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Erosao em sistema plantio direto: influencia do comprimento de rampa e da direcao de semeadura.

Erosion in no-tillage system: Influence of ramp length and seeding direction

INTRODUCAO

Em sua maior extensao, a erosao do solo e ocasionada pela acao da agua das chuvas e tem sido, nas condicoes de agricultura intensiva do Estado de Sao Paulo, um dos principais fatores de depauperamento acelerado da fertilidade do solo (Panachuki et al., 2006). As chuvas, quando nao controladas convenientemente, desagregam o solo, arrastando quantidades consideraveis de sais minerais e materia organica, agentes essenciais a sua fertilidade. Tal arrastamento, que se acentua com o aumento da declividade do terreno, podera ocasionar, em certos tipos de solo, estragos irreparaveis, nao so quanto a fertilidade mas tambem em relacao a propria conformacao do terreno.

o sistema plantio direto (SPD) e um sistema de manejo conservacionista constituido de praticas que envolvem, necessariamente, rotacao de culturas, mobilizacao do solo exclusivamente na linha de semeadura e cobertura permanente do solo (Cassol et al., 2007). Trata-se de um conjunto de tecnicas que revolucionaram a agricultura brasileira, pois resultam em aumentos na produtividade das principais culturas produtoras de graos e na preservacao e melhoria da capacidade produtiva do solo (Salton et al., 1998), pela reducao da erosao, reciclagem de nutrientes, atividade biologica e manejo de residuos culturais (Ceretta et al., 2002; Franchini et al., 2003).

A erosao e muito menor quando o sistema de manejo do solo e o SPD. Esta e, alias, a primeira motivacao para a adocao do sistema: menor ocorrencia de perdas de terra, agua e nutrientes por erosao em relacao aos sistemas convencionais (arados ou grades) de preparo do solo (De Maria, 1999). Resultados obtidos por varios autores em ensaios comparando as perdas por erosao entre diferentes sistemas de manejo do solo, mostram que, em media, o SPD reduz as perdas de solo e de agua em 84 e 58,7%, respectivamente, em relacao aos preparos convencionais (Schick et al., 2000; Leite et al., 2004; Bertol et al., 2007).

A eficiencia do SPD no controle das perdas por erosao se deve ao nao-revolvimento do solo e a cobertura morta que amortece o impacto das gotas de chuva, elimina o encrostamento superficial e mantem a capilaridade do solo, aumentando a infiltracao e, consequentemente, reduzindo a enxurrada (Cogo et al., 1984; Bertol et al., 1997; Seganfredo et al., 1997). Essas caracteristicas, juntamente com a rotacao de culturas no SPD, proporcionam tambem uma melhoria das condicoes quimicas, fisicas e biologicas do solo (Silva et al., 2000).

Tal reducao da erosao com o uso do SPD, porem, tem induzido, erroneamente, os produtores a eliminarem, das areas de cultivo, os terracos e outras praticas conservacionistas de suporte, como a semeadura em contorno (Cogo et al., 2007; Denardin et al., 2008). o referido procedimento se baseia na ideia de que, com o SPD, a erosao e o escoamento superficial serao totalmente controlados nas lavouras agricolas, dispensando qualquer outra pratica adicional (Cogo et al., 2007). Poder-se-ia, desta forma, incorporar a area ocupada pelos terracos para cultivo, reduzir as manobras e aumentar a eficiencia de operacoes mecanizadas (De Maria, 1999). Em decorrencia, o terraceamento passou a ser considerado desnecessario e indiscriminadamente desfeito, levando ao abandono da semeadura em contorno e a adocao da semeadura paralela ao maior comprimento da gleba, independentemente do sentido do declive (Denardin et al., 2008). Apenas recentemente estudos sobre o efeito da direcao da semeadura no SPD estao sendo realizados, como o de Cogo et al. (2007) que mostram reducoes de 74 e 26% nas perdas de solo e de agua a favor da semeadura em contorno.

O nao-revolvimento do solo no SPD, aliado ao trafego de maquinas, provoca compactacao da camada superficial com aumento da densidade do solo e reducao da porosidade total e dos macroporos (Bertol et al., 2004; Tormena et al., 2004; Garcia & Righes, 2008). Essas alteracoes, associadas a reduzida rugosidade superficial, podem ser desfavoraveis a infiltracao de agua (Camara & Klein, 2005), produzindo grandes enxurradas, especialmente sob certas situacoes, tais como solos de alta erodibilidade, umidade antecedente e precipitacoes elevadas, longos comprimentos de rampa e/ou maiores inclinacoes do terreno e ausencia de praticas conservacionistas de suporte, que podem ocasionar perdas de solo elevadas no SPD (Morais & Cogo, 2001; Bertol et al., 2007). Referido comportamento foi observado por Eltz et al. (1984), Cogo et al. (2003) e Mello et al. (2003), que verificaram eficiencia menor do SPD no controle da enxurrada (21,7%) do que no controle das perdas de solo (76,8%) em relacao ao sistema convencional.

Esses resultados indicam a necessidade de se conter a enxurrada nas lavouras, mesmo que elas estejam sobre SPD (Bertol et al., 2007a; 2007b), aumentando a infiltracao da agua no solo (Eltz et al., 1984), pela implantacao e/ou manutencao de praticas conservacionistas de suporte, como o terraceamento e a semeadura em contorno (Bertol et al., 2007a). Objetivou-se com este trabalho determinar se o SPD permite a semeadura no sentido do declive e espacamentos entre terracos maiores que os atualmente recomendados para o controle das perdas de agua e solo por erosao.

MATERIAL E METODOS

O experimento foi realizado na area dos sistemas coletores de erosao em culturas anuais do Centro Experimental Central do Instituto Agronomico, localizado na cidade de Campinas, SP. O clima da regiao, segundo a classificacao de Koppen, e uma transicao entre os tipos Cwa e Cfa (Rolim et al., 2007), definido como tropical de altitude com inverno seco e verao umido, com precipitacao media de 1.381 mm anuais e temperatura media anual de 21,7[grados]C. O solo do local e um Latossolo Vermelho Distroferrico tipico (EMBRAPA, 2006) de textura argilosa, com 6% de declividade media e suas caracteristicas quimicas e texturais na profundidade de 0,00-0,20 m, de acordo com as metodologias de Raij et al. (2001) e Camargo et al. (1986), sao apresentadas na Tabela 1.

A area experimental vem sendo conduzida em SPD, desde 2002/2003, com semeadora-adubadora de discos duplos concentricos e cultivo da rotacao soja ou milho no verao e sorgo, aveia, chicharo ou triticale no outono/inverno. Antes da implantacao do sistema a area foi preparada com uma escarificacao, duas gradagens pesadas e uma gradagem niveladora.

De acordo com as recomendacoes de Lombardi Neto et al. (1994), o valor do espacamento entre terracos para esse solo com culturas anuais, em sistema convencional, e de 26,6 m; para o SPD, elas indicam que o espacamento entre terracos pode ser ampliado (43,2 m) em relacao ao convencional, embora seus valores nao tenham ainda sido testados no atual pacote tecnologico desse sistema, incluindo uma quantidade maior de palha em cobertura. Com base nessas informacoes foram estabelecidos dois ensaios para avaliar o efeito do comprimento do declive e da direcao de semeadura nas perdas de solo e agua por erosao em SPD. No Ensaio 1, a semeadura das culturas foi realizada em contorno (EC), em parcelas de 8 m de largura por 25, 50 e 75 m de comprimento de rampa. No Ensaio 2, a semeadura das culturas foi executada morro abaixo (MA) e em contorno (EC), em parcelas de 25 m de largura por 50 e 75 m de comprimento de rampa.

As avaliacoes se iniciaram no dia 13/5/2008, com a semeadura da aveia preta (Avena strigosa Schreb), conforme as direcoes estabelecidas para os ensaios, no espacamento 0,30 m entre linhas e com densidade de 60 sementes [m.sup.-1], com adubacao NPK 8-28-16 na base de 150 kg [ha.sup.-1]. Apos a semeadura da aveia preta foram refeitos os camalhoes de terra delimitadores das parcelas dos ensaios que conduzem a enxurrada (agua e sedimentos) ate os tanques coletores. Durante o ciclo da aveia preta aplicou-se herbicida para o controle das plantas infestantes no dia 25/6/2008, adubacao de cobertura no dia 2/7/2008 e aos 144 dias de cultivo executou-se a colheita mecanizada.

No periodo entre a colheita da aveia preta e a instalacao da cultura de verao (pousio) foram realizadas, nos ensaios, uma passada de rocadora para melhorar a distribuicao dos residuos vegetais (palha) nas parcelas (14/10/2008), uma aplicacao de herbicida para controle das plantas daninhas (11/11/2008) e de 2,5 Mg [ha.sup.-1] de calcario em superficie para a correcao da acidez do solo (19/11/2008).

A semeadura do milho (Zea mays L.) foi feita 6 dias apos a calagem superficial, no espacamento 0,90 m entre linhas e 0,17 m entre plantas, com adubacao NPK 6-21-12 na dose de 300 kg [ha.sup.-1]; a direcao de semeadura foi igual a executada no estabelecimento da aveia preta, no outono/inverno de 2008, assim como a manutencao dos camalhoes de terra das parcelas (9/12/2008). Os tratos culturais realizados durante o ciclo do milho foram adubacao de cobertura, no dia 22/12/2008, e capina manual, acima das soleiras coletoras de enxurrada das parcelas, nos dias 14 e 15/1/2009; a colheita mecanizada do milho dos ensaios foi efetuada 6 dias antes do termino do periodo de avaliacoes do experimento (12/5/2009).

No final de cada parcela dos ensaios ha um sistema para coleta de agua e sedimentos arrastados por erosao, formado por uma soleira concentradora, que conduz a enxurrada ate um primeiro tanque de decantacao, e por dois conjuntos de um divisor e uma calha, que direcionam uma fracao da enxurrada do primeiro tanque de decantacao para o segundo e deste para o tanque de armazenamento, quando a capacidade dos mesmos e excedida (Bertoni & Lombardi Neto, 2008). As perdas por erosao foram determinadas em intervalos de 24 h sempre apos cada chuva que causou enxurrada, e os calculos feitos conforme os procedimentos descritos por Bertoni (1949), sendo as perdas de solo expressas em Mg [ha.sup.-1] e as perdas de agua em mm.

Paralelamente a essas medicoes foi feito o registro diario das chuvas ocorridas no periodo do experimento (13/5/2008 a 12/5/2009), com pluviografos modelo Hillman, instalados em uma estacao pluviometrica proxima aos ensaios. Para as chuvas que causaram perdas por erosao (solo e/ou agua) e foram maiores ou iguais a 10 mm ou apresentaram 6 mm ou mais precipitados em um periodo maximo de 15 min (Carvalho et al., 2004), foi calculado o indice de erosividade da chuva ([EI.sub.30]), de acordo com Wischmeier & Smith (1978). Somando os indices [EI.sub.30] de todas as chuvas individuais e erosivas de cada mes, obteve-se a erosividade mensal e, consequentemente, a erosividade anual das chuvas.

Alem das medicoes realizadas a campo foram calculadas tambem as secoes transversais do canal dos terracos, necessarias para o controle da enxurrada.

O solo da area experimental apresenta propriedades fisicas favoraveis a infiltracao de agua no seu perfil (Tabela 2), como grande profundidade, baixa razao textural entre horizontes e elevada porosidade e permeabilidade; desta forma, o tipo de terraco recomendado para o mesmo e o terraco em nivel.

O dimensionamento da secao transversal do canal dos terracos em nivel para as parcelas dos ensaios, foi feito de acordo com a metodologia de Lombardi Neto et al. (1994). Os espacamentos horizontais entre terracos (EH) foram definidos como os comprimentos de rampa estabelecidos para cada parcela dos ensaios. O valor da chuva diaria maxima (h) utilizada para Campinas, SP, foi de 105 mm para o periodo de retorno de 10 anos (Vieira et al., 1991). Para o coeficiente de enxurrada (c) utilizou-se o valor de 0,40 ([c.sub.t]), relativo a um solo do grupo hidrologico A, com declividade entre 5 e 10% e cobertura vegetal formada por cultivos (Lombardi Neto et al., 1994); utilizaramse, tambem, os valores maximos de coeficiente de enxurrada ([c.sub.d]) determinados por meio da relacao entre as perdas diarias de agua, em mm, de cada parcela dos ensaios e o volume diario das chuvas erosivas.

Devido a dificuldade de se encontrar uma area com caracteristicas topograficas e de solo uniformes para o estabelecimento do experimento, em parcelas com sistema de coletores de enxurrada (solo e agua), os tratamentos dos ensaios foram instalados sem repeticoes. As perdas de solo e agua por erosao foram comparadas entre as parcelas de cada ensaio, para os ciclos da aveia preta e do milho, para o intervalo entre as duas culturas (pousio) e para o periodo total do experimento (13/5/2008 a 12/5/2009). Para este periodo foi realizada, tambem, analise de regressao entre as perdas de agua medidas em cada parcela dos ensaios 1 e 2 e o indice de erosividade da chuva ([EI.sub.30]).

RESULTADOS E DISCUSSAO

Durante o experimento (13/5/2008 a 12/5/2009), ocorreram 111 chuvas, com precipitacao total de 1.177,2 mm; as chuvas se concentraram no ciclo do milho (68 chuvas), correspondendo a 63% da pluviosidade total. O numero de chuvas e o volume total precipitado no ciclo da aveia preta e no periodo entre as duas culturas (pousio) foram bem proximos (23 chuvas e 202,5 mm; 20 chuvas e 232,7 mm respectivamente), mas com uma concentracao maior no periodo apenas com palha na superficie, que compreendeu os meses de outubro e novembro de 2008 (Figura 1).

[FIGURA 1 OMITIR]

No Ensaio 1 observou-se a formacao de enxurrada nas parcelas em 41 chuvas, sendo 34 consideradas erosivas e responsaveis por quase dois tercos (64,5%) da precipitacao total do periodo (Tabela 3). Essas 34 chuvas apresentaram um volume medio de 22,3 mm, com variacao de 8,8 a 40,2 mm, desvio padrao de 8,6 mm e coeficiente de variacao de 38,6%.

O ciclo do milho (2008/2009) apresentou a maior ocorrencia de chuvas erosivas (27 chuvas), com 77,8% concentradas nos meses de dezembro de 2008 e janeiro e fevereiro de 2009 (Tabela 3); essas chuvas totalizaram 582,5 mm, com precipitacao media de 21,6 mm, desvio padrao de 8,7 mm e coeficiente de variacao de 40,3%. No ciclo da aveia preta (outono/inverno de 2008) e no pousio ocorreram apenas 20,6% das chuvas erosivas, com precipitacao total de 176,3 mm; entretanto, observou-se maior volume medio das chuvas erosivas (25,2 mm), com pluviosidade variando de 16,2 a 38,7 mm, desvio padrao de 8,3 mm e coeficiente de variacao de 32,9%.

O valor absoluto calculado do indice [EI.sub.30] para as chuvas erosivas do Ensaio 1, no periodo do experimento, foi de 3.910 MJ mm [ha.sup.-1] [h.sup.-1] (Tabela 3). Observou-se uma concentracao desse indice na safra de milho 2008/2009, sendo responsavel por 77,5% da erosividade total; a maior ocorrencia de chuvas intensas e de grande capacidade erosiva foi observada nos meses de dezembro de 2008, janeiro e fevereiro de 2009 (847,2; 792,0 e 1.081,8 MJ mm [ha.sup.-1] [h.sup.-1], respectivamente). Apesar da elevada erosividade da chuva concentrada nesses meses, nao se observou producao de sedimentos nas parcelas do Ensaio 1, em funcao, provavelmente, da protecao da superficie do solo pela cobertura vegetal, formada pelo sistema plantio direto, que dissipa a energia cinetica das gotas de chuva, evitando a desagregacao das particulas de solo e, em contrapartida, o transporte de sedimentos na enxurrada (Cogo et al., 1984). Alem disso, a ampliacao dos comprimentos de rampa nessa condicao de baixa declividade nao aumentou a energia cisalhante da enxurrada, a ponto de causar a remocao dos residuos vegetais da superficie e o aumento na taxa de erosao do solo nas parcelas, semelhante ao observado por Foster et al. (1982).

Analisando as perdas de agua do Ensaio 1 durante o periodo do experimento (Tabela 3) verificou-se que os volumes totais escoados nas parcelas de 25 e 50 m de comprimento de rampa foram proximos (6.329 e 6.267 L respectivamente) e na parcela de 75 m o volume total de enxurrada observado foi de 7.129 L; apesar do maior volume de agua escoado, essa parcela apresentou a menor perda total de agua por unidade de area, entre as parcelas do Ensaio 1 (11,88 mm). As reducoes nas perdas de agua por unidade de area em sistema plantio direto semeado em contorno, com o comprimento de rampa de 75 m, foram de 50,5 e 24,2% em relacao as parcelas de 25 e 50 m de comprimento de lancante, respectivamente, comportamento este observado tanto no ciclo das culturas (aveia preta e milho) quanto no periodo de pousio. Tais reducoes nas perdas de agua por unidade de area, sao devidas a maior possibilidade que a agua tem de se infiltrar ou evaporar, em razao do aumento do percurso percorrido pela enxurrada na superficie do solo (Bertoni & Lombardi Neto, 2008).

A Figura 2 apresenta os resultados das perdas de agua por unidade de area, em funcao dos valores do indice de erosividade da chuva correspondente ([EI.sub.30]). A relacao entre o [EI.sub.30] e as perdas de agua segue um modelo quadratico, para os tres comprimentos de rampa estudados, com coeficientes de regressao entre 0,68 e 0,72 significativos, demonstrando o efeito do aumento do comprimento de rampa na reducao do volume escoado por unidade de area.

[FIGURA 2 OMITIR]

Das 111 chuvas ocorridas durante o experimento, apenas 30 causaram escoamento superficial nas parcelas do Ensaio 2, sendo 28 consideradas erosivas, as quais representaram 55% (647,3 mm) do volume total precipitado entre 13/5/2008 e 12/5/2009 (Tabela 4), caracterizando-se por volume medio de 23,1 mm, desvio padrao de 8,3 mm e coeficiente de variacao de 36%.

No Ensaio 2 as chuvas erosivas ocorreram em maior quantidade (23 chuvas) no ciclo do milho (Tabela 4), sendo o volume total dessas chuvas de 525,9 mm, com precipitacao media de 22,9 mm, desvio padrao de 8,8 mm e coeficiente de variacao de 38,4%. No periodo do ciclo da aveia preta houve apenas duas chuvas erosivas, que se caracterizaram pela maior media de precipitacao entre os ciclos desse ensaio (29,3 mm), desvio padrao de 6,4 mm e coeficiente de variacao de 21,8%. No periodo de pousio observou-se um volume de chuva maior que no ciclo da aveia preta, com media de precipitacao das tres chuvas erosivas igual de 20,9 mm e coeficiente de variacao de 16,3%.

Devido a menor ocorrencia de chuvas erosivas (Tabela 4), o Ensaio 2 apresentou, no periodo total do experimento, um valor absoluto do indice [EI.sub.30] inferior ao obtido no Ensaio 1 (3.616,1 MJ mm [ha.sup.-1] [h.sup.-1]). Apesar disso, o periodo com a maior participacao nesse indice foi o ciclo do milho (2.906,7 MJ mm [ha.sup.-1] [h.sup.-1]), tal como o observado no Ensaio 1, com destaque para os meses de dezembro de 2008, janeiro e fevereiro de 2009 que representaram, juntos, 72,9% do valor absoluto do mesmo. Com essas condicoes de erosividade da chuva nao se constataram perdas de solo nas parcelas do Ensaio 2.

Como no Ensaio 1, as perdas de agua no Ensaio 2 se concentraram nos meses de maior ocorrencia de chuvas erosivas. Os volumes totais de enxurrada foram semelhantes entre as parcelas de 50 e 75 m de comprimento de rampa, semeadas em contorno (9.700 e 9.464 L respectivamente) mas, quando a semeadura foi executada morro abaixo, verificou-se uma diferenca de 2.034 L entre os dois comprimentos de declive estudados (Tabela 4). Apesar da variacao no volume total de agua escoada notou-se, nesse ensaio, reducao nas perdas de agua por unidade de area, com aumento do comprimento de rampa, independentemente da direcao em que foi feita a semeadura. Na semeadura morro abaixo, o aumento do comprimento de rampa, de 50 para 75 m, diminuiu as perdas totais de agua por unidade de area em 46,2%. Ja na semeadura em contorno com o aumento do comprimento de rampa de 50 para 75 m, as perdas de agua reduziram de 7,76 para 5,05 mm (34,9%), efeito verificado nas tres condicoes de cobertura utilizadas no experimento: no ciclo da aveia preta, no periodo de pousio e no ciclo do milho.

Ao se analisar o efeito da mudanca da direcao de semeadura nas perdas de agua verificou-se que, para o comprimento de rampa de 50 m, a semeadura em contorno teve um volume de enxurrada total por unidade de area 7,8% menor que a semeadura realizada morro abaixo (Tabela 4). O mesmo comportamento ocorreu nas tres condicoes de cultivo do experimento, com as maiores reducoes nas perdas de agua observadas nos periodos com a menor ocorrencia de chuvas erosivas (ciclo da aveia preta e pousio); efeito semelhante foi obtido por Andrade et al. (1999), variando apenas quanto ao percentual de reducao de enxurrada observado (40%), e tambem por Albuquerque et al. (2002), Carvalho et al. (2009), em sistema convencional. A menor perda de agua na semeadura em contorno decorre da formacao de pequenos camalhoes transversais ao sentido do declive na superficie do solo, que atuam como barreiras fisicas, retendo a agua da chuva, aumentando seu tempo de permanencia, permitindo maior infiltracao e menor escoamento superficial.

Entretanto, as perdas de agua no comprimento de rampa de 75 m se comportaram de forma diferente entre os ciclos culturais estudados e em relacao ao total observado nas parcelas de 50 m de comprimento de rampa (Tabela 4). No ciclo da aveia preta as perdas de agua por unidade de area foram muito proximas entre as direcoes de semeadura mas com pequena reducao a favor da orientacao dos sulcos em contorno (2,9%). No periodo de pousio e no ciclo do milho, as perdas de agua por unidade de area na semeadura em contorno foram 23,9 e 11,3% maiores que as da semeadura morro abaixo, respectivamente. No periodo completo do experimento as perdas de agua por unidade de area na semeadura em contorno foram 11,5% superiores as perdas na semeadura executada morro abaixo, devido principalmente aos resultados obtidos no ciclo de maior ocorrencia de chuvas erosivas (milho). Esses resultados diferem dos obtidos por Cogo et al. (2007), que verificaram reducao nas perdas de agua na semeadura em contorno, em relacao ao morro abaixo, em Argissolo Vermelho distrofico tipico, de textura franco arenosa, cultivado com milho em SPD.

A diferenca nas perdas de agua a favor da direcao morro abaixo no comprimento de 75 m, contrariando os resultados obtidos por outros autores, e tambem a pequena diferenca a favor da direcao em contorno no comprimento de 50 m, podem ter, como causas, fatores como tipo de solo, declividade, implementos utilizados, clima e, especialmente, o sistema de manejo. Neste ensaio, o SPD com grande quantidade de palha na superficie em um solo com alta capacidade de infiltracao e relativamente baixa declividade, pode ter atenuado os efeitos da direcao de semeadura em virtude da palha constituir um obstaculo maior na superficie do que os pequenos camalhoes feitos pelos discos da semeadora.

Na Figura 3 se apresentam os resultados das perdas de agua por unidade de area, em funcao dos valores do indice de erosividade da chuva correspondente ([EI.sub.30]) para o Ensaio 2; a relacao segue um modelo de 2[degrees] grau para os quatro tratamentos estudados, com coeficientes de regressao entre 0,73 e 0,82 significativos demonstrando, mais uma vez, o efeito do aumento do comprimento de rampa na reducao do volume escoado por unidade de area, porem para cada comprimento de rampa nao se observou diferenca entre as curvas de regressao das direcoes de semeadura.

[FIGURA 3 OMITIR]

As secoes transversais do canal dos terracos ([At.sub.t] e [At.sub.d]) das parcelas calculadas para as condicoes do experimento, apresentaram diferencas em funcao dos valores do coeficiente de enxurrada (c) utilizados. As dimensoes dessas estruturas foram, na media dos Ensaios 1 e 2, iguais a 2,1 0 e 2,63 [m.sup.3] m [linear.sup.-1] (Tabela 5) respectivamente, para o coeficiente de enxurrada tabelado ([c.sub.t)] de 0,40 (Lombardi Neto et al., 1994). Quando se consideram os valores maximos de c obtidos nas medicoes das perdas de agua das parcelas ([c.sub.d]), tem-se que as secoes transversais do canal dos terracos foram menores, com medias de 0,278 e 0,153 [m.sup.3] m [linear.sup.-1] para os Ensaios 1 e 2 (Tabela 5). Apesar da elevada variacao dos valores do coeficiente [c.sub.d], esses resultados mostram que, para as condicoes desse estudo, podem ser utilizados terracos com dimensoes menores mesmo com aumento do espacamento horizontal (EH) entre eles, pois ocorre uma reducao no volume de enxurrada das areas agricolas em sistema plantio direto.

CONCLUSOES

1. No Latossolo onde foi desenvolvido o experimento, nao houve producao de sedimentos no SPD, independente da direcao de semeadura e do espacamento entre terracos utilizados.

2. As perdas de agua foram reduzidas em comprimentos de rampa de ate 75 m.

3. A direcao de semeadura nao influenciou o volume de perdas de agua.

4. A distancia entre terracos pode ser ampliada no sistema plantio direto para o solo e o declive estudados, independente da direcao de semeadura.

AGRADECIMENTOS

A Fundacao de Amparo a Pesquisa do Estado de Sao Paulo (FAPESP), pela concessao da bolsa de mestrado ao primeiro autor.

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Renato L. e Silva (2) & Isabella C. De Maria (2)

(1) Parte da Dissertacao de Mestrado, do primeiro autor. Programa de Pos-Graduacao em Agricultura Tropical e Subtropical do Instituto Agronomico (IAC)

(2) IAC/APTA/SAA. Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Solos e Recursos Ambientais, Av. Barao de Itapura n.1.481, CP 28, CEP: 13001-970, Campinas, SP. Fone (19) 3202-1860, Fax: (19) 3202-1879. E-mail: renatolemos.silva@bol.com.br (Bolsista FAPESP). E-mail: icdmaria@iac.sp.gov.br
Tabela 1. Caracterizacao quimica e textural do Latossolo Vermelho
Distroferrico tipico, de textura argilosa na profundidade
de 0,00 - 0,20 m

                Caracteristicas quimicas

       MO          pH Ca[Cl.sub.2]            P
(g [dm.sup.-3])                       (mg [dm.sup.-3])

32                       4,8                62 ,7

                             Caracteristicas quimicas

       MO           K     Ca     Mg    H+AI    SB    CTC     V%
(g [dm.sup.-3])                                             (%)
                             ([mmol.sub.c] [dm.sup.-3])

32                 3,8   31,7   14,9   45,7   50,4   96,3   52,3

                   Composicao granulometrica

      MO          Areia total   Silte   Argila
(g [dm.sup.-3])
                         (g [kg.sup.-1])

32                    314        179     507

Tabela 2. Valores medios e coeficiente de variacao (CV%)
de atributos fisicos do Latossolo Vermelho Distroferrico
tipico de textura argilosa

           [D.sub.s]      PT    Mi    Ma     Inf     [Ke.      DMP
         (Mg [m.sup.3])                               sub.     (mm)
                                                    [theta]]

                            ([m.sup.3]           (mm
                            [m.sup.-3])      [h.sup.-1])

n              63         63    63    63     87      87         21
Media         1,3         0,5   0,4   0,1   198,8   45,8       1,08
CV (%)         5           6     6    20     55      54         19

                              RP

         0,0-0,1 m   0,1-0,2 m   0,2-0,3 m   0,3-0,4 m

                             (MPa)

n           87          87          87          87
Media      3,13        4,07        3,86        3,22
CV (%)      61          57          42          25

                  U

         0-0,2 m    0,2-0,4 m

            (g [g.sup.-1])

n           7           7
Media     0,226       0,227
CV (%)      36          36

n = tamanho da amostra; [D.sub.s] = densidade do solo; PT = porosidade
total; Mi = microporosidade; Ma = macroporosidade; Inf = infiltracao de agua;
[K.sub.e] = condutividade hidraulica saturada; DMP = diametro medio
ponderado; RP = resistencia do solo a penetracao; U = umidade
gravimetrica

Tabela 3. Volume e frequencia de chuvas, indice de erosividade
da chuva ([EI.sub.30]) e perdas de agua por erosao, medidos nas
parcelas do Ensaio 1

                       Chuvas erosivas

    Mes/Ano *        Volume    Frequencia        [EI.sub.30]
                      (mm)          -        (MJ mm [ha.sup.-1]
                                                 [h.sup.-1])

jun/08                 58,6                          236,6
ago/08                 16,2         1                 21,7
Total Aveia Preta      74,8         3                258,3
out/08                 58,2         2                318,1
nov/08                 43,3         2                303,1
Total Pousio          101,5         4                621,2
dez/08                172,6         7                847,2
jan/09                160,5         8                792,0
fev/09                149,9         6               1081,8
mar/09                 71,7         4                248,4
abr/09                 19,0         1                 24,3
mai/09                  8,8         1                 36,8
Total Milho           582,5        27               3030,5

TOTAL                 758,8        34               3910,0

                                 Perdas de agua por erosao

    Mes/Ano *             25 m             50 m             75 m

                      (L)     (mm)     (L)     (mm)     (L)     (mm)

jun/08                374     1,87     369     0,92     410     0,68
ago/08                  0     0         10     0,02       0     0
Total Aveia Preta     374     1,87     379     0,95     410     0,68
out/08                180     0,90     202     0,51     227     0,38
nov/08                486     2,43     462     1,15     652     1,09
Total Pousio          666     3,33     664     1,66     880     1,47
dez/08               1811     9,05    1791     4,48    2037     3,39
jan/09               1481     7,40    1253     3,13    1388     2,31
fev/09               1408     7,04    1640     4,10    1966     3,28
mar/09                416     2,08     360     0,90     320     0,53
abr/09                 50     0,25      53     0,13       8     0,01
mai/09                124     0,62     127     0,32     121     0,20
Total Milho          5289    26,45    5225    13,06    5839     9,73

TOTAL                6329    31,65    6267    15,67    7129    11,88

* Nos meses de mai/08, jul/08 e set/08 nao ocorreram chuvas erosivas

Tabela 4. Volume e frequencia de chuvas, indice de erosividade
da chuva ([EI.sub.30]) e perdas de agua por erosao, medidos nas
parcelas do Ensaio 2

                        Chuvas erosivas          [EI.sub.30]
                                             (MJ mm [ha.sup.-1]
    Mes/Ano *        Volume    Frequencia        [h.sup.-1])
                      (mm)          -

jun/08                 58,6         2                236,6
Total Aveia Preta      58,6         2                236,6
out/08                 19,5         1                169,7
nov/08                 43,3         2                303,1
Total Pousio           62,8         3                472,8
dez/08                157,0         6                810,2
jan/09                147,5         7                776,8
fev/09                136,9         5               1048,4
mar/09                 56,7         3                210,2
abr/09                 19,0         1                 24,3
mai/09                  8,8         1                 36,8
Total Milho           525,9        23               2906,7

TOTAL                 647,3        28               3616,1

                         Perdas de agua por erosao

                        MA - 50 m         MA - 75 m
    Mes/Ano *
                      (L)      (mm)     (L)      (mm)

jun/08                 865     0,69      634     0,34
Total Aveia Preta      865     0,69      634     0,34
out/08                 518     0,41      204     0,11
nov/08                1049     0,84      660     0,35
Total Pousio          1567     1,25      864     0,46
dez/08                3426     2,74     2534     1,35
jan/09                1789     1,43     1606     0,86
fev/09                2461     1,97     2521     1,34
mar/09                 303     0,24      270     0,14
abr/09                   0     0          35     0,02
mai/09                 112     0,09       26     0,01
Total Milho                    6,47     6991     3,73

TOTAL                10523     8,42     8489     4,53

                          Perdas de agua por erosao

                         EC - 50 m         EC - 75 m
    Mes/Ano *
                       (L)     (mm)      (L)     (mm)

jun/08                 715     0,57      612     0,33
Total Aveia Preta      715     0,57      612     0,33
out/08                 323     0,26      322     0,17
nov/08                 963     0,77      755     0,40
Total Pousio          1286     1,03     1077     0,57
dez/08                3256     2,61     2895     1,54
jan/09                1887     1,51     1959     1,04
fev/09                2293     1,83     2426     1,29
mar/09                 175     0,14      253     0,13
abr/09                   0     0         174     0,09
mai/09                  88     0,07       68     0,04
Total Milho           7699     6,16     7775     4,15

TOTAL                 9700     7,76     9464     5,05

* Nos meses de mai/08, jul/08, ago/08 e set/08 nao ocorreram
chuvas erosivas

Tabela 5. Espacamento horizontal (EH), chuva diaria maxima (h),
coeficientes de enxurrada tabelado ([c.sub.t]) e determinado
experimentalmente ([c.sub.d]) para o calculo das areas da secao
transversal do canal do terraco ([At.sub.t] e [At.sub.d],
respectivamente para [c.sub.t] e [c.sub.d])

Tratamento          EH            h     [c.sub.t] *   [At.sub.t]
               ([m.sup.2] m      (m)         -        ([m.sup.3]
             [linear.sup.-1])                         m [linear.
                                                        sup.-1])

                                    Ensaio 1

25 m               25,0         0,105      0,40           1,05
50 m               50,0         0,105      0,40           2,10
75 m               75,0         0,105      0,40           3,15
Media              50,0         0,105      0,40           2,10
CV (%)             50,0                                  50,00

                                    Ensaio 2

MA - 50 m          50,0         0,105      0,40           2,10
MA - 75 m          75,0         0,105      0,40           3,15
EC - 50 m          50,0         0,105      0,40           2,10
EC - 75 m          75,0         0,105      0,40           3,15
Media              62,5         0,105      0,40           2,63
CV (%)             23,1                                   23,1

Tratamento   [c.sub.d] *   [At.sub.d]
                  -        ([m.sup.3]
                           m [linear.
                            sup.-1])

                      Ensaio 1

25 m          0,082 (1)       0,215
50 m          0,052 (1)       0,273
75 m          0,044 (1)       0,347
Media         0,059           0,278
CV (%)        33,8             23,8

                      Ensaio 2

MA - 50 m     0,028 (2)       0,147
MA - 75 m     0,018 (3)       0,142
EC - 50 m     0,031 (1)       0,163
EC - 75 m     0,020 (3)       0,158
Media         0,024           0,153
CV (%)         25,7            6,3

* [c.sub.t] = c tabelado de acordo com Lombardi Neto et al., 1994;
[c.sub.d] = c determinado nos dias (1) 24/12/2008, (2) 21/12/2008 e
(3) 09/02/2009
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Title Annotation:Texto en Portuguese
Author:e Silva, Renato L.; De Maria, Isabella C.
Publication:Revista Brasileira de Engenharia Agricola e Ambiental
Date:Jun 1, 2011
Words:7567
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