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Effects of the Corporate Governance Structure and Institutional Characteristics in Socioenvironmental Disclosure/ Efeitos da Estrutura de Governanca Corporativa e das Caracteristicas Institucionais no Disclosure Socioambiental.

Introducao

A governanca corporativa evoluiu e incorporou ao seu proposito a perspectiva socioambiental, gracas ao mecanismo de accountability (prestacao de contas), baseando-se no disclosure. Proposicoes mais abrangentes de objetivos corporativos, apoiadas no conceito de Triple Bottom Line (que contempla as dimensoes economica, social e ambiental) e no de responsabilidade social corporativa (RSC), abrangem nao so os interesses dos acionistas, mas tambem os dos stakeholders (Andrade & Rossetti, 2009; Bomfim, Monte, & Teixeira, 2015; Garcia, Cintra, Torres, & Lima, 2016). As praticas voltadas para a responsabilidade social e ambiental podem ser assumidas como extensao da governanca corporativa, pois as empresas procuram relatar para os stakeholders as acoes dessa natureza, reduzindo a assimetria informacional (Bomfim et al., 2015). Assim, a responsabilidade social corporativa acabou se tornando, na comunidade dos negocios, uma linguagem mundial (Antolin-Lopez, Delgado-Ceballos, & Montiel, 2016).

Na mesma linha de pensamento, Machado Filho e Zylbersztajn (2004) entendem que a estruturacao das atividades de responsabilidade social corporativa dentro das organizacoes tem implicacoes para a governanca corporativa. Logo, e crescente a necessidade de transparencia e monitoramento dessas acoes.

Analisando do ponto de vista academico, Dissanayake, Tilt e Xydias-Lobo (2016) atestam que estudos anteriores sobre evidenciacao de aspectos sociais e ambientais tem revelado que certas caracteristicas organizacionais tem efeitos sobre a extensao e natureza dessa evidenciacao. Devido a diversidade de resultados dos estudos sobre a relacao empirica entre disclosure socioambiental, governanca corporativa e suas interseccoes com outros temas, varias teorias tentam explicar por qual razao as empresas se envolvem com a RSC e como esta se relaciona com a governanca das empresas (Harjoto & Jo, 2011).

Na mesma direcao, Elsakit e Worthington (2012) afirmam que estudos tem sido conduzidos no intuito de investigar as razoes por tras das diferencas em relacao as praticas de evidenciacao socioambiental no mundo. Caracteristicas das firmas, governanca corporativa e fatores contextuais sao apresentados como determinantes do nivel e da qualidade do disclosure.

Diante do exposto, este estudo se propoe responder a seguinte pergunta: qual a influencia da estrutura de governanca corporativa das companhias abertas brasileiras e de suas caracteristicas institucionais na qualidade do disclosure socioambiental? Para responder a questao de pesquisa, tem-se como proposito analisar a influencia da estrutura de governanca corporativa e de caracteristicas institucionais das companhias abertas brasileiras com a qualidade do disclosure socioambiental.

A relacao entre os temas abordados tem sido estudada em diversas pesquisas (Aburaya, 2012; Esa & Ghazali, 2012; Gibson & O'Donovan, 2007; Harjoto & Jo, 2011; Htay, Rashid, Adnan, & Meera, 2012; Khan, Muttakin, & Siddiqui, 2013; Michelon & Parbonetti, 2012; Rao, Tilt, & Lester, 2012). Constatou-se, no entanto, que em economias em desenvolvimento, como o Brasil, o grau de convergencia entre governanca e responsabilidade social corporativa ainda precisa ser mais bem examinado. De fato, pouco se conhece sobre a convergencia entre esses conceitos em tais ambientes institucionais, ja que a maioria dos estudos sobre disclosure socioambiental, dentro da perspectiva de governanca corporativa, concentra-se nos paises desenvolvidos (Dissanayake et al., 2016; Rahim & Alam, 2014).

Um diferencial trazido por esta pesquisa reside na mensuracao do disclosure socioambiental das empresas brasileiras por meio da atribuicao de escores, priorizando-se, pois, a qualidade da informacao evidenciada e nao somente sua presenca ou ausencia nos relatorios institucionais. Essa abordagem encontra amparo em estudos estrangeiros recentes que adotaram criterios semelhantes, como os de Chen, Feldmann e Tang (2015), Cuadrado-Ballesteros, Rodriguez-Ariza e Garcia Sanchez (2015), Dissanayake et al. (2016) e Skouloudis, Evangelinos e Kourmousis (2010).

Como justificativas desta pesquisa, evidencias empiricas tem destacado que a evolucao das empresas e dos sistemas socioeconomicos rumo a responsabilidade socioambiental nao e simples, podendo seguir caminhos diferentes em varios contextos. Adicionalmente, verifica-se uma lacuna no conhecimento acerca de quais aspectos ou subdimensoes deve-se levar em conta na mensuracao das perspectivas economicas, sociais e ambientais das corporacoes (Antolin-Lopez et al., 2016; Pistoni, Songini, & Perrone, 2015). Assim, a presente pesquisa almeja agregar conhecimento ao campo de pesquisas acerca da qualidade da evidenciacao de informacoes socioambientais em paises emergentes, com uma metrica de disclosure voluntario de pouco uso, e de como essa divulgacao pode estar relacionada com os mecanismos de governanca corporativa adotados pelas organizacoes e com suas caracteristicas institucionais.

Os resultados da pesquisa trazem implicacoes para a compreensao das estruturas de governanca e institucional e para a qualidade do disclosure socioambiental no mercado de capitais brasileiro. Os achados obtidos mostraram que a proporcao de membros independentes (com sinal negativo) e a presenca das companhias no Indice de Sustentabilidade Empresarial da B3 (ISE) foram capazes de influenciar o disclosure socioambiental na amostra pesquisada, corroborando alguns estudos nacionais sobre a tematica.

Quadro Teorico

Estrutura de governanca corporativa

Segundo Carmona (2004), nao para de crescer o interesse por sistemas de controle eficientes para protecao a investidores e instituicoes do mercado financeiro. Assim, de acordo com o entendimento de Silva (2006), e fundamental um conjunto de orgaos e agentes atuando permanentemente no dia a dia da organizacao. Oportuno citar, inicialmente, aqueles que estao no topo da piramide de uma estrutura de governanca, como a assembleia de acionistas, o conselho de administracao e a diretoria executiva. Ha, ainda, os orgaos de carater fiscalizador e de controle, como o conselho fiscal, o comite de auditoria, a auditoria independente e a auditoria interna (Instituto Brasileiro de Governanca Corporativa [IBGC], 2015).

A assembleia geral, ou reuniao de socios, e o orgao por meio do qual os acionistas tem participacao direta nos destinos da corporacao e que trata das suas grandes decisoes (IBGC, 2015). Ela tem poder de julgamento sobre todos os negocios, bem como de tomar decisoes visando a protecao dos socios. A Lei das Sociedades por Acoes, nos artigos 121 e 132, define as competencias basicas do orgao, a saber (Silveira, 2014): (i) eleicao e destituicao dos conselheiros de administracao e fiscal, (ii) aprovacao da remuneracao proposta para os administradores, (iii) analise das contas dos administradores e deliberacao sobre as demonstracoes financeiras do exercicio, (iv) deliberacao sobre operacoes de reestruturacao societaria.

Orgao igualmente fundamental na estrutura de governanca e o conselho de administracao, que funciona como guardiao dos principios, valores, objeto social e sistema de governanca da organizacao, sendo, portanto, um colegiado de carater central (Andrade & Rossetti, 2009; IBGC, 2015). Sua principal missao e servir de elo entre os acionistas e a gestao da companhia (Silveira, 2010). Uma importante atribuicao desse orgao consiste em atuar como contrapeso na gestao, sendo capaz de agir de forma independente e qualificada, sobretudo em cenarios com lideranca forte e inquestionavel, podendo contribuir na reducao dos custos de agencia atraves do monitoramento e alinhamento de interesses entre gestores e acionistas (Silveira, 201 4; Correia & Amaral, 2009). Em outras palavras, como orgao intermediador entre acionistas e administradores, o conselho de administracao tem assumido importantes funcoes "monitorando as decisoes dos administradores e verificando se elas realmente estao alinhadas com os interesses dos proprietarios, minimizando eventuais conflitos de agencia" (Andrade, Salazar, Calegario, & Silva, 2009, p. 6).

No que tange a legitimidade organizacional e ao engajamento dos stakeholders, e possivel identificar duas diferentes funcoes que o conselho de administracao pode desempenhar na governanca corporativa. Alem de ser por si so um mecanismo de legitimidade e reputacao, pode tambem contribuir para melhorar o disclosure atraves dos stakeholders (Michelon & Parbonetti, 2012).

Em relacao as questoes socioambientais, o conselho de administracao desempenha papel fundamental, ja que, na opiniao de Bhagat e Bolton (2008), tem o poder de tomar, ou pelo menos ratificar, todas as decisoes importantes da companhia. O orgao pode, por exemplo, estabelecer politicas socioambientais, criar comite de sustentabilidade, bem como buscar assessoria de experts no assunto. A extensao, profundidade e sinceridade das discussoes relativas aos temas socioambientais dentro do conselho determina, em grande medida, a qualidade dessas politicas (Kassinis & Vafeas, 2002).

A diretoria executiva e outro orgao de governanca (IBGC, 2015), responsavel por comandar as operacoes diarias da companhia, assegurando sua perenidade e o atingimento dos objetivos estrategicos. Muito embora seja associada a consecucao de retorno financeiro para acionistas, deve tambem levar em conta os diversos interesses dos stakeholders (Silveira, 2014). Nesse escopo, podem ser incluidas as acoes, decisoes e diretrizes socioambientais da companhia.

A gestao desse orgao e exercida pelo presidente da diretoria executiva, mais conhecido como Chief Executive Officer (CEO). Para Andrade e Rossetti (2009), cabe a ele a busca incessante da eficacia estrategica, na criacao de valor e na maximizacao dos investimentos. Cabe-lhe tambem desempenhar papel-chave na construcao da cultura organizacional (Silveira, 2014).

Dentre os orgaos de carater fiscalizador, o comite de auditoria traz um mecanismo de controle adicional, no sentido de assegurar a salvaguarda dos interesses dos acionistas (Weir, Laing, & Mcknight, 2002). Na visao de Karamanou e Vafeas (2005), esse comite tem grande atencao do publico, ja que desempenha importante papel no monitoramento dos relatorios financeiros e, em perspectiva mais recente, tambem os relatorios socioambientais. Por conta de sua importancia e apos o escandalo financeiro com a Enron, nos Estados Unidos, o comite de auditoria tornou-se obrigatorio naquele pais, com o advento da Lei Sarbanes-Oxley, para as companhias abertas e aquelas sediadas no exterior que sejam listadas no mercado acionario norteamericano (Andrade & Rossetti, 2009).

Ja o comite de sustentabilidade e sua atuacao como orgao de apoio ao conselho de administracao tem sido pouco tratados na literatura, se comparados com os outros comites de assessoramento. Apesar disso, alguns estudos sinalizam sua importancia para as organizacoes. EberhardtToth (2016) aponta para evidencias de que a performance social corporativa e superior nas companhias que possuem comite de sustentabilidade. Valle, Esteban e Lopez-de-Foronda (2013) sugerem que esse comite tem o poder de guiar as acoes gerenciais no sentido de aumentar os beneficios para todos os stakeholders. Os autores concluiram ainda que um comite de sustentabilidade bem representado dentro do conselho de administracao serve como mecanismo de controle das acoes gerenciais, reduzindo os conflitos de agencia e os problemas de governanca. Segundo Sehnem, Lukas e Marques (2015), esse comite elabora e planeja as acoes pertinentes a preparacao do relatorio de sustentabilidade.

Acerca da empresa de auditoria independente, dentre as suas responsabilidades, destaca-se o exame das demonstracoes contabeis, verificando-se sua conformidade com as normas legais e sua fidedignidade. Suas informacoes e relatorios sao de interesse de proprietarios, conselheiros, analistas e investidores do mercado de capitais (Andrade & Rossetti, 2009). Na divulgacao do relatorio de sustentabilidade, a empresa de auditoria independente pode fazer a asseguracao das informacoes fornecidas pela companhia, observando a conformidade dos dados apresentados. Portanto, a auditoria independente pode ser considerada uma importante ferramenta de governanca para os stakeholders, sobretudo para aqueles que nao tem participacao direta no dia a dia da organizacao (Silveira, 2014).

Disclosure socioambiental

Em uma abordagem tradicional de negocios, as questoes sociais e ambientais eram ignoradas nos objetivos dos gestores, por serem consideradas nao visiveis, ou porque nao tinham impacto financeiro significativo. Entretanto, governos, industrias e profissionais tem dispensado crescente atencao no que tange as questoes de contabilidade social e ambiental, sobretudo na evidenciacao (disclosure) de informacoes para o publico externo (Deegan, 2002; Moneva, Archel, & Correa, 2006).

Nesse cenario, o disclosure socioambiental compreende a comunicacao e evidenciacao de informacoes acerca do envolvimento da firma com a comunidade, recursos humanos, impactos ambientais e contribuicao de produtos/servicos. Segundo Anderson e Frankle (1980), esses tipos de informacao sao tao importantes quanto quaisquer outros, financeiro ou nao financeiro, acerca das atividades da companhia.

Reverte (2009) analisou o disclosure socioambiental das empresas espanholas sob a perspectiva da Teoria da Agencia e da Teoria da Legitimidade. A primeira ve a firma como um nexo de contratos entre varios agentes economicos que atuam de forma oportunistica em mercados eficientes. Nesse contexto, a divulgacao social e ambiental pode revelarse util na determinacao das obrigacoes contratuais financeiras, contratos de compensacao gerencial ou custos politicos implicitos. Enquanto isso, a Teoria da Legitimidade reconhece explicitamente que as empresas tem um contrato social, no qual concordam em realizar varias acoes socialmente desejadas, em troca da aprovacao de seus objetivos e outras recompensas, possibilitando, assim, a continuidade de sua existencia, seja pelo ganho em valor corporativo ou pelo senso de responsabilidade perante os stakeholders advindos dessa legitimidade (Fuente, Garcia-Sanchez, & Lozano, 2017).

Ha diversas formas de evidenciar as informacoes ambientais, destacandose as propagandas ou artigos detalhando as atividades da empresa, os relatorios anuais, os relatorios comunitarios, os relatorios de sustentabilidade, a rotulacao de produtos e os websites. Entretanto, os relatorios sociais e de sustentabilidade tem mais destaque (Jenkins & Yakovleva, 2006; Oliveira, Luca, Ponte, & Pontes, 2009).

Contudo, o relatorio de sustentabilidade nem sempre teve essa importancia. Em decadas anteriores, a divulgacao social e ambiental se dava, sobretudo, por meio do relatorio anual. A cada dia que passa, as empresas publicam mais relatorios de sustentabilidade, isolados ou exclusivamente destinados a esse fim, os quais tornaram-se alvo de investigacao academica (Fifka, 2012). Assim, apesar da disponibilidade de diversas modalidades de comunicacao, o relatorio de sustentabilidade constitui a ferramenta mais usada pelas companhias para apresentar seus impactos economicos, sociais e ambientais (Fernandez-Feijoo, Romero, & Ruiz, 2014).

Corroborando o exposto, Campos et al. (2013, p. 914) relatam que "um numero crescente de empresas tem percebido os beneficios da adesao a este tipo de relatorio, que aufere maior transparencia e integridade sobre o desempenho de sustentabilidade das organizacoes". Braam, Weerd, Hauck e Huijbregts (2016) atestam que ha uma tendencia de se publicar informacoes sobre performance ambiental em relatorios de sustentabilidade. Os primeiros visavam demonstrar o compromisso com o meio ambiente. Entretanto, devido a recente evolucao do debate socioambiental, o relatorio passou a ter como tema central a performance ambiental (Brown, Jong, & Levy, 2009; Docekalova & Kocmanova, 2016).

O relatorio de sustentabilidade deve possibilitar a visualizacao das atividades sociais desenvolvidas, da evolucao de empregos, dos treinamentos, da protecao ao meio ambiente, da preservacao de bens culturais, da utilizacao de lucros, dos riscos e incertezas em relacao aos impactos ambientais e sua performance nessa area, dentre outras. Assim, a comunidade pode identificar se a companhia causa danos ou nao agrega valor a sociedade (Iatridis, 2013; Trevisan, 2002).

O relatorio de sustentabilidade pode variar de simples declaracao de relacoes publicas a um exame profundo e detalhado acerca da performance socioambiental corporativa, politicas, praticas e tendencias. As corporacoes que se engajam no processo de publicacao frequente de relatorios de sustentabilidade estao em diferentes estagios de gestao. Isso tem implicacoes obvias na profundidade e no conteudo das informacoes que podem produzir, o que de certa forma explicaria a grande diversidade de relatorios anuais (Azzone, Brophy, Noci, Welford, & Young, 1997).

Dessa forma, torna-se necessario que os investidores e os stakeholders em geral fiquem atentos para o que a companhia vem relatando na seara socioambiental e se essas informacoes realmente condizem com sua pratica produtiva. Alem disso, e necessario verificar se servem apenas para produzir uma maquiagem de empresa socialmente responsavel. Por outro lado, Conceicao, Dourado, Baqueiro, Freire e Brito (2011) asseveram que a empresa deve aumentar a divulgacao desse tipo de informacao e ampliar o papel da responsabilidade social, ja que sao crescentes as demandas dos usuarios externos sobre diversos aspectos das suas operacoes.

Ante o exposto, torna-se essencial que todo relatorio de sustentabilidade seja relevante, confiavel, compreensivel e comparavel. Esses sao os quatro pilares sobre os quais deve estar alicercado qualquer relatorio, sendo fundamentais para o sucesso do documento (Azzone et al., 1997). Segundo Iatridis (2013), o disclosure socioambiental deve ser relevante, compreensivel e acessivel aos usuarios, ser provido em tempo habil e possuir valor confirmatorio. Tambem deve ser comparavel, confiavel e livre de erros e vieses.

Olhando-se para o presente e para o futuro, observa-se que, dentre as tendencias na evidenciacao socioambiental, destacam-se as seguintes: (i) aumentar o escopo, incluindo indicadores de impacto social e informacoes de governanca; (ii) aumentar o publico-alvo alem dos acionistas e empregados; (iii) integracao de evidenciacao financeira com evidenciacao ambiental; (iv) inclusao de diferencas regionais e praticas de verificacao; e (v) preocupacao com a qualidade dos dados (Brown et al., 2009). Deve-se observar que o disclosure de informacoes de carater voluntario (como e o caso das informacoes socioambientais no Brasil) desempenha papel importante na mitigacao da assimetria informacional entre a gestao e os acionistas. Uma evidenciacao detalhada reduz a manipulacao de resultados (Iatridis, 2013; Karamanou & Vafeas, 2005).

A adocao dessas praticas de maneira estrategica, junto com o disclosure socioambiental, pode garantir mais competitividade a organizacao. Sob o aspecto do marketing social, as primeiras empresas a se comprometerem poderao usufruir dos maiores beneficios das grandes causas socioambientais.

Os retardatarios ficariam com aquelas questoes de menor impacto, precisando permanentemente pesquisar novas oportunidades (Trevisan, 2002).

Entretanto, um desafio recorrente, quando se trata de disclosure de informacoes socioambientais, reside na falta de consenso quanto a forma de apresentacao dos relatorios, se padronizado ou livre, voluntario ou obrigatorio, e quanto as informacoes a evidenciar. No Brasil, como nao ha obrigatoriedade de evidenciacao socioambiental, os relatorios sao classificados como livres e voluntarios (Cunha & Ribeiro, 2008; Rover, Tomazzia, Murcia, & Borba, 2012). Segundo Oliveira et al. (2009), nao ha consenso acerca do modelo ideal e dos conteudos a serem relatados.

Apesar de nao haver consenso quanto ao formato e conteudo, a discussao sobre responsabilidade social corporativa em ambito mundial reconhece o relatorio de sustentabilidade como a melhor ferramenta de comunicacao, bem como a necessidade de desenvolvimento de padroes para aumentar sua qualidade (Fernandez-Feijoo et al., 2014). Ainda que na maioria dos paises nao haja regras definidas sobre forma, estrutura e conteudo, os relatorios socioambientais tendem a padronizacao, ficando cada dia mais semelhantes aos relatorios financeiros (Jenkins & Yakovleva, 2006).

Estrutura de governanca, caracteristicas institucionais e construcao das hipoteses

Apesar da governanca corporativa e, de forma ampla, a responsabilidade social corporativa (exteriorizada atraves do disclosure socioambiental) se estabelecerem, separadamente, como tematicas de profunda discussao academica, menos atencao tem sido dada na criacao de uma ligacao entre estes dois temas (Khan et al., 2013). Para Rahim e Alam (2014), essa convergencia acaba fundindo os argumentos das duas tematicas, abrindo caminho para a governanca ser conduzida por normas eticas e pela necessidade de prestacao de contas, e permite a responsabilidade social se adaptar as praticas de negocios. Ainda segundo os autores, as grandes corporacoes tem criado mecanismos de governanca corporativa que buscam promover tanto a prestacao de contas aos investidores quanto o engajamento dos stakeholders, a exemplo de comites de responsabilidade social corporativa, questoes eticas, codigos de conduta empresariais, divulgacao de relatorios nao financeiros, bem como canais de dialogo com as partes interessadas (Rahim & Alam, 2014).

Portanto, a luz dessa convergencia e da questao de pesquisa proposta nesta investigacao foram formuladas nove hipoteses, fundamentadas em estudos que, sob diversos aspectos e em contextos societarios distintos, abordaram a influencia da estrutura de governanca corporativa e das caracteristicas institucionais no disclosure socioambiental. Destarte, do ponto de vista teorico, investigam-se os efeitos da estrutura de governanca corporativa e das caracteristicas institucionais no disclosure socioambiental, sob a otica da Teoria da Agencia e da Teoria da Legitimidade, assim como realizado por Bertucci, Bernardes e Brandao (2006), Braam et al. (2016), Conceicao et al. (2011), Ducassy e Montandrau (2015), Gibson e O'Donovan (2007), Khan et al. (2013), Michelon e Parbonetti (2012) e Rover et al. (2012).

As hipoteses [H.sub.1], [H.sub.2], [H.sub.3], [H.sub.4] e [H.sub.5] foram fundamentadas na Teoria da Agencia, considerando-se que a estrutura de governanca da organizacao relaciona-se com a qualidade do disclosure socioambiental. As hipoteses [H.sub.6], [H.sub.7], [H.sub.8] e [H.sub.9] foram formuladas a luz da Teoria da Legitimidade (caracteristicas institucionais). Considera-se que participacao em rankings de sustentabilidade pode trazer ganhos de reputacao para a companhia. Considera-se, tambem, que a extensao do disclosure socioambiental e funcao da exposicao da organizacao a pressao publica (Cho & Patten, 2007). Assim, algumas caracteristicas institucionais poderiam potencializar a exposicao da companhia e, consequentemente, os efeitos (positivos/ negativos) da evidenciacao (boa/precaria) socioambiental, impactando a percepcao de legitimidade perante a sociedade.

Tamanho do conselho de administracao

Diversos estudos apontam que um conselho de administracao com maior numero de membros pode contribuir para melhorar o nivel de monitoramento dos gestores, com consequente elevacao do nivel de evidenciacao de informacoes, incluindo as de carater socioambiental. Alem disso, pode-se obter, para a organizacao, mais experiencia, variedade de conhecimentos e habilidades (Cuadrado-Ballesteros et al, 2015; Ienciu, 2012; Sun, Salama, Hussainey, & Habbash, 2010).

Apesar de estudiosos como Aburaya (2012) e Michelon e Parbonetti (2012) nao terem encontrado influencia estatisticamente significante entre o tamanho do conselho de administracao e o disclosure socioambiental, outros encontraram influencia positiva entre essas variaveis (Cuadrado-Ballesteros et al, 2015; Gongrige, 2010; Htay et al., 2012; Ienciu, 2012; Rao et al., 2012; Sun et al., 2010). Portanto, levando-se em conta que a maioria das pesquisas nesse escopo considera a variavel tamanho do conselho de administracao e considerando-se a importancia do orgao para a governanca corporativa a luz da Teoria da Agencia, formula-se a seguinte hipotese de pesquisa:

[H.sub.1]: O tamanho do conselho de administracao influencia positivamente a qualidade do disclosure socioambiental.

Proporcao de conselheiros independentes

A participacao de membros independentes, ou seja, aqueles que nao possuem relacao familiar, de negocio ou de qualquer tipo com a organizacao (IBGC, 2015) no conselho de administracao tambem tem a funcao de monitorar a gestao. Sao diferentes dos conselheiros externos, que ainda sem vinculo comercial atual, empregaticio ou de direcao, nao sao independentes, tais como ex-diretores e ex-empregados (IBGC, 2015). Assim, espera-se que a presenca de conselheiros independentes faca com que as demandas dos stakeholders venham a ser atendidas, dentre as quais a criacao de comites de assessoramento, a adocao de praticas de responsabilidade e disclosure socioambiental, contribuindo para reducao da assimetria informacional (Ducassy & Montandrau, 2015; latridis, 2013; Khan et al., 2013). Para um conselho, e dificil a realizacao de suas funcoes fundamentais sem a presenca de independentes, na medida em que podem contribuir na constante revisao de estrategias, colocando em pauta opinioes divergentes em relacao ao CEO, moderando conflitos e contribuindo para a nao estagnacao e inatividade do conselho de administracao, sobretudo em momentos de prosperidade para a organizacao (Jensen, 1993).

Ainda que a presenca de conselheiros independentes seja considerada benefica na literatura e em codigos de melhores praticas, os estudos academicos apresentam resultados divergentes. Segundo Gongrige (2010), Matos e Gois (2013) e Michelon e Parbonetti (2012), a variavel nao indicou significancia estatistica; ja Aburaya (2012) constatou influencia negativa. Por outro lado, diversas outras pesquisas encontraram resultados favoraveis, justificando considerar a possibilidade de sua influencia no disclosure socioambiental (Bomfim et al., 2015; Ducassy & Montandrau, 2015; Harjoto & Jo, 2011; Htay et al., 2012; Iatridis, 2013; Ienciu, Popa, & Ienciu, 2012; Khan et al., 2013; Rao et al, 2012).

Ainda que estudos anteriores nao tenham resolvido a questao de como a governanca corporativa e o disclosure agem como complementares ou substitutivos dos mecanismos de controle, eles compartilham a mesma visao centrada no problema de agencia, segundo a qual os membros independentes no conselho de administracao podem aumentar a transparencia para proteger os interesses dos acionistas (Michelon & Parbonetti, 2012). Diante das evidencias teoricas e empiricas encontradas, levanta-se a seguinte hipotese:

[H.sub.2]: A proporcao de membros independentes no conselho de administracao influencia positivamente a qualidade do disclosure socioambiental.

Comite de auditoria

No momento em que emite comentarios e aprova politicas contabeis da companhia, o comite de auditoria contribui para assegurar a qualidade da contabilidade e dos sistemas de controle. Portanto, espera-se que sua presenca direcione as organizacoes para praticas de evidenciacao socioambiental, reduzindo a assimetria informacional (Gongrige, 2010; Iatridis, 2013; Khan et al., 2013). Estudos empiricos de Gongrige (2010), Iatridis (2013) e Khan et al. (2013) apontaram uma relacao positiva com o disclosure socioambiental. Entretanto, Ienciu (2012) nao encontrou resultado significante. Sendo assim, formula-se a seguinte hipotese:

[H.sub.3]: A presenca de comite de auditoria influencia positivamente a qualidade do disclosure socioambiental.

Comite de sustentabiiidade

O comite de sustentabilidade pode ajudar a organizacao a implementar acoes que incluam a percepcao da responsabilidade socioambiental. Podera, ainda, dar suporte a gestao na mensuracao e evidenciacao dos impactos socioambientais gerados pela atividade da companhia, passando, assim, uma mensagem aos stakeholders; servindo como instrumento de monitoramento (Aburaya, 2012; Bomfim et al., 2015; Ienciu, Popa, & Ienciu, 2012; Michelon & Parbonetti, 2012).

Resultados positivos da relacao desse orgao com o disclosure socioambiental foram encontrados nos estudos empiricos de Aburaya (2012), Bomfim et al. (2015), lenciu, Popa e lenciu (2012) e Michelon e Parbonetti (2012). Enquanto isso, Melo (2014) nao encontrou nenhuma relacao. Elaborou-se entao a seguinte hipotese:

[H.sub.4]: A existencia de comite de sustentabilidade influencia positivamente a qualidade do disclosure socioambiental.

Auditoria independente

As empresas de auditoria independente tendem a influenciar seus clientes a evidenciar o maximo possivel de informacoes significativas e relevantes. As chamadas Big Four (Deloitte, Ernst & Young, KPMG e PWC) sao empresas de auditoria internacional, cuja credibilidade pode ser comprometida por conta de informacoes nao divulgadas adequadamente. Portanto, tendem a nao se associar a companhias com baixo nivel de evidenciacao (Iatridis, 2013; Murcia, Rover, Lima, Favero, & Lima, 2008; Rover et al, 2012).

Entretanto, no que tange a relacao do tema com o disclosure socioambiental nos estudos empiricos levantados, os resultados ainda nao sao conclusivos, podendo ser encontradas relacoes positivas (Iatridis, 2013; Murcia et al., 2008; Rover et al., 2012) e estatisticamente nao significativas (Jo, Song, & Tsang, 2016; Murcia, Souza, & Santos, 2010). Logo, tomando como base os argumentos teoricos apresentados nos estudos que se utilizaram dessa variavel, alem das evidencias empiricas que demonstram influencia positiva da auditoria no disclosure (ainda que de forma nao dominante em termos de quantidade), justifica-se, portanto, a investigacao da seguinte hipotese:

[H.sub.5]: A empresa auditada por uma Big Four influencia positivamente a qualidade do disclosure socioambiental.

Listagem em indices de sustentabilidade

Estudos empiricos, como os de Melo (2014), Murcia et al. (2010), Murcia et al. (2008) e Oliveira et al. (2009), encontraram influencia positiva entre a participacao das empresas nos indices de sustentabilidade das bolsas de valores e o disclosure socioambiental. No caso do Brasil, a carteira teorica do Indice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), da Brasil, Bolsa, Balcao (B3), reune empresas com reconhecido comprometimento com as questoes socioambientais. Segundo a B3, as empresas participantes do ISE ajudam a criar um ambiente de investimento capaz de alinhar as demandas economicas e socioambientais dos investidores. O ISE foi criado em 2015 e ajuda a monitorar o desempenho de firmas que se declaram sustentaveis conforme suas praticas de mercado.

Sendo assim, e de se esperar que o disclosure das empresas que participam do ISE seja diferenciado, pois ja ha o engajamento, e as companhias sao estimuladas a divulgar a sua atuacao como forma de legitimacao perante a sociedade. Levanta-se, assim, a seguinte hipotese:

[H.sub.6]: A participacao da empresa no ISE influencia positivamente a qualidade do disclosure socioambiental.

Tamanho da empresa

Ainda segundo a perspectiva sugerida pela Teoria da Legitimidade, as empresas maiores apresentam mais propensao a impactar a comunidade, ter empregados mais engajados, ser hostilizadas pelos consumidores, ou sofrer maior intervencao governamental. Por serem mais visiveis ao grande publico, e de se esperar que tenham mais preocupacao em legitimar sua atuacao junto a acionistas, stakeholders e sociedade (Reverte, 2009). Segundo Rover et al. (2012), as grandes empresas tem maior efeito sobre a comunidade que a rodeia, tem mais stakeholders envolvidos e ainda tem custos politicos maiores advindos de sua visibilidade perante a sociedade, podendo atrair mais atencao do governo e do mercado.

Diversos estudos empiricos observaram uma influencia positiva entre o tamanho da empresa e o seu disclosure socioambiental (Bomfim et al., 2015; Brammer & Pavelin, 2006; Ducassy & Montandrau, 2015; Hackston & Milne, 1996; Haniffa & Cooke, 2005; Jo et al., 2016; Matos & Gois, 2013; Reverte, 2009; Ruangviset & Jiraporn, 2014), justificada pelos aspectos apontados por Reverte (2009) e Rover et al. (2012). Em decorrencia do exposto, formulase a seguinte hipotese:

[H.sub.7]: O tamanho da empresa influencia positivamente a qualidade do disclosure socioambiental.

Maturidade da empresa

Utilizando-se logica similar aquela relacionada a variavel tamanho, entende-se que o tempo de atuacao no mercado (maturidade do negocio) pode amplificar a repercussao da eficiencia ou ineficiencia do disclosure, porquanto a companhia tambem ganha credibilidade a medida que passa mais tempo operando em um segmento. Essa variavel e empregada em alguns estudos, ora apresentando influencia positiva com o disclosure socioambiental (Bomfim et al., 2015; Khan et al., 2013), ora nao identificando influencia significante entre as variaveis (Melo, 2014; Michelon & Parbonetti, 2012). A partir disso, priorizando a possibilidade de influencia positiva vislumbrada pelo tempo de atuacao das companhias no mercado, propoese a seguinte hipotese:

[H.sub.8]: A idade da empresa influencia positivamente a qualidade do disclosure socioambiental.

Setor de atividade

Na perspectiva da Teoria da Legitimidade, as companhias com legitimidade mais ameacada, como aquelas que atuam em ramos potencialmente poluidores, podem se beneficiar ao evidenciar informacoes objetivas e verificaveis acerca da performance ambiental. Portanto, se uma performance ambiental ruim pode por em risco a legitimidade perante a sociedade, espera-se que as empresas mais poluidoras apresentem altos niveis de disclosure ambiental (Braam et al., 2016; Patten, 2002).

As companhias que operam em setores sensiveis aos impactos ambientais tendem a se preocupar mais com possiveis danos causados por sua atividade. Destarte, geralmente obtem melhor performance nessa area, tendo, assim, mais motivacao para a divulgacao (Hackston & Milne, 1996; Halme & Huse, 1997). Logo, o disclosure de mais qualidade nesses setores pode funcionar como uma forma de legitimacao.

Estudos empiricos que consideraram essa variavel, no entanto, nao obtiveram resultados convergentes. Alguns deles encontraram relacao positiva (Aburaya, 2012; Brammer & Pavelin, 2006; Hackston & Milne, 1996; Halme & Huse, 1997; Rao et al., 2012; Reverte, 2009), enquanto outros nao relataram haver relacao significante (Haniffa & Cooke, 2005; Sun et al., 2010). Isso posto, tomou-se como base as argumentacoes teoricas e os estudos que obtiveram influencia positiva para a investigacao da hipotese a seguir:

[H.sub.9]: O setor de atuacao da empresa influencia positivamente a qualidade do disclosure socioambiental.

Procedimentos Metodologicos

A pesquisa caracteriza-se como descritiva e quantitativa (Sampieri, Collado, & Lucio, 2006), utilizando a analise documental (Woodrum, 1984). A populacao do estudo compreende as 496 companhias de capital aberto listadas na BM&FBovespa (denominada B3, a partir de marco de 2017). A primeira etapa para delimitacao da amostra consistiu na consulta ao website de cada uma dessas companhias, para verificacao da existencia de relatorio de sustentabilidade, ou mesmo de outros tipos de relatorio contendo informacoes de carater socioambiental. Para efeito de analise, foram considerados apenas os relatorios divulgados em 2015, com informacoes referentes a 2014.

A segunda etapa compreendeu uma analise geral dos relatorios, identificando-se se foram confeccionados nos moldes preconizados pela Global Reporting Iniciative (GRI). Foram identificados 151 relatorios, sendo 104 elaborados no modelo GRI.

Cabe elucidar que os relatorios das empresas Cemar, Fibria, Klabin, Sonae Sierra e Sulamerica, apesar de confeccionados nos moldes da GRI, nao faziam referencia aos indicadores ambientais e sociais sugeridos pela instituicao para divulgacao a partir do "indice remissivo". Esse indice ajuda a localizar as informacoes no relatorio de sustentabilidade, sendo aqui fator de exclusao das cinco empresas. Com isso, passou-se a considerar 99 relatorios para analise. Entretanto, ha relatorios em que duas ou mais empresas estao representadas por participar de grupos corporativos. Um exemplo disso e o relatorio da Enel, que contempla a Ampla Energia e a Coelce. Diante desse e de outros casos envolvendo grupos empresariais, a amostra reune 111 empresas e 99 relatorios de sustentabilidade, conforme explicitado na Tabela 1. Ressalta-se que a amostra foi definida a partir da listagem de empresas na BM&FBovespa em 29/06/2016 quando foram selecionadas as empresas.

Para operacionalizacao da pesquisa, foram coletados indicadores acerca da estrutura de governanca, de caracteristicas institucionais e dados socioambientais das empresas, obtidos mediante analise documental de formularios de referencia, demonstracoes financeiras padronizadas e relatorios de sustentabilidade. Alem disso, foi consultada a carteira teorica do ISE. Todo o detalhamento desses dados (variaveis) encontra-se explicitado na Tabela 2.

Para mensuracao da qualidade do disclosure socioambiental das empresas, foi feita uma analise dos relatorios, no que concerne as informacoes sociais e ambientais, conforme indicadores da GRI. O modelo possui diferentes versoes (sendo a G3, a G3.1 e a G4 as mais utilizadas e as mais recentes), derivadas do aprimoramento dos indicadores para disclosure. Essas foram as versoes encontradas na amostra. Com isso, ha alteracoes (inclusoes, exclusoes e fusoes) nos indicadores preconizados pela GRI entre as versoes G3, G3.1 e G4. Essas mudancas ensejaram uma diferenciacao nos quantitativos de disclosure mensurados.

Acerca da pontuacao atribuida ao disclosure dos indicadores sociais e ambientais da GRI nos relatorios de sustentabilidade, adotou-se uma metrica que leva em conta a qualidade da informacao, adaptada dos estudos de Chen et al. (2015) e Skouloudis et al. (2010), como mostra a Figura 2.

Com base na metrica da Tabela 3, apos o levantamento de todas as informacoes divulgadas, foi mensurada a qualidade do disclosure socioambiental (DISC): proporcao do somatorio dos pontos obtidos na analise, em relacao ao total de pontos possiveis. Levando-se em conta que as tres versoes do relatorio da GRI contemplam diferentes numeros de indicadores a serem evidenciados (G3: 70 indicadores; G3.1: 74 indicadores; G4: 82 indicadores), a medida foi relativizada para se igualar as notas, de modo a retratar o percentual de aderencia de cada relatorio. Portanto, as pontuacoes maximas possiveis eram 350 para o G3, 370 para o G3.1 e 350 para o G4. Esses sao os denominadores das fracoes que reproduzem o indice de qualidade do disclosure (DISC), sendo o numerador o total de pontos obtidos pela empresa no relatorio, com base na versao GRI divulgada (G3, G3.1 ou G4) como demonstrado na Equacao 1.

DISC(%) = ([summation] pontos obtidos/total de pontos possiveis) x 100 (1)

A influencia da estrutura de governanca e das caracteristicas institucionais na qualidade do disclosure socioambiental foi verificada por meio da analise de regressao linear multipla, sugerindo-se o modelo econometrico da Equacao 2, construido a partir das variaveis apresentadas na Figura 1, em que a qualidade do disclosure socioambiental e a variavel dependente e a governanca corporativa e as caracteristicas institucionais sao as variaveis independentes.

DISC = [[beta].sub.0] + [[beta].sub.1]N_CON + [[beta].sub.2]P_IND + [[beta].sub.3]C_AUD + [[beta].sub.4]C_SUS + [[beta].sub.5]BIG4 + [[beta].sub.6]ISE + [[beta].sub.7]TAM + [[beta].sub.8]IDA + [[beta].sub.9]SET + [beta] (2)

A Figura 3 explicita todas as variaveis incluidas na analise segregadas por categoria, denominacao dentro do modelo econometrico, hipotese a que se refere no estudo e relacao esperada, com base nas recomendacoes da literatura (vide secao 2.3 e respectivas subsecoes), e respectiva proxy adotada com base nos estudos empiricos anteriores.

Deve-se ressaltar que, para dar robustez aos resultados oriundos da aplicacao da Equacao 2 (modelo econometrico), foram testados os pressu postos de normalidade dos residuos, multicolinearidade, homoscedasticidade e ausencia de autocorrelacao serial, obtendo-se resultados satisfatorios.

Apresentacao e Analise dos dados

Estrutura de governanca e caracteristicas institucionais

Iniciando a analise dos resultados com a estatistica descritiva das variaveis nao dicotomicas (tamanho do conselho; proporcao de independentes; tamanho da empresa; idade da empresa), no tocante ao tamanho do conselho de administracao, verificou-se na amostra uma media de 8 conselheiros por empresa. Sete e numero mais frequente de membros do conselho, identificado em 19 companhias. Os numeros encontrados para o tamanho do conselho se assemelham aqueles apontados por Gongrige (2010), Htay et al. (2012) e Sun et al. (2010), que apresentaram medias de 7, 8,2 e 9,4 membros, respectivamente. Divergem, no entanto, dos obtidos por Cuadrado-Ballesteros et al. (2015), Ienciu (2012) e Rao et al. (2012), que encontraram medias de 5, 10,2 e 11,2, respectivamente.

Os conselhos de administracao registram, ainda, uma proporcao media de 21% de membros independentes. Diferentemente do esperado, verificase um expressivo numero de conselhos de administracao sem membro independente (44, ou 39,6% da amostra). Comparando-se esse resultado com os de estudos empiricos que fizeram esse tipo de levantamento, somente a pesquisa de Khan et al. (2013), com uma media de 7,1% (companhias de Bangladesh), e a de Ienciu (2012), com 15% (companhias da Romenia), apresentaram numeros inferiores. Por outro lado, Harjoto e Jo (2011), Htay et al. (2012), Ienciu, Popa e Ienciu (2012) e Rao et al. (2012) apontaram valores superiores, assinalando 36%, 55,9%, 60,3% e 67,4%, respectivamente.

No que tange ao tamanho, percebe-se que a amostra registra uma media de R$ 95,5 milhoes em ativos por empresa, sendo o do Santander ES o maior e o do Bicbanco o menor. Ja em relacao a idade, o Banco do Brasil se destaca como a empresa mais antiga, com 207 anos de fundacao, enquanto a Ourofino, a mais nova da amostra, tem apenas um ano de constituicao. A amostra assinala uma idade media de 46 anos.

Na analise das variaveis categoricas, a presenca de comite de auditoria foi identificada em 51,3% das companhias. Esses resultados assemelhamse aos de Khan et al. (2013), que relataram a presenca do comite em 57,9% das empresas por eles pesquisadas. Por outro lado, divergem dos achados de Ienciu (2012), com presenca do comite em 28,1% das empresas.

O comite de sustentabilidade foi identificado em 19 companhias (17,1%), demonstrando que, apesar de evidenciarem informacoes socioambientais, as empresas, em sua maioria, nao tem tido a preocupacao de inserir um orgao especifico em sua estrutura de governanca. Os resultados aproximam-se dos achados de Michelon e Parbonetti (2012), que detectaram a presenca do comite de sustentabilidade em 20,2% das empresas por eles pesquisadas. Enquanto isso, Aburaya (2012) e Melo (2014) identificaram a presenca do comite de sustentabilidade em 63% e 64% das empresas, respectivamente.

Dando sequencia a analise, os resultados mostram que as quatro firmas de auditoria independente conhecidas como Big Four (Deloitte, Ernst & Young, KPMG e PWC) dominaram amplamente os servicos de auditoria independente da amostra, sendo contratadas por 102 das 111 empresas, o que corresponde a 91,9%. Estudiosos como Gongrige (2010), latridis (2013), Jo et al. (2016), Murcia (2009), Murcia et al. (2008) e Rover et al. (2012) consideraram essa variavel, mas nao apresentaram sua analise descritiva.

Ainda de acordo com a pesquisa, 35 das 111 empresas da amostra (31,5%) participam do ISE. Quanto ao setor de atividade, verifica-se que 67 empresas (60,4%) atuam em segmentos considerados de impacto ambiental reduzido, enquanto as outras 40 (39,6%) operam em areas com medio (25) e alto (19) impacto ambiental (Brasil, 2000).

Diante desses resultados, e possivel tracar um perfil da estrutura de governanca e das caracteristicas institucionais da amostra: conselho de administracao constituido por oito membros titulares; com baixa participacao de membros independentes; quase metade das empresas possui comite de auditoria; baixa presenca de comite de sustentabilidade; altissima concentracao de servicos de auditoria independente contratados as Big Four, poucas empresas participantes do ISE; ativo com valor medio significativo; empresas relativamente maduras; atuacao predominante em setor com impacto ambiental reduzido.

Qualidade do disclosure socioambiental

A Tabela 5 mostra o resultado da analise descritiva da qualidade do disclosure socioambiental, a luz dos construtos de Chen et al. (2015) e Skouloudis et al. (2010) e dos 99 relatorios no modelo da GRI em suas versoes G3, G3.1 e G4, alusivos ao exercicio de 2014.

Como visualizado na Tabela 5, as empresas da amostra registraram disclosure medio correspondente a 30,18% da pontuacao maxima possivel, com nivel minimo de 2,68% (CPFL Renovaveis) e maximo de 71,22% (Duratex). Esses valores sao superiores aos encontrados por Skouloudis et al. (2010), que utilizaram criterio de analise semelhante ao deste estudo e indicaram um disclosure medio de 21% nas empresas gregas. Assumindo outros criterios de avaliacao do disclosure, Nogueira e Faria (2012) analisaram o grau de aderencia das companhias do setor bancario brasileiro, encontrando um valor medio de 52,6%, com uma amplitude correspondente a 45 pontos percentuais, entre o maior (74%) e o menor (29%).

Por seu turno, ao analisar 25 empresas listadas no ISE, Melo (2014) identificou niveis de divulgacao variando entre 90,6% e 54,1%, tambem superiores aos deste estudo. Por outro lado, Jizi, Salama, Dixon e Stratling (2014) encontraram um disclosure medio de 4,47 pontos, em um total de 20 pontos possiveis, correspondendo a 22,35%, resultado semelhante aos achados da presente investigacao. Bomfim et al. (2015) identificaram uma divulgacao media de 34,75%, contemplando empresas participantes dos niveis diferenciados de governanca corporativa da BM&FBovespa (atual B3).

No que tange a mediana das notas, o valor encontrado foi de 29,71, muito proximo ao da media, indicando uma distribuicao com razoavel simetria. Contudo, nota-se uma amplitude expressiva, chegando a quase 69%, o que evidencia grandes diferencas entre as empresas desse estudo no que tange a qualidade das informacoes socioambientais inseridas em seus relatorios institucionais. As discrepancias podem ser atribuidas as caracteristicas das empresas, como sinaliza a literatura consultada.

A caracterizacao do disclosure foi realizada tambem em funcao da distribuicao setorial das empresas, seguindo aquela estabelecida pela B3, como mostra a Tabela 6.

Os dados da Tabela 6 mostram que as empresas do setor Materiais Basicos obtiveram o maior disclosure medio (39,54%), seguido por Utilidade Publica (36,25%) e Telecomunicacoes (33,42%). As empresas de Tecnologia da Informacao apresentaram o menor disclosure medio (11,46%), mas tambem possuem o menor numero de relatorios. Percebe-se, no entanto, que as diferencas entre os setores, aparentemente, nao sao expressivas, apresentando baixa amplitude.

O baixo nivel de evidenciacao, em termos medios, pode ser atribuido a complexidade e abrangencia do relatorio nos moldes da GRI. O modelo engloba muitos aspectos em diferentes frentes sociais e ambientais, devido as especificidades de cada companhia. A decisao sobre o que e e o que nao e material, realizada por cada organizacao, aponta para determinados aspectos-chave que elas julgam ser de interesse de acionistas e stakeholders. Dessa forma, elas podem priorizar algumas dimensoes, o que contribui para reduzir o disclosure socioambiental. Outro fator explicativo pode ser a dificuldade de gerar informacoes relevantes e quantificadas de cada aspecto contemplado pela GRI. Como a nota "5" (Figura 2) so e atribuida a informacoes completas (com numeros e que possibilitem comparacao), o custo de sua evidenciacao pode ser maior que o de sua omissao, ou maior que o de evidencia-las de forma mais simples, razao pela qual as companhias podem optar pela segunda alternativa.

Efeitos da estrutura de governanca e das caracteristicas institucionais na qualidade do disclosure socioambiental

Visando caracterizar a relacao da estrutura de governanca e de caracteristicas institucionais das companhias abertas brasileiras com a qualidade do seu disclosure socioambiental, realizou-se a analise de regressao linear multipla, por meio da Equacao 2. A Tabela 7 mostra os resultados acerca da adequacao do modelo econometrico sugerido, bem como os resultados obtidos na analise de regressao linear multipla, em que a qualidade do disclosure socioambiental e a variavel dependente, enquanto a estrutura de governanca e as caracteristicas institucionais sao as variaveis independentes.

De acordo com a Tabela 7, o modelo apresentou significancia estatistica, revelando um poder explicativo de 15% em relacao a medida de disclosure. Em relacao aos pressupostos do modelo, o Teste de Kolmogorov-Smirnov apresentou distribuicao normal dos residuos (Sig. = 0,200). Em relacao a multicolinearidade, o teste VIF para todas as variaveis apresentou resultados em niveis aceitaveis (intervalo de 1,051 a 1,694). O Teste de PesaranPesaran possibilitou verificar que os dados apresentam homoscedasticidade (Sig. = 0,538). Por meio do Teste de Durbin-Watson, nao foi possivel notar a ocorrencia de problemas significativos para a autocorrelacao serial dos residuos (estatistica D-W = 2,108). Dessa forma, o modelo analisado mostrase valido para o fim proposto pela pesquisa.

Os resultados do modelo de regressao apontam que a variavel tamanho do conselho de administracao (N_CON) nao teve influencia significativa na qualidade do disclosure socioambiental das empresas, em consonancia com os achados de Aburaya (2012), Michelon e Parbonetti (2012) e Rao et al. (2012). Os codigos de boas praticas de governanca recomendam um tamanho de conselho ideal, mas nao necessariamente numeroso, sob a alegacao de que a presenca de mais conselheiros poderia trazer um ganho em diversidade e experiencia. Isso poderia proporcionar uma maior preocupacao com a evidenciacao de informacoes socioambientais. Na amostra em estudo, essa relacao nao se concretizou. Portanto, os resultados nao permitiram a aceitacao da hipotese [H.sub.1].

Ja em relacao a variavel proporcao de membros independentes no conselho de administracao (P_IND), observou-se uma influencia significativa ao nivel de 10%. Nota-se que a relacao observada e negativa ([[beta].sub.2] < 0), demonstrando que as empresas com menor proporcao de conselheiros independentes foram aquelas que obtiveram maior evidenciacao socioambiental. Resultados similares foram obtidos por Aburaya (2012) e Esa e Ghazali (2012). Ante o exposto, o argumento de que um conselho mais independente pode trazer mais transparencia na divulgacao de informacoes socioambientais nao foi materializado na amostra. Talvez as empresas deficientes em relacao a essa estrutura de governanca empreguem esforcos no sentido de melhorar a qualidade do disclosure, a fim de "compensar" essa caracteristica, conjectura-se. Logo, a hipotese [H.sub.2] foi rejeitada.

A variavel referente a presenca do comite de auditoria (C_AUD) nao apresentou significancia estatistica, similarmente ao estudo de Ienciu (2012), mas contraria a maioria dos estudos que envolveram essa variavel com o disclosure socioambiental. Portanto, ainda que o comite de auditoria desempenhe papel de destaque na aprovacao de politicas contabeis e na reducao de assimetria informacional, a sua presenca na estrutura de governanca das companhias da amostra nao se traduziu em uma maior ou menor evidenciacao de informacoes. Nao ha, portanto, evidencias que levem a aceitacao da hipotese [H.sub.3].

A presenca de comite de sustentabilidade (C_SUS) na estrutura de governanca nao teve relacao estatisticamente significante com a qualidade do disclosure socioambiental, da mesma forma encontrada por Melo (2014), que tambem analisou empresas de capital aberto na BM&FBovespa. Esperavase que a presenca de comite voltado para questoes de sustentabilidade teria relacao com a evidenciacao socioambiental. Contudo, poucas empresas registram a existencia desse orgao, que, em tese, esta associado aos assuntos corporativos dessa natureza. Com isso, a preocupacao com formas mais eficientes de disclosure socioambiental deveria fazer parte da pauta desses comites, haja vista que a sua presenca nao tem causado impacto na qualidade do disclosure socioambiental, pelo menos para a amostra analisada e com o metodo utilizado. Portanto, nao houve aceitacao da hipotese [H.sub.4].

A variavel auditoria independente (BIG4) nao apresentou relacao significante com a variavel dependente, indo ao encontro dos achados de Jo et al. (2016) e Murcia et al. (2010). Esse resultado pode ser justificado pelo amplo dominio das Big Four na amostra. Outra explicacao razoavel seria o fato de as firmas de auditoria nao direcionarem prioritariamente os trabalhos para a evidenciacao socioambiental. Logo, houve rejeicao da hipotese [H.sub.5].

No tocante as variaveis relacionadas as caracteristicas institucionais, a participacao no ISE apresentou relacao positiva e estatisticamente significante ao nivel de 1%. Esse resultado e convergente com os achados de Melo (2014), Murcia et al. (2008, 2010) e Oliveira et al. (2009). A influencia apresentada pode se dar, entre outras razoes, pelo fato de o ISE atrair justamente as empresas que apresentam perfil socioambiental, ja que essa adesao e voluntaria, elegivel pela B3. As empresas devem obedecer a um conjunto de requisitos e regulamentos para compor a carteira teorica do ISE, atribuindo carater quase normativo a evidenciacao de informacoes sociais e ambientais, aumentando o compromisso das empresas em informar mais e com mais qualidade. Ha, portanto, evidencias que suportam a hipotese [H.sub.6].

A variavel representativa do tamanho da empresa (TAM) nao apresentou significancia estatistica, similarmente aos resultados de Esa e Ghazali (2012), Melo (2014) e Rao et al. (2012). Assim, ainda que as empresas sejam grandes, verificou-se que essa caracteristica nao necessariamente tem ensejado uma preocupacao em evidenciar melhores informacoes socioambientais, o que, de acordo com os estudos apontados, incrementaria a percepcao de legitimidade. Assim, os resultados do teste aplicado na amostra levaram a rejeicao da hipotese [H.sub.7].

Em relacao a variavel idade (IDA), a exemplo do que aconteceu com a variavel tamanho, tambem nao foi observada relacao estatisticamente significante com a qualidade do disclosure socioambiental, corroborando os achados de Melo (2014) e Michelon e Parbonetti (2012). Assim, conjecturase que o tempo de atuacao no mercado nao necessariamente implica uma maior expertise ou preocupacao em evidenciar informacoes socioambientais de qualidade. Logo, foi rejeitada a hipotese [H.sub.8].

A variavel que considera o impacto ambiental do setor de atividade (SET) nao se revelou estatisticamente significante, a exemplo dos achados de Haniffa e Cooke (2005) e Sun et al. (2010). Segundo esses resultados, ainda que as companhias facam parte de setores com elevado impacto ambiental, nao houve, de modo geral, a preocupacao em evidenciar mais informacoes de carater socioambiental, seja para ganho de legitimidade ou reducao de riscos para a empresa. Por isso, a hipotese [H.sub.9] nao foi aceita.

Avaliando-se os resultados encontrados sob a otica de outros estudos nacionais que investigaram a relacao entre governanca corporativa e disclosure socioambiental, e possivel discutir por que a relacao suposta nao se verifica com tanta forca no ambiente brasileiro.

Para justificar tal ponderacao, expoem-se a seguir alguns achados de estudos nacionais. Cunha e Ribeiro (2008) analisaram se as empresas com bons niveis de governanca evidenciavam mais informacoes de natureza social, e os resultados apontaram para a ausencia de significancia. Goncalves, Weffort, Peleias e Goncalves (2008) estudaram o social disclosure de empresas brasileiras listadas na Nyse e na BM&FBovespa (atual B3), verificando que empresas com niveis inferiores de governanca apresentaram maior disclosure do que empresas no nivel mais avancado de governanca brasileiro, o chamado Novo Mercado. Murcia et al. (2010) investigaram as praticas de disclosure socioambiental no Brasil, concluindo que as empresas com melhores praticas de governanca nao apresentaram niveis mais altos de evidenciacao. Melo (2014) analisou a divulgacao de informacoes da sustentabilidade empresarial em empresas do ISE, constatando que os aspectos de governanca corporativa elencados nao apresentaram significancia estatistica. Bomfim et al. (2015) analisaram o disclosure da sustentabilidade em empresas do indice IBrX100, da BM&FBovespa (atual B3), e incluiram como variavel a participacao no Novo Mercado, cujos resultados apresentaram significancia estatistica, porem com relacao negativa. Quanto as caracteristicas institucionais, de forma geral, os resultados nao sao conclusivos, haja vista que os estudos apresentam resultados divergentes em relacao ao disclosure socioambiental.

Portanto, diante das evidencias encontradas nos estudos citados, notouse certa divergencia entre os achados de estudos estrangeiros e de estudos com empresas brasileiras. Sendo assim, os resultados desta pesquisa corroboraram os das pesquisas nacionais acima referenciadas, mostrando que talvez a relacao estudada nao seja ainda tao evidente no Brasil. Algumas possiveis explicacoes para o fenomeno podem transitar pela concentracao de propriedade e qualidade de protecao legal aos investidores (Porta, Lopez-de-Silanes, Shleifer, & Vishny, 1998) no mercado acionario brasileiro, pelo fato de a governanca corporativa no pais ainda nao ter atingido pleno amadurecimento e ainda, especificamente, pelo fato de a evidenciacao de informacoes socioambientais ser voluntaria.

Conclusao

A literatura sinaliza que o advento da governanca corporativa no mercado acionario brasileiro introduziu significativas mudancas na forma de atuacao das empresas, sobretudo na crescente preocupacao com os stakeholders. Ainda, conforme as caracteristicas e peculiaridades de cada companhia, a governanca e seus orgaos integrantes podem se apresentar de maneiras diversas. Logo, este estudo analisou a influencia da estrutura de governanca e de caracteristicas institucionais na qualidade do disclosure socioambiental nas companhias abertas brasileiras, com base nos relatorios emitidos em 2015 com informacoes socioambientais referentes a 2014, bem como na estrutura de governanca e nas caracteristicas institucionais das firmas.

Em relacao a estrutura de governanca, constatou-se que as empresas analisadas tem como perfil basico uma media de oito conselheiros de administracao, sendo 21 % dos membros de conselhos da amostra considerados independentes. Pouco mais da metade das empresas possui comite de auditoria, e poucas empresas possuem comite de sustentabilidade, sendo quase a totalidade da amostra auditada pelas Big Four. Ja no tocante as caracteristicas institucionais, percebeu-se que poucas empresas integram o ISE. Ademais, a amostra possui Ativo medio de 95 milhoes de reais e idade media de 45 anos, predominando a atuacao em setores com impacto ambiental reduzido.

No que tange a qualidade do disclosure socioambiental, constatou-se que as empresas, de forma geral, obtiveram baixo nivel de evidenciacao, considerando-se que a metodologia adotada no estudo, adaptada de Chen et al. (2015) e Skouloudis et al. (2010), considerou a qualidade da informacao. Assim, observou-se na amostra o disclosure socioambiental medio de 30%.

As analises realizadas por meio da regressao linear multipla apontaram que as companhias presentes na carteira teorica do ISE possuem mais qualidade do disclosure socioambiental (DISC) em comparacao com as demais. Empresas com menor proporcao de membros independentes no conselho de administracao apresentaram nivel mais alto de evidenciacao socioambiental, contrariando, assim, os postulados teoricos, haja vista que, de forma geral, a Teoria da Agencia e os estudos empiricos indicam o oposto. Dessa forma, foi aceita somente as hipoteses H6, sendo rejeitadas todas as demais.

Frente a investigacao empreendida, e possivel responder o problema de pesquisa concluindo que, de forma geral, aspectos especificos e restritos da estrutura de governanca corporativa podem impactar a qualidade do disclosure socioambiental. Similarmente, caracteristicas institucionais particulares das companhias abertas brasileiras tem efeito semelhante, considerando-se a amostra e o lapso temporal do estudo. Confrontando-se os resultados obtidos com os de outras pesquisas nacionais, constatouse ainda que este estudo caminhou de modo convergente; ou seja, ha limitacoes no que tange a capacidade de interferencia da governanca e da empresa em suas caracteristicas na sustentabilidade. Mostra-se, com isso, que provavelmente essa relacao seja mais fortemente percebida em estudos estrangeiros, sendo essa a principal contribuicao deste estudo.

Dentre as limitacoes deste estudo, destacam-se o lapso temporal considerado, restrito a apenas um exercicio financeiro. Mais periodos suportariam a analise, por exemplo, de dados em painel, fornecendo aspectos da condicao temporal e idiossincrasia das variaveis. Adicionalmente, considerase que a nao opcao pelo uso da amostra de forma aleatoria, de modo a aumentar as observacoes para as empresas que nao sao auditadas por Big Four, figura mais um aspecto limitante deste estudo. Destacam-se, ainda, outros aspectos da estrutura de governanca e caracteristicas institucionais que podem ser observados, limitando-se a presente investigacao a apenas alguns deles. Apesar do rigor metodologico aplicado na realizacao do estudo, vale citar tambem o grau de subjetividade na mensuracao da qualidade do disclosure socioambiental, haja vista que a percepcao dos pesquisadores pode influenciar a atribuicao das notas. Logo, as sugestoes para futuras pesquisas passam por uma analise longitudinal.

Mais alem, outra abordagem pode ser feita utilizando-se outras variaveis de governanca, talvez relacionadas ao ambiente institucional ou concentracao de propriedade, bem como a possibilidade de aplicacao de outras tecnicas estatisticas para analise dos dados. Ha tambem a possibilidade de se averiguar comparativamente a relacao em diversos paises, pois os resultados nacionais divergem daqueles encontrados nos estudos aplicados em outras economias. Faz-se possivel ainda, em outras pesquisas, averiguar os fatores que determinariam a divulgacao ou nao de relatorios com conteudo socioambiental pelas firmas. Para tanto, a consideracao de todas as empresas da B3 poderia fornecer inferencias mais robustas em pesquisas futuras sobre a tematica.

Notas

(1.) Cumpre salientar que os autores agradecem a leitura criteriosa dos pareceristas da RECADM, cujas recomendacoes foram, nao apenas acatadas, mas fonte de reflexao e inspiracao para reformulacoes mais substantivas do artigo.

(2.) Os autores agradecem o apoio do CNPq, que financiou as pesquisas nas quais o texto se baseia.

DOI: http://dx.doi.org/10.21529/RECADM.2018014

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Recebido em: 27/09/2017

Aprovado em: 14/05/2018

Ultima Modificacao: 19/06/2018

Breno Penha Rego (iD), Programa de Pos-Graduacao em Administracao e Controladoria, Universidade Federal do Ceara (PPAC/ UFC), Brasil.

Mestre em Administracao e Controladoria, Universidade Federal do Ceara (UFC), Brasil.

penharego@gmail.com

Alessandra Carvalho de Vasconcelos (iD), Programa de Pos-Graduacao em Administracao e Controladoria, Universidade Federal do Ceara (PPAC/ UFC), Brasil.

Doutora em Engenharia de Producao, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Brasil.

alevasconcelos.ufc@gmail.com

Jose Glauber Cavalcante dos Santos (iD), Programa de Pos-Graduacao em Administracao e Controladoria, Universidade Federal do Ceara (PPAC/ UFC), Brasil. Doutorando em Administracao e Controladoria, Universidade Federal do Ceara (UFC), Brasil.

jglauber_cont@hotmail.com
Tabela 1: Calculo da amostra do estudo

Operacao                   Descricao                  No. de empresas

            Populacao (empresas listadas na                 496
            BM&FBovespa--atual B3, em 29/06/2016)

(-)         Empresas que nao divulgaram relatorio           345
            de sustentabilidade

=           Empresas que divulgaram relatorio de            151
            sustentabilidade referente a 2014

(-)         Empresas que divulgaram relatorios              47
            diversos, ou nao publicaram relatorio
            no modelo GRI

(-)         Empresas cujos relatorios apresentaram           5
            inconformidades

=           Empresas que divulgaram relatorio de            99
            sustentabilidade no modelo GRI

(+)         Empresas de mesmo grupo corporativo             12
            reportadas em relatorios de
            sustentabilidade

=           Amostra                                         111

Fonte: Elaborada pelos autores.

Tabela 2: Indicadores e fontes de coleta

Categoria               Indicador         Natureza da variavel

Qualidade do       Informacoes sociais         Dependente
disclosure             e ambientais
socioambiental

Estrutura de       Tamanho do conselho        Independente
governanca           de administracao

                    Numero de membros         Independente
                     independentes no
                       conselho de
                      administracao

                    Presenca de comite        Independente
                       de auditoria

                    Presenca de comite        Independente
                   de sustentabilidade

                   Empresa de auditoria       Independente
                       independente

Caracteristicas    Participacao no ISE        Independente
institucionais

                     Tamanho (Ativo)          Independente

                       Idade (anos)           Independente

                    Setor de atividade        Independente

Categoria               Indicador                   Fonte

Qualidade do       Informacoes sociais          Relatorios de
disclosure             e ambientais        sustentabilidade modelo
socioambiental                                GRI, no campo das
                                          evidenciacoes especificas
                                            (social e ambiental)

Estrutura de       Tamanho do conselho    Formulario de Referencia
governanca           de administracao          2014, item 12--
                                             Assembleia Geral e
                                           Administracao, subitem
                                                    12.6

                    Numero de membros     Formulario de Referencia
                     independentes no          2014, item 12--
                       conselho de           Assembleia Geral e
                      administracao        Administracao, subitem
                                                    12.6

                    Presenca de comite    Formulario de Referencia
                       de auditoria            2014, item 12--
                                             Assembleia Geral e
                                           Administracao, subitem
                                                    12.7

                    Presenca de comite    Formulario de Referencia
                   de sustentabilidade         2014, item 12--
                                             Assembleia Geral e
                                           Administracao, subitem
                                                    12.7

                   Empresa de auditoria   Formulario de Referencia
                       independente        2014, item 2--Auditores
                                           independentes, subitem
                                                     2.1

Caracteristicas    Participacao no ISE     Carteira do ISE de 05/
institucionais                             01/2015, disponivel no
                                           website da BM&Fbovespa

                     Tamanho (Ativo)      Demonstracoes financeiras
                                          padronizadas do exercicio
                                             findo em 31/12/2014

                       Idade (anos)       Formulario de Referencia
                                           2014, Dados cadastrais,
                                              aba Dados Gerais

                    Setor de atividade    Formulario de Referencia
                                           2014, Dados cadastrais,
                                            informacoes de setor

Fonte: Elaborada pelos autores.

Tabela 3: Metrica de pontuacao da qualidade do disclosure nos
relatorios de sustentabilidade

Pontuacao                Qualidade do disclosure

0             Quando o indicador nao for reportado

1             Afirmacoes breves e genericas, sem dados
              numericos, indicando um baixo nivel de
              evidenciacao

3             Afirmacoes um pouco mais detalhadas, com
              apresentacao de dados numericos simples,
              indicando um nivel medio de evidenciacao

              Pontuacao aplicada ainda aos casos em que o
              indicador nao e necessario a empresa, sem
              maiores explicacoes/justificativas

5             Afirmacoes mais detalhadas, com informacoes
              quantitativas e qualitativas, incluindo
              categorias e metas e possibilitando a
              comparacao de dados, indicando um alto nivel
              de evidenciacao

              Pontuacao aplicada ainda aos casos em que o
              indicador nao e necessario a empresa, com
              explicacoes/justificativas

Fonte: Elaborada pelos autores, com base em Chen et al. (2015) e
Skouloudis et al. (2010).

Tabela 4: Variaveis para a analise de regressao linear multipla

Categoria              Denominacao        Simbolo    Hipotese e
                                                      relacao
                                                      esperada

Dependente             Qualidade do        DISC          --
                        disclosure
                      socioambiental

Independente       Tamanho do conselho     N_CON    [H.sub.1(+)]
(estrutura de        de administracao
governanca)
                   Proporcao de membros    P_IND    [H.sub.2(+)]
                     independentes no
                       conselho de
                      administracao

                    Presenca de comite     C_AUD    [H.sub.3(+)]
                       de auditoria

                    Presenca de comite     C_SUS    [H.sub.4(+)]
                   de sustentabilidade

                   Empresa de auditoria    BIG4     [H.sub.5(+)]
                       independente

Independente        Presenca no Indice      ISE     [H.sub.6(+)]
(caracteristicas   de Sustentabilidade
institucionais)     Empresarial (ISE)

                     Tamanho (Ativo)        TAM     [H.sub.7(+)]

                          Idade             IDA     [H.sub.8(+)]

                          Setor             SET     [H.sub.9(+)]

Categoria              Denominacao                  Proxy

Dependente             Qualidade do       Calculo do percentual de
                        disclosure        aderencia ao relatorio do
                      socioambiental      modelo GRI

Independente       Tamanho do conselho    Numero de membros
(estrutura de        de administracao     titulares
governanca)
                   Proporcao de membros   Proporcao do numero de
                     independentes no     membros independentes, em
                       conselho de        relacao ao total de
                      administracao       titulares

                    Presenca de comite    Variavel dummy,
                       de auditoria       atribuindo-se o valor "1"
                                          para empresas que possuem
                                          o comite, e o valor "0"
                                          para as demais

                    Presenca de comite    Variavel dummy,
                   de sustentabilidade    atribuindo-se o valor "1"
                                          para empresas que possuem
                                          o comite, e o valor "0"
                                          para as demais

                   Empresa de auditoria   Variavel dummy,
                       independente       atribuindo-se o valor "1"
                                          para empresas auditadas
                                          por qualquer das Big
                                          Four(Delloite, Ernst &
                                          Young, KPMG ou PWC), e o
                                          valor "0" para as demais

Independente        Presenca no Indice    Variavel dummy,
(caracteristicas   de Sustentabilidade    atribuindo-se o valor "1"
institucionais)     Empresarial (ISE)     para empresas listadas no
                                          ISE, e o valor "0" para
                                          as demais

                     Tamanho (Ativo)      Logaritmo natural do
                                          valor total do Ativo

                          Idade           Logaritmo natural do
                                          numero correspondente a
                                          idade da empresa em 2014,
                                          calculada com base no ano
                                          de sua
                                          fundacao/constituicao

                          Setor           Variavel dummy,
                                          atribuindo-se o valor "1"
                                          para empresas com
                                          atividades potencialmente
                                          poluidoras (de acordo com
                                          a lei no. 10.165/2000), e
                                          o valor "0" para as
                                          demais

Nota: (+) influencia positiva esperada.

Fonte: Elaborada pelos autores.

Tabela 5: Analise descritiva da qualidade do disclosure
socioambiental

Variavel    Minimo   Maximo   Media   Mediana   Amplitude   Desvio-
                                                            padrao

DISC (%)     2,68    71,22    30,18    29,71      68,54      15,71

Fonte: Elaborada pelos autores.

Tabela 6: Disclosure medio por setor da BM&FBovespa

             Setor                Numero de    Disclosure
                                  relatorios   medio (%)

Bens Industriais                      04         25,52
Construcao e Transporte               13         31,03
Consumo Ciclico                       08         30,68
Consumo nao Ciclico                   15         30,19
Financeiro e Outros                   16         25,09
Materiais Basicos                     07         39,54
Petroleo Gas e Biocombustiveis        03         24,47
Tecnologia da Informacao              02         11,46
Telecomunicacoes                      04         33,42
Utilidade Publica                     27         36,25
Total                                 99           --

Fonte: Elaborada pelos autores.

Tabela 7: Sumarizacao do modelo e tabela de coeficientes

Modelo          R     R quadrado   R quadrado      Erro         Sig
                                    ajustado    padrao da
                                                estimativa

1             0,470     0,221        0,151        14,83      0,002 ***

Variaveis     Coeficiente nao padronizado

                   B         Erro-padrao

Cons             37,178         16,836
N_CON            -0,045          0,598
P_IND           -12,299          7,268
C_AUD            -2,461          3,192
C_SUS             6,156          4,126
BIG4              5,324          5,290
ISE              13,701          3,536
TAM              -1,235          1,081
IDA               2,502          1,678
SETOR            -0,464          3,012

Variaveis     Coeficiente         t             Sig.
              padronizado
                  Beta

Cons               --           2,208          0,029
N_CON            -0,008         -0,075         0,940
P_IND            -0,158         -1,692         0,094 (*)
C_AUD            -0,077         -0,771         0,443
C_SUS             0,145          1,492         0,139
BIG4              0,091          1,006         0,317
ISE               0,397          3,875         0,000 (***)
TAM              -0,131         -1,142         0,256
IDA               0,139          1,491         0,139
SETOR            -0,014         -0,154         0,878

Nota: (*) valores significativos a 0,10. (***) valores
significativos a 0,01.

Fonte: Elaborada pelos autores.
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Author:Rego, Breno Penha; de Vasconcelos, Alessandra Carvalho; dos Santos, Jose Glauber Cavalcante
Publication:Revista Eletronica de Ciencia Administrativa
Date:Sep 1, 2018
Words:12554
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