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Explorando a trajetoria espacio-temporal da representacao dinamica de projeteis.

Resumo

Quando e mostrado a observadores humanos um objeto em movimento horizontal que desaparece subitamente, e se instruidos a indicar o local de desaparecimento, emerge sistematicamente um erro para diante na direcao do movimento (Desfasamento M) e para baixo na direcao da gravidade (Desfasamento O). Ainda que diversos determinantes do fenomeno estejam bem documentados, pouco e ainda sabido acerca do seu curso temporal. O presente estudo procura preencher esta lacuna. Objetos descrevendo movimentos horizontais foram mostrados a participantes instruidos a indicarem o seu local de desaparecimento, usando ou um mouse ou um ponteiro (num ecra tactil), apos um intervalo de retencao variado. Os resultados revelaram uma trajetoria ordenada para os erros de localizacao em funcao do tempo, passivel de ser descrita em duas fases--numa primeira, ate cerca de 300ms, os erros progrediram para diante sem qualquer desfasamento vertical; apos os 300ms o erro tende a aumentar na direcao descendente sem qualquer incremento horizontal. Paralelos deste padrao com tarefas de fisica intuitiva (Fisica de Road Runner) e antecedentes na Historia Pre-Galilaica da Fisica sao referidos e os resultados discutidos no ambito de uma representacao implicita de invariantes fisicos na percecao de eventos dinamicos.

Palavras-chave: Percepcao do movimento, Fisica Intuitiva, Momento Representacional.

Abstract

When human observers are shown a horizontally moving target which suddenly disappears and they are further instructed to locate its vanishing position, both forward in the direction of motion (M Displacement) and downward in the direction of gravity (O Displacement), errors of localization typically occur. Though several determinants of those errors have been ascertained, little is known regarding their time course. The present study attempts to fill this gap. Horizontally moving targets were presented and participants instructed to locate their vanishing position, either via a mouse or a pointer (on a touch screen) after a variable time delay. Outcomes revealed an orderly time-dependent trajectory of errors being describable in two stages--during the first 300ms, the errors increased in the direction of motion with a constant vertical error; after 300ms the downward error increased with no further horizontal displacement. Similarities between this pattern and reported results from the Intuitive Physics (Road Runner Physics) and the History of Ancient Physics are noticed and discussed under the notion of an implicit representation of physical invariants in the perception of dynamic events.

Keywords: Motion perception, Intuitive Physics, representational momentum, representational gravity.

Exploring the Spatiotemporal Trajectory of the Dynamic Representation of Projectiles

Uma condicao obvia para a sobrevivencia e adaptacao, quer enquanto individuos quer enquanto especie, refere-se a apreensao e acao do e no mundo fisico, no qual a variavel tempo emerge como uma das mais relevantes. Existimos essencialmente como seres dotados de mobilidade e frequentemente interagimos com outros seres ou objetos tambem eles moveis, em eventos que se desdobram ao longo do tempo. Neste sentido, nao resulta estranha a observacao de que os seres humanos se mostram particularmente sensiveis a informacao relativa a transformacoes/ alteracoes dinamicas no seu meio ambiente (e.g., Gibson, 1986; Johansson, 1975).

A relevancia deste ponto veio a ser sublinhada na nocao de Representacoes Dinamicas (Freyd, 1987), a qual sugere que a propria informacao temporal e nao so intrinseca (analogicamente) como necessaria nas e para as representacoes mentais. De resto, o sucesso amplamente constatavel das nossas interacoes percetivo-motoras perante eventos fisicos sugere que as variaveis temporais sao parte integrante dos ciclos percetivos e respetiva coordenacao sensorimotora (e.g. Bertamini, Spooner, & Hecht, 2004). Um fenomeno que parece captar simultaneamente aspetos representacionais de nocoes dinamicas (Freyd, 1992, 1993) bem como particularidades do ciclo percecao-acao (Kerzel & Gegenfurtner, 2003) veio a ficar conhecido como Momento Representacional (1).

O Momento Representacional

Perante um objeto movel que desaparece subitamente, e se instruidas a indicar o local do desaparecimento, as pessoas tendem sistematicamente a indicar um ponto desfasado para diante na direcao do movimento (Freyd & Finke, 1984).

No paradigma original, os participantes eram expostos a uma sucessao de tres retangulos, espacados a intervalos regulares de 250 ms, e com sucessivas orientacoes congruentes com um movimento de rotacao. Apos a apresentacao do ultimo retangulo, era apresentado aos participantes um quarto retangulo (sonda mnesica) com uma orientacao igual ou mais ou menos rodada em relacao ao ultimo retangulo da sequencia indutora. Aos participantes era pedido que indicassem se a sonda mnesica se encontrava na mesma orientacao que o ultimo retangulo da sequencia ou numa orientacao diferente (paradigma igual-diferente). Os resultados tipicos nesta situacao traduzem-se numa probabilidade mais elevada de se aceitar como "igual" um retangulo que, na realidade, ocupa uma orientacao mais rodada na direcao do movimento. De acordo com Freyd e Finke (1984), este desfasamento revelaria um analogo representacional do momento (quantidade de movimento de um objeto movel; dado pelo produto da sua massa com a velocidade) e inercia (tendencia a manter ou o estado de movimento ou de repouso). Isto e, os eventos seriam representados internamente com propriedades analogas as de um evento fisico. Na situacao descrita, e perante o subito desaparecimento do estimulo, a representacao visual, dotada ela mesma de um analogo do momento e da inercia, tendia a prosseguir o seu "movimento", resultando num desfasamento mnesico da ultima posicao observada --Momento Representacional (MR).

Em congruencia com esta interpretacao, verificou-se que o desfasamento emergia somente quando a sequencia implicava um movimento e que alteracoes do objeto visualizado (e.g., da sua forma ou textura) introduzidas ao longo da sequencia indutora (Kelly & Freyd, 1987) enfraqueciam a sua magnitude. De igual forma, o desfasamento mostrou-se proporcional a velocidade final do objeto (Freyd & Finke, 1985), independentemente dos padroes de aceleracao/desaceleracao verificados durante a sequencia (Finke, Freyd, & Shyi, 1986). De resto, a presenca de movimento real parece nao ser necessaria desde que o estimulo o implique de alguma forma--caso de fotografias ou desenhos estaticos que impliquem movimento, os quais conduzem a desfasamentos mnesicos em tudo similares ao MR (Freyd, 1983; Freyd, Patzer, & Cheng, 1988).

Convem sublinhar aqui o caracter "quasi-amodal" do MR. Note-se que este emerge apos o desaparecimento do estimulo fisico; ou, melhor, a resposta do participante e dada na ausencia desse. Este ponto esta longe de ser displicente pois e hoje aceite que, aquando da visualizacao de um evento dinamico, este e de alguma forma simulado ou emulado representacionalmente (e.g., Grush, 2004). Obviamente, a propria presenca de estimulacao fisica constrange a representacao do movimento a uma interpretacao univoca--neste sentido, na percecao de movimento, a distincao entre processos top-down e bottom-up e em certa medida mais esbatida pois ambos se conjugam na percecao do evento. Contudo, e dado que numa tarefa tipica de MR o alvo ja nao esta acessivel a percecao, a resposta do participante depende somente dos mecanismos que se encontravam recrutados para o processamento em linha (online) aquando da visualizacao do movimento--isto e, a representacao do evento (processos top-down). O subito desaparecimento do objeto movel implica pois que a resposta do participante dependa somente dessa. Mais que isso, sugere que os invariantes empiricos reportados para o MR revelem na verdade aspetos nomoteticos da propria dinamica da representacao mental, nao constrangida, portanto, por uma estimulacao visual fisica, exceto no que se refere a sua mobilizacao inicial.

Dado que a variavel tempo e ela mesma intrinseca e necessaria (Freyd, 1987) as Representacoes Dinamicas, tais processos deverao estar sujeitos a um curso temporal (Freyd & Johnson, 1987); isto e, um padrao de evolucao em funcao do tempo que reflete a dinamica inerente a representacao. Num sentido proprio, descrever o curso temporal do MR equivale pois a estabelecer a mecanica representacional da percecao do movimento.

O Tempo nos Estudos do MR

Conforme vimos, tanto a nocao de Representacoes Dinamicas como a nocao de um Momento fisico internalizado levariam a esperar um efeito da variavel tempo sobre a magnitude do MR. Concretizando a analogia, considere-se um objeto movel ao qual e aplicada uma forca contraria ao movimento com o intuito de o interromper. O estado de repouso sera atingido tao mais tarde quanto o momento ou quantidade de movimento do objeto (assumindo uma forca resistiva constante); alem disso, prosseguira o seu movimento durante algum tempo antes de atingir, por fim, o estado de repouso. Se o MR constituir um analogo do momento, um padrao similar devera ser obtido numa tarefa adequada.

A forma obvia de testar esta hipotese implica tao-somente manipular o intervalo de retencao--i.e., o tempo que medeia a apresentacao do ultimo estimulo da sequencia e a apresentacao da sonda mnesica. Esta experiencia, conduzida por Freyd e Johnson (1987), veio a revelar dados congruentes com essa previsao--a magnitude do MR tende a aumentar com o tempo de retencao ate atingir um maximo por volta dos 300 ms (milissegundos). No ambito da nocao de Representacao Dinamica, este padrao de resultados sugere que, apos o termino da estimulacao e pelo menos ate 300 ms depois, os processos representacionais recrutados para o processamento do movimento mantiveram a sua "dinamica". Isto e, durante o intervalo de retencao, a representacao estaria ainda sob efeitos dinamicos, inerentes a propria e nao obstante a ausencia do estimulo fisico. Adicionalmente, os dados de Freyd e Johnson (1987) mostram a presenca de MR mensuravel com intervalos de apenas 10 milissegundos, atestando a rapidez desses mecanismos.

Mais recentemente, Kerzel (2000), impondo aos participantes restricoes nos movimentos oculares, verificou, com estimulos de movimento continuo (i.e., fluido), nao so um virtual desaparecimento do Momento Representacional, como uma insensibilidade deste ao intervalo de retencao. Este resultado veio a constituir a base da principal critica a concecao "representacional" do MR, pelo menos dado um movimento continuo (por oposicao a aparente): o desfasamento na direcao do movimento pode implicar nao um momento representacional mas sim um momento biofisico da propria mecanica dos movimentos oculares. Dito de outra forma, e perante o desaparecimento subito do objeto, o movimento de perseguicao do olho tende a continuar para alem do local de desaparecimento, levando a que os participantes julguem como "igual" um objeto desfasado nessa direcao. Esta posicao falha em explicar um conjunto consideravel de determinantes do MR (e.g., a sua emergencia em imagens estaticas, onde nao existe movimento de perseguicao ocular; efeitos conceptuais obtidos por variacoes da identidade do alvo (2); e.g., Reed & Vinson, 1996; equivalentes do MR para outras modalidades percetivas: e.g., auditiva (3), Freyd et al., 1990; Getzmann, 2005). Neste sentido, os movimentos oculares parecem ser necessarios mas nao suficientes para uma explicacao global do fenomeno. Contudo, e no caso particular da descricao do seu curso temporal, este resultado nulo veio a ser tomado como decisivo e nenhuma outra experiencia sobre o topico veio a ser conduzida.

Os Componentes Horizontal e Vertical do Desfasamento e Respostas Motoras de Localizacao

Com a introducao de modalidades de resposta baseadas na localizacao motora (e.g., usando um mouse de computador para clicar no local de desaparecimento percebido; por oposicao ao paradigma da sonda mnesica; Hubbard & Bharucha, 1988), os determinantes do MR multiplicaram-se na literatura. Foram, pois, reportados analogos representacionais da friccao (Hubbard, 1995), impeto centripeto (Hubbard, 1996), causalidade mecanica (Hubbard, Blessum, & Ruppel, 2001) e gravidade (tendencia a indicar um ponto desfasado na direcao da gravidade; Hubbard, 1990, 1995, 1997, 2001; cf. tambem Bertamini, 1993).

Efetivamente, o uso de modalidades de resposta de localizacao espacial possibilita nao so o estudo do desfasamento na direcao do movimento (Momento Representacional propriamente dito; Desfasamento M) como tambem do desfasamento na direcao vertical, ortogonal em relacao ao eixo de movimento horizontal (Desfasamento O; Ver Figura 1). Este ultimo componente (Desfasamento O) tem sido consistentemente apontado como uma medida da Gravidade Representacional, i.e., um analogo da gravidade fisica (Hubbard, 1990, 1995, 1997, 2001).

[FIGURA 1 OMITIR]

Por outro lado, o uso de respostas de localizacao espacial revelou que os efeitos do constrangimento dos movimentos oculares, atras discutidos, sao contingentes a modalidade de resposta--para respostas de localizacao, inerentemente motoras, e ao contrario do que ocorria no paradigma da sonda mnesica (ver atras; Kerzel, 2000), a presenca de movimentos oculares revelou-se nao necessaria para a emergencia do fenomeno. Isto e, o constrangimento dos movimentos oculares nao parece acarretar qualquer reducao na magnitude do desfasamento para estas modalidades (Ashida, 2004; Kerzel, 2005; Kerzel & Gegenfurtner, 2003). No seu conjunto, estes dados sustentam a necessidade de um envolvimento motor na emergencia do MR: seja mediante movimentos oculo-motores, no caso de um juizo percetivo (paradigma da sonda mnesica), ou uma interacao motora aquando da resposta (paradigma de localizacao espacial), ou ambos. De resto, estes resultados vieram a estreitar a ja sugerida relacao entre o MR e os ciclos de percecao-para-a-acao (Ashida, 2004; Brouwer, Franz, & Thornton, 2004; Kelly & Freyd, 1987; Kerzel & Gegenfurtner, 2003; Zago & Lacquaniti, 2005). Nomeadamente, reforcaram a sugestao de que o MR seria instrumental na compensacao de tempos de latencia acumulados ao longo das vias neurais de processamento da informacao visual (hipotese de extrapolacao do movimento e compensacao dos tempos neuronais; Kerzel & Gegenfurtner, 2003; Nijhawan, 1994, 2008) e de forma a sincronizar as acoes motoras com os eventos dinamicos no mundo fisico.

Num sentido similar, e fundado na distincao entre cinematica e dinamica (Runeson & Fryckholm, 1983), estudos por nos conduzidos tem suportado a ideia de que a natureza das variaveis (cinematica ou dinamica) e modulada diferencialmente pelo grau de envolvimento motor em modalidades de resposta de localizacao espacial. De forma breve, a Cinematica compreende os movimentos propriamente ditos restringindo-se (de forma quase puramente descritiva) a conceitos como velocidade, aceleracao, distancia, tempo, etc. Ja a Dinamica compreende conceitos de cariz explicativo e com recurso a conceitos de "Forca" (e.g., momento, friccao, gravidade, etc.). Do ponto de vista de um observador, a distincao adquire significancia se notarmos que os aspetos cinematicos sao dados por si mesmos, pela sua propria existencia; i.e., podem ser percecionados independentemente de uma estrutura causai de forcas. Contrariamente, uma apreensao de aspetos Dinamicos requer uma estrutura de significacao imposta no proprio movimento, ou na relacao univoca com a cinematica (como no caso do Principio da Especificacao Cinematica da Dinamica; Runeson & Frykholm, 1983) ou por dados adicionais independentes dessa (e.g., pela identificacao do agente do movimento [natural vs causado], pelo reconhecimento das propriedades do alvo [animacidade, peso/massa, forma, propulsao, etc.]). No caso do MR tem emergido um padrao sistematico no qual a importancia do efeito de variaveis de cariz dinamico e reduzido para modalidades de resposta diretas (e.g., toque manual num ecra tactil) por comparacao com modalidades indiretas ou mediadas (e.g., Mouse e Teclado; e.g., De Sa Teixeira, Oliveira, & Amorim, 2010).

Revisitando o Papel do Tempo no MR

Posto isto, e legitimo reavaliar o curso temporal do MR. Por um lado, o papel dos movimentos oculares nao se mostra determinante perante o uso de paradigmas de localizacao espacial--descrever o curso temporal do desfasamento nestas modalidades de resposta surge assim como um dado importante no esclarecimento do fenomeno. Por outro, nenhum estudo procurou ainda averiguar o curso temporal da Gravidade Representacional (e.g., pelo desfasamento-O), um resultado que, uma vez mais, depende do uso de respostas de localizacao espacial.

Ainda que, a rigor, o tempo seja uma variavel de cariz cinematico, neste contexto assume um pendor representacional (o tempo da transformacao/evolucao da representacao mental) e, como tal, diferencia-se de variaveis como a velocidade e distancia, as quais, pela propria manipulacao constrangem a representacao ao que e percecionado pelo participante. Pelo contrario, o tempo de retencao, assumindo um caracter amodal (no sentido em que o objeto indutor ja nao se encontra presente), concilia a sua natureza fisicamente cinematica (manipulacao objetiva do intervalo de retencao) propriedades "representacionalmente" dinamicas--ocorre ao nivel da representacao cognitiva, da qual e intrinseca, e devera, portanto, traduzir o seu funcionamento intemo.

Por fim, e como as respostas de localizacao espacial possibilitam a medida simultanea de dois componentes (Desfasamento M e O), torna-se possivel averiguar o desdobramento temporal das sucessivas "localizacoes" num mapa bi-dimensional, obtendo assim uma trajetoria representacional.

Metodo

Participantes

Quarenta e oito estudantes (41 do sexo feminino) da Universidade de Coimbra, com idade media de 19,94 anos (DP = 3,87), participaram na experiencia. Todos possuiam visao normal ou corrigida para o normal e desconheciam os propositos do estudo.

Estimulos

Um conjunto de animacoes (.avi a 40 fps) que mostravam um quadrado negro com 30 px (pixels', 30 px [aproximadamente igual a] 1 cm) de lado a viajar a velocidades constantes de 180, 300, 420 ou 540 px/s. Cada quadrado (alvo) emergia do extremo esquerdo ou direito do ecra, desaparecendo apos cobrir uma distancia total de 536, 593 ou 650 px. Todas as animacoes foram criadas com o software Interactive Physics 2004 e editadas com o VirtualDub. A experiencia foi implementada no ambiente Super Lab 4.0, com o qual eram apresentados os estimulos, recolhidas as respostas e aleatorizados os ensaios. Os estimulos foram apresentados num computador pessoal equipado com um ecra plano tactil, com uma taxa de refrescamento de 60Hz e resolucao de ecra de 1024 x 768 px. Metade dos participantes fornecia as suas respostas usando um mouse sem fios com o qual controlava um cursor em forma de cruz (+) mostrado no ecra (condicao Mouse); a outra metade tocava diretamente no ecra usando um ponteiro (condicao Ponteiro).

Desenho e Procedimento

A experiencia obedeceu a um desenho fatorial de medidas repetidas 4 (Velocidade) x 3 (Distancia) x 5 (Intervalo de retencao) x 2 (Direcao do movimento), com 5 replicacoes. Os participantes sentavam-se a cerca de 60 cm do ecra, sem restricoes de movimentos oculares ou de cabeca, mas instruidos a manterem uma postura estavel e constante ao longo da experiencia (o seguimento das instrucoes foi monitorizado por observacao informal). Os participantes eram instruidos a observar atentamente o movimento dos quadrados e, quando ouvissem um som (beep; condicao Ponteiro) ou quando o cursor do mouse (+) surgisse no ecra (condicao Mouse), a indicarem, o mais precisamente possivel, o local onde o alvo havia sido visto pela ultima vez (i.e., o seu local de desaparecimento). O som (Ponteiro) ou o cursor (Mouse) podiam aparecer 0, 150, 300, 450 ou 600 milissegundos apos o desaparecimento do alvo. De forma a garantir que a resposta era iniciada somente apos o intervalo de retencao, os movimentos do mouse foram monitorizados e, perante a detecao de um movimento antes do aparecimento do cursor, esse ensaio era repetido algures durante a sessao experimental. De forma similar, e para o caso do Ponteiro, cada ensaio era iniciado com o premir de um botao numa caixa de respostas, usando a mesma mao que segurava o ponteiro com o qual deveria ser dada a resposta. Esse botao deveria permanecer premido ate a apresentacao do som de inicio da resposta. Caso o botao fosse solto antes desse evento, o ensaio era repetido mais tarde (Ver Figura 2). Alguns ensaios de treino antecediam a experiencia propriamente dita, de forma a garantir a compreensao da tarefa. O procedimento respeitou a declaracao de Flelsinque quanto a experimentacao em seres humanos.

[FIGURA 2 OMITIR]

Resultados

O desfasamento M (no eixo do Movimento; Momento Representacional/MR) foi calculado pela diferenca algebrica entre as coordenadas x do local no ecra indicado pelos participantes e as mesmas coordenadas para o centro geometrico do alvo no ultimo diapositivo de cada animacao. Um valor positivo denuncia um desfasamento na direcao do movimento e um valor negativo um desfasamento na direcao oposta a do movimento. O desfasamento O (Ortogonal ao eixo do movimento; Gravidade Representacional) foi calculado pela diferenca entre as coordenadas y do local do ecra indicado pelo participante e as mesmas coordenadas referente ao centro geometrico do alvo no ultimo diapositivo. Desta forma, um valor negativo indica um desfasamento na direcao descendente (no sentido da gravidade) e um valor positivo um desfasamento na direcao ascendente. Os dados assim obtidos foram sujeitos a ANOVAs mistas tendo como fator entre-sujeitos a modalidade de resposta. Nos casos em que se verificou uma violacao do pressuposto da esfericidade, usou-se a correcao Greenhouse-Geisser para os graus de liberdade.

Desfasamento M

No que se refere ao desfasamento na direcao do movimento (Momento Representacional), obtiveram-se efeitos principais da Velocidade, F(1.793,82,497) = 49,393, MQE = 935,468, p < 0,01, [[eta].sup.2.sub.p] = 0,52 (com a magnitude do desfasamento aumentando proporcionalmente a velocidade), e Tempo de Retencao, F(2.46, 113,142) = 12,311, MQE = 517,483, p < 0,01, [[eta].sup.2.sub.p] = 0,21 (ver Figura 3). Por outro lado, a modalidade de resposta apresentou uma interacao significativa com o Intervalo de Retencao, F(2.46, 113,142) = 11,271, MQE = 517,483, p < 0,01, [[eta].sup.2.sub.p] = 0,2. ANOVAs efectuadas separadamente para as modalidades de resposta revelaram um efeito do Intervalo de Retencao com o uso do Mouse, F(2.922, 67,198) = 19,393 MQE = 486,331, p < 0,01, [[eta].sup.2.sub.p] = 0,46, mas nao do Ponteiro (p > 0,05).

Desfasamento O

Para o desfasamento ortogonal a direcao do movimento (Gravidade Representacional), verificou-se que a velocidade do alvo nao atingiu a significancia estatistica (p > 0,05). O Tempo de Retencao atingiu um efeito principal significativo, F(4, 184) = 7,432, MQE = 28,289, p < 0,05, [[eta].sup.2.sub.p] = 0,14 (ver Figura 3). ANOVAs de medidas repetidas aplicadas separadamente para as condicoes revelou que o Tempo de Retencao atingiu um efeito estatisticamente significativo na modalidade Mouse, F(2.765, 63,584) = 10,924, MQE = 29,778, p < 0,05, [[eta].sup.2.sub.p] = 0,32, mas nao na modalidade Ponteiro (p > 0,05).

A Trajetoria Bi-Dimensional do Desfasamento

Dada a bi-dimensionalidade das respostas dos participantes, e possivel apresentar os dados num "mapa" de desfasamentos tendo como eixo horizontal o componente M e como eixo vertical o componente O (ver Figura 3). Num sentido quase literal, este traduz a topografia da representacao que subjaz a percecao de eventos dinamicos. Os circulos a negro traduzem os desfasamentos bi-dimensionais obtidos com o uso do Mouse em funcao dos Tempos de Retencao. Os circulos a branco representam a mesma informacao para a condicao Ponteiro. E possivel verificar que nenhum padrao emerge na modalidade Ponteiro--os pontos tendem a agrupar-se sensivelmente na mesma localizacao. Contudo, no caso do uso do Mouse e evidente uma "trajetoria" ordenada, na qual a representacao do alvo tende a "mover-se" para diante ate cerca dos 150/300 ms, sem qualquer desfasamento descendente. Apos os 300 ms e possivel constatar uma "queda" progressiva da localizacao mnesica do alvo, sem qualquer incremento na sua posicao horizontal.

[FIGURA 3 OMITIR]

Figura 3. Mapa dos desfasamentos em pixeis obtidos em funcao do tempo, tendo como eixo horizontal os valores do componente M e como eixo vertical os valores do componente O. O local de desaparecimento do alvo situa-se na origem (ponto 0, 0). Os circulos indicam as localizacoes indicadas pelos participantes em funcao dos tempos de retencao (rotulos). Os circulos negros referem-se a condicao Mouse e os circulos brancos a condicao Ponteiro. As barras de erro traduzem o erro-padrao da media para ambos os componentes.

Discussao e Conclusao

Os dados apresentados revelam, antes de mais, urna dissociacao entre as duas modalidades de resposta motora (Mouse e Ponteiro) no que se refere ao curso temporal. A saber, a condicao Ponteiro mostrou-se insensivel ao tempo de retencao. Este dado sugere um envolvimento distinto dos circuitos de percecao-para-acao e percecao-para-reconhecimento (Milner & Goodale, 1995) no MR, sendo o primeiro relativamente insensivel a aspetos representacionais de alto-nivel, de cariz mais cognitivo. Esta modulacao dos padroes contingente ao grau de envolvimento motor concorre com resultados previamente obtidos (De Sa Teixeira et al., 2010).

No que se refere ao curso temporal do desfasamento na modalidade Mouse obteve-se um padrao passivel de ser descrito por um processo desdobrado em duas fases: (a) ate cerca dos 300 ms a representacao do alvo prosseguiu o seu "movimento" para diante, revelando-se relativamente insensivel a influencia gravitacional; (b) apos os 300 ms, a representacao do alvo tende a "cair" na direcao da gravidade.

Este padrao de resultados, nunca reportado para tarefas de localizacao espacial, encontra-se bem documentado na literatura sobre Fisica Intuitiva (Gentner, 2002; McCloskey, 1983), sob o nome de Fisica de Road Runner (em Portugues, Papaleguas e Coiote). Nesses desenhos animados e, com efeito, frequentemente representado um personagem (invariavelmente o Wile E. Coyote) a ser lancado horizontalmente de um precipicio ate ao momento em que, perdendo por completo a velocidade, cai numa trajetoria reta em direcao ao solo. Obviamente, este padrao de movimentos viola o postulado normativo dado pela Fisica--seja a Fisica Newtoniana, de acordo com a qual um projetil segue uma trajetoria parabolica, seja a Fisica Relativista de Einstein que preve uma trajetoria hiperbolica. Encontra, porem, na Fisica Medieval (Pre-Galilaica) proto-cientifica um antecedente, fundado na nocao de impeto--forca motriz transferida a um projetil aquando do seu lancamento, que se desvanece com o proprio movimento ao longo do tempo. Por exemplo, Jean Buridan (1300-1358; cf. e.g., McCloskey, 1983) argumentou que o movimento de um projetil se manteria ate que o impeto se dissipasse, ficando esse sujeito ao comportamento comum dos graves. A atestar que tal proposta era relativamente aceite na epoca, Paulus Puchner, em 1577 (cf. Hecht & Bertamini, 2000), elabora uma analise das trajetorias desenhadas pelas balas de canhao apos o disparo, de forma a servir de auxilio a artilharia saxonica (ver Figura 4). Neste, a trajetoria dos projeteis e representada seguindo um percurso em duas fases (tres se se considerar a fase curva intermedia; ver Hecht, 2001): num primeiro momento a bala seguiria um percurso em linha reta ate uma completa dissipacao do impeto, apos o qual cairia na vertical, uma vez mais em linha reta (a rigor, estas trajetorias terao sido derivadas da teoria Aristotelica e, em certos detalhes, opoe-se ao previsto por uma fisica do impeto na sua forma mais pura; especificamente, a fase em curva sugere desde logo que o projetil esteve sempre sujeito a influencia gravitacional e nao somente ao impeto; contudo, para os presentes propositos bastara sublinhar o comportamento global sugerido para os projeteis; cf. Hecht, 2001). Esta divagem entre movimentos/tendencias "naturais", como o seja a gravidade (eixo vertical), e movimentos provocados, i.e., projeteis (eixo horizontal), distincao peripatetica corrente na epoca medieval (Koyre, 1992; Jammer, 1957), parece subjazer aos dados empiricos obtidos (confrontar Figura 4 com Figura 3): a sensibilidade da representacao do alvo a uma influencia natural (Gravidade Representacional) emerge somente aquando da dissipacao do seu impulso (impeto) causado (Momento Representacional).

[FIGURA 4 OMITIR]

Os paralelos entre, por um lado, os resultados acerca do Momento Representacional e aqueles obtidos nas tarefas de Fisica Intuitiva, bem como, por outro, entre esses e as concecoes pre-Galilaicas na Historia da Fisica, tem sido extensivamente referida na literatura, especialmente por Hubbard (2005) sob a nocao de isomorfismo de 2 grau (Shepard, 1984; Shepard & Chipman, 1970)--nocao que qualifica uma relacao funcional (por oposicao a estrutural) entre as representacoes internas e invariantes ecologicos, externos ao observador que, nao obstante, adquirem para esse um valor adaptativo (por exemplo, a Gravidade). Neste sentido, a obtencao de um curso temporal para os desfasamentos mnesicos compativel com a trajetoria de um projetil com paralelos tanto em tarefas de Fisica Intuitiva como com concecoes proto-cientificas da Historia da Fisica, atesta a sua prevalencia enquanto representacao embutida no sistema cognitivo humano. De resto, a emergencia desse padrao numa tarefa de localizacao espacial, na qual, sublinhamos, o participante nao tem consciencia de estar a indicar um ponto desfasado face ao local de desaparecimento do alvo (alias, e instruido a ser o mais preciso possivel), nao so suporta os dados da Fisica Intuitiva como mostra o papel dessa, enquanto Fisica Implicita, na percecao de movimento.

Recebido: 07/02/2012

1a revisao: 30/05/2012

Aceite final: 26/09/2012

Referencias

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Nuno Alexandre De Sa Teixeira * & Armando Monica Oliveira

Universidade de Coimbra, Coimbra, Distrito de Coimbra, Portugal

* Endereco para correspondencia: Instituto de Psicologia Cognitiva, Universidade de Coimbra, Rua do Colegio Novo, Apartado, 6153, Coimbra, Portugal 3001-802.

E-mail: nuno_desateixeira@fpce.uc.pt

O presente trabalho foi financiado pela Fundacao para a Ciencia e Tecnologia no ambito dos projetos SFRH/ BD/36067/2007 e POCI/PSI/60769/2004.

(1) O Momento Representacional e um de varios fenomenos de localizacao espacial. Neste sentido, partilha similaridades teoricas e empiricas com fenomenos tidos como de baixo nivel, como o sejam o efeito Frohlich (e.g., Musseler, Stork, & Kerzel, 2002) e efeito flash-lag (Musseler et al., 2002; no entanto, ver Nagai et al., 2010), fenomenos sensiveis a determinantes de alto-nivel como efeito On-Set Repulsion (Actis-Grosso & Stucchi, 2003) e Boundary extension (Munger, Owens, & Conway, 2005), e mesmo fenomenos declaradamente cognitivos como Tempo de Colisao (Gray & Thornton, 2001) e resultados de fisica ingenua (e.g., Hubbard, 2005).

(2) Por exemplo, uma representacao esquematica de um foguetao mostrada em movimento ascendente conduz a um maior desfasamento para cima do que uma representacao geometricamente equiparavel de um edificio.

(3) Tem sido hipotetizado que equivalentes do Momento Representacional emergem para qualquer continuo intensivo. No estudo de Freyd, Kelly e DeKay (1990) era mostrado aos observadores uma sequencia de sons ordenada por frequencia (e.g., 1261, 1892, 2523 Hz). De seguida, eram expostos a um unico som (sonda mnesica) e instruidos a indicar se esse seria igual ou diferente do ultimo som da sequencia. Os participantes mostravam uma maior probabilidade de aceitar como "igual" um som com uma diferenca de cerca de 3.31 Hz na direcao sugerida pela sequencia (e.g., 2526.31 Hz).
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Author:De Sa Teixeira, Nuno Alexandre; Monica Oliveira, Armando
Publication:Psicologia: Reflexao & Critica
Date:Oct 1, 2013
Words:6537
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