Printer Friendly

EFEITO DO DESCANSO ATIVO NO TREINAMENTO DE CIRCUITO SOBRE A COMPOSICAO CORPORAL DE ADULTOS/Effect of the active rest in the circuit training on the body composition of adults.

INTRODUCAO

Apesar da caracterizacao tipicamente do treinamento aerobico, o treino em circuito metodo mantem todas as caracteristicas de um treino de forca, como a atividade resistida e a ativacao de fibras de contracao rapida, apesar de ter um componente aerobico preponderante (Fleck e Kraemer, 2014).

Possui ainda uma peculiaridade que o difere dos metodos tradicionais de treino de forca, ele nao busca desenvolver uma valencia fisica especifica em sua maxima amplitude e sim um aprimoramento neuromuscular e cardiorrespiratorio conjugado (Dantas, 2003; Tubino e Moreira, 2003).

A literatura tem demonstrado sua aplicacao na perda de peso em individuos sedentarios devido seu componente aerobico preponderante e ludicidade ao ser executado em grupos (ACSM, 2000; Tubino, Moreira, 2003).

Verificou-se tambem que quanto mais longo o protocolo de treinamento e menor os intervalos de descanso entre as series e sessoes maior o consumo energetico pos treino, mantendo gasto energetico elevado ate 2 horas apos findar a sessao de treinamento (Haltom e colaboradores, 1999; Thornton e Potteiger, 2002).

A eficiencia do modelo de treinamento em circuito na alteracao dos padroes antropometricos e fato bem aceito na literatura.

Discute-se, porem, o impacto da utilizacao do descanso ativo como forma de implemento ao modelo de circuito de treinamento.

Desta forma o objetivo desta pesquisa foi comparar o efeito do descanso ativo no treinamento de circuito sobre a composicao corporal em adultos ativos.

MATERIAIS E METODOS

Tratou de um ensaio clinico randomizado, com intervencao e carater longitudinal, um centro de treinamento esportivo, no periodo de agosto e outubro de 2017, na cidade de Fortaleza-CE.

Em uma populacao de 120 individuos, a amostra inicial foi composta por 30 adultos, com 18 a 35 anos de idade. Como criterios de inclusao foram adotados: experiencia com treinamento resistido por mais de seis meses, assinar o termo de consentimento livre e esclarecido, possuir maior idade, ausencia de enfermidades.

Nesta pesquisa foram excluidas gestantes, idosos, pessoas que estivessem sob uso esteroides anabolizantes, drogas inibidoras de apetite ou qualquer tipo de farmaco que pudesse mascarar os resultados obtidos.

Apos anamnese inicial, dois voluntarios foram excluidos por possuirem doencas preexistentes, como diabetes ou enfermidades associadas a algum tipo de limitacao locomotora. Objetivou-se ter homogeneidade nos dados iniciais tais como idade, peso, altura, IMC, IAC e percentual de gordura, com isso mais 10 individuos foram excluidos do estudo.

Totalizaram 18 participantes, sendo dez mulheres e oito homens, os quais foram distribuidos de forma aleatoria em dois grupos experimentais: Grupo descanso ativo (GDA, n=09) e Grupo Descanso Passivo (GDP, n=09).

Ambos os grupos realizaram durante o periodo de dois meses, um programa de treinamento em circuito, com frequencia de tres vezes por semana, sendo avaliados no inicio e ao final da pesquisa.

O programa de treinamento consta no Quadro 1, e se compoe de exercicios alternados entre membros superiores e inferiores. No inicio do protocolo foi realizado teste de uma repeticao maxima (1RM) para determinar a carga do treino de acordo com o percentual estabelecido, como implemento de carga mensal, iniciando com 60% de 1RM em cada exercicio e passando a 70% no segundo mes.

O GDA realizava durante 60 segundos, atividade em bicicleta ergometrica, entre cada troca de exercicio, enquanto GDP, se manteve em repouso durante o minuto entre cada troca de exercicio. Todos os participantes assinaram termo de consentimento e o projeto conta com a aprovacao em comite de etica para pesquisa com seres humanos (2.390.109, CEP/PROPESQ/UFC).

Segundo todas as normas eticas preconizadas pela Resolucao 466/2012 do Conselho Nacional de saude.

Avaliacao da composicao corporal

Foram realizadas avaliacoes fisicas antes e apos a intervencao com o protocolo de treinamento.

Os valores do Indice de Massa Corporea (IMC) foram calculados e admitidos os valores padrao considerados pela Organizacao Mundial da Saude (World Health Organization, 2000).

Valores para medidas de gordura subcutaneas foram aferidas pelo protocolo de 7 dobras de Jackson-Pollock com Adipometro (Sanny - Cod. Ad 1007 9,8 g/[mm.sup.2]) (Jackson, Pollock, Ward, 1980).

O Indice de Adiposidade Central (IAC) foi calculado com base na atura e circunferencia do quadril do sujeito segundo a formula e admitidos os parametros ja preconizados em trabalhos anteriores (Bergman e colaboradores, 2011):

[IAC = [Circunferencia do quadril (cm) - 18/Altura (m) x Altura [(m).sup.1/2]]]

Teste de forca maxima

O teste de 1 repeticao maxima (1RM) foi executado a cada avaliacao fisica mensal com o objetivo de mensurar o implemento de carga que deveria ser utilizado no mes em questao e avaliar ao final o ganho de forca dos individuos.

Foi executado em todos os exercicios propostos no programa de treinamento (Quadro 1). O teste consiste em elevar a carga, Kg, utilizada para cada exercicio ate que o individuo consiga executar apenas uma repeticao completa e sem auxilio fisico externo.

Analise estatistica

Todas as variaveis foram expressas como media e desvio padrao. Foi realizado o teste de Kolmogorov-Smirnov, para verificacao da normalidade das amostras. Para comparacao das amostras do mesmo grupo foi em tempos distintos foi utilizado o teste t para amostras dependentes. Ja para verificacao de variaveis distintas foi utilizado o teste t para amostras independentes. Como intervalo de confianca foi adotado o valor de 95%, com o valor de p [less than or equal to] 0,05.

RESULTADOS

Amostra foi composta por 18 individuos de ambos os sexos, sendo 55% (n=10) do sexo masculino. Os participantes do grupo GDA apresentaram idade media de 28,7([+ or -] 4,29 anos), IMC de 23,98 ([+ or -]3,35kg/[m.sup.2]) e altura media de 164 ([+ or -]0,07 cm). Ja o GDP mostrou idade media 28,33 ([+ or -]7,03 anos), IMC de 25,86 ([+ or -] 2,80kg/[m.sup.2]) e altura de 164 ([+ or -]0,09 cm). Os grupos foram considerados homogeneos para: altura, idade, IAC, IMC, RCA e percentual de gordura no inicio do treinamento (p>0,05).

Quando verificado a comparacao de amostras dependentes nos periodos pre e pos-intervencao, foi encontrado em ambos os grupos, reducoes nos valores de IMC, RCA, IAC e percentual de gordura, estatisticamente significantes (p<0,05), conforme visualizado na Tabela 1.

Quando realizado o teste t para amostras independentes nos grupos GDA e GDP para a comparacao destes grupos ao final da pesquisa, nao foi encontrado nenhuma diferenca significativa (p>0,05) nos resultados dos dois protocolos de treinamento sobre o IMC, RCA, IAC e percentual de gordura, conforme a Tabela 2.

DISCUSSAO

Os achados do desta presente pesquisa, corroboram com outros estudos, como no estudo de Fett e colaboradores (2006) no qual, foi avaliado o efeito de diferentes tipos de treinamento em mulheres com sobrepeso ou obesas, sendo observado em ambos os treinamentos uma melhoria significativa na massa magra, no IMC, assim como na reducao de percentagem da gordura corporal, contudo foi verificado melhorias mais acentuadas no grupo que utilizou o treinamento em circuito como metodo de treinamento.

No que tange ao descanso ativo, o estudo realizado por Alcaraz e colaboradores (2008), observou que o treinamento em circuito com utilizacao desse metodo de descanso permitiu a manutencao similar ao treinamento resistido tradicional em relacao a capacidade de carga por sessao, deste modo sendo possivel um efetivo ganho de forca assim como outros parametros pertinentes ao treinamento de forca tradicional.

Quando comparadas as categorizacoes propostas pela Organizacao Mundial da Saude do IMC verificou-se que nao ha diferencas entre os grupos apos a intervencao, ou seja, os individuos se mantiveram em categorias iguais ou semelhantes apos o treino (WHO, 2000).

De modo contrario, este trabalho nao verificou aumento no ganho medio de forca dos sujeitos. Isto pode ter se dado pelo reduzido tempo de treinamento dos individuos no modelo proposto de circuito (Alcaraz, Sanchez-Lorente, Blazevich, 2008).

Considerando que todos os ambos grupos eram homogeneos no inicio do estudo, o implemento do descanso ativo e passivo proporcionou aos homens aparentemente um aumento de massa magra, devido a correlacao entre a perda de gordura e manutencao dos valores de IMC.

Este fato pode estar relacionado a uma melhor recuperacao muscular apos o repouso e consequente melhor desempenho do treinamento.

Fleck e Kraemer (2014) relatam que o uso do descanso ativo melhora a eliminacao de metabolitos produzidos durante a contracao muscular pela vasodilatacao provocada, interferindo de forma positiva na execucao do exercicio seguinte e aumentando a capacidade de gerar forca pelo musculo

Deve-se considerar como fator limitante desta pesquisa a ausencia do controle dietetico, podendo este, potencializar ou suprimir os resultados na composicao corporal dos participantes.

Contudo, para minimizar este vies, foi rigorosamente recomendado aos voluntarios desta pesquisa a manutencao dos seus habitos alimentares diarios.

Para um maior aprofundamento desta tematica sugere-se as futuras pesquisas, um controle desta questao supracitada.

CONCLUSAO

Conclui-se que o descanso ativo e o passivo, aplicados ao treinamento de circuito, durante dois meses, melhoram significativamente a composicao corporal em adultos.

Aponta-se tambem que nao ha distincao entre os resultados destes metodos ao final deste periodo.

REFERENCIAS

1-American College of Sports Medicine. ACSM. Manual do ACSM para Teste de Esforco e Prescricao de Exercicio. 5a edicao. Revinter. 2000.

2-Alcaraz, P. E.; Sanchez-Lorente, J.; Blazevich, A. J. Physical Performance and Cardiovascular Responses to an Acute Bout of Heavy Resistance Circuit Training versus Traditional Strength Training. Journal of Strength and Conditioning Research. Vol. 22. Num. 3. 2008, p. 667-671.

3-Bergman, N.R.; Stefanovski, D.; Buchanan, T. A.; Sumner, A. E.; Reynolds, J. C.; Sebring, N. G.; Xiang, A. H.; Watanabe, R. M. A Better Index of Body Adiposity. Obesity. Vol. 19. Num. 5. 2011. p. 1083-1089.

4-Dantas, E. H. M. A pratica da preparacao fisica, 5a edicao. Rio de Janeiro. Shape. 2003. p. 192-198.

5-Fett, C. A.; Fett, W. C. R.; Oyama, S. R.; Marchini, J. S. Composicao corporal e somatotipo de mulheres com sobrepeso e obesas pre e pos-treinamento em circuito ou caminhada. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. Vol. 12. Num. 1. 2006. p. 45-50.

6-Fleck, S. J.; Kraemer, W. J. Designing resistance training programs, 4a edicao. Human Kinetics. 2014. p. 63-151.

7-Haltom, R. W.; Kraemer, R. R.; Sloan, R. A.; Hebert, E. P.; Frank, K.; Tryniecki, J. L. Circuit weight training and its effects on excess postexercise oxygen consumption. Medicine and science in sports and exercise. Vol. 31. Num. 11. 1999. p. 1613-1618.

8-Jackson, A. S.; Pollock, M. L.; Ward, A. Generalized equations for predicting body density of women. Medicine and science in sports and exercise. Vol. 12. Num. 3. 1980. p. 175-181.

9-Thornton, M. K.; Potteiger, J. A. Effects of resistance exercise bouts of different intensities but equal work on EPOC. Medicine and science in sports and exercise. Vol. 34. Num. 4. 2002. p. 715-722.

10-Tubino, M. J. G.; Moreira, S. B. Metodologia cientifica do treinamento desportivo. 13a edicao. Rio de Janeiro. Shape. 2003. p. 312-316.

11-World Health Organization. Obesity: preventing and managing the global epidemic, WHO technical report series. 1999. Geneva. 2000.

Recebido para publicacao 26/08/2018

Aceito em 16/04/2019

Joao Edno de Andrade Araujo (1), Daniel Vieira Pinto (2) Robson Salviano de Matos (2), Julio Cesar Chaves Nunes Filho (2) Juan de Sa Roriz Caminha (2), Marilia Porto Oliveira Nunes (3)

(1-)Centro Universitario Estacio do Ceara, Fortaleza-CE, Brasil.

(2-)Universidade Federal do Ceara (UFC), Fortaleza-CE, Brasil.

(3-)Universidade de Fortaleza, Fortaleza-CE, Brasil.

E-mail dos autores:

ednojoao@yahoo.com.br

danielvieirapinto@gmail.com

robsonmatos.ef@gmail.com

juliocesaref@yahoo.com.br

juanroriz2@gmail.com

mariliaportoo@hotmail.com

Endereco de correspondencia:

Daniel Vieira Pinto.

Universidade Federal do Ceara

Biomedicina, Laboratorio de Ontogenia e Nutricao de Tecidos. 2[degrees] andar.

Rua Coronel Nunes de Melo, 1315, Bairro Rodolfo Teofilo, Fortaleza, Ceara.

CEP: 60430-275.
Quadro 1 - Programa de treinamento executado pelos individuos.

Periodo                      01/03 - 01/04  01/04 - 01/05
Implemento mensal de carga   60%            70%
Exercicios                           Repeticoes

Puxada Frente                            12
Leg Inclinado                            15
Abdominal Completo                       15
Supino Reto                              12
Agachamento Guiado                       15
Remada Sentada                           12
Hack                                     12
Desenvolvimento                          12
Descanso ativo                      1 minuto na
                               bicicleta ergometrica
                                 entre cada sessao
Descanso passivo             1 minuto de repouso total

Tabela 1 - Tabela de comparacao de amostras dependentes, no periodo pre
e pos intervencao nos grupos descanso ativo e descanso passivo.

             Grupo descanso ativo                       p
             Pre                   Pos

IMC          23,98 [+ or -] 3,35   23,31 [+ or -] 3,15  0,003
RCA           0,46 [+ or -] 0,04    0,45 [+ or -] 0,04  0,001
IAC          28,45 [+ or -] 4,03   27,67 [+ or -] 4,01  0,035
Gordura (%)  23,88 [+ or -] 5,04   19,88 [+ or -] 5,55  0,000

             Grupo descanso passivo                        p
             Pre                     Pos

IMC          25,86 [+ or -] 2,80     25,17 [+ or -] 2,70   0,02
RCA           0,47 [+ or -] 0,04      0,46 [+ or -] 0,04   0,001
IAC          29,13 [+ or -] 5,06     26,65 [+ or -] 4,89   0,000
Gordura (%)  23,64 [+ or -] 6,80     20,21 [+ or -] 34,00  0,000

Legenda: IMC = indice de massa corporal, RCA = relacao cintura-altura,
IAC = indice de adiposidade central, gordura (%) = percentual de
gordura, p = significancia. Valores de p obtidos pelo teste t para
amostras dependentes, valor de p[less than or equal to]0,05.

Tabela 2 - Tabela de comparacao de amostras independentes, no periodo
pre, para os grupos descanso ativo e descanso passivo, no periodo
pos-intervencao para os mesmos grupos.

             Pre descanso         Pre descanso
             ativo                passivo              p

IMC          23,98 [+ or -] 3,35  25,86 [+ or -] 2,80  0,934
RCA           0,46 [+ or -] 0,04   0,47 [+ or -] 0,04  0,642
IAC          28,45 [+ or -] 4,03  29,13 [+ or -] 5,06  0,752
Gordura (%)  23,88 [+ or -] 5,04  23,64 [+ or -] 6,80  0,908

             Pos decanso          Pos descanso
             ativo                passivo               p

IMC          23,31 [+ or -] 3,15  25,17 [+ or -] 2,70   0,932
RCA           0,45 [+ or -] 0,04   0,46 [+ or -] 0,04   0,587
IAC          27,67 [+ or -] 4,01  26,65 [+ or -] 4,89   0,992
Gordura (%)  19,88 [+ or -] 5,55  20,21 [+ or -] 34,00  0,936

Legenda: IMC = indice de massa corporal, RCA = relacao cintura-altura,
IAC = indice de adiposidade central, gordura (%) = percentual de
gordura, p = significancia. Valores de p obtidos pelo teste t para
amostras independentes, valor de p[less than or equal to]0,05.
COPYRIGHT 2019 Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino em Fisiologia do Exercicio. IBPEFEX
No portion of this article can be reproduced without the express written permission from the copyright holder.
Copyright 2019 Gale, Cengage Learning. All rights reserved.

Article Details
Printer friendly Cite/link Email Feedback
Author:de Andrade Araujo, Joao Edno; Pinto, Daniel Vieira; de Matos, Robson Salviano; Filho, Julio Cesar Ch
Publication:Revista Brasileira de Prescricao e Fisiologia do Exercicio
Date:May 1, 2019
Words:2592
Previous Article:APTIDAO E ATIVIDADE FISICA RELACIONADOS A SAUDE DE ADOLESCENTES ENTRE 11 A 14 ANOS/Fitness and physical activity related to health of adolescents...
Next Article:NIVEL DE ATIVIDADE FISICA DE IDOSOS PARTICIPANTES DE GRUPO DE CONVIVENCIA E FATORES ASSOCIADOS/Level of physical activity of elderly participants of...
Topics:

Terms of use | Privacy policy | Copyright © 2020 Farlex, Inc. | Feedback | For webmasters