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Dinamica populacional do psilideo-de-concha Glycaspis brimblecombei (Moore, 1964) (Hemiptera: Psyllidae) e de seu parasitoide Psyllaephagus bliteus (Hymenoptera: Encyrtidae) em floresta de Eucalyptus camaldulensis.

Population dinamics of red gum lerp psyllid, Glycaspis brimblecombei (Moore, 1964) (Hemiptera: Psyllidae) and its parasitoid, Psyllaephagus bliteus (Hymenoptera: Encyrtidae), in Eucalyptus camaldulensis plantation

INTRODUCAO

O psilideo-de-concha, Glycaspis brimblecombei, e uma especie pertencente a ordem Hemiptera, subordem Sternorrhyncha e familia Psyllidae. Os psilideos sao insetos pequenos, semelhantes a pequenas cigarrinhas e de habito sugador (GALLO et al., 2002). Entre os psilideos associados ao eucalipto, os generos mais importantes sao Cteranytaina, Blastopsylla, Creiis, Eucalyptolyma, Cardiaspina e Glycaspis (ELLIOTT et al., 1998).

O monitoramento de G. brimblecombei e importante para se conhecer seus niveis de infestacao por meio do tempo e identificar os fatores que podem influenciar em sua populacao. Nos EUA e no Mexico, o monitoramento de psilideos em plantios de eucalipto utilizados para arborizacao urbana e realizado com armadilhas adesivas de coloracao amarela, confeccionadas a partir de tampas circulares, cobertas com oleo de motor para tornarem-se adesivas (CIBRIAN-TOVAR et al., sd; DAHLSTEN et al., 1998).

Na Australia, em florestas de Eucalyptus camaldulensis, o psilideo-de-concha G. brimblecombei apresenta de duas a quatro geracoes por ano. Ja no Mexico, e seguro afirmar que o numero de geracoes e maior, especialmente nos meses secos e quentes da primavera e do verao (CIBRIAN-TOVAR & INIGUEZ-HERRERA, 2001).

Os danos causados pelo psilideo-de-concha G. brimblecombei podem ser de grande proporcao, ja que chegam a apresentar 15% de mortalidade no primeiro ano e ate 40% no segundo ano, se nao forem realizados metodos de controle (GILL, 1998). DREISTADT & GILL (1999) perceberam que seu dano se dava por meio da alimentacao tanto das ninfas como dos adultos, extraindo as substancias que se encontram nas folhas.

Psyllaephagus e um genero com algumas especies de importancia no controle de psilideos que atacam mirtaceas. Na California, EUA, foram introduzidas da Australia as especies: Psyllaephagus pilosus, para o controle de Cteranytaina eucalypti em Eucalyptus pulverulenta e Psyllaephagus bliteus para o controle de G. brimblecombei em E. camaldulensis (BERTI-FILHO et al., 2003).

A especie P. bliteus e uma vespa pertencente a ordem Hymenoptera, subordem Apocrita e familia Encyrtidae e se caracteriza por ser parasitoide especifico de G. brimblecombei. Os insetos pertencentes a essa familia sao microhimenopteros de 1 a 2mm, caracterizados pela mesopleura larga e convexa, sendo que a maioria das especies sao parasitoides de pulgoes (GALLO et al., 2002).

Em razao dos danos verificados pela introducao de G. brimblecombei nos EUA e no Mexico (DAHLSTEN et al., 2003) e da falta de informacoes referente ao seu comportamento em plantacoes extensivas de eucalipto no Brasil, foi realizado este trabalho a fim de determinar a flutuacao populacional de G. brimblecombei e de P. bliteus em floresta de E. camaldulensis por meio de armadilhas amarelas.

MATERIAL E METODOS

O trabalho foi desenvolvido na Fazenda Cara Preta, pertencente a Votorantim Celulose e Papel, localizada no municipio de Luiz Antonio, Sao Paulo, (SP), com as seguintes coordenadas planas: 228720 S 7613149 E, com altitude media de 729m. Foi utilizado um talhao com plantio de E. camaldulensis, com 6,5 anos de idade, espacamento de 2,5 x 3,0 metros, com area aproximada de 19 hectares, com ocorrencia do psilideo-de-concha desde 2003.

O levantamento populacional dos adultos de G. brimblecombei e de P. bliteus foi realizado com armadilhas, que consistiram de cartoes plasticos amarelos, com adesivo em ambas as faces, nas medidas de 10 x 12cm, (BIOTRAP[R] amarela). Foram instaladas 86 armadilhas amarelas distribuidas uniformemente no talhao, em malha de 50 x 36m, e altura aproximada de 1,80 metros do solo entre duas arvores.

Foram realizadas 10 coletas na area e, a intervalos medios de aproximadamente 15 dias, as armadilhas foram recolhidas, identificadas e embaladas com filme plastico transparente para nao danificar os insetos capturados e facilitar a identificacao. Apos a coleta, as armadilhas foram levadas ao laboratorio para ser feita a triagem e a contagem dos insetos. Nas armadilhas amarelas, foi feita a contagem do numero de machos, de femeas e total de adultos de G. brimblecombei e de P. bliteus, nas duas faces das armadilhas. A flutuacao populacional de G. brimblecombei e de P. bliteus foi determinada graficamente, considerando-se os resultados obtidos nas armadilhas ao longo de um periodo observado de seis meses.

Com a finalidade de subsidiar o entendimento dos resultados obtidos, foram utilizados os seguintes elementos meteorologicos: temperaturas medias, maximas e minimas e pluviosidade. As leituras foram diarias, no entanto, para a apresentacao dos resultados, foram considerados os valores medios dos intervalos entre cada coleta. Os dados foram obtidos junto a estacao meteorologica instalada no viveiro florestal da empresa, na mesma fazenda onde foi instalado o experimento.

Foram realizadas analises exploratorias independentes para cada data de avaliacao, considerando-se a media e o teste de correlacao linear de Pearson entre o numero medio de G. brimblecombei e de P. bliteus de cada unidade amostral com os dados meteorologicos.

RESULTADOS E DISCUSSAO

Flutuacao populacional de G. brimblecombei e de P. bliteus

O numero medio de adultos de G. brimblecombei e de P. bliteus capturados nas armadilhas amarelas apresentaram-se bastante similares em visao generalizada, pois, desde o inicio do experimento, as duas especies tiveram aumento do numero de individuos a cada avaliacao.

A variacao no numero medio de adultos de G. brimblecombei capturados nas 86 armadilhas amarelas desde a instalacao ate o final do experimento foi de 0,34 a 132,58 psilideos por armadilha. Para a especie P. bliteus, o numero medio de insetos capturados nas armadilhas foram menores, variando de 0,14 a 34,51 parasitoides por armadilha (Figura 1), sendo os valores minimos e maximos absolutos obtidos por periodo de avaliacao de 29 (15/02/05) e 15750 (01/ 06/05) psilideos e de 3 (31/03/05) e 3203 (01/06/05) parasitoides respectivamente.

Para o numero medio de adultos de G. brimblecombei, foi observada, desde o inicio das coletas, tendencia crescente na quantidade de individuos capturados por armadilha, atingindo pico apos 124 dias de avaliacao, quando foram observadas medias de 183,14 psilideos por armadilha. Isso provavelmente tenha ocorrido devido ao inicio do periodo seco, coincidindo com periodo do inicio de altas infestacoes da praga e principalmente devido ao periodo em que a armadilha ficou exposta a campo (20 dias), sendo que o tempo medio de exposicao das armadilhas a cada avaliacao foi de 14 a 15 dias. Isso ocorreu devido a data de avaliacao ter coincidido com dias de chuva intensa, que impossibilitou a realizacao da coleta. Portanto, este pico populacional aos 124 dias de avaliacao (01/06/05) nao foi o pico maximo de infestacao, pois, quando as avaliacoes foram encerradas, o numero de insetos capturados por armadilha estava aumentando a cada avaliacao.

[FIGURA 1 OMITIR]

A mesma tendencia crescente na quantidade de parasitoides capturados por armadilha pode ser observada, porem, com uma queda apos 62 dias de avaliacao (31/03/05), atingindo um pico juntamente com o numero de psilideos apos 124 dias, de 37,24 insetos por armadilha (Figura 1).

Efeito da temperatura na flutuacao populacional de G. brimblecombei e de P. bliteus

Observando-se os adultos de G. brimblecombei e associando-os com as variaveis meteorologicas do inicio das avaliacoes ate o final do mes de marco, com 62 dias de avaliacao (31/03/05), em que as temperaturas minimas e maximas medias permaneceram em torno de 19 e 31[grados]C, respectivamente, as populacoes permaneceram baixas (tres psilideos/ armadilha) e, a partir de 75 dias de avaliacao (13/04/05), notou-se que ambas as populacoes aumentaram, atingindo aos 151 dias de avaliacao (28/06/05) 132 psilideos/armadilha, conforme as temperaturas minimas e maximas medias diminuiram (10 e 27[grados]C). O mesmo ocorreu para P. bliteus, apenas com numero medio de insetos menor (0,03 parasitoides/armadilha), ate aos 62 dias de avaliacao e a partir de 75 dias de avaliacao atingem 34,51 parasitoides/armadilha, demonstrando que as duas especies foram diretamente afetadas pela temperatura (Figuras 1 e 2).

No Mexico, a populacao do psilideo-de-concha aumentou juntamente com a temperatura no verao, diminuindo constantemente com a chegada do inverno rigoroso e das geadas, segundo RAMIREZ (2003). No entanto, em Guadalajara, Jalisco, onde o inverno nao possui geada, foi possivel constatar todas as fases do ciclo de vida e os insetos estavam ativos todo o tempo (CIBRIAN-TOVAR & INIGUEZHERRERA, 2001).

Nos EUA, foram observadas abundantes populacoes do psilideo-de-concha relacionadas com altas temperaturas, nos meses mais quentes, correspondentes a maio, junho e julho (DAHLSTEN, 2002). Na Cidade do Mexico, CIBRIAN-TOVAR et al., (sd), determinaram a flutuacao populacional do psilideo-de-concha utilizando armadilhas amarelas circulares, verificando altas populacoes em outubro e baixas ja no inicio de novembro, resultantes da brusca diminuicao de temperatura e da deteccao de parasitoides na area de estudo. PAINE et al. (2000), na California, monitoraram populacoes de G. brimblecombei em E. camaldulensis e observaram as maiores populacoes no verao, entre os meses de junho, julho e agosto, onde as temperaturas foram mais altas.

[FIGURA 2 OMITIR]

Neste estudo, observou-se que, quando as temperaturas medias minimas e maximas diminuiram, ocorreu um aumento nas populacoes de ambas as especies, devido as caracteristicas climaticas no Brasil serem diferentes dos paises localizados no Hemisferio Norte, que possuem o inverno com temperaturas severamente baixas e verao com temperaturas amenas. Isso pode proporcionar melhores condicoes para o desenvolvimento dos insetos no verao, uma vez que no inverno seu desenvolvimento se torna limitado. Ja no Brasil, as temperaturas aumentam com a chegada do verao, entretanto, no inverno, com a chegada dos meses mais secos e das temperaturas mais amenas (10 a 27[grados]C), a populacao do psilideo-de-concha aumenta. Em condicoes de laboratorio, FIRMINO (2004) verificou que a temperatura de 26[grados]C foi mais adequada para o desenvolvimento e a reproducao de G. brimblecombei.

No Sudoeste da Australia, regiao com altas temperaturas, a especie Cardiaspina albitextura, que e principal praga de Eucalyptus blakelyi, possui tres geracoes por ano e no Sul, regiao de baixas temperaturas, a especie leva aproximadamente 18 meses para completar seu ciclo. No entanto, existe a possibilidade de outros fatores particulares de cada regiao nao considerados nos estudos de flutuacao populacional estarem afetando a densidade das populacoes (CLARK, 1962). COULSON & WRITTER (1990) assinalam que existem fatores que afetam a densidade de uma populacao, tais como: caracteristicas meteorologicas, suscetibilidade do hospedeiro, habitat apropriado, parasitismo e enfermidades. BADII et al. (2000) relatam que a predacao e um fator importante na regulacao da densidade de insetos.

Em relacao ao exposto acima e devido a importancia da avaliacao populacional dos inimigos naturais, CIBRIAN-TOVAR et al., (sd) utilizaram a mesma metodologia por armadilhas amarelas circulares a fim de determinar a flutuacao populacional do parasitoide P. bliteus no Mexico e puderam constatar que em outubro a populacao alcancou nivel maximo, diminuindo em novembro, juntamente com a populacao de G. brimblecombei, provavelmente devido as baixas temperaturas registradas. RAMIREZ (2003), estudando diversos aspectos da biologia de P. bliteus, observou que seu desenvolvimento e influenciado pela temperatura, sendo mais curto em abril (16,3 dias) com temperatura media de 20,9[grados]C e mais longo em novembro (41,6 dias), com 16,1[grados]C.

Efeito da precipitacao na flutuacao populacional de G. brimblecombei e de P. bliteus

No inicio do experimento, quando as chuvas foram mais distribuidas, ambas as especies se encontraram em baixo numero. Porem, a partir de 75 dias de avaliacao (13/04/05), quando as chuvas passaram a ser mal distribuidas e desuniformes, proporcionaram melhores condicoes para que as populacoes das duas especies aumentassem (Figuras 1 e 2).

No Mexico, em Cuautitlan Izcalli, a populacao do psilideo-de-concha manteve-se alta nos periodos secos e reduziu significativamente nos meses chuvosos, demonstrando que houve uma relacao entre a precipitacao pluviometrica e a infestacao de G. brimblecombei, (RAMIREZ et al., 2002). Ja RAMIREZ (2003), no Vale do Mexico, pode concluir, por meio de estudos realizados para flutuacao populacional de G. brimblecombei, que a precipitacao pluvial nao teve efeito significativo na variacao das populacoes, apenas foram observadas diminuicoes na quantidade de insetos, principalmente nos meses de junho e julho.

Nas Ilhas Mauricio, Africa, verificou-se uma relacao entre a reducao das populacoes de G. brimblecombei com a chegada de periodos de chuvas intensas.Alem disso, estudos realizados na Australia com Glycaspis baileyi indicaram que o clima e um importante fator de regulacao da populacao destes insetos e de outras especies de psilideos (SOOKAR et al., 2003).

Nesse caso, devido ao fato de nao existir periodos distintos de seca e chuva no decorrer do experimento, nao foi possivel determinar qualquer interferencia significativa entre a flutuacao das duas especies com a precipitacao (Tabela 1).

Alem disso, seria necessario repetir essas avaliacoes em outras regioes ou por periodos mais longos para se comprovar esses resultados.

CONCLUSOES

Este estudo verificou que as populacoes de G. brimblecombei e de P. bliteus possuem correlacao inversamente proporcional em funcao da temperatura. Portanto, as infestacoes aumentam conforme ocorre a diminuicao da temperatura, com picos nos meses de inverno. Nao houve correlacao entre ambas as especies com a precipitacao pluviometrica no periodo avaliado.

AGRADECIMENTOS

Os autores expressam seus agradecimentos a empresa florestal Votorantim Celulose e Papel-VCP, Unidade Luiz Antonio, pelo apoio na instalacao e na conducao do experimento, com especial referencia aos funcionarios: biologo Sergio A. da Silva e ao tecnico Florestal Donizete A. de Oliveira.

Recebido para publicacao 07.08.07 Aprovado em 14.05.08

REFERENCIAS

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ELLIOTT, H.J. et al. Insect pests of Australian forests. Melborne: Inkata, 1998. 214p.

FIRMINO, D.C. Biologia do psilideo-de-concha Glycaspis brimblecombei Moore (Hemiptera: Psyllidae) em diferentes especies de eucalipto e em diferentes temperaturas. 2004. 49f. Dissertacao (Mestrado em Protecao de Plantas) -- Faculdade de Ciencias Agronomicas, Universidade Estadual Paulista, Botucatu.

GALLO, D. et al. Manual de entomologia agricola. Piracicaba: Fealq, 2002. 920p.

GILL, R.J. New state records: Redgum lerp psyllid, Glycaspis brimblecombei. California Pest and Disease, n.17, p.7-8, 1998.

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Pedro Jose Ferreira Filho (I) * Carlos Frederico Wilcken (I) Nadia Cristina de Oliveira (I) Mario Henrique Ferreira do Amaral Dal Pogetto (I) Alexandre Coutinho Vianna Lima (I)

(I) Departamento de Producao Vegetal, Setor de Defesa Fitossanitaria, Faculdade de Ciencias Agronomicas (FCA), Universidade Estadual Paulista (UNESP), Rua Jose Barbosa de Barros, 1780, CP 237, 18610-307, Botucatu, SP, Brasil. E-mail: pedroferreira@fca.unesp.br. * Autor para correspondencia.
Tabela 1 - Valores de correlacao linear de Pearson e significancia para
o periodo total de avaliacao entre o numero medio de adultos de
Glycaspis brimblecombei, e de Psyllaephagus bliteus com temperatures
maxima, minima e media e precipitacao pluvial em plantio de Eucalyptus
camaldulensis, Luiz Antonio SP, 26/01 a 28/06/2005.

No medio de insetos       T max       T min       T med         Pq

adultos Gb
  r                      -0,76 *     -0,81 *     -0,83 *     0,02 ns
  P                       0,0109      0,0042      0,0029     0,9480
adultos Pb
  r                      -0,70 *     -0,79 *     -0,79 *     0,06 ns
  P                       0,0237      0,0069      0,0065     0,8790
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Author:Ferreira Filho, Pedro Jose; Wilcken, Carlos Frederico; de Oliveira, Nadia Cristina; Ferreira do Amar
Publication:Ciencia Rural
Date:Nov 1, 2008
Words:3224
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