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ESTIMATIVA DE PERDA DE SOLOS POR EROSAO LAMINAR E LINEAR NA BACIA HIDROGRAFICA DO RIBEIRAO DAS PEROBAS (SP), NOS ANOS 1962 E 2011.

ESTIMATION OF SOIL LOSS BY SHEET AND RILL EROSION IN PEROBAS STREAM WATERSHED (SAO PAULO STATE) IN 1962 AND 2011

1 INTRODUCAO

A erosao hidrica do solo consiste de uma serie de transferencias de energia e materia provocadas por um desequilibrio do sistema agua/solo/cobertura vegetal, que resultam na perda progressiva de solo. A energia da chuva e aplicada a superficie do terreno e, ultrapassado um limite de resistencia ao cisalhamento, iniciam-se as transferencias de materia por processos de desestabilizacao dos agregados do solo, de movimentacao e transporte de particulas e de sedimentacao em zonas mais rebaixadas do relevo (MAFRA, 2005).

A erosao do solo agrava sua degradacao, e vice-versa. O processo erosivo resulta da combinacao de fatores naturais e antropicos: erodibilidade do solo, erosividade da chuva, caracteristicas do terreno e cobertura do solo, alem de aspectos economicos, sociais e politicos que influenciam no modo de ocupacao, manejo e conservacao dos solos (LAL, 2001). Entre os principais fatores dos processos erosivos em areas agricolas destacam-se: a substituicao da vegetacao natural pelos agrossistemas e demais usos, o manejo incorreto dos solos produtivos, a exploracao inadequada de terras marginais e, sobretudo, a falta de planejamento da ocupacao (WEILL; PIRES NETO, 2007).

As consequencias do processo erosivo sao observadas onde ele ocorre e nas areas a jusante das bacias hidrograficas, com destaque para o assoreamento de rios e lagos, a contaminacao das aguas dos rios pelos defensivos agricolas, a acentuacao dos efeitos de inundacoes, entre outros impactos ambientais negativos (GUERRA, 2005).

O quadro atual de degradacao dos solos exige o desenvolvimento de pesquisas com vistas a quantificacao do processo erosivo, que possibilitem o planejamento do uso e manejo do solo, visando a reducao de sua intensidade, a conservacao deste recurso natural e ao aumento da renda no campo. Como esta quantificacao da erosao em campo e morosa e de alto custo, foram desenvolvidos modelos matematicos de predicao de taxas de erosao, que podem ser executados em ambiente de Sistemas de Informacao Geografica (SIG).

A Equacao Universal de Perda de Solo Revisada (RUSLE, em ingles), publicada no "Agriculture Handbook 703" (RENARD et al., 1997), consiste na revisao do modelo USLE (WISCHMEIER; SMITH, 1978) e e utilizada na estimativa de taxas anuais de erosao. Ela manteve a estrutura da USLE, mas propos outras metodologias de determinacao de todos os seus fatores, tendo incluido novas teorias para explicar os processos hidrologicos e erosivos fundamentais. A USLE e a RUSLE sao dadas por:

A = R * K * L * S * C * P (1)

Em que: "A" representa a perda media anual de solo por erosao por unidade de area e de tempo, expressa em [t.ha.sup.-1] x [ano.sup.-1]; "R" e o fator erosividade da chuva, dado em [MJ.mm.ha.sup.-1] x [h.sup.-1]; "K" e o fator erodibilidade do solo, expresso em [t.ha.h.ha.sup.-1] x [MJ.sup.-1] x [mm.sup.-1]; "L" e o fator comprimento de rampa; "S" e o fator declividade; "C" e o fator uso e manejo do solo e "P" e o fator praticas conservacionistas. Os fatores L, S, C e P sao adimensionais.

A USLE e um modelo empirico de predicao de processos erosivos. Nela a exigencia computacional e de dados e menor se comparada aos modelos conceituais e de base fisica (MERRITT; LETCHER; JAKEMAN, 2003).

Alcantara e Souza (2010) apontam como limitacoes da USLE a nao predicao do local de deposicao dos sedimentos e a incapacidade de modelar a perda de solo em processos mais avancados de erosao, como as ravinas e vocorocas. Araujo, Almeida e Guerra (2010) enumeram como desvantagens sua base empirica e a frequencia anual de estimativa das taxas de erosao, que desconsidera a ocorrencia de episodios de chuvas intensas altamente erosivas. De acordo com Merritt, Letcher e Jakeman (2003), modelos empiricos (como a USLE) sao usados em condicoes de pequena disponibilidade de dados e constituem um primeiro passo na identificacao de fontes de sedimentos e nutrientes.

Apesar das limitacoes, os modelos USLE e RUSLE sao usados no mundo todo, como na sub-bacia do Rio Albegna, regiao sul da Toscana, na Italia (MARKER et al., 2008), na bacia do Rio Wangjiaqiao, nas proximidades da Usina Tres Gargantas, na China (SHI et al., 2004), na bacia de captacao Kianjuki, nas proximidades do Monte Quenia (ANGIMA et al., 2003), na bacia do Rio Mantaro, situada nos Andes tropicais, no Peru (CORREA et al., 2016), entre outras areas. No Brasil, seu uso teve inicio no Instituto Agronomico de Campinas (IAC) (BERTONI; LOMBARDI NETO, 2005). Atualmente, as estimativas de erosao sao realizadas com tecnicas de Geoprocessamento, como nos trabalhos de Oliveira et al. (2014), na bacia do Rio Verde, Sul de Minas Gerais; de Mingoti e Vetorazzi (2011) na bacia do Rio Corumbatai, estado de Sao Paulo, entre outros.

A modelagem de erosao realizada neste estudo tambem utilizou tecnicas de Geoprocessamento. A bacia analisada teve alteracoes significativas nos usos da terra e nos niveis de manejo do solo ao longo dos ultimos cinquenta anos. Sua cobertura florestal reduziu de 13% para 7,43% entre os anos 1962 e 2011, e em ambos os periodos apresentou evidencias de processos erosivos laminares e lineares. Para compreender as consequencias dessas mudancas, o presente trabalho teve como objetivo estimar as perdas de solo por erosao na bacia hidrografica do Ribeirao das Perobas, localizada no municipio de Santa Cruz do Rio Pardo--SP, utilizando a Equacao Universal de Perda de Solo Revisada (RUSLE), nos anos acima mencionados.

2 MATERIAIS E METODOS

2.1 Area de estudo

A bacia hidrografica do Ribeirao das Perobas esta localizada na porcao Oeste do municipio de Santa Cruz do Rio Pardo, regiao Centro-Oeste do Estado de Sao Paulo. E limitada pelas coordenadas geograficas: latitude 22[grados]47'15.04"S a 22[grados]50'44.29"S; longitude 49[grados]38'55.13"W a 49[grados]43'46.42"W, e sua area e de aproximadamente 30,611 [km.sup.2] (Figura 1).

Geologicamente, a area encontra-se na Bacia Sedimentar do Parana sobre as formacoes Serra Geral, do Grupo Sao Bento, e Adamantina, do Grupo Bauru, ambas da Era Mesozoica (IPT, 1981). De acordo com Ross e Moroz (1997), o relevo da area de estudo esta inserido na unidade morfoestrutural Bacia Sedimentar do Parana, unidade morfoescultural Planalto Ocidental Paulista e na unidade geomorfologica Planalto Centro Ocidental, caracterizada por formas de relevo denudacionais em forma de colinas amplas e baixas com topos convexos, aplanados ou tabulares. As altimetrias variam entre 400 e 700 m e as declividades medias das vertentes estao entre 2 e 10%.

O clima do municipio de Santa Cruz do Rio Pardo, classificado a partir das normais climaticas apresentadas por Miranda et al. (2005), e do tipo Am segundo a classificacao de Koppen-Geiger. Este tipo climatico e tropical chuvoso com inverno seco, caracterizado pelo indice pluviometrico do mes mais seco inferior a 60 mm e pela temperatura media dos meses mais frio e mais quente maior ou igual a 18[grados] C e 22[grados]C, respectivamente (PEEL; FINLAYSON; MCMAHON, 2007). Seu indice pluviometrico medio anual e de 1.475,3 mm, sendo o indice medio do mes mais chuvoso e erosivo (dezembro) de 212,5 mm. A estacao chuvosa ocorre de outubro a marco, e a estacao seca de abril a setembro (MIRANDA et al., 2005).

De acordo com IBGE (2004), a cobertura vegetal predominante na bacia hidrografica do Ribeirao das Perobas e a Floresta estacional semidecidual (Floresta tropical subcaducifolia), subtipo Vegetacao secundaria e atividades agrarias.

2.2 Procedimentos metodologicos

Os fatores da RUSLE foram determinados e mapeados de acordo com os procedimentos metodologicos descritos a seguir.

A erosividade da chuva (fator R) foi estimada a partir de dados pluviometricos medios mensais e anual do posto pluviometrico "Sao Pedro do Turvo", estacao mais proxima da area de estudo, situada a 8,6 km dela, e os dados faltantes foram preenchidos com dados do posto pluviometrico "Santa Cruz do Rio Pardo", instalado a 11,8 km da bacia do Ribeirao das Perobas. Os indices pluviometricos anuais de ambos os postos apresentaram diferenca media de 14%.

A serie de dados utilizada compreendeu o periodo de trinta anos, de janeiro de 1981 a dezembro de 2011, excluido o ano 2010 devido a indisponibilidade de dados nos dois postos pluviometricos. O indice de erosao (EI) foi obtido por meio da Equacao 1, proposta por Roque, Carvalho e Prado (2001) para o municipio de Piraju--SP, localizado a aproximadamente 52 quilometros da area de estudo.

EI = 72,5488 * ([p.sup.2]/p) 0,8488 (1)

Em que: "EI" e a media mensal do indice de erosao, expresso em [MJ.mm.ha.sup.-1] x [h.sup.-1]; "p" e a precipitacao media mensal (mm) e "P" e a precipitacao media anual (mm).

O indice de erosividade medio anual (R) foi obtido pela soma dos indices de erosao EI mensais.

Para aumentar a precisao do parametro EI e do fator R, evitando que valores extremos de precipitacao afetem os indices pluviometricos medios mensais, foram excluidos do calculo de "p" os maiores e menores valores de precipitacao de cada mes, de acordo com Lombardi Neto e Moldenhauer (1992).

O fator erodibilidade do solo (K) foi determinado e mapeado para as classes presentes no levantamento detalhado de solos executado por Demarchi e Zimback (2014) na area de estudo. Utilizou-se o metodo proposto por Mannigel et al. (2002), cujas variaveis sao os conteudos de areia, silte e argila das amostras de terra de cada horizonte do solo usadas no levantamento (Equacao 2), em que:

K = (%Areia + %Silte)/(%Argila) / 100 (2)

A erodibilidade dos horizontes de cada classe de solo foi obtida pela media dos valores calculados das amostras correspondentes, coletadas nas profundidades 0 - 0,2 m e 0,6 - 0,8 m em cinquenta pontos de amostragem, com excecao dos Neossolos Litolicos Eutroficos (RLe), nos quais amostraram-se profundidades menores em subsuperficie proximas ao contato com o horizonte C. Algumas classes de solo (Argissolo Vermelho-Amarelo Distrofico--PVAd, Argissolo Vermelho Distrofico--PVd e Latossolo Vermelho-Amarelo Eutrofico--LVAe) apresentam conteudo de areia + silte superior a 840 g x [kg.sup.-1] no horizonte A e, consequentemente, valores superestimados de erodibilidade (MANNIGEL et al., 2002). Considerando que o gradiente textural da fracao argila entre os horizontes superficial e subsuperficial afeta a permeabilidade, a drenagem e a erodibilidade do perfil, o fator K das classes de solo da bacia do Ribeirao das Perobas foi obtido pela soma dos valores medios de erodibilidade, ponderados pelas espessuras dos respectivos horizontes, limitado a um metro de profundidade (Equacao 3):

K = (K hor x A * espessura hor x A) + (K hor x B * espe ssura hor x B) (3)

O fator topografico (LS) da RUSLE foi calculado pelo software Usle2D versao 4.1 (VAN OOST; GOVERS, 2000), a partir do modelo digital de elevacao (MDE) da bacia do Ribeirao das Perobas. O MDE foi gerado pelo interpolador "Topo to raster", no SIG ArcMAP 10.3.1, a partir das curvas de nivel de altitude, rede de drenagem, pontos cotados e do limite da area de estudo.

Utilizou-se o algoritmo de roteamento do fluxo do escoamento superficial "flux decomposition", recomendado por Desmet e Govers (1996b) para modelagem de erosao e estudos de transporte de sedimentos. Quanto a relacao entre erosao em sulcos e entressulcos, utilizou-se a opcao "Rill < Interrill - factor C < 0,15", pois a erosao laminar tem maior expressividade que a erosao em sulcos na area de estudo e a maioria dos usos da terra analisados, de 1962 e 2011, apresenta fator C menor que 0,15. Para a determinacao do fator S e do expoente "m" da equacao do fator L desenvolvida por Desmet e Govers (1996a), foram utilizados o algoritmos propostos por McCool et al. (1987) e McCool et al. (1989), respectivamente, recomendados para o calculo do fator topografico da RUSLE por Renard et al. (1997).

Os mapas do fator C (uso e manejo do solo) da bacia do Ribeirao das Perobas foram elaborados a partir dos mapas de uso da terra dos anos 1962 e 2011.

O mapa de uso da terra de 1962 foi elaborado no SIG ArcMAP 10.3.1 a partir da delimitacao em tela (vetorizacao) dos poligonos sobre o mosaico de fotografias aereas da cobertura aerofotogrametrica do estado de Sao Paulo, executada no periodo de 02/04 a 03/08/1962, com escala aproximada de 1:25.000.

Para a execucao do mapeamento do uso da terra do ano 2011, utilizaram-se imagens do satelite ALOS, fusao PRISM/AVNIR-2, de 11/03/2007, de resolucao espacial 2,5 metros. Os usos da terra foram atualizados para o ano 2011 a partir de visitas de campo a area de estudo e da interpretacao das imagens do satelite Landsat-7, sensor Thematic Mapper e do satelite IRS-P6, sensor LISS III.

Os valores do fator C (uso e manejo do solo) sao apresentados na Tabela 1. Os mapas do fator C foram elaborados no SIG Idrisi Taiga a partir dos indices do fator C constantes da tabela de atributos dos mapas de uso da terra. As classes acude, rodovia e plasticultura, foi atribuido o valor zero, por apresentarem perda de solo por erosao quase nula.

Para a determinacao e mapeamento do fator P (praticas conservacionistas), foram identificadas as praticas de controle de erosao sobre as fotografias aereas e imagens de satelite utilizadas no mapeamento do uso da terra, as quais foram classificadas em "plantio em nivel", "plantio morro abaixo", "terraceamento", "nenhuma pratica conservacionista", "acude" e "mata nativa e/ou ciliar". Para as areas terraceadas, tambem cultivadas em nivel, foram atribuidos valores de subfator P para terracos de extremidade fechada definidos por Renard et al. (1997) em funcao do espacamento horizontal entre eles.

As areas de plantio morro abaixo e nenhuma pratica conservacionista foi atribuido valor 1 ao fator P (BERTONI; LOMBARDI NETO, 2005). Para as areas ocupadas por mata nativa e/ou ciliar, adotou-se o fator P de 0,001, definido por Goncalves (2002) para areas ocupadas por floresta densa nativa com cobertura de residuos vegetais superior a 90%, e para os acudes atribuiu-se fator P igual a zero. O subfator P das areas cultivadas em nivel foi obtido a partir da Equacao 4, proposta por Lagrotti (2000), em funcao da declividade do terreno (S):

Subfator P = 0,69947 - 0,08991 * 5 + 0,01184 * [5.sup.2] - 0,000335 * [S.sup.3] (4)

Para declividades inferiores a 0,5% e superiores a 20%, assumiram-se valores de subfator P de 0,6 e 1,0, respectivamente, considerando que em declividades acima deste limiar o plantio em nivel nao contribui para a reducao da erosao do solo (SILVA et al., 2010). O mapa do fator P das areas cultivadas em nivel e terraceadas foi obtido por meio da multiplicacao entre os mapas de subfatores P para plantio em nivel e terracos, no SIG Idrisi Taiga. A esses mapas, somaram-se os poligonos correspondentes as demais classes de praticas conservacionistas contendo os respectivos valores de P.

O Potencial Natural de Erosao (PNE) da bacia do Ribeirao das Perobas foi obtido no SIG Idrisi Taiga pela ferramenta "Image Calculator', a partir da multiplicacao entre os fatores naturais da erosao R, K e LS. O mapa de PNE foi disposto em classes indicativas de perda de solo utilizadas por Souza e Galvani (2017): muito baixo (0-50 [t.ha.sup.-1] x [ano.sup.-1]), baixo (50-100 [t.ha.sup.-1] x [ano.sup.-1]), medio (100-200 [t.ha.sup.-1] x [ano.sup.-1]), alto (200-600 [t.ha.sup.-1] x [ano.sup.-1]), muito alto (600-1000 [t.ha.sup.-1] x [ano.sup.-1]) e extremamente alto (>1000 [t.ha.sup.-1] x [ano.sup.-1]). A simulacao de perda de solo por erosao pela Equacao Universal de Perda de Solo Revisada (RUSLE) dos anos 1962 e 2011 foi realizada a partir da multiplicacao entre o PNE e os fatores antropicos da erosao (C e P). Os mapas de perdas de solo anuais foram dispostos em classes indicativas propostas pela FAO (1967): baixa (0-10 [t.ha.sup.-1] x [ano.sup.-1]), moderada (10-50 [t.ha.sup.-1] x [ano.sup.-1]), alta (50-200 [t.ha.sup.-1] x [ano.sup.-1]) e muito alta (>200 [t.ha.sup.-1] x [ano.sup.-1]). Para a obtencao dos valores totais de sedimentos desagregados por erosao hidrica, converteram-se os mapas de perda de solo ao formato ASCII. No software Microsoft Excel, todos os pixels das imagens foram somados e multiplicados por 0,0004 hectares, tendo em vista que cada pixel possui area de 4 [m.sup.2].

Por fim, elaboraram-se os mapas de risco de erosao simulado (es) (Equacao 5) nos dois periodos estudados. Este indice, proposto por Cavalieri (1998), representa a relacao entre a perda atual ou simulada de solos por erosao (A) e a perda toleravel das classes de solo ([A.sub.toleravel]), ambas expressas em [t.ha.sup.-1] x [ano.sup.-1], ou seja:

es = A/[A.sub.toleravel] (5)

O mapa de tolerancia de perda de solo (T ou [A.sub.toleravel]) foi obtido por Demarchi e Zimback (2014) utilizando a metodologia proposta por Mannigel et al. (2002), cujas variaveis sao: espessura dos horizontes limitada a um metro de profundidade, densidade do solo media dos horizontes e gradiente textural da fracao argila.

3 RESULTADOS E DISCUSSAO

Os dados pluviometricos medios mensais e os indices de erosao (EI) mensais obtidos para o posto pluviometrico Sao Pedro do Turvo sao apresentados na Figura 2. Embora a erosividade da chuva seja variavel a cada ano, utilizou-se um valor unico deste fator, proveniente da serie historica de trinta anos de chuvas, para comparar as taxas de erosao nos anos 1962 e 2011.

As chuvas na area de estudo concentram-se na primavera e verao, no periodo de outubro a marco. Neste intervalo, o indice pluviometrico e de 943,08 mm, ou 72,43% do total medio anual. Ja o indice EI mensal de outubro a marco e de 5.480,27 [MJ.mm.ha.sup.-1] x [h.sup.-1], equivalente a 83,17% da erosividade da chuva anual. Os meses de maior erosividade da chuva sao janeiro e dezembro, respectivamente. Em contrapartida, os meses de julho e agosto representam apenas 3,25% da erosividade da chuva anual. Nesse sentido, a manutencao da cobertura do solo por vegetacao se faz necessaria no periodo chuvoso, com destaque para os meses de dezembro a fevereiro, de maneira a evitar a desagregacao e transporte de particulas pelo processo de erosao acelerada. Geralmente, as culturas agricolas de verao estao em desenvolvimento e crescimento vegetativo neste periodo.

O indice EI medio anual do posto pluviometrico Sao Pedro do Turvo foi de 6.588,76 [MJ.mm.ha.sup.-1] x [h.sup.-1], sendo o indice pluviometrico medio anual da serie de 30 anos de 1.302,06 mm. Este valor e inferior ao obtido por Roque, Carvalho e Prado (2001) no municipio de Piraju--SP (7.074 [MJ.mm.ha.sup.-1] x [h.sup.-1]), cujo indice pluviometrico medio anual e de 1.482,9 mm. 78,38% do indice EI anual e 69,12% do indice pluviometrico deste municipio ocorrem na estacao chuvosa. Comparado ao posto pluviometrico "Sao Pedro do Turvo", este apresenta indice EI anual proporcionalmente maior em relacao ao indice pluviometrico medio anual, pois a distribuicao da precipitacao ao longo do ano e menos uniforme.

A Figura 3 exibe o mapa detalhado de solos da bacia do Ribeirao das Perobas.

As principais classes de solo presentes na area de estudo sao os Latossolos Vermelhos Distroficos (LVd) de textura media (34,85% da area total); os Latossolos Vermelhos Eutroferricos (LVef) de textura argilosa (22,73% da area) e os Nitossolos Vermelhos Eutroferricos (NVef) de textura argilosa ou muito argilosa (16,10% da area). Nas porcoes centro-sul e leste da area de estudo encontram-se Latossolos e Argissolos de textura arenosa e media, correspondentes a formacao Adamantina, enquanto os Latossolos Vermelhos Eutroferricos (LVd) e Distroferricos (LVdf) e os Nitossolos Vermelhos Eutroferricos (NVef) se desenvolveram sobre os basaltos da formacao Serra Geral. Na Tabela 2 sao apresentados os valores de erodibilidade e espessura dos horizontes e de erodibilidade ponderada das classes de solo.

A erodibilidade do solo obtida pela metodologia proposta por Mannigel et al. (2002), ponderada pela espessura dos horizontes superficiais e subsuperficiais, apresentou resultados diretamente relacionados a textura do solo, tendo valores menores em solos com maior conteudo de argila e valores maiores, ou maior suscetibilidade a erosao, proporcionais ao conteudo de areia + silte. A mesma ordem de solo (Latossolo), por exemplo, apresentou erodibilidade de 0,009 e 0,034 [t.ha.h.ha.sup.-1] x [MJ.sup.-1] x [mm.sup.-1] em solos com conteudo de argila de 514 e 160 g x [kg.sup.-1] no horizonte superficial, respectivamente.

Merece destaque a erodibilidade do Argissolo Vermelho-Amarelo Distrofico, de 0,144 [t.ha.h.ha.sup.-1] x [MJ.sup.-1] x [mm.sup.-1], resultante do conteudo de areia de 929 g x [kg.sup.-1] no horizonte A e da espessura dos horizontes A + E de 0,59 m, e classificada como "extremamente alta" (K > 0,06 [t.ha.h.ha.sup.-1] x [MJ.sup.-1] x [mm.sup.-1]) segundo Mannigel et al. (2002). Esse indice de erosividade e aproximadamente tres vezes superior aos encontrados por Silva e Alvares (2005) para a classe dos Argissolos do estado de Sao Paulo (valor medio de 0,0425 [t.ha.h.ha.sup.-1] x [MJ.sup.-1] x [mm.sup.-1]) e por Correa, Moraes e Pinto (2015) em Argissolos Vermelho-Amarelos localizados na bacia do Ribeirao Jacutinga, centro-leste do Estado de Sao Paulo (valor medio de 0,043 [t.ha.h.ha.sup.-1] x [MJ.sup.-1] x [mm.sup.-1]).

Os indices de erodibilidade encontrados por Lombardi Neto e Bertoni (1975) para as classes de solo equivalentes aos atuais Argissolos em perfis do estado de Sao Paulo variaram de 0. 028 a 0,055 [t.ha.h.ha.sup.-1] x [MJ.sup.-1] x [mm.sup.-1] nos horizontes superficiais e de 0,018 a 0,046 [t.ha.h.ha.sup.-1] x [MJ.sup.-1] x [mm.sup.-1] nos horizontes B texturais. As demais classes de Argissolos presentes na bacia do Ribeirao das Perobas apresentaram erodibilidade ponderada entre 0,018 e 0,038 [t.ha.h.ha.sup.-1] x [MJ.sup.-1] x [mm.sup.-1], valores coerentes com os obtidos por Lombardi Neto e Bertoni (1975) se realizada a ponderacao entre os indices K dos horizontes superficiais e subsuperficiais pelas suas espessuras.

Tambem cabe destacar a erodibilidade de 0,008 [t.ha.h.ha.sup.-1] x [MJ.sup.-1] x [mm.sup.-1] obtida para os Nitossolos Vermelhos Eutroferricos (NVef), considerada "muito baixa" (K < 0,009 [t.ha.h.ha.sup.-1] x [MJ.sup.-1] x [mm.sup.-1]) segundo a classificacao de Mannigel et al. (2002). Para fins de comparacao, a erodibilidade ponderada das Terras Roxas Estruturadas (antiga nomenclatura dos Nitossolos) obtida por Lombardi Neto e Bertoni (1975), calculada a partir das espessuras dos horizontes A e B nitico do NVef da bacia do Ribeirao das Perobas, e de 0,013 [t.ha.h.ha.sup.-1] x [MJ.sup.-1] x [mm.sup.-1]. Embora esses solos apresentem textura argilosa ou muito argilosa, elevada estruturacao e agregacao das particulas, sao geralmente encontrados nas vertentes em declividades medias, o que faz sua suscetibilidade natural a erosao aumentar.

A Figura 4 apresenta os mapas do fator topografico (LS) da RUSLE e de declividade da bacia hidrografica do Ribeirao das Perobas. A analise comparativa entre os mapas do fator LS e de declividade mostra que os maiores valores de LS coincidem com as classes de declive mais elevadas, superiores a 12%, localizadas nas medias e baixas vertentes da bacia, o que faz seu comprimento de rampa aumentar. Com relacao ao fator LS, 23,21% da area de estudo possui valor inferior a 1, e 86,21% de sua area total possui valor LS inferior a 8, evidenciando que tais areas, de relevo plano a ondulado e situadas nos interfluvios, divisores de agua e terco superior das vertentes, apresentam menor suscetibilidade a erosao hidrica que as areas situadas nos tercos medio e baixo das vertentes.

Os mapas de uso da terra da area dos anos 1962 e 2011, dos quais foram derivados os mapas do fator C da RUSLE, sao apresentados nas Figuras 5 e 6, respectivamente.

No intervalo de quarenta e nove anos, as areas ocupadas por mata nativa ou ciliar reduziram de 13% para 7,43% em decorrencia do avanco da agropecuaria (Tabela 3). Comparado com o ano 1962, houve aumento da cobertura florestal nas zonas riparias da area de estudo em decorrencia da promulgacao do Codigo Florestal Brasileiro em 1965, que criou as Areas de Preservacao Permanente, lei que sofreu varias alteracoes nas decadas de 1980 e 2000 e foi substituida em 2012 pelo Codigo Florestal atualmente vigente. No entanto, diversos fragmentos florestais localizados em outros locais em 1962 foram suprimidos, como apontam as Figuras 5 e 6. Tambem, as areas de uso campestre, que representavam quase 7 [km.sup.2] ou 22,86% da bacia em 1962 e foram extintas em 2011, dando lugar as pastagens e areas agricolas.

As mudancas ocorridas na bacia do Ribeirao das Perobas entre 1962 e 2011 foram caracterizadas pela consolidacao da ocupacao agricola, substituicao dos cultivos principais e alteracoes nos sistemas de manejo do solo. Esse processo pode ser explicado por mudancas nas politicas agricolas no ambito federal, com incentivos a producao de diferentes commodities agricolas em larga escala, realizada em medias e grandes propriedades; pela evolucao tecnologica que acompanhou a Revolucao Verde e possibilitou a mecanizacao das lavouras, o combate as pragas e doencas e o aumento da produtividade; e por eventos climaticos extremos, como as geadas, que foram responsaveis pelo fim da lavoura cafeeira. Todas essas transformacoes na agricultura ocorreram paulatinamente na area de estudo a partir da segunda metade do seculo XX e promoveram o exodo dos trabalhadores do campo, sendo a populacao rural do municipio de Santa Cruz do Rio Pardo reduzida de 23.809 habitantes em 1960 para 3.767 habitantes em 2010 de acordo com os respectivos Censos Demograficos (FIBGE, 1960; IBGE, 2010).

Em relacao as principais culturas agricolas, a cana-de-acucar avancou significativamente de 1962 a 2011, de 3,15% da area para 20,81%, consequencia da implantacao de usinas de acucar e alcool nos municipios vizinhos e dos incentivos a producao do alcool combustivel a partir da decada de 1970 com o Programa Nacional do Alcool (Proalcool). A cultura do cafe, que ocupava 18,40% da area de estudo em 1962, foi quase totalmente substituida por culturas anuais e pastagem em 2011. A crise do cafe, ja latente na decada de 1970, foi agravada pelas geadas ocorridas em 1975, que dizimaram grande parte dos cafeeiros no Sul e Sudeste do pais.

As principais culturas agricolas presentes na bacia hidrografica em 2011 sao o milho (6,88 % da area total, superior ao dobro do ano 1962) e a soja, presente em 14,65% da area total e nao cultivada em 1962. Ambas as culturas sao plantadas no verao e o milho e tambem cultivado no inverno (milho safrinha), somado a outras culturas de inverno ou plantas de cobertura, de forma a manter o solo coberto durante grande parte do ano, sendo o sistema de plantio direto amplamente empregado.

A area ocupada pelas pastagens ampliou 38,06% para 44,13% entre 1962 e 2011. Houve melhora nas praticas mecanicas de conservacao do solo (terraceamento) e no manejo das pastagens, mas as pastagens degradadas, com baixa densidade de cobertura e presenca de erosao laminar, em sulcos e ravinas, praticamente duplicaram em area, havendo reducao nas areas de pastagem conservada, o que mostra a ineficiencia dos sistemas de manejo e/ou a ocupacao de areas em desacordo com a capacidade de uso da terra devido a limitacoes inerentes ao solo ou ao relevo.

A Figura 7 apresenta os mapas do fator P da RUSLE dos anos 1962 e 2011.

Os mapas permitem inferir que houve reducao nos valores de P no ano 2011 em relacao a 1962, ou seja, implantacao de novas praticas conservacionistas. Em 1962, o valor medio de P foi 0,786 e, em 2011, de 0,466.

No ano 1962, 20,66% da area de estudo estava cultivada em nivel e apenas 1,27% possuia terraceamento, ao passo que 63,38% dela nao apresentava nenhuma pratica conservacionista visando a reducao da erosao hidrica. No ano 2011, a area cultivada em nivel e terraceada foi de 22,69 [km.sup.2] ou 74,12% da bacia; a area apenas cultivada em nivel foi de 6,27%, estando situada em relevo plano sem necessidade de terraceamento; e as areas agricolas sem nenhuma pratica conservacionista correspondiam a 11,51% do total, com destaque para as pastagens degradadas em areas de declividades elevadas. As areas agricolas de plantio morro abaixo tambem tiveram reducao ao longo do periodo, de 1,67% a 0,39% da bacia.

A metodologia utilizada no mapeamento do fator P permitiu obter o indice para areas cultivadas em nivel em funcao da declividade do terreno, e para as areas terraceadas a partir do espacamento entre terracos, diferindo dos trabalhos de Weill e Sparovek (2008), que utilizaram o fator 0,5 para areas terraceadas ocupadas por cana-de-acucar e 1,0 para areas nao ocupadas por esta cultura, e dos trabalhos de Paes et al. (2010), Oliveira et al. (2014) e Correa et al. (2016), que nao consideraram o efeito das praticas conservacionistas na reducao da erosao (P = 1,0).

A Figura 8 apresenta os mapas de perda de solo simulados pela RUSLE em 1962 e 2011, de Potencial Natural de Erosao da bacia do Ribeirao das Perobas e de tolerancia de perda de solo.

Os mapas de perda de solo anual simulados pela RUSLE (Figuras 8.a e 8.b) mostram que houve alteracao no padrao espacial de erosao entre os anos 1962 e 2011, relacionadas aos condicionantes naturais e antropicos do processo erosivo.

As areas classificadas como de erosao alta e muito alta, em ambas as datas, coincidiram em sua maioria com as de PNE muito alto e extremamente alto (Figura 8.c), mas algumas dessas areas apresentaram taxas de erosao baixa ou moderada em funcao do uso do solo, manejo e das praticas conservacionistas adotadas. Areas de PNE baixo a medio, no entanto, apresentaram em geral taxas de erosao baixas a moderadas. Como foi utilizado um valor unico de erosividade da chuva para toda a bacia, as classes de PNE mais elevadas estao relacionadas a ocorrencia de solos de maior erodibilidade (PVAd, PVd e LVAe) e as medias e baixas vertentes de declividade superior a 12%. Os coeficientes de correlacao obtidos entre as classes de PNE e de perda de solo nos anos 1962 e 2011 foram, respectivamente, de 0,412 e 0,463, evidenciando correlacao moderada entre as variaveis.

A Tabela 4 mostra as areas ocupadas pelas classes indicativas de perda de solo na bacia do Ribeirao das Perobas, nos dois periodos analisados.

Nao houve mudancas significativas nas areas ocupadas pelas classes indicativas de erosao na bacia do Ribeirao das Perobas, sendo esta superior a 1% apenas para a classe "alta", com reducao no ano 2011 em relacao ao ano 1962. O aumento da taxa de erosao "muito alta" em 2011 se deve a presenca de uma area agricola mantida com solo exposto ao longo do ano todo situada no setor norte-nordeste da bacia, e de uma area cultivada com mandioca em sua porcao sul-sudeste, cultivo de baixa protecao ao solo em area de fator LS elevado. Ja o pequeno aumento das areas consideradas de erosao "baixa" e "moderada" pode estar relacionado a implantacao das praticas de conservacao do solo, como os terracos e o plantio em nivel, a despeito do uso e do manejo do solo, caracterizados pelo aumento na cobertura do solo em algumas areas e reducao em outras. O valor medio do fator C no ano 1962 foi de 0,05, aumentando para 0,077 no ano 2011. O total de solo desagregado por erosao, desconsiderados seu transporte e deposicao nas vertentes e fundos de vale, foi de 49.130,37 t em 1962 e de 53.201,41 t em 2011.

No ano 1962, as areas ocupadas por pastagens conservadas, campestre e mata nativa ou ciliar, cultivos e usos de elevada protecao ao solo, totalizavam 64,88% da bacia. Em 2011, as areas campestres foram extintas e as ocupadas por pastagens conservadas e por mata nativa reduziram para 33,85% da area total. Em contrapartida, as pastagens degradadas aumentaram de 9,04% para 17,71% da area.

Em relacao as principais culturas agricolas, o cafe (fator C = 0,135) e a cana-deacucar sem manejo (fator C = 0,1) cultivados em 1962 foram substituidos em 2011 pela cana-deacucar com incorporacao da palha ao solo (fator C = 0,05) e pela soja (fator C = 0,10231). A cultura do milho (fator C = 0,10231) teve sua area cultivada duplicada. Em razao da falta de dados dos cultivos de milho e soja em sistema de plantio direto, utilizou-se fator C para manejo convencional, considerado a pior situacao de cobertura do solo. No entanto, o fator C para tais culturas em sistema de plantio direto tende a ser menor, aumentando a protecao do solo contra a erosao. Em geral, houve reducao do fator C das culturas anuais, mas aumento da area ocupada pelas grandes culturas (incluindo o eucalipto e excluindo fruticultura e plasticultura) em 6,14 [km.sup.2], ou 20,07% da area da microbacia.

A area ocupada pelas pastagens aumentou 6,06%, ou 1,85 [km.sup.2], com destaque para as pastagens degradadas. Toda a area agropecuaria avancou sobre a bacia hidrografica em detrimento das matas nativas, ciliares e formacoes campestres, que perderam 8,70 [km.sup.2] ou 28,44% da area da bacia, o que tambem pode explicar o aumento das taxas de erosao em relacao ao ano 1962, a despeito das praticas conservacionistas que passaram a ser adotadas na maior parte dela.

As perdas medias de solo por erosao foram de 29,82 [t.ha.sup.-1] para o cultivo do cafe, 4,55 [t.ha.sup.-1] para as pastagens conservadas, 35,56 [t.ha.sup.-1] para as pastagens degradadas e 1,81 t.ha-1 para as areas campestres em 1962. No ano 2011, as pastagens conservada e degradada tiveram perdas medias de 3,14 e 11,16 [t.ha.sup.-1] de solo em decorrencia do terraceamento ou cultivo em areas planas; as areas de cana-de-acucar com palha incorporada ao solo apresentaram perdas medias de 9,89 [t.ha.sup.-1]; o cultivo de milho de 22,6 [t.ha.sup.-1]; a soja de 16,63 [t.ha.sup.-1] e a mandioca de 193,56 [t.ha.sup.-1].

O mapa de tolerancia de perda das classes de solo da bacia do Ribeirao das Perobas (Figura 8.d) evidencia que os solos com gradiente textural elevado (Argissolos), rasos (Neossolo Litolico) e com drenagem deficiente (Gleissolos) apresentaram baixa tolerancia a perda de solo, com destaque para o Argissolo Vermelho-Amarelo Distrofico. Ja os solos mais profundos e de baixo gradiente textural, mesmo os de textura arenosa, apresentaram maior tolerancia a perda, com valores superiores a 10 [t.ha.sup.-1] x [ano.sup.-1]. A partir da tolerancia a perda de solo, obtiveram-se os mapas de risco de erosao simulado, expressos na Figura 9 e Tabela 5.

Em ambos os periodos estudados, as perdas de solo por erosao foram inferiores aos limites toleraveis em aproximadamente 75% da area. Comparando os anos 1962 e 2011, observase que o padrao espacial de perda de solo acima da tolerancia se manteve em algumas areas, sobretudo as de maior PNE, mas se alterou em outras areas em funcao das mudancas no uso e manejo do solo e das praticas conservacionistas implementadas. A classe de erosao inferior a tolerancia e a de 5 a 10 vezes acima dos limites toleraveis aumentaram de 1962 a 2011, com ganho de area de 1,05% e 0,23%, enquanto nas demais classes houve reducao da area. Algumas areas de PNE extremamente alto, como a ocupada pelos Latossolos Vermelho-Amarelos Distroficos, apresentaram perda de solo acima de 10 vezes a tolerancia em 1962 em razao da ocupacao por pastagens degradadas e ausencia de praticas conservacionistas. Em 2011, no entanto, a erosao reduziu para os intervalos de 2 a 10 vezes acima da tolerancia na maior parte da area em funcao da implantacao de terracos no local e da melhoria no manejo das pastagens, mesmo estando em area de solo extremamente fragil e de embaciamento (vertente convergente).

Os mapas de perda de solo e de risco de erosao simulado sao importantes nas tomadas de decisao no planejamento conservacionista do uso da terra pelos produtores rurais, orgaos de extensao rural e gestores ambiental, pois espacializam as taxas absolutas de erosao e indicam as areas nas quais essas taxas superam os limites toleraveis. A RUSLE pode ainda ser aplicada na escala de propriedade rural com a finalidade de estimar as taxas de erosao antes da implantacao de determinado cultivo e de praticas conservacionistas especificas, testando diferentes combinacoes de praticas que alterem seus fatores C e P de modo a ampliar a protecao do solo e compatibilizar a erosao aos limites de tolerancia. A concessao de credito agricola aos produtores rurais deveria ser condicionada a apresentacao do diagnostico de erosao na propriedade rural elaborado a partir da referida equacao. Por fim, a RUSLE e o risco de erosao simulado podem ser utilizados em conjunto com a classificacao das terras segundo sua capacidade de uso, outro instrumento eficiente de planejamento conservacionista de uso da terra.

4 CONSIDERACOES FINAIS

A erosao acelerada do solo e um dos principais problemas ambientais enfrentados pela humanidade. Predizer sua ocorrencia, levando em consideracao os fatores do meio fisico e buscando modificar os fatores antropicos de forma a aumentar a protecao do solo, e uma forma eficiente de tentar controla-la e constitui a base do planejamento conservacionista do uso da terra, sobretudo nas areas agricolas. A Equacao Universal de Perda de Solos Revisada, a despeito de sua base empirica e de suas limitacoes, e um modelo simples e eficiente utilizado para quantificar o processo erosivo e compreende-lo melhor, de maneira a intervir nele.

A analise temporal do processo erosivo nos anos 1962 e 2011 possibilitou a compreensao da dinamica de perda de solo em duas condicoes distintas de uso e manejo do solo, sendo o primeiro periodo caracterizado pelo processo de ocupacao ainda nao consolidado, com vegetacao nativa em processo de desmatamento e predominio das lavouras de cafe e das pastagens; e o segundo periodo marcado pela diminuicao da cobertura por vegetacao nativa, aumento das pastagens, sobretudo as degradadas, e das areas cultivadas por milho, soja e cana-de-acucar nas medias e grandes propriedades, alem do aumento do uso das praticas conservacionistas, como o terraceamento e o plantio em nivel.

As taxas de erosao na bacia do Ribeirao das Perobas estimadas pelo modelo RUSLE foram de 49.130,37 t em 1962 e de 53.201,41 t em 2011, um aumento de 8,28%. O Potencial Natural de Erosao teve influencia sobre o processo erosivo, mas algumas areas de PNE alto a extremamente alto tiveram taxas de erosao baixas ou moderadas, dependendo do uso e do manejo do solo. No ano 2011, a substituicao de algumas culturas agricolas, mudancas no manejo e a implementacao de tecnicas de controle da erosao promoveram a reducao dos fatores C e P das areas agricolas. No entanto, a area destinada a agropecuaria teve ganho de area de 20,07% do total da area de estudo, enquanto as matas nativas, ciliares e cobertura campestre, de maior protecao ao solo, perderam o equivalente a 28,44% do total da bacia, o que contribuiu para que seu fator C medio aumentasse de 0,05 para 0,07. Quanto ao risco de erosao simulado, aproximadamente 75% da area de estudo apresentou perda de solo abaixo da tolerancia, havendo alteracao apenas em sua distribuicao espacial.

No que diz respeito aos fatores da RUSLE, sugere-se em trabalhos futuros a adocao de novas metodologias de determinacao e mapeamento do fator C de maneira a quantificar melhor o efeito do manejo do solo sobre o processo erosivo. Quanto aos fatores LS e P, as metodologias de mapeamento utilizadas possibilitaram sua quantificacao com maior precisao que outros metodos anteriormente empregados, contribuindo para a melhoria da qualidade da predicao da erosao do solo.

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Julio Cesar Demarchi (1), Edson Luis Piroli (2), Celia Regina Lopes Zimback (3)

Recebido em: 06/12/2017

Aceito em: 20/08/2018

(1) Universidade Estadual Paulista "Julio de Mesquita Filho", Presidente Prudente/SP, email: julio.demarchi@unesp.br

(2) Universidade Estadual Paulista "Julio de Mesquita Filho", Ourinhos/SP, email: piroli@unesp.br

(3) Universidade Estadual Paulista "Julio de Mesquita Filho", Botucatu/SP, email: czimback@gmail.com

Leyenda: Figura 1--Localizacao da bacia hidrografica do Ribeirao das Perobas

Leyenda: Figura 2--Precipitacao media mensal e indice de erosao (EI) medio mensal do posto pluviometrico Sao Pedro do Turvo

Leyenda: Figura 3. Mapa detalhado de solos da bacia do Ribeirao das Perobas Fonte: Demarchi e Zimback (2014).

Leyenda: Figura 4--a) Fator topografico (LS); b) Mapa de declividade (%) da bacia do Ribeirao das Perobas. Fonte: Demarchi (2012).

Leyenda: Figura 5--Uso da terra da bacia do Ribeirao das Perobas--ano 1962

Leyenda: Figura 6--Uso da terra da bacia do Ribeirao das Perobas--ano 2011

Leyenda: Figura 7--Fator P (praticas conservacionistas) da bacia do Ribeirao das Perobas: a) ano 1962; b) ano 2011

Leyenda: Figura 8--a) Perda de solo por erosao simulada pelo modelo RUSLE em 1962; b) Perda de solo por erosao simulada pelo modelo RUSLE em 2011; c) Potencial Natural de Erosao (PNE); d) Tolerancia de perda de solo da bacia do Ribeirao das Perobas

Leyenda: Figura 9--Risco de erosao simulado da bacia do Ribeirao das Perobas: a) ano 1962; b) ano 2011
Tabela 1--Valores de fator C para diferentes usos da terra e
manejos do solo

Culturas/cobertura     Valor de C             Manejo
vegetal

Algodao                  0,4737            Convencional
Banana                   0,122             Convencional
Cafe                     0,135        Grade nas entrelinhas
Campestre                0,005        Indice intermediario
                                    entre pastagem conservada
                                          e mata nativa
Cana-de-acucar            0,1               Sem manejo
Cana-de-acucar            0,05        Incorporacao da palha
Culturas anuais         0,10231            Convencional
(Soja e Milho)
Estradas de terra         1,0               Sem manejo
Fruticultura             0,135           Pomares formados

Mandioca                 0,7678            Convencional
Mata nativa e ciliar     0,0004                 --
Pastagem conservada       0,01         Terraceada e/ou sem
                                        presenca de erosao
Pastagem degradada        0,05       Superpastejo e presenca
                                            de erosao
Reflorestamento          0,047        Corte a cada sete anos
(Eucalipto)
Solo exposto              1,0               Sem manejo

Culturas/cobertura     Referencia
vegetal

Algodao                Donzeli et al. (1992)
Banana                 Angima et al. (2003)
Cafe                   Donzeli et al. (1992)
Campestre              Silva et al. (2010)--valor
                       atribuido para pastagem
                       nativa
Cana-de-acucar         Donzeli et al. (1992)
Cana-de-acucar         Donzeli et al. (1992)
Culturas anuais        Tosto, Pereira e
(Soja e Milho)         Tosto (2013)
Estradas de terra      Wischmeier e Smith (1978)
Fruticultura           Silva et al. (2010)--valor
                       atribuido a cultura de citros
Mandioca               Donzeli et al. (1992)
Mata nativa e ciliar   Silva et al. (2010)
Pastagem conservada    Goncalves (2002)

Pastagem degradada     Silva et al. (2010)

Reflorestamento        Silva et al. (2010)
(Eucalipto)
Solo exposto           Wischmeier e Smith (1978)

Tabela 2--Classes de solo da bacia do Ribeirao das Perobas: espessura
(m) e erodibilidade dos horizontes e erodibilidade ponderada
([t.ha.h.ha.sup.-1] x [MJ.sup.-1] x [mm.sup.-1])

Classe de         Horizonte A              Horizonte B
solo        Espessura (m)  Erodib.   Espessura (m)   Erodib.

GXbe            0,44        0,020        0,56         0,006
LVAe            0,23        0,052        0,77         0,029
LVd             0,22        0,037        0,78         0,026
LVdf            0,20        0,012        0,80         0,008
LVef            0,35        0,01         0,65         0,008
NVef            0,35        0,01         0,65         0,007
PVAd            0,59        0,222        0,41         0,032
PVd             0,46        0,055        0,54         0,023
PVdf            0,41        0,042        0,59         0,013
PVef            0,40        0,027        0,60         0,012
RLe             0,40        0,018         --           --

Classe de    Erodib.
solo        ponderada

GXbe          0,012
LVAe          0,034
LVd           0,028
LVdf          0,009
LVef          0,009
NVef          0,008
PVAd          0,144
PVd           0,038
PVdf          0,025
PVef          0,018
RLe           0,018

Tabela 3--Usos da terra na bacia do Ribeirao das Perobas
em 1962 e 2011 e respectivas areas

Uso da terra                               Ano 1962

                                Area ([km.sup.2])   Area (%)

Acude                                 0,003           0,01
Banana                                 --              --
Algodao                               0,078           0,26
Cana (sem manejo)                     0,965           3,15
Cana (incorporacao da palha)           --              --
Cafe                                  5,631          18,40
Campestre                             6,998          22,86
Estradas de terra                     0,227           0,74
Eucalipto                             0,061           0,20
Fruticultura                          0,046           0,15
Mandioca                              0,03            0,10
Mata nativa e ciliar                  3,98           13,00
Milho                                 0,93            3,04
Pastagem (degradada)                  2,768           9,04
Pastagem (conservada)                 8,884          29,02
Plasticultura                          --              --
Rodovia                                --              --
Soja                                   --              --
Solo exposto                          0,009           0,03
Total                                 30,61           100

Uso da terra                             Ano 2011

                                Area ([km.sup.2])   Area (%)

Acude                                 0,03            0,10
Banana                                0,091           0,30
Algodao                                --              --
Cana (sem manejo)                     0,08            0,26
Cana (incorporacao da palha)          6,29           20,55
Cafe                                  0,025           0,08
Campestre                              --              --
Estradas de terra                     0,164           0,54
Eucalipto                             0,459           1,50
Fruticultura                          0,16            0,52
Mandioca                              0,304           0,99
Mata nativa e ciliar                  2,273           7,43
Milho                                 2,106           6,88
Pastagem (degradada)                  5,421          17,71
Pastagem (conservada)                 8,087          26,42
Plasticultura                         0,012           0,04
Rodovia                               0,054           0,18
Soja                                  4,486          14,65
Solo exposto                          0,568           1,85
Total                                 30,61           100

Tabela 4--Classes indicativas de perda de solo da bacia do Ribeirao
das Perobas nos anos 1962 e 2011 e suas areas

Classes de perda de solo                        Ano 1962

                                    Area ([km.sup.2])   Area (%)

Baixa (0-10 [t.ha.sup.-1] x               21,99          71,84
[ano.sup.-1])
Moderada (10-50 [t.ha.sup.-1] x            6,46          21,10
[ano.sup.-1])
Alta (50-200 [t.ha.sup.-1] x               1,89           6,18
[ano.sup.-1])
Muito alta (> 200 [t.ha.sup.-1] x          0,27           0,88
[ano.sup.-1])
Total                                     30,61           100

Classes de perda de solo                      Ano 2011

                                    Area ([km.sup.2])   Area (%)

Baixa (0-10 [t.ha.sup.-1] x               22,08          72,13
[ano.sup.-1])
Moderada (10-50 [t.ha.sup.-1] x            6,62          21,63
[ano.sup.-1])
Alta (50-200 [t.ha.sup.-1] x               1,5            4,90
[ano.sup.-1])
Muito alta (> 200 [t.ha.sup.-1] x          0,41           1,34
[ano.sup.-1])
Total                                     30,61           100

Tabela 5--Classes de risco de erosao simulado da bacia do Ribeirao
das Perobas nos anos 1962 e 2011 e suas areas

Classe de risco de                           Ano 1962
erosao simulado
                                 Area ([km.sup.2])   Area (%)

Perda de solo toleravel            22,68               74,09
Perda de 1 a 2 vezes acima          3,24               10,58
do limite toleravel
Perda de 2 a 5 vezes acima          2,72                8,89
do limite toleravel
Perda de 5 a 10 vezes acima         1,04                3,40
do limite toleravel
Perda maior que 10 vezes acima      0,93                3,04
do limite toleravel
Total                              30,61                100

Classe de risco de                          Ano 2011
erosao simulado
                                 Area ([km.sup.2])   Area (%)

Perda de solo toleravel            23,00               75,14
Perda de 1 a 2 vezes acima         3,02                9,86
do limite toleravel
Perda de 2 a 5 vezes acima         2,54                8,30
do limite toleravel
Perda de 5 a 10 vezes acima        1,11                3,63
do limite toleravel
Perda maior que 10 vezes acima     0,94                3,07
do limite toleravel
Total                              30,61               100
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Title Annotation:texto en portugues
Author:Demarchi, Julio Cesar; Piroli, Edson Luis; Lopes Zimback, Celia Regina
Publication:Ra'e Ga
Article Type:Ensayo
Date:Mar 1, 2019
Words:10330
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