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Educacion fisica inclusiva en Brasil: entrevista con Marli Nabeiro.

Inclusive Physical Education in Brazil: Interview with Marli Nabeiro

Como foi tratada a pessoa com deficiencia a longo da historia em Brasil? O trato a pessoa com deficiencia foi modificando-se, e essa modificacao foi acontecendo numa forma de olhar a pessoa com deficiencia pela sua capacidade.

Inicialmente eles ficavam numa institui cao apenas como um lugar para eles ficar, como um deposito. Eram cuidadas, mas nao se desenvolvia nenhum trabalho para potencialidade. Era apenas um lugar para se cuidar, se cuidar da saude, dos aspectos da vida diaria, de tomar banho, mas nao se desenvolviam.

Depois, vinho um momento mais medico a onde se cuidava muito da parte a onde estava centrada a deficiencia. Um cuidado especial para a incapacidade olhando para a pessoa principalmente pela suas limitacoes e a suas necessidades, mas no olhar medico necessidades da area da saude.

Somente depois, mais recentemente, e que temos essa mudanca de olhar para olhar para as potencialidades, para as capacidades. Ai descemos que e uma mudanca do modelo medico para um modelo mais pedagogico porque e um modelo mais preocupado com a capacidade. Dai se entra a os profissionais de outras areas que nao sao da saude por tanto da area pedagogica para mostrar que tem uma potencialidade para ser desenvolvida.

Iniciamos as intervencoes, mas voltadas para a capacidade intelectual, capacidade psicologica e capacidade motora tambem. Os trabalhos vao acontecendo e ai esse instituto a onde eles estavam depositados, guardados passa a ser um local de mais atividades com propostas de desenvolver esse potencial, com propostas de modificar a condicao que eles tem e entao os resultados vao aparecendo e mostrando que eles podem aprender podem melhorar sua vida sua condicao e se tornarem uma pessoa mais habilitada, desenvolver suas condicoes. E essa habilitacao permite que ele tenha uma vida dentro da sociedade, uma vida mais feliz, mais dentro do direito mais pelo seu direito de ser humano pela vida.

Em relacao com seus direitos, tem direitos relacionados com a educafao da pessoa com deficiencia?

Embora venhamos esse desenvolvimento, tivemos uma lei que veio com uma obrigatoriedade que traze essa proposta da inclusao que vem dentro dum modelo de autoridade, de obrigatoriedade, mas que traz o direito das pessoas com deficiencia de estar na escola e em outros ambientes que antes nao era possivel a participacao. Seja por um aceso arquitetonico, seja por um acesso de dificuldades como, por exemplo, nao entender o que esta sendo dito no caso da pessoa com deficiencia auditiva ou no caso da deficiencia visual quando nao tem uma descricao do que esta sendo apresentado.

Que implica que uma crianca este incluida na escola?

A inclusao e um passo a frente da integracao. Quando na integracao eles so existia um espaco para que eles tiveram la, em a inclusao vamos alem disso, porque em a inclusao alem do espaco dele estar la nos precisamos agir para que ele participe efetivamente. Na inclusao nos temos a oportunidade de participar que vai, mas de poder estar la. Poder participar ativamente do que esta acontecendo.

Nessa vis ao de inclusao nos temos a preocupacao de olhar para todos, lembrando que sao todos diferentes, mas a diferenca nao pode impedir de participar. Entao eu tenho que ir alem da diferenca. ?Como posso fazer isso? Eu vou procurar maneiras que eu tenha 31 alunos participando da aula e nao 30 alunos e um somente integrado, mas nao incluido. Quando eu planejo, quando eu penso nas atividades tem que pensar em todos os alunos que eu tenho e em todas as dificuldades que eles tem. Embora algumas sejam dificuldades mais limitantes vou observar todos juntos.

Temos uma caracteristica nas escolas publicas brasileiras, que embora a pessoa com deficiencia se possa matricular em qualquer escola, muitas vezes nos temos um direcionamento maior porque as vezes algumas escolas tem uma sala que e chamada sala de recursos o sala de apoio onde temos um profissional como por exemplo de braile, um professional que le braile que ensina braile e que faz um apoio da transformacao dos textos para braile assim como nesta sala tem a maquina de braile tem um computador com um programa em braile.

Evidentemente os pais com filhos com deficiencia visual muitas vezes procuram essas escola publica porque ela tem mais recursos do que outra escola publica que nao tem esse recurso muitas vezes temos muitos alunos com deficiencia visual na escola por conta dessa situacao, mas ele pode se matricular em qualquer escola publica que os pais quiseram.

Em as escolas privadas e igual?

N ao a escola privada nao tem isso, na escola privada sao os pais que tem que se responsabilizar por isso, seja um acompanhante ou uma maquina para seu filho e o interprete na escola privada nao tem esse tipo de diferencias.

Se conseguiu aplicar adequadamente? Como foi a reacao dos professores?

Foi uma lei que vinho da autoridade e muito rapida, como que "Amanha tem que estar tudo mundo incluido". O que aconteceu e que os professores nao se sentiram preparados ficaram com uma restricao, nao querendo aceitar a proposta. Porem, nao foram todos e tambem foi um processo.

Num primeiro momento foi este medo esta inseguran ca e depois uma mudanca do olhar e que era possivel de ter esta pessoa na escola com algumas mudancas, principalmente mudancas do olhar. Esse olhar que ainda estava muito carregado dum olhar de incapacidade.

A pesar da historia ja ter mudado, ainda se olha para a deficiencia mais do que para a pessoa que tem a deficiencia. E assim os professores foram ficando mais preparados ou porque se sentiram mais seguros e foram trabalhando. Hoje nos temos muitos professores com muitas experiencias interessantes que tem trabalhado de forma tranquila pelo menos de forma "que sai bem feito", de forma correta.

E importante esse primeiro impacto, embora nao existe a ingenuidade, mas continua se pedindo pelas melhores condicoes mais ja se trabalham pro melhor para as criancas que estao incluidas.

Os professores de educacao fisica por muito tempo nos sentem como muitas dificuldades para trabalhar e por fim, em 1994 fundamos uma associacao chamada Sociedade Brasileira de Atividade Motora Adaptada (SoBAMA) a onde nos encontramos para trocar informacoes, experiencias. Esta associacao tambem faz um congresso e tem duas revistas, uma para relatos de experiencias e outra para relatos de pesquisas. Esta sociedade e para que possamos estruturar os conhecimentos e criar um corpo de conhecimento para que qualquer um possa usar e para que todos possamos avancar e discutir

E tambem temos participacao com a Federacao Internacional de Atividade Fisica Adaptada a onde tem representantes de distintos paises a onde tem o mesmo objetivo de encontrar e refletir e conversar sobre assuntos e principalmente conhecer o trabalho do outro. Esta federacao tambem tem uma revista, e faz um congresso e um simposio, e tambem tem um web site. Sao organizacos para trocar-nos, para discutir-nos.

Como se trabalha atualmente na educafao fisica pensando numa educacao fisica inclusiva?

Temos este novo desafio e nao temos muitos conhecimentos para nos ajudar, mas estamos construindo. Buscando os conhecimentos ja existentes e tentando fazer uma aula que seja dinamica e participante. Para isso podemos usar algumas estrategias. Como a estrategia de um colega da turma que vai ser preparado para auxiliar, para ajudar. Vai alem de esta ajuda natural porque ele tera informacoes para ser uma ajuda que seja mais adequada e que seja em conformidade com o que o aluno com deficiencia gosta.

Para isso, primeiro, conversamos com o aluno com defici encia para saber se ele quer se ajudado, como ele quer ser ajudado, que preferencias ele tem e se ele gostaria de contar para os colegas como e sua limitacao. No segundo momento, vamos a perguntar se tem voluntarios, porque e um trabalho que tem que ser voluntario, que queira ajudar a este colega. Tem esses colegas, ai vamos a ter uma conversa com o aluno com deficiencia e os outros, bem clara para contar como e a deficiencia, o que e a deficiencia. Claro que nao nos terminos medicos o com preocupacoes de detalles, mas duma forma que seja entendido pela idade que os colegas tem, pela idade que a turma tem, em terminos que seja adequada a idade de entendimento intelectual.

E desse treinamento fazemos vivencia, para mostrar, por exemplo, que se eu vou a ajudar a um colega cego, se num primeiro momento me da a intencao de assegura-lo para ajuda-lo nao e uma boa estrategia porque eu vou fazer que ele fique dependente de mim. Ensinamos para os colegas tutores no caso que a melhor maneira de ajudar e falar, e verbalizar explicando descritivamente para que ele faca independente. E so depois, se preciso for, ele pode usar do seu toque ou eu posso usar do meu toque, mas a ideia e manter a independencia.

Esse e um exemplo de mudanca de estrategia que eu ensino ao colega tutor para ele usar isso. Assim vamos mostrar como empuxar a cadeira de rodas, pedir a permissao para empuxar a cadeira de rodas, porque pode ser que o colega nao queira ser empuxado. Entao perguntar pro colega quer ajuda? quer que eu te empuxe? E depois tambem fazer essas vivencia.

A crianca sem deficiencia passar por uma experiencia que logicamente e irreal, e uma simulacao, mas que mostra um pouco o que e a limitacao do colega. Mas principalmente deixa claro o potencial. Porque quando ele, por exemplo, por uma venda e percebe que nao da pra correr ele valoriza o colega que corre sem enxergar, ou quando se senta na cadeira de rodas do amigo e intentar se deslocar e ele percebe que e muito dificil mudar de direcao o ir mui rapido ele valoriza o amigo que anda na cadeira muito rapido.

Entao essa vivencia e muito importante porque e experimentar de forma simulada, nao natural, irreal, mas e um exercicio, uma vivencia que da a ele alguma nocao alguma ideia de como e habilidoso e como tem capacidade seu colega e isso e importante para valorizar a crianca com deficiencia.

E podemos usar outras estrategias que estao na educacao fisica por isso descemos que nao e uma outra educacao fisica, e a mesma educacao fisica, mas que a gente para pra pensar o que e e o que pode ser usado como os estilos de Muska Moston que voce vai poder variar os estilos usar aquele que voce considere o melhor, e nao se manter de uma mesma forma, porque ai fica mais dificil que todos participarem. Ter utilizar ou modificar aspectos para que voce consiga ter uma aula de educacao fisica que todos participam e principalmente que o aluno com deficiencia participe tambem.

Ha experiencias no Brasil sobre a implementacao desta estrategia ensino em aulas de educacao fisica? Os professores da turma participam ?

Nos temos tanto no ambito de aula usando como estrategia para ajudar ao professor, como temos no ambito da pesquisa e usamos essa estrategia para investigar quanto modifica a participacao do aluno ou como modifica a visao da crianca com deficiencia e a visao da crianca sem deficiencia. Podemos usar esta tanto para aulas na intervencao como uma pesquisa.

Nos fizemos isso numa escola publica em Bauru, por cinco anos de forma continua combinando duas classes. Fizemos pesquisa e como interven cao tambem, observando como isso acontecia.

Nos temos que agradecer aos professores de educacao fisica porque sem eles nos nao poderiamos fazer isso. Nos pedimos sempre autorizacao, ajuda do professor para faze-lo na sua aula. Nossa experiencia mostra que os professores gostam, aceitam e participam e depois que nos saimos eles continuam com isso. Mas sem duvida quando vamos escola so podemos fazer isso porque o professor o permite e porque ele aceita.

Mas quando e uma pesquisa nos nao atuamos na classe, so observamos, treinamos com o professor e depois observamos novamente. Agora quando e uma consultoria com o professor, pegamos o filme e assistimos com o professor e ai discutimos como e que pode ser para fazer diferente para ficar de outra forma e ai discutimos disso com o professor, mas ele e muito importante.

Notas

(1) Marli Nabeiro es Licenciada en Educacion Fisica por la Universidad de Sao Paulo, Magister en Educacion Fisica por la Universidad Estadual de Campinas y Doctora en Psicologia Escolar y del Desenvolvimiento Humano por la Universidad de Sao Paulo. Tiene un cargo de asistente doctor en la Universidad Estadual Paulista Julio Mesquita Filho. Asimismo, tiene experiencia en temas relacionados a la educacion fisica inclusiva y actividad fisica, calidad de vida y deficiencia visual, entre otros.

(2) Ayelen Mele es Profesora de Educacion Fisica por la Universidad Nacional de la Plata. Actualmente es Becaria de la Comision de Investigaciones Cientificas de la Provincia de Buenos Aires.

Ayelen Magali Mele

Centro de Estudios en Nutricion y Desarrollo Infantil (CEREN/CIC-PBA)

(Argentina) ayelenmele@gmail.com
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Title Annotation:articulo en portugues
Author:Magali Mele, Ayelen
Publication:Educacion Fisica y Ciencia
Article Type:Entrevista
Date:Jan 1, 2013
Words:2313
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