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Desempenho de gotejadores autocompensantes com diferentes efluentes de esgoto domestico.

Performance of auto compensating drippers with different effluents of domestic sewage

INTRODUCAO

O aumento da demanda por agua, devido sobretudo ao crescimento populacional e as atividades produtivas decorrentes, somado a degradacao ambiental dos corpos hidricos, tem criado um cenario de escassez hidrica em diversas regioes do globo. Este cenario de escassez vem influenciando mudancas de habitos da populacao, em especial na atividade de agricultura irrigada, que vem buscando a reducao no consumo de agua e a otimizacao dos sistemas de irrigacao.

No Brasil o uso de efluentes na agricultura ainda e incipiente e as alteracoes que podem ocorrer no solo e no sistema de irrigacao sao pouco conhecidas, necessitando de maiores investigacoes. Sabe-se que, apesar dos beneficios concretos ensejados com o aproveitamento de efluentes de esgoto domestico na agricultura, a pratica de reuso tambem provoca efeitos indesejaveis, em virtude principalmente da presenca de alguns constituintes, como o sodio ([Na.sup.+]) e metais pesados.

Andrade et al. (2005), Rattan et al. (2005) e Varallo et al. (2010) avaliaram o impacto do reuso sobre as caracteristicas fisico-quimicas de solos submetidos a irrigacao com efluente de esgoto domestico e constataram aumento na concentracao de substancias como o nitrato, ferro, zinco, cobre e manganes, alem de maiores niveis de sodio e maior condutividade eletrica no solo; portanto, pode-se inferir que a utilizacao de efluentes deve ser acompanhada de algumas medidas de controle, com restricoes de uso desse tipo de efluente em solos, principalmente naqueles sujeitos a presenca de lencol freatico raso.

Referente aos sistemas de irrigacao e em virtude do quadro de escassez hidrica, observa-se preferencia por sistemas de irrigacao localizada que vem registrando notavel expansao pela economia de agua e energia, alem de possibilitar a automacao e a fertirrigacao. De acordo com Cararo et al. (2006) e Najafi et al. (2010), no caso de aplicacao de efluentes que possuem substancias nocivas a saude humana, os sistemas de irrigacao por gotejamento tambem apresentam a vantagem de minimizar o contato direto da agua contaminada com o agricultor e com o produto agricola comercializado.

A irrigacao por gotejamento se destaca, ainda, por sua facilidade de operacao, por sua eficiencia e uniformidade de distribuicao de agua, refletindo em melhor aproveitamento dos recursos hidricos e aumento na producao das culturas. De acordo com Souza et al. (2006), o coeficiente de uniformidade de distribuicao da agua e a eficiencia de aplicacao sao os principais parametros utilizados na avaliacao de sistema de irrigacao por gotejamento, visto que expressam a qualidade da irrigacao e sao decisivos no planejamento e na operacao desses sistemas.

Um sistema de irrigacao bem projetado permite que se obtenha uniformidade de aplicacao de agua acima de 90%, o que se considera um bom indice para a irrigacao. Todavia, varios fatores podem afetar a uniformidade de distribuicao da agua nos sistemas de irrigacao localizada, como pressao de servico do emissor, velocidade da agua na tubulacao, alinhamento da linha lateral e entupimento dos emissores.

No entanto, os sistemas de irrigacao por gotejamento sao muito sensiveis a qualidade da agua pela facilidade de ocorrer entupimentos em seus emissores. O entupimento de emissores resulta em variacoes na uniformidade de fluxo do emissor e na hidraulica da linha lateral, comprometendo a eficiencia do sistema.

Resende et al. (2001) concluiram, no intuito de avaliar a uniformidade de distribuicao de agua em uma parcela de um sistema de irrigacao por gotejamento apos cinco anos de uso e a existencia de processo de entupimento dos emissores utilizados, que a causa mais provavel da baixa uniformidade de aplicacao de agua da parcela de irrigacao avaliada foi resultado do entupimento de origem biologica. Batista et al. (2010) observaram, avaliando o efeito da aplicacao de esgoto domestico tratado sobre a uniformidade de aplicacao de agua de um sistema de irrigacao por gotejamento, a formacao de um biofilme, resultante da interacao entre colonias de bacterias e algas, propiciando entupimentos parcial e total dos gotejadores, acarretando na diminuicao da vazao e da uniformidade de aplicacao.

Percebe-se, portanto, que o entupimento de emissores e fator limitante para a utilizacao de agua residuaria em sistemas de irrigacao por gotejamento e que a magnitude do problema depende principalmente da qualidade de agua utilizada, sendo fundamental a adocao de tipos de tratamentos mais eficientes, economicamente viaveis e ambientalmente seguros, para garantir que os sistemas de irrigacao possam utilizar efluentes de melhor qualidade.

Neste sentido, o presente trabalho teve como objetivo avaliar o desempenho hidraulico de gotejadores autocompensantes sob efeito de tres diferentes formas de tratamento de esgoto domestico: reator UASB, associado a uma lagoa de polimento (UASB + LP); decanto digestor, associado a um filtro digestor e lagoa de estabilizacao (DG + FD + LE) e filtro digestor associado a uma lagoa de estabilizacao (FD + LE). Com a pesquisa, pretende-se testar a hipotese de que o tipo de tratamento do esgoto domestico utilizado pode minimizar os riscos de entupimento em emissores de sistemas de irrigacao por gotejamento.

MATERIAL E METODOS

O experimento foi realizado no municipio de Ibimirim, PE, a 330 km de Recife. O efluente utilizado no teste de uniformidade em campo proveio de uma unidade piloto de tratamento de esgoto domestico, constituida de uma estacao elevatoria, que conduz o esgoto domestico bruto para os tres sistemas de tratamento independentes: reator UASB associado a uma lagoa de polimento (UASB + LP), decanto digestor, associado a um filtro digestor e lagoa de estabilizacao (DG + FD + LE) e filtro digestor associado a uma lagoa de estabilizacao (FD + LE).

A unidade de reuso agricola se constituiu de uma area cultivada com mamona da variedade BRS Energia (Ricinus communis L.) com 432 m2, em espacamento de 1,0 x 1,0 m, na qual foram inseridos tres sistemas de irrigacao por gotejamento identicos cujo layout de instalacao (Figura 1) foi desenvolvido de modo a possibilitar a distribuicao aleatoria dos tratamentos estudados.

Utilizou-se uma linha lateral por fileira de plantas, com gotejadores espacados 0,5 m. Para cada tipo de efluente foi instalado um filtro de disco com diametro de abertura de 120 Mesh, com o intuito de minimizar a entrada de solidos suspensos grosseiros no sistema de irrigacao; utilizou-se o gotejador Katif, da marca Plastro Brasil, do tipo externo, autocompensante, com vazao nominal de 3,75 L [h.sup.-1] na faixa de pressao de servico de 50 a 300 kPa, sendo o acionamento do sistema realizado manualmente.

[FIGURA 1 OMITTED]

As irrigacoes foram realizadas a cada dois dias em que o tempo medio de funcionamento do sistema de irrigacao em campo, durante o ciclo da mamona foi de 48 h e o volume aplicado correspondente a evapotranspiracao da cultura (ETc), calculada em tempo real, considerando-se a evapotranspiracao de referencia (ETo) e o coeficiente de cultivo (kc) para cada fase de desenvolvimento fenologico da mamoneira, conforme a Tabela 1 (Allen et al., 1998).

Obtiveram-se os dados meteorologicos atraves de Plataforma de Coleta de Dados (PCD) do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) localizada na Estacao Experimental da UFRPE, distante aproximadamente tres quilometros das parcelas experimentais, obtidos diariamente pelo site do INMET. Para estimativa da ETo utilizou-se o modelo de Penman-Monteith-FAO (Allen et al., 1998).

Os testes de uniformidade foram conduzidos em tres ocasioes: no inicio, aos 69 e 120 dias apos a implantacao do experimento. Vazoes foram coletadas em quatro emissores ao longo da linha lateral, o primeiro gotejador, o segundo situado a 1/3, o terceiro a 2/3 do comprimento da linha e o ultimo gotejador (Keller & Karmeli, 1975). Oito linhas laterais foram avaliadas para cada tipo de sistema de tratamento de esgoto, perfazendo o total de 32 emissores por tratamento.

Com vista a avaliacao da uniformidade de aplicacao da agua, determinaram-se: o coeficiente de uniformidade de distribuicao -CUD (Eq. 1) e o coeficiente de uniformidade de estatistico CUE (Eq. 2). A vazao dos emissores foi medida de maneira direta, ou seja, o volume coletado no intervalo de 5 min.

CUD = 100 ([q.sub.25]/[q.sub.med]) (1)

em que:

CUD - coeficiente de uniformidade de distribuicao, %

[q.sub.25] - vazao media do menor quartil, L [h.sup.-1]

[q.sub.med] - media aritmetica das vazoes coletadas, L [h.sup.-1]

CUE = 100 [1 - (Sd/[q.sub.med])] (3)

em que:

CUE - coeficiente de uniformidade estatistico, %

Sd - desvio padrao

[q.sub.med] - media aritmetica das vazoes coletadas, L [h.sup.-1]

Amed '

A agua foi coletada com auxilio de 128 recipientes coletores posicionados abaixo dos gotejadores, apoiados sobre um suporte de madeira, o qual teve como objetivo permitir o manuseio de todos os copos de uma unica vez, fazendo com que todos os emissores das linhas avaliadas fossem coletados juntamente, a fim de evitar possiveis erros na estabilizacao e afericao da pressao desejada. Os volumes foram mensurados com o auxilio de uma proveta de plastico graduada com precisao de 2 mL.

Apos a colheita da mamona e com a finalidade de avaliar os efeitos do esgoto domestico sobre a durabilidade dos emissores, testes foram realizados em laboratorio; para isto, o sistema de irrigacao foi desmontado e transferido para o Laboratorio de Hidraulica da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), onde foi montada uma bancada experimental constituida de um conjunto de tres linhas laterais com sete metros de comprimento e 12 emissores por linha, espacados 0,5 m, uma bomba centrifuga de eixo horizontal de 0,5 cv, linha de succao, linha de recalque e um manometro tipo Bourdon glicerinado, com escala de 0 a 10 kPa.

Para avaliar o efeito do uso de diferentes efluentes sobre o desempenho hidraulico dos gotejadores coletaram-se as vazoes dos 12 emissores de duas linhas laterais de cada tipo de tratamento perfazendo, no total, 72 emissores quando foram determinados, alem do CUD e CUE, o Coeficiente de Variacao de Fabricacao -- CVf (Eq. 3), para cada pressao analisada, tal como a curva vazao-pressao para cada tipo de tratamento.

CVf = Sd/[q.sub.med] (3)

em que:

CVf--coeficiente de variacao do fabricante

Sd--desvio padrao

[q.sub.med]--vazao media, L [h.sup.-1]

Como criterio de classificacao dos coeficientes foram utilizados os valores especificados pela ASAE (1994), conforme a Tabela 2. Como testemunha se utilizaram, nos testes, tres linhas laterais compostas de gotejadores novos, coletados aleatoriamente de um lote do fabricante. O sistema novo foi montado com as mesmas caracteristicas do usado. Em todos os ensaios utilizou-se a agua do campus da UFRPE.

RESULTADOS E DISCUSSAO

Na Tabela 3 sao apresentadas as caracteristicas fisicas e quimicas do esgoto domestico apos a passagem pelos diferentes tipos de tratamentos de esgoto estudados.

Observa-se, dentre os parametros fisico-quimicos analisados, que os valores da condutividade eletrica (CE) e do pH foram semelhantes entre os tratamentos; ja os valores de demanda quimica de oxigenio (DQO) e de solidos suspensos totais (SST) nos efluentes tratados por FD+LE, foram superiores aos efluentes tratados por UASB + LP e DG + FD + LE, podendo-se inferir que o tratamento filtro digesto, associado com lagoa de estabilizacao (FD + LE), produziu um efluente tratado com qualidade inferior para fins de irrigacao localizada uma vez que, de acordo com os padroes de qualidade de agua para irrigacao, SST superior a 100 mg [L.sup.-1] promove risco severo ao entupimento de emissores.

Capra & Scicolone (2007) observaram, realizando testes de campo com aguas residuarias de diferentes qualidades quanto ao teor de solidos suspensos totais, que o teor de solidos suspensos totais de 50 mg [L.sup.-1] ja causa problemas na uniformidade de emissao de agua.

Os valores obtidos para os coeficientes de uniformidade de Christiansen e de Distribuicao no inicio da implantacao do experimento de campo foram de CUD = 94% e CUE = 94,5%, respectivamente. Esses valores, de acordo com ASAE (1994), enquadram a uniformidade de aplicacao de agua na categoria excelente, demonstrando que o sistema de gotejamento foi bem dimensionado para as condicoes locais.

Os valores determinados para os coeficientes de uniformidade nas segunda e terceira avaliacoes ocorridas, respectivamente, aos 69 e 120 dias para os diferentes tratamentos, se encontram na Tabela 4.

Percebe-se reducao na uniformidade de aplicacao de agua, em todos os tratamentos, permitindo inferir que o uso de esgoto domestico tratado promoveu queda no desempenho hidraulico do emissor provocada pela presenca de materia organica no efluente.

A configuracao de tratamento de esgoto mais eficiente foi o decanto digestor associado a um filtro digestor e lagoa de estabilizacao (DG + FD + LE), o que permitiu obter coeficientes de uniformidades superiores aos demais tratamentos estudados.

Analisando os coeficientes apos 120 dias de submissao nos diferentes tratamentos, percebeu-se que a uniformidade no tratamento DG + FD + LE foi classificada boa, enquanto nos demais tratamentos foi classificada razoavel ou ruim.

As menores uniformidades de distribuicao foram observadas quando o esgoto domestico foi tratado com filtro digestor associado a uma lagoa de estabilizacao (FD + LE) apresentando, na terceira avaliacao CUD = 45,7% e CUE = 84,0%. A menor remocao dos solidos suspensos totais por este metodo deve ter sido a principal causa para as baixas uniformidades observadas.

A associacao de tratamentos pode ter sido a causa do melhor desempenho do sistema de tratamento DG+FD+LE. A passagem do esgoto por dois sistemas de tratamento conjugados, melhorou a qualidade fisico-quimica da agua, minimizando a formacao de incrustacoes nas paredes dos dutos e emissores e, em contrapartida, mitigando a possibilidade de entupimento dos emissores.

Puig-Barguez et al. (2005) observaram, avaliando a performance hidraulica de gotejadores utilizando dois tipos de efluentes tratados, lodo ativado e filtro de areia seguido de luz ultravioleta e cloracao, a reducao da uniformidade de aplicacao de agua no efluente tratado com lodo ativado e atribuiram a origem biologica como as principais causas do entupimento dos emissores. Os autores tambem observaram que o efluente que passou por tratamento terciario (luz ultravioleta) apresentou uniformidade de aplicacao de agua superior a 90%, o que os levou a concluir que e importante seguir a desinfeccao correta dos efluentes para utilizacao na irrigacao por gotejamento.

Posteriormente, Puig-Barguez et al. (2010) verificaram, ao estudar o efeito do entupimento pelo uso de agua residuaria tratada sobre o sistema de irrigacao superficial e subsuperficial com dois tipos de emissores, autocompensantes e nao compensantes, que a principal causa do entupimento foi a formacao de biofilme.

Na Tabela 5 se encontram os valores dos coeficientes de uniformidade obtidos pelos emissores usados com cada tipo de efluente na faixa de pressao recomendada pelo fabricante.

Percebe-se, novamente, que o efluente tratado com decanto digestor associado a filtro digestor e lagoa de estabilizacao (DG + FD + LE) promoveu maior uniformidade em todas as pressoes estudadas. Comparando os emissores utilizados em campo com um lote de gotejadores novos, nota-se que os emissores novos apresentaram maiores valores de coeficientes de uniformidade classificando-se como excelente para as pressoes de 100, 150 e 200 kPa, e como bom, para a de 250 kPa, indicando que para as menores pressoes recomendadas pelo fabricante os emissores apresentaram a melhor uniformidade.

Evidencia-se, porem, a reducao da uniformidade de aplicacao da agua com o uso continuo de agua residuaria, permitindo maiores variacoes da vazao dentro da mesma faixa de pressao. Pletsch et al. (2009) observaram, avaliando a uniformidade de aplicacao de agua e o coeficiente de variacao de vazao de tubos gotejadores, apos o uso de esgoto domestico tratado, reducao da uniformidade de aplicacao de agua devido ao entupimento, e aumento do coeficiente de variacao de vazao.

Resende et al. (2001) verificaram comprometimento das caracteristicas hidraulicas de gotejadores autocompensantes com o uso continuo de agua enriquecida por nutrientes e o atribuiram ao entupimento parcial ou total dos emissores, provocado pelo crescimento de colonias de bacterias no interior dos dutos e nos gotejadores.

Analisando os valores obtidos para o coeficiente de variacao de fabricacao para os emissores novos e usados em cada tipo de efluente tratado (Tabela 6), nao se verifica diferenca significativa, a nivel de 5% de probabilidade, entre os emissores novos e os que utilizaram efluente proveniente de decanto digestor associado a um filtro digestor e lagoa de estabilizacao (DG + FD + LE).

Entretanto, em todas as pressoes analisadas o CVf ficou fora do padrao do recomendado pela ABNT (1986) e ASAE (1994), que classificam, como bons, os emissores que apresentam, no maximo, valores de CVf inferiores a 10%.

Ao contrario do esperado, os emissores novos apresentaram valores de CVf superiores aos do tratamento DG + FD + LE; tal ocorrencia pode ser atribuida ao fato dos emissores terem sido de lotes diferentes do fabricante, ocasionando altos valores de desvio padrao para os emissores novos, como indicado na Tabela 5. Segundo Talens (2009), variacoes de pressoes influenciam na vazao dos emissores em razao da sua sensibilidade; sendo assim, outra causa que pode estar associada as variacoes das vazoes dos emissores durante o ensaio, e a variacao de pressao.

O tratamento filtro digestor associado a lagoa de estabilizacao (FD + LE) foi o que proporcionou os piores resultados, apresentando CVf superiores a 20% em toda a faixa de pressao estudada (Tabela 6). Carvalho et al. (2006) e Koetz et al. (2006) tambem obtiveram coeficientes de variacao de fabricacao para esses emissores acima do recomendado pela ABNT. Dias et. al. (2005) consideraram a membrana elastica controladora de pressao, para esses tipos de emissores, muito sensivel as intemperies.

No entanto, o tempo em que o emissor ficou exposto aos tratamentos nao foi suficiente para a membrana elastica perder a funcao de reguladora de vazao. A Figura 2 apresenta a curva de vazao versus pressao para o gotejador Katif, 3,75 L [h.sup.-1] e nela se percebe, apesar de ter sido possivel verificar diferencas no comportamento hidraulico do emissor nos diferentes tratamentos estudados, que o tempo de exposicao do emissor a agua residuaria tratada de esgoto domestico nao modificou sua caracteristica autocompensante.

Pletsch et al. (2009) tambem obtiveram resultados semelhantes, ao observar alteracao no comportamento hidraulico de gotejadores somente apos 1000 h de aplicacao de agua residuaria proveniente de esgoto domestico tratado. Os resultados observados sugerem que pesquisas sejam conduzidas para o desenvolvimento de tecnicas auxiliares ao tratamento de esgoto tradicional.

[FIGURA 2 OMITTED]

CONCLUSOES

1. O sistema de tratamento decanto digestor, associado a um filtro digestor e lagoa de estabilizacao, promoveu melhor desempenho em sistemas de irrigacao por gotejamento quando comparado com os demais tratamentos estudados.

2. As menores uniformidades de aplicacao foram observadas quando se utilizou esgoto domestico tratado por filtro digestor associado a uma lagoa de estabilizacao.

3. O uso de esgoto domestico tratado promoveu queda no desempenho hidraulico do gotejador externo Katif, 3,75 L [h.sup.-1], na faixa de pressao de 50 a 200 kPa.

AGRADECIMENTOS

Os autores expressam seus agradecimentos a FINEP, pelo auxilio financeiro; ao CNPq, pela concessao de bolsas de estudo e a UFRPE, pelo apoio logistico e de deslocamento a area experimental.

LITERATURA CITADA

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Livia P. da Silva (1), Manasses M. da Silva (2), Marcus M. Correa (2),

Fillipe C. D. Souza (2) & Enio F. de F. e Silva (2)

(1) Mestranda em Eng. de Sistemas Agricolas, ESALQ/USP. Av. Padua Dias, 11, CEP 13418-900, Piracicaba, SP. Fone: (19) 3429-4123-230. E-mail: liviapreviatello@usp.br

(2) UFRPE, Rua D. Manoel de Medeiros s/n, CEP 52171-900, Recife, PE. Fone: (81) 3320-6261. E-mail: manasses@dtr.ufrpe.br; metri@dtr.ufrpe.br; fillipecelestino@hotmail.com; enio.silva@dtr.ufrpe.br
Tabela 1. Coeficientes de cultivo (kc) e fases fenologicas
da mamoneira

                                              Duracao      [k.sub.c]
Fase               Descricao                (dias) (1)        (1)

 I     Germinacao, crescimento vegetativo     0-25            0,54
 II    Floracao                               25-65        0,54-1,15
III    Frutificacao                          65-120           1,15
 IV    Maturacao e colheita                  65-120        1,15-0,33

(1) Adaptado de Allen et al. (1998)

Tabela 2. Classificacao de coeficiente de uniformidade
de distribuicao (CUD), coeficiente de uniformidade
estatistico (CUE) e coeficiente de variacao do fabricante
(CVf) segundo ASAE (1994)

                    CUD         CUE

Classificacao             (%)

Excelente        100 - 94     100 - 95
Bom               87 - 81      90 - 85
Razoavel          75 - 68      80 - 75
Ruim              62 - 56      70 - 65
Inaceitavel          < 50         < 60

                    CVf

Classificacao       (%)

Excelente           < 5
Media              5 - 7
Marginal          7 - 11
Ruim              11 - 15
Inaceitavel        > 15

Tabela 3. Caracterizacao fisica e quimica da agua
utilizada na irrigacao. Valores medios de tres avaliacoes,
ao longo do experimento de campo

                                                 Efluentes *

                          Agua
Parametros *          abastecimento   UASB+LP     DG+FD+LE     FD+LE

CE (dS [m.sup.-1])         0,218        2,14        1,99        1,88
DBO (mg [L.sup.-1])        0,9         36,10       47,30       65,00
DQO (mg [L.sup.-1])       10,8        395,50      384,60      694,90
SST (mg [L.sup.-1])       22,4         61,60       44,30      114,60
pH                         6,53         6,87        6,88        6,95

* LP, lagoa de polimento; DG, decanto digestor; FD, filtro digestor
anaerobio; LE, lagoa de estabilizacao; DQO, demanda quimica de
oxigenio; DBO, demanda bioquimica de oxigenio; CE, condutividade
eletrica; SST, solidos suspensos totais, pH, potencial
hidrogenionico

Tabela 4. Classificacao dos coeficientes obtidos na primeira etapa
do experimento

                             Vazao media     Valores    Valores
Avaliacao   Tratamento      (L [h.sup.-1])   minimos    maximos

   1a       Agua                 4,01          3,68       4,60
            abastecimento

   2a       UASB+LP              4,14          3,32       4,60
            DG+FD+LE             4,14          3,52       4,76
            FD+LE                4,06          3,72       4,64

   3a       UASB+LP              4,15          3,48       4,92
            FD+DG+LE             4,07          3,00       4,52
            FD+LE                4,39          3,24       5,08

                                        CUD      CUE
                             Desvio
Avaliacao   Tratamento       padrao          (%)

   1a       Agua              0,22      93,9     94,5
            abastecimento

   2a       UASB+LP           0,45      87,9     89,2
            DG+FD+LE          0,48      84,0     88,3
            FD+LE             0,79      88,3     88,6

   3a       UASB+LP           0,41      53,8     84,8
            FD+DG+LE          0,38      70,0     87,2
            FD+LE             0,44      45,7     84,0

Tabela 5. Classificacao dos coeficientes do sistema de
gotejamento usados

                              Vazao          CUD       CUE
                Pressao       media                            Desvio
Tratamento       (kPa)    (L [h.sup.-1])          (%)          padrao

Agua              100          4,18         89,86     88,01     0,50
abastecimento     150          3,95         89,90     87,27     0,51
                  200          4,03         91,55     85,14     0,61
                  250          4,03         86,15     78,13     0,91

UASB + LP         100          4,33         73,50     84,85     0,64
                  150          4,14         80,58     84,82     0,63
                  200          4,06         78,59     84,30     0,64
                  250          3,96         70,11     77,87     0,88

DG + FD + LE      100          4,34         91,82     93,58     0,28
                  150          4,14         88,64     91,08     0,37
                  200          4,15         85,71     86,83     0,55
                  250          4,00         77,10     81,00     0,76

FD + LE           100          4,07         76,76     79,81     0,82
                  150          3,73         67,56     74,13     0,96
                  200          3,78         73,46     79,05     0,79
                  250          3,80         67,69     75,00     0,95

Tabela 6. Parametros de desempenho dos gotejadores novos e usados

             Pressao             CVf     Teste de
Tratamento    (kPa)     CVf     medio    Duncan *

Novos

               100     11,99    15,36       b
               150     12,73
               200     14,86
               250     21,87

Usados

UASB+LR        100     15,15    17,04       ab
               150     15,18
               200     15,70
               250     22,87

DG+FD+LE       100     6, 42    11,88       b
               150      8,92
               200     13,17
               250     19,00

FD+LE          100     20,19    22,83       a
               150     25,87
               200     20,95
               250     25,00

                   Classificacao

Tratamento   ABNT (1986)   ASAE (1994)

Novos

             Medio         Ruim
             Medio         Inaceitavel
             Bom           Medio
             Marginal      Inaceitavel

Usados

UASB+LR      Medio         Ruim
             Medio         Inaceitavel
             Bom           Marginal
             Marginal      Inaceitavel

DG+FD+LE     Medio         Ruim
             Medio         Inaceitavel
             Medio         Ruim
             Marginal      Inaceitavel

FD+LE        Marginal      Inaceitavel
             Marginal      Inaceitavel
             Medio         Inaceitavel
             Marginal      Inaceitavel
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Title Annotation:articulo en portugues
Author:da Silva, Livia P.; da Silva, Manasses M.; Correa, Marcus M.; Souza, Fillipe C.D.; de F. e Silva, En
Publication:Revista Brasileira de Engenharia Agricola e Ambiental
Date:May 1, 2012
Words:4949
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