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Dissonancia critica e solidaria: a contribuicao das midias populares ao processo de mudanca social/Critical and solidary dissonance: the contribution of popular media to the process of social change/Disonancia critica y solidaria: la contribucion de los medios populares al proceso de cambio social.

1. Introducao: O poder da informacao

Existe uma crenca generalizada, entre comunicadores populares, de que o acesso e a producao de informacao cumprem um papel central no processo de emancipacao cidada e inclusao social plena. Em suas palavras, alguem que recebe e/ou produz informacao qualificada, que tende a ser diversa, e se apropria dela, pode desenvolver reflexoes sobre si mesmo, sobre seu lugar no mundo, sobre os outros e sobre o mundo. Esta reflexao e parte dos resultados de uma serie de entrevistas, realizadas de 2013 a 2016, com 55 comunicadores em posicao de lideranca em 29 iniciativas de midia popular associadas a 17 diferentes movimentos sociais, ONGs e associacoes comunitarias no Brasil.

Segundo esses comunicadores, a apropriacao de canais de comunicacao e apenas um dos aspectos do desafio de incluir mais vozes no debate publico. A ruptura digital oferece uma promessa de mudanca, ainda que limitada por desigualdades e assimetrias politicas (autor/a), assim como pelo surgimento de um capitalismo comunicativo, marcado por uma inclusao massiva de vozes que pode produzir uma enganosa fantasia de participacao (Dean, 2005). Mas, se a inclusao massiva de multiplas vozes--e das perspectivas sociais de que elas sao feitas--nao e suficiente para consolidar a justica democratica plena (Fraser, 2010), essa ampliacao pode ser tomada como o ponto de partida da mudanca social. Ela permite, entre outras coisas, criar e reverberar dissonancia, um ruido que questiona consensos estabelecidos e abre o caminho para possiveis transformacoes.

Este artigo esta organizado em seis secoes. O conceito de dissonancia sera apresentado na segunda secao, que antecede a apresentacao dos casos estudados que sustentam o argumento sobre o papel da dissonancia no processo de mudanca social. A seguir, a quarta secao discute como midias populares no Brasil estao produzindo dissonancia e a quinta secao propoe sua conceituacao em duas categorias analiticas, decorrentes da observacao dos casos, que sao a dissonancia critica e a dissonancia solidaria. As conclusoes sao apresentadas na sexta e ultima secao.

2. O conceito de dissonancia

O cientista politico brasileiro Luis Felipe Miguel (2014) usa o termo "polifonia" para descrever uma situacao em que o debate publico incluiria e levaria em consideracao perspectivas atualmente ausentes dos processos de tomada de decisao. Nessa "versao multiculturalista" da esfera publica habermasiana, "a propria inclusao produziria a legitimidade das decisoes e da justica" (idem, p.216). Em contraponto, o conceito de capitalismo comunicativo, como descrito por Jodi Dean (2005), recusa essa logica argumentando que e exatamente a ilusao de inclusao, baseada na ampliacao da circulacao da informacao--que ela define melhor como a fantasia da participacao--, o que esta perecendo nas democracias contemporaneas. Nesse sentido, a simples inclusao nao melhora a qualidade da deliberacao, porque nao significa necessariamente reconhecimento e integracao de vozes marginais, como sugere a cientista politica e feminista estadunidense Iris Marion Young (2000).

Em seus recentes escritos, o teorico alemao Jurgen Habermas considera a inclusao das massas na esfera publica como um mecanismo de regulacao da estrutura de poder. E, embora o autor mantenha sua confianca no "potencial de vinculacao observavel a verdade na deliberacao politica", como um recurso para "gerar legitimidade por meio de um procedimento de opiniao e formacao de vontades" (Habermas, 2006, p.413), ele aponta igualmente suas fragilidades. Para Habermas, os paises ocidentais contemporaneos exibem um volume crescente de comunicacao politica, que, porem, nao se referem diretamente a caracteristicas de deliberacao, como interacao entre participantes, decisao coletiva ou intercambio igualitario de reivindicacoes e opinioes.

Reconhecendo os limites do modelo deliberativo, bem como o carater historico e conflitivo da democracia - em oposicao ao carater consensual proprio do modelo proposto por Habermas--, Miguel recupera a ideia de polifonia em seu carater processual. A incorporacao de vozes marginalizadas nao e, portanto, o ponto de chegada, mas o de partida, e esse momento e melhor definido como dissonancia.
O ideal habermasiano de consenso esclarecido e uma especie de canto
monodico; acrescentado da exigencia de incorporacao das multiplas
perspectivas sociais, torna-se a polifonia referida antes. Mas essa
polifonia, enquanto resultado harmonioso da convivencia entre
diferentes melodias, tambem exigiria a compatibilizacao (embora nao
uniformizacao) dos varios conhecimentos sociais situados, que se
comunicam uns aos outros por meio do debate racional. Uma consciencia
mais aguda das limitacoes impostas pela estrutura do campo a presenca
dos discursos dominados permite entender que, antes de participantes do
arranjo polifonico, a eles cabe o papel de ruido, de dissonancia
(Miguel, 2014: 223).


O psicossociologo estadunidense Leon Festinger desenvolveu a teoria da dissonancia cognitiva, segundo a qual "dois itens de informacao que psicologicamente nao se encaixam sao ditos como em relacao dissonante entre si" (Festinger, 1962: 93). O autor aplica seu conceito na observacao da evolucao do comportamento humano. Para ele, as pessoas buscam consistencia entre suas acoes e seus pensamentos (ou declaracoes) e, toda vez que se confrontam com uma informacao dissonante, se abre uma oportunidade para mudar opinioes e crencas.

A definicao de Festinger e interessante porque destaca a possibilidade de mudanca proveniente de insumos informacionais, o que e consistente com a perspectiva dos comunicadores populares.

A descricao dos casos que ele observou, no entanto, sugere que essa mudanca e direcionada a uma acomodacao, ou seja, a eliminacao da dissonancia para aproximar novas ideias de estruturas antigas e seguras de acao e pensamento. Analisar a midia popular sob o conceito de dissonancia acentua os desafios enfrentados neste campo, considerando que o objetivo dessas midias e a quebra de consistencia, num contexto em que as audiencias, como entende Festinger, naturalmente buscam a estabilidade e a seguranca. Essas midias, na verdade, propoem a reconfiguracao da consistencia ou mesmo a substituicao por uma nova consistencia, o que sugere um tipo de dinamica que vai alem do nivel informacional, como reflete Fabio, comunicador da Rede Mocoronga, na Amazonia brasileira.
Uma vez, a gente tinha uma ilusao, um sonho de que, se a gente
conseguisse fazer um video ou uma novela, alguma coisa assim, que a
gente ia passar no horario da novela, e todo mundo ia conseguir
assistir nosso video e nao ia querer ver a novela. O video da TV
Mocoronga. Deu certo uma unica vez. Mas pelo menos voce passa outro
video, em outra hora, e o pessoal se liga tambem. Eu acho que e
dificil, mas voce vai criando essas bolhas de novas formas de pensar as
coisas que, depois, uma hora, cai uma chuva, um temporalzinho, pra
baguncar a normalidade (2015).


A diferenca entre a ilusao de inclusao--ou ilusao de participacao, segundo Dean - e uma inclusao de fato e que esta ultima nao serviria para confirmar a narrativa dominante naturalizada. Ela serviria, ao contrario, para romper a consistencia da dominacao. A inclusao de fato contribui para constituir a democracia "como uma forma de governo com conteudo" (Miguel, 2014, p.96), marcado por disputas permanentes de interesses. Segundo Miguel, a dissonancia e o ruido que empurra os limites do habitus estabelecido, em referencia ao conceito de Pierre Bourdieu (idem: 223). Nesse sentido, a importancia da dissonancia e abrir o caminho para a mudanca por meio da introducao de significados alternativos e marginais dentro de um processo continuo de tensao entre as formas de exclusao estabelecidas e as forcas que lutam pela pluralidade de perspectivas. Esta reflexao reconhece a importancia de mudar visoes de mundo como uma maneira de obter mudanca social, como a maioria dos comunicadores populares defende.

3. Metodologia

Este artigo apresenta parte dos resultados de uma pesquisa de doutorado que envolveu um trabalho de campo composto por multiplos casos (Hannerz, 2003), fundamentado em entrevistas com 55 comunicadores e observacao de 29 iniciativas de midia popular vinculadas a 17 diferentes grupos sociais situados em seis estados do Brasil--Parana, Sao Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Ceara e Para. A lista completa de estudos de casofigura na Tabela 1. As experiencias selecionadas combinam caracteristicas comuns, que lhes dao unidade, e caracteristicas especificas, que conferem diversidade ao conjunto (Patton, 1990).

No que se refere a unidade, os estudos de caso compartilham tres principais caracteristicas. Primeiro, eles sao todos ligados a lutas sociais, incluidos ou associados com estrategias mais amplas de movimentos sociais, ONGs ou associacoes comunitarias ativas na busca de uma transformacao particular ou geral nas condicoes de vida de uma populacao especifica. Segundo, todas as midias se situam em condicao de periferia, o que pode representar uma situacao geografica periferica ou uma marginalizacao moral e simbolica dos grupos sociais referidos. Finalmente, todas as midias da amostra sao de longa duracao, o que significa concretamente que sao plataformas criadas para acompanhar as lutas sociais na sua continuidade, em oposicao a plataformas criadas especificamente para mobilizacao ou divulgacao de eventos especificos. No que se refere a diversidade, as caracteristicas especificas se referem a regiao geografica; a condicao socioeconomica do contexto em que a midia esta situada; ao tipo de plataforma tecnologica utilizada; e ao tipo de vinculo institucional.

A pesquisa utilizou, predominantemente, uma abordagem indutiva, a partir de entrevistas compreensivas (Kaufmann, 1996) e analise qualitativa de dados. Observar o que as iniciativas tem em comum e o que e especifico permitiu uma observacao critica dos padroes mais amplos (sociais, institucionais e politicos) nos quais elas funcionam, seguindo a logica dos trabalhos com multiplos casos. Para Ulf Hannerz, "o que as atuais pesquisas multi-locais tem em comum e que elas se baseiam em algum problema, alguma formulacao de um topico, que e significativamente trans-local, para nao ficar confinado dentro de um lugar unico" (Hannerz, 2003: 206). A combinacao entre elementos de unidade e de diversidade teve como objetivo dar consistencia a analise de caracteristicas comuns encontradas nos casos e, a partir delas, desenvolver reflexoes mais generalizadas sobre a evolucao do campo da comunicacao e midia popular no Brasil. O conceito de dissonancia e, exatamente, um dos elementos comuns que emergiram desse exercicio.

A abordagem aos casos foi feita, principalmente, durante tres visitas de campo, em outubro-novembro/2013, abril-maio/2014 e outubro-dezembro/2015. As midias foram organizadas em tres grupos, como casos principais, intermediarios e secundarios. Os casos principais foram abordados mais de uma vez. Os demais cumpriram papeis diferentes no processo de saturacao dos dados levantados no decorrer da pesquisa. Todos os casos foram acompanhados durante todo o decorrer da pesquisa, por meio de suas atividades em redes sociais, para acompanhamento da evolucao de suas estrategias e posicionamentos.

4. Produzindo dissonancia por meio das midias populares

De acordo com os resultados desta pesquisa, existem dois aspectos fundamentais a considerar sobre como a ideia de dissonancia esta presente na midia popular. O primeiro e que, embora tenha sido fortalecida no contexto da ruptura digital, a dissonancia ja era parte dessas praticas e de seus principios desde suas origens. Cicilia Peruzzo (1998) define a comunicacao popular como o "espaco de expressao democratica", caracterizada pelo surgimento de novos canais, em que grupos sociais marginalizados podem expor suas ideias e reivindicacoes, fundamentadas em informacoes construidas das bases, em processos de participacao (idem: 126). A comunicacao popular "participa da manifestacao do conflito entre as classes sociais nos campos dos interesses e da hegemonia" (idem).

O segundo aspecto e que a ideia de dissonancia e expressa por comunicadores populares sob uma grande variedade de entendimentos e aplicacoes. Essa variedade esta associada aos objetivos da midia popular e com o tipo de mudanca que eles acreditam que sao capazes--e querem--produzir na sociedade.

Neste ponto, e importante fazer uma distincao entre informacoes alternativas e dissonantes. Todas as producoes populares de midia podem ser consideradas alternativas em alguma medida, pois elas representam concretamente uma visao alternativa aos fatos, provenientes de uma estrutura diferente de propriedade da midia e de diferentes opcoes e abordagens editoriais. No entanto, o adjetivo "alternativa" nunca foi suficiente para classificar praticas de midia provenientes dos setores marginais e a literatura e abundante em derivacoes como "midia cidada alternativa", como no trabalho de Clemencia Rodriguez (2001), referindo-se as suas raizes em empreendimentos nao-comerciais e nao-governamentais, ou "midia radical alternativa", destacando seu carater de abordagens editoriais contenciosas, tal como aparece no trabalho de John Downing (2001; 2016). Essas definicoes colocam a acao politica e a agencia social no centro do processo (Rodriguez, Ferron, & Shamas, 2014; Peruzzo, 2008).

A ruptura digital complexificou essa situacao. Ela ofuscou as fronteiras entre os meios de comunicacao de massa e as chamadas midias alternativas, o que significa que grupos marginais adquiriram melhor e mais amplo acesso a tecnologias antes exclusivas de atores corporativos, alcancando o potencial de atingir audiencias massivas. No entanto, mesmo quando as iniciativas de midia popular podem incorporar modelos e atingir grandes audiencias como a midia tradicional faz, ainda ha uma distincao importante entre informacoes alternativas e dissonantes.

A ruptura digital tornou abundante a informacao alternativa, algo que pode contribuir para a consolidacao do chamado capitalismo comunicativo, alimentado pelo fluxo de circulacao da informacao, como definido por Jodi Dean (2005). Neste sentido, eu destaco o carater perturbador da dissonancia como fator de mudanca (Festinger, 1962) como o ponto principal de distincao entre informacao alternativa e informacao dissonante. Seguindo essa logica, a informacao dissonante tem um componente natural de conflito.

A filosofa britanica Onora O'Neill faz uma distincao entre conteudo informativo e acao comunicativa (2009), que dialoga com a perspectiva critica inerente ao conceito de capitalismo comunicativo. Para ela, "a liberdade de expressao pode ser uma abordagem perversamente incompleta dos requisitos eticos nos atos de fala" (O'Neill, 2009, p.176). Enquanto os processos coletivos devem ser tomados como prioridade ao falar sobre participacao de fato, O'Neill aponta para a reciprocidade, ou pelo menos a escuta, como requisito para falar sobre uma comunicacao de fato. Autores e atores sociais que defendem a comunicacao como um direito humano seguem o mesmo caminho, argumentando que os processos comunicativos devem incluir tanto o direito de expressar ideias quanto o direito de ser ouvido com respeito (O Siochru, 2016; Peruzzo, 2016).

A particularidade da informacao alternativa que pode ser classificada como dissonante e que ela tem um proposito claro de romper a consistencia (Festinger, 1962). Trata-se de uma comunicacao que busca constituir uma nova consistencia que inclui a perspectiva de grupos marginais. Ela pode ser caracterizada, portanto, como uma dissonancia no conteudo (qual consistencia?) e no formato (consistencia construida por quem?).

Segundo os resultados da presente pesquisa, existe, no entanto, uma tipologia de dissonancia que pode ser desenvolvida tomando como referencia a midia popular. Considerando estes parametros, ela pode ser classificada como dissonancia critica e dissonancia solidaria.

Como mencionado anteriormente, a ruptura digital e o processo de midiatizacao em geral desempenham um papel importante em relacao a dissonancia. Eles produzem, por um lado, um ponto de ruptura na ideia do jornalismo--e seus padroes - como a unica fonte legitima de informacao. Por outro lado, eles colocam processos de midia no centro da organizacao social. Outras fontes de informacao comecam a integrar o sistema, melhorando as condicoes de liberdade de expressao, dando lugar ao que pode ser chamado de ecologia da informacao (Nardi e O'Day, 2000). Esse processo pode ser melhor associado ao que eu defino como "dissonancia critica". Como sera discutido a seguir, a dissonancia critica e importante para tornar o debate publico mais plural.

Complementarmente, lutando contra os padroes do capitalismo comunicativo (Dean, 2005), as midias populares acrescentam ao processo de midiatizacao a relevancia da acao comunicativa (O'Neill, 2009). Nessas dinamicas, o conteudo informacional esta a servico da acao comunicativa, pois o elemento central e o dialogo que produz informacao e o dialogo desencadeado por ela. Cria-se, portanto, espaco para uma ecologia do conhecimento (Sousa Santos, 2007), porque o mais importante nao e o aumento da circulacao de informacoes produzidas por todos os cidadaos, mas o processo de constituicao de significados (Hall, 2013) que se realiza por meio do conflito. O conceito de dissonancia solidaria esta associado a esse processo, destacando a coexistencia entre diferentes formas de ser e perspectivas, e a superacao de processos cognitivos. Esta categoria tambem sera desenvolvido mais adiante.

5. Dissonancia critica

A possibilidade de utilizar plataformas virtuais para difundir, de forma ampla e irrestrita, conteudos que, antes, circulariam exclusivamente em territorios de movimentos sociais ou comunitarios, aumenta as oportunidades de atingir publicos mais variados, mesmo por meio da midia convencional. Existe, no entanto, uma particularidade interessante nessa tendencia. Em sua conceituacao de um movimento de midia, Silvio Waisbord descreve sua terceira categoria, que ele chama de Civic Media Advocacy, como um movimento que segue predominantemente as regras institucionais da midia tradicional (Waisbord, 2008, p.110) (1). Isso significa que os atores sociais basicamente assimilam as normas do que e noticia para produzir conteudo que possa ser absorvido pelos meios de comunicacao tradicionais.

A interferencia causada pela ampliacao da visibilidade, permitida pelas plataformas virtuais, quebra esse padrao, pois e a linguagem propria dos atores sociais que e reverberada. E o que Lenon, comunicador vinculado ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), chamou de desenvolver e difundir sua propria narrativa durante uma serie de conversas que tivemos em outubro de 2015. Segundo ele, uma das premissas dessa acao e "construir narrativas antes que as midias de massa facam isso". Lenon da um exemplo:
Foi durante a discussao sobre o eucalipto transgenico no Brasil no
ambito do CTBio. Mulheres integrantes do MST de Sao Paulo ocuparam um
predio da Suzano e destruiram todo o viveiro de eucaliptos
transgenicos, e nos fizemos um video com a nossa narrativa. (...)
Quando a Globo chegou, nos nem estavamos mais la. No Jornal Nacional,
anunciaram que as mulheres do MST haviam invadido e destruido um
viveiro de plantas de especies transgenicas. (...) Enquanto ele [o
jornalista] esta falando, as imagens mostram as nossas mensagens de
agitacao e propaganda: 'transgenico = veneno = morte'. Esta e a nossa
narrativa, confrontando o que ele esta dizendo (Lenon, 2015).


Para Lenon, o resultado mais importante desse tipo de acao e a possibilidade de gerar controversias, que tambem podem ser descritas como dissonancia. Na mesma medida em que a midia tradicional expoe suas narrativas, o publico pode ter a opcao de contrastar as diferentes informacoes fornecidas. Ele reconhece o risco de edicoes enviesadas que podem ser feitas pela grande tradicional, mas as considera ainda como uma vantagem e equipara esse risco com os presentes nas ocupacoes feitas pelo movimento. "Eles vao falar coisas ruins sobre nos de qualquer maneira. (... ) Sabemos que ocupar terras e perigoso e incerto, mas nos as ocupamos", conclui. A logica de midia poderia, portanto, ser entendida como esse espirito de aproveitar os novos canais para fornecer e contrastar informacoes. Como na conceituacao do sociologo belga Geoffrey Pleyers sobre "a via da razao", a dissonancia critica e o contra-poder que "extrai sua forca do apoio da opiniao publica resultante da exposicao na midia" (Pleyers, 2010: 122).

Sob o conceito de dissonancia critica, a controversia ou a informacao contrastante tornam-se parte de um processo complexo de mudanca baseado na luta em torno dos significados (Hall, 2013). Os comunicadores populares defendem o direito e a necessidade da apropriacao de canais e logicas midiaticas por causa da centralidade destas ultimas no sistema representacional. Essa perspectiva reforca que eles estao buscando mais do que liberdade de expressao. Quanto mais eles conseguem abrir oportunidades de dialogo, maior e a possibilidade de interferir nos significados compartilhados que orientam a interpretacao do mundo e a organizacao das sociedades.

A dissonancia critica e, portanto, baseada em uma especie de ecologia da informacao, no sentido definido pelas antropolocas estadunidenses Bonnie A. Nardi e Vicki L. O'Day. Elas descrevem essa ecologia como "um sistema de pessoas, praticas, valores e tecnologias em um determinado ambiente local" (Nardi e O'Day, 2000). De acordo com esse conceito, a tecnologia e a plataforma de onde cada pratica humana e desenvolvida, em constante evolucao, muito influenciada por insumos locais.

Considerando a midiatizacao como um metaprocesso comunicacional que e produzido e simultaneamente produz processos de midia (Krotz & Hepp, 2011), a midia e observada alem dos instrumentos tecnologicos; ela se constitui como uma arena de lutas. Seguindo essa logica, a disponibilidade e a diversidade de informacoes sao os aspectos que mais contam para fundamentar e orientar processos democraticos. No contexto da dissonancia critica, a paridade de participacao (Fraser, 2010) e alcancada pela composicao de um sistema em que a informacao e produzida e difundida por diferentes atores que disfrutam, individualmente, do mesmo nivel de credibilidade e reconhecimento. Assim como cada tipo de tecnologia faz sentido de acordo com o contexto em que e aplicada, cada meio de comunicacao tem sua importancia porque integra um processo de definicao de enquadramentos, que orienta a constituicao e a transformacao permanente da ordem social.

Dissonancia solidaria

Em Nova Olinda, Ceara, o comunicador Aecio me disse, durante uma visita de campo de outubro de 2013, que quando eles comecaram a operar a televisao comunitaria da Fundacao Casa Grande, atirngiram imediatamente um enorme sucesso. Segundo ele, "as pessoas comecaram a se ver". O jornal Voz do Lapenna, em Sao Miguel Paulista, na cidade de Sao Paulo, estava em processo de transformacao em 2014, no momento da visita de campo. A comunicadora Katia explicou que, num dado momento, a equipe decidiu transformar a publicacao em uma fonte de educacao e elucidacao sobre politicas publicas, direitos e outras informacoes importantes para a comunidade. Ela relatou uma reacao imediata do publico do jornal.
As pessoas comecaram a reclamar porque nao se viam mais no jornal.
Entao, comecamos a pensar em solucoes para responder a essa demanda. As
pessoas gostam do jornal, querem recebe-lo. Nos constatamos isso quando
saimos para distribui-lo pelas ruas--porque ele e distribuido
manualmente--e a pilha de jornais desaparece antes de chegarmos ao fim
da rua. As pessoas se sentem representadas, aprendem, mas querem se
ver. O jornal e mais legitimo quanto mais fazemos com os moradores e
nao para eles (Katia, jornalista do Nucleo de Comunicacao Comunitaria
Sao Miguel no Ar, 2014--grifo meu).


A dissonancia solidaria tambem diz respeito a disponibilidade e diversidade de informacoes como premissa para a justica democratica. Mas a principal preocupacao, nesta categoria, e o reconhecimento dos informantes como quem eles/elas sao, como iguais na plenitude de sua diferenca. A antropologa servia Jelena Vasiljevic discute em que medida a solidariedade pode ter um carater politico (Vasiljevic, 2016). Ela recupera abordagens que estabelecem a solidariedade como um ato que ocorre entre atores com objetivos semelhantes, em paralelo a outras mais recentes, que apresentam a solidariedade como uma compensacao para aliviar as consequencias das formas de governanca capitalistas e neoliberais. Nenhuma dessas concepcoes carrega um carater transformador. Estabelecendo uma distincao entre solidariedade e caridade, Vasiljevic defende uma compreensao da solidariedade como uma acao social que implica um principio de igualdade, que implica o reconhecimento dos outros como iguais e/ou o reconhecimento de seus direitos independentemente das diferencas identificadas.

Seguindo essa ideia, na dissonancia solidaria, a preocupacao e preservar e destacar a diversidade de identidades e experiencias, gerando reciprocidade e solidariedade entre os diferentes. E a coexistencia de melodias, mencionada na ideia de polifonia de Miguel (2014). Os comunicadores populares insistem na importancia de estabelecer uma situacao de simetria estatutaria entre os cidadaos, apesar dos lugares onde moram, de sua cultura ou de suas origens. Nesse sentido, a coexistencia precede a informacao. Todas as vozes importam porque todos os seres sao importantes.

Para tornar a dissonancia util para a mudanca social, e necessario ir alem do pensamento critico; e preciso existir acao comunicativa alem do conteudo informacional, deve haver solidariedade como engajamento com o interlocutor. A associacao entre solidariedade e dissonancia pode representar um paradoxo, mas a primeira e necessaria para reconhecer as situacoes injustas representadas na informacao dissonante e para impulsionar a mudanca. Dean inicia uma de suas reflexoes sobre o capitalismo comunicativo perguntando por que o grande volume disponivel informacoes nao e suficiente para desencadear algumas transformacoes (Dean, 2005). A falta de solidariedade pode ser a resposta.

Nesse sentido, e relevante recuperar o conceito de mobilidade significativa desenvolvido pela antropologa de midia britanica Jo Tacchi (2014), particularmente em sua dimensao de determinismo cognitivo. Ela destaca o papel dessa dimensao no trabalho de pesquisadores que estudam o uso de tecnologias em projetos de desenvolvimento, desafiando a forma como as questoes e categorias analiticas sao enquadradas, assim como as reflexoes decorrrentes desses quadros. No contexto da dissonancia solidaria, o determinismo cognitivo e tambem uma dimensao importante, na medida em que os comunicadores populares reivindicam a construcao de outros significados para os grupos e mobilizacoes sociais, o que exige quadros editoriais renovados que vao alem dos tradicionais valores informacionais. A dissonancia solidaria deve produzir mais do que informacao, destacando e valorizando a construcao de conhecimentos.

Esta perspectiva pode ser analisada sob duas reflexoes complementares. A primeira se associa ao trabalho desenvolvido pelo sociologo portugues, Boaventura de Sousa Santos, sobre as linhas abissais como um sistema de distincoes visiveis e invisiveis (Sousa, 2007). A segunda se refere ao conceito de interculturalidade do filosofo cubano Raul Fornet-Betancourt, em que o saber e considerado mais importante do que o conhecimento e, consequentemente, do que a acumulacao ou circulacao de informacao (Fornet-Betancourt, 2001). Em ambas abordagens, ha uma referencia sobre a coexistencia.

Uma linha abissal divide a realidade do mundo entre as ideias construidas de existente e inexistente. O inexistente torna-se invisivel, e excluido por nao seguir as regras do existente, do regulado, do normalizado. Sousa Santos argumenta que nao ha possibilidade de "co-presenca" enquanto se estabelecem linhas abissais, porque o outro nao pode ser incluido e, portanto, "nao ha possibilidade de solidariedade" (Sousa Santos, 2017). Para ele, a intervencao estrangeira e as elites locais sao os dois principais agentes que transformam essa pratica em um ciclo, em que as fronteiras sao constantemente renovadas ou criadas para manter o desequilibrio (idem). Eles tambem trabalham para manter as linhas invisiveis, de modo que as distincoes sejam consideradas naturais.

A critica a esse modelo epistemologico excludente tambem esta no centro do conceito de filosofia intercultural, formulada por Raul Fornet-Betancourt. Para ele, o conhecimento intercultural "contribui para descobrir que a universalizacao nao significa a expansao da tradicao, mas principalmente o dialogo com o dos outros" (Poche, 2001: 6). Tratam-se de contradicoes e conflitos, de ver o outro como autor e nao apenas como objeto de narrativas autorizadas. A dissonancia solidaria desafia a dominacao por um unico modelo de racionalidade e o julgamento de diferentes tipos de conhecimento a partir de uma unica visao de mundo.

O conceito de dissonancia solidaria recupera a importancia das perspectivas sociais e, portanto, da posicao do falante no debate publico. Dentro dela, dar voz nao e suficiente, porque a uniformizacao do debate deliberativo se concentra na formacao do consenso e nao da lugar a solidariedade. Coexistir e reconhecer a diferenca e ate mesmo a fragilidade do outro e, no entanto, tomar suas experiencias e pensamentos como validos para o debate e para a organizacao da sociedade.

Fornet-Betancourt fala de uma polifonia cultural que obriga a reconsiderar evidencias do passado, do presente e do futuro, levando em consideracao outras formas de sabedoria. Diferentemente da ideia de deliberacao, a filosofia intercultural nao busca a uniformizacao, mas o estabelecimento de um dialogo permanente entre diversas formas de conhecimento que podem ajudar-se mutuamente a viver melhor.
A filosofia intercultural faz pesquisa nao para se chegar a uma
'cultura comum', mas para transformar as culturas por meio da
interacao, da troca, do dialogo e, assim, permitir a transformacao das
fronteiras culturais em 'passagens sem qualquer controle aduaneiro'
(Poche, 2001: 11 traducao livre).


O conceito de ecologia de saberes, como descrito por Sousa Santos, da uma boa representacao deste projeto.
E uma ecologia, porque se baseia no reconhecimento da pluralidade de
saberes heterogeneos (sendo um deles a ciencia moderna) e nas
interconexoes sustentadas e dinamicas entre elas, sem comprometer sua
autonomia. A ecologia dos saberes baseia-se na ideia de que
conhecimento e interconhecimento (Sousa, 2007: 27, traducao livre).


No caso das midias populares, a ampliacao de oportunidades de expressao e importante e necessaria, mas a solidariedade vem da identificacao da diversidade como fonte de saber, a partir do que Sousa Santos descreve como "justica cognitiva" (Sousa Santos, 2007). Como para a transformacao da filosofia, e um movimento que busca renovar a configuracao da "cartografia epistemologica" (idem, p.9), "desses lugares que revelam a verdade" e suas proprias vozes, carregadas de memorias alternativas, consideradas ate agora como perifericas" (Fornet-Betancourt, 2001, p.27).

Conclusoes

Se a informacao se torna uma especie de mercadoria, cada elemento pode permanecer em seu lugar, enquanto diferentes perspectivas se movem sem desafiar os significados estabelecidos. A liberdade de expressao nao inclui automaticamente qualquer compromisso relacionado a ouvir e a levar em consideracao.

Em tempos de ruptura digital, as midias populares se beneficiam da possibilidade de atingir publicos ampliados e isso pode ser considerado um avanco importante na capacidade de produzir dissonancia. Desafiar narrativas com uma diversidade de argumentos aumenta as oportunidades de ampliar e aprofundar o pensamento critico e, consequentemente, produzir ou apoiar a mudanca social. Os resultados sugerem, no entanto, que a nova ordem social buscada pelos atores sociais que utilizam midias em processos de mudanca social combina transformacoes racionais e afetivas. Esses atores querem mudar os significados para mudar os relacionamentos.

Em uma democracia plena, ha diversidade de modos de ser, pensar, sentir e se expressar, e essa diversidade e preservada e valorizada como uma contribuicao importante para a constituicao de uma ecologia do conhecimento. A dissonancia leva, portanto, a coexistencia e a solidariedade.

Referencias bibliograficas

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Universite catholique de Louvain / anasuzina@hotmail.com

(1) Lutas em torno da midia nao sao fatos novos. Em resposta a uma dominacao historica dos sistemas de midia por estados e mercados, existem diferentes tipos de contestacao. Silvio Waisbord os classifica em tres categorias do que ele chama de "movimentos de midia" (Waisbord, 2008, p. 105). A primeira busca por reformas nas politicas de midia. O segundo concentra esforcos no desenvolvimento autonomo de veiculos midiaticos, como o que foi descrito como midia popular nesta pesquisa. O terceiro e mais recente, segundo ele, busca mudar a cobertura da midia sobre questoes civicas e sociais.

Recibido: 28-02-2019 / Aprobado: 10-07-2019
Tabela 1--Lista das experiencias observadas, organizadas de acordo com
seu vinculo institutional

Midia                                   Organizacao

 1. Jornal Sem Terra                    Movimento dos Trabalhadores
                                        Rurais Sem Terra--MST
 2. Brasil de Fato                      * O MST e um dos movimentos
                                        sociais envolvidos na producao
                                        do jornal Brasil
 3. Centro Popular de Midias            de Fato e na articulacao do
                                        Centro Popular de Midias
 4. Terra Vermelha
 5. Radio Conquista
 6. Facebook Page Herdeiros da Terra
 7. Midia Ninja                         Coletivo Fora do Eixo
 8. Radio Nova Paraisopolis             Associacao de Moradores de
                                        Paraisopolis
 9. Jornal Espaco do Povo               * O jornal Espaco do Povo e uma
                                        midia independente, mas apoiada
                                        pela associacao comunitaria
10. Jornal A voz do Lapenna             Nucleo de Comunicacao
                                        Comunitaria Sao Miguel no Ar
                                        (Fundacao Tide
11. Jornal Mundo Jovem Comunica         Setubal)
12. Jornal de Chiador                   Associacao de Moradores de
                                        Chiador
13. Agencia de Noticias das Periferias  Mural (Folha de Sao Paulo)
14. Enois                               Enois Inteligencia Jovem
15. Escola de Noticias                  Escola de Noticias
16. Jornal Folha do Sabara              Comunidade Sabara
17. Escola de Comunicacao Popular       Centro de Formacao Urbano Rural
                                        Irma Araujo--Cefuria
                                        * O Cefuria e uma das
                                        organizacoes que participa da
                                        coordenacao da Escola de
                                        Comunicacao Popular
18. Jornal Fala, Mae Luiza              Centro Socio Pastoral Nossa
                                        Senhora da Conceicao
19. Coletivo Nigeria                    Nigeria Filmes
20. Radio FM Casa Grande                Fundacao Casa Grande
21. Produtora Sem Canal
22. Radio Ibiapina                      Associacao de Moradores de
                                        Florania
23. TV do Bem                           Casa do Bem
24. local radio stations                Rede de Noticias da Amazonia
25. Rede Mocoronga                      Projeto Saude e Alegria
26. Radio Floresta
27. Blog de Sao Pedro
28. Radio Bem-te-vi
29. Radio Lago                          Comunidade do Lago Grande do
                                        Curuai

Fonte: (autor/a)
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Author:Suzina, Ana Cristina
Publication:Chasqui: Revista Latinoamericana de Comunicacion
Date:Apr 1, 2019
Words:6489
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