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Deficiencia de macronutrientes em Cariniana estrellensis (Raddi) Kintze/Macronutrient deficiency in Cariniana estrellensis (Raddi) Kintze.

Introducao

E crescente o aumento da preocupacao social tanto ao destino das areas degradadas, quanto tambem ao destino dos fragmentos florestais remanescentes, de modo que atividades de producao sem um planejamento ambiental adequado e que tenham como consequencia a degradacao ambiental, estao fadadas a sancoes cada vez mais restritivas, nao so no aspecto legal, mas tambem na propria consolidacao do mercado consumidor, que esta cada vez mais exigente.

Consequentemente, a implantacao de florestas, a recuperacao e a restauracao de ecossistemas degradados, por meio do reflorestamento com especies florestais nativas, sao algumas acoes que contribuem para a manutencao da biodiversidade e para a recuperacao da funcao ambiental de areas antes degradadas.

Diante disso, tem sido crescente a procura e incentivos por projeto de recuperacao e restauracao de areas degradadas por meio do reflorestamento com especies nativas. Todavia, as especies florestais nativas tem exigencias nutricionais e respostas ao estresse nutricional diferenciado e a complementacao nutricional e um dos principais fatores determinantes do sucesso de projetos de recuperacao florestal (SORREANO, 2006). Isso porque, o suprimento inadequado de um nutriente mineral resulta em disturbio nutricional que se manifesta por sintomas de deficiencia caracteristicos, sendo que tais disturbios podem estar relacionados as funcoes desempenhadas pelos nutrientes no metabolismo da planta (TAIZ; ZEIGER, 2004). Desta forma, a nutricao mineral e um fator importante da fisiologia das arvores, uma vez que o suprimento adequado de nutrientes e essencial para o sucesso do crescimento das especies nativas, sendo isso confirmado por Cruz et al. (2011) cujo trabalho mostra que a aplicacao de fertilizantes contendo N, P, K, Ca, Mg e S possibilitou significativo aumento do crescimento das mudas de canafistula (Peltophorum dubium (Spreng.) Taub.).

Muitos estudos descrevem os efeitos da deficiencia nutricional em especies florestais nativas brasileiras: Sorreano et al. (2011), descreveram em seu trabalho os sintomas de deficiencia de N, P, K, Ca, Mg e S e avaliaram o efeito da omissao desses nutrientes na composicao mineral das folhas de mudas de sangra-d'agua (Croton urucurana Baill.). Souza et al. (2006) avaliaram as exigencias nutricionais e o efeito da omissao de nutrientes sob o crescimento de mudas de ipe-roxo (Tabebuia impetiginosa (Mart. ex DC.) Standl.). Os sintomas de deficiencias de macro e micronutrientes em mudas de mogno (Swietenia macrophylla King) foram descritos por Wallau et al. (2008). O crescimento de mudas de bandarra (Schizolobium parahyba var. amazonicum (Huber ex Ducke) Barneby.) submetidas a condicoes de deficiencias nutricionais foi avaliado por Locatelli et al. (2007b). A sintomatologia visual das carencias de macronutrientes e producao de massa seca em mudas de cerejeira (Amburana acreana (Ducke) A.C. Smith) foram avaliadas por Vieira et al. (2011).

Entretanto, diferentemente destes estudos, o presente trabalho buscou avaliar como a deficiencia de macronutrientes pode comprometer a assimilacao de C[O.sub.2] e transpiracao e, consequentemente, como esta deficiencia repercute na producao de biomassa do vegetal de plantas jovens de Cariniana estrellensis (Raddi) Kintze (jequitiba-branco), uma especie florestal nativa brasileira indicada na recuperacao de areas degradadas e na restauracao florestal.

Material e metodos

O experimento foi conduzido em casa de vegetacao do Laboratorio de Nutricao Mineral de Plantas do Centro de Energia Nuclear na Agricultura, Universidade de Sao Paulo (CENA/USP), na cidade de Piracicaba - SP, definida geograficamente pelas coordenadas 22[degrees]42'30" de latitude sul, 47[degrees]38'00" de longitude oeste (Datum WGS 84).

As mudas de jequitiba-branco em tubetes de plastico rigido, contendo substrato, foram adquiridas em um viveiro comercial de especies nativas. Anteriormente aos tratamentos de omissao de nutrientes, as plantas de jequitiba-branco deste experimento permaneceram durante tres semanas em casa de vegetacao, em solucao nutritiva de Johnson et al. (1957), com 50% da concentracao da solucao original para os macronutrientes. A concentracao de micronutrientes foi igual a proposta por Johnson et al. (1957). Apos esse periodo houve a retirada das mudas do substrato e as mesmas tiveram suas raizes cuidadosamente lavadas com agua deionizada, para a retirada total do substrato, e foram transferidas para vasos de plastico, contendo solucoes nutritivas e com a aeracao oriunda de compressor de ar.

Apos esse procedimento iniciou-se a omissao dos macronutrientes: nitrogenio (-N), fosforo (-P), potassio (-K), calcio (-Ca), magnesio (-Mg) e enxofre (-S) pelo metodo de diagnose por subtracao, havendo tambem um tratamento-controle, com os macronutrientes com concentracao de 50% da proposta por Johnson et al. (1957). Para os micronutrientes, a concentracao nao foi alterada.

O delineamento experimental utilizado foi em blocos ao acaso, com tres repeticoes em cada tratamento, sendo cada repeticao representada por um vaso com 2 litros de solucao nutritiva e com uma planta.

Diariamente, o volume da solucao nutritiva foi completado com agua deionizada, mantida com aeracao. A troca de solucao nutritiva realizou-se quando a condutividade eletrica da solucao nutritiva diminuia para 70% da condutividade eletrica inicial, ou a cada tres semanas.

As consequencias fisiologicas da deficiencia nutricional foram avaliadas por meio da determinacao das taxas de assimilacao de C[O.sub.2] e de transpiracao, com o uso do analisador de gas por infravermelho portatil (Infrared Gas Analyzer- IRGA), modelo Li-cor 6400. As taxas de assimilacao ou liberacao de C[O.sub.2] foram expressas como a quantidade de C[O.sub.2] assimilado ou liberado por unidade de area foliar e tempo ([micro]mol C[O.sub.2] [m.sup.-2] [s.sup.-1]) enquanto as taxas de transpiracao foram dadas em mmol [H.sub.2]O [m.sup.-2] [s.sup.-1].

As avaliacoes atraves do IRGA iniciaram aos 120 dias apos o inicio dos tratamentos de omissao de nutrientes, sendo avaliadas duas folhas em cada parte da planta, a saber: folhas novas, folhas intermediarias e folhas velhas. Consideraram-se folhas novas aquelas do terco superior da planta, mais proximas do apice caulinar; folhas intermediarias as do terco medio da planta, e folhas velhas as do terco inferior da planta, desprezando as duas folhas mais inferiores.

As medidas foram realizadas durante 15 dias no mes de julho, no periodo da manha, em dias com sol e nao nublados, entre 8h00 e 10h00. As avaliacoes foram feitas da seguinte forma: primeiramente as folhas novas do tratamento completo e em seguida as folhas novas de um dos tratamentos com deficiencia. Posteriormente eram avaliadas as folhas intermediarias do tratamento completo e em seguida folhas intermediarias de um dos tratamentos de deficiencia. Por fim, analisaram-se as folhas velhas do tratamento completo e as folhas velhas de um dos tratamentos de deficiencia. Ou seja, analisaram-se primeiramente folhas de tres partes distintas do tratamento completo e alternando com as tres partes distintas dos tratamentos de omissao. Com esta sequencia pretendeu-se diminuir a discrepancia entre o horario da primeira medida e o horario da ultima medida de orgaos correspondentes aos tratamentos comparados. Para a avaliacao da fotossintese e da transpiracao, a folha selecionada permanecia na camara de analise por alguns minutos, ate a estabilizacao no aparelho, ou seja, quando o desvio padrao do aparelho permanecia abaixo de 1%. A area foliar considerada foi de 6 [cm.sup.2], em funcao do tamanho do limbo foliar que ocupou toda a area da camara fotossintetica. A concentracao de C[O.sub.2] foi mantida aproximadamente 400 [micro]mol C[O.sub.2] [s.sup.-1], sendo que o fornecimento de ar no sistema foi obtido fora da casa de vegetacao.

Neste estudo, a intensidade luminosa utilizada (PARi) foi de 1200 [micro]mol [m.sup.-2] [s.sup.-1]. O valor foi assim regulado uma vez que, nesta faixa, as plantas de jequitiba-branco do tratamento completo demonstraram uma maior taxa de assimilacao de C[O.sub.2]. A temperatura da folha foi mantida entre 25 e 30[degrees]C.

Para determinacao da producao de biomassa seca, cada uma das plantas de jequitiba-branco foi separada em caule (entendido como o caule central e galhos oriundos das bifurcacoes), raiz e folhas. Cada orgao foi lavado com agua deionizada e seco em estufa de circulacao forcada de ar a uma temperatura de 60[degrees]C, ate atingir massa constante. Apos a secagem do material vegetal foram determinadas a massa seca das folhas (MSF), dos caules (MSC) e raizes (MSR), materiais que em seguida foram moidos em moinho tipo Willey para determinacao analitica do teor de macro e micronutrientes. O preparo do extrato e a determinacao analitica do teor de macro e micronutrientes nas folhas, caule e raizes estao descritos em Sarruge e Haag (1974).

Determinou-se tambem a massa seca da parte aerea (MSPA), definida como a soma da MSF com MSC; a razao raiz/parte aerea (MSR/MSPA) e a massa seca total (MSTO).

Os valores obtidos (taxas de assimilacao de carbono e de transpiracao, teor de macro e micronutrientes e producao de biomassa seca) foram submetidos a analise de variancia e comparacao de medias pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade (PIMENTEL-GOMES, 1990).

Resultados e discussao

A deficiencia nutricional de N, P e S prejudicaram as taxas de assimilacao de C[O.sub.2] e de transpiracao das folhas novas, intermediarias e velhas, enquanto que a deficiencia de Ca, K e Mg prejudicaram as taxas de assimilacao de carbono somente nas folhas intermediarias e velhas e as taxas de transpiracao nas folhas novas, intermediarias e velhas para K e Mg e das intermediarias e velhas para Ca (Figuras 1 e 2).

O comprometimento da assimilacao de C[O.sub.2] e da transpiracao nas tres partes das plantas deficientes em N deve-se a alta mobilidade deste nutriente na planta, uma vez que na sua deficiencia ele e facilmente redistribuido na forma de aminoacidos via floema para as partes novas, principalmente para as folhas jovens e regioes meristematicas. Logo, os sintomas sao visiveis inicialmente nas folhas mais velhas, sendo que, posteriormente, ha o comprometimento das funcoes fisiologicas, tambem, das folhas mais novas.

Locatelli et al. (2007a), estudando o crescimento de mudas de bandarra (Schizolobium parahyba var. amazonicum) submetidas a condicoes de deficiencias nutricionais, observaram que dentre os macronutrientes, a omissao de N foi o mais limitante na producao de massa seca das raizes, parte aerea e massa seca total.

Ja a deficiencia nutricional de P, a qual prejudicou, neste experimento, as taxas de assimilacao de C[O.sub.2] e de transpiracao das folhas e taxas de assimilacao de carbono (Figuras 1 e 2), justifica-se tendo em vista que o P desempenha papel estrutural, fazendo parte dos nucleotideos, os quais formam os acidos nucleicos, tais como o DNA e RNA, que sao importantes moleculas responsaveis, respectivamente, pelo armazenamento e transferencia da informacao genetica. Em ambos os compostos, o fosfato forma uma ponte entre as unidades de ribonucleosideos para formar as macromoleculas. Alem disso, moleculas responsaveis pela transferencia de energia, como a adenosina trifosfato (ATP), a uridina trifosfato (UTP) e guanosina trifosfato (GTP) tem o P na sua composicao (RAVEN, 1996; EPSTEIN; BLOOM, 2006). Logo, tanto o armazenamento e a transferencia da informacao genetica e energetica, assim como a sintese de proteina sao prejudicados pela deficiencia de P, sendo que mesmo requerido em pequenas quantidades, seja fundamental para o desenvolvimento celular vegetal e, consequentemente, para o desenvolvimento morfologico e fisiologico vegetal.

A deficiencia de P foi a que mais limitou o crescimento em altura e diametro do colo do cedro-rosa (Cedrela odorata L.) (LOCATELLI et al., 2007b) e foi tambem o nutriente mais limitante no crescimento da especie Acacia mangium Willd. (BRAGA et al., 1995).

A deficiencia de S compromete algumas etapas o processo da fotossintese: na rota glicolitica, por exemplo, a descarboxilacao do piruvato e a formacao do acetil coenzima A. Estas reacoes sao catalisadas por um complexo multienzimatico envolvendo tres coenzimas contendo S, a tiamina pirofosfato (TPP), o acido lipoico (sistema redox) e um grupo sulfuril de coenzima A (KERBAUY, 2004). Portanto, inexistindo a tiamina pirofosfato, acido lipoico e o grupo sulfuril de coenzima A, a descarboxilacao do piruvato e a formacao do acetil coenzima A nao serao catalisadas. O comprometimento da assimilacao de C[O.sub.2] e da transpiracao das plantas jovens de jequitiba-branco, motivado pela deficiencia de S, causou a diminuicao da producao de biomassa seca (Tabela 1).

Vieira et al. (2011), identificando a sintomatologia visual das carencias de macronutrientes e producao de massa seca em mudas de cerejeira, observaram que a omissao de S, de N e de P foram as que mais limitaram a producao de biomassa seca na parte aerea, e as de S, de P e de K foram as mais limitantes para producao de biomassa das raizes.

O K e necessario para diversas funcoes regulatorias de processos fisiologicos (KERBAUY, 2004), sendo que sua deficiencia causa uma menor producao de biomassa seca (Tabela 1). O K sendo ativador de numerosas enzimas e desempenha papel na regulacao do potencial osmotico da celula vegetal e, por conseguinte, no controle da abertura e do fechamento dos estomatos. Sua deficiencia acarreta disturbios em reacoes metabolicas de acumulacao de compostos nitrogenados livres ou soluveis, comprometendo a fotossintese das plantas com deficiencia deste nutriente (EPSTEIN, 1975; TAIZ; ZEIGER, 2004) e comprometendo as funcoes dos estomatos altera a taxa de transpiracao da planta.

Na fotossintese o K atua em varios niveis, como por exemplo, no fluxo de [H.sup.+] atraves das membranas dos tilacoides mantendo o gradiente de pH transmembrana para a sintese de ATP (EPSTEIN; BLOOM, 2006).

Como o elemento K por ser remobilizado para as folhas mais jovens, os sintomas de deficiencia aparecem inicialmente nas folhas mais velhas (TAIZ; ZEIGER, 2004), o que justifica o fato de a deficiencia de K diminuir consideravelmente a taxa de assimilacao de C[O.sub.2] do jequitiba-branco nas folhas mais velhas (Figura 1).

No processo metabolico, o Ca afeta a atividade de hormonios e de enzimas que regulam a senescencia e a abscisao das folhas e frutos (MALAVOLTA, 1980; MENGEL; KIRKBY, 1987; MARSCHNER, 1995). Alem disso, o Ca tem influencia no crescimento e desenvolvimento das plantas, pois esta envolvido em processos como fotossintese, divisao celular, movimentos citoplasmaticos e aumento do volume celular (MALAVOLTA; VITTI; OLIVEIRA, 1997). A deficiencia de Ca afetou a fotossintese e, por conseguinte, a producao de biomassa seca de plantas jovens de jequitiba-branco (Tabela 1). O comprometimento do metabolismo das plantas de jequitiba-branco devido a deficiencia de Ca deve-se tambem a atuacao do Ca como mensageiro secundario ao ativar a proteina chamada calmodulina, a qual, por sua vez, ativa uma serie de enzimas importantes para a fotossintese da planta (MALAVOLTA, 1980).

A deficiencia de Mg comprometendo a sintese de clorofila diminuiu a assimilacao de C[O.sub.2] (Figura 1) e, por conseguinte, a producao de biomassa seca (Tabela 1). Isso justificase, pois o Mg e um elemento movel no floema e, portanto, redistribui-se facilmente das folhas e tecidos mais velhos para regioes de maiores exigencias, como os meristemas e orgaos de reserva (EPSTEIN, 1975) sendo que, consequentemente, os sintomas de deficiencia de Mg aparecem inicialmente nas folhas mais velhas, fato este que justifica a diminuicao assimilacao de gas carbono em planta de jequitiba-branco com deficiencia de Mg. Mas a principal justificativa para a diminuicao da taxa de assimilacao de C[O.sub.2] e que o Mg e parte da estrutura da molecula de clorofila, juntamente com o N e outros elementos (TAIZ; ZEIGER, 2004). Portanto, a deficiencia de Mg compromete a sintese de clorofila limitando a fotossintese, comprometendo a taxa de assimilacao de C[O.sub.2] e de transpiracao. Alem de ser um dos principais ativadores enzimaticos na respiracao, na fotossintese e na sintese de DNA e RNA, o Mg tambem faz parte de muitas metaloenzimas, ou seja, as enzimas que possuem um metal em sua estrutura (TAIZ; ZEIGER, 2004).

Neste estudo, a deficiencia de macronutrientes mostrou-se claramente limitante na producao de biomassa seca das plantas jovens de jequitiba-branco. Os resultados semelhantes ao deste foram vistos em outras especies florestais: Souza et al. (2006), que avaliando as exigencias nutricionais e o efeito da omissao de nutrientes sob o crescimento de mudas de ipe-roxo notou que a maior producao media de materia seca da parte aerea (folhas e caules) foi apresentada pelo tratamento completo, nao diferindo estatisticamente dos tratamentos com a omissao de K, Ca, Mg, Zn e B. Todavia os mesmos autores constataram que as menores producoes de materia seca da parte aerea foram produzidas nos tratamentos com a omissao de N ou P. Wallau et al. (2008), buscando em seu trabalho diagnosticar os sintomas de deficiencias de macro e micronutrientes em mudas de mogno, verificaram que, embora nao tenham diferido estatisticamente do tratamento completo, os nutrientes que mais afetaram a producao de massa seca total foram N, Cu, K e Ca. Moretti et al. (2011), ao avaliar as exigencias nutricionais e o efeito da omissao de nutrientes no crescimento de mudas de cedro australiano (Toona ciliata M. Roem var. australis (F. Muell.) Bahadur), constataram que as omissoes de N, P, S e Ca foram as que mais acentuadamente diminuiram a producao de biomassa seca da parte aerea (folhas e caules).

Ja em Sorreano et al. (2011), a producao de biomassa de sangra d'agua mostrou-se pouco influenciada pela inducao da deficiencia macronutrientes, a deficiencia de N, P, K, Ca, Mg e S.

Um dos parametros para detectar a deficiencia nutricional em plantas e calcular a relacao entre as massas secas de raizes (MSR) e da parte aerea (MSPA), tendo em vista que em ambientes com baixa fertilidade natural, a relacao MSR/MSPA e maior, pois, a planta aumenta o volume de solo explorado como forma de maximizar a retirada de nutrientes nessas condicoes (CLARKSON, 1985). Neste estudo, os tratamentos cujas plantas estavam com deficiencia de N, Ca, Mg e S foram as que apresentaram as maiores relacoes MSR/MSPA (Tabela 1), mas somente as plantas com deficiencia em N tiveram a relacao MSR/MSPA estatisticamente significativa em relacao ao tratamento completo. O tratamento que apresentou os menores valores de MSR/MSPA foi aquele com deficiencia de P.

Os teores de macronutrientes nas folhas, nos caules e nas raizes foram menores nos tratamentos com deficiencia de um dos nutrientes em relacao ao tratamento completo (Tabela 2). Os teores foliares, dos caules e raizes, verificados na Tabela 2, demonstram o efeito da deficiencia de macronutrientes, revelando que a ausencia de um elemento sempre resultou na reducao de sua concentracao nas folhas, caules e raizes.

A deficiencia de N, P, K diminuiu os teores de B e Cu nas folhas e caules de jequitiba-branco, assim como tambem a deficiencia de Ca diminuiu os teores de B nestas estruturas. Yamanouchi (1980) relatou que o teor de B nas folhas de tomate diminuiu com o aumento do fornecimento de P, interacao tambem observada neste, quando na deficiencia de P houve a diminuicao nos teores de B nas folhas e caules de jequitiba-branco.

A deficiencia de K, Ca, Mg e S diminuiu os teores de Cu nos caules, assim como a deficiencia de Ca aumentou os teores de Fe e Zn nos caules de jequitiba-branco, em funcao dos tratamentos. Ja deficiencia de Ca diminuiu os teores de B nas raizes, e aumentou os teores de Fe, Mn e Zn. O menor teor de Ca nas folhas, caules e raizes, pode ser resultante do efeito de uma menor taxa de transpiracao que ocorre quando ha deficiencia do nutriente (BAKER; GAUCH; DUGGER JUNIOR, 1956), uma vez que o Ca e dependente do fluxo transpiratorio para ascender as partes mais novas (ISERMANN, 1970). A sustentabilidade da existencia da interacao Ca x B deve estar alicercada no fato de ambos exercerem uma funcao estrutural das membranas e parede celular (MARSCHNER, 1995).

Conclusoes

A deficiencia de macronutrientes, de modo geral, diminuiu as taxas de assimilacao de C[O.sub.2] e de transpiracao de jequitiba-branco. O comprometimento dessas taxas contribuiu para que a deficiencia limitasse a producao de biomassa seca das plantas jovens de jequitiba-branco.

Os resultados deste estudo sugerem que a implantacao de florestas ou a recuperacao de areas degradadas, por meio do reflorestamento que utilizam o jequitiba-branco, certamente serao prejudicadas se nao houver a complementacao nutricional quando o solo for deficiente em qualquer um dos macronutrientes.

Agradecimentos

A FAPESP e ao CNPQ pelo suporte financeiro para a presente pesquisa e pela concessao da bolsa de mestrado, respectivamente.

Referencias

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Marcelo Leandro Feitosa de Andrade (I), Antonio Enedi Boaretto (II)

(I) Biologo, MSc, Servidor Publico, Analista Ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservacao da Biodiversidade, Ministerio do Meio Ambiente (ICMBio/MMA), Rod. MT 343, km 69, Zona Rural, Caixa Postal 07, CEP 78398-000, Porto Estrela (MT), Brasil. biomarcello@gmail.com (ORCID: 0000-0001-5334-0437)

(II) Engenheiro Agronomo, Livre-Docente, Professor do Centro de Energia Nuclear da Agricultura, Universidade de Sao Paulo, Laboratorio de Nutricao Mineral de Plantas, Av. Centenario, 303, Caixa Postal 96, CEP 13416-000, Piracicaba (SP), Brasil. aeboaret@cena.usp.br (ORCID: 0000-0003-3408-6730)

Submissao: 02/Artigos 08/2012 Aprovacao: 18/07/2018 Publicacao: 30/06/2019

DOI: https://doi.org/10.5902/198050986099
Tabela 1--Materia seca das folhas (MSF), do caule (MSC), da parte aerea
(MSPA), das raizes (MSR) e total (MSTO) de jequitiba-branco, em funcao
dos tratamentos.
Table 1--Dry matter production of leaves (MSF), of stem (MSC), of
aerial part (MSPA), of root (MSR) and total (MSTO) of Cariniana
estrellensis (Raddi) Kintz, obtained in the treatments.

Tratamentos  MSF (g)   MSC (g)  MSPA (g)  MSR (g)  MSR/MSPA  MSTO (g)

Completo     37 a (1)  17 a     54 a      10a       0,17 bc  64 a
Deficiencia  13 d       6 d     18 d       5 c      0,25 a   24 e
de N
Deficiencia  17 cd     11 c     28 c       4 c      0,14 c   32 d
de P
Deficiencia  26 b      15 ab    40 b       7 b      0,17 bc  48 b
de K
Deficiencia  21 bc     13 bc    34 bc      7 b      0,20 b   41 bc
de Ca
Deficiencia  20 c      13 bc    32 c       7 b      0,20 b   40 cd
de Mg
Deficiencia  21 bc     12 bc    34 c       8 b      0,21 ab  41 bc
de S
CV (%)        9         7        7         8       10         6
Valor        44        50       70        31       10        77
de F (2)

(1) As medias seguidas pela mesma letra, nas colunas, nao diferem
estatisticamente entre si. (2) significativo a 5% de probabilidade.

Tabela 2--Teores de macronutrientes nas folhas, nos caules e nas raizes
de jequitiba-branco, em funcao dos tratamentos.
Table 2--Macronutrients content in the leaves, in the stem and in the
roots of the Cariniana estrellensis (Raddi) Kintze, by the treatments.

Tratamento   N         P         K       Ca            Mg       S
                                         (g
                                         [kg.sup.-1])
                                 Folhas

Completo     31 ab(1)    6,0 a   21 ab   21 a           4,0 b    4,9 a
Deficiencia   9 e        1,2 d   15 c    20 a           3,4 b    2,7 b
de N
Deficiencia  23 cd       0,4 e   16 bc   22 a           2,6 bc   3,1 b
de P
Deficiencia  20 d        3,0 c    1 d    22 a           3,1 bc   2,5 bc
de K
Deficiencia  32 a        5,0 b   22 a     4 b           6,0 a    5,2 a
de Ca
Deficiencia  26 bc       5,4 ab  19 abc  20 a           1,6 c    3,1 b
de Mg
Deficiencia  25 c        3,0 c   16 bc   19 a           3,5 b    1,3 c
de S
CV (%)        8          8       14      10            17       13
Valor        55*       160*      34*     34*           17*      30*
de F (2)
                                 Caule
Completo     20 a        7a      20 b    15 ab          4,6 b    3,6 b
Deficiencia   7 b        3 bc    16 bc   14 ab          2,9 cd   2,7 bc
de N
Deficiencia  20 a        1 c     18 b    15 ab          3,1 cd   3,1 b
de P
Deficiencia  21 a        3 bc    11 c    26 a           3,7 bc   3,0 b
de K
Deficiencia  12 b        4 b     27 a     2 c           6,4 a    6,6 a
de Ca
Deficiencia  20 a        4 b     18 b    13 ab          2,2 d    2,9 b
de Mg
Deficiencia  19 a        4 b     18 b    18 a           4,5 b    1,6 c
de S
CV (%)       12         18       10      33            10       12
Valor        19*        28*      20*      6*           36*      48*
de F (2)
                                 Raiz
Completo     16 ab       6a      22 ab   18 b           3,8 b    4,7 b
Deficiencia   7 c        4 b     19 b    17 b           3,0 b    2,9 de
de N
Deficiencia  19 a        1 c     17 b    18 b           4,0 b    4,0 bc
de P
Deficiencia  19 a        5 ab     8 c    25 a           3,3 b    4,3 b
de K
Deficiencia  18 ab       5 ab    26 a     7 c           5,2 a    4,3 b
de Ca
                                 Raiz
Deficiencia  16 ab       5 ab    17 b    16 b           1,7 c    6,8 a
de Mg
Deficiencia  15 b        6 ab    17 b    17 b           4,0 b    3,1 cd
de S
CV (%)        8         18       11       9            11       10
Valor        35*        13*      26*     33*           23*      47*
de F (2)

(1) As medias seguidas pela mesma letra, nas colunas, nao diferem
estatisticamente entre si. (2) significativo a 5% de probabilidade.

Tabela 3--Teores de micronutrientes nas folhas, nos caules e nas raizes
de jequitiba-branco, em funcao dos tratamentos.
Table 3--Micronutrients content in the leaves, in the stem and in the
roots of the Cariniana estrellensis (Raddi) Kintze, by the treatments.

Tratamento          B        Cu        Fe            Mn      Zn
                                       (mg
                                       [kg.sup.-1])
                                       Folhas

Completo            71 a(1)   8,1 a    353 ab        37 ab   26 a
Deficiencia de N    38 d      4,1 b    282 b         40 ab   26 a
Deficiencia de P    52 bcd    3,8 b    297 b         29 b    25 a
Deficiencia de K    51 bcd    3,4 b    341 ab        31 b    27 a
Deficiencia de Ca   45 cd     4,7 ab   438 ab        44 ab   34 a
Deficiencia de Mg   62 ab     5,8 ab   359 ab        39 ab   29 a
Deficiencia de S    59 abc    5,9 ab   330 b         48 a    26 a
CV (%)              10       25         10           14      12
Valor de F (2)      12        5          6            5       3
                                       Caule
Completo            35 a     10,4 a    161 b         43 ab   26 b
Deficiencia de N    25 a      9,4 ab   152 b         51 a    25 b
Deficiencia de P    29 a      8,4 abc  165 b         49 ab   29 b
Deficiencia de K    36 a      6,0 d    150 b         37 b    22 b
                                       Caule
Deficiencia de Ca   32 a      8,2 bc   272 a         52 a    42 a
Deficiencia de Mg   33 a      6,9 cd   190 b         36 b    31 ab
Deficiencia de S    35 a      8,1 bc   152 b         42 ab   27 b
CV (%)              13        9         13           11      15
Valor de F (2)       3       12         10            5       7
                                       Raiz
Completo            36 a     14 a      148 b         41 b    30 bc
Deficiencia de N    31 ab    11,7 a    137 b         34 b    27 bc
Deficiencia de P    32 ab    10,9 a    141 b         32 b    23 c
Deficiencia de K    31 ab    13,9 a    142 b         31 b    24 c
Deficiencia de Ca   27 b     10,9 a    192 a         54 a    38 a
Deficiencia de Mg   29 ab    10,7 a    155 b         38 b    28 bc
Deficiencia de S    31 ab    11,0 a    147 b         34 b    32 ab
CV (%)               7       10          6           11       9
Valor de F (2)       3        4         12           11      12

(1) As medias seguidas pela mesma letra, nas colunas, nao diferem
estatisticamente entre si. (2) significativo a 5% de probabilidade.
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Title Annotation:Artigos
Author:de Andrade, Marcelo Leandro Feitosa; Boaretto, Antonio Enedi
Publication:Ciencia Florestal
Date:Apr 1, 2019
Words:5775
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