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EDUCATION, MEMES AND THE WORK CATEGORY/EDUCACAO, MEMES E A CATEGORIA TRABALHO/EDUCACION, MEMBRES Y CATEGORIA TRABAJO.

Introducao

Ha muito se fala sobre a crise da Educacao e ela e verdadeira. Este artigo nao e uma investigacao sobre a crise da Educacao, ela comparece aqui como realidade efetiva, contudo, mesmo se voce discordar do cenario de crise, o artigo pode-lhe ajudar a ter um metodo e teoria para trabalhar memes em sala de aula. Neste quadro grave, as imagens podem ser um recurso estrategico na Educacao em crise. Mas por que? Isto ocorre porque ha nao apenas uma distancia entre os educandos e o conhecimento ministrado na Escola que se efetiva na linguagem, mas tambem nos outros complexos humanos a que Lukacs faz referencia em suas obras sobre Ontologia, a saber: o trabalho, a linguagem e o pensamento. Logo, tratava-se de construir "uma ponte" entre estes dois universos distantes de complexo de complexos: o do educando e do educador.

Desta maneira, desenvolvemos material didatico (em nossa pratica docente) com forte e impactante uso de elementos graficos, com destaque para memes e outros tipos de imagens. Sinalizamos no artigo exemplo de uso de memes em material didatico para oferecer exemplos concretos de nossa proposta. Mesmo assim, confirmando a hipotese acima levantada sobre os complexos humanos, vimos que os elementos graficos sao necessarios, mas nao suficientes; tornam a intervencao do educador ainda mais necessaria, e mais produtiva. Memes sao recursos graficos, sobretudo fotos ou imagens animadas que usam uma frase de efeito para exemplificar uma situacao social. E dentro desta realidade que os memes--com seu carater desconcertante e inusitado, caustico e sarcastico--podem potencializar a aproximacao do complexo de complexos do educando e educador.

O objetivo do material didatico e da presente reflexao e, por um lado, criar mediacoes entre o universo do Educando, caracterizado por ter como momento predominante o complexo do trabalho (embora nao possa ser dissociado dos dois outros complexos: pensamento e linguagem), e, por outro, igualmente criar mediacoes entre o universo do educador, escola e todo o legado cultural, cujo momento predominante sao o pensamento e a linguagem, que nao podem tambem dissociar-se do terceiro complexo, o trabalho (LESSA, 2006).

Na sociedade do capital, caracterizada pela divisao do trabalho, temos uma parte dos que trabalham lidando com o saber e o conhecimento humano; mas distante do complexo do trabalho. Doutro lado, temos uma parte desta mesma populacao lidando com o trabalho, mas distante do pensamento e linguagem. (2) Na verdade, mesmo que a sociedade seja estruturada assim, os individuos nao deixam de ter os tres complexos agindo articulada e simultaneamente; mas uma classe se caracteriza por um trabalho aparentemente apenas teorico, e a outra, por um trabalho aparentemente pratico; ou trabalho intelectual e trabalho manual.

Todavia, esta unidade que encontramos entre trabalho intelectual e manual (ou do complexo de complexos) e apenas a parte que poderiamos chamar de ontologia positiva do trabalho, pois Marx tambem caracterizava o trabalho, dentro da sociedade de classes, como uma forma de dominar a classe trabalhadora e a sociedade por meio das relacoes do capital. Isto tambem e confirmado nas propostas marxianas que falam em abolicao do trabalho, superacao do trabalho, mesmo que somente na fase superior do socialismo: o comunismo. Evidentemente, Marx falava de um projeto real, em que teriamos a transicao do trabalho enquanto trabalho alienado, a atividade autoalienada, para o trabalho enquanto autoatividade autonoma dos individuos sociais. Porque o trabalho alienado (3) e a principal cadeia com a qual o capital mantem sua subsuncao real do trabalho social. Marx pressupoe esta unidade de manual e mental, em seu carater organico, tanto em sentido social como no individuo, desde seu primeiro contato com a Economia Politica ate a sua obra-prima inacabada, O capital.

A vida produtiva e, porem, a vida generica. E a vida engendradora de vida. No modo da atividade vital encontra-se o carater inteiro de uma species, seu carater generico, e a atividade consciente livre e o carater generico do homem. A vida mesmo aparece como meio de vida. O animal e imediatamente um com a sua atividade vital. Nao se distingue dela.

E ela. O homem faz da sua atividade vital mesma um objeto de sua vontade e de sua consciencia. Ele tem atividade vital consciente. Esta nao e uma determinidade com a qual ele coincide imediatamente. A atividade vital consciente distingue o homem imediatamente da atividade vital animal. Justamente, [e] so por isso, ele e um ser generico. Ou ele somente e um ser consciente, i. e., a sua propria vida lhe e objeto, precisamente porque e um ser generico. Eis por que a sua atividade e atividade livre. O trabalho estranhado inverte a relacao a tal ponto que o homem, precisamente porque e um ser consciente, faz da sua atividade vital, da sua essencia, apenas um meio para sua existencia. (...) E verdade que tambem o animal produz. Constroi para si um ninho, habitacoes, como a abelha, castor, formiga etc. No entanto, produz apenas aquilo de que necessita imediatamente para si ou sua cria; produz unilateral[mente], enquanto o homem produz universal[mente]; o animal produz apenas sob o dominio da carencia fisica imediata, enquanto o homem produz mesmo livre da carencia fisica, e so produz, primeira e verdadeiramente, na [sua] liberdade [com relacao] a ela; o animal so produz a si mesmo, enquanto o homem reproduz a natureza inteira; [no animal], o seu produto pertence imediatamente ao seu corpo fisico, enquanto o homem se defronta livre[mente] com o seu produto. O animal forma apenas segundo a medida e a carencia da species a qual pertence, enquanto o homem sabe produzir segundo a medida de qualquer specie, e sabe considerar, por toda a parte, a medida inerente ao objeto; o homem tambem forma, por isso, segundo as leis da beleza. O objeto do trabalho e, portanto, a objetivacao da vida generica do homem: quando o homem se duplica nao apenas na consciencia, intelectual[mente], mas operativa, efetiva[mente], contemplandose, por isso, a si mesmo num mundo criado por ele (MARX, 2004, p. 84-5, grifos nossos).

Por construir, primeiro mentalmente, como teleologia, a sua atividade e produto, o pior arquiteto e melhor que a melhor abelha. Mas as tres revolucoes industriais interpuseram uma serie de mediacoes da divisao sociotecnica e hierarquica do trabalho entre o cerebro que trabalha e a mao.

Enquanto o processo de trabalho e puramente individual, um unico trabalhador exerce todas as funcoes que mais tarde se dissociam. Ao apropriar-se individualmente de objetos naturais para prover sua vida, e ele quem controla a si mesmo; mais tarde, ficara sob o controle de outrem. O homem isolado nao pode atuar sobre a natureza, sem por em acao seus musculos sob o controle de seu cerebro. Fisiologicamente, a cabeca e maos sao partes de um sistema; do mesmo modo, o processo de trabalho conjuga o trabalho do cerebro e o das maos. Mais tarde se separam e acabam por se tornar hostilmente contrarios (MARX, 1994, p. 584).

Assim, ha um esforco societario em separar o trabalho abstrato dos conhecimentos em geral, e estes do trabalho abstrato--a maioria realiza atividades maquinais e eminentemente praticas e manuais. Por isto tambem a crise da educacao e tao sentida. E mesmo a ciencia e o conhecimento, ao primeiro grupo, os que tem o trabalho caracterizado pela predominancia do pensamento e linguagem, aparecem mais como instrumentos de trabalho do que como parte deste proprio ser que trabalha com o conhecimento. Doutro lado, dentre os que trabalham distantes do pensamento e linguagem, este trabalho reduzido a trabalho simples e maquinal, encontramos poucas possibilidades de desenvolvimento das suas faculdades em geral. Mas, quanto ao ser social humano, isto nao pode ocorrer de maneira absoluta e total, conforme comenta Lukacs sobre o desenvolvimento do homem primitivo ao homem civilizado e cientifico: "com a escolha da pedra inicial comeca a ciencia" (1969, p. 14).

Baseando-se no trabalho como principal complexo, o educador pode fazer com que o educando tenha uma base material para "incorporar" o capital cultural, por que os universos em questao--dos que vivem do trabalho simples e maquinal e dos que vivem do trabalho intelectual--possui um ponto comum representado pelo material didatico e a linguagem e a maneira de pensar do educador. Neste processo, em que o trabalho objetivado em geral e o suporte para as trocas entre os dois universos, podemos ver como a Educacao e essencialmente um processo no qual o trabalho e o momento predominante do complexo de complexos:

A acumulacao de capital cultural exige uma incorporacao que, enquanto pressupoe um trabalho de inculcacao e de assimilacao, custa tempo que deve ser investido pessoalmente pelo investidor (...). Sendo pessoal, o trabalho de aquisicao e um trabalho do 'sujeito' sobre si mesmo (fala-se em 'cultivar-se'). O capital cultural e um ter que se tornou ser, uma propriedade que se fez corpo e tornou-se parte integrante da 'pessoa', um habitus. Aquele que o possui 'pagou com sua propria pessoa' e com aquilo que tem de mais pessoal: seu tempo (BOURDIEU, 2002, p. 74-5, grifos nossos).

A escola nao pode deixar de construir-se sobre esta fratura da sociedade do capital, na qual ate mesmo o tempo disponivel para se cultivar e distribuido de maneira desigual. Devemos, entao, fazer uso deste tempo despendido pelo educando em atividades proximas ao universo do trabalho aparentemente apenas manual, ao articular o processo de Ensino-aprendizagem com o capital cultural e social ja sedimentado pelo educando.

Quanto a isto ha algumas questoes ontologicas importantes. O trabalho autoalienado causa uma ruptura na mente e no corpo do individuo e enseja o pensamento enquanto pensamento ideologico, como tantas vezes Marx e Engels denunciaram. A causacao entre ideologia e autoalienacao e reciproca, embora a segunda seja o momento originario dos problemas humanos; teriamos uma estrutura existencial como a retratada na figura 2.

Tendo como pressupostos ontologicos o pensamento marxiano, buscamos entender o que conta para o processo de Ensino-aprendizagem. O trabalho objetivado em qualquer maneira--do educando e do educador--e que revela ate onde pode ir a capacidade, e apenas o que foi objetivado pelo individuo e o que conta para seu aprimoramento, pois "Ninguem ve o que esta oculto nele [no ser humano], mas apenas o que suas obras revelam" (Paracelso apud Meszaros, 2006a, p. 267).

Logo, o trabalho objetivado e o suporte necessario para a troca de informacoes entre educador e educando. E e atraves deste processo que o educando e o educador vao realizando descobertas, tanto no sentido de que o que nao sei nao deixa de ser uma descoberta e passo a conhecer ou descubro por deducao/inducao; nao deixa de ser tambem uma descoberta (mesmo que o processo tenha sido feito); mas igualmente, antes deste processo de descoberta, para educador e educando, estas coisas descobertas simplesmente nao existem em suas consciencias. Temos, entao, que levar estas questoes ontologicas em consideracao no desenvolvimento do processo pedagogico. Assim, ambos os lados do processo pedagogico--educador e educando--vao ampliando seus circulos de conhecimento com estes tipos diferentes de descobertas.

Outro fator ontologico que dificulta a educacao atualmente e o fato de que tanto o que e falado, trabalhado, pensado dos dois lados (educador e educandos), so pode ser compreendido ate onde vao os sentidos de ambos; por isto, o trabalho do educador deve estar articulado com o pensamento e a linguagem de ambos os lados. Comenta Marx:

Assim como para o ouvido nao musical a mais bela musica nao tem nenhum sentido, e nenhum objeto, porque o meu sentido so pode ser a confirmacao de uma das minhas forcas essenciais, portanto so pode ser para mim da maneira como a minha forca essencial e para si como capacidade subjetiva, porque o sentido de um objeto para mim (...) vai precisamente tao longe quanto vai o meu sentido ...; [e] apenas pela riqueza objetivamente desdobrada da essencia humana que a riqueza da sensibilidade humana subjetiva ... (2004, p. 110).

Temos que considerar estes tres aspectos: o que foi objetivado como obra de ambos os lados, as descobertas feitas e os sentidos teoreticos do educador e educando. Do contrario, teremos apenas o dificil dialogo que vemos atualmente entre educadores e educandos, caracteristico da crise da Educacao.

As imagens e os memes sao muito produtivos tambem porque a cultura contemporanea e marcada pela predominancia da imagem e sua forca e capacidade de comunicacao. Isto nao significa ficar preso ou limitado a imagem--ela e apenas um convite para que educador e educandos mergulhem no universo letrado sem esquecer o mundo. Quando a imagem esta articulada ao conteudo disciplinar, temos, muitas vezes, uma situacao concreta retratada, com a qual o educando pode associar o conteudo com sua realidade, conhecendo-a, e tambem a Sociologia. O que deve ficar patente e que a maior parte do capital cultural de uma pessoa nao esta associado diretamente a escola. Assim sendo, devemos criar estrategias para que se aproveite o conhecimento ja sedimentado e construam-se veiculos entre o tempo que o educando despende na educacao formal e a totalidade do aprendido, no tempo livre e tempo de trabalho.

Desta maneira, pensamos realizar a mediacao necessaria entre o universo do educador e dos educandos, para que possa ser realizado o processo de cultivacao do corpo e do espirito. Outro aspecto importante e que, de um lado, o universo do educando, geralmente, esta associado a uma cultura mais marcada pela oralidade; do outro lado, no universo em que o educador e o conhecimento estao inseridos, a forma escrita e que tem o predominio. A imagem e os recursos graficos em geral podem fazer com que este universo predominantemente determinado pela forma escrita se torne menos abstrato e codificado, aproximando-se do universo existencial do educando no qual a forma oral e menos abstrata e o momento mais importante. O meme, por seu apelo popular, franqueia ainda mais o caminho entre a cultura letrada e o universo cujo momento predominante e a oralidade. O cartoon, o meme e demais recursos graficos fazem a intervencao do educador ainda mais necessaria, mas tambem mais produtiva e proxima do educando sem deixar de realizar o transito para a forma escrita, que e o cerne da Educacao. E a capacidade da imagem de fomentar as emocoes e muito recompensadora para o Ensino-aprendizagem, pois as ocasioes mais marcantes sao as em que a emotividade do prazer e desprazer reforca a memoria.

Uma consideracao e importante sobre a leitura e o universo simbolico.

exercicio [ou seja, trabalho] necessario e permanente de estabelecer relacoes entre o texto e o contexto. [...] eu digo que ler nao e so caminhar sobre as palavras, e tambem nao e voar sobre as palavras. Ler e reescrever o que estamos lendo. E descobrir a conexao entre o texto e o contexto do texto, e tambem como vincular o texto/contexto com o meu contexto, o contexto do leitor [vinculalo tambem a uma escrita que nascera daqui, do que e o ser social, "individuo social", os seus sentidos]. E o que acontece e que muitas vezes lemos autores que morreram cem anos atras e nao sabemos nada sobre nossa propria epoca! Portanto, sou favoravel a que se exija seriedade intelectual para conhecer o texto e o contexto. Mas, para mim, o que e importante, o que e indispensavel, e ser critico. A critica cria a disciplina intelectual necessaria, fazendo perguntas ao que se le, ao que se esta escrito, ao livro, ao texto. Nao devemos nos submeter ao texto, ser submissos diante do texto. A questao e brigar com o texto, apesar de ama-lo, nao e? Entrar em conflito com o texto. Em ultima analise, e uma operacao que exige muito. Assim, a questao nao e so impor aos alunos numerosos capitulos de livros, mas exigir que os alunos enfrentem o texto seriamente (FREIRE apud MOTA, 2003, p. 99-100, Grifos nossos).

Uma vez que estabelecemos nossos objetivos, visamos agora--escolhido o uso dos recursos graficos--demonstrar por que motivo justificamos nossa escolha baseando-nos em tres conceitos basicos da Teoria Marxista, a saber: a alienacao, a

O presente da sociedade e caracterizado por esta autoalienacao e o complexo ideologico que emerge da autoalienacao, mas tambem e caracterizado o que Guy Debord chamou de sociedade do espetaculo:

Toda a vida das sociedades nas quais reinam as modernas condicoes de producao se apresenta como uma imensa acumulacao de espetaculos. Tudo o que era vivido diretamente tornou-se uma representacao (...) O espetaculo nao e um conjunto de imagens, mas uma relacao social entre pessoas, mediada por imagens. (...) Considerado em sua totalidade, o espetaculo e ao mesmo tempo o resultado e o projeto do modo de producao existente. Nao e um suplemento do mundo real, uma decoracao que lhe e acrescentada. E o amago do irrealismo da sociedade real. Sob todas as suas formas particulares (...) O espetaculo domina os homens vivos quando a economia ja os dominou totalmente. O espetaculo e o capital em tal grau de acumulacao que se torna a imagem (DEBORD, 2011, p. 1325).

O universo do espetaculo, e nao apenas a midia, acaba por fazer com que as pessoas acreditem mais na imagem do espetaculo do que na propria realidade cinzenta. O que e vendido atraves da imagem e uma coisa totalmente diferente da realidade. Neste exemplo, a imagem descreve a teoria de Debord com a propria realidade por meio da fotografia.

Inversamente, o conteudo de Sociologia, e nao apenas o marxista, nao se prende a aparencia e a imagens superficiais, indo a fundo na essencia da sociedade. O que significa nao apenas uma ideia distante do que ha para a maior parte da populacao da sociedade do capital na era da sociedade do espetaculo e, na verdade, uma ideia inversa a estas ideias com as quais o educando tem contato.

Como a alienacao nao e algo homogeneo, devemos retomar o debate de Marx --para Feuerbach, a alienacao e uma totalidade homogenea, produzindo apenas "consciencia alienada". Mas "nao devemos partir da suposicao, autodestrutiva, de que a alienacao e uma totalidade inerte e homogenea. [Assim feito] (...) a unica coisa que podemos opor a esse pesadelo conceitual e um conceito igualmente assustador de 'movimento' e 'negacao' como 'nulidade'. (...) Surge da suposicao de opostos dualistas abstratos e rigidos--como a 'necessidade absoluta' e a 'liberdade absoluta'--que, por sua propria definicao, nao podem comunicar-se e interagir um com o outro. Nao ha nenhuma possibilidade genuina de movimento num retrato como este da realidade" (MESZAROS, 2006a, p. 165). Estes opostos dualistas nao existem, nao enquanto totalidades inertes e homogeneas, e tanto a sociedade do capital como as imagens produzidas por pessoas, cuja vida se passa nesta sociedade, nao sao, portanto, apenas dados de uma "consciencia alienada". Cabe partir das imagens e ideias que a sociedade ja produziu e pelos quais a "consciencia da alienacao" ja se faz ativa--acionando o instrumental da Sociologia--, de maneira que ate mesmo a imagem e a ideia que mais represente a "consciencia alienada" nao se torna antididatica ou antipedagogica; pois o educador possui a chave heuristica que permite a ele e ao educando extrairem conhecimento dela.

E a sociedade do espetaculo se torna tao importante que consome recursos que deveriam ser destinados a outras areas. Celebridades passam a ter mais apelo para a opiniao publica que outros segmentos; mesmo os intelectuais. A sociedade do espetaculo domina a mente das massas, fazendo com que, mesmo com necessidades basicas nao atendidas, logo a classe dominante consiga seus sucessos politicos na minguante democracia.

Logo,

A formacao dos cinco sentidos e um trabalho de toda a historia do mundo ate aqui. O sentido constrangido a carencia pratica rude tambem tem apenas um sentido tacanho. (...) O homem carente, cheio de preocupacoes, nao tem nenhum sentido para o mais belo espetaculo; o comerciante de minerais ve apenas o valor mercantil, mas nao a beleza e a natureza peculiar do mineral; ele nao tem sentido mineralogico algum; portanto, na objetivacao da essencia humana, tanto do ponto de vista teorico quanto pratico, e necessaria tanto para fazer humanos os sentidos do homem quanto para criar sentido humano correspondente a riqueza inteira do ser humano e natural (MARX, 2004, p. 110-111).

Desta forma, a imagem, o espetaculo e o meme sao usados enquanto catalisadores do processo de Educacao dos sentidos humanos; pois sao eles os meios para que a apreensao do conhecimento; Bourdieu comenta que o capital cultural tende a retornar ao corpo que ja o tem incorporado (2011, p. 304-307). Podemos, entao, usar a imagem e estes recursos didaticos para que os educandos que possuem maior capital cultural incorporado possam ajudar, elevando a zona de desenvolvimento proximal ao ter um ponto comum entre toda a turma e o educador, representado neste elemento grafico. Outro aspecto fundamental e que estes elementos graficos sao mobilizadores de uma serie imensa de sentimentos cuja importancia a Pedagogia nao nega, como podemos ver no truismo que afirma que lembramos as coisas que mais nos desagradam e mais nos agradam; logo, tocados pela imagem e os sentimentos que ela representa, encontramos melhores condicoes para a sedimentacao do conteudo disciplinar. Desta maneira, a confusao antes instaurada pela tumultuada relacao de "consciencia alienada" e "consciencia da alienacao" na qual o educando se encontra, pode ser superada pelo uso do capital cultural da Sociologia, garantido pela criacao de uma comunidade de sentidos, construidos por serem partilhados a mesma linguagem, o mesmo pensamento e o mesmo trabalho. Evita-se assim a unilateralidade de achar que a imagem e o espetaculo nao podem ser humanos, "consciencia da alienacao"; nao sao apenas monopolio do capital.

Alem disto, o meme e os elementos graficos possuem outra grande vantagem: seu poder de sintese dos componentes sociais mais complexos e das ideias mais sofisticadas. Claro, nao se trata de acreditar no absurdo de que uma imagem vale mais que mil palavras, talvez mesmo uma pessoa nao tao instruida possa ja demonstrar como mil palavras podem fazer muito mais que uma imagen ... Trata-se, sim, de ver que as mil palavras serao muito mais significativas ao possuirem como suporte um elemento grafico que nao apenas exemplifique, mas mostre a relacao complexa que ha na realidade cuja existencia e uma monada na qual os mais diferentes conceitos estao presentes, mesmo que em um pedaco pequeno da realidade, podendo ser representados por uma rede conceitual, na qual poderemos ver tambem a interdisciplinaridade demandada pela compreensao desta mesma realidade social.

Por fim, como, nos ultimos anos, a sociedade do capital foi nao apenas tomada pela producao espetacular, mas igualmente por modismos conceituais da posmodernidade e, sobretudo, pela realidade fragmentaria que a pos-modernidade da acumulacao flexivel exerce sobre nossas existencias e consciencias, o educando tera acesso a um conhecimento que pode fazer com que ele enxergue mais do que a aparencia superficial que estes elementos nos apresentam no dia a dia, devido a narrativa hegemonica fragmentadora.

Vimos anteriormente que o ato de ler nao e uma questao pouco complexa; ler, na verdade, e reescrever o que se esta lendo; dentro das condicoes normais, o individuo que le nao aceita irrestritamente o texto e pode ate brigar com ele. Assim, o suporte grafico cumpre um papel fundamental porque, embora escrito, dentro do universo letrado, muitas vezes ele fala fluentemente a linguagem comum oral do cotidiano e pode oferecer a mediacao procurada para que o conteudo de Sociologia, na maioria das vezes sumamente erudito, torne-se mais proximo a existencia do educando, sem que ele deixe de ter um gosto do universo letrado do qual a maioria da populacao esta tao distante, como vemos nas pesquisas que comprovam os numeros modestos de leitores no pais.

O fetichismo acaba sendo tao dominante que aceitamos coisas que sao erradas nao apenas moralmente, mas ate economicamente. O que e aceito ou nao aceito e condicionado tambem pela sociedade do espetaculo e a autoalienacao cotidiana da praxis. Isto nao se trata de uma questao moral, mas de uma questao ontologica com estes criterios--como ser feliz? Nao seria tambem dificil associar este post a situacao de anomia que Durkheim estuda, a questao do suicidio.

Inverte-se, desta maneira, a tendencia a alienacao a que a sociedade do espetaculo joga a populacao tornando o Ensino-aprendizagem da Sociologia dificultado pelo simulacro que o espetaculo oferece--no lugar da coisa em si--, tratando de tornar nossos sentidos estranhos a reflexao critica. Estas sao as grandes linhas teoricas quanto ao uso de memes nas aulas de Sociologia (ou mesmo outras materias), devemos, agora, pensar metodologicamente a questao do uso da cibercultura e outros elementos graficos na Educacao.

Devemos diferenciar Metodologia de tecnicas de pesquisa. Independente da tecnica de pesquisa (metodos qualitativos ou quantitativos, ou qualquer outra abordagem), a grande questao que esta em jogo e o controle semantico, o controle do sentido--por isto, uma visao do todo e essencial, contudo, nao suficiente. Tratase da diferenca entre o que poderiamos chamar de logica e do que e conhecido como dialetica. Uma realidade social so pode ter todos os seus sentidos apreendidos quando, alem de esgotadas as possibilidades logicas, deve-se considerar nao apenas a ideia oposta e contraria; a ambiguidade e, ate mesmo, a polissemia inerente ao ser humano; como tambem considerar que ha a possibilidade criadora, isto e, automediadora tambem inerente as pessoas e a sociedade. Esta e a dimensao dialetica; diferente da dimensao logica. Mas o capital com sua maneira de se efetivar, que nos faz tender ao dualismo e cair em dicotomias, compromete a apreensao do sentido da acao social. Comenta Meszaros:

De fato, o mesmo tipo de dicotomias a-dialeticas, caracteristico do sistema do capital como um todo, teve de prevalecer por meio da dominacao da quantidade sobre a qualidade, do abstrato sobre concreto, e do formal sobre o substantivo, da maneira como vimos no dominio necessariamente reificador do valor de troca sobre o valor de uso sob a relacao universal de valor de ordem reprodutiva estabelecida (2011, p. 175).

Estas inversoes que ocorrem, quando quantidade, abstrato e formal tornam-se a maneira de operar do capital, tanto sao produto desta forma de conhecimento historica de conhecimento e produtora das estruturas e limites do capital. Forma-se, entao, um verdadeiro ciclo vicioso; contudo, como vimos na parte em que estabelecemos que a alienacao nao pode ser homogenea, isto tambem significa que este ciclo pode ser quebrado. Nossa postura metodologica, desta maneira, constituise em buscarmos a mediacao cujo desdobramento conduz para fora do ciclo vicioso. Entao, devemos realizar tambem a totalizacao dialetica do objeto de pesquisa.

Logo, faz-se necessario esclarecer algumas coisas sobre o que Coutinho chamou de "razao reduzida ao intelecto":

E interessante assinalar, de passagem, que Kierkegaard refere-se a uma "dialetica" puramente qualitativa para descrever as passagens das etapas estetica, etica e religiosa entre si. Ja os estruturalistas, particularmente Levi-Strauss, como veremos, acreditam numa evolucao puramente quantitativa, sem alteracoes de qualidade (ou seja, sem modificacoes categoriais). Ambas as posicoes sao falsas, na medida em que desconhecem uma das leis basicas da razao dialetica, ou seja, a unidade e integracao das modificacoes qualitativas e quantitativas. A transformacao de qualidade sem a mediacao da quantidade e tao irracional e absurda quanto um crescimento quantitativo sem alteracoes de qualidade (...). A sociologia positivista e a economia vulgar, por um lado, desligando-se da historia e formalizando ao extremo seu objeto, afastam de suas preocupacoes qualquer referencia a objetividade das contradicoes no capitalismo; a filosofia, por outro lado, transformando-se em pura epistemologia (isto e, recusando cidadania filosofica a ontologia e a etica) (2010, p. 48 e 50-51).

Portanto, eliminar dialetica e/ou contradicao do trabalho de pesquisa significa retirar desta a maneira de extrair da contradicao o conhecimento e/ou fechar-se a uma dimensao da realidade rica de dados e, podemos dizer, parte fundamental do objeto de estudo; contudo, nao totalizada enquanto um novo conhecimento. Seguindo esta concepcao metodologica, tratamos de analisar a realidade e moldar a proposta de trabalho por meio do holismo implicito nesta proposta, tratando as relacoes entre quantidade e qualidade, entre abstrato e concreto, entre formal e substantivo sem reducionismos comuns na referida literatura. O recurso pedagogico grafico, especialmente os memes e quadrinhos ocorre porque estes--como forma de arte--nao podem se dar ao luxo de realizar este reducionismo, da quantidade sobre a qualidade, por exemplo, pois sao pecas de arte que devem seguir a constituicao "humanamente natural e naturalmente humana" da omnilateralidade, do ser humano totalizado; porque esta arte e as demais dirigem-se diretamente aos sentidos humanos.

A contradicao e tao presente na sociedade do capital que mesmo que ele, de muitas maneiras, limite o desenvolvimento do individuo; contudo, foi tambem o primeiro sistema a realmente desenvolver as capacidades individuais atraves da divisao do trabalho. O capital definitivamente faz as duas coisas, embora Meszaros entenda que ele tem preferido mais igualar destruicao a consumo que desenvolver as capacidades humanas individuais--que sao uma riqueza economica tambem.

Outro equivoco contido nesta questao da diferenca entre a razao, a logica e a dialetica que pretendemos evitar e estar preso a ideia de que o conhecimento apenas nasce por meio da logica em objetos homogeneos e nao-contraditorios. Coutinho (op. Cit), comentando a "miseria da razao" do estruturalismo, demonstra a inconsistencia ontologica desta forma historica teorico-metodologica:

O conjunto global da linguagem e incognoscivel, ja que nao e homogeneo". Observa-se aqui um evidente processo de projecao do epistemologico (a abstracao de um elemento) no ontologico (a arbitraria transformacao desse elemento abstraido em uma entidade fetichizada). Por outro lado, e clara aqui a sujeicao de Saussure a "miseria da razao"; para ele, somente o homogeneo, isto e, o nao contraditorio, e passivel de apreensao racional. Nesse ponto, o conceito saussuriano da razao e diretamente derivado de Comte (...). O "inconsciente" e o fetiche das regras intelectivas que sao proprias da praxis manipulatoria (...). Tanto Levi-Strauss quanto Foucault afirmam a existencia de um nivel mental mais profundo, "inconsciente" ou seja, o pensamento e a vida social dos homens concretos. Ambos sao agnosticos diante da historia: enquanto Levi-Strauss considera simples "doxologia"--simples opiniao subjetiva qualquer afirmacao relativa a historia real dos homens (...). Desconhecendo a genese historico-ontologica dos processos, Levi-Strauss converte essas regras fixadas pelo habito e tornadas inconscientes num a priori idealista. (...) Limitando a razao ao intelecto, Sebag destroi a dialetica de universal, particular e singular, que permite apreender casualidades singulares (2010, pp. 83, 101, 140, 157).

Uma coisa e dizer que ha o inconsciente e as estruturas sociais, o que nao negamos; outra e atribuir-lhes este fetichismo. A maneira pela qual a razao analitica trabalha o objeto e o descreve e robotica (nao por acaso Coutinho ira relaciona-la a Tecnoestrutura); justo o contrario do carater organico de sociedade e individuo social. Alem disso, podemos apenas fazer uma analise da estrutura--inconsciente ou nao--da lingua, concatenando-a aos demais complexos de complexos: trabalho e pensamento. E, embora o meme faca referencia a uma situacao particular, o conteudo de Sociologia demonstra como esta situacao particular esta em unidade com o universal e o singular. O carater complementar destes complexos pode ser literalmente ilustrado.

Meszaros demonstra a importancia dessa postura decididamente dialetica, que, do contrario, limitando-se a logica, a persistencia, pode comprometer a pesquisa, derrubando mesmo um dialetico como Hegel:

O processo de vida concebido dessa forma por Hegel e extremamente problematico na medida em que opera com a ajuda do conceito logico-metafisico aprioristico da apenas declarada 'mediacao' em vez de uma categoria historicamente inteligivel e identificavel de mediacao social (2009, p. 155).

Assim, a mediacao deve ser buscada, mas deve-se estar consciente de que ela e uma mediacao social--a mediacao entre o universo do educando do Estado e o educador. As imagens facilitam muito este trabalho, pois alem de sintetizar bastante faz referencia nos Manuscritos. Esta questao da mediacao social pode parecer truismo e, talvez, ate mesmo tautologia; entretanto e uma coisa com a qual nao estamos acostumados, pois nossa socializacao se faz no momento em que a "consciencia alienada" e o momento predominante, e nao a "consciencia da alienacao". Isso pode ser visto como as "saidas" coletivas dos problemas sociais perderam drasticamente forca. O capital trata de--por meio da expropriacao do trabalho--criar uma serie de mediacoes sociais (que seriam universais, como tambem o sociometabolismo exige uma mediacao social), mas estas sao pseudouniversais. Nesta forma societaria e igualmente no conceito teorico, e notorio como o dualismo e a dicotomia ocorrem: junto a postulacao de uma instancia coletiva, temos o individualismo--assim, oscila-se entre o estruturalismo e o individualismo metodologico.

E a mediacao social realmente viavel, em meio a autoalienacao, para ser uma mediacao bem-sucedida do ser social, deve ser formada pelas estruturas fundamentais ontologicas as quais fizemos referencia: [left and right arrow] trabalho [left and right arrow] linguagem [left and right arrow] pensamento [left and right arrow]. Evidentemente, apenas lancando mao de procedimentos logicos e dialeticos e possivel chegar a uma mediacao social, fazendo como que o meme e a cybercultura oferecam seus servicos a instituicao de uma mediacao social por meio da educacao, isto e, a capacidade que o ser humano tem de direcionar o trabalho sobre si mesmo e melhorar-se.

Logo, sendo o universo do educando ainda predominantemente marcado pela cultura oral, sendo a imagem um objeto humano no qual estao mediadas muitas ideias, centramos nosso trabalho no uso intensivo dos elementos graficos, porque a imagem sintetiza bem este complexo de complexo e, algo essencial de seu carater ontologico, este complexo de complexos--quando o estranhamento do ter nao destruiu os sentidos teoreticos--so pode operar em sua complementaridade, esta e a omnilateralidade a qual Marx faz referencia, mesmo na industria alienada. Com esta estrategia pedagogica podemos ter--no material didatico--um suporte material para que os educandos se sintam motivados, por meio da aproximacao dos dois universos (educando e educador), a direcionar sua capacidade de trabalho sobre si mesmos, descobrindo, desta maneira, aos poucos, a riqueza dos seus sentidos teoreticos e do conteudo de Sociologia.

Contudo, se este e um material didatico adequado ao Ensino-aprendizagem, demanda tambem uma maneira adequada para trabalha-lo em sala de aula. Mesmo com elementos graficos, ouvindo e falando a linguagem dos educandos, e necessario ainda que a postura do educador que esteja em sintonia com a exposicao que fizemos acerca dos objetivos e parte teorica. E preciso levar em consideracao as descobertas que os educandos ja fizeram, avalia-los segundo o que eles objetivaram (seja em trabalho, seja em palavra) e ate onde seus sentidos foram cultivados. Vejamos melhor esta questao.

Devido ao fato de estar inserido na concepcao filosofica que compreende que o singular e o particular nao estao em unidade com o universal ou por sequer saber lidar com estes conceitos, o educando, muitas vezes, imagina que as situacoes trazidas pelos memes sao situacoes particulares que nao dizem respeito a mais nada se nao aquilo a que o meme faca referencia. Nao entendendo que entre singular, particular e universal ha mediacoes que os mantem em unidade, o educando nao consegue enxergar que, como no fio condutor do enredo do meme existem as estruturas sociais que criam a situacao que constitui o argumento da peca. O objetivo de nossa aula e que o educando consiga nao apenas entender o quadrinho como tambem entender a estrutura social que condiciona a acao. O professor deve sempre explicitar a relacao entre os dois--estrutura social e enredo--de maneira clara e com linguagem acessivel, inclusive citando exemplos diferentes.

Alem disso, o educando (com sua cultura marcadamente oral) nao esta habituado a uma linguagem mais complexa que, frequentemente, ha nos memes. Dessa forma, o conteudo deve ser explicitado, sem deixar de adicionar novos elementos do vocabulario ao repertorio do educando. Outras dificuldades que encontramos e o uso de conceitos e figuras de linguagem com os quais o educando nao esta habituado. Mas, nada que uma explanacao acerca do conceito e seu sentido --lembrando sempre que este nao e um pensamento na cabeca dos cientistas sociais, mas tambem uma realidade material da forma de ser--levando o educando a compreensao do conceito e o seu uso no enredo. Por sua vez, deve-se tambem explicar as figuras de linguagem presentes (ironia, hiperbole, metonimia, metafora, etc.), o que nao e tarefa impossivel, pois mesmo que nao conhecam o significado destas palavras, com certeza ja fazem uso corrente destas figuras de linguagem na comunicacao usual.

No exemplo, a igualdade burguesa pode ser apresentada com uma simples imagem. A igualdade politica e legal deixa de se efetivar porque e fundada em uma total desigualdade ontologica e economica. Pode-se lembrar que nos regimes anteriores, pre-capitalistas, a "igualdade" e ainda mais restrita. Esta figura tambem mostra como o Estado esta ligado invariavelmente a classe dominante.

Outro obstaculo que pode ocorrer na compreensao do material grafico e o desconhecimento de fatos historicos e sociais que sejam citados nos memes, mas pela maneira como estes elementos graficos transmitem seu argumento--cheia de significado e usando imagens fortes--vemos que, uma vez que educador exponha os fatos historicos e sociais, os educandos nao encontram tantas dificuldades em compreender a ilustracao e a relacao entre sua realidade--ou entre a ilustracao e o conteudo de Sociologia. Por ultimo, o senso comum trazido pelo educando e um obstaculo, mas a concretude com a qual o meme ilustra o discurso abstrato em uma situacao social retratada por ele ajuda muito a ultrapassar o senso comum. Atentamos em nosso trabalho para o fato de ser menos a explicacao oferecida pelo senso comum que o valor emotivo que ela possui para o educando a principal fonte de resistencia a um dialogo com o conteudo de Sociologia. Mas, sempre que forem trabalhadas estas emocoes e comprovado, por parte do educador, como todos possuem capacidade de se contraporem ao enorme peso das estruturas sociais porque sao individuos sociais automediadores--esta resistencia do senso comum tende a ceder.

REFERENCIAS

BOURDIEU, P. (2002). Escritos de Educacao. Petropolis: Editora Vozes.

COUTINHO, C. (2010). O Estruturalismo e a miseria da Razao. Sao Paulo: Expressao Popular.

DEBORD, G. (2011). A sociedade do espetaculo--Comentarios sobre a sociedade do espetaculo. Rio de Janeiro: Contraponto.

LESSA, S. (2006). Curso: trabalho e sujeito revolucionario no debate contemporaneo, disponivel em http://sergiolessa.com/, acessado em 21 junho de 2010.

HOLZ, H.; ABENDROTH, L. (1969). Conversando com Lukacs. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra.

MARX, K. (1994). O capital--critica da Economia politica. Livro 1, Volume 2. Rio de Janeiro: Editora Bertrand.

--. (2004). Manuscritos economico-filosoficos. Sao Paulo: Boitempo Editorial.

MOTA, K. C. C. da S. (2003). Os lugares da Sociologia na educacao escolar de jovens do Ensino Medio: formacao ou exclusao da cidadania e da critica? Dissertacao apresentada como requisito parcial a obtencao do titulo de Mestre em Educacao Universidade do Vale do Rio dos Sinos--Unisinos.

MESZAROS, I. (2006a). A teoria da alienacao em Marx. Sao Paulo: Boitempo Editorial.

--. (2006b). Para alem do capital--Rumo a uma teoria da transicao. Sao Paulo: Boitempo Editorial.

--. (2009). Estrutura social e formas de consciencia--A determinacao Social do metodo. Sao Paulo: Boitempo Editorial.

--. (2011). Estrutura social e formas de consciencia II--A dialetica da estrutura e da historia. Sao Paulo: Boitempo Editorial.

DOI: 10.12957/periferia.2019.35086

Eddie Francisco Manoel Ferreira Orsini (1)

Secretaria Estadual de Educacao do Estado do Rio de Janeiro

(1) Bacharel e Licenciado em Ciencias Sociais pelo Instituto de Filosofia e Ciencias Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Especialista em Sociologia no Ensino Medio pelo Programa de Residencia Docente da Pos-graduacao do Colegio Pedro II. E-mail: professorleviata@yahoo.com

(2) "... os professores partem da hipotese de que existe, entre o ensinante e o ensinado, uma comunidade linguistica e de cultura, uma cumplicidade previa de valores, o que so ocorre quando o sistema escolar esta lidando com seus proprios herdeiros" (BOURDIEU, 2002, p. 55-6).

(3) "A propriedade privada e, portanto, o produto, o resultado, a consequencia necessaria do trabalho exteriorizado, da relacao externa do trabalhador com a natureza e consigo mesmo. A propriedade privada resulta, portanto, por analise, do conceito de trabalho exteriorizado, isto e, de homem exteriorizado, de trabalho estranhado, de vida estranhada, de homem estranhado' (MARX, 2004, p. 87).

Caption: Figura 1--Esquema basico do Ser Social

Caption: Figura 2--Fsguemo do processo de autoalienacdo
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Author:Orsini, Eddie Francisco Manoel Ferreira
Publication:Periferia
Date:May 1, 2019
Words:6583
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