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Desenvolvimento e construcao de fornalha para biomassa com sistema de aquecimento direto e indireto do ar.

Introducao

No meio rural, o desenvolvimento e cada vez mais dependente de energia. Dentre as atividades agricolas, a secagem de produtos agricolas e o aquecimento de ambientes para a criacao intensiva de animais estao entre as que mais utilizam energia na forma termica.

Fornalhas sao dispositivos projetados para assegurar a queima completa do combustivel, de modo eficiente e continuo, visando ao aproveitamento de sua energia termica liberada na combustao, com o maximo de rendimento na conversao da energia quimica do combustivel em energia termica. As fornalhas podem ser classificadas como de fogo direto, em que os gases resultantes da combustao sao misturados com o ar ambiente e insuflados por um ventilador, diretamente na massa de graos; e de fogo indireto, em que os gases provenientes da combustao passam por um trocador de calor que aquece o ar de secagem.

Atualmente, as fornalhas utilizadas nao tem flexibilidade na opcao para aquecimento do ar e do combustivel a ser empregado. No meio rural, dependendo do tipo de produto a ser seco, o ar aquecido deve ser ou nao isento de impurezas (fumaca, particulados, monoxido de carbono etc.). Alem do mais, cada fornalha e projetada para um determinado tipo de combustivel, portanto o emprego de outro resultara, normalmente, em mau funcionamento e, consequentemente, o produtor tera de adquirir uma fornalha para cada situacao; ou seja, com aquecimento direto ou indireto do ar.

Em areas rurais de paises em desenvolvimento a biomassa representa cerca de 34% do total do suprimento energetico, sendo que essa utilizacao e convencional, ou seja, sem recursos tecnologicos. Ja em paises desenvolvidos, a participacao da biomassa na matriz energetica e menos expressiva, porem o seu aproveitamento e mais eficiente face as tecnologias utilizadas como processos de combustao mais eficientes, gaseificacao e pirolise da biomassa e co-geracao (SORDI et al., 2005).

Os sistemas para aquecimento de ar que utilizam combustiveis solidos possuem caracteristicas semelhantes na sua construcao e diferem apenas na forma, no tamanho e na localizacao da entrada do ar utilizado como comburente, no sistema de alimentacao, na saida dos produtos da combustao, podendo ser de fluxo descendente ou ascendente. Comumente, as fornalhas destinadas a queima de combustiveis solidos pulverizados (serragem, moinha de carvao, palha de cafe, palha de arroz etc.), devem possuir, alem dos componentes essenciais a todas as fornalhas, deposito de combustivel e sistema de alimentacao e distribuicao.

Os principais parametros para o correto dimensionamento de uma fornalha sao: o volume da camara de combustao, a area da grelha ou da celula de queima e as aberturas de entrada de ar primario e secundario. O tamanho e a forma de uma fornalha dependem da natureza do combustivel, dos dispositivos de queima e da quantidade de calor a ser liberado em um intervalo de tempo, pois cada combustivel apresenta propriedades distintas.

O volume da camara de combustao e um dos requisitos de maior importancia dentro do projeto de fornalhas, uma vez que toda a energia proveniente da combustao deve ser incorporada aos gases num volume suficiente para que se desenvolva a chama e se complete a combustao, antes que os gases quentes possam se exaurir. Um parametro importante e que define a relacao entre energia liberada e volume da camara de combustao e a carga termica volumetrica. A literatura apresenta varios valores para este parametro, mas nao identifica casos individuais. Este parametro nao pode ser calculado por meio teorico e tem sido determinado com base em estudos de caso sobre instalacoes existentes

A camara de combustao e a grelha de uma fornalha podem ser dimensionadas com base nos valores de consumo de combustivel, da taxa de liberacao de calor e da taxa de combustao de outra fornalha com as mesmas caracteristicas tecnicas.

A taxa de combustao representa a massa de combustivel queimado por unidade de area de grelha, por unidade de tempo; e o parametro de projeto para o dimensionamento de grelhas.

A tensao termica da grelha e um parametro importante para a escolha do material a ser utilizado na construcao das grelhas, pois, diferentemente da taxa de carregamento, ela leva em consideracao a energia termica liberada pelo combustivel sobre a grelha. Segundo Vlassov (2001) a tensao termica cita valores entre 1.100 a 1.600 kW [m.sup.-2] para fornalhas com tiragem forcada e 400 kW [m.sup.-2] para fornalhas com tiragem natural. Valores acima dos recomendados provocam temperaturas excessivamente altas, podendo levar a formacao de escorias sobre a grelha, deformacao e diminuicao de sua vida util.

Segundo Vlassov (2001), para a queima de combustiveis solidos finos, o melhor processo e a queima em suspensao. O sistema para queima em suspensao consiste em introduzir o combustivel convenientemente preparado (pulverizado) na fornalha, por meio de um processo pneumatico de alimentacao na sua parte lateral superior, em condicoes de se queimar todo ou quase todo em suspensao, movimento turbilhonar. As particulas finas dos combustiveis facilmente arrastam-se pelo ar e pelos gases. A queima ocorre na camara de combustao em um tempo muito curto, e o tempo de permanencia do combustivel na camara de combustao e muito pequeno. Sabe-se que os combustiveis solidos queimam-se a partir da superficie. Assim, para elevar a potencia da fornalha, uma das alternativas e aumentar a area da superficie do combustivel em contato com o ar. Esse sistema e indicado quando o combustivel esta disponivel na forma de materia pulverizada, como a serragem de industrias de processamento de madeira; de outra forma, a preparacao do combustivel se torna muito cara.

A queima em suspensao em pequenas unidades, para o aproveitamento de residuos agricolas e agroindustriais, deve ser realizada por meio de equipamentos de alimentacao e distribuicao mais simples e que permitam trabalhar com biomassa na forma como ela e disponibilizada, ou seja, dimensoes de particulas e teores de agua acima dos recomendados. Para isso, as fornalhas devem possibilitar a queima em semissuspensao, contendo, em sua estrutura, a grelha, pois apenas parte do material sera queimado em suspensao e as particulas mais pesadas irao completar sua queima sobre a grelha.

O emprego da grelha tambem tem a finalidade de manter uma chama-piloto sobre ela, para iniciar e manter a temperatura necessaria a queima dos combustiveis pulverizados na fornalha. A lenha e o combustivel mais indicado no meio rural para o uso como chama-piloto, pela sua disponibilidade e facilidade de obtencao ao longo do ano.

Diante do exposto, objetivou-se, neste trabalho, o desenvolvimento e a construcao de um sistema de aquecimento de ar, com opcao para aquecimento direto e indireto de ar, podendo utilizar residuos agroindustriais, desperdicados na maioria das vezes, como combustiveis alternativos para a secagem de produtos agricolas.

Material e metodos

Para o desenvolvimento do presente trabalho, foi projetada e construida uma fornalha com opcao para aquecimento direto ou indireto de ar, a fim de utilizar a biomassa particulada como combustivel complementar a lenha. O trabalho foi realizado no Laboratorio de Energias Alternativas Prof. Juarez de Sousa e Silva, Departamento de Engenharia Agricola da Universidade Federal de Vicosa, situada no municipio de Vicosa, Estado de Minas Gerais.

Dimensionamento da fornalha para biomassa

Uma fornalha bem projetada deve apresentar dimensoes minimas, mas suficientes para uma combustao eficiente e com o minimo de excesso de ar.

A energia a ser fornecida foi calculada considerando-se os itens descritos a seguir:

--a vazao volumetrica de ar (Var) de 0,67 [m.sup.3] [s.sup.-1], que foi baseada em testes preliminares realizados. Silva (2001) recomendam taxa de 10 [m.sup.3] de ar [min..sup.-1] [m.sup.-2] de graos a serem secados;

--a temperatura media do ar ambiente adotada foi de 20[grados]C, considerando o periodo em que seriam realizados os testes, e a temperatura do ar de secagem igual a 50[grados]C, como recomendado por Silva (2001), para secadores de camada fixa. Assim, para efeito de calculo, o incremento medio da temperatura do ar foi de 30[grados]C;

--considerando a media das temperaturas de entrada (20[grados]C) e de saida (50[grados]C) do sistema, utilizou-se o calor especifico ([c.sub.p]) do ar de secagem, considerando-o como gas perfeito, segundo Van Wylen et al. (2003), igual a 1,007 kJ [kg.sup.-1] [K.sup.-1];

--nas condicoes de temperatura e pressao em que a fornalha funcionou, para temperaturas proximas a ambiente, o ar tem comportamento de um gas ideal, de fator de compressibilidade (Z) igual a 1; pode-se utilizar a equacao de estado dos gases perfeitos para a determinacao da massa especifica media do ar de secagem; o valor adotado foi de 1,1460 kg [m.sup.-3];

--a fornalha foi dimensionada para utilizar como combustiveis a palha de cafe (na opcao de fogo indireto) e moinha de carvao (fogo direto), associados a lenha. O poder calorifico inferior (PCI) adotado da palha de cafe foi de 15.434 kJ [kg.sup.-1] e da moinha de carvao de 13.074 kJ [kg.sup.-1]. A eficiencia termica da fornalha adotada para os calculos foi de 30%, rendimento medio das fornalhas de fogo indireto, segundo Silva (2001).

De acordo com as consideracoes citadas, as etapas envolvidas no dimensionamento da fornalha relativo aos calculos de energia para aquecimento do ar e consumo de combustivel foram:

Determinacao da vazao massica de ar (Equacao 1).

[m.sub.ar aquecido] = [[rho].sub.ar] [Q.sub.ar] (1)

em que:

[m.sub.ar aquecido]= vazao massica de ar aquecido, kg [h.sup.-1];

[[rho].sub.ar] = massa especifica do ar, kg [m.sup.-3];

[Q.sub.ar] = vazao volumetrico, [m.sup.3] [h.sup.-1].

Potencia da fornalha

A quantidade de energia a ser liberada pela fornalha para atender a determinada demanda (Equacao 2).

[q.sub.u] = [m.sub.ar aquecido] [[bar.cp].sub.ar] ([T.sub.as] - [T.sub.amb]) (2)

em que:

[q.sub.u] = energia necessaria para aquecer o ar, kJ [h.sup.-1];

[[bar.cp].sub.ar] = calor especifico medio do ar, kJ [kg.sup.-1] [grados][C.sup.-1];

[T.sub.as] = temperatura do ar de secagem, [grados]C;

[T.sub.as] = temperatura do ar ambiente, [grados]C.

Consumo de combustivel

Conhecendo-se a quantidade de energia a ser fornecida pela fornalha, por unidade de tempo, pode-se determinar o consumo de combustivel para atender a demanda de energia requisitada (Equacao 3).

[m.sub.cb] = [q.sub.u]/PCI [eta] (3)

em que:

[m.sub.cb] = fluxo massico de combustivel, kg [h.sup.-1];

PCI = poder calorifico inferior do combustivel, kJ [kg.sup.-1];

[eta] = rendimento termico da fornalha, 30%.

De posse da quantidade de energia para aquecimento do ar, da vazao massica do combustivel e do seu poder calorifico, procedeu-se aos calculos referentes as partes constituintes da fornalha, de acordo com as etapas descritas a seguir.

Volume da camara de combustao

O volume da camara de combustao foi determinado em funcao do produto do consumo de combustivel com o poder calorifico inferior em razao da carga termica volumetrica (Equacao 4). De acordo com a literatura, foi fixado o valor de 175 kJ [s.sup.-1] [m.sup.-3] para a carga termica volumetrica (K) para a fornalha em questao.

[[??].sub.cc] = [[??].sub.cb] PCI/K (4)

em que:

[[??].sub.cc] = volume da camara de combustao, [m.sup.3],

[[??].sub.cb] = fluxo massico de combustivel, kg [h.sup.-1];

PCI = poder calorifico inferior do combustivel, kJ [kg.sup.-1];

K = carga termica volumetrica, kJ [s.sup.-1] [m.sup.-3].

A energia liberada na camara de combustao foi determinada pelo produto da carga termica volumetrica e o volume da camara de combustao. A altura da camara de combustao foi definida em funcao do volume e do diametro da camara e calculada por meio da Equacao 5.

[h.sub.cc] = 4 [V.sub.cc]/[pi] [d.sub.cc] (5)

em que:

[h.sub.cc] = altura da camara de combustao, m;

[d.sub.cc] = diametro da camara de combustao, m.

De posse da taxa de combustao, dimensionou-se a grelha, de acordo com os passos descritos a seguir:

Adotou-se, neste projeto, o valor de 150 kg [h.sup.-1] [m.sup.-2] para a taxa de carregamento. Por meio da Equacao 6, determinou-se a area total da grelha.

[S.sub.t] = [m.sub.cb]/[N.sub.c] (6)

em que:

[N.sub.c] = taxa de carregamento ou de combustao, kg [h.sup.-1] [m.sup.-2];

[S.sub.t] = area total da grelha, [m.sup.2].

A taxa de carregamento depende de varios fatores, principalmente do tipo de grelha, tipo de combustivel e tiragem dos gases de combustao. Sua determinacao e feita experimentalmente ou conhecida por meio de instalacoes existentes. O dimensionamento da grelha com base no consumo de ar necessario a combustao de 1,0 kg de combustivel, considerando o escoamento do ar, com certa velocidade, pelos intersticios da grelha (Equacao 7).

[S.sub.1] = [m.sub.cb] [V.sup.t.sub.ar]/v 3600 (7)

em que:

[S.sub.1] = superficie livre da grelha, isto e, secao total de todos os espacos entre as barras que compoem a grelha, [m.sup.2];

[V.sup.t.sub.ar] = volume teorico de ar necessario a queima de 1 kg de combustivel, [m.sup.3]; e

V = velocidade de escoamento do ar, m [s.sup.-1].

A velocidade v varia de 0,8 a 2,0 m [s.sup.-1] para fornalhas com tiragem natural e de 2 a 4 m [s.sup.-1] para tiragem mecanica. Para o calculo da superficie total, St, da grelha, utiliza-se a Equacao 8, na qual m varia de 1/4 a 1/2 para carvao e 1/7 a 1/5 para madeira. Adotaram-se para este projeto os valores de v = 0,8 m [s.sup.-1] e m = 1/7, e pela Equacao 8, determinou-se a superficie livre da grelha.

m = [S.sub.1]/[S.sub.t] (8)

A determinacao da tensao termica da superficie da grelha se faz de acordo com a Equacao 9 (VAN WYLEN et al., 2003).

[Q.sub.A] = [[??].sub.cb] PCI/[S.sub.t] (9)

em que:

[Q.sub.A] = tensao termica da superficie da grelha, kW [m.sup.-2].

Construcao da fornalha para biomassa

A fornalha foi construida em formato cilindrico (camara de combustao e trocador de calor), porque a dilatacao termica e a intensidade de calor que atinge as paredes sao simetricas para este formato, contribuindo para a distribuicao uniforme do calor gerado na combustao em todo o trocador de calor.

A fornalha foi construida por etapas. Fazem parte dela: base; cinzeiro; grelha plana e inclinada; camara de combustao, em chapa metalica; deposito de combustivel; rosca sem fim; ciclone, ventilador centrifugo e chamine.

A primeira etapa constituiu-se da construcao da base da fornalha, em forma circular, feita com tijolos de barro, com diametro de 1,32 m (Figura 1).

[FIGURA 1 OMITIR]

A partir da base construiu-se o cinzeiro, com diametro de 0,47 m, destinado ao recebimento das cinzas provenientes da combustao, as quais, por gravidade, serao depositadas nele e recolhidas por uma abertura com dimensoes de 0,40 x 0,29 m. Levantou-se meia parede de tijolo com o diametro do cinzeiro e fez-se um cinturao com diametro interno de 0,54 m e externo de 0,82 m. Colocou-se areia, objetivando evitar a saida dos gases para o ambiente externo da camara (Figura 2a).

A grelha plana foi colocada na camara interna, onde as cinzas passarao por suas frestas e serao depositadas no cinzeiro. Em cima da grelha plana, foi colocada uma grelha inclinada de 45[grados], onde o combustivel fino era lancado, deslizando ate a chama-piloto, e ocorria, neste percurso, a sua combustao (Figura 2b).

A construcao da camara de combustao foi feita a parte. Destinada a queima de combustivel, foi confeccionada em forma circular, utilizando-se chapas de aco de 0,012 m, tendo diametro de 0,64 m. A altura da camara de combustao caracterizouse tambem como a altura do inicio das aletas formadoras de uma chicana interna por onde fluem os gases de combustao, com o intuito de reduzir a velocidade do escoamento destes gases, melhorando a troca termica, constituindo um trocador de calor.

[FIGURE 2 OMITTED]

Depois de fixada a ultima aleta, foi feito um cone com duas saidas de ar, uma ligada a chamine e a outra ligada a caixa de aquisicao de ar aquecido. Estas saidas possibilitaram a escolha da forma de funcionamento da fornalha, ou seja, com aquecimento direto ou indireto do ar (Figura 3).

Apos fixacao da camara de combustao ao cinturao de areia, deixou-se um vao de 0,15 m entre a camara de combustao e a parede externa da fornalha, de forma que o ar frio que entrasse pelos orificios fixados na lateral direita da fornalha escoasse sobre a superficie aquecida da camara de combustao, aquecendo-se por trocas termicas e saindo pela lateral esquerda da fornalha; dai era direcionado para uma caixa coletora feita de alvenaria, que foi ligada a um ventilador centrifugo de pas retas, com vazao de 82,81 [m.sup.3] [min..sup.-1], por um tubo de aco de 0,25 m de diametro, isolado com la de vidro e papel laminado, a fim de reduzir perdas de calor. O ventilador foi acoplado ao eixo de um motor eletrico trifasico, marca WEG, com potencia nominal de 3,73 kW (5 cv) e 1.750 rpm, com rendimento nominal e fator de potencia a plena carga de 84,6% e 0,83, que sugava o ar aquecido e o direcionava para o secador (Figura 4a).

[FIGURA 3 OMITIR]

A alimentacao da fornalha com lenha foi feita manualmente pela frente; na parte de tras, adaptouse um deposito para combustivel particulado fino. Para se fazer o lancamento do combustivel particulado fino, na camara de combustao, foi utilizado um transportador helicoidal com diametro de 0,15 m, acoplado ao reservatorio, que lanca o combustivel na parte superior da grelha secundaria (interior da camara de combustao). A essa rosca, acoplou-se um motor, necessario para reduzir a velocidade, para que fornecesse combustivel na quantidade adequada. Na Figura 4b sao apresentados os detalhes da alimentacao da fornalha.

[FIGURA 4 OMITIR]

Resultados e discussao

Fornalha na opcao de aquecimento indireto associando palha de cafe com lenha

Variacao das temperaturas do ar aquecido em funcao do tempo de funcionamento da fornalha

Nas Figuras 5a e b estao apresentadas as variacoes de temperatura do ar ambiente, do ar na saida da fornalha e do ar de secagem (depois do ventilador) em funcao do tempo de funcionamento da fornalha.

[FIGURA 5 OMITIR]

Observa-se, nas Figuras 5a e b, nos testes em que associou a palha de cafe com a lenha, acentuada variacao de temperatura do ar aquecido. Esse comportamento se deve a taxa de liberacao de energia na camara de combustao e, tambem, ao acumulo de palha que nao queimava totalmente em suspensao. Esse acumulo de palha na grelha e ao seu redor dificultava a passagem de ar comburente interferindo na cinetica das reacoes quimicas de combustao.

Variacao do consumo de combustivel em funcao da temperatura do ar de secagem

O consumo de combustivel varia com a quantidade de energia que a fornalha deve liberar para elevar a temperatura do ar ambiente e do volume de ar a ser aquecido. Na Figura 6, e apresentado o consumo de combustivel em funcao da temperatura media do ar de secagem durante o funcionamento da fornalha para uma vazao de 82,81 [m.sup.3] [min..sup.-1].

Nos testes LP1 e LP2 (Figura 6), o consumo de lenha foi, aproximadamente, igual ao consumo de palha de cafe no teste LP1 e igual no teste LP2. No teste LP1, ocorreu maior acumulo de palha na grelha e ao seu redor, dificultando a passagem de ar comburente interferindo na combustao.

Variacao da eficiencia do sistema de aquecimento de ar em funcao da temperatura do ar de secagem

No aquecimento indireto do ar, associando lenha a palha de cafe, as eficiencias termicas do sistema encontradas foram de 59,8 e 65,9% para os testes LP1 e LP2, respectivamente. As eficiencias obtidas nos testes foram consideradas satisfatorias, com valores superiores aos citados na literatura para este tipo de aquecimento de ar.

Fornalha na opcao de aquecimento direto associando moinha de carvao com lenha

Variacao das temperaturas do ar aquecido em funcao do tempo de funcionamento da fornalha

Na Tabela 1, sao apresentados o resumo dos dados da vazao de ar aquecido e os valores medios de temperaturas do ar medidas para o regime permanente de funcionamento dos dois testes com a moinha de carvao associada com a lenha e para o unico teste utilizando lenha.

Observaram-se pequenas variacoes de temperatura, decorrentes do suprimento de lenha, ja que o suprimento de moinha de carvao era feito mecanicamente e de forma continua. O suprimento de lenha foi descontinuo e irregular, fazendo com que a taxa de liberacao de energia nao fosse constante. Nas fornalhas que utilizam lenha, em razao da natureza do combustivel, a combustao e irregular e ocorre em varias etapas, passando pela secagem da madeira ate chegar a combustao do carbono fixo, o que acarreta oscilacoes de temperatura na camara de combustao e no ar de secagem.

Consumo de lenha e de moinha de carvao em funcao do incremento de temperatura no ar aquecido

O consumo de combustivel varia com a quantidade de energia que a fornalha deve liberar para elevar a temperatura do ar ambiente e o volume de ar a ser aquecido. Na Figura 7, sao apresentados os consumos de combustivel, em funcao do incremento de temperatura no ar de secagem durante o funcionamento da fornalha, para uma vazao de 82,81 [m.sup.3] [min..sup.-1].

Estudos mostram, para uma mesma vazao, que o consumo de combustivel aumenta com a temperatura do ar, pela maior quantidade de energia que a fornalha deve liberar para elevar a temperatura do ar. Observa-se, na Figura 1, teste L1, o qual utilizou somente lenha, que o consumo de combustivel total (12 kg [h.sup.-1]) foi inferior aos testes com associacao de moinha de carvao e lenha, (15,75 e 14,10 kg [h.sup.-1], respectivamente). Com a associacao da moinha de carvao a lenha, houve reducao consideravel no consumo de lenha. No computo final da secagem, esta reducao pode ser muito viavel, uma vez que o preco da lenha e superior ao da moinha de carvao.

Variacao da eficiencia do sistema de aquecimento de ar em funcao da temperatura do ar aquecido

A eficiencia termica do sistema, no aquecimento direto do ar, para os testes L1, utilizando somente a lenha, foi de 86,5%. Ja nos testes LM1 e LM2, as eficiencias termicas foram de 80,7 e 77,4%, respectivamente. As eficiencias obtidas nos testes foram consideradas satisfatorias, com valores superiores aos citados na literatura, sendo utilizados combustiveis alternativos, desperdicados na maioria dos casos. Independentemente do combustivel utilizado, a fornalha avaliada apresentou desempenho satisfatorio, mostrou-se eficiente e e uma otima alternativa na reducao dos gastos com lenha.

Conclusao

Tanto na opcao de aquecimento direto quanto na opcao de aquecimento indireto do ar na fornalha, observou-se que:

--a temperatura do ar de secagem variou em funcao da taxa de liberacao de energia na camara de combustao;

--sob o ponto de vista do controle da combustao pela temperatura do ar de secagem, pode-se afirmar que a fornalha propicia condicoes adequadas para as reacoes de combustao;

--a configuracao da fornalha possibilitou bom isolamento termico, pelo aproveitamento da energia radiada pelas chamas, que aquecem a estrutura metalica. Ha, assim, a troca termica com o ar frio, resultando em perda minima da energia fornecida.

DOI: 10.4025/actascitechnol.v32i2.1575

Referencias

SILVA, J. S. Secagem e armazenagem de produtos agricolas. In: SILVA, J. S. (Ed.). Pre-processamento de produtos agricolas. Juiz de Fora: Instituto Maria, 2001. p. 395-461.

SORDI, A.; SOUSA, S. N. M.; OLIVEIRA, F. H. Biomassa gerada a partir da producao avicola na regiao Oeste do Estado do Parana: uma fonte de energia. Acta Scientiarum. Technology, v. 27, n. 2, p. 183-190, 2005.

VAN WYLEN, G. J.; SONNTAG, R. E.; BORGNAKKE, C. Fundamentos da termodinamica. 6. ed. Sao Paulo: Ed. Edgard Blucher Ltda, 2003.

VLASSOV, D. Combustiveis, combustao e camaras de combustao. Curitiba: UFPR, 2001.

Received on March 29, 2008.

Accepted on October 23, 2008.

Fernanda Augusta de Oliveira Melo (1) *, Jadir Nogueira da Silva (2), Juarez Sousa e Silva (2), Cristiane Pires Sampaio (2) e Denise Freitas Silva (2)

(1) Programa de Pos-graduacao em Energia na Agricultura, Universidade Federal de Vicosa, Av. Peter Henry Rolfs, s/n, 36570-000, Campus Universitario, Vicosa, Minas Gerais, Brasil. (2) Departamento de Engenharia Agricola, Universidade Federal de Vicosa, Vicosa, Minas Gerais, Brasil. * Autorpara correspondencia. E-mail: faomelo@yahoo.com.br
Tabela 1. Fluxo de ar e temperaturas medias do ar durante os
testes.

Testes        Fluxo de ar            Temperatura
               aquecido             do ar ambiente

       ([m.sup.3] [min..sup.-1])     ([grados]C)

LM1                                28,0 [+ o -] 2,6
LM2              82,8              32,2 [+ o -] 2,4
L1                                 28,1 [+ o -] 1,6

Testes   Temperatura        Temperatura
           do ar *            do ar **

         ([grados]C)        ([grados]C)

LM1    62,9 [+ o -] 4,1   60,1 [+ o -] 4,2
LM2    64,3 [+ o -] 4,5   61,9 [+ o -] 4,5
L1     64,3 [+ o -] 3,3   61,3 [+ o -] 3,0

* Ponto de medicao na saida da fornalha; ** Ponto de medicao depois
do ventilador.

Figura 6. Consumo de combustivel em funcao da temperatura do ar
de secagem utilizando a palha de cafe em associacao com a lenha.

                                           LPI    LP2

Temperatura do ar de secagem, [grados]C   46,4    55,4
Consumo de lenha, kg [h.sup.-1]            4,67    7,13
Consumo de palha de cafe, kg [h.sup.-1]    5,93    7,13

Nota: Tabla derivada de grafico de barra.

Figura 7. Consumo de lenha e de moinha de carvao em funcao
do incremento de temperatura no ar aquecido.

                                             L1   LM1     LM2

Incremento de temperatura do ar              36   35      32
  aquecido,[grados]C
Consumo de lenha, kg [h.sup.-1]              12    5,42    5,14
Consumo de moinha de carvao, kg [h.sup.-1]        10,33    8,96

Nota: Tabla derivada de grafico de barra.
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Title Annotation:texto en portugues
Author:de Oliveira Melo, Fernanda Augusta; Nogueira da Silva, Jadir; Silva Sousa, Juarez; Pires Sampaio, Cr
Publication:Acta Scientiarum Technology (UEM)
Date:Apr 1, 2010
Words:4827
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