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Estrategias de Politicas Publicas para Reducao da Informalidade no Setor de Confeccoes: Aplicacao do Metodo de Analise Hierarquica/Public Policy Strategies for Informality Reduction in the Clothing Sector: Application of the Hierarchical Analysis Method.

Introducao

Um dos grandes desafios das economias modernas consiste em conciliar o crescimento economico e suas consequencias sobre a sociedade como um todo (Ashraf & Uddin, 2016).

Nesse sentido, segundo Bento, Jacobsen e Liu (2018), destaque-se a dificuldade dos agentes publicos em observar ou fiscalizar questoes de normas ou formalidade, especialmente em um contexto de micro e pequenas empresas. Esse e o caso, por exemplo, do Polo de Confeccoes do Agreste Pernambucano, onde coexiste um grande numero de pequenos fabricos (Martins, Andrade & Candido, 2009), dentre os quais a maioria na chamada economia informal (Rocha, Mariano & Pelogio, 2016).

Observa-se no Brasil, a partir dos anos de 1980, uma preocupacao crescente com os estudos sobre informalidade (Cacciamali, 1983). O termo informalidade estaria ligado a facilidades de entrar no mercado, dependencia de recursos locais, trabalho familiar, tecnologia trabalho intensiva, aprendizagem no trabalho (learning-by-doing), dentre outros (De Widt & Panagiotopoulos, 2018). Os agentes na economia informal optam por solucoes peculiares que destoam em parte de regras legais e consensuais (Dabla-Norris, Gradsteing & Inchauste, 2008).

Pode-se compreender ou assimilar o estudo da economia informal por diferentes angulos (Mitra, 2017). Um deles refere-se ao fenomeno atraves do estudo das microempresas, do mercado de trabalho informal, da sonegacao fiscal, do descumprimento da legislacao trabalhista, ambiental, dentre outros (Cacciamali, 2000). Todas essas questoes sao informacoes importantes para o conceito de economia informal, mas duas questoes sao primordiais (Rothenberg et al., 2016). De um lado o trabalhador assalariado, que na maioria das vezes procura o setor informal por falta de oportunidades e, de outro, a firma que objetiva maximizar seus ganhos no mercado atraves de estrategias de acao que melhor se contextualize com seus interesses (La Porta & Shleifer, 2014).

A analise em questao apresenta-se relevante uma vez que se debruca sobre um tema importante para a sociedade na medida em que a economia informal envolve significativos desdobramentos sobre diversos setores socioeconomicos (Marcesse, 2018), tais como saude, educacao, seguranca publica, mercado de trabalho, dentro outros. Se, por um lado, a informalidade emprega determinada forca de trabalho, por outro, reduz a arrecadacao publica (Berman, West & Richter Jr., 2002).

Ainda sobre essa questao e interessante assinalar outras consequencias produzidas pela informalidade como baixa produtividade, ilegalidade, evasao de impostos, corrupcao e, sobretudo, um contingente de individuos excluidos dos sistemas de protecao social (Moreno-Monroy & Posada, 2018).

Para as empresas, a informalidade acarreta a ausencia de apoio financeiro pelos orgaos de fomento e de gestao por orgaos tecnicos (Allen, Meijun & Jing, 2018). Este contexto leva as empresas que atuam na informalidade a obtencao de baixos indices de produtividade e competitividade na economia (Gray & Mabey, 2005), alem do nao enquadramento em licitacoes para prestacao de servicos a instituicoes governamentais e privadas (Distinguin, Rugemintwari & Tacneng, 2016).

Outra caracteristica decorrente do processo da informalidade recai de modo mais especifico sobre algumas empresas que estao inseridas no contexto de compra e venda de bens e servicos (Williams, Shahid & Martinez, 2016). Algumas empresas tem desejado sua permanencia na informalidade por lucrarem, de certa forma, com o sistema (Dabla-Norris et al., 2008). Isto pode ser visto, segundo Sutter (2017), nos "ganhos extraordinarios" dos empresarios em virtude de baixos custos dos fatores de producao, como, por exemplo, mao-de-obra contratada a margem das regras laborais vigentes, sonegacao fiscal ou insumos adquiridos sob condicao de ausencia de taxacao ou impostos incidentes, que resultam em receitas crescentes dos empresarios, o que os estimulam a continuarem na informalidade.

O governo deseja a diminuicao da informalidade, mas tambem almeja o crescimento da economia (Ashraf & Uddin, 2016). Segundo De Widt e Panagiotopoulos (2018), o que a primeira vista parece pressupor um trade-off entre crescimento economico e reducao da informalidade tem se constituido em enorme preocupacao para o agente governamental. Ainda nao esta claro sob que circunstancias o setor publico pode fazer com que as Pequenas e Medias Empresas (PMEs) cumpram a legislacao trabalhista, tributaria e ambiental sem prejudica-las quanto a sua sobrevivencia e sua competitividade (Lucena, Vasconcelos & Marcelino, 2011).

O Polo de Confeccoes do Agreste constitui-se em uma das principais atividades economicas da Regiao, com a predominancia de atuacao das pequenas e medias empresas (Cabral, 2007). Como grande parte da producao textil ocorre na informalidade, com baixa produtividade e baixo valor agregado de seus produtos, o setor acaba perdendo em competitividade, sobretudo se comparado a produtos de origem chinesa que invadem esta Regiao, enfraquecendo o crescimento e desenvolvimento local (Martins et al., 2009). Criar as condicoes para a formalidade, acompanhadas de qualificacao e incentivos economicos pode ser um caminho para fomentar o desenvolvimento do setor, tendo como consequencia a geracao de emprego e renda.

Assim, a principal contribuicao desta pesquisa e identificar as estrategias de politicas publicas, dentre as alternativas disponiveis, tais como, expansao do microcredito, reducao de impostos e aumento da fiscalizacao, para trazer as empresas de pequeno e medio porte do setor de confeccoes para a formalidade.

Dessa forma, o objetivo geral da pesquisa consiste em selecionar a melhor estrategia de politica publica de incentivo a reducao da informalidade no Polo de Confeccoes do Agreste Pernambucano.

Referencial Teorico

Estrategias de Politicas Publicas de Apoio ao Setor Informal

O setor governamental e nao governamental tem se preocupado em entender as variaveis que impulsionam a informalidade a fim de encontrar formas de tratamento do setor informal sem, contudo, frear o crescimento da economia (Darbi, Hall & Knott, 2016). Alguns mecanismos de politicas visam lidar com a questao da informalidade, dentre eles, politicas de microcredito e reducao da cunha fiscal (Reis & Ulyssea, 2005; Bento et al., 2018).

A forma como essas politicas vem sendo colocadas em pratica tem sido bastante questionada (Filartiga, 2007), devido, em parte, se o sujeito a que se destina a politica tem de fato sido contemplado com as acoes dos agentes governamentais (Marcesse, 2018). Em principio, acredita-se na eficiencia dessas politicas, mas se abre espaco para a discussao da melhor forma de enquadrar a parcela da populacao menos favorecida pelas politicas de acesso ao credito por meio do sistema formal bancario. Fatores como burocracia e criterios de formalizacao dos empreendimentos impedem que parcelas significativas da populacao, que atuam na informalidade, sejam incluidas no mercado com os beneficios que a formalidade oferece, como, por exemplo, a participacao em certames publicos e beneficios sociais (Cacciamali, 1995; Sutter, 2017).

Estrategias de Microcredito

No caso brasileiro, destaca-se o desenvolvimento da atividade de concessao de microcredito, inicialmente marcado pela atuacao das Organizacoes Nao-Governamentais (ONGs), dado que o ponto de partida para a atuacao do Estado deu-se atraves da disponibilizacao de recursos financeiros para essas instituicoes atuantes na area de microcredito (Reis & Ulyssea, 2005), voltando-se posteriormente para a construcao de sua institucionalidade.

Nesse sentido, a experiencia brasileira orienta-se na construcao de uma rede de distribuicao de credito voltada para o publico ainda nao contemplado pelo sistema de credito formal, gracas a elaboracao de marco regulatorio adequado (Carvalho & Schiozer, 2015).

Politicas de microcredito tem se constituido em uma das principais armas da iniciativa governamental e de ONGs na luta pela formalizacao dos negocios informais (De Widt & Panagiotopoulos, 2018). Esta alternativa tem encontrado em varios defensores com (Carvalho & Schiozer, 2015; Rothenberg et al., 2016; Marcesse, 2018) o aparato teorico necessario para a pratica de acoes que visam desenvolver uma estrutura de comercio em que os agentes atuem formalmente para a consecucao de melhores resultados e aumento da produtividade empresarial.

Estas politicas vem se expandido para alcancar as classes menos favorecidas e demandantes de credito para consecucao de seus empreendimentos, e que tem sido objeto de analise de alguns autores que lidam com o fenomeno da informalidade (Darbi et al., 2018). No que diz respeito a politica publica de expansao do microcredito e assistencia as micro e pequenas empresas, e abandonada a ideia inicial de que as atividades nao integradas aos modernos segmentos da economia eram um subproduto das mudancas pelas quais passa a economia no decorrer dos anos (Demenet, Razafindrakoto & Roubaud, 2016), alterando o curso de desenvolvimento das nacoes, que poderia resultar em extincao da estrutura produtiva. No entanto, notam-se vastas e heterogeneas atividades decorrentes do surgimento da informalidade, cuja acao governamental deve orientar-se de forma distinta para os diferentes grupos de trabalho do setor informal (Theodoro, 2000).

Neste sentido, a politica publica busca procurar atender a populacao de baixa renda que se encontra a margem do sistema formal financeiro por nao apresentar os requisitos e garantias legais de acesso ao credito (Williams, Shahid & Martinez, 2016). Assim, o apoio ao trabalho por conta propria e aos pequenos empreendedores vem se firmando como elemento de estrategias que se destinam a reverter ou minimizar a queda dos niveis de emprego (Berman et al., 2002; Moreno-Monroy & Posada, 2018).

Em resumo, esta politica se diferencia de outras por considerar a necessidade de uma politica governamental que aja diretamente sobre o mercado de trabalho, visando a geracao de emprego e renda para a populacao de baixa renda (Theodoro, 2002). Segundo os especialistas, esta politica so se concretiza quando se descarta a crenca da tendencia de reducao do setor informal frente ao avanco da economia formal (Sutter, 2017).

Para Rocha et al. (2016), as atividades de microcredito, quando consideradas instrumentos de politica publica ou desenvolvimento social e economico local, tem como objetivo trazer resposta a esses problemas. Como consequencia, o sistema de microcredito deve ter como principais caracteristicas a flexibilidade, proximidade social e adaptacao a demanda de sua clientela (acesso rapido a recursos; exigencias minimas de garantia; simplificacao da solicitacao de documentacao, entre outras), permitindo reduzir consideravelmente os custos e problemas causados pela assimetria de informacoes (Ashraf & Uddin, 2016).

Estrategias de Cunho Fiscal

Com o objetivo de melhor enquadramento de politicas que tratem de forma especifica sobre reducao de cunha fiscal, torna-se imperativo abordar inicialmente algumas questoes de natureza tributaria ja que este mecanismo de politica incorrera exatamente em reducao de tributos. Se observado pela otica governamental, o ente publico, para fazer frente as suas obrigacoes (despesas), lanca mao de um aparato juridico que permita o uso de sua capacidade coercitiva junto aos individuos (La Porta & Shleifer, 2014). O uso do poder coercitivo do Estado justifica-se na medida em que visa ao bem comum em detrimento do interesse particular, haja vista que o que esta em jogo e o interesse de toda uma coletividade (Rothenberg et al., 2016).

Algumas politicas publicas interferem no dominio economico e procuram na medida do possivel agir sobre determinados setores da economia com o intuito de corrigir suas possiveis falhas e torna-lo produtivo para a sociedade (Yassin & Langot, 2018). No que concerne as empresas, de acordo com Gray e Mabey (2005), uma vez que a diferenca de capacidade contributiva entre, de um lado, as microempresas e empresas de pequeno porte e, de outro, as medias e grandes empresas ja justificaria o tratamento diferenciado. O primeiro grupo de empresas e responsavel pela geracao da maioria dos empregos no Pais e necessita de protecao do Estado para que consiga concorrer numa economia de mercado (Santini et al., 2015).

Existe naturalmente uma preocupacao do governo em melhorar a situacao de determinados setores que agregam valor para a economia como um todo, caso em que se inclui a atuacao das micro e pequenas empresas (Bruhn & Loeprick, 2016). De outra forma, devido a preocupacao com o fenomeno da informalidade, questionamentos sao direcionados para identificar possiveis tipos de politicas publicas que sejam capazes de tratar o assunto da informalidade de forma mais eficiente para o conjunto da populacao sem que, para tanto, incorra em restricao do crescimento economico (De Widt & Panagiotopoulos, 2018).

Basicamente duas alternativas tem fomentado os debates acerca do tema, a primeira ja foi apresentada na secao anterior sobre o tema politicas de microcredito. A segunda envolve, de acordo com Dabla-Norris et al. (2008), politicas tipicamente de mercado de trabalho, como uma reducao de cunha fiscal incidente sobre o trabalho que pretende substituir formas tradicionais de cobrancas de impostos, como a maioria dos impostos cumulativos (em cascata).

Os impostos cumulativos incidem sobre todas as etapas da producao (Mitra, 2017), fazendo com que os agentes economicos verticalizem a producao e a cobranca ocorre em cada momento que o bem e produzido (Distinguin et al., 2016). Isto encarece enormemente o preco final do produto para o consumidor, desta forma, percebe-se que o imposto cumulativo e um imposto altamente ineficiente do ponto de vista economico.

Com estes impostos, segundo Carvalho (2002), os agentes sao estimulados a atuarem na informalidade, devido, em parte, a pesada carga tributaria incidente sobre o trabalho, ampliando o nivel da informalidade da economia. Isto traz consequencias tanto para o agente arrecadador dos tributos (governo) como para as pessoas que estao a margem da protecao estatal (sociedade), seja na esfera trabalhista ou mesmo previdenciaria (Demenet et al., 2016).

Desta forma, passou-se a perceber que tanto o mecanismo de expansao do microcredito como a reducao de cunha fiscal (imposto) constituiu-se em forcas, ate certo ponto eficientes, de politicas publicas de estimulo a formalizacao dos empreendimentos (Darbi et al., 2018). Se observado pela otica fiscal, quanto maior o grau de informalidade, mais elevado o grau de sonegacao e consequente perda de base tributaria (Bruhn & Loeprick, 2016). Outro efeito nocivo gerado pela informalidade ocorre sobre o lado da producao, atraves do nivel e da qualidade dos empregos gerados, e, consequentemente, sobre a produtividade e o crescimento da economia (Reis & Ulyssea, 2005).

Metodo da Pesquisa

Com relacao ao metodo de pesquisa empregado neste trabalho, optou-se por um metodo muito utilizado no campo da pesquisa operacional (Ho & Ma, 2018), sobretudo, a partir da decada de 1970, onde comecaram a surgir os primeiros metodos de Apoio ou Auxilio Multicriterio a Decisao (Campanella & Ribeiro, 2011). Com o intuito de enfrentar situacoes especificas, e atuando com racionalidade, um tomador de decisao deve resolver um problema em que ha varios objetivos a serem alcancados de forma simultanea (Khademolqorani & Hamadani, 2013; Yager, 2018).

Os metodos de Apoio Multicriterio a Decisao possuem um carater cientifico e, ao mesmo tempo, subjetivo, trazendo consigo a capacidade de agregar, de maneira ampla, todas as caracteristicas consideradas importantes, inclusive as nao quantitativas, com a finalidade de possibilitar a transparencia e a sistematizacao do processo referente aos problemas de tomada de decisao (Mardani et al., 2015). Para selecionar politicas publicas de incentivo a reducao da informalidade no Polo de Confeccoes do Agreste Pernambucano, considerando diversos fatores ou criterios, foi utilizado um metodo de apoio a decisao denominado de Analytic Hierarchy Process (AHP) (Gupta et al., 2015; Singh & Nachtnebel, 2016), tambem conhecido como Metodo de Analise Hierarquica.

Os criterios e alternativas foram escolhidos pelos pesquisadores a partir das politicas ja verificadas ou que estao em discussao pelos estudiosos do tema (Soltani et al., 2015). Assim, este estudo e uma primeira proposta e apresenta um caminho dentre algumas possibilidades que nao tem a intencao de apresentar um resultado definitivo, mas colaborar para ampliar a lista de possibilidades e reflexoes acerca de politicas publicas voltadas para a reducao da informalidade.

A partir da definicao do problema, elaboracao dos criterios (perfis dos feirantes) e alternativas (politicas), elaborou-se um questionario que foi utilizado na composicao do modelo (Yusof & Salleh, 2013).

No modelo original, proposto por Saaty (1991), utiliza-se apenas a opiniao de um especialista. Contudo, tendo em vista que existe uma variedade de especialistas estudando o assunto, convem considerar a media dessas opinioes, como tem sido utilizado vastamente na literatura (Gupta et al., 2015; Chaudhary et al., 2016).

A teoria do processo decisorio apresenta como fundamento principal o pressuposto de que os individuos agem racionalmente quando incorrem em decisoes de natureza simples (Deng et al., 2018). Porem, em situacoes mais complexas, busca-se um arcabouco teorico de que supra a limitacao cognitiva do ser humano, tendo em vista que quando os criterios de solucao sao iguais ou superiores a dois, geralmente conflitam entre si (Govidan et al., 2015).

Como o principal objetivo de analise multicriterio de apoio a decisao e revelar e ordenar as diversas alternativas construidas por diferentes especialistas que possuem percepcao, compreensao e experiencias distintas em relacao a um dado estudo (Campanella & Ribeiro, 2011), busca-se atraves do metodo multicriterio uma resposta que respalde a tomada de decisao tendo em vista os diferentes criterios e alternativas da situacao (Yager, 2018). O metodo permite que, de modo organizado e transparente, as preferencias dos individuos sejam reveladas, auxiliando o processo de decisao pela ordenacao das alternativas consideradas (Mardani et al., 2015).

O campo da pesquisa operacional foi fecundo em fornecer um conjunto de metodos multicriterios, que estruturam, analisam e oferecem suporte ao auxiliar o processo de tomada de decisao (Saaty, 1991). Estes metodos tem sido amplamente utilizados em todo o mundo com varias aplicacoes, tais como para auxiliar analises de custo beneficio na alocacao de recursos, resolucao de conflitos, localizacao de aeroportos, planejamento de trafego (Marcharis & Bernardini, 2015).

Para Gomes, Araya e Carignano (2004) os elementos essenciais a qualquer problema multicriterio constituem-se de: (a) tomadores de decisao (quem faz as escolhas e assume as preferencias); (b) analista (quem interpreta e quantifica as opinioes dos tomadores de decisao, estrutura o problema, elabora o modelo matematico); (c) modelo (conjunto de operacoes matematicas capazes de transformar as preferencias dos tomadores de decisao em um resultado quantitativo); (d) alternativas (acoes globais e independentes que visam a solucao do problema); e (e) criterios/atributos (os atributos sao as ferramentas que permitem a comparacao entre as diversas alternativas). Quando se aplica uma escola de valor ao atributo, a partir da preferencia do tomador de decisao, tem-se o criterio.

As quatro relacoes fundamentais de preferencia a serem consideradas sao (Roy & Bouyssou, 1993):

a) Indiferenca--"a I b" (a e indiferente a b), significa que ha razoes que justificam a indiferenca na escolha entre as duas alternativas;

b) Preferencia estrita--"a P b" (a e estritamente preferivel a b), existem fatores que favorecem a alternativa "a" relativamente a alternativa "b";

c) Preferencia fraca--"a Q b" (a e fracamente preferivel a b) existe duvida de se"a I b" ou "a P b";

d) Incomparabilidade--a R b (a e incomparavel a b), inexiste qualquer situacao que legitime as disposicoes anteriores, de forma que, se a I b [??] g(a) = g(b); se a P b [??] g(a) > g(b); se a Q b [??] g(a) [greater than or equal to] g(b); se a R b [??] "a" nao pode ser comparado com "b".

A partir das preferencias dos tomadores de decisao, sao estabelecidos os criterios e alternativas para a construcao da matriz de decisao, definida para "m" alternativas ([a.sub.1], [a.sub.2],., am) e "n" criterios ([c.sub.1], [c.sub.2],., [c.sub.n]), de dimensao m X n (Ho e Ma, 2018). Dessa forma, os Metodos de Apoio a Decisao Multicriterio (MADM) tem carater cientifico e subjetivo, com capacidade de agregar todas as caracteristicas consideradas importantes, quantitativas e nao quantitativas, facilitando assim a transparencia e sistematizacao dos problemas de tomada de decisoes (Macharis & Bernardini, 2015).

Em essencia, os MADM referem-se a um problema de otimizacao com diferentes funcoes-objetivo simultaneas (Mardani et al., 2015). Expresso por Max F(X), onde F(X) e o vetor [[f.sub.1](x), [f.sub.2](x),., [f.sub.p](x)] de "p" funcoes-objetivo que representam os objetivos simultaneos do problema e "x" e o vetor [[x.sub.1], [x.sub.2],., [x.sub.n]] das "n" variaveis de decisao. O conjunto de escolhas "X" pode ser discreto ou continuo (Roy & Bouyssou, 1993).

Segundo Ehrlich (1996), tres metodos de apoio ao processo de tomada de decisao podem ser destacados: o MAUT (Multi-Attribute Utility Theory), que parte da construcao de utilidades individuais para cada criterio; o AHP (Analytic Hierarchy Process), que inicia o processo pela decomposicao hierarquica do objetivo global em criterios; e o MCDA (Multi-Criteria Decision Aid), processo semelhante ao AHP, mas que apresenta um resultado binario, ou proximo a isto, em cada criterio.

O Metodo de Analise Hierarquica (AHP), utilizado neste estudo, por meio do Software Expert Choice, foi elaborado pelo Prof. Thomas Saaty na decada de 1970, quando trabalhava no Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Na epoca, tal metodo consolidou-se como ferramenta aplicativa para o estudo dos transportes do Sudao, mas tem sido utilizado nas mais diversas areas (Saaty, 1991).

O metodo fundamenta-se na comparacao paritaria das alternativas. Inicialmente o problema e dividido em fatores, que podem ser decompostos em novos fatores ate um nivel mais baixo, de forma a se organizar uma hierarquia de niveis descendentes: o objetivo final no topo da hierarquia, os criterios imediatamente abaixo, depois os subcriterios e, por fim, os possiveis resultados ou cenarios (Singh & Nachtnebel, 2016).

O processo do metodo segue quatro etapas basicas: (a) estruturacao hierarquica; (b) aplicacao da comparacao paritaria dos elementos em cada nivel do sistema; (c) principio de priorizacao e; (d) sintetizacao de prioridades (Yusof & Salleh, 2013). A etapa de estruturacao hierarquica constitui-se da formulacao do problema e da decomposicao do sistema em varios niveis de hierarquia, dependendo da complexidade do problema tratado (Chaudhary et al., 2016). No caso mais simples, observado no Organograma 1, a hierarquia e formada por tres niveis: (1) objetivo geral; (2) criterios; (3) alternativas.

Apos a divisao do problema em niveis hierarquicos, determina-se uma medida global para cada uma das alternativas, ordenando-as ao final (Gomes et al., 2004). Depois de construir a hierarquia, cada especialista apresentara sua preferencia entre os atributos considerados par a par, gerando uma matriz quadrada de decisao.

A comparacao par a par das alternativas e realizada com uma escala propria, que varia de um a nove, desenvolvida por Saaty (1991), conforme Tabela 1.

O especialista, ao comparar criterios e alternativas, utiliza a escala fundamental de Saaty, gerando subsidios para a formacao da matriz de decisao. A Tabela 2 exemplifica uma matriz de decisao em uma situacao onde sao analisados tres criterios e tres alternativas (Gupta et al., 2015).

E importante destacar que a construcao da matriz de decisao e feita segundo os objetivos do pesquisador.

As matrizes sao elaboradas segundo as relacoes estabelecidas na estrutura hierarquica de decisao. A quantidade de alternativas e criterios, bem como a relacao existente entre eles sao definidas em consonancia com os objetivos tracados pelo estudo (Soltani et al., 2015).

No presente trabalho, o uso do metodo multicriterio de decisao tem por objetivo selecionar a melhor politica publica de incentivo a reducao da informalidade no Polo de Confeccoes do Agreste Pernambucano. Dessa forma, e necessaria a inclusao de alternativas de escolha dado os criterios estabelecidos, pois o tomador de decisao precisa comparar paritariamente cada criterio com cada alternativa (Yosuf & Salleh, 2013), como se apresenta no Organograma 2.

A partir da aplicacao dos questionarios com os especialistas serao selecionadas as alternativas de politica, com base nas preferencias desses tomadores de decisao sobre criterios e alternativas, considerando as comparacoes paritarias. As entrevistas ocorreram com agentes locais, stakeholders localizados no Municipio de Caruaru.

Apresentacao dos Resultados

Nesta etapa do trabalho, sao apresentados os resultados obtidos atraves do metodo de apoio a tomada de decisao pelo Metodo de Analise Hierarquica (AHP) para a selecao da melhor politica publica de incentivo a reducao da informalidade no Polo de Confeccoes do Agreste Pernambucano. O Metodo parte do principio de que os tomadores de decisao efetuarao de forma racional suas escolhas diante de situacoes conflitantes (Campanella & Ribeiro, 2011), baseando suas decisoes em uma hierarquia de criterios e alternativas para a solucao de um problema ou objetivo a ser alcancado (Yager, 2018).

Os criterios e as alternativas de politicas foram estabelecidos a partir do julgamento empirico do analista mediante escolha subjetiva, uma vez que para Gomes et al. (2004), cabe ao analista a tarefa de formular o problema de modelagem e a resolucao do mesmo, alem de interagir com os agentes de decisao e com o proprio tomador de decisao. Assim, os criterios e alternativas estabelecidos apos a revisao de literatura sobre informalidade e politicas publicas, foram os seguintes:

a) Criterios: feirantes com maior faturamento (FMFAT), feirantes com pelo menos um funcionario (FPMU) e feirantes que envolvam a familia no negocio (FEFN);

b) Alternativas: programa de expansao do microcredito (EXPMI), reducao de impostos (REDIM) e aumento da fiscalizacao (AUMFI).

Apos o julgamento de cada criterio em cada questionario (experimento), foi possivel criar uma matriz com os pesos atribuidos pelos especialistas, que alimentaram a aplicacao do modelo. Como nao ha um especialista absoluto no assunto, foram utilizados os pesos medios dos criterios e peso medio das alternativas dos questionarios utilizados (Roy & Bouyssou, 1993). Como analise de sensibilidade, foi rodado individualmente cada experimento, ou seja, o modelo foi rodado para cada questionario. Ainda que o peso de cada alternativa no resultado final de cada experimento variasse, em nenhum experimento houve alteracao da classificacao das politicas, de forma que se considerou redundante a apresentacao dos resultados para os experimentos isolados.

Com base nos resultados obtidos atraves do Software Expert Choice, apresenta-se a classificacao das politicas consideradas, a partir dos criterios e alternativas aqui estabelecidas para a escolha da melhor politica publica de incentivo a reducao da informalidade no Polo de Confeccao do Agreste Pernambucano. Na Figura 1, verificam-se as prioridades de politicas, de acordo com os julgamentos/preferencias dos especialistas no intuito de selecionar a melhor politica publica de incentivo a reducao da informalidade no Polo de Confeccoes do Agreste Pernambucano. Para observar a coerencia ou robustez do modelo, deve-se considerar um indice de inconsistencia das preferencias de ate 10% (Ho & Ma, 2018). Isso significa que o modelo admite um erro maximo nessa percentagem.
Figura 1: Prioridades para a decisao de selecao da melhor politica
publica

EXPMI                     63,5%
REDIM                     28,7%
AUMFI                      7,8%
Indice de Inconsistencia   0,09

Fonte: Dados da pesquisa.

Nota: Tabla derivada de grafico de barra.


Para a consistencia do modelo, segundo Gupta e colaboradores (2015), as escolhas devem atender ao pressuposto da transitividade, que nao pode ser violado, sob a prerrogativa de nao atender o axioma seguinte: se x [??] y e y [??] z [therefore] x [??] z[??]. Para tanto, a teoria sugere que a razao de consistencia (RC) seja igual ou inferior a 0,10 para que seja considerada aceitavel (Khademolqorani & Hamadani, 2013). Valores superiores a esses colocam em questionamento os resultados, devendo os especialistas rever os julgamentos. No caso em analise, todavia, o modelo considera-se dentro do intervalo esperado, haja vista que o indice de inconsistencia e de 9%.

Com base na matriz de julgamentos, construida a partir dos pesos coletados, obteve-se como resultado a selecao de expansao do microcredito como melhor alternativa de politica publica para a reducao da informalidade, como se observa na Figura 1 e nas ilustracoes subsequentes. Uma possivel justificativa para esse resultado, de acordo com Mitra (2017), pode ser relacionada ao baixo custo das operacoes de microcredito, em que os programas operam com taxas de juros reduzidas. E, consequentemente, ha baixa inadimplencia, tornando relativamente baixo o custo da operacao para o microempreendedor (Williams et al., 2016). Esse baixo custo se apresenta como um estimulo a maior produtividade, alem de impactar tambem, em certa medida, na inibicao da inadimplencia, que em parte esta associada aos altos custos dos fatores e insumos de producao. Alem disso, como visto no referencial teorico, boa parte dos estudiosos citados (Reis & Ulyssea, 2005; Carvalho & Schiozer, 2015; De Widt & Panagiotopoulos, 2018) indicam esta politica como sendo a mais eficiente, corroborando com o resultado aqui encontrado.

Na Figura 2, as barras demonstram a comparacao paritaria entre as alternativas "expansao do microcredito" e "reducao de impostos" para a selecao da melhor politica publica. A primeira politica foi escolhida como melhor em todos os criterios considerados (feirantes com maior faturamento, feirantes com pelo menos um funcionario e feirantes que envolvem a familia nos negocios). Destaque-se, que a politica se apresenta mais ou menos importante a depender do criterio considerado.

Dessa forma, o resultado geral, indicado pela barra cinza, demonstra que a politica de expansao do microcredito e o mais indicado, devido ao maior peso dos criterios para se alcancar o objetivo de selecao da melhor politica publica de incentivo a reducao a informalidade no Polo de Confeccoes do Agreste. Cacciamali (2000) e Sutter (2017) justificam a importancia das politicas de microcredito para os agentes que atuam na informalidade considerando a dificuldade ou impossibilidade de acesso ao credito no mercado formal.

A Figura 3 apresenta a comparacao paritaria entre as alternativas "expansao do microcredito" e "aumento da fiscalizacao" para a selecao da melhor politica publica, e tambem neste caso, a politica de expansao do microcredito foi escolhida como melhor em todos os criterios considerados. Distinguin, Rugemintwari e Tacneng (2016) apontam para a questao da falta de incentivo financeiro para os agentes na politica de fiscalizacao, ou seja, o objetivo e tao somente imputar ao agente uma conduta que obedeca de forma estrita ao ordenamento juridico. Ainda sobre a analise da Figura 3, Yassin e Langot (2018) apontam para a forma coercitiva que o Estado exerce diante de outros agentes da economia, forcando-os a agir de acordo com os ditames legais supostamente sem o acompanhamento "educativo" que, segundo os autores, seria essencial para a correcao de determinadas posturas e comportamentos.

A Figura 4 mostra outra forma de visualizar a decisao do desempenho de cada alternativa de politica em relacao a cada criterio, conforme apresentacao do Software Expert Choice. As barras verticais indicam os pesos relativos de cada criterio utilizado na analise, bem como sua importancia dentro deste modelo de decisao, as linhas horizontais correspondem a posicao de cada alternativa no ranking final apos a aplicacao do modelo (Mardani et al., 2015). O fato das linhas serem horizontais (nao apresentando sobe e desce) indica que os especialistas nao consideraram diferencas entre as politicas quando pontuaram cada criterio. Ou seja, mesmo que em proporcoes diferentes, em todas as comparacoes o ranking das politicas nao se alterou.

A Figura 5 mostra a sintese do modelo, indicando a participacao de cada criterio na composicao da classificacao final das politicas publicas de incentivo a reducao da informalidade no Polo de Confeccoes do Agreste Pernambucano.

Dessa forma, nas circunstancias desta pesquisa e considerando este grupo de especialistas, a expansao da politica de microcredito poderia funcionar como incentivo economico (Bruhn & Loeprick, 2016) para que esses agentes economicos (feirantes) viessem a sair da informalidade. Obviamente, a politica por si so nao traria esse efeito, ja que o Polo de Confeccoes e forte gerador de renda na Regiao e, em alguns casos, exatamente pela informalidade em que se encontram.

Mas aliada ha outras questoes poderia ser um forte indutor da regularizacao desses feirantes ou de parte deles. Acredita-se que se esses feirantes forem formalizados, o aumento de arrecadacao para os cofres publicos podera trazer beneficios para toda a sociedade.
Figura 5: Dinamica de decisao para a selecao da melhor politica publica

CRITERIOS

FMFAT  68,7%
FPMU   18,6%
FEFN   12,7%

ALTERNATIVAS

EXPMI  63,5%
REDIM  28,7%
AUMFI   7,8%

Fonte: Dados da pesquisa.

Nota: Tabla derivada de grafico de barra.


Algumas dessas questoes foram colocadas pelos proprios especialistas, por ocasiao da entrevista, e necessitam ser elucidadas de forma a aproximar esses feirantes da economia formal, tais como: implantacao de programas que capacitem um numero elevado de empreendedores que estao iniciando seus negocios; uma politica tributaria mais flexivel, que facilite a arrecadacao e reduza a carga de impostos; campanhas que incentivem os pequenos e micro empreendedores a buscarem apoio tecnico nos orgaos de apoio a micro e pequenos negocios; tratamento diferenciado pelo ente publico, por serem pequenos; treinamento e acesso a bens de capital que torne o micro e pequeno negocio competitivo e aumente sua produtividade.

Conclusao

Cada vez mais tem crescido o interesse da sociedade e do Estado por estrategias de politicas publicas que tragam beneficios para toda a populacao. O setor de confeccoes e o mais dinamico da economia do Agreste Pernambucano e, por isso, carece de cuidado e atencao por parte dos agentes publicos. Alem da forte informalidade presente nesta economia, faz parte do conhecimento geral da regiao que os pequenos fabricos apresentam baixa produtividade e competitividade (Cabral, 2017), evidenciadas pelo preco muito baixo dos produtos; alem da crescente concorrencia com os produtos chineses. A informalidade cresce a medida que surgem novos pequenos negocios todos os dias.

O perfil do feirante e diferenciado (Martins et al., 2009), tem aquele que apresenta maior faturamento e poderia ja estar formalizado, ficando na informalidade por opcao, ja que acredita que aufere lucros maiores fora do mercado formal. Alguns tem pelo menos um funcionario, alem de agregados de todo tipo, mas nao necessariamente apresentam maiores faturamentos. E, existem alguns que se constitui apenas do feirante, com o auxilio, permanente ou nao, dos familiares.

Claramente, analisou-se a informalidade do ponto de vista da firma, ou seja, do pequeno proprietario do negocio e nao do ponto de vista do assalariado (regularizado ou nao). E nesse ponto e preciso esclarecer a dificuldade encontrada com a literatura, sempre voltada ao trabalhador.

Evidenciados todos esses perfis, esses tipos tornaram-se os criterios do modelo. Ou seja, qual seria a melhor politica publica, dentre as que se conhece: microcredito, fiscalizacao ou reducao de impostos para cada perfil desses? Se por um lado, ha quem deseje permanecer na informalidade, provavelmente ha quem deseje tornar seu empreendimento legalizado. Este ultimo poderia aderir a economia forma (Darbi et al., 2018), a fim de poder ter acesso a programas financeiros e fontes de fornecimento de materias-primas que so o processo de formalizacao permite obter. Mas qual seria o incentivo? Sera que nao estao tendo incentivos suficientes ou sera que estao enfrentando outras dificuldades? Essas questoes permitem pensar em se propor politicas que incentivem os agentes a se formalizarem sem, no entanto, frear seu crescimento.

Este estudo nao encontrou respostas para todos esses questionamentos, mas tambem nao se propunha a tanto.

Sem pretender esgotar o assunto, mas com o intuito de servir de apoio a futuras pesquisas, bem como auxiliar gestores publicos na tomada de decisao, apresenta-se aqui a politica de expansao do microcredito, como a melhor alternativa de incentivo a reducao da informalidade, considerando, todavia, as limitacoes do modelo e as circunstancias em que foi aplicado.

Nesse contexto, o uso das tecnicas de analise multicriterio de apoio a decisao auxiliou os tomadores de decisao a selecionar a melhor politica dentre aquelas que estao ao alcance da escolha dos agentes, tornando o processo mais racional e fundamentado. O que basicamente diferencia o metodo multicriterio de outros metodos que auxiliam no processo de tomada de decisao e a capacidade de incorporar valores subjetivos dos tomadores de decisao na elaboracao do problema (Roy & Bouyssou, 1993).

Isto permite que a mesma alternativa seja analisada de maneira distinta de acordo com o julgamento de valor dos tomadores de decisao a respeito de cada criterio (Deng et al., 2018).

Acredita-se que a estrategia de politica publica de expansao do microcredito pode trazer beneficios nao so para a sociedade como um todo, atraves da ampliacao da arrecadacao de recursos financeiros, mas tambem para os micro e pequenos empreendedores que poderao ser beneficiados por menores taxas em seus investimentos e acesso a novos mercados, alem de fontes de insumos ate entao inatingiveis (produtos de importacao, por exemplo). Alem disso, como colocado pelos especialistas entrevistados, a implantacao de programas que capacitem um numero elevado de empreendedores que estao iniciando seus negocios; uma politica tributaria mais flexivel, que facilite a arrecadacao e reduza a carga de impostos; campanhas que incentivem os pequenos e micro empreendedores a buscarem apoio tecnico nos orgaos de apoio a micro e pequenos negocios; tratamento diferenciado pelo ente publico, por serem pequenos; treinamento e acesso a bens de capital que torne o micro e pequeno negocio competitivo e aumente sua produtividade seriam importantes politicas auxiliares no incentivo a reducao da informalidade.

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(1) Jose Cicero de Castro

(2) Monaliza de Oliveira Ferreira

(3) Marconi Freitas da Costa

Recebido: 29/09/2018

Aprovado: 06/02/2019

(1) Universidade Federal de Pernambuco--UFPE, Pernambuco, (Brasil). E-mail: jccastroprofessor@gmail.com Orcid id: https://orcid.org/0000-0002-4975-954X

(2) Universidade Federal de Pernambuco--UFPE, Pernambuco, (Brasil). E-mail: monalizaoferreira@gmail.com Orcid id: https://orcid.org/0000-0003-2748-8096

(3) Universidade Federal de Pernambuco - UFPE, Pernambuco, (Brasil). E-mail: marconi costa@hotmail.com Orcid id: https//orcid.org/0000-0001-9888-8359
Tabela 1: Escala fundamental de Saaty

Importancia           Definicao                     Descricao

1                 Igual importancia       As duas atividades contribuem
                                            igualmente para o objetivo
3             Importancia pequena de um      A experiencia e o juizo
                    sobre o outro            favorecem levemente uma
                                            atividade relativamente a
                                                      outra
5               Importancia grande ou        A experiencia e o juizo
                      essencial              favorecem fortemente uma
                                            atividade relativamente a
                                                      outra
7            Importancia muito grande ou      Uma atividade e muito
                     demonstrada             fortemente favoravel em
                                                 relacao a outra
9               Importancia absoluta        A experiencia favorece uma
                                          atividade em relacao a outra,
                                             com o mais alto grau de
                                                    seguranca
2,4,6,8        Valores intermediarios     Quando se procura uma condicao
                                            de compromisso entre duas
                                                    definicoes

Fonte: Saaty (1991).

Tabela 2: Matriz de decisao

Alternativas   Criterio 1  Criterio 2  Criterio 3

Alternativa A     a11          a12         a13
Alternativa B     a21          a22         a23
Alternativa C     a31          a32         a33

Fonte: Gupta et al. (2015).
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Author:de Castro, Jose Cicero; de Oliveira Ferreira, Monaliza; da Costa, Marconi Freitas
Publication:Future Studies Research Journal: Trends and Strategy
Date:May 1, 2019
Words:8179
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