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Estrategia de predicao leitora nas series iniciais: resultados de pesquisas e aplicacao no ensino.

Introducao

O presente artigo esta situado no contexto das dificuldades de compreensao leitora de criancas, reveladas nos baixos escores alcancados em provas oficiais, no contexto dos estudos realizados pela autora e no desenvolvimento da Psicolinguistica como ciencia capaz de ancorar a busca de solucoes para problemas dessa ordem.

A intencao, com este texto, e disponibilizar a professores e pesquisadores conhecimentos construidos sobre pesquisa e ensino da leitura nas series iniciais com o olhar voltado para essa situacao. Para tanto, o artigo esta organizado em tres topicos: o contexto, os fundamentos psicolinguisticos e a aplicacao pedagogica desses fundamentos.

Contexto

Por decorrencia de sua formacao cientifica e pedagogica e de suas experiencias de docencia no Ensino Fundamental, a autora acompanha as preocupacoes atuais com os baixos escores de compreensao leitora evidenciados por alunos dessa faixa escolar, dirigindo mais especificamente seu olhar para as series iniciais.

A analise dos desempenhos evidenciados por meio de provas oficiais que vem sendo realizadas para avaliar o dominio linguistico dos estudantes, com enfase na leitura, indica-os como insatisfatorios conforme o PISA (Programa Internacional de Avaliacao de Estudantes), o SAEB (Sistema de Avaliacao da Educacao Basica) e o SAERS (Sistema de Avaliacao do Rendimento Escolar do Rio Grande do Sul).

A avaliacao realizada pelo PISA em 2006, da qual participaram estudantes de 15 anos de 56 paises, mostrou o Brasil ocupando a 48a posicao, com escore de 393, numa escala de 0 a 625. Os estudantes brasileiros apresentaram desempenhos distribuidos do seguinte modo: 27,8% abaixo do primeiro nivel, 27,7% no nivel 1; 25,3% no nivel 2; 13,4 % no nivel 3; 4,7% no nivel 4 e 1,1% no nivel 5 (OECD, 2007).

Os dados do SAEB 1995, 1997, 1999, 2001, 2003 e 2005 mostraram, numa escala de proficiencia em Lingua Portuguesa, de 0 a 325, que os alunos de 4a serie do Ensino Fundamental alcancaram, respectivamente, escores de 188, 187, 171, 165, 169 e 172,3 (INEP, 2009).

Os dados do SAERS, numa escala de proficiencia que varia de 0 a 325, distribuida em quatro faixas--abaixo de 120 (abaixo do basico), de 121 a 170 (basico), de 171 a 225 (adequado) e acima de 225 (avancado)--evidenciaram que os alunos de 2a serie apresentaram sucessivamente os seguintes resultados: 25,3; 42,8, 24,8 e 7,1% em 2007 e 18,3; 48,4; 27,1 e 6,8% em 2008. Os dados dos alunos de 5a serie distribuidos nas faixas--abaixo de 165 (abaixo do basico), de 166 a 220 (basico), de 221 a 290 (adequado) e acima de 290 (avancado)--evidenciaram os desempenhos sucessivos de 19; 47,6; 31,4 e 2% em 2007 e de 20; 49,1; 29,2 e 1,7% em 2008 (SEC/RS, 2009).

Nesse quadro, desejando colaborar para o encontro de solucoes, a autora vem continuadamente desenvolvendo pesquisas sobre leitura e elegendo esse publico como alvo beneficiario de tais iniciativas. Algumas dessas pesquisas, especificadas a seguir, tem contribuido de forma significativa para o que e proposto neste artigo, por voltarem-se especialmente para esse tema e para esse publico.

Na primeira de uma sequencia (PEREIRA, 2003), foi feito um levantamento dos procedimentos e materiais de leitura utilizados por professores, bem como de suas percepcoes e de seus alunos sobre leitura e ensino da leitura. Pertencentes a 18 escolas de Porto Alegre (6 particulares, 6 publicas estaduais e 6 publicas municipais), representadas cada uma delas por 1 professor e 1 aluno de 3a serie e 1 professor e 1 aluno de 4a serie do Ensino Fundamental, a amostra totalizou 36 professores e 36 alunos. Cada um desses grupos de escolas representou tres subgrupos, considerando a variavel estrato socioeconomico, definida pela localizacao da escola e pelas caracteristicas dos alunos. Os dados indicaram poucas diferencas entre os tipos de escola, embora com tendencia mais positiva para as particulares, no que se refere a um trabalho de leitura vinculado a processamento cognitivo. Como textos de leitura foram indicados predominantemente os que se encontram em livros didaticos, alem de historias, fabulas e lendas, e, como portadores de texto, rotulos e embalagens. Os procedimentos de leitura relatados foram atividades de tipos variados decorrentes da necessidade de despertar o interesse dos alunos, nao se constituindo, no entanto, em caminhos intencionais de ensino da leitura.

Na segunda pesquisa, a partir dos resultados da anterior, foram organizados materiais de ensino da leitura, focalizando a estrategia de predicao nos diversos planos linguisticos, e aplicados em situacoes integradas de um aluno e seu professor. Os dados coletados durante a experiencia (19 professores e 19 alunos) indicaram que acoes pedagogicas com esse recorte contribuiram para o aprendizado e para a satisfacao dos participantes e que, comparativamente a situacoes isoladas convencionais, os beneficios foram maiores. Apontaram, tambem, que os alunos deram preferencia as atividades desafiadoras e que os professores, em situacao favoravel como a desenvolvida na pesquisa, fizeram inferencias teoricas importantes a partir de praticas orientadas com os alunos.

Na terceira pesquisa (PEREIRA; PICCINI, 2006), foram elaborados materiais virtuais (programados atraves do MX Flash) de predicao leitora (nos diversos planos linguisticos), para verificar os escores de compreensao leitora e os procedimentos de predicao dos sujeitos (24 alunos de 3a e 4a series iniciais, sendo 12 da rede publica e 12 da rede particular de ensino). Foi utilizada uma ferramenta virtual de registro do percurso de predicao dos sujeitos, no que se refere a automonitoramento, autoavaliacao e autocorrecao. Os dados obtidos permitiram algumas constatacoes: na progressao das atividades, houve reducao do tempo; os ganhos ocorreram especialmente no automonitoramento e na autoavaliacao; a serie escolar nao foi determinante, nao havendo diferencas significativas no avanco da competencia em leitura entre os alunos da 3a e os da 4a; a variavel sexo exerceu influencia em relacao a ordem em que as atividades eram solucionadas, sendo a ordem direta (linear) mais utilizada pelas meninas; o plano linguistico marcou os processos cognitivos, sendo que, nos planos fonico e morfico, dominaram os ascendentes; o plano linguistico tambem marcou os procedimentos, sendo que, no plano morfico, foram mais utilizados o automonitoramento e a autocorrecao e, no plano semantico, a autoavaliacao.

Os dados obtidos nessas pesquisas contribuiram para o estabelecimento de fundamentos psicolinguisticos para o ensino da leitura nas series iniciais, expostos a seguir, de modo que haja, no trabalho escolar, ingresso da concepcao de leitura como processo, do uso de materiais de leitura diversificados, da percepcao do texto estruturado em planos linguisticos, sempre considerando as caracteristicas dos alunos dessa faixa escolar no que se refere as relacoes entre leitura e cognicao e os conhecimentos dos professores a esse respeito.

Fundamentos psicolinguisticos

Os estudos teoricos sobre leitura e as pesquisas relatadas brevemente no topico anterior permitem apontar bases psicolinguisticas de sustentacao de um ensino de leitura nas series iniciais: concepcao de leitura (compreensao, processamento e estrategia), materiais de leitura (tipos, generos) e planos linguisticos do texto (fonico, morfossintatico e semantico-pragmatico).

As contribuicoes de Goodman (1987 e 1991), Smith (2003), Colomer e Camps (2002), entre outros, definem a leitura como um processamento cognitivo que o leitor realiza diante do texto para chegar a compreensao. Esse processamento ocorre de forma ascendente (botton-up) e/ou de forma descendente (top-down), sendo que, no primeiro, o leitor faz o movimento das unidades menores para as maiores e, no segundo, o leitor realiza o movimento das unidades maiores para as menores. A escolha do movimento, pelo leitor, decorre de variaveis como os conhecimentos previos de que dispoe, o objetivo da leitura, o genero e o tipo de texto e os caminhos cognitivos ja por ele desenvolvidos. De um leitor maduro, e esperado precisamente que saiba escolher as formas mais adequadas para a situacao de leitura em que esta mergulhado, com vistas a compreensao.

Associadas ao processamento cognitivo, tem importancia fundamental as estrategias de leitura, que consistem em caminhos cognitivos e metacognitivos realizados pelo leitor em busca da compreensao. A literatura sobre o assunto aponta diferentes categorizacoes, como, por exemplo: ativacao dos conhecimentos previos (buscas nas memorias), selecao (escolha de focos no texto e de procedimentos de leitura), identificacao dos padroes organizacionais do texto (marcas tipograficas, sequencias, tema e subtemas, diagramacao, distribuicao do texto), predicao (antecipacao dos conteudos, formulacao e testagem de hipoteses de leitura), leitura detalhada (direcionamento da atencao, tempo de leitura), automonitoramento (controle da compreensao e dos procedimentos de leitura), skimming (leitura rapida, busca de conhecimento geral das possibilidades do texto), scanning (leitura geral do texto, mas com foco de busca), autoavaliacao (julgamento da compreensao e dos procedimentos de leitura utilizados), autocorrecao (alteracao dos procedimentos de leitura, considerando a compreensao obtida). Dessas estrategias, a de predicao, possivelmente por sua natureza antecipatoria, por sua extensao, por sua amplitude e por sua relevancia, esta incluida nas diferentes categorizacoes, especialmente em Goodman (1987 e 1991) e Smith (2003), donde sua especial importancia para o ensino da leitura, permitindo prever fonemas/letras, morfemas, palavras, frases, enfim ate o tema e a situacao de producao do texto.

Associada a previsao, antevisao, antecipacao, adivinhacao, a predicao consiste numa estrategia leitora que propoe uma interacao entre o leitor, por meio de seus conhecimentos previos, e o texto, por meio das pistas linguisticas deixadas pelo escritor em todos os planos. Essa condicao a configura como um jogo psicolinguistico de antecipacao e de verificacao da correcao do movimento realizado, isto e, de formulacao e testagem de hipoteses de leitura. Tratase, assim, de um jogo de risco automonitorado, apoiado em tracos grafo-fonicos, morfossintaticos e semantico-pragmaticos.

Cabe salientar que a selecao das pistas pelo leitor esta vinculada a importancia das mesmas no texto que o leitor tem diante de seus olhos e a importancia para o processo de predicao. Assim, e mais provavel que o leitor se apoie em pistas grafo-fonicas para realizar predicoes em poesias, assim como em pistas pragmaticas para predicoes em textos fortemente circunstanciados (propagandas, anuncios, avisos, cartas e bilhetes).

Ao tratar desse assunto, os materiais de leitura constituem-se em condicao evidente. Considerando que os estudos psicolinguisticos indicam que a variavel texto (tipo e genero) influencia nos processos cognitivos e na compreensao, ha que inclui-la numa proposta de ensino da leitura. Desse modo, tipos textuais diferentes (narracao, descricao, exposicao, argumentacao e interlocucao) e generos textuais diversos (vinculados as midias, aos espacos sociais) sao pertinentes para promover a selecao e o uso de caminhos de leitura produtivos para a compreensao.

Todos esses tipos e generos textuais sao estruturados em planos linguisticos, que se constituem em pistas para o leitor. O plano fonico trata da dimensao sonora do texto, expressa nas repeticoes e disposicoes fonicas, nas rimas, nas aliteracoes. O plano morfossintatico esta presente na construcao interna dos vocabulos, na ordem dos elementos da frase, nas relacoes entre as palavras, nos elementos coesivos gramaticais. O plano semantico-pragmatico se evidencia no significado das palavras, nos elementos coesivos lexicais e nas relacoes da linguagem com as situacoes de uso.

Os fundamentos psicolinguisticos expostos neste topico, examinados na interacao com os dados das pesquisas realizadas pela autora (topico anterior), indicam que ha que recorta-los, considerando que os alunos, dada a variavel serie escolar, apresentam poucas diferencas no que se refere ao uso de processos cognitivos e estrategias de leitura e aos escores de compreensao leitora. Observando a variavel tipo de escola, os dados apontam pequena vantagem para os alunos de escola particular no que se refere a compreensao leitora e ao uso produtivo de processos e estrategias. No entanto, considerando a variavel sexo, as meninas, diferentemente dos meninos, tendem aos caminhos ascendentes, acertam mais as questoes de compreensao, embora levando mais tempo para encontrar as respostas. Colocando atencao sobre os planos linguisticos, no fonologico e no morfologico as criancas tendem ao processo ascendente. Os estudos de correlacao do genero de texto com plano linguistico indicam uma tendencia positiva para correlacoes como plano fonologico com poesia e texto instrucional, plano sintatico com texto instrucional, plano semantico com texto cientifico e fabula, plano pragmatico com historia curta e fabula.

Essas analises decorrentes da interacao entre teoria e dados de pesquisa devem ser consideradas no planejamento de atividades de ensino da leitura nas series (ou nos anos) iniciais, momento em que o leitor, por ser ainda iniciante, precisa de orientacoes pontuais, nitidas e claramente ordenadas.

Aplicacao pedagogica dos fundamentos psicolinguisticos

As atividades de predicao leitora, explorando os planos linguisticos de diferentes tipos e generos textuais, descritas a seguir, foram extraidas das pesquisas relatadas anteriormente. Desse modo, devem ser ainda sequenciadas na direcao de um objetivo pedagogico tracado pelo professor de acordo com as caracteristicas dos seus alunos.

Para a organizacao de tarefas de predicao de elementos do plano fonico, e importante que este se constitua em traco significativo do texto. Desse modo, sao mais pertinentes os poemas, os trava-linguas, as cantigas, as adivinhas, os proverbios. Selecionados tais textos, com contribuicao significativa da sonoridade e do ritmo, podem ser elaboradas atividades em que o aluno seja desafiado a descobrir as regularidades fonicas do texto, realizar brincadeiras fonicas com alteracoes das rimas e das aliteracoes, comparar textos com semelhancas e diferencas nas regularidades fonicas etc. E importante, para o desenvolvimento da consciencia linguistica do aluno, pedir-lhe que explique o caminho utilizado para solucao dos desafios propostos.

Para maior clareza, aqui esta uma exemplificacao por meio do trava-lingua "O rato roeu [...]". Primeiramente, as criancas repetem (falam) o trecho: "O rato roeu a roupa do rei. O rato roeu a roupa do Reginaldo". A seguir, analisam as semelhancas fonicas. Depois, escrevem o texto e fazem a leitura. Posteriormente, fazem predicoes sobre possiveis continuidades: "O rato roeu a roupa do [...] (Renato, Ronaldo [...])".

Mais um exemplo, agora com predicao de rimas, esta apresentado a seguir. As criancas recebem o trava-lingua do Sapo Cururu faltando a ultima palavra do ultimo verso: "Sapo Cururu / na beira do mar / quando sapo grita maninha / diz que quer [...]". Apos varias leituras e recitacoes, elas completam o texto, sugerindo rimas possiveis dentre algumas propostas: dormir, casar, brincar, comer [...]

A elaboracao de atividades de predicao morfossintatica pode estar apoiada em varias pistas linguisticas: a formacao, a estrutura e o limite do vocabulo; a ordem e a estrutura da frase; e os elos coesivos gramaticais (referencias, elipses, conjuncoes). Para isso, e preciso selecionar textos em que essas pistas sejam determinantes para seu entendimento. Selecionados os textos, atividades como as propostas a seguir podem ser organizadas: com incompletudes morfossintaticas que exijam do aluno descobri-las e justificar as descobertas; com semelhancas ou com diferencas morfossintaticas para que os alunos facam comparacoes e deducoes, descubram as regularidades morfossintaticas, facam recriacoes a partir da regularidade inicial.

Exemplificando essas possibilidades, os palindromos sao interessantes para predicoes morfossintaticas, cabendo as criancas fazerem as segmentacoes de modo que a mesma frase possa ser lida da esquerda para a direita e da direita para a esquerda. Aqui estao exemplos: 'abasedotetodesaba'; 'sairamotioeoitomarias'; 'agramaeamarga'; 'evaasseepa peessaave'.

Tambem sao produtivas as atividades que exigem a predicao de elementos coesivos (conjuncoes). A pequena fabula a seguir possibilita isso: "Um galo ciscava num terreno procurando algo para comer. De repente, encontrou uma perola. Disse [... ] (entao) decepcionado:--[... ] (Mas) de que me serve isso que encontrei? E continuou a caminhar e a ciscar".

Atividades de predicao semantico-pragmatica podem estar apoiadas em elementos predominantemente semanticos--o significado vocabular, a polissemia, a ambiguidade, os elos coesivos lexicais (repeticao, sinonimia, hiperonimia/hiponimia, nome generico, associacao por contiguidade), a coerencia (progressao tematica, manutencao tematica, ausencia de contradicao interna). Podem estar apoiadas tambem em elementos predominantemente pragmaticos--a situacao de comunicacao (conhecimentos previos dos interlocutores, objetivo da comunicacao, momento e local, tipo e genero textual), a eficiencia da comunicacao, as relacoes com o mundo representado. Para organizar as atividades, a escolha dos textos e de grande importancia, uma vez que esses elementos devem desempenhar papel significativo neles. Feita a selecao, podem ser organizadas atividades com esses textos, como as propostas a seguir: com incompletudes para descoberta das palavras-chave, da sequencia sinonimica, da sequencia de superordenados, da distribuicao dos campos semanticos e para realizacao de inferencias sobre a situacao comunicativa de textos ou de fragmentos de textos. E importante que, em todas as atividades, o aluno expresse como realizou as descobertas, de modo a desenvolver a consciencia linguistica sobre o seu processo de leitura.

Explicitando esses entendimentos, pode ser feita uma exemplificacao com predicao de repeticao vocabular, pela fabula O leao e o rato. Ela pode ser apresentada as criancas com lacuna em 'leao' e em 'rato', cada vez que aparecem no texto. Cabe a elas irem lendo e predizendo esses vocabulos.

Tambem podem ser exemplificados com a apresentacao as criancas de um fragmento de texto: uma parte de um calendario (uma linha ou uma coluna ou [...]), de uma embalagem (o codigo de barras ou o prazo de validade ou [...]), de uma historia (uma frase ou o titulo ou o final [...]). Cabe a elas realizar inferencias sobre o texto de que o fragmento faz parte, reconstituir o texto e explicar como realizou as inferencias.

As formas de aplicacao descritas ate aqui estao associadas aos estudos anteriormente expostos. No proximo topico, sao apresentadas conclusoes sobre o uso da predicao no ensino da leitura nas series iniciais e sua relacao com a pesquisa, considerando a problematica apresentada inicialmente.

Conclusao

Fechando o presente artigo, cabe destacar alguns topicos apresentados, considerando a pesquisa e o ensino da predicao leitora nas series iniciais, no contexto das dificuldades de leitura ja evidenciadas nos baixos escores alcancados pelos alunos em provas elaboradas e aplicadas por sistemas oficiais.

Os dados que vem sendo obtidos estao a indicar a fragilidade dos processos cognitivos de leitura desenvolvidos pelos estudantes, cabendo uma preocupacao especial com os que frequentam as series iniciais, por ali estar a base de formacao do leitor, e com o uso de estrategias de leitura, pois constituidoras dos referidos processos.

Dentre elas, a predicao merece um espaco especial, constituindo-se em topico potencialmente relevante para investigacao e para acao pedagogica, na medida em que compoe o amago dos processos cognitivos de leitura, estando, por essa razao, presente nas inumeras categorizacoes de estrategias metacognitivas.

Dada, no entanto, sua amplitude, ha que examina-la e aplica-la no ensino nessa sua natureza, buscando e utilizando seus procedimentos especificos e suas relacoes com as demais estrategias de leitura.

Dada tambem a relacao proposta por ela de movimentos cognitivos do leitor sobre as pistas linguisticas deixadas pelo autor no texto, e fundamental examina-la e aplica-la no ensino, considerando a interacao de ambos, leitor e autor, do ponto de vista dos movimentos cognitivos do primeiro sobre os planos linguisticos constituintes do texto marcados pelo segundo.

Sendo esse leitor um aluno que frequenta classes de series iniciais, e importante conhece-lo, investigando suas condicoes de compreensao leitora e seus procedimentos cognitivos para chegar a compreensao e considerando as informacoes obtidas por meio de pesquisas como as aqui relatadas. Isso indica que, para aplicacao, no ensino, dos fundamentos aqui desenvolvidos, e preciso levar em conta as diferencas de possibilidades de compreensao e de uso de procedimentos de predicao, no que se refere a serie escolar (3a/4a), ao sexo (meninas/meninos), ao tipo de escola frequentada (particular/publica) e ao manejo do plano linguistico (fonico, morfico, sintatico, semantico e pragmatico) dos diferentes generos/tipos de texto.

A exposicao ate aqui feita indica que a realizacao de investigacoes sobre uso da predicao (assim como de outras estrategias leitoras) e escores de compreensao e fundamental para aplicacoes psicolinguisticas produtivas no ensino, sendo esse provavelmente o caminho para encontrar solucoes para o problema da leitura ja identificado com boa nitidez por meio de provas oficiais. Ha que considerar, no entanto, que pesquisa e ensino nao se desenvolvem no mesmo tempo, donde a importancia de o professor estar atento aos resultados gradativos que surgem e recorta-los em aplicacoes possiveis.

Received on March 6, 2009. Accepted on May 20, 2009.

Referencias

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DOI: 10.4025/actascilangcult.v31i2.6521

Vera Wannmacher Pereira

Pontificia Universidade Catolica do Rio Grande do Sul, Av. Ipiranga, 6681, 90619-900, Partenon, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. E-mail: vpereira@pucrs.br
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Title Annotation:texto en portugues
Author:Wannmacher Pereira, Vera
Publication:Acta Scientiarum Language and Culture (UEM)
Date:Apr 1, 2009
Words:4093
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