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Distribuicao vertical da comunidade fitoplanctonica do Lago Dos Ttigres (Goias, Brasil).

Introdução

Uma grande variedade de trabalhos tem reportado à dinâmica vertical da comunidade fitoplanctônica em lagos tropicais e subtropicais (Garcia de Emiliani, 1990; Reynolds, 1997a; Ibañez, 1998; Melo e Huszar, 2000; Izaguirre et al., 2001; Melo et al., 2004). Para Padisák (2003), inúmeras variáveis ambientais são importantes para a estrutura vertical da comunidade fitoplanctônica (p.e., atenuação e espectro da luz, nutrientes, distribuição vertical do zooplâncton). Para Melo et al. (2004), a distribuição vertical da comunidade fitoplanctônica depende das propriedades de mistura e da movimentação e resistência das populações na coluna d'água (espécies com flagelos ou aerótopos).

No Brasil, a maioria dos trabalhos com gradientes verticais da comunidade fitoplanctônica, em lagos fluviais, encontra-se na região Amazônica e lagoas de inundação do rio Paraná, destacando-se as pesquisas de Melo et al. (2004) e Garcia de Emiliani (1997). Dessa forma, o estudo vertical da comunidade fitoplanctônica, na bacia Tocantins-Araguaia, torna-se pioneiro. É importante ressaltar que o lago estudado foi um lago fluvial do tipo vale bloqueado, e que não há nenhum estudo da distribuição vertical da comunidade fitoplanctônica para esse tipo de lago. Nesse sentido, esse trabalho faz parte de um projeto maior que busca avaliar com abordagem taxonômica, ecológica e sanitária da comunidade de algas (planctônicas e perifíticas) do lago dos Tigres.

Atualmente, inúmeros trabalhos tem abordado o uso de grupos funcionais fitoplanctônicos para caracterizar a dinâmica da comunidade. Os grupos funcionais foram, inicialmente estudados em ambientes temperados, no entanto, tem-se mostrado adequado para ambientes tropicais (Huszar e Reynolds, 1997; Melo e Huszar, 2000; Marinho e Huszar, 2002; Nabout et al., 2006). Os grupos funcionais fitoplanctônicos são grupos de espécies, em geral polifiléticos, que respondem similarmente a um determinado conjunto de condições ambientais (Reynolds, 1997b; Reynolds et al., 2002). Os grupos funcionais tem o objetivo de prever as distribuições e dinâmicas de populações fitoplanctônicas naturais. Atualmente, são descritos 31 grupos funcionais diferentes (Reynolds et al., 2002).

Objetivou-se, nesse trabalho, o reconhecimento temporal e espacial dos padrões verticais de atributos da comunidade fitoplanctônica, detectar os grupos funcionais fitoplanctônicos dominantes e descritivos do sistema e relaciona-los com características limnológicas.

Material e métodos

O lago dos Tigres (Figura 1) é caracterizado como vale bloqueado e está localizado no município de Britânia (Estado de Goiás).

[FIGURE 1 OMITTED]

É originado pelo rio Água Limpa, recebendo dois afluentes (córrego Arco Íris e córrego Luanda) e localiza-se na bacia Tocantins-Araguaia, sendo afluente do rio Vermelho.

As amostras foram coletadas em 2004, durante o período de seca (julho, agosto e setembro) e início de chuva (outubro e novembro). O lago dos Tigres foi amostrado em três Estações (Tabela 1). As coletas foram realizadas a cada metro de profundidade até 30 cm acima do sedimento. A fim de evitar influência do horário da coleta em variáveis ambientais e biológicas, procurou-se sempre fazer as coletas nos mesmos horários, todos os meses. A localização geográfica das estações foi feita por equipamento GPS (modelo Garmin-38).

As características morfométricas do lago (área, perímetro, largura máxima e mínima) foram obtidas a partir de material cartográfico, sensoriamento remoto e ambiente computacional. Para a identificação, mapeamento e obtenção dos parâmetros morfométricos primários (área, comprimento, perímetro), foram utilizadas imagens Cbers, captadas no mês de junho de 2004 (período de seca). Utilizou-se o software Spring para o processamento e tratamento das imagens.

Os dados climáticos (temperatura atmosférica e precipitação pluviométrica) foram obtidos na Estação meteorológica (PCDs), instalada na Fazenda Água Limpa, no município de Britânia, Estado de Goiás. Esses dados foram cedidos pela Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado de Goiás (Sectec)/Simego.

A caracterização limnológica do lago dos Tigres foi baseada em informações físico-químicos da água, medidas na mesma profundidade daquelas das amostragens de algas, em cada estação de coleta. As variáveis determinadas foram: temperatura da água, pH, condutividade elétrica e saturação de oxigênio por meio do multianalisador de água (Horiba, modelo U-21). A profundidade foi determinada por uma trena, enquanto que a transparência da água foi determinada pelo disco de Secchi. A zona eufótica foi calculada como três vezes a profundidade de extinção do disco de Secchi (Cole, 1994).

Nas estações, foram também coletadas amostras de 500 mL de água, em cada profundidade, para análise posterior de nitrogênio total e fósforo total. Estas foram fixadas em campo, com 0,5 mL de ácido sulfúrico absoluto. O procedimento de coleta e processamento laboratorial, adotados para estas variáveis, encontram-se descritos em Carmouze (1994), Mackereth et al. (1978) e Clesceri et al. (1992). As análises de nitrogênio e fósforo foram processadas no Laboratório da Agência Ambiental de Goiás.

Para o estudo quantitativo do fitoplâncton, amostras de 100 mL foram acondicionadas em frascos escuros, fixadas com solução de lugol-acético modificada (Vollenweider, 1974). A densidade do fitoplâncton foi estimada pelo método de Utermöhl (1958), em microscópio invertido Zeiss Axiovert 25 a 450 aumentos, usando-se tempo de sedimentação de, pelo menos, 3h para cada centímetro de altura da câmara (Margalef, 1983). O volume sedimentado por amostra foi de 10 mL.

Foram contados organismos (células, cenóbios, colônias e filamentos) em campos aleatórios (Uhelinger, 1964), até atingir 100 do táxon mais abundante, de modo que o erro da contagem fosse inferior a 20%, com o coeficiente de confiança de 95% (Lund et al., 1958). Quando este procedimento não foi possível, foram contadas as algas de tantos campos aleatórios quantos fossem necessários para estabilizar o número de espécies, isto é, até não ser mais adicionadas espécies por campo (área mínima de compensação).

O biovolume das algas foi estimado, conforme sugerido em Edler (1979) e Hillebrand et al. (1999). Os grupos funcionais fitoplanctônicos foram determinados a partir de espécies que representaram mais de 5% de biovolume de, pelo menos, uma unidade de amostragem (Kruk et al., 2002). Os grupos funcionais foram definidos de acordo com Reynolds (1997b) e Reynolds et al. (2002).

A Anova (fator único) foi utilizada para todas as variáveis abióticas, a fim de detectar se houve alguma diferença entre os períodos amostrais. As variáveis abióticas também foram sintetizadas por análise de componentes principais (ACP) (matriz de correlação). As relações entre os dados abióticos e os dados de biovolume foram analisadas por análise de correspondência canônica (ACC) (Ter Braak, 1986). Deste modo, a variação dos grupos funcionais foi diretamente analisada em função dos dados abióticos. A hipótese nula de ausência de relação entre as matrizes (biótica e abiótica) foi testada pelos procedimentos de Monte Carlo. Para tanto, as linhas da matriz de dados abióticos foram alocadas de modo aleatório, e a ACC foi calculada novamente. O procedimento, como um todo, foi repetido 1.000 vezes.

Os dados de biovolume e os dados abióticos foram previamente transformados (Log(n+1)), excetuando-se o pH. Todos os cálculos foram realizados no programa PC-ORD (McCune e Mefford, 1997).

Resultados e discussão

O lago dos Tigres é um lago do tipo vale bloqueado, sendo formado pela sedimentação que toma lugar quando uma corrente tributária desemboca em um vale aluvial. Esse tipo de lago apresenta morfologia alongada e margens irregulares, posicionando perpendicularmente ao canal principal (Drago, 1976; Kalff, 2002). O lago dos Tigres apresenta área de 50 km2, perímetro de 60,83 km, largura máxima de 1,1 km e mínima de 0,017 km.

Características ambientais

O lago dos Tigres, durante o período de estudo, foi um lago raso, (profundidade média de 2,72 m) e pouco transparente (transparência média de 0,4 m) (Tabela 2). De forma geral, nos meses de seca, a transparência foi maior do que nos meses de início de chuva, provavelmente por causa do escoamento superficial. Com exceção da Estação 3, as demais estações apresentaram os menores valores de zona eufótica no mês de maior precipitação (novembro).

Em geral, a temperatura foi sofrendo acréscimo nos valores de julho para novembro, sendo este último o mês com maiores valores registrados, tanto em superfície quanto em profundidade, evidenciada uma distinção temporal entre os períodos de seca e início de chuva (Figura 2).

A Estação 1, durante todo período de estudo, apresentou perfis isotérmicos, enquanto que as Estações 2 e 3 apresentaram estratificações térmicas, no mês de agosto (Estações 2 e 3) e no mês de novembro (somente Estação 3) (Figura 2).

[FIGURE 2 OMITTED]

As Estações de amostragem 2 e 3 são as mais profundas do lago dos Tigres, sendo sempre superior a 3 m. Segundo Kalff (2002), estratificações em lagoas de inundação, no Brasil, ocorrem em lagos com mais de 3 metros de profundidade. No lago dos Tigres, a Estação 1 não apresentou estratificação térmica e sempre apresentou uma profundidade inferior a 3 m, favorecendo a isotermia. No entanto, nas Estações 2 e 3, observaram-se estratificações térmicas. Dessa forma, o lago dos Tigres, por não apresentar estratificações duradouras, durante o período de estudo, foi categorizado como lago polimítico quente.

De acordo com Henry et al. (1997) a regulação térmica dos lagos está relacionada à climatologia e à morfometria (profundidade máxima). Assim, as Estações 2 e 3, por ser mais profundas, apresentaram um maior período de estratificação térmica. Entretanto, para confirmar a duração dos períodos de estabilidade e circulação, seria necessário o acompanhamento de, pelo menos, um ciclo anual.

A análise de estruturação térmica, em lagoas de inundação do rio Paraná (Thomaz et al., 1992), tem demonstrado que, a partir de cerca de 3 ms, estratificações relativamente duradouras podem ser registradas.

Além de polimítico e quente, o lago dos Tigres apresentou, durante o período de estudo, elevados valores de saturação de oxigênio (supersaturação), pouca variação temporal e espacial da condutividade elétrica, entre os períodos de amostragem, e, ainda, baixos valores de condutividade, sendo registrados maiores valores no mês de outubro. Enquanto que valores de pH tendendo a neutralidade e a baixos valores de nutrientes, sendo que foram registrados maiores valores de nitrogênio e fósforo total nos meses de seca (Tabela 3).

Com o objetivo de sintetizar os dados das variáveis limnológicas, obtidos no lago dos Tigres, e evidenciar a diferença temporal entre os períodos amostrais, foi realizada ordenação pela análise de componentes principais (ACP) (Figura 3).

[FIGURE 3 OMITTED]

[FIGURE 4 OMITTED]

A ordenação de grupos funcionais pela ACC sugere que em grande parte das Estações de amostragem do mês de julho e agosto, as algas dos grupos Lo, Y e N estão correlacionadas com elevados valores de nutrientes. Segundo Reynolds et al. (2002), todos esses grupos são característicos de águas moderadamente enriquecidas. No mês de julho, não foi registrado termoclina, mas no mês de agosto, nas Estações 2 e 3, foram observadas termoclinas, no entanto, nessas estações, ocorreu o predomínio de organismos do grupo funcional Y (fitoflagelados), os quais tem capacidade de migrar na coluna d'água.

Já, para as Estações do mês de setembro, o grupo funcional Sn correlacionou-se negativamente com elevados valores de temperatura da água, e o grupo W1, registrado em algumas estações do mês de setembro (principalmente a Estação 2 com a dominância da espécie Euglena sp.3, na superfície e no fundo), correlacionou-se com elevados valores de saturação de oxigênio e reduzidos valores de nutrientes e condutividade elétrica. Segundo Reynolds et al. (2002), espécies pertencentes ao grupo funcional W1 seriam encontradas em ambientes rasos, com vegetação ou outro aporte de matéria orgânica e com alta demanda de oxigênio dissolvido disponível.

Por fim, na maioria das estações do mês de novembro e algumas estações de amostragem de outubro apresentaram predomínio de algas dos grupos S1 e W2, estes, por sua vez, estiveram correlacionados com elevados valores de temperatura da água. Os meses de outubro e novembro, como evidenciado pela ACC (Figura 5), apresentaram grupos funcionais distintos dos demais meses, talvez pelas alterações limnológicas impostas pelo início do período chuvoso.

[FIGURE 5 OMITTED]

No mês de outubro, as Cyanophyceae filamentosas (grupos funcionais S1 e Sn) devem ter sido favorecidas pela isotermia e baixa transparência, provavelmente, provocadas pela precipitação. As Cyanophyceae são aptas a viver em ambientes com elevada temperatura (Shapiro, 1990), alta turbulência (Ganf, 1983) e baixos teores de luz (Smith, 1986). Entretanto, para o mês de novembro, observou-se a presença de termoclina nas estações de amostragem 2 e 3. Nessas Estações, abaixo da termoclina, notouse aumento de Cyanophyceae filamentosas (grupo funcional S1), enquanto acima da termoclina e algumas, no fundo, houve predomínio de fitoflagelados (Cryptophyceae--grupo funcional Y; Euglenophyceae--grupo funcional W2) e algumas Zygnemaphyceae unicelulares e filamentosas (grupo funcional N e T, respectivamente).

De forma geral, na distribuição vertical, houve uma distinção dos grupos funcionais fitoplanctônicos, entre os períodos de baixa precipitação (julho, agosto e setembro) e os de início da precipitação (outubro e novembro). As espécies C-estrategistas, formadas basicamente por fitoflagelados pertencentes aos grupos funcionais Y, W1, W2 e Lo, foram favorecidas pelas condições deste vale bloqueado, no período de baixa precipitação, pois, nesses períodos, o lago apresentou elevada concentração de nutrientes e saturação de oxigênio.

Já, nos períodos de elevada precipitação, as espécies fitoplanctônicas favorecidas no perfil vertical do lago dos Tigres foram SR-estrategistas, formadas basicamente por espécies filamentosas de maior dimensão linear e pertencente aos grupos funcionais S1, T e N. Essas espécies tem habilidade para minimizar a hebivoria (Olrik, 1994) e foram favorecidas pelo aumento da temperatura da água e diminuição da transparência.

Analisando conjuntamente os dados limnológicos, os de biovolume e os grupos funcionais predominantes, pode-se concluir que, durante o período de estudo, o lago dos Tigres apresentou perfil vertical oligo-mesotrófico, e que o ciclo hidrológico exerce importante influência na estrutura e dinâmica vertical da comunidade fitoplanctônica de um vale bloqueado.

Agradecimentos

Agradecemos à Secretaria de Ciência e Tecnologia de Goiás (Sectec, Estado de Goiás), pelo financiamento do projeto; ao CNPq, pela concessão da bolsa de estudos DTI-G; à J.C.N. (Proc. 507274/2004-0). Agradecemos, ainda, à Agência Ambiental do Estado de Goiás, pelas análises de nutrientes.

Received on December 11, 2006.

Referências

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João Carlos Nabout* e Ina de Souza Nogueira

Departamento de Biologia, Laboratório de Limnologia, Universidade Federal de Goiás, Cx. Postal 131, 74001-970, Goiânia, Goiás Brasil. *Autor para correspondência. E-mail: naboutjc@hotmail.com
Tabela 1. Localização geográfica das estações de amostragem do
lago dos Tigres.

Estação   Localidade               Latitude           Longitude

1         Baía Ilha das Perdidas   15[degré]17'57"S   51[degré]10'07"W
2         Retiro da Fazenda        15[degré]16'17"S   51[degré]09'10"W
            Santo Antônio
3         Cidade de Britânia       15[degré]14'09"S   51[degré]09'27"W

Tabela 2. Profundidade, transparência e zona eufótica das três
estações de amostragem, no lago dos Tigres, em todo o período
de estudo.

Estações                        Julho      Agosto    Setembro

1          Profundidade (m)      2,6        2,08       1,8
           Transparência (m)    0,625      0,435      0,385
           Zona eufótica (m)    1,875      1,305      1,155

2          Profundidade (m)      4,6         5         4,2
           Transparência (m)     0,4       0,475       0,45
           Zona eufótica (m)     1,2       1,425       1,35

3          Profundidade (m)      4,8         4          4
           Transparência (m)    0,425      0,485       0,42
           Zona eufótica (m)    1,275      1,455       1,26

Estações                       Outubro    Novembro

1          Profundidade (m)      1,8        1,8
           Transparência (m)     0,43       0,31
           Zona eufótica (m)     1,29       0,93

2          Profundidade (m)      4,3        4,65
           Transparência (m)    0,415      0,315
           Zona eufótica (m)    1,245      0,945

3          Profundidade (m)      4,1        4,6
           Transparência (m)     0,55       0,45
           Zona eufótica (m)     1,65       1,35

Tabela 3. Média de desvio-padrão (DP) de características
limnológicas do lago dos Tigres, nos cinco meses de amostragem.

                                        Saturação de
                      Condutividade       oxigênio
                     (mS [cm.sup.-1])       (%)          pH

Julho      1 Media        30.00            108.33       7.56
             DP            0.00              2.89       0.75
           2 Media        30.00            114.60       7.07
             DP            0.00              3.78       0.20
           3 Media        30.00            117.40       7.05
             DP            0.00              1.82       0.19

Agosto     1 Media        24.27            143.00       6.86
             DP            3.16              4.58       0.16
           2 Media        24.40            139.80       6.89
             DP            0.55              2.77       0.08
           3 Media        23.40            132.80       6.88
             DP            1.52              4.60       0.07

Setembro   1 Media        27.33            193.00       6.85
             DP            2.52              7.21       0.22
           2 Media        21.80            184.20       6.53
             DP            0.84              1.64       0.09
           3 Media        22.20            178.80       6.77
             DP            3.27              4.92       0.06

Outubro    1 Media        58.50            140.10       8.22
             DP            3.54              4.10       0.39
           2 Media        47.27            139.73       7.83
             DP            7.85              6.57       0.06
           3 Media        32.68            137.98       7.36
             DP            1.70              2.47       0.15

Novembro   1 Media        30.33            156.23       7.25
             DP            4.04              1.94       0.23
           2 Media        27.20            165.16       6.97
             DP            0.45             11.77       0.26
           3 Media        26.00            154.60       6.91
             DP            0.00              4.22       0.12

                       Nitrogênio          Fósforo
                          total             total
                     (mg [L.sup.-1])   (mg [L.sup.-1])

Julho      1 Media       160.00             10.00
             DP          101.49              5.00
           2 Media       162.00             42.00
             DP           20.49             10.95
           3 Media       136.00             96.00
             DP           41.59             37.82

Agosto     1 Media        63.33             13.33
             DP           58.59              5.77
           2 Media       104.00             32.00
             DP           51.77             13.04
           3 Media       158.00             64.00
             DP          115.84             44.50

Setembro   1 Media        96.67             10.00
             DP          117.19              0.00
           2 Media        82.00             28.00
             DP          104.74             16.43
           3 Media       142.00             70.00
             DP           61.40             31.62

Outubro    1 Media        75.00             12.50
             DP           70.71              3.54
           2 Media       115.00             73.33
             DP           80.47             46.19
           3 Media       150.00             28.00
             DP           78.34             24.65

Novembro   1 Media        93.33             10.67
             DP           20.82              3.06
           2 Media        84.00             28.80
             DP           62.29             23.45
           3 Media       125.80             51.00
             DP           45.81             25.59

Tabela 4. Contribuição relativa (%) para o biovolume total dos
principais grupos funcionais fitoplanctônicos (negrito) para
cada estação de amostragem. As letras indicam a profundidade da
amostragem, aumentando 1 metro gradativamente até 30 cm acima
do sedimento.

Julho

1A    Cryptomonas spp. - Y (20%)
1B    Euglena sp.1- W1 (49%)
1C    Peridinium sp.1 - Lo (22%)

Agosto

1A    Cryptomonas spp. - Y (33%) e Trachelomonas
        volvocinopsis - W2 (31%)
1B    Euglena sp.1 - W1 (81%)
1C    Cryptomonas spp. - Y (39%) e Trachelomonas
      volvocina - W2 (28%)

Setembro

1A    Cryptomonas spp. - Y (46%)
1B    Cryptomonas spp. - Y (47%)
1C    Cryptomonas spp. -Y (32%)

Outubro

1A    Haplotaenium minutum - N (36%) e Pseudoanabaenaceae - S1 (25%)
1B    N.C.
1C    Cryptomonas spp. - Y (29%) e Oscillatoria sp.1 - S (28%)

Novembro

1A    Trachelomonas sp.4 - W2 (21%) e Cryptomonas spp. - Y (18%)
1B    Cryptomonas spp. - Y (42%) e Euglena sp.3 - W1 (19%)
1C    Cryptomonas spp. - Y (35%) e Strombomonas verrucosa - W2 (16%)

Julho

2A    Cryptomonas spp. - Y (58%)
2B    Cryptomonas spp. - Y (34%)
2C    Trachelomonas volvocinopsis - W2 (27%) e
        Cryptomonas spp. - Y (24%)
2D    Cryptomonas spp. - Y (41%)
2E    Cryptomonas spp. - Y (25%) e Tabelaria sp1 - N (21%)

Agosto

2A    Cryptomonas spp. - Y (59%)
2B    Haplotaenium minutum - N (47%) e
        Cryptomonas spp. - Y (21%)
2C    Cryptomonas spp. - Y (72%)
2D    Cryptomonas spp. - Y (58%)
2E    Cryptomonas spp. - Y (69%)

Setembro

2A    Euglem sp.3 W1 (82%)
2B    Peridinium umbonatum - Lo (24%) e
        Cryptomonas spp. - Y (17%)
2C    Peridinium umbonatum - Lo (28%)
2D    Cryptomonas spp. - Y (28%)
2E    Euglena sp.3 W1 (88%)

Outubro

2A    Cryptomonas spp. - Y (29%) e Oscillatoria sp.2 - S (25%)
2B    Pseudoanabaenaceae - S1 (51%) e Cryptomonas spp. - Y (13%)
2C    Euglena acus - W1 (31%)
2D    N.C.
2E    N.C.

Novembro

2A    Cryptomonas spp. - Y (53%)
2B    Cosmarium sp.3 - N (42%)
2C    Cryptomonas spp. - Y (37%)
2D    Cosmarium obtusatum e C. sp4 - N (36%) e
        Pseudoanabaenaceae - S1 (30%)
2E    Pseudoanabaenaceae - S1 (39%) e Cryptomonas spp. - Y (29%)

Julho

3A    Peridinium umbonatum - Lo (38%) e Cryptomonas spp. - Y (32%)
3B    Cryptomonas spp. - Y (62%)
3C    Euglena sp.1- W1 (59%)
3D    Cryptomonas spp. - Y (31%)
3E    Cryptomonas spp. - Y (37%)

Agosto

3A    Cryptomonas spp. - Y (65%)
3B    Cryptomonas spp. - Y (49%)
3C    Cryptomonas spp. - Y (52%)
3D    Peridinium wisconsenensis - Lo (23%)
3E    Cryptomonas spp. - Y (41%) e Peridinium umbonatum - Lo (22%)

Setembro

3A    Haplotaenium minutum - N (30%)
        Desmatrachtum - G (16%) e Cryptomonas spp. - Y (12%)
3B    Oscillatoria sp.1 - S (28%) e Cryptomonas spp. - Y (27%)
3C    Oscillatoria sp.1 e sp.2 - S (17%)
3D    Cryptomonas spp. - Y (26%) e Oscillatoria sp.1 e sp.2 - Sn (19%)
3E    Cosmarium sp.3 - N (27%)

Outubro

3A    Pseudoanabaenaceae - S1 (57%)
3B    Pseudoanabaenaceae - S1 (55%)
3C    Golenkinia pauscispina - J (41%)
3D    Pseudoanabaenaceae - S1 (60%)
3E    Pseudoanabaenaceae - S1 (32%)

Novembro

3A    Cryptomonas spp. - Y (19%) e Peridinium umbonatum - T (18%)
3B    Cosmarium sp.3 - N (28%) e Pleuratenium minutum - T (27%)
3C    Haplotaenium minutum - N (28%)
3D    Pseudoanabaenaceae - S1 (66%)
3E    Cryptomonas spp. - Y (33%)

Obs.: N.C. - amostra não-coletada; Cryptomonas spp. - todas as
espécies do gênero Cryptomonas que ocorreram no respectivo ponto
amostral.
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Title Annotation:texto en portugués
Author:Nabout, João Carlos; de Souza Nogueira, Ina
Publication:Acta Scientiarum Biological Sciences (UEM)
Date:Jan 1, 2008
Words:4895
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