aponta-se que o transtorno limitrofe, juntamente com o antissocial, histrionico e narcisista, sao os principais TP manifestados por pacientes vitimas de abuso sexual. Este trabalho, inclusive, aponta que mulheres com o diagnostico de TPB sofreram episodios de violencia de caracteristicas mais graves e frequentes do que mulheres violentadas, sem o diagnostico (Gallardo-Pujol, Padilla, & Pereda, 2011).

A literatura apresenta poucos registros de pesquisas as quais indicam relacao entre violencia sexual e TPB na idade adulta. Ja em relacao a violencia domestica e transtornos de personalidade, Sa e Werlang (2013), observam que as caracteristicas de personalidade analisadas em sete artigos, catalogados internacionalmente entre o ano 2000 a 2012, indicam tracos de personalidade borderline, dependente e esquizoide, acompanhados de sintomas de depressao, desesperanca, estresse postraumatico e tendencias autodestrutivas mais frequentes em individuos os quais passaram por experiencias de abuso. Tais evidencias sugerem que determinados tracos sao comuns as mulheres maltratadas e as influenciam nas escolhas nocivas dos conjuges ou sao adotadas como um meio de adaptar-se ou sobreviver as diversas formas de violencia.

O depoimento de S.2 descreve as emocoes despertadas em uma mulher quando e violentada pelo seu atual conjuge, indicando, segundo Jordao e Ramires (2010), que a fragilizacao dos vinculos afetivos sao facilitadores de manifestacoes emergentes de sofrimento psiquico.

S.2 "Ele encheu a cara, dai ele nao tem erecao quando ele bebe e ele tentou forcar sexo oral. Eu tremia. Eu fiquei com medo, fiquei insegura".

No que diz respeito a relacao entre os processos emocionais e as experiencias sexuais adultas, um estudo avaliou a relacao entre o TPB e a emocoes conscientes desagradaveis em resposta a experiencias sexuais indesejadas. Como resultado, percebeu-se que a sensacao subjetiva de responsabilidade sobre a experiencia sexual indesejada poderia relacionar-se com a necessidade desses individuos de compartilhar essas vivencias. Nesses casos, a presenca de emocoes desagradaveis tambem estaria vinculada a intensidade do TPB, agravando o diagnostico (Schoenleber, Gratz, Messman-Moore, & DiLillo, 2014).

Preocupacoes relacionadas ao sexo

Segundo as participantes, as preocupacoes relacionadas ao sexo sao variadas, girando em torno da dificuldade de atingir orgasmo, contaminacao por HIV, separacao conjugal, falta de desejo sexual e traicao, bem como sexo grupal, impotencia do conjuge e diminuicao da pratica sexual, conforme os depoimentos:

S.1 "Eu nunca tive orgasmo. Eu perdi a virgindade com 18 anos, 19 anos, e eu nao sei o que e orgasmo. E isso me preocupa. Eu tinha medo da gravidez, porque como eu abortei uma vez, eu, depois que eu abortei eu simplesmente eu comecei a usar camisinha, tomar anticoncepcional".

S.2 "Eu me preocupo, por exemplo, acontecer uma separacao, porque e logico que depois de dias sem ter relacao sexual meu maridofica mal humorado, ele nao conversa comigo, ele fica dando indiretas".

S.3 "De traicao".

S.4 "E ate feio contar! As vezes eu tenho relacionamento com dois. E bem legal! Eu gosto! Uso preservativo e pilula".

S.5 "O desempenho dos homens. Parece que nenhum e o que preenche a lacuna, vamos dizer assim. Eles estao deixando muito a desejar. Como na parte de potencia dao uma rapidinha e pronto".

S.6 "A gente vai com o marido para comparecer, mas a gente nao ta muito a fim. Essas coisas eu nao gosto, nunca gostei dessas coisas contrariada, mas as vezes eu faco pra nao dizer que a mulher e fria".

S.7 "Podia ter uma vida sexual mais ativa igual quando era mais nova".

Constata-se que as preocupacoes das participantes S.2, S.6 e S.7 estao associadas a questoes conjugais, como o medo de uma separacao por falta de sexo, por ser interpretada como "fria" e por nao ter mais uma vida sexual tao ativa quando se era mais nova. Essas dificuldades relacionam-se, de maneira direta ou indireta, com as caracteristicas do TPB e a historia individual de cada sujeito. No que se refere a historia de vida das participantes, ainda, incluem-se os relatos de abuso sexual e violencia, que podem interferir na forma como elas percebem as experiencias sexuais adultas. Por vezes, inclusive, individuos com diagnostico de TPB podem apresentar estilos de comportamento sexual impulsivo e de vitimizacao decorrentes da patologia, influenciando no desejo sexual, a ocasionar prejuizos significativos no seu funcionamento, dependendo da situacao (Abdo, 2011; Sansone et al., 2011).

Embora muitas mulheres relatem que nao sentem vontade de manter relacoes sexuais com seus parceiros, algumas nao conseguem dizer ou assumir isso para o companheiro, como e o caso da participante S.6. Logo, na tentativa de burlar a procura do companheiro por sexo, muitas pacientes se valem de estrategias variadas para evitar a relacao sexual, como fingir dores de cabeca, sono, usar de brincadeiras e nao procurar o parceiro (Trindade & Ferreira, 2008).

Diagnostico de transtorno da personalidade borderline, tratamento medicamentoso e sexualidade

Pretendeu-se verificar, nessa categoria, se quando as pacientes foram diagnosticadas pelo psiquiatra com TPB e passaram a fazer o tratamento medicamentoso, perceberam alguma diferenca na sua atividade sexual. A participante S.4 revelou nao reconhecer nenhuma influencia do TPB em sua sexualidade:

S.4 "Na minha vida sexual nao".

Duas das participantes afirmam que o uso das medicacoes em funcao do tratamento para o TPB influenciou no seu comportamento sexual. Na fala das mesmas evidenciase nao querer ser tocada durante o ato sexual e tambem haver certa insatisfacao com o corpo:

S.2 "Eu acho que e a questao do medicamento. A questao do eu me sentir pouco a vontade. De eu nao gostar que me toque".

S.3 "Um pouco e por causa dos remedios, injecao eu tomo, nunca mais fiquei menstruada. Eu engordei 52 quilos. Eu era bem magrinha, tinha um corpao mesmo sabe, eu era tudo no lugar. Agora eu to com 103".

Um dos tratamentos para o TPB e a farmacoterapia. As medicacoes mais indicadas e utilizadas para pacientes com TPB sao compostas por antipsicoticos (ajudam a controlar a raiva, a hostilidade e episodios psicoticos breves), antidepressivos (auxiliam na regulagem do humor deprimido, comum entre esses sujeitos), inibidores da MAO (IMAOs) (controlam o comportamento impulsivo), benzodiazepinicos (controlam a ansiedade) e os estabilizadores de humor (regulam o humor, auxiliam na impulsividade). Alguns desses farmacos podem ter efeitos colaterais, como o aumento de peso e a diminuicao da libido, o que tambem pode interferir na vida sexual do sujeito (Sadock & Sadock, 2007; Lieb et al, 2010).

Atitude dos pais com relacao ao sexo

Pretendeu-se investigar como os pais ou cuidadores das pacientes com TPB educaram as mesmas em relacao ao sexo. Ressel, Junges, Sehnem e Sanfelice, (2011) destacam que e na familia onde os filhos formam valores para toda sua vida, sendo relevante a maneira como a sexualidade e tratada neste contexto. Ao longo da infancia e da adolescencia sao constituidos os valores culturais para o individuo, atraves do convivio com os pais e familiares, marcando o padrao cultural da sexualidade. Por meio do relato das entrevistadas, e possivel evidenciar que a comunicacao parental em relacao ao sexo apresentou-se muitas vezes omissa, deficitaria de clareza e sensibilidade, tratada, enfim, como um tabu:

S.1 "O meu pai nunca falou em relacao a isso. A minha mae e uma pessoa muito antiga, ela acha que eu devia casar virgem. Eu fui criada de uma maneira que o sexo era so depois do casamento e tinha que ser uma coisa leve sem coisas muito diferentes, tipo sexo oral, sexo anal. A mae nao tem experienciapra falar esse tipo de coisa comigo, ela sempre me falou que sexo era negativo".

S.2 "Nem se falava nisso em casa. Nem meu pai e nem minha mae. E uma coisa muito em segredo, uma coisa muito seria pra se falar. O sexo na casa da mae e do pai sempre foi tratado como uma coisa que se faz escondido".

S.3 "Eu bloqueei a minha adolescencia eu nao me lembro se ela conversava comigo ou nao. Nao me lembro nem quando eu fiquei a primeira vez menstruada".

S.6 "Sao bem antigos. Tudo era feio. Nao dava nem pra pegar na mao. No entanto, para meu pai, os homens e normal ter amante".

Ainda que os cuidadores de S.4 e S.7 oferecessem alternativas contraceptivas, nao sao evidenciadas formas de manejo emocional, tao importantes para o adolescente que esta na fase de iniciacao sexual. Nota-se a precariedade de dialogo sobre informacoes e condutas adequadas em relacao a sexualidade:

S.4 "Eu nao tive nem pai nem mae. O meu pai me abandonou. A minha mae faleceu quando eu tinha 13 dias. Eu tive a minha avo que quando eu tava namorando, pegou e me deu pilula e nao me disse nada".

S.7 "Nunca comentaram nada comigo, apenas minha mae me orientava a tomar pilula e a usar camisinha sempre que tinha relacao".

Observa-se que o assunto sexualidade era pouco comentado entre as familias. Os pais nao tocavam no assunto com as filhas e o tratavam como algo muito velado, o que fez com que buscassem informacoes em outros meios (amigos e outros familiares).

Nos dias atuais, a sexualidade tem sido cada vez mais precoce, e fundamental e de extrema importancia, portanto, que esse assunto seja tratado entre pais e filhos. A informacao da familia pode ajudar muito no inicio da atividade sexual, pois e atraves dessas, que as mesmas terao informacoes sobre riscos, prevencoes e cuidados, podendo, entao, prevenir uma gravidez indesejada ou ate mesmo uma doenca sexualmente transmissivel.

Consideracoes finais

A investigacao acerca da vida sexual de pacientes com diagnostico de TPB demonstrou-se de fundamental importancia para a compreensao deste transtorno. No decorrer do estudo, percebeu-se que pacientes com essas caracteristicas manifestam desinteresse na esfera sexual e, por vezes, apresentam praticas sexuais como o desejo de ser humilhada / agredida durante o ato sexual, e, em alguns casos, tem insatisfacao com o proprio corpo. Da mesma forma, nesses pacientes, verificou-se que a insatisfacao sexual pode estar associada ao historico de abuso sexual na infancia. Nestes casos, a paciente percebe a relacao sexual como uma obrigacao, praticada para atender as necessidades de seus parceiros. Frequentemente, a lembranca do abuso resulta em prejuizos a vida sexual atual do sujeito, como a diminuicao da libido.

As dificuldades apresentadas pelos pacientes com essa psicopatologia podem afetar diretamente o seu funcionamento global, acarretando-lhes muito sofrimento psiquico. Nesse sentido, sugere-se a realizacao de mais estudos relacionados ao tema investigado, pois nao ha pesquisas especificas que descrevem como e a vida sexual do paciente com TPB. Propoem-se estudos que discorram sobre as disfuncoes sexuais e parafilias associadas a essa patologia. Salienta-se, como limitacao do estudo, o numero de participantes, recomendando-se investigacoes futuras com mais sujeitos. Da mesma forma, observa-se a necessidade de explorar a relacao entre o diagnostico de TPB e a presenca de abuso sexual na infancia, no intuito de trabalhar eventos emocionais negativos de pacientes com essa caracteristica de personalidade.

Referencias

Abdo, C. H. N. (2011). Transtornos da Personalidade e Transtornos da Sexualidade. EM M. R. L., Neto & T A. Cordas (Cols.), Transtornos da Personalidade (p.229-240). Porto Alegre: Artmed.

Abdo, C. H. N., & Fleuy, H. J. (2006). Aspectos diagnosticos e terapeuticos das disfuncoes sexuais femininas. Revista Psiquiatria Clinica, 33(3), 162-167.

American Psychiatric Association, APA. (2014). Manual diagnostico e estatistico de transtornos mentais--DSM-5. Porto Alegre: Artmed.

Bardin, L. (2009). Analise de colnteudo. Lisboa: Edicoes 70.

Basson, R. (2000). The female sexual response: a different model. Journal of Sex & Marital Therapy, 26(1), 51-65.

Black, D. W., Blum, N., Pfohl, B., & Hale, N. (2004). Suicidal behavior in borderline personality disorder: prevalence, risk factors, prediction, and prevention. Journal of personality disorders, 18(3), 226-239.

Bornovalova, M. A., Huibregtse, B. M., Hicks, B. M., Keyes, M., McGue, M., & Iacono, W. (2013). Tests of a direct effect of childhood abuse on adult borderline personality disorder traits: a longitudinal discordant twin design. Journal of Abnormal Psychology, 122(1), 180-194.

Bourke, M. (2013). Therapist's emotional, cognitive and linguistic responses to patients with borderline personality disorder in psychotherapy. Tese de Doutorado, Faculdade de Psicologia, Universidade de Wollongong, Wollongong, Australia.

Bretas, J. R. D. S., Ohara, C. V. D. S., Jardim, D. P., Aguiar, W. J., & Oliveira, J. R. D. (2011). Aspectos da sexualidade na adolescencia. Ciencia & Saude Coletiva, 16(7), 3221-3228.

Carvalho, J., & Nobre, P. (2010). Predictors of women's sexual desire: the role of psychopathology, cognitive-emotional determinants, relationship dimensions, and medical factors. The journal of sexual medicine, 7(2), 928-937.

Correa, L. Q., Silva, M. C. D., & Rombaldi, A. J. (2013). Sintomas de disfuncao sexual em homens com 40 ou mais anos de idade: prevalencia e fatores associados. Revista Brasileira de Epidemiologia, 16(2), 444-453.

Covelli, J. L. (2010). La peligrosidad: suevaluacion y desarollo hipotetico em los grupossociales excluidos. Ciudadela: Dosyuna Ediciones Argentinas.

Diedrich, M. M. (2007). Be-a-ba da metodologia de trabalhos academicos e cientificos: uma orientacao pratica a alunos de graduacao e de pos-graduacao. Passo Fundo: Editora IMED.

Faria, A. A., & Sauaia, L. (2011). Transtorno de Personalidade Borderline e violencia. Em M. F. Mello & J. P. Fiks (Org.). Transtorno de estresse pos-traumatico: violencia, medo e trauma no Brasil (p.189-196). Sao Paulo: Ed. Atheneu.

Gallardo-Pujol, D., Padilla, R. J., & Pereda, N. (2011). Transtornos de personalidade em vitimas de abuso sexual infantil. Actas Espanolas de Psiquiatra, 39(2), 131-139.

Goldhammer, D. L., & McCabe, M. P. (2011). A qualitative exploration of the meaning and experience of sexual desire among partnered women. Canadian journal of human sexuality, 20(1-2), 19-29.

Hartmann, U., Heiser, K., Ruffer-Hesse, C., & Kloth, G. (2002). Female sexual desire disorders: subtypes, classification, personality factors and new directions for treatment. World Journal of Urology, 20(2), 79-88.

Jordao, A. B., & Ramires, V. R. R. (2010). Adolescencia e organizacao de personalidade borderline: caracterizacao dos vinculos afetivos. Paideia, 20(47), 421-430.

Kashdan, T. B., Adams, L., Savostyanova, A., Ferssizidis, P., McKnight, P. E., & Nezlek, J. B. (2011). Effects of social anxiety and depressive symptoms on the frequency and quality of sexual activity: A daily process approach. Behaviour research and therapy, 49(5), 352-360.

Leichsenring, F., Leibing, E., Kruse, J., New, A. S., & Leweke, F. (2011). Borderline personality disorder. The Lancet, 377(9759), 74-84.

Lieb, K., Vollm, B., Rucker, G., Timmer, A., & Staffers, J. M. (2010). Pharmacotherapy for borderline personality disorder: Cochrane systematic review of randomised trials. The British Journal of Psychiatry, 196(1), 4-12.

Liebman, R. E., & Burnette, M. (2013). It's not you, it's me: an examination of clinician- and client-level influences on countertransference toward borderline personality disorder. American Journal of Orthopsychiatry, 83(1), 115-125.

Lucena, B. B. (2013). (Dis)funcao sexual, depressao e ansiedade em pacientes ginecologicas. Dissertacao de Mestrado, Programa de Fisiopatologia Experimental, Faculdade de Medicina da Universidade de Sao Paulo-SP.

Marques, F. Z. C., Chedid, S. B., & Eizerik, G. C. (2012). Resposta sexual humana. Revista de Ciencias Medicas, 17(3-6), 175-183.

Masters, W. H., & Johnson, V. E. (1984). A resposta sexual humana. Sao Paulo: Roca.

McGowan, A., King, H., Frankenburg, F. F., Fitzmaurice, G., & Zanarini, M. C. (2012). The course of adult experiences of abuse in patients with borderline personality disorder and Axis II comparison subjects: a 10-year follow-up study. Journal of Personality Disorders, 26(2), 192-202.

Minto, V. L. M. (2012). Transtorno de personalidade borderline: um olhar sob a perspectiva do desenvolvimento na Psicologia Analitica. Monografia do curso de formacao, Sociedade Brasileira de Psicologia Analitica, Sao Paulo, Brasil.

Pec, O., Bob, P., & Raboch, J. (2014).Dissociation in schizophrenia and borderline personality disorder. Neuropsychiatric disease and treatment, 10(1), 487-491.

Pereira, V M., Nardi, A. E., & Silva, A. C. (2013). Sexual dysfunction, depression, and anxiety in young women according to relationship status: an online survey. Trends in Psychiatry and Psychotherapy, 35(1), 55-61.

Petersen, J. L., & Hyde, J. S. (2010). A meta-analytic review of research on gender differences in sexuality, 1993-2007. Psychological bulletin, 136(1), 21-38.

Ressel, L. B., Junges, C. F., Sehnem, G. D., & Sanfelice, C. (2011). A influencia da familia na vivencia da sexualidade. Escola Anna Nery, 15(2), 245-250.

Rheaume, C., & Mitty, E. (2008). Sexuality and intimacy in older adults. Geriatric Nursing, 29(5), 342-349.

Risman, A., Figueira, R. L., Vieira, G. M., & Azevedo, L. T (2014). Abuso sexual intrafamiliar: um olhar multifacetado para o incesto. Psicologia para a America Latina, 26(1), 87-105.

Rosa, B., & Santos, M. (2011). Comorbidade entre bulimia e transtorno de personalidade borderline: implicacoes para o tratamento. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, 14(2), 268-282.

Sa, A. D., & Werlang, B. S. G. (2013). Personalidade de mulheres vitimas de violencia domestica: uma revisao sistematica da literatura. Contextos Clinicos, 6(2), 106-116.

Sadock, B. J., & Sadock, V A. (2007). Compendio de Psiquiatria: ciencia do comportamento e psiquiatria clinica. Porto Alegre: Artmed.

Sansone, R. A., Chu, J. W., & Wiederman, M. W. (2011). Sexual behaviour and borderline personality disorder among female psychiatric inpatients. International journal of psychiatry in clinical practice, 15(1), 69-73.

Schaefer, L. S., Rossetto, S., & Kristensen, C. H. (2012). Pericia psicologica no abuso sexual de criancas e adolescentes. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 28(2), 227-234.

Schoenleber, M., Gratz, K. L., Messman-Moore, T., & DiLillo, D. (2014).Borderline Personality Disorder and Self-Conscious Emotions in Response to Adult Unwanted Sexual Experiences. Journal of personality disorders, 0(0), 1-14 (nao publicado).

Sena, T (2010). Os relatorios Masters e Johnson: genero e as praticas psicoterapeuticas sexuais a par psicoterapeuticas sexuais a partir da decada de 70. Estudos Feministas, 18(1), 221-239.

Shindel, A. W., Eisenberg, M. L., Breyer, B. N., Sharlip, I. D., & Smith, J. F. (2011). Sexual function and depressive symptoms among female North American medical students. The journal of sexual medicine, 8(2), 391-399.

Sousa, A. C. A., & Vandenberghe, L. (2005). A emergencia do transtorno de personalidade borderline: uma visao comportamental. Interacao em Psicologia, 9(2), 381-390.

Stepp, S. D., Smith, T. D., Morse, J. Q., Hallquist, M. N., & Pilkonis, P. A. (2012). Prospective Associations Among Borderline Personality Disorder Symptoms, Interpersonal Problems, and Aggressive Behaviors. Journal of Interpersonal Violence, 27(1), 103-124.

Tolman, D. L., & McClelland, S. I. (2011). Normative sexuality development in adolescence: A decade in review, 2000-2009. Journal of Research on Adolescence, 21(1), 242-255.

Trindade, W. R., & Ferreira, M. A. (2008). Sexualidade feminina: questoes do cotidiano das mulheres. Texto e Contexto de Enfermagem, 17(3), 417-426.

Trompeter, S. E., Bettencourt, R., & Barrett-Connor, E. (2012). Sexual activity and satisfaction in healthy community-dwelling older women. The American journal of medicine, 125(1), 37-43.

Yano, K. M., & Ribeiro, M. O. (2011). O desenvolvimento da sexualidade de criancas em situacao de risco. Revista da Escola de Enfermagem da USP, 45(6), 1315-1322.

Recebido em setembro de 2015

Aceito em dezembro de 2015

Cristina Pilla Della Mea: Psicologa, Especialista em Psicoterapias Cognitivo-Comportamentais (UNISINOS), Especialista em Psicologia Clinica (Faculdade Meridional-IMED), Mestranda em Envelhecimento Humano (Universidade de Passo Fundo-UPF). Docente da Escola de Psicologia da Faculdade Meridional-IMED. Fabio Riva: Psicologo, pos-graduando em Terapia Cognitivo-Comportamental pela Faculdade MeridionalIMED.

Endereco para contato: cristina.mea@imed.edu.br
Tabela 1--Caracterizacao das participantes.

Sujeito    Idade     Estado       Diagnostico e      Filhos
                      civil        comorbidades

   S1        32     Solteira           TPB             --

   S2        49      Casada            TPB              3

   S3        35      Casada            TPB              2

   S4        35      Casada            TPB              1

   S5        37     Solteira    TPB e Dependencia       1
                                     Quimica

   S6        52      Casada       TPB e sintomas        4
                                   depressivos

   S7        28     Solteira           TPB             --

Sujeito      Escolaridade          Profissao            Medicacao
                                                      psiquiatrica

   S1      Ensino Superior        Veterinaria        Antidepressivo
               Completo                             Estabilizador de
                                                          humor

                                                     Antidepressivo
   S2      Ensino Superior        Professora        Estabilizador de
               Completo                                   humor

   S3        Ensino Medio           Do lar            Antipsicotico

   S4        Ensino Medio     Tec. Contabilidade     Antidepressivo
                                                       Ansiolitico

   S5        Ensino Medio        Cabeleireira        Antidepressivo
                                                      Antipiscotico
                                                    Estabilizador de
                                                          humor

   S6      Ensino Superior        Aposentada         Antidepressivo
              Incompleto                            Estabilizador de
                                                          humor
                                                       Ansiolitico

   S7      Ensino Superior         Estudante        Estabilizador de
              Incompleto                                  humor

Sujeito        Tempo
           de tratamento

   S1         10 anos

   S2         20 anos

   S3          8 anos

   S4          9 anos

   S5
              10 anos

   S6
              25 anos

   S7          5 anos

Fonte: primaria.
COPYRIGHT 2015 Universidade Luterana do Brasil
No portion of this article can be reproduced without the express written permission from the copyright holder.
Copyright 2015 Gale, Cengage Learning. All rights reserved.

 
Article Details
Printer friendly Cite/link Email Feedback
Author:Mea, Cristina Pilla Della; Riva, Fabio
Publication:Revista Aletheia
Date:Jan 1, 2015
Words:7096
Previous Article:Perception of elders living in a long-stay institution of a country town of Rio Grande do Sul about quality of life/Percepcao de idosos, moradores de...
Next Article:Stress and related factors in psychology students from a private university in the Southern part of Brazil/Estresse e fatores associados em alunos de...
Topics:

Terms of use | Privacy policy | Copyright © 2018 Farlex, Inc. | Feedback | For webmasters