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Expectativas escolares e profissionais de adolescentes gravidas envolvidas com bullying.

1--Introducao

Faisal-Cury e Menezes (2008) afirmam que os adolescentes constituem um grupo diferenciado de pacientes, considerando o aspecto obstetrico-ginecologico, sendo a adolescencia dividida em duas fases: inicial (10 - 15 anos) e final (15 - 19 anos). Por outro lado, a definicao de adolescencia, segundo o Estatuto da Crianca e Adolescente (BRASIL, 1990), e o periodo que compreende a faixa etaria de 12 a 18 anos. Considerando a area de saude, a delimitacao de necessidades dos jovens tem se apoiado em uma definicao de adolescencia de base etaria (10 aos 19 anos). Esta faixa etaria caracterizada por grandes transformacoes fisicas, psicologicas e sociais (WHO, 1986). A adolescencia representa um periodo da vida cujo desenvolvimento torna o individuo apto a perpetuacao e reproducao da especie. Como o desenvolvimento psiquico ocorre apos o organico, a adolescente pode chegar aos ciclos ovulatorios que indicam a maturidade organica para a reproducao, passando a apresentar corpo de mulher jovem e fertil, sem ainda ter amadurecimento emocional para administra-lo (BERLOFI et al., 2006).

A gravidez durante o periodo de adolescencia afeta de forma transversal todas as nacoes mundiais, verificando-se frequencia de incidencia muito variaveis. Ao longo da historia foi comum o casamento e o parto em idades abaixo dos 15 anos (METELLO et al., 2008). Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE, 1999) mostram que a taxa de fecundidade no grupo de mulheres entre 15 e 19 anos apresentou aumento de 26% entre os anos 1970 e 1991, maior quando comparadas com as mulheres de 20 e mais anos de idade. No mesmo periodo, a taxa de fecundidade entre adolescentes de 10 a 14 anos foi duplicada, enquanto que a fecundidade de mulheres adultas apresentou uma curva decrescente sistematica e significativa. Dados do DATASUS, do periodo de 1994 a 1997, continuaram mostrando esta tendencia, com a taxa de fecundidade aumentando de 2,0 para 3,2 em cada mil jovens entre 10 e 14 anos, e de 62,2 para 79,3 em jovens de 15 a 19 anos (MINISTERIO DA SAUDE, 2000). Em 2000, dos 2,5 milhoes de partos realizados nos hospitais publicos do pais, 689 mil foram de adolescentes com menos de 20 anos de idade, em sua maioria pertencente as camadas populares. A literatura tambem revela que e maior o predominio de gravidez nao planejada/nao desejada, entre maes adolescentes, como tambem um fraco vinculo entre mae e bebe no periodo pre-natal (FREITAS; BODEGA, 2002). Michelazzo et al. (2004) realizaram estudo em Ribeirao Preto e observaram aumento do numero de partos entre adolescentes, sendo a maioria normal. Tanto a proporcao de partos pelo SUS quanto a proporcao de partos vaginais foi maior entre a populacao de adolescentes. Houve predominio de adolescentes com atividades no lar e sem remuneracao. Recomendaram, assim, medidas para prevencao de gestacao na adolescencia, com enfase a populacao mais carente.

Esse periodo da vida, estruturado pela classe social, e vivenciado diferenciadamente pelo adolescente e pela adolescente. Relacoes de genero tambem impoem padroes comportamentais que cada um deve cumprir. Com as mudancas sociais ocorridas nas ultimas decadas, principalmente o aumento da escolaridade, espera-se que as mulheres nao sejam apenas boas esposas e maes, mas que tambem se qualifiquem e tenham uma carreira profissional (ALMEIDA, 2002).

Dentre os fatores que determinam a saida da adolescente da escola, antes do nascimento do filho estao o constrangimento e as pressoes de diretores, professores, colegas e pais de colegas. A Organizacao Pan-Americana de Saude (OPAS) afirma que a gravidez na adolescencia e uma porta de entrada para a pobreza, pois leva a diminuicao do leque de possibilidades sociais e economicas, inclusive em termos do acesso a escola (BARALDI et al., 2007). Cerqueira-Santos (2010) relata que os jovens com bons niveis de desempenho escolar e aspiracoes academicas tem maior probabilidade de adiar a sua iniciacao sexual e buscar meios contraceptivos, assim como, em recorrer um aborto, no caso de engravidarem.

Stevenson, Maton e Teti (1998) sugerem que a evasao escolar, nos Estados Unidos, estaria fortemente associada a fatores sociais e a caracteristicas individuais, como suporte emocional e psicologico. Ainda, o estudo realizado revelou que as adolescentes gravidas mostraram-se estimuladas a continuarem os estudos durante o periodo gestacional, reconhecendo a importancia do mesmo. Em um estudo realizado em 180 instituicoes de ensino publico da Colombia, foi verificada desistencia 8 vezes maior em adolescentes gravidas quando comparadas as demais adolescentes. Considerando que o risco de abandono como resultado de gravidez e maior na escola entre as idades de 12 e 15 anos, os autores recomendam que devem ser incentivados esforcos de prevencao da gravidez, principalmente nos graus mais baixos de ensino medio com a intencao de aumentar academica e social oportunidades no grupo de jovens (OSORIO; HERNANDEZ, 2011). De acordo com Bhana et al. (2010), em estudo realizado na Africa do Sul, as atitudes e praticas dos professores tem influencia sobre a permanencia das adolescentes gravidas na escola. De acordo com os autores, a gravidez na adolescencia corresponde a um problema social, que pode implicar em efeitos negativos e destrutivos da vida academica das alunas.

A impressao que se tem quando se fala em violencia e que esta relacionada a agressao fisica por meio de um ato presencial. Mas o conceito e muito mais abrangente. Violencia engloba a agressao moral, a ofensa verbal, seja ela escrita ou falada, e ate mesmo atitudes que nao erradicam uma briga, mas que doem nos ouvidos e na consciencia de quem a recebe. A violencia, segundo Michaud (1989), ocorre quando um ou mais atores sociais causam danos a uma ou mais pessoas. Ainda, constiutem atos de violencia aquelas cometidas contra a integridade fisica ou moral, em posse ou participacao simbolica e cultural. Esse conceito diz respeito a uma violencia marcada abstratamente, sem incluir ai a parte fisica. Mas se faz importante tambem discutir um pouco sobre a violencia que fere a integridade fisica, ja que ela e a forma mais concreta do que se chama violencia e agressividade.

Embora as diversas formas de intimidacao sejam recorrentes a muito tempo, artigos cientificos e estudos sistematizados relacionados ao tema sao relativamente recentes, sendo as publicacoes nacionais raras. Sabe-se que o bullying e um tema muito discutido na Noruega (OLWEUS, 1991), Portugal (ALMEIDA; LISBOA; CAURCEL, 2007; FREIRE; SIMAO; FERREIRA, 2006; PEREIRA, 2002), Espanha (RAMIREZ, 2001) e nos Estados Unidos (VALLES JUNIOR, 2007).

No Brasil, o interesse pelo estudo do bullying e mais recente, requerendo esforcos para que se possa compreende-lo e propor intervencoes mais articuladas com a realidade do pais. Como importantes referencias, vale mencionar Fante (2003, 2005) que realizou estudos de caracterizacao de bullying em cidades do interior do estado de Sao Paulo-SP e Lopes Neto (2005) que junto da Associacao Brasileira de Protecao a Infancia e a Adolescencia (ABRAPIA), desenvolveu o Programa de Reducao do Comportamento Agressivo entre Estudantes, com mais de 5.500 alunos de 5a a 8a series do Ensino Fundamental, na cidade do Rio de Janeiro-RJ, ao investigar as caracteristicas de tais atos, alem de sistematizar estrategias para intervir e reduzir a agressividade entre os escolares; Mascarenhas (2006) que trabalhou com uma amostra de 300 sujeitos de diferentes turmas de Ensino Fundamental e Medio, Educacao de Jovens e Adultos, alem de professores, em uma investigacao-acao na zona urbana de Porto Velho-RO, e que apontou a necessidade de medidas preventivas frente a gestao institucional do bullying e da indisciplina. Conforme Fante (2003, 2005) e Lopes Neto (2005) os praticantes do bullying sao conhecidos como autores agressores. Os alvos, as pessoas vitimizadas, geralmente sofrem as consequencias do bullying e, na maioria das vezes sao descritas como pouco sociaveis, inseguras, possuindo baixa auto-estima, quietas e que nao reagem efetivamente aos atos de agressividade sofridos. De acordo com Lopes Neto (2005), Pizarro e Jimenez (2007) e Ramirez (2001) as testemunhas nao participam diretamente em atos de bullying e geralmente se calam, por receio de tornarem-se as proximas vitimas.

De acordo com a Associacao Brasileira Multiprofissional de Protecao a Infancia e a Adolescencia (ABRAPIA, 2010), bullying compreende diversas formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas adotadas por um ou mais estudantes contra outro(s), causando dor e angustia, e executadas dentro de uma relacao desigual de poder. Como nao existem vocabulos na lingua portuguesa capazes de expressar as situacoes de bullying possiveis, podem ser citadas algumas acoes relacionadas, como: colocar apelidos, ofender, zoar, gozar, encarnar, sacanear, humilhar, fazer sofrer, discriminar, excluir, isolar, ignorar, intimidar, perseguir, assediar, aterrorizar, amedrontar, tiranizar, dominar, agredir, bater, chutar, empurrar, ferir, roubar e quebrar pertences.

Lehti et al. (2011) realizaram um trabalho que visava verificar a existencia de associacao entre o envolvimento em bullying aos 8 anos de idade e a ocorrencia de gravidez antes do 20 anos. A pesquisa, realizada na Finlandia, consistiu no acompanhamento de 2500 criancas do genero feminino desde 1989 ate 2001, sendo verificado se a crianca, aos 8 anos, promoveu (agressor) ou sofreu (vitima) bullying, e se, aos 20 anos de idade, ela tinha engravidado. Para a analise estatistica, foi utilizada a equacao logistica, que estima a probabilidade de ocorrencia de um evento em funcao da existencia de outros. Assim, foi encontrado que criancas praticantes de bullying (agressoras) aos 8 anos tem quase 3 vezes mais chance de engravidarem antes dos 20 anos. Comparadas as criancas nao envolvidas em bullying, aquelas que foram vitimas de bullying tiveram 2,5 vezes mais chances de gravidez durante a adolescencia. Os autores concluem afirmando que a associacao entre bullying na infancia e tornar-se mae na adolescencia e uma nova descoberta, que pode ter implicacoes praticas na educacao em saude sexual e prevencao de gravidez na adolescencia, especialmente em ambientes escolares.

O objetivo do presente trabalho foi verificar as expectativas das adolescentes quanto ao futuro escolar e profissional, comparando os grupos de alunas de uma escola estadual em Campos dos Goytacazes envolvidas ou nao com o bullying e maes ou nao maes.

2--Materiais e Metodos

Inicialmente foi realizado um levantamento bibliografico sobre adolescentes gravidas e, a partir deste, foi elaborado um questionario a ser aplicado a alunas de uma escola publica em Campos dos Goytacazes--RJ.

Os questionarios consistiram em questoes semi-dirigidas fechadas, visando captar as percepcoes das respondentes quanto as expectativas relacionados ao futuro escolar e profissional. As questoes foram elaboradas com 5 alternativas em gradacao, conforme a escala de Likert, e uma de abstencao (nao sei / prefiro nao opinar).

As entrevistas para aplicacao do questionario foram realizadas entre os meses de maio e junho de 2012. Os questionarios foram entregues a todas as alunas presentes na aula que eram maiores de idade, totalizando 324 entrevistadas, sendo o questionario respondido no horario da propria aula.

As entrevistadas assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido, concordando com a realizacao da pesquisa, havendo esclarecimento de que as informacoes sao de cunho academico e que informacoes que permitiriam identificar a entrevistada serao mantidas em sigilo.

As analises estatisticas consistiram na estatistica descritiva, sendo apresentadas as frequencias de respostas. Os resultados tambem foram estratificados de acordo com o periodo em que as entrevistadas tiveram filhos (durante ou apos a adolescencia) e de acordo com a participacao na pratica do bullying (nao participantes, agressoras ou vitimas). Desta forma, foram constituidos os seguintes estratos:

--Nao maes e nao agressoras

--Nao maes e agressoras

--Maes apos a adolescencia nao agressoras

--Maes apos a adolescencia agressoras

--Maes durante a adolescencia nao agressoras

--Maes durante a adolescencia agressoras

--Nao maes e nao vitimas

--Nao maes e vitimas

--Maes apos a adolescencia nao vitimas

--Maes apos a adolescencia vitimas

--Maes durante a adolescencia nao vitimas

--Maes durante a adolescencia vitimas

3--Resultados e discussao

3.1 Envolvimento das maes com o bullying

A Figura 1 apresenta a proporcao de mulheres que estao envolvidas com bullying.

Pode-se observar que a percentagem mais alta de mulheres que praticam/praticaram bullying sao as maes adolescentes (17,6%), acima das maes que tiveram filhos na fase adulta (6,3%) e das nao maes (5,8%). Por outro lado, maes adolescentes sao aquelas que menos sofreram bullying (14,7%), sendo que nao maes e as mulheres que tiveram filhos apos a adolescencia apresentaram maior proporcao de vitimas do bullying (18,9% e 16,8%, respectivamente). Assim, de forma geral, verifica-se que a gravidez na adolescencia esta associada ao fato da pessoa ser agressora, o que corrobora Lehti et al. (2011), que encontraram que praticantes de bullying (agressoras) tem quase 3 vezes mais chance de engravidar. Por outro lado, no mesmo estudo, verificou-se que vitimas do bullying tambem tem maiores chances de engravidar durante a adolescencia, o que nao ocorreu no presente estudo, em que as maes adolescentes foram as que menos declararam terem sido vitimas de bullying (14,7%).

3.2. Importancia de concluir estudos

As Figuras 2 e 3 mostram os resultados a questao da importancia que as alunas atribuiram a conclusao dos estudos, antes e apos a gravidez.

Observando-se a Figura 2, e possivel constatar que existia, antes da gravidez, em praticamente todos os estratos, a consciencia da importancia de se concluir os estudos. Apenas entre as agressoras que nao sao maes e as que foram maes apos a adolescencia, verificou-se uma percentagem significativa de respondentes que nao classificaram a conclusao dos estudos como "importante" ou "muito importante".

A despeito da maioria das entrevistadas, antes da gravidez, terem consciencia da importancia de se concluir os estudos, de forma geral, apos a gravidez, esta tendencia se manteve, sendo que a maioria considerou que esta importancia ou se manteve ou aumentou (Figura 3).

Este fato observado no presente estudo possivelmente possa ser explicado pelas mudancas sociais ocorridas nas ultimas decadas. De acordo com Almeida (2002), com o aumento da escolaridade, espera-se que as mulheres nao sejam apenas boas esposas e maes, mas que tambem se qualifiquem e apresentem algum tipo de carreira profissional. Parece haver, no caso das entrevistas da pesquisa, uma consciencia de que seria importante concluir os estudos, ate pelo fato de que, a partir do nascimento do filho, a sua participacao na obtencao de receitas na familia aumentaria. Estes resultados corroboram, ainda, Stevenson, Maton e Teti (1998), que constataram que adolescentes gravidas muitas vezes reconhecem a importancia dos estudos, sentido-se estimuladas a se manterem na escola mesmo durante o periodo de gestacao.

3.3. Pretensao de fazer/concluir faculdade

Outro ponto que foi abordado no questionario diz respeito a pretensao das alunas em fa ou concluir um faculdade, sendo os resultados apresentados nas Figuras 4 e 5.

A semelhanca do observado anteriormente, na questoes que se referiam a importancia de se concluir os estudos, antes da gravidez, observa-se na Figura 4 que a maioria das entrevistadas pretendem fazer ou concluir uma faculdade. Por outro lado, sobressaem os resultados verificados entre as maes agressoras, independente do periodo em que tiveram filhos (durante ou apos a adolescencia), alem das maes durante a adolescencia que foram vitimas de bullying. Neste tres estratos, existe uma parcela significativa de alunas que, antes de engravidarem, estavam em duvida se fariam faculdade ou tendiam a nao cursa-la. De acordo com Freitas e Botega (2002) e Vazquez e Pineros (1997), estes resultados poderiam ser explicados pelo fato de adolescentes gravidas estarem mais propensas a adquirirem quadro depressivo.

Analisando-se a Figura 5 de forma geral, percebe-se que, apos a gravidez, as maes mantiveram ou aumentaram a vontade de cursar uma faculdade. Dois dos grupos citados anteriormente (maes durante a adolescencia envolvidas com bullying como agressoras ou vitimas), modificaram a sua percepcao. Antes da gravidez, estas alunas haviam demonstrado menor pretensao de fazer uma faculdade. No entanto, 100% delas declararam que, apos a gravidez, a vontade de fazer um curso superior aumentou. Estes resultados vao de encontro a Rangel e Queiroz (2008), que afirmaram que a gravidez durante a adolescencia seria um destruidor de planos futuros. O presente estudo constatou que, passado o periodo de gravidez, as adolescentes que retornaram aos estudos foram as que mais aumentaram a vontade de fazer/concluir uma faculdade. Ainda, Santos e Schor (2003) explicam que, para algumas adolescentes, a maternidade constitui uma experiencia gratificante, o que poderia estimula-las a cursar uma faculdade.

Por outro lado, e bastante preocupante a situacao das alunos que tiveram filho apos a adolescencia e que foram agressoras. Antes da gravidez, ja era um grupo que menos tinha pretensao de fazer uma faculdade e, apos a gravidez, esta pretensao diminuiu ainda mais.

3.4. Oportunidade profissionais

Nas Figuras 6 e 7 e possivel observar a percepcao das alunas quanto as oportunidades profissionais antes e apos a gravidez, respectivamente.

Verifica-se, na Figura 6, que as alunas que tiveram filhos apos a adolescencia (agressoras ou nao agressoras, vitimas ou nao vitimas) sao as mais otimistas quanto as oportunidades profissionais. Ressalta-se, por outro lado, um fato preocupante: maes durante a adolescencia que estiveram envolvidas com bullying (agressoras ou vitimas) sao as mais pessimistas. Mais do que 30% das agressoras e 40% das vitimas consideravam ruins as oportunidade profissionais antes da gravidez.

Comparando-se a percepcao das alunas quanto as oportunidades profissionais antes (Figura 6) e apos (Figura 7) a gravidez, nota-se um fato interessante, que atenua os resultados verificados no periodo anterior a gestacao: as maes adolescentes envolvidas com bullying sao as que mais declararam que as oportunidades melhoraram apos a gravidez, sendo que dentre as agressoras, 50% informaram melhoria e, dentre as vitimas, 40% tem a percepcao de melhoria. Estes resultados tem implicacoes importantes, uma vez que, de acordo com Bemfam (1997), a maternidade, nos dias atuais, competiria com a atuacao das maes no mercado de trabalho. Pelo encontrado no presente trabalho, existe a percepcao de que a gravidez ate aumentaria as oportunidades profissionais, possivelmente, devido a maior responsabilidade adquirida pelas maes, que passariam a ter maior consciencia da importancia de estudar e contribuir financeiramente em casa.

4--Conclusao

Constatou-se, pela pesquisa, que alunas que atuaram como agressoras no bullying tem maiores chances de engravidar durante a adolescencia, enquanto que as alunas vitimas de bullying sao menor propensas a ficarem gravidas. Ainda, adolescentes gravidas envolvidas com bullying tem a percepcao de que importancia de concluir os estudos, a pretensao de fazer uma faculdade e as oportunidades profissionais aumentaram apos a gravidez. Por outro lado, alunas agressoras que tiveram filho apos a adolescencia eram as que menos tinham pretensao de fazer uma faculdade antes da gravidez e, apos a gravidez, esta pretensao diminuiu ainda mais.

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Karla Rangel RIBEIRO (1) *, Rosalee Santos Crespo ISTOE (1), Carlos Henrique Medeiros de SOUZA (1), Fernanda Castro MANHAES (1), Eduardo SHIMODA (2), Viviane Rangel Ribeiro MANHAES (3), Rachel Crespo HENRIQUES (4)

(1) Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro--UENF/Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, Brasil.

(2) Universidade Candido Mendes-Campos, Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, Brasil.

(3) Institutos Superiores de Ensino do CENSA, Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, Brasil.

(4) Universidade Gama Filho, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil.

* Autor para correspondencia: karlarangelribeiro@yahoo.com.br
Figura 1--Proporcao (%) de alunas agressoras ou vitimas do bullying.

Proporcao de agressores e vitimas nos estratos

Nao mae (n = 190)                     5,8%
Mae apos adolescencia (n = 95)        6,3%
  Agressora
Mae durante a adolescencia (n = 34)   17,6%
Nao mae (n = 190)                     18,9%
Mae apos adolescencia (n = 95)        16,8%
  Vitima
Mae durante a adolescencia (n = 34)   14,7%

Nota: Tabla derivada de grafico de barra.

Figura 2--Importancia de concluir os estudos antes da gravidez.

Importancia de concluir os estudos

                             nao acho importante /   acho que tem
                             acho pouco importante   importancia media

Nao mae
  Nao agressora (n = 179)    0,0%                    0,0%
  Agressora (n = 11)         0,0%                    9,1%
Mae apos adolescencia
  Nao agressora (n = 89)     0,0%                    0,0%
  Agressora (n = 6)          16,7%                   16,7%
Mae durante a adolescencia
  Nao agressora (n = 28)     0,0%                    0,0%
  Agressora (n = 6)          0,0%                    0,0%
Nao mae
  Nao vitima (n = 154)       0,0%                    0,0%
  Vitima (n = 36)            0,0%                    2,8%
Mae apos adolescencia
  Nao vitima (n = 79)        1,3%                    1,3%
  Vitima (n = 16)            0,0%                    0,0%
Mae durante a adolescencia
  Nao vitima (n = 29)        0,0%                    0,0%
  Vitima (n = 5)             0,0%                    0,0%

                             acho importante /
                             muito importante

Nao mae
  Nao agressora (n = 179)    100,0%
  Agressora (n = 11)         90,9%
Mae apos adolescencia
  Nao agressora (n = 89)     100,0%
  Agressora (n = 6)          66,7%
Mae durante a adolescencia
  Nao agressora (n = 28)     96,4%
  Agressora (n = 6)          100,0%
Nao mae
  Nao vitima (n = 154)       100,0%
  Vitima (n = 36)            97,2%
Mae apos adolescencia
  Nao vitima (n = 79)        97,5%
  Vitima (n = 16)            100,0%
Mae durante a adolescencia
  Nao vitima (n = 29)        96,6%
  Vitima (n = 5)             100,0%

Nota: Tabla derivada de grafico de barra.

Figura 3--Importancia de concluir os estudos apos a gravidez.

Importancia de concluir os estudos

                             Diminiu   Nao se alterou   Aumentou

Mae apos adolescencia
  Nao agressora (n = 89)     2,2%      37,1%            51,7%
  Agressora (n = 6)          0,0%      83,3%            16,7%
Mae durante a adolescencia
  Nao agressora (n = 28)     3,6%      10,7%            71,4%
  Agressora (n = 6)          0,0%      0,0%             83,3%
Mae apos adolescencia
  Nao vitima (n = 79)        2,5%      41,8%            48,1%
  Vitima (n = 16)            0,0%      31,3%            56,3%
Mae durante a adolescencia
  Nao vitima (n = 29)        3,4%      10,3%            69,0%
  Vitima (n = 5)             0,0%      0,0%             100,0%

Nota: Tabla derivada de grafico de barra.

Figura 4--Pretensao de fazer ou concluir uma faculdade antes da
gravidez.

Antes da gravidez, qual a pretensao de fazer /concluir uma faculdade?

                             com certeza ou
                             provavelmente nao faria

Nao mae
  Nao agressora (n = 179)    0,6%
  Agressora (n = 11)         9,1%
Mae apos adolescencia
  Nao agressora (n = 89)     10,1%
  Agressora (n = 6)          33,3%
Mae durante a adolescencia
  Nao agressora (n = 28)     3,6%
  Agressora (n = 6)          0,0%
Nao mae
  Nao vitima (n = 154)       1,3%
  Vitima (n = 36)            0,0%
Mae apos adolescencia
  Nao vitima (n = 79)        11,4%
  Vitima (n = 16)            12,5%
Mae durante a adolescencia
  Nao vitima (n = 29)        3,4%
  Vitima (n = 5)             0,0%

                             talvez fizesse       certamente ou
                             talvez nao fizesse   provavelmente faria

Nao mae
  Nao agressora (n = 179)    4,5%                 93,9%
  Agressora (n = 11)         9,1%                 81,8%
Mae apos adolescencia
  Nao agressora (n = 89)     15,7%                69,7%
  Agressora (n = 6)          33,3%                33,3%
Mae durante a adolescencia
  Nao agressora (n = 28)     10,7%                78,6%
  Agressora (n = 6)          33,3%                50,0%
Nao mae
  Nao vitima (n = 154)       4,5%                 92,9%
  Vitima (n = 36)            5,6%                 94,4%
Mae apos adolescencia
  Nao vitima (n = 79)        19,0%                67,1%
  Vitima (n = 16)            6,3%                 68,8%
Mae durante a adolescencia
  Nao vitima (n = 29)        10,3%                75,9%
  Vitima (n = 5)             40,0%                60,0%

Nota: Tabla derivada de grafico de barra.

Figura 5--Pretensao de fazer ou concluir uma faculdade apos a
gravidez.

Depois da gravidez, a sua pretensao de fazer /concluir uma faculdade

                             Diminuiu   Nao se alterou   Aumentou

Mae apos adolescencia
  Nao agressora (n = 89)     11,2%      84,7%            61,8%
  Agressora (n = 6)          66,7%      16,7%            16,7%
Mae durante a adolescencia
  Nao agressora (n = 28)     14,3%      21,4%            60,7%
  Agressora (n = 6)          0,0%       0,0%             100,0%
Mae apos adolescencia
  Nao vitima (n = 79)        16,5%      20,3%            60,8%
  Vitima (n = 16)            6,3%       43,8%            50,0%
Mae durante a adolescencia
  Nao vitima (n = 29)        13,8%      20,7%            62,1%
  Vitima (n = 5)             0,0%       0,0%             100,0%

Nota: Tabla derivada de grafico de barra.

Figura 6--Oportunidades profissionais antes da gravidez.

Oportunidades profissionais antes da gravidez

                             ruim    regular   bom

Nao mae
  Nao agressora (n = 179)    25,7%   35,2%     31,3%
  Agressora (n = 11)         9,1%    72,7%     18,2%
Mae apos adolescencia
  Nao agressora (n = 89)     10,1%   32,6%     53,9%
  Agressora (n = 6)          16,7%   33,3%     50,0%
Mae durante a adolescencia
  Nao agressora (n = 28)     25,0%   42,9%     25,0%
  Agressora (n = 6)          33,3%   33,3%     0,0%
Nao mae
  Nao vitima (n = 154)       25,3%   37,7%     29,2%
  Vitima (n = 36)            25,0%   33,3%     36,1%
  Mae apos adolescencia
  Nao vitima (n = 79)        11,4%   35,4%     50,6%
Vitima (n = 16)              6,3%    18,8%     68,8%
Mae durante a adolescencia
  Nao vitima (n = 29)        24,1%   44,8%     20,7%
  Vitima (n = 5)             40,0%   20,0%     20,0%

Nota: Tabla derivada de grafico de barra.

Figura 7--Oportunidades profissionais apos a gravidez.

Oportunidades profissionais depois da gravidez

                             Piorou   Nao se alterou   Melhorou

Mae apos adolescencia
  Nao agressora (n = 89)     37,1%    37,1%            21,3%
  Agressora (n = 6)          50,0%    16,7%            33,3%
Mae durante a adolescencia
  Nao agressora (n = 28)     14,3%    39,3%            35,7%
  Agressora (n = 6)          16,7%    16,7%            50,0%
Mae apos adolescencia
  Nao vitima (n = 79)        45,6%    26,6%            22,8%
  Vitima (n = 16)            0,0%     81,3%            18,8%
Nao mae
  Nao vitima (n = 29)        17,2%    31,0%            37,9%
  Vitima (n = 5)             0,0%     60,0%            40,0%

Nota: Tabla derivada de grafico de barra.
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Title Annotation:articulo en portugues
Author:Ribeiro, Karla Rangel; Istoe, Rosalee Santos Crespo; de Souza, Carlos Henrique Medeiros; Manhaes, Fe
Publication:Acta Biomedica Brasiliensia
Date:Jun 1, 2014
Words:4997
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