Printer Friendly

EFEITOS DA SINDROME DE TENSAO PRE-MENSTRUAL NA ATIVIDADE FISICA DE ALUNAS UNIVERSITARIAS DE EDUCACAO FISICA NO RIO DE JANEIRO.

RESUMO

O objetivo do estudo foi a verificacao dos efeitos da Sindrome de Tensao Pre-Menstrual (STPM) em graduandas em Educacao Fisica de uma universidade no Rio de Janeiro, que praticam atividade fisica regular ou nao, identificando o indice de morbidade, sintomas mais graves que acometem as mulheres em questao, alem de averiguar a opiniao das alunas se a STPM interfere nas suas atividades fisicas. A amostra constou de 129 alunas, cujas idades variaram entre 17 e 46 anos e faixa etaria fertil. A pesquisa classificada como um survey, utilizou um questionario para verificacao da STPM, idade, principais sintomas e uma autoavaliacao da doenca. A presente investigacao foi aprovada pelo comite de etica da Universidade Gama Filho e o parecer foi publicado no site do SISNEP. Os dados quantitativos deste estudo foram analisados e relatados de modo a constar que maioria das alunas sao afetadas pela STPM, sendo que o indice de morbidade encontrado foi alto, mas compativel com a literatura especializada. Ademais, os sintomas mais frequentes foram a irritabilidade e as colicas. Na opiniao das pesquisadas, a STPM prejudica a pratica de atividades fisicas. Na autoavaliacao obteve-se uma porcentagem maior de mulheres, que conforme opiniao delas sofrem com a doenca.

Palavras-chave: Atividade fisica. Sindrome de Tensao Pre-Menstrual. Alunas universitarias. Rio de Janeiro.

ABSTRACT

Effects of premenstrual syndrome on pysical activity of university students of physical education in Rio de Janeiro

The aim of this study was to verify the effects of the Premenstrual Syndrome (PMS) in students from under graduation courses in Physical Education of an university based in Rio de Janeiro, who pratice regular physical activity or not, indentifying the morbity index (wich was considered the percentage of female with the disease), the most severe symptons that affect women in question and the opinion about PMS whether interferes in the same physical activities. The sample consisted of 129 students, whose ages ranged between 17 and 46 years, all in childbearing age. The research was classified as a survey using a questionaire to ascertain PMS effects, age, main symptoms and self-assessment of the disease. Additionally, this study was approved by the Ethics Committee of Gama Filho University. The data from the inquiry were analized and reported then suggesting that most students are affected by PMS and the morbity index was found to be high, but in agreement with the literature. Moreover, the most common symptoms were irritability and colics. In the opinion of the respondents, the PMS affected the pratice of physical activities. Self-assessment was also surveyed showing a higher percentage of women who, in their opinion, suffer from the disease.

Key words: Physical activity. Premenstrual syndrome. University students. Rio de Janeiro.

INTRODUCAO

A Educacao Fisica corrobora na melhoria da qualidade de vida na medida que propicia praticas de exercicios fisicos, condicao essencial para a plenitude da saude fisica e mental. No Brasil, nestas condicoes, a conjugacao sexualidade--exercicio fisico e assunto educacional considerado nos Parametros Curriculares Nacionais (PCN) sob a denominacao de 'Orientacao Sexual' e de tema transversal destas referencias pedagogicas, abrangendo preceitos normativos, com foco especial na Educacao Fisica (Brasil, 1997).

Portanto, ha que se considerar valida a criacao de vinculos entre as duas areas de conhecimento citadas de modo a contemplar exigencias que em tese deveriam constar na formacao academica do aluno de graduacao em Educacao Fisica. Tal sugestao e corrente desde a decada de 1990, entretanto nao correspondeu a inclusoes curriculares na graduacao em Educacao Fisica, prejudicando assim uma adequada implantacao dos PCN, tanto por meio dos docentes como pelo corpo discente.

De fato, a tese de harmonizacao da sexualidade com a formacao profissional de Educacao Fisica sob o ponto de vista epistemologico, tem sido comprovada em condicoes de pratica como se verifica em Cordeiro (2000). Este autor, significativamente observou relacoes diretas entre as morbidades que acometem as mulheres, praticantes ou nao de atividade fisica regular, e a influencia exercida sobre atletas femininas durante competicoes esportivas.

Em resumo, as afinidades sao notorias, sob o ponto de vista epistemologico, entre a Educacao Fisica e a Sexualidade Humana embora pouco se discute sobre a sexualidade e seus efeitos no ambito esportivo (Cordeiro, 2000).

Neste contexto cabe dar destaque a assunto relevante relacionado tanto a Educacao Fisica quanto a Sexualidade Humana: a Sindrome de Tensao Pre-Menstrual (STPM), isto e um conjunto de sinais e sintomas que acometem as mulheres, caracterizado por transtornos fisicos e psiquicos, geralmente na fase pre-menstrual e classificado no Codigo Internacional de Doencas (CD-10) como 'doenca ginecologica'.

No estudo de Cordeiro e Pinto (2005) relataram que a STPM gera influencias que de um modo geral sao negativas para as atletas, o que corrobora com Timonen e Procope (1971) principalmente devido ao desconforto gerado pelos mais de cento e cinquenta sinais e sintomas caracteristicos desta entao denominada pela fonte em pauta como 'afeccao feminina' (Appolinario, 2003). Ou seja: presumidamente, faz-se necessario o conhecimento cientifico sobre STPM por parte do profissional de Educacao Fisica que lida diretamente com esse publico.

A STPM e uma doenca (Brasil, 2005), que acomete cerca de 80% das mulheres, quer sejam elas praticantes de atividade fisica ou atletas (Cordeiro e Pinto, 2005).

Porto (2009) por outro lado discorre sobre essa sindrome, corroborando para a STPM estar no rol das afeccoes ginecologicas importantes, por causar transtornos para o cotidiano feminino em idade fertil, desde a menarca (primeira menstruacao), ate a menacme (ultima menstruacao).

Existem dois tipos de transtornos pre-menstruais, um e a STPM e o outro, mais grave, e a TDPM (Transtorno Disforico Pre-menstrual), que acomete cerca de 8% da populacao feminina. Ambas nao tem etiologia conhecida, no entanto, ha varias teorias formuladas em que pesem serem inconclusivas ate entao; haveria, contudo, formas de minimizar seus efeitos danosos para as mulheres: um deles e a atividade fisica, que minimiza alguns dos sintomas (Appolinario, 2003).

Das varias hipoteses relacionadas a doenca em lide, as mais aceitas sao as alteracoes hormonais, em funcao das liberacoes de estrogenio e progesterona, que compreendem um grupo de transtornos fisicos e psiquicos relacionados a menstruacao5.

Durante a fase pre-menstrual do ciclo sexual segundo Lebrun (1993), ha alteracoes psicologicas importantes e uma queda na performance esportiva. As alteracoes de hormonios de origem sexual tambem influenciam o estado morbido dessas mulheres em particular, alterando a psique (Cordeiro e colaboradores, 2010).

Pesquisas de Cordeiro e colaboradores (2006) revelaram um percentual muito proximo ao identificado por Gaion, Vieira e Silva (2009).

Fato esse, significativo sob o ponto de vista do esporte de alto rendimento, pois, uma equipe feminina, ou uma atleta individual, pode chegar a competicao importante e sofrer com complicacoes tanto da TDPM (Transtorno Disforico Pre-Menstrual), quanto da STPM (Gaion, Vieira e Silva, 2009).

Dentre os sintomas relatados, podemse destacar alguns que efetivamente influem no cotidiano das mulheres que sofrem da morbidade ora em exame. Sao eles: cefaleia, mastalgia, edema de membros inferiores, colicas, ansiedade, depressao, asma, visao turva, tonteiras, letargia (Appolinario, 2003).

A estes podem se acrescentar malestar, anorexia, perda de concentracao, mialgia, artralgia, franqueza (Nogueira, 2003), ou ainda sinusite, poliuria e oliguria (Porto, 2009; Nogueira, 2000).

Para Cordeiro e Pinto (2005), as duas principais queixas femininas sao a irritabilidade e as fortes colicas abdominais.

Conforme Popova e Popova-Dobreva (2011), a STPM tem um impacto negativo sobre o emocional da grande maioria das atletas, sendo que, somente um pequeno percentual nao sofre com os efeitos psiquicos, o que gera um mal-estar dentre as mulheres que compoem uma equipe feminina. Este fato e altamente relevante a ser considerado, pois as atletas podem sofrer alteracoes importantes durante as competicoes.

Alem desses sinais, acompanhandose todavia, a mulher que sofre de TDPM, tal qual descrito anteriormente, como sendo uma forma mais agressiva de STPM, pode leva-la a ter tendencias suicidas, homicidas, depressao grave, dentre outros, o que faz com que avaliacoes devam ser feitas, necessariamente, de maneira periodica (Appolinario, 2003).

Nesse contexto de previsoes importa fazer constar que a American Psychiatric Association-APA esta incluindo na 11a edicao do Codigo Internacional de Doencas-CID a TDPM como uma doenca psiquiatrica, segundo se constata em (Appolinario, 2003).

Nestas condicoes, varios tecnicos esportivos adotam medidas contra a STPM, porem, as informacoes sobre tais intervencoes sao escassas e os metodos aplicados sao empiricos, alem de pouco eficazes por suposto. Outros treinadores sequer tratam desse assunto, porem, suas atletas relatam uma queda de rendimento associada aos sintomas e desconfortos da STPM (Cordeiro e Pinto, 2005; Cordeiro e colaboradores, 2006). Portanto, ha demanda de pesquisas referentes a STPM, que possibilitem elucidar determinadas causas de sintomas com respectiva melhoria dos mesmos. Por conseguinte, busca-se uma melhor performance das atletas acometidas, bem como a melhoria da qualidade de vida das mesmas (Cordeiro e colaboradores, 2006).

Frequentemente atletas femininas deixam de treinar ou competir em funcao de problemas gerados pela STPM, conforme relata Cordeiro e colaboradores (2010).

As dores abdominais, sao a causa mais comum, dentre as atletas que sofrem desse mal. A irritabilidade tambem, segundo o mesmo autor, e um dos problemas que acabam por gerar discordias e discussoes com treinadores, o que influencia negativamente tanto individual, quanto coletivamente no que tange o esporte de alto desempenho atletico.

O presente estudo visa a investigar os efeitos da STPM entre graduandas em Educacao Fisica da Universidade Gama Filho-UGF, sediada no Rio de Janeiro, que praticam atividade fisica regular ou nao, verificar o percentual de alunas acometidas pela STPM (indice de morbidade), identificando sinais e sintomas mais graves da STPM que acometem as mulheres em questao, alem de averiguar a opiniao das alunas se a STPM interfere nas atividades fisicas praticadas pelas mesmas.

MATERIAIS E METODOS

Amostra

Para se verificar os aspectos relativos a STPM em alunas do Curso de Graduacao em Educacao Fisica da UGF, utilizou-se uma amostra estratificada e do tipo intencional com 137 discentes do sexo feminino da universidade em foco. O calculo da amostra levou em conta um universo de 179 alunas da Graduacao. Essa amostragem foi calculada com o programa Sample Size (Statsassistance), cujo calculo foi baseado em um indice de confiabilidade de 95%, o que gerou um numero minimo de 122 respondentes para alcancar o referido indice. Foram excluidas no total 8 participantes, ficando a amostra com 129, cujas idades variaram entre 17 e 46 anos.

Criterios de exclusao

Adotaram-se como criterio de exclusao doencas do sistema reprodutor feminino que interfiram na producao hormonal e no dia-a-dia da mulher, como ovarios policisticos, miomas, entre outros; nestes termos, cinco participantes foram excluidas por este criterio e mais tres por falta de informacoes importantes que deveriam ser respondidas no questionario.

Instrumento e Material

O instrumento utilizado na pesquisa foi um questionario com 65 perguntas, baseado em Cordeiro e colaboradores (2010), cuja validacao foi feita atraves de pre-testes, no qual constam questoes abertas e fechadas referentes as caracteristicas pessoais, sexualidade, habitos, doencas e medicacoes, alem de sinais e sintomas da STPM que poderiam supostamente afetar o cotidiano da amostra.

Houve duas variaveis importantes no estudo: o quantitativo de mulheres acometidas pela STPM, delimitado como sendo o Indice de Morbidade e a Autoavaliacao, sendo esta a resposta para a pergunta que inquire por opiniao se elas possuem STPM. Os questionarios foram aplicados no periodo compreendido entre abril e junho de 2011.

Procedimentos

A pesquisa desenvolvida foi do tipo transversal, ou seccional segundo Klein; Bloch (2004), sendo tambem classificada como um survey. Assim disposto, foram aplicados questionarios inerentes a atividade fisica e aos sinais e sintomas da STPM que acometeriam por hipotese da investigacao a vida das discentes do Curso de Educacao Fisica da universidade alvo do estudo.

A presente investigacao foi submetida ao Conselho de Etica em Pesquisa (CEP) da Universidade Gama Filho. Como tal, a pesquisa foi devidamente registrada como aprovada na pagina eletronica do SISNEP (Sistema Nacional de Informacoes Sobre Etica em Pesquisa Envolvendo Seres Humanos), sob o numero de protocolo CAAE -0088.0.312.000-10 (Brasil, 2010).

Analise de dados

Os dados coletados foram analisados atraves do programa de estatistica IBM SPSS[TM] Versao 20.0, e distribuidos em forma de resultados quantitativos, para se verificar o indice de morbidade, em forma de percentual, referente a STPM no grupo alvo da pesquisa.

Ademais, os resultados foram cruzados a fim de se obter mais informacoes relevantes como a dicotomia entre quem realmente tem a doenca e quem somente sofre em funcao dos sintomas da mesma sem te-la efetivamente.

RESULTADOS

As 129 participantes da pesquisa sao alunas regularmente matriculadas no Curso de Educacao Fisica de uma grande Instituicao de Ensino Superior localizada na cidade do Rio de Janeiro, cujas idades variaram entre 17 e 46 anos, em faixa etaria fertil; a media das idades foi de aproximadamente 22 anos, a mediana 21 anos e a moda 20 anos, conforme demonstrado no Grafico 1.

As alunas da amostra revelaram-se ativas fisicamente em sua maioria, praticando atividade fisica regularmente. O total de discentes ativas foi de 77%, contra 23% que nao praticavam atividade fisica regular. O indice de morbidade obtido foi de 73,6% (Tabela 1), ou seja, um percentual de identificacao de alunas que realmente sao acometidas pela doenca.

No caso da investigacao na UGF, os sintomas foram classificados em dois grupos separados, os quais foram levados em consideracao somente aqueles mais intensos da STPM dentro de uma escala de valores, que ia desde "nenhum" ate "muito acentuado (a) /grave". Sendo assim, foram computados apenas somente sintomas que realmente eram considerados muito graves ou muito acentuados.

Entre os sintomas que foram considerados muito acentuados, destacaram-se a irritabilidade, com um percentual de 24,7% e as colicas abdominais com 16,3% de respostas.

Alem disso, a identificacao das discentes que sao acometidas pelos sintomas da STPM por autoavaliacao, consistiu em indagar se a respondente possuia "TPM" (Tensao Pre-Menstrual). A sigla TPM foi utilizada porque e um termo mais popular e por conseguinte, mais compreensivel. Para esta indagacao em termos quantitativos a Tabela 2 indica que o percentual de respostas positivas aumenta para 81,4%.

Ao ser averiguada a opiniao das graduandas se a STPM dificultava a atividade fisica, a amostra relatou em sua maioria, que a morbidade em questao, prejudicava o desempenho, como disposto na Tabela 3.

Entretanto, o resultado mais relevante da pesquisa sobressaiu no cruzamento dos dados referentes ao Indice de Morbidade (percentual de quem possui verdadeiramente a STPM) e a Autoavaliacao (numero de mulheres que disseram ter STPM, segundo autoavaliacao). Ao se compararem tais dados pode-se verificar que ha uma pequena diferenca e que esses numeros conferem com a literatura especializada. No Grafico 2, nota-se que a diferenca percentual e de 7 pontos entre as respondentes.

A diferenca ocorreria porque a maioria das respondentes acredita ter a doenca, embora nao sofra com os sintomas que nao sao consecutivos por 3 meses ou mais, o que realmente caracteriza a morbidade segundo o CID-10.
Figura 2 - Autoavaliacao e STPM entre as respondentes.

                Sim                Nao

STPM            74%                81%
Autoavaliacao   26%                19%

Note: Table made from bar graph.


DISCUSSAO

Constatou-se, outrossim, que aproximadamente 3/4 das alunas do Curso de Educacao Fisica se preocupavam em realizar atividades fisicas, sendo um resultado relevante porque o exercicio fisico regular pressupoe melhoria de alguns sintomas da STPM9. O Indice de Morbidade revelou numero elevado. Porem, se verifica que de 3/4 da populacao normalmente sofre com esta afeccao (Cordeiro e colaboradores, 2010).

Outro foco assumido da pesquisa foi da STPM ser considerada uma doenca; e para tal observacao, conforme o Codigo Internacional de Doencas (CID-10), a mulher deve possuir um sinal, ou sintoma que se repita por tres ciclos menstruais consecutivos segundo indicacoes de Appolinario (2003).

Por outro lado, Porto (2009) discorre sobre a doenca como sendo um dos males que afetam as mulheres em idade fertil. Neste sentido, os dados obtidos na pesquisa estao muito proximos de Vaisberg e colaboradores (2009), cujo percentual encontrado foi de 71% de atletas acometidas pela STPM usando os mesmos criterios inclusos no CID-10.

Ja Gaion, Vieira e Silva (2009) observaram que 83%, das mulheres pesquisadas em determinado estudo, eram acometidas pela referida afeccao.

Foram observados como sintomas predominantes a irritabilidade, com um percentual de consideravel e as colicas abdominais, mostrando-se convergente com outros estudos (Appolinario, 2003; Cordeiro e colaboradores, 2010; Thu e Diaze, 2006; Vaisberg e colaboradores, 2009).

Um percentual mais elevado mais elevado que o Indice de Morbidade foi encontrado na Autoavaliacao e esse numero chega proximo aos numeros da literatura especializada (Cordeiro e colaboradores, 2006; Gaion, Vieira e Silva, 2009).

Na opiniao das graduandas acerca dos transtornos causados pela STPM nas suas atividades fisicas, a maioria revelou que a morbidade em questao, prejudicava o desempenho. Tal resultado tambem pode ser considerado relevante, porque, mormente ha detrimento da performance esportiva como consequencia (Cordeiro e colaboradores, 2010).

Ao que tange a comparacao entre o Indice de Morbidade e a Autoavaliacao, foi demonstrado que ha um numero baixo de mulheres que sabem realmente diferenciar que possuem a enfermidade em questao.

Esta constatacao foi posta em exame por Cordeiro e Pinto (2005), que confirmaram ser complexo estabelecer um criterio diferencial por parte das mulheres que tem a afeccao e as que sao efetivamente acometidas pela STPM.

Limitacoes do Estudo

Em termos de instrumento vale ponderar nao ser o tipo mais apropriado de investigacao, pois, podem existir margens minimas de erros nas respostas.

Ademais, realizar estudos longitudinais com universitarias poderiam inviabilizar a pesquisa por conta da falta de fomento externo e pelos horarios diversos das alunas, o que resultaria em uma diminuicao da fidelizacao da amostra.

Recomendacoes

Apesar de o tema ser discutido ha varias decadas, ate os dias presentes nao se estabeleceu uma definicao apropriada para delimitar adequadamente o problema da STPM.

Sendo assim, novos estudos deveriam ser desenvolvidos com auxilio de novos procedimentos ou tecnicas que possam minimizar os efeitos morbidos da STPM e, por consequencia, melhorar a qualidade de vida dessas mulheres acometidas pela referida doenca.

CONCLUSAO

Com a presente investigacao verificou-se os efeitos da STPM, cujo percentual de alunas acometidas, denominada nesse estudo como sendo o indice de morbidade. Foi constatado entao que o referido indicador da doenca foi muito alto, fato esse que revela um problema importante para as mulheres que possuem esta doenca.

O referido indicador dessa enfermidade, que abrange a maior parte da amostra, e significativo quanto ao acometimento da doenca. Isto ocorre em funcao dos sintomas assinalados nas respostas das discentes, cujas alteracoes biologicas como a irritabilidade e as colicas menstruais, prejudicam o desempenho de suas atividades fisicas.

Destarte, as mulheres, de um modo geral tem os sintomas da doenca, porem um criterio de avaliacao tem que ser criado para que elas saibam se tem ou nao realmente a doenca, evitando-se assim as atencoes concentradas nos sintomas.

No quesito autoavaliacao, as alunas pesquisadas se mostraram com STPM em um nivel maior do que na analise dos resultados de quem efetivamente possui a enfermidade. Todavia, ao cruzamento dos dados, percebeu-se que a diferenca e pouco significativa em relacao a quem possui realmente a doenca.

Ao que tange a STPM e a sua interferencia no cotidiano das alunas em questao, que necessitam realizar aulas praticas, possuir a doenca pode causar prejuizos no desempenho academico das mesmas, em funcao dos sintomas relatados e por elas avaliados como danosos para atividade fisica, posto que a pratica esportiva faz parte do dia-a-dia da graduacao em Educacao Fisica.

REFERENCIAS

1-Appolinario, J. C. TDPM, Transtorno Disforico Pre-Menstrual. Sao Paulo: Editora Segmento. 2003.

2-Brasil. Parametros Curriculares Nacionais. Educacao Fisica. Brasilia: MEC/SEF. 1997.

3-Brasil. SISNEP. 2010. Disponivel em: <http://portal2.saude.gov.br/sisnep/extrato_projeto.cfm?CODIGO=375946> Acesso em: 20/12/2011.

4-Brasil, Ministerio da Saude. CID 10: Codigo Internacional de Doencas Sindrome de Tensao Pre-Menstrual N94.3. DataSus. 2005. Acessado em 10/09/2005. Disponivel em: http://datasus.gov.br.

5-Cordeiro, R. C. F. S. C. Disciplina de Sexualidade Humana para o Curriculo do Curso em Educacao Fisica. Dissertacao de Mestrado-UGF, Rio de Janeiro, 2000.

6-Cordeiro, R. C. F. S. C.; Pinto, T. A. M. Percepcoes dos Participantes do 20 Congresso da FIEP acerca de Conhecimentos Sobre a Sindrome de Tensao Pre-menstrual e sua Interferencia Nas Atividades Fisicas. Revista Meta Science. Vol. 2. Num. 2. p.45. 2005.

7-Cordeiro, R. C. F. S. C.; Goke, Kiyoshi; Rosa, B. N.; Pinto, W. C.; Cordeiro, R. C. F. E. S. C. O Indice de Morbidade de Tensao Pre-Menstrual (STPM) de 74 atletas de alto rendimento de 4 modalidades esportivas diferentes do Rio de Janeiro. In: Congresso da FIEP, 2010, Foz do Iguacu. FIEP Bulletin. Vol. 80. p.52. 2010.

8-Cordeiro, R. C. F. S. C; Fernandes, R. G.; Conrado, A. O.; Oliveira, D. R. C. A Sindrome de Tensao Pre-Menstrual (STPM) e handebol feminino: um estudo sobre a morbidade e alteracoes na performance das atletas de uma equipe de handebol feminino de Sao Goncalo, RJ, campea brasileira, com jogadoras de selecao brasileira e de nivel internacional. In: 11o EAFFERJ, Cabo Frio. Revista Meta & Science. Rio de Janeiro: Meta Producoes. Vol. 3. p.134. 2006.

9-Gaion, P. A.; Vieira, L. F.; Silva, C. M. L. Sindrome pre-menstrual e percepcao de impacto no desempenho esportivo de atletas brasileiras de futsal. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano. Vol. 11. Num. 1. p.73-80. 2009.

10-Klein, C.H; Bloch, K.V. Estudos seccionais. Epidemiologia. Sao Paulo. Atheneu. p.125-150. 2004.

11-Lebrun, C. M. Effect of the different phases of the menstrual cycle and oral contraceptives on athletic performance. Sports Medicine. Vol. 16. Num. 6. p.400. 1993.

12-Nogueira, C. W. M. O diagnostico da Sindrome Pre-Menstrual. Revista FEMINA. Vol. 31. Num. 1. p.53-55. 2003.

13-Nogueira, C. W. M.; Lopez, J. R. A; Lucas De Silva, J. R; Leite, E. M; Abreu, A. P. M; Silva, J. L. P. Prevalencia dos Sintomas da Sindrome Pre-Menstrual. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetricia. Vol. 22. Num. 6. p.347-351. 2000.

14-Porto, C. C. Semiologia Medica. 6a edicao. Rio de Janeiro. Guanabara Koogan. 2009.

15-Popova, S.; Popova-Dobreva, D. Influence of the premenstrual syndrome on the emotional condition of female athlete. Bulletin of the Transilvania University of Brasov. Series VIII. Vol. 4. Num. 53. 2011.

16-Timonen, S.; Procope, B. J. Premenstrual Syndrome and Physical Exercise. Acta Obstetricia et Gynecologica Scandinavica. Vol. 50. p.331-337. 1971.

17-Thu, M.; Diaze, O.G. Sawhsarkapaw. Premenstrual Syndrome among Female University Students in Thailand. Vol. 9. Num. 3. p.158-162. 2006.

18-Vaisberg, M.; David, A. M.; Bella, Z. J. D.; Berenstein, E.; Lopes, A. C. Incidencia da sindrome pre-menstrual na pratica de Esportes. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. Vol. 15. Num. 5. p.330-333. 2009.

Roberto Claudio Cordeiro da Costa e Silva (1,3) Jose Nunes da Silva Filho (2) Lamartine Pereira da Costa (3)

(1) -Professor de Anatomia Humana Faculdade de Medicina da Universidade Estacio de Sa, Rio de Janeiro, Brasil.

(2) -Mestre em Ciencias do Exercicio e do Esporte-PGCEE-UERJ, Rio de Janeiro, Brasil.

(3) -Programa de Pos-Graduacao em Ciencias do Exercicio e do Esporte da Universidade do Estado do Rio de Janeiro-PGCEE-UERJ, Rio de Janeiro, Brasil.

E-mail do autor: jose_nunes_99@hotmail.com

Endereco para correspondencia: Universidade Estacio de Sa, Faculdade de Medicina - Campus Joao Uchoa. Rua do Bispo, 83, Rio Comprido, Rio de Janeiro-RJ, Brasil. CEP: 20261-063.

Recebido para publicacao 29/10/2016

Aceito em 02/02/2017

Primeira versao em 01/09/2017

Segunda versao em 09/09/2017
Tabela 1 - Alunas acometidas pela STPM.

Presenca de STPM      n     (%)

Com STPM              95    73,6
Sem STPM              34    26,4
Total                129     100

Tabela 2 - Autoavaliacao da STPM.

Presenca de STPM      n     (%)

Com STPM             105      814
Sem STPM              24     18,6
Total                129      100

Tabela 3 - Prejuizo na Atividade Fisica.

Presenca de STPM    n     (%)

Com STPM            88    68,2
Sem STPM            41    31,8
Total              129     100
COPYRIGHT 2017 Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino em Fisiologia do Exercicio. IBPEFEX
No portion of this article can be reproduced without the express written permission from the copyright holder.
Copyright 2017 Gale, Cengage Learning. All rights reserved.

Article Details
Printer friendly Cite/link Email Feedback
Author:e Silva, Roberto Claudio Cordeiro da Costa; Filho, Jose Nunes da Silva; da Costa, Lamartine Pereira
Publication:Revista Brasileira de Prescricao e Fisiologia do Exercicio
Article Type:Ensayo
Date:Sep 1, 2017
Words:4383
Previous Article:NIVEL DE ATIVIDADE FISICA E RISCO DE DESENVOLVIMENTO DE DOENCAS CARDIOVASCULARES EM ACADEMICOS DO CURSO DE EDUCACAO FISICA.
Next Article:CAPOEIRA: LUTA, JOGO OU DANCA? O IMPACTO DA MATRIZ CURRICULAR DO CURSO DE EDUCACAO FISICA NA PERCEPCAO DE UNIVERSITARIOS.

Terms of use | Privacy policy | Copyright © 2020 Farlex, Inc. | Feedback | For webmasters