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Family and therapist perception of child evolution in an interdisciplinary approach on early intervention/Percepcao da familia e do terapeuta sobre a evolucao de criancas em uma abordagem interdisciplinar de intervencao precoce.

INTRODUCAO

Por muitos anos, as hipoteses de aquisicao da linguagem, do desenvolvimento motor e cognitivo, e da constituicao psiquica dos bebes foram o foco principal da discussao dos teoricos envolvidos com os primordios do desenvolvimento e apresentavam como unidade central de analise os comportamentos dos bebes. Atualmente, tem-se a clareza acerca da importancia da relacao do bebe com aqueles que exercem as funcoes parentais, tendo em vista que o desenvolvimento e tomado como um processo de constituicao em que o biologico e o psiquico estao na dependencia de complexa relacao entre o bebe e seu ambiente [1,2].

Assim sendo, pode-se imaginar que um bebe desejado e uma mae com saude mental se constituam numa diade desde muito cedo, oferecendo campo para o seu desenvolvimento. No entanto, quando o bebe nasce com algum limite biologico evidente, tal como sindromes ou lesoes neurologicas, ou apresente disturbios de linguagem sem lesao evidente como o Disturbio Especifico de Linguagem (DEL), caracterizado por varios estudos [3,4], o imaginario que os familiares tem sobre o filho enquanto bom falante pode romper-se e colocar em risco tambem o laco parental com o bebe. Alguns estudos demonstram que essa ruptura no laco parental com o bebe pode produzir efeitos no dialogo mae-filho que acabam por dificultar mais ainda a insercao da crianca em rotinas em que o dialogo permite a exposicao a linguagem [5].

Sabe-se que os bebes com sindromes ou lesoes neurologicas evidentes sao diagnosticados precocemente, mas que os sujeitos com disturbios especificos de linguagem podem chegar a clinica fonoaudiologica somente ao final do segundo ano de vida quando nao estao falando [3]. Portanto, muito da relacao pais-bebe pode estar comprometida e dificuldades psicossociais podem somar-se aos limites biologicos do bebe durante seu desenvolvimento. Alem disso, as pesquisas que estudam fatores de risco para o desenvolvimento [6-9], demonstram que variaveis psicossociais e socio-demograficas por si so podem predispor ao surgimento de disturbios do desenvolvimento [6,7,9], dentre os quais, o de linguagem e fator frequente, visto que bebes com risco psiquico e/ou ao desenvolvimento possuem producao de fala inicial bem menor do que bebes sem este risco 9, alem de dificuldades qualitativas de linguagem importantes nos primeiros dois anos de vida [3,10], Portanto, e fundamental que se detecte qualquer risco ou alteracao do desenvolvimento e que seja oferecido apoio familiar, bem como a intervencao precoce, tendo em vista tanto o aproveitamento da plasticidade cerebral quanto minimizar os efeitos da patologia apresentada pelo bebe na relacao dos pais com ele [10-13].

Nesse sentido, a intervencao precoce e um dispositivo importante de atencao a saude, ja que pode tanto impedir a instalacao de uma patologia, por exemplo, de linguagem em curso, quanto minimizar efeitos secundarios como o estabelecimento de psicopatologias em casos de sindromes ou lesoes organicas, como a Sindrome de Down ou a Encefalopatia Motora Nao Progressiva, pelo tipo de suporte que e fornecido aos pais para exercerem suas funcoes com este filho que e diferente do imaginado [14]. Todavia, e necessario ter um cuidado especial referente a modalidade do atendimento desses bebes e suas familias, uma vez que se trabalha com a constituicao psiquica durante os primeiros anos de vida [13]. Tal atendimento nao deve ser disciplinar e multiplo, pois pode colocar em risco o exercicio das funcoes parentais quando a familia fica sem um profissional de referencia.

Acredita-se que a introducao simultanea de diferentes profissionais pode gerar um efeito dissociativo em relacao ao exercicio de suas funcoes parentais, prejudicando o desenvolvimento do bebe. Por essa razao, as modalidades de Interdisciplina e Terapeuta Unico, foram inseridas na pratica clinica voltada para o cuidado de bebes e criancas pequenas [13]. A Interdisciplina configura-se como constituicao de um espaco comum em que o conhecimento nao se esgota na propria identidade profissional do terapeuta que atende, pois e preciso que o terapeuta tenha um conhecimento mais amplo do previsto em sua disciplina para o desenvolvimento infantil, ou seja, um fonoaudiologo necessitara ter, alem do conhecimento da linguagem, alimentacao e audicao comumente demandados nos casos de intervencao precoce, um conhecimento minimo de desenvolvimento cognitivo e psicoafetivo, em geral mais estudados por psicologos, e dos aspectos psicomotores, estes mais aprofundados pelos fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais. Esses conhecimentos partilhados em um olhar interdisciplinar permitem que possa acontecer, em muitos casos, a abordagem de Terapeuta Unico que corresponde a acao de um especialista em intervencao precoce, com uma formacao especifica de desenvolvimento infantil e nao com conhecimento parcial de uma disciplina sobre o mesmo. Deve-se, ainda, priorizar a presenca dos pais, a qual e significada pelo terapeuta, de modo que possam desempenhar suas funcoes parentais tao cruciais para os bebes [10,13].

No programa em que se insere esta pesquisa, sao criadas estrategias de inclusao dos familiares no processo terapeutico, tais como o atendimento conjunto pais-bebe e a possibilidade de apoio psicologico aos pais. Nos atendimentos conjuntos articulam-se cenas que oscilam durante a sessao, a saber: pais-terapeuta; bebe-pais; bebe-terapeuta e bebe-pais-terapeuta [13]. Nos momentos em que toma a cena relacao pais-terapeuta, surgem muitos aspectos das percepcoes dos pais acerca do desenvolvimento de seus filhos, ou mesmo duvidas sobre o processo terapeutico 13. No caso de criancas maiores de tres anos, a depender de seu quadro clinico, a intervencao com a crianca em sessao individual e a entrevista continuada com os pais pode-se constituir na intervencao mais indicada [15,16].

No entanto, nem sempre este espaco e suficiente para que se possa acessar, de modo mais aprofundado, a percepcao dos pais, por isso o grupo operativo de pais e a entrevista continuada sao estrategias da equipe em questao. A percepcao evolutiva que o terapeuta tem de cada bebe, alem de ser comparativa ao proprio bebe, relaciona-se a sua casuistica, ou seja, o terapeuta tende a comparar com a evolucao de outros casos semelhantes atendidos, mesmo que o mesmo adote uma perspectiva singular de intervencao [10,13], o que pode demandar novos dispositivos de intervencao para o trabalho com os pais e supervisao dos terapeutas.

Dessa forma, os objetivos do presente estudo sao analisar e comparar as percepcoes de pais e dos terapeutas sobre os efeitos da intervencao precoce no desenvolvimento de seus filhos e no cuidado aos mesmos, bem como suas percepcoes referentes a evolucao dos filhos e perspectivas futuras.

METODOS

O presente estudo foi aprovado pelo Comite de Etica em Pesquisa da Universidade Federal de Santa Maria (CEP/UFSM), sob o protocolo de numero 0284.0.243.000-09 e utilizaram-se as normas eticas obrigatorias para pesquisas em seres humanos (Resolucao 196/96 do Conselho Nacional de Saude CNS). Todos os sujeitos envolvidos na pesquisa foram esclarecidos quanto aos objetivos e procedimentos e, apos a leitura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), assinaram o mesmo estando de acordo com a realizacao desta pesquisa e a divulgacao de seus resultados, mantendo o anonimato dos participantes.

A pesquisa foi desenvolvida no Servico de Atendimento Fonoaudiologico (SAF), da instituicao de origem. Este estudo faz parte do projeto de pesquisa intitulado "Funcoes Parentais e Fatores de Risco para a Aquisicao da Linguagem: Intervencoes Fonoaudiologicas". O estudo foi composto por nove criancas com idades entre 2 anos e 1 mes e 4 anos e 7 meses, sendo tres meninas e seis meninos, com disturbios de linguagem associados ou nao a transtornos do desenvolvimento, e que estivessem em terapia por periodo minimo de seis meses, no programa de Intervencao Precoce (IP) ou em terapia nos estagios de linguagem. A terapia poderia ou nao ser exclusiva no programa. Alguns casos apresentavam terapia na modalidade de terapeuta unico, e outros apresentavam terapias concomitantes em outras instituicoes, sobretudo os casos de encefalopatia motora cerebral nao progressiva (EMCNP), comumente identificado como paralisia cerebral, com intervencao fisioterapica. Nos casos de terapeuta unico, havia um suporte da equipe interdisciplinar de modo a sustentar os conhecimentos necessarios a cada caso. Os terapeutas unicos no caso de disturbio de linguagem eram fonoaudiologos, de EMCNP fisioterapeutas e de sindrome de Down terapeutas ocupacionais. A periodicidade dos atendimentos dentro do programa era de duas vezes por semana assim como nos atendimentos realizados fora da instituicao, em fisioterapia, havendo nesta a possibilidade de uma frequencia maior em alguns casos. As reunioes grupais para ancorar a interconsulta ocorriam quinzenalmente. Alem disso, havia supervisao semanal do caso por Professional de fonoaudiologia e terapia ocupacional.

Para a coleta dos dados foram realizadas entrevistas, semi-estruturada com roteiro anexo, com os responsaveis pelas criancas, bem como com os terapeutas de referencia, a fim de identificar a percepcao do caso e sua evolucao, e comparar com as percepcoes parentais iniciais. Tambem foram abordadas questoes do historico do diagnostico e perspectivas futuras vislumbradas pelos pais ou seus substitutos. Portanto, os aspectos que nortearam as questoes foram se os pais tinham clareza dos limites biologicos e/ou psiquicos do filho, o nivel de aceitacao da dificuldade e relacao entre o filho imaginado e o real, bem como de que modo a terapia havia ou nao dado suporte para o enfrentamento dos desafios que foram emergindo na relacao com o filho.

As entrevistas foram realizadas e gravadas em audio para posterior analise. Posteriormente, as gravacoes foram transcritas literalmente. Os dados foram analisados qualitativamente, por meio de analise de conteudo [17] de modo a confrontar as percepcoes dos pais e/ou responsaveis e terapeutas, considerando os aspectos evolutivos do desenvolvimento linguistico, motor, social e psiquico da crianca. Para tanto, as entrevistas foram lidas e relidas inumeras vezes, buscando identificar os temas que emergiram a partir do discurso parental.

Buscou-se enfocar nas entrevistas a evolucao no desenvolvimento e os cuidados dispensados as criancas pelos familiares. Por isso, as entrevistas foram realizadas apos um tempo minimo de seis meses de tratamento e com foco nos sentimentos e percepcoes dos pais sobre a evolucao do filho, nao necessariamente em suas percepcoes sobre a metodologia terapeutica. As entrevistas realizadas nesta pesquisa foram confrontadas com as respostas as entrevistas iniciais realizadas pelo terapeuta do caso, quando a intervencao precoce iniciou. Tal confronto foi possivel porque havia nas entrevistas iniciais aspectos investigados no roteiro desta pesquisa.

RESULTADOS

Na Figura 1 apresentam-se aspectos gerais da identificacao, quadro clinico e historico terapeutico dos nove sujeitos que participaram do estudo.

Todos os sujeitos possuem disturbio de linguagem, sendo que S8 e S9 apresentaram deprivacao da figura materna. Em relacao a S8, a mae faleceu aos tres anos, gerando a referida deprivacao. Ainda, anteriormente a esse trauma, o relato de familiares sugere dificuldades por parte da mae em dispensar cuidados afetivos ao filho. Quanto a S9, a mae nao consegue desempenhar sua funcao, o que gera risco psiquico importante. Outro fato a ser ressaltado na Figura 1 e que, apesar da indicacao do programa de terapia inicial de terapeuta unico, a familia recorreu pontualmente a outras terapias por indicacao medica. Essa e uma realidade da cidade com a qual o programa tem de lidar, pois muitas vezes, emergem confrontos eticos pelo tipo de abordagem terapeutica que indica a necessidade de escolha familiar como no caso de S4.

Na Figura 2, analisam-se o historico de gestacao e do parto, bem como o quadro clinico e os sentimentos familiares ao receber o diagnostico.

Nos relatos anteriores e interessante observar que, exceto no caso de S9, todas as maes sentiram-se angustiadas com o diagnostico e, em alguns casos como S1, ate negaram o mesmo. Apenas a avo de S8 ficou aliviada com o diagnostico de disturbio de linguagem e de risco psiquico, pois os medicos, diferentemente da equipe de IP, haviam suspeitado de autismo. Chama a atencao tambem que S5 e S7 cujos filhos tem o diagnostico de menor gravidade (restrito a expressao linguistica) apresentam-se muito ansiosas pela supressao da dificuldade dos filhos. A angustia exacerbada de S3 tem relacao com a raridade da sindrome, nao podendo assimilar como seria o desenvolvimento do filho a partir de tal confirmacao clinico-genetica. O efeito do diagnostico no caso de S5 foi pior do que em S7 porque a primeira nao percebia a dificuldade do filho em toda sua extensao como S7. Percebe-se que a reacao dessas duas maes difere da mae de S2, cujo conhecimento da Sindrome de Down da filha trouxe alivio por se tratar de uma patologia conhecida.

Na Figura 4 apresentam-se as percepcoes dos terapeutas sobre a evolucao dos casos.

Ao se confrontar as respostas das familias (Figura 3) com as das terapeutas (Figura 4) acerca da evolucao da crianca nos aspectos do desenvolvimento linguistico, motor, social e psiquico, percebe-se que, em relacao a comunicacao e aspectos gerais do comportamento, todas as maes reconhecem as evolucoes dos filhos, sobretudo, em termos de compreensao e expressao orais, e referem desejo e possibilidades por parte da crianca na participacao das atividades cotidianas familiares. Essa percepcao corresponde em muito a percepcao das terapeutas, exceto em S1, que quando no debate da disfagia apresentou dificuldades de aceitacao da deficiencia da filha e afirmou que nao percebia evolucao da mesma, isso porque, na epoca, sua expectativa era de que andasse e falasse. Tal aspecto torna-se evidente na percepcao de futuro da filha, exposta na Figura 3, na qual a meta para a crianca e de dificil realizacao, ja que correr e uma expectativa irreal para uma crianca com tetraplegia. Nesse sentido, torna-se interessante tambem observar a expectativa de S5 de que o filho cante e de S7 de que seja um bom falante, justamente incidindo sobre aspectos cuja base, atualmente, e deficitaria: a fala. Tambem o caso de S6 chama a atencao, em que o familiar acredita tratar-se apenas da cegueira e que nos demais aspectos sera uma crianca com desenvolvimento normal.

Ainda sobre as expectativas de futuro, S2 percebe a filha a partir da comparacao com outras criancas com Sindrome de Down, mais velhas do que S2 e que possuem um desenvolvimento pior do que a mesma. Percebe que ela tem potencialidades e aceita que nao serao necessariamente academicas. O mesmo e visto em S3 e S4, que referem saber da impossibilidade academica de seus filhos, mas acreditam que possam evoluir sempre. Ja a avo de S8, parece perceber que a dificuldade do menino esta nos ambitos subjetivo e intersubjetivo, o que gera sua maior expectativa quanto ao neto relacionar-se bem nos distintos ambientes sociais.

Sobre os efeitos da intervencao precoce no ambiente familiar e na crianca, algumas maes identificam a entrada do terapeuta, seja fonoaudiologo ou outro profissional de referencia, como um marco no desenvolvimento do filho e importante como suporte para a familia, seja em aspectos gerais do desenvolvimento, seja especificamente em relacao a comunicacao (S1, S2, S3, S6, S7, S8). Interessante observar que S4, S5 e S9 nao citam efeito familiar de modo particular, sobretudo S5 e S9, que sao casos em que as maes parecem nao perceber suas dificuldades na interacao com os filhos. Enquanto S5 tem dificuldade em deixar que o filho cresca e se torne independente dela, S9 apresenta dificuldade contraria, em apegar-se ao filho e perceber sua carencia.

A mae de S4 apresentou questionamentos sobre os efeitos da IP com foco ludico, como o do programa, em funcao da indicacao pela neurologista para trabalho comportamental, no qual nao podia entrar em sessao com a filha. Desistiu deste porque a crianca chorava muito durante aquela intervencao e porque percebeu que a abordagem do programa a inclui no processo, diferentemente da abordagem comportamental. Embora nao cite diretamente o trabalho da IP, afirma perceber evolucoes constantes da filha. O mesmo e perceptivel em S5 e S9.

DISCUSSAO

No presente estudo pode-se observar concordancia entre as percepcoes parentais e terapeuticas acerca da evolucao dos aspectos do desenvolvimento linguistico, motor, social e psiquico das criancas em todos os casos, mas nao de modo pleno em S1, em que se verifica a negacao por parte materna sobre a deficiencia apresentada pela filha, o que tambem emerge no discurso de M6 sobre S6 em que a dificuldade psiquica nao e percebida pela familia. De acordo com alguns estudos, as principais reacoes manifestadas pelos pais frente ao diagnostico de deficiencia do filho passam pelo choque ao receber a noticia, seguida de negacao, bem como sentimentos de culpa, tristeza, raiva e ansiedade em relacao ao bebe, ate atingir o estagio de equilibrio e aceitacao [18,19]. Percebe-se que em S5 e S7 a ansiedade e o sintoma mais evidente. Ja as maes de S5 e S9 nao percebem suas dificuldades na interacao com os filhos, por comportamentos opostos. Enquanto S5 pelo excessivo apego, S9 pela falta dele. No caso de S5, encontra-se uma situacao comum na clinica dos disturbios de linguagem, a ausencia da funcao paterna, elemento comum em relatos de caso da literatura [20,21].

Alguns autores, afirmam que a gravidez configurate como uma etapa importante no processo de estruturacao da identidade da mulher e das representacoes que esta constroi sobre seu filho. Ao longo deste processo, a suspeita ou a confirmacao da integridade fisica e mental do futuro filho, pode tornar-se um obstaculo para o estabelecimento da dinamica mae-bebe [22,28], uma vez que a familia vivencia uma sensacao de perda do filho desejado e idealizado, levando a um conflito existencial e emocional que os obriga a rever todos os sonhos e expectativas em relacao a crianca. Esta dificuldade inicial, mesmo que pequena, amplia-se com o tempo, podendo ser sanada ou definitivamente instalada na dependencia da conduta familiar adotada perante tal realidade e do significado que este evento tera para cada um [24,25].

Torna-se, assim, de suma importancia, o modo pelo qual os pais explicarao a dificuldade/limitacao de seus filhos, ou seja, a maneira como compreendem o significado do problema ja que, conforme superam a deficiencia, criam expectativas, tanto positivas quanto negativas, que vao desde o pleno desenvolvimento da crianca ate a completa incredibilidade em relacao a situacao do filho. Nessa perspectiva, torna-se interessante o caso de S7, no qual a mae associa a dificuldade de comunicacao do filho, uma dispraxia verbal, com um episodio de queimadura. Acredita-se que esse tipo de explicacao atribuido pela mae, o qual nao apresenta fundamento em conhecimentos cientificos, apresenta sua hipotese fundamentada em conceitos da cultura popular, uma vez que necessitam de explicacao concreta que satisfaca determinada associacao [26]. E interessante observar que esse tipo de explicacao relacionada ao trauma, poe em questao algo externo, quase magico que incide sobre a crianca, o que parece ter o papel de eliminar qualquer causa biologica genetica ou psiquica--ambiental, portanto, eximir a familia de qualquer responsabilidade ou culpa em relacao ao disturbio do filho.

Em relacao as criancas com sindromes e deficiencias fisicas/sensoriais evidentes, como S1, S3, S4 e S6, varios estudos afirmam a dificuldade de lidar com a presenca de um limite biologico [27,28], inclusive levando a falsas crencas sobre a evolucao do filho [28], o que fica evidente em S1 e S6, que correspondem a duas das criancas mais comprometidas biologicamente da amostra. Esses resultados colocam em questao as dificuldades eticas que a clinica precoce demanda, pois lidar com expectativas que nao se concretizarao apresenta-se como um desafio comum na clinica IP, com o qual o terapeuta deve lidar de modo muito cuidadoso, que esta no caminho entre nao reforcar falsas expectativas e, ao mesmo tempo, sustentar o investimento no possivel demonstrado pela crianca no dia-a-dia em suas interacoes. Alem disso, o processo de luto familiar e continuado e dispositivos como a entrevista continuada parecem ser um espaco importante para falar a respeito das dificuldades advindas dos limites no desenvolvimento do filho [15,16].

Outro aspecto que se ressalta nos resultados e que, embora o grupo de pesquisa e de atendimento no qual se inseriu a coleta dos dados busque um enfoque interdisciplinar e a estrategia de terapeuta unico, emergem demandas por multiplos profissionais, advindas da dificuldade de os profissionais da medicina em compreender a relevancia dos fatores psiquicos no cuidado familiar dispendido ao bebe. A pressao sofrida pela mae de S4, pela medica neurologista, para que fizesse uma abordagem comportamental com a filha, sem a presenca da mae em sessao e com multiplos terapeutas, demonstra a falta de entendimento da importancia do registro simbolico para a legalidade das aquisicoes infantis. Nesse sentido, cabe ressaltar o trabalho de Cunha [28] e Cauduro [29] acerca da importancia do cuidado parental no contexto da neurociencia. Enquanto a primeira autora expoe os principios basicos do crescimento do cerebro em desenvolvimento em conexao com o cuidado, a segunda afirma a importancia do cuidado a partir de uma aproximacao entre Winnicott e a neurociencia. Ambos os trabalhos permitem supor que a intervencao que leve em conta a interacao bebe-cuidador e muito mais efetiva em termos de registro cerebral, ja que incide sobre o sistema limbico fundamental a memoria, e em maturacao no primeiro ano de vida. Esse sistema, em conjunto com as estruturas subcorticais e do cerebelo, servira de base para a maturacao cortical no segundo ano de vida, em criancas em desenvolvimento tipico, ou seja, e preciso uma relacao afetiva--intersubjetivaconsolidada para que intervencoes puramente instrumentais possam ter sentido na vida da crianca e seus familiares. Nas criancas desta pesquisa, apesar da idade cronologica ser superior ao segundo ano de vida em todos os casos, inclusive naqueles com limitacoes neurologicas importantes (S1, S3, S4 e S6) e evidente que a intervencao precoce ainda incide sobre a relacao que embasa as aquisicoes corticais em curso, ou mesmo sobre os possiveis limites para tanto. Ressalte-se, entre os limites, acessar uma expressao verbal fluente, o que podera ser impossivel em alguns casos (S1, S3, S4), que poderao depender de formas alternativas de comunicacao.

CONCLUSAO

Considerando a proposta de analise inicial em relacao a comparacao da percepcao parental e dos terapeutas sobre os efeitos da intervencao precoce no desenvolvimento de seus filhos e no cuidado aos mesmos, o estudo evidenciou concordancia entre as percepcoes parentais e terapeuticas acerca da evolucao dos aspectos do desenvolvimento linguistico e motor em todos os casos. Em termos social e psiquico das criancas, em dois casos nao houve concordancia, pois os familiares demonstram percepcao inadequada do presente e expectativas de dificil realizacao no futuro das criancas.

doi: 10.1590/1982-021620161810915

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Fernanda dos Santos Pichini (1)

Nathana da Graca Sartori Rodrigues (1)

Tatiane Medianeira Baccin Ambros (1)

Ana Paula Ramos de Souza (1)

(1) Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, RS, Brasil.

Conflito de interesses: inexistente

Recebido em: 22/01/2015

Aceito em: 16/10/2015

Endereco para correspondencia:

Ana Paula Ramos de Souza

Rua Raposo Tavares 134 apartamento 401--Medianeira

Santa Maria--RS--Brasil

CEP: 97015-560

E-mail: ramos1964@uol.com.br
Figura 1. Identificacao, quadro clinico e historico terapeutico

Sujeito   Idade   Sexo   Quadro clinico

S1        2:1     F      Encefalopatia Motora Nao Progressiva de tipo
                         tetraplegica e disfagia

S2        2:10    F      Sindrome de Down

S3        2:8     M      Sindrome de Coffin-Siris

S4        2:8     F      Hidrocefalia, Fissura Palatina, deficiencia
                         auditiva espectro do autismo

S5        4:7     M      Dispraxia verbal

S6        3:2     M      Cegueira, espectro do autismo.

S7        3:9     M      Dispraxia verbal

S8        4:3     M      Dispraxia verbal Deprivacao do cuidado de
                         tipo materno

S9        3:0     M      Deprivacao do cuidado de tipo materno

Sujeito   Historico terapeutico

S1        A demanda era por fonoaudiologia-linguagem, mas no
          Programa indicou-se inicialmente fisioterapia e
          avaliacao da disfagia para insercao posterior da
          terapia fonoaudiologica semanal. Nao possui
          terapias fora do programa.

S2        Em atendimento com terapeuta unico--fonoaudiologo-
          ha oito meses. Faz terapia ocupacional ha 12 meses
          e Fisioterapia ha 14 meses em outra IES.

S3        Em atendimento fonoaudiologico no programa ha
          12meses. Realizou fisioterapia respiratoria por 17
          meses em outra IES da cidade.

S4        Em atendimento fonoaudiologico no programa ha 18
          meses. Faz fisioterapia motora ha 12 meses em
          outro servico da cidade. Fez tentativa de
          abordagem comportamentalista por indicacao medica,
          mas nao se adaptou.

S5        Em atendimento fonoaudiologico no programa ha 12
          meses.

S6        Em atendimento com terapia ocupacional no programa
          ha tres anos. Ha um ano realiza sessoes de
          fonoaudiologia conjunta com terapia ocupacional.
          Fez fisioterapia motora em outra IES por tres
          meses.

S7        O atendimento fonoaudiologico iniciou no estagio
          de Fonoaudiologia Comunitaria ha 12 meses. A
          queixa da mae era de que o filho nao falava e que
          as vocalizacoes produzidas nao eram de facil
          entendimento. Alem disso, apresentava muita
          dificuldade de interacao com outras criancas.

S8        Realizou atendimento com fonoaudiologa de um
          Ambulatorio de Especialidades, a qual o encaminhou
          para terapia no programa IP por ter conhecimento
          do mesmo. Faz terapia psicologica ha 12 meses em
          outra IES da cidade.

S9        Iniciou terapia fonoaudiologica em contexto de
          grupo e por nao apresentar evolucao foi
          transferido para atendimento individual no
          programa de IP semanalmente ha 12 meses.

Figura 2. Historico da gestacao, do parto e quadro clinico e como foi
receber o diagnostico

Sujeito   Historico da gestacao, do      Como foi receber o
          parto e evolucao do bebe       diagnostico

S1        A gestacao foi tranquila e     Em um primeiro momento nao
          sem intercorrencias, mas o     conseguiu elaborar a
          parto foi conturbado, pois     noticia, pois ficou
          ja estava passando da hora     envolvida com os medicos e
          de nascer, realizandose,       encaminhamentos. Quando
          entao, cesarea. Nasceu de 42   iniciou fisioterapia e teve
          semanas. Com aproximadamente   contato com a profissional
          um mes a mae percebeu          da IP reconheceu as
          diferenca no desenvolvimento   dificuldades da filha e
          da menina quando comparado     relatou estado de choque
          aos outros filhos.             inicial.
          Apresentou episodios de
          convulsoes por volta dos
          cinco meses, quando realizou
          Ecografia Craniana e
          constou-se lesao cerebral.

S2        A mae considera uma gestacao   Saber que a filha tinha uma
          saudavel, mas que nao foi      deficiencia foi pior do que
          tranquila. Na 14a semana de    descobrir posteriormente que
          gestacao soube que o bebe      era Sindrome de Down. A mae
          tinha alguma deficiencia, a    relata que, quando viu a
          qual so foi descoberta apos    filha pela primeira vez,
          o nascimento. O parto foi      ficou feliz em saber que era
          cesareo e sem                  SD, por se tratar de uma
          intercorrencias clinicas.      sindrome conhecida e que
          Nega ictericia neonatal e      saberia como lidar com a
          outras complicacoes.           dificuldade.

S3        A mae apresentou pressao       No primeiro momento nao
          arterial elevada a partir da   soube como reagir, pois nao
          12a semana de gestacao,        conhecia a sindrome,
          necessitando de repouso e      portanto, nao sabia o que
          acompanhamento medico. Um      esperar do desenvolvimento
          dia antes do nascimento do     do filho. Apos alguns dias
          filho, foi internada           sentiu grande angustia,
          apresentando contracoes. O     pois, como nao foi informada
          parto foi cesareo. O bebe      pela equipe medica detalhes
          nao apresentou reflexo de      sobre o quadro sindromico do
          succao, sendo amamentado com   filho. A angustia aumentou
          o metodo do copinho. Aos 3     quando fez buscas na
          meses foi internado com        internet sobre a sindrome e
          bronquilolite por 28 dias,     encontrou materiais onde a
          sendo encaminhado para outro   descricao era bastante
          hospital de referencia         negativa e limitadora.
          genetica da regiao. Ate 1      Relatou choque inicial, mas
          ano e 3 meses tinha o          encontrou apoio na terapia
          diagnostico de fribrose        fonoaudiologica, superando
          cistica, passando o            aos poucos a ansiedade
          diagnostico genetico clinico   frente ao diagnostico do
          para sindrome de               filho.
          Coffin-Siris desde entao.

S4        Gestacao de risco.             A mae afirma que, durante a
          Apresentou diabetes            gestacao, nao foi
          gestacional e pressao          diagnosticada nenhuma
          arterial elevada,              alteracao no desenvolvimento
          necessitando internacao        da filha, tornando-se
          hospitalar por um mes antes    dificil aceitar o
          do nascimento da filha.        diagnostico de hidrocefalia
                                         apos o nascimento e
                                         preferindo nao relembrar
                                         essa fase vivida.

S5        Gestacao sem                   A mae afirma que ficou
          particularidades e saudavel,   triste e angustiada, pois
          sendo o nascimento a termo e   passou a perceber muito mais
          parto cesareo. Na escolinha,   a dificuldade do filho e
          por volta de tres anos, a      compara-lo com criancas de
          mae percebeu que as outras     mesma idade.
          criancas falavam mais que o
          filho e que ele tinha
          dificuldade para interagir
          com os colegas.

S6        Gestacao de alto risco e       A mae afirma que foi muito
          nascimento prematuro de 29     dolorido saber da
          semanas. Permaneceu em         deficiencia visual e que os
          internacao por 45 dias na      pais tiveram extrema
          UTI NEO e realizou duas        dificuldade em aceitar o
          transfusoes sanguineas, alem   diagnostico. A avo materna,
          de apresentar Meningite        todavia, forneceu apoio
          durante esse periodo. Aos      nesse momento.
          cinco meses foi
          diagnosticada a deficiencia
          visual.

S7        Gestacao sem                   A mae diz que se sente
          particularidades, saudavel e   angustiada, por querer que o
          nascimento a termo, porem      filho desenvolva a linguagem
          com necessidade de 36 horas    expressiva o quanto antes.
          de inducao para o parto
          normal. O bebe demorou um
          pouco para chorar, mas nao
          necessitou de nenhum
          acompanhamento apos o
          nascimento. Associa a
          dificuldade de comunicacao
          ao episodio de queimadura
          que o filho teve por volta
          dos 18 meses, seguido de
          hospitalizacao.

S8        A gravidez foi conturbada e    A avo paterna afirma que por
          agitada. A mae era nervosa e   sempre acreditar na
          apresentou Hipertensao         dificuldade do neto e na
          Arterial Sistemica, tratada    necessidade de tratamento,
          com medicamento. Nasceu de     ao receber o diagnostico
          39 semanas e de parto          reagiu naturalmente, apesar
          normal, um dia antes da        de estar enfrentando
          cesarea eletiva. A avo         mudancas importantes com o
          paterna sempre acreditou       falecimento da nora. Nao
          que, por nao falar e           detinha conhecimento da
          apresentar tracos do           alteracao, uma vez que
          espectro do autismo, o neto    profissionais desconfiaram
          precisava de ajuda, mas nao    ser Autismo. O
          pode interferir em funcao da   psicodiagnostico e o
          negacao e resistencia dos      diagnostico fonoaudiologico
          pais. Apos o falecimento da    indicaram outras patologias.
          nora, com aceitacao do
          filho, procurou servico
          especializado e
          acompanhamento com
          neurologista.

S9        A gestacao foi tranquila,      A mae afirma que, devido ao
          sem intercorrencias            fato de seu filho mais
          clinicas, sendo que a mae      velho, tambem apresentar
          apresentou pressao alta, sem   atraso no desenvolvimento da
          necessidade de usar            fala, reagiu normalmente,
          medicacao. O parto foi         sem surpresa, alem de alegar
          normal e sem                   que e normal as criancas
          particularidades, nasceu de    apresentarem essa mesma
          38 semanas e chorou logo. A    alteracao e dificuldade.
          mae nao especificou a
          alteracao do filho,
          demonstrando pouco
          conhecimento sobre ele.

Figura 3. Percepcao familiar sobre o desenvolvimento

Sujeitos   Evolucao da comunicacao        Mudancas na crianca/
                                          ambiente familiar apos a
                                          terapia

S1         A mae percebe que filha e      Antes a filha passava a
           capaz de expressar             maior parte do dia deitada
           sentimentos pelo olhar,        em seu carrinho, sem
           passou a compreender a fala    participar da rotina
           da mae e as situacoes do       familiar. Hoje, rejeita
           cotidiano e produz algumas     ficar deitada e esta sempre
           vocalizacoes.                  envolvida nas atividades
                                          diarias da familia. Houve
                                          mudanca do desejo da crianca
                                          e na postura da mae em
                                          relacao a filha.

S2         Quando o neurologista          Houve mudanca de rotina com
           perguntou se tinha 50          maior envolvimento de tempo
           palavras se deu conta que      para tratamentos, mas nao
           possuia um vocabulario         afirmam mudanca na relacao,
           proprio grande.                pois ja brincavam e cuidavam
                                          dela antes da intervencao
                                          precoce. Apos intervencao
                                          com fonoaudiologia investe
                                          mais no canto e conto.

S3         Percebe melhora                Relata clara percepcao
           significativa na linguagem     comportamental da crianca, e
           compreensiva e nas intencoes   quanto a rotina familiar,
           comunicativas. Embora a        acredita que o modo do pai
           expressao oral seja            brincar mudou, pois os
           prejudicada, relata que o      comentarios desenvolvidos na
           filho e capaz de se            sessao de IP eram estendidos
           comunicar, com gestos,         para o cotidiano familiar.
           vocalizacoes e outras          Passaram a relatar as
           expressoes.                    atividades diarias e brincar
                                          mais com o filho.

S4         Diariamente percebe a          A mae afastou-se
           ocorrencia de mudancas na      completamente do trabalho
           filha para melhor, pois        por acreditar que sua vida e
           chama a mae e chora quando     cuidar da filha. Sente-se
           deseja algo.                   surpresa com as evolucoes da
                                          menina.

S5         Percebe melhora na expressao   Em casa e apenas mae e
           oral do filho e comenta que    filho, nao percebe muita
           familiares passaram a          mudanca.
           compreende-lo melhor apos
           terapia.

S6         Acredita que a cada dia que    Houve uma epoca em que era
           passa o neto aprende algo      muito dificil entender o que
           novo e tenta mostrar para a    o neto queria, o que o fazia
           familia o que aprende em       chorar muito. Hoje esta mais
           sessao.                        calmo e compreende melhor as
                                          situacoes do dia-a-dia, alem
                                          de expressar melhor seus
                                          desejos, o que reflete na
                                          convivencia de todos em
                                          casa.

S7         Percebe melhora na             Hoje e um menino mais calmo
           expressividade do filho,       e compreende melhor as
           principalmente, pelo fato de   ordens familiares, tornando
           o menino demonstrar esforco    a convivencia em familia
           para que os outros o           mais facil e agradavel.
           compreendam.

S8         Verifica-se evolucao na        A principal mudanca e
           fala, pois ja consegue         evidente na conduta e
           expressar com palavras o que   postura do pai que,
           deseja e, principalmente, em   anteriormente, nao
           relacao ao desejo de se        reconhecia a real
           relacionar com as pessoas,     necessidade do filho em
           alem de aceitar permanecer     receber tratamento.
           na sessao com a terapeuta.     Atualmente, se revela mais
                                          atencioso e compreende como
                                          deve ser feita a estimulacao
                                          adequada de linguagem, a
                                          partir da narracao dos
                                          acontecimentos e leitura de
                                          historias infantis.

S9         Mae refere que anteriormente   Nao relata ocorrencia de
           a terapia, o filho nao         mudancas na postura e
           falava mais que duas           conduta da familia,
           palavras e, atualmente, ja     referindo que sempre
           forma frases e, quanto ao      trataram os meninos do mesmo
           comportamento, e uma crianca   jeito, independente das
           mais calma.                    orientacoes.

Sujeitos   A crianca hoje e no futuro     Ha necessidade de
                                          acompanhamento psicologico

S1         Sente-se muito feliz em ver    Ja realizou acompanhamento
           a filha evoluindo nos          psicologico anteriormente,
           aspectos do desenvolvimento    mas ressalta que nao foi
           motor e linguistico. Para o    pela filha, e sim pela perda
           futuro, deseja ver a filha     de um ente querido. Acredita
           correndo e brincando com       que e um bom apoio para
           outras criancas, mas que       suportar as dificuldades.
           principalmente seja
           independente do carrinho,
           onde permanece a maior parte
           do dia.

S2         Familia reconhece que hoje     A mae afirma que oscila em
           esta com desenvolvimento       sua estabilidade emocional,
           melhor do que criancas com     estando por vezes bem e
           SD maiores e atribui a IF!     outras vezes nem tanto. Toma
           Acredita que pode fazer        ansiolitico e pensa que
           muitas coisas, nao             talvez pudesse ser bom um
           necessariamente academicas,    apoio.
           mas nao sabe exatamente o
           que.

S3         Reconhece no filho             Acredita que a pior fase,
           habilidades diversas, porem,   quando o diagnostico foi
           espera maior desenvolvimento   dado, ja passou. Contudo,
           da linguagem expressiva.       pensa que futuramente podera
           Para o futuro, apresenta       necessitar deste apoio, com
           ciencia de possiveis           o passar dos anos e o
           limitacoes, dentre elas a      desenvolvimento do filho.
           escola regular. O maior
           desejo e de ve-lo falar.

S4         Atualmente, enxerga bem,       A mae acha que nao precisa
           apesar das limitacoes, mas     de tal acompanhamento porque
           demonstra evolucao sempre.     o pior ja passou e reage a
           Para o futuro e dificil        todas as noticias ruins que
           prever, uma vez que os         recebe em relacao a filha.
           medicos afirmam que nao
           podera ir a escola como as
           outras criancas.

S5         Reconhece que o filho esta     Acredita que nao seja
           bem, mas que precisa           necessario.
           melhorar em alguns aspectos.
           Para o futuro, o imagina
           muito falante e gostaria de
           ve-lo cantar.

S6         Ve como um menino normal,      Considera necessario o
           que apenas nao enxerga.        acompanhamento, tanto para a
           Acredita assim que tera um     familia, quanto para a
           desenvolvimento como de        crianca.
           criancas normais e que nao
           tera dificuldades.

S7         Percebe que o filho precisa    Acredita que nao seja
           evoluir mais e acredita que    necessario no caso dela, mas
           isso se dara com o tempo.      que para outras maes pode
           Para o futuro, deseja que o    ser essencial.
           filho seja um bom falante.

S8         Tanto a avo quanto a familia   Acredita que o
           reconhecem que o menino ja     acompanhamento psicologico
           apresentou evolucoes           vem sendo fundamental para o
           consideraveis nos aspectos     desenvolvimento do neto.
           de fala e de comportamento.
           Para o futuro, acreditam que
           atingira pleno
           desenvolvimento e que se
           relacionara bem com as
           pessoas.

S9         Aparentemente, reconhece a     Mae acredita que nao ha
           evolucao do menino, que vem    necessidade, pois o filho
           apresentando desempenho        esta bem.
           satisfatorio na escola. Para
           o futuro, espera que esteja
           ainda melhor.

Figura 4. Percepcao dos terapeutas sobre o desenvolvimento

Sujeito   Evolucao na          Evolucao no          Percepcoes e
          comunicacao e na     desenvolvimento      envolvimento da
          linguagem            global               familia

S1        Na comunicacao,      Grande evolucao      A familia e
          apresentou grande    psicomotora e com    presente e
          evolucao verbal      controle cefalico,   participativa. A
          (vocalizacoes) e     proporcionando       mae traz
          nao verbal (olhar    evolucao na          questionamentos e
          e gestos), passou    representacao de     relata as
          a perceber o mundo   mundo. Com a         conquistas da
          a sua volta e        evolucao cognitiva   filha. Durante as
          chamar a atencao     ja e possivel        orientacoes sobre
          do interlocutor      inserir uma forma    disfagia resistiu
          para si.             alternativa de       a retirada de
                               comunicacao.         agua, momento no
                                                    qual percebeu/se a
                                                    rejeicao/negacao
                                                    da deficiencia da
                                                    filha. Tem
                                                    dificuldade em
                                                    perceber a
                                                    evolucao da
                                                    crianca e aceitar
                                                    que tera serias
                                                    limitacoes no
                                                    desenvolvimento.

S2        A paciente           Apresenta evolucao   E notavel o
          apresenta bom        consideravelmente    engajamento
          desenvolvimento da   positiva nos         familiar,
          linguagem            aspectos do          principalmente o
          compreensiva e       brincar, passando    envolvimento da
          linguagem            da fase sensorio-    mae. Ela e capaz
          expressiva,          motora para o        de passar para o
          demonstrando         simbolismo.          dia a dia da
          aumento do                                familia o que se
          inventario                                vivencia em
          fonetico e aumento                        sessao,
          do vocabulario.                           favorecendo assim
                                                    o desenvolvimento
                                                    da filha.

S3        Passou a             Verifica-se          A mae e dedicada e
          compreender as       evolucao positiva    participativa no
          situacoes            e, ao contrario do   processo
          comunicativas,       que se encontra na   terapeutico,
          mostrando            literatura sobre a   colocando em
          interesse para as    sindrome, ele        pratica as
          atividades           apresentou           orientacoes
          propostas,           desenvolvimento      necessarias para o
          respeita os turnos   psicomotor,          desenvolvimento
          comunicativos,       comportamental,      global do filho.
          apresenta            cognitivo e na
          vocalizacoes         comunicacao
          articuladas e        importantes ao
          diferenciadas para   longo do
          certas situacoes.    planejamento
          Demonstrando bom     proposto.
          desenvolvimento
          verbal e nao
          verbal.

S4        Trata-se de um       A crianca nao        E uma familia que
          caso com             avancou a olhos      deve ser muito
          limitacoes           nus. Para quem       respeitada e
          significativas,      atende e possivel    admirada. Pois
          seja do nivel        perceber que esta    conseguiram
          neurologico,         conectada mais       estabelecer um
          sensorial            tempo ao outro       vinculo com a
          (deficiencia         (porem ainda muito   filha mesmo com
          auditiva) e ainda,   pouco tempo).        tao poucos
          um contato pouco     Porem a familia      recursos da mesma.
          expressivo com o     esta mudando         A familia sofreu
          outro, exigindo      algumas atitudes     os interditos
          dedicacao do         com a menina no      medicos,
          terapeuta, mas       dia a dia, que       necessitando de um
          tambem cautela na    esta provocando      tempo para
          interpretacao dos    satisfacao para      entender o que
          gestos e cenas.      todos.               seria um
          Pode-se considerar                        diagnostico de
          um ganho evolutivo                        autismo, pois
          na comunicacao a                          chegou ate a
          entrada da                                clinica IP com
          fonoaudiologia na                         este diagnostico.
          IP, junto a                               A maior evolucao
          terapia                                   esta na relacao
          ocupacional, uma                          familiar. Quando
          vez que, alem do                          os terapeutas
          olhar e toque                             sugerem algo
          corporal,                                 (musica, postura,
          potencializou-se                          convite,
          outra habilidade                          alimentacao) a
          comunicativa, a                           familia responde
          audicao.                                  afirmando que
                                                    quando fizeram em
                                                    casa a menina
                                                    respondeu
                                                    positivamente.

S5        Na linguagem e       Antes da terapia     A mae sempre foi
          capaz de se          havia dificuldade    muito dedicada e
          posicionar,          em separar-se da     disposta a atender
          dialogar e           mae e em passar da   as orientacoes,
          vivenciar os         dependencia          apesar do
          distintos            absoluta para a      sofrimento ao se
          contextos sociais    relativa. Dormia     separar pelo apego
          com boa              junto da mae e       excessivo.
          comunicacao.         apresentava          Percebeu as
          Iniciou o periodo    dificuldades de      necessidades do
          narrativo, estando   entrar sozinho em    filho e seguiu
          em fase de           terapia. Hoje esta   praticamente todas
          remissao final de    mais independente,   nossas
          trocas               dorme sozinho e      orientacoes, mas
          articulatorias,      aceita permanecer    mantem um apego
          relacionadas a       em terapia apenas    muito grande.
          dispraxia verbal.    com a terapeuta.

S6        Esta inserido no     Chegou ainda bebe    Houve dificuldade
          discurso do          para IP ja sendo     em aderir a IP
          cotidiano e nas      possivel             inicialmente,
          relacoes mesmo que   identificar          sendo necessaria
          nao use              sintomas classicos   uma reuniao
          instrumentos para    de criancas cegas    conjunta com os
          tal, como a fala,    cujos pais nao       familiares acerca
          por exemplo.         possuem              do significativo
          Porem, apresenta     orientacao. Era um   risco relacionado
          bom                  menino muito         a saude mental do
          desenvolvimento      choroso e sofria     menino. Desde
          nao-verbal, ao       com o ambiente a     entao, a avo o
          longo de tres anos   sua volta, sem       traz com maior
          de IP, conseguindo   saber expressar      frequencia aos
          manifestar-se        seus sentimentos.    atendimentos. A
          anunciando seus      Psiquicamente        familia acredita
          sentimentos e        correu um risco      no desejo, na
          desejos atraves de   grande de produzir   disposicao e
          expressoes           uma psicose.         disponibilidade
          faciais, gestos e    Todavia, o mesmo     dos terapeutas.
          vocalizacoes.        saiu de um           Porem nao
                               desligamento com     acreditam muito no
                               auto-agressao para   filho e por isso
                               pedidos de           nao vem com
                               brincadeiras e       frequencia. Eles
                               reivindicacoes       sabem que nao
                               familiares.          desistimos.
                                                    Acreditam no que
                                                    dizemos, porem na
                                                    hora de realizarem
                                                    nao fazem,
                                                    alegando
                                                    incapacidade do
                                                    menino ou
                                                    problemas da
                                                    familia.

S7        No inicio apenas     Era uma crianca      Inicialmente a mae
          vocalizava,          muito retraida,      apresentou
          comprometendo        com dificuldades     dificuldade para
          bastante a relacao   de socializacao,     entender a
          com o                mas atualmente       necessidade do
          interlocutor. Ao     consegue             envolvimento
          longo da             desenvolver          familiar no
          intervencao,         atividades em        processo
          passou a respeitar   grupo e se           terapeutico para
          os turnos            relacionar bem com   melhor evolucao do
          comunicativos,       outras criancas.     filho. Com
          respeitar ordens,                         frequentes
          alem de nomear,                           orientacoes,
          usar verbos e                             compreendeu a
          construir frases                          proposta e passou
          simples,                                  a ter maior
          verificando-se                            envolvimento com o
          grande evolucao.                          processo
                                                    terapeutico tanto
                                                    em sessao quanto
                                                    em casa.

S8        Verifica-se que      Apresenta evolucao   Desde o inicio se
          tem se expressado    significativa nos    mostrou uma
          melhor seus          aspecto              familia bem
          desejos, com         linguistico e,       organizada e
          palavras e frases    principalmente,      estruturada,
          dotadas de           afetivo, uma vez     apesar do obito da
          significado. Alem    que vem dominando    mae de S8. E
          disso, observa-se    parcialmente seus    notavel o
          certa                medos e              envolvimento
          independencia da     frustracoes,         familiar no
          avo e mudancas       demonstrando         processo
          comportamentais em   afetividade, e       terapeutico e a
          situacoes sociais,   evolucao de          evolucao obtida
          como festas e        comportamento        pos-terapia. A avo
          passeios. E uma      social.              poe em pratica
          crianca alegre                            todas as
          que, atualmente,                          orientacoes de
          demonstra                                 maneira adequada,
          sentimentos                               traz
          afetivos, que ri e                        questionamentos e
          brinca com os                             curiosidades,
          outros.                                   relatando todas as
                                                    evolucoes
                                                    apresentadas pelo
                                                    neto. Sua maior
                                                    dificuldade foi em
                                                    conseguir dar
                                                    limites ao neto
                                                    tanto em relacao a
                                                    afastar-se de
                                                    brinquedos quanto
                                                    em sair do colo da
                                                    avo durante as
                                                    primeira terapias.

S9        Anteriormente a      A construcao e       Trata-se de uma
          intervencao          estabelecimento de   familia complexa,
          apresentava          um vinculo sao       em que a avo
          pouquissimas         prejudicados pela    materna demonstra
          vocalizacoes e,      pouca assiduidade    comprometimento e
          atualmente,          ao tratamento.       aparentemente
          emissao das          Apesar disso,        domina as questoes
          primeiras            verifica-se          familiares,
          palavras, ainda      evolucao             enquanto a mae,
          isoladas,            consideravel nos     talvez por ser
          construindo breves   aspectos de          jovem, revela-se
          relatos. Quanto ao   linguagem e          rebelde. Apesar de
          brincar que antes    producao de fala,    nao estimular o
          era exploratorio e   no simbolismo e de   filho
          desorganizado,       comportamento        adequadamente, vem
          verifica-se certo    geral de S9.         apresentando
          simbolismo, apesar                        mudanca de
          de rudimentar,                            postura, alem de
          alem de permanecer                        depositar
          mais tempo com o                          confianca na
          mesmo brinquedo.                          terapeuta. Alem de
                                                    S9(terceiro
                                                    filho), tem outro
                                                    filho mais velho
                                                    em terapia
                                                    fonoaudiologica, e
                                                    uma menina recem
                                                    nascida. Percebe-
                                                    se falta de
                                                    planejamento
                                                    familiar e de
                                                    vida. Por isso,
                                                    foi indicada
                                                    terapia para a
                                                    mae, pois nao
                                                    percebe as
                                                    carencias dos
                                                    filhos.
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Title Annotation:texto en portugues
Author:Pichini, Fernanda dos Santos; Rodrigues, Nathana da Graca Sartori; Ambros, Tatiane Medianeira Baccin
Publication:Revista CEFAC: Atualizacao Cientifica em Fonoaudiologia e Educacao
Date:Jan 1, 2016
Words:7971
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