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EFEITOS AGUDOS E CRONICOS DO EXERCICIO FISICO NA PRESSAO INTRAOCULAR (PIO).

INTRODUCAO

A inatividade fisica tem forte relacao com a incidencia de varios tipos de doencas cronicas, onde, o sedentarismo e considerado um fator de risco, assim como, o tabagismo, hipertensao arterial, dislipidemia dentre outros. As evidencias sustentam a relacao inversa entre atividade fisica e mortalidade prematura, Doencas Cardiovasculares, Acidente Vascular Cerebral, osteoporose, diabetes melito tipo 2, sindrome metabolica, obesidade, cancer de colon, cancer de mama e depressao (ACSM, 2014).

Embora, a incidencia de glaucoma nao apresente uma relacao direta com o sedentarismo, ha evidencias na literatura que individuos ativos fisicamente apresentem menor risco de desenvolver essa patologia (Williams, 2009).

Contudo, a escassez de publicacoes dessa natureza, principalmente de estudos epidemiologicos, compromete a respectiva associacao. No entanto, estudos transversais com glaucomatosos e pessoas com saude ocular preservada mostram reducao da pressao intraocular imediatamente apos o exercicio (Conte e Scarpi, 2014; Roddy e colaboradores, 2014; Soares e colaboradores, 2015).

De acordo com a Sociedade Brasileira de Glaucoma (2005), o glaucoma e um grave problema de saude ocular. Apresentando incidencia e prevalencia altas em todo mundo. A Organizacao Mundial de Saude (OMS) registra 2,4 milhoes de novos casos de glaucoma anualmente, totalizando 70 milhoes de pessoas em todo mundo. Tais dados representam de 2 a 3% da populacao mundial, e que em 2020 esse numero aumenta para 80 milhoes de glaucomatosos (Salai e colaboradores, 2011).

Segundo a Sociedade Brasileira de Glaucoma (2005), a PIO e o principal fator de risco para o desenvolvimento do glaucoma. Portadores de PIO de 21 mmHg devem ser considerado hipertensos oculares. Outros fatores de riscos para o desenvolvimento do glaucoma sao: em individuos da raca negra sendo mais grave e de pior prognostico, hereditariedade, miopia, diabetes e idade.

Embora, o glaucoma nao apresente relacao com o nivel de atividade fisica dos individuos, a PIO elevada e considerada como um dos fatores de risco do glaucoma, doenca que pode promover dano ao disco optico e neuronios da retina, com reducao no campo visual e cegueira (Conte e colaboradores, 2014).

Vem sendo mostrado que a PIO pode sofrer alteracoes variacoes devido a varios fatores, tais como, ritmo circadiano, posicao corporal, nivel de atividade fisica dentre outros (Vieira, 2008).

Logo apos a realizacao de exercicios fisicos, principalmente em atividades fisicas com caracteristicas aerobias, ocorre uma reducao na PIO decorrente da reducao da osmolaridade do plasma, hiperventilacao, aumento da sintese do oxido nitrico entre outros mecanismos (Harris, 1992).

Nesse sentido, a PIO diminui temporariamente com atividades aerobias em proporcao a sua duracao e intensidade. A corrida especificamente tem mostrado uma resposta aguda na diminuicao da PIO em proporcao a sua intensidade (Williams, 2009).

Em relacao a atividade com caracteristica anaerobia, mais especificamente em exercicio resistido (musculacao), foram encontrados resultados que apontam uma reducao na PIO (Conte e colaboradores, 2009).

Exercicios continuos, aerobios ou anaerobios, levam a uma diminuicao da PIO apos o esforco, tanto em pacientes normais com em glaucomatosos e esta baixa pode perdurar por ate duas horas apos a atividade (Vieria, 2008).

Nesse sentido, o objetivo do presente estudo foi revisar a influencia da pratica de exercicio fisico regular, observando os efeitos agudos e cronicos na Pressao Intraocular (PIO).

REVISAO DA LITERATURA

Glaucoma suas classificacoes e o liquido ultrafiltrado humor aquoso

O glaucoma e uma neuropatia optica progressiva com mudancas estruturais caracteristicas no disco optico, frequentemente acompanhada por mudancas correspondentes no campo visual (Remo e Weinreb, 2005).

Existem varias formas de glaucoma, sendo as principais: o glaucoma primario de angulo aberto, o glaucoma primario de angulo fechado, glaucoma congenito e de desenvolvimento e os glaucomas secundarios (Vaughan e Asbury, 2011).

Segundo a Sociedade Brasileira de Glaucoma (2005), o glaucoma primario de angulo aberto (GPAA), e uma neuropatia optica cronica, progressiva, caracterizada por alteracoes tipicas do disco optico e da camada de fibras nervosas da retina, com repercussoes no campo visual.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Glaucoma (2012), o glaucoma primario de angulo fechado (GPAF), e caracterizado pelas alteracoes encontradas nos individuos com fechamento angular primario, associadas a presenca de neuropatia optica glaucomatosa ou um defeito campimetrico compativel com glaucoma.

O glaucoma secundario e caracterizado o aumento da PIO, que se eleva produto de uma enfermidade subjacente. O glaucoma secundario e geralmente uma afeccao unilateral. A prevalencia deste glaucoma atinge 0,1% da populacao (Puente, 2011).

Segundo Vaughan e Asbury (2011), o aumento da pressao intraocular que ocorre como manifestacao de alguma outra doenca ocular denominado glaucoma secundario.

O glaucoma congenito e uma afeccao rara, pode ser subdividido em (1) ma formacao do angulo da camara anterior, que dificulta a drenagem do humor aquoso, e assim, leva a um aumento da pressao intraocular; (2) anomalias do desenvolvimento do segmento anterior, em que o desenvolvimento da iris e da cornea tambem e anormal; e (3) em que as anomalias do desenvolvimento do angulo estao associadas a outras anormalidades oculares e extraoculares (Vaughan e Asbury, 2011).

O ultrafiltrado humor aquoso e continuamente formado pelos apendices ciliares do corpo ciliar, que sao pequenos prolongamentos semelhantes a glandulas, formados por celulas epiteliais e situados nas margens e pouco atras do cristalino (Guyton, 2008).

Portanto, o controle fisiologico da Pressao Intraocular (PIO) esta relacionado a producao do humor aquoso, a resistencia no escoamento do HA e pressao da veia episcleral (Conte, 2009).

Pressao IntraOcular (PIO)

A Pressao Intraocular (PIO) e determinada pela producao, circulacao e drenagem do humor aquoso, pelo fluxo trabecular e uveoescleral e ainda pressao venosa episcleral (Conte, 2009).

O humor aquoso e um ultrafiltrado formado pela secrecao ativa do epitelio nao pigmentado que reveste os processos ciliares do corpo ciliar para a camara anterior (Conte, 2009).

Uma vez na camara anterior (figura 1), esse liquido flui pelo espaco entre a iris e o cristalino, e ocupa a camara anterior do olho, e finalmente e escoado pelo canal Schlemm para a veia episcleral (Constanzo, 2011; Conte, 2009; Guyton, 2008; Tamura e colaboradores, 2013).

O volume vitreo, o volume sanguineo da coroide, rigidez da esclera, tensao do muscular orbicular do olho e a pressao externa, tambem poderao ter influencia na PIO (Talieri e colaboradores, 2005).

A elevacao da Pressao Intraocular (PIO) consiste no maior fator de risco para o surgimento e do desenvolvimento da neuropatia optica glaucomatosa (Tamura e colaboradores, 2013).

De acordo com os limites estatisticos a PIO e considerada normal em uma faixa de 9 a 21 mmHg (Conte, 2009).

Entretanto, segundo a Sociedade Brasileira de Glaucoma (2005), portadores de PIO de 21 mmHg devem ser considerados hipertensos oculares.

Nesse sentido, a afericao da PIO e realizada atraves da tonometria, que tem como objetivo avaliar a PIO (pressao intraocular) do individuo e medida a resistencia da deformacao do bulbo ocular as forcas aplicadas sobre a sua superficie (Rodrigues e Dantas, 2001).

O tonometro de aplanacao de Goldman e considerado o padrao-aureo para a medida da pressao intraocular, porem outros tonometro apresentam boa correlacao na medida tais como Perkins, Pneumotonometro, Tono-Pen XL (Andrada e colaboradores, 2003; Santos e colaboradores, 1998).

A PIO elevada e considerada como os fatores de risco para o glaucoma, doenca que pode promover dano ao disco optico e neuronios da retina, com a reducao no campo visual e cegueira, com prevalencia em torno de 2% em populacoes de origem europeia com a idade superior aos 40 anos (Conte, 2009; Povoa e colaboradores, 2002).

Vem sendo mostrado que a PIO pode sofrer variacoes devido a fatores, tais como, ritmo circadiano, posicao corporal, exercicio fisico entre outros (Asejczyk e Pierscionek, 2007; Conte, 2009; Jaen-Diaz e colaboradores, 2007; Soares, 2015).

Com relacao ao ciclo circadiano ha um pico da PIO nas primeiras horas da manha e o valor torna-se mais baixo ao final tarde, havendo flutuacao de 4 a 6 mmHg, essa flutuacao esta relacionado a atividade do sistema nervoso autonomo, controle humoral e a mudanca do tonus muscular (Asejczyk e Pierscionek, 2007; Jaen-Diaz e colaboradores, 2007).

No que tange a posicao corporal, a PIO de um individuo deitado e maior do que sentado, possivelmente as alteracoes hidrostaticas, como elevacao da pressao venosa episcleral, que ocorrem de uma posicao para outra, podem explicar essas diferencas (Rodrigues e colaboradores, 2004).

Logo apos a realizacao de exercicios fisicos, principalmente em exercicios com caracteristicas aerobias, ocorre uma reducao da PIO decorrente da reducao osmolaridade do plasma, hiperventilacao, aumento da sintese de oxido nitrico entre outros mecanismos (Ashkenazi e colaboradores, 1992; Harris e colaboradores, 1992; Roddy e colaboradores, 2014).

Alem da PIO, existem outros fatores que podem desencadear o glaucoma como: a raca, a idade, a hereditariedade e a miopia (SBG, 2005).

Exercicio fisico e pressao intraocular

Segundo o American College Sports Medicine (2014), exercicio e um tipo de atividade fisica que consiste em movimentos corporais planejados, estruturados e repetitivos.

E importante salientar a interacao entre as vias metabolicas aerobia e anaerobia na producao de energia durante a execucao do exercicio fisico. A contribuicao da producao anaerobia de ATP e maior durante as atividades de alta intensidade e curta duracao, enquanto o metabolismo aerobio predomina nas atividades mais longas (Powers e Howley, 2014).

Portanto, a energia necessaria a realizacao do exercicio prolongado e fornecida primariamente pelo metabolismo aerobio. Um consumo de oxigenio em estado estavel em geral pode ser mantido durante o exercicio de intensidade moderada (Powers e Howley, 2014).

Porem, essa regra apresenta duas excecoes. A primeira o estresse termico ambiental que se sobrepoe ao exercicio prolongado (Wilmore e colaboradores, 2013). Em segundo lugar, o exercicio continuo a uma taxa de trabalho relativa alta (i.e., >75% V[O.sub.2max]) ocasionando uma elevacao lenta do consumo de oxigenio com o transcorrer do exercicio (Powers e Howley, 2014).

Em relacao ao exercicio de curta duracao e alta intensidade, a energia e fornecida primariamente pelas vias metabolicas anaerobias. Nesse sentido, a producao de ATP e dominada pelo sistema ATP-CP (via fosfagenica) ou pela glicolise (via glicolitica), dependendo primariamente da duracao do exercicio (Powers e Howley, 2014).

Existe uma escassez de publicacoes sobre a associacao entre o incidente de glaucoma e exercicio fisico. Uma possivel explicacao e que o glaucoma nao esta associado a pratica de exercicio fisico. Entretanto, o glaucoma esta relacionado a uma menor (PIO) Pressao Intraocular (Natsis e colaboradores, 2009).

Nesse sentido, a PIO diminui temporariamente com o exercicio aerobio em proporcao a duracao e intensidade (Natsis e colaboradores, 2009).

Conforme publicado por Ashkenazi (1992), 22 homens saudaveis realizaram exercicio continuo (110 km) de caminhada em estrada de terra com uma mochila com 20 kg, onde, a velocidade variou entre 4,5 - 5,5 km/h. Todos os voluntarios terminaram o exercicio prolongado e apresentaram queda na PIO em torno de 18,1%.

De acordo com Willians (2009), corredores que percorreram distancias mais longas apresentaram menor probabilidade de desenvolver o glaucoma devido a niveis pressoricos na PIO mais baixos ao termino do exercicio.

Segundo Natsis e colaboradores (2009), relatou que os individuos que percorrem distancias mais longas nas corridas apresentaram um menor risco de desenvolver o glaucoma.

Entretanto, Williams (2009), observou em seu estudo a relacao do risco de incidente de glaucoma e intensidade do exercicio entre corredores na corrida de 10 km. Em relacao, aos homens que correram mais lento ([menor que o igual a] 3,5 m/s), o risco para o incidente glaucoma diminuiu em torno de 29%, naqueles que correram entre 3,6 - 4,1 m/s, 54% para aqueles que correram na intensidade de 4,1 4,5 m/s e em torno de 51% para os individuos que correram entre 4,6 - 5,0 m/s (Williams, 2009).

Em estudo realizado com 15 individuos saudaveis, comparou exercicio intervalado de alta intensidade com o exercicio continuo de intensidade moderada. Foram observados nos dados coletados, que nao houve diferenca significativa na diminuicao da Pressao Intraocular apos 5 minutos de recuperacao entre o exercicio de intervalado de alta intensidade e o exercicio continuo de intensidade moderada.

Entretanto, a PIO permaneceu reduzida por 10 minutos apos o exercicio intervalado de alta intensidade, enquanto a Pressao Intraocular retornou aos niveis de repouso durante a intervencao do exercicio continuo de intensidade moderada (Conte e colaboradores, 2014).

Porem, em um estudo de meta-analise realizado por Roddy e colaboradores (2014), comparou diversos protocolos utilizados para analisar os efeitos agudos do exercicio aerobio sobre a PIO. Nesse sentido, os autores verificaram as diferencas das caracteristicas dos participantes, a intensidade e a duracao do exercicio aerobio.

Entretanto, nao fica claro o mecanismo que contribui para a reducao inicial da PIO apos o exercicio aerobio. Diversos mecanismos podem contribui para reduzir a Pressao Intraocular como: alteracao na pressao osmotica coloidal, aumento na osmolaridade do plasma, aumento da lactato sanguineo, reducoes no pH do sangue e a perda de agua e eletrolitos por meio do suor durante o exercicio (Roddy e colaboradores, 2014).

No que tange os efeitos cronicos, a aplicacao de um protocolo por 10 semanas com exercicio aerobio, a PIO apresentou uma queda em torno 1,1 mmHg em individuos com o estilo de vida sedentario (Qureshi e colaboradores, 1996). Em outros dois estudos adicionais relataram reducao na Pressao Intraocular 0,93 - 1,1 mmHg em individuos participantes de um programa de exercicio aerobio supervisionado por 3 meses em relacao ao grupo controle que nao participaram do mesmo protocolo (Qureshi e colaboradores, 1996; Qureshi, 1995).

No que se refere aos exercicios com caracteristicas anaerobias, o Treinamento Resistido dentre eles a musculacao como e conhecido popularmente, se tornou amplamente aceito e utilizado, nao somente como componente do treinamento de atletas, mas visando a promocao saude dos individuos (Conte, 2009 apud Kohrt e colaboradores, 2004).

Nesse sentido, Conte (2009), verificou a influencia do exercicio anaerobio na PIO atraves do Treinamento Resistido, onde, comparou diferentes intensidades (50%, 60%, 80% e 90%) por cinco semanas nos seguintes exercicios: supino, rosca direta e leg press 45[grados]. De uma forma geral, foram observadas no estudo que independentemente das intensidades de treinamento utilizadas durante as sessoes de exercicios resistidos, na maioria das situacoes houve reducao significativa da PIO.

Em testes de predicao para determinar carga maxima no supino, pulley dorsal, desenvolvimento, rosca direta e leg press, realizados com 145 universitarios, isentos de disturbios oculares com idade entre 22 [+ o -]4 anos, a PIO se mostrou inferior 3 mmHg apos a realizacao dos testes (Conte e colaboradores, 2009).

Em estudo para comparar as influencias do exercicio aerobio e anaerobio, foram coletadas a PIO em dois equipamentos a mesa flexora e o peck deck, afim de verificar a variacao na PIO em um exercicio para membros superiores e outro para membros inferiores. As mensuracoes aconteceram imediatamente antes e apos a execucao do exercicio e depois de dez minutos de recuperacao. Apenas nos exercicios realizados com intensidade de 65% com 20 repeticoes observaram diferenca significativa. Enquanto, nos exercicios executados com a intensidade de 75% com 10 repeticoes nao foi demonstrado diferenca significativa na diminuicao da PIO (Ruffer e colaboradores, 2014).

Grande parte dos estudos demonstram resultados hipotensivos na PIO advindos dos exercicios anaerobios atraves do Treinamento Resistido. Alguns dos mecanismos que estao associados aos exercicios anaerobios e o aumento nos niveis do lactato e a diminuicao do pH sanguineo (Tamura e colaboradores, 2012).

Segundo Tamura e colaboradores (2013), verificaram as concentracoes de lactato plasmatico com as variacoes da PIO apos series de exercicios resistidos. Foram avaliados oito voluntarios do sexo masculino em duas sessoes no exercicio de supino reto com os seguintes protocolos: 3 series de 4 repeticoes com 90% de 1-RM com 180 segundos de intervalo entre as series; 3 series ate a fadiga voluntaria maxima com 60% de 1-RM com 30 segundos de intervalo entre as series.

Nesse sentido, em ambos os protocolos foi observada a reducao da PIO. No entanto, no exercicio com maior volume e producao de lactato (aumento de 245,45%) que correspondeu ao protocolo supino reto a 60% de uma 1-RM houve reducoes quantitativamente maiores na PIO, e, alem disso, a queda foi significativa nos dois olhos (Tamura e colaboradores, 2013).

Alguns aspectos contribuem para variacao da PIO dentre eles e a posicao corporal. Quanto a posicao corporal, a PIO deitado e maior do que sentado, possivelmente as alteracoes hidrostaticas, como a elevacao da pressao venosa episcleral, que ocorrem de uma posicao para outra, podem explicar tais diferencas (Mansouri e colaboradores, 2012).

Em um estudo de Soares e colaboradores (2015), observaram o comportamento na variacao da PIO no exercicio resistido realizado em posicao diferentes (leg press executado na posicao sentado e na posicao em decubito dorsal), onde, foram coletadas a PIO em tres momentos distintos.

Foi observada reducao significante na PIO apos exercicio, permanecendo reduzida de forma significativa apos 3 minutos de recuperacao. Entretanto, nao houve diferenca da PIO segundo a posicao corporal, independentemente do momento da afericao (Soares e colaboradores, 2015).

Em um estudo com 9 lutadores de jiu jitsu Scarpi e colaboradores (2009), verificou a associacao entre dois diferentes tipos de estrangulamento (frontal na guarda e frontal na montada), afim de aferir a variacao na pressao intraocular dos atletas.

A pressao intraocular foi aferida por 12 minutos apos cada golpe e uma coleta realizada a cada tres minutos em ambos os olhos. Foi observada diferenca significativa apenas nos tres primeiros minutos apos os golpes (frontal na guarda e frontal na montada), as reducoes foram (11,33 [+ o -] 2,00 vs. 8,22 [+ o -] 1,39 no olho direito e 11,88 [+ o -] 1,90 vs. 8,55 [+ o -] 1,23 no olho esquerdo) respectivamente (Scarpi e colaboradores, 2009).

Embora ainda nao e totalmente esclarecido os mecanismos, sabe-se do importante papel da pressao na veia episcleral sobre a PIO. Logo apos o estrangulamento por acao muscular isometrica o retorno venoso pode aumentar significativamente, induzido pela rapida descompressao da veia jugular favorecendo o escoamento do humor aquoso pelas veias episcleral e conjuntiva (Scarpi e colaboradores, 2009).

CONCLUSAO

A maioria dos estudos apontam para os efeitos hipontesivos na pressao intraocular em exercicios com caracteristicas anaerobias e aerobias. Os achados mostram que os exercicios realizados com intensidades elevadas, e, onde, grandes grupos musculares estejam envolvidos indicam maiores quedas pressoricas na PIO. No que tange, aos efeitos agudos dos exercicios os dados apresentados indicam quedas significativas nos exercicios anaerobios e aerobios na pressao intraocular. No que se referem, aos efeitos cronicos, os indicadores apresentam adaptacao nos exercicios com caracteristicas aerobias. Portanto, os efeitos cronicos advindo dos exercicios anaerobios demandam outras investigacoes para tal constatacao. Embora seja apresentada a relacao na dinamica entre pressao intraocular e exercicio fisico, os mecanismos fisiologicos envolvidos necessitam de maiores esclarecimentos, o que recomendam novas analises com outras publicacoes.

Fonte de auxilio para pesquisa

Banco de Olhos de Sorocaba (BOS), Sorocaba-SP, Brasil.

REFERENCIAS

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Luis Fernando Oliveira (1,2) Marcelo Conte (3,4)

(1-) Faculdade Anhanguera de Sorocaba, Sorocaba-SP, Brasil.

(2-) Centro Universitario Nossa Senhora do Patrocinio (CEUNSP), Itu-SP, Brasil.

(3-) Escola Superior de Educacao Fisica de Jundiai (ESEF), Jundiai-SP, Brasil.

(4-) Professor da Universidade Federal de Sao Paulo (UNIFESP), Sao Paulo-SP, Brasil.

E-mails dos autores:

luisoliveira1@anhanguera.com

Endereco para correspondencia:

Luis Fernando Garcia de Oliveira

Rua: Romeu Ribeiro, no. 130, Sorocaba-SP

CEP: 18078-660.

Recebido para publicacao 29/06/2017

Aceito em 24/08/2017
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Author:Oliveira, Luis Fernando; Conte, Marcelo
Publication:Revista Brasileira de Prescricao e Fisiologia do Exercicio
Date:May 1, 2018
Words:4852
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