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Eye-Tracking study of evidentials in the Kaingang language/Estudo de rastreamento ocular de evidenciais na lingua Kaingang.

Introducao

O estudo da categoria de evidencialidade e muito recente para a lingua Kaingang. Um estudo inicial sobre os evidenciais foi realizado em Nascimento (2013), que propoe a existencia de um sistema de evidencialidade na lingua Kaingang e apresenta uma descricao preliminar do sistema com base em autores como Willett (1988), Aikhenvald (2003, 2004), Comrie (1976), Palmer (2001), Peterson & Sauerland (2010) e tambem em Stenzel (2006) e em Maia (2002), em estudos com linguas indigenas brasileiras.

A lingua Kaingang compoe o grupo atual das cerca de 180 linguas indigenas brasileiras. Pertence ao Tronco Macro-Je, familia Je, mais precisamente, integrando o grupo restrito das linguas Je Meridionais junto com a lingua Laklano Xokleng. Apesar de ser a terceira lingua indigena mais falada no Brasil com uma populacao de 37.470 pessoas, a lingua Kaingang nao deixa de ser uma lingua ameacada de desaparecimento, como as demais linguas minoritarias do nosso pais (3). O povo Kaingang se distribui em aproximadamente 32 Terras Indigenas localizadas nos tres estados do sul do pais e parte do estado de Sao Paulo.

A lingua conta hoje com uma ampla bibliografia de estudos linguisticos, sendo que a maioria desses estudos constituem estudos descritivos. Estudos de linguas indigenas envolvendo metodos experimentais ainda sao raros no Brasil, sendo que o Kaingang compoe tambem o pequeno grupo das primeiras linguas com estudos de natureza experimental. Nascimento (2013; 2016), a partir de estudos descritivos, da inicio aos estudos experimentais em Kaingang, formulados no Laboratorio de Psicolinguistica Experimental-- LAPEX/UFRJ) e aplicados in loco com a participacao de falantes adultos de Kaingang residentes na Terra Indigena Nonoai, localizada ao norte do Rio Grande do Sul. Em um desses estudos, de natureza off-line, foi investigada a compreensao de dois evidenciais que se opoem quanto a fonte da informacao, myr para informacao visual e je para informacao reportada, e atraves de um subgrupo de sentencas, foi testado, tambem, a particula de modalidade va, que indica o frustrativo. O objetivo do estudo foi o de obter afericoes mais precisas sobre a interpretacao semantica que os falantes atribuem a esses morfemas. Os resultados confirmaram as nossas hipoteses.

A evidencialidade (evidentiality) e uma categoria gramatical que se refere a fonte de informacao sobre a qual uma afirmacao e baseada. Um morfema para ser classificado como evidencial deve ter como principal significado a fonte de informacao. Assim, os evidenciais codificam gramaticalmente o conhecimento do falante sobre a fonte da informacao veiculada, constituindo tambem um fenomeno de interface entre a gramatica e o discurso. A funcao precipua dos evidenciais e a de sinalizar a procedencia da informacao veiculada, especificando, por exemplo, se a informacao faz parte da experiencia do proprio falante ou se vem de fontes externas, sendo que falantes de linguas que apresentam a categoria dos evidenciais, seriam conscientes do seu uso (Cf. AIKHENVALD, 2003, 2004).

Em um quarto das linguas do mundo os enunciados podem especificar o tipo de informacao em que e baseado, como por exemplo, se o falante viu diretamente o fato ou ouviu sobre ele ou mesmo se inferiu a sua existencia a partir de uma evidencia indireta, ou ainda se aprendeu sobre o fato com alguem. Todas as linguas tem formas de referenciar a fonte da informacao, sendo provavel que a especificacao da fonte de informacao atraves de meios lexicais seja universal. Porem, nem todas as linguas possuem evidencialidade como categoria gramatical. Tipologicamente os sistemas de evidencialidade diferem em complexidade: alguns distinguem apenas dois termos, por exemplo, primeira mao e nao primeira mao. Outros tem seis ou mais termos. Outras linguas, ainda, possuem apenas um evidencial, geralmente marcando informacao reportada ou nao-primeira mao. Esses sistemas podem ser divididos em dois grandes tipos: (i) aqueles que referem a existencia de uma fonte de evidencia sem especifica-la e; (ii) aqueles que especificam o tipo de evidencia, se foi obtido visualmente, baseado em inferencia ou informacao reportada. A lingua Wanano da familia Tucano Oriental falada na Amazonia (Brasil e Colombia) e uma das linguas que apresentam sistemas de evidencialidade dos mais complexos do mundo, possui cinco categorias de evidenciais relatada, visual, nao-visual, inferencia e suposicao (Cf. STENZEL, 2006).

Na literatura, muitas vezes, se assume a evidencialidade como uma subcategoria de modo ou modalidade epistemica, visto que, em algumas linguas, morfemas de modo e de modalidade tambem expressam extensoes semanticas de evidencialidade. No entanto, para autores como Aikhenvald (2004), a evidencialidade tem como funcao central codificar a fonte da informacao, especificando a forma como a informacao foi adquirida, embora muitas vezes os evidenciais possam apresentar extensoes semanticas relacionadas com probabilidade e avaliacao de confiabilidade da informacao por parte do falante.

A dificuldade de consenso para a definicao da categoria observada ao longo dos estudos sobre evidencialidade deve-se as diversas formas pelas quais essa categoria pode ser expressa nas linguas. Algumas linguas possuem marcas gramaticais proprias de evidencialidade como afixos e cliticos, enquanto que outras linguas possuem categoria de evidencialidade que se funde com outras categorias (como tempo na lingua Tariana, por exemplo). Outro fator que tambem contribui para essa dificuldade de definicao da categoria e a propria traducao para linguas que nao possuem tal sistema gramatical, como o ingles, por exemplo, em que muitas vezes as traducoes dos evidenciais tomam nuances de modo ou modalidade.

Dessa forma, historicamente, a evidencialidade nao era vista como uma categoria gramatical especifica. De acordo com a literatura, as primeiras nocoes de evidencialidade como categoria gramatical relacionada a fonte da informacao surge a partir de Boas (1911). Na introducao de The Handbook of American Indian Languages, Boas (1911, p. 43), referindo-se a interpretacao das categorias gramaticais, afirma que "cada lingua tem um tendencia peculiar para selecionar este ou aquele aspecto da imagem mental que e transmitido pela expressao do pensamento." (4) Diferentemente do ingles, por exemplo, que seleciona artigo definido em sentencas como The man is sick a lingua Kwakiutl, examinada por Boas, poderia exigir que o falante indique a forma pelo qual tomou conhecimento de que a pessoa esta doente, se foi por ouvir dizer, ou por alguma evidencia ou se sonhou com isso, caso o falante nao tenha visto pessoalmente a pessoa doente. A partir de Boas, a importancia de analisar a evidencialidade como categoria gramatical especifica relacionada a fonte de informacao ganha forca e percorre um longo caminho para se estabelece como tal se a concebe atualmente. Segundo indicado em Aikhenvald (2004), o termo evidential foi introduzido por Jakobson, em 1957, quando se estabelece uma nitida distincao entre modo e evidencialidade como categorias independentes.

Em Nascimento (2017) faz-se uma descricao brevemente reformulada do sistema de evidencialidade na lingua Kaingang, com ligeiras modificacoes em relacao a analise de Nascimento (2013). Permanece o sistema que distribui as categorias em informacao do tipo "ouvir dizer" versus "primeira mao", como distincao primaria. Para indicar informacoes do tipo "ouvir dizer", temos a categoria "relatada" que se subdivide em dois evidenciais reportativos, o evidencial je para a comunicacao cotidiana e o evidencial njpara narrativas do tipo Gufa, um tipo especial de narrativa na lingua. Para indicar informacao do tipo "primeira mao", que indica que a fonte da informacao e o proprio falante, temos as categorias Visual, Visual Fraco, Nao-Visual, Mirativo e Suposicao, conforme explicitado, abaixo:

Atualmente, os estudos sobre evidencialidade tem merecido atencao dos linguistas, que vem tentado entender melhor esta categoria gramatical bastante complexa, no que se refere aos processos cognitivos envolvidos no seu processamento linguistico. A utilizacao de procedimentos experimentais para capturar os processos em acao na compreensao de leitura e na compreensao oral de estruturas contendo marcadores de evidencialidade pode nos fornecer pistas importantes em relacao aos processos mentais ativados por essas estruturas gramaticais, em consonancia com o objetivo central das teorias de processamento da linguagem, que e o de identificar os procedimentos psicologicamente reais que colocamos em jogo ao produzir e compreender palavras e frases (Cf. MAIA, 2015).

As principais tecnicas experimentais utilizadas na Psicolinguistica Experimental podem ser classificadas como tecnicas on-line e off-line. Essas tecnicas caracterizam-se pelo tipo de informacoes que se obtem atraves de cada uma delas. Os experimentos de medidas online baseiam-se em reacoes obtidas no proprio momento em que a audicao/leitura esta em curso, constituindo medidas praticamente simultaneas ao processo. Os experimentos de medida off-line, por outro lado, baseiam-se em respostas dadas pelos individuos apos estes terem ouvido ou lido um estimulo linguistico--uma frase ou um texto--no momento em que o processamento ja foi finalizado (Cf. LEITAO, 2010).

Nesse sentido, a partir dos resultados do experimento off-line, feito com base em estimulos auditivos, o presente estudo pretende dar um passo adiante, tratando do mesmo fenomeno linguistico, os evidenciais visual e reportativo em Kaingang, utilizando-se, agora, tecnica on-line para tentar avaliar o processamento cognitivo desses morfemas durante a compreensao de frases escritas.

O experimento de rastreamento ocular

O experimento de rastreamento ocular teve como objetivo verificar comparativamente a compreensao do evidencial visual myr e do evidencial reportativo je. O experimento utiliza uma tarefa de sentence/picture matching, em que, ao contrario do experimento anterior de natureza off-line de base auditiva, utiliza frases escritas, contendo o evidencial visual myr ou o evidencial reportativo je para serem avaliados em relacao as imagens que indicam evidencia direta ou indireta, formando, portanto, condicoes simetricas e assimetricas. As imagens possuem dois personagens que sao elementos centrais para a formacao dos contextos de evidencia direta e indireta. Um dos personagens eum macaquinho que conta para o participante sobre os eventos ocorrido que ele mesmo presencia ou sobre o qual ele ouve de um outro personagem que eum papagaio que conta para o macaquinho sobre os eventos.

Buscamos identificar se os participantes testados fazem a relacao entre a imagem visualizada e o tipo de evidencial presente na sentenca, de acordo com as diferentes condicoes testadas, como demonstrado nos materiais. Desta forma, com este experimento de rastreamento ocular buscamos investigar se os evidenciais sao reais psicologicamente em uma tarefa on-line de leitura para os falantes de Kaingang. Como jadissemos acima, em estudo anterior (cf. NASCIMENTO, 2017), jatinhamos obtido resultados experimentais, atestando a produtividade desses evidenciais na modalidade oral/auditiva, em uma tarefa apenas off-line. Resultados on-line sao importantes porque capturam a realidade psicologica de um construto gramatical em termos reflexos, automaticos, de modo instantaneo, no momento mesmo em que o processamento se da, ao passo que uma tarefa off-line se limita ao momento posterior ao processamento, sendo, portanto, reflexiva e nao reflexa (5).

Alem disso, ressaltamos que o estudo anterior incidiu sobre a avaliacao dos evidenciais na oralidade. Por outro lado, o estudo aqui reportado, incide sobre o processamento on-line dos evidenciais na leitura. A diferenca entre as modalidades oral e escrita parece-nos relevante no que diz respeito aos evidenciais, principalmente em linguas indigenas de tradicao agrafa, cuja experiencia com a leitura erelativamente recente. Conhecer o processamento dos evidenciais comparativamente na compreensao oral e na compreensao leitora pode nos dar indicacoes importantes nao sosobre a sua natureza, mas tambem sobre a sua preservacao, tendo-se em mente que a lingua Kaingang euma lingua em perigo de desaparecimento, frente aos desafios da globalizacao. Assim, queremos descobrir se mesmo no meio grafico, os evidenciais sao ativos e produtivos de modo reflexo (on- line) e reflexivo (off-line).

Hipotese

Os participantes testados irao relacionar a imagem visualizada com o tipo de evidencial representado nas sentencas, sendo possivel observar essa relacao atraves dos movimentos sacadicos e das fixacoes nas areas criticas, bem como pelos indices de aceitabilidade.

Previsoes

Uma imagem que mostra uma informacao reportada, tem como compativel uma sentenca com o evidencial je que indica justamente informacao reportada. Da mesma forma, uma imagem que mostra uma informacao obtida diretamente atraves de observacao visual, tem como compativel uma sentenca com o evidencial myr, que indica informacao visual. Desta forma, as condicoes simetricas entre imagem e sentenca terao padroes de visualizacao mais rapidos (medida on-line) e serao melhor aceitas (medida off-line) do que as condicoes assimetricas. Os tempos medios de fixacao serao mais elevados nos segmentos criticos onde se encontram os evidenciais. E simultaneamente na leitura, preve-se que ocorram sacadas para a parte da imagem que indicam os tipos de evidencia direta e indireta, ou seja, o macaquinho visualizando a cena e o papagaio reportando o evento para o macaquinho.

Variaveis independentes

As variaveis independentes foram duas a saber: (i) tipo de evidencial (o visual myr e o reportativo je); e (ii) simetria (pareamento correto e falso).

Variaveis dependentes

Tempos totais de fixacao nos segmentos e areas criticas (evidencial, macaco e imagem como um todo), indices de fixacao na resposta (variavel off-line).

Design e Materiais

O design experimental foi 2x2, resultando em 4 condicoes, distribuidas em quadrado latino com 4 versoes. Foram testados 8 itens experimentais randomizados com 16 itens distratores em cada versao.

As condicoes experimentais (6) se estruturavam da seguinte maneira: para cada evidencial havia duas condicoes, que denominamos correto e falso. A condicao simetrica, ou correta, para o evidencial visual myr (MC) se dava pela sentenca com o evidencial visual myr e imagem indicando evidencia visual. Por outro lado, a condicao assimetrica, ou falsa, (MF) se dava pela sentenca com o evidencial reportativo myr e imagem indicando evidencia reportada. Da mesma forma, a condicao simetrica para o evidencial reportativo je (JC) se dava pela sentenca com o evidencial reportativo je e imagem indicando evidencia reportada. Por outro lado, a condicao assimetrica (JF) se dava pela sentenca com o evidencial reportativo je e imagem indicando evidencia visual. Sao exemplos de materiais:

Gir ag ty mora ke myr. crianca 3PL.M NUCL bola jogar vis 'Os meninos jogaram bola (visualizado)'

Esta condicao e simetrica porque utiliza o evidencial visual myr em contexto de imagem em que o macaquinho de fato observa que os meninos jogam bola.

Gir ag ty mora ke myr. crianca 3PL.M NUCL bola jogar vis 'Os meninos jogaram bola (visualizado)'

Em contraste, nota-se que esta condicao e agora assimetrica porque utiliza o evidencial visual myr em contexto de imagem em que o macaquinho nao observa diretamente que os meninos jogam bola, e sim ouve do papagaio sobre esta atividade.

Nenkanh je ty goj ta mro.

Nenkanh REP NUCL rio POSP nadar

'Nenkanh nadou no rio (Reportativo)'

Esta condicao e simetrica porque utiliza o evidencial reportativo je em contexto de imagem em que o macaquinho ouve do papagaio que o menino nadou no rio, nao observando a cena diretamente.

Nenkanh je ty goj ta mro.

Nenkanh REP NUCL rio posp nadar

'Nenkanh nadou no rio (Reportativo)'

Esta condicao e assimetrica porque utiliza o evidencial reportativo je em contexto de imagem em que o macaquinho tem evidencia visual de que o menino nadou no rio, observando a cena diretamente.

Quadrado Latino

Participantes

Participaram do experimento 32 falantes nativos de Kaingang, com idades entre 12 e 36 anos, todos alunos do ensino fundamental 2 ou medio da Escola Cacique Sygre da Aldeia Pinhalzinho--Planalto/RS, todos tendo adquirido a lingua Kaingang como primeira lingua, conforme Tabela 1, acima.

Procedimentos

Para dar inicio ao experimento, primeiro fazia-se uma sessao de calibracao em que o participante era orientado a olhar fixamente uma bolinha vermelha se movendo na tela do monitor e seguir todos os movimentos com os olhos. Na tecnica de eye-tracking, a calibracao e sempre etapa importante, pois e preciso determinar o span visual de cada participante, pois cada um de nos apresenta diferencas a esse respeito. O programa monitora a movimentacao do olhar de cada participante na tela, garantindo confiabilidade para os seus padroes de fixacao e de movimentacao sacadica na tela. Apos essa fase, 4 itens de pratica foram aplicados para certificar que os participantes haviam entendido corretamente a tarefa. A tarefa experimental consistia em avaliar a simetria entre sentenca lida e imagem. O experimentador observava o desempenho dos participantes durante a pratica, e se tudo estivesse correndo normalmente dava, entao, inicio ao experimento propriamente, quando o experimentador se afastava e deixava o participante a sos na realizacao da tarefa.

Como demonstrado na figura 5, ao iniciar o experimento, aparecia na tela do monitor uma sentenca (primeiro quadrado a esquerda na parte superior da figura) cujo tempo de exposicao era automonitorado pelo participante. Apos a leitura, o participante deveria pressionar a tecla amarela do teclado e, entao, adicionava-se a sentenca lida anteriormente uma imagem (segundo quadrado no centro da figura). O participante deveria ler novamente e observar a imagem para verificar a simetria entre sentenca e imagem. Posteriormente, o participante deveria pressionar novamente a tecla amarela, e entao, apareciam na tela as palavras Hav "sim" e Va "nao" (terceiro quadrado a direita na parte inferior da figura) para que o participante pudesse julgar a simetria entre a sentenca e a imagem visualizadas. Se julgado como simetrico, deveria-se olhar fixamente para a palavra Hav. Se fosse julgado como assimetrico deveria-se olhar fixamente para a palavra Va. Para gravar as respostas, o participante deveria permanecer olhando ate que, passados cinco segundos a imagem desaparecia da tela.

Resultados

Foram registrados os tempos totais de fixacao nos segmentos criticos, o visual myr e o reportativo je nas sentencas lidas e nas imagens, bem como os indices de fixacao nas respostas.

Resultados on-line

Registraram-se os tempos totais medios de fixacao em milesimos de segundos nas areas criticas, areas dos evidenciais, em cada uma das condicoes. Os resultados estao apresentados abaixo no grafico 1 e tabela 2. O resultado da ANOVA (7) para TFD (8) encontra efeito principal altamente significativo nos 3 fatores, Evidencial F(1,67) = 13,0 p<0,000589, Acerto F(1,67) = 32,9 p<0,000001, area F(2,134) = 30,5 p<0,000001. O que quer dizer que a probabilidade de ter sido por acaso e infima nos tres fatores, permitindo rejeitar-se a hipotese nula.

A condicao simetrica JC para o evidencial reportativo je foi processada em latencia media de 290ms, enquanto a condicao assimetrica demandou significativamente mais tempo, em media 340ms. Para o evidencial visual myr obteve-se resultados na mesma direcao, a condicao simetrica MC foi processada numa media de 380ms enquanto a condicao assimetrica MF demandou mais tempo, em 470ms. O que quer dizer que olhar para a condicao falsa/assimetrica de ambos os evidenciais e, de fato, diferente de olhar para a condicao correta/simetrica dos mesmos, o que atesta a eficacia desses evidenciais na leitura de frases em Kaingang, de modo reflexo. Foram tambem realizados testes-t para as condicoes relevantes. Houve diferenca significativa entre JC e JF (t(67)=2,54 p< 0,0136) e entre MC e MF (t(67)=2,02 p< 0,0470), na direcao esperada, mostrando que as condicoes simetricas em ambos os casos sao processadas mais rapidamente.

A comparacao entre tipo de evidenciais em ambas as condicoes, simetrica e assimetrica, tambem mostrou resultados significativos nos testes-t JC e MC (t(67)=3,83 p< 0,0003) e entre JF e MF (t(67)=3,08 p< 0,0030). O que quer dizer que o evidencial reportativo foi processado muito mais rapido do que o evidencial visual, seja na condicao falsa ou na correta. O fato de o evidencial myr de modo geral demandar mais tempo do que o evidencial je foi um dado que merece uma melhor analise. Em primeiro lugar, ha que considerar que ha diferenca de tamanho entre os dois evidenciais. Ainda que seja de apenas uma letra, tal diferenca pode ter sido relevante em uma tarefa com mensuracao em milesimos de segundo. Em segundo lugar, observe-se que myr ocorre no final da frase, regiao que, sabidamente, requer de modo geral mais tempo de fixacao, pois alem da leitura do item, ha tambem o inicio do processo interpretativo da frase como um todo.

Referente a area da imagem com o macaquinho, registrou-se tambem diferenca significativa entre JC macaco e JF macaco (t(67)=8,84 p< 0,0001) e entre MC macaco e MF macaco (t(67)=3,89 p< 0,0002), na direcao esperada. Para ambos os evidenciais demonstra-se que as areas de interesse que correspondem ao macaquinho sao processadas mais rapidamente nas condicoes simetricas do que nas condicoes assimetricas, o que permite inferir que a diferenca na percepcao do macaquinho nas imagens depende do tipo de evidencial expresso nas sentencas, pois ora o macaquinho transmite informacao que ele proprio visualiza e ora transmite informacao reportada que obteve do papagaio. Ou seja, o macaquinho e elemento central para determinar os contextos de evidencia direta e indireta.

Na area da imagem como um todo, registrou-se tambem diferencas significativas entre JC imagem e JF imagem (t(67)=2,52 p< 0,0140), porem, nao houve diferenca entre MC imagem e MF imagem (t(67)=0,12 p< 0,9009).

No que se refere as medidas off-line obteve-se, tambem, resultados significativos na direcao esperada, os quais foram registrados atraves de indices de fixacao do olhar em respostas a interpretacao de cada sentenca lida e imagem observada, conforme resultados representados na tabela 3 abaixo.

A condicao simetrica do evidencial reportativo je JC obteve muito mais fixacao em Hav "sim" do que em Va "nao", ou seja, houve maior indice de aceitabilidade em que os sujeitos demonstraram a aceitacao fixando mais o olhar no Hav do que no Va (t(61)=7,32 p< 0,0001). Da mesma forma obteve-se maior indice de a aceitabilidade para a condicao simetrica do evidencial myr MC do que para a condicao assimetrica MF.

Discussao

Conforme detalhado na secao anterior, os resultados do experimento mostram diferencas significativas, tanto nas areas criticas dos evidenciais atraves dos tempos medios de fixacao durante o processo de leitura das sentencas, quanto na visualizacao das imagens. Em ambas as frases ilustradas nas figuras 6 e 7, a seguir, os itens que obtiveram maior duracao de fixacao durante a leitura foram os evidenciais--je e myr--conforme demonstrado atraves dos mapas de calor nas figuras abaixo. Os niveis de calor podem ser entendidos de maneira gradual iniciando-se na cor verde, passando pela cor amarela ate chegar na cor vermelha, que e a que indica os maiores niveis de fixacao ocular:

Gir ag je ty mora ke. crianca 3PL.M REP NUCL bola jogar 'Os meninos jogaram bola (informacao reportada)'

Gir ag ty mora ke myr. crianca 3PL.M NUCL bola jogar vis 'Os meninos jogaram bola (informacao visual)'

Observe-se nas frases logo abaixo das figuras, o evidencial je e o terceiro item na frase da figura 6 enquanto que na figura 7 o evidencial myr e o ultimo, ambos em vermelho. Esses dados sugerem que o falante de Kaingang, de fato, fixa o seu olhar nesses marcadores, levando em conta a sua forca semantica na leitura. E como se fosse uma verdadeira fotografia instantanea do processomento de evidencialidade no momento em que o mesmo se da.

Nas areas de interesse imagem como um todo, realizamos a comparacao de simetria para os dois evidenciais--je e myr. Observe-se nas figuras abaixo, que na condicao simetrica de je JC imagem, as fixacoes ocorrem nos tres elementos chaves que formam o contexto simetrico de reportativo, os quais sao: o evidencial je na frase, o papagaio que transmite a informacao sobre o evento e, tambem, a cena do evento, conforme mostra a figura 8 abaixo. Na frase as fixacoes ocorrem a partir do evidencial je, o que nos permite inferir que todo o conteudo visual da imagem e, de fato, relacionado a informacao reportada pelo falante, no caso o macaquinho.

A nao ocorrencia de fixacoes no macaco deve-se ao fato de ele nao estar diretamente relacionado ao evento. Porem, o fato de que nao ha fixacao direta no macaquinho nao quer dizer que ele nao foi visualizado. Quer dizer apenas que ele nao foi fixado, mas sua presenca foi percebida parafovealmente. Ja na condicao simetrica para o evidencial visual myr para o mesmo item testado, registram-se fixacoes no macaco, visto que neste contexto ele tem relacao direta com o evento, pois ele presencia o evento, como exemplificado na figura 9, abaixo:

A imagem (JCim) repetida na figura 10 mostra a sequencia das fixacoes (gaze plot) durante o processamento de frase e imagem visualizada. As fixacoes iniciam-se no papagaio (1-2), segue para a cena do evento (3-4-5), retorna para o papagaio (6) e segue direto para o evidencial je (7) na frase e conclui a leitura numa sequencia linear (8-9-10- 11).

Da mesma forma, na figura 11 ha a relacao entre o evidencial myr e o macaco mostrado pelas sequencias 12 (no macaco) -13-14-15 (no myr).

Na comparacao de assimetria para os dois evidenciais, na condicao assimetrica para je, o estranhamento ocorre, pois, apesar de o macaco ter presenciado a cena, ele reporta a informacao usando o evidencial reportativo. A sequencia de fixacoes na figura 12 (JF6im GazePlot) mostra esse estranhamento: o inicio das fixacoes se da no centro da imagem (na figura 12) explorando a cena em que o menino aparece juntando laranjas (1-2-3- 4). Na sequencia sao dirigidas para a palavra rarynh 'laranja' na frase (5-6-7-8), seguindo para o verbo jakrunh 'juntar' (9) e a partir dai ocorrem varias regressoes entre a cena e o verbo (10-11-12). Retorna para a cena (13-14-15-16-17), vai para o macaco e segue direto para o evidencial jeque contrasta o contexto de evidencia visual mostrado pela imagem, finalizando, assim, a sequencia de fixacoes.

O mesmo fato se repete para o evidencial myr, na figura abaixo. A sequencia 10 (myr) e 11 (papagaio) mostram o estranhamento do contraste na assimetria.

Na comparacao entre condicao simetrica e assimetrica para o evidencial visual myr, as imagens das figuras 14 e 15 mostram que ha uma diferenca nitida de processamento entre a condicao simetrica e assimetrica em termos de fixacao e regressao. Na condicao simetrica de myr, figura 14, observa-se que nao ha tanta regressao de fixacoes entre os elementos nucleos da imagem e da frase (evento, macaco e evidencial myr). Iniciam-se as fixacoes no centro da imagem, explorando a cena (1-2-3). Em seguida, dirigem-se as fixacoes para a leitura da frase, fazendo algumas regressoes (4-5-6-7-8-9-10-11). Quando se chega no evidencial, no final da frase em (13), retorna-se para a cena (14-15-16-17) e finaliza-se com uma fixacao no macaco. As sequencias das fixacoes deixam evidente que ha de fato uma relacao direta entre os elementos nucleos que formam a condicao simetrica para o evidencial visual.

Ja na condicao assimetrica, figura 15, nota-se um maior numero de fixacoes e regressoes. O inicio das fixacoes inicia-se no papagaio (1), segue para leitura da frase, que se da de forma linear (3-4-5-6-7-8-9-10-11). Do ponto (11) onde esta o evidencial, segue para o macaco ao lado da frase, retornando para o papagaio (15) de onde ocorrem regressoes entre papagaio, cena e macaco, finalizando com uma fixacao no papagaio, que nao por acaso, e o elemento que contrasta o contexto de evidencial expresso pela frase, formando a condicao assimetrica para myr.

Esses resultados permitem aferir que os sujeitos testados fazem a relacao entre a imagem visualizada e o tipo de evidencia presente na sentenca, de acordo com as diferentes condicoes testadas, ou seja, os evidenciais, de fato, definem a interpretacao de simetria e assimetria das imagens observadas.

Consideracoes finais

O estudo de processamento dos evidenciais direto e indireto apresentou resultados que apoiam as nossas hipoteses. Um estudo anterior (cf. NASCIMENTO, 2017) de compreensao off-line na modalidade auditiva ja havia demonstrado a interpretacao semantica que os falantes atribuem aos evidenciais, o visual myr e o reportativo je em contextos que contrastam fontes de informacao.

O estudo de rastreamento ocular aqui apresentado, de medida on-line, investigando os mesmos evidenciais direto e indireto, nos forneceu dados importantes sobre a atuacao desses marcadores na formacao de contextos simetricos e assimetricos na leitura de frases com evidenciais e inspecao visual de imagens. As sequencias das fixacoes na frase escrita e na imagem mostram que existe uma relacao direta dos marcadores e os elementos que indicam a fonte de informacao na imagem visualizada. O rastreador ocular mostrou-se um instrumento realmente muito eficaz para mapear com precisao o uso dos evidenciais na leitura. E quase como se fosse um retrato ao vivo e a cores da acao desses morfemas, ainda tao vivas no procedimento automatico da leitura em Kaingang.Os evidenciais se mostraram fundamentais na identificacao de contextos simetricos e assimetricos envolvendo tipo e fonte de informacao. E de forma relevante o experimento de rastreamento ocular revelou a realidade psicologica dos evidenciais reportativo e visual, mostrando atraves dos movimentos sacadicos e fixacoes do olhar o quao determinantes sao as estruturas de evidencialidade na identificacao de referencias relacionadas a fonte de informacao.

DOI: 10.12957/soletras.2017.29686

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WILLETT, Thomas. A Cross-Linguistic Survey of the Grammaticalization of Evidentiality. Studies in Language, Amsterdam, v.12, p.51-97, 1988.

Recebido em: 24 de maio de 2017.

Aprovado em: 05 de julho de 2017.

Mareia Nascimento (2)

(1) O presente artigo reporta o capitulo 4 da minha tese de doutorado (2017) intitulada "Evidencialidade em Kaingang--Descricao, Processamento e Aquisicao", realizada sob a orientacao dos professores Marcus Maia (UFRJ) e Luiz Amaral (UMass).

(2) Universidade Federal do Rio de Janeiro, RJ, Brasil. indiaedai@hotmail.com.

(3) Cf. Atlas of the World's Languages in Danger--UNESCO-- http://www.unesco.org/languages-atlas/index.php.

(4) Cf. original: Each language has a peculiar tendency to select this or that aspect of the mental image which is conveyed by the expression of the thought (BOAS, 1911, p. 43).

(5) A diferenca entre metodos on-line e off-line pode ser decisiva para se aferir criteriosamente a realidade psicologica de uma construcao gramatical. Ha, na literatura psicolinguistica o caso classico da Teoria da Mente, em que o estudo de rastreamento ocular de Southgate et alii revolucionou a literatura ate entao, em que se acreditava que criancas de 25 meses nao eram capazes de atribuir falsa crenca, com base em estudos off-line. O estudo de rastreamento ocular realizado pelos autores demonstrou, no entanto, baseado em padroes de inspecao visual on-line, que as criancas realizavam, sim, a atribuicao de falsa crenca, embora nao fossem capazes de expressa-la na tarefa off-line (Cf. SOUTHGATE, VICTORIA; A. SENJU; GERGEL Y CSIBRA, 2007. Action anticipation through attribution of false belief by 2-year-olds. Psychological Science 18, p. 587-592).

(6) As condicoes indicadas pelas legendas correspondem a: MC--myr correto, MF- myr falso, JC--je correto e JF--je falso.

(7) ANOVA--(Analysis of Variance) analise de variancia, seria um conjunto de metodos estatisticos usado principalmente para comparar as medias de dois ou mais amostras ou fatores.

(8) TDF (Total fixation duration) duracao total de fixacoes.

Caption: Figura 1. Exemplo de condicao simetrica com evidencial visual myr (MC).

Caption: Figura 2. Exemplo de condicao assimetrica para o evidencial visual myr (MF).

Caption: Figura 3. Exemplo de condicao simetrica para o evidencial reportativo je (JC).

Caption: Figura 4. Exemplo de condicao assimetrica para o evidencial reportativo je (JF).

Caption: Figura 5. Sequencia de imagens apresentada aos participantes do experimento.

Caption: Grafico 1--Tempos totais de fixacao (ms) na area critica por condicao.

Caption: Figura 6. Mapa de calor de frase com evidencial je (JC1).

Caption: Figura 7--Mapa de calor em frase com evidencial myr (MC1).

Caption: Figura 8. Mapa de calor na condicao simetrica de je (JC1im).

Caption: Figura 9. Mapa de calor em condicao simetrica de myr (MC1im).

Caption: Figura 10. Mapa gaze plot em condicao simetrica de je (JC1im).

Caption: Figura 11. Mapa gaze plot em condicao simetrica de myr (MC1im).

Caption: Figura 12. Mapa gaze plot em condicao assimetrica de je (JF6im).

Caption: Figura 13. Mapa gaze plot em condicao assimetrica de myr (MF6im).

Caption: Figura 14. Mapa gaze plot em condicao simetrica de myr (MC2im).

Caption: Figura 15. Mapa gaze plot em condicao assimetrica de myr (MF2im).
Quadro 1. Sistema de evidencialidade em Kaingang.

            myr--Visual
            Sensoriais
Primeira    venhver Visual Fraco
Mao         mem--Nao-Visual (Auditivo)
            ne--Mirativo
            hen--Suposicao
Ouvir       je--Reportativo
Dizer       neji--Reportativo (narrativa Gufa)

Tabela 1. Quadrado latino.

Versao 1   Versao 2   Versao 3   Versao 4

MC1          MF1        JC1        JF1
MF2          JC2        JF2        MC2
JC3          JF3        MC3        MF3
JF4          MC4        MF4        JC4
MC5          MF5        JC5        JF5
MF6          JC6        JF6        MC6
JC7          JF7        MC7        MF7
JF8          MC8        MF8        JC8

Tabela 2--Tempos totais de fixacao (ms) nas areas critica por
condicao.

        JC     JC    JC    JF     JF    JF
        evid   mac   im    evid   mac   Im

Mean    290    200   260   340    380   300

        MC     MC    MC    MF     MF    MF
        evid   mac   im    evid   mac   im

Mean    380    220   340   470    270   340

Tabela 3. Indices de fixacao nas respostas.

Evidencial   JC     JC     JF     JF     MC     MC     MF     MF
/Condicoes

Respostas    Hav    Va     Hav    Va     Hav    Va     Hav    Va

Mean         4,87   3,11   1,00   5,37   5,05   1,31   2,27   5,53
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Article Details
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Author:Nascimento, Mareia
Publication:Soletras
Article Type:Report
Date:Jan 1, 2017
Words:5647
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