Printer Friendly

Evaluating an innovative concept of health care: the "Rede Farmacia de Minas" programme/Avaliando um conceito inovador de assistencia a saude: o programa "Rede Farmacia de Minas".

INTRODUCAO

A politica publica de Assistencia Farmaceutica no Brasil surgiu em 1971 com a criacao da Central de Medicamentos (CEME). Caracterizada por uma politica centralizada de gestao, com estados e municipios excluidos do processo decisorio, a CEME tinha como missao fornecer medicamentos para a populacao que nao tinha condicao financeira para adquiri-los (Gomes, 2003; Conselho Nacional de Secretarios de Saude--CONASS, 2011).

Na decada de 1980, com a organizacao de um novo sistema de saude, o Sistema Unico de Saude (SUS), a Assistencia Farmaceutica passou a fazer parte dessa nova politica, por meio do artigo 6o da Lei Organica da Saude (Lei 8.080/1990), que garantiu a assistencia terapeutica integral, inclusive farmaceutica, a todos os cidadaos brasileiros (Brasil, 1990).

Um importante avanco no gerenciamento e reorientacao da politica publica de Assistencia Farmaceutica aconteceu com a publicacao da Politica Nacional de Medicamentos (PNM), por meio da Portaria no 3.916, de 30 de outubro de 1998. Entre os seus objetivos destacaram-se: a garantia da seguranca, eficacia e a qualidade dos medicamentos, a promocao do seu uso racional e o acesso da populacao aqueles medicamentos considerados essenciais (CONASS, 2011).

Alguns anos mais tarde, o Conselho Nacional de Saude (CNS) aprovou e publicou a Resolucao CNS n. 338, de 6 de maio de 2004, definindo a Politica Nacional de Assistencia Farmaceutica (PNAF). Essa politica avancou em relacao a Politica Nacional de Medicamentos "ao incluir a Atencao Farmaceutica como atividade de trabalho do farmaceutico para a integralidade das acoes de saude" (Secretaria de Estado da Saude, 2008, p. 18). Nessa Resolucao, a Assistencia Farmaceutica ficou definida como um elenco de acoes com a finalidade de promover, garantir e resgatar a saude, individual ou coletiva. O medicamento constitui um componente fundamental da assistencia farmaceutica, ao qual devem ser garantidos o acesso e o uso racional. Conforme o CNS (2004), o objetivo da assistencia farmaceutica e promover a melhoria da qualidade de vida da populacao mediante "a pesquisa, o desenvolvimento e a producao de medicamentos e insumos, bem como a sua selecao, programacao, aquisicao, distribuicao, dispensacao, garantia da qualidade dos produtos e servicos, acompanhamento e avaliacao de sua utilizacao".

Pela complexidade das acoes previstas nesse e nos varios conceitos de Assistencia Farmaceutica, definidos ao longo do tempo, pode-se afirmar que a sua implantacao representa um dos grandes desafios enfrentados pelos gestores e profissionais do SUS.

Soma-se a isso a crescente demanda por medicamentos e o enorme impacto financeiro que essa atividade gera para a Uniao, Estados e Municipios (Santos, Davi, Martiniano, Peret, & Leite, 2008).

Com o objetivo de avancar na questao da prestacao de servicos farmaceuticos qualificados no atendimento a populacao, a Subsecretaria de Politicas e Acoes de Saude da Secretaria de Estado de Saude de Minas Gerais (SES/MG), sob a coordenacao da Superintendencia de Assistencia Farmaceutica (SAF), implantou, em 2008, o Programa Rede Farmacia de Minas (PNAF, 2008).

O Programa tem como principal objetivo garantir o acesso e uso racional de medicamentos por meio da organizacao da Assistencia Farmaceutica. Humanizar o atendimento ao paciente, contribuindo para garantir a integralidade das acoes de saude, e um de seus varios objetivos especificos e o reconhecimento da Unidade Farmacia de Minas como estabelecimento de saude e referencia de prestacao de servicos farmaceuticos e um dos resultados esperados (PNAF, 2008).

Diante desse contexto e da iniciativa estadual de implementar nos municipios de Minas Gerais uma politica publica de Assistencia Farmaceutica que contempla um novo conceito de farmacia publica que se baseia no atendimento farmaceutico especializado, torna-se relevante avaliar a satisfacao dos seus usuarios com os servicos prestados nessas unidades. Esperidiao e Trad (2006, p. 128) afirmam que "a satisfacao do usuario e uma meta a ser alcancada pelos servicos, devendo, portanto, ser pesquisada visando a aperfeicoamentos no sistema de servicos de saude".

Considerando que um dos resultados esperados do Programa Rede Farmacia de Minas e o reconhecimento de suas unidades como estabelecimentos de saude e referencia de prestacao de servicos farmaceuticos, este artigo visa a responder a seguinte questao de pesquisa: qual e o estado atual de satisfacao dos usuarios com os servicos de uma unidade dessa rede, localizada no municipio de Igaratinga-MG?

Dessa forma, o objetivo geral da presente investigacao constitui-se em avaliar a Farmacia Municipal de Igaratinga-MG, apos a adesao do municipio ao Programa Rede Farmacia de Minas e a satisfacao atual dos seus usuarios com os servicos prestados. Para isso o estudo se propoe a avaliar a percepcao atual dos usuarios sobre a disponibilidade de medicamentos, assim como com os servicos prestados, procurando desvendar a relacao existente entre essas duas variaveis.

Considerando a relevancia social do Programa Rede Farmacia de Minas, principalmente para a comunidade mais carente que depende basicamente do SUS para garantir o acesso aos medicamentos e aos servicos farmaceuticos disponibilizados nas unidades da rede, o estudo proposto justifica-se por contribuir para a sua avaliacao e para o aperfeicoamento dos servicos prestados pelo profissional farmaceutico.

REFERENCIAL TEORICO

A Assistencia Farmaceutica e sua inter-relacao sistemica podem ser demonstradas pelo Ciclo da Assistencia Farmaceutica (Figura 1). De importancia fundamental para o processo de reorganizacao da Assistencia Farmaceutica, as atividades que compoem esse Ciclo promovem, se bem executadas, o acesso da populacao a medicamentos essenciais, de qualidade e com orientacao, racionalizando o uso e promovendo a melhoria na qualidade dos servicos e na qualidade de vida da populacao atendida (Oliveira, 2004).

Marin et al. (2003) explicam que a escolha de um enfoque sistemico para a organizacao da Assistencia Farmaceutica tem como objetivo superar a sua fragmentacao originada com a valorizacao de algumas de suas acoes em detrimento de outras. O sistema assim concebido influencia e sofre influencia de cada um de seus componentes, que, por sua vez, representam as estrategias para a conquista de objetivos definidos. Entre os objetivos destacam-se a garantia de um bom padrao no suprimento de medicamentos essenciais e condicoes adequadas para que a dispensacao de medicamentos e a atencao farmaceutica individual e coletiva acontecam de maneira qualificada.

Outro modelo conceitual para a Assistencia Farmaceutica foi apresentado por Perini (2003, p. 9). O autor chama a atencao para a necessidade de extrapolar "a cadeia de gestao do medicamento como foco da conceituacao da Assistencia Farmaceutica, para que o paciente seja assumido como o usuario do medicamento de que necessita". Visualizado por meio da Figura 2, esse modelo difere do primeiro, principalmente por colocar o paciente em posicao central no sistema, priorizando o seu cuidado farmaceutico.

Nesse modelo conceitual, a Assistencia Farmaceutica esta inserida no Sistema de Saude e apresenta uma organizacao interativa de varias tecnologias que tem como objetivo garantir as condicoes adequadas para o "pleno exercicio da relacao fundamental entre prescricao/dispensacao/uso, que concretiza a racionalidade cientifica do medicamento moderno". Entretanto, o mesmo autor nao descarta a possibilidade de uma perspectiva conflituosa no modelo conceitual proposto, argumentando que a instabilidade e uma das principais caracteristicas dos sistemas (Perini, 2003, p. 21).

Observa-se tambem, na Figura 2, a presenca dos quatro elementos (informacao, controle de qualidade, farmacovigilancia e vigilancia sanitaria) permeando e caracterizando o ambiente no qual estao inseridas as atividades ou subsistemas da Assistencia Farmaceutica.

Ao analisar o Ciclo da Assistencia Farmaceutica no seu aspecto conjuntural, Araujo, Ueta e Freitas (2005) distinguiram duas areas relacionadas, porem, distintas. A primeira relaciona-se com a tecnologia de gestao e tem como objetivo central garantir o abastecimento e o acesso aos medicamentos. A segunda relaciona-se com a tecnologia do uso do medicamento e tem como objetivo garantir o uso correto e efetivo dos medicamentos. Os autores lembram, entretanto, que a tecnologia do uso depende da disponibilidade do medicamento, que, por sua vez, e fruto da gestao. Os mesmos autores complementam que um estudo realizado em farmacias do SUS demonstrou que:

[...] o trabalho do farmaceutico esta centrado na tecnologia da gestao do medicamento, no sentido de disponibilizar e garantir o acesso. Mesmo nas atividades de orientacao foi observada uma predominancia de instrucoes no sentido do controle quantitativo do medicamento, sendo as regras ditadas de forma unilateral (Araujo, Ueta, & Freitas, 2005, p. 90).

A explicacao para esse fato se deve, em parte, a dificuldade do farmaceutico em traduzir conhecimento formal em atividades e acoes para o publico (Araujo, Ueta, & Freitas, 2005). Essa opiniao e compartilhada por Dupim (1999) e Perini (2003), ao afirmarem que a pratica da dispensacao tem sido negligenciada em sua complexidade tecnica, legal e cientifica, tornando-se um ato meramente burocratico ou comercial de entrega de medicamentos ao usuario.

A importancia da tecnologia do uso do medicamento foi reconhecida pela Politica Nacional de Assistencia Farmaceutica, que incluiu a Atencao Farmaceutica ao paciente como uma das acoes da Assistencia Farmaceutica.

Na PNAF adotou-se o conceito de Atencao Farmaceutica, apresentado na Proposta de Consenso de Atencao Farmaceutica elaborada por um grupo de profissionais coordenado pela Organizacao PanAmericana de Saude (OPAS):

Atencao Farmaceutica e um modelo de pratica farmaceutica, desenvolvida no contexto da assistencia farmaceutica. Compreende atitudes, valores eticos, comportamentos, habilidades, compromissos e corresponsabilidades na prevencao de doencas, promocao e recuperacao da saude, de forma integrada a equipe de saude. E a interacao direta do farmaceutico com o usuario, visando uma farmacoterapia racional e a obtencao de resultados definidos mensuraveis voltados para a melhoria da qualidade de vida. Esta interacao tambem deve envolver as concepcoes dos seus sujeitos, respeitadas as suas especificidades biopsicossociais sob a otica da integralidade das acoes de saude (Ivama, 2002, p. 16-17).

Assim conceituada, a Atencao Farmaceutica engloba um conjunto de atividades farmaceuticas tradicionais, como: orientacao farmaceutica, dispensacao e educacao em saude, incluindo promocao do uso racional de medicamentos, acompanhamento farmacoterapeutico, registro sistematico das atividades, mensuracao e avaliacao dos resultados. Integrado ao Sistema Unico de Saude (SUS), o farmaceutico participa do processo do cuidar do ser humano em todas as etapas de saude, da prevencao a recuperacao (Renovato & Bagnato, 2007; Freitas, Ramalho de Oliveira, & Perini, 2006; Angonesi & Sevalho, 2010).

Freitas, Ramalho de Oliveira e Perini (2006) destacam, entretanto, que esse conceito, ao apresentar um "vocabulario heterogeneo", pode dificultar a compreensao dessa nova pratica, que, na concepcao desses autores, poderia ser definida como:

um modelo de pratica profissional que envolve a relacao face a face entre farmaceutico e paciente, onde o primeiro se responsabiliza pela satisfacao das necessidades farmacoterapeuticas do segundo, guiado por uma filosofia de pratica profissional, embasado em um metodo ou processo de cuidado especifico e respaldado por um sistema de gestao de pratica bem definido (Freitas, Ramalho de Oliveira, & Perini, 2006, p. 450).

Diante desse novo modelo de pratica farmaceutica, que propoe uma mudanca radical no foco de atuacao do farmaceutico, tornou-se relevante tambem avaliar a satisfacao dos usuarios com esses novos servicos prestados. Para isso, Correr, Pontarolo, Melchiors, Souza, Rossignoli e Fernandez-Llimos (2009) validaram para o portugues do Brasil o Pharmacy Services Questionnaire.

Esse questionario foi desenvolvido inicialmente por MacKeigan e Larson (1989). Com 44 perguntas relacionadas principalmente a dispensacao de medicamentos, esse instrumento foi posteriormente atualizado para a pratica da Atencao Farmaceutica por Larson e colaboradores, em 2002 (Correr et al., 2009).

O questionario, atualizado por Larson, Rovers e Mackeigan (2002), contem 20 perguntas agrupadas em dois dominios: exposicao agradavel (friendly explanation), com 11 itens que tratam dos servicos ligados a dispensacao e aspectos estruturais da farmacia, e manejo da terapia (managing therapy), com nove itens que tratam dos servicos providos pelo farmaceutico relacionados ao manejo do tratamento do paciente (Larson, Rovers, & Mackeigan, 2002).

Esse instrumento de pesquisa foi traduzido para o portugues e validado por Correr et al. (2009), que passaram a denomina-lo Questionario de Satisfacao com os Servicos da Farmacia (QSSF). O metodo validado diferenciou-se do original pela distribuicao das perguntas nos dois dominios. A versao brasileira agrupou 8 perguntas no dominio 1 (exposicao agradavel) e 12 no segundo dominio (manejo da terapia).

Segundo Correr et al. (2009) e Benazzi, Figueiredo e Bassani (2010), a tematica da satisfacao dos usuarios tem crescido em importancia no Brasil, principalmente com o desenvolvimento do SUS, com a busca da humanizacao dos servicos e com o controle social na saude.

Nessa perspectiva, os estudos de Larson, Rovers e Mackeigan (2002) e Correr et al. (2009), que levaram, respectivamente, a atualizacao do instrumento de avaliacao e sua posterior validacao no Brasil, tornaram possivel a sua utilizacao nessa pesquisa para avaliar a satisfacao dos usuarios dos SUS com os servicos da Farmacia de Minas de Igaratinga. A aplicacao desse questionario e detalhada no proximo capitulo.

PROCEDIMENTOS METODOLOGICOS

Embora a definicao de pesquisa nao seja consensual na literatura, Collis e Hussey (2005, p. 15) informam que algumas caracteristicas sao recorrentes nas definicoes existentes: "A pesquisa e um processo de perguntas e investigacao; e sistematica e metodica; a pesquisa aumenta o conhecimento". Malhotra (2006) complementa que o objeto da pesquisa nao precisa se limitar a algo inedito. Uma questao ja debatida pode ser objeto da pesquisa, desde que problematizada por outra abordagem teorica ou por outra abordagem pratica. Da mesma forma, a pesquisa pode ter como objeto esclarecer algum aspecto especifico, aprofundar uma observacao ou estende-la por um tempo maior.

Segundo Minayo (2008, p. 22), "a metodologia inclui as concepcoes teoricas de abordagem, o conjunto de tecnicas que possibilitam a apreensao da realidade e tambem o potencial criativo do pesquisador".

Do ponto de vista de seus objetivos, Collis e Hussey (2005, p. 24) classificam a pesquisa como exploratoria, descritiva, analitica ou preditiva. Essa pesquisa classifica-se como descritiva, porque, segundo os mesmos autores, ela "descreve o comportamento dos fenomenos. E usada para identificar e obter informacoes sobre as caracteristicas de um determinado problema ou questao". Vergara (2004, p. 47) complementa que a pesquisa descritiva "pode tambem estabelecer correlacoes entre variaveis e definir sua natureza. Nao tem compromisso de explicar os fenomenos que descreve, embora sirva de base para tal explicacao".

A opcao pelo estudo de caso neste trabalho justifica-se por meio da acepcao de Yin (2005, p. 32), que define o estudo de caso como "uma investigacao empirica que investiga um fenomeno contemporaneo dentro de seu contexto da vida real". O mesmo autor ressalta o lugar de destaque que o estudo de caso tem na pesquisa de avaliacao, lembrando que uma de suas aplicacoes e ilustrar, de modo descritivo, determinados topicos dentro de uma avaliacao.

O pesquisador, ao realizar um estudo de caso, concentra-se em uma ou em poucas unidades de analise. "Sua observacao se efetua no interior do limite do caso. A potencia explicativa dessa estrategia depende da profundidade da analise, e nao do numero de unidades de analises" (Brouselle & Champagne, 2011, p. 231).

Para caracterizar a unidade de analise deste estudo, que constitui uma Farmacia Municipal do SUS, foram considerados, primeiramente, os relatorios do PIRF--Programa de Internato Rural da Faculdade de Farmacia da UFMG, elaborados a partir de 2008, ano da implantacao da Rede Farmacia de Minas. No periodo de 2008 a 2012 foram identificados 12 municipios que ja possuiam uma unidade da Rede Farmacia de Minas em funcionamento. Entre eles, tres ja haviam participado anteriormente do PIRF: Igaratinga (cinco participacoes), Congonhas do Norte (duas participacoes) e Cordisburgo (duas participacoes). Entre as Farmacias do SUS desses tres municipios, escolheu-se para unidade de analise a Farmacia Municipal de Igaratinga. Essa escolha justificou-se pelo fato de o municipio ja ter participado do PIRF o maior numero de vezes, com a sua ultima participacao no ano mais recente (2011). Com uma populacao de 9.264 habitantes e IDH 0,739 medio (Programa das Nacoes Unidas para o Desenvolvimento--PNUD, 2000), o municipio obteve um valor de 5,77 para o Indice de Desempenho do SUS--IDSUS (2011), enquanto a media brasileira para esse indice, no mesmo ano, foi de 5,47.

A populacao objeto da Survey foi composta por 5.476 usuarios cadastrados no Sistema de Gerenciamento da Assistencia Farmaceutica (SIGAF) da Farmacia de Minas de Igaratinga. Considerando a populacao dessa magnitude, um nivel de confianca de 95% e uma margem de erro de 7%, uma amostra de tamanho minimo igual a 190 usuarios deve ser pesquisada (Levine, Berenson, & Stephan, 2000; Aaker, Kumar, & Day, 2004). Com um numero minimo de 190 usuarios e prevendo uma perda em torno de 5%, optou-se por trabalhar com uma amostra de 200 respondentes, obtendo-se 198 questionarios respondidos, acima do minimo calculado.

A amostra foi selecionada aleatoriamente, sendo composta pelos usuarios da Farmacia de Minas de Igaratinga, com idade minima de 18 anos e que aceitaram participar voluntariamente da pesquisa.

A pesquisa foi realizada nas residencias dos usuarios no periodo de 04/12/2012 a 14/01/2013. Foram aplicados dois questionarios por meio de entrevista ou autoadministracao supervisionada. O primeiro questionario caracterizou o usuario de acordo com a idade, sexo, escolaridade e renda mensal familiar e, em seguida, foram respondidas questoes sobre a frequencia a Farmacia de Minas e sobre a disponibilidade de medicamentos dessa Farmacia. O segundo questionario aplicado foi o Questionario de Satisfacao com os Servicos da Farmacia (QSSF), validado por Correr et al. (2009).

A pesquisa permitiu avaliar a opiniao dos usuarios da Farmacia de Minas de Igaratinga sobre a disponibilidade de medicamentos e sobre a satisfacao com os servicos prestados nessa unidade, possibilitando tambem explicitar como essas variaveis sao afetadas pelo atendimento da receita do usuario. Considerando o possivel efeito do recebimento dos medicamentos pelo usuario sobre a sua avaliacao da disponibilidade dos medicamentos na farmacia, assim como sobre a sua satisfacao com os servicos prestados na unidade analisada, foram formuladas as seguintes hipoteses:

Hipotese 1: O recebimento dos medicamentos constantes na receita medica influencia a avaliacao da disponibilidade dos medicamentos na farmacia.

Hipotese 2: O recebimento dos medicamentos constantes na receita medica influencia a avaliacao da satisfacao com os servicos da farmacia.

Nos testes que foram realizados, a variavel independente consistiu em "o recebimento dos medicamentos descritos na receita medica", enquanto as variaveis dependentes, que sao afetadas pela variavel independente, foram respectivamente a "avaliacao da disponibilidade dos medicamentos na farmacia" e "a avaliacao da satisfacao com os servicos da farmacia".

ANALISE E DISCUSSAO DOS RESULTADOS

Os resultados do estudo estao apresentados em duas secoes. A primeira analisa a disponibilidade de medicamentos e avalia a satisfacao dos usuarios com os servicos da farmacia, utilizando o questionario validado por Correr et al. (2009); a segunda explora a influencia que o recebimento da medicacao pelo usuario tem sobre a sua avaliacao da disponibilidade de medicamentos, assim como sobre a sua satisfacao com os servicos da Farmacia de Minas do municipio pesquisado.

Analise da disponibilidade de medicamentos e avaliacao da satisfacao dos usuarios

Em relacao a disponibilidade de medicamentos na Farmacia de Minas pesquisada, 40,1% afirmaram ter recebido todos os medicamentos da receita na ultima vez em que eles estiveram nessa Farmacia, 48,7% responderam que receberam parcialmente os medicamentos e 11,2% nao receberam os medicamentos. E importante ressaltar que a pergunta destacava a expressao "Da ultima vez". Os entrevistadores foram orientados a enfatizar essa condicao para os respondentes para que os mesmos se lembrassem desse momento especifico. Os resultados encontrados estao dispostos na Tabela 1.

A soma das respostas (sim parcialmente 48,7%) e (nao 11,2%) totalizou 59,9%, representando mais da metade das respostas dos usuarios. A falta do medicamento na Farmacia de Minas foi o motivo informado por 87,1% dos usuarios que receberam parcialmente ou nao receberam os medicamentos, na ultima vez em que estiveram nessa Farmacia.

Com relacao a avaliacao dos usuarios sobre a disponibilidade de medicamentos da Farmacia de Minas, 66,7% dos respondentes informaram que a disponibilidade de medicamentos melhorou. A porcentagem de pessoas que disseram que a disponibilidade ficou igual ao que era antes foi de 21,7%. As respostas dos usuarios que disseram que piorou ou que nao sabiam avaliar foram muito semelhantes, em torno de 5,1% e 6,6% respectivamente. Esses resultados encontram-se organizados na Tabela 2.

E importante observar que, embora mais da metade dos usuarios (59,9%) tenha informado que recebeu parcialmente os medicamentos (48,7%) ou nao os recebeu (11,2%), a porcentagem de respondentes que informaram que a disponibilidade de medicamentos no SUS melhorou, com a Farmacia de Minas em funcionamento, foi maioria, alcancando o valor de 66,7%.

Quanto ao objetivo de avaliar a satisfacao dos usuarios com os servicos prestados pela Farmacia de Minas do municipio, os seguintes resultados, presentes na Tabela 3, podem ser destacados.

Em termos medios, a classificacao da satisfacao dos usuarios com os servicos da Farmacia de Minas pesquisada foi proxima de Muito Bom com resultado medio de 3,91 pontos (DP = 0,83). A media geral de ocorrencia de resposta excelente foi de 34,50%.

As maiores ocorrencias de resposta "excelente" contemplaram aparencia profissional da farmacia; a cortesia e o respeito demonstrados pelos funcionarios da farmacia; o profissionalismo dos funcionarios da farmacia e a prontidao no atendimento da receita. De maneira oposta, as menores ocorrencias destacaram os servicos cognitivos prestados pelo farmaceutico, mais ligados a atencao farmaceutica. Esses servicos dizem respeito as seguintes questoes: o interesse do farmaceutico pela sua saude, a responsabilidade que o farmaceutico assume com o seu tratamento, o tempo que o farmaceutico oferece para passar com voce e a explicacao do farmaceutico sobre os possiveis efeitos adversos dos medicamentos.

A aparencia profissional da farmacia obteve a maior media de satisfacao (4,26) e a maior ocorrencia de respostas "excelente" (48,70%). Nenhum usuario atribuiu a pontuacao (1) (ruim) para essa pergunta e somente tres usuarios classificaram como regular.

Esse resultado aponta para uma avaliacao muito positiva dos usuarios quanto a estrutura da Farmacia de Minas do municipio. A explicacao para esse resultado pode estar relacionada ao fato de as unidades da Rede apresentarem projeto arquitetonico padronizado que contempla, entre outros aspectos, ambiente climatizado, area para atendimento com cadeiras para os usuarios, instalacoes sanitarias adequadas a legislacao vigente e equipamentos diversos, como purificador eletronico de agua, aparelho de TV de LCD, aparelho de DVD, microcomputadores e balanca digital.

Essa estrutura traduz um conceito arrojado de farmacia publica e favorece uma concepcao humanizada de prestacao de servicos, nem sempre presente no sistema publico de saude e ate mesmo em farmacias privadas.

Esse resultado nao foi demonstrado por Correr et al. (2009), quando os autores validaram o Pharmacy Services Questionnaire. Nessa pesquisa os dados foram coletados em quatro farmacias e uma unidade de saude de Curitiba-PR, Brasil. Para a aparencia profissional da farmacia a media de satisfacao encontrada nesse estudo foi de 3,87 e a porcentagem de resposta "excelente" foi de 35%. Essa comparacao reforca a percepcao de que a estrutura da Farmacia de Minas apresenta um diferencial que a torna mais bem avaliada pelos seus usuarios.

Coincidentemente, na pesquisa de Correr et al. (2009), os itens que tratam do profissionalismo dos funcionarios da farmacia e da cortesia e respeito demonstrados pelos funcionarios tambem estao presentes na relacao dos quatro itens com maior porcentagem de respostas "excelente" da presente investigacao.

Consoante com o modelo validado por Correr et al. (2009), as perguntas desse questionario foram tambem agrupadas em dois dominios denominados "Exposicao agradavel" (primeiro dominio) e "Manejo da terapia" (segundo dominio), como mostra a Tabela 3.

O primeiro dominio agrupou 8 questoes referentes aos aspectos gerais do atendimento da farmacia, incluindo a aparencia e qualidade de atendimento da equipe, a disponibilidade do farmaceutico e sua relacao com o paciente, a qualidade de suas respostas e a cortesia e respeito de toda equipe da farmacia (Correr et al., 2009). Assumindo o valor de 0,915, bem acima do indice de 0,60, considerado satisfatorio por Hair, Anderson, Tatham e Black (2005), o Coeficiente Alfa de Cronbach para o construto "Exposicao agradavel" constatou a fidedignidade dessa escala.

O segundo dominio agrupou 12 questoes que contemplam os aspectos de servicos cognitivos prestados pelo farmaceutico, mais fortemente relacionados a atencao farmaceutica. Entre eles, o interesse, empenho e responsabilidade assumidos pelo farmaceutico na resolucao de problemas do tratamento e melhoria/manutencao da saude do paciente, a qualidade das orientacoes dadas pelo farmaceutico, a privacidade do atendimento e a disponibilidade de tempo para passar com o usuario (Correr et al., 2009). O Coeficiente Alfa de Cronbach de 0,978, para o construto "Manejo da terapia" tambem confirmou a confiabilidade dessa escala.

No dominio "Exposicao agradavel" as maiores medias de satisfacao e de respostas "excelente" foram para as perguntas que tratam respectivamente da aparencia profissional da farmacia; da cortesia e o respeito demonstrados pelos funcionarios da farmacia; do profissionalismo dos funcionarios da farmacia e da prontidao no atendimento da receita.

No dominio "Manejo da terapia" a maior media de satisfacao e de ocorrencia da resposta "excelente" (3,98 DP = 0,96 e 35,7%) foi no item que trata da privacidade nas conversas com o farmaceutico. A soma de respostas muito bom e excelente totalizou 70,4%, representando a maioria das respostas dos respondentes.

A maior pontuacao para essa pergunta, dentro do dominio "Manejo da terapia", pode ser explicada pelo projeto arquitetonico da Farmacia de Minas, que contemplou, na sua planta padrao, uma sala especifica para o farmaceutico. Ate entao inexistente nas farmacias publicas, esse espaco proporcionou aos usuarios a possibilidade de um atendimento individualizado. Dessa forma, a percepcao de privacidade so foi possivel porque, na concepcao do Projeto Farmacia de Minas, foi priorizado um espaco adequado para a prestacao de servicos farmaceuticos.

Com media de satisfacao 3,85 DP = 1,02 e 32,30% de respostas na categoria "excelente", o item que trata da explicacao do farmaceutico sobre a acao dos medicamentos foi o segundo item melhor avaliado no dominio manejo da terapia. O terceiro foi o item que avalia as orientacoes do farmaceutico sobre como tomar os medicamentos.

Para aumentar a consistencia dos dados e tornar a analise mais fidedigna, Correr et al. (2009) recomendam considerar a media das respostas do instrumento e de seus dominios. Desse modo, em termos medios, a classificacao dos usuarios sobre a satisfacao com os servicos da Farmacia de Minas de Igaratinga foi proxima de "Muito bom" (3,91). Essa percepcao aumenta para "Muito bom" (4,09) quando se considera o dominio "exposicao agradavel" e permanece em "Bom" com uma media um pouco menor do que a media geral (3,79) quando se considera o dominio "manejo da terapia".

A pontuacao menor para o dominio "manejo da terapia" ja era esperada, pois reflete uma realidade ja conhecida, em que as acoes do farmaceutico relacionadas com a atencao farmaceutica ainda sao incipientes na sua pratica profissional, tanto no ambito da farmacia privada quanto no ambito da farmacia publica. Resultados semelhantes, com piores escores de satisfacao para o dominio "manejo da terapia", tambem foram encontrados por Larson et al. (2002), Iglesias et al. (2005) e Correr et al. (2009). Ratificando esse dado, observa-se que entre os quatro itens com maiores escores de satisfacao nenhum deles faz parte do dominio "manejo da terapia".

Esse fato pode ser explicado, em parte, por Pereira et al. (2005, p. 36) quando afirmam: "Sabemos que a Atencao Farmaceutica, para acontecer, como foi pensada originalmente, exige profundas mudancas filosoficas, no comportamento e, tambem, na estrutura da farmacia, o que leva tempo, dedicacao e persistencia".

Observa-se que a estrutura da Farmacia de Minas ja esta adequada a essa nova pratica profissional, mas as outras mudancas ainda nao foram concretizadas. Na pratica, ainda prevalece o modelo centrado na tecnologia da gestao do medicamento, com as atividades do ciclo da Assistencia Farmaceutica absorvendo grande parte do tempo do farmaceutico. Esse fato compromete o trabalho de orientacao ao usuario e repercute na satisfacao do mesmo. Soma-se a isso o fato de o farmaceutico, na maioria das vezes, nao ter uma formacao mais especifica na graduacao que contemple essa nova pratica profissional.

A despeito dos esforcos da SES-MG em promover a capacitacao dos farmaceuticos no sentido de viabilizar essa pratica na Rede Farmacia de Minas, a realidade evidencia que ainda existe um longo caminho a percorrer nessa direcao. A mudanca filosofica e de comportamento envolvida nessa pratica esta apenas iniciando e representa um grande desafio para gestores e farmaceuticos.

Considerando que um dos resultados do Programa Rede Farmacia de Minas e o reconhecimento de suas unidades como estabelecimentos de saude, torna-se preocupante a constatacao de que a menor media de satisfacao do dominio "Manejo da terapia" remete ao item P8, que avalia o interesse do farmaceutico pela saude do usuario.

Embora a Farmacia de Minas de Igaratinga e outras Farmacias da Rede estejam engajadas em um projeto-piloto de Acompanhamento Farmacoterapeutico de pacientes diabeticos, esse trabalho encontra-se em estagio inicial e os reflexos dessa intervencao nao puderam ser avaliados nesta pesquisa.

Foi tambem observado um alto percentual para a soma de respostas "Muito bom" e "Excelente" para as perguntas do dominio "Exposicao agradavel". Para todas as perguntas desse dominio a soma dessas duas respostas variou entre 69,40% e 79,8 % do total. Para o dominio "Manejo da Terapia" a soma dessas respostas e menor, entretanto o menor valor observado (58,4%) ainda representa mais da metade das respostas dos usuarios.

Diante desses valores, e importante pontuar que os resultados de estudos de satisfacao de usuarios de servicos de saude apontam para altas taxas de satisfacao. "Este fenomeno e conhecido na literatura como efeito de 'elevacao' das taxas de satisfacao e e reportado mesmo quando as expectativas sobre os servicos sao negativas" (Esperidiao & Trad, 2005, p. 304). As autoras complementam que era de esperar que, no Brasil, os usuarios manifestassem mais insatisfacao com os servicos de saude oferecidos em virtude da dificuldade de acesso a servicos de boa qualidade.

Uma possivel influencia na elevacao das taxas de satisfacao pode estar relacionada com os resultados de um estudo que avaliou o atendimento nos servicos do Sistema Unico de Saude e a satisfacao do usuario. Os resultados indicaram que os usuarios entrevistados em areas de atendimento (hospitais, servicos de emergencia) apresentaram uma tendencia para respostas mais satisfatorias, em torno de 40% a 50% maior quando comparada com as respostas dos usuarios que foram entrevistados nas suas comunidades. Os autores do estudo sugerem que os usuarios que nao estavam em area de atendimento responderam de forma mais autentica ao questionario, sem o temor real ou suposto de que respostas desfavoraveis pudessem gerar algum tipo de represalia (Guedes & Garcia, 2001).

Embora essa situacao nao se aplique a esta pesquisa, uma vez que as entrevistas foram feitas nas residencias dos usuarios, distantes da unidade de analise deste estudo, as elevadas taxas de "Muito bom" e "Excelente" podem sugerir um possivel efeito de elevacao das taxas de satisfacao.

Relacao entre a disponibilidade do medicamento e a satisfacao do usuario

Com objetivo de investigar a relacao entre a disponibilidade do medicamento e a satisfacao do usuario, realizou-se inicialmente o teste de dependencia entre a variavel independente "Da ultima vez que voce foi a Farmacia de Minas voce recebeu os medicamentos da sua receita?" com a variavel dependente "Com a Farmacia de Minas em funcionamento como e avaliada a disponibilidade dos medicamentos no SUS?". A seguir foi conduzido o teste da influencia da referida variavel independente sobre a variavel dependente "Satisfacao media com os servicos da farmacia".

Por meio do teste do Qui-quadrado, foi constatado que existe uma tendencia dos usuarios que encontraram os medicamentos a avaliarem melhor a disponibilidade de medicamentos do Programa Farmacia de Minas (Pearson Chi-Square = 22,299, Asymp. Sig. (2-sided) = 0,001), comprovando a Hipotese 1. Os que encontraram parcialmente ou nao encontraram os medicamentos tiveram a tendencia de avaliar a disponibilidade de medicamentos do programa Farmacia de Minas de forma mais negativa, como apresentado na Tabela 4.

Foi tambem constatada a influencia da variavel "Da ultima vez que voce foi a Farmacia de Minas voce recebeu os medicamentos da sua receita?" sobre a variavel "Satisfacao media com os servicos da farmacia". A Tabela 5 mostra que a satisfacao com os servicos da farmacia aumenta com a disponibilidade do medicamento.

O teste t de Student mostrou que o recebimento de medicamentos influencia a satisfacao com os servicos da farmacia, sendo que as pessoas atendidas na totalidade tendem a avaliar os servicos da farmacia de forma mais positiva do que as atendidas parcialmente (Sig. = 0,007) ou nao atendidas (Sig. = 0,000), demonstrando a Hipotese 2.

A constatacao da influencia do recebimento de medicamentos sobre a satisfacao media com os servicos da Farmacia de Minas de Igaratinga demonstra como essa questao e importante no sistema de saude e como ela influencia positivamente a avaliacao dos servicos prestados.

Esse fato pode ser explicado, em parte, pela afirmacao de Nascimento (2000, p. 18): "A disponibilidade regular de medicamentos nos estabelecimentos de saude aumenta a credibilidade da populacao sobre os servicos prestados, aumenta tambem a resolutividade, diminui o retorno e a procura por servicos de saude". Todos esses fatores influenciam positivamente a avaliacao da satisfacao dos usuarios.

Gouveia, Souza, Luna, Souza-Junior e Szwarcwald (2005) constataram que a falta de medicamentos e um dos aspectos mais negativos do atendimento nas unidades de saude, estando entre os fatores que geram menores percentuais de satisfacao dos usuarios.

A percepcao do usuario e fator importante para o dimensionamento do reflexo das acoes que vem sendo desenvolvidas no setor saude. A avaliacao do seu grau de satisfacao e um importante indicador a ser considerado no planejamento das acoes, servindo como vetor de direcionamento e planejamento do servico (Moimaz et al., 2010).

CONSIDERACOES FINAIS

A implementacao da politica publica de Assistencia Farmaceutica e a garantia do acesso aos medicamentos essenciais continuam exigindo esforcos permanentes dos gestores do SUS.

Com o diferencial de contar obrigatoriamente com a presenca de um farmaceutico, o Programa Rede Farmacia de Minas conseguiu, finalmente, garantir a presenca desse profissional nas farmacias municipais do SUS. Embora essa presenca ja estivesse prevista em outras politicas publicas de Assistencia Farmaceutica, nem sempre era viabilizada. O incentivo financeiro do Estado de Minas Gerais para garantir a permanencia desse profissional em todos os municipios da Rede, principalmente naqueles de pequeno porte, foi um avanco inquestionavel dessa politica publica.

Dessa forma, ao avaliar a satisfacao atual dos usuarios da Farmacia de Minas de Igaratinga com os servicos prestados nessa Farmacia, o presente estudo demonstrou um resultado satisfatorio com a media da satisfacao proxima da escala "muito bom". O estudo demonstrou tambem que as pessoas que encontraram todos os medicamentos apresentaram medias maiores de satisfacao com os servicos prestados.

Porem, os resultados que apontam para uma menor satisfacao com o conjunto de perguntas que caracterizam mais especificamente os servicos cognitivos prestados pelo farmaceutico sinalizam a necessidade de maior investimento nessa area, com mudancas que a favorecam no sentido de torna-la mais efetiva. Para isso e necessario um esforco conjunto do farmaceutico da unidade e dos gestores do SUS no sentido de rever a organizacao dos servicos para permitir um maior envolvimento do profissional com as atividades relacionadas ao cuidado do paciente.

O apoio dos gestores do SUS no sentido de favorecer a atualizacao permanente desses profissionais, por meio de cursos e programas supervisionados de acompanhamento farmacoterapeutico, e fundamental para que esse programa avance e consiga os resultados esperados nessa area de atuacao do farmaceutico.

O esforco para essa mudanca devera ser constante, pois a literatura e a pratica demonstram que a mudanca de paradigma, com o foco no usuario e nao no medicamento, ainda representa um grande desafio a ser vencido. Dai a importancia de valorizar os esforcos dos gestores do SUS, no ambito do Estado de Minas Gerais, que desenharam essa politica e acreditaram na viabilidade dessa mudanca.

Percebe-se, pelos resultados desse trabalho, que o Programa Rede Farmacia de Minas ja criou as condicoes estruturais necessarias a pratica da atencao farmaceutica nas suas unidades. A insercao da unidade de Igaratinga no projeto de acompanhamento farmacoterapeutico de pacientes diabeticos foi mais um passo nessa direcao, demonstrando tambem o esforco dos gestores em avancar nessa linha de atuacao do farmaceutico.

Entretanto, se por algum motivo a combinacao medicamento e informacao nao for estabelecida, o sucesso do programa tambem fica comprometido. Considerando que a disponibilidade de medicamentos e um importante componente do acesso, sendo a sua ampliacao, juntamente com o seu uso racional, o principal objetivo do programa, e preocupante um dos achados da presente investigacao, apontando que a maioria dos usuarios encontrou parcialmente ou nao encontrou os medicamentos de sua receita, na ultima vez em que estiveram na Farmacia. Mesmo considerando a limitacao de uma avaliacao baseada apenas em um momento pontual (a ultima vez), o resultado aponta para uma fragilidade do servico que pode comprometer significativamente a qualidade de saude dos seus usuarios.

Considerando tambem que o medicamento e um insumo estrategico para as acoes de saude, a sua indisponibilidade, gerada por interrupcoes do seu fornecimento, representa, a despeito dos esforcos dos tres niveis de gestao do SUS, um grande problema e, por conseguinte, um grande desafio a ser enfrentado.

E-ISSN: 2316-3712

DOI:10.5585/rgss.v6i1.315

Data de recebimento: 02/06/2016

Data de Aceite: 31/10/2016

Organizacao: Comite Cientifico Interinstitucional

Editora Cientifica: Marcia Cristina Zago Novaretti

Editora Adjunta: Lara Jansiski Motta

Avaliacao: Double Blind Review pelo SEER/OJS

Revisao: Gramatical, normativa e de formatacao

REFERENCIAS

Aaker, D. A., Kumar, V., & Day, G. S. (2004). Pesquisa de Marketing (2a ed.). Sao Paulo: Atlas.

Acurcio, F. de A. (2007). Evolucao historica das politicas de saude no Brasil. In Brasil. Ministerio da Saude. Secretaria-Executiva. Subsecretaria de Assuntos Administrativos. Programa MultiplicaSUS: curso basico sobre o SUS: (re)descobrindo o SUS que temos para construirmos o SUS que queremos (2a ed.). Brasilia: Ministerio da Saude (Serie D. Reunioes e Conferencias).

Acurcio, F. de A. (2003). Politica de Medicamentos e Assistencia Farmaceutica no Sistema Unico de Saude. In F. A. Acurcio (Org.). Medicamentos e Assistencia Farmaceutica. Belo Horizonte: COOPMED.

Angonesi, D., & Sevalho, G. (2010). Atencao Farmaceutica: fundamentacao conceitual e critica para um modelo brasileiro. Cienc. Saude Coletiva, 15(3), 3603-3614.

Araujo, A. L. A., Ueta, J. M., & Freitas, O. (2005). Assistencia Farmaceutica como um modelo tecnologico em atencao primaria a saude. Revista de Ciencias Farmaceuticas Basica e Aplicada, 26(2), 87-92. Recuperado de http://serv-bib.fcfar.unesp.br /seer/index.php/Cien_Farm/article/viewFile/404/388.

Benazzi, L. E. B., Figueiredo, A. C. L., & Bassani, D. G. (2010). Avaliacao do usuario sobre o atendimento oftalmologico oferecido pelo SUS em um centro urbano no Sul do Brasil. Cienc. Saude Coletiva, 15(3), 861-868. Recuperado de http://www.scielo. br/scielo .php? script=sci_arttext&pid=S1413-1232010000300029.

Brouselle, A., Champagne, F., Contandriopoulos, A. P., & Hartz, Z. (2011). A analise da Implantacao. In A. Brousselle, F. Champagne, A. P. Contandriopoulos, & Z. Hartz (Orgs). Avaliacao: conceitos e metodos. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz.

Collis, J., & Hussey, R. (2005). Pesquisa em Administracao: um guia pratico para alunos de graduacao e pos-graduacao (2a ed.). Porto Alegre: Bookman.

Conselho Nacional de Secretarios de Saude. (2011). Para entender a gestao do SUS--Sistema Unico de Saude. Brasilia: CONASS.

Correr, C. J., Pontarolo, R., Melchiors, A. C., Souza, R. A. P., Rossignoli, P., & Fernandez-Llimos, F. (2009). Satisfacao dos usuarios com servicos da farmacia: traducao e validacao do Pharmacy Services Questionnaire para o Brasil. Cadernos de Saude Publica, 25(1), 87-96. Recuperado de https://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2009000100009.

Dupim, J. A. A. (1999). Assistencia farmaceutica: um modelo de organizacao. Belo Horizonte: SEGRAC. 79 p.

Esperidiao, M., & Trad, L. A. B. (2005). Avaliacao de satisfacao de usuarios. Ciencia & Saude Coletiva, 10(Suppl.), 303-312. Recuperado de https://dx. doi.org/10.1590/S1413-81232005000500031.

Esperidiao, M., &, Trad, L. A. B. (2006). Avaliacao de satisfacao de usuarios: consideracoes teorico-conceituais. Cad. Saude Publica, 2(6), 1267-1276.

Freitas, E. L. de., Ramalho-De Oliveira, D., & Perini E. (2006). Atencao farmaceutica--teoria e pratica: um dialogo possivel? Acta Farmaceutica Bonaerense, 25(3), 447-53.

Gomes, C. A. P. (2003). A Assistencia farmaceutica no Brasil: analise e perspectiva. Brasilia: CGEE. Recuperado de http://www.cgee.org.br/arquivos /rhf_p1_af_carlos_gomes.pdf.

Gouveia, G. C., Souza, W. V. de, Luna, C. F., Souza-Junior, P. R. B. de, & Szwarcwald, C. L. (2009). Satisfacao dos usuarios do sistema de saude brasileiro: fatores associados e diferencas regionais. Revista Brasileira de Epidemiologia, 12(3), 281-296. Recuperado de https://dx.doi.org/10.1590/S1415-790X2009000300001.

Guedes, D. G. M., & Garcia, T. R. (2001). Atendimento nos servicos do Sistema Unico de Saude e satisfacao do usuario: estudo no municipio de Campina Grande (PB). Saude em Debate, 25(59), 40-49.

Hair, J. F., Anderson, R. E., Tatham, R. E., & Black, W. C. (2005). Analise Multivariada de dados. Porto Alegre: Bookman.

Iglesias, P., Santos H. J., Fernandez-Llimos, F., Fontes, E., & Leal, M. (2005). Translation and validation of the "Pharmacy Services Questionnaire" to Portuguese (European). Seguimiento Farmacoterapeutico, 3(1), 43-56. Recuperado de http://www.cipf-es.org/sft/vol-03/043-056.pdf.

Ivama, A. M. (2002). Consenso brasileiro de Atencao Farmaceutica: proposta. Brasilia: OPAS/OMS.

Larson, L. N., Rovers, J. P., & Mackeigan, L. D. (2002). Patient satisfaction with pharmaceutical care: update of a validated instrument. J. Am. Pharm. Assoc., 1(42), 44-50. Recuperado de http://www.scielo.br/pdf/csp/v25n1/09.pdf.

Lei n. 8.080, de 19 de setembro de 1990. (1990). Dispoe sobre as condicoes para a promocao, protecao e recuperacao da Saude, a organizacao e o funcionamento dos servicos correspondentes e da outras providencias, Brasilia. Recuperado de http://www6.senado.gov.br/legislacao/ListaPublicacoe s.action?id=134238.

Levine, D. M., Berenson, M. L., & Stephan, D. (2000). Estatistica: teoria e aplicacoes. Rio de Janeiro: Livros Tecnicos e Cientificos.

Malhotra, N. K. (2006). Pesquisa de Marketing: Uma orientacao aplicada (4a ed.). Porto Alegre: Bookman.

Marin, N., Luiza, V. L., Castro, C. G. S.O., & Santos, S. M. (Orgs.). (2003). Assistencia farmaceutica para gerentes municipais. Rio de Janeiro: OPAs/omS.

Minayo, M. C. S. (2008). O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saude (11a ed.). Sao Paulo: HUCITEC.

Ministerio da Saude. Secretaria de Ciencia, Tecnologia e Insumos Estrategicos. Departamento de Assistencia Farmaceutica e Insumos Estrategicos. (2006). Assistencia farmaceutica na atencao basica: instrucoes tecnicas para sua organizacao (2a ed.). Brasilia: Ministerio da Saude (Serie A. Normas e Manuais Tecnicos).

Moimaz, S. A. S., Marques, J. A. M., Saliba, O., Garbin, C. A. S., Zina, L. G., & Saliba, N. A. (2010). Satisfacao e percepcao do usuario do SUS sobre o servico publico de saude. Physis, 20(4), 1419-1440. Recuperado de http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-73312010000400019 &script=sci_arttext.

Nascimento Jr., J. M. (2000). Avaliacao da Assistencia Farmaceutica na rede publica municipal de Florianopolis/SC. (Dissertacao Mestrado em Saude Publica. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianopolis, SC, Brasil).

Oliveira, M. J. L. (2004). Assistencia farmaceutica: a percepcao dos gestores e profissionais de saude de Sao Luis (MA). (Dissertacao de Mestrado. Faculdade de Farmacia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil).

Pereira, A. A. (1995). Producao descentralizada de medicamentos essenciais no Instituto de Tecnologia em Farmacos do Estado do Rio de Janeiro: um diagnostico estrategico de sua implementacao. (Dissertacao Mestrado em Administracao Publica. Escola Brasileira de Administracao Publica, Fundacao Getulio Vargas, Rio de Janeiro, RJ, Brasil).

Pereira, M. L., Ramalho de Oliveira, D., Mendonca, S. A. M, Costa, J. M., Rocha, T. M., & Santana Junior, W. B. (2005). Atencao farmaceutica: implantacao passo-a-passo. Belo Horizonte: Faculdade de Farmacia da UFMG.

Perini, E. (2003). Assistencia Farmaceutica: fundamentos teoricos e conceituais. In F. de A. Acurcio (Org.). Medicamentos e Assistencia Farmaceutica. Belo Horizonte: COOPMED.

Perini. E. (2009). Acesso a medicamentos. In BRASIL. Ministerio da Saude. Pesquisa Nacional de Demografia e Saude da Crianca e da Mulher--PNDS 2006: dimensoes do processo reprodutivo e da saude da crianca. Brasilia: Ministerio da Saude (Serie G. Estatistica e Informacao em Saude).

Politica nacional de medicamentos. (1988). Ministerio da Saude. Secretaria de Politicas de Saude. Departamento de Atencao Basica. Brasilia: Ministerio da Saude, 2001. 40 p. (Serie C. Projetos, Programas e Relatorios, 25). Brasilia: [Senado Federal]. Recuperado de http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/con stituicao.htm.

Renovato, R. D., & Bagnato, M. H. S. (2007). Atencao farmaceutica: do medicamento ao ser humano. Cadernos de Saude Coletiva, 15(1), 153-162.

Resolucao n. 338 de 6 de maio de 2004. (2004). Conselho Nacional de Saude. Aprova a Politica Nacional de Assistencia Farmaceutica. Diario Oficial da Uniao, Poder Executivo, Brasilia.

Santos, C., Davi, J., Martiniano, M. S., Peret, T. C., & Leite, R. B. F. (2008). Novo modelo assistencial de saude. Revista de Politicas Publicas, 12(1), 73-81.

Secretaria de Estado de Saude. Superintendencia de Assistencia Farmaceutica. (2008). Plano Estadual de Estruturacao da Rede de Assistencia Farmaceutica: uma estrategia para ampliar o acesso e o uso racional de medicamentos no SUS. Belo Horizonte: SES-MG.

Yin, R. K. (2005). Estudo de caso: planejamento e metodos (3a ed.). Porto Alegre: Bookman.

Vergara, S. C. (2004). Projetos e relatorios de pesquisa em administracao (5a ed.). Sao Paulo: Atlas.

Tarcisio Afonso (1)

Alba Valeria Souto Melo Moraes (2)

Bruno Pellizzaro Dias Afonso (3)

Jose Edson Lara (4)

(1) Doutorado em Administracao pela Ohio University--Ohio, Athens (EUA). Professor do Mestrado Profissional em Administracao da Fundacao Pedro Leopoldo--FPL, Minas Gerais (Brasil). E-mail: professortarcisioafonso@gmail.com

(2) Mestre em Administracao pela Faculdade Pedro Leopoldo--FPL, Minas Gerais (Brasil). E-mail: albasoutomelo@gmail.com

(3) Doutor em Administracao pela Universidade FUMEC, Minas Gerais (Brasil). Professor do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais--IFNMG, Minas Gerais (Brasil). E-mail: bruno@allportal.com.br

(4) Doutorado em Economia de l'Empresa pela Universitat Autonoma de Barcelona--UAB (Espanha). Professor do Mestrado Profissional em Administracao da Fundacao Pedro Leopoldo--FPL, Minas Gerais (Brasil). E-mail: jedson. lara@hotmail .com

Caption: Figura 1. Ciclo da Assistencia Farmaceutica

Caption: Figura 2. Assistencia Farmaceutica (modelo conceituai)
Tabela 1: Percepcao da disponibilidade de medicamentos na Farmacia
de Minas

DISPONIBILIDADE     FREQUENCIA   PERCENTUAL
DO MEDICAMENTO                       (%)

Sim, totalmente            79          39,9
Sim, parcialmente          96          48,5
Nao                        22          11,1
Total                     197          99,5
Nao                         1           0,5
  informada
Total                     198         100,0

DISPONIBILIDADE     PERCENTUAL    PERCENTUAL
DO MEDICAMENTO      VALIDO (%)   ACUMULADO (%)

Sim, totalmente           40,1            40,1
Sim, parcialmente         48,7            88,8
Nao                       11,2           100,0
Total                    100,0
Nao
  informada
Total

Fonte: Dados da pesquisa

Tabela 2: Avaliacao da disponibilidade de medicamentos na Farmacia
de Minas

AVALIACAO DA      FREQUENCIA   PERCENTUAL
DISPONIBILIDADE                    (%)

Melhorou                132          66,7
Ficou igual ao           43          21,7
  que era antes
Piorou                   10           5,1
Nao sei avaliar          13           6,6
Total                   198         100,0

AVALIACAO DA      PERCENTUAL    PERCENTUAL
DISPONIBILIDADE   VALIDO (%)   ACUMULADO (%)

Melhorou                66,7           66,7
Ficou igual ao          21,7           88,4
  que era antes
Piorou                   5,1           93,4
Nao sei avaliar          6,6          100,0
Total                  100,0

Fonte: Dados da pesquisa

Tabela 3: Satisfacao dos usuarios com os servicos prestados pela
Farmacia de Minas, separados em dominios

PERGUNTA                  FREQUENCIA   MEDIA   DESVIO   EXCELENTE
                                               PADRAO      (%)
EXPOSICAO AGRADAVEL

P1-A aparencia               197       4,26     0,82      48,70
  profissional da
  farmacia?
P2-A disponibilidad          194       4,04     0,89      35,10
  e do farmaceutico
  em responder as
  suas perguntas?
P3-A relacao                 198       4,03     0,90      36,40
  profissional do
  farmaceutico
  com voce?
P5-A prontidao no            196       4,05     0,95      39,30
  atendimento da
  sua receita?
P6-O profissionalismo        197       4,16     0,90      43,70
  dos funcionarios
  da farmacia?
P13-Os servicos              196       4,01     0,96      38,30
  da sua farmacia
  em geral?
P14-As respostas             197       4,01     0,88      33,50
  do farmaceutico
  as suas perguntas?
P16-A cortesia e             198       4,20     0,93      47,00
  respeito demonstrados
  pelos funcionarios
  da farmacia?
Satisfacao mEdia                       4,09     0,72      40,25
  no dominio
  "Exposicao agradavel"

MANEJO DA TERAPIA

P4-A habilidade do           196       3,75     1,06      30,60
  farmaceutico em
  avisa-lo sobre
  problemas que voce
  poderia ter com
  seus medicamentos?
P7-A explicacao do           198       3,85     1,02      32,30
  farmaceutico sobre
  a acao dos seus
  medicamentos?
P8-O interesse do            195       3,70     1,09      28,70
  farmaceutico pela
  sua saude?
P9-A ajuda do                198       3,73     1,10      29,80
  farmaceutico no
  uso dos seus
  medicamentos?
P10-O empenho do             198       3,77     1,06      30,80
  farmaceutico em
  resolver os
  problemas que voce
  tem com seus
  medicamentos?
P11-A responsabilidade       197       3,71     1,10      28,40
  que o farmaceutico
  assume com o seu
  tratamento?
P12-As orientacoes do        198       3,82     1,05      31,80
  farmaceutico sobre
  como tomar os seus
  medicamentos?
P15-O empenho do             197       3,82     1,05      32,00
  farmaceutico em
  manter ou melhorar
  a sua saude?
P17-A privacidade            196       3,98     0,96      35,70
  nas conversas com
  o seu farmaceutico?
P18-O empenho do             197       3,81     1,06      30,50
  farmaceutico para
  assegurar que os
  seus medicamentos
  facam o efeito
  esperado?
P19-A explicacao do          198       3,72     1,11      28,80
  farmaceutico sobre
  os possiveis efeitos
  adversos dos
  medicamentos?
P20-O tempo que o            196       3,77     1,06      28,60
  farmaceutico oferece
  para passar com voce?
Satisfacao mEdia no                    3,79     0,95      30,67
  dominio "Manejo
  da terapia"
Satisfacao media                       3,91     0,83      34,50
  com os servicos
  prestados

Fonte: Dados da pesquisa

Tabela 4: Recebimento de Medicamentos versus Avaliacao da
Disponibilidade

RECEBIMENTO DE            AVALIACAO DA DISPONIBILIDADE
MEDICAMENTOS
                 MELHOROU   FICOU IGUAL   PIOROU   NAO SEI   TOTAL
                            AO QUE ERA             AVALIAR
                               ANTES

Sim,                58           15         0         6        79
  totalmente      73,4%        19,0%       0,0%      7,6%    100,0%
Sim,                65           22         6         3        96
  parcialmente    67,7%        22,9%       6,3%      3,1%    100,0%
Nao                 8            6          4         4        22
                  36,4%        27,3%      18,2%     18,2%    100,0%
Total              131           43         10        13       197
                  66,5%        21,8%       5,1%      6,6%    100,0%

Fonte: Dados da pesquisa

Tabela 5: Influencia do recebimento de medicamentos sobre a
satisfacao com os servicos da farmacia

RECEBIMENTO DE     Satisfacao
MEDICAMENTOS          Media

Sim totalmente       4.1970
Sim parcialmente     3.8565
Nao atendidas        3.3095
Total                3.9179

Fonte: Dados da pesquisa
COPYRIGHT 2017 Universidade Nove de Julho
No portion of this article can be reproduced without the express written permission from the copyright holder.
Copyright 2017 Gale, Cengage Learning. All rights reserved.

Article Details
Printer friendly Cite/link Email Feedback
Author:Afonso, Tarcisio; Moraes, Alba Valeria Souto Melo; Afonso, Bruno Pellizzaro Dias; Lara, Jose Edson
Publication:Revista de Gestao em Sistemas de Saude
Article Type:Ensayo
Date:Jan 1, 2017
Words:8195
Previous Article:Hospital efficiency of the Brazilian regions: a study using the data envelopment analysis (DEA)/Eficiencia hospitalar das regioes Brasileiras: um...
Next Article:History of the health economy in Brazil/Trajetoria da economia da saude no Brasil.
Topics:

Terms of use | Privacy policy | Copyright © 2022 Farlex, Inc. | Feedback | For webmasters |