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Emotional labor scale: Adaptation and validity evidence/Escala de trabalho emocional: adaptacao e evidencias de validade.

O interesse em compreender como os trabalhadores expressam emocoes e as regulam nas situacoes laborais tem se afirmado como topico relevante na area da psicologia organizacional e do trabalho (Niven, Sprigg, & Armitage, 2013; Paez & da Costa, 2014). O ambiente de trabalho tenta normalizar a expressao das emocoes, exigindo habilidades para regular demandas organizacionais e ocupacionais e expressar emocoes compativeis com as requeridas pela ocupacao (Gross, 2015; Hochschild, 1983).

Na perspectiva de Gross (2013) a regulacao emocional pode ser definida como um ciclo em que estao envolvidos processos neurofisiologicos, cognitivos e comportamentais, de modo consciente ou inconsciente, automatico ou controlado, com a finalidade de mudar a experiencia emocional por meio da modificacao da expressao emocional (o que se mostra) e do que se sente em diferentes contextos. A regulacao emocional aplicada ao contexto de trabalho e um processo de gerenciamento da expressao das emocoes e dos sentimentos internos para atender as demandas emocionais da ocupacao ou do contexto de trabalho, caracterizando o "trabalho emocional".

Na ultima decada, o interesse em compreender o trabalho emocional cresceu nas areas de psicologia e comportamento organizacional, mas junto com esse crescimento tem surgido uma variedade de enfoques conceituais e metodologicos a respeito desse construto (Grandey & Gabriel, 2015). O trabalho emocional foi introduzido pela sociologa norte-americana Hochschild (1979, 1983), que se baseou na perspectiva do ato dramaturgico do sociologo Goffman. O ato dramaturgico faz alusao ao entendimento da realidade social como um grande palco teatral em que cada um dos atores desempenha papeis sociais seguindo scripts e roteiros previamente estabelecidos. A dificuldade no exercicio de determinados papeis pode tornar necessario o uso de mascaras que artificializam as relacoes nas interacoes sociais. O trabalho emocional seria justamente o esforco de mobilizacao emocional do trabalhador para expressar e sentir emocoes demandadas no desempenho do papel profissional ou ocupacional.

A literatura dispoe de varios instrumentos para medir o trabalho emocional, segundo diferentes abordagens. Um deles e a Escala de Trabalho Emocional (ELS, Emotional Labour Scale) de Brotheridge e Lee (2003), que mede seis facetas de exibicao emocional no local de trabalho, incluindo quatro demandas emocionais de trabalho (frequencia, intensidade e variedade da exibicao emocional, mais duracao da interacao) e duas estrategias de regulacao emocional (acao profunda e acao superficial). Outra medida e o Inventario Integrativo do Trabalho Emocional (Strazdins, 2000), que avalia a frequencia de comportamentos realizados para gerar emocoes positivas e bem-estar emocional nos outros, e construir relacionamentos interpessoais positivos. Um terceiro instrumento e a Escala de Trabalho Emocional de Emocoes Discretas (DEELS, Discrete Emotions Emotional Labor Sacale) (Glomb & Tews, 2004), que mede o trabalho emocional com enfase na experiencia de emocoes discretas, sendo a operacionalizacao do trabalho emocional concentrada na expressao emocional, englobando expressao genuina, expressao fingida e exibicoes emocionais positivas e negativas suprimidas. Um ultimo exemplo e o da Escala de Trabalho Emocional (Kruml & Geddes, 2000), que apresenta duas dimensoes: esforco emocional e dissonancia emotiva.

O objetivo do estudo relatado neste artigo foi adaptar a Escala de Trabalho Emocional (ELS) desenvolvida por Brotheridge e Lee (2003) a categoria de artistas de espetaculo (Estudo 1), bem como explorar evidencias de validade (Estudo 2). Os referidos autores definem trabalho emocional como um fenomeno de duas facetas: trabalho emocional focado no trabalho (job-focused emotional labor) e trabalho emocional focado no trabalhador (employee-focused emotional labor). A primeira faceta diz respeito a percepcao das demandas emocionais de trabalho referentes a uma ocupacao ou profissao, contendo quatro dimensoes: frequencia, duracao, intensidade e variedade. Ja a segunda faceta se refere as estrategias de regulacao emocional usadas pelo trabalhador para regular suas emocoes e dar respostas as demandas emocionais no contexto de trabalho, sendo de dois tipos: acao superficial e acao profunda. Sobre essas duas estrategias de regulacao emocional, destaca-se a descricao de Gabriel e Diefendorff (2015), que consideram o trabalho emocional como um processo de autorregulacao dinamico que se desenvolve ao longo das interacoes com os clientes, monitorando e ajustando continuamente as emocoes sentidas e expressas mediante a acao superficial e a acao profunda.

As categorias profissionais exigem um padrao de expressao emocional, cujo grau varia conforme suas especificidades. Nesse sentido, muitos individuos exercem profissoes em que e necessario manejo das emocoes, principalmente em decorrencia das interacoes sociais que precisam estabelecer com colegas e clientes (usuarios, pacientes ou publico) para realizar o seu trabalho a contento (Menger, 1999).

Ha estudos teoricos e empiricos sobre trabalho emocional e conceitos correlatos (Kammeyer-Mueller et al., 2013), em diversas categorias profissionais de forte contato com o usuario, como psicologos (Carlotto, Rodriguez, & Camara, 2016), aeroviarios (Hur, Moon, & Jun, 2013), medicos (Lee, Lovell, & Brotheridge, 2010) e prestadores de servicos (Bhave & Glomb, 2013; Lam & Chen, 2012; Walsh, Dahling, Schaarschmidt, & Brach, 2016). Tais pesquisas apontam que essas categorias profissionais demandam trabalho emocional, decorrente da interacao face a face entre o trabalhador e o cliente/publico e, consequentemente, a intencao do trabalhador em exibir e influenciar a emocao do seu cliente ou publico-alvo.

Ha espaco, portanto, para estudar outras ocupacoes e profissoes com alto contato interpessoal e que tambem exigem trabalho emocional. No caso especifico dos artistas de espetaculo, grupo social objeto deste estudo, alem de necessitarem lidar com as emocoes para compor personagens, o seu desempenho depende tambem do quanto sao capazes de atender as demandas emocionais do publico (Bendassolli & Borges-Andrade, 2012).

Durante as interacoes com o publico, o artista de espetaculo precisa demonstrar emocoes especificas, o que o obriga muitas vezes a regular suas expressoes emocionais. Um dos elementos chave do trabalho emocional e o desempenho emocional, ou seja, o reconhecimento pelo usuario (cliente, telespectador, paciente etc.) da autenticidade da expressao emocional exibida pelo trabalhador. Nao basta ser um artista qualificado tecnicamente, e preciso lidar bem com o publico, porque e este que o avalia como um bom ou mau profissional. Ser artista de espetaculo e, segundo alguns autores, uma das profissoes que mais envolvem gestao de emocoes no trabalho (Bilbao & Cury, 2006; Shapiro & Heinich, 2013).

A adaptacao e validacao da ELS e uma contribuicao importante para ampliar o numero de instrumentos disponiveis a serem utilizados em futuras pesquisas sobre a tematica na populacao brasileira. Ao se testar o instrumento adaptado em uma amostra de artistas de espetaculo, abrem-se novas possibilidades de avaliar o trabalho emocional nessa categoria ocupacional ainda pouco investigada, alem de vir a subsidiar diagnosticos e orientar o treino de praticas de regulacao emocional.

Metodo

Participantes

Participaram do estudo 521 artistas de espetaculo. Os criterios de inclusao na amostra foram: ser brasileiro, ser artista de espetaculo, ter uma renda oriunda do trabalho artistico, ter idade minima de 18 anos e concordar com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

A media de idade foi de 39 anos (DP = 13,05), variando entre 18 e 77 anos. A maioria eram homens (55,6%) e solteiros (45,2%). Quanto ao nivel de instrucao, 37,2% possuiam curso de pos-graduacao, 26,4%, graduacao completa e 26,2% nao haviam completado o nivel superior. A faixa de renda oriunda do trabalho artistico variava, sendo que 34,9% recebiam tres salarios minimos. Entre os participantes, 57,9% trabalhavam como artistas de espetaculo ha mais de dez anos, e 18,6%, entre cinco e dez anos, sendo as principais categorias artisticas a de Musica (35,0%), Teatro (34,3%), Danca (13,2%) e Circo (6,3%). Houve participacao de artistas de todas as regioes do Brasil: do Nordeste (43,0%), do Sudeste (30,7%), do Sul (18,1%), do Norte (6,3%) e do Centro-Oeste (1,9%).

Os participantes foram localizados por indicacoes de orgaos (sindicatos, universidades, associacoes, instituicoes, escolas etc.), por sites, por redes sociais e por intermedio da tecnica de bola de neve. O convite para participar do estudo foi enviado por correio eletronico. O questionario foi disponibilizado na versao eletronica. A pesquisa foi aprovada pelo Comite de Etica em Pesquisa da Faculdade Adventista da Bahia, conforme processo padronizado via Plataforma Brasil, sob o registro CAAE no 44484215.0.0000.0042.

Instrumentos

O instrumento de coleta de dados foi um questionario autoaplicavel, composto pela ELS e por perguntas sociodemograficas. A ELS apresenta evidencias de validade e foi originalmente construida em lingua inglesa, por Brotheridge e Lee (2003). Trata-se de um instrumento de autorrelato que avalia o construto trabalho emocional, com uma escala de resposta tipo Likert de cinco pontos variando de 1 (nunca) a 5 (sempre), a excecao da dimensao "duracao", que consiste em uma pergunta aberta. As afirmacoes sao precedidas pelo enunciado "em um dia normal de trabalho, com que frequencia voce..."

A escala possui 15 itens distribuidos em seis dimensoes. Quatro dimensoes referem-se as demandas emocionais de trabalho: variedade, que verifica a diversidade das expressoes emocionais requeridas pelo trabalho, com tres itens ([alpha] = 0,68); intensidade, que mede a forca das expressoes emocionais requeridas pelo trabalho, com dois itens ([alpha] = 0,58); frequencia, que avalia a quantidade das interacoes estabelecidas com outras pessoas, com tres itens ([alpha] = 0,75); e duracao, que registra o tempo das interacoes estabelecidas com outras pessoas, medida por uma pergunta aberta. As outras duas dimensoes referem-se as estrategias de regulacao emocional: a acao profunda, que consiste na modificacao da emocao sentida para alinhar-se a emocao expressa requerida pelo papel profissional, com tres itens ([alpha] = 0,82); e a acao superficial, consistente na expressao de uma emocao exigida pelo papel profissional, mas nao consonante a emocao sentida, com tres itens [alpha] = 0,85).

Estudo 1: Adaptacao (traducao e validade de conteudo)

Neste estudo ajustou-se o conteudo dos itens ao contexto brasileiro, proporcionando uma equivalencia entre a escala original e a versao brasileira, alem de garantir a melhor compreensao para a populacao alvo (artistas de espetaculo). As recomendacoes de Borsa, Damasio e Bandeira (2012) para a adaptacao de instrumentos inclui seis etapas: (1) traducao do instrumento para o novo idioma alvo; (2) sintese das versoes traduzidas; (3) avaliacao da sintese por juizes experts; (4) avaliacao do instrumento pelo publico-alvo; (5) traducao reversa; e (6) estudo piloto. Os autores incluem tambem uma setima etapa, a de busca por evidencia de validade do instrumento e que pode ser subdividida em duas, a primeira referente a validacao do instrumento para o novo contexto (a avaliacao da estrutura fatorial do instrumento, realizada a partir de procedimentos estatisticos, como analises fatoriais exploratorias e confirmatorias), e a segunda referente a validacao do instrumento para estudos transculturais.

Foram adotadas as seguintes recomendacoes para a adaptacao do ELS: traducao do instrumento para o novo idioma; avaliacao da sintese por juizes experts; avaliacao do instrumento pelo publico-alvo; e busca por evidencia de validade, pela avaliacao da estrutura fatorial do instrumento, as quais fazem parte do Estudo 2.

Traducao do instrumento para o novo idioma: A versao da ELS foi submetida a processos de traducao do ingles (idioma de origem) para o portugues brasileiro (idioma alvo) e, tambem, de retraducao por dois tradutores independentes (um nativo no portugues e outro fluente na lingua inglesa). O resultado desse processo foi revisado pelas autoras, que fizeram ajustes na redacao dos itens, com o intuito de assegurar equivalencia semantica entre a versao original e a versao retraduzida.

Avaliacao por juizes: A avaliacao semantica por tres juizes teve como objetivo analisar se o conteudo de cada item estava associado as dimensoes previstas na escala original. Como criterio para manter o item na escala, os tres avaliadores precisariam concordar em suas respostas. Os tres juizes haviam realizado pesquisas sobre trabalho emocional, sendo dois doutores e um mestre. Dois dos juizes eram do sexo feminino.

Alguns itens nao foram classificados conforme a alocacao original de itens por dimensao do estudo de Brotheridge e Lee (2003). Alem disso, os tres juizes indicaram que as dimensoes frequencia (com tres itens), intensidade (com dois itens) e variedade (com tres itens) apresentavam itens com conteudo muito semelhantes, gerando confusao ou redundancia. Foram entao feitos ajustes pontuais no intuito de reduzir o numero de itens da escala. Para cada uma dessas tres dimensoes, permaneceu apenas um item, compondo uma nova dimensao: demandas emocionais de trabalho. Ainda em decorrencia da avaliacao dos juizes, foi excluido o item referente a dimensao duracao. Foi feita essa exclusao por se tratar de um item aberto e tambem por nao especificar o publico-alvo da interacao, uma vez que o artista de espetaculo e uma profissao que interage com diversos publicos (espectadores, colegas de trabalho, contratantes, patrocinadores etc.), com potenciais distintos de gerarem demandas de trabalho emocional.

O instrumento Anal adaptado para a categoria de artista ficou composto, entao, com nove itens, distribuidos em tres dimensoes (demandas emocionais de trabalho, acao superficial e acao profunda). Essa etapa de adaptacao pode ser visualizada na Tabela 1, que apresenta a escala original (15 itens) e a escala adaptada ao contexto brasileiro (nove itens).

Avaliacao pelo publico-alvo: No pre-teste da versao da ELS em portugues, verificou-se a clareza e a compreensao dos itens da escala, para garantir sua adequacao a realidade dos participantes da pesquisa. A escala foi aplicada de forma presencial a cinco artistas que cursavam a disciplina Topicos Especiais em Artes Cenicas de um Programa de Pos-Graduacao. Cada artista foi indagado sobre a pertinencia e clareza dos itens, em termos de dificuldade de compreensao ou sentido dubio. Nessa fase, nao houve questionamento significativo, o que indica que o instrumento se apresentava compreensivel a populacao alvo de artistas de nivel educacional superior. Optou-se, entao, por manter a versao traduzida para o portugues e reduzida, sem nenhuma alteracao.

Estudo 2: Evidencias de Validade

Procedeu-se a uma divisao da amostra em dois grupos de dimensoes semelhantes: Amostra 1 com 253 participantes, e Amostra 2 com 268 participantes. A Amostra 1 foi utilizada para as analises descritivas/ correlacoes/confiabilidades e a Analise Fatorial Exploratoria (AFE), enquanto a Amostra 2 destinou-se a validacao da estrutura da medida, via Analise Fatorial Confirmatoria (AFC).

A analise de outliers univariados foi realizada tanto na Amostra 1 quanto na Amostra 2, com base no Escore-Z > 3,29, de acordo com a recomendacao de Field (2009). Nao foram identificados casos extremos. Os outliers multivariados foram analisados na Amostra 2 pela distancia de Mahalanobis (DM2), sendo identificados dez casos extremos (Maroco, 2014), que foram retirados.

Para identificar caracteristicas da distribuicao dos dados e checar a normalidade univariada, verificaram-se os valores de assimetria e curtose para cada variavel. Os valores se encontraram em torno de 1, o que indica ausencia de violacao a normalidade univariada (Maroco, 2014).

Etapa 1: Analise Fatorial Exploratoria: A AFE foi realizada tendo em vista a escala nunca ter sido utilizada com artistas de espetaculo no Brasil. Verificou-se a pertinencia da estrutura fatorial mediante analise da matriz de correlacao e de tres indices: Kaiser-Meyer-Olkin (KMO), teste de esfericidade de Bartlett e determinante da matriz de correlacao. O passo seguinte foi a analise do screeplot para a checagem do numero de fatores que poderiam ser extraidos. Solicitou-se a extracao de fatores com autovalores maiores ou iguais a 1,0.

Para a rotacao e extracao dos fatores, foi utilizado o metodo de extracao dos eixos principais com rotacao Varimax, em funcao do grau de independencia teorica que os fatores podem estabelecer entre si e, tambem, pelo fato de ter sido essa a tecnica originalmente utilizada pelos autores da escala. A fim de assegurar que cada item representava o construto subjacente ao fator, aceitaram-se apenas itens com cargas fatoriais superiores a 0,40 (positiva ou negativa).

Resultados e Discussao da Etapa 1

Os resultados dos testes preliminares apontaram a adequacao da matriz para fatoracao: Kaiser-MeyerOlkin (KMO) = 0,700; Teste de Esferecidade de Bartlett = 814,447 (p < 0,001); e determinante da matriz de correlacoes = 0,123 > 0,00001. O grafico do screeplot apontou a existencia de tres fatores. A solucao encontrada, a analise do conteudo dos itens e o seu agrupamento nos tres fatores revelaram sentido teorico em relacao a escala original. A Tabela 2 apresenta os resultados.

Os tres fatores explicaram 67,67% da variancia total, sendo que o fator demandas emocionais de trabalho foi responsavel pela maior explicacao da variancia (33,37%), seguido pelos fatores acao superficial (22,19%) e acao profunda (12,09%). A media das cargas fatoriais foi de 0,71 na dimensao demandas emocionais de trabalho; de 0,67 na dimensao acao superficial; e de 0,62 na dimensao acao profunda.

A analise da consistencia mediante o alfa de Cronbach foi de 0,74 para o Fator 1; 0,68 para o Fator 2; e 0,66 para o Fator 3, sendo de 0,62 para a escala geral. Embora o limite inferior para o alfa de Cronbach geralmente aceito seja de 0,70, em pesquisas exploratorias no campo das ciencias sociais e, especialmente, em subescalas com poucos itens (nesse caso, apenas tres) sao aceitos valores acima de 0,60 (Field, 2009). Nesse sentido, infere-se que o instrumento resultante das analises encontra correspondencia com o construto mensurado.

Etapa 2: Analises Descritivas, Correlacoes e Confiabilidade: Foram realizadas analises descritivas (medidas de tendencia central e dispersao) para caracterizar os artistas (Amostra 1 = 253 participantes), como ja descrito na secao sobre os participantes do estudo. A analise de correlacao (r de Pearson) foi realizada com o intuito de verificar o grau de relacionamento entre as dimensoes do trabalho emocional, enquanto o calculo da confiabilidade interna da escala foi realizado por meio do coeficiente de alfa de Cronbach.

Resultados e Discussao da Etapa 2

A Tabela 3 apresenta as medias e desvios padrao dos tres fatores e correlacoes.

O primeiro fator, demandas emocionais do trabalho, avalia a percepcao das exigencias emocionais de uma ocupacao ou profissao. Esse foi o fator com a maior media entre todos (3,91) e com o segundo item--"No meu trabalho me e demandado expressar emocoes especificas e necessarias para o meu trabalho (por exemplo, alegria, medo")--com a maior carga fatorial de toda a escala (0,80). De fato, na historia da arte de espetaculo, existe uma demanda ocupacional (por exemplo, o artista deve fazer o publico se divertir, sorrir, vibrar) e uma regra de expressao emocional (por exemplo, expressar alegria, empolgacao, animacao ou entusiasmo, conforme o tipo de espetaculo).

As emocoes tem um papel central na atividade de trabalho do artista em exibicoes publicas. O publico, quando assume a funcao de espectador de uma performance, por exemplo, apresenta ao artista sua demanda de vivenciar reacoes emocionais que se apresentam tanto de forma positiva (elogios, risadas, aplausos) quanto negativa (criticas, vaias). Nesse sentido, percebe-se que, muitas vezes, o artista tem de usar as emocoes como instrumento para promover estados emocionais na plateia (Macedo, 2010) e, ao mesmo tempo, lidar com essas reacoes do publico, o que envolve a regulacao de suas emocoes para que a relacao publico-artista seja mantida e tenha qualidade (Macedo, 2010; Tavares & Araujo, 2011).

Os individuos enfrentam regras de expressao que sao incongruentes com seus proprios sentimentos, adotando dois tipos de estrategias: acao superficial e acao profunda (Hochschild, 1983).

O segundo fator, acao superficial, contem itens que avaliam a estrategia de regulacao emocional de expressar uma emocao nao consonante a emocao sentida. Esse foi o fator com a menor media entre todos (2,38), chamando a atencao para a possibilidade de os artistas de espetaculo raramente utilizarem essa estrategia de regulacao emocional no contexto de trabalho, o que pode ser explicado pelo foco em modificar os sentimentos internos, e nao em modificar as expressoes, colocando uma 'mascara emocional' esperada numa situacao determinada.

O terceiro fator, acao profunda, reune itens que avaliam a estrategia de regulacao emocional de modificar a emocao sentida fazendo-a convergir com a emocao expressa. Esse foi o fator com a segunda maior media entre todos (3,61). A estrategia de regulacao emocional de acao profunda leva a realizacao pessoal (Bhowmick & Mulla, 2016) e ao engajamento no trabalho (Lu & Guy, 2014), enquanto a acao superficial leva ao esgotamento emocional e a despersonalizacao (Bhowmick & Mulla, 2016). Comparando a acao profunda com a superficial, percebe-se que a tentativa de sentir de forma verdadeira as emocoes que devem ser expressas (acao profunda) para atender as demandas ocupacionais e uma estrategia bastante usada pelos artistas de espetaculo, o que talvez possa estar relacionado a necessidade de realizacao pessoal e de expressar autenticidade para convencer o publico acerca da atuacao (desempenho emocional).

A dimensao acao profunda apresentou correlacoes significativas com as outras duas dimensoes. Apresentou associacao negativa e fraca com a dimensao acao superficial (r = -0,21, p < 0,01), e positiva e moderada com a dimensao demandas emocionais de trabalho (r = 0,42, p < 0,01). Os resultados permitem inferir que o artista que faz uso da acao profunda, envidando esforcos para modificar a emocao sentida e tornando-a congruente com a expressao requerida, sente menos necessidade de fazer uso da regulacao com foco somente no controle da expressao da emocao (acao superficial). Os resultados do estudo de Bhave e Glomb (2013) indicam que as demandas emocionais de trabalho estao positivamente relacionadas a satisfacao no trabalho, ao passo que a acao superficial esta relacionada negativamente. O aumento da demanda emocional, em termos de diversidade, quantidade e intensidade das expressoes emocionais, favorece o esforco do artista para modificar suas emocoes sentidas, provavelmente visando esbocar maior congruencia e autenticidade entre o que e requerido e o que e sentido. Novamente encontram-se indicios de que a expectativa de desempenho emocional junto ao publico pode contribuir para que o artista de espetaculo faca mais uso de estrategias de acao profunda (nivel do sentimento) que de acao superficial (nivel da expressao).

O estudo de Srivastava, Tamir, McGonigal, John e Gross (2009) concluiu que o uso de estrategias superficiais pode exigir maior recurso pessoal e provocar mais mal-estar do que o uso de estrategias de acao profunda. A desgastante tarefa de fingir o que nao se sente e/ou de neutralizar emocoes em resposta a demandas organizacionais, o que caracteriza a estrategia de acao superficial, provoca prejuizos ao bem-estar do trabalhador; alem disso, afeta a autenticidade, contribuindo para a alienacao de sentimentos pessoais e o adoecimento psicologico (Hochschild, 1983). Provavelmente o bem-estar e a autenticidade podem ser uma variavel importante no trabalho do artista.

Etapa 3: Analise Fatorial Confirmatoria: A solucao fatorial obtida a partir da AFE, com nove itens e tres dimensoes, foi submetida a AFC a fim de testar o ajuste de um modelo de tres fatores. A analise foi executada com o programa Analysis of Moment Structures (IBM SPSS AMOS Inc., Chicago, IL, EUA), versao 23.0.

Fez-se uso do metodo de estimacao de Maxima Verossimilhanca (Maroco, 2014). Os seguintes indicadores de ajuste do modelo foram considerados: o qui-quadrado ([chi square]) (seu valor nao deve ser significativo para que haja um bom ajuste; p > 0,05); o Goodness-of-Fit Index (GFI) ([greater than or equal to] 0,90: bom ajustamento); o Indice de Tucker Lewis (TLI, Tucker-Lewis Index) ([greater than or equal to] 0,90: bom ajustamento); o Indice de Adequacao do Ajuste Corrigido (AGFI, Adjusted Goodness-of-Fit Index) (> 0,90: bom ajustamento); o Indice de Ajuste Normalizado de Parcimonia (PNFI, Parsimonious Normed Fit Index) (sem valor definido, valores maiores indicam maior parcimonia); e o Root Mean Square Error of Approximation (RMSEA) (valores [less than or equal to] 0,05: ajustamento muito bom; 0,05-0,10: ajustamento aceitavel). A qualidade do ajustamento local foi avaliada pelos pesos fatoriais e pela fiabilidade individual dos itens. O ajustamento do modelo foi feito a partir dos indices de modificacao (superiores a 11; p < 0,001), indicados pelo output do AMOS e com base em consideracao teorica (Maroco, 2014).

Em seguida, foram avaliadas a confiabilidade e a validade intramedida segundo os criterios apresentados por Maroco (2014). A Confiabilidade Composta (FC) e um indicador cujos valores devem ser [greater than or equal to] 0,7 para cada fator, sugerindo entao haver consistencia interna adequada. A validade de construto intramedida e demonstrada por meio de tres componentes: validade fatorial, avaliada pelos pesos fatoriais estandardizados; validade convergente, obtida por meio da Variancia Extraida Media (VEM [greater than or equal to] 0,5) e validade discriminante, quando os itens que fazem parte de um fator nao se correlacionam com outros fatores. Ela e assegurada quando as VEM dos fatores sao iguais ou superiores ao quadrado das correlacoes entre as dimensoes presentes na analise.

Resultados e Discussao da Etapa 3

A AFC foi feita com o modelo trifatorial, com nove itens, conforme encontrado na AFE. Os resultados obtidos com a AFC foram comparados com os resultados da escala original (Brotheridge & Lee, 2003) e com a escala adaptada e validada na versao em espanhol (Plcardo, Lopez-Fernandez, & Hervas, 2013) e em portugues (Carlotto, Rodriguez, & Camara, 2016), como indicado na Tabela 4, que apresenta indices psicometricos aceitaveis da estrutura fatorial da versao brasileira.

Nenhum item apresentou valores de assimetria e curtose, indicadores de violacao a normalidade, nem valores para serem considerados outliers univariados (Escore-Z > 3,29). Contudo, dez observacoes apresentaram valores ([D.sup.2]) considerados outliers multivariados, que foram excluidos. A Figura 1 mostra o diagrama de caminhos para a solucao de tres fatores, com os valores dos pesos fatoriais estandardizados e a fiabilidade de cada item no modelo final simplificado. Nesse modelo trifatorial, todos os pesos fatoriais sao significativos e apresentam cargas padronizadas [greater than or equal to] 0,5 (Maroco, 2014).

Ao correlacionar os tres fatores e calcular o modelo, o indice de modificacao acusou correlacao entre o erro (residuo) do item 2 do fator acao profunda ("faco um esforco para, de fato, sentir as emocoes que necessito exibir para o publico") e o fator latente acao superficial. Correlacoes entre residuos e fatores latentes indicam que uma fracao consideravel do comportamento do item, nao explicada pelo fator no qual este satura, esta correlacionada com o outro fator em que se observa a correlacao com o erro do item. Nessa analise, pode-se considerar que o item 2, que teve seu erro correlacionado com a acao superficial, pelo modelo, deveria estar relacionado a acao profunda. No entanto, o item "faco um esforco para, de fato" pode ser interpretado como uma dissimulacao ou fingimento de uma emocao. Alem disso, ha sentido teorico nessa correlacao pelo fato de essas duas dimensoes (superficial e profunda) representarem uma faceta do trabalho emocional, que sao as estrategias de regulacao emocional.

Apos avaliar a qualidade por meio dos indices de ajustamento e decidir que o modelo e adequado para representar os dados, foi verificada a confiabilidade composta e as validades convergente e discriminante intramedida do modelo de tres fatores correlacionados (Maroco, 2014). A confiabilidade composta dos fatores revelou-se adequada para a dimensao demandas emocionais do trabalho (0,72); contudo, para a dimensao acao superficial, revelou-se baixa (0,66) e, para a dimensao acao profunda, proxima ao aceitavel (0,68). A VEM, um indicador de validade convergente dos fatores, revelou-se baixa para a acao superficial (0,41) e para a acao profunda (0,43) e elevada para as demandas emocionais do trabalho (0,69).

Ao obedecer a condicao de que as VEMs dos fatores sejam iguais ou superiores ao quadrado das correlacoes entre os fatores presentes na analise (Maroco, 2014), a validade discriminante foi confirmada (demandas emocionais do trabalho e acao superficial: r = 0,02 / [r.sup.2] = 0,00; demandas emocionais do trabalho e acao profunda: r = 0,33 / [r.sup.2] = 0,10; acao superficial e acao profunda: r = 0,23 / [r.sup.2] = 0,05).

Conclusao

O conceito de trabalho emocional surge para dar conta das mudancas no mundo laboral, principalmente no setor de servicos, em que a interacao humana com o cliente/usuario e fundamental. Boa parte das escalas para medir o trabalho emocional nao teve sua validade testada no Brasil; alem disso, torna-se util colocar em disponibilidade uma medida de trabalho emocional para o contexto brasileiro das artes, tendo em vista o crescente interesse pelo estudo dessa categoria ocupacional na psicologia (Bendassolli & Borges-Andrade, 2012; Macedo, 2010).

Houve confirmacao da estrutura fatorial da escala, que preve a existencia de tres dimensoes: demandas emocionais de trabalho, acao superficial e acao profunda. As duas ultimas representam a faceta das estrategias usadas para manejar as demandas emocionais de trabalho (trabalho emocional focado no trabalhador).

Do ponto de vista de suas limitacoes, o estudo ficou circunscrito a realidade de artistas de espetaculo brasileiros (um tipo muito especifico de publico), o que torna necessario novos estudos para averiguar a adequacao da estrutura encontrada para outras ocupacoes, e tambem para melhorar as qualidades psicometricas do instrumento. Outra limitacao e que a adaptacao do instrumento foi feita com artistas de nivel educacional superior. Nao se sabe se os itens seriam compreensiveis para artistas de nivel educacional medio ou fundamental.

A escala apresentou indices psicometricos aceitaveis, mas ainda carece de mais investigacoes que atestem sua qualidade, para que possa ser utilizada tanto em pesquisas cientificas sobre trabalho emocional de artistas de espetaculo quanto na formacao e treinamento de artistas. Sua aplicacao pode auxiliar na identificacao de necessidades emocionais dos artistas de espetaculo e na avaliacao de praticas voltadas a sua regulacao emocional no trabalho, como programas de intervencao que os ajudem a perceber e lidar com as emocoes no contexto laboral.

Colaboradores

L.B. SILVA foi responsavel pela concepcao, desenho, analise e interpretacao dos dados. S.M.G. GONDIM participou da concepcao, desenho, revisao e aprovacao da versao final do artigo.

http://dx.doi.org/10.1590/1982-0275201936e170065

Recebido: maio 11, 2017

Versao final: dezembro 6, 2017

Aprovado: dezembro 7, 2017

Referencias

Bendassolli, P. F., & Borges-Andrade, J. E. (2012). Representacoes e estrategias identitarias na experiencia do artista. Psicologia e Sociedade, 24(3), 607-618. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-71822012000300014

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Lilia Bittencourt SILVA (1) [ID] 0000-0001-9909-8711

Sonia Maria Guedes GONDIM (1) [ID] 0000-0003-3482-166X

(1) Universidade Federal da Bahia, Instituto de Psicologia, Programa de Pos-Graduacao em Psicologia. R. Aristides Novis, 197, Estrada de Sao Lazaro, 40210-730, Salvador, BA, Brasil. Correspondencia para/Correspondence to: L.B. SILVA. E-mail: <liubittencourt@yahoo.com.br>.

Artigo elaborado a partir da dissertacao de L.B. SILVA, intitulada "Trabalho emocional, engajamento no trabalho e bem- estar no trabalho de artistas de espetaculo". Universidade Federal da Bahia, 2016.

Apoio: Fundacao de Amparo a Pesquisa do Estado da Bahia (Termo de outorga n[degrees] APR0112/2015).

Caption: Figura 1. Analise fatorial confirmatoria da Escala de Trabalho Emocionai.
Tabela 1

Distribuicao dos itens da ELS original (15 itens) e da ETE-Brasil
(9 itens)

Facetas        Dimensoes       Itens da ELS original (15 itens)

Demandas       Frequencia      2. Display specific emotions required
  Emocionais                     by your job.
  de                           5. Adopt certain emotions required as
  Trabalho                       part of your job.
                               7. Express particular emotions needed
                                 for your job.
               Intensidade     9. Express intense emotions.
                               3. Show some strong emotions.
               Variedade       6. Display many different kinds of
                                 emotions.
                               11. Express many different emotions.
                               13. Display many different emotions
                                 when interacting with others.
               Duracao         1. A typical interaction I have with
                                 a customer takes about_minutes.
Estrategias    Acao            8. Hide my true feelings about a
  de                             situation.
  Regulacao      Superficial   12. Resist expressing my true
  Emocional                      feelings.
                               14. Pretend to have emotions that I
                                 don't really have.
               Acao            15. Try to actually experience the
                 Profunda        emotions that I must show.
                               4. Make an effort to actually feel
                                 the emotions that I need to
                                 display to others.
                               10. Really try to feel the emotions
                                 I have to show as part of my job.

Facetas        Dimensoes       Itens da ETE-Brasil (9 itens)

Demandas       Demandas        1. Me e demandado expressar emocoes
  Emocionais     Emocionais      intensas.
  de             de            2. Me e demandado expressar emocoes
  Trabalho       Trabalho        especificas e necessarias para o
                                 meu trabalho (por exemplo,
                                 alegria ou medo).
                               3. Me e demandado expressar emocoes
                                 diversificadas.
Estrategias    Acao            8. Escondo os meus sentimentos
  de             Superficial     verdadeiros.
  Regulacao                    12. Resisto em expressar meus
  Emocional                      sentimentos verdadeiros.
                               14. Finjo ter emocoes que de fato
                                 nao tenho.
               Acao            15. Tento experimentar de verdade
                 Profunda        as emocoes que devo demonstrar.
                               4. Faco um esforco para, de fato,
                                 sentir as emocoes que necessito
                                 exibir para o publico.
                               10. Tento verdadeiramente sentir as
                                 emocoes que necessito demonstrar
                                 como parte do meu trabalho.

Nota: ELS: Escala original (Emotional Labour Scale); ETE: Escala de
Trabalho Emocional (Escala adaptada ao contexto brasileiro).

Tabela 2

Solucao Fatorial Final da Escala de Trabalho Emocional

Itens                                      Fatores

                              Demandas        Acao        Acao
                              Emocionais   Superficial   Profunda
                                 de
                               Trabalho

1. Me e demandado expressar      0,68         -0,13        0,21
  emocoes intensas
2. Me e demandado expressar      0,80         -0,06        0,24
  emocoes especificas e
  necessarias para o meu
  trabalho (por exemplo,
  alegria ou medo)
3. Me e demandado expressar      0,66         0,12         0,14
  emocoes diversificadas
4. Escondo os meus              -0,04         0,63        -0,08
  sentimentos verdadeiros
6. Resisto em expressar os      -0,11         0,70         0,01
  meus sentimentos
  verdadeiros
8. Finjo ter emocoes que de      0,16         0,69        -0,13
  fato nao tenho
5. Tento experimentar de         0,26         -0,35        0,55
  verdade as emocoes que eu
  devo demonstrar
7. Faco um esforco para, de      0,20         0,13         0,45
  fato, sentir as emocoes
  que necessito exibir
  para o publico
9. Tento verdadeiramente         0,18         -0,24        0,87
  sentir as emocoes que
  necessito demonstrar
  como parte do
  meu trabalho
Numero de itens                   3             3           3
Eigenvalues (autovalores)       3,004         1,99         1,08
Carga fatorial media             0,71         0,67         0,62
Variancia explicada             33,37%       22,19%       12,09%

Nota: Negrito: Cargas fatoriais dos itens por dimensao.

Tabela 3

Estatistica descritiva, correlacoes e confiabilidade

Dimensao               M      DP      1         2        3

Demandas Emocionais   3,91   0,85   (0,74)
  do Trabalho
Acao Superficial      2,38   0,87   -0,04    (0,68)
Acao Profunda         3,61   0,92   0,42**   -0,21**   (0,66)

Nota: **p < 0,01; N = 253: Os valores entre parenteses sao os
coeficientes de Cronbach na diagonal.

M: Media; DP: Desvio Padrao.

Tabela 4

Indicadores psicometricos da estrutura fatorial das versoes em
ingles, espanhol e portugues comparados com a versao brasileira

Versao da escala      F(n)    [chi     Gl   PNFI
                             square]

Brotheridge e Lee      6      84,1     76   0,69
  (2003) (n = 238)
Picardo, Lopez-        6      69,3     76   0,55
  Fernandez e
  Hervas (2013)
  (n = 211)
Carlotto, Rodriguez    4       157     48    --
  e Camara (2016)
  (n = 518)
Escala adaptada ao     3      44,8     23   0,58
  contexto
  brasileiro
  (n = 258)

Versao da escala      GFI   AGFI   TLI   RMSEA

Brotheridge e Lee      1    0,93    1    0,02
  (2003) (n = 238)
Picardo, Lopez-        1    0,93   1,1   0,00
  Fernandez e
  Hervas (2013)
  (n = 211)
Carlotto, Rodriguez    1     --    --    0,06
  e Camara (2016)
  (n = 518)
Escala adaptada ao     1    0,93   0,9   0,06
  contexto
  brasileiro
  (n = 258)

Nota: [chi square]: Qui-quadrado; Gl: Grau de liberdade; PNFI:
Indice de Ajuste Normalizado de Parcimonia (Parsimonious Normed
Fit Index); GFI: Goodness-of-Fit Index; AGFI: Indice de Adequacao
do Ajuste Corrigido (Adjusted Goodness-of-Fit Index); TLI: Indice
de Tucker Lewis (Tucker-Lewis Index); RMSEA: Root
Mean Square Error of Approximation.

Negrito: Valores de cada indicador psicometrico da escala adaptada
no presente artigo.
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Title Annotation:PSYCHOLOGICAL ASSESSMENT: AVALIACAO PSICOLOGICA
Author:Silva, Lilia Bittencourt; Gondim, Sonia Maria Guedes
Publication:Estudos de Psicologia
Date:Jan 1, 2019
Words:6763
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