Printer Friendly

Efeitos das mudancas climaticas na distribuicao geografica de especies na sub-bacia do Rio Negro.

Effects of Climate Change in the Geographical Distribution of Species in the Rio Negro Sub-Basin

Introducao

Os seres humanos enfrentam um grande desafio hoje para compreender e agir sobre a transformacao do planeta e os impactos sobre os territorios locais. O clima e um fator dinamico que esta alertando sobre as mudancas nos padroes de producao e como viver em sociedade. Cada vez mais, os territorios estao com mais expectativas de crescimento economico e desenvolvimento, mas isso e importante colocar os diferentes cenarios de mudanca climatica para planejar as atividades. Consequentemente, esperase que os eventos da variabilidade do clima, como El Nino Oscilacao do Sul (ENOS), aumentarao em frequencia e intensidade, causando grandes impactos sobre a populacao e as atividades humanas em situacoes vulneraveis, envolvendo riscos significativos, dada a ocorrencia de fenomenos climaticos desencadeadas pela variabilidade. Estes fenomenos, se nao foram tratados podem manifestar-se nos desastres, causando perdas humanas, ambientais e materiais (CEPAL, 2005; IPCC, 2015, 2014, 2012, 2001; Capel, 1999; Burton et al., 1978).

Como os sistemas humanos, a biodiversidade pode ser afetada pela alteracao das mudancas e a variabilidade climatica, tendo em conta as variacoes de temperatura e precipitacao expressas no espaco, alterando as condicoes dentro do habitat e determinando, assim, a distribuicao das especies (IPCC, 2013; Felizola et al., 2009; Siqueira et al., 2009). Neste sentido, e sob o conceito de que o territorio e um sistema inter-relacionado em que convergem os seres humanos e natureza, e relevante a analise dos impactos que podem surgir a qualquer dos seus elementos para compreender possiveis desequilibrios no sistema e, assim, concentrar os esforcos de gestao para adotar as medidas de adaptacao. Concretamente, a observacao desses fenomenos espaciais incluindo a biodiversidade, pode contribuir para o territorio a ser gerido sob os principios de conservacao, a fim de promover a sobrevivencia das especies e aumentar a resiliencia dos ecossistemas que habitam.

A complexidade dos sistemas biologicos e reconhecida ha muito tempo pelos cientistas. Durante decadas, ao longo dos seculos 19 e 20, os cientificos passaram a compreender cada vez melhor essa complexidade, descrevendo os padroes que originam a diversidade biologica desde os niveis mais basicos ate as associacoes em escalas amplas que permitem reconhecer ecossistemas e biomas. Alem disso, passouse a compreender melhor que essa complexidade esta estruturada geograficamente de diferentes formas e, o mais importante, que ela evolui ao longo de grandes escalas de tempo. A evolucao da propria especie humana passou a ser, por si so, um fator extremamente relevante em funcao do grande impacto do Homo sapiens sobre as demais especies do planeta. Esses impactos tem crescido enormemente devido a uma utilizacao cada vez maior dos recursos naturais, causando uma perda cada vez mais acentuada da diversidade biologica em diferentes niveis. Assim, devido a sua inerente complexidade e a dificuldade em se estabelecer pontos de equilibrio entre desenvolvimento humano e conservacao, esta claro que conservar a biodiversidade e uma das tarefas mais arduas e um dos maiores desafios do seculo 21 (Conservacao internacional Brasil, 2009).

A chegada do homem no continente sul-americano modificou completamente a velocidade dos processos de alteracao da biodiversidade, passando da escala de milhares de anos para a escala secular e, quinhentos anos depois do descobrimento, estamos vivenciando uma nova mudanca de escala. Mudancas significativas na distribuicao de especies sao agora observadas em decadas, e ha uma crescente discrepancia entre a velocidade das mudancas climaticas e a do processo evolutivo. Especies longevas- -de arvores como o jatoba e o jequitiba, que podem viver mais de duzentos anos--nao tem condicoes de responder evolutivamente as essas mudancas ou migrar para novas areas, tendendo a desaparecer. O resultado e um aumento exponencial nas taxas de extincao de especies (Joly, 2007). Em 2005, Lewinsohn e Prado estimaram que o Brasil abrigava entre 170 mil e 210 mil especies biologicas conhecidas, o que correspondia a cerca de 10% da biota mundial ja estudada. Os mesmos autores projetaram que o numero total de especies biologicas brasileiras seja da ordem de 1,8 milhao de especies. Esses numeros dao uma ideia do gigantesco desafio para os pesquisadores brasileiros que atuam nessa grande area que a caracterizacao, conservacao, restauracao e uso sustentavel da biodiversidade abrange (citados por: Joly, et al., 2011).

De acordo com o exposto, foi feita a avaliacao do impacto da mudanca climatica sobre a distribuicao de duas especies na bacia do rio Negro, especificamente nas areas de reserva do municipio de Novo Airao, a partir de cenarios climaticos gerados por camadas de informacao climatica (Worldclim) e um cenario de mudanca climatica desenvolvidos pelo Painel Intergovernamental sobre Mudancas Climaticas (IPCC), chamadas Sendas Representante da Concentracao RCP 8,5. O mapeamento foi realizado para especies de importancia economica e ambiental de ecossistemas de floresta tropical muito umida e umida no Amazonas: Gymnotus Carapo (Sarapo) e Cichla sp. Monoculus, Ocellaris e Temensis (Tucunare); comparando a sua distribuicao potencial atual com o esperado, de acordo com as variacoes climaticas nos cenarios 2050 e 2070; este objetivo e alcancado atraves da aplicacao do MAXENT, programa que modela a distribuicao geografica das especies, utilizando apenas dados locais de presenca e variaveis bioclimaticas associadas a cada um desses pontos de presenca, para as distribuicoes modelo baseiam-se no principio da maxima entropia e nicho ecologico (Steven et al., 2011, 2006). A Figura 1 representa a metodologia descrita.

Importancia da Mudanca Climatica e a biodiversidade na Gestao Territorial

No sentido mais amplo, gestao implica da articulacao, a administracao, da planificacao e a acao para efetuar a bem certo processo. Previamente tem chamando-se gestao climatica ao conjunto de acoes e acordos em funcao de conhecer, planificar e executar as medidas de mitigacao e adaptacao a mudanca e a variabilidade climatica. Mas, dado que o clima faz uma parte de um espaco que e habitado e significado pelo ser humano, e importante vincular tambem a este documento o conceito da gestao territorial, o qual pode ser interprete de varias maneiras. No entanto, em geral, a Uniao Internacional para a Conservacao da Natureza (1) (UICN, 2011) afirma que, quando uma gestao ordenada e realizada, de planeamento, sustentavel e eficiente do espaco habitado por seres humanos, e gerir o territorio.

Em seguida, os elementos da coordenacao das politicas publicas e seus instrumentos para garantir o bem-estar humano e conservacao da biodiversidade, com tudo o que isso implica, e fundamental. Neste sentido, as alteracoes climaticas e um aspecto a ser integrados em tal gestao, porque saber a variacao gradual na precipitacao e temperatura, juntamente com as ameacas que este cria e, por sua vez, a vulnerabilidade resultante, deve ser o ponto de partida para orientar o desenvolvimento economico, ambiental, social e cultural.

Esta reflexao nao esta fora da abordagem territorial para a mudanca climatica proposto pelo Programa de Desenvolvimento das Nacoes Unidas (PNUD), o Programa das Nacoes Unidas para o Ambiente (PNUMA), Organizacao das Nacoes Unidas (ONU) Instituto das Nacoes Unidas para Treinamento e Pesquisa (UNITAR acronimo). O principal objetivo e aumentar a mitigacao e adaptacao as mudancas climaticas nos territorios regionais "em paises e economias de transicao" (PNUD, 011, citado por IDEAM et al., 2014), concentrando-se diretamente sobre instrumentos de planejamento do desenvolvimento e ordenamento territorial, que tem a capacidade de priorizar as acoes e definir o uso da terra. Assim, informacoes sobre o clima iria ajudar a reduzir a vulnerabilidade aos efeitos adversos da mudanca climatica, reduzir as desigualdades sociais e preservar a vida.

Em um pais como o Brasil de proporcoes continentais: seus 8,5 milhoes km2 ocupam quase a metade da America do Sul e abarcam varias zonas climaticas--como o tropico umido no Norte, o semiarido no Nordeste e areas temperadas no Sul. Evidentemente, estas diferencas climaticas levam a grandes variacoes ecologicas, formando zonas biogeograficas distintas ou biomas: a Floresta Amazonica, maior floresta tropical umida do mundo; o Pantanal, maior planicie inundavel; o Cerrado de savanas e bosques; a Caatinga de florestas semiaridas; os campos dos Pampas; e a floresta tropical pluvial da Mata Atlantica. Alem disso, o Brasil possui uma costa marinha de 3,5 milhoes km2, que inclui ecossistemas como recifes de corais, dunas, manguezais, lagoas, estuarios e pantanos. A variedade de biomas reflete a enorme riqueza da flora e da fauna brasileira: o Brasil abriga a maior biodiversidade do planeta. Esta abundante variedade de vida-que se traduz em mais de 20% do numero total de especies da Terra-eleva o Brasil ao posto de principal nacao entre os 17 paises megadiversos (Ministerio do Meio Ambiente do Brasil, s.f.).

Entretanto, devido a interferencia humana, especialmente a destruicao de habitats (Bruner et al., 2001), as taxas atuais de extincao de especies estao pelo menos tres ordens de grandeza maiores do que as taxas naturais ao longo do registro fossil (Pimm et al., 1995). Desta forma, e consenso que ha que se estabelecer prioridades para direcionar os limitados recursos humanos, financeiros e de informacao disponiveis para a conservacao da biodiversidade (Margules & Pressey, 2000; Langhammer et al., 2007).

Por esta razao, a indicacao de areas importantes para a conservacao da biodiversidade pode advir tanto do simples mapeamento dos pontos de ocorrencia dos alvos selecionados (Wege & Long, 1995; Brooks et al., 2001) quanto da utilizacao dos principios do planejamento sistematico para conservacao. As estrategias comumente adotadas para a selecao de prioridades utilizam especies como objetos basicos de conservacao (Eken et al., 2004), aplicando tecnicas de planejamento sistematico da conservacao, e recorrendo tambem a mapeamentos de ecossistemas (Noss et al., 1996) ou processos ecologicos (Rouget et al., 2003), como forma de melhor representar diferentes escalas e niveis de organizacao da biodiversidade (Nogueira et al., 2009). Os resultados principais esperados de tais iniciativas sao a definicao de sitios para a criacao de areas protegidas ou apoio economico, humano y cientifico das areas ja estabelecidas. Sem o vinculo constante entre conservacao e ciencia basica de documentacao de diversidade nao ha como definir areas criticas com significado biogeografico, que favorecam a manutencao de padroes e processos evolutivos, e em consequencia a gestao sustentavel dos territorios.

Condicoes do clima atual e futuro

As variaveis temperatura e precipitacao sao utilizadas geralmente para determinar as condicoes climaticas gerais de um territorio, com mudancas continuas no transcurso do tempo (IPCC, 2014), e necessario conhecer o comportamento destas para promover os ajustamentos ou as medidas de mitigacao e adaptacao no municipio de Novo Airao, a fim de prever catastrofes climaticas, diminuir as afetacoes ao desenvolvimento social e economico, bem como os processos biologicos e ecologicos dos sectores naturais. Para identificar quais serao as mudancas projetadas, utilizou-se a informacao de WorldClim (2), a qual apresenta uma resolucao detalhada (1 Km2). A cena escolhida para a analise corresponde ao de percepcao catastrofica (RPC 8.5). O modelo escolhido foi o HadGEM2 (Hadley Global Circulation Model), e a fase dois a partir de HadGEM1, o qual tem ajustes no modelo fisico e da adicao das componentes do sistema Terra (Figura 2). A versao -ES tem uma distribuicao dinamica da vegetacao, e o unico modelo que tem uma representacao aproximada da realidade em relacao com a climatologia dos tropicos e inter-tropicos (Collins et al., 2008).

Precipitacao atual e mudancas futuras

A precipitacao media anual acumulada na area de estudo foi calculada para o periodo de 1950-2000. Ao ocidente do municipio presentam se precipitacoes maximas de 2.785 e, ao nordeste valores minimos de 2.078 mm, a media da precipitacao total anual foi de 2.489 mm (Figura 3). As mudancas futuras mostram uma diminuicao na media de precipitacao anual, para 2050 espera-se reducoes entre 1% e 10% no Nordeste e aumentos entre 5% e 10% na regiao ocidental. Em 2070 e esperada uma reducao de 10% a 15% das precipitacoes no Norte e Sul de Novo Airao, com probabilidades de 5% a 10% de crescimento das chuvas no ocidente (Parque Nacional do Jau). A diminuicao de chuva afeta o Parque Nacional Anavilhanas, a area urbana do municipio e a Reserva Extrativista do Rio Unini.

Temperatura atual y mudancas futuras

Segundo os resultados do cenario de referencia o leste do municipio apresentou as temperaturas mais elevadas no periodo 1950-2000, que podem atingir 27,4 [grados]C, e comeca a tem uma diminuicao em direcao ao centro e oeste, as quais podem chegar a 24,6 [grados]C no Parque do Jau e a Reserva Extrativista do rio Unini (Figura 4). As alteracoes na temperatura media para o periodo 2050 (2041-2060), varia entre 3,1 e 3,5 [grados]C; a imagem nao e mais encorajadores no periodo de 2070 (2061-2080), a temperatura pode subir ate 5,3 [grados]C, relativamente ao valor de referencia (media anual de 26,9 [grados]C).

Possiveis impactos das variacoes climaticas na distribuicao geografica de especies

WWF (2016), indica que diversos fatores relacionados com variaveis climaticas sao essenciais para o desenvolvimento da vida e funcionamento das dinamicas dos ecossistemas; Algumas delas sao: umidade, niveis de carbono na biomassa vegetal, liteira e outros componentes do solo, temperatura do solo, liteira e agua em sistemas loticos e lenticos, precipitacao e os tempos em que e apresentada, e a dinamica de neblina e radiacao solar, etc. Devido a influencia da alteracao do clima e da variabilidade, os fatores acima mencionados podem ser alterados, afetando especies e processos dentro dos ecossistemas; alguns deles sao mencionados abaixo: mudancas na distribuicao e no comportamento das populacoes, mudancas nos processos fenologicos das especies de plantas, estresse fisiologico pelas mudancas na temperatura, e propagacao de especies invasoras e a dominancia de especies generalistas com especialistas. Em geral, as mudancas nas condicoes climaticas podem tambem causar alteracoes na classificacao climatica dos ecossistemas, mesmo causando novos arranjos ecossistemicos, entre outros efeitos possiveis.

Tendo em conta o que precede, os ecossistemas e as especies da Amazonia sao expostos a numerosas ameacas em relacao com variacoes climaticas; entre estas, mudancas sazonais e a longo prazo da precipitacao, o aumento dos periodos da seca, ondas de calor, mudancas na velocidade e distribuicao dos ventos, mudancas radicais na temperatura, aumento da radiacao solar e a incidencia de raios UV, aumento da temperatura media, mudanca na frequencia e intensidade de fenomenos de variabilidade climatica, inundacoes, mudanca na temperatura de sistemas loticos e lenticos, mudancas de temperatura nas folhas mortas e sub-bosque, aumento da susceptibilidade a incendios florestais, mudancas no escoamento, no regulamento hidrico e niveis freaticos, mudancas na aridez e erosao do solo, diminuicao e escassez de fluxos hidricos, entre outros nao conhecidos.

Distribuicao potencial de duas especies em cenario RCP 8.5 de mudanca climatica

Foram previstas areas dentro da regiao as quais satisfazem os requisitos de nicho ecologico (5) das especies, para identificar a distribuicao potencial das especies (Anderson & Martinez-Meyer, 2004). Os modelos de distribuicao potencial (6) indicam quando as condicoes sao adequadas para a sobrevivencia da especie e e, portanto, de grande importancia para a conservacao (Phillips, et al., 2006). As especies sao as unidades centrais da evolucao e representam entidades evolutivas unicas, derivadas de processos biogeograficos singulares e relacoes entre populacoes e recursos ecologicos em escalas temporais amplas (Mace, 2004; Wiens, 2004). Portanto, dados de especie, tomadas como entidades evolutivas unicas definidas espacialmente (Hey et al., 2003), sao fundamentais as estrategias de selecao de areas criticas (Brooks et al., 2004).

Para esta analise foram relacionados dados de presenca da especie prioritaria com variaveis climaticas atuais e futuras, o que permitiu conhecer as mudancas em padroes de distribuicao espacial. Foram 19 variaveis bioclimaticas (7) correlacionadas, alguns deles sao: temperatura media anual, temperatura interanual, precipitacao anual e interanual, entre outros. A ferramenta tecnologica utilizada para gerar modelos cartograficos foi Maxent (8) "funciona com base no metodo de entropia maxima para gerar distribuicoes de probabilidade sistematica e objetiva. Estima a probabilidade de ocorrencia de uma especie a mais uniformemente possivel" (Phillips et al., 2006). O ambito geografico da analise foi estendido para a Bacia do Amazonas, dada a ampla gama de distribuicao espacial das especies. Os dados de presenca correspondem a georeferenciacao oferecida por a base de dados GBIF (Global Biodiversity Information Facility (9)).

Cichla spp. Ou Tucunare (Teleostei, Actinopterygii, Cichlidae): originario da bacia amazonica, o tucunare e uma especie de habito alimentar carnivoro piscivoro e tem demonstrado consideravel eficiencia no controle de peixes invasores em represas (Sampaio et al., 2000) alem, de ser usado para peixamento em barragens e acudes pelo conteudo nutricional significativo (Tabela 1), e apresentar qualidades apreciadas pela pesca esportiva (Silva et al., 1980). Os ciclideos constituem uma familia rica em especies, que se distribuem por ambientes de aguas doces principalmente nas Americas Central e do Sul (Nelson, 1994). O numero total de especies de ciclideos pode ultrapassar 2000, onde a Amazonia concentra a maior riqueza (Kullander 1998).

Neste caso foram utilizados 242 registros de ocorrencia de Cichla Spp. dentro da Bacia do rio Amazonas. Os resultados dos modelos sao apresentados na Figura 5. Mostram-se padroes de concentracao da especie no norte da bacia do rio Negro e em torno do eixo hidrico que atravessa o P.N. de Anavilhanas ate o ponto de fechamento da bacia, as projecoes indicam que mais de 60% da bacia presenta valores menores do 15% de probabilidade de ocorrencia da especie. Em Novo Airao a probabilidade de ocorrencia no cenario atual presenta valores superiores a 80%, porem, concentrada no P.N. de Anavilhanas; para os cenarios 2050 e 2070 se esperam decrescimos de 20% e 10%, respectivamente. Os resultados de MaxEnt indica que o modelo tem boa capacidade para predizer a probabilidade de ocorrencia da especie, (os valores de validacao cruzada ou AUC sao superiores a 0,9510).

As variaveis ambientais que mais contribuem para explicar a distribuicao geografica das especies sao: media de intervalo de temperatura mensal, a temperatura media anual e a temperatura media do trimestre mais umido; alem, da temperatura minima do mes mais frio. Em contraste, a variavel com a menor contribuicao para o modelo foi a precipitacao do mes mais umido. Segundo Nascimento et al. (2001) as aguas turbidas funcionaram como uma barreira de dispersao do tucunare, dificultando ou impedindo a captura de presas por este peixe, que e um predador visualmente orientado. Assim, essas caracteristicas devem ser fatores preferenciais influenciadores da sua concentracao ou dispersao na bacia do rio Negro; os eventos extremos (secas e cheias) junto com as mudancas climaticas podem explicar os resultados da distribuicao geografica futura da especie, por tanto, e importante fazer progressos em estudos relacionados ao impacto do clima na turbidez da agua e no comportamento espacial das especies do genero Cichla sp.

Gymnotus Carapo Ou Tuvira/Sarapo: e um peixe nativo do Sul America, tem a capacidade de gerar descargas eletricas, o que compoe um eficiente sistema de eletro localizacao de objetos, presas e de outros individuos (da mesma ou de outras especies). Esse sistema de eletrogenese e eletro recepcao permite ao peixe se movimentar e se comunicar em condicoes de escuridao completa, o que os habilita a ocupar locais profundos e permanentemente escuros da calha dos grandes rios, onde sao dominantes. Alem, apresentam a capacidade de obter oxigenio do ar, que e tomado em "bocadas" na superficie da agua. Sao peixes carnivoros-piscivoros que cacam suas presas principalmente a noite (Zuanon et al., 2015). O oxigenio de agua doce dos ambientes tropicais flutua drasticamente; lagos e lagoas eutroficos de ambientes temperados frequentemente atingem baixas concentracoes de oxigenio. Este e o habitat mais comum da Gymnotus Carapo (Moraes, et al., 2002).

Varios estudos relacionam a G. Carapo com um grande numero de caracteristicas ambientais, considerando-a como tolerante (Alexandre et al., 2010; Casatti et al., 2004, 2009), associadas com grandes variacoes nas condiciones ambientais tais como baixo pH, baixa vegetacao ciliar, menores larguras de rios, com grande quantidade de vegetacao aquatica e menores taxas de oxigenio (De Resende, 2006; Abes & Agostinho, 2001). No trabalho de Castro (2012), essa especie se associou a locais com indice de impacto humano e proporcao de substrato fino altos, baixa vegetacao lenhosa e tambem com baixa condutividade. Alem, foram encontrados perto de bancos marginais de vegetacao, riachos rasos assoreados (Ferreira & Casatti, 2006), e caracteristicas de micro-habitat com fontes de poluicao pontuais, barragens e presenca de gramineas (Valim et al., 2010).

Para a modelagem em MaxEnt foram utilizados 97 registros de ocorrencia de Gymnotus Carapo dentro da Bacia do rio Amazonas. Os resultados espaciais se presentam na Figura 6, para o periodo atual se observa uma grande dispersao da especie de sul para o norte, atingindo valores de ocorrencia num intervalo de 45% a 70%; alem de um nucleo de concentracao a oeste com valores de 30% a 60% de ocorrencia; porem, para o cenario 2050, preve-se uma diminuicao da distribuicao geografica da especie, com valores menores a 25% na maior parte da bacia, e so uma probabilidade de ocorrencia da especie maior a 54% no Parque Nacional de Anavilhanas (16% menos do que os valores do periodo de referencia), o que tornaria a unidade de conservacao em uma area de especial interesse para a protecao desta especie, uma vez que parte de seu ciclo de vida depende da existencia de aguas loticas, possivelmente relacionada a reproducao.

Alem disso, estudos realizados indicam que a bacia do Rio Negro e uma area de criadouro de tuviras, pois predominam formas de sexo indeterminado e imaturo. Tal fato deveria ser esperado, pois na epoca das cheias, quando ocorre o extravasamento do rio Negro, formam-se extensas areas rasas e inundadas que alimentam habitats propicios as tuviras (Kawami et al. 2006). Para o cenario 2070, a imagem nao e muito diferente, as probabilidades de ocorrencia da especie continuam enfraquecendo, com valores menores a 15% na maior parte da bacia, nao obstante, podem acontecer acrescimos de ocorrencia ate 7% na regiao de Novo Airao em relacao a 2050, confirmando a importancia geoestrategica da localizacao das unidades de conservacao nesta area e investir nelas.

O MaxEnt indica a capacidade boa de modelo para prever a probabilidade de ocorrencia da especie (valores de AUC superiores a 0,83). As variaveis da temperatura tem os maiores valores de contribuicao para explicar a dinamica espacial da especie, principalmente a temperatura media anual, a temperatura media do trimestre mais seco e mais quente, alem da precipitacao do trimestre mais quente, esta relacao pode explicar a dependencia da especie a dinamica das chuvas, sendo que, o Sarapo realiza migracoes laterais, entre a planicie de inundacao e o canal do rio para completar o seu ciclo de vida. A planicie de inundacao e o habitat onde alimento e abrigo sao encontrados em abundancia. Mas este mesmo ambiente vai se retraindo com o avanco da seca e, ao final, restam corpos d'agua de pequena dimensao, onde os peixes ficam aglomerados e em muitos casos, provocam a mortandade dos animais aquaticos ali existentes. Na proxima fase da enchente, os que sobreviveram a seca retornam ao leito dos rios, onde realizam a reproducao, como foi observado para muitas especies por De Resende (2006).

Conclusao

De acordo com a modelagem realizada com MaxEnt e a informacao climatica de HadGEM2-ES, RCP 8.5 e de ocorrencia das especies em GBIF, possivelmente o tucunare e sarapo poderiam diminuir suas areas de distribuicao geografica, que pode ser um reflexo de um dos efeitos que as alteracoes climaticas teriam sobre estas especies. Dado que tais mudancas sao esperadas e muitos outros ainda nao simuladas ou estudadas para especies do municipio de Novo Airao, a principal recomendacao visa aumentar a resiliencia dos ecossistemas existentes, bem como aumentar e reforcar as estrategias para promover a conectividade na paisagem municipal e seus arredores, o que poderia facilitar processos de adaptacao de especies e conexao dos ecossistemas as novas condicoes climaticas esperadas.

As reducoes de chuva incluem o Parque Nacional Anavilhanas, a area urbana do municipio e uma parte do Parque Nacional do Jau e a Reserva Extrativista do Rio Unini. Desta maneira, requer-se uma atencao cuidadosa no modelo de ocupacao territorial, fazendo um acompanhamento periodico deste, que permite conhecer as relacoes sociais como ambiente urbano construido, demonstrando as mudancas na paisagem e as variaveis criticas que podem desencadear catastrofes; com o povoamento cuidadoso do sector urbano pode-se controlar o crescimento urbano para nao ultrapassar os limites e a capacidade do territorio como plataforma certa para habitabilidade, que diminui a tensao ambiental entre as caracteristicas biofisicas da zona, com o desenvolvimento da atividade humana, e uma reducao da degradacao dos recursos naturais.

Os resultados mostram que as especies Tucunare e Sarapo compartilham condicoes ecossistemicas semelhantes, principalmente no sul da bacia sobre o ecossistema de Florestas Umidas Japura-Solimoes-Negro e no nordeste sobre a Savana da Guiana e as Florestas Umidas Uatuma-Trombetas, carateristicas de Pastagens tropicais e subtropicais e Florestas lenhosas tropicais e subtropicais umidas respetivamente. O que ratifica a importancia de manter e gerenciar areas protegidas sobre o Territorio da bacia com suas diferentes medidas de conservacao; nesse sentido, o Parque Nacional Anavilhanas se torna um dos principais elementos do ordenamento territorial da Bacia do Rio Negro, na medida em que e a regiao onde os modelos indicaram as maiores concentracoes das duas especies. Os proximos instrumentos de planejamento ambiental terao o desafio de preservar o arquipelago fluvial de Anavilhanas bem como suas diversas formacoes florestais, alem de estimular a producao de conhecimento por meio da pesquisa cientifica e valorizar a conservacao do bioma Amazonia com base em acoes de educacao ambiental e turismo sustentavel. O foco deve harmonizar as relacoes entre as comunidades do entorno e a Unidade com acoes de bases sustentaveis.

Recibido: mayo 2018

Aceptado: junio 2018

Agradecimentos

Homenagem postuma a meu amigo Javier Oswaldo Triana Duarte (1986-2016), agronomo da Universidade Nacional da Colombia e excelente colega de trabalho no Centro Internacional de Agricultura Tropical-CIAT. Voce deixou um sentimento estranho de nao saber como dizer adeus.

Ao programa de pos-graduacao em Clima e Ambiente do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazonia-INPA e Universidade do Estado do Amazonas-UEA (Brasil). Ao Departamento de Geografia da Faculdade de Humanidades da Universidade do Valle (Cali-Colombia).

Referencias

Abes, S. & Agostinho, A. (2001). Spatial patterns in fish distributions and structure of the icthyocenosis in the Agua Nanci stream, upper Parana River basin, Brazil. Em: Hydmbiologia, The Hague, v. 445, (n. 1/3), 217-227

Alexandre, C., Esteves, K. & Mello, M. (2010). Analysis of fish communities along a rural-urban gradient in a neotropical stream, Piracicaba River Basin, Sao Paulo, Brazil. Hydmbiologia, The Hague, v. 641, (n. 1), 97-114

Anderson, R. P., & Martinez-Meyer, E. (2004). Modeling species' geographic distributions for preliminary conservation assessments: an implementation with the spiny pocket mice (Heteromys) of Ecuador. Biological Conservation, 116, 167-179 pp.

Brooks, T., G.A.B. Fonseca & A.S.L. Rodrigues. (2004). Species, data, and conservation planning. Conservation Biology 18: 1682-1688.

Brooks, T., A. Balmford, N. Burgess, L.A. Hansen, J. Moore, C. Rahbek, P. Williams, L. A. Bennun, A. Byaruhanga, P. Kasoma, P. Njoroge, D. Pomeroy & M. Wondafrash. (2001). Conservation priorities for birds and biodiversity: do East African Important Bird Areas represent species diversity in other terrestrial vertebrate groups? Ostrich 15: 3-12.

Bruner, A.G., R.E. Gullison, R.E. Rice & G.A.B. Fonseca. (2001). Effectiveness of parks in protecting tropical biodiversity. Science 291: 125-128.

Burton, I., Kates, R., & White, G. (1978). The environment as hazard. Nueva York: Oxford University Press, 240p.

Capel, J. (1999). El Nino y el sistema climatico terrestre. Espana: Ariel, S.A., 154p.

Casatti, L. et al. (2004). Ichthyofauna of two streams (silted and reference) in the upper Parana river basin, Southeastem Brazil. Em: Brazilian Journal of Biology, Sao Carlos, c. 64, (n. 4). 757765.

Casatti, L., Ferreira, C. & Langeani, F. (2009). A fish-based biotic integrity index for assessment of lowland streams in southeastern Brazil. Em: Hydrobiologia, The Hague, v. 623, (n. 1). 173-189.

Castro, M. (2012). Fatores estruturantes e possiveis especies indicadoras da assembleia de peixes de riachos afluentes do reservatorio de Tres Marias, MG / Miriam Aparecida de Castro.- Lavras: UFLA, 111p: il.

CEPAL-Comision Economica para America Latina y el Caribe. (2005). Pobreza, desertificacion y degradacion de los recursos naturales. Chile: CEPAL/Morales & Parada, 273p.

Collins et al. (2008). Evaluation of the HadGEM2 model. Hadley Centre technical note 74. Met Office Hadley Centre, Exter, UK. 47p.

Conservacao internacional Brasil. (2009). Os desafios cientificos para a conservacao da biodiversidade no Brasil. Em: Megadiversidade v5 (1-2). 3-4

De Resende, E. (2006). Biologia da tuvira, Gymnotus cf. carapo (Pesces, Gymnotidae) no Baixo Rio Negro, Pantanal, Mato Grosso do Sul, Brasil. Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento Embrapa Pantanal 67 p.

Eken, G., L. Bennun, T.M. Brooks, W. Darwall, L.D.C. Fishpool, M. Foster, D. Knox, P. Langhammer, P. Matiku, E. Radford, P. Salaman, W. Sechrest, M.L. Smith, S. Spector & A. Tordoff. (2004). Key biodiverity areas as site conservation targets. Bioscience 54: 1110-1118.

Felizola, J., Terribile, L., De Oliveira, G. & Rangel, T (2009). Padroes de processos ecologicos e evolutivos em escala regional. Em: Megadiversidade 5 (1-2). 5-16.

Ferreira, C. & Casatti, L. (2006). Influencia da estrutura do habitat sobre a ictiofauna de um riacho em uma micro-bacia de pastagem, Sao Paulo, Brasil. Revista Brasileira de Zoologia 23: 642-651.

Hey, J., R.S. Waples, M.L. Arnold, R.K. Butlin & R.G. Harrison. (2003). Understanding and confronting species uncertainty in biology and conservation. Trends in Ecology and Evolution 18: 597-603.

IDEAM (Instituto de Hidrologia, Meteorologia y Estudios Ambientales); PNUD (Programa de las Naciones Unidas para el Desarrollo); Alcaldia de Bogota, Gobernacion de Cundinamarca, CAR, Corpoguavio, Instituto Alexander von Humboldt, Parques Nacionales Naturales de Colombia, MADS (Ministerio de Ambiente y Desarrollo Sostenible), DNP (Departamento Nacional de Planeacion). (2014). Enfoque territorial para el cambio climatico. Plan Regional Integral de Cambio Climatico para Bogota Cundinamarca (PRICC). Bogota, Colombia.

Intergovernmental Panel on Climate Change-IPCC. (2015). Climate Change 2014: Synthesis Report. Contribution of Working Groups I, II and III to the Fifth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change [Core Writing Team, R.K. Pachauri and L.A. Meyer (eds.)]. Geneva: IPCC.

--. (2014). Climate Change 2014: Impacts, Adaptation, and Vulnerability. Part A: Global and Sectoral Aspects. Contribution of Working Group II to the Fifth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change [Field, C.B., V.R. Barros, DJ. Dokken, KJ. Mach, M.D. Mastrandrea, et al. (eds.)]. Cambridge, UK and New York: Cambridge University Press.

--. (2013). CLIMATE CHANGE 2013. The Physical Science Basis. Working group I contribution to the fifth assessment report of the intergovernmental panel on climate change. Bern, Switzerland.

Intergovernmental Panel on Climate Change-IPCC. (2012). Informe especial sobre la gestion de los riesgos de fenomenos meteorologicos extremos y desastres para mejorar la adaptacion al cambio climatico. Resumen para responsables de politicas. Informe de los Grupos de trabajo I y II del IPCC.

--. (2001). Climate Change 2001: Impacts, Adaptation and Vulnerability. Contribution of Working Group II to the Third Assessment Report of the Intergovernmental Panel on climate change. Cambridge. US. Cambridge University Press. 1005 p.

Joly, C. (2007). Biodiversidade e mudancas climaticas: contexto evolutivo, historico e politico. Em: Ambiente & Sociedade, v. X, (n. 1). 169-172.

Joly, C., Haddad, C., Verdade, L., De Oliveira, M., Da Silva, V. & Berlinck, R. (2011). Diagnostico da pesquisa em biodiversidade no Brasil. Em: REVISTA USP, Sao Paulo, (n.89). 114-133.

Kawami, E., Aparecida, R., Ferreira, V. & Marques, E. (2006). Biologia da tuvira, Gymnotus cf. carapo (Pisces, Gymnotidae) no Baixo Rio Negro, Pantanal, Mato Grosso do Sul, Brasil. Em: Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento 67. 44.

Kullander, S.O. (1998). A phylogeny and classification of the South American Cichlidae (Teleostei: Perciformes). In: L.R. Malabarba, R.E. Reis, R.P. Vari, Z.M.S. Lucena & C.A.S. Lucena (Eds.). Phylogeny and classification of Neotropical fishes. Porto Alegre: EDIPUCRS. 461-498.

Langhammer, P.F., M.I. Bakarr, L.A. Bennun, T.M. Brooks, R.P. Clay, W. Darwall, N. De Silva, GJ. Edgar, G. Eken, L.D.C. Fishpool, G.A.B. Fonseca, M.N. Foster, D.H. Knox, P. Matiku, E.A. Radford, A.S.L. Rodrigues, P. Salaman, W. Sechrest & A.W. Tordoff. (2007). Identification and Gap Analysis of Key Biodiversity Areas: Targets for Comprehensive Protected Area Systems, Gland.

Mace, G. M. (2004). The role of taxonomy in species conservation. Philosophical Transactions of the Royal Society of London Series E-Eiological Sciences. 359: 711-719.

Margules, C.R. & R.L. Pressey. (2000). Systematic conservation planning. Nature 405: 243-253.

Ministerio do Meio Ambiente do Brasil. (s.f.). Biodiversidade Brasileira. Encontradas em: 10 de junho de 2016 http://www.mma.gov.br/biodiversidade/biodiversidade- brasileira#footer

Moraes, G., Avilez, I., Altran, A. & Barbosam C. (2002). Biochemical and hematological responses of the banded knife fish Gymnotus Carapo (linnaeus, 1758) exposed to Environmental hypoxia. Em: Eraz. J. Eiol., 62(4A). 633-640.

Nascimento, F. L.; Catella, A. C. & Moraes, A. E. (2001). Distribuicao espacial do tucunare, Cichla sp. (Pisces, Cichlidae), peixe amazonico introduzido no Pantanal, Erasil. Corumba: Embrapa Pantanal. 17p. (Embrapa Pantanal, Boletim de Pesquisa, 24).

Nelson, J. S. (1994). Fishes ofthe world. New York: John Wiley & Sons, Inc. 600 p.

Nogueira, C., Valdujo, P., Paese, A., Barroso, M. & Bomfim, R. (2009). Desafios para a identificacao de areas para conservacao da biodiversidade. Em: Megadiversidade 5 (1-2). 41-53.

Noss, R.F., H.B. Quigley, M.G. Hornocker, T. Merrill & P.C. Paquet. (1996). Conservation biology and carnivore conservation in the Rocky Mountains. Conservation Biology 10: 949-963.

Phillips, J., Anderson, R. & Schapire, R. (2006). Maximum entropy modeling of species geographic distributions. Em: Ecological Modelling, Vol. 190, Issues 3-4. 231- 259 pp.

Pimm, S.L., GJ. Russell, J.L. Gittleman & T.M. Brooks. (1995). The future of biodiversity. Science 269: 347-350.

Rouget, M., Richardson, D.M. Cowling, R.M., Lloyd, J.W. & Lombard, A.T. (2003). Current patterns of habitat transformation and future threats to biodiversity in terrestrial ecosystems of the Cape Floristic Region, South Africa. Biological Conservation 112: 63-85.

Sampaio, A. M. B. De M., Kubitza, F. & Cyrino, J. E. P. (2000). Relacao energia: proteina na nutricao de tucunare. Scientia Agricola, v. 57, (n. 2), 213-219.

Santos, I. (2015). Conheca o valor nutricional de peixes populares na Amazonia. Em: Portal Amazonia. Disponivel em: http://portalamazonia.com/noticias-detalhe/saude/conheca-o-valor nutricional-de-peixes-populares-na- amazonia/?cHash=b4258bfc703a40423780ed35b78cab ed

Silva, J.W.B., Chacon,J.O. & Santos, E.P. dos. (1980). Curva de rendimento do Tucunare pinima Cichla temensis (Humboldt, 1833), do acude publico "Estevam Marinho" (Curemas, Paraiba, Brasil) (Pisces, actinopterygl Cichlidae). Revista Erasileira de Eiologia, v.40, 203-206.

Siqueira, T., Padial, A. & Bini, L. (2009). Mudancas climaticas e seus efeitos sobre a biodiversidade: um panorama sobre as atividades de pesquisa. Em: Megadiversidade 5 (1-2). 17-26

Steven J., Phillips, R. & Anderson, R. (2006). Maximum entropy modeling of species geographic distributions. In: Ecological Modelling, 190: 231-259

Steven, J., Phillips, T., Miroslav D., Yung, C. & ColinJ. (2011). A statistical explanation of MaxEnt for ecologists. In: Diversity and Distributions, 17:43-57, 2011.

Valim, C., Eichbaum, E. & Accaui, M. (2010). Analysis of fish communities along a rural-urban gradient in a neotropical stream (Piracicaba River Basin, Sao Paulo, Brazil). Em: Hydrobiologia 641. 97-114

Wege, D.C. & AJ. Long. (1995). Key Areas for Threatened Birds in the Neotropics. BirdLife International, Cambridge.

Wiens, JJ. (2004). What is speciation and how should we study it?. American Naturalist 163: 914-923.

WWF-World Wide Fund for Nature (Formerly World Wildlife Fund). (2016). Planeta Vivo, Relatorio 2016. Risco e resiliencia em uma nova era. Brasil: WWF, ZSL Lets work for wildlife & Global Footprint Network. 19p.

Zuanon,J., Mendonca, F.P., Espirito Santo, H. M. V., Dias, M. S., Vieira, A. & Akama, A. (2015). Guia de peixes da Reserva Adolpho Duche. Manaus: Editora INPA, 155 p.: il. color.

(1) http://bit.ly/1M32WGzo

(2) WorldClim e um conjunto de camadas climaticas globais (grelhas climaticas) com uma resolucao espacial aproximadamente de 1km2. Os dados podem ser utilizados para mapeamento e modelagem espacial num SIG ou com outros programas de computador. http://www.worldclim.org

(3) Fonte de dados. Condicoes Atuais: Interpolacoes de dados observados, representativas de 1950-2000. Condicoes futuras: modelo climatico downscaled global (GCM) dados de CMIP5 (IPCC Fifth Assessment). Dados em 30 segundos GCM: HadGEM2-ES rcp 8,5). Disponivel em: http://www.worldclim.org/

(4) Fonte de dados. Condicoes Atuais: Interpolacoes de dados observados, representativas de 1950-2000. Condicoes futuras: modelo climatico downscaled global (GCM) dados de CMIP5 (IPCC Fifth Assessment). Dados em 30 segundos GCM: HadGEM2-ES rcp 8,5. Disponivel em: http://www.worldclim.org/

(5) Na maior parte das aplicacoes de modelos de distribuicao potencial (MDP) se considera que o nicho ecologico e o modelo basico que sustenta a possibilidade de produzir predicoes sobre a ocorrencia de especies (Peterson, 2001; Thuiller et al, 2005; Elith et al, 2006; Stockwell, 2006). O argumento e simples e bem fundamentado: o nicho ecologico e definido como o conjunto de condicoes e recursos nos quais os individuos de uma especie sao capazes de sobreviver, crescer e reproduzir. Logo, o conhecimento dessas condicoes e recursos deve servir para predizer os locais de ocorrencia da especie (citados por: De Marco & Ferreira, 2009).

(6) Os MDP sao ferramentas importantes para determinar a distribuicao de especies ameacadas com fins conservacionistas e para avaliar abordagens teoricas sobre processos biogeograficos. Esses modelos estao baseados na distribuicao dos pontos de ocorrencia da especie no subespaco de condicoes de seu nicho ecologico e produzem funcoes para predizer em que locais no espaco geografico e provavel sua ocorrencia (De Marco & Ferreira, 2009).

(7) As variaveis bioclimaticas sao derivadas a partir dos valores mensais de temperatura e precipitacao, a fim de gerar mais variaveis biologicamente significativas. Estes sao frequentemente utilizados na modelagem de nicho ecologico (por exemplo, BIOCLIM, GARP). Elas representam tendencias anuais (por exemplo, temperatura media anual, precipitacao anual) sazonalidade (por exemplo, variacoes anuais de temperatura e precipitacao) e fatores ambientais extremos ou limitantes (por exemplo, temperatura do mes mais frio e mais quente, e precipitacao de chuva e trimestres secos). Para mais informacao: http://worldclim.org/bioclim

(8) Phillips et al (2006) lista onze vantagens dessa tecnica e as mais importantes sao: i) ela necessita apenas de dados de presenca; ii) a variavel gerada e continua dentro do intervalo 0 a 100 indicando adequabilidade relativa; iii) ela tem uma definicao matematica concisa e e facilmente interpretavel dentro dos conceitos classicos de analise de probabilidades.

(9) GBIF (Global Biodiversity Information Facility). 2015. Encontradas em: 20 junho 2016 em http://www. gbif.org/

Wilmar Loaiza Ceron

Geografo, M.Sc. en Desarrollo Sustentable. Doctorado em clima e ambiente (c), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazonia (INPA) & Universidade do Estado do Amazonas, Ciudad Manaus, Estado de Amazonas. Brasil.

Correo electronico: wilmar.ceron@correounivalle.edu.co

Leyenda: Figura 1. Diagrama metodologico

Leyenda: Figura 2. Conteudo do Modelo HadGEM2 (Collins et.al, 2008)

Leyenda: Figura 3. Precipitacao acumulada anual 1950-2000 e alteracoes futuras 2050 e 2070 (3)

Leyenda: Figura 4. Temperatura media anual 1950-2000 e alteracoes futuras 2050 e 2070 (4)

Leyenda: Figura 5. Distribuicao potencial do Cichla ou Tucunare

Leyenda: Figura 6. Distribuicao potencial do Gymnotus Carapo ou Sarapo
Tabela 1 Valores nutricionais dos peixes

Peixe                Proteina (g)    Lipideos (g)   Kcal

Tambaqui (file)          24,80           5,8        151,4
Jaraqui (file)           20,30           5,4         129
Pirarucu (file)          20,50           4,3        120,7
Tucunare (file)          20,4            2,3        102,3

Fonte: Santos, 2015.
COPYRIGHT 2018 Universidad del Valle
No portion of this article can be reproduced without the express written permission from the copyright holder.
Copyright 2018 Gale, Cengage Learning. All rights reserved.

Article Details
Printer friendly Cite/link Email Feedback
Author:Loaiza Ceron, Wilmar
Publication:Entorno Geografico
Date:Feb 1, 2018
Words:7286
Previous Article:Migracion internacional y remesas en Mexico. El caso de la Zona Metropolitana del Valle de Mexico.
Next Article:Os novos principios e conceitos inovadores da Economia Circular.
Topics:

Terms of use | Privacy policy | Copyright © 2020 Farlex, Inc. | Feedback | For webmasters