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Descriptive analysis of antisocial behavior among male adolescentes/Caracterizacao de adolescentes do sexo masculino em relacao a comportamentos antissociais/Caracterizacion de adolescentes de sexo masculino en relacion al comportamiento antisocial.

-1. Introducao. -2. Metodo. -3. Resultados. -4. Discussao. -Lista de referencias.

1. Introducao

No Brasil, a participacao dos adolescentes na criminalidade tem aumentado. Um levantamento recente (Uribe, 2013), em sete estados brasileiros e no Distrito Federal, constatou que criancas e adolescentes representam 18% do total de apreensoes por crimes, sendo que de 2011 para 2012 o numero de jovens apreendidos pela policia teria aumentado 14%, quase tres vezes mais que o aumento concernindo a populacao adulta (5%). Isso repercute na opiniao publica que clama por maior controle social dos jovens, tendo por base a tese de que os adolescentes seriam os maiores responsaveis pelo aumento da violencia urbana e a de que o rebaixamento da maioridade penal, de 18 para 16 anos (ou menos), pode deter esse aumento e corrigir com mais eficacia aqueles que sao detidos pela policia (Pereira, 2014).

Fato e que o aumento da participacao dos jovens na criminalidade impacta concretamente as demandas impostas a Justica Juvenil que, face a pressao social, exacerba o emprego de medidas privativas de liberdade aos adolescentes como forma prioritaria para manejar o problema. O ultimo relatorio do Forum Brasileiro de Seguranca Publica (2013) refere que as taxas de adolescentes submetidos a medidas de privacao de liberdade (internacao, internacao provisoria e semiliberdade) aumentaram mais de 10% nos ultimos anos. Isso revela a tendencia do Estado em oferecer respostas baseadas no ideal de contencao dos adolescentes, em coerencia a ideologia que se propaga, em razao da qual os jovens, especialmente os infratores sao representados, nas sociedades latinoamericanas, como fonte principal de todo o mal/perigo que nos assola (Anced, 2007).

A preocupacao com a participacao de jovens no mundo do crime e legitima na medida em que ha de fato aumento substancial desta e que a literatura cientifica e unanime em afirmar que a maior parte dos adolescentes que entram em contato com o Sistema de Justica Juvenil se envolvera com o Sistema Judiciario Criminal, o que significa dizer que um dos indicadores de risco mais significativos para a criminalidade adulta e a delinquencia juvenil (Ouimet, 2009, Loeber, Farrington & Petechuk, 2013). Todavia, sabe-se que a adolescencia e um periodo de grandes transformacoes de natureza neurobiologica, psicologica e social, e que ela se configura como um momento da vida em que se concentram comportamentos de risco, sendo a ocorrencia de comportamentos divergentes, nessa etapa, parte de um processo normativo (Le Blanc, 2003, Castro, Cardoso & Agra, 2010, Mulvey, 2014). He e Marshal (2009), com base em estudos realizados com grandes amostras indicam que 41% e 16% dos adolescentes ja fizeram uso de alcool e de maconha, respectivamente. Outros estudos demonstram que mais de 60% da populacao de adolescentes do sexo masculino cometem algum delito nesse periodo da vida (Elliott, Ageton, Huizinga, Knowles & Canter, 1983, Barbaret et al, 2004, Case & Haines, 2007).

Apesar de muitos adolescentes apresentarem comportamentos antissociais (1) e se envolverem em situacoes que implicam em violacao das Leis, sabe-se que apenas uma minoria se engaja na pratica de delitos, emitindo comportamento infracionais de forma frequente e acentuada, constituindo-se em grupo que efetivamente requer um enquadre de acompanhamento estabelecido pela justica (Le Blanc, 2003). Vive-se, portanto, o desafio de melhor identificar, em meios aos adolescentes que manifestam comportamentos antissociais e, especialmente, em meio aqueles que cometem atos de violacao das leis criminais, os que tem engajamento infracional, assim como as variaveis psicossociais que os caracterizam.

Na direcao do que argumentam Bazon, Komatsu, Panosso & Estevao (2011), distinguir corretamente os adolescentes infratores cujo comportamento representa a presenca de problemas no desenvolvimento psicossocial e denota "engajamento infracional", dos adolescentes que cometem atos passageiros proprios da fase desenvolvimental, e acao crucial a orientacao da Justica Juvenil e das politicas publicas na area. Essa beneficiaria os proprios adolescentes na medida em que teriam sua necessidade de intervencao juridica e psicossocial melhor apreendida, para alem do delito em razao do qual sao apreendidos e trazidos a Justica, e tambem beneficiaria aos profissionais que devem tomar decisoes sobre o encaminhamento dos mesmos e aos que devem empreender intervencoes de acompanhamento socioeducativo, na medida em que disporiam de mais elementos para raciocinar. Ademais, do ponto de vista institucional, tal distincao certamente geraria uma economia relativa aos custos da intervencao (numero de vagas no sistema socioeducativo) e aumento na qualidade dos servicos oferecidos (Bertini & Estevao, 1986).

Em termos academicos, conforme apontam Castro et al. (2010), a caracterizacao da delinquencia, do seu volume, estrutura e evolucao, a caracterizacao dos comportamentos e dos seus autores, dos contextos em que ocorrem, dos significados que lhes sao atribuidos, bem como as reacoes de que sao alvo, constitui-se em um tema central ao desenvolvimento das ciencias interessadas no fenomeno criminal. Em termos sociais, conhecer esses aspectos, alem de ser tarefa fundamental a compreensao da delinquencia, converte-se em elemento imprescindivel ao delineamento de estrategias de prevencao e de intervencao social e institucional adequadas.

Assim, o presente estudo pretende contribuir nessa seara, tendo por objetivo caracterizar os comportamentos divergentes e infracionais em amostras de adolescentes brasileiros, uma composta por adolescentes da populacao geral, recrutados em escolas publicas, e outra formada por adolescentes judicializados recrutados em programas de execucao de medida judicial, com vistas a melhor conhecer esse fenomeno na juventude, em nossa sociedade. Cumpre afirmar que a "delinquencia juvenil", embora mobilize muita discussao na sociedade brasileira, e tema pouco investido, seja no plano das politicas publicas, seja no ambito das investigacoes academicocientificas; na verdade, pouco se sabe sobre o fenomeno em nossa realidade sociocultural, sua prevalencia e, menos ainda, sobre a existencia ou nao de padroes diferenciados de conduta infracional que possam existir, a despeito das generalizacoes que podem ser feitas a partir dos estudos internacionais.

2. Metodo

A pesquisa de abordagem quantitativa aqui apresentada, com vistas a descricao do fenomeno em foco, seguiu um delineamento de corte transversal, com a realizacao de um levantamento junto a duas amostras de adolescentes do sexo masculino que responderam a um questionario sobre comportamentos juvenis, entre os meses de outubro de 2012 e fevereiro de 2014.

Participantes

A investigacao foi implementada em Ribeirao Preto, uma cidade de porte medio, no interior do Estado de Sao Paulo-Brasil, que conta com aproximadamente 600 mil habitantes, sendo 15% desse total, aproximadamente, jovens com idade entre 10 e 19 anos (cerca de 7,5% do sexo masculino) (Atlas Brasil, 2014).

Participaram do estudo 133 adolescentes do sexo masculino, com media de idade de 14,9 anos (DP = 1,4), recrutados em tres escolas publicas da cidade e 60 adolescentes em conflito com a lei do sexo masculino, com media de idade de 15,8 anos (DP = 1), recrutados em duas instituicoes com programas de execucao de medida judicial de liberdade assistida.

As amostras foram intencionais, porem constituidas por conveniencia, na medida em que se pode recrutar os adolescentes apenas nas instituicoes que autorizaram a realizacao do estudo, nas suas dependencias, ou seja, os da populacao em estabelecimentos de ensino e os judicializados em programas de execucao da medida judicial. Ademais, em relacao a todos os adolescentes que foram convidados, num primeiro momento, a participar da investigacao, coletou-se dados somente junto aqueles que se dispuseram voluntariamente a colaborar e cujos pais/responsaveis autorizaram a participacao por meio de assinatura a um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, documento preconizado por resolucao do Conselho Nacional de Saude, no Brasil, relativo a etica em pesquisa com seres humanos (Ministerio da Saude, 2012), aprovado no Comite de Etica da Faculdade de Filosofia, Ciencias e Letras de Ribeirao Preto da Universidade de Sao Paulo.

Medidas

Comportamentos divergentes e delituosos. Os comportamentos divergentes e delituosos foram mensurados por um questionario de delinquencia autorrevelada (self-report delinquency) com estrutura semelhante ao administrado em 2006, em 30 paises, no ambito do Second International SelfReported Delinquency Study (Breen, Manning, O'Donnell, O'Mahony & Seymour, 2010). Alem de uma parte introdutoria, cujas questoes visam a caracterizacao sociodemografica do respondente, o instrumento investiga a emissao, por parte do respondente, de seis categorias de comportamentos divergentes (evadir o lar, cabular aula, consumir alcool, consumir maconha, consumir outras drogas e dirigir sem carteira de habilitacao) e quatorze de comportamentos delituosos (dano, lesao corporal, rixa, agressao/bater em alguem com uso de instrumento, maus-tratos contra animais, receptacao, furto em estabelecimento comercial, furto no interior de carro, furto ou roubo de bicicleta, furtar alguem, roubar alguem, furto ou roubo de veiculo, porte ilegal de arma de fogo e trafico de drogas). Em relacao a cada um dos comportamentos, pergunta-se ao respondente se "alguma vez" o teria praticado; esse dado, relativo ao conjunto de respondentes, fornece o numero de pessoas que praticaram o ato pelo menos uma vez na vida (aferindo a prevalencia). Mediante a resposta afirmativa do respondente, este deve responder a questao seguinte pela qual e indagado se praticou ato semelhante nos "ultimos 12 meses" e "quantas vezes" o teria feito; esse dado, relativo ao conjunto de respondentes, permite determinar a prevalencia de adolescentes por categoria de comportamento e a frequencia (volume) de emissao de cada ato no decorrer do ultimo ano.

Procedimentos

A coleta de dados nas escolas foi realizada em pequenos grupos, constituidos por no maximo 10 adolescentes, por vez, em uma sala de aula reservada para esse fim. A coleta de dados junto a adolescentes em conflito foi realizada individualmente, em sala reservada no contexto da instituicao de execucao da medida judicial, reservada para a aplicacao do questionario. Neste grupo, a aplicacao se deu de forma individual, pois a forma como os programas de execucao da medida de Liberdade Assistida se organizam nao permite a constituicao de grupos de adolescentes, no mesmo horario de funcionamento. Porem, o fator mais importante para a opcao pela aplicacao individual do questionario neste grupo, em especifico, referese ao fato de a grande maioria dos adolescentes em conflito com a lei terem significativa dificuldade de leitura e/ou interpretacao de textos, o que faz com que aplicacao do instrumento junto a esses deva acontecer no formato de entrevista, com vistas a garantir a padronizacao do procedimento, considerando a necessidade de homogeneizar a qualidade da resposta oferecida pelos respondentes neste subgrupo.

Os dados obtidos pelos questionarios foram armazenados em planilhas digitais e submetidos a analises descritivas e de comparacao de medias por meio do teste t-Student, admitindo que as populacoes de referencia apresentam distribuicoes normais das variaveis em comparacao, adotando-se um nivel de significancia de 5% para as analises. Para a realizacao dessas utilizou-se o software livre R.

3. Resultados

No tocante aos comportamentos divergentes investigados, a tabela 1 sintetiza as informacoes referentes aos numeros de adolescentes de cada um dos grupos que ja teriam apresentado algum comportamento divergente e, entre esses, a media de comportamentos divergentes distintos (diversidade de comportamentos divergentes).

A tabela 2 apresenta os resultados concernindo as duas amostras -escolares e judicializados- em relacao aos comportamentos de consumo de alcool e de maconha, destacando-se as frequencias e porcentagens de adolescentes que revelaram a experimentacao de cada uma dessas substancias e de adolescentes que revelaram um uso frequente (de pelo menos uma vez por semana), bem como o abuso de alcool (embebedar-se).

A tabela 3 sintetiza dados relacionados aos comportamentos delituosos, mostrando o numero de adolescentes que revelaram ja ter cometido algum dos delitos investigados (prevalencia). Para esse montante, a tabela ainda apresenta os resultados relativos a media da idade em que o adolescente teria manifesto o primeiro delito, a media do numero de delitos diferentes ja cometidos e a media do numero de vezes que teria cometido algum dos delitos nos ultimos 12 meses.

Em sintese, destaca-se que, entre os escolares, 79% revelaram pelo menos um dos seis comportamentos divergentes investigados e 77% revelaram terem cometido pelo menos um dos 14 delitos investigados. Entre os judicializados, todos os adolescentes revelaram os dois tipos de comportamento. Em relacao apenas aos delitos, na media, os adolescentes escolares indicaram ter manifesto o primeiro delito com a idade de 11 anos, terem cometido 2,8 delitos distintos e, no periodo dos ultimos 12 meses, terem cometido um volume aproximado de 4 delitos. Ja os judicializados, em media, teriam manifesto o primeiro delito um pouco antes, por volta dos 10,6 anos, terem cometido 5,9 delitos distintos e, no periodo dos ultimos 12 meses, terem cometido um volume aproximado de 11 delitos, distinguindo-se significativamente dos estudantes nesses dois ultimos aspectos.

Por ultimo, a figura 1 mostra a distribuicao, em porcentagem, dos adolescentes das duas amostras que revelaram terem cometidos delitos, para cada um dos 14 delitos investigados no estudo. Nota-se no grupo dos escolares que furto no interior de veiculo (2,3%), furto ou roubo de veiculo (2,3%) e furto ou roubo de bicicleta (4,5%) foram os delitos menos revelados, enquanto lesao corporal (33,8%), destruicao de patrimonio publico/dano (38,3%) e furto em estabelecimento comercial (48,1%) foram os delitos que a maioria dos jovens deste grupo revelou ja ter cometido. Os delitos revelados pela minoria dos adolescentes judicializados foram maus-tratos de animais (15%), furto ou roubo de bicicleta (25%) e furto ou roubo de carro e bater em alguem com algum instrumento (ambos com 28%). Os delitos que a maioria dos adolescentes judicializados revelou foram lesao corporal (63,3%), furto em estabelecimento comercial (70%) e trafico de drogas (71,7%).

4. Discussao

Conforme o esperado, os resultados obtidos com a presente investigacao mostraram que grande parte dos adolescentes estudados apresenta comportamentos divergentes e infracionais. Entre os escolares, 79% revelaram ter manifesto algum comportamento divergente e 77% algum comportamento delituoso. Entre os adolescentes judicializados, todos revelaram algum comportamento divergente e algum comportamento delituoso, o que, evidentemente, era esperado. Tal achado permite vislumbrar o quanto os comportamentos antissociais investigados sao difundidos em meio aos adolescentes, de forma geral, constituindo o que alguns autores denominam como sendo um epifenomeno da adolescencia (Le Blanc & Frechette, 1989). Esse dado vai ao encontro dos apontamentos da literatura sobre o fato de a adolescencia constituir-se em um momento da vida em que muitos individuos apresentam comportamentos antissociais, incluindo os de violacao a lei, sendo tal manifestacao, devido a sua magnitude, um processo estatisticamente normativo (Le Blanc, 2003, Vassalo, Smart, Sanson & Dussuyer, 2002, Barberet, Bowling, Junger-Tas, Rechea-Arberola & Zurawan, 2004, Castro et al., 2010).

Considerando essa normalidade estatistica, e provavel que a emissao de comportamentos antissociais corresponda a uma estrategia relacionada a tarefa desenvolvimental atinente ao processo de construcao da identidade, propria a fase (Erikson, 1976), sendo que, no plano individual, essa implica, em uma certa medida, na oposicao ao outro e em um teste dos limites ou das regras sociais.

Tratando especificamente do comportamento de uso de drogas entre os adolescentes, considerando ser essa uma grande preocupacao na sociedade brasileira atual, verificou-se que, efetivamente, muitos dos jovens investigados relataram ja ter consumido substancias psicoativas. Com relacao a bebidas alcoolicas, entre os escolares, 61% referiram ja ter bebido, mas poucos indicaram fazerem uso frequente desta substancia (5%). Entre os judicializados, entretanto, 93% indicaram ja ter consumido alcool e 13% indicaram consumir a substancia com frequencia, denotando-se porcentagens, nesse subgrupo, expressivamente superiores. No que se refere ao uso de maconha, em meio aos escolares, 12% revelaram ja ter feito uso, mas apenas 2% relataram fazer uso frequente da substancia. Entre os judicilizados, novamente destacam-se porcentagens nitidamente maiores, sendo que 85% deles revelaram ja ter usado maconha, sendo que 42% do total indicaram fuma-la pelo menos uma vez por semana.

As proporcoes encontradas no presente estudo, concernindo os adolescentes escolares, sao semelhantes as encontrados por He e Marshall (2009), no qual 41% dos adolescentes revelaram uso de alcool e 16%, uso de maconha. Em relacao aos adolescentes judicializados, nossos dados sao semelhantes aos de Salazar, Torres, Reynaldos, Figueroa & Valencia (2009) que, em estudo com adolescentes mexicanos judicializados, verificaram que 70% deles revelaram ja ter consumido drogas, prevalencia um pouco inferior a encontrada no presente estudo. Em outra pesquisa em contexto brasileiro, com uma amostra de adolescentes em cumprimento de medida de internacao, as prevalencias encontradas encontraram para uso de alcool e de maconha foram bem altas, na mesma direcao que as encontradas por nos, respectivamente 97% e 96% (Martins & Pillon, 2008).

Os resultados demonstram que muitos adolescentes experimentam alguma substancia psicoativa, como alcool e maconha, mas que poucos fazem uso frequente delas. O dado que chama mais a atencao e o de que o uso frequente de maconha, em especial, encontrase muito difundida em meio ao grupo de jovens judicializados, mais que o alcool. Nesse ponto, e preciso propor questionamentos sobre as razoes relacionadas a esse comportamento especifico, neste subgrupo, seja em termos das motivacoes para o consumo, seja em termos das consequencias a ele associadas, incluindo os questionamentos sobre as possiveis relacoes de causa e efeito entre o consumo de maconha e a delinquencia juvenil: um comportamento determinaria o outro ou seriam esses apenas coocorrencias? Independentemente do tipo de relacao existente entre tais comportamentos que, segundo a literatura, podem ser varios (Fagan, 1993, Le Blanc & Bouthillier, 2003, Castro et al., 2010), deve-se sublinhar o fato de a substancia preferencial entre os infratores, para o consumo regular, ser ilegal. Isso concorre para que eles, de forma mais ou menos intensa, circulem em contextos caracterizados pela atividade criminalizada de trafico de drogas, o que pode incrementar e/ou desencadear uma socializacao criminal (Haynie, Silver & Teasdale, 2006, Bazon & Estevao, 2012).

Outro parametro normalmente utilizado para avaliar o comportamento infracional e a idade na qual o primeiro ato delituoso teria sido manifesto. Segundo a literatura, e mais comum que a emissao de atos antissociais em geral acontecam na segunda metade da adolescencia, sendo o inicio da atividade infracional na primeira metade adolescencia (entre os 12 e os 14 anos), ou mesmo antes, considerado precoce, o que seria um importante preditor de maior "engajamento infracional", em vista do qual o comportamento apresentaria mais chances de persistir no tempo, diversificandose e avolumando-se (Day, Wanklyn & Yessine, 2014). Nesse ponto, os resultados por nos obtidos surpreenderam, pois as idades de inicio podem ser consideradas bastante precoces em ambas as amostras, nao havendo, inclusive, diferencas significativas entre os grupos. As idades medias observadas se referem a um momento situado entre o final da infancia e o inicio da adolescencia. Esse aspecto especifico merece atencao especial em estudos futuros, pois e possivel que indique importantes diferencas socioculturais atinentes aos contextos em que crescem e se desenvolvem os jovens, aqui e nas sociedades onde os estudos criminologicos que servem de parametro foram desenvolvidos.

Ja a diferenca entre as medias do numero de delitos praticados no decorrer do ultimo ano e do numero de delitos distintos ja praticados foram significativas diferentes entre os dois grupos investigados. De forma geral, pode-se dizer que os adolescentes que apresentam mais problemas de conduta e realizam o maior numero de delitos estao na amostra de adolescentes judicializados, semelhantemente aos resultados encontrados no Chile, por Banares et al. (2010), em estudo tambem baseado no metodo da delinquencia autorrevelada, pelo qual obtiveram o dado de que os adolescentes em conflito com a lei teriam cometido um volume de delitos quase quatro vezes maior que os da amostra de escolares.

Contudo, atendo-se a observacao das medias e dos desvios padrao relativos ao volume e a diversidade dos atos delituosos revelados, nota-se um elevado desvio padrao nos dois grupos, o que sugere uma heterogeneidade comportamental dos individuos que os compoem. Portanto, e possivel que alguns adolescentes da amostra de judicializados apresentem padrao comportamental que represente pequeno engajamento infracional, ao passo que alguns adolescentes da amostra de escolares apresentem padrao comportamental que representa engajamento infracional maior, ainda que nao tenham tido contato com a Justica Juvenil.

Em relacao as modalidades de delitos, entre os cometidos pela maior parte dos adolescentes de ambos os grupos, destaca-se o furto em estabelecimento comercial. Em meio aos escolares essa modalidade lidera (48,1%), sendo que em meio aos judicializados ela aparece em segundo lugar (70%). A pratica de furtos dessa pode ser considerada uma atividade antissocial benigna, na medida em que se constitui em comportamento exploratorio e, nao raro, motivado pelo hedonismo, envolvendo geralmente objetos de valor irrisorio (Le Blanc, 2002).

Na sequencia, chama a atencao o fato de o trafico de drogas ser o delito que a maioria dos adolescentes em conflito com a Lei revela ja ter cometido (71,7%). Esse dado contrasta com aquele atinente aos escolares, em meio aos quais apenas uma pequena porcentagem revela ter praticado (6,8%). Diferentemente do furto, o trafico remete, na maior parte das vezes, a uma atividade que envolve algum tipo de contato/ligacao com grupos organizados criminalmente, geralmente constituidos por adultos, o que certamente funciona como importante fator de risco ao engajamento infracional dos adolescentes envolvidos nessa pratica, devido aos processos de socializacao criminal ja mencionados (Haynie el al., 2006, Bazon & Estevao, 2012).

Nesse ponto, uma possivel interseccao entre a alta prevalencia de consumo de maconha e a de trafico de drogas exista, seja porque um comportamento retroalimenta o outro, seja porque um comportamento leva ao outro. A relacao droga-crime, conforme colocam alguns autores, e complexa e merece ainda estudos especialmente delineados para compreende-la nas suas diferentes facetas (Fagan, 1993, Le Blanc & Bouthillier, 2003, Castro et al., 2010).

Em seguida, destaca-se que os outros delitos cometidos por boa parte dos adolescentes dos dois grupos sao rixa (escolares: 25,6%; judicializados: 48,3%), lesao corporal (escolares: 33,8%; judicializados: 63,3%) e destruicao de patrimonio publico (escolares: 38,3%; judicializados: 58,3%). Uma caracteristica comum a estas tres modalidades de comportamento e o elemento agressividade/ destrutividade, que pode ser causado, segundo Rappaport e Thomas (2004), por multiplos fatores, como vulnerabilidade biologica, praticas parentais inadequadas e exposicao a violencia nas comunidades em que vivem; podem tambem ser uma resposta especifica ao estresse inerente a um determinado periodo da vida, caracterizando, talvez, parte da expressao comportamental atrelada a crise da adolescencia (Erikson, 1976).

Em sintese, pode-se afirmar que o presente estudo permitiu uma aproximacao mais realista do fenomeno em foco, permitindo vislumbrar as complexidades que o perpassam. A maior parte dos nossos resultados vao ao encontro dos apontamentos da literatura; encontramos, contudo, uma diferenca importante, relacionada a media de idade de manifestacao do primeiro delito nas duas amostras estudadas, bastante mais precoce que o esperado. De todo modo, os resultados obtidos sao limitados ao carater exploratorio e descritivo do delineamento adotado na investigacao. Ademais, devese ressaltar o fato de ter-se trabalhado com amostras pequenas e pouco diversificadas de adolescentes representantes dos dois grupos, o que impede generalizacoes sem parcimonia. Assim, considera-se fundamental que investigacoes mais elaboradas, com base em amostras representativas, servindo-se de analises mais sofisticadas, sejam empreendidas futuramente, focalizando, especialmente os diferentes niveis de engajamento infracional em meio aos adolescentes e as variaveis psicossociais associadas a esses, seja como fatores de risco, seja como fatores de protecao.

DOI: 10.11600/1692715x.13212210814

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Vassalo, S., Smart, D., Sanson, A. & Dussuyer, I. (2002). Patterns and Precursors of Teenage Anti-Social Behaviors. Paper presented at The Role of Schools in Crime Prevention Conference, Melbourne, Australia.

<ADD> ANDRE VILELA KOMATSU ** Maestrante Universidade de Sao Paulo, Brasil. MARINA REZENDE BAZON *** Professora Universidade de Sao Paulo, Brasil. </ADD>

Articulo recibido en agosto 8 de 2014; articulo aceptado en octubre 21 de 2014 (Eds.)

* Este Artigo curto deriva de um estudo maior: "Comportamentos antissociais em adolescentes do sexo masculino: um estudo exploratorio na cidade de Ribeirao Preto-SP", realizado com o financiamento da Coordenacao de Aperfeicoamento de Pessoal de Nivel Superior (Capes, Brasil / CAAE-03389712.4.0000.5407), iniciado em agosto de 2012, com finalizacao prevista em outubro de 2014. Para correspondencia: mbazon@ ffclrp.usp.br. Grupo de Estudos e Pesquisa em Desenvolvimento e Intervencao Psicossocial (Gepdip-Faculdade de Filosofia, Ciencias e Letras de Ribeirao Preto, da Universidade de Sao Paulo). Estudo Exploratorio e Descritivo. Area de conhecimento: psicologia. subarea: psicologia do desenvolvimento humano.

** Psicologo, Mestrando do Programa de Pos-Graduacao em Psicologia, Faculdade de Filosofia, Ciencias e Letras de Ribeirao Preto, Universidade de Sao Paulo. Ribeirao Preto. Sao Paulo. Brasil. Correio eletronico: avk@usp.br

*** Doutora em Psicologia (Universidade de Sao Paulo). Mestre en Science (Psychoeducation pela Universidade de Montreal, Canada). Docente do Departamento de Psicologia da Faculdade de Filosofia, Ciencias e Letras de Ribeirao Preto, Universidade de Sao Paulo. Ribeirao Preto. Sao Paulo. Brasil. Correio eletronico: mbazon@ffclrp.usp.br

(1) O termo "Comportamentos Antissociais", como definido por Day, Wankly e Yessine (2014), refere-se a uma amplitude de problemas de conduta que um individuo possa apresentar. Esses comportamentos podem tanto violar a lei (ex: roubo e trafico) como nao viola-la, mas ir contra as regras/costumes de uma determinada sociedade (ex: consumo de alcool por criancas ou evasao escolar). Neste artigo, nesse espectro de cobertura dos "comportamentos antissociais", usaremos o termo "comportamento delituoso" para se referir aqueles considerados crimes segundo o codigo penal brasileiro, e usaremos o termo "comportamento divergente" para se referir estritamente aos comportamentos considerados problemas de conduta, mas que nao sao considerados crime.
Tabela 1. Numero e porcentagem de adolescentes que revelaram algum
comportamento divergente e media e desvio padrao do numero de
comportamentos divergentes revelados.

Grupo           Manifestou algum      Numero de comp.
                  comportamento         divergentes
                   divergente      distintos manifestos

                  N        %          M          DP

Escolar          105      79%       2,69 *      1,48
Judicializado     60      100%      4,53 *      1,09

* Medias significativamente diferentes (p < 0,05).

Tabela 2. Numero e porcentagem de adolescentes por grupo--Escolar e
Judicializado--que (1) ja consumiram bebidas alcoolicas alguma vez na
vida, (2) que consomem bebidas alcoolicas pelo menos uma vez por
semana, (3) que ja ficaram bebados mais de 3 vezes, (4) que ja
fumaram maconha e (5) que fumam maconha pelo menos uma vez por
semana.

                  (1) Ja     (2) Consumo    (3) Ja
                consumiram    de bebida     ficaram
                  bebidas    pelo menos     bebados
                alcoolicas     uma vez      mais de
                             por semana     3 vezes

Grupo            n     %      n     %      N     %

Escolar         81    61%     6     5%     19   14%
Judicializado   56    93%     8    13%     20   33%

                  (4) Ja     (5) Fumam
                 fumaram   maconha pelo
                 maconha     menos uma
                              vez por
                               semana

Grupo           n     %      n      %

Escolar         16   12%     2      2%
Judicializado   51   85%    25     42%

Tabela 3. Numero e porcentagem de adolescentes que revelaram (1)
algum delito e medias e desvios padrao (2) da idade em que realizaram
um delito pela primeira vez, (3) do numero de delitos distintos ja
realizados e (4) do volume de delitos nos ultimos 12 meses.

Grupo             (1) Ja       (2) Idade em   (3) Numero de
                  realizou     que realizou      delitos
                algum delito       pela       distintos ja
                               primeira vez    realizados

                 n     %        M     DP        M     DP

Escolar         102   77%      11,0   1,8     2,8 *   2,4
Judicializado   60    100%     10,6   2,3     5,9 *   4,1

Grupo            (4) Volume de
                  delitos nos
                ultimos 12 meses

                   M       DP

Escolar          4,0 *     8,8
Judicializado   11,2 *    13,4

* Medias significativamente diferentes (p < 0,05).

Figura 1. Porcentagens de adolescentes da amostra de escolares e da
amostra de judicializados que revelaram o cometimento de cada um dos
delitos investigados.

                                     Escolar   Jidicializado

Destruir patrimonio publico (dano)   38,3%     58,3%
Lesao corporal                       33,8%     63,3%
Rixa (luta em grupo)                 25,6%     48,3%
Bater em alguem com instrumento      5,3%      28,3%
Maus-tratos contra animais           7,5%      15,05%
Receptacao                           16,5%     55,0%
Furto em estabelecimento comercial   48,1%     70,0%
Furto no interior de carro           2,3%      11,7%
Furto ou roubo de veiculo            2,3%      30,0%
Furto ou roubo de bieiecleta         4,5%      25,0%
Furtar a alguem                      16,5%     33,3%
Roubar alguem                        6,8%      35,0%
Porte ilegal de ama de fogo          16,5%     56,7%
Trafico de drogas                    6,8%      71,7%

Note: Table made from bar graph.
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Author:Komatsu, Andre Vilela; Bazon, Marina Rezende
Publication:Revista Latinoamericana de Ciencias Sociales, Ninez y Juventud
Date:Jul 1, 2015
Words:5447
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