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Epidemiological study of equine colic syndrome in Brazilian rodeo parks in the state of Rio Grande do Norte, Brazil/Estudo epidemiologico da sindrome colica de equinos em parques de vaquejada no estado do Rio Grande do Norte, Brasil/Estudio epidemiologico del sindrome colico equino en parques de vaquejada en la provincia Rio Grande do Norte, Brasil.

INTRODUCAO

A vaquejada e uma atividade equestre popular na regiao Nordeste do Brasil, particularmente no Estado do Rio Grande do Norte, que possui uma populacao equina de aproximadamente 43.111 animais (1). Estima-se que, no Brasil, mais de dez mil animais sejam utilizados para vaquejadas, que movimentam cerca de 250 milhoes de reais por ano no Brasil (2). As competicoes podem durar ate quatro dias, sendo uma pratica estressante, mesmo para equinos com adequado condicionamento fisico, sendo, inclusive, observada a ocorrencia de sindrome colica nesses animais, possivelmente associada a fatores de risco relacionados com o manejo realizado na propriedade ou nos parques durante os eventos.

Os fatores de risco relacionados a sindrome colica mais comumente estudados sao o sexo, a idade e a raca, que sao intrinsecos aos animais, porem seus efeitos sao considerados confundidores por varios autores (3-6). Aspectos como historico de colica, mudancas no manejo (alimentacao, estabulacao, vermifugacao, dentre outros) e na atividade fisica tem sido associados com a afeccao (3-4, 7-11) devendo, portanto, ser melhor estudados. Na realidade, na maioria das vezes, esses fatores de risco estao comumente correlacionados entre si, sendo dificil isolar um unico fator ou aqueles associados a definicoes especificas dessa sindrome (por exemplo: espasmodica, gasosa, decorrente de ulcera gastrica, compactacao, colite, encarceramento, lipoma estrangulante etc.).

A prevalencia e a real importancia da sindrome colica para a populacao equina utilizada em vaquejadas, assim como para a populacao nacional, permanecem desconhecidas. A maioria dos estudos epidemiologicos disponivel sobre a sindrome foi realizada nos Estados Unidos (3-4, 8, 12-15). Em um desses estudos, Traub-Dargatz et al. (14), acompanhando uma populacao de 21.820 animais entre 1998 e 1999, mediante a utilizacao de levantamento de dados obtidos por meio do Sistema Nacional de Monitoramento da Saude Animal (NAHMS, EUA), estimaram a incidencia anual de casos da sindrome em 4,2 colicas para cada 100 equinos/ano, com letalidade de 11%, sendo que 1,4% do total resultaram em cirurgia. No Brasil, a maioria das pesquisas desenvolvidas envolve animais de hipicas, hospitais veterinarios e unidades militares, com populacoes-alvo e ambientes geograficos diferentes, o que dificulta a extrapolacao dos resultados para outras localidades e populacoes de equideos.

Embora a etiopatogenia desse agravo seja relativamente bem estabelecida, a diversidade de condicoes predisponentes e determinantes e bastante controversa (16, 17), a utilizacao de estudos epidemiologicos e adequada para testar a hipotese da relacao entre exposicao ao fator de risco e desenvolvimento da afeccao (5, 18). Nesse sentido, o objetivo desse estudo foi pesquisar os fatores de risco associados a sindrome colica equina em animais utilizados em parques de vaquejada no Estado do Rio Grande do Norte (Brasil), alem de fornecer dados para o controle da afeccao nos parques de vaquejada.

MATERIAL E METODOS

O trabalho foi realizado em eventos de vaquejada no Estado do Rio Grande do Norte (Brasil), escolhidos a partir de registros disponibilizados nos sites www.vaquejada.com.br e www.portalvaquejadas.com.br, que ocorreram no periodo de agosto de 2009 a abril de 2010. Durante esse periodo, foram realizadas 29 vaquejadas.

Os parques/eventos visitados eram propriedades particulares, abertas ao publico com ingressos pagos. Foram escolhidos de acordo com a concordancia de participacao do proprietario, localizacao (facilidade de acesso, considerando o estado de conservacao das vias ou estradas de acesso) e dimensao do evento (dada pelos valores da premiacao e numero de inscricoes). Assim, foram visitados 15 eventos de vaquejada, em 12 parques, localizados em sete municipios no Estado do Rio Grande do Norte, conforme descrito na Tabela 1. Para a inclusao do animal na pesquisa, houve a concordancia dos respectivos proprietarios. A dimensao da vaquejada foi considerada como pequena, media ou grande, quando o numero de animais inscritos foi inferior a 370, entre 371 e 580, ou superior a 581, respectivamente.

Um total de 2.061 equinos de ambos os sexos foram incluidos no estudo. Para investigar os fatores de risco da sindrome colica, foram realizados dois estudos epidemiologicos, sendo um de delineamento transversal e outro caso-controle aninhado ao estudo transversal. Para o estudo transversal, a amostragem incluiu todos os animais inscritos nos 15 eventos visitados, cujos proprietarios concordaram com a pesquisa. Aos proprietarios ou responsaveis pelos animais foi aplicado questionario e os animais foram acompanhados durante todo o evento com a finalidade de identificacao do quadro de sindrome colica. Para o estudo caso-controle, a amostragem dos animais partiu dos questionarios preenchidos no estudo transversal. O grupo caso foi definido como 'equinos presentes nos parques de vaquejada com historico de sindrome colica nos ultimos seis meses' e o grupo controle como 'animais presentes nos parques de vaquejada que nao possuiam relatos de sindrome colica'.

Para coleta de informacoes referentes as variaveis relacionadas com as caracteristicas do animal (raca, sexo e idade), ao manejo (sistema de criacao, alimentacao, vacinacao, vermifugacao, casqueamento, ferrageamento, atividade fisica semanal, periodo de tempo que o animal se encontrava na propriedade), historico de colica (se apresentou o quadro, tempo de ocorrencia e possivel etiologia) e historico de claudicacao (se apresentou o quadro, tempo de ocorrencia e possivel etiologia). Com relacao a alimentacao, foram obtidas informacoes a respeito da quantidade, composicao e frequencia do fornecimento do concentrado (racao e farelo) e do volumoso. Tambem foram obtidos dados sobre a suplementacao mineral, assim como, informacoes sobre o fornecimento e origem da agua ingerida pelos equinos. As questoes apontadas no questionario envolveram temas descritos na literatura como fatores de risco potenciais a sindrome colica, abrangendo informacoes referentes a propriedade, ao evento e ao animal.

Apos a identificacao dos casos de sindrome colica, realizada mediante verificacao de variaveis descritas pela literatura cientifica (19, 20), como avaliacao da frequencia cardiaca, frequencia respiratoria, tempo de enchimento capilar, coloracao das mucosas, grau de hidratacao, auscultacao da motilidade intestinal e do grau de dor, foram obtidas informacoes a partir da aplicacao de um segundo questionario, com questoes referentes ao manejo durante a vaquejada (fornecimento de concentrado e volumoso, fonte e frequencia do fornecimento de agua, vacinacao, vermifugacao, casqueamento, ferrageamento e atividade fisica), historico de claudicacao e do quadro clinico apresentado (anamnese, historico anterior de sindrome colica e realizacao de mudancas na alimentacao nos ultimos 15 dias que antecederam o problema).

A sindrome foi caracterizada pelo surgimento de dor abdominal aguda, manifestada pelo desconforto (o animal dirige o seu olhar constantemente para a regiao abdominal, e deita/levanta com frequencia), ausencia, diminuicao ou aumento do numero de defecacao e aumento do diametro abdominal (17, 19, 21, 22). A selecao dos controles tambem considerou o pareamento por sexo, idade e raca do animal selecionado como caso, uma vez que sao variaveis confundidoras (3-5). Cada caso foi pareado com um controle e esse foi selecionado por sorteio simples entre os questionarios obtidos no estudo transversal envolvendo os animais presentes na mesma vaquejada em que se encontrava o animal caso com relato da sindrome nos ultimos seis meses. A Tabela 2 apresenta com detalhes os atributos considerados para cada uma das variaveis avaliadas nos estudos transversal e caso-controle.

Apos selecao, os estagiarios foram treinados para aplicacao do questionario e realizacao de exame fisico dos animais, conforme descrito pela literatura (19, 20, 22). Durante esse exame foram avaliadas variaveis comumente utilizadas na clinica medica veterinaria para exames de rotina (frequencia cardiaca, frequencia respiratoria, coloracao de mucosas, tempo de enchimento capilar, grau de hidratacao e da motilidade intestinal). Tambem foram realizadas reunioes para que os diversos itens relacionados aos questionarios fossem discutidos e esclarecidos. Nao foram realizados esclarecimentos sobre a sindrome colica, sendo recomendado que todos se concentrassem nas questoes associadas aos questionarios.

O convite para participar da pesquisa foi feito ao proprietario ou responsavel pelo animal, informado que o estudo envolvia a avaliacao de aspectos clinicos e de manejo dos animais, nao referindo especificamente a avaliacao do agravo de interesse de estudo.

Nas provas de vaquejada sao comuns caminhoes com varios animais pertencentes a diferentes proprietarios; tratadores que sao contratados para irem somente a uma determinada prova; tratadores responsaveis por varios animais, assim como proprietarios que desconhecem o manejo praticado na propriedade. Para superar esse problema, durante a abordagem dos proprietarios ou responsaveis, efetuada na chegada dos equinos aos eventos, perguntava-se sobre a pessoa mais apta a responder sobre os questionamentos referentes aos animais e a propriedade.

Analise descritiva da amostra foi realizada a partir do calculo de media e desvio padrao para as variaveis quantitativas e calculo de proporcoes para as variaveis qualitativas. No estudo transversal foi realizada analise univariada, por regressao logistica binaria, para examinar a associacao entre os dados e a ocorrencia do agravo, e estimadas as razoes de chances com respectivos intervalos com 95% de confianca. Tendo em vista que o tamanho da amostra nao foi definido previamente, foi realizado o calculo do poder do teste, mediante a utilizacao do Sampsize Project (23), sendo considerado a = 0,05. No estudo do caso-controle pareado foi utilizado o teste de McNemar, com o objetivo de comparar o grupo caso com o grupo controle em relacao a cada uma das variaveis categoricas. As variaveis identificadas como relacionadas a risco de colica no teste McNemar foram avaliadas por regressao logistica condicional cuja finalidade foi averiguar as diferencas de frequencias das variaveis entre duas amostras pareadas, alem de identificar fatores modificadores de efeito, limitando a acao das variaveis de confusao. A ocorrencia de colica (grupo caso) foi identificada como 1 e a ausencia (grupo controle) como 0. Os dados para as analises descritivas, assim como o banco de dados do estudo caso-controle pareado foram processados no programa Excel, versao 2007 (Microsoft Office[R], Microsoft). A regressao logistica binaria foi processada no software Minitab versao 16, 2010 (http://www.minitab.com/products/minitab, State College, PA). O teste de McNemar foi realizado no software Graphpad, versao 2005 (http://www.graphpad.com/quickcalcs/McNemar1.cfm, GraphPad Software, CA). A regressao logistica condicional foi processada no software SPSS, versao 20, 2011 (www.ibm.com/software/analytics/spss, IBM, NY).

RESULTADOS

Analise descritiva da amostra--Dos 2.061 equinos avaliados, 69,5% eram machos e 30,5% femeas, com idade entre 485 e 10.950 (2.978,6[+ or -]1.262,0) dias. A raca Quarto de Milha (62,0%) foi a mais frequente. Os demais animais eram mesticos (31,5%), Paint Horse (4,0%) ou de outras racas (2,5%--Appaloosa, Arabe, Puro Sangue Ingles ou Crioulo).

Do total de animais avaliados, 323 (15,5%) ja tinham vivenciado algum episodio de sindrome colica, entre um e 2.190 (media e desvio padrao: 357,1[+ or -]412,1) dias, porem apenas 19 (6%) proprietarios ou responsaveis souberam responder sobre a possivel etiologia da sindrome (problemas gastricos, alimentos de ma qualidade, aerofagia e colica cirurgica). Nao havia historico de alteracoes na dieta para 1.971 (95,6%) animais nos ultimos quinze dias que precederam a entrevista.

Dos equinos acompanhados, 705 (34,2%) possuiam historico de claudicacao, ocorrida entre um e 3.650 (media e desvio padrao: 241,0[+ or -]360,0) dias, porem apenas 144 (20,5%) proprietarios ou responsaveis souberam esclarecer a possivel etiologia da claudicacao (lesao de casco, tendinopatia, traumatismo, distensao muscular, entorse e artrite).

Sessenta e dois (3,0%) animais eram criados em baias no proprio parque e os demais viajaram entre 1 e 4.000 (media e desvio padrao: 167,3[+ or -]273,5) km, sendo que 1.004 (49, 5%) animais viajaram ate 100 km para participar das provas de vaquejada. As viagens duraram entre 5 e 8.640 (195,2[+ or -]460,0) minutos, sendo que a maioria (90%) foi realizada sem nenhuma parada para descanso dos animais.

Um total de 1.105 animais (53,6%) eram criados em regime semi-intensivo com acesso a piquetes, permanecendo na baia por um periodo acima de 11 horas/dia (59,3%). O numero de equinos criados nas propriedades variou entre um e mais de 6 (6,8[+ or -]14,5) animais, e os equinos avaliados se encontravam na propriedade entre 2 e mais de 2.190 (1.286,3[+ or -]1.107,1) dias. Finalmente, os proprietarios ja eram criadores da especie equina entre 150 e mais de 8.395 (6.058,1[+ or -]4.037,3) dias.

Do total de animais acompanhados, 64 (3,0%) nao haviam sido vermifugados, sendo a variacao na frequencia de vermifugacao de 15 a 30 dias (25,2%), 31 a 60 dias (25,0%), 61 a 90 dias (27,0%) e acima de 90 dias (19,3%). A ultima vermifugacao havia sido realizada, em media, nos ultimos 46 dias antes do evento equestre. No que se refere a vacinacao, 1.840 animais (90,3%) eram vacinados regularmente contra raiva, tetano, encefalomielite e influenza, e 199 equinos (9,7%) nao recebiam nenhum tipo de vacina. Os proprietarios ou responsaveis pelos demais animais (n=22, 1,0%) nao souberam responder sobre o protocolo de vacinacao. A maioria dos animais (96,0%) era casqueada regularmente, ou seja, a cada 40 a 45 dias, mas 76,30% dos animais nao se encontravam ferrados. Os equinos (98,4%) eram exercitados diariamente, durante um periodo medio de 97 minutos, sendo o exercicio a passo, associado (16,0%) ou nao (22,5%) a treino de vaquejada (11,5%), a atividade mais praticada, alem de treinamento especifico para vaquejada, associado (12,0%) ou nao (11,5%) a natacao, exercicio a passo e/ou galope.

Com respeito ao fornecimento de concentrados, 1.845 animais (89,5%) consumiam racao industrializada e 752 (36,5%) eram alimentados com farelo produzido na propriedade. Nao houve associacao entre consumo, quantidade e frequencia de ingestao da racao e do farelo com a sindrome colica. O consumo de racao comercial era, em media, de 6,0 kg/dia, dividido em uma a duas (22,5%) porcoes/dia, sendo, na maioria dos casos, fornecida em tres ou mais (77,5%) refeicoes. Quanto ao farelo, este era fornecido uma a duas (57,7%) vezes ao dia, numa quantidade de aproximadamente 5,0 kg/dia. Outros animais recebiam o alimento em mais de duas (42,3%) refeicoes, sendo o farelo mais utilizado, a associacao de milho e trigo (60%), seguido por farelo de milho (21,0%), alem de outros tipos (19,0%--trigo, milho, soja, aveia e sorgo).

Tanto nas propriedades como nos parques, a maioria dos equinos (99,7%) recebia volumoso, sendo esse consumido a vontade (76,2%), em uma quantidade entre um e 50 kg (media de 16,8 kg/dia). A Brachiaria humidicola (23,5%) e o feno de Cynodon sp. (16,5%) foram os capins mais frequentemente fornecidos. O sal mineral era fornecido regularmente a 1.691 animais (82,0%), sendo que na maioria das vezes a vontade (71,0%), em uma quantidade media de 95 g/dia. Alem disso, 1.079 equinos (52, 5%) nao recebiam nenhum tipo de suplemento alimentar. Nas propriedades, a agua era fornecida a vontade (98,5%) em cochos presentes nas baias (99,0%). Nas demais, a agua era fornecida em baldes ou toneis. Ja nos parques de vaquejada, a agua era disponibilizada em baldes ou toneis nos caminhoes ou os animais eram levados aos tanques comunitarios.

Estudo transversal--Dos 2.061 equinos incluidos no estudo, um total de 111 animais (5,4%) possuia historico de colica nos ultimos seis meses. Entretanto, apenas 13 equinos (0,6%; IC95%: 0,3-1,1) foram incluidos no estudo transversal, ja que foram os unicos que apresentaram quadro clinico da sindrome durante os eventos. Assim, a probabilidade de um animal apresentar a sindrome durante as provas de vaquejada foi de apenas 0,6%.

Os equinos com historico de colica possuiram 3,4 mais chances (IC95%: 1,1-10,4, p=0,02) de apresentar um novo episodio da afeccao do que aqueles que nunca haviam apresentado o quadro. Nao foram observadas diferencas com relacao as variaveis: transporte, numero de equinos na propriedade, periodo de tempo que o equino se encontrava na propriedade, periodo de tempo que os proprietarios criavam equinos, vermifugacao, vacinacao, casqueamento, ferrageamento, atividade fisica realizada, sistema de criacao e o manejo hidrico e alimentar a que os animais eram submetidos.

Estudo caso-controle--Nessa etapa foram considerados todos os animais que estavam de acordo com a definicao de caso, e o tamanho do grupo controle foi estimado em referencia ao grupo caso numa relacao de 1:1. Durante as visitas as provas de vaquejada, ocorreram 111 casos de sindrome colica, com respectivos 111 controles, totalizando 222 individuos. Considerando-se a =0,05 e razao de chance minima detectavel de 2,2, foi obtido um poder de teste de 80%, com 28% de expostos entre os controles e 48,3% de probabilidade de ocorrencia de pares discordantes. A utilizacao do teste McNemar e da regressao logistica condicional revelaram diferencas (p<0,01) entre os grupos nas variaveis 'historico de claudicacao' e 'periodo de tempo de ocorrencia da claudicacao', cujas frequencias e razoes de chances estao apresentadas nas Tabelas 3, 4 e 5. Equinos com historico anterior de claudicacao possuiram 2,3 mais chances de desenvolver o quadro de colica. Adicionalmente, a possibilidade dessa ocorrencia aumentou com a proximidade do dia em que ocorreu o problema locomotor. Mais especificamente, animais que haviam apresentado claudicacao ate 120 dias apresentaram 3,4 mais chances de desenvolverem o episodio de colica.

Conforme ocorreu no estudo transversal, as variaveis transporte, numero de equinos na propriedade, periodo de tempo que o equino se encontrava na propriedade, periodo de tempo que os proprietarios criavam equinos, vermifugacao, vacinacao, casqueamento, ferrageamento, atividade fisica realizada, sistema de criacao e o manejo hidrico e alimentar nao influenciaram no aparecimento do quadro de colica nos animais estudados.

DISCUSSAO

O poder do teste encontrado no presente estudo esteve dentro dos valores usualmente aceitos em estudos epidemiologicos (80-90%), com maiores chances de detectar uma real diferenca entre os tratamentos, ou seja, detectar diferencas se elas realmente existirem (24). Alem disso, o valor de P adotado (20%), torna o estudo mais conservador, pois aumenta a probabilidade de detectar um efeito quando ele ocorrer, sem prejuizo para o teste de hipoteses. O aumento do tamanho da amostra ou do numero de controles para aumentar ainda mais o poder do teste pode ser considerado em estudos posteriores.

A execucao da avaliacao individualizada e observational utilizada no estudo transversal foi bastante trabalhosa, ja que todos os proprietarios ou responsaveis pelos animais presentes nos parques participaram do primeiro questionario. Ressaltamos que esse tipo de investigacao exige o envolvimento de uma equipe de trabalho qualificada e treinada de forma que a coleta de dados ocorra em tempo adequado e de forma homogenea.

A probabilidade de um animal apresentar colica durante as provas de vaquejada foi de 0,6% (IC95%: 0,3-1,1). Outras pesquisas revelaram incidencias superiores as encontradas no presente estudo, sendo de 4,2% [Traub-dargatz et al. (14)--estudo retrospectivo na populacao de equinos dos Estados Unidos], 12% [Laranjeira et al. (25)--estudo retrospectivo com equinos de unidades militares no Rio de Janeiro, Brasil] e 15,8% [Higuchi (26)--estudo retrospectivo com apolices de seguro para equinos no Japao]. As diferencas verificadas, provavelmente podem ser explicadas pelos delineamentos diferentes utilizados nos estudos. Em nosso caso, o valor encontrado pode ser decorrente do pouco tempo de permanencia dos animais nos parques de vaquejada o que, consequentemente, influencia a probabilidade de se observar a ocorrencia de casos desse agravo. Entretanto, apesar do resultado encontrado expressar uma probabilidade baixa, a mesma tem elevada precisao (IC95%: 0,3-1,1), adicionalmente, e importante considerar que mesmo pequenas probabilidades sao significativas, dado o efeito grave que a sindrome colica causa nos animais acometidos.

Na analise descritiva dos 2.061 animais, ficou evidenciada a predominancia de animais do sexo masculino, o que se deve provavelmente ao aspecto cultural (machos mais ageis e resistentes, sendo assim mais indicados para as provas de vaquejadas) ou mesmo pode ser decorrente do maior desenvolvimento muscular presente nos machos, que, conforme mencionado por Cohen, Gibbs e Woods (4), favorece a utilizacao dos equinos em atividades esportivas. Ja a maior frequencia da raca Quarto de Milha esta associada ao tipo de esforco fisico a que os animais de vaquejada sao submetidos, que e de alta intensidade, curta duracao com rapida largada e mudanca de direcao, alem de paradas abruptas (2), de forma que essa e uma raca ideal para executar tal atividade. Mariz et al. (27) estudaram a ascendencia genealogica de equinos dessa raca usados durante as competicoes de vaquejada realizadas pela Associacao Brasileira de Criadores de Quarto de Milha. De acordo com os autores, na maioria das vezes, os equinos utilizados na atividade sao produtos do acasalamento entre animais de tipos produtivos de trabalho e corrida.

A administracao de vermifugos e vacinas foi bastante frequente. As vacinas mais comumente administradas foram contra raiva, tetano, encefalomielite e influenza. A reducao de casos de colica apos vermifugacao e relatada por Reeves, Salman e Smith (3). Porem, outros autores nao encontraram essa associacao (28, 29).

Os equinos eram exercitados diariamente, durante um periodo medio de 97 minutos, sendo o exercicio a passo, associado ou nao a treino de vaquejada, as atividades mais praticadas. Cohen, Gibbs e Woods (4) relataram aumento do risco de colica em equinos que sao exercitados. Animais que praticam atividade fisica excessiva ou prolongada estao sempre trabalhando no seu limite e, consequentemente, submetidos a estresse constante, que pode ser agravado na epoca das competicoes de vaquejada.

Apesar de inumeros fatores serem mencionados como de risco a sindrome colica, no presente estudo apenas algumas variaveis foram identificadas como relacionadas com a afeccao. Considerando a amostra, 15,5% dos animais apresentavam historico anterior do agravo. Esse achado pode estar relacionado, em parte, ao sistema de manejo semi-intensivo adotado na maioria das propriedades, o que permite maior acompanhamento dos animais pelos proprietarios ou responsaveis, facilitando a deteccao dos casos. Conforme demonstrado no estudo transversal, o historico anterior de colica e um importante fator de risco para a ocorrencia de um novo episodio da sindrome, com valores de 3,4 mais chances (IC95%: 1,110,4). Essa predisposicao a recidiva foi relatada em outros estudos realizados em equinos (3, 4, 8, 16, 18, 30, 31).

Estudos revelaram razao de chances semelhantes ou superiores as encontradas no presente estudo, sendo publicados valores de 3,9 [Cohen, Gibbs e Woods (4)--estudo casocontrole envolvendo 2.060 equinos atendidos em hospital veterinario do Texas, USA IC95%: 2,6-5,9, p<0,001], 6,8 [Cox et al. (30)--estudo caso controle retrospectivo em muares mantidos em fazenda beneficente do Reino Unido--IC95%: 1,6-27,9, p<0,001] e de 10,2 [Hillyer et al. (18)--estudo caso-controle retrospectivo em equinos atendidos em dois hospitais veterinarios do Reino Unido--IC95%: 2,1-49,0, p<0,001].

Outras possibilidades de recidiva sao mencionadas como resultante de predisposicao individual (8), da formacao de aderencias e estreitamentos de visceras apos ocorrencia de colica cirurgica (4, 29), assim como da diminuicao de neuronios do plexo mioenterico na flexura pelvica e colon dorsal direito, o que pode ocasionar obstrucao cronica do colon, com consequente alteracao na motilidade intestinal (11). A excecao das aderencias e dos estreitamentos viscerais mencionados por White (11), ja que nenhum animal possuia historico anterior de colica cirurgica, nenhuma das demais possibilidades mencionadas pode ser descartada como fatores predisponentes para o aparecimento dos episodios de colica nos animais do presente estudo. No entanto, e importante destacar que conforme mencionado por Cohen, Gibbs e Woods (4), o historico anterior da afeccao nao auxilia na identificacao da causa da sindrome. Entretanto, essa possibilidade de associacao de um episodio anterior com um quadro subsequente da afeccao e uma informacao importante para veterinarios, proprietarios e, principalmente, para aqueles que manejam os animais. A falta de esclarecimentos possibilita a permanencia dos fatores de risco na propriedade.

A maioria (65,8%) dos equinos acompanhados nao possuia historico de claudicacao e a ocorrencia do problema locomotor havia ocorrido em media 240 dias antes. E provavel que esse seja o motivo pelo qual 79,5% dos proprietarios/responsaveis nao recordavam a possivel etiologia da claudicacao. Essa falta de informacao e prejudicial a um estudo epidemiologico. Conforme destacam Singer et al. (32), proprietarios deveriam manter atualizados todos os historicos clinicos dos equinos atletas, evitando assim, a ausencia de informacao sobre o diagnostico definitivo das afeccoes previamente apresentadas.

A relacao entre claudicacao e episodios de sindrome colica, revelada no estudo casocontrole, tambem ja havia sido mencionada em diferentes estudos realizados em equideos (8, 18, 30, 33). Cox et al. (30) estudando fatores de risco para a sindrome colica por compactacao em asininos encontraram 2,2 mais chances (IC95%: 1,3-4,9) da ocorrencia do quadro em animais com problemas locomotores. Hillyer et al. (18) descreveram quatro semanas apos o surgimento de afeccoes musculo-esqueleticas como um periodo de alto risco para surgimento da afeccao. O presente estudo revelou razao de chances de 2,1 para o aparecimento de colica, em animais que apresentaram problemas locomotores, sendo que esta passou para 3,4 quando estes problemas ocorreram ate 120 dias antes do episodio da sindrome. A reducao da quantidade de exercicios em decorrencia da afeccao locomotora aumenta o tempo de estabulacao, que associado a mudancas alimentares, pode predispor ao quadro de abdomen agudo. Adicionalmente, conforme mencionado pela literatura cientifica, animais que pastam livremente produzem de forma continua grandes quantidades de saliva rica em bicarbonato, em resposta ao processo de mastigacao, que e um importante efeito tamponante ao acido gastrico (34-37), e que pode evitar o aparecimento de ulceras. Por outro lado, existem relatos de que a prevalencia da severidade da ulcera nao difere significativamente entre equinos totalmente estabulados, de animais mantidos parcialmente estabulados, ou a pasto (38).

A ulcera gastrica nos equinos e multifatorial e frequentemente assintomatica (39, 40), sendo a administracao de anti-inflamatorios nao esteroidais (AINEs) (41, 42), farmacos comumente empregados em equinos com afeccoes do sistema locomotor, uma das possiveis causas. A lesao gastrica e normalmente associada a altas doses ou frequente administracao dos AINEs (43). Entretanto, doses terapeuticas tambem podem causar ulceras na especie. A hipotese mais amplamente aceita para a associacao entre AINEs e ulceras gastricas e a inibicao de cicloxigenases, a qual bloqueia a conversao do acido araquidonico em prostaglandinas (44, 45). O efeito vasodilatador fisiologico das prostaglandinas (particularmente da PGE2) na mucosa do estomago gera um sistema de tampao pelo bicarbonato, o qual atenua a acao corrosiva do acido cloridrico presente nas secrecoes gastricas (40, 45, 46). Finalmente, o estresse decorrente do confinamento e aplicacao de medicamentos e um aspecto que deve ser considerado no aparecimento da colica (35, 39, 44). Vatistas et al. (41) estudaram o estresse em 30 equinos Puro Sangue Ingles (PSI) adultos, e sugeriram que a exposicao a um novo ambiente, transporte, contencao fisica, anestesia e sondagem nasoesofagica sao situacoes que podem aumentar a concentracao de cortisol serico. Sabe-se que a elevacao dos niveis de corticosteroides endogenos resultantes do estresse pode inibir a sintese das prostaglandinas (34, 40), previamente mencionadas.

As afeccoes locomotoras (lesoes de casco, tendinopatia, traumatismo, distensao muscular, entorse e artrite), identificadas durante o estudo epidemiologico, podem estar relacionadas com erros no manejo dos animais na propriedade, como a ausencia de limpeza diaria da baia, nao utilizacao de ferraduras, atividade fisica diaria muito intensa ou prolongada, entre outros. A maioria dos animais (76,3%) nao estava utilizando ferradura, que e um instrumento que protege o casco. Medidas preventivas devem ser tomadas para a reducao da frequencia desses problemas locomotores e, consequentemente, do fator de risco 'historico anterior de claudicacao.

O achado mais surpreendente nos estudos epidemiologicos foi a ausencia de associacao entre colica e a variavel consumo de racao comercial, que foi em media de 6 kg/dia, para animais pesando entre 300 e 450 kg. Por se tratarem de equinos atletas, ja era esperado maior consumo de fonte energetica, como as racoes industrializadas. Estudo realizado por Tinker et al. (8) revelou que animais alimentados com mais de 2,5 kg de concentrado/dia apresentam 4,8 mais chances (IC95%: 1,4-16,6) de desenvolverem colica. Outras pesquisas demonstraram que equinos alimentados com mais de 5 kg de concentrados/dia possuem 6,3 mais chances (IC95%: 1,8-22,0) de desenvolverem a sindrome (5, 6, 8, 33). Por outro lado, ainda que a ingestao excessiva de racao industrializada seja considerada fator de risco para a sindrome colica (5, 8), existem estudos que nao revelaram essa associacao (47, 48), conforme constatado nos animais de vaquejada. A razao para a ausencia de associacao entre essa variavel e a afeccao pode ser devido ao fornecimento fracionado do alimento, ja que a maioria dos animais recebia o total de racao dividido em tres ou mais refeicoes. Adicionalmente, muitas das informacoes disponiveis a respeito da relacao entre dieta e sindrome colica sao baseadas em hipoteses ou extrapolacoes de dados experimentais que nao foram corroborados com observacoes epidemiologicas, como a realizada no presente estudo.

Apesar das precaucoes adotadas, no presente estudo ocorreram vieses de informacao (sobre a exposicao aos fatores de risco ou no surgimento do quadro de sindrome colica) e de memoria, ja que a informacao e retrospectiva e, portanto, dependente da memoria. A definicao de colica como dor abdominal aguda pode ser uma fonte de vies de informacao na interpretacao dos resultados (8) e pode influenciar na identificacao de fatores de risco, pois, segundo Goncalves, Julliand e Leblond (5), alguns fatores estao diretamente relacionados com as diversas definicoes utilizadas para a sindrome (ulcera gastrica, colite, compactacao, lipoma estrangulante, etc), apesar de existirem fatores de risco comuns a todos os tipos da sindrome (3). Por outro lado, conforme mencionado por Tinker et al. (8), se fosse utilizada uma definicao mais especifica do quadro de colica, como por exemplo, colica por compactacao ou devido a duodeno-jejunite proximal, poderia haver limitacao do estudo a um numero ainda menor de casos clinicos e isso nao estaria indicado em uma abordagem inicial de uma populacao-alvo.

A resposta ao segundo questionario, apos a ocorrencia dos casos da afeccao nos eventos, foi realizada pela mesma pessoa que respondeu ao primeiro questionario, alem do veterinario responsavel pelo atendimento do caso clinico. Portanto, a aplicacao do segundo questionario foi mais demorada, podendo ter ocorrido vies de informacao (5, 49), pelo fato do respondente poder ter sido mais cuidadoso em caracterizar a forma de manejo adotada (possiveis fatores predisponentes a sindrome), uma vez que o caso de colica era recente. Esse mesmo tipo de vies foi identificado por Reeves, Salman e Smith (3) e Tinker et al. (8) que mencionaram que os proprietarios de animais com quadros da sindrome se tornam mais participativos, na esperanca de serem beneficiados pela pesquisa, de forma a identificar falhas no manejo, e obter as recomendacoes que possam reduzir a casuistica na propriedade.

Vies de memoria, comumente observado quando se aplicam questionarios (5, 49), ocorreu durante os questionamentos relacionados com a vermifugacao, onde a maioria dos proprietarios ou responsaveis recordava da ultima administracao do vermifugo, mas nao da frequencia e base farmacologica do produto utilizado. Esse fato tambem pode ter ocorrido em outras questoes, como frequencia de casqueamento e ferrageamento. Esse vies foi constatado por Trotz-Williams et al. (50) no estudo caso-controle realizado com a finalidade de avaliar a ocorrencia de Anoplocephala perfoliata em equinos em Ontario, Canada. Diferentemente do presente estudo, que foi presencial, os autores utilizaram questionarios que foram enviados a veterinarios. De acordo com alguns autores (5, 49, 50), essa forma nao presencial de obtencao de informacao e ainda mais sujeita a vieses.

O vies de memoria quanto ao desfecho (sindrome colica) tambem poderia estar presente, porem essa afeccao e um acontecimento marcante, alem disso, o manejo dos equinos era principalmente do tipo semi-intensivo, com os animais alocados em baias durante o dia e soltos no periodo da noite, o que certamente facilitou a observacao dos sinais de episodio de colica. Por outro lado, o vies poderia estar presente quanto ao tempo exato da apresentacao do quadro e nao se o 'animal apresentou ou nao' a afeccao.

CONCLUSOES

Caso nao exista historico anterior de colica ou de claudicacao, o risco de ocorrencia da afeccao nos eventos de vaquejada e baixo. O fato das variaveis relacionadas ao manejo alimentar e sanitario dos animais nao estarem associadas a ocorrencia de colica, sugere que as atividades preconizadas pelos proprietarios e tratadores nao aumentam o risco de ocorrencia da afeccao, devendo ser mantidas. Por outro lado, os fatores de risco identificados permitirao que outras medidas de prevencao sejam implementadas nas propriedades e parques. E necessario aperfeicoar a realizacao de registro sobre o manejo a que cada animal esta submetido. A continuidade dessa linha de investigacao, utilizando maior amostragem, em se tratando de delineamento individual-analitico permitira aprofundar o conhecimento existente sobre fatores de risco associados a sindrome colica, contribuindo para o esclarecimento de possiveis etiologias e, consequentemente, a prevencao mais adequada desse agravo nas populacoes equinas.

Essa pesquisa foi aprovada pela Comissao de Etica do Departamento de Veterinaria da Universidade Federal de Vicosa (DVT/UFV) em 31 de julho de 2008.

Recebido em: 04/12/12

Aceito em: 08/11/13

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Regina Valeria da Cunha Dias [1]

Jose Dantas Ribeiro Filho [2]

Paula Dias Bevilacqua

Jose Ivo Ribeiro Junior [3]

Maria Veronica de Souza

[1] Departamento de Ciencias Animais, Universidade Federal Rural do Semi-Arido (UFERSA)

[2] Departamento de Veterinaria, Universidade Federal de Vicosa (UFV)

[3] Departamento de Estatistica, Universidade Federal de Vicosa (UFV)
Tabela 1. Classificacao dos eventos de vaquejada avaliados no Estado
do Rio Grande do Norte (Brasil), agosto de 2009 a abril de 2010

Parques  No. animais     No. animais    Classificacao      Valor da
         inscritos(1)   presentes nas     da prova       premiacao (R$)
                          provas(1)       (dimensao)

  1          480             146            Media          23.000,00
  2          370             80            Pequena         12.000,00
  3          620             201            Grande         30.000,00
  4          642             110            Grande         20.000,00
  5           66             49            Pequena          6.500,00
  6         1.010            261            Grande         140.000,00
  7          450             80             Media          18.000,00
  8          480             86             Media          22.000,00
  9          680             179            Grande         110.000,00
  10         519             113            Media          21.000,00
  11         100             44            Pequena          7.000,00
  12         580             109            Media          30.000,00
  13         467             179            Media          53.000,00
  14         958             337            Grande         140.000,00
  15         116             87            Pequena          8.000,00

NOTA: (1) A diferenca entre o numero de animais inscritos e presentes
nas provas de vaquejada e devido ao fato de que cada participante
pode adquirir mais de uma inscricao para participar das provas. Dessa
forma, existem animais que sao inscritos varias vezes na mesma
vaquejada.

Tabela 2. Atributos determinados em funcao das diversas variaveis
avaliadas no estudo transversal e caso-controle

Variaveis: atributos

1. Sexo: macho ou femea.

2. Idade (dias): 485|-| 1.460; 1.461|-| 1.825; 1.826|-| 2.190; 2.191|-|
2.555; 2.556|-| 3.100;

3.101|-| 3.650; > 3.650.

3. Raca: Quarto de Milha; Paint Horse; mestica; outras (Appaloosa,
Arabe, Puro Sangue Ingles e Crioulo).

4. Historico de colica (dias): nao ou sim (1|-| 30; 31|-| 90; 91|-|
180; > 180).

5. Causas da colica: problemas gastricos; mudancas na alimentacao;
alimento de ma qualidade; aerofagia; colica cirurgica.

6. Historico de claudicacao (dias): nao ou sim (1|-| 120; > 120).

7. Causas da claudicacao: lesao no casco; outras etiologias
(tendinopatia, traumatismo, distensao muscular, entorse e artrite).

8. Distancia percorrida durante o transporte (km): 0; 1|-| 100;
101|-| 400; > 400.

9. Periodo tempo do transporte (minutos): 0; 1|-| 60; 61|-| 210; >
210.

10. Numero de paradas para descanso do animal durante o transporte
: 0; 1; > 1.

11. Numero de equinos na propriedade: 1|-|2; 3|-|4; 5|-|6; > 6.

12. Periodo de tempo em que o animal se encontrava na propriedade
(dias): 2|-|365; 366|-| 1.095; 1.096|-| 2.190; >2.190.

13. Periodo de tempo de criacao da especie equina (dias): 150|-|
1.460; 1.461|-| 3.285; 3.286|-| 4.745; 4.746|-| 8.395; > 8.395.

14. Sistema de criacao: intensivo; semi-intensivo; extensivo.

15. Periodo de tempo de permanencia em baia (minutos): 0|-| 540;
541|-| 660; > 660.

16. Fonte de agua: cocho; outra (baldes, toneis).

17. Frequencia do fornecimento de agua/dia: a vontade ou fracionada
em 2 a 5 vezes.

18. Vermifugacao (dias): nao ou sim (15|-| 30; 31|-| 60; 61|-| 90;
>90).

19. Ultima vermifugacao realizada (dias): 1|-| 19; 20|-| 39; 40|-|
60; > 60.

20. Vacinacao: nao ou sim (raiva, tetano. encefalomielite,
influenza).

21. Casqueamento: nao ou sim.

22. Ferrageamento: nao ou sim.

23. Fornecimento de racao: nao ou sim.

24. Quantidade de racao fornecida (g/dia): 800|-| 3.000; 3.001|-|
6.000; > 6.000.

25. Frequencia de fornecimento de racao/dia: 1|-| 2; > 2.

26. Fornecimento de farelo: nao ou sim.

27. Tipo de farelo fornecido: milho; milho e trigo; outros
(associacao de dois ou mais ingredientes: trigo; milho, soja, aveia
e sorgo).

28. Quantidade de farelo fornecida (g/dia): 100|-| 2.500; 2.501|-|
4.000; 4.001|-| 6.000; > 6.000.

29. Frequencia do fornecimento de farelo/dia: 1|-| 2; > 2.

30. Fornecimento de volumoso: nao ou sim.

31. Tipos de volumoso fornecido: Brachiaria humidicola; feno de
Cynodon sp.; Pennisetum purpureum; feno de Cynodon sp. e B.
humidicola; outros (associacao de dois ou mais volumosos descritos
a seguir: feno de Cynodon sp., P. purpureum, pasto nativo; B.
humidicola, Medicago sativa, palha de milho, Coast cross; Cynodon
dactylon; Paspalum conspersum; B. arrecta; Andropogon gayanus;
Sorghum bicolor, Stachys lanata; Digitaria decumbens; Aristida
adscensionis, alem de Daucus carota).

32. Frequencia do fornecimento de volumoso/dia: a vontade; 1|-| 2;
3|-|6.

33. Fornecimento de sal mineral: nao ou sim.

34. Quantidade de sal mineral fornecida (g/dia): 3|-| 30; 31|-| 60;
> 60.

35. Frequencia do fornecimento de sal mineral/dia: a vontade; 1|-|
2; 3|-|4.

36. Mudancas na alimentacao: nao ou sim.

37. Fornecimento de suplementos: nao ou sim.

38. Frequencia do fornecimento de suplemento/dia: 1; 2; > 2.

39. Realizacao de atividade fisica: nao; sim (treino de vaquejada;
exercicio a passo; caminhada e treino de vaquejada); outras
(associacao de duas ou mais atividades fisicas descritas a seguir:
exercicio a passo, galope, natacao e treino de vaquejada).

40. Periodo de tempo realizando atividade fisica diaria (minutos):
10|-|60; 61|-|180; > 180.

Tabela 3. Frequencia de ocorrencia de historico de claudicacao em
animais que apresentaram ou nao sindrome colica no estudo caso
controle pareado

           Variavel               Numero de positivos (%)   Sem Colica
                                          Colica

Historico de claudicacao Sim             54 (7,6%)          36 (5,0%)
Nao                                      57 (4,2%)          75 (5,5%)
Historico de claudicacao (dias)
1-1 120                                 21 (11,8%)           9 (5,0%)
> 120                                   18 (11,4%)          11 (7,0%)
Nao apresentaram claudicacao             57 (4,2%)          75 (5,5%)

Tabela 4. Fatores de risco a sindrome colica em equinos de vaquejada,
identificados no estudo caso-controle pareado

     Variavel         Casos (%)   Controles    p-valor     Razao de
                         (1)       (%) (1)                  chances
                                                           (IC95%)(2)

Historico de
  claudicacao
Sim                   33 (4,6%)   15 (21,0%)    0,01     2,2 (1,1-4,3)
Nao                   15 (1,0%)   33 (2,4%)     0,01     0,45 (0,2-0,8)
Historico de
  claudicacao (dias)
11-1 120              17 (9,5%)    5 (2,8%)     0,01     3,4 (1,2-11,8)
> 120                 15 (9,5%)    8 (5,1%)     0,21     1,8 (0,7-5,1)
Nao apresentaram      15 (1,0%)   33 (2,4%)     0,01     0,4 (0,2-0,8)
  claudicacao

NOTA: (1) Pares discordantes; (2) Intervalo com 95% de confianca.

Tabela 5.Analise de regressao logistica condicional de fatores de
risco a sindrome colica em equinos de vaquejada, identificados no
estudo caso-controle pareado

      Variavel          B    [chi square]   p-valor     Razao de
                                 Wald                   chances
                                                       (IC95%) (1)

Historico de           0,8       6,5         0,01     2,3 (1,2-4,5)
  claudicacao
Historico de           0,7       7,5         0,00     2,1 (1,2-3,6)
  claudicacao (dias)

NOTA: (1) Intervalo com 95% de confianca.
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Author:Dias, Regina Valeria da Cunha; Filho, Jose Dantas Ribeiro; Bevilacqua, Paula Dias; Ribeiro, Jose Ivo
Publication:Veterinaria e Zootecnia
Date:Dec 1, 2013
Words:7824
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