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FACTORS CONDITIONING TO THE CONTINUITY OF MPE OF THE CITY OF BOM DESPACHO/MG/FATORES CONDICIONANTES A CONTINUIDADE DE MPE DA CIDADE DE BOM DESPACHO/MG/FACTORES CONDICIONANTES A LA CONTINUIDAD DE MPE DE LA CIUDAD DE BUENO DESPACHO/MG.

1 INTRODUCAO

As micro e pequenas empresas (MPE) passaram a constar na pauta de discussao da economia mundial a partir do final do seculo XX, pelo fato de serem fundamentais para o crescimento economico dos paises e fontes geradoras de empregos e renda, propiciando, assim, melhores condicoes de vida a populacao (VIEIRA, 2007).

No Reino Unido as MPE tambem sao as principais fontes geradoras de emprego e renda, o que fez e continua fazendo com que os formuladores de politicas publicas se voltem, cada vez mais, para esse segmento da economia, como alternativa para sairem da recessao economica provocada pela crise de 2008, apesar da pouca atencao que a comunidade academica apresente em examinar os efeitos dessa recessao sobre a atividade empresarial e a sustentabilidade das pequenas empresas (COWLING et al. 2015).

No contexto brasileiro, e importante salientar que, antes da estabilizacao da moeda, o modelo de gestao empresarial possuia uma visao de curto prazo, pois se convivia com imprevistos diversos, dentre os quais merecem destaque a variacao dos precos e as condicoes instaveis do mercado. Com a globalizacao da economia uma nova realidade comercial emergiu e o Brasil se viu na obrigacao de "abrir suas portas" para negociacoes com o restante do mundo. Alli, Winter e May (2007) dizem que este foi o fenomeno mais importante deste seculo, criando oportunidades para quem esta preparado, porem, desafia normas e comportamentos estabelecidos e, nao produz os mesmos resultados para os diferentes paises, a exemplo do desemprego gerado no excedente da forca agricola rural na India.

De acordo com dados do Servico Brasileiro de Apoio a Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), as empresas deste segmento sao muito importantes na absorcao de mao de obra incluindo desde profissionais em busca do primeiro emprego ate os que ja possuem experiencia anterior e encontram nova oportunidade no mercado. Nessa perspectiva, tais organizacoes vem dinamizando a economia de diversos municipios e mesmo de grandes metropoles no Brasil. Conforme o sitio eletronico do SEBRAE (2014) as MPE representam 20% do Produto Interno Bruto (PIB), o que significa R$ 696 bilhoes, absorvendo 60% dos 94 milhoes de empregos no pais e representando 99% dos seis milhoes de estabelecimentos formais, sendo o setor preferencial o de comercio, seguido de servicos, industria e construcao civil.

Estes sao alguns pontos positivos das MPE que as podem levar a serem consideradas como um dos pilares da economia mundial e, merecerem politicas representativas capazes de encontrar estrategias que possibilitem o prolongamento do seu ciclo de vida.

Segundo Ortigara (2006), as chances de sucesso ou fracasso de uma empresa independem da possibilidade de cria-la. A abertura de uma empresa nem sempre esta diretamente relacionada a sua continuidade e sobrevivencia, fato que pode ser observado no Brasil, quando em um curto espaco de tempo ocorreu a criacao de varias empresas desse porte, no entanto, poucas conquistaram a prosperidade e sobreviveram ao tempo. O autor chama a atencao para o fato de que o espirito aventureiro e a vontade de serem donos do proprio negocio incentivam as pessoas ao empreendedorismo. Entretanto, a sobrevivencia dos empreendimentos depende da gestao adotada.

Tal sobrevivencia e influenciada pelo fenomeno da globalizacao da economia o qual possibilita as empresas promover o comercio mundial de maneira mais facil. O resultado dessa mobilidade, cada vez maior, e que o escopo do mercado financeiro e de capitais implica em regulamentacoes mais flexiveis em materia de investimento direto estrangeiro, fazendo com que as multinacionais dominem, como nunca, o ambiente internacional de negocios (ALLI; WINTER; MAY, 2007). Os autores salientam que o fenomeno da globalizacao propicia oportunidades para os bem preparados. As empresas que aprendem a operar em ambientes mais complexos e incertos sao as mais propensas a ter sucesso.

Estudo em 2006 ja indicava a propensao das empresas mais jovens em se preocupar mais com a sobrevivencia do que com o crescimento, em seus primeiros anos de formacao (COWLING et al., 2015).

Nesse contexto, o objetivo desta pesquisa foi analisar quais sao os fatores condicionantes a continuidade e sobrevivencia das MPE. Para tanto, foi realizada uma pesquisa de abordagem quantitativa, do tipo descritiva, com os gestores de MPE da cidade de Bom Despacho/MG, conforme modelo de avaliacao sugerido pelo SEBRAE (2013), visando a identificacao de praticas de gestao. A coleta de dados foi efetuada por meio de questionarios apresentados aos gestores das empresas pesquisadas e, posteriormente, submetidos a analise estatistica.

O presente artigo se compoe de cinco partes. Alem desta introducao, tem-se o referencial teorico, a metodologia, as analises de resultados e uma conclusao.

2 IMPORTANCIA DAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS NO MUNDO

As sociedades modernas tiveram sua base economica na Revolucao Industrial a partir do seculo XIX. O trabalho nas fabricas e em outras empresas promoveu o desenvolvimento de forcas produtivas e de conhecimento, provocando transformacoes nas organizacoes, cujo conjunto foi denominado modernizacao. As unidades sociais artificiais que se constituiram como modelo dominante, como as organizacoes politicas, religiosas, comerciais, industriais passaram a representar a nova tendencia (GOULART, 2013).

Segundo Goulart (2013) o termo organizacao comporta dois significados, quais sejam: um que significa conjuntos praticos, como sendo as fabricas, sindicatos, escolas, bancos, coletividades que perseguem objetivos como a producao de bens, a formacao de pessoas, entre outros, e o segundo que concebe a nocao de organizacao como certas condutas sociais, processos sociais para organizar atividades diversas ou, mobilizar os meios para atingir objetivos coletivos.

Na concepcao de Maximiano (2008) as organizacoes sao grupos sociais que buscam deliberadamente realizar objetivos, sendo o principal o fornecimento de alguma combinacao de produtos e servicos.

A prosperidade de uma organizacao pressupoe estar focada em uma gestao eficiente e eficaz o que contribui de modo significativo para o melhor desempenho dos resultados e garantia de sua competitividade. Quanto melhor gerenciados forem os processos dentro de uma organizacao, maior contributo tende a oportunizar na obtencao dos beneficios e resultados planejados.

Assim, para avaliar a eficiencia da gestao, as organizacoes utilizam do conceito de produtividade que se refere a relacao entre os recursos utilizados e os resultados obtidos. Basicamente, seria a ideia de que entre dois sistemas produtores de resultados iguais, o mais produtivo e aquele que consome menos recursos, assim a produtividade aumenta quando se obtem os mesmos resultados com a diminuicao de recursos (MAXIMIANO, 2008).

A competitividade e da natureza das empresas, pelo fato de disputarem a preferencia dos clientes, concorrem entre si, venderem os mesmos produtos, sendo mais competitiva a que consegue conquistar o maior numero de clientes e desse lucro sobreviver. Significa que, nessa concorrencia, uma empresa precisa apresentar desempenho melhor do que outra na disputa pelos mesmos clientes ou demonstrar possuir vantagem sobre seus concorrentes. Qualquer singularidade na empresa seria percebida pelos clientes neste relacionamento.

A sobrevivencia empresarial pressupoe, para alguns autores, a empresa ser alicercada em uma boa gestao dos processos organizacionais e em produtividade. Castells (1993) lembra que a produtividade sempre foi responsavel por impulsionar o progresso economico, sendo a economia informacional a grande responsavel pelo aumento dessa produtividade ao longo do tempo. Para o autor, as empresas buscam, em primeiro lugar, a lucratividade, mas, alerta que esta somente e conseguida atraves da produtividade. Conclui o autor que a tecnologia e a riqueza das nacoes constituem, em longo prazo, os principais indutores da sobrevivencia das empresas, sendo considerados fatores que ainda fazem parte do ideal das empresas.

Fato e que se analisadas em separado as MPE apresentam certa inexpressividade para a economia, mas, se estudadas em conjunto constituem uma forca economica consideravel, seja pela participacao no produto interno bruto (PIB) dos paises, seja pela efetiva geracao de empregos, seja pela expressividade representada na comercializacao de bens e servicos ou ainda pela satisfacao de necessidades basicas dos trabalhadores.

No Brasil, as MPE estao entre as principais fontes geradoras de riqueza do comercio representando 53,4% do PIB deste setor. Relativamente ao PIB da industria apura-se a participacao das MPE em 22,5%, bem proximo das medias empresas (24,5%). No setor de servicos mais de um terco, 36,3% do PIB tem origem nas micro e pequenas empresas (SEBRAE, 2014).

A representatividade dessas organizacoes na economia nacional e comprovada por dados do SEBRAE (2014) no periodo de 2009 a 2011:

* Setor de Servicos: as MPE geraram 36,3% do total do valor adicionado do setor; representavam 98,1% do numero de empresas; empregaram 43,5% dos trabalhadores; e pagaram 27,8% das remuneracoes de empregados no periodo;

* Setor de Comercio: as MPE geraram 53,4% do total do valor adicionado do setor; representavam 99,2% do numero de empresas; empregaram 69,5% dos trabalhadores do setor; e pagaram 49,7% das remuneracoes dos empregados no periodo;

* Setor Industrial: as MPE geraram 22,5% do total do valor adicionado do setor; representavam 95,5% do numero de empresas; empregaram 42% do pessoal ocupado no setor e pagaram 25,7% das remuneracoes dos empregados no periodo.

Os resultados gerados pelas MPE realcam sua importAncia para a economia tanto no Brasil quanto nos paises mais desenvolvidos do mundo. Segundo Vieira (2007), pesquisas realizadas no pais tem demonstrado que a contribuicao dessas empresas e constatada na realidade cotidiana, confirmando seu papel quanto a geracao de empregos, a comercializacao de bens e servicos e ainda a satisfacao de necessidades basicas dos trabalhadores.

Figueiredo (2012) menciona que os pequenos negocios representam no Brasil, nos Estados Unidos da America (EUA) e na Uniao Europeia mais de 90% das empresas.

Esse mesmo autor esclarece que nos EUA a representatividade das MPE e bastante avultada, respondendo por 40% do PIB, em razao disso sao a quarta potencia da economia americana, juntamente com o setor publico, o grande capital e os sindicatos. Nesse pais as pequenas empresas oferecem 57,3% dos empregos no setor privado.

Ja na Uniao Europeia a participacao do ramo de MPE no PIB tambem e bastante expressiva, alcancando 60% do total, sendo responsavel pelo emprego de mais de 100 milhoes de trabalhadores, representando aproximadamente 67% dos trabalhadores europeus, conforme Guia das Regras Comunitarias aplicaveis aos auxilios estatais e favor das PME.

Em relacao a mortalidade precoce de empresas nos EUA, estudos, realizados no periodo de 1995 a 2000, apontam uma taxa de mortalidade 30,22% para as pequenas e de 11,9% para as grandes empresas (FIGUEIREDO, 2012).

Ao observar a situacao dos paises da Uniao Europeia percebe-se que a maioria ainda luta contra os efeitos da crise de 2008, sendo alguns com valor adicionado positivo e taxa de emprego negativo e outros negativos em ambos os indices. No periodo de 2008 a 2013 houve recuperacao completa do setor de servicos, mas os setores de construcao e manufaturados ainda continuam em baixa. A perspectiva para MPE em 2015 nessa regiao foi de crescimento de 6,3% no valor adicionado, e 0,1% no numero de empresas desse porte (ANNUAL REPORT ON EUROPEAN SMES 2013/2014).

De acordo com os dados de participacao no PIB e empregos gerados pelas MPE, no Brasil e em outros paises, pode-se inferir que tais empresas tem um papel relevante na economia dos paises e a gestao dessas organizacoes torna-se, a cada dia, objeto de mais pesquisas, tanto no Brasil como nos paises da Uniao Europeia e Estados Unidos da America.

2.1 ASPECTOS LEGAIS E FISCAIS

De acordo com a Lei Complementar 123/2006 microempresa e a que aufira em cada ano calendario a receita bruta igual ou inferior a R$ 360.000,00 (BRASIL, 2006). E uma sociedade e enquadrada como Empresa de Pequeno Porte quando sua receita e superior a R$ 360.000,00 e igual ou inferior a R$ 3.600.000,00. Outra classificacao de porte e referente a quantidade de empregados, situacao utilizada nesta pesquisa (BRASIL, 2006).

Nos EUA utiliza-se a expressao "pequena empresa", conforme definicao trazida pelo Small Business Act, como sendo aquela em que o negocio deve ter menos de 500 funcionarios e receita anual de no maximo US$ 7 milhoes (FIGUEIREDO, 2012).

Segundo o Relatorio Anual da Uniao Europeia (Annual Report on European MEs) de 2013/2014, a classificacao de empresas e a seguinte, conforme Quadro 1.

No Brasil e previsto para as MPE tratamento juridico diferenciado, estabelecido pela LC 123/2006, compreendendo o cumprimento de obrigacoes trabalhistas e previdenciarias, inclusive obrigacoes acessorias, bem como permite estas empresas serem beneficiadas com a simplificacao, na forma de apuracao e recolhimento de impostos e contribuicoes da Uniao, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municipios. Porem, o beneficio de maior expressao e o da arrecadacao em unico documento e com um unico calculo, sobre o valor bruto arrecadado pelas empresas, com a criacao do SIMPLES NACIONAL (SEBRAE, 2007).

O recolhimento do Simples Nacional e mensal, mediante documento unico de arrecadacao. Para as empresas do segmento micro e pequenas o Simples abrange os seguintes impostos e contribuicoes: IRPJ, CSLL, PIS/PASEP, COFINS, IPI, ICMS, ISS e a Contribuicao para a Seguridade Social Patronal, sendo o calculo do valor a ser pago realizado com base na receita bruta apurada, aplicando-se as tabelas dos anexos da Lei Geral.

2.2 FATORES CONDICIONANTES A SOBREVIVENCIA DAS MPE

Dentre os principais motivos que levam os empresarios a abrirem suas empresas, destaca-se o desejo de ter o proprio negocio e a percepcao de um nicho de mercado em potencial (SEBRAE, 2013). Guerra e Teixeira (2010) afirmam que um dos principais motivos para abrir uma empresa e o desejo de ser "homem de negocios", chamado por Ortigara (2006) de dono do proprio negocio.

Em uma revisao bibliografica sobre os autores Schumpeter, Marx e Marshal, Guerra e Teixeira (2010) afirmam que os pequenos negocios possuem menor probabilidade de se manterem viaveis, comparativamente aos grandes. Porem, nota-se espaco para que as pequenas empresas possam permanecer no mercado, mesmo que um numero significativo nao consiga atingir uma escala minima de producao com eficiencia.

Ao se referirem aos pontos positivos a sobrevivencia das pequenas organizacoes, Guerra e Teixeira (2010) mencionam os seguintes fatores: ocupacao de espacos em segmentos produtivos nao apossados pelas grandes empresas; atuacao das pequenas com relacao de complementaridade e subordinacao as grandes; oferta elastica de empresarios e inexistencia de barreiras a entrada em setores marcados por forte concorrencia abre espaco para o surgimento de novas pequenas empresas; existencia de pessoas dispostas a assumir riscos, com a reuniao de capital e mao de obra, pela satisfacao apenas, de serem considerados homens de negocios; a subcontratacao das pequenas empresas pelas grandes, ensejando a reducao de custos destas, torna funcional a existencia das pequenas; a falta de padronizacao dos produtos, o atendimento a pequenos mercados locais e baixa inovacao tecnologica, sao caracteristicas propicias para a atuacao de pequenas empresas; mao de obra barata e desorganizada atuando em espacos geograficos com dificuldade para absorcao de tecnologias poupadoras de trabalho.

Cabe lembrar que a flexibilidade e uma das caracteristicas principais presentes nas MPE, incluindo ainda a capacidade de gerar emprego e absorver mao de obra, bem como alavancar o desenvolvimento regional, corroborando com a ideia de que as economias com presenca destacada de MPE computam maior numero de postos de trabalho com o crescimento da producao, se comparadas aquelas em que predominam as grandes empresas nas mesmas condicoes de trabalho (SANTOS; SILVA; NEVES, 2011).

Os autores supracitados esclarecem que as incertezas macroeconomicas advindas da globalizacao levaram a criacao de um ambiente empresarial com flexibilidade suficiente para enfrentar possiveis crises sistemicas. O relatorio Doing Business 2016--Measuring Regulatory Quality and Efficiency--indica melhora no ambiente para o ano em referencia, ao informar que em analise a economia de 189 paises foi possivel documentar 231 reformas no ambiente de negocios, entre junho de 2014 e junho de 2015, inclusive para a reducao dos custos e complexidade dos processos regulatorios, como os da abertura de negocios e pagamento de impostos (WORLD BANK, 2016).

Outro fator a ser considerado e a elasticidade emprego-produto que e maior nos empreendimentos de menor porte em relacao as grandes organizacoes, isso significa que o aumento do emprego nas micro e pequenas empresas esta acima da proporcao do aumento da producao (SANTOS; SILVA; NEVES, 2011). Estudo de Cowling et al. (2015) no Reino Unido aponta que quatro em dez MPE tiveram queda no emprego durante a recessao provocada pela crise que se iniciou em 2008, assim como cinco em cada dez experimentaram queda nas vendas.

Soifer (2002) destaca que os empresarios desse segmento estao habituados a nao demitir os seus funcionarios em epocas de crise, mesmo que tenham de abrir mao dos seus lucros para mante-los, usando tais periodos para manutencao da empresa e treinamento dos funcionarios amenizando o efeito das crises. O autor pontua que ao agirem assim os empresarios tendem a beneficiarem as comunidades locais, por meio de suas reivindicacoes por melhoria ou criacao de infraestrutura, como energia, seguranca, asfaltamento de ruas e abastecimento de agua. O proprio reinvestimento do lucro em bens imoveis e tambem gerador de trabalho para as empresas da construcao civil e outras do ramo, prestando mais uma contribuicao ao comercio local. Cowling et al. (2015) lembra que, embora os efeitos de uma recessao sejam graves ha empresarios que se recuperam rapidamente.

Em estudo feito em Santa Catarina, Ortigara (2006) observou como fatores de sucesso mais relevantes o bom conhecimento do mercado, boa estrategia de vendas, empresario com persistencia e perseveranca e aproveitamento das oportunidades do negocio.

As evidencias mostram que nem todas as empresas criadas permanecem no mercado, mas, as que sobrevivem apresentam um indice mais elevado, como mostra os resultados da pesquisa nacional feita pelo SEBRAE. A pesquisa avaliou dados de tres anos e concluiu que a taxa de sobrevivencia das empresas brasileiras com ate dois anos de atividade, em 2007 foi de 75,6%, taxa essa superior a das empresas nascidas em 2006 (75,1%) e 2005 (73,6%). A taxa de mortalidade e complementar a da sobrevivencia. Assim, pode-se inferir que a taxa de mortalidade de empresas com ate dois anos caiu de 26,4% (para as nascidas em 2005), para 24,9% (para as nascidas em 2006) e para 24,4% para as nascidas em 2007 (SEBRAE, 2013).

A possivel causa do melhor desempenho do setor industrial aponta para o fato de a entrada de novas empresas no setor ser dificultada por barreiras tais como requisitos de capital, tecnologia e conhecimento tecnico, que funcionam como uma natural protecao as empresas que ja estao estabelecidas (SEBRAE, 2013).

2.3 CAUSAS DE MORTALIDADE NAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS NO BRASIL

A apuracao da criacao de empresas e suas taxas de sobrevivencia nao e um trabalho simples, iniciando pela definicao do que vem a ser uma empresa "recem-criada", uma empresa "em atividade" e uma empresa "encerrada". Outros problemas de tal apuracao estao associados ao fato de os donos das empresas poderem demorar algum tempo para regulariza-las junto aos orgaos oficiais, outras vezes o fechamento de uma empresa e acompanhado da abertura de outra com a mesma estrutura da empresa encerrada e, tambem pelas dificuldades encontradas pelos empresarios no momento de encerrar as atividades das empresas (SEBRAE, 2013).

As razoes mais apontadas para o fechamento das empresas ou as dificuldades no gerenciamento destas, segundo levantamento do SEBRAE (2007) a partir de entrevistas com proprietarios de empresas abertas nos anos de 2003, 2004 e 2005 foram as seguintes: politicas publicas e arcabouco legal; carga tributaria elevada; falta de credito bancario; causas economicas conjunturais; concorrencia muito forte; falhas gerenciais; falta de capital de giro; recessao economica no pais; problemas financeiros.

Santini et al. (2014), em estudo feito na regiao central do Rio Grande do Sul, perceberam que inumeros fatores podem desencadear dificuldades de sobrevivencia de uma empresa podendo levar a mesma a mortalidade, dentre esses destacam a elevada carga tributaria, a carencia de clientes, a indisponibilidade de capital de giro, e a localizacao inadequada.

Nessa mesma linha de consideracoes, ao analisar varias pesquisas sobre MPE Gomes, Nogueira e Torralbo (2010) afirmam que, as altas taxas de mortalidade nas empresas identificadas nas pesquisas, apontam que grande parte da dificuldade de sobrevivencia delas no mercado deve-se a fatores internos ou externos que podem estar relacionados a falta de capital de giro, falta de planejamento, carga tributaria e recessao economica.

Em 1999, Krieck e Tontini, mencionaram que os indices de mortalidade das MPE seriam praticamente generalizados por todo o globo, indicando assim, certo padrao de comportamento na classe de empreendedores, com pequenas variacoes nas porcentagens de mortalidade entre as diversas pesquisas.

Naquela epoca os autores citaram um estudo do SEBRAE com indices de mortalidade de 36% no primeiro ano e 47% no segundo ano, bem como as principais barreiras para o crescimento das MPE como sendo: erros comuns, por exemplo: mistura de contas pessoais com as das empresas, dificuldades com impostos e tributos, falta de capital de giro, falta de credito; falta de apoio governamental, carga tributaria e juros muito altos, falta de formacao do empresario, falta de planejamento, ma delegacao de poder, ausencia de foco (planejamento estrategico), falta de uma matriz de produtos e mercados, visoes folcloricas sobre o que e administrar, baixa qualidade em servicos e atencao ao cliente, impulsos estrategicos conservadores, baixa competencia em gestao de pessoas e lideranca. Destacaram ainda que o fator principal e simplesmente a competencia gerencial a qual diferencia as empresas bem-sucedidas das mal sucedidas.

Ferreira e Santos (2008) descrevendo o resultado de uma pesquisa realizada no estado de Sao Paulo, com empresas abertas nos anos de 2003, 2004 e 2005 e extintas no ano de 2005, apuraram que os fatores que contribuiram para a mortalidade das MPE se classificam em tres grupos, a saber: do Empreendedor, do Negocio, do Ambiente Externo. O Grupo do Empreendedor apresenta a competencia na gestao empresarial, a experiencia no ramo e o nivel de escolaridade como sendo as principais causas de sucesso ou insucesso da empresa. O Grupo do Negocio apresenta o acesso ao credito, a mao de obra qualificada, o planejamento estrategico, o suporte juridico contabil e a qualidade e inovacao de produtos e servicos como causas influenciadoras de mortalidade da empresa. No Grupo do Ambiente Externo o destaque e para a burocracia legal e fiscal, a competicao dos concorrentes, a demanda dos clientes, fornecedores, representantes, distribuidores e parceiros, carga de impostos e tributos e os aspectos economicos, politicos, tecnologicos, sociais e ambientais.

Segundo concepcao de Guerra e Teixeira (2010) algumas empresas de pequenos negocios poderiam permanecer viaveis mesmo com uma escala minima de eficiencia. No entanto, os autores reconhecem a existencia de fatores de dificuldades enfrentados pelas MPE e elencam: acesso ao credito e as novas tecnologias; barreiras a compra de equipamentos; gastos com propaganda; baixa capitalizacao; incapacidade de o pequeno empresario pensar a empresa em termos estrategicos, pois ele precisa "fazer de tudo"; reduzido poder para barganhar reducoes nos custos das compras e de transportes, por conta das diminutas escalas de producao; baixa taxa de lucro devido a intensa concorrencia nos setores povoados por pequenas empresas; limitada flexibilidade financeira para institucionalizar departamentos de pesquisa e desenvolvimento ou estabelecer convenios com universidades com o objetivo de gerar inovacoes.

Estudos realizados pelo Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (IBRACON) apontam que em 2014 o indice de mortalidade de MPE caiu pela metade no Brasil. De acordo com artigo de Paula Salati (2014), publicado no site desta instituicao, houve queda na mortalidade de MPE de 2013 para 2014, diante do fechamento de 60.554 empresas ate novembro de 2014, comparando com as 124.099 MPE fechadas em 2013. Quanto a empresas de todos os portes a informacao e que em 2010 a taxa de mortalidade foi 38,8% em relacao a 617.836 empresas abertas naquele ano, com aumento para 52,18% ate setembro de 2014, segundo dados do Departamento de Registro Empresarial e Integracao da Secretaria da Micro e Pequena Empresa colhidos junto as Juntas Comerciais do pais (SALATI, 2014).

Em um ranking de 189 paises, cujas economias sao classificadas pelo grau de facilidade de fazer negocios o Brasil se encontra na posicao 116[degrees], resultado da analise de 10 topicos, cada um com pesos e indicadores, classificados da distAncia ate a fronteira, conforme Quadro 1 (WORLD BANK, 2016).

A dificuldade na conducao de empresas no Brasil comeca ja na abertura, conforme a posicao 174[degrees], em 189 economias pesquisadas, com destaque ainda para os itens de comercio internacional, registro de propriedades e pagamento de impostos, todos com posicoes proximas dos ultimos lugares (WORLD BANK, 2016).

Guerra e Teixeira (2010) acrescentam que pela constatacao empirica da importancia das pequenas empresas no Brasil, as dificuldades relacionadas as causas de mortalidade das MPE devem ser atacadas por meio de politicas publicas, o que para eles seria altamente relevante do ponto de vista economico e social.

2.4 GESTAO E PRATICAS DAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS

Em uma organizacao a tarefa de administrar e responsabilidade de todos, em menor ou maior escala de utilizacao de recursos, cabendo logicamente aos gerentes--socios e administradores--a responsabilidade pela tomada de decisoes, em sentido amplo, as quais atingem todo o grupo. Desses gerentes espera-se um conjunto de comportamentos e competencias gerenciais, intelectuais, interpessoais, intrapessoal e tecnica (MAXIMIANO, 2008).

Partindo dessas competencias busca-se o desenvolvimento das praticas com adequada enfase na gestao financeira e na eficiencia operacional. Ambas sao importantes, pois nao bastam apenas recursos financeiros e ideias brilhantes se nao for considerada uma equilibrada formatacao estrutural, com racionalidade dos gastos, dimensionamento de vendas e existencia de perspectivas mercadologicas capazes de garantir a robustez dos resultados (FERRONATO, 2011).

Estudar a sobrevivencia de empresas nao e uma atividade recente. Collins e Porras (1995) lideraram um grande estudo sobre empresas norte americanas que se sobressairam ao teste do tempo. Nesse estudo os autores procuraram entender o que fazem as empresas verdadeiramente excepcionais serem diferentes das demais, inclusive quando do mesmo porte. (1995, p. 13). Foi descoberto que muitos dos metodos de gerenciamento atuais nao tem nada de novo, termos muito usados como equipes auto gerenciaveis, energizacao, melhoria continua e outros, sao apenas versoes atualizadas do que ja era praticado no seculo XIX.

A grande ideia para se comecar um novo negocio e uma das teorias que nao se sustentou como essencial para o sucesso de uma empresa, assim como tambem nao se sustentou a teoria de que lideres carismaticos sao os responsaveis pela longevidade de organizacoes, mas, e apenas um mito (COLLINS; PORRAS, 1995). Os mesmos autores demonstram que a mudanca e uma constante nas empresas visionarias, assim como cultura, estrategias, operacoes, mas algo deve ser mantido sempre, a ideologia. As empresas de sucesso nao se preocupam apenas com a competicao diaria com outras empresas e estao sempre se perguntando como no amanha poderao se sair melhor do que hoje. Esse estudo de sobrevivencia e longevidade de grandes empresas lideres em seus setores contem muitas orientacoes para administradores e gestores de empresas atuais (COLLINS; PORRAS, 1995).

Estudos realizados por Christensen (2001), com empresas que fracassaram demonstram que algumas dessas organizacoes, aplaudidas pela forma como eram administradas e consideradas exemplo para alunos de administracao, inexplicavelmente fracassaram sem motivos aparentes. O autor lanca a questao se essas organizacoes foram bem administradas realmente, concluindo que foram tao bem administradas que esta foi a razao pela qual fracassaram.

Christensen (2001) esclarece que os bons principios da administracao como ouvir o cliente, investir em tecnologia, pesquisa de mercado e boa alocacao de recursos foram os principais motivos que levaram empresas a decadencia, fazendo crer que tais principios sao adequados dependendo da ocasiao. Alguns fatores foram levantados na pesquisa como motivadores da conducao de empresas ao fracasso: o primeiro e a contraposicao das tecnologias incrementais frente as tecnologias de ruptura, quando as incrementais apenas melhoram o desempenho de produtos ja estabelecidos, enquanto as de ruptura propoem valor diferente, com produtos de baixo desempenho e em mercados desconhecidos ou ainda inexpressivos.

O segundo motivo apontado por Christensen (2001) de impulsao ao fracasso de empresas e o fato de o mercado as vezes estar aquem da melhoria da tecnologia apresentada ou, na intencao de obter maiores lucros as empresas oferecem produtos com desempenho acima do que o mercado precisa ou esta disposto a pagar. E por fim a falha de estrutura ao se comparar tecnologias de ruptura e investimentos racionais, pois nao ha racionalidade em investir em produtos de margens de lucro menores comercializados em mercados emergentes.

Empresas possuem caracteristicas que as colocam em condicoes diferentes de sobrevivencia ao longo dos anos. Silva, Jesus e Melo (2010) citam que essa busca pela perpetuacao de um modelo de negocio leva essas organizacoes a enfrentar grandes desafios, cuja superacao determinara a sobrevivencia da empresa. O estudo das causas de sobrevivencia e mortalidade deve considerar as caracteristicas estruturais do setor em que concorrem, assim como a particularidade do tamanho, poder exercido no mercado e a intensidade da concorrencia (SOUZA et al., 2014).

Por outro lado, Silva e Dacorso (2014) colocam a capacidade de inovacao das organizacoes como o motor principal da sobrevivencia e do desenvolvimento no ambiente de competicao. Macaneiro e Cherobim (2011) concordam explicando a inovacao como forca propulsora do desenvolvimento economico, em contraponto ao fator de sobrevivencia os mesmos apontam como dificuldades para as MPE o fracasso administrativo, a incapacidade de manter pessoal qualificado e poucos recursos financeiros.

Entre todos os tipos de dificuldades de gestao enfrentados pelas MPE, Ferreira et al. (2011) apontam como principal a ausencia de recursos financeiros para o capital inicial, com reflexos na compra de insumos, equipamentos e no capital de giro para os primeiros meses de vida da empresa.

A obtencao do capital necessario e dificultada pelas politicas publicas voltadas para as MPE que impoem exigencias nao suportadas pelas mesmas (AOKI; BADALOTI, 2014). Fatos esses que contradizem a previsao de tratamento diferenciado para o beneficio das empresas desse porte, como se e estabelecido pela Constituicao Federal de 1988, nos artigos 170 e 179, com a intencao de incentiva-las e favorecer a participacao no processo de desenvolvimento economico e social (BRASIL, 1988).

A dificuldade de obtencao de credito pelas MPE brasileiras e comparada com as empresas britAnicas em estudo efetuado por Carvalho e Shiozer (2012), que identificam um maior custo do financiamento bancario para as brasileiras em comparacao com as britanicas. O Reino Unido e o 2[degrees] colocado na facilidade de obtencao de credito e 4[degrees] para as empresas fazerem negocios, enquanto o Brasil ocupa nesse ranking apenas as 127- e 89--posicoes, respectivamente. Os autores concordam ainda com a impossibilidade de estabelecer uma causalidade entre a gestao do capital de giro e o desempenho das empresas, enquanto Aoki e Badaloti (2014) destacam a falta do capital de giro como um dos maiores responsaveis pela nao sobrevivencia das empresas.

A utilizacao de praticas financeiras adequadas conforme concepcoes de Ferreira et al. (2011), esta cada dia mais vinculada ao sucesso empresarial, devendo a gestao do capital de giro ter maior cuidado com a complexidade crescente da economia brasileira e global, diante da expansao e sofisticacao do mercado financeiro e do elevado custo de credito.

No estudo das praticas de gestao que conduzem a uma maior longevidade das empresas, Silva, Jesus e Melo (2010) percebem a literatura academica com pouca atencao ao assunto, bem como suas causas e a expectativa de vida empresarial. Uma pesquisa foi apresentada por Martins e Pereira (2009), com classificacao das praticas mais utilizadas por empresas longevas:
Quadro 2--Ranking das Praticas de Gestao Utilizadas por empresas
longevas

Ordem      Pratica de Gestao                      Total de citacoes

1          Conhecimento do mercado                8
2          Lideranca                              7
2          Inovacao constante                     7
3          Valorizacao das pessoas                5
3          Processo sucessorio                    5
3          Senso de identidade                    5
3          Cultura arraigada                      5
4          Controle financeiro                    4
4          Estrategia transparente e definida     4
4          Metas transparentes                    4
4          Foco na tecnologia                     4
5          Coordenacao administrativa             3
5          Foco no crescimento e desempenho       3
5          Aprendizado e melhoria constantes      3
6          Estrutura flexivel                     2
6          Parcerias                              2
6          Processo decisorio                     2
7          Estrutura complexa                     1
7          Crescimento nao planejado              1
7          Hierarquia gerencial                   1
7          Investimentos                          1
7          Senso de comunidade                    1

Fonte: Martins e Pereira (2009).


Essas praticas subsidiam o estudo do ciclo de vida das organizacoes, cuja relevancia e justificada com o intuito das empresas se identificarem na fase em que estao situadas e como tracar estrategias objetivando maior longevidade. Os modelos de Ciclo de Vida se justificam pela observacao da forma como as empresas e organizacoes se desenvolvem ao longo do tempo, alem de buscar as caracteristicas comuns entre as empresas longevas (SILVA; JESUS; MELO, 2010).

Bernardi (2012) afirma ser facil perceber que o ciclo de vida de uma empresa e a sua sobrevivencia estao alinhados com a capacidade de renovar-se a cada estagio e a cada momento. Nessa mesma linha de consideracoes Silva, Jesus e Melo (2010) dizem que a busca pela sobrevivencia e perpetuacao de um modelo de negocio faz com que os gestores enfrentem grandes desafios, cuja superacao determinara a sobrevivencia da empresa.

O estudo realizado por Rocha (2008) mostra que, em 2005, entre os fatores de sucesso das empresas, aparece capacidade empreendedora (82%), criatividade (44%), persistencia (46%) e aproveitamento de oportunidades (34%), tambem foram citados: o bom conhecimento do mercado, um administrador competente a frente das decisoes, reinvestimento dos lucros, utilizacao do capital proprio, entre outros.

3 METODOLOGIA

Este trabalho teve como objetivo identificar os fatores condicionantes da sobrevivencia das MPE no municipio de Bom Despacho. Para atender ao objetivo proposto, a pesquisa adotou uma abordagem caracterizada como do tipo quantitativa, em que os dados sao tratados mediante adocao de recursos estatisticos e visa a medicao dos resultados. O tratamento estatistico dos dados por meio de software especifico permite a utilizacao de tecnicas de analise de dados, a exemplo de graficos e tabelas a fim de permitir a identificacao e exposicao dos resultados obtidos.

Quanto aos fins, a presente pesquisa se caracterizou como descritiva, por procurar expor as principais caracteristicas que acompanham as empresas em suas dificuldades de sustentabilidade (GIL, 1988, p. 42). Por pretender apurar as variaveis que combinam com o problema suscitado e delimitar uma nova visao do problema, a pesquisa descritiva apresentou tendencia de se aproximar de uma pesquisa exploratoria, como ensina Gil (2002) por poder suscitar questoes que poderao ser abordadas por outras pesquisas que venham a ser realizadas no futuro.

Para auxiliar na coleta de dados tambem foi utilizada a observacao, que se apresenta como um dos principais instrumentos na pesquisa de campo (MANZATO; SANTOS, 2012). A observacao sem a participacao direta do entrevistador e chamada por Gil (1991) de observacao simples, na qual o observador e apenas um espectador, porem, exige um minimo de controle na obtencao de dados.

Pela observacao nao participativa durante a coleta de dados nas empresas, foi possivel constatar situacoes que possibilitaram a percepcao de um ou mais fatores causadores da mortalidade ou da sobrevivencia das MPE.

3.1 AMOSTRA E CENARIO

Dada a importAncia das MPE para a geracao de emprego e renda, optou-se por efetivar a pesquisa na cidade de Bom Despacho, no interior do estado de Minas Gerais, com populacao media de 50 mil habitantes e caracteristicas semelhantes as informacoes obtidas em pesquisas anteriores (IBGE, 2015).

Conforme dados do Cadastro Central de Empresas, do IBGE (2015), em 2013 a cidade escolhida para a pesquisa possuia 1.543 empresas atuantes, 9.502 pessoas assalariadas e um salario medio mensal de 1,7 salarios minimos. Essa remuneracao media equivale a do Estado de Minas Gerais, em relacao ao comercio, reparacao de veiculos automotores e motocicletas (IBGE, 2015).

O universo das MPE pesquisadas foi o seguinte:
Quadro 3--MPE de Bom Despacho

Setor           Comercio    Industria      Prestacao        TOTAL
                                          de Servicos

Quantidade        363           56            146            565

Fonte: Banco de dados de instituicao financeira (2015).


Conforme dados de instituicao financeira, dentre os setores, o comercial e o mais expressivo na economia local e, consequentemente determinante na amostra que apresenta com mais de 60% em empresas comerciais.

3.2 COLETA E TRATAMENTO DE DADOS

Para a coleta dos dados foi utilizado um questionario com questoes fechadas, enviado a gestores de MPE por meio eletronico no caso das empresas que possuiam e-mail e impresso para as empresas que nao dispunham de correio eletronico. O instrumento constava em sua parte inicial da caracterizacao das empresas, como area de atuacao, porte da empresa de acordo com a quantidade de pessoas ocupadas e faturamento. A segunda parte do instrumento buscava a caracterizacao dos socios, como idade, sexo, escolaridade, atividades anteriores e as principais motivacoes que os levaram a constituir as empresas.

Procurou-se identificar na parte tres os conhecimentos e experiencias anteriores que credenciavam os empresarios a iniciarem as atividades empresariais. A parte quatro tinha o objetivo de levantar as praticas de venda de produtos e servicos, como prazos medios de compra e venda foco em qualidade ou preco, formas de recebimento das vendas e uso de publicidade e propaganda. A ultima parte do questionario foi utilizada para identificar os fatores condicionantes do sucesso ou mortalidade das empresas, as principais dificuldades encontradas na conducao da atividade empresarial e quais os fatores considerados mais importantes para o sucesso e sobrevivencia das MPE.

O universo pesquisado constou de 565 empresas, sendo que 336 receberam questionario em papel, 98 receberam questionario via e-mail, alem de 21 recusas de participacao da pesquisa, totalizando, assim, uma amostra de 455 empresas. A entrega dos documentos fisicos ocorreu no mes de janeiro de 2015, pelo pesquisador e um colaborador.

Foi utilizada a analise univariada na interpretacao dos dados, recurso da Estatistica Descritiva, que se utiliza das medidas de tendencia central, sendo as principais: a media aritmetica, a mediana e a moda. O uso da indicacao da variabilidade dos individuos no grupo se justifica pelo levantamento e indicacao do grau de semelhanca ou diferenca dos individuos em determinado grupo em relacao a alguma caracteristica. Sendo a variabilidade obtida utilizando as medidas de dispersao, especialmente amplitude, desvio medio, desvio padrao e desvio quartilico.

4 RESULTADOS

Segundo concepcoes de Lakatos e Marconi (2003), a analise dos resultados pode ser definida como uma interpretacao do significado do material apresentado em relacao ao tema escolhido e aos objetivos propostos. Visa organizar e sumarizar os dados de forma tal a possibilitar o fornecimento de respostas ao problema apresentado.

A amostra utilizada na pesquisa pode ser considerada relevante, como ensina Manzato e Santos (2012), e os resultados podem ser levados a comparacao com outras pesquisas anteriores, de outros autores.

4.1 CARACTERISTICAS DAS EMPRESAS E EMPRESARIOS

Os resultados obtidos mostram que a maioria das empresas e do porte micro, com faturamento na primeira faixa de incidencia do SIMPLES NACIONAL, com idade predominante dos empresarios na faixa dos 40 a 49 anos e escolaridade de 2[degrees] grau. Essa faixa de escolaridade predomina, mas nao e maior do que a soma dos que possuem ensino superior incompleto, completo e demais graus acima, conforme Grafico 1. Isso ajuda a esclarecer o motivo pelo qual poucos empresarios manifestaram nao possuir condicoes de preenchimento do formulario por dificuldades de leitura e interpretacao, como tambem remete a percepcao de tendencia de aumento no grau de escolaridade e, portanto, de aumento das possibilidades de sobrevivencia da empresa. Esses resultados levam a inferir que os empresarios estao procurando se preparar para competicoes mais ferrenhas, e tem consciencia de que o aumento da escolaridade e do conhecimento potencializa a capacidade de competir.

Essas caracteristicas sao importantes, alem do possivel impacto que podem causar sobre o desempenho e crescimento dos pequenos negocios, sendo consideradas de grande importAncia para academicos e formadores de politicas publicas.

Ao analisar os resultados referentes as atividades anteriores dos socios e suas motivacoes para a abertura dos empreendimentos nao se percebe um movimento que possa se destacar como caracteristico, sendo a principal atividade originaria o funcionario de empresa privada, mas, e possivel comprovar uma das motivacoes indicadas na literatura para a abertura da empresa: a satisfacao de ser chamado de homem de negocio, a exemplo da resposta de maior parte dos entrevistados que responderam: o "desejo de ter o proprio negocio" como a principal motivacao para a constituicao de uma empresa (ORTIGARA, 2006; SEBRAE, 2013).

Ainda no campo da materializacao da empresa e necessario destacar entre tantas experiencias anteriores a afirmacao de 26 socios, 23% dos respondentes a essa questao, de que nao possuiam nenhuma experiencia anterior. Esse indice corresponde a um numero elevado de empreendedores que praticamente se arriscaram a aventura de serem donos de uma empresa, como apurado em pesquisa de Ferreira e Santos (2008), ao contrario de pouco mais de 10% que informaram terem elaborado um plano de negocios para abertura dos empreendimentos, o que colabora para a mortalidade precoce de MPE.

Estudos recentes indicam que o capital humano tem relacao direta com o desempenho das empresas, estando positivamente associado ao sucesso das mesmas. Tal capital e dividido em formal e informal, sendo o primeiro constituido pelo nivel de escolaridade do empreendedor e o ultimo por variaveis como idade, saude, familia e experiencia anterior. Estudo de Cowling em 2002 apontou fortes indicios de que as firmas com empresarios com nivel de educacao mais elevado apresentavam crescimento mais rapido em seu estagio inicial (COWLING et al., 2015).

A falta de capital financeiro nao e motivo para deixar de abrir um negocio, como ficou comprovado pela pequena parcela de socios da amostra da pesquisa que admitiu possuir capital disponivel para a constituicao da empresa.

Dentre as demais motivacoes para a constituicao de uma empresa merece ser citada a identificacao de oportunidade de negocio, a qual esta diretamente relacionada a resposta de "bom conhecimento do mercado onde atua" para a pergunta de quais os fatores mais importantes para o sucesso de uma empresa.

O comportamento dos empresarios pesquisados em relacao ao planejamento aponta para um padrao global, como citam Krieck e Tontini (1999), com maior possibilidade de sobrevivencia para aqueles que apresentarem conhecimento do investimento necessario, conhecerem os concorrentes e suas estrategias para nao incorrerem nas adversidades encontradas na gestao das MPE e suas principais causas de mortalidade.

Empresarios mais jovens e com grau universitario sao mais propensos a crescer durante uma recessao, assim como as empresas exportadoras, ao contrario de empresas familiares (COWLING et al., 2015).

4.2 FATORES CONDICIONANTES DA CONTINUIDADE DAS MPE EM BOM DESPACHO/MG

Sobre a habitualidade de procedimentos operacionais empresariais foi possivel observar que uma parcela razoavel dos entrevistados demonstra boa pratica na estrategia de vendas, informando que o foco da empresa esta na qualidade oferecida aos clientes, pratica de sucesso encontrada na literatura. Uma boa quantidade de empresarios, 33,2% responderam que e pratica da empresa a oferta de produtos com qualidade e foco no preco oferecido dos produtos e servicos, conforme Tabela 1. O resultado da pesquisa demonstra tambem que boa parte das empresas, 42,8%, aceita cartoes de debito e credito no recebimento das compras, assim como tambem se utiliza do recebimento de cheques predatados, pratica comum no mercado e, possivelmente garantidora da fidelizacao de clientes.

Entre os principais problemas enfrentados pelas empresas 16% responderam a falta de capital de giro e problemas financeiros. Confirma-se pela literatura, que a ausencia de capital de giro e uma das principais barreiras para o crescimento das MPE segundo Krieck e Tontini (1999) e uma das principais dificuldades de gestao enfrentadas na opiniao de Ferreira et al. (2011), vindo a ser um dos motivos da causa de mortalidade precoce das MPE (SEBRAE, 2013).

Empresas que investem muito em estoques e fornecedores podem ter uma rentabilidade reduzida, ou seja, investimento em estoques reduz o risco e tambem a rentabilidade. Considerando fornecedores como uma fonte natural de financiamento que reduz necessidade de capital de giro faz-se necessario ter cuidado, porque os descontos por compras a vista podem representar um alto custo implicito (GARCIA-TERUEL; MARTINEZSOLANO, 2002).

A gestao de capital de giro nas pequenas empresas e muito importante, tendo em vista que a maioria dos ativos dessas empresas esta em estoques e o passivo circulante ser uma das principais fontes de financiamento. Concluem, Garcia-Teruel e Martinez-Solano (2002) ser importante o papel da gestao do capital de giro para a geracao de valor das pequenas empresas. Foi encontrada tambem uma relacao negativa entre a rentabilidade das MPE e o prazo medio de contas a receber e estoques, sem, contudo, confirmar a partir de qual prazo a rentabilidade das empresas seria afetada.

Os resultados da pesquisa apresentaram alguns fatores condicionantes para o sucesso e manutencao da atividade empresarial longeva, conforme Tabela 2. Numa combinacao da literatura sobre o assunto com os dados encontrados verificou-se que a inovacao e fator citado em diversas ocasioes como essencial a continuidade das empresas, como se observa entre os propositos da propria Lei Geral das MPE. A busca pela inovacao em produtos e servicos e citada por Ferreira e Santos (2008) como fator influenciador da mortalidade precoce, mas e tambem o fator principal da sobrevivencia e da capacidade de competir (SILVA; DACORSO, 2014). No entanto, a inovacao e aplicacao efetiva da qualidade pelas MPE sofre entrave por motivo de escassos recursos e conhecimento. Essa falta de recursos chega a impedir uma avaliacao adequada dos beneficios que as MPE poderiam conquistar com a implementacao de tecnologias avancadas de manufatura (UWIZEYEMUNGU; POBA; PIERRE, 2015).

Nenhuma manifestacao de ausencia de empregado ou dirigente para participar de treinamento, ou mencao que tivesse acontecido, foi observada durante a pesquisa. A concorrencia desleal nao foi apresentada como uma dificuldade enfrentada pelas empresas. Assim como a dependencia das politicas governamentais para o crescimento das mesmas tambem nao foi considerada fator determinante para o insucesso ou a sobrevivencia das empresas.

Em outras questoes da pesquisa comprovou-se que a falta de mao de obra e um dificultador considerado de maior importAncia que a falta de capital de giro, que por sua vez esta ligado diretamente a questao de indisponibilidade de financiamento para o crescimento da empresa. Porem, as MPE apontam a carga tributaria elevada como a principal dificuldade enfrentada na conducao das atividades empresariais.

Por outro lado, a pratica da terceirizacao das atividades meio da empresa, apurado na revisao da literatura como contributiva para a perenidade das empresas, nao foi fator destacado pelos setores da industria e prestacao de servicos na pesquisa feita.

Fatores externos ao controle pessoal dos dirigentes nao foram considerados entre os mais importantes para o sucesso empresarial, tais como uso de capital proprio, investimento em publicidade e propaganda e, acesso a novas tecnologias. Estes obtiveram baixa consideracao de que proporcionam a longevidade das MPE, bem aquem da capacidade empreendedora dos socios.

A pesquisa junto as MPE apontou que a capacidade empreendedora responde pela maior parcela de contribuicao para que uma empresa obtenha longevidade. As respostas atribuidas as qualidades pessoais do empresario, como assumir riscos, lideranca e criatividade nao figuram separadamente entre os primeiros lugares, mas conjuntamente demonstraram ser fundamentais para o bom desempenho empresarial.

5 CONCLUSAO

No exercicio de olhar os dados obtidos na revisao bibliografica e nos resultados da pesquisa de campo feita e perceptivel o papel relevante, no cenario economico e social, desempenhado pelas MPE no mundo e no Brasil, os inumeros desafios enfrentados continuamente dificultando o seu funcionamento. Como tambem, em meio a esses desafios, as oportunidades que tais empresas se deparam e impulsionam os negocios.

A partir dos resultados obtidos, concluiu-se que este trabalho atingiu os objetivos propostos ao identificar os principais fatores condicionantes a sobrevivencia e continuidade de MPE em Bom Despacho/MG.

Cabe ressaltar que uma parcela significativa dos fatores encontrados na pesquisa corrobora boa parte das diferentes abordagens teoricas apresentadas na revisao dos trabalhos dos autores pesquisados.

Alem disso, foi possivel perceber que o empresario nao se sente a vontade para falar da situacao financeira de suas empresas, porem ao agrupar as respostas a itens como falta de credito bancario, problemas financeiros e falta de capital de giro pode-se inferir que o problema financeiro e fator de mortalidade precoce nas empresas.

O estudo feito identificou que os principais fatores condicionantes a continuidade e sobrevivencia das MPE de Bom Despacho se iniciam no momento da concepcao da empresa. A maioria delas foi fundada com a motivacao de seus proprietarios de terem o proprio negocio, o que contribui para o sucesso empresarial. O contraponto sao as empresas constituidas por necessidade, a exemplo de perda de emprego e renda, motivos esses que nao contribuem para a continuidade e sobrevivencia das organizacoes empresariais.

Possuir algum conhecimento a respeito do negocio no momento da abertura das empresas tais como, consciencia do investimento minimo necessario, ideia dos concorrentes e suas estrategias, ou elaborar um plano de negocios, faz parte das praticas de sucesso dos empresarios pesquisados, e estao em conformidade com a literatura sobre o assunto. Essas praticas sao condicoes basicas para a entrada no meio empresarial ou adversamente os empresarios contariam apenas com a sorte.

Nao foi apurado nesta pesquisa que os empresarios procuram consultorias para elaboracao de planos de negocio em algum momento da constituicao de suas empresas, o que constitui o principio de muitas dificuldades que as empresas enfrentam durante suas atividades, como a concorrencia muito forte, baixa disponibilidade de capital, carga tributaria muito alta e falta de mao de obra qualificada.

De acordo com os motivos levantados de forma direta pelas respostas da pesquisa, observacao nao participativa e pelo cruzamento de dados das diversas respostas, foi possivel concluir que o sucesso de uma MPE se baseia em: 1) capacidade empreendedora--que agrupa as qualidades do empreendedor, especialmente na persistencia na conducao dos negocios e sua criatividade para inovar em produtos e servicos; 2) logistica operacional--aqui entendido como o uso de capital proprio e os investimentos futuros e acesso a novas tecnologias; 3) habilidades gerenciais--conhecimento do mercado no qual atua, da concorrencia, das necessidades dos clientes e uma boa estrategia de vendas.

Alem disso, fatores externos ao controle pessoal dos dirigentes nao estao entre os mais importantes para o sucesso empresarial, e sim a capacidade empreendedora dos mesmos.

DOI: 10.19177/reen.v11e3201854-85

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SERVICO BRASILEIRO DE APOIO AS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS. SEBRAE. Lei Geral da Micro e Pequena Empresa. Conheca as mudancas, os procedimentos e os beneficios. Brasilia: 2007. Disponivel em: <http://www.sebrae.com.br > Acesso em: 03 nov. 2014.

SERVICO BRASILEIRO DE APOIO AS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS. SEBRAE. Sobrevivencia das Empresas no Brasil. Colecao Estudos e Pesquisas. Brasilia: 2013. Disponivel em: http://www.sebrae.com.br Acesso em: 03 nov. 2014.

SERVICO BRASILEIRO DE APOIO AS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS. SEBRAE. Conheca o Sebrae dos Estados Unidos. Disponivel em: <http://sites.pr.sebrae.com.br/blogs/2014/05/14/conheca-o-sebrae-dos-estados-unidos/> Acesso em: 31 maio 2015.

SILVA, G.; DACORSO, A. L. R. Riscos e incertezas na decisao de inovar das micro e pequenas empresas. Revista de Administracao Mackenzie, Sao Paulo, v.15, n. 4, p. 229-255, jul./ago., 2014.

SILVA, W. A. C.; JESUS, D. K. A. de; MELO, A. A. de O. Ciclo de Vida das Organizacoes: Sinais de Longevidade e Mortalidade de Micro e Pequenas Industrias na Regiao de Contagem--MG. Revista de Gestao, Sao Paulo, v. 17, n.3, p. 245-263, jul./set. 2010.

SOIFER, J. A grande pequena empresa. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2002.

SOUZA, M. C. A. F; MAZZALI, L.; SILVEIRA, R. L. F.; BACIC, M. J. Pequenas empresas industriais de longa permanencia no mercado: uma analise a partir da literatura e de evidencias empiricas. Gestao de Producao, Sao Carlos, v. 21, n. 1, p. 157-170, 2014.

UWIZEYEMUNGU, S.; POBA-Nzaou, P.; ST-PIERRE, J. Assimilation patterns in the use of advanced manufacturing technologies in smes: exploring their effects on product innovation performance. JISTEM--Journal of Information Systems and Technology Management Revista de Gestao da Tecnologia e Sistemas de Informacao. v.12, n. 2, p. 271-278, maio/ago. 2015. ISSN on line: 1807-1775 DOI: 10.4301/S1807-17752015000200005.

VIEIRA, M. L. A Contribuicao das Micro e Pequenas Empresas para a Reducao da Pobreza no Brasil. Fortaleza: UFC, 2007, 50f. Dissertacao. (Mestrado Profissional em Economia-MPE)--Curso de Pos-Graduacao em Economia-CAEN, Universidade Federal do Ceara, Fortaleza, 2007.

WORLD BANK. Doing Business: Measuring Regulatory Quality and Efficiency. Washington, DC: World Bank. DOI: 10.1596/978-1-4648-0667-4. License: Creative Commons Attribution CC BY 3.0 IGO, 2016.

Antonio Carlos Tavares

Mestre em Administracao pelo Centro Universitario UNA

Gerente Geral da Caixa Economica Federal--Posto da Justica do Trabalho em Divinopolis-MG

Endereco: R. Pernambuco, n. 239, centro, CEP: 35.500-013. Divinopolis, MG, Brasil

Telefone: (37) 3216-2648

E-mail: antonio.c.tavaress@gmail.com

Poueri do Carmo Mario

Doutor em Controladoria e Contabilidade pela Universidade de Sao Paulo (USP)

Professor e Pesquisador do Mestrado Profissional em Administracao do Centro Universitario UMA

Professor Associado da Faculdade de Ciencias Economicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Endereco: R. Pernambuco, n. 239, centro, CEP: 35.500-013. Divinopolis, MG, Brasil

Telefone: (37) 3216-2648

E-mail: poueri@gmail.com

Artigo recebido em 13/06/2018. Revisado por pares em 27/10/2018. Reformulado em 18/10/2018. Recomendado para publicacao em 15/11/2018. Publicado em 28/12/2018. Avaliado pelo Sistema double blind review.

Caption: Grafico 1--Escolaridade dos Socios
Tabela 1--Praticas utilizadas

Praticas                                   Referencia

O foco da empresa esta na qualidade        Ferronato (2011)
oferecida aos clientes                     Ferreira et al. (2011)
Aceitamos cartoes de debito                SEBRAE (2013)
Aceitamos cheques "pre-datados"            Ferreira et al. (2011)
Aceitamos cartoes de credito               SEBRAE (2013)
Usamos notinhas nas vendas a credito       Ferronato (2011)
O foco da empresa esta no preco
oferecido dos produtos/servicos            SEBRAE (2014)
Investimos em publicidade e propaganda
So vendemos a vista                        Ferreira et al. (2011)
Total de respostas

Praticas                                    Frequencia     Percentual

O foco da empresa esta na qualidade             76            23,6
oferecida aos clientes
Aceitamos cartoes de debito                     48            14,9
Aceitamos cheques "pre-datados"                 48            14,9
Aceitamos cartoes de credito                    42            13,0
Usamos notinhas nas vendas a credito            39            12,1
O foco da empresa esta no preco                 31            9,6
oferecido dos produtos/servicos
Investimos em publicidade e propaganda          28            8,7
So vendemos a vista
Total de respostas                              10            3,1
                                               322           100,0

Fonte: Dados da Pesquisa, 2015.

Tabela 2--Fatores condicionantes

Questoes                                        Referencias M

17-O(s) dirigente(s) da minha empresa           Silva e Dacorso (2014)
esta(ao) sempre buscando inovacoes em
produtos e servicos.

18-Pretendo fazer novos investimentos na        Collins e Porras
minha empresa nos proximos dois anos            (1995)

25-Os altos tributos sao a principal            Krieck e Tordin (1999)
dificuldade enfrentada pela minha empresa.

23-Aqui, dentro da minha empresa, temos         Bernardi (2012),
totais condicoes de fazer a empresa crescer e   Ferronato (2011)
se manter no mercado

22-Meus empregados conhecem os objetivos da     Maximiano (2008)
empresa e isso contribui para o bom
desempenho operacional.

19-A minha empresa tem uma estrategia clara e   Maximiano (2008)
definida para concorrer no mercado.

20-Se eu nao investir em treinamento para       Macaneiro e
dirigentes e empregados minha empresa podera    Cherobim (2011)
"quebrar"

21-Se eu contratar uma empresa de consultoria   SEBRAE (2013)
minha empresa tera condicoes de se manter no
mercado por mais tempo

26-As altas taxas de juros sao a principal      Carvalho e Shiozer
dificuldade enfrentada pela minha empresa.      (2012)

28-Os produtos importados, principalmente da    Santos; Silva e Neves
China, provocam uma concorrencia desleal.       (2011)SEBRAE(2014)

24-Se minha empresa conseguisse                 Aoki e Badaloti (2014)
financiamentos estaria em melhor situacao
financeira e/ou economica.

30-Minha empresa depende muito das politicas    Guerra e Teixeira
governamentais para crescer.                    (2010)

27-A concorrencia desleal e a principal         SEBRAE (2014)
dificuldade enfrentada pela minha empresa.

29-Meu contador/escritorio de contabilidade     SEBRAE (2013)
contribui muito para o sucesso da minha
empresa.

                                                               Desvio
Questoes                                          Media        padrao

17-O(s) dirigente(s) da minha empresa              5,8          1,7
esta(ao) sempre buscando inovacoes em
produtos e servicos.

18-Pretendo fazer novos investimentos na           5,6          1,8
minha empresa nos proximos dois anos

25-Os altos tributos sao a principal               5,6          1,9
dificuldade enfrentada pela minha empresa.

23-Aqui, dentro da minha empresa, temos
totais condicoes de fazer a empresa crescer e      5,5          1,6
se manter no mercado

22-Meus empregados conhecem os objetivos da
empresa e isso contribui para o bom                5,5          1,7
desempenho operacional.

19-A minha empresa tem uma estrategia clara e      5,3          1,8
definida para concorrer no mercado.

20-Se eu nao investir em treinamento para          5,2          1,8
dirigentes e empregados minha empresa podera
"quebrar"

21-Se eu contratar uma empresa de consultoria
minha empresa tera condicoes de se manter no       5,0          1,6
mercado por mais tempo

26-As altas taxas de juros sao a principal         4,9          1,9
dificuldade enfrentada pela minha empresa.

28-Os produtos importados, principalmente da       4,7          1,9
China, provocam uma concorrencia desleal.

24-Se minha empresa conseguisse                    4,5          2,0
financiamentos estaria em melhor situacao
financeira e/ou economica.

30-Minha empresa depende muito das politicas       4,5          1,9
governamentais para crescer.

27-A concorrencia desleal e a principal            4,4          1,9
dificuldade enfrentada pela minha empresa.

29-Meu contador/escritorio de contabilidade        4,3          1,9
contribui muito para o sucesso da minha
empresa.

Fonte: Dados da pesquisa, 2015

Quadro 1--Definicao de pequena empresa na Uniao Europeia

               Quantidade de funcionarios    Representatividade no
                                             total das empresas
                                             na U.E.

Micro          Menos de 10                   29%
Pequenas       De 10 a 49                    21%
Medias         De 50 a 249                   17%
Grandes        De 250 em diante              33%

Fonte: Relatorio Anual da Uniao Europeia 2013/2014--adaptado (2018).

Quadro 1--Classificacao do Brasil nos topicos relativos
a facilidade para fazer negocios

Topico                                     Classificacao relativa
                                           a facilidade para
                                           fazer negocios

Abertura de Empresas                       174
Obtencao de Alvaras de Construcao          169
Obtendo Eletricidade                       22
Registro de Propriedades                   130
Obtencao de Credito                        97
Protecao dos investidores minoritarios     29
Pagamento de Impostos                      178
Comercio Internacional                     145
Execucao de contratos                      45
Resolucao de Insolvencia                   62

Fonte: Doing Business--Banco Mundial--adaptado (2016).
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Author:Tavares, Antonio Carlos; Mario, Poueri do Carmo
Publication:Revista Eletronica de Estrategia e Negocios
Date:Sep 1, 2018
Words:10589
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