Printer Friendly

Experiencias brasileiras e o debate sobre comunicacao e governanca do risco em areas contaminadas por chumbo.

Brazilian cases and the debate about risk communication and governance in areas contaminated by lead

Introducao

Nos ultimos anos, a comunicacao de risco tem despertado o interesse de pesquisadores e de orgaos de governos, que reconhecem, frente a complexidade e as incertezas cientificas, a necessidade de se estabelecer um dialogo entre aqueles que avaliam e gerenciam o risco e aquelas pessoas que de fato o vivenciam e de compreender que as controversias sociotecnicas, comuns em situacoes de risco, devem ser vistas como oportunidades para explorar alternativas possiveis e que o interesse coletivo e produto de negociacoes, conflitos sociais e aliancas.

Dadas as caracteristicas comuns acerca dos problemas relacionados ao risco e ao meio ambiente (fatos incertos, valores controvertidos, apostas elevadas e decisoes urgentes), pesquisadores, governantes e representantes de orgaos governamentais tem reconhecido a necessidade de se colocar em pratica uma nova estrategia de resolucao, identificada como governanca do risco (1-5).

Nesta nova estrategia, o dialogo sobre a qualidade e a formulacao de politicas para enfrentar problemas e riscos e considerado de fundamental importancia e e estendido a todos os afetados pela questao. A abertura do dialogo e do processo decisorio implica no reconhecimento de que a comunicacao de risco nao deve se limitar ao modelo do deficit de conhecimento, no qual os peritos comunicam os conhecimentos e suas "verdades cientificas" para os leigos de modo a evitar que estes permanecam na ignorancia e na irracionalidade. Ao contrario, esse processo comunicativo deve envolver orientacoes e ferramentas estrategicas para que cientistas, governantes, tecnicos e comunicadores saibam como construir uma atmosfera de confianca com todos os atores sociais envolvidos no gerenciamento de risco.

O interesse pela comunicacao de risco e resultado do debate que tem ocorrido nas sociedades sobre abertura do processo decisorio, justica, confianca, participacao publica e democracia; temas que tem tido papel central no desenvolvimento das agendas de pesquisa e politica (6). E resultado tambem da consciencia de que e possivel lidar de forma mais eficaz com as respostas publicas dadas aos riscos se, as pessoas afetadas pelas decisoes sobre estes, e dada a oportunidade de participarem efetivamente do processo decisorio, promovendo assim um processo analitico e deliberativo, no qual os efeitos da amplificacao do risco sao incluidos como um elemento importante nas decisoes que sao discutidas e tomadas (7). Entende-se por amplificacao social do risco o "fenomeno pelo qual os processos de informacao, as estruturas institucionais, o comportamento do grupo social e as respostas individuais dao forma a experiencia social do risco, contribuindo para suas consequencias" (8).

Como observam os autores Funtowicz e Ravetz9, em situacoes de riscos, caracterizadas por incertezas cientificas e pela propria complexidade envolvida no enfrentamento, "o conhecimento das condicoes locais ajuda a determinar quais dados sao consistentes e relevantes, e tambem a definir os problemas que devem ser alvo das politicas".

Experiencias de situacoes envolvendo riscos por exposicao a substancias perigosas (10-12) evidenciam a necessidade de ir alem do modelo de gerenciamento vigente e ainda bastante adotado, no qual a regulacao dos riscos e baseada em avaliacoes tecnicas e dados quantitativos, com pouca ou nenhuma atencao aos fatores sociais, culturais e economicos envolvidos. E preciso abrir o processo decisorio e criar novos espacos de negociacao que desmonopolizem o conhecimento perito (2) e envolvam de maneira construtiva, no debate e na pesquisa de solucoes, todos os atores que direta ou indiretamente estejam ligados aos problemas identificados. Nesta pratica, e reconhecido que, para os problemas complexos que se apresentam, existe mais de uma solucao tecnica e que a opcao entre elas, longe de ser exclusivamente tecnica, e tambem politica, cultural e economica (13).

Evidencia-se, assim, a relevancia da pratica da governanca do risco, termo que descreve um novo arranjo institucional no qual o processo decisorio e coletivo, envolvendo atores governamentais e nao governamentais. Nesta pratica, o poder da sociedade e respeitado e a forma como as informacoes sao coletadas, analisadas e comunicadas estao no centro da atencao (1,3).

No conceito de governanca do risco, esta implicita a ideia de um processo decisorio democratico e participativo relacionado ao gerenciamento do risco, entendendo participacao como o compartilhamento do poder decisorio do Estado em relacao as questoes relativas ao interesse publico (14) e como condicao necessaria para assegurar que as instituicoes governamentais atuem de forma responsavel perante seus cidadaos, criando possibilidades para que individuos e grupos influenciem as decisoes que os afetam (promovendo assim competencia e capacidade para isso) e contribuindo para a estabilidade do sistema democratico (15).

Na tentativa de contribuir para o debate teorico no qual se apoiam a comunicacao e gover nanca do risco e analisar criticamente suas estrategias de comunicacao e o envolvimento publico na sua gestao, foram estudadas duas experiencias brasileiras que envolviam contaminacao ambiental e humana por chumbo. As experiencias referem-se aos municipios de Adrianopolis, Vale do Ribeira - Sul e Santo Amaro da Purificacao, Reconcavo Baiano -- Nordeste (ver Figura 1). Nos dois casos, buscou-se analisar como as informacoes relacionadas ao risco da contaminacao foram divulgadas para as comunidades afetadas; as relacoes estabelecidas entre os pesquisadores, as autoridades (locais, estaduais e federais) e os moradores e o engajamento das comunidades no processo de gerenciamento. Esta participacao e analisada a luz da hipotese de que os modelos associativos, representados atraves de movimentos sociais e associacoes, podem contribuir ativamente para a producao de conhecimento e para as decisoes que sao tomadas, constituindo assim em atores fundamentais na governanca do risco. A hipotese esta relacionada com o que propoe Santos13: para conseguir impor uma dinamica permanente de democratizacao da ciencia e importante que os grupos cujos interesses sao afetados por qualquer atividade cientifica estejam bem representados nos processos de tomada de decisao em niveis local, nacional e global.

[FIGURA 1 OMITTED]

Aspectos metodologicos

A metodologia utilizada contemplou pesquisa empirica e analise de conteudo de entrevistas com diferentes atores sociais (ver Quadros 1 e 2). Para embasar a pesquisa empirica, recorreuse a uma pesquisa documental sobre noticias publicadas acerca de cada caso em diferentes momentos. As noticias permitiram, em um primeiro momento, identificar possiveis atores que poderiam ser entrevistados em cada caso. Posteriormente, esses nomes foram discutidos e definidos a partir da conversa com pesquisadores que realizaram estudos nos locais. Os nomes dos en trevistados tambem foram sugeridos e/ou confirmados durante as entrevistas realizadas, ja que, ao termino de cada entrevista, ao entrevistado era pedido indicacao de pessoas com as quais poderiamos conversar sobre o assunto.

Ressalta-se que, para a realizacao da pesquisa empirica, utilizou-se uma adaptacao da tecnica conhecida como bola de neve (snowball), cujo objetivo fundamental e encontrar os sujeitos da pesquisa (16). Esse metodo e usado, principalmente, em estudos que envolvem populacoes que nao sao facilmente acessadas, por diversos motivos (como problemas de saude, questoes sexuais, etc.) e, portanto, sao estigmatizadas -- entendendo-se estigma como a situacao do individuo que esta inabilitado para a aceitacao social plena (17,18).

A partir das fontes identificadas, foi possivel visualizar o estabelecimento de quatro categorias sociais ou grupos de entrevistados: jornalis tas, pesquisadores, comunidade e autoridades (municipais, estaduais e federais). Esses grupos foram identificados a partir da ideia de agrupa los de acordo com as suas ocupacoes, responsabilidades e formas de atuacao no caso.

As entrevistas foram realizadas com o objetivo de identificar as percepcoes e as atitudes dos moradores expostos a contaminacao por chumbo, compreender como as informacoes relacionadas a esse risco foram divulgadas para as comunidades afetadas e verificar as relacoes estabelecidas entre pesquisadores, autoridades (locais, estaduais e federais) e moradores e o engajamento das comunidades no processo de gerenciamento de risco.

Descricao dos casos

Com uma populacao estimada em 6,7 mil habitantes pelo IBGE, a cidade de Adrianopolis esta localizada no Vale do Ribeira, a cerca de 130 quilometros de Curitiba (PR). No municipio funcionou entre 1945 e 1995 a usina Plumbum Mineracao e Metalurgia Ltda, pertencente ao grupo Trevo, que operava o beneficiamento e o refino de minerios de chumbo produzidos nas minas da regiao ou importados de outros paises. Estimase que durante os 50 anos de funcionamento da Plumbum foi lancada na atmosfera grande quantidade de material particulado rico em chumbo, que se depositou nos solos de areas adjacentes.

Diversos estudos foram feitos na localidade para verificar os efeitos da exposicao ao chumbo no ambiente e na populacao residente no municipio, especialmente nas comunidades residentes proximo a usina. Um desses estudos, realizado por um grupo de pesquisadores da Unicamp, apontou que parte da populacao de duas comunidades localizadas na zona rural de Adrianopolis -- Vila Mota e Capelinha (proximas a usina) apresentava niveis medios elevados de chumbo em sangue. Os resultados nao configuravam a existencia de uma situacao alarmante, porem 60% das amostras coletadas nestas comunidades apresentaram concentracoes de chumbo superiores a 10 microgramas por decilitro ([micro]g/dL) de sangue, aceito internacionalmente como limite maximo de normalidade, segundo o Center for Disease Control and Prevention (CDC). Aproximadamente 13% das amostras apresentaram concentracoes superiores a 20 microgramas por decilitro, o que ja impunha a adocao de medidas de intervencao ambiental na area e de acompanhamento medico (19-21).

Esse estudo apontou que a fonte primaria de contaminacao do solo e da poeira, nas areas peridomiciliares e intradomiciliares, foi a Plumbum com o lancamento direto do material particula do na atmosfera. Hoje, alem dos solos contaminados, o estudo revelou que varios alimentos plantados em cultivares de hortas, nos quintais das casas proximas a Plumbum, excedem os limites de concentracao de chumbo estabelecidos pela legislacao brasileira e, por isso, contribuem para a contaminacao desses moradores (22).

Em 2008, a Secretaria de Saude do Parana divulgou o relatorio de avaliacao de risco de Adrianopolis, feito a pedido do Ministerio da Saude. O relatorio seguiu a metodologia da ATSDR (Agency for Toxic Substances and Disease Registry) e incluiu avaliacao da informacao do local, respostas as preocupacoes da comunidade, selecao dos contaminantes de interesse, identificacao e avaliacao das rotas de exposicao, caracterizacao das implicacoes para a saude e conclusoes e recomendacoes.

O relatorio tece diversas recomendacoes e acoes para as areas de saude e meio ambiente, sugerindo inclusive que uma das medidas poderia ser a remocao dos moradores que residem proximo a area da Plumbum.

O municipio de Santo Amaro da Purificacao, localizado no Reconcavo Baiano a cerca de 70 quilometros de Salvador, tem uma populacao estimada em cerca de 60 mil habitantes e sua historia recente esta associada a exposicao ambiental e humana ao chumbo tambem como consequencia das atividades exercidas entre 1960 e 1993 por uma usina de producao de lingotes, pertencente ao mesmo grupo de empresa que poluiu Adrianopolis.

Diversos estudos foram feitos na localidade para avaliar a exposicao ambiental e humana ao chumbo e a outros metais. Ja na decada de 1970 um relatorio tecnico apontou a empresa como responsavel pela contaminacao dos compartimentos ambientais da area e morte de animais que pastavam proximo a area da usina, e outro estudo apresentou evidencias de contaminacao do rio Subae (que corta a cidade) por chumbo e cadmio, provenientes da industria (23).

Pesquisas realizadas na decada de 1980 apontaram que a fundicao primaria de chumbo poluiu intensamente a cidade e que seus trabalhadores e os moradores de regioes proximas a usina tinham sido particularmente afetados. Em 1995, dois anos apos o fechamento da empresa, outro estudo evidenciou elevadas concentracoes de chumbo e cadmio em sedimentos e moluscos de todo o ecossistema ao norte da Baia de Todos os Santos, onde desagua o rio Subae, apos receber a carga poluidora da fundicao (23). Outros dois estudos conduzidos por Dos Anjos (24) confirma ram a gravidade da situacao, estimando em cerca de 490 mil toneladas de escorias deixadas pela empresa.

Parte desta escoria, segundo relatos de Carvalho et al. (23), foi doada aos moradores do municipio, que frequentemente a usavam para pavimentar as vias de acesso e os quintais de sua casa. A prefeitura local usou grandes quantidades dessa escoria para pavimentar muitas ruas e lugares publicos da cidade. Em 1998, durante as obras de saneamento basico do programa Bahia Azul, do governo baiano, foram escavadas diversas ruas proximas a fundicao, expondo a camada de escoria. A escoria revolvida foi deixada nas portas das residencias, o que aumentou ainda mais o risco de contaminacao da populacao.

Estudos conduzidos no final da decada de 1990, envolvendo 44 criancas de 1 a 4 anos de idade (de 131 familias), residentes a uma distancia de ate mil metros ao redor da fundicao de chumbo, apontaram que 88% delas tinham niveis de chumbo no sangue superiores a 10 microgramas por decilitro de sangue. Os resultados mostraram que 32% excediam 20 [micro]g/dL (23).

No municipio tambem foi realizada uma avaliacao de risco, em 2002, a pedido do Ministerio da Saude e conduzida pela empresa Ambios Engenharia e Processos Ltda. A avaliacao seguiu o modelo da ATSDR e propos diversas recomendacoes nas areas ambiental e de saude, inclusive a remocao dos moradores que residem em habitacoes ate 500 metros da usina (25).

Resultados

Adrianopolis -- Vale do Ribeira

Apesar de diversos estudos terem sido conduzidos em Adrianopolis por diferentes grupos de pesquisa, este artigo abordou as experiencias do estudo feito pela Unicamp e e dentro desta perspectiva que as relacoes entre pesquisadores, autoridades e moradores, bem como as estrategias de comunicacao de risco sao analisadas.

Os depoimentos dos pesquisadores evidenciaram que houve uma preocupacao em como abordar a comunidade a ser estudada e, posteriormente, transmitir os resultados obtidos.

"Em todos os municipios pesquisados, a primeira abordagem foi sempre com o prefeito e/ ou secretario de saude do municipio.... Explicavamos os objetivos da pesquisa, comentavamos sobre o retorno dos dados ao municipio.... Tambem explicavamos os objetivos da pesquisa e a necessidade de uma reuniao com os pais ou parentes proximos" (toxicologista)

Os depoimentos, todavia, evidenciaram que nao houve um plano previamente estabelecido de comunicacao de risco, entendendo esse processo comunicativo como a promocao constante de um dialogo com a comunidade, autoridades (nos diversos ambitos) e demais atores sociais interessados, como a propria midia.

"Esse tipo de informacao tem de ser dado sempre com um certo cuidado, mesmo para os tecnicos das instituicoes locais porque tambem a interpretacao desses dados nao e muito simples. ... As expressoes relacionadas a toxicologia sao sempre alarmantes, tem conotacao, as vezes, ate pejorativa, estigmatizante.... Basicamente foram feitas duas formas de comunicacao. Uma mais coletiva, quando obtivemos os resultados do ponto de vista coletivo.... Depois, teve uma fase de apresentacao, vamos dizer, mais individual dos resultados.... De qualquer modo houve um certo desrespeito por parte da imprensa em geral com o que estava acontecendo e isso causou problema. Acho que isso serve para aprendermos a ter uma certa cadencia diferente em relacao ao contato com a imprensa.... Talvez juntamente com a apresentacao da pesquisa para as instituicoes e populacao locais ter a imprensa ja avisada e esclarecida" (medico)

Os problemas advindos com a divulgacao "apressada" do problema da contaminacao em Adrianopolis pela midia estremeceram a relacao entre pesquisadores e comunidade e trouxeram prejuizos a relacao de confianca que deve ser estabelecida entre estes atores para a conducao dos estudos. A cidade passou a ser conhecida como "cidade do chumbo" e seus moradores enfrentaram diversos problemas de estigma (preconceito, prejuizos economicos e desvalorizacao de suas terras). Os depoimentos comprovaram esses efeitos da amplificacao social do risco.

"Adrianopolis ficou conhecida como a cidade do chumbo. Todos pensavam que aqui so tinha contaminacao, que todos estavam contaminados. ... O povo daqui nao consegue mais emprego, em lugar nenhum.... Outro dia, meus colegas de Curitiba disseram: 'Fica mais longe de nos porque nao queremos ser contaminados tambem'. Isso da vergonha na gente" (vereador) A repercussao negativa, no entanto, tambem trouxe um aspecto positivo: os pesquisadores comecaram a se preocupar mais com a comunicacao de risco, como mostraram os depoimentos:

"Essa pesquisa mostrou que precisamos incluir numa pesquisa pessoas treinadas para isso, que saibam como comunicar riscos, solucoes tecnicas numa linguagem mais acessivel para que as pessoas compreendam e saibam o que fazer com a informacao" (medico)

Com relacao ao envolvimento da comunidade no processo de avaliacao e gerenciamento de risco, esta ficou limitada a participacao dos moradores no estudo (permitindo a coleta de amostras de sangue, poeira das casas, solos e alimentos cultivados).

"A relacao com os moradores foi boa. Eles aderiram bem ao projeto sem nenhum questionamento. ... Havia uma falta de conhecimento por parte deles sobre a questao da exposicao humana ao chumbo" (quimica)

A ausencia de um movimento associativo que tivesse forte atuacao (como associacoes de bairro, de ex-trabalhadores ou ainda de possiveis vitimas da contaminacao) pode ter sido um fator que colaborou para que a comunidade nao tivesse voz ativa e nao participasse do processo de gerenciamento de risco. Ha tambem outros fatores relevantes que pesaram para que a participacao publica na gestao do risco nao ocorresse: as diferentes percepcoes do risco por parte da comunidade (associadas muitas vezes a negacao do perigo e/ou a necessidade de esquece-lo, para retomar a vida cotidiana sem ter de enfrentar mais problemas como aceitacao social ou de ordem economica); a ideia de que o problema da contaminacao e usado com motivacoes politicas; a crenca de que a solucao do problema cabe apenas aos governantes e aos tecnicos, que tem os conhecimentos e recursos necessarios para isso; a falta de informacao; a premissa embutida na concepcao de gestao de risco que nao leva em conta o conhecimento que aquelas pessoas expostas tem sobre os problemas que enfrentam. Isso e evidenciado nos seguintes depoimentos:

"Lamento que as pessoas de la nao tenham vontade de mudar de vida. Acho que em Adrianopolis falta as pessoas acreditarem nelas mesmas, saberem que tudo que pode acontecer depende delas" (ex-vice prefeito)

"Tudo comeca pela educacao. Mas, nao tem ninguem fazendo esse trabalho de conscientizar as pessoas a fazerem isso ou aquilo para nao continuar a conviver com a contaminacao do chumbo.... A populacao ja esta cansada. Eles dizem que as pessoas vem aqui, tiram o sangue deles, mas nao resolvem nada" (vice-prefeito, prefeito eleito em 2008)

Santo Amaro da Purificacao

As preocupacoes e estrategias sobre como abordar a comunidade e comunicar os resultados das pesquisas variaram em funcao dos diferentes grupos de pesquisadores que realizaram estudos no municipio baiano.

"Quando comecei minhas pesquisas em Santo Amaro ainda nao existia um Comite de Etica e Pesquisa, que e importante principalmente sobre como coletar as amostras e sobre como devolver os resultados dos estudos para a populacao estudada. Mas sempre primamos por devolver os resultados a cada interessado. Nossa abordagem envolvia reunioes antes, durante e depois com a comunidade" (pesquisador A)

"Durante nosso projeto, a nossa abordagem era de bater na porta das casas dos moradores, explicar e pedir para entrar. Sentimos desconfianca" (pesquisador D)

Somente um entrevistado informou que, durante a avaliacao de risco que coordenava, havia estrategias de comunicacao, seguindo uma metodologia, para abordar a comunidade.

"Em relacao ao contato com a populacao, a receptividade foi muito boa.... Nossa abordagem envolvia tecnicas, estrategias de comunicacao, seguindo as normas da ATSDR.... A questao basica era a transparencia, a discussao da nossa visao com a populacao, as tecnicas de aproximacao, de contato sempre inseridas num contexto moral-etico.... A aproximacao academica e problematica, a populacao se ve como substrato de analise e nao como beneficiada, com a possibilidade de ser indenizada" (autoridade B)

O problema da contaminacao por chumbo tambem ganhou repercussao na midia, o que contribuiu para o processo de amplificacao social do risco. Os depoimentos mostraram tambem que, apesar da divulgacao midiatica e da preocupacao que alguns pesquisadores tiveram em informar a comunidade sobre o problema ao qual estava exposta, ha falta de informacao entre os moradores e, como consequencia, ha percepcoes bastante distintas do risco.

"Acho que os moradores conhecem o problema de diferentes formas, o grau de interacao varia. Ha os ceticos e ha pessoas aterrorizadas com o problema.... E preciso ter acesso a informacao" (pesquisador D)

"As pessoas preferem negar o problema. Tudo e passado de maneira pejorativa. Conheco pessoas que rasgaram suas carteiras de trabalho e tiraram novas, para nao constar o trabalho na Cobrac. Toda a cidade sofre com a contaminacao e com o preconceito" (morador e ex-funcionario B)

Essas observacoes sobre as percepcoes de risco, a informacao e a amplificacao social do risco repercutiram, por parte dos pesquisadores entrevistados, em uma maior preocupacao com as estrategias de comunicacao de risco em estudos e acoes futuras.

"Espero que seja feito em Santo Amaro o que deveria ter sido feito la ha muito tempo. O que e de direito. Informacao e conhecimento para as pessoas, para que elas conhecam a dimensao real do problema" (pesquisadora C)

Com relacao ao envolvimento da comunidade no processo de avaliacao e gerenciamento de risco, observou-se que ele foi motivado, principalmente, pelos problemas de saude que parte da comunidade enfrenta e associa a contaminacao por chumbo. Neste sentido, uma associacao foi criada com o objetivo de mobilizar as pessoas em torno de um projeto politico comum: o direito ao reconhecimento das vitimas por contaminacao por chumbo, a reparacao financeira e previdenciaria, ao atendimento medico especializado e a reparacao ambiental do municipio, o que inclui acoes de descontaminacao e intervencao.

"Em 2000, conheci dois deputados que faziam parte da comissao de meio ambiente e tinham os trabalhos dos pesquisadores. Fizemos audiencia publica... e achamos que tinhamos que montar uma associacao" (morador e ex-funcionario B)

"Hoje a Avicca conta com 1,2 mil associados, mas queremos chegar a cinco mil pessoas, queremos cadastrar todas as vitimas.... Estamos estudando uma acao contra o governo.... Nossa luta e que a contaminacao por chumbo nao e reconhecida como doenca ocupacional" (morador e presidente da Avicca)

A associacao das vitimas tem atuado no sentido de cobrar e exercer pressao politica para que algo seja feito, inclusive no nivel federal, ja que seu presidente esteve reunido com o Presidente da Republica, em agosto de 2005, para entregar um relatorio e exigir maior atencao ao municipio. A atuacao da associacao, porem, e limitada ao acesso a informacoes e a consulta (tambem limitada, ja que as autoridades definem, previamente, os assuntos nos quais as opinioes dos cidadaos seriam solicitadas). Nos depoimentos colhidos, observa-se que a associacao das vitimas busca um espaco maior e se reconhece como um ator importante no processo de remediacao do problema.

"Tudo que for fazer sou a favor, ajudaria, mas nao quero que descartem a saude. Os orgaos tentaram impor o que querem, nao querem ouvir o que queremos. Nao queremos que cheguem aqui e coloquem a tinta que querem. Nao vamos mais aceitar de cabeca baixa. Temos que estudar, ter parametros, conhecer leis para contestar. O papel da Avicca e fundamental" (morador e presidente da Avicca)

A falta de conscientizacao do problema e a propria questao cultural, que estaria associada a uma falta de vontade da comunidade em lutar, foram apontadas por uma entrevistada como pontos relevantes no pouco engajamento dos moradores no processo de gerenciamento do risco.

"O problema de Santo Amaro e a letargia social, a falta de acao social (...) Falta conscientizacao do problema. Isso e uma heranca tragica do sentimento de servilismo...." (moradora e exvereadora D)

Discussao

Os dois casos estudados mostram que a pratica da comunicacao e condicao necessaria para informar e integrar o publico no processo de solucao das situacoes de riscos e para construir uma atmosfera de confianca entre os atores sociais envolvidos no enfrentamento. Apesar disso, esse processo comunicativo ainda ocorre pouco e com dificuldades, prejudicando o dialogo e a parceria entre quem avalia os riscos e aqueles que os vivenciam.

No caso de Adrianopolis, houve uma preocupacao em como abordar a comunidade, informa-la sobre a realizacao dos estudos, obter o consentimento para a coleta de amostras e retornar os resultados obtidos. Entretanto, nao houve um plano pre-estabelecido que conjugasse todos essas necessidades e que ainda envolvesse a divulgacao dos dados para a midia e para outros orgaos governamentais, no caso a Secretaria de Saude do Estado do Parana.

Os pesquisadores, segundo os relatos, foram surpreendidos pela divulgacao midiatica sobre o problema da contaminacao por chumbo em Adrianopolis (a divulgacao, naquele momento, foi motivada por uma denuncia de um politico local e embasada em dados parciais divulgados por outro grupo de pesquisa) e pelos efeitos adversos resultantes da exposicao dessas informacoes na midia local, regional e nacional.

O que aconteceu posteriormente, como a estigmatizacao do local e das pessoas e a quebra de confianca na relacao entre pesquisadores e comunidade, pesou fortemente para que esses pesquisadores admitissem a necessidade de um plano de comunicacao de risco, antes mesmo de dar inicio aos estudos, e de contar com um profissional especializado no assunto dentro da equipe em pesquisas futuras.

Em Santo Amaro da Purificacao, a situacao nao foi muito distinta, como relatam alguns entrevistados. As estrategias de comunicacao de risco -- limitadas a abordagem da comunidade, obtencao de consentimento e retorno dos resultados -- variaram em funcao dos estudos realizados e dos grupos de pesquisas envolvidos (alguns grupos se sensibilizaram para esta questao, outros nao).

Entretanto, os depoimentos dos moradores evidenciam que ha necessidade de mais divulgacao e debate sobre o problema, mostrando que a comunicacao de risco, entendida como um dialogo de mao dupla no qual peritos e publico discutem o problema em pe de igualdade, colocando abertamente suas preocupacoes e anseios, ainda nao e uma pratica corrente.

Ao atentar para a questao da comunicacao de risco e importante fazer uma ressalva: esse processo comunicativo esta diretamente relacionado aos diversos fatores psicologicos, economicos, culturais, sociais e politicos que estao envolvidos nas percepcoes e atitudes das pessoas frente aos perigos e problemas que enfrentam (26). As estrategias de abertura de dialogo e os seus desdobramentos sao afetados diretamente por esses fatores. Neste sentido, e preciso pensar nas diferencas das duas comunidades envolvidas nestas situacoes de risco.

Adrianopolis e um municipio pequeno, com menos de sete mil habitantes, encravado no Vale do Ribeira e que teve uma importancia economica no seculo passado devido as atividades de mineracao. Santo Amaro da Purificacao tem cerca de 60 mil habitantes e uma importancia historica e cultural destacada no cenario baiano. Ja no passado sua vocacao agricola, com destaque para o cultivo da cana-de-acucar, colocava o municipio em posicao de destaque no Reconcavo Baiano.

Como noticiou o jornal paranaense Gazeta do Povo, em 10/01/2005, numa comparacao entre essas duas localidades, a cidade paranaense "sofre no ostracismo as sequelas deixadas pela mesma mineradora. Talvez porque Adrianopolis nao tenha um filho ilustre para cantar as dores de seus conterraneos", numa referencia a com posicao de Caetano Veloso sobre as dores de quem foi contaminado pelo chumbo em sua cidade natal.

A comparacao do jornalista mostra que, de fato, nestas situacoes de risco os fatores economicos, culturais, politicos e sociais vigentes em cada comunidade tem forte peso e podem contribuir para atrair ou nao a atencao publica e a politica para o problema e para a maior vulnerabilidade de uns do que de outros.

No processo de engajamento das comunidades, cujos interesses estao diretamente relacionados as decisoes que serao tomadas no gerenciamento do risco, pesam tambem os efeitos (sociais, economicos e, sobretudo, na qualidade de vida) que esses individuos tem sentido devido a exposicao ambiental e humana ao chumbo. Nos dois municipios, os efeitos economicos sao fortes. Ja os efeitos na saude foram e continuam sendo mais sentidos na populacao de Santo Amaro da Purificacao, devido a maior gravidade e extensao da exposicao.

A maioria dos esforcos relacionados a pratica da comunicacao de risco, colocados em pratica pelos grupos de pesquisadores em cada localidade, foi valida, mas nao obteve o sucesso esperado, no sentido de envolver orientacoes e ferramentas estrategicas para que cientistas, governantes, tecnicos e comunicadores soubessem como construir uma atmosfera de confianca com todos os atores sociais envolvidos no gerenciamento de risco. Isso porque tais esforcos falharam em considerar tambem que os individuos, mesmo quando vivem em areas consideradas de risco, tem forte apego ao local onde moram e que o ambiente onde estas pessoas nasceram e cresceram e de fundamental importancia para a construcao e a continuidade de suas identidades (27).

Ha tambem outro fator relevante no processo de comunicacao de risco que, consciente ou inconscientemente, e pouco considerado pelos peritos e pesquisadores: a necessidade de reconhecer que aquelas pessoas que vivenciam de fato o risco tambem possuem seu proprio conhecimento sobre os problemas que as atingem e que, portanto, o dialogo com elas tem de ser permeado pela premissa de que o conhecimento leigo nao e irracional e que julgamentos de valor estao presentes em todas as fases do processo de gestao de riscos, dividindo tambem os peritos (2).

Se isso nao e reconhecido, a participacao publica no gerenciamento do risco e afetada, prejudicando que o processo decisorio seja coletivo e que o poder da sociedade seja respeitado. A propria separacao entre o conhecimento tido como tecnico ou especializado do chamado conhecimento leigo tende a legitimar a autonomia dos cientistas e dos especialistas na tomada de decisoes sobre assuntos considerados "de especialidade", ao mesmo tempo que remete o cidadao para um espaco de silencio, atribuindo-lhe o estatuto de mero observador e consumidor da ciencia (13).

Esse pensamento esta longe do que propoe a pratica da governanca do risco, que considera que o processo decisorio deve ser coletivo, respeitando-se o poder da sociedade.

Nos dois casos estudados, ao analisar a questao da governanca do risco, nota-se a validade da hipotese de que os modelos associativos, representados atraves de movimentos sociais e associacoes, podem contribuir ativamente para a producao de conhecimento e para as decisoes que sao tomadas e que constituem, portanto, atores fundamentais neste novo arranjo institucional.

No caso de Adrianopolis, nao havia nenhuma associacao reconhecida que tenha sido citada pelos entrevistados e que atuasse de forma organizada, motivada por um projeto politico comum. A ausencia de um movimento associativo pode ter sido um fator que colaborou para que a comunidade nao tivesse voz ativa e nao participasse do processo de gerenciamento de risco.

No caso de Santo Amaro da Purificacao, a atuacao da Avicca, especialmente, tem exercido pressao politica e tem tido importancia para que as discussoes sobre o gerenciamento do risco nao fiquem apenas nas maos dos tecnicos e dos governantes. Todavia, e necessario reconhecer que a atuacao desse modelo associativo ainda e pequena e que este representa os interesses de um grupo limitado (ex-trabalhadores e aqueles que se consideram vitimas da contaminacao). A atuacao da Avicca esta limitada a uma participacao institucional, ja que a associacao e convidada oficialmente a participar das reunioes realizadas pelo governo baiano, como representante da sociedade civil, e, pelo menos teoricamente, tem seus desejos ouvidos e respeitados. O envolvimento da associacao estaria limitado, assim, ao acesso a informacao e a consulta publica; mas ainda estaria longe da participacao publica, que envolve decisoes que sao tomadas conjuntamente entre tomadores de decisao e comunidade e onde o dialogo e a negociacao entre os atores sociais servem tambem para transformar as opinioes de representantes do publico e dos orgaos oficiais (28).

Consideracoes finais

A analise dos dois casos brasileiros evidencia que a abertura do dialogo e do processo decisorio, nestas situacoes de risco por contaminacao, caminha a passos curtos, apesar da evidente necessidade de se reconhecer que, dadas as caracteristicas comuns quanto aos problemas relacionados ao risco e ao meio ambiente, e preciso colocar em pratica uma nova estrategia de resolucao de tais problemas, que considere o envolvimento do publico leigo no dialogo, sua influencia na pauta dos temas a debater e seu poder nas decisoes a serem tomadas.

As limitacoes da ciencia, as influencias subjetivas no processo de avaliacao de risco, as controversias existentes sobre as acoes de manejo (geralmente mascaradas e pouco difundidas) e a importancia de se estabelecer uma relacao de confianca entre os atores envolvidos no enfrentamento do risco apontam para a importancia de envolver as comunidades, cujos interesses sao direta e indiretamente afetados pelas decisoes na estruturacao e na elaboracao das acoes quanto ao gerenciamento do risco.

Para que isso ocorra, como mostraram os dois casos, e preciso abrir o dialogo e o processo decisorio e, portanto, colocar em pratica uma comunicacao de risco que de fato considere os elementos sociais, culturais e economicos envolvidos, parta do pressuposto de que aquelas pessoas afetadas pelas decisoes devem estar envolvidas no processo de sugestoes e escolhas de alternativas e instaure uma estrategia aberta e coletiva de producao de conhecimento.

A analise dos resultados tambem valida a hipotese de que os modelos associativos (formados por integrantes da sociedade civil) cumprem papel relevante na promocao efetiva da participacao publica no gerenciamento do risco e, portanto, sao atores sociais importantes na governanca do risco.

Ao comparar os dois casos estudados, e possivel verificar que ha diferencas quanto ao envolvimento e participacao daqueles individuos cujos interesses sao afetados diretamente pelas decisoes que sao tomadas com relacao ao manejo do risco. O envolvimento da comunidade de Santo Amaro da Purificacao e maior e a populacao comeca a ser ouvida, mesmo que de forma limitada, no processo de discussao e de escolha de acoes, resultado tambem da mobilizacao e da atuacao de modelos associativos como a Avicca.

Colaboradores

GM Di Giulio e responsavel pela conducao teorica e metodologica da pesquisa e trabalhou na elaboracao e na redacao final do texto; BR Figueiredo e LC Ferreira trabalharam na orientacao e discussao teorica e metodologica da pesquisa, bem como na elaboracao e redacao final do texto; JASA dos Anjos trabalhou na orientacao e acompanhamento dos trabalhos de campo e na revisao critica do texto.

Agradecimentos

Os autores agradecem o apoio financeiro da Fundacao de Amparo a Pesquisa do Estado de Sao Paulo (FAPESP), da Coordenacao de Aperfeicoamento de Pessoal de Nivel Superior (CAPES) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnologico (CNPq).

Artigo apresentado em 23/05/2010

Aprovado em 13/08/2010

Versao final apresentada em 29/08/2010

Referencias

(1.) Alcantara CH. Usos y abusos del concepto de gobernabilidad, 1998. International Social Science Journal, no 155. Unesco. [acessado 2008 jul 9]. Disponivel em: http://www.diba.es/fl/fitxers/pf-050.pdf

(2.) Guivant JS. A governanca dos riscos e os desafios para a redefinicao da arena publica do Brasil. In: Ciencia, Tecnologia + Sociedade -- Novos Modelos de Governanca. Brasilia, 06 a 11 de dezembro de 2004. [Documento da Internet] [acessado 2008 out 1]. Disponivel em: http://www.iris.ufsc.br/pdf/ A%20governa%5B1%5D...pdf

(3.) Jasanoff S, Martello ML, organizadores. Earthly Politics: local and global in Environmental Governance. Massachusetts; MIT Press; 2004.

(4.) Gaudin JP. A governanca moderna, ontem e hoje: alguns esclarecimentos a partir das politicas publicas francesas. In: Curso de Gestao Urbana das Cidades. 14 a 26 de maio de 2001. Belo Horizonte/MG: EG/FJP, WBI, LILP, ESAF, IPEA. [Documento da Internet] [acessado 2008 out 1]. Disponivel em: http://www.eg.fjp.mg.gov.br/gestaourbana/arquivos/ abertura/ab1.htm

(5.) Renn O. Risk governance: coping with uncertainty in a complex world. London: Earthscan; 2008.

(6.) Horlick-Jones T, Sime J, Pidgeon N. The social dynamics of environmental risk perception: implications for risk communication and practice. In: Pidgeon N, Kasperson RE, Slovic P. The Social Amplification of Risk. Cambridge: Cambridge University Press; 2003. p. 262-285.

(7.) Renn O. Social amplification of risk in participation: two case studies. In: Pidgeon N, Kasperson RE, Slovic P. The Social Amplification of Risk. Cambridge: Cambridge University Press; 2003. p. 374-401.

(8.) Kasperson RE, Ren O, Slovic P, Brown HS, Emel J, Goble R, Kasperson JX, Ratick S. The social amplification of risk: a conceptual framework. In: Kasperson JX, Kasperson RE. The social contours of risk: publics, risk communication and the social amplification of risk. London: Earthscan; 2005. p.99-114.

(9.) Funtowicz S, Ravetz J. Ciencia pos-normal e comunidades ampliadas de pares face aos desafios ambientais. Hist Cienc Saude-Manguinhos 1997; 4(2):219-230.

(10.) Di Giulio GM. Divulgacao cientifica e comunicacao de risco: um olhar sobre Adrianopolis, Vale do Ribeira [dissertacao]. Campinas (SP): Instituto de Geociencias, Unicamp; 2006.

(11.) Di Giulio GM, Pereira NM, Figueiredo BR. Lead contamination, the media and risk communication: a case study from the Ribeira Valley, Brazil. In: Liverman DGE, Pereira C, Marker B, organizadores. Communicating Environmental Geoscience. London: Geological Society Special Publications; 2008. v. 305, p. 63-74.

(12.) Di Giulio GM, Pereira NM, Figueiredo BR. O papel da midia na construcao social do risco: o caso Adrianopolis, no Vale do Ribeira. Historia, Ciencias, Saude -- Manguinhos 2008; 15(2):293-311.

(13.) Santos BS, organizador. Semear outras solucoes -- os caminhos da biodiversidade e dos conhecimentos rivais. Rio de Janeiro; Civilizacao Brasileira: 2005.

(14.) Dagnino E, Olvera AJ, Panfichi A. organizadores. Para uma outra leitura da disputa pela construcao democratica na America Latina. In: Dagnino E, Olvera AJ, Panfichi A, organizadores. A Disputa pela Construcao Democratica na America Latina. Sao Paulo: Paz e Terra; 2005. p. 13-91.

(15.) Ashford NA, Rest KM. Public participation in contaminated communities. Center for Technology, Policy and Industrial Development. Cambridge: Massachusetts Institute of Technology; 1999. [Documento da Internet] [acessado 2008 ago 6]. Disponivel em: http://web.mit.edu/ctpid/www/tl/TL-pub-PPCC. html#ab

(16.) Atkinson R, Flint J. Accessing hidden and hard-toreach populations: snowball research strategies. Guildord (UK): Social Research Update no 33; 2001.

(17.) Goffman E. Estigma: notas sobre a manipulacao da identidade deteriorada. Rio de Janeiro: Zahar Editores; 1982.

(18.) Ferreira LC. Os fantasmas do vale: qualidade ambiental e cidadania. Campinas: Editora da Unicamp; 2003.

(19.) Paolielo MMB, Capitani EM, Cunha FG, Matsuo T, Carvalho MF, Sakuma A, Figueiredo BR. Exposure of children to lead and cadmium from a mining area of Brazil. Environmental Research 2002; 88(2):120-128.

(20.) Paoliello MMB, Capitani EM, Cunha FG, Carvalho MF, Matsuo T, Sakuma A, Figueiredo BR. Determinants of blood lead levels in an adult population from a mining area in Brazil. Journal de Physique IV 2003; 107(1):127-130.

(21.) Cunha FG, Figueiredo BR, Paoliello MMB, De Cap itani EM, Sakuma AM. Human and environmental lead contamination in the Upper Ribeira Valley, southeastern Brazil. Terrae 2005; 2(1-2):28-36.

(22.) Lammoglia T, Figueiredo BR, Sakuma AM, Buzzo ML, Okada IA, Kira CS. Lead in food and soil from a mining area in Brazil and human exposure. In: Chinese Journal of Geochemistry 2006; Supplementary Issue dedicated to the 7th International Symposium on Environmental Geochemistry, Beijing:66.

(23.) Carvalho FM, Silvany Neto AM, Tavares TM, Costa ACA, Chaves CDR, Nascimento LD, Reis MA. Chumbo no sangue de criancas e passivo ambiental de uma fundicao de chumbo no Brasil. Revista Panam Salud Publica 2003; 13(1):19-23.

(24.) Dos Anjos JASA. Avaliacao da eficiencia de uma zona alagadica (wetland) no controle da poluicao por metais pesados: o caso da Plumbum em Santo Amaro da Purificacao/BA [tese]. Sao Paulo (SP): Escola Politecnica, USP; 2003.

(25.) Brasil. Ministerio da Saude (MS). Avaliacao de risco a saude humana por metais pesados -- Santo Amaro da Purificacao -- Bahia. Brasilia: Ministerio da Saude (MS); 2003. [Documento da Internet] [acessado 2008 jun 18]. Disponivel em: http://portal.saude. gov.br/portal/arquivos/pdf/cap1_introducao.pdf

(26.) Pidgeon N, Kasperson RE, Slovic P, organizadores. The Social Amplification of Risk. Cambridge: Cambridge University Press; 2003.

(27.) Herber MW. Underlying concerns in land-use conflicts --the role of place-identity in risk percepetion. Environmental Science & Policy 2004; 7(2):109-116.

(28.) Rowe G, Frewer LJ. Evaluating Public Participation Exercises: A Research Agenda. Science, Technology & Human Values 2004; 29(4):512-556.

Gabriela Marques Di Giulio [1]

Bernardino Ribeiro Figueiredo [1]

Lucia da Costa Ferreira [1]

Jose Angelo Sebastiao Araujo Dos Anjos [2]

[1] Nucleo de Estudos e Pesquisas Ambientais, Universidade Estadual de Campinas. Rua dos Flamboyants 155, Cidade Universitaria Zeferino Vaz. 13083-867 Campinas SP. gabrieladigiulio@yahoo.com.br

[2] Universidade de Salvador
Quadro 1. Entrevistados -- Caso Adrianopolis (entrevistas realizadas em
2006)

Grupos                            Entrevistados

Comunidade       - Diretora de escola, acompanhou de perto as
                 pesquisas realizadas na regiao
                 - Professor, tambem acompanhou de perto os estudos
                 - Morador e ex-funcionario da Plumbum A - VR (que
                 trabalhou como feitor na Plumbum entre 1951 e 1979
                 e morador da Vila Mota ha 25 anos)
                 - Morador e ex-funcionario da Plumbum B - VR
                 (trabalhou na mina de 1973 a 1981 e no forno de
                 fundicao de 1985 a 1995

Autoridades ou   - Vice-prefeito de Adrianopolis em 2006, prefeito
funcionarios     eleito em 2008
de orgaos        - Secretario local da saude
publicos         - Vereador
(municipais e    - Secretario local de meio ambiente e agricultura
estaduais)       - Ex-vice-prefeito de Adrianopolis
                 Obs: Estas pessoas ocupavam os respectivos cargos em
                 2006, quando foram realizadas as entrevistas. Com
                 excecao do secretario de saude, todos residiam ha
                 mais de duas decadas no municipio e acompanharam o
                 apogeu e o fechamento da Plumbum, bem como a
                 realizacao das pesquisas na regiao. Em uma nova
                 visita a Adrianopolis, em 2008, foi realizada uma
                 reuniao com o atual prefeito que, em 2006, ocupava o
                 cargo de vice, e seus assessores.
                 - Tecnologo da Secretaria Estadual de Saude
                 - Medica da Divisao de Zoonoses e Intoxicacao da
                 Secretaria Estadual de Saude
                 - Biologa, chefe da Divisao de Zoonoses e
                 Intoxicacao da Secretaria Estadual de Saude
                 Obs: Os tres profissionais acompanharam os estudos
                 feitos na regiao e estiveram envolvidos numa
                 avaliacao de risco realizada em Adrianopolis pela
                 Secretaria Estadual de Saude. Uma nova reuniao com
                 esses profissionais foi realizada em 2008.

Jornalistas      - Jornalista A - VR (trabalhava no jornal Gazeta do
                 Povo em 2001, cobrindo as areas de saude e geral.
                 Reside atualmente nos Estados Unidos e ja foi
                 laureado com o Premio Esso de Reportagem)
                 - Jornalista B - VR (trabalhava no jornal Folha de
                 Londrina em 2001, cobrindo a area de geral. E mestre
                 em sociologia, doutor em ciencias politicas e
                 atualmente e professor de uma universidade)
                 - Jornalista C (trabalhava no jornal Gazeta do Povo
                 em 2001, produzindo materias sobre a area de saude.
                 Hoje e empresario na area de comunicacao
                 social - assessoria de imprensa)

Pesquisadores    - Geologo A (SGB/CPRM)
(meio            - Geologo B (SGB/CPRM)
ambiente e       - Geologa (SGB/CPRM)
saude)           Obs: Os tres geologos trabalham no Servico Geologico
                 do Brasil (SGB/CPRM) e participaram dos estudos
                 desenvolvidos pela Unicamp na regiao
                 - Toxicologista, da Universidade Estadual de
                 Londrina (fez sua tese de doutorado sobre avaliacao
                 e exposicao humana ao chumbo no Vale do Ribeira)
                 - Quimica, do Instituto Adolfo Lutz (fez sua tese de
                 doutorado tambem sobre avaliacao e exposicao ao
                 chumbo no Vale do Ribeira)
                 - Medico, professor da FCM-Unicamp

Quadro 2. Entrevistados -- Caso Santo Amaro da Purificacao, BA
(entrevistas realizadas em 2008)

Grupos                               Entrevistados

Comunidade       - Morador, ex-funcionario e presidente da Avicca
                 (trabalhou como mecanico de manutencao da empresa,
                 entre maio de 1993 e dezembro de 1993; morou durante
                 18 anos ha 50 metros da fabrica; e presidente da
                 Avicca ha cinco anos)
                 - Morador e ex-funcionario A - SA (aposentado, ocupa
                 o cargo de coordenador administrativo da Avicca e
                 integra os conselhos do idoso, meio ambiente e
                 defesa civil, saude e seguranca da cidade; atuou na
                 Cobrac de 26/07/1960 a 11/09/1965 e ocupou os
                 seguintes cargos: auxiliar de contabilidade,
                 auxiliar de setor pessoal, auxiliar de almoxarifado
                 e controlador de custo)
                 - Morador e ex-funcionario B - SA (aposentado,
                 trabalhou de 1971 a 1990 como tecnico em laboratorio
                 na Cobrac; fundou a Avicca mas atualmente nao e
                 membro da associacao; e uma das liderancas da
                 cidade; disse fazer parte do "Senado", especie de
                 grupo de aposentados da cidade que se reunem na
                 praca para conversar, entre outros assuntos, sobre
                 os problemas da cidade; quer formar um novo nucleo
                 de assistencias as vitimas de Santo Amaro)
                 - Morador C (aposentado, nasceu em Santo Amaro, mora
                 atualmente com a mae, personalidade importante da
                 cidade e nacionalmente conhecida)
                 - Moradora e ex-vereadora D (e professora, dirige
                 atualmente o Teatro de D. Cano, foi vereadora da
                 cidade entre 1996 e 2000 e foi presidente do
                 movimento de luta pela defesa do rio Subae)

Autoridades      - Autoridade A (biologa, coordenadora de meio
federais e       ambiente, e funcionaria da Secretaria de Ciencia e
estaduais e      Tecnologia do governo estadual da Bahia; durante a
funcionarios     pesquisa de campo era a responsavel pelo projeto
de orgaos        para a descontaminacao de Santo Amaro da
publicos         Purificacao)
                 - Autoridade B (e quimico, coordenou o projeto de
                 avaliacao de risco em Santo Amaro da Purificacao, em
                 2001, apos sua empresa ter vencido a concorrencia
                 para testar em cinco areas brasileiras a metodologia
                 da ATSDR; sua empresa esta no mercado desde 1992 e
                 tem duas areas de atuacao: engenharia de tratamento
                 de areas subterraneas e estudos ambientais,
                 incluindo estudos de avaliacao de risco)

Jornalistas      - Jornalista A - SA (e jornalista e professor
                 aposentado da UFBA; escreveu reportagem sobre o caso
                 em 1977; tem acompanhado o caso desde entao e
                 disponibiliza, na sua homepage, diversas noticias
                 sobre o caso. Atuou tambem como deputado estadual)
                 - Jornalista B - SA (atua na area ha 14 anos,
                 trabalha com meio ambiente preferencialmente, mas
                 tambem produz noticias sobre outros assuntos;
                 produziu noticias sobre o caso em 2005; uma de suas
                 materias sobre Santo Amaro foi ganhadora de premio)

Pesquisadores    - Pesquisador A (e medico, pesquisador e professor
(meio ambiente   da UFBA e desenvolve pesquisas em Santo Amaro da
e saude)         Purificacao desde a decada de 1970)
                 - Pesquisadora B (e quimica e professora do CEFET de
                 Santo Amaro da Purificacao, desenvolve pesquisa
                 sobre a contaminacao e reside atualmente na cidade)
                 - Pesquisadora C (e nutricionista e professora da
                 UFBA, fez pesquisa sobre a contaminacao em Santo
                 Amaro da Purificacao avaliando risco a saude humana
                 atraves da ingestao de alimentos)
                 - Pesquisador D (e engenheiro civil e professor da
                 UFBA, trabalhou no projeto Purifica e atualmente faz
                 parte da comissao cientifica do projeto de
                 descontaminacao da Secretaria de Ciencia e
                 Tecnologia da Bahia)
                 - Pesquisador E (e pesquisador e coordenador de
                 curso de engenharia e tecnologia da Unifacs,
                 desenvolveu dissertacao e tese de doutorado sobre o
                 problema da contaminacao por chumbo; ajudou no
                 delineamento desta pesquisa)
COPYRIGHT 2012 Associacao Brasileira de Pos-Graduacao em Saude Coletiva - ABRASCO
No portion of this article can be reproduced without the express written permission from the copyright holder.
Copyright 2012 Gale, Cengage Learning. All rights reserved.

Article Details
Printer friendly Cite/link Email Feedback
Author:Di Giulio, Gabriela Marques; Figueiredo, Bernardino Ribeiro; Ferreira, Lucia da Costa; Anjos, Jose A
Publication:Ciencia & Saude Coletiva
Article Type:Perspectiva general de la enferm
Date:Feb 1, 2012
Words:8501
Previous Article:Amianto, perigo e invisibilidade: percepcao de riscos ambientais e a saude de moradores do municipio de Bom Jesus da Serra/Bahia.
Next Article:Subsidios sobre praticas de monitoramento e avaliacao sobre gestao governamental em Secretarias Municipais de Saude.
Topics:

Terms of use | Privacy policy | Copyright © 2019 Farlex, Inc. | Feedback | For webmasters