Printer Friendly

Development of yellow allamanda stem cuttings under different indolebutyric acid concentrations/Desenvolvimento de estacas de alamanda amarela sob diferentes concentracoes de acido indolbutirico.

Introducao

A propagacao de varias especies, tanto frutiferas como ornamentais, por meio da estaquia, tem sido sugerida por varios autores, porem os resultados sao variaveis de acordo com um grande numero de fatores externos e internos. Entre os fatores internos, destacam-se: a variabilidade genetica, as condicoes fisiologicas, a idade da planta-mae, o tipo de estaca e o estado de desenvolvimento em que sao colhidas. E como fatores externos, citam-se as condicoes ambientais a que as estacas sao submetidas e o substrato utilizado (Monteguti et al., 2008).

A busca de tecnicas auxiliares, como o uso de reguladores de crescimento, tem sido utilizada com frequencia a fim de proporcionar melhoria do enraizamento (Boliani & Sampaio, 1998; Pasqual et al., 2001; Paula et al., 2007; Loss et al., 2008), que tem por finalidade acelerar a iniciacao radicular, aumentar o numero e a qualidade das raizes formadas e uniformizar o enraizamento e, desta forma, aumentar a porcentagem de estacas enraizadas (Fachinello et al., 1995).

Dentre os reguladores de crescimento utilizados para propiciar o enraizamento, destaca-se o grupo das auxinas. Estas sao naturalmente sintetizadas, principalmente, em locais de rapida divisao celular como gemas apicais, folhas jovens, frutos em desenvolvimento e sementes. De maneira geral, apos biossintese, a auxina move-se ao longo da planta do apice para a base. Entre suas principais funcoes biologicas, podem-se citar o crescimento e a diferenciacao celular e o desenvolvimento de orcaos, especialmente as raizes (Mercier, 2004). De acordo com Hartmann et al. (2002), as auxinas sao as substancias que desempenham as maiores funcoes no enraizamento de estacas.

Uma das formas mais comuns de favorecer o balango hormonal para o enraizamento e a aplicacao exogena de reguladores de crescimento, tais como o acido indolbutirico (AIB) (Pasqual et al., 2001). O AIB e uma auxina sintetica, mais estavel e menos soluvel que a auxina endogena acido indol acetico (AIA), sendo considerado um dos melhores estimuladores do enraizamento (Ferriani et al., 2006).

Alguns trabalhos na literatura relatam o efeito benefico do AIB no enraizamento de estacas de ornamentais, destacando-se os estudos de Sarzi & Pivetta (2005), trabalhando com estacas de roseiras (Rosa spp.); Ribeiro et al. (2007), avaliando estacas de quaresmeira (Tibouchina fothergillae Cogn); Loss et al. (2008; 2009), avaliando as estacas de Alamanda (Allamanda cathartica L.) e Malvaviscus (Malvaviscus arboreus Cav.), respectivamente. No entanto, sao encontrados poucos trabalhos na literatura que relatem o sucesso ou fracasso do enraizamento de estacas de alamanda. Desta forma, este trabalho objetivou avaliar o desenvolvimento de tecido caloso, raiz e brotacao em estacas de alamanda amarela tratadas com diferentes concentracoes de acido indolbutirico (AIB).

Material e Metodos

O experimento foi realizado no Setor de Parques e Jardins da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), localizado proximo ao Instituto de Agronomia, latitude 22[degrees] 45'S, longitude 43[degrees] 41'W e altitude de 33 m. O clima da regiao e do tipo Aw, segundo a classificacao de Koppen. A temperatura media foi de 26[degrees]C e a umidade relativa do ar proxima a 90 %, e nao foi necessario o uso de irrigacao pelas constantes chuvas ocorridas no periodo.

Os ramos de alamanda amarela foram coletados na segunda quinzena de outubro de 2008 (primavera) a partir de matrizes com aproximadamente 2 anos de idade, localizadas em jardins do campus sede da UFRRJ. Destas matrizes, retiraram-se ramos sadios, com cerca de 0,60 m de comprimento. Posteriormente, estes foram cortados (em bisel) para obtencao de tres estacas com 0,20 m cada uma e, no minimo, tres gemas por estacas, sendo o corte feito de acordo com a sua posicao no ramo, a saber: estacas subapicais (mais tenras); estacas basais (mais lenhosas) e estacas medianas (com caracteristicas intermediarias as demais). Para todas as estacas, as folhas foram cuidadosamente retiradas visando homogeneizar a amostragem, em relacao a ferimentos que por ventura pudessem ser causados nas estacas. O numero total de estacas de alamanda utilizado neste experimento foi de 270, sendo 90 estacas para cada estadio de desenvolvimento mencionado acima.

As estacas foram imersas em solucao fungicida de Captan (2,4 g [L.SUP.-1]) por 20 min e, em seguida, submetidas aos tratamentos com acido indolbutirico (AIB) nas concentracoes de 0, 250 e 2000 ppm, por 10 segundos. Os tratamentos foram obtidos por meio da dissolucao de uma quantidade de AIB em alcool etilico 50%, sendo a testemunha (0 ppm) tratada apenas com alcool.

As estacas foram plantadas a profundidade equivalente a cerca de 1/3 de seu tamanho, em canteiro localizado a sombra contendo areia lavada como substrato, sob nebulizacao intermitente, onde as estacas permaneceram por um periodo de 45 dias. Neste periodo, fizeram-se tres avaliacoes (aos 15, 30 e 45 dias apos o plantio) nas quais se avaliou o efeito da interacao dos diferentes tipos de estacas e concentracoes de AIB em relacao ao percentual de formacao de tecido caloso, desenvolvimento de raizes adventicias e brotacao.

O experimento foi instalado em esquema fatorial 3 x 3 correspondentes a tres tipos de estacas (subapicais, medianas e basais) e tres concentracoes de AIB (0, 250 e 2000 ppm), distribuidos em blocos casualisados, com tres repeticoes, sendo cada parcela do experimento constituida por 10 estacas. Os dados obtidos foram submetidos aos testes de Lilliefors e Cochran & Barttlet, para testar normalidade e a homogeneidade da variancia, respectivamente, utilizando o programa SAEG 9.1, da Fundacao Arthur Bernardes, Universidade Federal de Vigosa. Uma vez atendidos estes requisitos, os resultados foram submetidos a analise de variancia com aplicacao do teste F e comparados entre si pelo teste t-LSD (p<0,05), utilizando o programa SISVAR 5.3, da Universidade Federal de Lavras.

Resultados e Discussao

Foram verificadas diferencas para o efeito da interacao dos diferentes tipos de estacas e as concentracoes de acido indolbutirico (AIB) aplicadas, em relacao ao percentual de formacao de tecido caloso, enraizamento e brotacao nas estacas de alamanda ao longo do periodo avaliado (Tabelas 1, 2, 3, 4 e 5).

Este resultado difere dos observados por Ferriani et al. (2006) que nao verificaram enraizamento em estacas medianas de Rhododendron thomsonii H. (Ericaceae), coletadas na primavera e tratadas com diferentes concentracoes de AIB (0, 1000, 2000, 4000 ppm). Contudo, assemelha-se ao observado por Loss et al. (2008; 2009), avaliando a formacao de calo, raiz e brotacao em estacas subapicais, medianas e basais de alamanda, coletadas no verao, e Malvaviscus arboreus Cav. (Malvaceae), coletadas na primavera, ambas tratadas com AIB a diferentes concentracoes (0, 4000, 8000 ppm e 0, 2000, 6000 ppm), nesta ordem.

Avaliando o efeito das estacoes do ano e de diferentes concentracoes de AIB (0, 500, 1000, 1500, 2000 ppm) sobre o enraizamento de estacas subapicais de Rosa spp. (Rosaceae), Sarzi & Pivetta (2005) constataram enraizamento somente na primavera e no verao, demonstrando correlacao com a epoca do ano. Desta forma, como sugerido pelos autores, a epoca de estaqueamento e uma variavel determinante para o sucesso produtivo.

Entretanto, apesar de as epocas de coletas das estacas nos estudos desenvolvidos por Ferriani et al. (2006), Loss et al. (2009) e pelo presente estudo serem a mesma (primavera), estes observaram resultados distintos aos verificados por Ferriani et al. (2006). Enquanto Ferriani et al. (2006) estudaram a estaquia de uma Ericaceae do genero Rhododendron e Loss et al. (2009) de uma Malvaceae do genero Malvaviscus, no presente estudo e nos estudos de Loss et al. (2008) foram utilizadas estacas da mesma especie, A. cathartica. Esta consideracao indica que a propagacao via estaquia, utilizando acido indolbutirico (AIB) como indutor de enraizamento, responde a outras variaveis que nao apenas a concentracao desta auxina sintetica ou a epoca de coleta das estacas, neste caso, caracteristicas morfofisiologicas intrinsecas das especies utilizadas, dadas sua taxonomia e relacoes sistematico-filogeneticas.

Corroborando esta hipotese, Sarzi & Pivetta (2005) observaram diferencas inclusive entre as variedades de Rosa spp. (Rosacea), minirroseira, tratadas com o AIB (0, 500, 1000, 1500, 2000 ppm). Os autores verificaram que a media entre a porcentagem de enraizamento para a variedade de flores vermelhas foi maior que as medias encontradas para a variedade branca, tanto na primavera quanto no verao. Este padrao demonstra que, semelhante ao observado para estacas de diferentes grupos taxonomicos, variacoes no enraizamento de estacas tratadas com AIB podem ocorrer igualmente entre especies de um mesmo genero.

Aos 15 dias iniciais de estaqueamento, de maneira geral, os valores percentuais verificados para formacao de calo e desenvolvimento de brotos nas diferentes estacas foram altos, se comparados a outros estudos (Loss et al., 2008), especialmente a concentracao de 2000 ppm de AIB (Tabela 1).

Independente da variavel analisada (calo, raiz e brotacao), notou-se que, nas estacas subapicais, os maiores valores percentuais corresponderam a maior concentracao de AIB (2000 ppm) (Tabela 1). Semelhante ao observado para as estacas subapicais, a concentracao de 2000 ppm de AIB proporcionou maior desenvolvimento de calos e raizes nas estacas basais, sendo a brotacao indiferente as concentracoes aplicadas. Diferindo, nas estacas medianas, independente da variavel analisada, os maiores valores medios, corresponderam as concentracoes de 0 e 250 ppm, indicando que estas estacas sao sensiveis a aplicacao de AIB a baixas concentracoes, em detrimento de concentracoes elevadas nas quais o desenvolvimento e reduzido, sobretudo, a emissao de raizes que e inibida.

Avaliando a formacao de calo, raiz e brotacao nas estacas A. cathartica, Loss et al. (2008) observaram que, apos 15 dias de estaqueamento, a maior concentracao de AIB aplicada (8000 ppm) proporcionou os maiores valores percentuais para a formacao de calo (50 %), raiz (26,6 %) e brotacao (57,7 %). Este padrao foi semelhante ao verificado no presente estudo, para as estacas basais e medianas tratadas com AIB 2000 ppm, tendo sido registrado valores inclusive superiores (Tabela 1), o que sugere que a dose de 2000 ppm utilizada neste estudo propicia efeito semelhante a dose de 8000 ppm utilizada por Loss et al. (2008). Contudo, Loss et al. (2008) nao levaram em consideracao o tipo de estaca utilizada nas analises realizadas ao longo do tempo de estaqueamento, impossibilitando uma comparacao mais refinada.

Aos 30 dias, notou-se que, independente da estaca avaliada, os valores percentuais medios aumentaram significativamente, em especial para estacas subapicais (Tabela 2). Semelhante ao verificado aos 15 dias iniciais de avaliacao, estes valores foram muito superiores aos observados por Loss et al. (2008) avaliando estacas de A. cathartica tratadas com AIB as concentracoes 4000 e 8000 ppm, apos 30 dias de estaqueamento. Os autores encontraram valores percentuais de 19 e 16 % para formacao de calo, 20 e 23 % para formacao de raizes e 10 e 20% para desenvolvimento de brotacao, respectivamente, paras as doses de 4000 e 8000 ppm de AIB, para estacas subapicais.

Comparando-se os resultados deste estudo com os de Loss et al. (2008), verifica-se que ha um contra-senso entre os dados apresentados, demonstrando que, para o estaqueamento da A. cathartica, concentracoes elevadas de acido indolbutirico, possivelmente, deixam de ser promotoras de desenvolvimento passando a atuar como inibitorias, especialmente no desenvolvimento de estacas subapicais, sobretudo de tecido caloso.

Para as estacas subapicais, independente da variavel analisada, os maiores valores corresponderam a maior concentracao de AIB aplicada (2000 ppm), semelhante ao verificado aos 15 dias. Nas estacas medianas e basais, observou-se que, para o desenvolvimento de tecido caloso, estas foram indiferentes a concentracao de AIB aplicada. Contudo, para o enraizamento destas estacas, a concentracao de 250 ppm correspondeu aos maiores valores percentuais, sendo a mediana igual a testemunha (0 ppm). Diferindo, para a brotacao nas medianas, os maiores valores corresponderam as concentracoes de 0 e 2000 ppm, sendo as basais indiferentes a concentracao aplicada (Tabela 2).

De maneira geral, estes resultados foram discordantes dos observados por Loss et al. (2009), avaliando o enraizamento das estacas de Malvaviscus arboreus (Malvaceae). Apos 30 dias do plantio, estes autores verificaram baixos valores percentuais para o desenvolvimento tanto de tecido caloso, quanto de raiz e brotacao nas estacas subapicais e medianas tratadas com AIB a 2000 e 6000 ppm. Estes resultados sugerem que o M. arboreus e pouco sensivel ao acido indolbutirico, se comparado a A. cathartica, sobretudo em relacao as estacas subapicais e medianas.

Com relacao aos 45 dias de estaqueamento, as estacas subapicais mantiveram o comportamento desenvolvido ao longo do estaqueamento (Tabela 3). Observou-se que, para estas estacas, os maiores valores medios, tanto para a formacao de tecido caloso quanto para desenvolvimento de raizes e brotacao, foram verificados para a maior concentracao de AIB aplicada (2000 ppm). Esta semelhanca no comportamento desenvolvido pelas diferentes variaveis indica um padrao segundo o qual, ao longo de 45 dias de estaqueamento, a aplicacao de AIB a 2000 ppm exerce grande influencia sobre o desenvolvimento de estacas subapicais de A. cathartica, seja para desenvolvimento de tecido caloso, raizes ou brotacao.

Com relacao as estacas medianas, para o tecido caloso, como observado a partir de 30 dias apos o plantio, este se mostrou indiferente a concentracao de AIB aplicada (Tabela 3), demonstrando que houve um maximo de desenvolvimento deste tecido entre os 15 e 30 dias de estaqueamento, a partir do qual se estabilizou (Tabela 4). Para o desenvolvimento de raizes, estas tambem foram indiferentes a concentracao aplicada, sugerindo, da mesma forma, um maximo de desenvolvimento que ocorreu aos 30 dias apos a estaquia. Com relacao a brotacao, apesar de as concentracoes de 250 e 2000 ppm de AIB corresponderem aos menores valores percentuais, os resultados obtidos nao foram menos satisfatorios que a testemunha (Tabela 3).

Para as estacas basais notou-se que, semelhante ao verificado aos 30 dias de plantio, tanto calo quanto brotacao foram indiferentes a concentracao aplicada, enquanto para o enraizamento, o maior valor percentual correspondeu a concentracao de 250 ppm de AIB (Tabela 3). Estes comportamentos indicam que, entre os 15 e 30 dias de estaqueamento, houve o maior desenvolvimento de tecido caloso e brotacao, estabilizando em seguida (Tabela 4).

Comparando-se os tipos de estacas com as epocas de avaliacao, independente da concentracao de AIB aplicada, as estacas basais e medianas, apresentaram as respostas mais positivas para desenvolvimento de tecido caloso, raiz e brotacao, com maior enfase para calo e raiz, em detrimento das estacas subapicais que, de maneira geral, corresponderam aos menores valores medios em todas as epocas de avaliacao (Tabela 4). E quando se compara as doses de AIB aplicadas em cada epoca, independente do tipo de estaca, tambem se observa este padrao, sendo neste caso os melhores resultados para calo e raiz verificados para as doses de 250 e 2000 ppm em detrimento a testemunha (Tabela 5). Aos 30 dias de estaquia, verificou-se o maximo de desenvolvimento de raiz, calo e brotacao para todas as estacas (Tabela 4), uma vez que a partir dos 30 dias nao mais se observaram diferencas estatisticas.

Os resultados demonstram que nao apenas as estacas basais sao as mais indicadas para oestaqueamento comaplicacao deAIB para estacas de alamanda, mas tambem as estacas medianas. Devido ao maior grau de lignificacao, quando comparadas as estacas subapicais, as estacas medianas e principalmente as basais, possivelmente, apresentam maior capacidade de estabelecimento e sobrevivencia, como sugerido por Paula et al. (2007). Desta forma, para as estacas medianas, com relacao a formacao de raizes, nas tres epocas avaliadas, a testemunha proporcionou maiores percentuais de enraizamento quando comparada com as estacas subapicais e basais (Tabelas 1, 2 e 3).

Entre as concentracoes de AIB, nao foram observadas diferencas para o percentual de enraizamento aos 45 dias de estaquia para as estacas medianas (Tabela 3). Aos 15 e 30 dias, foram verificados menores percentuais de raizes para a maior dose de AIB (2000 ppm) nas estacas medianas (Tabelas 1 e 2). Estes resultados sugerem que, para estacas medianas de A. cathartica, nao se faz necessario o uso de AIB, sendo este mais indicado para estacas subapicais, que apresentaram a maior percentagem de brotacao, nas tres epocas avaliadas, na maior dose de AIB (Tabelas 1, 2 e 3).

Segundo Pasqual et al. (2001), e necessario que haja balango endogeno adequado, especialmente entre auxinas, giberelinas e citocininas, ou seja, equilibrio entre promotores e inibidores do processo de iniciacao radicular. Desta forma, a interacao de determinados fatores relacionados as estacas (relacao C/N, idade fisiologica, teores de lignina e tipo de estaca), assim como fatores de natureza climatica (temperatura e umidade), atuam em conjunto para a formacao de raizes adventicias (Hartmann et al., 1997; Loss et al., 2009).

Frente aos resultados encontrados para o enraizamento de estacas de A. cathartica, pode-se inferir que esta especie possui maior facilidade de formar raizes adventicias a partir de estacas medianas, sem a necessidade do uso de AIB. Esta maior facilidade de desenvolvimento radicular neste tipo de estaca pode ser decorrente do melhor balango hormonal (Pasqual et al., 2001) e tambem dos fatores inerentes a este tipo de estaca, pois esta apresenta caracteristicas intermediarias as outras estacas, ou seja, tem caracteristicas de uma estaca "dreno" (subapical) e ao mesmo tempo de uma estaca "fonte" (basal). Desta forma, uma simples injuria provocada por um corte na base da estaca, durante o seu preparo pode ativar todo o mecanismo de acao das substancias que induzem a formacao de raizes adventicias (Hartmann et al., 1997).

Segundo Goode Jr. & Lane (1983), as secoes basal e media das estacas medianas apresentam-se com maior capacidade para disponibilizar os carboidratos necessarios ao crescimento das raizes e dos rebentos. Desta forma, segundo Pacheco (2007), a disponibilidade de carboidratos representa a principal fonte de energia assimilavel a manutencao das atividades metabolicas na planta.

Para produtores de mudas de plantas ornamentais de A. cathartica, o uso de estacas medianas torna-se extremamente eficaz e barato, uma vez que nao sera necessario o uso de indutores do crescimento, evitando-se os gastos com a compra de hormonios, que sao dispendiosos e encarecem a venda de mudas de plantas ornamentais.

Conclusoes

Para as estacas subapicais a aplicacao de 2000 ppm de AIB, por 15, 30 ou 45 dias aumenta o desenvolvimento de calo, raiz e brotacao.

Para as estacas medianas, independente da epoca avalida, estas apresentaram os melhores resultados para o desenvolvimento de calo e raiz, nao sendo necessario a aplicacao de AIB.

A aplicacao de AIB a 250 ppm e suficiente para proporcionar desenvolvimento satisfatorio de enraizamento em estacas basais cultivadas por um periodo de 30 ou 45 dias.

Independente da concentracao de AIB aplicada, aos 30 dias as estacas subapicais, medianas e basais expressam o maximo de desenvolvimento de calo, raiz e brotacao.

Recebido: 28 Janeiro 2011

Aceito: 11 Julho 2011

Referencias

Boliani, A.C., Sampaio, V.R. 1998. Efeitos do estiolamento basal e do uso do acido indolbutirico no enraizamento de estacas de nespereira (Eriobotrya japonica Lindley). Cultura Agronomica 7: 51-63.

Fachinello, J.C., Hoffmann, A., Nachtigal, J.C., Kersten, E., Fortes, G.R.L. 1995. Propagacao de plantas frutiferas de clima temperado. 2. ed. UFPel, Pelotas, Brasil. 178p.

Ferriani, A.P., Bortolini, M.F., Zuffellato-Ribas, K.C., Koehler, H.S. 2006. Propagacao vegetativa de estaquia de azaleia arborea (Rhododendron thomsonii Hook. f.). Semina: Ciencias Agrarias 27: 35-42.

Goode Jr., D.A., Lane, R.P. 1983. Rooting leafy muscadine grape cuttings. HortScience 18: 944-946.

Hartmann, H.T., Kester, D.E., Daves Jr., F.T., Geneve, R.L. 1997. Plant propagation principle and practices, 6.ed. Prentice Hall, New Jersey, USA. 770 p.

Hartmann, H.T., Kester, D.E., Daves Jr, F.T., Geneve, R.L. 2002. Plant propagation: principles and practices. 7.ed. Prentice Hall, New Jersey, USA. 880 p.

Loss, A., Teixeira, M.B., Assuncao, G.M., Haim, P.G., Loureiro, D.C., Souza, J.R. 2008. Enraizamento de estacas de Allamanda cathartica L. tratadas com Acido Indol-Butirico (AIB). Revista Brasileira de Ciencias Agrarias 3: 313-316.

Loss, A., Teixeira, M.B., Santos, T.J., Gomes, V.M., Queiroz, L.H. 2009. Inducao do enraizamento em estacas de Malvaviscus arboreus Cav. com diferentes concentracoes de acido indol-butirico (AIB). Acta Scientiarum Agronomy 31: 269-273.

Mercier, H. 2004. Auxinas. In: Kerbauy, G. B. (ed.) Fisiologia Vegetal. Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, Brasil. p. 217-249.

Monteguti, D., Biasi, L.A., Peresuti, R.A., Sachi, A.T., Oliveira, O.R., Skalitz, R. 2008. Enraizamento de estacas lenhosas de porta-enxertos de videira com uso de fertilizante organico. Scientia Agraria 9: 99-103.

Pacheco, J.P. 2007. Estaquia de Luehea divaricata Mart. (agoita-cavalo). 84f. (Dissertacao de Mestrado)--Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, Brasil.

Pasqual, M., Chalfun, N.N.J., Ramos, J.D., Vale, M.R., Silva, C.R.R. 2001. Fruticultura Comercial: propagacao de plantas frutiferas. UFLA/FAEPE, Lavras, Brasil. 137 p.

Paula, L.A., Boliani, A.C., Correa, L.S., Celoto, M.I.B. 2007. Efeito do acido indolbutirico e raizon no enraizamento de estacas herbaceas e lenhosas de umbuzeiro. Acta Scientiarum Agronomy 29: 411-414.

Ribeiro, M.N.O., Paiva, P.D.O., Silva, J.C.B., Paiva, R. 2007. Efeito do acido indolbutirico sobre estacas apicais e medianas de quaresmeira (Tibouchina fothergillae Cogn.). Revista Brasileira de Horticultura Ornamental 13: 73-78.

Sarzi, I.,Pivetta, K.F.L. 2005. Efeito das estacoes do ano e do acido indolbutirico no enraizamento de estacas de variedades de minirroseira (Rosa spp.). Cientifica 332: 62-68.

Guilherme Henrique Almeida Pereira, Fernando Silva Coutinho, Renata Aparecida Costa e Silva, Arcangelo Loss *

Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropedica, RJ, Brasil

* Autor correspondente, e-mail: arcangeloloss@yahoo.com.br
Tabela 1. Efeito da interagao dos diferentes tipos de estacas
e concentragoes de Acido Indolbutirico (AIB) em relagao ao
percentual de formagao de calo, raiz e brotagao em Alamanda
cathartica apos 15 dias de estaqueamento.

Variaveis    Concentragao         Tipos de estacas
analisadas      (ppm)

                            Subapical   Mediana   Basal

                                         --%--

Calo              0           20 Bb      50 Aa    50 Ba
                 250          20 Bc      57 Aa    30 Cb
                 2000         50 Ab      40 Bc    83 Aa
Raiz              0           0 Bb       10 Aa     0 Cb
                 250          0 Bb       10 Aa    10 Ba
                 2000         17 Aa      0 Bb     15 Aa
Brotagao          0           35 Bb      90 Aa    97 Aa
                 250          40 Bb      95 Aa    100 Aa
                 2000         70 Ab      70 Bb    93 Aa

Medias de tres repetigoes. Medias seguidas de mesma letra maiuscula
na coluna nao diferem significativamente entre as concentragoes, para
cada tipo de estaca, e mesma letra minuscula na linha nao diferem
entre os tipos de estacas, para cada concentragao, pelo teste t - LSD
a 5%

Tabela 2. Efeito da interagao dos diferentes tipos de estacas e
concentragoes de Acido Indolbutirico (AIB) em relagao ao percentual
de formagao de calo, raiz e brotagao em Alamanda cathartica apos
30 dias de estaqueamento.

Variaveis    Concentragao         Tipos de estacas
analisadas      (ppm)

                            Subapical   Mediana   Basal

                                        --%--

Calo              0           60 Bb      93 Aa    95 Aa
                 250          35 Cb      95 Aa    97 Aa
                 2000         90 Ab      90 Ab    100 Aa
Raiz              0           60 Bb      87 Aa    67 Bb
                 250          35 Cb      82 Aa    83 Aa
                 2000         90 Aa      70 Bb    70 Bb
Brotagao          0           60 Bb     100 Aa    97 Aa
                 250          50 Cc      87 Bb    100 Aa
                 2000         95 Ab      95 Ab    100 Aa

Medias de tres repetigoes. Medias seguidas de mesma letra maiuscula
na coluna nao diferem significativamente entre as concentragoes para
cada tipo de estaca, e mesma letra minuscula na linha nao diferem
entre os tipos de estacas, para cada concentragao, pelo teste t - LSD
a 5%.

Tabela 3. Efeito da interagao dos diferentes tipos de estacas e
concentragoes de Acido Indolbutirico (AIB) em relagao ao percentual
de formagao de calo, raiz e brotagao em Alamanda cathartica apos 45
dias de estaqueamento.

Variaveis    Concentragao        Tipos de estacas
analisadas      (ppm)

                            Subapical  Mediana   Basal

                                          %

                  0          65 Cb     100 Aa    93 Aa
Calo             250         80 Bb     90 Aab    97 Aa
                 2000        95 Aa      93 Aa    100 Aa
                  0          60 Bb      86 Aa    67 Bb
Raiz             250         35 Cb      90 Aa    90 Aa
                 2000        95 Aa      83 Ab    70 Bc
Brotagao          0          70 Bb     100 Aa    97 Aa
                 250         55 Cc      93 Bb    100 Aa
                 2000        95 Ab      93 Bb    100 Aa

Medias de tres repetigoes. Medias seguidas de mesma letra maiuscula
na coluna nao diferem significativamente entre as concentragoes,
para cada tipo de estaca, e mesma letra minuscula na linha nao
diferem entre os tipos de estacas, para cada concentragao,
teste t - LSD a 5%.

Tabela 4. Efeito da interagao dos diferentes tipos de estacas
e epocas em relagao ao percentual de formagao de calo, raiz e
brotagao em Alamanda cathartica,
independente da concentragao de AIB utilizada.

Variaveis                        Estacas
analisadas

             Epoca   Subapical   Mediana   Basal

             dias                   %

              15       30 Bc      62 Bb    80 Ba
Calo          30       48 Ab      92 Aa    94 Aa
              45       54 Ab      97 Aa    96 Aa
              15       6 Ab       61 Ba    61 Ba
Raiz          30       7 Ab       79 Aa    86 Aa
              45       8 Ab       73 Aa    74 ABa
              15       48 Bb      68 Ba    73 Ba
Brotagao      30       85 Aa      93 Aa    95 Aa
              45       96 Aa      98 Aa    98 Aa

Medias de tres repetigoes. Medias seguidas de mesma letra
maiuscula na coluna nao diferem significativamente entre as
epocas, para cada concentragao de AIB, e mesma letra
minuscula na linha nao diferem entre as concentragoes,
para cada epoca, pelo teste t - LSD a 5%.

Tabela 5. Efeito da interagao das diferentes concentragoes
e epocas em relagao ao percentual de formagao de calo,
raiz e brotagao em Alamanda cathartica, independente do tipo
de estaca utilizada.

Variaveis   Epoca      Concentragao de AIB
analisadas  (dias)

                       0       250     2000

                              --%--

              15     40 Bb   83 ABa    86 Aa
Calo          30     35 Bb    76 Ba    87 Aa
              45     58 Ab    93 Aa    96 Aa
              15     4 Ab     71 Aa    71 Aa
Raiz          30     7 Ab     66 Aa    70 Aa
              45     10 Ab    77 Aa    81 Aa
              15     73 Aa   85 ABa    88 Aa
Brotagao      30     77 Aa    79 Ba    83 Aa
              45     78 Aa    97 Aa    96 Aa

Medias de tres repetigoes. Medias seguidas de mesma letra
maiuscula na coluna nao diferem significativamente entre as
epocas, para cada concentragao de AIB, e mesma letra minuscula
na linha nao diferem entre as concentragoes, para cada epoca,
pelo teste t-LSD a 5%.
COPYRIGHT 2012 Federal University of Piaui
No portion of this article can be reproduced without the express written permission from the copyright holder.
Copyright 2012 Gale, Cengage Learning. All rights reserved.

Article Details
Printer friendly Cite/link Email Feedback
Author:Pereira, Guilherme Henrique Almeida; Coutinho, Fernando Silva; Silva Costa, Renata Aparecida; Loss,
Publication:Comunicata Scientiae
Date:Mar 1, 2012
Words:4265
Previous Article:Evaluation of maize hybrids under three densities in the agricultural frontier in Maranhao State, Brazil/Avaliacao de hibridos de milho sob tres...
Next Article:Nitrogen fertilization and leaf sampling criteria potato crop/Adubacao nitrogenada e criterios de amostragem foliar para a cultura da batata.

Terms of use | Privacy policy | Copyright © 2019 Farlex, Inc. | Feedback | For webmasters