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Epidemiology of rabies in chiropterans and advances in molecular biology/Epidemiologia da raiva em quiropteros e os avancos em biologia molecular/Epidemiologia de la rabia en quiropteros y avanzos en biologia molecular.

RESUMEN

La rabia es una zoonosis distribuida por todo el mundo que acomete el sistema nervioso central (SNC) y terminaciones perifericas causando la muerte. Transmitido a traves de la mordedura de animales infectados, el virus de la rabia pertenece al genero Lyssctvirus que presenta once especies diferentes, la mayoria de ellas aisladas de quiropteros. Los quiropteros presentan gran importancia en la manutencion del virus de la rabia en la naturaleza, siendo los hematofagos los responsables por la ocurrencia de varios surtos en Brasil y America Latina. Varias tecnicas moleculares y combinaciones fueron desarrolladas y, hoy, permiten una mejor evaluacion de las modificaciones geneticas del virus y, que asociadas a las variantes fenotipicas, responden varias discusiones epidemiologicas. La epidemiologia clasica y molecular han demostrado que la variabilidad genetica del virus rabico en las Americas y en todo el mundo es el resultado de esta accion y crecimiento no ordenado de la civilizacion, permitiendo que animales silvestres convivan mas estrechamente con la populacion humana, expuesta a nuevos riesgos.

Palabras-clave: virus de la rabia, zoonosis, accion del hombre, quiropteros, tecnicas moleculares.

INTRODUCAO

A raiva e uma infeccao viral aguda do sistema nervoso central (SNC), causada por um virus RNA transmitido na saliva pelas mordeduras dos mamiferos. A raiva humana caracteriza-se como urna importante doenca mundial (1,2). No mundo, os caes sao tidos como os mais importantes transmissores da raiva, porem nos Estados Unidos e Canada, os animais selvagens como morcegos, raposas e guaxinins lideram o quadro de transmissores. Esta enfermidade ocorre em duas diferentes formas epidemiologicas: a raiva urbana, com o cao domestico como o principal reservatorio e transmissor, e a raiva selvagem, com diferentes especies silvestres atuando como reservatorios e/ou transmissores. Um terceiro ciclo, o aereo, vem apresentando grande importancia na manutencao do virus na natureza, caracterizado pela participacao dos morcegos hematofagos, frugivoros e insetivoros. Nos dois primeiros ciclos, a raiva e endemica na maior parte dos paises da America do Sul, adquirindo um aspecto preocupante em relacao ao ciclo aereo (3,4). Ha um periodo de incubacao longo e variavel na raiva humana e animal, normalmente de 30 a 90 dias, as vezes podendo chegar ate um ano.

ETIOLOGIA

O virus da raiva e um virus RNA, fita simples, nao segmentado, neurotropico, pertencente a familia Rhabdoviridae, genero Lyssavirus. A proteina N dos Lyssavirus e uma proteina fosforilada de 450 ou 451 longos aminoacidos, que e sintetizada em grandes quantidades durante a infeccao celular. Durante a morfogenese, a proteina N se liga fortemente ao RNA genomico protegendo-o da acao de ribonucleases. No virion maduro, a proteina N constitui o maior componente do nucleocapsideo helicoidal interno. Nos Rhabdovirus, esta envolvida na regulacao de transcripcao e replicacao. Tambem desenvolve importante papel na resposta de celulas T helper, em particular contra desafio com Lyssavirus antigenicamente distantes da cepa vacinal (5,6).

O genero Lyssavirus inclui 11 especies conhecidas (Tabela 1), e 11 genotipos identificados ate o momento, consistindo no virus classico da raiva (RABV, genotipo 1), Lagos bat virus (LBV, genotipo 2), Mokola virus (MOKV, genotipo 3), Duvenhage virus (DUVV, genotipo 4), European bat lyssavirus (EBLV-1, genotipo 5), European bat lyssavirus (EBLV-2, genotipo 6), e Australian bat lyssavirus (ABLV, genotipo 7). Adicionalmente, quatro novos virus isolados de morcegos insetivoros foram confirmados se tratar de novas especies: Aravan virus (ARAV), Khujand virus (KHUV), Irkut virus (IRKV) e West Caucasian bat virus (WCBV) (7).

EPIDEMIOLOGIA

O genero Lyssavirus se apresenta amplamente distribuido pelo mundo, com varios genotipos sendo caracterizados em diferentes locais e diferentes especies animais. LBV foi isolado de morcegos frugivoros (Eidolon helvum) na Nigeria em 1956 e, em 1974 de outro morcego (Micropterus pusillus) na Africa Central, apresentando alta patogenicidade (8,9), MOKV, de musaranhos (Crocidura sp.) e um crianca na Nigeria em 1968, e em 1971 e gatos no Zimbabue. DUVV foi isolado de humano que morreu apos ser mordido por morcego na Africa do Sul em 1970, e de morcegos Miniqpterus sp. em 1981. EBLV-1 foi isolado de morcegos (Eptesicus serotinus) na Alemanha em 1968, Polonia em 1985, Dinamarca, Holanda e Espanha em 1987, e Franca em 1989. Ja EBLV-2 foi isolado de humano na Russia em 1985, e de morcegos na Holanda, Suica e Reino Unido. O ultimo genotipo identificado foi o WCBV a partir de morcego insetivoro, Miniopterus sehreibersi, em 2002, em Krasnodar, no Caucaso (7,10).

Deste modo, observa-se a importancia do ciclo aereo na manutencao dos Lyssavirus na natureza. A ordem Chiroptera e constituida por cerca de 1120 especies de morcegos, ou 20% do total de especies conhecidas de toda a classe Mammalia. Este grupo esta distribuido por quase todo o mundo, com excecao das regioes polares e de ilhas muito afastadas dos continentes (11). Possui 18 familias, nas quais se distribuem 168 generos e 986 especies. No Brasil ha cerca de nove familias, 64 generos e 167 especies, sendo que o virus da raiva ja foi isolado de 41 (19%) especies, pertencentes a 25 generos de tres familias (Phyllostomidae 43,9%o, Vespertilionidae 29,3% e Molossidae 26,8%>). Essa porcentagem e pequena em relacao a observada nos Estados Unidos com 39 especies identificadas e 77% destas com isolamento do virus (12). No inicio do seculo passado (1911), Antonio Carini, entao Diretor do Instituto Pasteur de Sao Paulo, levantou a hipotese de serem os morcegos hematofagos os transmissores do virus da raiva aos herbivoros (13), a partir de 4000 bovinos e 1000 cavalos e jumentos mortos por raiva paralitica no Estado de Santa Catarina, no periodo de 1906 a 1908. Morcegos foram observados interagindo com os animais e tentando morde-los durante o dia, sendo confirmado por Haupt & Rehaag (14), com o primeiro isolamento do virus de material nervoso do morcego Phyllostoma superciliatum. Alem disso, Pawan (15) relatou casos de raiva em humanos na ilha de Trinidad, transmitida por morcegos, e isolando o virus das especies Artibeus planirostris trinitalis, Desmodus rotundas e Hemiderma, alem de ter conseguido a infeccao experimental de Desmodus e Artibeus com o virus da raiva.

As tres especies de morcegos hematofagos, D. rotundus, Diphylla ecaudata e Diaemus youngi, distribuem-se do Norte do Mexico ate a Argentina, regioes com temperatura minima de ate 10[degrees]C. Os morcegos hematofagos estao presentes somente na America Latina e evidencias fosseis indicam que eles tem estado na America desde o periodo Pleistoceno, ha aproximadamente 2,5 milhoes de anos. O virus rabico pode ser mantido entre os morcegos hematofagos, nas Americas, por um longo tempo (4,16). O ataque de morcegos hematofagos a seres humanos tem sido relatado desde os tempos da colonizacao do continente americano pelos espanhois. Nessa epoca, o solo possuia a sua cobertura vegetal virgem e, certamente, os morcegos hematofagos tinham na fauna silvestre a sua fonte de alimento, sendo que a raiva era fator limitante de algumas especies desse conjunto. O desmatamento para a formacao de fazendas e a introducao de animais domesticos de grande porte, como os bovinos e os equinos, propiciaram aos morcegos hematofagos uma fonte de alimento mais facil, numerosa e num espaco aberto, o que facilitou o acesso desses animais as suas novas vitimas (2,13,16).

O periodo de incubacao da raiva e extremamente variavel, desde semanas a periodos prolongados acima de um ano. Nos quiropteros, pelo fato destes animais apresentarem taxa metabolica reduzida e possuirem caracteristicas de hipotermia, o periodo de incubacao pode ser prolongado ou pode influenciar outras fases da infeccao. Ha relatos de eliminacao do virus pela saliva antes de ate 12 dias do aparecimento dos sintomas, em Tadarida brasiliensis mexicana, e de 24 dias, em um E.fuscus (17).

Impacto economico e de saude publica

Os morcegos hematofagos sao importantes transmissores do virus da raiva aos herbivoros, acometendo o rebanho e causando serios problemas para a industria de produtos animais e para a saude publica, uma vez que esta ocorrencia gera contatos entre o homem e o animal raivoso, contato que ocorre principalmente quando animais em incubacao ou doentes sao sacrificados ou quando sao manipulados na cavidade oral, durante a avaliacao clinica (1). Delpietro et al. (18) obtiveram 4/87 (4,6%) isolamentos positivos de amostras de glandulas salivares de bovinos e de 1/62 (1,6%) de saliva, sendo que todos os quatro isolamentos foram relacionados a variante antigenica de morcego hematofago de virus rabico a partir da utilizacao de anticorpos monoclonais. Com isso, verifica-se a importancia do papel dos morcegos na manutencao do virus no ciclo rural, visto que estes mamiferos se tornam os disseminadores da infeccao dentro da sua especie e entre outras especies.

Em algumas areas endemicas os morcegos sao a principal fonte de infeccao de virus da raiva, em particular para bovinos, com uma crescente importancia na transmissao da doenca ao homem, superados somente pelos caes na America Latina. Os morcegos podem ser infectados tambem devido aos seus habitos de socializacao em grupo como o ato de lamberem-se uns aos outros, e por brigas. A capacidade dos morcegos de viver em ambientes urbanos e de se abrigar em habitacoes humanas aumenta a probabilidade de contato (19).

A predacao de morcegos, principalmente por felinos, e outro risco de transmissao da raiva humana e um importante elo entre o ciclo urbano e o ciclo rural da raiva, ao qual deve ser dada maxima atencao (1).

A raiva e observada tambem em carnivoros silvestres, alem dos domesticos (20-22). Este fato foi observado por Favoretto et al. (23) em saguis, e por Sato et ai. (22), Camielli et al. (24) e Favoretto et al. (25) em canideos silvestres, todos na regiao Nordeste. Camielli et al. (24) observaram que ha dois ciclos distintos entre os canideos no Brasil, sendo um representado pelos canideos domesticos e outro pelos silvestres, e que na regiao Nordeste, os virus isolados parecem ser especificos da regiao e das especies locais. Assim, a importancia epidemiologica da raiva na vida silvestre torna-se evidente nesta regiao. No estado do Ceara, periodo de 1990 a 2005, um total de 173 casos de raiva foram registrados em Cerdocyon thous (cachorro-do-mato), 25 in CctlUthtix j. jacchus (saguis) e seis em Procyon cancrivorous (guaxinim, mao-pelada). Neste mesmo perido, 13/40 (32,5%) casos humanos foram registrados com animais silvestres como fontes de infeccao (23,25).

De suma importancia e saber a situacao da raiva dos animais domesticos e humanos em uma dada regiao e verificar se existe alguma relacao com os morcegos hematofagos e naohematofagos. O ataque de D. rotundus a presas nao-habituais decorre de alteracao de seu comportamento alimentar e/ou do aprendizado dos animais jovens, atacando mais frequentemente bovinos, suinos e equinos (19). Goncalves et al. (26) relataram 403 pessoas agredidas por D, rotundus no Estado da Bahia, com cinco mortes causadas pela raiva, onde todas as agressoes estiveram relacionadas a frequencia do transporte bovino para diferentes regioes evitando-se o periodo da seca e areas aridas na Regiao Nordeste do Brasil, o que aumentou para 53,0% as chances de agressao de animais e humanos pelos morcegos, em busca de fontes de alimento. De Serres et al. (27) observaram que a raiva humana adquirida em ataques de morcegos dentro dos domicilios, durante a noite e rara em condicoes normais, porem nao deve ser descartada principalmente em areas com a ocorrencia de surtos.

Morcegos em situacoes atipicas e com alteracoes de comportamento sao altamente suspeitos de raiva. Ja foram relatados casos positivos para as seguintes situacoes atipicas: atividade alimentar durante o dia, agressividade, presenca em momentos e locais nao habituais, estado de paralisia e incapacidade de voo. Por outro lado, morcegos capturados em seus abrigos diurnos e aparentemente sadios tambem foram diagnosticados positivos, alertando para a necessidade de pesquisas do virus da raiva tambem em individuos sem sintomatologia aparente. Contudo, a incidencia de raiva em individuos clinicamente normais e menor que 1,0% e frequentemente de 0,0% (19). Alem disso, a participacao dos morcegos frugivoros e insetivoros na polinizacao de flores e frutos, alem do equilibrio ecologico da populacao de insetos, sao muito importantes uma vez que permitem a disseminacao de sementes e consomem diariamente grande quantidade dos mesmos, reduzindo o impacto ecologico e economico negativo (20). Porem estas especies tambem podem albergar o virus (28-30).

Na America Latina, raiva em morcegos nao-hematofagos ja foi assinalada em mais de 50 especies (12,31), acometendo um total de 49,1% (424/863) morcegos nao-hematofagos. No Brasil, estudos concentram-se no morcego hematofago D. rotundus, devido ao seu papel na raiva dos herbivoros. O maior numero de relatos sobre a ocorrencia de raiva no Brasil e em morcegos hematofagos, seguido de insetivoros, fitofagos e onivoros. A maioria destes relatos refere-se a diagnosticos isolados e geralmente sem dados complementares sobre as circunstancias em que o morcego doente foi encontrado, ou em situacoes atipicas ao comportamento dos quiropteros (12,28,31). Em termos de numeros absolutos, a maioria dos quiropteros enviados para exame laboratorial provem de especies coloniais, devido aparentemente a sua presenca em ambientes urbanos e pela facilidade em se amostrar grandes colonias. Alem disso, especies solitarias sao tipicamente migratorias, relativamente incomuns e dificeis de serem capturadas (18,28-31). Deste modo, com a identificacao de aumento no numero de morcegos apresentando esta zoonose em areas urbanas, a controversia sobre o risco de interacao social entre morcegos e o homem e crescente (12).

Em vigilancia epidemiologica na regiao de Botucatu, SP, no periodo de 1992 a 2000, Souza et al. (32) encontraram uma baixa taxa de infeccao em quiropteros, com 0,2% (3/1480) morcegos positivos para imunofluorescencia direta (IFD) e prova biologica (PB), onde 0,3% (2/585) eram insetivoros (Molossus molossus e T. brasiliensis) e 0,1% (1/895) hematofago (D. rotundus). Na mesma regiao, em 2003, o Nucleo de Pesquisas em Zoonoses, FMVZ, UNESP, Botucatu, SP, diagnosticou morcego frugivoro, A. lituratus, positivo na IFD, PB e hemi-nested RT-PCR, no centro urbano de Botucatu, durante o dia, apos colidir com ajanela de um estabelecimento comercial. O virus foi detectado em outros orgaos como rim direito e o baco, pela IFD (28). Em 2006, dois novos A. lituratus e dois Myotis spp. na IFD e PB, apresentando variante 3, de D. rotundus (29). Por outro lado, a circulacao do virus em morcegos hematofagos parece tambem estar presente na regiao, com soropositividade de 7,4% dentre os 204 exemplares de D, rotundus examinados sorologicamente para anticorpos soroneutralizantes antivirus rabico (33). Todo este impacto se origina no rapido e nao planejado crescimento urbano, alem da destruicao e esgotamento das fontes naturais de alimento levando a uma consequente colonizacao de novos nichos ecologicos pelos morcegos, se aproximando ainda mais do homem, em busca de novas fontes de alimento (2), onde com a construcao de rodovias como a Rodovia Castelo Branco, no Estado de Sao Paulo, e surgimento de muitos aterros, sao formadas varias areas de escoamento de agua constituidas de tubulacoes propiciando abrigos para as colonias de morcegos, alem da presenca de cavernas (32).

Kobayashi et al. (34) revelaram a existencia de varias variantes regionais associadas com morcegos hematofagos no Brasil, apresentando padroes de distribuicao associados as variacoes climaticas em montanhas e rios, o que afeta a ecologia dos morcegos. Nas regioes de topografia acidentada, pela existencia de uma maior diversidade de abrigos naturais de morcegos, que se somam aos abrigos artificiais, resultantes da atividade humana, esses animais ocorrem em maior quantidade, o que tem levado determinadas regioes a apresentarem maior incidencia da doenca, como e o caso do Vale do Paraiba, de Sorocaba, do Vale do Ribeira e de Campinas (13), assim como referente ao surto em 15 humanos, com casos concomitantes em animais domesticos e silvestres, ocorrido no municipio de Augusto Correa, Estado do Para, regiao amazonica brasileira (35), apontando o D. rotundus como especie transmissora.

Almeida et al. (36) observaram dois morcegos Nyctinomops macrotis positivos na IFD e PB, em Sao Paulo, Estado de Sao Paulo, entre 1988 e 1992, sem apresentarem nenhum sinal clinico, sendo entao considerados transmissores as sintomaticos. No interior do Estado, Passos et al. (37) registraram uma epizootia em Ribeirao Preto, no ano de 1995, com media de 4,8 casos, em todos os meses do ano, com 58 casos confirmados, sendo 54 caes, tres gatos e um morcego frugivoro (A. lituratus), encontrado morto em uma praca. Cunha et al. (38) identificaram 1,3% (98/7393) morcegos infectados, sendo 88,8% (87/98) destes na zona urbana. Maior frequencia foi observada em A. lituratus (33,7%). Eptesicus e Myotis foram as especies positivas mais frequentes (24,5%) da familia Vespertilionidae. Enquanto isso as especies Molossus molossus e M. rufus apresentaram 14,3% positividade. Queiroz et al. (31) identificEirain 4,9% (518/10.579) amostras cerebrais positivas de animais suspeitos. Os casos em caes corresponderam a 67% (346/518) do total e ocorreram entre 1993 a 1997. Dentre as demais amostras positivas, 16% (84/518) foram detectados em bovinos e 9,7% (50/518) em morcegos. Dentre os morcegos encontrados vivos 50% (13/26) apresentavam algum sinal clinico de raiva, como alteracao de comportamento (voar durante o dia), dificuldade de locomocao e agressividade. Em 12% (6/50) dos casos, houve algum tipo de agressao a pessoas e animais ou contato direto do morcego com pessoas. Albas et al. (39) tipificou 18 amostras de virus rabico provenientes de morcegos nao hematofagos de varias especies provenientes da regiao de Presidente Prudente, SP. Destas amostras, 82,3%o (15/18) foram definidas como variante 3 (Desmodus rotundus) e 16,7%(3/18) como variante 4 (Tadarida brasiliensis). Scheffer et al. (40) detectaram 1,9% (83/4393) morcegos positivos no Estado de Sao Paulo, pertencentes a dez generos, com predominio de insetivoros.

As especies de morcegos que ocorrem em coabitacao geralmente nao mantem contato fisico, ocupando espacos separados no interior do abrigo. Porem, Constantine (41) alertou que podem ocorrer interacoes interespecificas, por meio de mordidas, que podem promover a transmissao do virus rabico. A transmissao por aerossois e possivel, mas ate hoje ocorreu somente em poucas cavernas dos Estados Unidos, com amplas colonias de morcegos, cobertos com extrema umidade, alta temperatura e pouca ventilacao (42).

Apesar de a raiva ser considerada uma doenca fatal, ha relatos de recuperacao da doenca, principalmente quando da inducao de coma e resposta imune nativa cronica (43). A excrecao do virus rabico na saliva dos mamiferos que permanecem saudaveis por um longo periodo de tempo e o mais importante criterio para se considerar o estado de portador da raiva (44).

A infeccao do cerebro pelo virus rabico resulta em alteracoes comportam entai s devido a infeccao dos neuronios em areas limbicas, o que facilita a transmissao pela mordedura. Por outro lado, Brookes et al. (45) observaram que as ovelhas sao suscetiveis a infeccao com EBLV, porem ha variabilidade na patogenese incluindo a neuroinvasividade que varia de acordo com a via de infeccao, sugerindo que a transmissao animal-animal entre especies de virus rabico variante morcego para um hospedeiro mamifero terrestre pode ser limitada, e nem sempre resultar em encefalite fatal, apesar das severas e amplamente disseminadas alteracoes inflamatorias cerebrais promovidas pelos virus EBLV-1 e EBLV-2, comparados ao CVS (46). A vasta maioria dos casos de raiva e transmitida pela mordedura. Exposicoes que nao envolvam mordeduras incluem contaminacao de uma ferida aberta, abrasoes, cortes, ou membrana mucosa pela saliva ou de tecido do SNC de um animal infectado. A transmissao para o homem pela inalacao de virus rabico aerossolizado em cavernas contendo milhares de morcegos ou em acidentes de laboratorios tem sido observada, alem de transplantes de corneas e orgaos contendo o virus rabico (47).

A raiva se manifesta com um quadro furioso ou paralitico. Como furioso, o animal torna-se agressivo, atacando e mordendo outros animais ou pessoas que encontra. Como paralitica, ha a perda do controle muscular levando a paralisia e morte, sem agressao, na maioria dos casos. Caes e gatos normalmente apresentam quadros furiosos, enquanto os morcegos tornam-se paraliticos (1).

No Brasil, em 1980, 64,3% dos casos humanos foram registrados na zona urbana, diminuindo para cerca de 37,0%) ate 1990. Analisando-se as taxas da zona rural e da zona urbana, a primeira apresentou em 1990, valores seis vezes mais altos que a segunda. Os casos registrados nas capitais dos Estados reduziram-se a dois, em 1987, e a tres, em 1988, tendo aumentado nos dois anos seguintes devido, a um surto na cidade de Maceio, Estado de Alagoas, com cinco casos registrados, totalizando oito casos em 1990. Durante na mesma decada, o ciclo urbano da enfermidade se mostrou ser o mais importante, com 83,2% do total de casos humanos sendo transmitidos por caes, e os quiropteros logo apos com 4,8%. Esse problema vinha aumentando desde 1985, chegando a 15,l%i (11 casos) transmitidos por quiropteros (48). 2005 foi o ano com maior frequencia de casos (55 casos) de raiva humana transmitida por morcegos nas Americas, com 42 casos no Brasil, 7 casos no Peru, tres casos na Colombia, dois casos no Equador, e um caso na Bolivia, alem de um adicional de cinco casos transmitidos por especies de morcegos nao hematofagos no Mexico (49). Dos casos no Brasil, 17 foram registrados no Estado do Para e 24 no Estado do Maranhao.

Segundo dados do Sistema de Vigilancia Epidemiologica, referentes ao periodo de 1983 e 1996, de 18 casos humanos de raiva no Estado de Sao Paulo, 11,0% foram transmitidos por quiropteros, 6,0% por quiropteros ou caes e 83,0% por caes. Tal fato comprova a baixa taxa de transmissao do virus rabico do quiroptero para o homem, sendo que o cao, mesmo com a implantacao das campanhas de vacinacao em 100,0%) dos municipios, ainda contribuiu para casuistica da enfermidade no homem nas decadas de 80 e 90 (50).

Nos Estados Unidos, desde 1980, dos 37 casos de raiva humana, 12 casos foram importados com transmissao a partir de caes, e 25 casos foram autoctones com transmissao a partir morcegos em 22 dos 25 casos, onde a maioria dos casos e associada aos morcegos Lasionycteris noctivugans e PipistrelluS subflavis (47). Em 2006, os animais silvestres desempenharam papel importante na manutencao do virus nos EUA com os guaxinins apresentaram-se 37,7% infectados, seguidos por morcegos, jaritataca, raposas, gatos, bovinos e, em ultimo, caes, com tres casos de raiva humana transmitida por morcegos (51). No Estado de Massachusetts, no periodo de 1985 a 2006, 38,2% guaxinins dentre 7138 analisados foram positivos, e somente 5,3% morcegos (21). No Canada, desde 1924 tem-se registrado somente 22 casos de raiva humana, sendo em 1985 e 2000 dois casos transmitidos por morcegos (47). Dentre os casos registrados entre 1957 e 2000, 76,0% eram homens e 40,0%) com idade variando entre 10 a 29 anos de idade, com incubacao mediana de sete semanas (<10 semanas para 72,0% dos casos) (52). Casos estes levam a um custo elevado seja por profilaxia posexposicao que, para o periodo de 1998 a 2002, foi estimado no sul da California em media de US$ 3.688, entre custos diretos e indiretos (53). No oeste europeu, a raiva em animais domesticos e carnivoros selvagens tem ocorrido raramente. Somente a Alemanha relatou baixo numero de raposas infectadas em 2005. Porem, morcegos infectados foram observados cm quatro paises, alem de um caso humano no Reino Unido e outro por transplante na Alemanha (54).

Varios casos diagnosticados positivos, com individuos afetados neurologicamente, porem sem haver indicios de mordeduras, tem levado a busca de informacoes mais precisas sobre participacao de animais infectados no quadro. Porem, a maioria destes individuos tinha um historico de mordedura que foi relatado pelos familiares ou amigos, nao sendo indicativo de mordeduras nao detectadas. Portanto, tais relatos tem sido interpretados amplamente como evidencias de que a maioria da transmissao de raiva a partir de morcegos para o homem se da por mordeduras nao detectadas. Com isso, a combinacao de hipoteses de mordeduras nao detectadas, e relatos de que a maior parte dos casos de raiva nos Estados Unidos e transmitida pelos morcegos, tem levado a manchetes sensacionalistas que aumentam desproporcionalmente o risco percebido da populacao, reducao a tolerancia aos morcegos como aliados beneficos (20,21,35).

DIAGNOSTICO

Diagnostico tradicional

Um diagnostico rapido da infeccao por Lyssavirus deve ser realizado no animal suspeito apos exposicao humana ou animal. Metodos preconizados pela Organizacao Mundial de Saude (OMS), como imunofluorescencia direta, prova biologica em camundongos e pesquisa citologica de corpusculos de Negri, permitem um diagnostico rapido da infeccao, porem com sensibilidades variadas. A deteccao direta do antigeno pela prova de imunofluorescencia direta (IFD) e o metodo de triagem diagnostica mais amplamente utilizado, e com maior rapidez, sensibilidade e especificidade (16,55). Porem, a IFD possui uma sensibilidade reduzida para a analise de tecidos cerebrais em estado de decomposicao (56). A pesquisa citologica pelo metodo de Sellers nao necessita de recursos materiais de alto custo para sua realizacao, porem possuem a menor sensibilidade dentre as tres tecnicas, alem de requisitar treinamento tecnico especializado para visualizacao dos corpusculos. Os resultados sao normalmente confirmados pela inoculacao intracerebral, de suspensao cerebral suspeita, em camundongos lactentes (PB), ou pelo isolamento viral em celulas de neuroblastoma murino. Atualmente, ja se dispoem no Brasil de laboratorios capacitados a realizar estudos de caracterizacao de cepas por meio de painel de anticorpos monoclonais e de iniciar pesquisas com tecnicas de biologia molecular para estudos epidemiologicos. Esta rede de laboratorios e credenciada junto ao Instituto Pasteur, com sede em Sao Paulo, e ao Centro de Controle de Doencas (CDC), com sede em Atlanta, EUA.

Para o diagnostico no homem, a tomografia computadorizada e a ressonancia magnetica do cerebro nao permitem mostrar anormalidades especificas na raiva. Similarmente, a eletroencefalografia normalmente mostra somente anormalidades nao especificas, nao sendo util para o diagnostico. O virus da raiva pode ser diagnosticado sorologicamente, baseado na presenca de anticorpos soroneutralizantes sericos contra o virus em pacientes nao vacinados previamente, mas estes anticorpos normalmente nao estao presentes ate a segunda semana da enfermidade e podem nao atingir niveis detectaveis ate o fim da vida. O diagnostico por meio de biopsias de pele colhidas da regiao da nuca pode demonstrar a presenca do antigeno viral em pequenos nervos adjacentes aos foliculos pilosos. Outro metodo diagnostico, porem menos confiavel, e a deteccao do virus a partir de impressoes da cornea em lamina (47), podendo tambem ser isolado da saliva e glandulas salivares, principalmente no caso dos animais de producao (18,40).

Estudos com imunoistoquimica realizados anterior ao desenvolvimento da doenca clinica mostraram evidencias de infeccao de fibras musculares extrafusal e fibrocitos ocasionais no sitio de inoculacao. Apesar de incerto, a infeccao das fibras musculares pode ser uma fase patogenica critica para o virus ganhar acesso ao sistema nervoso periferico. O virus da raiva se liga aos receptores nicotinicos de acetilcolina, na juncao neuromuscular, e estudos recentes utilizando co-culturas musculo-nervo indicam que a juncao neuromuscular e o maior sitio de entrada nos neuronios (45,57).

As condicoes de envio e recebimento dos materiais sao de imprescindivel importancia para o diagnostico correto da enfermidade, visto que as tecnicas diminuem sua sensibilidade e especificidade, em razao do estado de decomposicao do material analisado. Para a IFD, materiais enviados ate 48h a 25-29[degrees]C, a eficiencia diagnostica e mantida, porem na PB, a eficiencia so e garantida ate 24h, considerando-se a mesma temperatura, como observado por Albas et al. (58).

No Brasil, nas decadas de 60 e 70, varios pesquisadores estudaram e isolaram o virus da raiva em quiropteros, a partir de varios orgaos, tais como pulmao, coracao, rim, bexiga, utero, etc, observando condicoes atipicas de seus hospedeiros, como voos diurnos (59). Porem foi somente na decada de 80 que por meio de inoculacao experimental de morcegos hematofagos, via intramuscular e subcutanea, foi verificado que os morcegos hematofagos reagem ao virus da raiva como os outros mamiferos, com periodo de incubacao variavel, com excrecao de virus pela saliva, nao apresentam o estado de "portador sao" e nao se recuperam apos apresentarem sintomatologia de raiva ou eliminarem virus pela saliva (17).

Avancos em biologia molecular

Mais recentemente, a deteccao do RNA viral pela tecnica de transcriptase reversa reacao em cadeia pela polimerase (RT-PCR) tem sido proposta com uma alternativa mais rapida e sensivel (6,60). A comprovacao do material genetico do agente, RNA ou DNA, e de grande importancia, em virtude de grande parte das amostras disponibilizadas para o diagnostico provirem de animais mortos a diversos periodos de tempo e sob as condicoes de temperatura mais extrema (61). A deteccao do material genetico conclui a presenca da infeccao por determinado agente, nao garantido a manifestacao da doenca, tendo de ser esta manifestacao comprovada pela avaliacao clinica do animal juntamente com alteracoes anatomopatologicas e metodos diagnosticos "in vivo".

Os padroes de evolucao viral, tao evidenciados pelas alteracoes nas sequencias de nucleotideos, refletem o trajeto independente da transmissao do virus indicativo da populacao viral isolada, pela geografia ou hospedeiro animal (62), podendo a diversidade em uma area geografica estar associada com os fatores de selecao de hospedeiro (35,63). A heterogeneidade genetica, evolucao rapida e diversidade antigenica consequente, se confirmadas, oferecera a oportunidade significante do virus rabico para colonizar novos nichos ecologicos, novos vetores e evadir a imunidade do hospedeiro induzida pelas vacinas anti-rabica atuais (5).

Descrita por Kary Mullis, em 1985 (61), a reacao em cadeia pela polimerase (PCR) e uma tecnica de biologia molecular, que obteve maior impacto na ultima decada do seculo XX. Este e um sistema extremamente sensivel que permite a amplificacao enzimatica e deteccao das sequencias de acidos nucleicos especificos da cadeia de DNA. Consiste em ciclos repetitivos de tres etapas, considerando-se o binomio tempo-temperatura, onde sequencias de nucleotideos especificas e complementares as fitas do DNA, oligonucleotideos com 8-15 bases, ao serem adicionadas a reacao, e a temperatura adequada, promovem a extensao da fita de DNA, sendo a reacao catalisada por uma enzima, em geral a Tag polimerase, originada da bacteria Thermus aquaticas. Em algumas tecnicas, ha a combinacao da utilizacao de tipos de oligonucleotideos, sondas e/ou endonucleases de restricao.

Atualmente, existem varias tecnicas utilizadas para o diagnostico biomolecular, sendo a mais utilizada para a pesquisa de virus RNA a RT-PCR, geralmente associada com a utilizacao de anticorpos monoclonais, a RFLP-PCR (polimorfismo de comprimento do fragmento de restricao) e/ou o sequenciamento genetico, para a sua caracterizacao. A utilizacao da PCR e outras tecnicas de amplificacao de acidos nucleicos nao e recomendada para a rotina diagnostica anti-mortem da raiva (64).

Para o diagnostico de virus RNA se faz necessario a conversao do RNA para DNA, em virtude da baixa estabilidade e facil destruicao do RNA. Para tal, utiliza-se a enzima transcriptase reversa (RT). Porem, alem da RT-PCR, podem ser utilizadas outras tecnicas variadas da PCR, como e o caso da hemi-nested RT-PCR (hnRT-PCR) (28,60,65), nestedRTPCR (66), PCR-ELISA (56,67), RT-PCR para cepa-especifica (ssRT-PCR) (61,68), RFLP PCR (44,68,69), realtime RT-PCR (70,71), hibridizacao Southern blotting (60) e sequenciamento com analise de filogenia (32).

Os metodos baseados na PCR tem uma vantagem adicional sobre os metodos diagnosticos padroes, pois esta gera um produto que pode ser posteriormente analisado pelo sequenciamento. Os dados resultantes podem entao ser utilizados para analises filogeneticas que permitem uma caracterizacao altamente acurada de isolamentos do virus. A hemi-nested RT-PCR que utiliza uma mistura de primers capazes de detectar o genotipo 1 e os relacionados a raiva. Tanto a RT-PCR tradicional quanto a hnRT-PCR oferecem um maior nivel de sensibilidade do que a IFD para tecidos normais ou em decomposicao (65,71,72), como na utilizacao em amostras de homem exumado (73). Mais recentemente, um metodo utilizando PCR-ELISA foi descrito o qual pode amplificar e distinguir virus dos genotipos 1, 5 e 6 (56).

A analise do gene N tem sido preferencial na escolha de genes alvo para a amplificacao em provas biomoleculares, apesar de recentemente Camieli et al. (63) e Kobayashi et al. (74) utilizarem o gene G (glicoproteina) como alvo, ambas utilizadas com fins filogeneticos. Esta preferencia se da por varias razoes. Primeira, a amplificacao do gene N utilizando a PCR como uma simples tecnica diagnostica pode ser expandida para permitir um metodo de tipagem precisa baseada na sequencia de nucleotideos. Segunda, a sequencia N de isolamentos representativos de todos os seis genotipos, relacionados a raiva, de Lyssavirus esta accessivel e foi mostrado proporcionar suficiente informacao para analise de isolamentos para um dos distintos genotipos (5,6,34,35,75,76).

Varias amostras podem ser utilizadas para o diagnostico pos-mortem (77) e anti-mortem da raiva, por provas biomoleculares. Dentre elas tem-se o material cerebral (28,58), fluido cerebroespinhal, saliva (78), glandulas salivares (18,40,79), gordura interescapular, swabes orofaringeos (66) e tonsilas (44), corneas e foliculos pilosos (80).

A RT-PCR apresenta uma sensibilidade maior que a IFD quando diretamente comparadas utilizando tecidos conservados em mas condicoes (72). Convencionalmente, a hibridizacao Southern blotting pode levar mais de 48 horas para obter o resultado, enquanto o PCR-ELISA pode ser completado dentro de 10 horas. Alem disso, produz sensibilidade 100 vezes maior do que a hibridizacao. Mediante a isso, Black et al. (56), utilizando oligonucleotideos especificos para os genotipos 1, 5 e 6, conseguiram detectar pela RT-PCR todos os isolamentos testados referentes a estes genotipos, e negativo para os demais genotipos, em um total de 92 isolamentos. Ao realizar a PCR-ELISA, com sondas especificas, BB4 (genotipo 5) e BB5 (genotipo 6), conseguiram discriminar os genotipos 5 e 6, de todos os outros e dentre eles proprios. Portanto, o PCR-ELISA quando utilizando sondas e primers especificos, permite a discriminacao entre cepas de diferentes genotipos. Assim, poderia ser utilizado para avaliar o genotipo viral responsavel pela infeccao no homem, animal terrestre ou morcego.

Whitby et al. (67) verificaram que o PCR-ELISA, utilizando produtos amplificados da hnRT-PCR, foi dez vezes mais sensivel que amplificados pela RT-PCR em amplificar um fragmento de 586 pb em diluicao correspondente a 0,002 TCID50/mL (dose infectante media em cultivo tecidual/mL). Alem disso, encontraram que o PCR-ELISA foi 100 vezes mais sensivel que hnRT-PCR e a hibridizacao Southern blotting para um isolamento representativo de genotipo 1, podendo ser concluido em 10 horas.

Novos horizontes com a epidemiologia molecular

A epidemiologia molecular baseada na RT-PCR e uma importante ferramenta para a classificacao de doencas nos animais, incluindo a causada pelo virus da raiva, e proporciona um melhor entendimento dos relacionamentos epidemiologicos (62).

O continente americano apresenta uma elevada diversidade genetica, especialmente o Brasil (34,35,69,76). Um exemplo foi a determinacao no Brasil, por sequenciamento, de 24 variantes geneticas circulantes entre bovinos e morcegos hematofagos, no periodo de 1987 a 2006, a maior parte delas isoladas de areas as margens de rios (32), fato que permite analisar as modificacoes ecologicas e de prevalencia nos animais acometidos. Kobayashi et al. (69) determinaram nove variantes maiores de virus isolados a partir de morcegos no Brasil, onde uma destas variantes assemelhou-se ao virus isolado do morcego Lasiurus spp. de diferentes regioes da America, sugerindo migracoes e adaptacoes ambientais e de morcegos reservatorios. Deste modo, a raiva animal e derivada de varias variantes de virus rabico definidas regionalmente de acordo principalmente com a distribuicao das populacoes de morcegos hematofagos, que vivem em colonias com variacao migratoria limitada. Alem disso, a transmissao do virus relacionado a morcego hematofago parece ocorrer mais em regioes planas limitadas por regioes montanhosas (12,75).

No Mexico, Velasco-Villa et al. (76) observaram por analise filogenetica que virus relacionados as especies L. cinereus, Histiotus montanus, e outras especies do genero Lasiurus, se encontram circulantes, porem a maioria dos casos humanos e associada ao virus de morcego hematofago. Favoretto et al. (25) identificaram no Estado do Ceara cinco potenciais ciclos, apesar da homogeneidade antigenica, apresentando a emergencia de uma variante responsael por um ciclo epidemico em cachorro-do-mato (C. thous).

Outras tecnicas permitem a distincao entre as variantes do virus, como a ssRT-PCR e a RFLP-PCR. Deste modo, Ito et al. (68) discriminaram 27 isolados de virus rabico relacionado a morcegos hematofagos (VRRV) e relacionados a caes (DRRV) com o sequenciamento de 1396 nucleotideos do gene N, sendo verificada grande importancia da utilizacao de enzimas de restricao na identificacao de reservatorios do virus rabico de isolamentos a campo no Brasil e do envolvimento de multiplas especies animais tornando-se envolvidas nos ciclos de transmissao do virus rabico.

Warner et al. (44) conseguiram pela RFLP-PCR distinguir o isolamento de tonsila dos isolamentos de saliva de mesmo animal, analisando 39 sitios variaveis representando 668 nucleotideos ou 5,5% do genoma. Esta observacao suporta a hipotese de que o virus sequestrado na tonsila pode estar sob pressao imune diferente do virus presente no cerebro.

David et al. (62) demonstraram variabilidade genetica do virus em Israel a partir de tres isolamentos humanos e 223 cerebros animais, classificando-os em cinco variantes, de acordo com GenBank, pela RT-PCR e analise de sequencias. Desta forma, sao necessarios diagnosticos capazes nao so de apresentarem resultados positivos ou negativos para a infeccao, como tambem de identificarem os reservatorios (4). Kobayashi et al. (74) observaram baixa variabilidade genotipica das populacoes de virus da raiva em diferentes hospedeiros no Brasil, porem a diversidade pode ser melhor observada entre os carvivoros silvestres principalmente na regiao nordeste (22,25).

A combinacao entre as tecnicas de PCR podem aumentar a sensibilidade dos diagnosticos. Isto foi verificado por Hughes et al. (70) na analise de isolados dos virus arquivados. Os autores realizaram a realtime PCR, pelo sistema TaqMan, onde obtiveram 44/62 (71%) dos isolamentos tipados corretamente. Com isso, observaram que a TaqMan PCR para detectar o virus rabico foi tao sensivel quanto a PCR convencional, mas apresentou um limite de deteccao consideravelmente reduzido quando comparado ao limite de deteccao da hnRT-PCR. Assim, a sensibilidade do metodo pode ser aumentada ao nivel da hnRT-PCR pela utilizacao de produto da primeira RT-PCR com uma amostra para a TaqMan PCR.

A RFLP-PCR, ssRT-PCR com oligonucleotideos especificos para as cepas, e a utilizacao de paineis de anticorpos monoclonais permitem nao so a identificacao do virus rabico, como tambem a caracterizacao genetica desta, sendo uma contribuicao grandiosa nao so do ponto de vista de epidemiologia classica e molecular, como para a melhora dos programas de controle de saude publica (3,4).

Fraser et al. (10) analisaram, pela nested RT-PCR de um cerebro de morcego insetivoro na Australia, a sequencia de nucleotideos dos produtos amplificados de amostras de tecidos fixados em formalina e embebidos em parafina, e mostraram que o virus isolado do morcego tinha 75,0% de homologia com LBV, 75,0% com EBLV-2, e 79,0% com o virus rabico da vacina Pasteur. Ao nivel de aminoacidos, o virus foi 85,0% homologo com EBLV-2 e LBV, 89,0%o com DUVV, e 93,0% com EBLV-1, mostrando assim que o virus isolado apresentava um relacionamento bem estreito com EBLV. Com posterior avaliacao com painel de anticorpos monoclonais, concluiu-se tratar de um novo genotipo Lyssavirus, se encaixando como o setimo genotipo Lyssavirus, e primeiro do continente oceanico.

Arai et al. (8) propuseram um novo genotipo de Lyssavirus, em virtude de um isolamento viral a partir do material cerebral de um morcego M. hlythii na Asia Central, positivo para IFD. As sequencias de 1.350 nucleotideos e de 450 aminoacidos do gene N, do isolado Aravan, foram comparadas com 26 Lyssavirus representativos pertencentes aos sete genotipos conhecidos. A identidade da sequencia de nucleotideos do virus Aravan com os genotipos 4, 5, 6 e 7 foi de 77,0 a 78,0%, com o genotipo 1, de 75,0 a 11,0% e com os genotipos 2 e 3, de 72,0 a 74,0%o. Enquanto isso, a sequencia de aminoacidos do mesmo virus estudado, demonstrou 92,0%. de identidade com os genotipos 4, 5 e 7; 89,0% com o genotipo 6; e de 81,0 a 85,0%o com os genotipos 2 e 3. Atualmente, ARAV e considerado uma nova especie assim como outros tres virus isolados tambem de morcegos insetivoros (KHUV, IRKV e WCBV), segundo o International Committee on Taxonomy of Viruses (ICTV). Todos foram isolados no continente asiatico, totalizando 11 especies conhecidas (Tabela 1) (81) .

A possibilidade de diagnostico, em pacientes humanos vivos foi observada por Crepin et al. (78). Estes autores conseguiram obter uma sensibilidade de 29,7%. (11/37) amostras de saliva positivas para o virus rabico, e 9,1%. (2/22) de fluido cerebroespinhal, pela RT-PCR. Realizaram tambem IFD de biopsia da regiao da nuca, na tentativa de verificacao de particulas virais nos foliculos pilosos, e observaram alta sensibilidade (86,0%). Portanto, a RT-PCR realizada com amostras de saliva e importante para o diagnostico precoce da enfermidade.

Nos Estados Unidos, a maioria das especies de morcegos sao protegidas por organizacoes governamentais e nao-governamentais (66), assim como na Uniao Europeia (82). Em virtude disso, inqueritos epidemiologicos com o sacrificio de animais para a posterior utilizacao do cerebro para diagnostico rabico sao proibidos. Echevarria et al. (66) verificaram 27,3% (9/33) de animais positivos para swabs orofaringeos e negativos para o cerebro, isto e, o virus foi incapaz de alcancar as glandulas salivares pelo eixo axonal do cerebro, e a infeccao nestes animais nao permitiu o padrao classico da patogenese da raiva, 12,1% (4/33) dos animais foram positivos tanto para cerebro como swabs orofaringeos. Observaram ainda que somente 15,2% (5/33) dos morcegos foram positivos somente para a RT-PCR de cerebro, enquanto que 39,4%> (13/33) foram positivos somente para swabs orofaringeos.

Os metodos para identificacao antigenica e genetica de amostras de raiva isoladas nas Americas tem contribuido efetivamente para o desenvolvimento de programas de saude, tao bem como o reconhecimento de possiveis reservatorios silvestres da raiva urbana (25,79). Assim, o controle da disseminacao do virus da raiva em morcegos, outros animais silvestres e domesticos, e no homem, apresenta atualmente ampla possibilidade de ferramentas nao somente direcionadas para vacinacao e prevencao, como tambem para a analise de filogeografia e a ecologia das potenciais especies reservatorio, para se obter um melhor entendimento sobre a epizootiologia, evolucao e diversidade do virus rabico.

CONSIDERACOES FINAIS

O virus rabico encontra-se amplamente distribuido pelo mundo e acomete varias especies animais, incluindo o homem, porem as especies silvestres sao suas principais fontes de infeccao. Dentre estas, destacam-se os quiropteros, responsaveis pela ocorrencia de alguns surtos no Brasil. A acao desordenada do homem destruindo a natureza e promovendo a urbanizacao de areas selvagens consiste no fator mais importante que favorece a ocorrencia de novos surtos. Esta acao permite que os quiropteros passem a procurar novos abrigos e fontes de alimento, nos grandes centros urbanos, contribuindo para a disseminacao do virus e ocorrencia de variabilidade genetica. O quiroptero pode se infectar e nao apresentar sinais clinicos da raiva, transmitindo o virus por meio de mordeduras e lambeduras, fato que associado a acao destrutiva do homem culminam em novos riscos a saude da populacao humana e animal no mundo.

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Recebido em: 28/10/2009

Aceito em: 02/12/2010

Rodrigo Costa da Silva [1], *

Helio Langoni [1]

[1] Deparlamento de Higiene Veterinaria e Saude Publica (DHVSP), Faculdade de Medicina Veterinaria e Zootecnia (FMVZ), Universidade Estadual Paulista (UNESP), Botucatu, SP, Brasil.

* Autor correspondente: Departamento de Higiene Veterinaria e Saude Publica (DHVSP), Faculdade de Medicina Veterinaria e Zootecnia (FMVZ), Universidade Estadual Paulista (UNESP), Botucatu, SP, Brasil. Distrito de Rubiao Junior, s/n. 18618-000 Botucatu, SP, Brasil. Email: silva rcd(Siyahoo.com.br (R.C. Da Silva)
Tabela 1. Classificacao dos Lyssavirus.

Especies                       Abrevi    Soro-   Geno-
                              acao (a)   tipo    tipo

Lyssavirus (virus da raiva)     RABV       I       I

Lagos-Bal-Virus                 LBV       II      II

Mokola-Virus                    MOKV      III     III
Duvenhage Virus                 DUVV      IV      IV
European Bat Lyssavirus 1      EBLV 1              V

European Bat Lyssavirus 2      EBLV 2             VI

Australian Bat Lyssavirus       ABLV              VII

Aravan virus                    ARAV       ?
Khujand virus                   KHUV       ?
Irkut virus                     IRKV       ?
West Caucasian bat virus        WCBV       ?

Especies                            Veto r/reservatorios

Lyssavirus (virus da raiva)          Caniivoros(mundo)
                                    morcegos (Americas)
Lagos-Bal-Virus                     Morcegos frugivoros
                                      (Megachiroptera)
Mokola-Virus                                 ?
Duvenhage Virus                     Morcegos insetivoros
European Bat Lyssavirus 1            Morcego insetivoro
                                   (Eptesicus serotinus)
European Bat Lyssavirus 2           Morcegos insetivoros
                                        (Myotis sp.)
Australian Bat Lyssavirus     Morcegos frugivoros/insetivoros
                              (Megachiroptera/Microchiroptera)
Aravan virus                        Morcegos insetivoros
Khujand virus                       Morcegos insetivoros
Irkut virus                         Morcegos insetivoros
West Caucasian bat virus            Morcegos insetivoros

Especies                           Distribuicao

Lyssavirus (virus da raiva)           Mundial
                              (exceto algumas Lilias)
Lagos-Bal-Virus                       Africa

Mokola-Virus                    Africa Subsaariana
Duvenhage Virus                  Sudeste africano
European Bat Lyssavirus 1             Europa

European Bat Lyssavirus 2             Europa

Australian Bat Lyssavirus            Australia

Aravan virus                       Asia Central
Khujand virus                      Asia Central
Irkut virus                      Leste da Siberia
West Caucasian bat virus         Regiao Caucasiana

Fontc: htto://www.who-rabies-bulletin-org/About_Rabies/
classification.aspx
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Author:da Silva, Rodrigo Costa; Langoni, Helio
Publication:Veterinaria e Zootecnia
Date:Mar 1, 2011
Words:9830
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