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Development of High Energy Physics in Brazil: scientific output, graduate programs and research groups/ O desenvolvimento da Fisica de Altas Energias no Brasil: producao cientifica, programas de pos-graduacao e grupos de pesquisa/El desarrollo de la Fisica de Altas Energias en Brasil: la produccion cientifica, los programas de postgrado y los grupos de investigacion.

1 INTRODUCAO

A Fisica constitui, atualmente, no Brasil, uma das areas de maior reconhecimento internacional. Esta colabora para o desenvolvimento do pais por meio da geracao de conhecimento cientifico e tecnologico. A sua consolidacao comecou na decada de 1930 com a chegada de pesquisadores estrangeiros e com a fundacao das primeiras universidades publicas em Sao Paulo e no Rio de Janeiro (VIEIRA; VIDEIRA, 2007). Menos de um seculo depois, em 2010, o conjunto de artigos brasileiros representou 2% da producao mundial da area, evidenciando um impacto superior aos artigos de nacoes como Japao, Russia, India, China e Coreia do Sul (INSTITUTE OF PHYSICS, 2012). Em comparacao com 2009, o indice de citacao do ano de 2010 registrou um aumento de 26,4%, segundo estudo realizado no Reino Unido pelo Institute of Physics (2012), que examinou a producao cientifica em Fisica indexada na Web of Science (WoS) no periodo de 2001 a 2010 entre paises com reconhecida importancia politica e economica (G7) e paises com potencial de crescimento (BRICS).

A Fisica brasileira e uma area de grande visibilidade internacional, dada a quantidade consideravel de artigos e citacoes em revistas de alto impacto (CAPES, 2013). O aumento da participacao dos pesquisadores nacionais nas colaboracoes internacionais e a consequente intensificacao das atividades cientificas se tornaram pontos marcantes para o desenvolvimento da area (CAPES, 2013). Sob essa perspectiva, pode-se assegurar que seu crescimento e, em grande parte, consequencia do trabalho em colaboracao e da interacao entre os cientistas.

A subarea da Fisica que e referencia no mundo em termos de colaboracao e a de Altas Energias (FAE), considerada uma das disciplinas cientificas mais internacionalizadas e colaborativas (MELE et al., 2006). Desde a decada de 1950, grandes experimentos com aceleradores de particulas envolvem a participacao de cientistas de varios paises. O reduzido numero de laboratorios, o custo operacional das pesquisas e a interdisciplinaridade sao fatores que intensificam a construcao de vinculos entre as nacoes. A supremacia de publicacoes de autoria multipla em FAE e decorrencia da sua forte cultura de comunicacao e intercambio cientifico.

A FAE, tambem conhecida por Fisica de Particulas e Campos, e um dos subcampos da Fisica que contribui notoriamente para o avanco da disciplina em termos de descobertas cientificas. Por meio de aceleradores, a FAE estuda as quatro interacoes basicas da natureza (gravitacional, eletromagnetica, fraca e forte) e seus elementos fundamentais, as particulas elementares (SANTORO; NOVAES, 2003). Os estudos da area consistem, essencialmente, na observacao dos resultados das colisoes entre particulas. Na realizacao dos experimentos, sao utilizados aceleradores que produzem feixes de particulas de alta energia. As descobertas da FAE serviram de fundamento teorico na busca pela compreensao da origem do universo (SBF, 1987).

Em relacao aos beneficios para a sociedade, a FAE experimental contribui ativamente para areas como a Medicina, no desenvolvimento de tomografos e terapia de radiacao para diagnostico e tratamento do cancer, baseada no uso de particulas subatomicas (protons) e ions (atomos com carga positiva ou negativa); para a Tecnologia da Informacao e Comunicacao, na criacao da world wide web como um sistema de processamento, transmissao e armazenamento de dados a partir do grande volume gerado pelos experimentos realizados com o acelerador de particulas Large Hadron Collider (LHC) da European Organization for Nuclear Research (CERN); para o Meio Ambiente e Energia, na producao de energia renovavel ou "limpa" a partir do aproveitamento da grande quantidade de energia liberada pelas antiparticulas e antimateria nas suas interacoes; e para os processos industriais, no melhoramento da qualidade do isolamento termico em equipamentos eletricos como geladeiras e fornos, mediante tecnologia baseada em uma pelicula absorvente utilizada em aceleradores de particulas para remover pequenas quantidades de gas do interior do sistema de vacuo (SANTORO; NOVAES, 2003).

Em 2008, o Brasil comecou a gestao no CERN para se tornar, sob uma nova modalidade de participacao, um membro associado, pois, embora a colaboracao da FAE brasileira com a organizacao europeia seja antiga e intensa, nao ha um vinculo formal estabelecido. Em numero de pesquisadores, alunos e engenheiros, o Brasil figura em segundo lugar entre os paises nao membros com maior participacao, atras apenas do Canada. Por outro lado, a condicao de pais membro associado pode outorgar as instituicoes brasileiras maiores beneficios em termos de participacao nas pesquisas, conhecimento cientifico e tecnologico, publicacao de trabalhos em coautoria e visibilidade internacional. Entretanto, a associacao ao CERN nao e suficiente para que haja um salto de qualidade na pesquisa da FAE, sendo necessario um investimento significativo na infraestrutura, na criacao de novos laboratorios e na formacao de recursos humanos (LEPINE-SZILY, 2011). Ao mesmo tempo, pesquisadores brasileiros da area participam dos grandes projetos internacionais envolvendo colaboracoes com laboratorios como o Fermi National AcceleratorLaboratory (Fermilab) e Brookhaven National Laboratory (BNL), nos Estados Unidos, e o Observatorio Pierre Auger, na Argentina (CAPES, 2013).

A area da Fisica de Altas Energias e comumente foco de analise de pesquisadores internacionais, envolvendo aspectos sobre a producao cientifica, colaboracao e impacto. No Brasil, existem investigacoes que apresentam indiretamente um panorama da FAE, como a de Vanz (2009), que constatou a formacao de grandes grupos (teamworks) no campo como decorrencia do alto custo da pesquisa e complexidade dos experimentos; e a de Duarte (2008), que afirmou que o desenvolvimento cientifico e tecnologico da FAE deve ter como base a colaboracao internacional e a participacao brasileira no CERN.

Com o objetivo de ampliar o conhecimento que se tem acerca da FAE brasileira e mapear sua producao cientifica, este estudo apresenta a analise bibliometrica dos artigos brasileiros publicados pela area no periodo de 1983 a 2013 e os discute a partir do resgate historico da area, do panorama atual dos grupos de pesquisa registrados no CNPq e da evolucao dos cursos de pos-graduacao. A secao seguinte apresenta um historico da area no Brasil e dados sobre o cenario atual dos cursos de posgraduacao. Depois, sao apresentados os procedimentos metodologicos e os resultados obtidos. As consideracoes finais encerram o artigo.

2 FAE BRASILEIRA: EVOLUCAO HISTORICA E CENARIO ATUAL

O desenvolvimento da ciencia no Brasil comecou tardiamente devido a politica colonial imposta por Portugal: "Para Portugal, o Brasil era menos um projeto de colonizacao do que um grande latifundio a ser explorado" (SCHWARTZMAN, 2001, p. 30). O papel pioneiro estabelecido por Portugal com as navegacoes e a exploracao maritima deu lugar a uma posicao marginal entre os paises europeus, com efeitos profundos sobre a heranca cultural que o Brasil recebeu. No entanto, a vinda de D. Joao VI produziu importantes modificacoes na colonia: abertura dos portos a navegacao e ao comercio exterior, inauguracao da primeira biblioteca publica, criacao de academias e escolas medicas. Alguns acontecimentos, como a concepcao da Escola Politecnica de Sao Paulo em 1893 e da Academia Brasileira de Ciencias em 1916, foram marcantes para a Fisica. A essas iniciativas de atividade cientifica se juntaram o impulso vigoroso das correntes de imigracao e o crescimento industrial decorrente da Primeira Guerra Mundial (SBF, 1987).

No inicio da decada de 1930 a Fisica internacional atravessava uma fase contraditoria em termos de descobertas, de maneira que refletiu a instabilidade social do mundo todo, assolado pela crise economica e politica (MOTOYAMA, 2004). No Brasil, porem, a consolidacao das pesquisas na area e a colaboracao entre cientistas ocorreram de forma sistematizada nesse periodo, principalmente com a fundacao das primeiras universidades e com a chegada de pesquisadores estrangeiros. Em 1934, em Sao Paulo, o cientista italiano Gleb Wataghin implantou o Departamento de Fisica na Faculdade de Filosofia, Ciencias e Letras (FFCL) da Universidade de Sao Paulo (USP). Wataghin era, por natureza, um fisico teorico; no entanto, montou um laboratorio experimental e comecou a estudar os raios cosmicos, a alta energia. Em 1938, a chegada de novos fisicos estrangeiros a USP possibilitou o trabalho em colaboracao e a realizacao de novas experiencias com raios cosmicos. Eles introduziram no Brasil a tradicao de Fisica Experimental, que vinha sendo desenvolvida por outros paises (SCHWARTZMAN, 2001; MOTOYAMA, 2004). Chaves et al. (2002) reforcam a ideia de que a Fisica em Sao Paulo nasceu de fato com a FAE, experimentalmente, com os estudos sobre raios cosmicos e, teoricamente, com modelos sobre producao de particulas e teoria de campos.

Em menor escala, no Rio de Janeiro, o fisico e engenheiro alemao Bernhard Gross deu inicio as investigacoes na area da Fisica dos Solidos no Instituto Nacional de Tecnologia (INT) (SBF, 1987; VIEIRA; VIDEIRA, 2007). Ainda, "nesse mesmo periodo, Wataghin publica seu primeiro artigo no Brasil, nos anais da Academia Brasileira de Ciencias, sobre propriedades de particulas elementares" (VIEIRA; VIDEIRA, 2007, p. 14).

Na decada de 1940, com a consolidacao do projeto universitario, os incipientes grupos de investigacao experimental em Fisica Nuclear da USP constroem os primeiros aceleradores de particulas. "As linhas de pesquisa iniciadas no Brasil, desde entao e ao longo dos anos, conseguiram se desenvolver e estabelecer parcerias com centros de pesquisa do exterior" (SBF, 2012, p. 39). Em parceria com a Fundacao Rockefeller, o Departamento de Fisica pode adquirir um acelerador de particulas nos Estados Unidos (SCHWARTZMAN, 2001). Enquanto isso, no Rio de Janeiro, na Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, Joaquim da Costa Ribeiro continua os trabalhos iniciados por Gross no INT.

Depois da Segunda Guerra Mundial, muitos alunos de Wataghin que estavam trabalhando em laboratorios da Europa e dos Estados Unidos regressam para o Brasil em busca de novos desafios. Eles influenciam a volta de Cesar Lattes, que tinha acabado de participar, em Bristol (Inglaterra) e em Berkeley (Estados Unidos), da descoberta do meson pi, particula muito importante na descricao das forcas nucleares. Em 1949, Joaquim da Costa Ribeiro e outros professores da Faculdade Nacional de Filosofia fundam o Centro Brasileiro de Pesquisas Fisicas (CBPF) como uma unidade autonoma e privada de investigacao, com o proposito de guiar o pais pelo caminho da pesquisa atomica (GOLDEMBERG, 1973; SBF, 1987; SCHWARTZMAN, 2001; VIEIRA; VIDEIRA, 2007).

Motoyama (2004) destaca que o trabalho sobre a descoberta do meson pi foi recompensado com o premio Nobel, em 1950. O autor explica que o nome de Lattes nao apareceu entre os ganhadores, talvez por ser de um pais de pouca tradicao cientifica, embora ele e outros pesquisadores tivessem trabalhado com o fisico britanico Powell, vencedor do premio.

Na decada de 1950, a era da industrializacao recebeu destaque porque as "grandes maquinas" ou aceleradores proporcionavam a oportunidade de novas investigacoes no campo da Fisica de Particulas, principalmente em laboratorios estadunidenses--como, por exemplo, Los Alamos National Laboratory (LANL), Lawrence Berkeley National Laboratory (LBL), Brookhaven National Laboratory (BNL), e Lawrence Livermore National Laboratory (LLNL)--e europeus (a exemplo do CERN), embora Shellard (2011) expresse que nesse periodo existia um numero insuficiente de pesquisadores e cientistas brasileiros na area. O autor cita tambem a falta de ambiente de pesquisa nas universidades, a carencia de especialistas na industria e a ausencia da cultura de inovacao nas empresas. A despeito de o Brasil contar com o apoio politico do governo, nao dispunha dos recursos financeiros e tecnologicos dos paises desenvolvidos (VIEIRA; VIDEIRA, 2007).

Entretanto, o pais teve singular participacao na resolucao de problemas teoricos e nas descobertas experimentais em nivel internacional. Por causa da visao e do prestigio do almirante Alvaro Alberto e de fisicos como Leite Lopes, Cesar Lattes e Jayme Tiomno, a criacao do CNPq, em 1951, estimulou o desenvolvimento da ciencia brasileira e da Fisica em particular. No mesmo ano, criou-se a Coordenacao de Aperfeicoamento de Pessoal de Nivel Superior (Capes), outorgando importancia na formacao de pessoal de pos-graduacao no Brasil e no exterior (SBF, 1987).

A partir da decada de 1960, as investigacoes na area da Fisica passaram a se expandir para alem do eixo Rio de Janeiro-Sao Paulo. No campo experimental, houve uma queda da atividade depois do Golpe de 1964. Com a reforma universitaria em 1968, pesquisadores da primeira geracao formaram novos grupos em outras capitais e estados brasileiros, como Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Parana, Paraiba, Ceara, Bahia, Pernambuco, e Distrito Federal. Alem disso, em Sao Paulo, foram criados grupos na cidade de Sao Carlos e de Campinas (na Unicamp) e, no Rio de Janeiro, na Pontificia Universidade Catolica (PUC-Rio). A criacao de universidades federais e estaduais nessa decada (e mais intensamente nas decadas posteriores) instituiu inicialmente uma demanda por fisicos e, uma vez estabelecidos os grupos de trabalho, ajudou a impulsionar a formacao de novos recursos humanos nessa area, destacando-se que, a partir da segunda metade da decada de 1960, foi estruturado um sistema com novos PPGs no pais (SBF, 1987; SCHWARTZMAN, 2001; SHELLARD, 2011; VIEIRA; VIDEIRA, 2007). De acordo com Goldemberg (1973), a partir de 1965, o Banco Nacional de Desenvolvimento Economico (BNDES) passou a subvencionar fortemente cursos de pos-graduacao e atividades de pesquisa, incluindo a compra de dois novos aceleradores nucleares para Sao Paulo, superando amplamente o investimento realizado pelo CNPq. Outro acontecimento importante no inicio da decada foi a institucionalizacao da Fundacao de Amparo a Pesquisa do Estado de Sao Paulo (Fapesp). "[...] a Fapesp tornou-se a principal alternativa de financiamento a pesquisa no pais, ao lado das agencias federais estabelecidas com finalidades semelhantes nos anos 50 e 60." (SCHWARTZMAN, 2001, p. 259).

Na decada de 1970, a criacao do Fundo Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnologico (FNDCT) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) contribuiu significativamente para o crescimento da Fisica no Brasil. A Fisica Experimental ganhou terreno a partir da maior participacao em colaboracoes internacionais. Todavia, os anos seguintes foram marcados pela diminuicao dos recursos financeiros destinados a ciencia e tecnologia (C&T). A concepcao, em 1985, do Ministerio de Ciencia e Tecnologia (MCT) trouxe esperancas para a comunidade cientifica. Porem, a instabilidade economica, no inicio da decada de 1990, foi um obstaculo para o avanco da area (SBF, 1987; SHELLARD, 2011).

No inicio da decada de 2000, iniciou-se o periodo de recuperacao do FNDCT. Estruturaram-se novas redes de pesquisadores, consolidaramse as atividades das entidades estaduais de apoio a pesquisa, como a Fundacao de Amparo a Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), a Fundacao de Amparo a Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), a Fundacao de Amparo a Ciencia e Tecnologia de Pernambuco (Facepe), a Fundacao de Amparo a Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs), e houve a criacao do Portal de Periodicos da Capes.

Em 2008, o MCT instituiu a Rede Nacional de Fisica de Altas Energias (Renafae). A organizacao conta com um conselho tecnicocientifico, composto por membros de diversas instituicoes de ensino e pesquisa do pais que atuam na area. A Renafae tem como objetivos promover as investigacoes das propriedades das particulas e suas interacoes, coordenar as atividades relacionadas as grandes colaboracoes internacionais, e criar um programa para o desenvolvimento de instrumentacao e software.

A Renafae e coordenada pelo CBPF (CBPF, 2011; SHELLARD, 2011). Alem dessa designacao, o CBPF esta negociando no CERN o ingresso do Brasil na organizacao internacional em carater de membro associado. Tambem em Altas Energias, a Renafae se tornou um centro regional de operacao da grade internacional de computadores do maior laboratorio para pesquisas do mundo (CBPF, 2011). Vinculada ao CBPF, a Renafae se estabelece como um dos principios do programa de cooperacao internacional criado pelo MCT. Entre os membros da comunidade cientifica da FAE, acredita-se que a criacao da rede seja responsavel pelo impulso da pesquisa brasileira nos ultimos anos.

Chaves et al. (2007) consideram que a maturidade e a qualidade alcancada pela FAE brasileira refletem no numero de colaboracoes internacionais e publicacoes em coautoria. Entretanto, existe pouca interacao entre os pesquisadores da area e as industrias, o que dificulta os avancos tecnologicos e freia o ritmo inovador do pais. Os autores explicam tambem que existe uma deficiencia de fisicos experimentais em termos nacionais, o que poderia ser sanado a partir da adocao de medidas que incluam o melhoramento dos laboratorios de pesquisa, a criacao de novos cursos de pos-graduacao e a extensao do prazo de formacao. No inicio da decada de 2000, Chaves et al. (2002) comprovaram que a quantidade de fisicos brasileiros experimentais de todas as areas de pesquisa (46%) se encontrava abaixo da fracao dos paises industrializados (75%). A Fisica de Particulas e Campos representava 13% do total de fisicos, correspondendo 3% somente a subarea experimental.

3 PROCEDIMENTOS METODOLOGICOS

O corpus de analise utilizado na geracao dos indicadores bibliometricos e constituido por 6.350 artigos brasileiros em FAE indexados na base multidisciplinar WoS entre 1983 e 2013. A coleta das informacoes e download dos registros bibliograficos foi realizada em dezembro de 2014, utilizando a opcao de busca avancada (advanced search), com uso de operadores booleanos (OR, AND). Os rotulos de campo CU=Pais (Brazil OR Brasil) e WC=Categoria Web of Science (Physics, particles & fields) foram utilizados na estrategia de busca para demarcacao dos artigos publicados por cientistas brasileiros da FAE e para delimitacao da categoria de assunto dos periodicos indexados pela WoS. Os resultados foram restritos ao tipo de documento "article", ao idioma "alllanguages', ao tempo estipulado de 1983 ate 2013, e ao indice de citacoes Science Citation Index Expanded (SCI-Expanded).

Na caracterizacao da FAE brasileira, foram utilizados indicadores bibliometricos gerais e especificos. Indicadores de producao: Publicacao Total (PT), Taxa de Crescimento (TC), Publicacoes Acumuladas por Ano (PAA), Crescimento Acumulado por Ano (CAA), Variacoes por Ano (VA). Indicadores de colaboracao: Colaboracao Internacional (COI), Colaboracao Nacional (CON), Sem Colaboracao (SemC). Na geracao dos indicadores de colaboracao, os nomes das instituicoes e paises foram padronizados por meio da lista de autoridades do Grupo de Pesquisa em Comunicacao Cientifica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Os softwares utilizados no tratamento dos dados foram BibExcel e R (analises descritivas) e Microsoft Excel 2007.

O Diretorio dos Grupos de Pesquisa do CNPq (DGP/CNPq) forneceu informacoes acerca dos grupos cadastrados da FAE e suas areas de atuacao. A consulta parametrizada a base de dados corrente e a coleta das informacoes ocorreu em 24 de janeiro de 2015, aplicando a busca nos campos: nome do grupo, nome da linha de pesquisa e palavrachave da linha de pesquisa. Foram utilizadas os termos "Fisica de Altas Energias" e "Fisica de Particulas e Campos".

O sistema de avaliacao implantado pela Capes proporcionou dados quantitativos a respeito dos programas brasileiros em Fisica e Astronomia com linhas de pesquisa em FAE que integram o Sistema Nacional de PosGraduacao (SNPG, 2015). A consulta e coleta das informacoes ocorreu em 26 de janeiro de 2015. Ressalta-se que nao foram localizados dados sobre programas especificos em Fisica de Altas Energias.

4 RESULTADOS

A producao cientifica da FAE brasileira indexada na WoS no periodo de 1983 a 2013 e constituida por 6.350 artigos, representando 3% do total da pesquisa mundial na area. Em termos de participacao, o Brasil ocupa o 14[degrees] lugar no ranking de paises mais produtivos, sendo que os Estados Unidos (29,78%) lideram a lista de nacoes. Por outro lado, a media anual de crescimento das publicacoes brasileiras (14,27%) e amplamente superior a do mundo (3,78%). Observa-se que a FAE nacional apresentou um crescimento mais irregular quando comparado ao do mundo, destacando que houve uma aceleracao da producao entre 2009 e 2013, periodo posterior a criacao da Renafae (Tabela 1). A ampliacao do numero de periodicos nacionais indexados na WoS entre 2007 e 2008 e o decorrente incremento verificado na producao cientifica do Brasil (LETA, 2012) nao afetou a FAE, uma vez que se observou uma taxa de crescimento negativa em 2008 (-18,91%). A FAE nacional demonstrou um crescimento ininterrupto do numero de publicacoes nos anos subsequentes. A criacao de novos grupos de pesquisa do CNPq, a consolidacao e ampliacao dos PPGs, o acrescimo de recursos financeiros e o papel articulador fundamental da Renafae para as colaboracoes brasileiras nos experimentos internacionais podem ter sido fatores determinantes para o incremento do volume de trabalhos nesses anos e, consequentemente, para o desenvolvimento da area.

As taxas de crescimento mais elevadas da producao cientifica da FAE se registraram em 1986 (56,66%), 1989 (111,36%) e 1992 (53,42%). Por outro lado, identificaram-se nove taxas com valores negativos: tres de 1983 a 1992, duas de 1993 a 2002 e quatro de 2003 a 2013. O numero de casos com valores negativos no periodo analisado nao interferiu no crescimento da pesquisa em FAE, visto que a media anual da taxa foi de 14,27%. A media anual da taxa se mostra superior aos 10,7% exibidos por Almeida e Guimaraes (2013) para a producao cientifica brasileira no periodo de 1980 a 2010; superior aos 6,40% e 6,76% encontrados por Calero (2009) para a producao cientifica da Fisica de Particulas espanhola indexada no SCI e no arXiv entre 2000 e 2005; e superior aos 12,5% revelados por Vanz (2009) para os artigos da Fisica brasileira publicados entre 2004 e 2006.

Os acrescimos e decrescimos (variacoes) da producao cientifica entre anos continuos mostraram uma taxa media de crescimento de 18,61 trabalhos por ano (Tabela 1). A media se mostra superior aos 9,7 apresentados por Collazo-Reyes e Luna-Morales (2002) para os trabalhos publicados pelos cientistas mexicanos da Fisica de Particulas no periodo de 1971 a 2000. O periodo de 2003 a 2013 apresentou o maior numero de decrescimos por ano (2003, 2005, 2008, 2009).

No que se refere a investigacao da colaboracao entre instituicoes na FAE brasileira no periodo de 1983 a 2013, o indice de colaboracao internacional da area (49,07%) e superior aos 30% verificados na producao cientifica brasileira em anos recentes (VANZ; STUMPF, 2012). Em contraposicao, o indice de colaboracao nacional e acentuadamente inferior (19,19%). Nota-se que 31,74% dos artigos foram escritos por uma unica instituicao (Tabela 1). A taxa e levemente inferior aos 33,90% exibidos por Vanz (2009) para os artigos da Fisica brasileira indexados no SCI entre 2004 e 2006. A diminuicao percentual do numero de papers sem colaboracao e em colaboracao nacional a partir de 2009 se contrapoe ao aumento do numero de artigos em colaboracao internacional, inferindo-se uma maior insercao das instituicoes brasileiras nos grandes projetos multinacionais da area no ultimo quinquenio.

O crescimento do volume de publicacoes da FAE brasileira se tornou mais notorio quando o produto resultante da atividade cientifica foi agrupado em periodos de dez anos (1983-1992, 1993-2002, 2003-2013 (1)), conforme Figura 1. O primeiro representa 8,62% (549 artigos), o segundo, 30,76% (1.953 artigos), e o terceiro, 60,62% (3.848 artigos) da producao total. Constatou-se um marcante aumento do numero de publicacoes no periodo de 1993 a 2002, visto que a taxa de crescimento com relacao ao periodo anterior foi de 255,73%. Embora o percentual de crescimento tenha diminuido para 97,03% em 2003-2013, a producao quase duplicou no ultimo periodo (Figura 1). Apesar de as diferencas verificadas no quantitativo de artigos publicados em cada decenio, a producao cientifica da FAE brasileira se manteve crescente no periodo.

Do mesmo modo, foi possivel tambem verificar a dispersao das publicacoes da area: 40% nos primeiros vinte anos (1983-2002) e 60% nos ultimos dez (2003-2013). O crescimento de cada uma das series temporais analisadas foi ajustado a diferentes modelos de regressao, sendo possivel avaliar o nivel de correlacao entre as variaveis "artigos" e "ano de publicacao" (Figura 2). Verificou-se que o crescimento da producao cientifica no periodo de 1983-1992 se ajustou melhor ao modelo de regressao exponencial, com um coeficiente de determinacao ([R.sup.2]) igual a 0,8174. Por outro lado, o crescimento da producao cientifica nos periodos de 1993-2002 e 2003-2013 se adequou melhor ao modelo de regressao polinomial, com um coeficiente de determinacao (R2) igual a 0,9452 e 0,8728, respectivamente. Os tres periodos apresentaram dinamicas de producao diferentes; no entanto, exibiram taxas de crescimento com valores positivos. Na Figura 2, aprecia-se a dinamica do crescimento da producao cientifica da FAE brasileira por periodos, ajustada as linhas de tendencia exponencial (1983-1992) e polinomial (1993-2002; 2003 2013).

Quanto a evolucao da pesquisa, o terceiro periodo da FAE brasileira (2003-2013) mostra uma aceleracao no crescimento da producao cientifica, coincidindo com os resultados obtidos por Collazo-Reyes e LunaMorales (2002) para o terceiro periodo da Fisica de Particulas mexicana (1991-2000). Entretanto, a quantidade de trabalhos acumulados no Brasil em FAE e menos representativa nessa serie temporal, 60,62% contra 75% da producao total do Mexico em Fisica de Particulas.

A respeito da atividade cientifica da FAE brasileira, realizou-se uma busca no DGP/CNPq a fim de distinguir os grupos de pesquisa cadastrados e suas areas de atuacao. De tal modo, examinou-se, no diretorio por nome do grupo, nome e palavra-chave da linha de pesquisa, sendo utilizadas as expressoes: "Fisica de Altas Energias" e "Fisica de Particulas e Campos".

Na Tabela 2, aprecia-se a distribuicao dos grupos de pesquisa da FAE brasileira cadastrados no DGP/CNPq por area do conhecimento. Identificaram-se 28 grupos, dispostos da seguinte forma: 23 na area de Fisica, dois na Engenharia Eletrica, dois na Engenharia Nuclear e um na Matematica. Os campos mencionados se encontram inseridos na grande area das Ciencias Exatas. Observou-se pouca dispersao da FAE nas diferentes areas do conhecimento. Embora o campo estudado tenha um vies multidisciplinar, uma vez que varias ciencias contribuem para o seu desenvolvimento, constatou-se que a maior parte da pesquisa cientifica acontece dentro da area da Fisica.

O desenvolvimento da producao cientifica da FAE brasileira tambem vai ao encontro do aumento do numero de grupos de pesquisa do CNPq, observado no periodo de 1983 a 2013. Apesar de existirem PPGs com linhas de investigacao desde a decada de 1960, constatou-se que, no inicio de 1980, a quantidade de grupos constituidos ainda era pequena, visto que ate 1983 se identificaram no DGP/CNPq apenas dois grupos: Laboratorio de Instrumentacao e Particulas da USP (1972) e Grupo de Fisica de Altas Energias da Unicamp (1980). Presume-se que o aumento da colaboracao cientifica, o maior financiamento, a criacao do MCT e os avancos tecnologicos foram fatores decisivos para o incremento de novos grupos, sendo que no periodo de 1983 a 1992 foram formados mais quatro grupos.

Percebeu-se que, no periodo de 1993 a 2002, houve uma ampliacao de instituicoes brasileiras envolvidas com a pesquisa em FAE. Nessa serie temporal se instituiram sete grupos, representando 25,92% do total localizado no DGP/CNPq. Vieira e Videira (2011) explicam que apesar de a mudanca na organizacao da pesquisa cientifica e do aumento da colaboracao, no Brasil e em outros paises perifericos, a Fisica, ate a segunda metade da decada de 1990, foi feita geralmente em pequenos grupos.

No periodo de 2003 a 2013, comprovou-se um crescimento significativo de instituicoes, principalmente universidades publicas, uma vez que o numero de grupos duplicou com relacao a serie temporal anterior, representando mais da metade da totalidade encontrada no DGP/CNPq, o qual representa 51,85%. Notou-se que o maior incremento aconteceu no periodo de 2008 a 2013, quando foram criadas nove instituicoes. Entende-se que o setor mais produtivo da FAE brasileira e a universidade, coincidindo com os resultados de Calero (2009) para a producao cientifica espanhola de Fisica indexada no SCI no periodo de 2000 a 2005. Os 28 grupos de pesquisa da FAE brasileira no CNPq se encontram distribuidos em 20 instituicoes, sendo 18 de ensino superior e dois centros de pesquisa (Tabela 3).

Segundo a avaliacao trienal 20132 da Capes no Brasil, existem 58 programas de pos-graduacao na area de Fisica e Astronomia. A distribuicao dos programas por regiao mostra a supremacia do Sudeste (28 PPGs). Em seguida, destacam-se o Nordeste com 13, o Sul com 11, e o Centro-Oeste e o Norte com tres PPGs cada um (CAPES, 2013). No Quadro 1 relacionam-se somente aqueles PPGs em Fisica e Astronomia cujos campos de investigacao estao vinculados a FAE brasileira.

No estudo dos 32 programas de pos-graduacao em Fisica e Astronomia com linhas de pesquisa em FAE, foi comprovado que quase a totalidade das instituicoes responsaveis pela atividade cientifica na area sao universidades, exceto o CBPF e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Por outro lado, com excecao da PUC-Rio, todas as demais instituicoes pertencem ao setor publico. A distribuicao dos 32 PPGs em Fisica e Astronomia com linhas de pesquisa em FAE por regiao mostrou que o Sudeste tem 19 PPGs, o Nordeste seis, o Sul cinco, e o Centro-Oeste e o Norte um PPG cada um. Conforme observado, no desenvolvimento da pesquisa da FAE brasileira, destaca-se a regiao Sudeste, com protagonismo principal dos estados do Rio de Janeiro e de Sao Paulo, uma vez que ambos possuem 14 PPGs, pouco menos da metade do total. A partir do resultado da avaliacao trienal 2013, 11 PPGs com linhas de pesquisa em FAE podem ser considerados com perfil internacional e de excelencia, apresentando oito PPGs nota sete e tres PPGs nota seis. Existem cinco PPGs com conceito cinco (nota maxima para programas com mestrado apenas) e 11 PPGs com nota quatro, constituidos majoritariamente por aqueles que iniciaram seus cursos de doutorado nos ultimos anos. Por ultimo, dos cinco programas com nota tres, quatro deles sao caracterizados pela recente abertura dos cursos de mestrado.

Na percepcao de Chaves et al. (2007), embora o sistema de posgraduacao em Fisica tenha alcancado um nivel aceitavel, ainda nao e capaz de formar pesquisadores experimentais na quantidade e qualidade suficientes por causa da falta de infraestrutura e de laboratorios mais modernos. Formam-se doutores na area sem contato com os instrumentos utilizados nos laboratorios internacionais. O autor entende que essa deficiencia e minimizada por estagios no exterior com bolsas do tipo sanduiche. Waga et al. (2011) enfatizam a necessidade de alcancar um maior equilibrio entre pesquisa teorica e experimental no pais, pois hoje se pende mais para aquela do que para esta. Nesse sentido, a expansao do investimento em infraestrutura e fundamental para que o Brasil possa aumentar o numero de pesquisadores experimentais e ampliar seu poder computacional na grande rede internacional de processamento de dados (GRID).

Com relacao ao corpo docente, a comunidade brasileira da FAE contava, em 2012, com 532 professores, sendo que as subareas de atuacao se dividiam em: Teoria de Campos (37,5%), Cosmologia e Gravitacao (17,8%), Fenomenologia (17,2%), Experimental de Altas Energias (13,1%) e o restante dividido entre Astronomia, Nuclear e outros (SBF, 2012). Na pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Fisica (SBF), nota-se a existencia de uma quantidade pequena de fisicos experimentais. Apesar de a comunidade experimental se organizar por meio da Renafae, que tambem conta com a participacao dos fisicos teoricos, ainda falta uma maior conscientizacao sobre o desenvolvimento de instrumentacao especializada e laboratorios nacionais a fim de possibilitar a ampliacao do ensino e da pesquisa (SBF, 2012). Nesse sentido, a Capes (2013) recomenda aos programas existentes que priorizem a parte experimental na substituicao ou ampliacao do seu corpo docente com vistas ao desenvolvimento da area.

Ainda com as dificuldades apresentadas, a participacao do Brasil nas colaboracoes internacionais da FAE aumentou significativamente e contribuiu para o aumento do numero de publicacoes e citacoes da area nas bases de dados (SANTORO; NOVAES, 2003; CBPF, 2011). Os resultados apresentados na Tabela 1 confirmam o aumento dos artigos em colaboracao e, especialmente, aqueles em colaboracao internacional ao longo dos anos estudados.

A expansao dos programas de pos-graduacao em Astronomia e Fisica e o consequente aumento do numero de titulados em cursos de doutorado, mestrado academico e mestrado profissional tambem sao fatores a serem considerados na avaliacao do crescimento de publicacoes nacionais em FAE. O CBPF foi a instituicao pioneira na pesquisa experimental e teorica no Brasil, criando o primeiro PPG com cursos de mestrado e doutorado em 1962. Nos anos subsequentes, a atividade cientifica e a formacao de recursos humanos se concentraram, principalmente, em universidades publicas da regiao Sudeste, estabelecendo-se nessa regiao mais quatro programas na decada de 1960 e oito na decada de 1970. Nos anos de 1980, foi criado apenas um programa com linha de pesquisa em FAE na regiao Sul, significando que a elaboracao de indicadores de producao cientifica e o desenvolvimento de novos profissionais continuou em maos da regiao Sudeste, como consequencia do maior apoio financeiro dos orgaos locais de fomento a pesquisa. Na decada de 1990, registrou-se um aumento consideravel do numero de programas (nove) em decorrencia de acoes promovidas por agencias do governo federal, como CNPq, Capes e Finep (FAPESP, 2011). Esse indicador justifica o melhor ajuste ao modelo de regressao polinomial do periodo de 1993 a 2002 (Figura 2). Na decada de 2000, o crescimento se manteve estavel, com acrescimo de nove PPGs. Entretanto, houve uma ampliacao do numero de instituicoes participantes nas regioes Sul, Nordeste e Norte na pesquisa da FAE.

Na Figura 3, observa-se um crescimento continuo tanto do numero de publicacoes anuais quanto do numero de grupos do CNPq e de PPGs na serie temporal analisada. De fato, o aumento da produtividade da area pode ter sido consequencia da expansao da pesquisa a partir da criacao de novos PPGs e comunidades cientificas. Da mesma forma, a ampliacao do numero de bolsas e incentivos, a maior cobertura das bases de dados internacionais e o incremento dos trabalhos em coautoria contribuiram para o desenvolvimento da disciplina no ambito nacional.

Percebe-se que a instituicao da Renafae em 2008, por parte do MCT, foi significativa para a area, visto que o numero de publicacoes e grupos do CNPq aumentou consideravelmente a partir desse ano. Embora o crescimento do numero de PPGs tenha sido menos acentuado, houve consolidacao e ampliacao dos programas com linhas de pesquisa em FAE. Segundo o CBPF (2011), a Renafae tem desempenhado um papel articulador fundamental para as colaboracoes brasileiras em programas internacionais, como os experimentos realizados no CERN (Suica) e no Observatorio Pierre Auger (Argentina).

5 CONSIDERACOES FINAIS

O desenvolvimento da Fisica de Altas Energias no Brasil entre 1983 e 2013 foi discutido a partir da analise da evolucao da sua producao cientifica, dos grupos de pesquisa registrados do CNPq e programas de pos-graduacao. A producao cientifica da FAE apresentou crescimento significativo ao longo da serie temporal analisada, registrando uma media de crescimento anual de 14,27%. Infere-se que a expansao da atividade da area pode ter sido consequencia de varios fatores, dentre os quais: a ampliacao do numero de PPGs em Astronomia e Fisica com linhas de pesquisa em FAE, a ampliacao do numero de professores titulados e grupos de pesquisa do CNPq, a participacao do Brasil nos projetos experimentais multinacionais e a criacao da Renafae. Na decada de 1990, verificou-se um aumento consideravel do numero de PPGs com linhas de pesquisa em FAE em virtude de acoes promovidas por orgaos de fomento vinculados ao governo federal, como CNPq, Capes e Finep. A criacao da Renafae, em 2008, foi um marco importante na area, pois o numero de artigos publicados e grupos do CNPq aumentou consideravelmente a partir desse ano. A superioridade das publicacoes em colaboracao com instituicoes estrangeiras demonstra a forte internacionalizacao da pesquisa em FAE, implicando um maior impacto da ciencia brasileira no contexto global.

Os indicadores bibliometricos sugerem o amadurecimento da comunidade brasileira de FAE em decorrencia da sua longa trajetoria na pesquisa experimental. Sem duvida, o status de pais membro associado no CERN podera aumentar o credito do Brasil em projetos multinacionais em Big Science, consolidar areas de expertise na instrumentacao e ferramentas de analise de dados (softwares) e ampliar a influencia da ciencia realizada no pais no cenario internacional. Espera-se que este estudo possa ter contribuido para a ampliacao do conhecimento sobre a FAE brasileira e que consiga servir de instrumento para aperfeicoar politicas e investimentos em diferentes ambitos, como cursos de pos-graduacao, infraestrutura nacional, colaboracao internacional e inovacao tecnologica.

http://dx.doi.org/10.21713/2358-2332.2016.v13.1230

Agradecimentos

Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnologico (CNPq) pelo financiamento da pesquisa.

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Recebido em 16/09/2016

Aprovado em 21/10/2016

Gonzalo Ruben Alvarez, mestre e doutorando no Programa de PosGraduacao em Comunicacao e Informacao da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre, RS, Brasil. E-mail: gonzalorubenalvarez@gmail.com.

Samile Andrea de Souza Vanz, doutora em Comunicacao e Informacao, professora adjunta do Departamento de Ciencias da Informacao e do Programa de Pos-Graduacao em Comunicacao e Informacao da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre, RS, Brasil. E-mail: samile.vanz@ufrgs.br.

Caption: Figura 2--Dinamica de crescimento da producao cientifica da FAE brasileira por periodos (1983-2013)

Caption: Figura 3--Dinamica de crescimento das publicacoes anuais, grupos do CNPq e PPGs da FAE brasileira (1983-2013)
Quadro 1--PPGs brasileiros em Fisica e Astronomia com linhas de
pesquisa em FAE

                                    Linha de       Ano de inicio
Instituicao       Programa         pesquisa em        [2]
                                       FAE
                                                    M      D

CBPF          Fisica             Altas Energias;   1962   1962
                                 Teoria de
                                 Campos

CBPF          Fisica [1]         Deteccao de       1999
                                 Particulas

FURG          Fisica             Particulas,       2010
                                 Campos E
                                 Astrofisica

IFT/Unesp     Fisica             Exp. De Altas     1971   1971
                                 Energias;
                                 Particulas

INPE          Astrofisica        Astrofisica de    1994   1994
                                 Altas Energias

PUC-Rio       Fisica             Fenomenologia     1965   1968
                                 de Particulas

UEL           Fisica             Particulas e      1996   2009
                                 Campos

UERJ          Fisica             Exp. de Altas     1997   2003
                                 Energias;
                                 Teoria de
                                 Campos

UFABC         Fisica Fisica da   Particulas e      2007   2009
              materia            Campos
              condensada

UFAL          Fisica             Particulas e      1992   1999
                                 Campos

UFCG          Fisica             Particulas,       2007   ..
                                 Cosmologia e
                                 Gravitacao

UFES          Fisica             Interacoes        1992   2003
                                 Fundamentais

UFF           Fisica             Exp. de Altas     1977   1985
                                 Energias

UFG           Fisica             Particulas e      1992   2008
                                 Campos

UFJF          Fisica             Teoria de         1999   ..
                                 Campos

UFMA          Fisica             Teoria de         2005   2011
                                 Campos e
                                 Gravitacao

UFMG          Fisica             Teoria de         1968   1974
                                 Campos

UFPB/JP       Fisica             Particulas        1973   1980
                                 Elementares
                                 e Teoria de
                                 Campos

UFPE          Fisica             Teoria de         1973   1975
                                 Campos

UFPEL         Fisica             Fisica ee         2008   ..
                                 Particulas e
                                 Hadrons

UFRGS         Fisica             Fenomenologia     1964   1968
                                 de Particulas

UFRJ          Astronomia         Astrofisica de    2003   2010
                                 Altas Energias,
                                 Extragalactica
                                 e Cosmologia

UFRJ          Fisica             Particulas        1972   1979
                                 Elementares

UFSC          Fisica             Teoria de         1988   1996
                                 Campos

Unesp/        Fisica             Teoria de         1990   1990
Guar.                            Campos

Unicamp       Fisica             Astrofisica       1969   1969
                                 de Neutrinos;
                                 Fenomenologia
                                 de Particulas;
                                 Raios
                                 Cosmicos

Unifal        Fisica             Exp. de Altas     2012   ..
                                 Energias;
                                 Fenomenologia
                                 de Particulas

Unifei        Fisica e           Teoria de         2006   ..
              matematica         Campos;
              aplicada           Gravitacao e
                                 Cosmologia

USP           Fisica             Particulas        1970   1970
                                 Elementares e
                                 Campos

USP/SC        Fisica             Teoria de         1975   1975
                                 Campos;
                                 Astrofisica de
                                 Particulas

UFBA          Fisica             Teoria de         1975   2007
                                 Campos;
                                 Gravitacao e
                                 Cosmologia

UFPA          Fisica             Particulas e      2002   2010
                                 Campos

              Avaliacao    Docentes
Instituicao    trienal    permanentes
                2013      2010-12 [3]

CBPF              7           48

CBPF              4           20

FURG              3           14

IFT/Unesp         7           21

INPE              4           13

PUC-Rio           6           17

UEL               4           12

UERJ              5           26

UFABC             5           35

UFAL              5           18

UFCG              3           17

UFES              4           15

UFF               6           54

UFG               4           22

UFJF              4           17

UFMA              4           12

UFMG              7           61

UFPB/JP           5           18

UFPE              6           37

UFPEL             4           11

UFRGS             7           54

UFRJ              4           20

UFRJ              7           61

UFSC              5           31

Unesp/            4           13
Guar.

Unicamp           7           80

Unifal            3           17

Unifei            3           20

USP               7           128

USP/SC            7           71

UFBA              3           38

UFPA              4           17

Tabela 1--Evolucao anual da atividade cientifica e colaboracao da FAE
brasileira (1983-2013)

Ano                        Producao

          PT       TC       PAA     CAA (%)      VA

1983       25        ..       25       0,39       25
1984       32     28,00       57       0,89        7
1985       30     -6,25       87       1,36       -2
1986       47     56,66      134       2,10       17
1987       39    -17,02      173       2,71       -8
1988       44     12,82      217       3,40        5
1989       93    111,36      310       4,86       49
1990       54    -41,93      364       5,71      -39
1991       73     35,18      437       6,86       19
1992      112     53,42      549       8,62       39
1993       97    -13,39      646      10,15      -15
1994      123     26,80      769      12,09       26
1995      135      9,75      904      14,22       12
1996      153     13,33    1.057      16,63       18
1997      190     24,18    1.247      19,62       37
1998      221     16,31    1.468      23,10       31
1999      251     13,57    1.719      27,05       30
2000      231     -7,96    1.950      30,69      -20
2001      244      5,62    2.194      34,53       13
2002      308     26,22    2.502      39,38       64
2003      265    -13,96    2.767      43,55      -43
2004      300     13,20    3.067      48,27       35
2005      260    -13,33    3.327      52,36      -40
2006      274      5,38    3.601      56,67       14
2007      349     27,37    3.950      62,17       75
2008      283    -18,91    4.233      66,63      -66
2009      271     -4,24    4.504      70,90      -12
2010      309     14,02    4.813      75,77       38
2011      448     44,98    5.261      82,83      139
2012      512     14,28    5.773      90,89       64
2013      577     12,69    6.350     100,00       65
Total   6.350     14,27       ..         ..    18,61

Ano           % Colaboracao

         COI      CON      SemC

1983    22,22     0,00    77,78
1984    13,33    20,00    66,67
1985    18,75    18,75    62,50
1986    37,50    12,50    50,00
1987    27,27     9,10    63,63
1988    47,37     5,26    47,37
1989    26,53    10,20    63,27
1990    37,93    24,14    37,93
1991    37,78     2,22    60,00
1992    53,73     2,99    43,28
1993    31,67     6,67    61,67
1994    45,35    10,47    44,19
1995    52,43     8,74    38,83
1996    48,54     9,71    41,75
1997    43,38     6,62    50,00
1998    54,75    13,12    32,13
1999    45,02    17,53    37,45
2000    47,19    21,21    31,60
2001    46,72    17,21    36,07
2002    44,16    19,48    36,36
2003    45,28    24,53    30,19
2004    38,33    25,67    36,00
2005    45,00    24,62    30,38
2006    44,89    22,99    32,12
2007    37,82    26,65    35,53
2008    40,28    28,62    31,10
2009    45,02    23,25    31,73
2010    46,93    22,98    30,10
2011    57,14    20,54    22,32
2012    65,23    17,19    17,58
2013    67,24    14,04    18,72
Total   49,07    19,19    31,74

Fonte: Web of Science.

Legenda: Publicacao Total (PT), Taxa de Crescimento (TC), Publicacoes
Acumuladas por Ano (PAA), Crescimento Acumulado por Ano (CAA),
Variacoes por Ano (VA), Colaboracao Internacional (COI), Colaboracao
Nacional (CON), Sem Colaboracao (SemC).

Tabela 2--Distribuicao dos grupos de pesquisa do CNPq da FAE
brasileira por area

Area                  No de grupos       %      [summation]%

Fisica                          23     82,15           82,15
Engenharia Eletrica              2      7,15           89,30
Engenharia Nuclear               2      7,15           96,45
Matematica                       1      3,55          100,00
Total                           28    100,00              ..

Fonte: DGP/CNPq.

Tabela 3--Distribuicao dos grupos de pesquisa do CNPq da FAE
brasileira por instituicao

Instituicao                         Regiao       Grupos do       %
                                                   CNPq

Univ. Fed. do Rio de Janeiro       Sudeste           3         10,75
(UFRJ)

Centro Brasileiro de Pesquisas     Sudeste           2          7,14
Fisicas (CBPF)

Centro Federal de Educacao         Sudeste           2          7,14
Tecnologica Celso Suckow da
Fonseca (Cefet-RJ)

Comissao Nacional de Energia       Sudeste           2          7,14
Nuclear (CNEN)

Univ. Fed. de Goias (UFG)        Centro-Oeste        2          7,14

Univ. Estadual Paulista            Sudeste           2          7,14
(Unesp)

Univ. Estadual de Campinas         Sudeste           2          7,14
(Unicamp)

Instituto Federal Fluminense       Sudeste           1          3,57
(IFF)

Instituto Federal Farroupilha        Sul             1          3,57
(IFFar)

Pont. Univ. Catolica do Rio de     Sudeste           1          3,57
Janeiro (PUC-Rio)

Univ. do Estado do Rio de          Sudeste           1          3,57
Janeiro (UERJ)

Univ. Fed. do ABC (UFABC)          Sudeste           1          3,57

Univ. Fed. do Espirito Santo       Sudeste           1          3,57
(UFES)

Univ. Fed. do Maranhao (UFMA)      Nordeste          1          3,57

Univ. Fed. do Rio Grande do          Sul             1          3,57
Sul  (UFRGS)

Univ. Fed. do Rio Grande do        Nordeste          1          3,57
Norte (UFRN)

Univ. Fed. de Sergipe (UFS)        Nordeste          1          3,57

Univ. de Brasilia (UnB)          Centro-Oeste        1          3,57

Univ. Fed. de Sao Paulo            Sudeste           1          3,57
(Unifesp)

Univ. de Sao Paulo (USP)           Sudeste           1          3,57

Total                                 ..            28         100,00

Fonte: DGP/CNPq.

Figura 1--Numero de artigos da FAE brasileira por serie temporal e
taxa de crescimento (1983-2013)

1983-1992   549
1993-2002   1.953   255,73%
2003-2013   3.848   97.03%

Fonte: Web of Science.

Note: Table made from bar graph.
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Copyright 2016 Gale, Cengage Learning. All rights reserved.

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Title Annotation:Estudos
Author:Alvarez, Gonzalo Ruben; Vanz, Samile Andrea de Souza
Publication:Revista Brasileira de Pos-Graduacao
Article Type:Ensayo
Date:May 1, 2016
Words:7999
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