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Diocese de nova iguacu: politicas socioculturais implantadas no periodo de 1966 a 1995.

Nessa pesquisa, o objetivo primaz e interpretar as acoes sociopoliticas e culturais desenvolvidas na diocese de Nova Iguacu (RJ) e lideradas pelo bispo Dom Adriano Hypolito no periodo de 1966 a 1995. Nesse sentido, busca-se desvendar as estrategias utilizadas pela Igreja Catolica, durante o regime militar, no processo de estruturacao social e organizacao de seu territorio religioso, atraves da disseminacao de suas territorialidades religiosas no tempo e no espaco da Baixada Fluminense. Nesse periodo, a diocese de Nova Iguacu foi fundamental para o fortalecimento da sociedade civil atraves da organizacao das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e do apoio oferecido aos movimentos populares que lutaram por uma ordem politica democratica no Brasil. O amparo do bispo Dom Adriano Hypolito as atividades progressistas trouxeram significativas mudancas na relacao da igreja com a sociedade. A implementacao de acoes politicas e educacionais voltadas para o beneficiamento das classes populares da estigmatizada Baixada Fluminense constitui exemplo concreto desse novo modo de agir da igreja.

E importante ressaltar que o territorio religioso da Diocese de Nova Iguacu, no recorte temporal analisado, e composto pelos seguintes municipios: Nova Iguacu, Mesquita, Nilopolis, Belford Roxo, Queimados, Sao Joao de Meriti, Paracambi e Japeri. Na segunda metade do seculo XX, em funcao de diversos contextos politicos e economicos, essas areas possuiam particularidades socioespaciais. Vejamos algumas: a populacao carente, principalmente aquelas que saiam da cidade do Rio de Janeiro ou do Nordeste do Brasil pelos mais diversos motivos, se abrigava em grande parte na localidade conhecida como Baixada Fluminense a qual foi, por muito tempo, reconhecida como sendo um local de intensa pobreza material e espiritual alem da violencia. Nessa regiao, a carencia de politicas publicas estruturantes e de aparelho de cultura favoreceu nas comunidades catolicas a construcao de importantes espacos religiosos, como tambem de sociabilidade e trocas de saberes e fazeres.

A Diocese de Nova Iguacu busca desde o inicio de sua fundacao, em 1960, fornecer a seus membros uma formacao sociopolitica centrada na perspectiva de um engajamento social. Tal busca se torna ainda mais intensa com a vinda de Dom Adriano Hypolito em 1966. Em outras palavras, verifica-se a necessidade de uma formacao que ajude seus participantes a compreenderem a importancia das acoes dos cristaos no mundo do trabalho, da saude e da educacao (SILVA, 2007). Desse modo, a Igreja Catolica tenta, de alguma forma, trazer avancos e fazer melhorias em seus territorios diocesanos por meio da conscientizacao politica e social assim como da educacao para as camadas mais populares que viviam na Baixada Fluminense. Para tanto, ela organiza em seu territorio religioso a gestao de inumeras acoes estrategicas de controle de pessoas e coisas.

Tal analise da dimensao religiosa do/no lugar, nessa pesquisa, torna-se relevante para os estudos da geografia, pois mostra como a relacao entre politica e religiao interfere na vida social, atribuindo ao territorio religioso novo significado que o desvincula da esfera do economico, levandoo para a esfera do simbolico. Nesse sentido, utilizaremos o eixo tematico religiao, territorio e territorialidade proposto por Rosendahl (2002) no estudo geografico sobre religiao, tomando o territorio religioso e sua territorialidade como ponto central de nossa analise. Atraves da abordagem geografica poderemos, entao, interpretar as acoes politicas e culturais ocorridas na Diocese de Nova Iguacu no periodo de 1966 a 1995, relacionando a estrategia religiosa impressa nesse periodo, o papel da igreja na sociedade iguacuana e o lider religioso que esteve a frente dessas acoes. A problematica da pesquisa consiste em entender o modo de apropriacao dos territorios da Baixada Fluminense e as praticas desenvolvidas por dado grupo religioso para protecao e controle do mesmo. De acordo com Cardoso (2007, p. 19), "apreender as logicas territoriais adotadas pela Igreja Catolica na implantacao da fe no territorio vem acompanhado da premencia de se conhecerem as estrategias aplicadas". Busca-se, assim, o entendimento destas logicas de importancia impar na estruturacao social de algumas areas da Baixada Fluminense.

Para interpretarmos as estrategias organizadas pela diocese de Nova Iguacu a fim de se apropriar de uma area significativa da Baixada Fluminense, transformando-a assim em localidade religiosa, e necessario compreendermos o contexto historico, politico e religioso pelo qual este espaco foi cenario de tantos movimentos de cunho social e humanitario, muitos deles dirigidos e apoiados inicialmente pela Igreja Catolica. Cumpre mencionar que esta pesquisa tomara como base a representacao espacial estabelecida pela Secretaria de Desenvolvimento da Baixada e Regiao Metropolitana (SEDEBREM) que divide a Baixada Fluminense em treze municipios, a saber: Nova Iguacu, Duque de Caxias, Nilopolis, Sao Joao de Meriti, Belford Roxo, Mesquita, Japeri, Queimados, Mage, Guapimirim, Itaguai, Paracambi e Seropedica (OLIVEIRA, 2004).

O conceito de Baixada Fluminense e uma expressao polissemica que depende do interesse dos pesquisadores, das instituicoes ou da escala analisada. A expressao pode assumir configuracoes geograficas, economicas, politicas e culturais diferenciadas. Segundo o dicionario Aurelio, baixada significa "planicies entre montanhas", ja fluminense origina-se do latim Jlumen, que significa "rio". Essa denominacao se aproxima da de "iguassu" que, na lingua tupi, significa "muita agua". Essa designacao ja era utilizada pelos nativos da regiao antes da chegada dos europeus (ALMEIDA, 2009). O cenario da Baixada Fluminense na primeira metade do seculo XIX remete-nos as grandes fazendas produtoras de bens alimenticios. Posteriormente, e implementada nessa regiao a citricultura (producao de laranja) na pretensao de valorizar a terra (TORRES, 2004). A partir da decada de 1930, a regiao denominada Baixada Fluminense sofre intensa iniciativa por parte do governo federal para a melhor utilizacao e aproveitamento de seu territorio. Com isso, a regiao e destinada a se configurar como area periferica no sentido de prover o abastecimento da capital federal, na epoca o Rio de Janeiro, principalmente com generos agricolas. Em 1933, e formada a Comissao de Saneamento da Baixada Fluminense objetivando a preparacao do solo, ainda com grandes areas de pantanos e portador de inumeros focos de transmissao de doencas como a malaria e a febre amarela (MONTEIRO, 2001).

Apos a Segunda Guerra Mundial (1945), este cenario rural vai gradativamente sendo descaracterizando. Abre-se, entao, espaco para a construcao de nucleos coloniais idealizados pelo Estado e para a criacao de loteamentos de sitios e fazendas, que se revelam a melhor alternativa financeira frente as ruinas da citricultura e do passado agrario (MONTEIRO, 2001). Nas decadas de 1950 e 1960, a Baixada Fluminense sofre tambem grandes alteracoes no seu quadro populacional uma vez que alguns de seus municipios apresentaram crescimento demografico acentuado devido ao processo migratorio de diversas localidades do Brasil e do mundo (ALMEIDA, 2009). E importante destacar que as migracoes para a regiao da Baixada Fluminense foram acompanhadas de uma fraca infraestrutura, revelando se principalmente nos assentamentos desordenados. Os capitais privados, mediados pelo Estado, eram direcionados as zonas privilegiadas, onde o retorno financeiro ao capital investido era assegurado. As transformacoes ocorridas na cidade do Rio de Janeiro no final do seculo XIX e inicio do XX (Reforma Pereira Passos, 1902-1906) adequariam o centro do Rio de Janeiro a sua funcao de grande exportador de cafe e capital da nova elite cosmopolita, e a Baixada Fluminense a condicao de uma excelente area para alocar a populacao pobre expulsa das areas valorizadas, resultado tanto das demolicoes de corticos e "cabeca de porco", como das proibicoes de ambulantes e mendigos no centro. O eixo segregacional Rio-Baixada e um dos principais efeitos da adocao de politicas controladoras e muitas vezes anti-distributivas que reforcaram ainda mais o padrao de distribuicao espacial das classes sociais beneficiando principalmente a classe de maior poder aquisitivo. A adocao dessas politicas refletira entao no modelo dicotomico da futura metropole: nucleos hipertrofiados e periferias cada vez mais pobres conforme a distancia (ABREU, 1987). Relacionando as problematizacoes acima elaboradas com o panorama da Baixada Fluminense, observamos que essa apresentou inumeras deficiencias em sua infraestrutura urbana mediante o descaso do governo da esfera estadual e municipal e tambem da ineficiencia de politicas publicas comprometedoras. Esses problemas latentes acabaram por estigmatizar a regiao como um local formado quase que predominantemente pela conjuntura da pobreza e da violencia. Segundo Alves (2002), na decada de 1970 inumeros casos de assassinatos ocorridos na regiao a oeste da cidade do Rio de Janeiro fizeram com que esta parte do estado, composta por alguns municipios, passasse a ser definida como Baixada Fluminense. Todavia, a identificacao estava voltada mais para o aspecto da violencia do que para o geografico. Entretanto, a Baixada Fluminense esta para alem das interpretacoes e lembrancas depreciativas. Nessa localidade, principalmente no municipio de Nova Iguacu, foi realizado um dos mais importantes movimentos de bairro do Estado do Rio de Janeiro que obteve um dinamico crescimento e estabeleceu fortes lacos com a Igreja Catolica. De acordo com Mainwaring (2004, p. 208),
   Depois de 1974, os esforcos limitados e dispersos
   da populacao local para obter melhores
   servicos urbanos foram gradualmente sendo
   transformados num dos mais conhecidos e mais
   bem organizados movimentos do Estado do Rio
   de Janeiro, e a Igreja Catolica desempenhou um
   papel relevante nesse desenvolvimento. Atraves
   da legitimacao de bispo, de militantes e liderancas
   catolicas e da presenca de uma base catolica
   que fortaleceu o povo, (...).


Em meio a este universo de violencia, de pobreza e de segregacao, entre outros aspectos pelos quais o senso comum identifica a Baixada Fluminense, e que nasce a Diocese de Nova Iguacu, sediado no municipio de Nova Iguacu, criado em 26 de marco de 1960 pela Bula Quandoquidem Verbis do Papa Joao XXIII. Esta igreja passa a ser "invocada por muitos como a idealizadora de uma organizacao eclesial voltada para a acao sociotransformadora com base em 'comunidades' de convivio e atividades ao mesmo tempo religiosas e sociopoliticas" (Assis 2008, p.92). Essas acoes da Igreja podem ser decodificadas como estrategias que interligam religiao, territorio e territorialidade com o objetivo de assegurar a vivencia da fe, fortalecer as experiencias religiosas coletivas e individuais e manter constantemente a vigilancia dos fieis.

No territorio materializam-se e interagem diversos elementos num determinado momento que o configuram nao apenas pelas relacoes de poder que se fortalecem atraves das mediacoes espaciais, mas tambem atraves das inumeras riquezas imateriais que ali subsistem, como cultura, os valores individuais e de grupo e significados que lhe sao atribuidos. A cultura tem um papel relevante na analise do territorio, pois ela apresenta-se como a soma dos comportamentos, dos saberes, das tecnicas, dos conhecimentos e dos valores acumulados pelos individuos durante suas vidas, os quais passam a determinar a vida em grupo e dele fazer parte. A vida em comunidade pressupoe, portanto, contatos de enriquecimento mutuo, mesmo quando conflitantes (CLAVAL, 2001). Isso nos mostra que o vinculo territorial que se revela no espaco esta empossado de valores nao apenas materiais, mas tambem eticos, espirituais, simbolico e afetivo.

De acordo Haesbaert (2006, p. 121), "o territorio e o produto de uma relacao desigual de forcas, envolvendo o dominio ou controle politico-economico do espaco e sua apropriacao simbolica". Segundo esse mesmo autor, o territorio configura-se em um espaco social--espaco produzido, concebido em termos de relacao e producao--e um espaco simbolico--vivenciado, de forte identidade simbolica--o que possibilita, em sua funcao simbolica, a criacao de paisagens culturais e valorizacao (HAESBAERT, 1999). Com isso podemos afirmar que o territorio e um segmento do espaco delimitado e controlado por um determinado agente social, empresa, ou instituicao - responsavel pela gestao deste territorio. Alem disso, tambem possui um conjunto de simbolos e significados que lhe conferem carater politico e tambem cultural.

A abordagem teorica dos estudos da Geografia da Religiao tem no conceito de territorio um grande espectro de possibilidade de discussao. Rosendahl (2005, p.193) ressalta que e importante interpretar o fenomeno religioso e suas interacoes com o homem e o territorio a partir de dois focos de analise: o sagrado e o profano.
   Parte-se da revelacao de cjue o territorio e dividido
   em lugares do cosmo--cjue estao profundamente
   compreendidos com o dominio do sagrado e,
   como tal, marcados por signos e significados e
   em lugares de caos--cjue designam uma realidade
   nao divina. O cosmo qualifica-se como
   territorio sagrado, encjuanto o caos representa
   ausencia de consagracao, sendo um territorio
   profano, nao religioso. (...). Essa Questao abrange
   o conhecimento da religiao como um sistema de
   simbolos sagrados e seus valores, envolvendo a
   producao, o consumo, o poder, as localizacoes e
   fluxos e os agentes sociais em suas dimensoes
   economicas, politica e de lugar. Portanto, o territorio
   esta presente em todas essas dimensoes.


Percebe-se que, independente da interpretacao do conceito e de seu agente gestor, a questao de poder qualificara de forma marcante o territorio. Um aspecto comum a todos esses enunciados e a existencia de uma base material espacial sobre a qual se estabelecem inumeras relacoes com e entre os individuos. O territorio configura-se nao apenas pelo espaco e, sim, pelas relacoes de poder que operam em dada delimitacao espacial. E a partir dessas relacoes entre os individuos que podemos compreender a territorialidade. Um territorio e composto por varias territorialidades. Esta ultima e uma palavra de espectro de significacao intensa. E a totalidade das questoes concretas e abstratas, objetivas e subjetivas, materiais e imateriais, emotivas e perceptivas. E fruto das relacoes economicas, politicas e culturais e, por isso, se apresenta de diferentes formas, imprimindo heterogeneidades espaciais, paisagisticas e culturais, sendo a maneira pela qual o espaco e a sociedade estao interconectados. Nas contribuicoes de Sack (1986) a territorialidade sera definida como "uma tentativa, por um individuo ou grupo de afetar, influenciar ou controlar pessoas, fenomenos e relacoes, delimitando e assegurando controle sobre a area geografica". A territorialidade e, portanto, um atributo comportamental intrinseco ao individuo social e aos seus grupos sociais. Como ja explanado, os territorios poderao ser regulados por diferentes agentes. Sendo assim, quando uma determinada localidade tem como orgao regulador a instituicao religiosa, temos entao um territorio religioso. Dentro dessa tematica, Rosendahl (2005, p. 201) nos diz que os territorios religiosos sao locais "demarcados, onde o acesso e controlado e nos quais a autoridade e exercida por um profissional religioso". Diante dessa elucidacao, temos como exemplos duas unidades territoriais da Igreja Catolica Apostolica Romana as quais sao analisadas nesse trabalho, a saber, as dioceses e as paroquias. Segundo Rosendahl (2005, p. 202), a diocese e evocada como territorio religioso "verdadeiramente presente e atuante no processo de regulacao e religiosidade catolica.(...), constitui o espaco de aproximacao entre o regional e o universal, isto e, entre as acoes de controle pastoral regional e as acoes na escala do mundo". Ainda na concepcao da pesquisadora, a paroquia e o territorio principal das comunidades locais e "deve ser reconhecida como o territorio onde se da o controle do cotidiano porque ela esta na escala da convivencia humana--lugar de aproximacao entre o local, o regional e o universal" (Rosendahl 2005, p. 203). Dessa maneira, o territorio beneficia nao so as praticas e devocoes da fe, como tambem a identidade religiosa, e tal realidade pode acontecer tanto na paroquia--numa escala de vivencia, de lugar--quanto na diocese na qual atuacao e mais abrangente--regional.

Todas essas acoes estrategias, movimentos internos e externos formam o corpo da igreja dando-lhe existencia, condicionando estilos de vida, contribuindo para a formacao de um conjunto de acoes sociais que irao destacar o posicionamento da igreja em relacao ao governo e a sociedade de um modo geral, revelando, assim, as relacoes de poder que se estabelecem em uma determinada localidade.

O estudo da territorialidade religiosa aponta para a importancia do reconhecimento acerca das estrategias de ocupacao da Igreja Catolica em uma parte estimavel da Baixada Fluminense, especificamente no municipio de Nova Iguacu que apresenta consideravel importancia na Area Metropolitana do Rio de Janeiro. As territorialidades religiosas adotadas foram estrategicamente implementadas com o objetivo maior de assegurar a manutencao da religiao catolica no referido recorte espacial, comprovando assim a influencia da Igreja Catolica na dinamica da organizacao territorial religiosa e social a partir da criacao de movimentos populares ligados a Teologia da Libertacao (1). Umas das caracteristicas marcantes dessa igreja, dentro do recorte temporal analisado, e o comprometimento em se aproximar dos pobres, em compartilhar do seu sofrimento e das suas alegrias de maneira mais profunda. As acoes populares da Diocese de Nova Iguacu, no periodo de 1966 a 1995, foram lideradas pelo bispo Dom Adriano Hypolito e contribuiram de maneira relevante para a estruturacao social da comunidade e da igreja. Havia uma enfase na uniao dos membros dos grupos catolicos com as comunidades que estavam mais distantes da esfera religiosa, e essa pratica tinha como um dos objetivos discutir os problemas sociais, os valores religiosos e nao religiosos e a cultura. Essas acoes classificaram essa igreja, por um determinado tempo, como igreja Popular. Como nos diz Mainwaring (2004, p. 234-235) "A Igreja popular enfatiza o carater dialetico das relacoes de aprendizado e a capacidade de todos. (...), ressalta a sabedoria do povo manifestado nas tecnicas da sobrevivencia cotidiana diante da opressao". A acao, a lideranca e a catequese implantadas por Dom Adriano Hypolito foram significativas tanto para a igreja quanto para a populacao local. Suas atitudes e suas atuacoes podem ser qualificadas como manifestacoes de um lider carismatico, e Dom Adriano foi um sacerdote carismatico que pertencia a uma instituicao religiosa e possuia um cargo. Segundo Weber (1991), a principal caracteristica do carisma e o ser extraordinario. A vida religiosa e politica de Dom Adriano na Baixada Fluminense iniciou em 1966, quando foi transferido da cidade de Salvador, Bahia, onde era bispo auxiliar, para a Diocese de Nova Iguacu, Rio de Janeiro. Logo ao tomar posse do cargo, no dia 6 de novembro, neste mesmo ano, criou o Conselho Presbiterial (2). Dois anos apos sua posse (1968), foi criado o Movimento de Integracao Comunitaria (MIC), que pode ser considerado como a primeira resposta possivel aos problemas sociais da area da diocese. Um dos principais trabalhos desenvolvidos pelo Movimento de Integracao Comunitaria foram os Clubes das Maes: grupos de mulheres que aprendiam e ensinavam varios trabalhos manuais e que refletiam sobre cidadania. Essas acoes tambem foram respostas aos problemas sociais da Baixada Fluminense (SILVA, 2007). A mulher recebia ensinamentos religiosos e os passava no lar para os filhos. Tal estrategia, bastante antiga, apresentava bons resultados (ROSENDAHL, 2009).

No inicio da decada de 1970, Dom Adriano contrata pesquisadores para fazer um levantamento estatistico sobre a quantidade dos centros de candomble, das igrejas evangelicas, dos centros espiritas para assim compreender melhor a realidade da localidade e programar suas acoes estrategicas. A pesquisa transformou-se em Tese Pastoral, norteando assim todas as atuacoes da Diocese de Nova Iguacu no sentido de dominio dos fieis. Em 1975, foi criado em Nova Iguacu, com o apoio da Diocese, o Movimento Amigos do Bairro (3), que teve grande influencia na organizacao do movimento popular na Baixada Fluminense, a religiao sendo uma dimensao social do/ no lugar.(MAINWARING, 2004). Em 1977 e criada a Comissao Social da Terra que se empenhava em defender a posse de terra feita por uma consideravel parte da populacao. Ainda na decada de 1970, cria-se a Comissao de Justica e Paz com o intuito de minimizar as acoes dos grupos de exterminio e sua atuacao na localidade. A religiao e sua dimensao politica no lugar promovem mudancas que acabam por fortalecer sua gestao. Dez anos depois de assumir a Igreja de Nova Iguacu, Dom Adriano e sequestrado, torturado, abandonado e despido. De 22 de setembro de 1976, quando ocorreu o sequestro, ate hoje, ninguem foi oficialmente identificado ou processado pela violencia, embora algumas denuncias apontam como responsavel o tenentecoronel Jose Ribamar Zamith, do Exercito (SILVA, 2007). Mesmo com toda esta represalia, Dom Adriano permaneceu com sua atuacao no lugar transformando suas experiencias em reflexoes de fe e vida.

A Diocese de Nova Iguacu desenvolveu inumeras acoes sociopoliticas articuladas na/ee vida, fe e politica. O intuito era fortalecer os cidadaos religiosos ou nao em sua formacao politico-social voltada a reivindicacao dos direitos a moradia, transporte, saneamento basico e educacao. Entre as decadas de 1960 e 1970, juntamente com a efervescencia da Teologia da Libertacao, surgem as Comunidades Eclesiais de Base' (CEBs) que passam a constituir um lugar de vivencia e busca de solucoes aos problemas da vida, reforcando ainda mais o engajamento social como forma de manifestacao da fe. As CEBs "retomavam a mistica dos cristaos destemidos que nao temiam sacrificarse pela boa causa" (Silva, 2007, p.5). Os movimentos populares surgiram com caracteristicas novas, tentando superar o carater reivindicatorio. Tais movimentos foram organizados em torno da chamada ala progressista da Igreja Catolica de Nova Iguacu, que estava fortemente ligada a Teologia da Libertacao. Fortalece-se, assim, uma politica de ser Igreja, por meio da qual os leigos sao protagonistas e os padres e freiras companheiros de luta diaria. Entretanto, todas essas acoes voltadas para ajudar os mais necessitados sao vistas por alguns grupos como acoes comunistas, e Dom Adriano passa a ser entao ameacado. Em 1979, a Catedral de Santo Antonio e uma Igreja do Bairro da Prata, em Nova Iguacu, apareceram pichadas com frases ofensivas a Dom Adriano. Um mes depois, em 20 de dezembro, uma bomba conhecida como "trotil", de uso exclusivo das Forcas Armadas, explodiu no altar da Igreja de Santo Antonio de Jacutinga, a Catedral de Nova Iguacu. O sacrario foi destruido e dois dos tres operarios que estavam na Igreja na hora da explosao ficaram feridos. Paralelamente, foi distribuido um manifesto contra o bispo e varias igrejas da localidade foram pichadas. No dia 30, pelo menos 10 mil pessoas participaram de uma procissao de desagravo a Jesus Cristo e de apoio a Dom Adriano, ao lado de varios bispos (RENOU, 1994). Nada disso intimidou o bispo de Nova Iguacu, em sua caminhada ao lado do povo da Baixada, o que mostrava que havia uma forca de luta na sociedade que ele personificava.

Durante a abertura do regime politico do pais, a Igreja Catolica contribuiu para a democratizacao com acoes que englobaram a defesa de direitos humanos, com as criticas aos abusos do regime autoritario e o forte apoio aos movimentos populares que contribuiram para o sucesso da volta da democracia. O fortalecimento da sociedade politica nao modificou inteiramente a funcao politica da igreja. E bem verdade que as suas acoes inovadoras foram de fundamental importancia no periodo em que o Brasil era uma sociedade com regime militar autoritario. Entretanto, com o regime democratico a igreja se posiciona firme buscando um papel especifico de atuacao. A volta a democracia representava a conquista desejada e como tal diminuiu o incentivo dos bispos em se envolver publicamente na politica (MAINWARING, 2004).

Apos 1980, o Vaticano tomou medida para limitar as mudancas teologicas na igreja brasileira. Um dos passos significativos foi a carta apostolica enderecada aos bispos brasileiros em dezembro de 1980 na qual a Santa Se afirmava que a igreja nao deveria se envolver em questoes sociais em detrimento de sua funcao especificamente religiosa. Alem disso, durante essa decada, o papa vinha apoiando a linha pastoral tradicional de Dom Eugenio Sales, arcebispo do Rio de Janeiro e lider dos neoconservadores (MAINWARING, 2004). O Vaticano optou essencialmente por uma estrategia de nao entrar em confronto com a Igreja Catolica do Brasil, tentando evitar o conflito, mas procurando impedir as mudancas progressistas. Uma de suas acoes politicas foi a reorganizacao espacial dos territorios religiosos das dioceses. Tal evento ocorreu com a Diocese de Nova Iguacu em 1980, cujo territorio religioso foi desmembrado dando origem a uma nova diocese na Baixada Fluminense. A criacao de uma diocese envolve, muitas vezes, diversificadas e multiplas situacoes. Neste caso, a Igreja acompanhou o aumento populacional da regiao e compreendeu a necessidade de expansao da rede diocesana como estrategia de atender a demanda religiosa. Tambem percebeu que, agindo dessa maneira, coibiria a expansao de outras doutrinas. Entretanto, esses nao foram os unicos motivos para a criacao de uma nova diocese na Baixada Fluminense, apesar da historia oficial defender prioritariamente essas questoes. Ha outros processos ocorridos que complementam a nossa reflexao acerca da criacao dessa nova diocese--a diocese de Duque de Caxias e Sao Joao de Meriti--que foi instituida a partir do desmembramento das dioceses de Petropolis e Nova Iguacu e criada em 11 de outubro de 1980. O crescimento demografico e a urbanizacao geraram, de fato, uma forte demanda religiosa para a criacao de uma nova diocese, fazendo com que os municipios de Duque de Caxias e Sao Joao de Meriti passassem a fazer parte desta nova jurisdicao religiosa. Todavia, acreditamos que essa acao do Vaticano em desmembrar o territorio religioso da diocese de Petropolis e, principalmente, da diocese de Nova Iguacu, teve como objetivo primaz o enfraquecimento do catolicismo de massa desenvolvido em Sao Joao de Meriti. Como sabemos os municipios que fazem parte do territorio religioso da diocese de Nova Iguacu, representam, em sua maioria, areas de forte efervescencia social da periferia da cidade do Rio de Janeiro, atuando como referencia das atividades populares desenvolvidas tanto pelas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) quanto pelas Pastorais Libertadoras e Organizacoes de Bairro. E importante ressaltar que essa decisao de desmembrar o territorio religioso da diocese de Nova Iguacu tinha tambem como um dos objetivos "frear" as intervencoes das pastorais, das Comunidades Eclesiais de Base (CEBS) e do bispo Dom Adriano Hypolito, diminuindo assim o seu campo de atuacao e sua lideranca forte e representatividade no campo politico-religioso da Baixada Fluminense. A estrategia era enfraquecer o campo religioso na divisao territorial para facilitar o controle e a implantacao dos ideais do Vaticano. Atraves do desmembramento do territorio diocesano de Nova Iguacu, o Vaticano conseguiu diminuir a atuacao e representatividade do bispo Dom Adriano Hypolito na localidade, mas nao desarticulou as acoes das pastorais e de outros agentes religiosos, que, atraves de suas atuacoes, buscavam garantir a dignidade e a esperanca a populacao. E importante lembrar que essas acoes sao estrategias da igreja para entremear-se, com a sua doutrina e seus ensinamentos, nos varios setores da vida da populacao, proporcionando os mais diversos tipos de prestacao de servicos--sejam eles religiosos ou nao--para a comunidade local.

Portanto, a ligacao entre expressao religiosa e classes sociais tera como consequencia os diferentes tipos de comportamentos desenvolvidos pela igreja e personificara os diferentes tipos de prestacoes de servicos religiosos ligados a essa igreja. O caso da igreja diocesana de Nova Iguacu, no que diz respeito ao seu engajamento e a suas atividades que foram desenvolvidas ao longo das decadas analisadas, pode ser considerado peculiar, pois atraves de suas praticas, que geraram um ativismo intenso, a igreja colocou em evidencia a luta por politicas publicas que trouxessem melhorias para a populacao. Por manter um trabalho de formacao sociopolitica, diferentes autores como Krischke e Mainwaring (1986) ja apontaram a importancia da diocese em acoes de formacao, mobilizacao e reivindicacao de direitos sociais. Essa opcao ocorreu na Diocese de Nova Iguacu, mas nao necessariamente em outras dioceses do Brasil.

Reconhecer o fenomeno religioso e seus significados conferidos no espaco torna-se importante para que o territorio religioso seja entao compreendido em meio as preocupacoes com a materializacao da fe e com as marcas responsaveis por identificar e delimitar um certo territorio. Vimos que as territorialidades religiosas adotadas pela diocese de Nova Iguacu ao longo dos anos, estrategicamente implementadas com o objetivo maior de assegurar a manutencao da religiao no referido recorte espacial, foram direcionadas pelos impactos do contexto historico-politico em que a igreja viveu, adequando assim a realidade social a realidade religiosa, tornando essa instituicao munida de um carater ao mesmo tempo popular e singular. Essas sao as marcas geograficas da diocese. O cenario da Baixada Fluminense, dentro desse recorte temporal, apresentou inumeras deficiencias em sua infraestrutura urbana mediante ao descaso do estado e da ineficiencia de politicas publicas comprometedoras. Por causa desses problemas latentes, a midia estigmatizou a regiao como o local de pobreza, violencia e decadencia humana. Neste universo de violencia, de pobreza e de segregacao, dentre outros aspectos que identificam a Baixada Fluminense, a Diocese de Nova Iguacu foi o agente de transformacao social, atraves da organizacao de atividades religiosas e sociopoliticas. Na Diocese de Nova Iguacu, observamos a existencia de uma Igreja progressista convivendo com uma instituicao tradicional. A chegada a diocese, em 1966, de Dom Adriano, religioso de forte sensibilidade em relacao a situacao opressora em que vivia o povo brasileiro no periodo do autoritarismo militar, transformou-o em um agente espiritual singular e deu inicio a uma atuacao de combate a opressao em um ambiente cujas ideias favorecem a criacao das mudancas.

Os movimentos populares, por sua vez, buscavam potencializar as forcas ja existentes no coletivo e vivenciadas no cotidiano, nos pequenos movimentos e nos grupos organizados. Pensavase que a libertacao seria conquistada pela consciencia dos direitos que, sendo assim, viriam pela capacidade de lutar da populacao. Essa ideia foi defendia e implantada durante quase trinta anos pelo lider eclesiastico Dom Adriano Hypolito (SILVA, 2007). Enfim, esses inumeros atos da instituicao religiosa catolica podem ser decodificadas como estrategias interligando religiao, territorio e territorialidade, cujo objetivo consiste em assegurar a vivencia da fe, fortalecer as experiencias religiosas coletivas e individuais e manter constantemente a vigilancia dos fieis.

Mais uma vez e relevante ressaltar que Dom Adriano e invocado por muitos como idealizador e construtor de uma diocese voltada para a acao sociotransformadora com base em "comunidades" de convivio ao mesmo tempo religioso e sociopolitico. Nao obstante, e possivel encontrar opinioes que o consideram como propagador de uma visao unilateral de Igreja, ao "forcar" a opcao dos fieis para um estilo politico de religiao (ASSIS, 2008). Entretanto, um fato relevante considerado tanto por fieis da diocese quanto de outras dioceses brasileiras ou estrangeiras, por representantes de movimentos sociais e politicos e mesmo pela imprensa geral, foi o posicionamento de Dom Adriano frente ao regime politico-civil-militar que se impunha e que culminou com o seu sequestro seguido de tortura fisica e psicologica em 22 de setembro de 1976. A propria Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lancou, em outubro do mesmo ano, uma carta de esclarecimento a sociedade sobre, entre outros acontecimentos, o sequestro de Dom Adriano. Tal acontecimento marcou nao somente a Igreja catolica naquele periodo como diversas organizacoes contrarias ao regime militar e, sobretudo, o imaginario dos membros da diocese de Nova Iguacu e de outras dioceses. Varias instituicoes, movimentos e logradouros da Baixada Fluminense recebem seu nome como homenagem e reconhecimento. Dom Adriano veio a falecer em 10 de agosto de 1996.

Por fim, esse artigo buscou, de algum modo, interpretar as acoes sociopoliticas e culturais na diocese de Nova Iguacu no periodo de 1966 a 1995, relacionado as maneiras de apropriacao dos territorios e as praticas desenvolvidas pelos principais grupos religiosos dessa igreja e reconhecendo as logicas e estrategias adotadas pela Igreja Catolica Apostolica Romana.

REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS

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SUELLEN SANTIAGO DOS REIS *

NOTAS

* Pos-graduanda lato sensu em Politicas Territoriais no Estado do Rio de Janeiro pela UERJ, Graduada em Geografia sob a orientacao da Prf*. Dr1. Zeny Rosendahl pela UERJ. E mail: suellenreisuerj@yahoo.com.br

(1) Teologia da Libertacao surge no processo de abertura desencadeado pelos documentos do Concilio Vaticano II. E uma tentativa de elaborar uma Teologia Catolica com elementos proprios da experiencia da Igreja Catolica na America Latina. Possui como caracteristica principal uma articulacao entre a crenca e a realidade social. (BOFF, 2001).

(2) E um conselho de padres que ocupam cargos de coordenacao dentro da Diocese juntamente com o bispo diocesano. O nome presbiterial vem da palavra presbitero (padre).

(3) O Movimento Amigos do Bairro e uma Federacao de Associacoes de Bairros, que teve um papel decisivo na luta por saneamento basico, saude e educacao no municipio de Nova Iguacu.

(4) As Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) sao pequenos grupos organizados em torno da paroquia (urbana) ou da capela (rural), por iniciativa de leigos, padres ou bispos. De iniciativa religiosa e carater pastoral, as CEBs podem ter dez, vinte ou cinquenta membros. Nas paroquias de periferia, as comunidades podem estar distribuidas em pequenos grupos ou formar um unico grupao a que se da o nome de comunidade eclesial de base (BETTO, 1985).
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Author:Reis, Suellen Santiago Dos
Publication:Espaco e Curtura
Date:Dec 1, 2010
Words:5815
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