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Edges of memory: the future remembrance of Antonio Salles in Pedro Navas work/Orlas da memoria: a lembranca futura de Antonio Salles na obra de Pedro Nava.

A man's real life is that accorded to him in the thoughts of other men by reason of respect or natural love. (Joseph Conrad, Under Western Yes)

Quais os caminhos para se relatar o passado e perscrutar suas expressoes de ressonancia manifestas no presente? Entre os grandes temas da contemporaneidade, o termo memoria associou-se a ideia de que textos culturais de epocas pregressas lancassem alguma luz sobre a complexidade do presente. Nesse sentido, Judith Schlanger assinalou, em La memoire des oeuvres (1992) e Presence des oeuvres perdues (2010), o fato de patrimonios culturais de todas as ordens desaparecerem por fatores historicos e naturais, mas sobretudo por abandono e falta de conservacao. Desse modo, esculturas, pinturas, monumentos, documentos, fotografias, manuscritos e textos literarios perdurariam unicamente de maneira dispersa e fragmentaria, citados, reproduzidos e recriados em outras obras pelo trabalho da imaginacao e da memoria.

O ato mnemonico na criacao literaria e o apreco a pesquisa historica sao questoes especificas da memorialistica de Pedro Nava. A cronica historica e literaria articulam-se na descricao de perfis humanos, cenas e paisagens extintas, muitas vezes afirmando veemente repudio perante "atos atentatorios ao nosso patrimonio historico e artistico" (NAVA, 1974: 159). Assim, ao transcrever o passado, a "imaginacao da colorido" ao derradeiro retrato que ficou do Visconde de Jaguaribe (NAVA, 1974: 173) e a "majestosa construcao comecada a levantar em 1745 pelo brigadeiro Alpoim e inaugurada em 1750, com a presenca de Gomes Freire de Andrade, para abrigar o primeiro convento de religiosas que existiu no Brasil" (NAVA, 1974: 159), demolido em 1911. A partir da litografia de 1865, de Pieter Godfried Bertichen, Nava reproduziu o plano arquitetonico e parte do cotidiano do Convento da Ajuda, localizado no Rio de Janeiro.

O autor e criterioso e criativo ao reconstituir o passado, utilizando e expandindo fontes tradicionais do historiador. Cartas, documentos, fotografias, objetos pessoais e testemunhos combinam-se a evocacao de obras literarias e elementos da tradicao oral: adagios, cancoes e contos populares. Fantasia e imaginacao increvem-se poeticamente em digressoes sobre o significado de acontecimentos e a importancia de determinadas pessoas em suas memorias --como sucede em Bau de ossos (1972), quando passagens da infancia sao narradas integrando fatos, lugares e conhecidos ao contos maravilhosos.

Entrevistado por Edmilson Caminha, em 1984, Nava ponderou sobre a reacao dos "que se sentiram tocados de uma maneira extraordinaria" pela mencao de alguns familiares em suas memorias: "O retrato nao poderia ser favoravel" (CAMINHA; 1995: 40). Por esse angulo, em especifico, Nava afirma o primado da autoridade subjetiva da memoria sobre a linearidade cronologica e imparcialidade ideal do narrador biografico:

Eu tenho de escrever o que eu quero escrever--fazer a interpretacao a minha maneira, sem compromisso com coisa alguma, inclusive com a verdade pura e simples do relatorio. Eu nao tenho compromisso com essa verdade: meu compromisso e com a verdade passando um pouco para o terreno do verossimil, da verossimilhanca, que essa e mais interessante, porque interpretativa. Acho que o memorialista e um narrador de fatos, um contador de coisas passadas; mas, pela interpretacao que pode fazer do tempo, ele entra um pouco na ficcao, nao na de invencao, mas na de contar o verossimil, o possivel (CAMINHA, 1995: 42).

Fernando Duran Lopez (1996: 28) distinguiu na autobiografia politica uma retorica caracteristica, "todo um conjunto de principios que estructuran el discurso memorialistico con la intencion de hacerlo mas persuasivo, una tecnica de la argumentacion y la narracion" que, sem se tornar aqui sintese normativa e generalizante, aproxima-se da verossimilhanca "interpretativa" do narrador naveano: "Cada elemento de la narracion, cada recurso formal, cada palabra, esta encaminada a convencer, a crear ilusion de verosimilitud y, mas todavia, de veracidad" (LOPEZ, 1996: 44). Enquanto retor, o memorialista pode atualizar ou mudar o sentido de algo pelo enfoque sugerido.

Yosef Hayim Yerushalmi notou que, em certas ocasioes historicas, as pessoas retomariam o passado distante para recuperar elementos esquecidos ou negligenciados, capazes de estabelecer no presente inesperada vibracao simpatizante, um senso de empatia, de reconhecimento (YERUSHALMI, apud COHEN, 2014: 27)--pensamento congenere ao de Schlanger sobre a memoria cultural e literaria de obras "esquecidas".

Por "senso de empatia", Antonio Salles encontra, na prosa de Nava, primorosa obra de arte para ser recordado, notadamente em Balao cativo (1973), que narra a historia da "gente inamolgavel do panfletario, polemista, jornalista, critico, ensaista romancista e poeta Antonio Salles", reiterando: "Porque verdadeiro e unico e o homem magnanimo que tive como amigo antes de ter nocao de amizade" (NAVA, 1973: 229).

Este estudo propoe breve reflexao sobre o memorial dedicado a Antonio Salles na prosa autobiografica de Nava, com base em apontamentos do Inventario do Arquivo Antonio Sales (1) (2007), legado de documentos pessoais e familiares do escritor cearense. Os comentarios e a teorizacao apoiam-se nas obras de Jacques Le Goff (1996), Peter Homans (2000) e Paul Cohen (2014) sobre as implicacoes da historia e da memoria nas esferas publica e privada, assinalando os processos de construcao da memoria subjetiva.

Inclinada ao ensaio historico, a narracao subjetiva relaciona a memorialistica a historiografia. O historiador firma-se na documentacao oficial de carater probatorio da memoria. Nava permeia a citacao de documentos com o relato oral, reservando espaco as fontes eruditas, ao anedotario familiar, com "suas frases de sabedoria gregaria" e a cultura popular, como a "historia do Joao Jilo" ou dos "dois compadres de Paracatu".

O memorialista confere, no presente, unidade significativa particular a fonte escrita, iconografica e oral. Convem notar a diligencia do Dr. Joao Marinho, de quem Nava guardou a impressao "do bom gosto com que ele reunira sua biblioteca de classicos da Medicina e de classicos portugueses, da prodigiosa memoria de que ele era dotado e de sua capacidade de ditar em ordem escrita as suas lembrancas" (NAVA, 1974: 375, enfase do autor). O medico nao consentiu ao memorialista "tomar notas do que dizia, com medo de falseamento da verdade", exigindo que "escrevesse sob ditado".

Quanto as fontes, Le Goff declarou a coexistencia dos aspectos materiais e imateriais da cultura perante a historiografia de um modo que os especifica e canoniza:

[...] desde a Antiguidade, a ciencia historica, reunindo documentos escritos e fazendo deles testemunhos, superou o limite do meio seculo ou do seculo abrangido pelos historiadores que dele foram testemunhas oculares e auriculares. Ela ultrapassou tambem as limitacoes impostas pela transmissao oral do passado. A constituicao de bibliotecas e de arquivos forneceu assim os materiais da historia. Foram elaborados metodos de critica cientifica, conferindo a historia um dos seus aspectos de ciencia em sentido tecnico [...]. Portanto, nao se tem historia sem erudicao. Mas do mesmo modo que se fez no seculo XX a critica da nocao de fato historico, que nao e um objeto dado e acabado, pois resulta da construcao do historiador, tambem se faz hoje a critica da nocao de documento, que nao e um material bruto, objetivo e inocente, mas que exprime o poder da sociedade do passado sobre a memoria e o futuro: o documento e monumento. Ao mesmo tempo ampliou-se a area dos documentos, que a historia tradicional reduzia aos textos e aos produtos da arqueologia, de uma arqueologia muitas vezes separada da historia. Hoje os documentos chegam a abranger a palavra, o gesto. Constituem-se arquivos orais; sao coletados etnotextos (LE GOFF, 1996: 9-10, enfase do autor).

A expansao "da area dos documentos" aprimorou as nocoes de arquivo e testemunho, antes centrado na palavra escrita. Apos a Segunda Guerra, intensificaram-se os estudos sobre a funcao de renovacao cultural da memoria. Nesse dominio, Peter Homans e Paul Cohen analisaram o significado de imagens e simbolos culturais presentes na memoria individual e coletiva de sociedades contemporaneas. Observe-se que, no processo de registro arquivistico, Nava cultivou a iconografia em suas anotacoes de medico e memorialista (VASCONCELOS, 2001: 26). Em Bau de ossos, ele recordou o aspecto material e imaterial do primeiro caderno de desenhos, usado de 1910 a 1918:

Presente de tio Salles que fora compra-lo comigo a Rua Haddock Lobo [...] Foi folheado por dezenas de maos agora mortas, cujo suor vivo e cujas impressoes digitais deixaram nele--para sempre!--seu traco. E desses objetos magicos, embebidos de gente--gente falecida--cujo resto material e sentido pelos caes que uivam aos mortos ou pelos bruxos que os invocam. Esse caderno lembra sobretudo meu periodo de realeza em Aristides Lobo 106. Eu, sentado a escrivaninha de tio Salles, desenhando e enchendo de admiracao meus pais e a roda deslumbrada das tias e tios (NAVA, 1974: 353-354).

No excerto, o impulso de resistir a melancolia ao visualizar o passado nao prevalece. Homans discorreu sobre situacoes que colapsariam referenciais simbolicos da sociedade, demandando uma necessaria ressignificacao em reparo a coesao e equilibrio perdidos. Ao prefaciar Symbolic Loss (2000), ele destacou as contribuicoes de Saul Friedlander, Geoffrey Hartman, William Langer e James E. Young sobre a correlacao entre memoria e testemunho na literatura e na historia para essa restauracao simbolica.

Ao adotar o termo "memoria" em lugar de "historia", uma vertente da tradicao francesa estudiosa do Holocausto aproximou os campos da historia e do fenomeno do luto. A memoria estaria mais perto da investigacao do luto que a historia e franqueavel a antropologia e psicologia, disciplinas acessiveis a abordagem do luto. Mais proxima da experiencia imediata que a historia, a memoria constituiria uma experiencia de aproximacao, e a historia, de distanciamento, o que ampliaria a percepcao cientifica de contextos historicos especificos, sem incorrer nas faltas e desvios de interpretacao atribuidos a psicobiografia e psico-historia (HOMANS, 2000: 31-32, enfase do autor).

Paul Cohen discutiu a aproximacao entre o produto das ideacoes da memoria popular e a realidade historica em History and Popular Memory: The Power of Story in Moments of Crisis (2014). A cancao folclorica, o conto, a cronica oral epica, a legenda, o mito, o hino, a oracao e a poesia encomiastica constam das manifestacoes absorvidas pelo relato e o testemunho, na qualidade de fontes literaria e historiografica. Com variantes e tematicas centradas em epocas de crise, as producoes populares forneceriam significados de orientacao ideologica, mitica ou nacionalista, transcrevendo-os em narrativas coerentes (COHEN, 2014: 10-11). Analogos ao acervo da cultura popular,

[...] los archivos privados forman parte del patrimonio documental universal, siendo um complemento de los archivos publicos, y su interes e importancia transciende mas alla de ambito familiar. Es necesaria la conservacion y preservacion de estos archivos por la utilidad que tienen para la investigacion historica (NICOLAS; GARCIA, 1994: 121).

O arquivo pessoal de Salles foi doado por Nava em janeiro de 1983, ano anterior a morte do memorialista. O acervo consta no total de 1.809 documentos impressos e manuscritos, correspondente ao periodo de 18 de agosto de 1810 a 4 de julho de 1965, e pertence atualmente a Fundacao Casa de Rui Barbosa, localizada na cidade do Rio de Janeiro, integrando o Arquivo-Museu de Literatura Brasileira. Em prefacio ao Inventario do Arquivo Antonio Sales, Eliane Vasconcellos define arquivo privado, segundo o Manual de arranjo e descricao de arquivos, diferenciando-o do arquivo familiar, condicao da documentacao herdada por Nava. "No que diz respeito ao acesso e a utilizacao dos dados do arquivo, cabe aos herdeiros autorizalos, porque a legislacao da plenos poderes ao detentor dos direitos autorais" (VASCONCELLOS, 2007: 9-10).

Com o passar do tempo, a vida familiar transmite a vida social testemunhos de relacoes pessoais, economicas, culturais e politicas. Para Olga Gallego Dominguez (apud NICOLAS; GARCIA, 1994: 121), o arquivo privado emana de individuos e pessoas juridicas privadas (familias, associacoes, fundacoes, igrejas etc.); ja o arquivo familiar e gerado pelas atividades da pessoa em vida, ou dos familiares atraves de geracoes, constituindo, usualmente, a etapa final da integracao de outras familias ou do desmembramento dos componentes que imprimiram algum vestigio nesse espolio.

Horacio Tarcus expos, em "Archivos, bibliotecas y la memoria obrera, social y cultural de los argentinos" (2015), a situacao arquivistica e biblioteconomica do pais, reclamando a dispersao de arquivos e bibliotecas privadas mediante o desinteresse ambiente em sua conservacao ou venda fracionada a sebos. Consequentemente, grande parte do patrimonio historico nacional subsiste, mas custodiado sob a forma de patrimonio familiar, quando a cessao deste ao espaco publico permanece inexequivel.

Ilustrativa e a carta de Ana de Serpa, de 30 de setembro de 1923, relatando o pesar pela morte do marido, Justiniano de Serpa, em agosto daquele ano, pedindo a intervencao de Salles "junto ao Estado para que este compre a biblioteca do finado, a fim de ajuda-la materialmente" (VASCONCELOS, 2007: 84). Ja a biblioteca de Nava foi vendida a Universidade de Brasilia. Alguns livros doados ao Arquivo-Museu de Literatura Brasileira passaram a Fundacao Casa de Rui Barbosa (VASCONCELOS, 2001: 10). Sobre a doacao do arquivo pessoal de Salles, Nava escreveria a Sanzio de Azevedo, entre 9 e 10 de maio de 1984, portanto, 3 ou 4 dias antes de deixar "seus amigos e admiradores imersos em dor e perplexidade..." (AZEVEDO, 2007: 26):

Devo uma explicacao a V. sobre minha resolucao de doar esta correspondencia a Casa de Rui. Fiz bem porque estas cartas em numero de mais de 1.000 estao todas classificadas por indices cruzados de pessoa e assunto e sua consulta e extremamente facilitada pelo cuidado e o carinho que o Prof. Galante de Sousa pos na sua classificacao. Entreguei-as ao Plinio [Doyle] porque assim, enquanto eu estiver vivo, estarao sob minhas vistas. Tenho por todo o arquivo de meu tio o maior carinho pelo que ele representava de preocupacoes para minha incomparavel tia Alice Nava Sales (AZEVEDO, 2007: 26).

Ronald D. Lambert (apud MEETHAN, 2008: 101) destacou a historia familiar enquanto modalidade memorialistica capaz de redescobrir ligacoes, identificar, arranjar e catalogar o passado, oferecendo a pesquisa historica a conexao perdida entre a historia familiar e pessoal. Machado de Assis, cultor das memorias como genero literario, indicou tal "conexao perdida" em Esau e Jaco (1904): "Em vez de achar quase extinta a influencia [...], vinha dar com ela feita consolacao da ausencia, tao viva que bastava a memoria, sem presenca dos modelos" (ASSIS, 1994, 116). Em Bau de ossos, Nava reconstitui a "presenca dos modelos" do pai, Jose Pedro da Silva Nava, em 1893:

Era o ano da bomba de Vaillant na Camara Francesa, da Revolta da Armada contra Floriano e aquele em que outra influencia intelectual ia-se fazer efetiva junto de meu Pai, pelo casamento de sua irma mais velha Candida (Candoca), com Julio Augusto de Luna Freire. Homem de grande cultura, ledor incansavel, informado de todas as literaturas, sua influencia de letrado maduro deve ter sido muito grande sobre o espirito de meu Pai, e quase tao importante como a que exerceu Antonio Salles, tambem tornado cunhado, por seu casamento, a 16 de junho de 1894, com minha tia Alice (Yaim). Tio Salles, quando entrou na familia, ja vinha consagrado, pela publicacao, em 1890 dos seus Versos Diversos (NAVA, 1974: 84).

Assim, desde o inicio, a presenca de Salles conecta-se a historia da familia de Nava de forma muito especifica, pelos lacos de amizade e pela identificacao intelectual:

Eu nao posso me lembrar senao de caso ou outro, das conversas de minha familia, tais os referidos anteriormente. Se nao recordo detalhes, fixei o espirito e a essencia do que se dizia, principalmente do que se nao dizia ... [...] A conversa geral era cheia de preferencias pelas ideias, pelas coisas e causas nobres, pelos assuntos intelectuais--estes, versados simplesmente, como moeda de todo dia. Nenhum desses grandes ledores que eram meu Pai, tio Salles, tio Julio, minhas tias Alice e Candoca se permitiam pedantismo ou brilho. [...] Tenho visto noutros, mas jamais ultrapassada, aquela distincao moral e intelectual que eram as tonicas do grupo familiar dentro do qual acordei para a vida e que davam a nossa gente (coincidentemente naquele tempo e naquele espaco) a consciencia de um lugar certo, adequado e devido na sociedade da epoca--onde eram uteis--como pecas de maquinas--seus funcionarios, comerciantes, medicos, notarios, bachareis formados, membros da nossa intelligentsia--para cujo nivel seria tao extravagante ser bicheiro como ser eleito deputado. Ninguem tinha alma de parvenu (NAVA, 1974: 350).

Trovas do Norte (1895), publicado apos Versos Diversos, foi motivo de "um duelo em prosa ou em verso" (ALBUQUERQUE, 2000: 47) proposto por Adolfo Caminha a Salles--algo que nao impediu o convite a Caminha para "fundar com ele e outros a Padaria Espiritual" (BEZERRA, 2009: 304). A polemica estendeu-se de 10 a 22 de abril de 1891, Salles manifestando-se pelo Libertador e Caminha "pelas colunas de O Estado do Ceara" (VASCONCELOS, 2007: 28). Dolor Barreira registrou "a renhida polemica" com pormenores em Historia da literatura cearense (1986: 332). Ja a historia da agremiacao, fundada em 1892 e extinta em 1898, esta em Bau de ossos:

Padaria Espiritual foi o nome dado por Antonio Salles a uma sociedade cearense de letras, cujo aspecto irreverente, revolucionario e iconoclasta so encontra simile no movimento que sairia, trinta anos depois, da Semana de Arte Moderna. Adolfo Caminha, rememorando como ela surgiu, passa um pouco por cima da figura de Antonio Salles e escamoteia seu papel de principal fundador e animador daquele grupo de intelectuais. Nao pensam assim Jorge Brandao Maia, Leonardo Mota, Dolor Barreira e Herman Lima--que muito justamente dao a Cesar o que e de Cesar e a Salles o que e de Salles. O nome foi achado por ele. Foi ele o autor de seu programa (NAVA, 1974: 85-6).

Salles presidiu a primeira sessao "e so nao continuou no cargo porque fez questao de passa-lo a Jovino Guedes" (NAVA, 1974: 86). Os intelectuais reuniam-se diariamente no Cafe Java, a Praca do Ferreira. O programa de instalacao preconizava:

I--Fica organizada nesta cidade da Fortaleza, capital da Terra da Luz, antigo Siara Grande, uma sociedade de rapazes de Letras e Artes denominada -- Padaria Espiritual, cujo fim e fornecer pao de espirito aos socios em particular e aos povos em geral.

II--A Padaria Espiritual se compora de um Padeiro-mor (presidente), de dois Forneiros (secretarios), de um Gaveta (tesoureiro), de um Guardalivros, na acepcao intrinseca da palavra (bibliotecario), de um Investigador das Cousas e das Gentes, que se chamara--Olho da Providencia, e demais Amassadores (socios). Todos os socios terao a denominacao geral de--Padeiros (VASCONCELLOS, 2007: 11).

Nava nomeou os integrantes a partir de Lopes Filho, Ulisses Bezerra, Sabino Batista, Alvaro Martins, Temistocles Machado e Tiburcio de Freitas, seguidos de Manuel Pereira dos Santos, proprietario do cafe, "o mais entusiasta dos animadores da Padaria Espiritual e o Mecenas rustico de seus padeiros ' e Joaquim Vitoriano, "que nao lia mas ouvia, que nao tinha predicados intelectuais [...] leao de chacara" de "punho de bronze", "bengala sibilante" e "peixeira acerada" (NAVA, 1974: 86, enfase do autor). A primeira sede "instalou-se publicamente, com o maior estardalhaco [...] a Rua Formosa, 105, no dia 30 de maio de 1892", relatou Nava (1974: 86), tendo por presidentes:

Jovino Guedes, da segunda reuniao ate 5 de outubro de 1894; a Jose Carlos da Costa Ribeiro Junior, dessa data ate a de sua morte, ocorrida a 29 de maio de 1896; e a Rodolfo Teofilo, de 19 de julho do mesmo ano ate 20 de dezembro de 1898--dia de sua ultima sessao (NAVA, 1974: 87).

O estandarte da associacao foi entregue pela familia de Rodolfo Teofilo a Salles, que o confiou ao Arquivo Publico do Ceara, a 12 de novembro de 1932:

Era um campo de goles e trazia como insignias uma caneta plumada cruzada com uma espiga de trigo. De um lado um P e do outro um E. Por baixo, a divisa 'Amor e Trabalho' [...] a espiga de trigo termina, em baixo, como pena de escrever. E Padaria Espiritual vem escrito por extenso (NAVA, 1974: 87).

Salles e Teofilo corresponderam-se de 18 junho de 1906 a 2 de outubro de 1930. As cartas de Teofilo versam sobre muitos temas, da politica cearense ao envio de sua colecao de livros a Salles, com a segunda edicao de Os brilhantes (1895)--e revelacoes:

[...] sobre seus problemas pessoais e de saude. Envio de recortes de jornais. Comentario sobre a ingratidao de Cruz Filho e Sales Campos para com Antonio Salles. Pesar de que os versos de Pierre d'Aratanha, publicados na Gazeta de Noticias, mostrem o comeco de um "desequilibrio mental" (VASCONCELOS, 2007: 87).

Fonte de pesquisa ainda inexplorada seriam as cartas de Manuel Sabino Batista, um dos fundadores da Academia Cearense, com informes sobre a vida literaria e politica daquela epoca. Outros nomes poderiam corroborar esta ideia, segundo observou Nava:

Nem todos os padeiros acompanharam a Padaria do principio ao fim de sua curta vida. Suas fileiras foram desfalcadas pela "indesejada das gentes", que cedo levou Artur Teofilo, Jose Carlos, Livio Barreto, Lopes Filho, Sabino Batista e Xavier de Castro. Pela dispersao, que tirou da provincia Antonio Salles, Jose Nava e Roberto de Alencar. E pior. Pela incapacidade que tem os homens de se reunirem sem que logo os separe a malquerenca, a inimizade, o odio, o ciume, a inveja e o despeito (NAVA, 1974: 88).

Sanzio de Azevedo (2015: 17) esclareceu alguns dos "nomes de guerra" dos Padeiros-mores. Salles era Moacir Jurema, em alusao ao romance de Jose de Alencar, Moacir e o "filho da dor" e "Jurema" ("ju" - espinho e "rema" cheiro desagradavel) designava a pocao misteriosa do sonho, guardada por Iracema. Teofilo era Marcos Serrano. Marcos por chamar-se Rodolfo Marcos Teofilo; Serrano recorda a Serra de Maranguape, terra de sua infancia. Sabino Batista adotaria o nome de Satiro Alegrete.

A singular descricao de Teofilo remonta a viagem de Nava (1976: 224-5) ao Norte, em 1919: "Era um velho mumificado, olhos extremamente doces, sempre calcas sungadas e sem vinco, desarrumado, apesar de muito limpo. [...] Esse santo admiravel ia nos seus sessenta e cinco para sessenta e seis anos" na epoca e frequentava a casa de Ana Candida Pamplona Nava Feijo, "Dona Nanoca", avo paterna de Nava (1976: 224): "Ia para o escritorio de tio Sales e logo comecava a falar mal do governo municipal, estadual e federal." A imagem de Chao de ferro (1976) nao e unica: em Balao cativo, o "Rodolfo que juntava o proselitismo politico a hospitalidade recebe Antonio Salles em sua casa" (NAVA, 1973: 223), comparado antes, a Leon Tostoi, em Bau de ossos.

No inicio do seculo XX, "a inspiracao carismatica de Rodolfo Teofilo" livraria o Ceara da variola ate meados de 1913, quando a enfermidade recrudesceu (BARBOSA, 1994 apud SANTOS, 2004: 289). Luiz Antonio de Castro Santos notou que Teofilo realizou a vacinacao "em regioes controladas por uma oligarquia que lhe era hostil". Lira Neto descreveu as condicoes dessa "quixotesca" campanha antivariolica em O Poder e a Peste: A Vida de Rodolfo Teofilo (1999). Tornada obrigatoria a vacinacao, em 1904, a iniciativa individual do farmaceutico baiano foi dispensada. As recordacoes de Nava sugerem as condicoes em que Teofilo mantinha certa assistencia a populacao:

Nao tenho documentos sobre todos os seus componentes, mas dois deles servem de amostra e indice dos outros. Rodolfo Teofilo com aquele seu humanitarismo romantico que, no caso da vacinacao contra a variola lhe valeu as represalias de um governo estupido, na realidade, segundo Isaac Amaral, exercia uma sorte de tolstoismo em que ele e a mulher se despojavam para repartirem tudo--roupa, comida, remedio, dinheiro, conselho. [...] Lembro-me ainda de uma visita que fiz, em 1919, a casa desse amigo do povo. Lembro-me da pobreza do seu lar--pobreza que era resplandecente e alegre porque nao era a da perda, do desgaste, da destruicao, mas a da proximidade da vida estritamente natural. Quanto a Antonio Salles, esse ja veio para a Padaria com uma tradicao de rebelde (NAVA, 1974: 97).

Contida na historia de Nava, a biografia de Salles apresenta relacao especular com a narrativa de episodios marcantes da infancia e juventude do memorialista, mas sua influencia intelectual nao se enraizaria sem o afeto e a confianca que a precederam:

A primeira biblioteca que tive em minhas maos foi a do meu tio Antonio Sales, quando vim morar com ele aqui no Rio. Foi ele quem me iniciou, eu li uma porcao de coisas [,,,]. O pessoal da "Padaria Espiritual", por exemplo. Conheco quase toda a obra de Rodolfo Teofilo, inclusive os seus romances. Tudo isso eu li na biblioteca do Sales. E certos autores com quem ele privava, como Machado de Assis, que ele tinha como mestre. Li alguma coisa do Machado, que na epoca nao me atraiu como viria a atrair depois, na idade madura. Gostei do Lima Barreto a primeira vista, foi o Sales quem me apresentou a ele. [...] Li tambem os ingleses, meu tio gostava muito da literatura inglesa. Quando saiamos juntos era fatal uma visita ao Garnier e ao Crashley, uma casa que vendia coisas da Inglaterra, desde comida, artigos de esporte, de toalete, ate livros. Todos esses autores tiveram muita influencia sobre mim (CAMINHA, 1995: 47).

As primeiras observacoes da realidade com olhos de esteta e as recordacoes do "exemplo, que devia ser permanente, da vida de Antonio Salles" (NAVA, 1973: 358), encontram-se, principalmente, em Bau de ossos, Balao cativo e Chao de ferro:

Meu tio Antonio Salles, que se comprazia tanto com a companhia de criancas como com a de adultos, era o amigo adorado pelos sobrinhos. Entre eles, ele me preferia e e por isso que eu saia frequentemente com ele. Aos passeios que fizemos juntos, devo aquisicoes progressivas nos limites de minha geografia urbana que estendi a Santa Teresa, ao Flamengo, a Botafogo e a Copacabana das pitangueiras [...] Na medida em que se olhava a paisagem, via-se que suas cores vinham se encorpando e tomando tonalidades mais vivas com a aproximacao. A direita e a esquerda eram os verdes violentos e profundos da mata; o aco das rochas descobertas e lisas; o terra-de-sena, o cobre e o gris de barrancos cortados; a policromia dura das encostas cheias de casas, de faiscacoes de vidraca e chispas de claraboia. Tudo se diluia gradualmente e os planos longinquos se esbatiam--irreais na luz azul-clara, nos roseos de petala e na fina poeira dourada. Cedo aprendi a perceber esse contraste tao vivamente apanhado nos desenhos e pinturas do velho Rio--como os feitos por Ender, Henderson, Mary Graham, Debret e Rugendas. Sempre com meu excelente tio [...] (NAVA, 1974: 378-9).

Em Chao de ferro, Nava (1976: 80) retoma a descricao de "idas a Copacabana", visitando "o Flamengo. A Ponte dos Presidentes. Botafogo com o Pavilhao de Regatas" e Jardim Botanico: "Meu tio Salles ministrava explicacoes e eu ia incorporando os elementos de sua lembranca futura a orla marinha de nosso Rio". Amparada por nostalgica digressao sobre os tios Alice e Salles, segue-se uma confidencia ao leitor:

Quando o arquivo de Antonio Salles veio para minhas maos la descobri assentamentos de cuidados medicos dados a minha tia pelo dr. Lincoln de Araujo. Era terapeutica para esterilidade. Falhou. E digo-o com vergonhosa sensacao de ciume compensado--melhor para mim, melhor para o Joao. O almejado primo que nao nasceu, acaso nao desviaria de nos esse privilegio que foi o sentimento materno e paterno que ficamos devendo a esses queridos tios (NAVA, 1976: 77)?

O cirio perfeito (1983) ilustra, igualmente, a atitude de preceptor adotada ante o sobrinho dileto: "O Nava aprendeu com outro homem humilde, seu tio Antonio Sales que era preciso ler tudo, ate lista de telefone, ate anuncios em bonde e jornal. Tudo e palavra, e a palavra, mesmo isolada, e nobre tal uma criatura" (NAVA, 1983: 473). Assim, nas memorias dos anos trinta e quarenta, o Nava adulto seria apresentado como:

O Egon, criado principalmente sob a influencia da lembranca de seu pai, do exemplo de sua mae e dos conselhos de seus tios Alice e Antonio Sales--que viviam no caminho dificil da virtude e que so eram capazes de dar a quem educavam a ideia errada e ingenua de que o mundo era paraiso e que todos os homens e mulheres eram homens e mulheres de bem (NAVA, 1983: 475).

Essa concepcao "ingenua" do mundo evidencia-se no ultimo episodio de Chao de ferro. Apos deixar o Colegio Pedro II, Nava volta a morar com a mae, Dona Diva Mariana Jaguaribe Nava, em Belo Horizonte, onde ingressa na faculdade de Medicina. As dificuldades eram tais que, a fim de "arcar com as despesas de um terno" para frequentar as aulas, a familia vendeu ao sebo "Livraria e Papelaria de Belo Horizonte", quase cinquenta obras do acervo paterno, "uma colecao de teses de doutoramento escritas em Latim, as primeiras defendidas na Bahia e no Rio" (NAVA, 1976: 337), livros raros, como o Dictionnaire de Therapeutique de Dujardin-Beaumetz e varios tratados de obstetricia, ginecologia e farmacologia. Contudo, o alivio seria provisorio:

Apesar dos esforcos da minha Mae tornou-se patente que, com as despesas de meus estudos, nossa situacao estava ficando insustentavel. Apresentou-se duramente o dilema: ou eu iria trabalhar deixando a Medicina ou arranjaria um emprego com folgas que me permitissem continuar na escola. Mas apelar para quem? [...] Foi entao que escrevi a meu tio Antonio Sales. Carta minuciosa, absolutamente franca e me pondo inteiramente a disposicao do conselho que ele me desse. Fiquei esperando a resposta. Naquele tempo, com o Lloyd, essas coisas demoravam mas, com um mes, chegava-me volumoso involucro do tio do Ceara. Dizia que eu fazia tanto empenho em ser medico que seria imperdoavel aconselhar outra carreira. Eu tinha razao de procurar estudar trabalhando. Centenas tinham feito assim. Ele queria ajudar e mandava-me tres cartas do seu amigo Justiniano de Serpa, entao Presidente do Ceara, pedindo por mim ao seu colega de Minas--o Dr. Artur da Silva Bernardes e a dois dos seus Secretarios (NAVA, 1976: 340-341).

Em agosto de 1921, as cartas de apresentacao foram levadas pelo moco de dezoito anos, "primeiro, claro, ao Presidente do Estado [...] Estudava o que lhe havia de dizer. Tinha tanta certeza de seu abraco que ja o amava por antecipacao" (NAVA, 1976: 341). Foi recebido somente por Afonso Pena Junior, Secretario do estado de Minas Gerais. E, "pela maneira gentil de sua concessao", exerceria o cargo de "colaborador da Diretoria de Higiene com o ordenado de 120$000 por mes" (NAVA, 1976: 346). Esse primeiro emprego foi decisivo para o prosseguimento e conclusao de seus estudos.

Salles faleceria em Fortaleza aos 72 anos, vitima de hipertensao arterial, a 14 de novembro de 1940. A correspondencia entre Nava e sua tia Alice, iniciada em 30 de agosto de 1911, e registrada ate 22 de setembro de 1961 (VASCONCELOS, 2001: 297). Na correspondencia familiar de Salles, "a predominancia e de cartas para Alice Nava Sales" (VASCONCELOS, 2007: 10), com destaque para as cartas de Nava. Em Bau de ossos, o memorialista conta o retorno, em 1959, ao Ceara, "para dar um curso na sua Universidade. Fui novamente ver a casa de minha avo. De todos os que eu vira ali em 1919, so estava viva minha tia Alice. [...] Tio Salles, morto" (NAVA, 1974: 45). No entanto, e na recordacao do breve periodo que antecede seu ingresso no curso de Medicina que Nava deixa umas das mais impressivas descricoes da influencia de Salles:

Nesses dias de chuva, preso em casa, comecei a organizar minha vida mineira [...] Arrumei num quarto que dava para o corrego a velha escrivaninha que fora de meu pai [...] Era para arrumar os livros de todo instante e o primeiro ali entronizado foi o dicionario medico de Littre. Sobre a mesa preguei com percevejos uma folha inteira de mata-borrao verde, dispus o tinteiro paterno e arrumei os lapis, borrachas, penas ao jeito que uso ate hoje, que era o da mesa de tio Sales (NAVA, 1976: 277).

A memoria permite a coexistencia de diferentes dimensoes do tempo passado. Assim, adquirem simultaneidade, condensadas em uma unica imagem, a historia do medico Jose Pedro da Silva Nava, do erudito Antonio Salles, do Nava moco e anciao. Os retratos conjugados de pai e tio, sugeridos por objetos impregnados de ambas as presencas, remetem as vocacoes abracadas por Nava, medico e escritor. A ideia de claustro na figura do jovem "preso em casa", disposto a organizar a vida que se inicia naquele momento, evoca o poeta bissexto, recluso, preparando-se, como o narrador machadiano, para "atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescencia". Realizando esse feito, Nava uniu a arte a faculdade ou habilidade de preservar imagens, intimamente relacionada aos oficios do arquivista, biografo, historiador e memorialista.

Referencias bibliograficas

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Maria Alice Ribeiro Gabriel. Possui graduacao em Letras pela Universidade Federal de Uberlandia (1998), mestrado em Estudos Literarios pela Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho (2003) e doutorado em Historia Social pela Universidade de Sao Paulo (2011). Tem experiencia na area de Letras, com enfase em Literatura Brasileira.

E-mail: rgabriel1935@gmail.com

Recebido em: 16/09/2016

Aprovado em: 15/03/2017

Maria Alice Ribeiro Gabriel

Universidade de Sao Paulo

Sao Paulo--SP

http://dx.doi.org/ 10.1590/1517-106X/2017192307322

(1) Conforme Eliane Vasconcellos (2007: 15), "Nava sempre respeitou a grafia original do sobrenome do tio afim", portanto, neste estudo, exceto pelas citacoes referentes a outros autores, convencionou-se manter a grafia adotada pelo memorialista em suas obras Bau de ossos, Balao cativo e Chao de ferro.
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Author:Gabriel, Maria Alice Ribeiro
Publication:Alea: Estudos Neolatinos
Date:May 1, 2017
Words:5955
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