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Do 'relho' a 'reza': a espiritualidade como estrategia de controle nas organizacoes.

THE 'BULLWHIP' TO 'PRAY': SPIRITUALITY AS A STRATEGY TO CONTROL IN ORGANIZATIONS

Introducao

Foi a partir da Revolucao Industrial que ocorreu uma mudanca radical na organizacao do trabalho, ate entao concentrado em oficinas, reunidas em corporacoes de acordo com o oficio. Pela primeira vez, grandes quantidades de individuos foram reunidos em um mesmo ambiente e este fato tornou-se gerador de conflitos, sendo imprescindivel "organizar, subdividir, disciplinar e supervisionar o trabalho de dezenas de pessoas sem qualificacoes especificas" (Clegg, 1996, p.51). Desde entao, a disciplina fabril sobre o tempo disponivel e a vida dos operarios sofisticou-se com as mudancas introduzidas diante das novas formas de organizacao do trabalho (Fleury & Vargas, 1983); e se consubstanciam hoje no que se denomina reestruturacao produtiva, sempre visando a cada vez maior produtividade e a competitividade de mercado (Gorender, 1997).

Tornou-se funcao da gestao, desenvolver esquemas de controle funcionais. De acordo com Foucault (1987, p. 146),
   A medida que o aparelho de producao se torna mais importante e mais
   complexo, a medida que aumenta o numero de operarios e a divisao do
   trabalho, as tarefas de controle se fazem mais necessarias e mais
   dificeis. [...] A vigilancia torna-se um operador economico
   decisivo, na medida em que e ao tempo uma peca interna no aparelho
   de producao e uma engrenagem especifica do poder disciplinar.


Com o processo de industrializacao, o homem passou a ocupar mais da metade de seu dia no ambiente de trabalho. Neste ambiente, considerando-se como marco temporal a Revolucao Industrial, em menos de tres seculos, desenvolveu diversificadas relacoes de producao e sofisticadas relacoes de poder.

Ao longo do tempo, o capital buscou obter, atraves da adocao de tecnologias, o aumento da producao e o controle da influencia exercida sobre os trabalhadores. O desenvolvimento de novas tecnologias, seja de base tecnica ou organizacional, impoe a busca por novas estrategias de controle.

Estudiosos do processo de trabalho como Braverman (1987), Burawoy (1979) e Edwards (1979) consideram que os padroes historicos que estruturam o contexto geral do poder modificaram-se do controle simples e direto, baseado na vigilancia e nas praticas disciplinares foucaultianas; para um controle tecnico baseado na dominacao do empregado pela maquina. Este processo passa pelo controle burocratico --modelo weberiano de dominacao pelas regras -- e chega a atualidade, com as inovacoes tecnologicas facilitando a centralizacao do processo de producao e aumentando o controle sobre os empregados. Este aspecto certamente atrai o interesse dos empresarios, que sempre buscam novas estrategias e taticas para ampliar a acumulacao do capital, mesmo que estas possam obscurecer o discernimento dos trabalhadores.

O que pode ser uma estrategia atual para o controle, e a chamada 'espiritualidade nas organizacoes', definida por Rego, Cunha e Souto (2007) como a "existencia de oportunidades na organizacao para realizar trabalho com significado, no contexto de uma comunidade, com um sentido de alegria e de respeito pela vida interior" (p.3).

Nesse contexto, o objetivo deste trabalho foi identificar o significado da expressao 'espiritualidade nas organizacoes' dado por alunos do curso de administracao de uma Instituicao de Ensino Superior publica, mostrando as representacoes sociais que a ela subjazem ou dela decorrem. Assim sendo, o advento da espiritualidade pode ser apenas mais um disfarce dos detentores do poder para fortalecer a sua posicao e o seu controle por meio da legitimidade dos valores, pois a principal artimanha do poder e imiscuir-se sem ser percebido, de modo disfarcado e carregado de subterfugios. Muito mais que mostrar-se, o poder utiliza disfarces. De acordo com Foucault (1985, p.83), "uma tatica do poder e mascarar uma parte importante de si mesmo [... ] estando seu sucesso na proporcao daquilo que consegue ocultar".

Espiritualidade nas Organizacoes

Algumas organizacoes vem procurando transcender os aspectos materiais, preocupando-se "em ajudar as pessoas a desenvolver e alcancar seu pleno potencial" (Robbins, 2005, p. 390). Tornam-se, entao, organizacoes humanizadas ou espiritualizadas.

Entende-se por organizacao humanizada aquela que, voltada para seus funcionarios e/ou para o ambiente, agrega outros valores que nao somente a maximizacao do retorno para os acionistas. Realiza acoes que, no ambito interno, promovem a melhoria na qualidade de vida e de trabalho, visam a construcao de relacoes mais democraticas e justas, mitigam as desigualdades e diferencas de raca, sexo e credo, alem de contribuirem para o desenvolvimento das pessoas sob os aspectos fisico, emocional, intelectual e espiritual (Vergara & Branco, 2001, p. 21).

As organizacoes espiritualizadas buscam estrategias de conciliacao entre interesses diversos e contraditorios, presentes nos ambientes e condicoes de trabalho, em empresas publicas ou privadas. Interesses estes que nao se limitam aos do capital e do trabalho, mas tambem aos relativos a subjetividade humana, aos valores, crencas, ideologias e aos interesses economicos e politicos (Sato, 1999). De acordo com Morin (2001), esta subjetividade deve conduzir o individuo para a realizacao de uma tarefa util e produtiva, que seja considerada importante e capaz de contribuir para o crescimento profissional e humano, porem que nao fogem dos moldes da relacao capital-trabalho.

Segundo Catanante (2002), a espiritualidade busca introduzir uma "nova forma de trabalhar", de modo que as pessoas trabalhem em prol de uma causa que e apresentada como vinculada a um beneficio coletivo, ou seja, que supostamente beneficiaria a toda sociedade, pois os modelos vigentes, tanto no mundo da vida quanto no mundo corporativo, "passam por uma crise de sustentabilidade" (Zohar, 2001, p. 2).

O modelo seguido pelo mundo corporativo, baseado no lucro imediato, gerou uma cultura corporativa desconectada de valores mais profundos. O impacto negativo desse modelo reflete-se tanto na devastacao ambiental, quanto em desequilibrios fisicos e psicologicos nos individuos. Como opcao a este modelo, Zohar e Marshall (2000) propoem a aplicacao do Quociente Espiritual -- QE. De acordo com os autores, o QE nao tem nenhuma ligacao com religiao, sendo o tipo de inteligencia que nos direciona em "momentos de impasse, quando nos deparamos presos nas armadilhas dos nossos velhos padroes comportamentais, quando enfrentamos problemas com doencas fisicas ou sofrimentos emocionais (Zohar & Marshall, 2000, p.23).

Desenvolver as qualidades do Quociente Espiritual e mudar a orientacao em termos de valores. Quando as empresas investem em trabalhos que busquem elevar o Quociente Espiritual dos seus funcionarios, alem de formar liderancas espiritualmente inteligentes, contribuem para uma mudanca de paradigma, onde o conceito de lucro nao se sustenta apenas em valores materiais, mas tambem em valores sociais e espirituais (Zohar, 2001, p. 1).

A espiritualidade nos locais de trabalho pode ser definida como "o reconhecimento de que os empregados tem uma vida interior que alimenta, e e alimentada, pela realizacao de trabalho com significado num contexto de comunidade" (Ashmos & Duchon, 2000, p. 137).

Outra definicao e dada por Giacalone e Jurkiewicz (2003): "um quadro de valores organizacionais evidenciado na cultura, que promove a experiencia de transcendencia dos empregados atraves dos processos de trabalho, facilitando o seu sentido de conexao com os outros de um modo que lhes proporciona sentimentos de plenitude e alegria".

Pode-se supor que ambientes organizacionais espiritualmente ricos, isto e, que permitem aos colaboradores realizar trabalho com significado para a vida, podem conduzir a mais elevados desempenhos individuais e organizacionais (Jurkiewicz & Giacalone, 2004, Garcia-Zamor, 2003, Strack, Fottler, Wheatley & Sodomka, 2002). E possivel que isto ocorra, em medida consideravel, porque esses ambientes nutrem ou fomentam a auto-eficacia, o otimismo, a esperanca e a resiliencia dos empregados. Em consequencia, estes definem objetivos individuais mais ambiciosos, empenham maiores esforcos motivacionais, resistem melhor ao stress, sao mais perseverantes frente os problemas e obstaculos, e sao mais capazes de redirecionar os objetivos quando os obstaculos sao intransponiveis (Luthans, 2002a, 2002b). E importante ressaltar que em organizacoes espiritualizadas parece haver um ambiente de trabalho com mais sentido (Morin, 2001), embora nao se deva esquecer que empresas sempre buscam o lucro.

De acordo com Krishnakumar e Neck (2002), a espiritualidade pode incrementar o potencial intuitivo e criativo dos colaboradores, fomentar a honestidade e a confianca entre os membros organizacionais e entre eles e outros stakeholders, incrementar o sentimento de realizacao pessoal dos individuos, revigorar o empenho dos colaboradores na organizacao e promover o desempenho organizacional. Empregados que se sentem justa e respeitosamente tratados sentem que sao reconhecidos como entes com valor intelectual e emocional (Kim & Mauborgne, 1998), e nao apenas como "recursos".

A literatura que relaciona o comportamento organizacional positivo com a espiritualidade nos locais de trabalho e ainda incipiente, embora Carvalho (2007, p. 4) considere que propostas relacionadas a espiritualidade nas organizacoes nao sejam, uma novidade. Como apontam Colbari (1995), Freitas (2000) e Bauman (2003), paralelamente a implantacao do taylorismo, alguns filantropos acreditavam que o sucesso industrial era um fator associado ao "sentir-se bem" e, assim, ao inves de confiar apenas nos poderes coercitivos da maquina, apostavam nos padroes morais, piedade religiosa, vida familiar dos trabalhadores e sua confianca no patrao.

Quando o desenvolvimento individual e os objetivos pessoais sao consistentes com os objetivos organizacionais, a identificacao dos empregados com a organizacao e revigorada, e estes se empenham mais e impregnam o seu trabalho com significado espiritual (Richards, 1995), o que pode tambem conduzir a melhores desempenhos. Ao contrario, quando a vida pessoal colide com a vida organizacional, as pessoas experimentam dissociacao da organizacao e alienacao perante o trabalho, o que tende a conduzir a maiores niveis de absenteismo, turnover, comportamentos de negligencia e menor desempenho. Ademais, os efeitos que transcorrem da espiritualidade organizacional para a vida familiar/pessoal reforcam a satisfacao com a familia, o casamento, as atividades de lazer e as interacoes sociais, capacitando as pessoas para viver uma vida integrada e equilibrada (Pfeffer, 2003).

Poder e Controle nas Organizacoes

Desde a antiguidade classica, o estudo do poder fascina os pensadores, embora tentar conceitua-lo seja extremamente embaracoso, pois e "demasiado vago ou ambiguo, permite explicar por demais facilmente um numero grande demais de problemas. Sobretudo, e um conceito dificil de esclarecer, pois sua imprecisao e as contradicoes que levanta nao advem da incerteza do vocabulario, mas da ambiguidade dos proprios fatos" (Crozier, 1983, p. 19).

No inicio do seculo XX, Weber (2000) diferenciou poder e dominacao. Poder significando "toda probabilidade de impor a propria vontade numa relacao social, mesmo contra resistencias, seja qual for o fundamento dessa probabilidade" (p. 33) e dominacao (controle) como "a probabilidade de encontrar obediencia a uma ordem de determinado conteudo, entre determinadas pessoas indicaveis" (p.33). De acordo com o autor, a dominacao e um dos elementos mais importantes da acao social, desempenhando um papel consideravel, mesmo em situacoes em que nao esteja visivel.

As relacoes de dominacao nao dependem exclusivamente de meios economicos. Para Weber (2000), estas ocorrem fundamentadas em diferentes motivos, seja por costume, por fins afetivos, por interesses materiais ou por motivos ideais. Normalmente, junta-se a esses fatores outro elemento: a crenca na legitimidade.

A crenca na legitimidade possivelmente esta relacionada a ideologia vigente, ou seja, sao percebidas como legitimas as relacoes de dominacao que estao introjetadas como corretas, como socialmente aceitas. Assim, e possivel que as empresas modifiquem e explorem em proveito proprio um tipo de dominacao que tem inicio com o contrato psicologico, uma tutela muito mais obscura, ameacadora e insidiosa, pois por ser uma entidade impessoal, penetra na vida e na sua alma do individuo de ponta a ponta (Pages, Bonetti, Gaulejac & Descendre, 1987). Corroborando com os autores, Alvesson e Deetz (1998) apontam que "objetos de controle administrativo sao cada vez menos o poder trabalhista e o comportamento, e cada vez mais o poder da mente e a subjetividade dos empregados" (p. 228).

Apesar de instituir novas filosofias gerenciais e tecnicas de producao, as empresas estao sempre procurando nao perder o controle sobre o trabalhador. O controle passa a assumir novas configuracoes, afastando-se da forma tradicional caracterizada pela vigilancia direta de supervisores e tornando-se crescentemente sofisticado, desenvolvendo uma dominacao psicologica sobre seus trabalhadores, atraves de relacoes inconscientes (Pages, Bonetti, Gaulejac & Descendre, 1987).

De acordo com Foucault (1987), desenvolve-se um poder disciplinar que tem "como funcao maior adestrar. [...] Adestra as multidoes confusas, moveis, inuteis de corpos e forcas para uma multiplicidade de elementos individuais -- pequenas celulas separadas, autonomias organicas, identidades e continuidades geneticas, segmentos combinatorios" (p. 143). Para o autor, a disciplina "fabrica" individuos submissos, obedientes e com maior grau de envolvimento.

Etzioni (1989) considera que o grau de obediencia dos individuos em uma organizacao depende do tipo ou forma de poder empregados. Quando sao priorizados os recursos simbolicos, no que o autor denomina organizacoes normativas, maior o envolvimento dos trabalhadores. Em organizacoes coercitivas, a adesao dos individuos e alienatoria e, em organizacoes manipulativas, o controle e exercido por meio de recursos materiais, ha uma adesao utilitaria. Embora indique que nao existem formas puras de controle, mas uma combinacao de estimulos e sancoes, pode-se vislumbrar no atual contexto, que algumas organizacoes estao utilizando eficazmente os recursos simbolicos como ferramenta de controle.

Motta (1986, p. 65) ressalta que a acumulacao de capital, alem de acelerar o desenvolvimento tecnologico, tambem tornou a subordinacao do trabalho ao capital mais sutil e complexa. Passou a tratar de dupla subordinacao, ou seja, de subordinacao no aspecto tecnico (transferencia do trabalho para a maquina) e de subordinacao no aspecto organizacional (maior subordinacao ao quadro administrativo). Assim, Harvey (1994) aponta que existem duas grandes areas de dificuldade num sistema economico capitalista que devem ser negociadas para a sua manutencao, a fixacao de precos e a necessidade de exercer suficiente controle sobre o emprego da forca de trabalho.

As organizacoes, nesse sentido, exercem um trabalho de dissimulacao e transfiguracao que assegura uma verdadeira transformacao das relacoes de forca, modificam essas forcas em poder simbolico, capaz de produzir efeitos reais, sem gasto explicito de energia (Bourdieu, 1989).

Assim, poder e controle estabelecem uma nitida relacao de docilidade-utilidade, um poder disciplinar, com metodos que assegurem o controle minucioso do individuo e a sujeicao constante de suas forcas. Para tanto, o objetivo do poder sobre os individuos e controla-los para que possam alcancar o maximo desenvolvimento de suas potencialidades, para que assim, aumentem sua utilidade economica; com o intuito de evitar os inconvenientes de uma insurreicao (Foucault, 1987).

A partir de meados de 1970, as empresas comecaram a vivenciar o que Mattoso (1996) chamou de uma nova revolucao industrial. Este periodo caracterizou-se por intensas inovacoes tecnicas e organizacionais, bem como pelas mudancas nas relacoes de trabalho. As empresas comecaram a buscar novos padroes e modelos de organizacoes e este processo de modificacoes trouxe, dentre outras sofisticadas ferramentas de controle, a espiritualidade, que pode ser considerada como uma forma modificada, irreconhecivel, transfigurada e legitimada das outras formas de poder.

Representacoes Sociais sobre o Conceito de Espiritualidade

Durkheim (1978) em sua obra As Formas Elementares da Vida Religiosa sustenta que a religiao possibilitou o surgimento dos primeiros sistemas de representacoes que o homem fez do mundo e de si mesmo. As representacoes religiosas sao representacoes coletivas, tendo em vista que exprimem realidades coletivas. Nesse sentido, a sociedade se sobrepoe ao individuo, sendo a mais alta manifestacao da natureza e, assim sendo, as representacoes coletivas sempre acrescentam alguma coisa as representacoes individuais.

De acordo com Herzlich (1991), a visao durkheimiana de priorizar a sociedade em detrimento do individuo e considerada como reducionista, pois minimiza as possibilidades de manifestacoes individuais. Durkheim (1978) considerava a consciencia coletiva como a forma mais elevada de vida psiquica. Minayo (1995) e Cavedon (2003) situam esse marco para a origem das representacoes sociais.

A expressao "representacoes sociais" partiu dos estudos de Serge Moscovici, considerado o maior representante da vertente europeia da teoria. Moscovici (1995) considera que a representacao social funciona como uma forma de mediar o conflito entre o individual e o social, buscando um equilibrio e uma complementaridade entre essas categorias.

Nesse sentido, Jovchelovitch (1995, p. 78) aponta que "o sujeito nao esta subtraido da realidade social, nem meramente condenado a reproduzi-la. Sua tarefa e elaborar a permanente tensao entre um mundo que ja se encontra constituido e seus proprios esforcos para ser um sujeito".

Assim, a "representacao social e uma forma de conhecimento especifico ou saber do senso comum, cujos conteudos se constroem a partir de processos socialmente marcados" (Jodelet 1992, p. 123). Constroem-se as representacoes sociais quando as pessoas se comunicam, conversam sobre suas praticas cotidianas, bem como quando estao expostas as instituicoes, aos meios de comunicacao, aos mitos e a heranca historico-cultural de suas sociedades (Guareschi & Jovchelovitch, 1994). De acordo com os autores, a teoria das representacoes sociais "questiona ao inves de adaptar-se e [...] busca o novo, la mesmo onde o peso hegemonico do tradicional impoe as suas contradicoes" (p.17).

O conhecimento do senso comum, antes relegado pela ciencia moderna, vem sendo crescentemente resgatado. Souza Santos (1989) sugere uma reabilitacao do que chama 'lumpendiscursos' e Alves (2005, p. 12) indica que "a aprendizagem da ciencia e um processo de desenvolvimento progressivo do senso comum" (italico no original). Nesse sentido, a utilidade da teoria das representacoes sociais revela-se na busca de uma melhor compreensao das praticas coletivas. Por meio do conhecimento de uma representacao social e possivel um entendimento mais adequado dos processos de constituicao simbolica encontrados na sociedade e na qual os individuos se engajam para dar sentido ao mundo e nele construir sua identidade social (Gomes, Sa & Oliveira, 2003; Jovchelovitch, 1995).

Assim sendo, nesse trabalho procurou-se identificar os significados da expressao espiritualidade nas organizacoes para alunos do curso de administracao, mostrando as representacoes sociais que a ela subjazem ou dela decorrem.

O Nucleo Central e o Sistema Periferico da Representacao Social

As representacoes sociais nao sao necessariamente consensuais. O sentido que se atribui a um dado objeto alem de o proprio processo de atribuicao constituem construcoes psicossociais que integram a historia pessoal de cada individuo com o resultado de suas interacoes grupais. Objetivando auxiliar na identificacao da parte mais relevante de uma representacao social, dos valores e percepcoes que sao compartilhados com mais clareza e coesao pelo grupo investigado, pode-se trabalhar com o chamado nucleo central da representacao social.

Abric (1976, apud Sa, 2002) aponta que a organizacao de uma representacao social apresenta a caracteristica especifica de ser organizada em torno de um nucleo central, que e formado por um ou mais elementos que dao significado a representacao. O autor entende que:

a organizacao de uma representacao apresenta uma caracteristica particular: nao apenas os elementos da representacao sao hierarquizados, mas alem disso toda representacao e organizada em torno de um nucleo central, constituido de um ou de alguns elementos que dao a representacao o seu significado (Abric apud Sa, 2002, p.62).

Desse modo, o nucleo central e formado pelas significacoes fundamentais da representacao, aquelas que lhe atribuem identidade. Passando o nucleo central por transformacoes, cria-se uma nova identidade. Os valores que representam o nucleo central de uma representacao social sao aqueles que, geralmente, o sujeito nao tem consciencia ou nao explicita, mas que, todavia, direcionam a sua acao e definem o seu comportamento. Em outras palavras, representam o que e "inegociavel", a essencia da representacao social, formada pela memoria coletiva do grupo e suas normas.

Portanto, o nucleo central possui uma funcao consensual que objetiva a homogeneidade do grupo e que se caracteriza por ser estavel, coerente, resistente a mudanca, alem de ser de certa forma independente do contexto social e material imediato, ou seja, nao e significativamente influenciavel pelos fatos mais recentes. Autores como Madeira (2001) e Sa (2002) consideram que o nucleo central e decisivo na inflexao que o sentido de um dado objeto assume para um grupo em um dado contexto historico e cultural.

Em volta do nucleo central, ha o "sistema periferico", que abriga as diferencas de percepcao entre os individuos, de modo a suportar a heterogeneidade do grupo e acomodar as contradicoes trazidas pelo contexto mais imediato (Madeira, 2001, Mazzotti, 2001). O sistema periferico e composto dos elementos que se posicionam em volta do nucleo central, nao constituindo valores "inegociaveis". Pelo contrario, nele estao acomodados os conceitos, percepcoes e valores que o individuo ate admite rever, negociar. Madeira (2001) e Sa (2002) explicam que ele pode ate ser visto como uma forma de defesa do nucleo central, possibilitando o intercambio com outros grupos e proporcionando a evolucao da representacao social, sem chegar a modifica-la. Enfim, as representacoes sociais inserem-se em um conceito plural e bastante complexo. Mas, mesmo existindo varias acepcoes -- umas mais aproximadas, outras, nem tanto -- e possivel identifica-las como sendo dinamicas, explicativas; englobando aspectos culturais, cognitivos e valorativos; possuindo dimensao historica e transformadora. Compreendem um material de estudo muito importante, uma vez que correspondem a situacoes reais de vida e revelam a visao de mundo de um determinado grupo social. O que tem permitido a utilizacao, em trabalhos de pesquisa social, da teoria das representacoes sociais e seu aspecto inovador que permite a apreensao e reabilitacao da ordem simbolica, que rompe com a dicotomia estabelecida entre exterior e interior, sujeito e objeto.

Representacoes sociais, de acordo com Moscovici (2003, p. 181), sao "um conjunto de conceitos, proposicoes e explicacoes originado na vida cotidiana no curso de comunicacoes interpessoais". Nesse sentido, as representacoes sociais podem ser consideradas como meio de recriar a realidade buscando torna-la senso comum. Ja que as representacoes sociais sao fenomenos que estao ligados a um modo particular de pensar, tendo o poder de materializar ideias, elas tambem podem ser ligadas a uma maneira especifica de entender e comunicar aquilo que ja se sabe. Portanto, ao compreender as representacoes sociais de determinados atores, pode-se tentar apreender tanto a essencia da realidade social, como a personalidade individual que interpreta, manipula e reage as regras e aos valores sociais. Ou seja, estuda- se as representacoes sociais como um modo de saber como um grupo humano constroi um conjunto de saberes que expressam sua identidade social.

E nesse sentido que Jodelet (2001) esclarece que as representacoes sao frutos da interacao entre individuos integrados que, ao mesmo tempo, constroem e produzem uma historia individual e tambem produzem uma historia social. Conhecendo-se as representacoes sociais que sao construidas, compreende- se o comportamento assumido por esse grupo e como estas atuam na motivacao desses individuos.

Procedimentos Metodologicos

Esta pesquisa caracteriza-se como exploratoria, pois o tema estudado ainda e passivel de conhecimento sistematizado (Vergara, 2000). E importante salientar que nao se busca respostas tidas como verdades, o que se busca e a compreensao e descricao do significado do termo espiritualidade nas organizacoes, o que torna a pesquisa tambem descritiva.

Por este estudo estar baseado nos aportes da teoria das representacoes sociais, neste momento, utilizou-se o teste de evocacao de palavras como tecnica de coleta de dados (Vergara, 2008).

O universo da pesquisa foi formado por alunos do curso de administracao de empresas de uma universidade publica localizada em Fortaleza. Responderam ao instrumento aplicado, 132 alunos matriculados em todos os semestres do curso, utilizando-se o criterio de acessibilidade.

O teste de evocacao de palavras "e um metodo de coleta de dados por meio do qual o pesquisador solicita aos sujeitos da pesquisa que mencionem, oralmente ou por escrito, um determinado numero de palavras relacionadas a uma expressao indutora" (Coutinho, 2001, p. 323). A tecnica de coleta utilizada foi o teste de evocacao de palavras, aplicado visando levantar elementos que possivelmente compunham a estrutura da representacao do objeto em estudo. A expressao indutora foi espiritualidade nas organizacoes.

Foi solicitado que os alunos escrevessem em um formulario as quatro primeiras palavras ou expressoes que viessem espontaneamente a cabeca a partir da expressao indutora. Foi considerada a ordem de citacao espontanea das palavras ou expressoes como sendo a ordem de importancia atribuida pelos respondentes.

Os dados obtidos foram tratados considerando-se a conjugacao da frequencia e da ordem de evocacao das palavras, utilizando-se os softwaresExcel e SPSS, versao 15.

Discussao dos Resultados

Foi solicitado aos 132 alunos que escrevessem em um formulario as quatro primeiras palavras a partir da expressao indutora espiritualidade nas organizacoes. Ao todo, foram coletadas e listadas 510 respostas validas, classificadas em 203 categorias de palavras. Foram reunidas palavras ou expressoes de mesmo significado pertencentes a uma mesma classe semantica. Por exemplo: clima e clima organizacional; equipe e trabalho em equipe.

Das 203 categorias, foram desprezadas aquelas que alcancaram, isoladamente, menos que 1% da frequencia simples, sendo esse o criterio para determinar as categorias pouco significativas. Para os calculos do teste de evocacao de palavras, foram utilizadas as 22 categorias de maior frequencia simples que totalizaram 42,55% dos dados trabalhados. A tabela 1 apresenta as categorias, frequencias e ordens medias de evocacao.

As palavras respeito, motivacao, harmonia, etica, tolerancia, bom relacionamento, convivencia e satisfacao estao mais relacionadas com os estudos sobre a espiritualidade. A motivacao, se considerada no sentido de realizacao intrinseca (Catanante, 2002) e de realizacao de trabalho com significado (Ashmos & Duchon, 2000, Morin, 2001) e a palavra que mais se aproxima com a compreensao da espiritualidade.

De acordo com Krishnakumar e Neck (2002), organizacoes que enfatizam a espiritualidade procuram incrementar o potencial intuitivo e criativo, fomentando a honestidade e a confianca, palavras que nao foram evocadas em nenhum momento.

E importante salientar que, nesta tabela, as categorias com pouca representatividade estatistica nao foram consideradas, pois o que determina o significado da representacao social e o nucleo central, o que e feito combinando-se a frequencia com a ordem de evocacao de palavras (Sa, 2002). Efetuados os calculos de frequencia e da ordem media de evocacao de cada uma das 22 categorias significativas, pode-se chegar aos resultados da frequencia media de evocacao em 9,23 e para a media aritmetica das ordens medias de evocacao o valor de 2,34. Sendo assim, os criterios de distribuicao no diagrama de quatro quadrantes sao apresentados na figura 1.

O quadrante superior esquerdo, o nucleo central, representa as categorias com maior frequencia e mais prontamente citadas. O quadrante inferior direito representa as categorias citadas com menor frequencia e mais tardiamente. Os outros dois quadrantes, superior direito e inferior esquerdo, mantem uma relacao estreita com o nucleo central. A figura 2 mostra o diagrama formado.

O nucleo central foi formado pelas palavras: equipe, respeito, harmonia, clima (organizacional). As palavras menos citadas e citadas mais tardiamente foram: comunicacao, etica, tolerancia, convivencia, relacionamento (interacoes), dedicacao, lideranca, responsabilidade. As demais palavras que aparecem no diagrama sao: amizade, motivacao, importante, bom relacionamento, cultura organizacional, essencial, pouca, satisfacao, uniao.

E significativo mencionar que a palavra etica, embora evocada, foi das menos citadas, bem como tolerancia, convivencia, relacionamento e responsabilidade.

Na figura 3, pode-se observar que as palavras com maior frequencia e mais citadas pelas mulheres foram equipe, respeito e harmonia, em concordancia com o total de respondentes.

Na figura 4, os homens consideram equipe e respeito, porem incluem outras palavras, como amizade, clima, importante, necessidade, etica, cultura organizacional.

As palavras etica, tolerancia, convivencia, relacionamento, dedicacao, lideranca, responsabilidade obtiveram menor frequencia, sendo menos citadas por alunas do sexo feminino, enquanto os alunos do sexo masculino citaram menos as palavras comunicacao, convivencia, relacionamento, pouca.

Pode-se considerar que nao ha diferencas significativas em relacao ao genero sobre o entendimento da espiritualidade. A palavra respeito esta presente no nucleo central do diagrama de evocacao (Figuras 3 e 4) de ambos os sexos.

A maioria dos respondentes encontra-se na metade final do curso, tendo ingressado na universidade no primeiro e segundo semestre do ano de 2007, de acordo com os dados da tabela 2.

Conforme dados das figuras 5 e 6, pode-se observar que a palavra equipe foi citada com maior frequencia tantos por alunos ingressantes, quanto por concluintes.

Os ingressantes, de acordo com os diagramas de evocacao acima (Figuras 5 e 6) parecem tem uma nocao mais clara do que seja a espiritualidade, considerando-se os trabalhos de Vergara e Branco (2001). Os concluintes, apesar de terem mencionado a palavra importante no nucleo central, nao fizeram referencia a nenhuma das palavras que podem ser consideradas em consonancia com os estudos sobre espiritualidade. Nao ha diferenca significativa na percepcao dos alunos ingressantes e concluintes, em relacao ao significado do termo espiritualidade nas organizacoes, possivelmente por ser um tema emergente e ainda nao trabalhado na grade curricular

A maioria dos respondentes encontra-se em fase de estagio, seguido por significativo numero de alunos que nao exerce nenhuma atividade profissional. Os que estao inseridos no mercado, encontram-se exercendo suas atividades em empresas privadas, em media, nos ultimos nove meses.

Nas figuras 7 e 8, nao se observa significativa diferenca entre as frequencias de palavras evocadas entre alunos que exercem alguma atividade profissional. Alunos inseridos no mercado, que tem contato com a realidade organizacional, apontaram com maior frequencia apenas duas palavras, equipe e harmonia, enquanto o aluno que nao exerce atividade profissional apontou tres palavras: respeito, clima, importante

A palavra equipe foi citada por todas as categorias pesquisadas, ou seja, alunos do sexo feminino e masculino, com maior frequencia tanto por alunos ingressantes, quanto por concluintes. A unica excecao foi o grupo dos alunos sem qualquer atividade profissional, que inseriram a palavra 'importante'.

Hardy e Clegg (2001) apontam que, ao se estudar relacoes de poder ha uma multiplicidade de vozes, sendo predominantes a funcionalista e a critica. As falas criticas prezam o estudo de temas como "dominacao, exploracao, repressao, injustica, relacoes de poder assimetricas, comunicacao distorcida e falsa consciencia" (Alvesson & Deetz, 1998, p. 229).

Os estudos criticos podem ser caracterizados como aqueles "que se preocupam com segmentos em desvantagem e com a direcao do futuro" (Alvesson & Deetz, 1998, p. 230). Assim, procurou-se ir alem da forma classica de analise do Teste de Evocacao de Palavras (TEVOC), e incluir categorias relacionadas ao objeto de estudo e consideradas importantes, mas que nao apresentaram significancia estatistica. Foram escolhidas palavras relacionadas a religiao e a controle. Religiao foi incluida no mesmo grupo de controle considerando-se a visao marxista de que a religiao "e o opio do povo" (Marx, 2010), ou seja, sua funcao social seria controlar. Na tabela 3, abaixo, pode-se observar que a frequencia de evocacao destas palavras.

As palavras constantes na tabela acima, de acordo com o tratamento dos dados obtidos pelo TEVOC, nao podem ser incluidas no nucleo central e nem no sistema periferico da representacao social, mas indicam que uma minoria dos alunos reconhece que a implementacao da espiritualidade nas organizacoes pode ser uma forma de controle.

Consideracoes Finais

Ao longo dos seculos, o poder tem se utilizado de estrategias de dominacao crescentemente sofisticadas, sendo fluido, volatil, movel, mutante e peca fundamental em um jogo onde os atores sao vencidos ou vencedores, de acordo com as contingencias, os interesses e as vontades dos dominadores.

O design das relacoes empregador-empregado esta se transformando e o trabalhador vem perdendo cada vez mais o controle sobre os meios de producao frente as novas tecnologias sociais de dominacao. Silva (2002) aponta que as mudancas no controle em organizacoes passam a enfatizar bem mais aspectos ideacionais, construindo o processo de disciplinarizacao por meio da elaboracao de um discurso de participacao. Nesse discurso, vem sendo incluida a espiritualidade, recurso simbolico que aumenta o envolvimento dos individuos, tornando-os submissos e obedientes.

E possivel considerar que algumas organizacoes ditas espiritualizadas podem estar utilizando eficazmente os recursos simbolicos como ferramenta de controle, pois o poder simbolico e capaz de se impor como legitimo.

Em relacao ao objetivo proposto, pode-se concluir que existe um entendimento sobre a espiritualidade nas organizacoes entre os alunos, pois foram evocadas palavras que se relacionam proximamente ao tema. Assim, e possivel que a espiritualidade se torne mais uma estrategia de controle utilizada com eficiencia pelas organizacoes.

Do simples relogio da fabrica, que regulava os horarios da familia operaria, passando pelo cronometro, base da intervencao racional sobre o trabalho, houve um disciplinamento e um assujeitamento, que refinaram e aprofundaram o poder disciplinar. Ou seja, do 'relho', representado pela dominacao clara, dura e rigorosa, houve uma sofisticacao nas estrategias utilizadas pelas organizacoes para manter os individuos sob controle, sendo a ferramenta atual o controle pela 'reza', meio simbolico e normativo, eficiente e seguro.

http://revistas.facecla.com.br/index.php/recadm/doi: 10.5329/RECADM.20111002004

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1- Fatima Regina Ney Matos * Doutora em Administracao pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Brasil. Professora do Programa de Pos-Graduacao em Administracao da Universidade de Fortaleza (UNIFOR), Brasil. fneymatos@globo.com http://lattes.cnpq.br/5977512127210432

2- Germana Ferreira Rolim Mestre em Administracao pela Universidade Estadual do Ceara (UECE), Brasil. Professora da Faculdade Integrada da Grande Fortaleza (FGF), Brasil. germanafrolim@gmail.com http://lattes.cnpq.br/6096325125462403

3- Katia Lene de Araujo Lopes Mestre em Administracao pela Universidade Estadual do Ceara (UECE), Brasil. Professora da Faculdade de Tecnologia Lourenco Filho (FLF), Brasil. katialene@gmail.com http://lattes.cnpq.br/8846728587368435

4- Vania Freitas Lopes Mestre em Administracao pela Universidade Estadual do Ceara (UECE), Brasil. Professora da Faculdade Integrada da Grande Fortaleza (FGF), Brasil. vania.mestrado@gmail.com http://lattes.cnpq.br/9589091465615347

5- Claudia Maria Giesbrecht Mestre em Administracao pela Universidade Estadual do Ceara (UECE), Brasil. claudinhagis@hotmail.com http://lattes.cnpq.br/8305026913275296

Recebido em: 15/06/2011

Aprovado em: 06/07/2011

Ultima Alteracao: 12/10/2011

* Contato Principal: Universidade de Fortaleza, Programa de Pos-Graduacao em Administracao. Avenida Washington Soares, 1321. Edson Queiroz, Fortaleza -- CE, Brasil. CEP: 60811-905.
Tabela 1--Frequencias de Evocacao

                         Frequencia    Frequencia    Frequencia
                         de evocacao   de evocacao   de evocacao
Palavra                  em 1 lugar    em 2 lugar    em 3 lugar

equipe                   10            6             3
respeito                 5             7             2
amizade                  4             5             2
motivacao                2             3             5
harmonia                 7             1             3
clima                    3             3             4
importante               7             1             1
necessidade              3             3             2
comunicacao              1             3             3
etica                    1             3             2
tolerancia               0             1             3
bom relacionamento       5             0             2
convivencia              0             2             2
cultura organizacional   5             1             1
relacionamento           0             4             2
dedicacao                0             1             3
essencial                4             1             0
lideranca                1             0             3
pouca                    3             1             1
satisfacao               2             2             1
uniao                    4             1             0
responsabilidade         0             0             2

                         Frequencia de                   Ordem
                         evocacao em     Frequencia de   media de
Palavra                  4 lugar         evocacao        evocacao

equipe                   2               21              1,86
respeito                 4               18              2,28
amizade                  4               15              2,40
motivacao                4               14              2,79
harmonia                 2               13              2,00
clima                    1               11              2,27
importante               0               9               1,33
necessidade              1               9               2,11
comunicacao              1               8               2,50
etica                    2               8               2,63
tolerancia               4               8               3,38
bom relacionamento       0               7               1,57
convivencia              3               7               3,14
cultura organizacional   0               7               1,43
relacionamento           1               7               2,57
dedicacao                2               6               3,17
essencial                1               6               1,67
lideranca                2               6               3,00
pouca                    1               6               2,00
satisfacao               1               6               2,17
uniao                    1               6               1,67
responsabilidade         3               5               3,60

                                         203             51,52

Fonte: Dados da Pesquisa, 2010

Tabela 2--Ano de ingresso

Ano de                           Valid     Cumulative
ingresso   Frequency   Percent   Percent   Percent

NS/NR      1           0,76      0,76      0,76
2000.1     1           0,76      0,76      1,52
2001.2     2           1,52      1,52      3,03
2003.2     2           1,52      1,52      4,55
2005.1     2           1,52      1,52      6,06
2005.2     3           2,27      2,27      8,33
2006.1     14          10,61     10,61     18,94
2006.2     19          14,39     14,39     33,33
2007.1     20          15,15     15,15     48,48
2007.2     35          26,52     26,52     75,00
2008.1     6           4,55      4,55      79,55
2008.2     26          19,70     19,70     99,24
2009.1     1           0,76      0,76      100,00

Total      132         100       100

Fonte: Dados da pesquisa, 2010

Tabela 3--Frequencia de evocacao de palavras menos evocadas
relacionadas ao tema

             Frequencia    Frequencia    Frequencia    Frequencia
             de evocacao   de evocacao   de evocacao   de evocacao
Palavra      em 1 lugar    em 2 lugar    em 3 lugar    em 4 lugar

Religiao              1             1             0             1
Crenca                1             1             1             0
paz                   0             0             0             3
pressao               0             0             3             0
deus                  1             1             0             0
fe                    1             1             0             0
medo                  0             0             1             1
buda                  1             0             0             0
Kristna               0             1             0             0
Meditacao             0             1             0             0
ecumenico             0             1             0             0
coercitiva            0             0             1             0
controle              1             0             0             0
disciplina            0             0             0             1
falsidade             0             0             0             1
forca                 0             0             1             0
lei                   0             0             0             1
perigoso              0             0             1             0

                      6             7             8             8

             [suma de (termino)]
               das frequencias     Ordem media
Palavra          de evocacao       de evocacao

Religiao                      3    2,333333333
Crenca                        3              2
paz                           3              4
pressao                       3              3
deus                          2            1,5
fe                            2            1,5
medo                          2            3,5
buda                          1              1
Kristna                       1              2
Meditacao                     1              2
ecumenico                     1              2
coercitiva                    1              3
controle                      1              1
disciplina                    1              4
falsidade                     1              4
forca                         1              3
lei                           1              4
perigoso                      1              3

                             29    46,83333333

Fonte: Dados da pesquisa, 2010

Figura 1--Diagrama de quatro quadrantes

Frequencia media de        9,23   Eixo vertical (valores > 9,23 devem
evocacao                            ser alocados na parte superior)

Media das ordens medias    2,34     Eixo horizontal (valores < 2,34
de evocacao                            devem ser alocados do lado
                                               esquerdo)

Fonte: Dados da pesquisa, 2010

Figura 2--Diagrama de Evocacao

                              Ordem Media de Evocacao

Frequencia de       Equipe, Respeito,          Amizade, Motivacao
Evocacao             Harmonia, Clima
                    (Organizacional),

                Importante, Necessidade,       Comunicacao, Etica,
                   Bom Relacionamento,      Tolerancia, Convivencia,
                 Cultura Organizacional,         Relacionamento
                    Essencial, Pouca,       (interacoes), Dedicacao,
                   Satisfacao, Uniao,              Lideranca,
                                                Responsabilidade

Fonte: Dados da pesquisa, 2010

Figura 3--Palavras mais evocadas pelo sexo feminino

Feminino

Equipe, Respeito, Harmonia           Amizade, Motivacao, Clima

Importante, Necessidade,             Etica, Tolerancia, Convivencia,
Comunicacao, Bom relacionamento,     Relacionamento, Dedicacao,
Cultura Organizacional,              Lideranca, Responsabilidade
Essencial, Pouca, Satisfacao,
uniao

Fonte: Dados da pesquisa, 2010

Figura 4--Palavras mais evocadas pelo sexo masculino

Masculino

Equipe, Respeito, Amizade, Clima,    Motivacao, Tolerancia, Dedicacao,
Importante, Necessidade, Etica,               Responsabilidade
Cultura Organizacional

Harmonia, Bom relacionamento,            Comunicacao, Convivencia,
Essencial, Lideranca, Satisfacao,          Relacionamento, Pouca
Uniao

Fonte: Dados da pesquisa, 2010

Figura 5--Alunos ingressantes

Ingressantes

Equipe, Harmonia, Necessidade,    Clima, Importante, Cultura
Bom relacionamento                Organizacional, Essencial, Pouca,
                                  Satisfacao, Uniao

Respeito, Amizade, Motivacao,     Etica, Tolerancia, Relacionamento,
Comunicacao, Convivencia          Dedicacao, Lideranca,
                                  Responsabilidade

Fonte: Dados da pesquisa, 2010

Figura 6--Alunos concluintes

Concluintes

Equipe, Importante                    Bom relacionamento, Cultura
                                   Organizacional, Essencial, Uniao

Respeito, Amizade, Motivacao,          Comunicacao, Convivencia,
Harmonia, Clima, Necessidade,         Relacionamento, Dedicacao,
Etica, Tolerancia, Satisfacao     Lideranca, Pouca, Responsabilidade

Fonte: Dados da pesquisa, 2010

Figura 7--Alunos que exercem atividade profissional

Atividade

Equipe, Harmonia                    Respeito, Amizade, Motivacao,
                                      Clima, Comunicacao, Etica

Importante, Necessidade, Bom           Tolerancia, Convivencia,
relacionamento, Cultura                 Dedicacao, Lideranca,
Organizacional, Relacionamento,            Responsabilidade
Essencial, Pouca, Satisfacao,
Uniao

Fonte: Dados da pesquisa, 2010

Figura 8--Alunos que nao exercem atividade profissional

Nenhuma atividade

Respeito, Clima, Importante,                 Equipe, Motivacao

Necessidade, Comunicacao, Etica,       Amizade, Harmonia, Tolerancia,
Bom relacionamento, Cultura             Convivencia, Relacionamento,
Organizacional, Dedicacao,              Essencial, Lideranca, Pouca,
Satisfacao, Uniao                             Responsabilidade

Fonte: Dados da pesquisa, 2010
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Article Details
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Author:Ney Matos, Fatima Regina; Ferreira Rolim, Germana; de Araujo Lopes, Katia Lene; Freitas Lopes, Vania
Publication:Revista Eletronica de Ciencia Administrativa
Article Type:Report
Date:Jul 1, 2011
Words:8528
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