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Ecologia da pesca artesanal em populacoes caicaras da Estacao Ecologica de Jureia-Itatins, Sao Paulo, Brasil.

RESUMO

A pesca artesanal foi estudada em duas comunidades caicaras da Estacao Ecologica de Jureia-Itatins, Sao Paulo, Brasil. O objetivo foi o de conhecer a composicao do pescado capturado, a produtividade pesqueira e suas relacoes com variaveis abioticas (chuva, mare e lua). Os dados foram obtidos atraves de amostragem dos desembarques pesqueiros e de fichas de campo e questionarios, no periodo setembro 2000 - agosto 2001. As analises da produtividade foram feitas atraves do calculo de captura por unidade de esforco (CPUE). Na Barra do Una foram analisados 20 desembarques, com um total de 282,6kg de pescado capturado; 19340[m.sup.2] de redes utilizadas; 177,5 horas gastas; 12 especies de peixes capturadas; CPUE1 de 0,001kg/[m.sup.2]/hora; e CPUE2 de 10526kg/pescador/hora. No Guarau foram analisados 32 desembarques, com um total de 607,9kg de pescado capturado; 27320[m.sup.2] de redes utilizadas; 246,5 horas gastas; 24 especies de peixes capturadas; CPUE1 de 0,0015kg/[m.sup.2]/hora; e CPUE2 de 1,0191kg/pescador/hora. A similaridade de especies observada nos desembarques das duas comunidades foi de 33%, de acordo com o Coeficiente de Similaridade de Jaccard. Uma colecao zoologica de peixes da regiao foi elaborada e conta com 54 especies identificadas, pertencentes a 28 familias.

PALAVRAS CHAVE / Ecologia Humana / Peixes / Pesca Artesanal / Populacoes Caicaras / Atividade Pesqueira /

Recebido: 17/04/2002. Modificado: 27/01/2003. Aceito: 07/04/2003

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Organizacao Internacional do Trabalho (OIT) define como pescadores os trabalhadores que se dedicam a captura de pescado e exercem as funcoes de membros das tripulacoes de barcos pesqueiros, executando diversas tarefas de pesca de altura no caso dos pescadores maritimos ou tarefas especificas da pesca de agua doce e aguas costeiras. Ainda fazem parte desta definicao os coletores de esponjas e perolas, algas e sargacos, moluscos e crustaceos, os ostricultores e baleeiros (Maldonado, 1986). A pesca artesanal e definida como aquela em que o pescador sozinho ou em parcerias participa diretamente da captura, usando instrumentos relativamente simples. Da pesca, retirara a maior parte de sua renda, ainda que sazonalmente possam exercer atividades complementares (Diegues, 1988a). Enquanto processo de trabalho, a pesca artesanal encontra-se em contraste com a pesca industrial por ser exercida com metodos simples e suas caracteristicas sao muito diversificadas, tanto em relacao aos habitats onde atuam quanto aos estoques que exploram (Begossi, 1992; Maldonado, 1986).

No Brasil, do seculo XVIII ao inicio do seculo XX, verificou-se a formacao de varias comunidades maritimas e litoraneas, cujos membros viviam inteira ou parcialmente da atividade pesqueira (Silva, 1993). Trata-se das comunidades caicaras caracterizadas como frutos da miscigenacao entre indios, europeus e negros. Durante longo periodo estas comunidades ficaram relativamente isoladas proximas ao litoral do sudeste brasileiro e tem uma cultura particular que as diferencia das comunidades tradicionais do interior do continente (Diegues, 1988b; Luchiari, 1992, 1997). Ate o final do seculo XIX, as comunidades caicaras do Litoral Sul do Estado de Sao Paulo e as caipiras do interior do Vale do Ribeira praticavam amplamente a agricultura itinerante. Ja por volta de 1910, com a falencia do comercio agricola, as comunidades caicaras se voltaram as atividades de pesca artesanal, com fins de subsistencia, estimulando pouco a pouco o comercio de pescado, comprado pelos barcos vindos de Santos (Sanches, 1997).

Hoje em dia, a pesca artesanal e uma das caracteristicas marcantes da cultura caicara e opera dentro dos limites impostos pelo meio ambiente, tanto devido ao baixo esforco da pesca quanto a heterogeneidade e incertezas do ambiente como clima, tempo, viabilidade de peixes, entre outros fatores tambem importantes que afetam a viagem de pesca e estrategias utilizadas (Bartheim et al., 1997; Begossi, 1992; Diegues, 1988a).

O presente trabalho teve como objetivo analisar a dinamica da pesca artesanal realizada em duas comunidades caicaras da Estacao Ecologica de Jureia-Itatins com respeito a composicao do pescado, produtividade e suas possiveis relacoes com variaveis abioticas.

Metodologia

A Estacao Ecologica de Jureia-Itatins (EEJI) situa-se no Litoral Sul de Sao Paulo, Brasil, sobas coordenadas 24[grados]18'42"S, 24[grados]36'10"S e 47[grados]00'03"W, 47[grados]30'07"W. Possui uma area de aproximadamente 80000ha abrangendo terras pertencentes aos municipios de Itariri, Miracatu, Pedro de Toledo, Iguape e Peruibe (Oliveira, 1993). As comunidades caicaras estudadas sao a Barra do Una e o Guarau, pertencentes ao municipio de Peruibe.

Atraves de amostragens de desembarques pesqueiros realizados nas comunidades estudadas foram obtidas as seguintes informacoes sobre a atividade pesqueira das comunidades: a) quantidade de peixes capturados (em kg); b) metodos de pesca e aparelhos utilizados; c) o tempo de viagem e distancia ate o local de pesca; d) o tempo de permanencia das redes na agua; e) o tamanho das redes; f) o periodo do dia e g) o numero de pessoas envolvidas na pescaria. O pescado foi pesado de duas maneiras: 1) em conjunto, representando o produto final da pesca (biomassa); e 2) o pescado separado por especie. Tambem foram anotadas as variaveis abioticas, como as fases da lua, nivel da mare (alta, media ou baixa) e ocorrencia de chuva.

Foram feitas entrevistas com os pescadores artesanais das comunidades estudadas com o intuito de descrever a pesca realizada por eles, bem como as tecnicas e estrategias empregadas na atividade pesqueira. Alguns exemplares das especies capturadas pelos pescadores foram gentilmente cedidos e outros foram comprados de moradores da comunidade. Estes peixes foram fixados era formol 10% e levados para o Laboratorio de Ecossistemas Aquaticos da Pontificia Universidade Catolica de Sao Paulo (campus Sorocaba), onde foram armazenados em alcool 70%, em seguida, identificados atraves de chaves de identificacao taxonomica seguindo principalmente Figueiredo (1977), Figueiredo e Menezes (1978; 1980; 2000) e Menezes e Figueiredo (1985).

A analise referente ao esforco da pesca foi padronizada atraves de calculos de captura por unidade de esforco (CPUE). Segundo Lowe-McConnell (1999), estatisticas confiaveis de captura sao vitais para a pesquisa pesqueira, uma vez que as areas tropicais remotas sao de consistencia muito variavel. Usa-se a CPUE para comparar capturas de diferentes locais, periodos e metodos utilizados. Segundo a autora, fatores como o tamanho das redes, a velocidade das embarcacoes, o metodo utilizado, o tempo gasto nas pescarias e outros fatores afetam a eficiencia da pesca. Conforme a pesca se desenvolve, a CPUE inevitavelmente declina a medida que aumenta o numero de pescadores participantes das capturas ou a medida que sao utilizadas maiores quantidades de redes. Devido a esses fatores, convencionou-se fazer os calculos de CPUE de duas formas: CPUE1 (kg/[m.sup.2]/h), que relaciona o peso (kg) total da pesca com o tamanho das redes utilizadas ([m.sup.2]) e o tempo gasto nas pescadas (horas); e a CPUE2 (kg/pescador/h), que relaciona o peso (kg) total com o numero de individuos envolvidos na pescaria e tempo gasto (horas).

Resultados

A pesca realizada nas duas comunidades se caracteriza por ser realizada em familia, ou seja, a mao de obra que auxilia o pescador nas pescarias vem sempre de membros da familia, como filhos, irmaos, primos etc. Na comunidade da Barra do Una todas as familias possuem pelo menos uma pessoa que pesca, porem, a principal fonte de renda das familias e proveniente do turismo. Os moradores tambem trabalham como caseiros na casa dos turistas, comerciantes nos bares, donos de campings, pilotos de barcos para passeios, gulas para pesca esportiva e tambem vendem iscas vivas para os pescadores esportivos. Apenas duas familias vivem exclusivamente da pesca. Na comunidade do Guarau existe um bar administrado por uma senhora que atende aos turistas que procuram a area para lazer e para a pratica da pesca esportiva. Seus filhos, irmaos e sobrinhos sao encarregados de capturar o pescado para ser comercializado no bar. Alem disso, ha uma pequena banca de peixes junto ao bar onde os pescadores comercializam o pescado. Em epocas nas quais ha um excedente de peixes, ou seja, a quantidade de peixes capturada e superior a demanda do bar e da banca de peixes, o excesso e vendido no Mercado Municipal de Peruibe.

Na comunidade da Barra do Una nao ha mais uma rotina de pesca. Os pescadores saem para armar as redes conforme a disponibilidade de tempo de cada um. Diferente da comunidade do Guarau, mesmo desenvolvendo atividades como passeios de barcos ou aluguel para pescadores esportivos, os pescadores artesanais sempre procuram armar ou visitar suas redes no inicio da manha ou no final da tarde para que possam fazer outras atividades enquanto as redes estao armadas.

A pesca das duas comunidades utiliza a "rede de espera" como principal metodo de pesca. Este metodo e realizado com redes chamadas pelos pescadores locais de "malhadeiras", confeccionadas com panos de redes simples, com boias na parte superior e chumbos na parte inferior. As redes sao armadas de modo a permanecerem na posicao vertical dentro da agua, para que alcancem a maior parte da coluna d'agua. Cada rede possui de 70 a 100m de comprimento por aproximadamente 2 ou 2,5m de altura. Os pescadores das comunidades da EEJI usam redes cujas malhas variam de 7 a 14cm entre nos opostos. As redes malhadeiras sao tambem usadas para o "caceio", uma tecnica de pesca onde os pescadores, ao avistarem um cardume, vio soltando aos poucos as redes e deixando com que a correnteza as leve ate um determinado ponto onde os peixes se emalham e assim a despesca e feita.

Alem das redes malhadeiras, ha tambem outros metodos de pesca como, por exemplo, o "picare", que e uma pequena rede de arrasto de praia manual, normalmente manejada por dois pescadores, um em cada lado da rede, que entram na agua e arrastam a rede ate um determinado ponto; depois, sao trazidas ate a praia para a despesca. Outro metodo utilizado pelas comunidades da EEJI e a "tarrafa", um tipo de rede conica, com chumbos cm toda a margem e uma corda presa ao centro. Na comunidade do Guarau, um pescador mencionou este metodo, mas nenhuma pescaria realizada com tarrafa foi amostrada.

O deslocamento dos pescadores ate os locais de pesca e feito atraves de barcos de aluminio e motor de popa. Alguns pescadores da Barra do Una utilizam canoas a remo quando as redes sao armadas mais proximas. As canoas a remo tambem sao utilizadas por alguns pescadores quando pescam com "tarrafas".

Na Barra do Una foram amostrados 20 desembarques que totalizaram 282,6 kg de pescado, enquanto que na comunidade do Guarau, foram amostrados 32 desembarques pesqueiros, que totalizaram 607,9kg de pescado, conforme mostra a Tabela I. A Tabela I tambem mostra os dados de rendimento relacionados com as variaveis: fase da lua, nivel da mare e presenca ou ausencia de chuva.

Diferentemente do que foi observado na comunidade da Barra do Una, no Guarau ocorreram desembarques tanto na presenca como na ausencia de chuva. Foi possivel verificar que na presenca de chuva o rendimento foi maior do que na ausencia de chuva. Os pescadores das duas comunidades evitam pescar com chuva, pois ela influencia as condicoes da mare que torna perigoso o deslocamento com as embarcacoes ate os pontos de pesca.

A Tabela II mostra a distribuicao temporal e os respectivos pesos (kg) das especies capturadas na comunidade da Barra do Una. Foram capturadas 12 especies de peixes, com total de 282,6 kg, com esforco pesqueiro total referente a 19340m" de redes e 177,5 horas gastas. Em um desembarque foi observada a presenca de "mistura". A mistura e composta por peixes de varias especies de baixo ou nenhum valor comercial e que normalmente sao de tamanhos inferiores aos peixes frequentemente comercializados.

Na comunidade do Guarau, foram capturadas 24 especies, totalizando um peso de 607,9kg, com esforco referente a 27320[m.sup.2] de redes utilizadas e 246,5 horas foi o total de tempo gasto nas pescarias amostradas, conforme mostra a Tabela III, bem como a distribuicao e os respectivos pesos (kg) das especies capturadas.

A Tabela IV mostra as especies de peixes coletadas e identificadas nos desembarques pesqueiros analisados nas duas comunidades caicaras estudadas.

Atraves do Coeficiente de Similaridade de Jaccard (Ccj), no qual foram utilizados os dados de presenca e ausencia das especies contidas nos conjuntos amostrais, ou seja, nos desembarques pesqueiros observados, foi possivel verificar a similaridade entre as duas comunidades. Nove especies foram comuns nas duas comunidades. O resultado foi de 33% de similaridade entre as especies capturadas nas duas comunidades.

Discussao

A pesca artesanal realizada pelas comunidades da EEJI assemelha-se aos moldes de pequena producao mercantil diferenciada por Diegues (1983) da pesca capitalista (industrial). Este tipo de pesca se caracteriza por apresentar: processo de trabalho organizado dentro da unidade familiar ou grupo de vizinhanca, tecnologia de baixo poder de predacao, nicho explorado restrito, uso de instrumentos simples e de propriedade familiar, tradicao como fonte de conhecimentos acerca da pesca, entre outras caracteristicas. Porem, a pesca artesanal nao e a unica atividade desenvolvida pelas comunidades da EEJI. Na comunidade da Barra do Una, a principal fonte de renda das familias provem de atividades relacionadas ao turismo. Apenas duas familias vivem exclusivamente da pesca o ano todo e, mesmo assim, apresentam relacoes com o turismo, uma vez que a maior parte do pescado e vendida aos turistas em epoca de ferias. Os demais pescadores pescam apenas para consumo da familia ou em Epocas m que nao ha turistas na comunidade. Alguns deles acabam pescando para vender o produto no mercado de peixes de Peruibe.

Na comunidade do Guarau, a pesca continua sendo a principal fonte de renda, porem tambem apresenta forte relacaa com o turismo. Os pescadores pescam diariamente e preferem vender o pescado para os turistas que frequentam a comunidade. Segundo eles, o turista ja chega na comunidade a procura de peixe fresco e pagam o preco que for pedido. Para eles e mais vantajoso vender aos turistas que levar o pescado ate o mercado municipal de peixes em Peruibe, ou entregar aos atravessadores que pagam menos pelos peixes. Mesmo pescando diariamente, os pescadores do Guarau tambem desenvolvem outras atividades, como, passeios de barco, galas para pesca esportiva, etc. Os pescadores costumam armar as redes pela manha ou no final da tarde. Enquanto as redes permanecem no mar, eles aproveitam o tempo para desenvolver essas atividades paralelas. A despesca das redes e realizada no final do dia quando as redes foram armadas de manha, ou no dia seguinte bem cedo quando as redes foram armadas no final do dia anterior.

No periodo em que o turismo diminui, a pesca acaba sendo a unica atividade dos pescadores do Guarau e o pescado e vendido no mercado municipal de Peruibe. Porem a maioria, continua pescando so para consumo familiar. Em algumas comunidades caicaras de outras regioes, a pesca artesanal ainda e desenvolvida como principal fonte de renda, como, por exemplo, as comunidades do Parque Estadual de Ilha Bela (SP), onde Maldonado (1997), aponta que a pesca, alem de ser a principal fonte de renda, e tambem em 80% dos casos praticada como forma de subsistencia. A pesca artesanal tambem e a principal atividade economica da comunidade de Marituba do Peixe no Rio Sao Francisco (Silva et al., 1990).

Segundo os pescadores, a "rede de espera" e o metodo mais produtivo. E de acordo com o tamanho da malhagem das redes utilizadas elas fazem com que o resultado da pesca seja mais seletivo quanto ao tamanho dos peixes pretendidos para a comercializando. A rede de espera o malhadeira, foi o principal metodo utilizado pelos pescadores das comunidades do Rio Piracicaba estudadas por Begossi et al. (sem data). A forma como essas redes sao usadas sao semelhantes as da EEJI, ou seja, a malhagem empregada varia de acordo com as especies-alvo da pescaria. Por exemplo, para a pesca de peixes como o dourado e curimbata os pescadores do Rio Piracicaba no interior de Sao Paulo (Brasil) utilizam malhas de 10 a 14cm entre nos opostos. A corvina, o mandi e a traira sao capturados com malha 7cm entre nos opostos, enquanto que os lambaris sao capturados com redes de malha pequena (3cm entre nos opostos).

Em outras comunidades caicaras, a rede de espera tambem e o metodo mais utilizado, como mencionado por Hanazaki (1995) na comunidade da Ponta do Almada, em Ubatuba (SP). Ao contrario do que acontece na comunidade de Mamangua (RJ) onde Diegues e Nogara (1999) relatam o uso da rede de espera por apenas 8,3% dos pescadores.

Na comunidade da Barra do Una, os pescadores preferem pescar na regiao do estuario, proximo a Barra do Rio Una do Prelado, ou ainda no proprio rio. Apenas um pescador sai em mar aberto para pescar. Ja na comunidade do Guarau os pescadores preferem armar suas redes em mar aberto e utilizam a foz do Rio Guarau apenas para o trafico das embarcacoes. O "picare", e utilizado apenas na Barra do Una. Este metodo nao e muito praticado pelos pescadores do Guarad, uma vez que esta comunidade se localiza na beira do Rio Guarad; por isso, os pescadores necessitam desloca-se de barco para chegar ate a praia, local onde e praticado o picare. Por outro lado, o "caceio" e um metodo utilizado apenas no Guarau. Este metodo e utilizado para a pesca do cacao e e praticado em mar aberto. Portanto, nao e praticado pela comunidade da Barra do Una. Alguns metodos citados em estudos realizados em outras regioes do litoral brasileiro nao sao utilizados pelas comunidades da EEJI. Na comunidade de Buzios (SP) estudada por Begossi (1992), o jangarelho foi o aparelho mais utilizado durante o estudo. A autora ainda aponta a especificidade de alguns metodos, como o corrico e a lambreta, que sao usados para a pesca da enchova (Pomatomus saltatrix), e o picare, que e utilizado apenas para a pesca do panaguairu (Heminaphus balao) nos meses de maio e junho. Tanto o jangarelho como o corrico e a lambreta nao foram citados e nem observados na pesca desenvolvida pelas comunidades da EEJI. O picare e usado na Barra do Una, mas o paranaguairu (H. balao), que em Buzios (SP) e pescado com este instrumento nao foi citado por nenhum pescador da EEJI e nao foi observado em nenhum desembarque pesqueiro amostrado.

Segundo Begossi (1998) os pescadores da Ilha de Buzios tambem utilizam linhas e anzois para a pesca de especies como a enchova (P. saltatrix), alem de outros aparelhos como canoas a motor e redes de cerco para a pesca da corvina, betara e tainha. Nas comunidades da EEJI, redes de cerco e canoas a motor nao sao utilizadas; linhas e anzois, segundo os pescadores, sao pouco produtivos e gastam muito tempo. Por isso que quase nunca sao utilizados. As mesmas especies que os pescadores da Ilha de Buzios capturam com o cerco, nas comunidades da EEJI silo capturadas com redes de espera ou picares.

Os resultados do rendimento pesqueiro (CPUE 1 e 2) comprovaro a influencia de variaveis ambientais, como as fases da lua, o nivel da mare e a presenta on nao de chuva no rendimento da pesca. Clauzet (2000) realizou analises da atividade pesqueira relacionada a variaveis ambientais era Ubatuba/SP e mostrou que os desembarques pesqueiros amostrados renderam mais durante as fases de lua crescente e na mare baixa, o que mostra a influencia das variaveis ambientais no rendimento pesqueiro.

Nas entrevistas, os pescadores sempre apontaram a chuva e o vento como fatores modificadores das condicoes ambientais. As mas condicoes do tempo dificultam o trabalho por tornar o trafico de embarcacoes perigoso, urna vez que a chuva e o vento, na maioria das vezes, deixam as barras dos rios e o mar muito agitados. Tendo em vista o perigo, os pescadores evitam sair com suas embarcacoes quando esta chovendo ou ventando muito. Begossi (1992), em seu trabalho realizado na Ilha de Buzios (SP), mostrou que a chuva nao interferiu na atividade pesqueira, enquanto que o vento forte de setembro e outubro foi um fator limitante para a pesca desta comunidade porque as canoas usadas eram pequenas e nos dias era que o tempo estava ruim devido a atividade do rento, o risco era maior, fazendo com que estas variaveis interferissem no rendimento pesqueiro da comunidade estudada em relacao ao numero de desembarques realizados.

Os pescadores avaliam se suas pescarias foram produtivas ou nao atraves da relacao entre o peso total e as especies capturadas. Para eles, uma pesca de 10kg de caratinga (Eugerres brasilianus) parece ser maior que uma pesca de 5kg de robalo (Centropomus undecimalis). Porem, na hora da comercializando, a pesca do robalo sera mais rentavel, pois trata-se de um peixe mais caro e de melhor comercializando porque e muito procurado pelos turistas.

CONCLUSOES

A pesca artesanal e uma atividade pouco praticada atualmente pelas comunidades caicaras da Estacao Ecologica de Jureia-Itatins. Trata-se de uma atividade pouco rentavel economicamente se comprada com outras atividades como o turismo. Os pescadores que antes viviam apenas da pesca, hoje trabalham como guias de pesca esportiva, alugam os quintais de suas casa para campistas, sao caseiros, donos de bares, etc.

Nao existe uma rotina de pesca. Os pescadores saem para pescar esporadicamente ou de acordo com a sazonalidade do turismo, ou seja, em epocas de muito turismo pescam apenas para atender a demanda dos proprios turistas e para o consumo familiar. Em epocas de baixo turismo pescam mais para comercializar o excedente. Devido a isso, foram poucos os desembarques pesqueiros amostrados no periodo de estudo. O baixo esforco empregado na atividade de pesca resulta em baixa produtividade pesqueira.

Especies como o robalo, a pescada e a tainha sao frequentemente mais procuradas pelos turistas e consequentemente mais capturadas pelos pescadores. Portanto, estiveram mais presentes nos desembarques pesqueiros amostrados.

As variaveis (lua, chuva e mare) observadas pouco influenciaram na produtividade pesqueira, devido a baixa quantidade de desembarques amostrados, o que impossibilitou maiores conclusoes.

Embora pouco praticada a pesca artesanal ainda faz parte do cotidiano dessas comunidades, tanto em relanzo a obtencao de recursos para consumo familiar e atividade economica, como em relacao a forma peculiar como e praticada, mostrando fortes tracos da cultura caicara.
TABELA I
RELACAO ENTRE AS VARIAVEIS ABIOTICAS E A PRODUTIVIDADE
PESQUEIRA DAS COMUNIDADES ESTUDADAS

                       Barra do Una

Variaveis     N    Biomassa   CPUE 1   CPUE 2

LUA
  Cheia        6     71,1     0,0003   0,1131
  Minguante    6     89,0     0,0003   0,1326
  Nova         7    105,5     0,0002   0,1319
  Crescente    1     16,5     0,0002   0,6750
MARE
  Baixa        5     49,3     0,0007   0,4526
  Media        3     38,5     0,0003   0,2353
  Alta        12    194,8     0,0001   0,3647
CHUVA
  Sim          0      --      --       --
  Nao         20    282,6     0,0001   1,0526
TOTAIS        20    282,6     0,0001   1,0526

                          Guarau

Variaveis     N    Biomassa   CPUE 1   CPUE 2

LUA
  Cheia        9    120,5     0,0002   0,0917
  Minguante   15    242,4     0,0004   0,0868
  Nova         4      125     0,0004   0,3835
  Crescente    4      120     0,0005   0,4571
MARE
  Baixa       10    141,8     0,0005   0,4086
  Media        9    162,7     0,0005   0,4337
  Alta        13    303,4     0,0005   0,1768
CHUVA
  Sim          3     74,1     0,0011   0,8949
  Nao         29    533,8     0,0004   0,1242
TOTAIS        32    607,9     0,0015   1,0191

N: numero de desembarques pesqueiros amostrados

TABELA II
DISTRIBUICAO E PESO (kg) DAS ESPECIES CAPTURADAS NA COMUNIDADE DA
BARRA DO UNA NO PERIODO DE SETEMBRO 2000 - AGOSTO 2001

Especies Capturadas                N    Set    Out    Dez     Jan
                                        2000   2000   2000    2001

Robalo (Centropomus sp.)            9   4       --     15      11
Caratinga (Eugerres brasilianus)   10   3,5     --      3,5    16,5
Bagre-branco (Netuna barba)         6   --      --      8       9,5
Corvina (Micropogonias furnieri)    8   --      --      2      12
Parati (Mugil spp)                  7   6        6      7,5     3
Tainha (Mugil sp.)                  4   --      --     --      --
Pescada-branca (Cynoscion           4   --      --     --      12,5
  leiarchus)
Traira (Hopias malabaricus)         1   --      --     --      --
Pampo (Trachnotus carolinus)        3   --      --     --      --
Mandi (Pimelodus maculatus)         2   --      --     --      --
Bagre-cabecudo (Ariidae)            1   --      --     --      --
mistura                             1   --      --     --      --
Betara (Menticirrhus littoralis)    1   --      --     --      --

Especies Capturadas                    Fev    Mar    Abr     Mai
                                       2001   2001   2001    2001

Robalo (Centropomus sp.)               1,5    --      --     2,5
Caratinga (Eugerres brasilianus)       --     9,5      4,5   0,5
Bagre-branco (Netuna barba)            8      --      14     --
Corvina (Micropogonias furnieri)       4      9,5      9     --
Parati (Mugil spp)                     --     --      --     0,6
Tainha (Mugil sp.)                     --     --      --     --
Pescada-branca (Cynoscion leiarchus)   --     12      --     --
Traira (Hopias malabaricus)            9      --      --     --
Pampo (Trachnotus carolinus)           --     4        1     --
Mandi (Pimelodus maculatus)            4      --      --     2,5
Bagre-cabecudo (Ariidae)               --     --      --     --
mistura                                3      --      --
Betara (Menticirrhus littoralis)       --     --      --     --

Especies Capturadas                    Jun    Jul    Ago    Total
                                       2001   2001   2001   (kg)

Robalo (Centropomus sp.)                --     4,5   6      44,5
Caratinga (Eugerres brasilianus)        --    --     2      40
Bagre-branco (Netuna barba)             --    --     --     39,5
Corvina (Micropogonias furnieri)        --    --     2      38,5
Parati (Mugil spp)                      --    10     2,5    35,6
Tainha (Mugil sp.)                      16    11     --     27
Pescada-branca (Cynoscion leiarchus)    --    --     1,5    26
Traira (Hopias malabaricus)             --    --     --      9
Pampo (Trachnotus carolinus)             2    --     --      7
Mandi (Pimelodus maculatus)             --    --     --      6,5
Bagre-cabecudo (Ariidae)                --    --     3       3
mistura                                                      3
Betara (Menticirrhus littoralis)        --    --     3       3

N = freguencia de ocorrencia das especies nos desembarques
amostrados.

TABELA III
DISTRIBUICAO E PESO (kg) DAS ESPECIES CAPTURADAS NA COMUNIDADE DO
GUARAU NO PERIODO DE SETEMBRO 2000 - AGOSTO 2001

Especies Capturadas                         N    Set    Out    Dez
                                                 2000   2000   2000

Tainha (Mugil sp.)                          12    --     --     --
Pescada-branca (Cynoscion leiarchus)         8    --     25     22
Cacao-pao (Carcharhinidae)                   3    --     20     15
Pescada-cascuda (Scianidae)                  3    --     --     --
Pescada-cambucu (Cynoscion virescens)        2    --     --     --
Cacao-cochador (Carcharhinidae)              4    --     --     --
Arraia-pintada (Myliobatidae)                1    --     --     --
Salgo-de-beico (Anisotremus surinamensis)    6    --     --     --
Bagre-branco (Netuna barba)                  3    --     --     --
Robalo (Centropomus sp.)                     6    --     --     --
Pampo (Trachnotus carolinus)                 4    --     --     --
Linguado (Paralichthyidae)                   3    3,6    --      8
Pescada-amarela (Cynoscion acoupa)           3    --     --     --
Parati (Mugil sp.)                           3    --     --     --
Enchova (Pomatomus saltator)                 1    --     --     --
Betara (Menticirrhus littoralis)             1    5      --     --
Prejereba (Lobotidae)                        1    --     --     --
Bagre-sassari (Bagre bagre)                  1    --     --     --
Corvina (Micropogonias furnieri)             4    0,4    --     --
Bagre-cangata (Sciadeichthys luniscutis)     1    --     --     --
Cangangua (Stellifer brasiliensis)           1    --     --     --
Caratinga (Eugerres brasilianus)             4    --     --     --
Maria-Luisa (Paralonchurus brasiliensis)     1    --     --     --
Saltera (Oligoplites sp.)                    1    --     --     --

Especies Capturadas                      Jan    Fev     Mar     Abr
                                        2001   2001    2001    2001

Tainha (Mugil sp.)                       --     --      --      --
Pescada-branca (Cynoscion leiarchus)     34     13       2      --
Cacao-pao (Carcharhinidae)               16     --      --      --
Pescada-cascuda (Scianidae)              --     --       8      40
Pescada-cambucu (Cynoscion virescens)    --     --      15      --
Cacao-cochador (Carcharhinidae)          --     --      13       3,3
Arraia-pintada (Myliobatidae)            --     --      --      30
Salgo-de-beico (Anisotremus              --     --       7,5    22
  surinamensis)
Bagre-branco (Netuna barba)               6      4      11      --
Robalo (Centropomus sp.)                  7     --      --      --
Pampo (Trachnotus carolinus)             --     --       2      14
Linguado (Paralichthyidae)               --     --      --      --
Pescada-amarela (Cynoscion acoupa)       --     --       6       1,7
Parati (Mugil sp.)                       --     --      --      --
Enchova (Pomatomus saltator)             --     --      --       9
Betara (Menticirrhus littoralis)         --     --      --      --
Prejereba (Lobotidae)                    --     --      --      --
Bagre-sassari (Bagre bagre)              --      4      --      --
Corvina (Micropogonias furnieri)         --      0,6    --       0,3
Bagre-cangata (Sciadeichthys             --      3      --      --
  luniscutis)
Cangangua (Stellifer brasiliensis)       --     --      --      --
Caratinga (Eugerres brasilianus)         --     --      --       0,3
Maria-Luisa (Paralonchurus               --     --       0,5    --
  brasiliensis)
Saltera (Oligoplites sp.)                --     --      --       0,3

Especies Capturadas                         Mai     Jun      Jul
                                            2001    2001    2001

Tainha (Mugil sp.)                           21      15     111,5
Pescada-branca (Cynoscion leiarchus)          0,4    --      --
Cacao-pao (Carcharhinidae)                   --      --      --
Pescada-cascuda (Scianidae)                  --      --      --
Pescada-cambucu (Cynoscion virescens)        --      --      --
Cacao-cochador (Carcharhinidae)              --      --      --
Arraia-pintada (Myliobatidae)                --      --      --
Salgo-de-beico (Anisotremus surinamensis)    --       0,5    --
Bagre-branco (Netuna barba)                  --      --      --
Robalo (Centropomus sp.)                      2       3       0,3
Pampo (Trachnotus carolinus)                 --      --      --
Linguado (Paralichthyidae)                   --      --      --
Pescada-amarela (Cynoscion acoupa)           --      --      --
Parati (Mugil sp.)                            8      --       2
Enchova (Pomatomus saltator)                 --      --      --
Betara (Menticirrhus littoralis)             --      --      --
Prejereba (Lobotidae)                        --      --       5,2
Bagre-sassari (Bagre bagre)                  --      --      --
Corvina (Micropogonias furnieri)             --      --       2,5
Bagre-cangata (Sciadeichthys luniscutis)     --      --      --
Cangangua (Stellifer brasiliensis)            2,5    --      --
Caratinga (Eugerres brasilianus)              0,5    --      --
Maria-Luisa (Paralonchurus brasiliensis)     --      --      --
Saltera (Oligoplites sp.)                    --      --      --

Especies Capturadas                         Ago     Total
                                            2001    (kg)

Tainha (Mugil sp.)                            1     148,5
Pescada-branca (Cynoscion leiarchus)         --      96,4
Cacao-pao (Carcharhinidae)                   --      51
Pescada-cascuda (Scianidae)                  --      48
Pescada-cambucu (Cynoscion virescens)        23      38
Cacao-cochador (Carcharhinidae)              18      34,3
Arraia-pintada (Myliobatidae)                --      30
Salgo-de-beico (Anisotremus surinamensis)    --      30
Bagre-branco (Netuna barba)                  --      21
Robalo (Centropomus sp.)                      8,5    20,8
Pampo (Trachnotus carolinus)                 --      16
Linguado (Paralichthyidae)                    3      14,6
Pescada-amarela (Cynoscion acoupa)            6      13,7
Parati (Mugil sp.)                            1      11
Enchova (Pomatomus saltator)                 --       9
Betara (Menticirrhus littoralis)             --       5
Prejereba (Lobotidae)                        --       5,2
Bagre-sassari (Bagre bagre)                  --       4
Corvina (Micropogonias furnieri)             --       3,8
Bagre-cangata (Sciadeichthys luniscutis)     --       3
Cangangua (Stellifer brasiliensis)           --       2,5
Caratinga (Eugerres brasilianus)              0,5     1,3
Maria-Luisa (Paralonchurus brasiliensis)     --       0,5
Saltera (Oligoplites sp.)                    --       0,3

N: freguencia de ocorrencia das especies nos desembarques amostrados.

TABELA IV
ESPECIES DE PEIXES COLETADAS NOS DESEMBARQUES PESQUEIROS
ANALISADOS NAS DUAS COMUNIDADES ESTUADADAS

Familia           Identificacao                       Nome Popular

Engraulidae       Anchovia clupeiodes (Swinson,       Sardinha-branca
                    1839)
Ariidae           Bagre bagre (Linnaeus, 1758)        Bagre-sassari
                  Genidens genidens (Valenciennes,    Bagre-urutu
                    1870)
                  Sciadeichthys luniscutis            Bagre-cangata
                    (Valenciennes, 1840)
                  Netuna barba (Lacepede, 1803)       Bagre-branco
Loricaridae       Hypostomus sp.                      Cascudo
Pimelodidae       Pimelodus maculatus (Lacepede,      Mandi-pintado
                    1803)
                  Rhandia quelen (Quoy & Gaimard,     Jundia
                    1824)
Exocoetidae       Hyporhamphus unifasciatus           Peixe-agulha
                    (Ranzani, 1842)
Belonidae         Tylosurus acus (Lacepede, 1803)     Agulhao
Syngathidae       Oostethus lineatus (Kaup, 1856)     Peixe-cachimbo
Centropomidae     Centropomus undecimalis             Robalo-flexa
                    (Bloch, 1792)
                  Centropomus parallelus (Poey,       Robalo-peba
                    1860)
                  Centropomus spp                     Robalo
Serranidae        Diplectrum radiale                  Michole-de-areia
                    (Quoy & Gaimard, 1824)
Grammistidae      Rypticus randalli Courtenay, 1967   Peixe-sabao
Pomatomidae       Pomatomus saltator (Linnaeus,       Enchova
                    1766)
Carangidae        Caranx bartholomaei (Cuvier,        Carapau
                    1833)
                  Caranx latus (Agassiz, 1831)        Xareu-xaralete
                  Hemicaranx amblyrhynchus            Vento-leste
                    (Cuvier, 1833)
                  Selene setapinnis (Mitchiel,        Peixe-galo
                    1815)
                  Trachnotus carolinus (Linnaeus,     Pampo
                    1766)
Lutjanidae        Lutjanus spp.                       Caranha
Gerreidae         Eugerres brasilianus (Cuvier,       Caratinga
                    1930)
                  Diapterus rhombeus (Cuvier, 1829)   Carapeva
Pomadasyidae      Anisotremus surinamensis            Salgo-de-beico
                    (Block, 1791)
Sciaenidae        Menticirrhus littoralis             Betara
                    (Holbrook, 1860)
                  Menticirrhus americanus             Papa-terra
                    (Linnaeus, 1758)
                  Paralonchurus brasiliensis          Maria-luisa
                  Micropogonias,furnieri              Corvina
                    (Desmarest, 1823)
                  Larinus breviceps (Cuvier, 1830)    Oveva
                  Cynoscion virescens (Cuvier,        Pescada-cambucu
                    1830)
                  Cynoscion leiarchus (Cuvier,        Pescada-branca
                    1830)
                  Cynoscion acoupa                    Pescada-amarela
                  Stellifer brasiliensis              Cangangua
                    (Schultz, 1945)
Mugilidae         Mugil curema Valenciennes, 1836     Parati
                  Mugil liza (Valenciennes, 1836)     Parati
                  Mugil spp.                          Tainha
Eleotrididae      Domitator maculatus (Bloch, 1970)   Embore
                  Guavina guavina (Vlaenciennes,      Embore
                    1837)
                  Gobionellus boleosoma (Jordan &     Embore
                    Gilbert, 1882)
                  Gobionellus oceanicus (Pallas,      Embore
                    1770)
Thichiuridae      Trachiurus lepturus (Linnaeus,      Espada
                    1758)
Stromateidae      Peprilus paru (Linnaeus, 1758)      Gordinho
Cichlidae         Geophagus brasiliensis              Cara
                    (Quoy & Gaimard, 1824)
Paralichthyidae   Citharichthys arenaceus             Linguado
                    (Evermann & Marsh, 1902)
Tetraodontidae    Lagocephalus laerigatus             Baiacu-arara
                    (Linnaeus, 1766)
                  Sphoeroides testudineus             Baiacu-mirim
                    (Linnaeus, 1758)
Diodontidae       Cyclichthus spinosus                Baiacu-de-espinho
                    (Linnaeus, 1758)
Erythrinidae      Hoplias malabaricus                 Traira
Characidae        Astyanax sp.                        Lambari
                  Oligosarcus hepsetus (Cuvier,       Saicanga
                    1829)
Anostomidae       Leporinus obtusidens                Piau
Curimatidae       Cyphocarax santacatarinae           Saguiru
                    (Fernandez-Yepez, 1948)


REFERENCIAS

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Milena Ramires. Biologa, Pontificia Universidade Catolica de Sao Paulo. Pos-graduanda, Programa de Ecologia de Agroecossistemas da ESALQ/USP. Endereco: Av. Aldo Coli, 1081. Vila Mirim, Praia Grande, SP. Brasil. Cep: 11704-760. e-mail: micaicara@bol.com.br.

Walter Barrella. Biologo, Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Mestre em Ecologia, UNICAMP. Doutor em Zoologia, Universidade Estadual de Sao Paulo (UNESP). Professor Associado e Diretor, Departamento de Ciencias do Ambiente, Faculdade de Ciencias Biologicas, Pontificia Universidade Catolica de Sao Paulo (PUC-SP). e-mail: dinamica@splicenet.com.br.

RESUMEN

La pesca artesanal fue estudiada en dos comunidades caicaras de la Estacion Biologica de Jureia-Itatins, Sao Paulo, Brasil. El objetivo fue conocer la composicion del pescado capturado, la productividad pesquera y sus relaciones con variables abioticas (lluvia, marea y luna). Los datos fueron obtenidos a traves de muestreos de desembarques pesqueros y de fichas de campo y cuestionarios, en el periodo setiembre 2000 - agosto 2001. Los analisis de productividad fueron hechos a traves del calculo de captura por unidad de esfuerzo (CPUE). En Barra de Una fueron analizados 20 desembarques, con un total de 282,6kg de pescado capturado; 19340[m.sup.2] de redes utilizadas; 177,5 horas invertidas; 12 especies de peces capturadas; CPUE1 de 0,001kg/[m.sup.2]/hora; y CPUE2 de 10526kg/pescador/hora. En Guarau fueron analizados 32 desembarques, con un total de 607,9kg de pescado capturado; 27320[m.sup.2] de redes utilizadas; 246,5 horas invertidas; 24 especies de peces capturadas; CPUE1 de 0,0015kg/[m.sup.2]/ hora; y CPUE2 de 1,0191kg/pescador/ hora. La similitud de especies observada en los desembarques de las dos comunidades fue de 33%, de acuerdo el Coeficiente de Similitud de Jaccard. Una coleccion zoologica de peces de la region fue elaborada y cuenta con 54 especies identificadas, pertenecientes a 28 familias.

SUMMARY

Artisanal fishery at two villages in Jureia-Itatins Ecological Station, Sao Paulo State, Brazil, was studied between September 2000 and August 2001, in order to analyze fish composition and yield, and their relation to environmental variables (rain, tides and moon). Productivity analysis was made through capture per unit of effort (CPUE), In Barra do Una, 20 disembarkations caught 282.6kg of 12 fish species, using 19340m" of nets, in 177.5 hours, obtaining a yield of 0.001kg/m"/ hour (CPUE1) or 1.0526kg/fisherman/ hour (CPUE2). In Guarau, 607.9kg of 24 fish species were collected in 32 disembarkations, utilizing 27320m" of nets in 246.5 hours of fishing effort, with yields was 0.0015kg/m"/hour (CPUE1) of 1.0191kg/fisherman/hour (CPUE2). In spite of closeness of yield values, the disembarkations composition at these two villages was distinct, with only 33% similarity (Jaccard Index). A fish collection of 54 species belonging to 28 families was made.
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Author:Ramires, Milena; Barrella, Walter
Publication:Interciencia
Date:Apr 1, 2003
Words:6453
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