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FAUNA OF ANTS IN PERMANENT PRESERVATION AREAS OF HYDROELECTRIC POWER PLANTS/FAUNA DE FORMIGAS EM AREAS DE PRESERVACAO PERMANENTE DE USINA HIDROELETRICA.

INTRODUCAO

A biodiversidade brasileira e uma das maiores do mundo gracas a complexidade de habitat oferecida pelos seus biomas (RIBAS et al., 2012a). A fragmentacao resulta de um processo historico de uso do solo desde o periodo colonial e representa uma das principais ameacas a conservacao da diversidade biologica da Mata Atlantica (GALINDO-LEAL; CAMARA, 2003; ZANELLA et al., 2012) e decorre de atividades como a agricultura, pecuaria, instalacoes industriais, producao de energia e urbanizacao. Estas atividades sao conhecidas pelo impacto que causam sobre a biodiversidade (GARDNER, 2010) ao alterarem componentes abioticos como a temperatura e umidade local e homogeneizarem as comunidades de organismos (FREIRE et al., 2012). Alteracoes ambientais expoem as formigas a perda ou a disponibilidade de fontes de alimentos assim como de locais para o estabelecimento de suas colonias. Mudancas microclimaticas locais tambem interferem nas atividades de forrageamento. Assim, variacoes da riqueza e da abundancia destes insetos podem predizer o grau de degradacao ou de recuperacao em que um ambiente se encontra (LUTINSKI et al., 2016).

A preocupacao com os impactos ambientais cresce com a demanda de energia (SAAD et al., 2017). A regiao sul do Brasil vem se consolidando na producao de hidroeletricidade contando, atualmente, com 48 usinas hidreletricas (UHE) e 146 pequenas centrais hidreletricas (PCH) em operacao (AGENCIA NACIONAL DE ENERGIA ELETRICA, 2016). A construcao de reservatorios artificiais resulta na supressao de vegetacao, desalojamento de especies, no revolvimento e na compactacao do solo (BARBOSA FILHO, 2013; KLIEMANN; DALARIVA, 2015). Neste processo pode ocorrer a perda de habitat, o desalojamento de especies, alteracoes microclimaticas locais e uma reestruturacao do ecossistema adjacente ao lago formado, composto pela nova area de preservacao permanente (APP) (BRASIL, 2012; CAMPAGNOLO et al., 2017).

A area de preservacao permanente (APP) contribui para o equilibrio ecologico atraves da manutencao da hidrodinamica das bacias hidrograficas regulando os ciclos hidrologicos e biogeoquimicos (TUNDISI; TUNDISI, 2010). As APPs possibilitam a instalacao de especies pioneiras e o inicio do processo de recuperacao ambiental juntamente com os fragmentos florestais remanescentes (KWON; LEE; SUNG, 2014), culminando no restabelecimento da flora e da fauna (ULYSHEN, 2011). A demanda pelo biomonitoramento de especies indicadoras emerge da necessidade de monitoramento dos impactos ambientais causados pela instalacao de hidreletricas (RIBAS et al., 2012b) e da contribuicao da APP para o restabelecimento de uma nova condicao de equilibrio do ecossistema afetado. Bioindicadores sao organismos que, pela riqueza, abundancia, resiliencia e produtividade, permitem prever o estagio de regeneracao de um dado ambiente (RAPPORT; CONSTANZA; MCMICHAEL, 1998).

Formicidae e um grupo reconhecido pelo seu potencial bioindicador (ANDERSEN; MAJER, 2004) e presenca constante em ecossistemas terrestres (HOLLDOBLER; WILSON, 1990; TAUSAN et al., 2017). A variedade morfofuncional, ampla distribuicao geografica, especializacao dos taxons (BOLTON et al., 2006; PETTERS et al., 2011), dominancia ecologica (HOLLDOBLER; WILSON, 1990), elevada riqueza (LUTINSKI et al., 2014), taxonomia bem estabelecida (BOLTON, 2003) e com amostragens relativamente baratas potencializam o uso das formigas como bioindicadores (ANDERSEN; MAJER, 2004; BHARTI; BHARTI; PFEIFER, 2016). A inclusao das formigas em estudos de impacto ambiental (EIA) e relatorios de impacto ambiental (RIMA) ja ocorrem no Brasil (LUTINSKI et al., 2016). As formigas tambem tem sido utilizadas para descrever a complexidade estrutural do habitat (FREIRE et al., 2012), disturbios ambientais (BHARTI; BHARTI; PFEIFER, 2016) e mudancas na estrutura do habitat, microclima e disponibilidade de recursos (PHILPOTT et al., 2010) e podem representar uma importante ferramenta para a avaliacao do processo de recuperacao do ambiente e da reconstituicao da comunidade biologica em APPs.

Apesar da mirmecofauna da regiao austral do bioma Mata Atlantica ser bem conhecida (ULYSSEA et al., 2011; LUTINSKI et al., 2014; 2016), ha uma carencia de informacao sobre o potencial bioindicador desses insetos para o biomonitoramento das comunidades de organismos das APPs direta e indiretamente afetadas pela instalacao de hidreletricas. Um estudo sobre a riqueza e abundancia destes insetos na APP do lago formado por uma das maiores UHE do sul do Brasil podera contribuir para a compreensao do processo de consolidacao das APP, para a compreensao acerca da contribuicao destas areas para a conservacao da biodiversidade, para subsidiar estudos e relatorios de impacto ambiental e para subsidiar planos de conservacao da biodiversidade. Neste contexto, este estudo teve como objetivos: a) caracterizar as assembleias de formigas que ocorrem em diferentes sitios da APP do reservatorio da UHE Foz do Chapeco; b) avaliar a diversidade da mirmecofauna em locais com usos diferentes do solo e; c) avaliar a similaridade das assembleias de formigas nos sitios amostrados.

MATERIAL E METODO

Area de estudo

O estudo foi conduzido durante o mes de janeiro de 2017, na area de APP do reservatorio da UHE Foz do Chapeco, entre os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O bioma da regiao e Mata Atlantica (Floresta Ombrofila Mista) e o clima e do tipo mesotermico subtropical umido, sem estacao seca definida, com distribuicao regular da pluviosidade e com elevadas temperaturas na estacao do verao (ALVARES et al., 2014).

O reservatorio foi formado em 2010, com uma area de 79,2 [km.sup.2] entre os municipios de Aguas de Chapeco, Caxambu do Sul, Chapeco, Guatambu, Ita e Paial em Santa Catarina e Alpestre, Erval Grande, Faxinalzinho, Itatiba do Sul, Nonoai e Rio dos Indios, no Rio Grande do Sul (USINA HIDRELETRICA FOZ DO CHAPECO, 2015). A APP com 30 metros a partir do lago estava, no periodo das amostras, com seis anos de formacao. Cinco sitios, com area de dois hectares cada um, foram amostrados, sendo tres em Santa Catarina nos municipios de Aguas de Chapeco, Caxambu do Sul e Guatambu e dois no Rio Grande do Sul, municipio de Rio dos Indios.

O sitio 1, localizado no municipio de Aguas de Chapeco (ACH), SC, 27[degrees].14'51"S; 53[degrees].03'55"W, consiste no canteiro de obras da hidreletrica. Foi aquele que sofreu o impacto mais acentuado durante a construcao do empreendimento, com a vegetacao totalmente removida e o solo com intensa compactacao pelas maquinas. Apos a conclusao das obras, o sitio foi isolado para recuperacao. A vegetacao, durante o periodo das amostras, era composta predominantemente por gramineas e por arbustos esparsos, nao superiores a tres metros de altura.

O sitio 2, localizado no municipio de Caxambu do Sul (CXS), SC, 27[degrees].15'35"S; 52[degrees].42'40"W, era uma area de cultivo agricola, que apos a formacao do lago, foi isolada para regeneracao. A vegetacao era composta por gramineas e arbustos esparsos com ate seis metros de altura, sem presenca de serapilheira. Uma antiga estrada que da acesso a veranistas ate o lago passa pela area, tornando frequente a presenca de residuos solidos.

O sitio 3, localizado no municipio de Guatambu (GUA), SC, 27[degrees].14'59'S; 52[degrees].41'06'W, encontrase coberto por uma plantacao de Eucalyptus grandis Hill ex Maiden com idade aproximada de 11 anos. A vegetacao ja estava presente na area demarcada como APP durante a formacao do lago e nao foi suprimida. A presenca de um sub-bosque, composto por vegetacao nativa, com uma altura de ate seis metros e observada nesse sitio. A area e cortada por diversas trilhas de pescadores.

O sitio 4, situado no municipio de Rio dos Indios (RI1), RS, 27[degrees].17'38'S; 52o.44'58"W, era uma area de antigas pastagens. Assim como o sitio 2, foi isolado para regeneracao natural. Nele estavam arvores nativas, de grande porte, esparsas, que ja existiam antes da formacao do lago. Alem desta vegetacao, o ambiente se encontra coberto por pequenos arbustos.

O sitio 5, tambem situado em Rio dos Indios (RI2), RS, 27[degrees].20'41'S; 52o.43'51"W, era um fragmento florestal que, apos a formacao do lago, inseria-se na area demarcada pela APP. Apresentava estagio mais avancado de regeneracao em relacao aos demais. Encontrava-se coberto por uma vegetacao densa, com aproximadamente 20 anos de idade. O solo e coberto por serapilheira profunda e continua. Amostragem

A amostragem foi conduzida no mes de janeiro de 2017 em um unico evento amostral. Foram utilizadas armadilhas pitfalls, iscas de sardinha, iscas de glicose, guarda-chuva entomologico e coleta manual. Dez pitfalls e 20 iscas (dez de cada) foram distribuidas em transectos paralelos ao reservatorio, equidistantes 20 metros entre si, sendo utilizado o mesmo numero em cada sitio. As armadilhas pitfall consistiram em copos plasticos de 250 ml (10 cm de diametro por 12 cm de altura) enterrados com 150 ml de agua e uma gota de detergente neutro para quebrar a tensao superficial da agua. As iscas sardinha (~1 g) e glicose (~1 mL) foram dispostas em retangulos de papel de 20 x 30 cm, sobre o solo. Os pitfalls permaneceram no ambiente por 48 horas e as iscas por uma hora. O guarda-chuva entomologico consistiu em um retangulo de tecido com tamanho de 1 [m.sup.2], suportado por um sarrafo de madeira em forma de "X", preso nos quatro cantos. Em cada sitio, o guarda-chuva foi utilizado sob arbustos (n = 10), escolhidos de forma aleatoria, os quais foram sacudidos por dez vezes cada um. A amostra manual foi conduzida utilizando-se pinca e frasco com alcool (70%), nos quais os especimes amostrados foram acondicionados. Ao todo, foi empregado um esforco amostral de uma hora manual em cada sitio, realizada sobre troncos (ate 1,5 metros de altura), pedras e galhos.

Os especimes amostrados foram acondicionados em frascos contendo alcool 70% e transportados para o Laboratorio de Entomologia da Unochapeco para triagem e identificacao.

Identificacao e analise de dados

A identificacao dos especimes foi realizada atraves de chaves taxonomicas (FERNANDEZ, 2003; BACCARO et al., 2015). A classificacao dos especimes de formigas amostrados seguiu Bolton (2003).

A riqueza foi definida como o numero de especies de formigas que ocorreram em cada uma das amostras. A abundancia foi definida com base na frequencia relativa (numero de registros de uma dada especie em cada armadilha ou isca). A riqueza de cada assembleia foi comparada por meio de analises de rarefacao baseadas no numero de ocorrencias. Essas analises foram obtidas utilizando-se o software EcoSim 7 (GOTELLI; ENTSMINGER, 2001).

As assembleias de formigas dos cinco sitios foram comparadas quanto a riqueza, abundancia e os indice de diversidade de Shannon-Weaver (H') e Equitabilidade (J'). Estimativas de riqueza (Chao 1) para cada sitio amostrado tambem foram obtidas. Estes parametros foram obtidos com o software estatistico Past (HAMMER; HARPER; RIAN, 2001). Foi feita uma ordenacao NMDS (Non-metricMultidimensional Scaling) para testar se a abundancia e a composicao das assembleias de formigas diferem de um sitio para outro. A matriz dos dados foi previamente transformada em Log (x+1), foi utilizado Bray-Curtis como indice de associacao e a analise foi realizada com o programa estatistico Primer 6.1.9. (CLARKE; GORLEY, 2005).

Aspectos legais

A realizacao do estudo foi autorizada pelo Instituto Chico Mendes de Conservacao da Biodiversidade --ICMBio, "Autorizacao para atividades com finalidade cientifica" no. 50739-2 de 16/09/2016.

RESULTADOS

Cento e uma especies pertencentes a 29 generos e oito subfamilias foram registradas. As subfamilias mais ricas foram Myrmicinae (S=49), Formicinae (S=19), Ponerinae (S=15), Dolichoderinae (S=7), Pseudomyrmicinae (S= 5), Ectatomminae (S= 3), Dorylinae (S=2) e Heteroponerinae (S=1). Os generos mais ricos foram Pheidole (S=21), Camponotus (S=13) e Acromyrmex (S=7). Apenas cinco especies ocorreram em todos os sitios: Camponotus alboannulatus Mayr, 1887, Camponotus mus Roger, 1863, Camponotus rufipes (Fabricius, 1775), Nylanderia fulva (Mayr, 1862) e Pachycondyla striata F. Smith, 1858. A assembleia RI2 apresentou o maior numero de especies exclusivas (S=18), seguido da CXS (S=12), RI1, (S=11), GUA (S=8) e ACH (S=7) (Tabela 1). O sitio RI2 tambem apresentou a maior riqueza (S=44), seguido de CXS (S=39), RI1 (S=39), GUA (S= 32) e ACH (S= 26) (Figura 1).

A equitabilidade observada nas assembleias amostradas nos sitios CXS e RI2 foram as maiores em relacao as demais. A assembleia amostrada no sitio ACH apresentou a menor equitabilidade. A diversidade (H') foi menor na assembleia ACH e maior na RI2, sendo verificada uma diferenca de 39,8% entre as duas. A maior diferenca entre a riqueza estimada (Chao 1) e a riqueza observada foi verificada na assembleia mostrada no sitio ACH (134,6%), seguida por RI2 (105,5%), GUA (93,7%), RI1 (53,8%) e CXS (39,9%) (Tabela 2).

Observou-se similaridade de 50% entre as assembleias de formigas dos sitios RI1 e RI2 e entre GUA e CXS quanto a abundancia e a composicao nas amostras. A assembleia ACH diferiu das demais neste parametro (Figura 2).

DISCUSSAO

A riqueza amostrada nos sitios catarinenses (S = 58) representa 28,1% da mirmecofauna ja descrita para a regiao oeste do estado (ULYSSEA et al., 2011). Ja a riqueza amostrada nos sitios gauchos (S = 61) representa 56,5% da mirmecofauna registrada em ambientes da regiao noroeste do estado do Rio Grande do Sul (CANTARELLI et al., 2015). De acordo com o esperado, os sitios com historico de regeneracao mais avancado (RI2) e com vegetacao nativa (CXS, RI1 e RI2) apresentaram maior riqueza, abundancia, diversidade (H') e equitabilidade (J') em relacao ao sitio que sofreu o maior impacto (ACH) e ao sitio coberto por reflorestamento de eucalipto (GUA). Apesar de a maior diferenca (134,6%) entre a riqueza amostrada e a estimada (Chao 1) ter sido observada no sitio mais impactado (ACH), a estimativa foi semelhante a obtida para os demais sitios, com excecao do sitio RI2 ([S.sub.est] = 90).

A subfamilia Myrmecinae e a mais rica no Bioma Mata Atlantica, tanto em numero de generos quanto de especies (ULYSSEA et al., 2011; BACCARO et al., 2015) e isso explica a maior riqueza destas formigas neste estudo. Alem da diversidade, os habitos alimentares diversificados caracterizam este grupo (HOLLDOBLER; WILSON, 1990) o que explica a tolerancia desta fauna aos sitios avaliados. As subfamilias Formicinae e Ponerinae tambem se destacam pela riqueza e abundancia nos estudos realizados no sul do Brasil (ULYSSEA et al., 2011; LUTINSKI et al., 2014; CANTARELLI et al., 2015). Juntamente com Myrmecinae, foram as subfamilias mais ricas, destacando o papel ecologico destes insetos, ocupando diferentes nichos e participando dos diferentes niveis da cadeia trofica.

As especies de Dorymyrmex (S = 2) registradas nos sitios ACH e CSX e de Linepithema (S = 5) nos sitios GUA e RI2, sao caracteristicas de ambientes antropizados, apresentam ocorrencias frequentes nos mais diversos ambientes do sul do Brasil (ULYSSEA et al., 2011), se caracterizam pela dominancia e sao comumente encontradas em ambientes perturbados ecologicamente (SILVESTRE; BRANDAO; SILVA, 2003; LUTINSKI et al., 2014). A riqueza destes generos pode ser explicada pelo estado de recuperacao em que os sitios se encontram. Embora algumas especies como Dorymyrmex brunneus e Linepithema humile tolerem ambientes antropizados, outras podem ser encontradas em ambientes em estagios mais avancados de conservacao como o sitio RI2.

O genero Pheidole apresentou a maior riqueza (S =21) e, juntamente com os generos Crematogaster (S = 4), Solenopsis (S = 3) e Wasmannia (S = 2), compoe uma guilda descrita como epigeas, onivoras e dominantes (SILVESTRE; BRANDAO; SILVA, 2003). A diversidade destes generos no Brasil (BACCARO et al., 2015) explica a frequencia nas amostras deste estudo. Estes generos nidificam no solo, formam colonias grandes e apresentam comportamento generalista e agressivo. Estas caracteristicas podem estar favorecendo a colonizacao da APP por estas formigas, ja que podem estar tendo maior facilidade para encontrar e dominar as fontes de alimento disponiveis. Sao formigas frequentemente encontradas em ambientes antropizados (LUTINSKI; GARCIA, 2005; LUTINSKI et al., 2014, GARCIA et al., 2017) e a riqueza amostrada caracteriza o estagio inicial de regeneracao em que quatro dos sitios se encontram. A onivoria e o habito generalista tambem caracterizam as formigas Brachymyrmex (S = 2) e Nylanderia (S = 4) (SILVESTRE; BRANDAO; SILVA, 2003). O recrutamento massivo e o tamanho diminuto dos especimes destas especies (BACCARO et al., 2015) favorecem o dominio pelas fontes de alimento e podem explicar a ocorrencia nos sitios amostrados.

O genero Camponotus (S = 13) apresentou a segunda maior riqueza. Formigas deste genero podem ser observadas forrageando desde o solo ate a copa das arvores (SILVESTRE; BRANDAO; SILVA, 2003) e isso pode explicar a diversidade deste genero nos sitios. Formigas Camponotus sao comuns em ambientes antropizados (LUTINSKI et al., 2014), no entanto, a riqueza observada neste estudo pode estar associada com a diversidade de vegetacao e de nichos disponiveis para forrageamento e nidificacao (SILVESTRE; BRANDAO; SILVA, 2003; LUTINSKI; GARCIA, 2005). Especies como Camponotus mus e Camponotus rufipes sao frequentemente encontradas em areas abertas, incluindo ambientes urbanos do sul do Brasil. Esta tolerancia pode explicar os registros destas especies nos sitios da APP. Contudo, a ocorrencia de especies menos tolerantes, confirma que os ambientes da APP nao sao uniformes e que a recuperacao ambiental esta associada ao historico de uso do solo.

Os generos Acromyrmex (S = 7), Apterostigma (S = 1) e Cyphomyrmex (S = 3) estao associados a massa vegetal, verde ou morta, sobre a qual cultivam fungos e obtem alimento. Formigas destes generos sao frequentes e abundantes nas amostras realizadas na regiao sul do Brasil (LUTINSKI et al., 2008; 2014; ULYSSEA et al., 2011; CANTARELLI et al., 2015). Neste contexto, a ocorrencia destas formigas nos sitios permite inferir que, apos seis anos de regeneracao, a APP ja fornece condicoes como serapilheira para abrigar esta fauna. Tais formigas exercem importante papel na manutencao do solo cujas galerias dos seus ninhos contribuem para a aeracao e infiltracao da agua enquanto que seus excrementos o enriquecem (SILVESTRE; BRANDAO; SILVA, 2003). Assim, estas especies de formigas podem estar contribuindo positivamente para a mineralizacao de nutrientes no solo e para acelerar o processo de recuperacao ambiental da APP. A ausencia de especies do genero Acromyrmex nas amostras dos sitios RI1 e RI2 pode ter sido ao acaso, ja que ocorrem na regiao do estudo (CANTARELLI et al., 2015).

Os generos Dinoponera (S = 1), Gnamptogenys (S = 3), Heteroponera (S = 5), Hypoponera (S = 1), Labidus (S = 2), Neoponera (S = 2), Pachycondyla (S = 4), Odontomachus (S = 3) e Strumigenys (S = 1) tem em comum o habito predador (BACCARO et al., 2015). A riqueza destes generos nas amostras destaca o processo de regeneracao em que os sitios se encontram, materializado na formacao de serapilheira na qual estas formigas constroem seus ninhos e forrageiam (SILVESTRE; BRANDAO; SILVA, 2003). A ocorrencia destas formigas predominantemente no sitio RI2 corrobora esta associacao. Formigas Cephalotes (S = 20), Procryptocerus (S = 1) e Pseudomyrmex (S = 5) se destacam pelo habito arboricola e pela associacao com a vegetacao (BACCARO et al., 2015). A riqueza destes taxons no estudo caracteriza a regeneracao da vegetacao e a oferta de uma variedade de nichos para a nidificacao e para o forrageio. As formigas Pogonomyrmex (S = 2) sao coletoras de sementes (SILVESTRE; BRANDAO; SILVA, 2003) e frequentemente encontradas em ambientes abertos no Sul do Brasil (LUTINSKI et al., 2014), contribuindo assim para a regeneracao da APP ao dispersarem sementes.

O estimador Chao 1 apontou que a riqueza de formigas dos cinco sitios pode ser, em media, 86,7% maior do que a riqueza observada. Considerando o efeito que unicatas e duplicatas de ocorrencias nas amostras exercem sobre este estimador (CHAO et al., 2009) e o esforco amostral empreeendido no estudo, pode-se inferir que as estimativas foram coerentes.

Os resultados da analise de rarefacao apontaram diferencas entre os sitios quanto a riqueza de formigas. A amostra realizada no sitio ocupado pelo fragmento florestal (RI2), com maior tempo de conservacao resultou na maior riqueza. Os sitios com historico de agricultura (CXS) e de pastagem (RI1) apresentaram riqueza intermediaria. Ja, o sitio ocupado pela plantacao de eucalipto (GUA) e o integralizado a partir do canteiro de obras da hidreletrica (ACH) apresentaram as menores riquezas. Este resultado corrobora o estudo realizado por Lutinski et al. (2008) sobre a importancia de fragmentos florestais para a conservacao da mirmecofauna. O maior numero de especies exclusivas na assembleia RI2 pode ter contribuido para que esta fosse a assembleia mais rica dentre as demais. A maior exclusividade de especies pode ser explicada pelo mais avancado estagio de recuperacao deste sitio e pelos recursos como alimento e locais para nidificacao oferecidos as formigas. A serapilheira continua e espessa e a vegetacao densa tambem podem estar garantindo um maior equilibrio microclimatico, sobretudo com a temperatura e a umidade favorecendo as atividades das formigas.

O indice de diversidade (H') foi 39,7% maior no sitio RI2 (com maior diversidade) em relacao ao sitio ACH (com menor diversidade). Os valores encontrados sao semelhantes aos de Lutinski et al. (2008) em tres diferentes sitios da Floresta Nacional de Chapeco, indicando que a recolonizacao da APP pela mirmecofauna vem ocorrendo de forma rapida, considerando o periodo de apenas seis anos deste a demarcacao. De acordo com Peralta e Martinez (2013), o indice de equitabilidade varia entre zero e um e o resultado acima de 0,5 indica uniformidade na distribuicao das especies, o que foi observado para as assembleias dos cinco sitios. Assim como foi observado neste estudo, a presenca de muitas especies com baixo numero de ocorrencias (uma ou duas) nas amostras e um padrao bem documentado para ambientes da regiao neotropical (CHACON DE ULLOA; ABADIA, 2014).

A barreira natural de aproximadamente 600 metros entre uma margem e outra do lago pode explicar a diferenca entre a composicao das assembleias de formigas RI1 e RI2 em relacao as assembleias GUA e CSX. Ja o estado inicial de regeneracao do sitio ACH pode explicar a diferenca desta em relacao as demais.

O plano amostral deste estudo previu o uso de um conjunto de metodos complementares entre si para avaliar diferentes estratos e foi realizado em uma estacao (verao) reconhecida pela maior atividade das formigas, por isso pode ser considerado que foi adequado. Amostras subsequentes poderao aproximar a lista de especies observadas com as estimativas obtidas.

CONCLUSOES

As assembleias de formigas que ocorrem em diferentes sitios da APP diferem entre si quanto a composicao, riqueza, abundancia, diversidade e equitabilidade. Maiores indices foram obtidos nos sitios com historico mais antigo de conservacao. Sitios que passaram por um processo mais intenso de antropizacao ou que se encontram ocupados por plantacao de eucalipto, apos seis anos de isolamento, apresentam indicadores ecologicos menores quando comparados com sitios que eram ocupados por agricultura ou pecuaria.

Os resultados corroboram o potencial de utilizacao das formigas como bioindicadores do processo de regeneracao de APP. As especies que apresentaram valores significativos de indicacao sao conhecidas por ocorrerem em ambientes antropizados, o que esta de acordo com o estagio de regeneracao dos sitios amostrados. Amostragens nos proximos anos poderao indicar mudancas neste perfil.

http://dx.doi.org/10.5902/1980509835334

AGRADECIMENTOS

Ao consorcio Foz do Chapeco pela permissao para a amostragem na APP. Ao CNPq pela bolsa de produtividade em pesquisa de FRMG. A Universidade Comunitaria da Regiao de Chapeco pela bolsa de estudo do Mestrado em Ciencias da Saude.

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Junir Antonio Lutinski (1) Carin Guarda (2) Cladis Juliana Lutinski (3) Maria Assunta Busato (1) Flavio Roberto Mello Garcia (4)

(1) Biologo(a), Dr(a)., Professor(a) do Programa de Pos-Graduacao em Ciencias da Saude, Universidade Comunitaria da Regiao de Chapeco, Av. Senador Attilio Fontana, 591-E, Efapi, CEP 89809-000, Caixa Postal 1141, Chapeco (SC), Brasil. junir@unochapeco.edu.br / assunta@unochapeco.edu.br

(2) Biologa, MSc., Programa de Pos-Graduacao em Ciencias da Saude, Universidade Comunitaria da Regiao de Chapeco, Av. Senador Attilio Fontana, 591-E, Efapi, CEP 89809-000, Caixa Postal 1141, Chapeco (SC), Brasil. carin@unochapeco.edu.br

(3) Biologa, MSc., Laboratorio de Biologia, Universidade Federal da Fronteira Sul, Av. Fernando Machado, 108 E, CEP 89802-112, Chapeco (SC), Brasil. cladis.lutinski@uffs.edu.br

(4) Biologo, Dr., Professor do Programa de Pos-Graduacao em Entomologia, Instituto de Biologia, Universidade Federal de Pelotas, Caixa Postal 354, CEP 96010-900, Pelotas (RS), Brasil. flaviormg@hotmail.com

Recebido para publicacao em 3/10/2017 e aceito em 6/02/2018

Caption: FIGURE 1: Rarefaction based on the number of ant occurrences comparing the richness sampled in five sites in the permanent preservation area of Foz do Chapeco hydroelectric. Municipalities of Aguas de Chapeco (ACH), Caxambu do Sul (CXS) and Guatambu (GUA), in Santa Catarina state and Rio dos Indios (RI1 and RI2) in Rio Grande do Sul state, January 2017. The vertical bars indicate the 95% confidence interval.

FIGURA 1: Rarefacao baseada no numero de ocorrencias comparando a riqueza de formigas amostrada em cinco sitios de coleta na area de preservacao permanente Foz do Chapeco, nos municipios de Aguas de Chapeco (ACH), Caxambu do Sul (CSX) e Guatambu (GUA) em Santa Catarina e no municipio do Rio dos Indios (RI1 e RI2) no Rio Grande do Sul. Janeiro de 2017. As barras verticais indicam o intervalo de 95% de confianca.

Caption: FIGURE 2: Ordering analysis (NMDS) for sampled ant assemblages composition and abundance at five sites in the permanent preservation area of Foz do Chapeco dam, in the municipalities of Aguas de Chapeco (ACH), Caxambu do Sul (CSX) and Guatambu (GUA) in Santa Catarina state and Rio dos Indios (RI1 and RI2) municipality in Rio Grande do Sul state, January 2017. The balloons indicate 50% similarity.

FIGURA 2: Analise de ordenacao (NMDS) para a composicao e abundancia das assembleias de formigas amostradas em cinco sitios de coleta na area de preservacao permanente Foz do Chapeco, nos municipios de Aguas de Chapeco (ACH), Caxambu do Sul (CSX) e Guatambu (GUA) em Santa Catarina e no municipio do Rio dos Indios (RI1 e RI2) no Rio Grande do Sul. Janeiro de 2017. Os baloes indicam 50% de similaridade.
TABLE 1: Relative frequency of ant species per sample site in the
Permanent Preservation Area of Foz do Chapeco Hydroelectric.
Municipalities of Aguas de Chapeco (ACH), Caxambu do Sul (CXS) and
Guatambu (GUA), Santa Catarina state and Rio dos Indios (RI1 and
RI2) in Rio Grande do Sul state, January 2017.

TABELA 1: Frequencia relativa das especies de formigas por sitio de
amostra na area de preservacao permanente da Foz do Chapeco, nos
municipios de Aguas de Chapeco (ACH), Caxambu do Sul (CSX) e
Guatambu (GUA) em Santa Catarina e no municipio do Rio dos Indios
(RI1 e RI2) no Rio Grande do Sul. Janeiro de 2017.

                 Taxon                      ACH      CXS      GUA

Subfamilia Dolichoderinae
Tribo Leptomyrmecini
Dorymyrmex brunneus Forel, 1908                      0,02
Dorymyrmexpyramicus (Roger, 1863)           0,01
Linepithema angulatum (Emery, 1894)                           0,03
Linepithema inacatum Bolton 1969                              0,03
Linepithema humile (Mayr, 1868)                               0,01
Linepithema sp. 1
Linepithema sp. 2
Subfamilia Dorylinae
Labidus coecus (Latreille, 1802)                     0,01
Labidus praedator (F. Smith, 1858)
Subfamilia Ectatomminae
Tribo Ectatommini
Gnamptogenys striatula Mayr, 1884
Gnamptogenys sp. 1                                            0,01
Gnamptogenys sp. 2
Subfamilia Formicinae
Tribo Camponotini
Camponotus alboannulatus Mayr, 1887         0,02     0,02     0,01
Camponotus blandus (F. Smith, 1858)                  0,01
Camponotus cameranoi Emery, 1894            0,01     0,01     0,01
Camponotus crassus Mayr, 1862                        0,02
Camponotus lespesii Forel, 1886
Camponotus melanoticus Emery, 1894          0,01
Camponotus mus Roger, 1863                  0,01     0,02     0,04
Camponotus rufipes (Fabricius, 1775)        0,06     0,09     0,01
Camponotus sexguttatus
  (Fabricius, 1793)                                  0,01     0,01
Camponotus sp. 1                            0,01
Camponotus sp. 2
Camponotus sp. 3                                              0,01
Camponotus sp. 4
Colobopsis personata (Emery, 1894)
Tribo Myrmelachistini
Brachymyrmex coactus Mayr, 1887             0,01              0,01
Brachymyrmex cordemoyi Forel, 1895          0,04
Tribo Lasiini
Nylanderia fulva (Mayr, 1862)               0,40     0,05     0,01
Nylanderia sp. 1                                     0,01
Nylanderia sp. 2
Subfamilia Heteroponerinae
Tribo Heteroponerini
Heteroponera inermis (Emery, 1894)                            0,01
Subfamilia Myrmicinae
Tribo Attini
Acromyrmex ambiguus (Emery, 1888)           0,01     0,02     0,01
Acromyrmex aspersus (F. Smith, 1858)        0,04     0,02     0,01
Acromyrmex disciger (Mayr, 1887)            0,01
Acromyrmex lundii
  (Guerin-Meneville, 1838)                           0,02
Acromyrmex subterraneus (Forel, 1893)                0,01
Acromyrmex sp. 1
Acromyrmex sp. 2
Apterostigma pilosum Mayr, 1865
Cephalotes pusillus (Klug, 1824)                     0,01     0,01
Cephalotes sp.
Cyphomyrmex rimosus (Spinola, 1853)                           0,01
Cyphomyrmex strigatus Mayr, 1887
Cyphomyrmex sp.                             0,01
Pheidole aberrans Mayr, 1868                0,02     0,06     0,03
Pheidole dyctiota Kempf, 1972               0,05     0,06     0,11
Pheidole laevifrons Mayr, 1887              0,07     0,05     0,03
Pheidole lignicola Mayr, 1887
Pheidole megacephala (Fabricius, 1793)               0,03     0,23
Pheidole pubiventris Mayr, 1887                      0,02     0,01
Pheidole punctatissima Mayr, 1870
Pheidole risii Forel, 1892                           0,02     0,01
Pheidole tristis (F. Smith, 1858)
Pheidole sp. 1                                       0,07     0,03
Pheidole sp. 2                                                0,01
Pheidole sp. 3                                       0,05
Pheidole sp. 4                                       0,01
Pheidole sp. 5                                       0,01
Pheidole sp. 6                              0,04
Pheidole sp. 7
Pheidole sp. 8
Pheidole sp. 9
Pheidole sp. 10
Pheidole sp. 11
Pheidole sp. 12
Procryptocerus adlerzi (Mayr, 1887)
Strumigenys cultrigera Mayr, 1887                    0,01
Wasmannia auropunctata (Roger, 1863)                 0,01
Wasmannia sp.                                                 0,01
Tribo Crematogastrini
Crematogaster acuta (Fabricius, 1804)       0,01     0,01     0,01
Crematogaster corticicola Mayr, 1887        0,01     0,01
Crematogaster magnifica Santschi, 1925
Crematogaster sp.                           0,01     0,01     0,01
Tribo Pogonomyrmecini
Patagonomyrmex angustus Mayr, 1870
Pogonomyrmex naegelii Forel, 1878           0,04     0,01
Tribo Solenopsidini
Diplorhoptrum strictum (Emery, 1896)        0,01     0,01
Monomorium pharaonis (Linnaeus, 1758)                0,01
Solenopsis saevissima (F. Smith, 1855)      0,01     0,02
Solenopsis sp. 1                                     0,01
Solenopsis sp. 2
Subfamilia Ponerinae
Tribo Ponerini
Dinoponera australis Emery, 1901
Hypoponera distinguenda (Emery, 1890)
Hypoponera opaciceps (Mayr, 1887)
Hypoponera trigona (Mayr, 1887)                      0,01
Hypoponera sp. 1
Hypoponera sp. 2
Neoponera crenata (Roger, 1858)
Neoponera vilosa (Fabricius, 1804)
Pachycondyla striata F. Smith, 1858         0,04     0,05     0,12
Pachycondyla harpax (Fabricius, 1804)
Pachycondyla sp. 1
Pachycondyla sp. 2
Odontomachus affinis
  Guerin-Meneville, 1844
Odontomachus chelifer
  (Latreille, 1802)                                           0,04
Odontomachus sp.
Subfamilia Pseudomyrmecinae
Tribo Pseudomyrmecini
Pseudomyrmex flavidulus
  (F. Smith, 1858)                          0,01              0,01
Pseudomyrmex gracilis
  (Fabricius, 1804)                                  0,07     0,03
Pseudomyrmexphyllophilus
  (F. Smith, 1858)
Pseudomyrmex termitarius
  (F. Smith, 1855)
Pseudomyrmex sp.
Riqueza                                      26       39       32

                 Taxon                      RI1      RI2

Subfamilia Dolichoderinae
Tribo Leptomyrmecini
Dorymyrmex brunneus Forel, 1908
Dorymyrmexpyramicus (Roger, 1863)
Linepithema angulatum (Emery, 1894)
Linepithema inacatum Bolton 1969
Linepithema humile (Mayr, 1868)
Linepithema sp. 1                                    0,01
Linepithema sp. 2                                    0,02
Subfamilia Dorylinae
Labidus coecus (Latreille, 1802)            0,02
Labidus praedator (F. Smith, 1858)          0,03
Subfamilia Ectatomminae
Tribo Ectatommini
Gnamptogenys striatula Mayr, 1884           0,03     0,02
Gnamptogenys sp. 1
Gnamptogenys sp. 2                          0,01
Subfamilia Formicinae
Tribo Camponotini
Camponotus alboannulatus Mayr, 1887         0,01     0,02
Camponotus blandus (F. Smith, 1858)
Camponotus cameranoi Emery, 1894
Camponotus crassus Mayr, 1862
Camponotus lespesii Forel, 1886             0,02     0,01
Camponotus melanoticus Emery, 1894
Camponotus mus Roger, 1863                  0,01     0,01
Camponotus rufipes (Fabricius, 1775)        0,09     0,01
Camponotus sexguttatus
  (Fabricius, 1793)
Camponotus sp. 1
Camponotus sp. 2                                     0,01
Camponotus sp. 3                                     0,01
Camponotus sp. 4                                     0,01
Colobopsis personata (Emery, 1894)          0,01
Tribo Myrmelachistini
Brachymyrmex coactus Mayr, 1887
Brachymyrmex cordemoyi Forel, 1895
Tribo Lasiini
Nylanderia fulva (Mayr, 1862)               0,01     0,03
Nylanderia sp. 1
Nylanderia sp. 2                            0,02     0,01
Subfamilia Heteroponerinae
Tribo Heteroponerini
Heteroponera inermis (Emery, 1894)
Subfamilia Myrmicinae
Tribo Attini
Acromyrmex ambiguus (Emery, 1888)
Acromyrmex aspersus (F. Smith, 1858)
Acromyrmex disciger (Mayr, 1887)
Acromyrmex lundii
  (Guerin-Meneville, 1838)
Acromyrmex subterraneus (Forel, 1893)
Acromyrmex sp. 1                            0,01     0,01
Acromyrmex sp. 2                                     0,01
Apterostigma pilosum Mayr, 1865             0,03
Cephalotes pusillus (Klug, 1824)            0,03     0,03
Cephalotes sp.                                       0,01
Cyphomyrmex rimosus (Spinola, 1853)
Cyphomyrmex strigatus Mayr, 1887            0,01     0,01
Cyphomyrmex sp.
Pheidole aberrans Mayr, 1868                         0,01
Pheidole dyctiota Kempf, 1972
Pheidole laevifrons Mayr, 1887
Pheidole lignicola Mayr, 1887                        0,03
Pheidole megacephala (Fabricius, 1793)      0,02     0,03
Pheidole pubiventris Mayr, 1887
Pheidole punctatissima Mayr, 1870           0,14     0,09
Pheidole risii Forel, 1892
Pheidole tristis (F. Smith, 1858)                    0,02
Pheidole sp. 1                              0,01     0,01
Pheidole sp. 2
Pheidole sp. 3                              0,01
Pheidole sp. 4
Pheidole sp. 5
Pheidole sp. 6
Pheidole sp. 7                              0,02
Pheidole sp. 8                              0,04     0,06
Pheidole sp. 9                              0,01
Pheidole sp. 10                             0,01     0,02
Pheidole sp. 11                                      0,04
Pheidole sp. 12                                      0,07
Procryptocerus adlerzi (Mayr, 1887)         0,01
Strumigenys cultrigera Mayr, 1887
Wasmannia auropunctata (Roger, 1863)                 0,02
Wasmannia sp.
Tribo Crematogastrini
Crematogaster acuta (Fabricius, 1804)
Crematogaster corticicola Mayr, 1887        0,02
Crematogaster magnifica Santschi, 1925               0,01
Crematogaster sp.                           0,01
Tribo Pogonomyrmecini
Patagonomyrmex angustus Mayr, 1870          0,01     0,01
Pogonomyrmex naegelii Forel, 1878
Tribo Solenopsidini
Diplorhoptrum strictum (Emery, 1896)
Monomorium pharaonis (Linnaeus, 1758)
Solenopsis saevissima (F. Smith, 1855)      0,01
Solenopsis sp. 1
Solenopsis sp. 2                            0,01
Subfamilia Ponerinae
Tribo Ponerini
Dinoponera australis Emery, 1901            0,01     0,03
Hypoponera distinguenda (Emery, 1890)                0,01
Hypoponera opaciceps (Mayr, 1887)           0,01
Hypoponera trigona (Mayr, 1887)
Hypoponera sp. 1                                     0,01
Hypoponera sp. 2                                     0,01
Neoponera crenata (Roger, 1858)             0,01
Neoponera vilosa (Fabricius, 1804)          0,02
Pachycondyla striata F. Smith, 1858         0,08     0,05
Pachycondyla harpax (Fabricius, 1804)       0,01     0,01
Pachycondyla sp. 1                                   0,01
Pachycondyla sp. 2                                   0,01
Odontomachus affinis
  Guerin-Meneville, 1844                             0,01
Odontomachus chelifer
  (Latreille, 1802)                         0,08     0,08
Odontomachus sp.                                     0,01
Subfamilia Pseudomyrmecinae
Tribo Pseudomyrmecini
Pseudomyrmex flavidulus
  (F. Smith, 1858)                                   0,01
Pseudomyrmex gracilis
  (Fabricius, 1804)
Pseudomyrmexphyllophilus
  (F. Smith, 1858)                          0,01     0,01
Pseudomyrmex termitarius
  (F. Smith, 1855)                          0,02
Pseudomyrmex sp.                            0,03     0,03
Riqueza                                      39       44

TABLE 2: Sampling and estimated richness (Chao 1), abundance,
Shannon-Weaver diversity index (H') and Eveness (J') for ant
assemblages sampled in five sites in the Permanent Preservation Area
of Foz do Chapeco Hydroelectric. Municipalities of Aguas de Chapeco
(ACH), Caxambu do Sul (CXS) and Guatambu (GUA), in Santa Catarina
state and Rio dos Indios (RI1 and RI2) in Rio Grande do Sul state,
January 2017.

TABELA 2: Riqueza amostrada e estimada (Chao 1), abundancia, indice
de diversidade de Shannon-Weaver (H') e Equitabilidade (J') para as
assembleias de formigas amostradas nos cinco sitios na area de
preservacao permanente Foz do Chapeco, nos municipios de Aguas de
Chapeco (ACH), Caxambu do Sul (CSX) e Guatambu (GUA) em Santa
Catarina e no municipio do Rio dos Indios (RI1 e RI2) no Rio Grande
do Sul. Janeiro de 2017.

                         ACH     CXS     GUA     RI1     RI2

Riqueza                  26      39      32      39      44
Abundancia               81      88      73      91      95
Shannon-Weaver (H')     2,49    3,41    2,93    3,30    3,48
Equitabilidade (J')     0,76    0,93    0,84    0,90    0,92
Chao1                    61      55      62      62      90
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Author:Lutinski, Junir Antonio; Guarda, Carin; Lutinski, Cladis Juliana; Busato, Maria Assunta; Garcia, Fla
Publication:Ciencia Florestal
Date:Oct 1, 2018
Words:6906
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