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Fathers' involvement during the baby's third month/Envolvimento paterno aos tres meses de vida do bebe.

O nascimento do primeiro filho traz diversas mudancas na vida do casal. De acordo com Cramer e Palacio-Espasa (1993), a chegada de um filho, principalmente do primeiro, constitui uma fase nova do desenvolvimento e, portanto, traz a necessidade de uma serie de adaptacoes. Neste momento, e imposta a mae e ao pai uma tarefa consideravel de redistribuicao de seus investimentos emocionais, impulsionada pela inclusao do bebe em sua organizacao psiquica. Assim, durante o primeiro trimestre de vida do bebe, a familia precisa reorganizar-se emocionalmente, bem como a sua rotina, para atender as exigencias do bebe e se adaptar aos novos papeis com que se defrontam. Em especial para o pai, os primeiros meses apos o nascimento parecem ser vivenciados de maneira distinta da mae, visto que, durante a gestacao, o vinculo pai-bebe era mediado por ela (May, 1982). Neste sentido, ja durante a gravidez pode ser verificado um expressivo envolvimento dos pais com seus filhos, tanto em termos emocionais quanto comportamentais, o que facilita a constituicao da relacao pai-bebe (Piccinini, Silva, Goncalves, Lopes & Tudge, 2004). De qualquer modo, e com a presenca fisica do bebe, a partir do nascimento, que o pai pode desenvolver uma relacao direta com ele.

Alguns autores afirmam que os primeiros momentos de interacao entre pai e bebe podem provocar intensos sentimentos nos pais, como vaidade pelo filho, comprovacao da potencia reprodutiva e auto-estima elevada (Lebovici, 1987; Ramires, 1997). Brazelton (1988) ressalta que os pais podem experimentar certa alternancia de sentimentos que iria desde o extase ate uma grande preocupacao em funcao das novas responsabilidades. Ao mesmo tempo, a relacao com o bebe faria com que os pais revivessem suas experiencias infantis com seus primeiros objetos (Ramires, 1997). Em funcao da intensidade emocional propria a este periodo, alguns pais podem vivenciar conflitos relacionados a parentalidade e sentimentos de ciumes e exclusao da diade mae-bebe. Alem disso, conforme Brazelton (1988), a ansiedade e o sentimento de inexperiencia dos pais tambem poderiam dificultar a aproximacao com o filho.

Considerando as vivencias concretas e emocionais do pai e da mae, Houzel (2004) propos tres eixos de compreensao da parentalidade: o exercicio, a experiencia e a pratica da parentalidade. Segundo o autor, o exercicio da parentalidade diz respeito aos direitos e deveres dos genitores em uma sociedade. Ja a dimensao da experiencia abarca os aspectos subjetivos da transicao para a parentalidade. Por fim, a pratica considera as interacoes comportamentais e afetivas em cuidados e brincadeiras no dia-a-dia com o filho. No presente estudo, sera enfocado o eixo da pratica da parentalidade, atraves do conceito de envolvimento paterno, conforme descrito por Lamb, Pleck, Charnov e Levine (1985).

Tradicionalmente, os papeis atribuidos a homens e mulheres no que se refere a pratica da parentalidade costumavam assumir diferentes aspectos, ja que a mae seria a cuidadora primaria e o pai, responsavel pelo suprimento material a familia (Ramires, 1997). No entanto, ainda na decada de 1980, Brazelton (1988) ja destacava a importancia da participacao mais igualitaria do pai na criacao dos filhos, nao somente no apoio a mae, mas tambem colaborando com os cuidados e as decisoes sobre a crianca. A literatura sobre pais norte-americanos concorda que esses vem modificando seu envolvimento na vida familiar, assumindo outras tarefas com os filhos (Cabrera, Tamis-LeMonda, Bradley, Hofferth & Lamb, 2000). No entanto, pouco ainda se sabe sobre o envolvimento de pais brasileiros com seus filhos. A figura de um pai distante e incompetente para os cuidados primarios nao mais corresponde a realidade. A macica entrada das mulheres no mercado de trabalho e outros fatores socio-economicos podem estar determinando uma maior participacao do pai nos cuidados com a crianca (Bailey, 1994; Cabrera et al., 2000). Neste sentido, em um estudo transcultural comparando as atividades diarias de criancas de tres anos, Tudge et al., (2006) encontraram que os pais brasileiros foram mais igualitarios do que pais em outros seis paises (incluindo pais norte-americanos) engajando-se em brincadeiras e outras interacoes com seus filhos tanto quanto suas esposas.

Assim, a definicao de paternidade ampliou-se a partir desta maior disposicao dos pais para atividades anteriormente vistas como tipicas da maternidade (Lamb, 1997). Estudos atestaram as habilidades dos pais para a "maternagem" do bebe, demonstrando que a sensibilidade e responsividade paterna nao diferem significativamente daquelas apresentadas pelas maes (Belsky, Gilstrap & Rovine, 1984; Easterbrooks & Goldberg, 1984). Ao mesmo tempo, autores acreditam que os pais influenciam de forma particular o desenvolvimento dos filhos, distinguindo-se das maes por proporcionar interacoes mais ritmicas e corporais e por oferecer um apoio menos proximo (Brazelton, 1988; Lebovici, 1987; Roggman, 2004; Tamis-Lemonda, 2004). No estudo de Belsky et al. (1984) enquanto as maes foram mais estimuladoras, responsivas e demonstravam mais afeto do que os pais ao longo dos primeiros nove meses, os pais eram mais engajados em ler e assistir televisao. No entanto, os autores afirmam que as diferencas quantitativas entre pais e maes tendem a diminuir ao longo do desenvolvimento do bebe, apontando que a experiencia dos pais com o filho e a reducao do tempo das maes com os bebes acarreta um maior envolvimento dos pais e maior facilidade para assumir o papel parental.

Assim, apesar de existirem muitos estudos descritivos sobre comportamentos, caracteristicas e influencias do pai sobre a crianca, bem como sobre as diferencas entre maes e pais, Roggman (2004) considera necessarias elaboracoes teoricas mais consistentes no que diz respeito a paternidade. O conceito de envolvimento paterno tem sido util para a compreensao da relacao pai-filho. Esse conceito tem sido caracterizado de diferentes maneiras na psicologia e nas ciencias sociais, mas uma das definicoes mais bem aceita e utilizada foi proposta por Lamb et al. (1985). Esses autores delimitaram tres componentes para a investigacao do comportamento paterno: interacao, acessibilidade a crianca e responsabilidade. A interacao refere-se ao contato direto com o filho, atraves do cuidado e outras atividades compartilhadas. A acessibilidade diz respeito a presenca ou disponibilidade potencial para interagir com a crianca. Por fim, a responsabilidade relaciona-se ao papel que o pai desempenha assegurando cuidados e recursos para a crianca. Inicialmente, o envolvimento paterno foi operacionalizado de forma quantitativa, medindo-se o numero de horas que o pai destinava aos cuidados e outras atividades com a crianca. Posteriormente, Parke (1996) apontou a importancia dos aspectos relacionados com a qualidade e o conteudo na analise do envolvimento paterno. Alem disso, mudancas na vida familiar como, por exemplo, o grande numero de pais que nao vivem com seus filhos (por separacao do casal ou por geracao da crianca fora de um relacionamento estavel), exigem uma definicao mais ampla do conceito (Silva, 2003; Silva & Piccinini, 2004).

O envolvimento paterno tem sido relacionado a diversos efeitos positivos sobre o desenvolvimento infantil. Um maior envolvimento dos pais estaria associado com maior competencia social e capacidade de regulacao emocional das criancas, podendo inclusive moderar efeitos da depressao e nao-responsividade materna (Lamb, 1997; Mezulis, Hyde, & Clark, 2004; Roggman, Boyce, Cook, & Cook, 2003). Embora o envolvimento paterno venha aumentando nas ultimas decadas (Amato & Gilbreth, 1999), Bailey (1994) afirmou que, ao longo da primeira infancia, ele permanece tendo seu foco na interacao social e menos em atividades relacionadas aos cuidados. Deste modo, as mudancas relacionadas ao desempenho do papel paterno podem nao ter, ainda, uma influencia mais direta sobre os filhos, em particular nos seus primeiros meses de vida. Ainda com relacao a isso, Rustia e Abott (1993) alertaram que haveria uma defasagem entre esta nova cultura de paternidade e a conduta efetiva de maior participacao nas tarefas com os filhos. Assim, o presente estudo teve como objetivo investigar com se da o envolvimento paterno durante os primeiros tres meses de vida do bebe, descrevendo as formas de envolvimento dos pais com seus filhos no que diz respeito as tres dimensoes do envolvimento paterno propostas por Lamb et al. (1985) a saber: interacao, acessibilidade e responsabilidade.

Metodo

Participantes

Participaram deste estudo 38 pais primiparos, com idades entre 20 e 40 anos. A idade media dos participantes era de 29,4 anos (DP = 5,7). Todos viviam com a mae do bebe que tambem era primipara. Na ocasiao das entrevistas, os bebes tinham entre tres e quatro meses de idade completos e nao apresentavam problemas de saude. Os pais eram de niveis socio-economicos variados e residiam na regiao metropolitana de Porto Alegre. Quanto ao nivel de escolaridade, a maioria dos participantes tinha ensino superior (incompleto: 29%; completo: 21%; pos-graduacao: 5,2%). Os demais se distribuiam entre ensino fundamental incompleto (5,2%) e completo (8%), ensino medio incompleto (2,6%) e completo (29%). Considerando-se o status ocupacional dos pais (Hollingshead, 1975), as profissoes variaram entre "baixo status" (31,5%; profissoes classificadas entre 1 e 4 como, por exemplo, pedreiro, auxiliar de padaria e zelador), "status medio" (24%; profissoes classificadas de 5 a 6, como representante comercial e tecnico em quimica) e "alto status" (42%; profissoes classificadas de 7 a 9 como, advogado e dentista).

Os pais do presente estudo foram selecionados, com base nos criterios apontados anteriormente, dentre os participantes do projeto intitulado "Estudo Longitudinal de Porto Alegre: Da Gestacao a Escola" (Piccinini, Tudge, Lopes, & Sperb, 1998). Este estudo acompanhou 81 familias, cujas gestantes eram primiparas, representando varias configuracoes familiares, diferentes idades, escolaridade e niveis socio-economicos. O contato inicial para participar deste estudo foi feito com as gestantes no terceiro trimestre de gravidez, atraves de hospitais da rede publica e privada de Porto Alegre, postos de saude, anuncios em jornais, e por indicacao. O projeto recebeu aprovacao do Comite de Etica dos hospitais envolvidos na coleta de dados e da UFRGS. Quarenta pais preencheram os criterios para participar deste estudo, entretanto dois participantes foram excluidos porque as entrevistas nao estavam completas.

Procedimentos e Instrumentos

Os pais foram convidados para participar do estudo ainda durante a gravidez da companheira. Nessa etapa, a gestante era informada a respeito dos objetivos do estudo e respondia a Ficha de contato inicial (GIDEP, 1998a), a qual buscava verificar se a familia possuia as caracteristicas gerais delineadas para composicao da amostra. Preenchendo esses criterios, era marcado um encontro na residencia dos participantes, quando a mae e o pai assinavam o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e respondiam a Entrevista sobre dados demograficos da familia (GIDEP, 1998b). Com esta entrevista foram obtidas informacoes adicionais, como idade, escolaridade, estado civil, ocupacao, religiao e grupo etnico.

Apos o recrutamento e entrevistas realizadas na gestacao, que nao foram utilizadas no presente estudo, as familias eram novamente contatadas quando o bebe completava o primeiro trimestre de vida. Os casais eram convidados a participar de novas entrevistas e de uma filmagem da interacao familiar, o que tambem era realizado na residencia da familia. Para o presente estudo, serao utilizados apenas os dados da Entrevista sobre a Experiencia da Paternidade e o Desenvolvimento do Bebe no Primeiro Trimestre (GIDEP, 1999), a qual era respondida pelos pais nesta ocasiao. Esta entrevista estruturada e semi-aberta procurava examinar, dentre outras questoes, as impressoes do pai em relacao ao filho, seu desenvolvimento e temperamento, seus proprios sentimentos e dificuldades enquanto pai, o dia-a-dia do pai com o bebe, que tarefas assumia nos cuidados com ele, tipos de brincadeiras que fazia e as suas percepcoes sobre a companheira como mae. A entrevista demorava aproximadamente uma hora, era gravada e, posteriormente, transcrita. As respostas dos pais a esta entrevista foram examinadas atraves da analise de conteudo (Bardin, 1977; Laville & Dionne, 1999). Com base nesta tecnica, as respostas do pai foram recortadas e organizadas em categorias tematicas.

Resultados

A partir do conteudo das respostas dos pais a entrevista sobre a paternidade, bem como nos eixos teoricos do envolvimento paterno (Lamb et al., 1985), foram construidas tres categorias: Interacao com o bebe, Acessibilidade para o bebe, e Responsabilidades e preocupacoes com o bebe. Estas foram compostas de diversas subcategorias tematicas, propostas pelos autores, as quais serao apresentadas e discutidas a seguir. Algumas categorias e subcategorias foram ilustradas com vinhetas extraidas das entrevistas (3). Ao final de cada categoria, sao apresentadas tabelas com a distribuicao das respostas em cada subcategoria.

Interacao com o Bebe

A categoria Interacao com o bebe inclui falas dos pais a respeito das atividades, de cuidado ou lazer, que eles realizam com o bebe e compreende sete subcategorias: brincar, cuidar, conversar, passear, demonstrar afeto, distrair, e estimular. Conforme apresentado na Tabela 1, grande parte dos participantes (34) do presente estudo afirmou realizar atividades de cuidado com o bebe. No entanto, em muitos dos relatos os pais nao especificaram a atividade realizada com o bebe ou se referiam apenas aos momentos em que ficavam responsaveis por ele, dando-lhe atencao. Como se vera a seguir, em outras partes da entrevista, a maior parte deles acabou detalhando as atividades com o filho. Para seis pais algumas dessas situacoes ocorriam quando a mae precisava fazer outras atividades e entao eles ficavam com o filho/a: "Eu fiquei com ele [o filho] na cama e ela [mae] saiu. (...) Ela foi fazer um trabalho" (P4). Tres pais ainda afirmaram ter se responsabilizado pelos primeiros cuidados do bebe no periodo em que a mae se recuperava do parto: "Logo que ele nasceu, que dai ela tinha feito cesarea, eu assumi tudo" (P10). Pelo menos oito pais relataram realizar todas as tarefas de cuidado com o filho/a, embora isso pudesse acontecer em carater eventual ou nos finais de semana: "Quando eu estou em casa no fim de semana, ela [mae] vai fazer atividades e eu procuro ficar um tempo com ela [a filha]" (P25). Enquanto oito pais mencionaram auxiliar a mae nos cuidados do bebe, outros onze afirmaram que as tarefas eram divididas pelo casal. Com relacao a este aspecto, quatro pais relataram disponibilizar-se, por iniciativa propria, para cuidar do bebe e outros tres o faziam mediante solicitacao da companheira: "Tudo que eu sei fazer, tudo eu ajudo, eu divido as tarefas com ela [mae]" (P31); "Quando eu estou presente ela [mae] faz questao que eu tambem faca essas coisas com ele. Nao e uma coisa nem pesada tipo 'Faz tu que eu nao vou fazer ' e tambem, nao, e renegando assim, deixando o pai de fora. Nao. Dentro das possibilidades ela me pede para fazer as coisas" (P35).

As atividades de cuidado do bebe que os pais afirmaram realizar, seja de maneira rotineira ou eventual, foram trocar fraldas, dar banho, pegar no colo, alimentar, preparando e dando ao bebe a mamadeira ou alimentos pastosos, atende-lo durante a noite e cuidar da sua saude, levando-o ao medico, dando-lhe remedio ou observando habitos de higiene e prevencao de doencas: "A primeira coisa foi trocar [as fraldas] e eu troquei, me sai muito bem, me surpreendi ate" (P33); "Eu chego em casa e eu que dou o banho nele" (P23); "Ela [mae] faz eu pegar ele no berco [durante a noite]. (...) Eu vou epego, faco ele arrotar, largo no berco, espero ele dormir e ela ta dormindo. Pego as coisas para mudar ele, pego fralda, mudo ele" (P38). Alguns pais tambem referiram fazer o bebe dormir, acalma-lo, vesti-lo, participar no periodo de sua adaptacao na creche e leva-lo e busca-lo na creche: "Se eu vejo que ela ja ta com sono, faco ela dormir" (P2).

A maioria dos pais (26) expressou dificuldades e/ou um sentimento de incompetencia frente ao manejo do bebe. Destacaram-se as dificuldades em acalmar o bebe quando ele chorava, em atender as suas necessidades, faze-lo dormir, segura-lo no colo e/ou trocar fraldas: "Eu ja troquei as fraldas, so que eu nao tenho muita habilidade, e meio complicado" (P1). Um dos pais relatou ter dificuldades em limpar a sua filha, na troca de fralda, por ela ser menina. Tambem foi citada a dificuldade de dar banho e de vestir o bebe, a qual, muitas vezes, estava relacionada ao medo de machuca-lo. Alguns pais referiram ainda falta de paciencia ou de motivacao para atender o bebe: "As vezes falta um pouco de paciencia pra fazer tudo que ele quer, na hora que ele quer" (P22). Muitos pais destacaram que, frente a estas dificuldades, deixavam o bebe aos cuidados da mae, vista como mais competente por ser mais habilidosa ou por ter mais tempo com o bebe: "Nao consigo porque ele e molinho, se mexe, eu tenho medo de machucar ele, os bracinhos e passar a camisetinha pela cabecinha dele, eu tenho medo de machucar ele. Entao eu ja deixo pra mae que a mae ja tem mais experiencia" (P7).

Quase todos os pais (34) pais relataram brincar com seu bebe. Os tipos de brincadeiras citados foram brincadeiras motoras ou com o corpo do bebe, como cocegas, dancas, brincadeiras com objetos, como brinquedos, com parte do corpo do pai, alem de conversas. Os participantes demonstraram intenso prazer e satisfacao no relato destas atividades: "Ele gosta de ficar deitadinho e eu mexendo na barriguinha dele, faco ele rir" (P12); "Eu brinco com ela bastante e ela sempre me da retorno, um retorno bastante grande, ela tambem gosta de brincar" (P18). Varios pais tambem mencionaram levar o bebe para passear em parques, pracas, sair de carro, de onibus ou caminhando com o bebe em outros lugares: "Pegar ela [afilha] e ficar perambulando com ela. (...) Ficar passeando mesmo, sair, pular, caminhar" (P13). A maioria dos pais (21) destacou conversar com o bebe, seja para interagir com ele, acalma-lo ou aproximar-se dele imitando suas vocalizacoes: "Quando eu chego em casa e falar com ela, ver se ela vai me dar um sorriso. (...) Eu chego em casa e descrevo como se ela tivesse me contando o dia dela, eu chego e falo: 'Ah papai, hoje de manha eu levantei, a minha mae me deu mama' (...) Ela fica super faceira, ela ri, fica super contente quando eu faco isso" (P18).

Poucos pais (7) relataram realizar atividades para distrair o bebe, mostrando a ele algum objeto ou paisagem, vendo televisao, cantando ou escutando musica: "Eu gosto de sentar com ela de frente da televisao, ela fica as vezes assistindo uns negocios la, ela olha os movimentos, as cores, assim, eu coloco um desenho, eu adoro ficar vendo com ela as caretas, as coisas que ela faz" (P15). Ainda poucos pais (8) referiram demonstrar afeto pelo filho/a atraves de abracos, beijos, caricias e massagens que faziam no bebe: "E bom ficar beijando o rosto assim, a sensacao e boa (...) da a sensacao de que ele mesmo ta beijando, abracar, de ficar tocando nele" (P24). Um dos pais ainda relatou ficar olhando carinhosamente para o bebe, apreciando-o. Alem destas situacoes, cinco pais afirmaram realizar atividades com o intuito de estimular o desenvolvimento das habilidades fisicas e/ou cognitivas do bebe, ensinando movimentos, incentivando o balbucio, apresentando objetos e outros estimulos: "Eu fico estimulando ela, perguntando as coisas, comentando, falando e ela comeca a botar a voz pra fora como se quisesse falar" (P18).

Com relacao a pergunta "O que voce mais gosta de fazer com o bebe?", a atividade preferida pela maioria dos pais (15) foi brincar com o filho/a: "Eu gosto de ficar brincando com ela. Eu faco um barulhinho com a boca e ela tenta fazer igual. Acho isso legal" (P30). Outras atividades relatadas pelos pais foram: conversar com o bebe (9); leva-lo para passear (7); dar banho no bebe (4); o distrair (4); e pega-lo no colo (4): "Eu fico conversando com ela. Logico que entendo quando ela fica vidrada, dependendo do tipo de som que eu falo ela responde com um som semelhante, isso e uma habilidade que ela tem" (P8). As atividades fazer o filho/a dormir e demonstrar afeto foram citadas, cada uma, por apenas dois pais como sua atividade preferida com o bebe. Ainda foram referidas por alguns participantes como atividades preferidas trocar fraldas, dormir com o bebe e admira-lo, cada uma citada por um pai: "Ficar curtindo ele, olhando ele, eu faco muito isso quando eu posso de ficar olhando ele e curtindo, os tracos dele. Todo mundo diz que e parecido comigo, entao eu fico ali, babando em cima!" (P27).

Com relacao a pergunta "O que voce menos gosta de fazer com o bebe?", as respostas dos pais envolveram uma grande variedade de situacoes, sendo que as atividades mais referidas como menos prazerosas foram acalmar o bebe (5), trocar suas fraldas (4), faze-lo dormir (3) e acordar a noite para atende-lo (3). Outras atividades referidas, cada uma por um participante, envolviam situacoes como fazer o bebe arrotar, vacina-lo, limpar o seu nariz, dar remedios a ele, dar o banho, ficar com o bebe no colo quando este se mexia muito, ficar acordado ate mais tarde com o bebe e leva-lo para cama depois que a mae dava-lhe o peito a noite. Alguns pais destacaram os motivos pelos quais nao apreciavam estas atividades. Estes incluiam a falta de habilidade e paciencia ou a grande quantidade de tempo despendida para realizar a atividade, o cansaco, o sono e a dificuldade: "Trocar fralda, a fralda e terrivel, eu nao tenho jeito pra coisa. Ja troquei uma vez, mas nao deu certo" (P1); "Na hora do choro, a gente tem que acordar e interromper o sono. Eu fico as vezes bem irritado com isso" (P13).

Acessibilidade para o Bebe

Esta categoria compreende os relatos dos pais sobre sua disponibilidade de tempo e atencao para a familia e para o bebe, mas nao necessariamente realizando atividades de interacao com ele ou auxiliando a mae. Desta forma, os pais podiam estar simplesmente fazendo companhia ao filho/a (estar junto). A classificacao abarca duas subcategorias: quantidade de tempo com o bebe e avaliacao do tempo com o bebe. Como explicitado na Tabela 2, quase todos os pais (32) fizeram relatos sobre o tempo que tinham para dedicar ao bebe. A maioria deles referiu ter os finais de semana e as noites, durante a semana, para conviver com o bebe, pois trabalhavam o dia inteiro. Dois pais ainda estudavam a noite, depois do trabalho, podendo conviver com o bebe somente no final de semana. Alguns pais conseguiam almocar em casa ou dar "fugidas" durante o expediente para ver o filho/a. Outros pais ficavam com o bebe algumas horas durante o dia, seja por trabalhar durante a noite ou em somente um turno, ou porque trabalhavam em casa, situacoes que permitiam a eles passar o dia mais proximo do bebe.

Varios pais (14) avaliaram dedicar pouco tempo ao bebe no seu dia-a-dia, relatando os motivos desta restricao, os seus sentimentos frente a situacao e/ou descrevendo seus momentos com o bebe. Em grande parte, o pouco tempo disponivel para o bebe devia-se a carga horaria de trabalho e atividades de estudo. Alguns pais sentiam que o pouco tempo os impedia de ter maior participacao nos cuidados e na rotina do bebe, enquanto outros salientaram que o cansaco decorrente da longa jornada de trabalho dificultava este envolvimento quando estavam com a familia. Quatro pais verbalizaram explicitamente que gostariam de ter mais tempo para se dedicarem ao bebe e a esposa: "E tanta coisa que nao da nem tempo de parar para pensar de tanta correria no trabalho, na faculdade. (...) Eu acho que eu participo pouco, por essa questao de tempo eu participo muito pouco, tanto com ele [ofilho] quanto com a K. [esposa]. Queria estar mais tempo com eles" (P24). Um dos participantes considerava que nao acompanhava o desenvolvimento e as aquisicoes do filho devido ao pouco tempo e outro destacou sentir saudades do bebe em funcao do afastamento diario: "O trabalho esta desgastante. Entao eu sinto assim, cada vez que eu vejo ele, ele ja ta maior e eu nao to ... eu nao to passando todas as fases assim sabe. (...) Eu chego em casa e ela [mae] me conta as coisas: 'Ele fez isso, ele fez aquilo'. Eu queria ta junto, pena que eu nao to junto, eu digo: 'Bah, porque que eu nao passo o dia inteiro com ele?" (P27).

Ainda quanto a avaliacao do tempo com o bebe, mais da metade dos pais (22) salientou que estavam acessiveis para auxiliar a mae, descrevendo momentos em que auxiliavam a mae a cuidar do bebe, realizando atividades como preparar o banho, fazer e/ou alcancar a mamadeira, levar o bico, os produtos de higiene para troca de fraldas ou realizar atividades domesticas. Um dos pais relatou levar o bebe para que a mae o amamentasse durante a noite. Enquanto alguns pais referiram que realizavam estas atividades por solicitacao da companheira, outros o faziam por iniciativa propria, sendo que dois destacaram que ja tinham uma divisao de tarefas estabelecida pelo casal: "Sempre que precisa eu ajudo ela. (...) Para pegar as coisas, quando ela nao tem na mao, sempre solicita ajuda e, as vezes, eu observo que falta alguma coisa e busco" (P5). Enquanto dois pais revelaram sentirem-se irritados com algumas solicitacoes da esposa, outros dois participantes expressaram satisfacao por ajudar: "Ela [a esposa] esta trocando a F., ai ela diz assim: 'me alcanca uma fralda'. Eu vou la e pego a fralda, ai: 'me alcanca o creme'. Por que ela nao me pediu a fralda e o creme entao? Entendeu? Uma coisa perto da outra, ai la vou eu, por que ja nao pede tudo de uma vez? As vezes eu me irrito com essas coisas" (P15).

Responsabilidades e Preocupacoes com o Bebe

Esta categoria abarca os relatos dos pais sobre as responsabilidades que assumiam com o bebe no que diz respeito a sua participacao e influencia direta na rotina, em aspectos educativos e de cuidado, assim como suas preocupacoes com os filhos. Quanto as responsabilidades, destacaram-se quatro subcategorias: participacao nas decisoes sobre o bebe; mae como principal responsavel; aumento das responsabilidades; e, conversar com a mae sobre aspectos do cuidado/educacao do bebe. Quanto as preocupacoes destacam-se: com o cuidado do bebe por outras pessoas; com a educacao do filho; em ser bom pai; com a saude do bebe; com a sobrecarga da esposa; com o futuro do filho; e com o sustento financeiro da familia. A Tabela 3 apresenta as porcentagens e frequencias para cada categoria e subcategoria.

A quase totalidade dos pais percebia que o nascimento do seu primeiro filho/a trouxe responsabilidades (35) e preocupacoes (36). Quanto a isso, quase todos os pais (31) afirmaram participar das decisoes a respeito de como e por quem o bebe seria cuidado. Para tanto, os pais consideraram a disponibilidade de familiares para ficar com o bebe, os seus horarios de trabalho, o custo financeiro das alternativas e as crencas a respeito do que seria melhor para o filho: "Eu tenho mais confianca em deixar aqui com a minha sogra" (P11); "Mas a gente nao sabe ainda, porque tambem nao tem como so ficar com as avos, as avos tambem tem as vidas delas, entao esta parte ai a gente nao sabe se a gente contrata alguem, isso ai e ... essas decisoes assim, sao dificeis" (P33). Quando a decisao era colocar o bebe em uma creche, nove pais afirmaram contribuir na decisao sobre a idade em que isso ocorreria e sobre qual escola. Outro participante referiu participar da decisao sobre se o bebe dormiria no seu proprio quarto ou com os pais.

Diversos pais (17) salientaram as mudancas trazidas pelo nascimento do bebe, considerando a necessidade de prioriza-lo, adaptar-se ao seu ritmo e dedicar-se a ele constantemente, tendo em vista a sua total dependencia dos pais: "Sempre tendo a consciencia que em casa tem um nene que precisa de mim, e por muitos anos ainda vai precisar de mim" (P8). Neste sentido, um pai destacou o carater definitivo das responsabilidades e preocupacoes, enquanto outros dois enfatizaram a mudanca de status proporcionada pelo nascimento de seu filho/a: "Estou me sentindo diferente, assim no trabalho eu achei que eu to diferente, to pensando mais que eu tenho uma familia agora, antes que eu tinha so a J. [esposa], a gente nao pensava tanto como uma familia, hoje a gente pensa muito mais como uma familia" (P18).

Contudo, varios pais (17) destacaram que a companheira tinha a maior responsabilidade pelos cuidados do bebe, seja por que ela realizava mais tarefas ou porque havia atividades que lhe eram exclusivas (principalmente ligadas a higiene e alimentacao). Muitos destes pais acreditavam que isto acontecia porque a mae dedicava mais tempo ao bebe. Em alguns casos, este fato se devia ao periodo de licenca maternidade: "Ela [mae] que passa a maior parte do tempo com ele. (...) Quando eu chego em casa, ela ja fez tudo" (P38). Um dos participantes atribuiu a maior responsabilidade da mae pelo cuidado da filha a proximidade da relacao mae-bebe durante o periodo de amamentacao: "Tu nao tem como interferir na relacao mae e filha. Elas estao muito proximas, ela mama no peito da mae umas dez vezes por dia. (...) Entao a participacao do pai e mais afastada, mas mesmo assim eu procuro estar sempre presente" (P8).

Varios pais (13) relataram dialogos do casal, fossem estes amistosos ou conflituosos, sobre aspectos do cuidado e educacao do bebe, tais como a maneira de lidar com ele e a escolha pela forma de cuidado alternativo. Um dos pais acreditava que conversar com a mae sobre a filha era uma forma de participar indiretamente do seu cuidado e dia-a-dia, ja que passava pouco tempo em casa: "A gente tem trocado muita ideia porque eu nao posso estar ao longo da semana com ela [bebe], a maior parte do tempo. As coisas que talvez eu gostaria de fazer, ela [mae] tem feito por mim, as coisas que a gente procura dar, cuidados" (P25). Dois pais referiram discutir sobre a participacao da familia extensa nos cuidados com o bebe, demonstrando insatisfacao por considerarem que havia interferencia excessiva de familiares da esposa: "Eu e a C. [mae] a gente conversou: 'Olha, agora o negocio e o seguinte, quando a T. [bebe] estiver chorando, alguem tem que parar e dar atencao para ela'. Porque e crianca, ela precisa de nos" (P3); "Eu ate disse para a A. [mae], quando for ver essa creche tem que ver com quem vai ficar, tem que ver bem, sabe. Ser bem xarope sobre isso ai, como e que e, onde ele [bebe] vai ficar" (P7).

Quanto as preocupacoes, a maioria dos pais referiu preocupar-se sobre algum aspecto do cuidado do bebe por outras pessoas, como familiares, babas ou professoras da escola, mesmo em situacoes em que este nao ocorria de forma sistematica ou que fosse acontecer num futuro proximo, quando a mae voltasse a trabalhar ou estudar. As preocupacoes se referiram a higiene, seguranca, saude, bem-estar psicologico e desenvolvimento do bebe. Oito pais destacaram sua discordancia com algum aspecto das praticas de cuidado do bebe por parte do cuidador e um destes pais apontou sua insatisfacao com a intrusao demasiada dos sogros nos cuidados da filha: "Estavamos pensando em uma pessoa para ficar aqui. Mas ai ate o meu pai achou meio complicado, botar uma pessoa que a gente nao conhece, que a minha mae ia ter que vir aqui toda hora dar aquelas incertas para ver como e que andavam as coisas. Entao que ficaria melhor deixar [o bebe] la com a minha mae. Por enquanto ele e muito novinho" (P12); "Algumas coisas so que eu fico bem preocupado, que eu nao gosto muito. Por exemplo, quando os avos e as avos, falam: 'Ah, voce devia dar isso, aquilo'. Comecam a dar opiniao quanto a alimentacao" (P25).

As preocupacoes dos pais com a ida do bebe para a creche incluiam o temor de que o maltratassem, de que ele nao recebesse uma boa atencao e cuidado e de como ele iria reagir aos periodos longe de casa. Assim, tres pais declararam que nao gostariam de colocar o bebe na creche e outros dois afirmaram desejar que somente a mae cuidasse da crianca: "Entao eu ja fico meio assim, com medo [de colocar na creche]. Sera que as pessoas vao cuidar bem dele? Sera que vao dar atencao para ele? Claro que a pessoa nao vai ficar ali so cuidando dele, tem outras criancas, mas eu ja fico pensando: Sera que vao maltratar?" (P7). Muitos pais (24) expressaram sentimentos de ciumes, saudade, inseguranca, medo e ate desconfianca frente ao cuidado do filho/a por outras pessoas naquele momento ou num futuro proximo: "Ciume e normal. A gente esta aqui conversando, mas fica cuidando para ver se a pessoa esta cuidando direito, se pega direito, porque e meu [filho], o cara ta cuidando ali, mas eu nao descuido, sou um pouco superprotetor" (P1). Todavia, pelo menos nove pais manifestaram satisfacao, tranquilidade e confianca com relacao ao cuidado que o bebe estava recebendo ou que logo receberia: "Ele vai estar numa creche boa. Eu fico mais tranquilo do que deixar em casa. Apesar de que essa empregada eu gosto, tudo, mas eu acho que uma creche tem mais responsabilidade. (...) Nao pode deixar acontecer qualquer coisa" (P36).

Muitos pais (17) expressaram atencao com a educacao do/a filho/a, tanto no que diz respeito ao momento atual, preocupando-se em estimular o seu desenvolvimento cognitivo e social, quanto em relacao ao futuro, preocupando-se em prepara-lo para as responsabilidades da vida adulta e dar-lhe estudo: "Tem o lado da responsabilidade (...) no minimo proporcionar pra ele uma boa educacao em casa e tambem na vida" (P14). Muitos destes pais (13) consideraram que a creche era importante para o desenvolvimento do bebe, pois facilitaria a convivencia com outras criancas e a aprendizagem de regras e limites, complementando a educacao recebida em casa. Apesar de avaliarem, geralmente, a ida para a creche como algo positivo, dois pais declararam ter receio por deixar o/a filho/a na escolinha: "Ela vai estranhar no inicio, isso e obvio, mas e ate bom para ela se socializar" (P17); "Ali nao vai ser o centro das atencoes, vai ter outras criancas, vai disputar. O mundo e assim, e uma preparacao para o mundo a creche. Embora tenha os lados negativos" (P25).

Varios pais (12) demonstraram uma preocupacao em serem bons pais, evitando erros ou falhas e buscando aproximar-se o maximo possivel de seu ideal de paternidade. Estes pais referiram o desejo de transmitir para o filho seus conhecimentos e caracteristicas positivas, de serem vistos por ele como uma pessoa correta e de que nada faltasse a crianca: "Olha, eu vou tentar assim, passar o melhor pra ela. O que eu aprendi com meus pais, tentar passar o melhor pra ela" (P3). Outros participantes tambem se preocupavam em dar atencao e carinho para o bebe, ajudar a cuida-lo e fazerem-se presentes: "Tudo o que eu puder passar para ele, eu vou passar, assim, as coisas boas, como pai, para que ele possa ter o carinho meu, o amor para poder viver, nao ficar com aquela impressao de que nao foi amado, nao foi criado com carinho" (P4).

A preocupacao com a prevencao ou tratamento de problemas de saude do bebe tambem foi referida por varios pais (11) e incluiu pontos como os cuidados com o ganho de peso do bebe, alimentacao, exposicao ao sol, evacuacoes e reacoes as vacinas. Entre estes, alguns afirmaram colocar regras para os visitantes do bebe (como lavar as maos e nao fumar), seguir as orientacoes do pediatra e evitar colocar o bebe na creche para que ele nao ficasse doente: "Eu procuro fazer a orientacao tudo certa com o pediatra dela, com a enfermeira que atende ela" (P2); "Em creche a gente nao gostaria de deixar porque ele e muito pequeno, ate o proprio pediatra disse 'Se tu vai deixar numa creche, toda semana [o bebe]vai ter alguma coisa'" (P33).

Alguns pais (8) preocupavam-se com o desgaste fisico e/ ou emocional da esposa, ja que ela assumia quase todos os cuidados com o bebe e ficava a maior parte do tempo com ele. Em particular, um dos pais acreditava que o periodo de amamentacao exigia muita dedicacao da mae, sendo algo cansativo. Dois pais salientaram que, alem dos cuidados com o bebe, a esposa assumia as tarefas domesticas, o que a sobrecarregava com mais atividades. Estes pais expressaram sentimentos de empatia, compreensao e culpa pela situacao de estresse experimentada pela mae: "Eu acho que e muito mais responsabilidade como mae. As vezes eu gostaria muito de poder tirar assim, o peso que ela tem, principalmente quando tava amamentando. Quando ta o dia todo em funcao do bebe, para mae e muito desgastante. E ainda tem aquela relacao de mamar, que e logico, e um grande prazer mas, por outro lado, tambem tu ta desgastado e ai o nene, tipo assim, te suga. (...) Ela ta bastante estressada e desgastada por causa disso tambem" (P9). Frente a isso, dois participantes relataram incentivar o retorno da esposa ao trabalho para que ela buscasse sua realizacao profissional: "A minha esposa quer voltar a trabalhar, ela tem que trabalhar. (...) Nao da so para deixar para a mulher, so depois vai trabalhar fora, vai cuidar dela [bebe] em casa, porque e cansativo. Barbaridade, cuidar de crianca e cansativo" (P37).

Seis pais referiram preocupacoes com o futuro de seu filho, expressando o desejo de que ele/a tivesse um bom carater, escolhesse uma boa profissao e tivesse melhores oportunidades na vida do que as que teve: "Eu acho que eu nao tive muitas oportunidades que nem ela vai ter, e acho que eu sempre vou dar mais oportunidades para ela" (P5). Um pai preocupava-se com a epoca em que sua filha comecasse a sair a noite, e outro pai temia que seu filho pudesse envolverle com drogas. Um pai ainda afirmou desejar que a filha fosse, no futuro, melhor que o pai no controle das emocoes: "Souber fazer o que eu nao consigo fazer (...) dela saber dominar esse lado dela, esse lado explosivo" (P2). Outros cinco pais manifestaram apreensoes relativas a manterem o sustento da familia e em proporcionar ao filho maior conforto e oportunidades: "Eu acho que o meu medo maior e, assim, e proporcionar a ele coisas que ele quer. De repente, alguma coisa material, "eu quero isso, quero aquilo" e eu nao poder proporcionar tudo" (P14).

Discussao

Ate algumas decadas atras, as pesquisas empiricas abordavam o papel e importancia do pai sobre o desenvolvimento da crianca somente em um periodo posterior a primeira infancia, associando-o a aspectos como a competencia cognitiva e social e, particularmente, em relacao aos filhos do sexo masculino (Lebovici, 1987). Embora se observe uma maior preocupacao com a paternidade nos ultimos anos, no periodo que compreende os primeiros meses apos o nascimento do bebe ainda predominam estudos que enfocam a maternidade. O presente estudo buscou investigar o envolvimento paterno durante os primeiros tres meses de vida do bebe, baseando-se nas tres dimensoes do conceito de envolvimento paterno (Lamb et al., 1985) a saber: interacao, acessibilidade e responsabilidade do pai para com seu filho.

Os achados do presente estudo apontaram que muitos pais estavam envolvidos em atividades de interacao e cuidados com o bebe, estando acessiveis a ele e a mae, alem de compartilhar responsabilidades e preocupacoes em relacao ao cuidado, educacao e sustento da crianca. Quanto a interacao direta com o bebe, muitos pais relataram se envolver em diversas tarefas de cuidado, como dar atencao e ficar com o bebe, trocar fraldas e roupas, dar o banho, fazer o bebe dormir ou acalma-lo. Mesmo que estas atividades fossem desempenhadas, por vezes, de maneira eventual, os resultados demonstram a disponibilidade ou o esforco de pelo menos uma parte dos pais em envolverem-se com os cuidados do bebe. Estes dados parecem endossar a literatura que indica uma mudanca no envolvimento dos pais na criacao dos filhos pequenos, em especial entre pais que tem seu primeiro filho (Ninio & Rinott, 1988; Pleck, 1997; Rustia & Abott, 1993; Yeung, Sandberg, Davis-Kean & Hofferth, 2001).

Ao mesmo tempo, um numero expressivo de pais referiu dificuldades em desempenhar estas atividades, indicando que a sua participacao nos cuidados do bebe pode incluir sentimentos de inexperiencia e inadequacao. Pesquisas destacam que frente a um bebe pequeno e que demanda, prioritariamente, cuidados, os pais podem sentir-se confusos e deslocados, ja que muitos imaginavam o filho como amigo e companheiro de brincadeiras e esperavam uma interacao mais reciproca com ele (Barclay & Lupton, 1999; Goodman, 2005). Deste modo, apesar de muitos pais terem por vezes, expectativas de grande envolvimento na educacao e nos cuidados diretos com o bebe ainda na gestacao, isto nao necessariamente se traduzira em uma maior participacao nos cuidados nos seus primeiros meses de vida (Garfield & Chung, 2006).

Em consonancia com estas ideias, os participantes do presente estudo deram destaque as atividades nao-relacionadas aos cuidados, como brincar, conversar e passear com o bebe, as quais eram preferidas por muitos deles e experimentadas com satisfacao e alegria. Neste sentido, estudos apontam que os pais tendem a diferenciar seus deveres dos deveres da mae com uma crianca pequena, privilegiando o papel de companheiro de brincadeiras do filho e de disciplinador, ao inves do papel de provedor de cuidados (Bailey, 1994; Delmore-Ko, Pancer, Hunsberger & Pratt, 2000; Garfield & Chung, 2006). Para a maior parte dos pais do presente estudo, a mae permanecia como a responsavel principal pelos cuidados do bebe, sendo que muitos consideram estas tarefas dificeis e acreditavam que nao tinham habilidades suficientes para desempenha-las. Assim, as brincadeiras, conversas e passeios davam aos pais a sensacao de uma maior conexao emocional, auto-estima e intimidade com o bebe, na medida em que forneciam interacoes reciprocas e prazerosas para ambos, o que esta em concordancia com os achados de outros autores (Anderson, 1996; Goodman, 2005; Rezende & Alonso, 1995).

No que diz respeito a acessibilidade, todos os pais demonstraram estar disponiveis ao bebe e/ou para ajudar a esposa em algum periodo do dia, embora a quantidade de tempo que era despendida com a familia tenha variado bastante. A maior parte do tempo que os pais relataram disponibilizar ao bebe ocorria durante as noites nos dias de semana e, principalmente, aos finais de semana, achado que apoia a literatura (Yeung et al., 2001). Contudo, dentre os participantes do presente estudo, alguns pais trabalhavam em casa ou tinham horarios de trabalho bastante flexiveis, o que lhes permitia estar mais tempo junto ao bebe. Por outro lado, muitos pais relataram que tinham o tempo com a familia limitado em funcao do trabalho. Para estes pais, a grande carga horaria de trabalho restringia o seu tempo e envolvimento com suas familias e nas atividades cotidianas com os filhos, trazendo frustracoes. Apesar de existirem muitas formas de envolvimento, o tempo e um aspecto importante para compreender a atencao e o cuidado, direto e indireto, investido na crianca dentro do contexto familiar. Estudos sugerem que os pais se preocupam em gastar tempo com seus filhos, sendo esta uma prioridade para eles, embora saibam das dificuldades e custos que isso envolve (Daly, 1996; Nystrom & Ohrling, 2004; Sanderson & Thompson, 2002). Assim, a falta de tempo com a familia, o cansaco e, alem disso, a sensacao de que estavam perdendo momentos importantes do bebe sobrecarregavam muitos destes pais e, em consonancia com outros estudos, constituiam-se em uma barreira ao envolvimento nos cuidados com o bebe (Corwyn & Bradley, 1999; Garfield & Chung, 2006). Assim, entende-se que as demandas de trabalho podem nao somente restringir o tempo com o bebe, como tambem limitar a oportunidade de conhece-lo melhor e de adquirir habilidades para o seu cuidado. Alem disso, a preocupacao dos pais do presente estudo com o pouco tempo dedicado a familia podem refletir a busca por ajustar-se ao ideal de bom pai que, muitas vezes, associa-se a ideia de dedicar mais tempo a crianca e estar presente na sua rotina (Daly, 1996).

Quanto as responsabilidades que os pais relataram assumir com os filhos, destacaram-se as preocupacoes relativas a qualidade do cuidado provido por outras pessoas e a ansiedade em deixar o bebe com outros cuidadores, o que tambem foi encontrado em outros estudos (Anderson, 1996; Nystrom & Ohrling, 2004). Nesta direcao, alguns pais expressaram que o cuidado fornecido pela companheira ao bebe era o mais adequado, o que pode sugerir que os pais delegam a mae a principal responsabilidade pelos cuidados do filho (Nystrom & Ohrling, 2004). Mesmo assim, apesar de muitos pais nao assumirem, de forma sistematica, atividades diretas de cuidado, a grande referencia a preocupacoes com o cuidado do bebe, sua entrada na creche, sua educacao e seu futuro, assim como discutir e decidir com a companheira aspectos do cuidado do bebe, marcam um tipo de envolvimento e participacao destes pais na rotina da familia. Alem disso, muitos participantes afirmaram experimentar um aumento de suas responsabilidades e preocupacoes apos o nascimento do bebe, referindo tambem mudancas e adaptacoes que precisaram realizar na sua vida. Estes relatos salientaram o momento de transicao vivido pela familia durante o primeiro trimestre de vida de seu primeiro filho. Stern (1997) afirmou que o nascimento de um filho, em especial o primeiro, provoca profundas mudancas nao somente na rotina do casal e na vida conjugal, mas no mundo representacional dos pais e maes, os quais precisam re-elaborar as redes subjetivas que compoem sua identidade.

Neste sentido, os relatos de alguns pais apontaram que a pratica da paternidade pode ser acompanhada por sentimentos de desconforto e insatisfacao frente as dificuldades em desempenhar determinadas tarefas com o bebe ou por nao ter mais tempo com ele. Se, por um lado, estas vivencias podem relacionar-se a dificuldades individuais do proprio pai, por outro lado, estas podem tambem corresponder a uma mudanca no ideal cultural de pai, o qual impoe um maior envolvimento com os filhos e uma divisao mais igualitaria das responsabilidades com a crianca entre maes e pais (Barclay & Lupton, 1999; Henwood & Procter, 2003; Lewis & Dessen, 1999). Neste caso, haveria uma tensao entre a esfera profissional e familiar, sendo que a conciliacao entre as demandas destes dois papeis se torna dificil para muitos pais. Alguns autores apontam que a nocao de um novo pai tem provocado diversos paradoxos e tensoes que influenciariam as formas como os homens veem a si mesmos como pais e como desempenham a paternidade (Lupton & Barclay, 1997; Nistrom & Ohrling, 2004). Ao mesmo tempo em que este novo ideal de pai seria uma oportunidade para o homem expressar seus sentimentos de protecao e intimidade com o filho, desempenhando um papel mais igualitario na parentalidade, a identidade masculina permanece centrada, prioritariamente, no trabalho e no papel de provedor financeiro da familia. E possivel ainda que aspectos da cultura ocidental oportunizem pouco engajamento dos pais na criacao de seus filhos pequenos, a partir de praticas sociais que colocam o cuidado de um bebe como um dominio feminino (Anderson, 1996; Hewlett, 2000).

E importante destacar ainda que, aos tres meses de vida de seu primeiro filho, os pais encontravam-se ainda em um momento de transicao familiar, quando procuravam adaptar-se a realidade do bebe e as suas caracteristicas, ao papel de pai e as mudancas na relacao conjugal (Brazelton & Cramer, 1992; Stern, 1997). Alem disso, alguns pais do estudo consideravam que a mae tinha uma posicao privilegiada na relacao com o bebe, seja pela amamentacao no seio, pela maior responsabilidade nos cuidados e/ou por ter mais tempo com ele, o que pode denotar que se sentiam diminuidos ou colocados em segundo plano. Estudos tem encontrado que ciumes, solidao e sentimentos de exclusao da relacao entre mae e bebe sao comuns entre os pais, em especial durante as primeiras semanas apos o nascimento, sendo que muitos deles acham que precisam se esforcar mais do que a mae para atrair o bebe e marcar sua presenca (Anderson, 1996; Ahlborg & Strandmark, 2001; Goodman, 2005). No presente estudo, as preocupacoes de alguns participantes em serem bons pais, parecem tambem evidenciar a busca por seguir um ideal de paternidade e legitimar a sua importancia.

Por outro lado, entende-se que a necessidade de adaptacao da familia ao nascimento do primeiro filho altera a divisao das tarefas pelo casal, podendo leva-lo a divisoes de papeis de genero mais tradicionais (Levy-Shiff, 1994). De acordo com o autor, neste periodo de transicao familiar, mesmo entre casais em que ambos tem uma vida profissional ativa, a mulher tende a responsabilizar-se mais pelo bebe e pelas tarefas domesticas e o homem pelo sustento financeiro. Entretanto, no presente estudo, poucos pais referiram espontaneamente preocupacoes com o sustento da familia, privilegiando a atencao a outros aspectos do cuidado da crianca. Neste sentido, Trindade, Andrade e Souza (1997) colocam que as mudancas na divisao de papeis na vida familiar podem estar mais localizadas na qualidade da relacao entre pais e filhos do que na paridade de participacao entre pais e maes.

O apoio material e emocional fornecido pelo pai e fundamental para a constituicao das primeiras relacoes entre mae e filho, sendo um importante aspecto da funcao paterna neste periodo do desenvolvimento (Stern, 1997; Winnicott, 1960/1983). Neste sentido, frequentemente os homens tendem a ser vistos como desempenhando um papel secundario e de suporte de suas companheiras. Este aspecto foi salientado por alguns pais do presente estudo que destacaram sua preocupacao com a sobrecarga fisica e emocional que o cuidado sistematico do bebe provocava nas companheiras. No entanto, o que ficou evidente atraves dos relatos dos pais e que eles tambem precisam de apoio em seus esforcos para envolver-se nao somente nos cuidados com o bebe, mas na construcao de uma relacao de afeto e de satisfacao reciproca com o filho. Muitas vezes, a carencia de modelos e a pouca atencao que os recem-pais recebem neste momento de transicao para a parentalidade, quando o centro ainda e a diade mae-bebe, pode contribuir para a um sentimento de inseguranca frente a exigencia de maior envolvimento nos cuidados diretos com o filho (Barclay & Lupton, 1999; Goodman, 2005; Masciadrelli, Pleck & Stueve, 2006). Os servicos de atendimento pre-natal, muitas vezes, priorizam a gestante e o bebe, excluindo o pai (Buist, Morse & Durkin, 2003). E acredita-se que o mesmo pode ser dito em relacao aos atendimentos no periodo pos-natal. Considera-se que a falta deste apoio podera influenciar a transicao psicologica para a paternidade e, portanto, merece atencao dos profissionais de saude que atuam junto a essas familias.

Alem disso, e importante pontuar que as maes desempenham um papel critico em promover ou dificultar o envolvimento dos pais com os filhos e, consequentemente, a relacao pai-bebe (Anderson, 1996; Barclay & Lupton, 1999). As maes podem facilitar a relacao pai-bebe compartilhando de modo positivo seus sentimentos e sua experiencia a respeito do cuidado do filho, oferecendo-se como modelos para seus parceiros e reconhecendo sua importancia para o desenvolvimento do bebe. Elas ainda podem encorajar o envolvimento dos pais com os filhos dando informacoes sobre a sua rotina diaria, seu desenvolvimento e oferecendo-lhe apoio emocional. Por outro lado, algumas maes podem dificultar ou restringir o envolvimento do pai, inibindo o desenvolvimento do papel parental no companheiro (Allen & Hawkins, 1999).

De forma geral, os achados do presente estudo revelaram que um pai pode estar envolvido de muitas formas com o bebe no seu terceiro mes de vida, seja brincando, cuidando, ensinando, provendo suporte financeiro, demonstrando afeto, seja compartilhando com a mae atividades, responsabilidades e preocupacoes a respeito da crianca. Estes dados sugerem que, tanto em conjunto quanto de modo individual, os pais demonstraram diferentes niveis de envolvimento considerando cada uma das tres dimensoes do envolvimento paterno. Embora, na maior parte dos casos, a participacao do pai esteja ainda aquem de uma paridade com a mae, muitos participantes demonstraram um desejo de se envolver mais nos cuidados do bebe. Estes achados estao de acordo com outros estudos, os quais apontaram que, atualmente, os pais desejam ter uma maior participacao na criacao dos filhos e acreditam na sua capacidade de cuidar de criancas (Anderson, 1996; Rezende & Alonso, 1995).

Deste modo, fica evidente a coexistencia de diferentes papeis familiares assumidos pelos pais na atualidade, endossando a grande variabilidade e flexibilidade da concepcao de paternidade (Doherty, Kouneski & Erickson, 1998; Marsiglio, Amato, Day & Lamb, 2000). Ao mesmo tempo, fica clara a necessidade de que as instituicoes em contato com pais e maes de bebes acompanhem a mudanca do discurso social a respeito da paternidade e apoiem a familia, em especial os pais, durante este periodo critico de transicao familiar. Acredita-se que esta nova concepcao de pai, embora largamente difundida em nossa cultura, ainda carece de modelos mais claros, o que acaba exigindo que os homens criem seus proprios parametros de paternidade responsavel e envolvida. Por fim, considera-se importante que outros estudos investiguem a experiencia subjetiva da paternidade nos primeiros meses do filho, bem como as transformacoes nas questoes relativas ao exercicio da paternidade na sociedade atual.

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Recebido em 18.07.2009

Primeira decisao editorial em 30.09.2009

Versao final em 14.09.2011

Aceito em 14.09.2011

Cesar Augusto Piccinini (2)

Milena da Rosa Silva

Tonantzin Ribeiro Goncalves

Rita de Cassia Sobreira Lopes

Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Jonathan Tudge

University of North Carolina at Greensboro

(1) Agradecemos ao CNPq, a Spencer Foundation--EUA pelo apoio financeiro concedido para realizacao do presente estudo, e a Fulbright Commission por apoiar o quinto autor durante o tempo de trabalho neste artigo. Endereco para correspondencia: piccinini@portoweb.com.br

(2) Endereco para correspondencia: Instituto de Psicologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Rua Ramiro Barcellos, 2600, Porto Alegre, RS. CEP 90350-003. E-mail: piccinini@portoweb.com.br

(3) A categorizacao das entrevistas gerou inumeros outros exemplos de relatos dos pais, que nao foram incluidos no presente artigo por falta de espaco. Em funcao disto, aqui tambem se buscou editar algumas citacoes, excluindo partes que nao eram fundamentais para o seu entendimento (indicadas pelo uso de reticencias entre parenteses) ou acrescentando expressoes para facilita-lo (indicadas entre colchetes).
Tabela 1. Porcentagem e frequencia de respostas para a
categoria Interacao com o bebe (N=38)

Interacao com o bebe             Numero de     Total de
                                 pais (1)    respostas (2)

Cuidar/Atividade nao             89% (34)        92
  especifica
    Trocar fraldas               73% (28)        51
    Dar banho                    55% (21)        42
    Pegar no colo                47% (18)        36
    Alimentar/dar mamadeira      39% (15)        21
    Atender durante a noite      34% (13)        17
    Fazer dormir                 31% (12)        20
    Cuidados com saude           31% (12)        16
    Acalmar                      26% (10)        24
    Vestir                       10% (4)         4
    Participacao na adaptacao    5% (2)          3
      a creche
    Levar/buscar na creche       2% (1)          2
    Dificuldades com cuidados    68% (26)        63
Brincar                          89% (34)        82
Conversar                        55% (21)        39
Passear                          36% (14)        20
Demonstrar afeto                 21% (8)         12
Distrair                         18% (7)         11
Estimular                        13% (5)         8
Total                            38              564

(1) Cada pai pode ter apresentado respostas classificadas
em mais de uma categoria; (2) Cada pai pode ter
apresentado mais de uma resposta classificada na mesma
categoria ao longo da entrevista.

Tabela 2. Porcentagem e frequencia de respostas para
a categoria Acessibilidade para o bebe (N=38)

Acessibilidade para o bebe         Numero de     Total de
                                   pais (1)    respostas (2)

Quantidade de tempo com o bebe     84% (32)         71

Avaliacao do tempo com o bebe
  Pouco tempo                      36% (14)         32
  Acessivel para auxiliar a mae    57% (22)         35
Total                                 38            138

(1) Cada pai pode ter apresentado respostas classificadas
em mais de uma categoria; (2) Cada pai pode ter apresentado
mais de uma resposta classificada na mesma categoria ao
longo da entrevista.

Tabela 3. Porcentagem e frequencia de respostas para a categoria
Responsabilidades e preocupacoes com o bebe (N=38)

Responsabilidades             Numero        Total de
e preocupacoes com          de pais (1)   respostas (2)
o bebe

Responsabilidades            92% (35)          100

  Participacao nas           81% (31)          60
    decisoes
  Mae como principal         44% (17)          29
    responsavel
  Aumento das                44% (17)          22
    responsabilidades
  Conversa sobre cuidado/    34% (13)          18
    educacao

Preocupacoes                 92% (36)          145

  Cuidado por outras         78% (30)          68
    pessoas
  Educacao do filho          44% (17)          25
  Em ser um bom pai          31% (12)          17
  Saude                      29% (11)          12
  Sobrecarga da esposa        21% (8)          10
  Futuro do filho             15% (6)           8
  Sustento financeiro         13% (5)           5
    do filho
  Total                         38             274

(1) Cada pai pode ter apresentado respostas classificadas
em mais de uma categoria; (2) Cada pai pode ter apresentado
mais de uma resposta classificada na mesma categoria ao
longo da entrevista.
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Title Annotation:articulo en portugues; relacion entre padre e hijo recien nacido
Author:Piccinini, Cesar Augusto; Silva, Milena da Rosa; Goncalves, Tonantzin Ribeiro; Lopes, Rita de Cassia
Publication:Psicologia: Teoria e Pesquisa
Date:Jul 1, 2012
Words:10575
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