Printer Friendly

Drunken juggler: the alcoholic family dynamics by biases of Systemic Family Psychotherapy/Equilibristas embriagados: a dinamica familiar alcoolista pelos vieses da Psicoterapia Familiar Sistemica.

Introducao

A familia pode ser considerada como instituicao social, passivel de ser reconhecida e analisada por diferentes enfoques teoricos. Neste artigo, propoe-se analisa-la e compreende-la sob a otica da Psicologia Sistemica. A Teoria Psicologica Sistemica entende a familia como um sistema social aberto composto por elementos em constante interacao, que estabelece trocas com o exterior e com a realidade circundante, interagindo duplamente com o externo, levando para ele e trazendo dele influencias gerais. Essas interacoes e trocas cotidianas fazem da familia um sistema dinamico, em constante mudanca. Mudancas que surgem como forma de sobreviver, adaptar-se e superar possiveis dificuldades que possam afetar a dinamica do sistema ao longo do seu desenvolvimento no ciclo de vida familiar.

O que e pensamento sistemico? Vasconcellos (2005) responde este questionamento destacando tres dimensoes, que, segundo ela constituem uma visao de mundo sistemico. Sao elas: a) Complexidade: E ver e pensar as relacoes existentes em todos os niveis da natureza e buscar sempre a compreensao dos acontecimentos (sejam fisicos, biologicos ou sociais) em relacao aos contextos em que ocorrem; b) Instabilidade: E ver sempre o dinamismo das situacoes, pois o mundo esta constantemente no "processo de tornarse" sendo assim configura-se em imprevisivel e incontrolavel. Entretanto, e necessario acreditar nos recursos de auto-organizacao dos sistemas e em suas possibilidades de mudanca e evolucao dos mesmos; c) Intersubjetividade: E reconhecer que nao existem realidades objetivas, elas sao construidas na interacao com o mundo. Estas realidades vao se instalando e agindo tambem recursivamente sobre as interacoes com situacoes e pessoas.

Vasconcellos (2002) ressalta que quando se refere ao pensamento sistemico ja esta se reportando a um pensamento construtivista, ou seja, pressuposto epistemologico da intersubjetividade, da crenca que a realidade e uma construcao partilhada individual e coletivamente. Para atingir o pensamento sistemico e necessario fazer a ultrapassagem de tres pressupostos epistemologicos constituintes do paradigma da ciencia tradicional, ou seja, a) do pressuposto da simplicidade para o pressuposto da complexidade: o reconhecimento de que a simplificacao obscurece as inter-relacoes e que e imprescindivel ver e lidar com a complexidade do mundo em todos os seus niveis; b) do pressuposto da estabilidade para o pressuposto da instabilidade do mundo: o reconhecimento de que o mundo e um constante processo de tornar-se e que a consideracoes de indeterminacao, irreversibilidade e incontrolabilidade desses fenomenos; c) do pressuposto da objetividade para o pressuposto da intersubjetividade na construcao do conhecimento do mundo: o reconhecimento de que nao existe uma realidade independente de um observador e, de que, o conhecimento cientifico do mundo e construcao social.

Entende-se o uso abusivo e dependente de alcool como um fenomeno complexo, multifacetado e multifatorial e nesta compreensao, o alcoolismo e entendido como um sintoma de crise nas relacoes interpessoais. Isto e, o uso abusivo ou dependente do alcool denuncia que algo no sistema familiar esta disfuncional, o que nao e entendido como uma patologia individual, mas como um sintoma que ao mesmo tempo possui a funcao de encobrir uma dificuldade familiar denuncia a necessidade de mudanca nas relacoes interpessoais, pois os individuos da familia nuclear estao em sofrimento psiquico seja de forma explicita pelo pedido de auxilio ou de forma implicita. O sintoma em um membro da familia (Nichols & Schwartz, 2006/2007) pode ter uma funcao estabilizadora, ou seja, homeostatica beneficiando a interacao familiar. Considera-se assim, nao o individuo com necessidades relacionadas ao consumo de alcool, mas a familia com estas necessidades. Dentre as intervencoes psicoterapeuticas possiveis, esta o modelo de entendimento e tratamento proposto pela Terapia Familiar Sistemica, que indica o tratamento para toda a familia e nao apenas ao individuo identificado com problemas relacionado ao uso e abuso de alcool. Dessa forma, no tratamento buscar-se comprometer todos os membros da familia na busca por mudancas, resultando num sistema familiar mais engajado e menos fragmentado para o enfrentamento da problematica relacional.

Esse estudo de caso apresenta a compreensao e analise das questoes investigadas a partir de uma intervencao psicoterapica familiar sistemica com uma familia com problemas decorrentes do uso e abuso de alcool encaminhada para atendimento familiar numa instituicao de ensino superior com o intuito de auxiliar a familia no entendimento de sua coparticipacao no padrao de funcionamento das relacoes intrafamiliares. A partir do atendimento familiar acredita-se que a familia reconhece e desenvolve habilidades relacionais para o enfrentamento do uso abusivo de alcool possibilitando assim a protecao nao so da familia atendida, mas tambem das novas geracoes oriundas desta que terao a oportunidade de desenvolver melhor qualidade de vida.

O estudo de caso e entendido (Serralta, Nunes & Laks Eizirik, 2011) como um subtipo de pesquisa que utiliza uma estrategia de investigacao naturalistica e flexivel. Neste estudo utilizou-se o estudo de caso unico que se caracteriza por ser um fenomeno individual, particular e complexo. Sendo assim o caso e entendido como uma unidade especifica, um sistema cujas partes estao integradas. Cabe ressaltar que um estudo de caso envolve analise do conteudo do caso em profundidade, nos quais o pesquisador esta interessado em obter qualidade de dados, em um numero limitado de participantes exigindo descricoes cuidadosas e detalhadas. Yin (2010) ressalta que o estudo de trabalhar a subjetividade na busca de conhecimento cientifico, que nao ha possibilidade de generalizacao dos resultados assim como nao possui um unico e claro conjunto de resultados.

Tem-se como objetivo compreender como o desenvolvimento do sintoma (usar e abusar de alcool) retroalimenta a homeostase familiar a partir de um estudo de caso familiar.

Metodo

O presente estudo define-se como estudo de caso, por permitir uma percepcao da realidade a partir dos ensinamentos advindos de referencial teorico e das caracteristicas proprias do caso a ser estudado. Conforme Pereira, Godoy e Tercariol (2009), oferece a possibilidade de alargamento da visao, apreendendo o individuo em sua integridade e em seu contexto, permitindo a analise da dinamica dos processos em sua complexidade. Por se tratar de um procedimento de pesquisa qualitativa, nao busca generalizar os resultados que alcanca no estudo, nem a criacao de modelos que se pretendam universais e, sim, uma forma maior aproximacao com a realidade.

A familia que participou deste estudo de caso chegou ao atendimento, no servico que se configura como uma clinica escola de uma faculdade do Rio Grande do Sul, por encaminhamento feito pela psicologa responsavel de uma instituicao psiquiatrica na qual Pedro (1) esteve internado para tratamento do uso abusivo de alcool. Os atendimentos iniciaram apos a alta de Pedro. As sessoes de psicoterapia foram realizadas com Pedro (60 anos), sua esposa Joana (1) (60 anos) e seu filho Jose (1) (32 anos). Esporadicamente, Laura (1) (08 anos), neta do casal e sobrinha de Jose, se fazia presente.

Os instrumentos utilizados foram um aparelho mp3 para a gravacao em audio de todas as sessoes, a transcricao de todas as sessoes e o genograma da familia, atraves do qual foi possivel obter uma visao ampliada historico-contextual familiar, visando registrar, segundo McGoldrick, Gerson e Petry (2012), informacoes sobre os membros da familia e suas relacoes em pelo menos tres geracoes. Este instrumento exibe dados familiares de forma a possibilitar o entendimento dos padroes familiares, das interacoes, levantando hipotese sobre os problemas que se desenvolvem no contexto da familiar ao longo do tempo.

O caso foi atendido de marco a dezembro de 2012, em sessoes semanais, com duracao de uma hora e trinta minutos cada sessao (foram realizadas 20 sessoes) na clinica-escola. Os atendimentos foram realizados por duas estagiarias do curso de psicologia, pertencentes ao grupo de psicoterapia familiar sistemica. O atendimento em dupla, numa coterapia, refere-se ao funcionamento das sessoes com, no minimo, dois estagiarios psicoterapeutas de familia em igual nivel hierarquico e poder de decisao. Todos os atendimentos foram gravados em audio, posteriormente transcritos e discutidos semanalmente pela equipe de supervisao, composta por uma professora supervisora e outros estagiarios do atendimento sistemico. Durante o processo terapeutico, em uma das sessoes, toda a equipe participou do atendimento, estando presente na sala de Gesell (sala de espelhos), interagindo com a familia e com a dupla terapeutica que estava sendo observadas. O projeto de pesquisa foi submetido e aprovado pelo Comite de Etica em Pesquisa de uma Instituicao de Ensino Superior do Rio Grande do Sul. A familia foi convidada a participar da pesquisa no primeiro encontro, apos lhe foi apresentado o funcionamento da instituicao, os procedimentos quanto aos atendimentos e solicitada a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

A dinamica da familia com problemas relacionados ao uso abusivo de alcool pela perspectiva da terapia familiar sistemica

A familia enquanto instituicao social e de lacos afetivos, segundo Dessen (2010) passou por diversas configuracoes, mudancas e adaptacoes de acordo com cada contexto sociocultural e historico. Desta forma, tambem houve uma gama de possibilidades teoricas que se empenharam em compreende-la e analisa-la, sendo a teoria psicologica sistemica familiar uma delas. A Teoria Psicologica Sistemica, de acordo com Farinha (2005), e extraida da Teoria Geral dos Sistemas de Von Bertalanfiy, que por sua vez, parte do pressuposto de que os sistemas funcionam de forma aberta, dinamica com ordens e processos em constante interacao que se influenciam reciprocamente. Alves (2003) explica que e aberto porque estabelece trocas com o exterior e com o meio que o rodeia, interagindo duplamente, levando para ele e trazendo dele influencias gerais.

A racionalidade sistemica, de acordo com estudos de Ponciano e Carneiro (2006) e Costa (2010), compreende que se deve considerar mais o todo que a soma de suas partes, e cada parte so pode ser entendida no contexto de um todo, ou seja, as mudancas que acometem alguma parte, afeta, de alguma forma, todas as outras partes. Isso acontece, pois o sistema e formado de elementos atuantes e interdependentes que respondem um ao outro de forma autocorretora, funcionando como um complexo de elementos colocados em interacao. Assim, a problematica do uso abusivo do alcool nao e encarada como uma demanda particular, mas de todo o sistema familiar.

Nesta perspectiva, Sudbrack (2010) destaca que nao e possivel entender a familia por meio da analise individual de um unico membro. Faz-se necessario, identificar os padroes e relacoes interpessoais estabelecidos entre os familiares, considerando os diferentes subsistemas que compoem o sistema familiar. Segundo Alves (2003), a familia e formada por diversos subsistemas tais como: (a) conjugal (marido e mulher)--e o espaco privado de suporte afetivo e emocional do casal; (b) parental (pais e filhos)--cuja principal funcao e facilitar o adequado desenrolar do processo evolutivo e promover a sua educacao e socializacao. E necessaria uma grande flexibilidade e uma constante evolucao e adaptacao as diferentes fases do desenvolvimento humano; (c) fraternal (conjunto de irmaos)--primeiro grupo onde a crianca aprende a funcionar interpares, a negociar, a competir, a fazer aliados, etc.

Os subsistemas tem fronteiras que, segundo Carneiro (1996), definem quem pode ou nao participar deles. Para que o funcionamento familiar seja adequado, estas fronteiras devem ser nitidas. De acordo com Minuchin (1982), quando as fronteiras, os limites dos papeis e subsistemas nao sao claros, podem colocar a familia em duas extremidades opostas e disfuncionais, numa ponta familias emaranhadas, noutra desmembradas. Nas familias emaranhadas, as fronteiras entre geracoes e individuos sao difusas, mal definidas, enquanto a fronteira com o exterior e rigida, havendo um mito de unidade que tolera poucas diferencas na individualizacao; sao sistemas relativamente fechados e isolados em relacao ao meio. A ligacao afetiva e muito forte ou ligada, muita lealdade e muita dependencia. Ja as familias desmembradas, de acordo com Minuchin (1982), tendem a ser excessivamente abertas, os papeis parentais sao instaveis, apesar de uma aparente rigidez. As familias saudaveis emocionalmente, segundo Carneiro (1996), possuem fronteiras claras. Se as fronteiras entre os subsistemas familiares sao claras as familias possuem um nivel de comunicacao e interacao que facilita as trocas interacionais e assim aumenta o nivel de qualidade relacional e psiquica.

Os padroes relacionais, de acordo com Sudbrack (2010), estao em constante mudanca, ja que a familia e uma estrutura em movimento continuo. Para manter o estado de equilibrio, o sistema modifica-se e adapta-se as mudancas internas e externas. Quando a familia nao consegue adaptar-se a essas mudancas e o equilibrio se ve ameacado, instaura-se uma crise no funcionamento relacional. Steinglass (1971, apud Alves, 2003) desenvolveu um modelo de funcionamento familiar que representa relacoes de codependencia. Este modelo pressupoe que os membros da familia interagem uns com os outros regidos por leis de equilibrio comparaveis as da fisica. Essa crise, diz Sudbrack "se expressa por intermedio do comportamento inadequado ou do sofrimento de um dos membros que assume este lugar, denominado 'paciente identificado (PI)'" (2010, p. 928). O papel do paciente identificado e garantir o equilibrio do sistema e denunciar a necessidade de mudanca nas relacoes familiares. O PI, segundo Burd (2004) passa a ser o unico motivo do sofrimento da familia, ele precisa ser cuidado e protegido por ela. A doenca desvia a atencao da familia do momento de mudancas que precisam ser realizadas.

A doenca emerge, pontua Mello Filho (2004), como resultante dos conflitos familiares subjacentes. O PI passa a funcionar como 'bode expiatorio' dos problemas familiares nao resolvidos. Essa doenca aparece em configuracoes familiares patologicas que propiciam a descompensacao de um ou mais membros. Quando um membro deste sistema exibe uma doenca identificavel, protege os demais membros, permanecendo estes, sadios.

O uso de alcool e outras drogas, de acordo com Caputo e Bordin (2008) e Brusamarello, Sureki, Borrile, Roehrs e Maftum (2008), e um mecanismo desenvolvido na tentativa de focar a atencao da familia no sujeito adicto e nao na resolucao da crise no sistema familiar que e anterior ao uso abusivo ou dependente.

Para Sudbrack, (2010, p. 930) "a dependencia de produtos toxicos encobre, na maior parte das vezes, dependencias relacionais e, em certos casos, mascara disturbios severos de natureza psiquiatrica". O autor destaca que nao ha um individuo adicto, mas sim um sistema adicto, que envolve pelo menos uma pessoa alem do usuario da substancia psicoativa, e estes sao chamados codependentes.

Conforme a teoria sistemica, as relacoes entre o alcool e familia nao se resumem exclusivamente aos efeitos negativos da dependencia em si. De acordo com Alves (2003) o uso abusivo de alcool tem sua origem nas comunicacoes disfuncionais entre os membros da familia. Em outras palavras, as perturbacoes comunicacionais dificultam o funcionamento e a possibilidade de cumprir as funcoes familiares. Assim, a problematica envolvendo o alcool poderia reduzir transitoriamente as tensoes familiares e paradoxalmente, aumentando a curto, e as vezes mesmo em longo prazo, a estabilidade familiar.

Alves (2003), compila diferentes estudos e autores que pensaram o uso abusivo de alcool a partir de uma perspectiva sistemica, destacando Ewinge e Fox (1968), Steinglass (1971), Davis (1974), Gacic (1977) e Aleksic e Gacic (1981). De modo geral, os autores sao unanimes ao ver no o uso abusivo de alcool um mecanismo homeostatico, com efeitos adaptativos, que permite a familia manter certo equilibrio e resistir a mudanca, ajudando a manter a coesao familiar. Tambem consideram o uso abusivo de alcool como um sintoma da comunicacao, classificando as comunicacoes na familia alcoolica como disfuncionais, superficiais e incongruentes.

Segundo Alves (2003), o tratamento direcionado ao o uso abusivo de alcool na decada de 40, centrava-se nos modelos moral e medico individual. Na decada de 50, com a perspectiva biopsicossocial, e dada mais atencao ao conjuge do alcoolista e na decada de 70, finalmente, a todo o sistema familiar.

E devido a esse entendimento, diz Sudbrack (2010), que a perspectiva sistemica propoe que a familia toda seja envolvida no tratamento e nao apenas o paciente identificado, pois toda a familia e responsavel pelo sintoma. Para Falceto (2008) a justificativa de se tratar toda a familia e com base no argumento da retroalimentacao constante em todos os movimentos realizados pelos integrantes do nucleo familiar. A mudanca de um membro da familia interfere nos demais e o movimento da familia interfere na atitude de um membro desta familia.

Apresentacao do caso

A familia foi encaminhada para atendimento clinica-escola em questao por uma clinica psiquiatrica, na qual Pedro estava internado para tratamento do uso dependente de alcool pela segunda vez em 4 meses. Pedro explica que um dos criterios propostos pela clinica para receber alta da internacao seria o inicio de um processo psicoterapico familiar.

Pedro e o primeiro filho de 13 irmaos, todos filhos biologicos. Seu pai era alcoolista e dono de um bar. Aos 14 anos Pedro saiu da casa dos pais e passou trabalhar e morar em granjas. Nesta epoca, teve as primeiras experiencias com alcool. Bebia com frequencia e em grandes quantidades.

O uso de alcool diminuiu quando Pedro estava com 25 anos, passando a beber esporadicamente, quando se casou com Joana. Joana e filha mais velha e biologica de Eulalia, nunca teve contato com o pai, embora saiba quem e. Tem uma irma de criacao 22 anos mais jovem. Apos o casamento, o casal passou a morar com Eulalia, mae de Joana, com quem residiram ate o falecimento da mesma. O casal, em quatro anos de matrimonio, vivenciou tres abortos. Depois disso, nasceu o primeiro filho Jose. Quando Jose tinha 2 anos nasceu o segundo filho, Roberto, que faleceu com pouco mais de 30 dias de vida. Tres anos depois, nasceu o terceiro e ultimo filho do casal, Carlos.

Apos o nascimento dos tres filhos, Joana tornou-se obesa. Posterior a morte de Roberto, em 1982, Pedro voltou a beber de forma frequente e intensa. Esse padrao de uso perdurou ate 1994, por 12 anos, quando entao, a familia providenciou uma internacao psiquiatrica para Pedro. O tratamento teve duracao de 30 dias e Pedro permaneceu em abstinencia por 14 anos, ate 2008.

Carlos (27 anos), filho mais novo, saiu de casa quando se casou. Ficou casado por dois anos com Olivia e teve a filha Laura. Apos a separacao de Carlos e Olivia, Laura ficou morando com a mae, mas os avos paternos pediram sua guarda e permanecem com ela. Nesta mesma epoca, Pedro com 56 anos, foi orientado pela empresa onde trabalhava a retomar os estudos. Pedro relata que ao retomar os estudos houve tambem o retorno ao convivio social de forma mais intensa junto aos colegas de aula e, como culturalmente as relacoes sociais sao permeadas pelo uso de alcool, Pedro, frente a tal exposicao gradualmente retomou o consumo de alcool ate retornar ao padrao de uso abusivo.

Carlos casou-se novamente, sua segunda esposa Tais ja tinha uma filha chamada Patricia, que, no momento do atendimento, morava com seu pai. No periodo do atendimento Pedro, Joana, Jose e Laura residiam na mesma casa. No porao, moravam Carlos, Tais e a filha Muriele, de 5 meses.

Jose tinha 32 anos na epoca do estudo, morava com os pais, trabalhava em turnos rotativos, namorava uma mulher dez anos mais velha. Frequentava uma igreja diferente daquela que familia participava. Tinha poucos relacionamentos sociais, estava acima do peso e mantinha-se, a maior parte do tempo isolado da familia, permanecendo no quarto ou pilotando sua moto. Laura tinha 08 anos de idade, estudava no Ensino Fundamental, o restante do tempo passava com os avos. Jose e seu padrinho, o relacionamento entre ambos e muito proximo e por isso acabou assumindo responsabilidades, de acordo com a familia, "como se fosse um pai". Pedro desenvolveu artrose no joelho direito, as pericias medicas indicaram que a causa fora suas atividades laborais, apos duas cirurgias, Pedro foi aposentado por invalidez. Joana dedica-se aos afazeres domesticos e a vendas de lingerie para suas vizinhas e conhecidas. A familia de classe C tinha seus rendimentos oriundos das vendas de lingerie de Joana, da aposentadoria de Pedro e do salario de Jose, aproximadamente dois mil e quinhentos reais por mes, que serviam ao sustendo regular dos tres e da neta Laura. Esporadicamente ajudavam nos gastos de Carlos, Tais e Muriele.

A figura abaixo apresenta a familia Tavares, destacando o tipo de relacao estabelecida entre seus membros.

[FIGURE OMITTED]

Resultados

A familia atendida procurou o tratamento psicoterapico na tentativa de resolver o consumo abusivo de alcool feito por Pedro. A procura de tratamento (Falceto, 2008) costuma ocorrer por meio de um membro da familia para ajudar o familiar identificado como problematico. Quando ocorre este pedido de atendimento a familia ja enfrentou inumeras dificuldades intrafamiliares tais como: a quebra da rotina familiar, situacao de vulnerabilidade, desamparo e frustracao, aumento de conflitos ja existentes no nucleo familiar, alem de duvidas com relacao ao tratamento psicoterapico (Medeiros, Maciel, Sousa, Tenorio-Souza & Dias, 2013). A familia manteve-se engajada ao longo do tratamento, apesar de cancelarem algumas sessoes, quando a homeostase familiar era ameacada durante o processo. Quando algum membro da familia modificava sua forma de agir e/ou se relacionar com os demais buscando a mudanca, seja em termos de se independizacao e ou expressao de afetos, os demais boicotavam o movimento de mudanca faltando ao atendimento para nao precisar mudar seu padrao de funcionamento. No entanto, a familia, depois de um tempo para resignificar a mudanca comparecia novamente a sessao e mostravam-se dinamicos, colaborativos, ageis, e muito inteligentes.

Nos primeiros encontros das psicoterapeutas estagiarias com a familia, partiu-se da demanda trazida por eles, ou seja, o uso abusivo de alcool de Pedro. Na tentativa de ampliar o entendimento sobre dependencia, investigaram-se quais seriam as dependencias de cada um dos membros da familia. Dessa forma, referiram que, Pedro ingeria bebidas alcoolicas para "afogar as magoas" e nao precisar falar delas; Joana extrapolava sua tristeza e magoas comendo excessivamente e fazendo caretas que inibissem a vontade do outro dialogar com ela, mantendo-se com obesidade morbida, diabetes em nivel elevado e muitas dores nos joelhos; e Jose, para dar conta das tensoes isolava-se da familia depositando toda a sua atencao na televisao, internet e pilotando velozmente. O isolamento fazia com que Jose nao externalizasse seus sentimentos, explodindo em rompantes de agressividade e picos de hipertensao arterial, que, por vezes, o levaram ao hospital. Vale ressaltar que as dependencias ou abusos mapeados pela familia foram desenvolvidas, segundo entendimento coletivo feito nas sessoes, como mecanismo de evitar o dialogo sobre a magoa, sentimento que e repetido seguidamente pelos tres integrantes, segurando-a somente para si devido a culpa de senti-la.

Segundo Costa (2010), a formulacao teorica da dinamica familiar compreende o surgimento dos sintomas como uma funcao estabilizadora de um movimento de mudanca iminente, portanto, com funcao homeostatica. Pode-se pensar, desta forma, que a abertura para o dialogo, o falar de si e ouvir o outro e um movimento que implica colocar-se, vislumbrar os proprios pontos de vista e dos demais, um movimento de mudanca. Neste sentido, nao e um familiar que tem um sintoma, mas uma familia com sintoma. A equipe psicoterapeutica partiu da hipotese de que o uso abusivo de alcool denunciava um funcionamento de codependencia e comunicacao disfuncional da familia como um todo.

O alcool, a comida e o isolamento tem em comum a missao de entrar em cena quando existe a necessidade de comunicar sentimentos de tristeza, magoa, irritacao ou frustracao com relacao ao outro. A tendencia dos membros da familia de guardar a magoa e dilui-la na raiva, no alcool ou na comida surge pelo medo de entristecer o outro, ao manifestar sentimentos de desagrado e descontentamento. Para nao amargurar o outro e perder seu amor, reprimem a fala. No entanto, pela circularidade postulada por Nichols e Schwartz (2007), segundo a qual os membros familiares funcionam por influencias mutuas, ao deixarem de falar, tambem deixam de escutar, ou seja, nao ha conversa a ser escutada. Assim, a comunicacao paira no terreno dos 'nao-ditos', dos 'acho-que'. Esse funcionamento mantem a homeostase familiar, sendo comum em familias alcoolistas as dificuldades de comunicacao (Trindade, Costa & Zilli (2006).

O medo de perderem um ao outro pelo desgosto mantem a familia fusionada e emaranhada. Quanto mais o alcool ameacava a familia, mais ela precisava se unir para combate-lo. O fusionamento limita o espaco de performace das individualidades e, consequentemente, a expressao de desagrado. Tolerar, estar fusionado ao outro e reduzir o espaco de si mesmo torna as situacoes bastante dificeis de serem suportadas, assim, o alcool, a comida e o isolamento sao mecanismos de escape utilizados numa espiral repetitiva. O emaranhamento refere-se, segundo Minuchin (1982), as fronteiras difusas e aos papeis mal definidos entre as geracoes e subsistemas, o que propicia um fusionamento familiar. A falta de diferenciacao dos subsistemas desencoraja a exploracao autonoma e o dominio dos problemas. Em outras palavras, se os papeis e fronteiras nao sao claros, logo a ligacao afetiva se torna forte de tal maneira que desemboca na dependencia, expressando, de acordo com Trindade, Costa e Zilli (2006), dificuldades de adaptacao e falta de capacidade da familia para se relacionar com o ambiente social.

O funcionamento do sistema compreende diversos subsistemas, onde se configuram as aliancas. Wendt e Crepaldi (2008), ressaltam que a alianca faz alusao as lealdades invisiveis que interferem no processo de fusao ou diferenciacao. Na familia atendida, percebeu-se que as aliancas existentes eram entre Joana e Jose, o que garantia a organizacao do lar. Pedro e Carlos formavam uma alianca ao serem cumplices para encobrir segredos relacionados ao uso de alcool de ambos e quebra de regras familiares, por exemplo: omitir onde se estava, com quem e por qual motivo. Outra alianca, Jose e Laura, onde Jose sente-se e porta-se como pai de Laura, ao passo que a menina o reconhece como tal. As aliancas transgeracionais, segundo Trindade, Costa e Zilli (2006) revelam como uma geracao acaba por interferir demasiadamente na outra, impedindo que o novo nucleo familiar forme uma nova identidade e uma nova configuracao mais saudavel. No entanto, alertam Wendt e Crepaldi (2008), podem ser modificadas, principalmente, nos ciclos de transicao pelos quais passam a familia.

O casal demonstrou situacoes de inseguranca quanto ao desejo amoroso. Joana desconfia que Pedro se envolveu em relacionamentos extraconjugais, ao passo que Pedro nao acredita que Joana queira estar casada com ele e quando embriagado questionava a esposa sobre sua fidelidade. A suspeita de adulterio de ambos os conjuges gera estresse e violencia psicologica conjugal. Vale ressaltar que em momentos de embriagues, as agressoes tambem eram fisicas. Quando Pedro abusava do alcool geralmente ficava agressivo com as pessoas da rua e da familia, nestes momentos Jose com entao 12 anos de idade precisa ir buscar o pai e leva-lo para casa. As pessoas zombavam de Pedro ou respondiam as suas provacoes e isso deixava Jose com o sentimento de obrigacao de defende-lo. A raiva de Jose nestes momentos era direcionada aos zombadores. O fato de ter que recolher o pai fazia o filho ficar ainda mais proximo da mae, consolidando a alianca entre eles. Enquanto a alianca entre mae e filho e fortalecida, a de esposa e esposo enfraquece. A alianca entre Jose e Joana torna-se rigida para fortalece-los e darem conta da embriaguez. Ao unir mae e filho, afasta e nao deixa espaco para o pai. Pedro, ao sentir-se sozinho e sem esposa, faz uso abusivo de alcool e assim mantem a homeostase familiar.

Joana e uma mae muito cuidadosa, preocupada e protetora dos filhos, em contrapartida, descuida da sua relacao conjugal, distanciando-se do seu papel de mulher e esposa. Enquanto Pedro, desvalidado devido ao alcoolismo, assume o papel de filho de Joana e Jose. A literatura, segundo Alves (2003), propoe hipoteses teoricas sobre os filhos e as companheiras de individuos com problemas relacionados ao uso abusivo de alcool, e os reajustamentos comportamentais no casal e na familia. Sintomas comuns sao nas companheiras sao as cefaleias, obesidade, depressao, doencas psicossomaticas e outras doencas relacionadas com o estresse. Normalmente as esposas sao mulheres inseguras.

Jose teve diversas namoradas ao longo da vida, mas nenhuma satisfez a familia. A familia desqualifica as companheiras encontradas por Jose e espera que ele possa ser feliz com outra pessoa. A possibilidade de Jose encontrar uma pessoa e construir sua vida com ela ameaca o sistema familiar emaranhado, nesta logica, nenhuma nora sera boa o suficiente. A saida do filho de casa significa que Pedro e Joana terao tempo e espaco para enxergarem-se enquanto casal e vivenciarem-se nele. Jose sente-se responsavel pela familia e sobrecarregado pelas obrigacoes financeiras, de cuidado e gestao da familia. Embora reconheca as vantagens de ficar na casa dos pais, como a acomodacao de nao precisar escolher e responsabilizar-se pelo rumo de sua propria vida. Dentro dessa racionalidade, Jose tem obrigacoes que extrapolam suas condicoes e o sobrecarregam. Precisou assumir os cuidados com o pai, as despesas da casa, a gerencia a assistencia junto a mae e a adocao emocional da sobrinha, nao fazer uso de alcool ou cigarro, gostar de ficar em casa, ter poucos amigos. Ao Carlos resta o papel de durao, irresponsavel e acobertado pelo pai. Carlos e Pedro tecem suas relacoes na troca de vicios, se emprestam cigarros, se acobertam na embriagues. Carlos teve uma filha nao planejada, impoe-se diante da familia, nao assume as despesas da casa, saiu da casa dos pais para se casar e retorna quando o primeiro casamento encerra. Mantem-se vivendo nas dependencias da casa dos pais e os pais por sua vez mantem retroalimentando a dinamica de dependencia do filho que apresenta dificuldade para tornar-se adulto e responsabilizar-se pelos proprios atos.

Discussao e consideracoes finais

A perspectiva familiar sistemica da psicologia diferencia-se das outras abordagens de entendimento familiar pelo seu metodo e teoria. A psicoterapia sistemica familiar parte do entendimento do sistema e seus subsistemas e nao da visao individual das tematicas. Trata-se de compreender o sistema familiar como um todo, sendo que as mudancas que acometem alguma parte, afetam, de alguma forma, todas as outras partes. A familia e formada de membros atuantes e interdependentes que exercem influencias mutuas e transgeracionais em interacao.

Assim, de acordo com este vies, todas as problematicas sao encaradas como demandas familiares e nao unicamente individuais. O sintoma se desenvolve para encobrir um conflito ou um funcionamento disfuncional. No caso da familia estudada, o sintoma encobria a comunicacao disfuncional da familia ao mesmo tempo que denunciava a possibilidade de uma reorganizacao familiar, que foi possivel a partir da busca pelo tratamento familiar, no qual todos os membros sao corresponsaveis pela dinamica que se estabelece e assim possibilitar a mudanca inter-relacional. A busca pela abstinencia ocorria, mas a manutencao da mesma era incerta, ja que era necessario para a manutencao da homeostase do sistema familiar no qual o o uso abusivo de alcool encobria conflitos velados. O sintoma era um reforcador, para manter a comunicacao disfuncional e dessa forma mantinham-se os papeis indefinidos e as fronteiras difusas. Esse funcionamento permitia que a familia se mantivesse unida, ainda que emaranhada.

A partir da intervencao podem-se perceber mudancas na familia, como o reconhecimento do papel e importancia de cada um no funcionamento da dinamica familiar; o entendimento da corresponsabilidade de todos pelo sustento, organizacao e gestao da vida familiar, como as despesas, a educacao, a alimentacao, a higiene, a saude, a expressao dos afetos, a resolucao dos conflitos. Assumir a responsabilidade e dividi-la com os demais permite o movimento duplo: de ser parte fundamental daquele grupo, sem, no entanto, sobrecarregar uma unica pessoa, promovendo lacos de afeto e solidariedade. A melhora da comunicacao verbal e nao verbal entre os individuos possibilitou a expressao dos desejos, a diminuicao da frustracao, o compartilhamento das tristezas e a minimizacao da culpa. Estes resultados foram atingidos por meio da delimitacao de fronteiras entre os subsistemas da familia e a demarcacao e o respeito ao espaco individual do outro no sistema familiar.

A intervencao na dinamica familiar alcoolista realizada pelo vies da psicoterapia sistemica, parte do pressuposto que a abstinencia alcoolica, desejada pela familia, nao e possivel sem a construcao de novos significados e transformacoes no modo de funcionar da familia como um todo. O sistema familiar e dinamico por natureza, por tanto as transformacoes sao possiveis. A familia atendida conseguiu, ao longo do processo terapeutico, engajar-se no tratamento, refletir e esforcar-se para mudar seu comportamento. Tal mudanca foi observada a partir do reconhecimento do papel de cada um, na melhora da comunicacao verbal e nao verbal entre os individuos, delimitacao de fronteiras entre os subsistemas e respeito ao espaco individual do outro no sistema familiar.

Referencias

Alves, P. T (2003). Alcoolismo paterno e comportamento: Rendimento escolar dos filhos, contribuicao para o seu estudo. Dissertacao de Mestrado em Psiquiatria e Saude Mental. Universidade do Porto.

Brusamarello, T., Sureki, M., Borrile, D., Roehrs, H. & Maftum, A. (2008). Consumo de drogas: concepcoes de familiares de estudante em idade escolar. SMAD, Revista Eletronica Salud Mental, Alcohol y Drogas, 2(1), 231-253.

Burd, M. (2004). Abordagem familiar epsicoterapia de familia. In: Mello Filho, J; Burd, M. Doenca e familia. Sao Paulo: Casa do Psicologo.

Caputa V. & Bordin I. (2008). Gravidez na adolescencia e uso frequente de alcool e drogas no contexto familiar. Revista Saude Publica, 4(1), 67-81.

Feres-Carneiro, T (1996). Terapia familiar: das divergencias as possibilidades de articulacao dos diferentes enfoques. Psicologia: Ciencia e Profissao, 16(1), 38-42.

Costa, L. F. (2010). A perspectiva sistemica para a clinica da familia. Psicologia: Terapia e Pesquisa, 26(2), 132-147.

Dessen, M. A. (2010). Estudando a familia em desenvolvimento: desafios conceituais e teoricos. Revista Psicologia Ciencia e profissao, 35(1), 128-140.

Falceto, O. G. (2008). Terapia de familia. In: Cordioli, A. V Psicoterapias: abordagens atuais. 3. ed. Porto Alegre: Artmed.

Farinha, J. (2005). Para uma perspectiva sistemica da realidade psicologica social. Revista Ver, 22(4), 19-32

Medeiros, K. T.; Maciel, S. C.; Sousa, P. F.; Tenorio-Souza, F. M. & Dias, C. C. V (2013). Representacoes sociais do uso e abuso de drogas entre familiares de usuarios. Revista Psicologia em Estudo, 18(2), 269-279.

Mcgoldrick, M., Gerson, R. & Petry, S. (2012). Genogramas: avaliacao e intervencao familiar. 3 ed; Porto Alegre: Artmed.

Mello Filho, J. (2004). Doenca e Familia. In: Mello Filho, J; Burd, M. Doenca e familia. Sao Paulo: Casa do Psicologo.

Minuchin, S. (1982) Familias: funcionamento e tratamento. Porto Alegre: Artes Medicas.

Nichols, M. P. & Schwartz, R.C. (2007). Terapia familiar: conceitos e metodos. 7. ed. Porto Alegre: Artmed.

Pereira, L. T. K., Godoy, D. M. A. & Tercariol, D. (2009). Estudo de caso como procedimento de pesquisa cientifica: reflexao a partir da clinica fonoaudiologica. Psicologia: Reflexao e Critica, 44(1), 34-52.

Ponciano, E.L.T., Feres-Carneiro, T. (2006). Terapia de familia no Brasil: uma visao panoramica. Revista Psicologia Reflexao Critica, 10(1), 92-114.

Seibel, S. D. (2010). Conceitos basicos e classificacao geral das substancias psicoativas. In Seibel, S. D.. Dependencia de drogas. 2. ed. Sao Paulo: Ateneu.

Serralta, F.B.; Nunes, M. L.T. & Eizirik, C. L. (2011). Consideracoes metodologicas sobre o estudo de caso na pesquisa em psicoterapia. Revista Est. Psico, 28(4), 501-510.

Sudbrack, M.F.O. (2010). Terapia familiar sistemica e dependencia de substancias. In Seibel, Sergio Dario. Dependencia de drogas. 2. ed. Sao Paulo: Ateneu.

Trindade E. M., Costa L. F. & Zilli M. M. (2006). Filhos de Baco: consideracoes acerca dos efeitos do alcoolismo na familia. Revista Com. Cien.Sau., 17(4), 275-282.

Vasconcellos, M. J. E. (2002). Pensamento Sistemico: o novo paradigma da Ciencia. Campinas, SP: Papirus.

Vasconcellos, M. J. E. (2005). Pensamento Sistemico: Uma nova visao nas areas da educacao, da saude, das empresas, da ecologia, das politicas sociais, do direito, das relacoes internacionais. In: Anu, J. G.; Vasconcellos, M.J.E.; Coelho, S. V. Atendimento sistemico de familias e redes sociais: fundamentos teoricos e epistemologicos. Belo Horizonte: Ophicina de Arte & Prosa.

Wendt, N. C. & Crepaldi, M. A. (2008). A Utilizacao do Genograma como instrumento de coleta de dados na pesquisa qualitativa. Revista Psicologia Reflexao Critica. Acessado em: <novembro de 2012>. Disponivel em: <http://www.scielo.br/scielo. php?script=sci_arttext&pid=S010279722008000200016&lng=en&nrm=iso>.

Yin, R. K. (2010) Estudo de Caso: planejamento e metodos. 4.ed. Traducao Ana Thorell. Sao Paulo: Bookman.

(1) Todos os nomes e sobrenomes contidos nesse artigo sao ficticios e nao fazem qualquer referencia aos nomes originais.

Recebido em agosto de 2014

Aceito em janeiro de 2015

Marciana Zambillo: Graduada em psicologia; Mestranda em Psicologia Social e Institucional pela Universidade Federal do Rio Grade do Sul--UFRGS.

Claudia Mara Bosetto Cenci: Psicologa; Doutoranda em Psicologia Clinica PUC/RS; Professora da IMED/RS. Endereco para contato: marcianazambillo@gmail.com
COPYRIGHT 2014 Universidade Luterana do Brasil
No portion of this article can be reproduced without the express written permission from the copyright holder.
Copyright 2014 Gale, Cengage Learning. All rights reserved.

Article Details
Printer friendly Cite/link Email Feedback
Title Annotation:texto en portugues
Author:Zambillo, Marciana; Cenci, Claudia Mara Bosetto
Publication:Revista Aletheia
Date:Jan 1, 2014
Words:5986
Previous Article:Social representations of psychology and psychologist at private university of the Rondonia, Brazil/Representacoes sociais sobre a psicologia e o...
Next Article:Assertiveness for women's crack dependent/Assertividade em mulheres dependentes de crack.
Topics:

Terms of use | Privacy policy | Copyright © 2019 Farlex, Inc. | Feedback | For webmasters