Printer Friendly

EDITORIAL.

A Historia da Historiografia (HH) ja tem uma historia. Dez anos ja se passaram desde que comecamos esta aventura editorial. Na edicao anterior (v. 11, n. 28, set-dez, ano 2018), Flavia Florentino Varella tracou um perfil historico rigoroso e critico dessa primeira decada da HH. Por meio dele, podemos confirmar algumas suspeitas que nos rondavam, perceber com mais precisao certas dificuldades e descobrir novos desafios que se impoem.

Nao cabe, contudo, retomarmos aqui os detalhes coligidos n esse balanco, mas apenas ressaltar alguns dados que sinalizam nossos limites e potencialidades. Por exemplo, se, por um lado, verificamos que 30% de nossas/os autoras/es sao vinculados a instituicoes estrangeiras e que o indice de citacao de textos publicados na HH tem aumentado significativamente, indicadores que demonstram nossa crescente insercao no debate nacional e internacional acerca da teoria da historia e historia da historiografia; por outro, em termos estritamente brasileiros, observamos uma preponderancia de autoras/es do sul e sudeste (53%), que ratificam a permanencia da historica desigualdade de incentivos a educacao e a pesquisa em nosso pais. O mesmo desequilibrio se verifica no corte de genero, no qual notamos 38% de mulheres autoras e 62% de homens autores, e de raca, revelada na autodefinicao dos editores executivos da revista que apontam que 72% sao brancos e 14% sao pardos, nem um pesquisador autodeclarado negro.

A HH nao e, por conseguinte, um espelho invertido do pais e nem esta alheia a seus graves problemas e injusticas. Nao obstante, a identificacao dessas e de outras questoes que se refletem em um projeto editorial de um periodico de alto estrato na area de humanidades no Brasil, correspondem, de nossa parte, tentativas para aprofundar um gesto intelectual que nos caracteriza desde os primeiros numeros da revista: nos repensarmos!

Nesse sentido, a HH vem sendo, redefinida, reconsiderada, em busca de inovacoes e redimensionamentos que nos levem a intervir com mais qualidade no espaco publico e, simplesmente, de continuar existindo diante da crise de financiamento pela qual passamos. Para tanto, vieram a se somar aos colegas Mateus Pereira e Valdei Araujo, novos editores executivos: Ana Carolina Barbosa Pereira (Universidade Federal da Bahia); Ewa Domanska (Adam Mickiewicz University em Poznan); Omar Acha (Universidad de Buenos Aires); Temistocles Cezar (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

As mudancas no projeto editorial, ainda em curso, propuseram a transferencia das secoes de resenha e publicacao de documentos para o portal da Historia da Historiografia Magazine (https://hhmagazine.com.br/), e deixamos de publicar traducoes de artigos cujos textos ja apareceram em outros idiomas. Propusemos tambem a criacao do artigo-resenha de debate historiografico, cuja expectativa e estimular e aquecer discussoes antigas e contemporaneas do campo.

Alem disso, temos buscado ampliar a gama de nossas/ os pareceristas, tanto no Brasil quanto no exterior. Essa ampliacao, entretanto, nao visa apenas uma mera dilatacao quantitativa; ao contrario, pretendemos que ela seja um instrumento para aperfeicoar o complexo dialogo entre autoras/res, pareceristas e editoras/es. Como efeito secundario, nao menos relevante, a circulacao de ideias que tal alargamento induzido tem o potencial de proporcionar e uma confrontacao mais explicita da competicao entre o sistema de periodicos, como index da producao intelectual qualificada, e as coletaneas tematicas ou avulsas de artigos nao necessariamente pre-avaliados.

Isto posto, nao sao poucas nossas pretensoes, so comparaveis a nossa vontade de, como grupo organizado, resistir e incentivar o conhecimento historico. Resistencia ao contexto social e politicamente opaco e imprevisivel no qual estamos inseridos. Incentivo a criatividade historiografica, mais livre e menos disciplinada. Talvez, possamos assim passar do "estranhamento do que ocorre hoje", como diria Michel de Certeau, a sua compreensao.

Os artigos que se seguem foram avaliados sob esta perspectiva. Agradecemos as/aos autoras/res e as/aos pareceristas. Agradecimento especial a Augusto Ramires, que encerrou em janeiro deste ano sua colaboracao preciosa como secretario da revista.

Historia da Historiografia (HH) already has a history. Ten years have passed since we started this editorial enterprise. In the previous edition Flavia Florentino Varella drew a rigorous and critical analysis of this first decade of HH, and from it we can confirm some suspicions, more accurately perceive certain difficulties and discover new challenges.

However, we cannot return to the details gathered in this analysis, but only to highlight some data that indicates our limits and potentialities. On the one hand, we find that 30% of our authors are linked to foreign institutions and that HH citation index has increased significantly, showing a growing insertion in the Brazilian and international debate about theory and history of historiography. On the other hand, in strictly Brazilian terms, we observed that most authors are from the south and southeast regions (53%), confirming the persistence of the historical inequality of incentives to education and research in our country. The same imbalance when considering gender, in which we noticed 38% of female and 62% of male authors, and race: in the self-declaration of members of the executive editorial board since the journal's creation in 2008, 72% reported to be white, 14% mixed race and zero black.

Therefore, HH is not an inverted mirror of the country, nor is indifferent to its severe problems and injustices. Nevertheless, the identification of these and other issues found in a high-profile periodical in the area of humanities in Brazil, corresponds, for our part, to attempts to deepen an intellectual gesture that characterizes us since the first issue: to continuously rethink our project!

In this direction, HH has been redefined in the search for innovations and remodeling that will lead us to intervene with more quality in the public space, and continue to exist in face of the financing crisis currently happening in Brazil. To that end, Ana Carolina Barbosa Pereira (Federal University of Bahia); Ewa Domanska (Adam Mickiewicz University in Poznan); Omar Acha (University of Buenos Aires); and Temistocles Cezar (Federal University of Rio Grande do Sul) came to join Mateus Pereira and Valdei Araujo (both from Federal University of Ouro Preto) as new executive editors.

The changes in the editorial project--which are still in progress--have moved the short-review and documents sections to the Historia da Historiografia Magazine (https:// hhmagazine.com.br/). We also stopped publishing translations of articles that have already been published in other languages. Moreover, we proposed the creation of a long-format article focused on historiographical debate to stimulate and warm up old and contemporary discussions in the field.

Furthermore, we have sought to widen the range of our referees, both in Brazil and abroad. This expansion, however, is not merely a quantitative matter. Rather, we want it to be an instrument for perfecting the complex dialogue between authors, reviewers and publishers. Although not less relevant, a side effect of the circulation of ideas that such enlargement may provide is to explicit the competition within the journal, as an index of proficient intellectual output, and a thematic or individual collection of articles, not necessarily double-blind reviewed by peers.

All considered, as an organized group we have ambitious goals, only comparable to our will, to resist and encourage historical knowledge. To resist the opaque and unpredictable context in which we are inserted and encourage historiographical creativity, with freer and less disciplined practices. Perhaps we can move from the "strangeness of what is happening today", as Michel de Certeau would say, to its understanding.

The following articles have been evaluated from this perspective. We thank the authors, referees and all our staff. We would also like to thank our former secretary Augusto Ramires, for his precious collaboration.
COPYRIGHT 2019 Sociedade Brasileira de Teoria e Historia da Historiografia
No portion of this article can be reproduced without the express written permission from the copyright holder.
Copyright 2019 Gale, Cengage Learning. All rights reserved.

Article Details
Printer friendly Cite/link Email Feedback
Title Annotation:EDITORIAL
Publication:Historia da Historiografia
Article Type:Editorial
Date:Jan 1, 2019
Words:1247
Previous Article:Behind the words: Political uses of the concept "impartiality" and its function in the construction of the history of America in the Spanish...
Next Article:Metahistory for (Ro)bots: Historical Knowledge in the Artificial Intelligence Era/Meta-historia para robos (bots): o conhecimento historico na era da...

Terms of use | Privacy policy | Copyright © 2019 Farlex, Inc. | Feedback | For webmasters