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Extreme pluvial episodes and socioenvironmental vulnerability in the city of Fortaleza: the eventofday 03/27/2012/Episodios pluviais extremos e a vulnerabilidade socioambiental do municipio de Fortaleza: oevento do dia 27/03/2012.

Introducao

Produto das relacoes conflituosas entre a sociedade e a natureza, os desastres naturais sao eventos cada vez mais comuns e danosos as populacoes, causando sentimentos e explicacoes diferenciadas em cada parcela da sociedade. Muitas sao as hipoteses para explica-los, normalmente apontam-se os responsaveis pelassuas manifestacoes, mas, infelizmente, poucos sao os que se vem como participantes deste processo e que indicamacoes viaveis para reducao dos riscos e a solucao dos problemas antes, durante e depois da ocorrencia dos desastres.

O discurso no entorno dessa problematica, nao se restringe mais ao meio academico, mas alcanca a sociedade como um todo. Na impressa, na politica e nas conversas do cotidiano, temascomo desenvolvimento sustentavel, mudancas climaticas e desastres naturais, outrora restritos a certos grupos intelectuais, sao cada vez mais comuns. Todavia, ha um notorio superficialismo sobre tais questoes, por vezes ha o surgimento de verdades absolutas sem uma real comprovacao cientifica, outros atribuem os impactos destes eventos a forcas sobrenaturais onde o homem apresenta-se com um ser passivel ao processo de constituicao dos riscos, alem dos exageros e subestimo por parte de grupos especificos.

Diante da magnitude dos eventos catastroficos que ocorrem em outras partes do mundo, por muito tempo afirmou-se que no Brasil nao havia desastres. Mas entao como explicar os atuais impactos, na verdade de longa historia, que vem atingindo o Brasil? As regioes Sul e Nordeste se reversam em periodos muito secos e muito chuvosos, no Norte os desvios pluviais apresenta-se severos, nas areas urbanas e frequente a divulgacao de noticias relacionadas as inundacoes e aos deslizamentos. Nestes termos, como explicar tal problematica cada vez mais frequenteem um territorio que dizem nao haver desastres? Quem contribui para a formacao destes novos cenarios? Sao perguntas novas e cada vez mais cobradaspela sociedade, cabendo aos pesquisadores buscar as suas respostas.

Neste sentido, a procura de respostas perpassa por um conhecimento integrado que envolva as ciencias naturais, sociais e exatas, de modo que cadauma possa da sua contribuicao na busca do entendimento destes novos cenarios, assim como a elaboracao de propostas e tecnologias para a solucao da referida problematica. Entre estes ramos do conhecimento, toma destaque a Geografia Socioambiental uma vez que estase fundamenta na compreensao do meio ambiente como o produto da relacaoentre sociedade e natureza, dada por um processo constante de transformacao, resultando em estados momentaneos de harmonia e conflito. Tal abordagem expoe o cenario de constituicao dos riscos, desastres e vulnerabilidadesambientais.

Neste sentido, atribuir somente a natureza os danos decorrentes dos desastres naturais e um equivoco (VEYRET; RICHEMOND, 2007). Mas cabe explica-los a partir do papel do homem cada vez mais incisivo, em funcao das mudancas que proporciona sobre a dinamica dos sistemas ambientais e na formacao de sociedades vulneraveis, e principalmente de grupos especificos dentro de uma mesma sociedade.

Este cenario e marcante na cidade de Fortaleza. Situada na porcao setentrional do Nordeste brasileiro, o seu sitio urbano (Figura 1) e atingido periodicamente por eventos pluviais extremos, causando a desorganizacao do espaco em questao. Acrescenta-se que parcela significativa da populacao habitante possui alta vulnerabilidade socioambiental, ja que grupos sociais especificos residem em espacos naturais susceptiveis as adversidades dos fenomenos naturais. O crescimento espacial desordenado da cidade remonta aos seculos XIX e XX, quando a populacao citadina amplia-se rapidamente em decorrencia das migracoes rural-urbano, motivadas pelas secas que impactavam os sertoes interioranos (COSTA, 2007). Tal situacao retrata a ausencia de um planejamento territorial em nivel estadual e municipal. No primeiro caso, destaca-se a ineficacia da gestao dos desastres naturais, especificamente sobre as secas do semiarido, e em nivel municipal remonta a precariedade do ordenamento urbano, ao evidenciar a ocupacao de terrenos improprios para a habitacao pelas populacoes menos abastadas.

[FIGURE 1 OMITTED]

O territorio de Fortaleza e marcado pela significativa diversidade social, economica e natural, resultando em cenarios ambientais diferenciados e em espacos que reagem de forma distinta as manifestacoes abruptas da dinamica ambiental. Neste sentido, no espaco urbano observam-se situacoes de miseria e riqueza, riscos e amenidades, conflitos e harmonias, indicando a segregacao socioespacial e socioambiental reinante (ZANELLA et al, 2009).

A vulnerabilidade socioambiental desta cidade resulta do uso inadequado de determinados espacos sujeitos a uma dinamica natural singular ou decorrente de atividades e intervencoes humanas que poem em risco parcela da populacao. Em Fortaleza, o processo de crescimento urbano favoreceu a ocupacao de ambientes frageis,marcados por processos especificos que por vezes entram em conflito com a dinamica social presente, de modo que periodicamente geram-se situacoes de crise. Ademais, a historica carencia em acoes de planejamento e de ordenamento territorial nao permitiram a implantacao das infraestruturas necessarias as atividades urbanas, promovendo-se diversos impactos socioambientais.

Grosso modo, a vulnerabilidade socioambiental de Fortaleza e mais critica sobre as planicies dos rios Ceara/Maranguapinho e do Coco e na planicie litoranea, os quais apresentam uma ocupacao espontanea por populacoes socialmente vulneraveis, resultado de um processo de segregacao socioambiental, historicamente vigente nas cidades brasileiras.

Inundacoes, alagamentos, deslizamentos e soterramentos sao as principais manifestacoes da dinamica natural,promovendo danos sobre os individuos vulneraveis. Entretanto, as condicoes ambientais e socioeconomicas impoem outros riscos de ordem tecnologica e social, como o risco de contaminacao biologica e quimica, violencia, desemprego/subemprego, incendios, explosoes, desabamentos, entre outros. Formam-se verdadeiras bacias de risco, que em alusao as bacias hidrograficas, sao areas para onde convergem diversos riscos (REBELO, 2008).

Nestes termos, a presente pesquisa buscou analisar a dinamica socioambiental do espaco urbano de Fortaleza durante a ocorrencia de um episodio pluvial extremo ocorrido em 27 marco de 2012. Assim, atraves da Abordagem Socioambiental e do Sistema Clima Urbano (SCU), objetivou-se compreender a dinamica atmosferica associando-a aos impactos promovidos no espaco urbano.

Materiais e metodos

Este trabalho fundamentou-se em dois referenciais teoricos de cunho geografico e ambiental, a saber: a Abordagem Socioambiental, proposta por Mendonca (2002, 2004, 2010) e o Sistema Clima Urbano (SCU) elaborado por Monteiro (1976, 2011).

Conforme explicita Mendonca (2002), a problematica ambiental que se configura no decorrer do seculo XX, exigiu novas reflexoes dos geografos, na busca de respostas e solucoes que retratem a complexidade do meio ambiente, produto construido atraves das inter-relacoes mantidas entre a sociedade e a natureza. Neste sentido, fez-se eminente a ruptura com a classica dicotomia entre as Geografias Fisica e Humana, mas caminhou-se na direcao de integra-las em um todo, assim como se mostram na realidade, resultando numa Geografia dita Socioambiental.

A Abordagem Socioambiental e um referencial de cunho sistemico e complexo, que busca a unidade do conhecimento geografico sobre o meio ambiente, fundamentando-se no produto das relacoes entre os sistemas da sociedade e os da natureza, de modo que o meio ambiente encontra-se em constante processo de transformacao, resultado da dinamica socioambiental construida (MENDONCA, 2002). Caracteriza-se pela multi e interdisciplinaridade, portanto nao se limita a um metodo especifico, mas abarca tanto os metodos das ciencias sociais como os das naturais, visando o entendimento e a solucao da problematica ambiental evidenciada, entretanto sem negligenciar a construcao de metodos proprios, embasados na reflexao socioambiental posta.Recentemente, Mendonca (2011), traz uma reflexao acerca da abordagem dos riscos, resiliencia e das vulnerabilidades socioambientais urbanas, associadas aos eventos climaticos extremos.

Com efeito, se faznecessario que o estudo sobre os riscos e desastres naturais ocorra sobre a perspectiva anteriormente apresentada, tendo em vista que tal problematica e o produto combinado em um mesmo espaco e tempo de fenomenos naturais, associados aos processos humanos que modelam o espaco natural em funcao de suas necessidades, com destaque ao espaco urbano, devido a intensidade das intervencoes. Por vezes, esta relacao produz desarmonias ainda pouco entendidas, mas geradoras de danos expressivos para ambos os lados deste conjunto.

Quanto ao SCU, este consiste em um referencial que analisa os eventos climaticos de forma sistemica, produto das relacoes estabelecidas entre os elementos climaticos, naturais e os construidos pelo homem, resultando na producao de climas urbanos especificos e diferenciados do seu entorno. Assim, a compreensao do clima urbano parte do entendimento da dinamica climatica regional associada aos processos antropogenicos que modificam a superficie terrestre (MONTEIRO, 1976, 2011).

Neste referencial, a analise geografica do clima e dos seus agentes produtores pode ser enfocada sob tres grandes conjuntos do universo climatico, que devem ser dirigidos aos canais da percepcao sensorial humana. Assim, o SCU pode ser analisado sob os subsistemas termodinamico, fisico-quimico e hidrometeorico (MONTEIRO, 1976; 2011). Este ultimo foi empregado na presente pesquisa, visando oentendimento da variabilidade temporal e espacial das precipitacoes extremas e suas repercussoes sobre a populacao fortalezense e no seu respectivo territorio.

Procedimentos tecnico-operacionais

Foram selecionados 15 Postos de Coleta de Dados (PCD)situados na Regiao Metropolitana de Fortaleza (RMF), visando verificar a distribuicao espacial das chuvas, correlacionando-as com os fatores atmosfericos e ambientais que influenciam nesta variabilidade. Assim,utilizou-se4 postos no municipio de Fortaleza, na qual serao analisados os impactos hidrometeoricos, retratando o ambiente urbano costeiro. Com relacao aos demais postos,5 estavam na zona costeira dos municipios vizinhos e 6 em setores da depressao sertaneja, logo recebendo menos influencia do oceano (Figura 2). Os dados foram disponibilizados pela Fundacao Cearense de Meteorologia e Recursos Hidricos (FUNCEME), sendo obtidos em escala diaria, de modo que foram mensurados os valores medios da serie historica, o valor acumulado para o mes de marco de 2012 e os totais dos dias 27 e 28 deste mes para cada posto.

[FIGURE 2 OMITTED]

Apos a coleta dos dados, foram realizadas tabulacoes no software Excel, buscando analisar a variabilidade diaria das chuvas, ressaltando o comportamento habitual e excepcional das precipitacoes, alem do exame dos valores totais no dia do episodio pluvial aqui enfatizado. Para a analise da distribuicao espacial das precipitacoes foi empregado o software Surfer 10, adotando-se como metodo geoestatistico a "Krigagem". Este se baseia na Teoria das Variaveis Regionalizadas, de modo que supoe que a distribuicao espacial de um determinado fenomeno e estatisticamente homogenea em uma area em analise (MARCUZZO; ANDRADE; MELO, 2011).

Tambem foram analisadas as imagens dos satelites meteorologicos Meteosat-9 (composicao colorida) e Goes-12 (realcada), disponibilizadas pelo Centro de Previsao de Tempo e Estudo Climatico (CPTEC), alem da leitura das cartas sinopticas fornecidas pela Diretoria de Hidrografia e Navegacao (DHN), visando interpretar a genese e a evolucao dos sistemas atmosfericos.

Com relacao aos impactos hidrometeoricos, foram coletados dados de ocorrencias de danos junto a Defesa Civil Municipal de Fortaleza, sendo posteriormente analisados, classificados e espacializados em um Sistema Informacao Geografica (SIG) por meio do software ArcGis 9.3.

Riscos, vulnerabilidade socioambiental e impactos hidrometeoricos

A ocorrencia de eventos pluviometricos extremosrevela o grau de vulnerabilidade socioambiental a que estaexposta cada parcela da populacao citadina, indicando as contradicoes socioespaciais e socioambientais do espaco urbanoe, consequentemente, apontaquais os individuos sao mais susceptiveis a dinamica natural, bem como os fatores que os colocam em situacao de risco.

Entende-se por vulnerabilidade socioambiental a situacao em que espacos naturais vulneraveis sao ocupados por populacoes que nao tem meios proprios ou auxilio externo efetivo para resistir e superar as adversidades dos ambientes dos quais se apropriaram, de modo que as mesmas encontram-se expostas aos riscos de desastres ambientais (DESCHAMPS, 2004; ZANELLA et al, 2009).

Conforme Deschamps (2004), a vulnerabilidade socioambiental forma-se quando populacoes socialmente vulneraveis habitam os espacos naturalmente vulneraveis. Assim, a autora expressa que:

Ha uma estreita relacao entre a localizacao espacial dos grupos que apresentam desvantagens sociais e aquelas areas onde ha risco de ocorrer algum evento adverso, ou seja, populacoes socialmente vulneraveis se localizam em areas ambientalmente vulneraveis. (DESCHAMPS, 2004, p. 140).

Mendonca (2010) ao tratar da vulnerabilidade socioambiental urbana, expoe que a mesma evidencia a heterogeneidade espacial dos riscos, relevando as diferenciacoes socioespaciais de cada parcela da sociedade e a complexidade do espaco urbano.

Neste sentido, a vulnerabilidade socioambiental esta intimamente vinculada aos riscos de desastres ambientais. Entende por riscos ambientais a situacao de probabilidade de que um evento ambiental danoso atue sobre uma populacao e seus bens materiais e imateriais reconhecidamente vulneraveis, causando danos e prejuizos (ISDR, 2004). Nestes termos, os riscos somente ocorrem na presenca simultanea de um evento ambiental perigoso e de uma vulnerabilidade socioambiental. Portanto, sao produtos das relacoes de mutuas entre sociedade e natureza.

Na literatura cientifica ha uma concordancia que os riscos ambientais podem ser classificados em naturais, tecnologicos e sociais, embora se reconheca que esta compartimentacao e meramente didatica,visando a especializacao do conhecimento. A realidade mostra-se mais complexa, de modo que frequentemente estes riscos ocorrem conjuntamente no mesmo espaco. Tal situacao e comumente vivida pelas populacoes mais vulneraveis, habitantes de espacos sujeitos as adversidades dos sistemas naturais, tecnologicos e sociais ou das relacoes entre eles.Este trabalho foi realizado sobre os riscos naturais, especialmente sobre os originados de episodios pluviais concentrados, representando variacoes extremas aos padroes habituais ao ritmo climatico (MONTEIRO, 2011).

Dinamica Climatica Regional

Grosso modo, as precipitacoes no estado do Ceara obedecem a uma sazonalidade, onde ha um periodo curto e irregular de chuvas concentradas em 3 a 6 meses do primeiro semestre do ano, principalmente entre fevereiro a maio, seguido por um periodo de estiagem prolongado. Entretanto, a dinamica climatica regional caracteriza-se por uma elevada variabilidade interanual, de modo que frequentemente ocorrem desvios negativos e positivos significativos em relacao as medias pluviometricas, estando relacionados com as alteracoes na configuracao normal da circulacao atmosferica global, destacando as interacoes oceano-atmosfera no Pacifico e no Atlantico Intertropical (MOLION; BERNARDO, 2002). Ademais, as precipitacoes tambem apresentam uma ma distribuicao espacial,principalmente em funcao dos efeitos dos fatores geograficos locais e regionais (ZANELLA, 2007). A seguir sao apresentadas as caracteristicas dos principais sistemas atmosfericos atuantes no estado do Ceara, destacando-se a ZCIT, o VCAS e o CCM, uma vez que a associacao destes sistemas produziu o episodio pluvial extremo aqui analisado.

A Zona de Convergencia Intertropical (ZCIT) e o principal sistema atmosferico responsavel pela determinacao da intensidade do periodo chuvoso. Consiste em uma banda de nuvens, formada na confluencia dos ventos Alisios, sobreposta ao equador termico, migrando entre os hemisferios ao longo do ano. No Nordeste, a ZCIT provoca chuvas de verao-outono, periodo no qual se encontra em sua posicao mais meridional,resultando em uma maior conveccao e aumento das instabilidades atmosfericas (FERREIRA; MELLO, 2005; MENDONCA-DANNI-OLIVEIRA, 2007).

O Vortice Ciclonico de Ar Superior (VCAS) corresponde a um conjunto de nuvens formadas no oceano Atlanticopelo turbilhonamento do ar em altos niveis, possuindo uma forma circular, girando em sentido horario e realizando um percurso de leste para oeste (MOURA, 2008). A borda do VCAS corresponde a uma area de baixa pressao, portanto possibilitando a formacao de nuvens e a ocorrencia de chuvas. Entretanto, o centro e uma area de alta pressao, onde o ar realiza um movimento de subsidencia, limitando a formacao de nuvens.

Os Complexos Convectivos de Meso escala (CCM) sao aglomerados de nuvens formados a partir de condicoes locais favoraveis, como as caracteristicas do relevo, pressao, temperatura, etc., gerando chuvas de curta duracao e de forte intensidade, com periodo de vida medio de 10 a 20 horas (FERREIRA; MELLO, 2005). Nesta pesquisa, estes tres sistemas sao fundamentais, uma vez que a associacao dos dois primeiros, em macro escala, resultou no terceiro em meso escala, produzindo uma situacao atmosferica instavel e geradora deuma chuva de carater excepcional para a cidade de Fortaleza e, consequentemente, gerando diversos impactos neste territorio.

Tambem ocorrem outros sistemas atmosfericos, como asLinhas de Instabilidade, as Ondas de Leste e as brisas maritimas.No segundo semestre do ano o estado passa a sofrer a influencia do Anticiclone do Atlantico Sul, associado a Massa Equatorial Atlantica,provocando estabilidade no tempo (ZANELLA, 2007).

Entretanto, a intensidade e a regularidade das precipitacoes encontram-se vinculadasaos padroes termodinamicos da atmosfera acima dos oceanos Pacifico e Atlantico, criando anomalias na circulacao atmosferica tropical, com destaque as perturbacoes nas celulas de Walker e Hadley, provocando desvios positivos e negativos na pluviosidade no Nordeste brasileiro. Tais alteracoes produzem os fenomenos oceanico-atmosfericos de El Nino/La Nina e do Dipolo do Atlantico (FERREIRA; MELLO, 2005).

O aquecimento das aguas do Pacifico produz o fenomeno de El Nino, o qual tende a inibir as chuvas na regiao em foco, favorecendo a ocorrencia de anos secos e muito secos. Em contrapartida, o resfriamento das aguas gera o fenomeno La Nina, favorecendo a ocorrencia de chuvas, por vezes acima das medias e, possivelmente, melhor distribuidas no tempo, resultando em anos habituais, chuvosos e muito chuvosos(XAVIER, 2011; MONTEIRO, 2011).

O Dipolo do Atlantico forma-se pela diferenca de temperatura entre as aguas do Atlantico Norte e Sul. Quanto as aguas no Atlantico Sul estao mais aquecidas, principalmente nas areas A e B, a situacao e favoravel as chuvas, no entanto, quando as aguas estao mais aquecidas no Atlantico Norte, especialmente nas areas C e D (Figura 3), ha uma tendencia de diminuicao das precipitacoes (XAVIER, 2001). Porem, em anos de neutralidade do Pacifico Equatorial, nao havendo o predominio do El Nino, tampouco de La Nina, a pluviosidade encontra-se comandada pela Temperatura da Superficie do Mar (TSM) no Atlantico Equatorial. Xavier (2004) expoe que nesta situacao, tanto podem ocorrer desvios positivos como negativos na pluviosidade, favorecendo a ocorrencia de eventos climaticos intensos.

O episodio de 27 de marco de 2012

Os episodios pluviais concentrados sao fenomenos recorrentes no municipio de Fortaleza, fruto das influencias dos eventos oceanico-atmosfericos globais sobre os sistemas atmosfericos causadores de instabilidade no espaco em analise.

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Zanella, Sales e Abreu (2009) identificaram queentre os anos de 1974 a 2006, ocorreram 115 episodios pluviais concentrados (> a 60 mm/24h)e que apenas 3 anos nao registraram esse tipo de episodio. Alem disso, verificaram que ha uma tendencia de anos com maiorfrequencia de episodios durante os anos de La Nina e que alguns anos com situacao atmosferica diferenciada apresentaram um numero significativo de episodios concentrados.

O episodio de 29.01.2004 foi analisado por Zanella e Mello (2006). Os autores constataram que este episodio foi provocado pela associacao de uma ZCIT com um VCAS e que as chuvas dos dias 27 e 28 possibilitaram que as precipitacoes do dia do evento ja encontrassem condicoes hidrologicas criticas.

Com relacao as precipitacoes no ano de 2012, estas foram marcadas por uma irregular distribuicao temporal, com predominancia de chuvas de pouca intensidade, abaixo da situacao habitual para este periodo do ano, resultando em uma das secas mais severas ja registradas, associadasa alguns eventos pluviais concentrados.

Dos 182 dias entre janeiro a junho de 2012, 84 dias (46, 15%) nao apresentaram nenhuma precipitacao e 74 (40,66%) registraram totais diarios entre 0,1 a 10 mm em 24 horas, portanto de intensidade inexpressiva. Estas duas classes formaram o padrao pluviometrico do primeiro semestre do ano de 2012, encontrando-se bem distribuido por todos os meses, inclusive na quadra chuvosa. Em seguida, 20 dias (10,99%) registraram precipitacoes entre 10 a 60 mm/24h, sendo entendidas como normais ao padrao pluviometrico da regiao, portanto os impactos sao facilmente assimilados pela sociedade. Tambem ocorreram dois eventos(1,10%) entre 60 a 100 mm/24h, que provocaram danos significativos, mas dentro da capacidade de suporte da populacao fortalezense, necessitando apenas de medidas para reduzi-los ou elimina-los. Por fim, foram registrados dois (1,10%) eventos superiores a 190 mm/24h, enquadrando-os como episodios pluviais extremos, geradores de impactos bastante expressivos, necessitando de uma gestao mais eficiente dos riscos naturais. O primeiro ocorreu em 27 de marco, a partir da associacao entre a ZCIT, o VCAS e o CCM, produzindo 196,5 mm/24h, sendo este analisado na presente pesquisa. O outro episodio ocorreu 23 de junho pelas Ondas de Leste, provocando 196,6 mm/24h. Destaca-se que estas duas precipitacoes correspondem a 16,43% e 16,44%, respectivamente, do total pluviometrico acumulado entre janeiro a julho de 2012 (Figura 4).

[FIGURE 4 OMITTED]

O episodio do dia 27.03.2012 foi provocado pela atuacao conjunta da ZCIT associada ao VCAS (Figura 5). Neste dia, a ZCIT encontrava-se compartimentada em uma banda dupla de nuvens, uma principal sobre o oceano Atlantico, em torno de 2[degrees]N, e outra secundaria, proxima azona costeira nordestina, entre 2[degrees] a 3[degrees]S. Este sistema foi atraido pela periferia doVCAS, formado durante a madrugada, de modo que um conjunto de nuvens carregadas migrou sobre a costa cearense.

[FIGURE 5 OMITTED]

Entretantouma analise, em escala regional, da evolucao do evento permite identificar a formacao de um CCM, sobre o mar, proximo a costa cearense. Em seguida, este sistema migrou para o continente, adentrando pela costa de Fortaleza e dos municipios vizinhos, encontrando condicoes adequadas que o intensificaram, provocando instabilidades no tempo por aproximadamente14horas.No final da tarde, o sistema enfraquece e se desloca sobre a costa, em direcao ao Rio Grande do Norte (Figura 6).

[FIGURE 6 OMITTED]

Este sistema contribuiu significativamente para a pluviosidade mensal, de forma que o mes de marco de 2012 apresentou um total pluviometrico de 55,98% acima da media mensal (313,22 mm--Estacao Meteorologica do Campus do Pici). Contudo, esta situacao de chuvas acima das medias e aparente, tendo em vista que as chuvas concentraram-se no dia 27 e secundariamente no dia 28, representando 40,42% e 18,42% da precipitacao mensal, sendo que nos demais dias as chuvas foram bem inferiores (Grafico 1). Ressalta-se que em funcao do horario de coleta dos dados, o total precipitado ficou compartimentado entre os dias 27 e 28, porem a chuva aconteceu em menos de 24 horas.

[GRAPHIC 1 OMITTED]

Com relacao a distribuicao espacial das precipitacoes, observa-se uma expressiva variabilidade, situacao comum na regiao do semiarido nordestino, porem pouco discutida em escala de maior detalhe. Tal diferenciacao ocorre em funcao de fatores geograficos locais que favorecem ou inibem as precipitacoes em uma determinada regiao.

Magalhaes e Zanella (2011) demostram que na RMF ha uma concentracao de precipitacoes na faixa litoranea dos municipios de Fortaleza, Eusebio e leste de Caucaia, reduzindo-se a medida que se adentra no interior do estado. Conforme os autores, isto decorre da disposicao geografica da costa, a qual recebe sistemas atmosfericos oriundos do oceano (Linhas de Instabilidades, Ondas de Leste, brisas maritimas), as quais adentram com direcao predominantemente de NE. Acrescenta-se que a topografia plana da zona costeirapermite que os sistemas penetrem em setores mais afastados do oceano. Este quadro pode ser observado na analise da media pluvial do mes de marco, o qual apresenta valores superiores na costa oeste de Fortaleza, de Aquiraz e leste de Caucaia, ultrapassando a isoieta 310 mm mediamensal, entretanto, as chuvas tendem a diminuir em direcao ao setor sudoeste,com valores medios proximos a 150 mm mensais, sendo a amplitude entre os extremos da ordem de 170 mm (Figura 7).

[FIGURE 7 OMITTED]

No que tange ao mes de marco de 2012, nota-se que a distribuicao das precipitacoes foi semelhante ao descrito anteriormente, contudo observa-se uma concentracao das chuvas no setor oeste de Fortaleza, com valores superiores a 480 mm mensal (Figura 8). Todavia, o sudoeste de Caucaia, regiao com valores pluviometricos medios inferiores, em marco de 2012 apresentou totais ainda mais reduzidos, de modo que a amplitude pluviometrica intensificou-se, apresentando 371,0 mm entre os extremos. Esta configuracao foi motivada pelo sistema atmosferico do dia 27, o qual atingiu, sobretudo, o setor oeste de Fortaleza, estacionando sobre a costa deste municipio, de modo que as chuvas foram pouco sentidas nas areas mais interioranas. Para enfatizar o reduzido total precipitado neste ano, destaca-se que a isoieta de 150 mm deslocou-se aproximadamente 20 km para sul e para oeste.

Os registros de precipitacao acumulada entre os dias 27 e 28 de marco indicam uma irregular distribuicao espacial das chuvas, de modo que o sistema atmosferico apenas atingiu o carater de evento extremo nos setor oeste de Fortaleza (PCD Pici) e leste de Caucaia (PCD Caucaia), em decorrencia do total precipitado, 287,5 mm e 170,4 mm, respectivamente (Grafico 2; Figura 9).

[FIGURE 8 OMITTED]

[GRAPHIC 2 OMITTED]

Ressalta-se que alguns postos registraram precipitacoes reduzidas e elevada amplitude em relacao ao valor extremo do posto Pici, o que indica que as chuvas extremas apenas ocorreram em uma porcao espacial restrita. O posto Tucunduba, situado na porcao sul do municipio de Caucaia, que normalmente apresenta totais inferiores aos registrados na zona costeira, nos dias27 e 28 nao obteve nenhuma precipitacao, indicando que o sistema nao penetrou em porcoes mais interioranas do setor oeste da area em analise. O posto de Aquiraz, no municipio homonimo, o qual tambem se encontra na zona costeira, apresentando medias pluviais bastante elevadas (segunda media pluviometrica mais elevada com 318,35 mm mensais) registrou apenas o valor de 12,4 mm no dia 28, provocado pela nebulosidade do CCM, mas quando este ja se encontrava enfraquecido e migrando para o litoral do Rio Grande do Norte.

[FIGURE 9 OMITTED]

No dia 27 tambem foram registradas precipitacoes inferiores nos postos Castelao (40,0 mm/24h), Messejana (7,2 mm/24h) e Agua Fria (56,0 mm/24h), todos em Fortaleza, distando do posto de Pici, 8,9, 15,5 e 14,9 Km, respectivamente. Os postos de Sao Goncalo do Amarante e de Sitios Novos, localizados no extremo oeste da area em analise, apresentaram precipitacoes superiores no dia 28, devido a nebulosidade associada a ZCIT, atuante neste dia, ressalta-se que no dia 27 os valores precipitados foram de 25,0 e 0,0 mm em 24h, indicando que o CCM pouco atuou nesta regiao. No total acumulado podem ser observadas precipitacoes intensas nos postos de Maranguape (63,2 mm) e Pacatuba (77,0 mm), resultando dos efeitos orograficos das serras de Maranguape e Aratanha.

Neste sentido, os registros pluviometricos apresentaram elevada amplitude, com maximo no posto de Pici (287,5 mm) e minimo em Tucunduba (0,0 mm), estando 22,5 km um do outro.

Impactos hidrometeoricos e vulnerabilidade socioambiental

As chuvas ocorridas durante o dia 27 de marco provocaram danos e prejuizos significativos na cidade e na populacao fortalezense, especialmente naquela usuaria de espacos considerados social e ambientalmente vulneraveis, portanto estando sujeita a dinamica hidroclimatologica decorrente deste evento, bem como apresentando condicoes sociais, economicas, culturais e fisico-estruturais que inibem a capacidade de resistencia e resiliencia dos citadinos.

A analise dos registros de ocorrencias da Defesa Civil Municipal de Fortaleza para o dia 27 de marco aponta que os impactos concentraram-se, principalmente, sobre a bacia hidrografica do rio Maranguapinho/Ceara,correspondendo aregiao de Fortaleza predominantemente habitada por uma populacao socialmente mais vulneravel, estando exposta as inundacoes e aos alagamentos (Figura 10). Ressalta-se que, como demonstrado anteriormente, o sistema atmosferico indutor destes impactos ocorreu com mais intensidade justamente sobre esta porcao de Fortaleza.

Neste sentido, observa-se que embora a magnitude do sistema atmosferico seja extrema, os danos resultantes foram mais significativos em funcao da baixa capacidade de resistencia, resiliencia e de ajustamento da populacao frente as manifestacoes do evento natural. Acrescenta-se a ma gestao dos riscos naturais, ainda pouco desenvolvida pelo Poder Publico e pela propria sociedade civil, estando as acoes centradas na etapa de resposta, sendo as medidas preventivas timidas e pouco eficientes.

Nas demais bacias os impactos nao foram frequentes, mas apresentando consideravel numero de registros no setor norte da cidade, provocados predominantemente por alagamentos. Na bacia do rio Coco foram pouco significativos, estando relacionados as inundacoes e ao risco de desabamento.

Ao todo foram registradas 154 ocorrencias, sendo as inundacoes e os alagamentos os eventos que mais geraram danos, consequentemente desorganizaram o espaco e afetaram, direta e indiretamente, todas as atividades urbanas (Tabela 1). A manifestacao destes impactos hidrometeoricos resultou em diversos transtornos, como a perda de utensilios domesticos, desabamentos, comprometimento do sistema de circulacao viaria, transito confuso, prejuizos nas atividades economicas, alem do comprometimento da saude publica, devido ao contato da populacao com a agua, normalmente, contaminada, bem como o aumento dos casos de dengue.

[FIGURE 10 OMITTED]

Um dos fatores intensificadores da amplitude espacial das inundacoes e alagamentos resulta do acumulo de residuos solidos nas galerias pluviais e nos canais das drenagens, os quais obstruem a livre circulacao das aguas, alem de constituirem locais propicios a proliferacao de vetores de doencas.

Embora haja razoavel conhecimento dos problemas decorrentes da poluicao dos corpos hidricos, a populacao que vive em risco, por uma serie de fatores, nao toma iniciativa e nem recebe, de forma eficiente, as solucoes das entidades publicas. Muitos fatores explicam esta situacao, mas algumas tomam nuancas mais significativas. Cita-se que em alguns casos os individuos que vivem em risco sabem das consequencias advindas das chuvas extremas, mas por estes impactos serem uma possibilidade de ocorrencia a populacao prefere conviver com o risco, pois ha a garantia da residencia, mesmo que de forma ilegal. Ha tambem uma precariedade no conhecimento da populacao, motivada pela falta de experiencia vivida com as inundacoes, pelo baixo nivel educacional e reduzido acesso as informacoes, entre outros.

Em seguida, os impactos mais registrados foram riscos de desabamento, desabamentos e incendios, estando relacionados as ocupacoes proximas dos corpos hidricos, de pontos de alagamentos ou resultado da precariedade das residencias, comumente construidas com materiais improprios. Os incendios sao provocados pela associacao entre os materiais de facil combustao utilizados nas moradias, pela precariedade do sistema eletrico, por vezes ilegais, e pela situacao das residencias, normalmente com infiltracoes, gotejamentos ou mesmo inundadas. Tambem foi registrada a ocorrencia de deslizamento nas dunas no bairro Vila Velha.

Os bairros que mais registraram impactos foram: Genibau, Quintino Cunha, Dom Lustosa e Autran Nunes, todos integrantes da bacia do rio Maranguapinho/Ceara e estando associado a ocupacao das planicies de inundacao destes cursos d'agua.

Ressalta-se que a cidade passou por outros danos, embora de menor magnitude, de modo que nao foram informados a Defesa Civil, como a abertura de buracos nas vias eacidentes de transito. Em alguns bairros nao foi registrada nenhuma manifestacao de impactos, com destaque aqueles situados nos setores sul, nordeste e sudeste da cidade, locais menos afetados pelo sistema atmosferico. Alem disso, porcoes destes setores sao habitadas por grupos mais abastadas da cidade, portanto menos vulneraveis as adversidades climaticas.

Consideracoes finais

Diante da problematica, das discussoes e dos produtos apresentados, constatouse que o espaco urbano de Fortaleza e extremamente heterogeneo, revelando as contradicoes socioespaciais e socioambientais presentes neste territorio, produzidas pela vulnerabilidade socioambiental presente em cada parcela da cidade.

Neste sentido, as vulnerabilidades e os riscos se acentuam durante a ocorrencia de episodios pluviais extremos, como o ocorrido no dia 27.03.2012. Este evento foi formado, em macro escala, pela associacao da ZCIT com um VCAS, sendo que em meso escala a instabilidade produziu um CCM, resultando em uma precipitacao excepcional. A analise da distribuicao geografica das chuvas revelou que estas se concentraram, sobretudo na zona oeste de Fortaleza, regiao predominantemente habitada por populacoes mais vulneraveis, principalmente aquelas residentes nas planicies da bacia dos rios Maranguapinho e Ceara, de modo, que os principais impactos foram as inundacoes e os alagamentos das moradias e das vias de circulacao, alem de danos estruturais ao patrimonio publico e privado.

Nestes termos, o estudo dos riscos e vulnerabilidades passa essencialmente por uma abordagem que busque analisar de forma integrada o complexo jogo de relacoes mantidas entre a sociedade, principalmente a urbana, e a natureza, visando o entendimento da problematica existente, bem como a criacao de propostas aplicaveis para a solucao da mesma, dentro de uma gestao integrada em todos os niveis de planejamento e de tomada de decisao.

DOI: 10.12957/geouerj.2013.5074

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Artigo recebido para publicacao em janeiro de 2013.

Artigo aceito para publicacao em junho de 2013.

Joao Luis Sampaio Olimpio

Geografo, mestrando em Geografia (UFC) Universidade Federal do Ceara

olimpio.jls@hotmail.com

Patricia Mena Barreto Vieira

Bacharel em Servico Social (UECE) Coordenadoria Municipal de Defesa Civil de Fortaleza

patriciamena@gmail.com

Maria Elisa Zanella

Geografa, Dr.a em Meio Ambiente e Desenvolvimento (UFPR) Universidade Federal do Ceara

elisazv@terra.com

Marta Celina Linhares Sales

Geografa, Dr.a em Geografia Fisica (USP) Universidade Federal do Ceara

mclsales@uol.com.br
Tabela 1--Tipologias dos impactos hidrometeoricos e bairros
mais afetados

Tipologia de
Ocorrencia             Quantidade   Bairros mais impactados

Inundacao                  50       Quintino Cunha, Genibau,
                                      Autran Nunes e Bom Jardim
Alagamento                 73       Genibau, Quintino Cunha e
                                      Dom Lustosa,
Incendio                   4        Agua Fria, Bom Jardim, Monte
                                      Castelo e Dom Lustosa
Deslizamento               1        Vila Velha
Desabamento                10       Pici, Parangaba, Henrique
                                      Jorge, Joao XXIII, Coco,
                                      Sao Geraldo, Siqueira,
                                      Barroso e Jardim Iracema
Risco de Desabamento       15       Genibau e Jangurussu
Outros                     1        Cidade dos Funcionarios

Fonte de dados: Defesa Civil de Fortaleza.
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Author:Olimpio, Joao Luis Sampaio; Vieira, Patricia Mena Barreto; Zanella, Maria Elisa; Sales, Marta Celina
Publication:Geo Uerj
Date:Jun 1, 2013
Words:6011
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