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DIVERSITY OF LEPIDOPTERA IN A FOREST FRAGMENT IN MUZAMBINHO, MINAS GERAIS/DIVERSIDADE DE LEPIDOPTERA EM UM FRAGMENTO FLORESTAL EM MUZAMBINHO, MINAS GERAIS.

INTRODUCAO

O Bioma Mata Atlantica constitui uma das maiores formacoes florestais da America do Sul, porem, atualmente esta muito reduzido e fragmentado (RIBEIRO et al., 2009). As florestas sao desmatadas para inumeros fins e este e um grave problema (LAURANCE; USECHE, 2009), pois acarreta a extincao de especies, perda do patrimonio genetico, desertificacao, erosao do solo e ate mesmo aumento na temperatura e alteracao no ciclo hidrico (GOUDIE; CUFF, 2001). A Mata Atlantica em Minas Gerais cobria anteriormente 46% de seu territorio (27.235.854 ha), porem, atualmente esta reduzida a apenas 2.858.654 ha (INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS, 2015), mesmo assim, abriga grande diversidade de especies (OLIVEIRA-FILHO; FONTES, 2000), das quais, muitas sao endemicas (MACHADO et al., 1998). O constante desmatamento, (somente em 2013-2014 houve um desmatamento de 5.608 ha--INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS, 2015), torna este ecossistema cada vez mais fragmentado. Hoje, se sabe que a maior parte da biodiversidade deste bioma encontra-se nestes pequenos fragmentos florestais, ainda pouco estudados e historicamente marginalizados pelas iniciativas conservacionistas (ALMEIDA et al., 2006).

Dentre toda fauna que habita a Mata Atlantica, a ordem Lepidoptera se destaca pela grande diversidade, uma vez que, apesar de ser encontrada em todo territorio brasileiro, aproximadamente 70% habita este respectivo bioma (UEHARA-PRADO et al., 2004). Os lepidopteros sao conhecidos como borboletas, que representam aproximadamente 13% das especies, e as mariposas, com 87% (BROWN JUNIOR; FREITAS, 1999; TRIPLEHORN; JOHNSON, 2005). Na regiao neotropical, ja foram descritas aproximadamente 7410 especies de borboletas, no Brasil 3288 especies ja foram relatadas, destas, 2120 especies sao encontradas na Mata Atlantica, sendo que 948 sao consideradas endemicas (BROWN JUNIOR; FREITAS, 1999; LEWINSOHN; FREITAS; PRADO, 2005).

Especies de Lepidoptera sao muito utilizadas como modelos ecologicos em diversos estudos, sendo consideradas otimas bioindicadoras (UEHARA-PRADO et al., 2009) por serem sensiveis a alteracoes no ambiente, por possuirem ciclos de vida curto, pela taxonomia bem conhecida e pela facilidade na amostragem em qualquer periodo do ano (BROWN JUNIOR, 1991; FREITAS; FRANCINE; BROWN JUNIOR, 2006; MACHADO; DRUMMOND; PAGLIA, 2008). Desta forma, levantamentos da ordem Lepidoptera em curtos periodos de tempo originam listas de especies importantes para o conhecimento do local e para monitoramento dos animais, indicando provaveis mudancas no ambiente (ISERHARD et al., 2010). Portanto, considerando que existem poucos estudos sobre borboletas em Minas Gerais (CASAGRANDE; MIELKE; BROWN JUNIOR, 1998; MACHADO et al., 1998) e todas as mudancas que ocorrem no ambiente de Mata em decorrencia da sua fragmentacao (EMERY; BROWN JUNIOR; PINHEIRO, 2006), se fazem necessarias pesquisas que fornecam informacoes sobre a fauna de Lepidoptera, permitindo o maior conhecimento destes ecossistemas (UEHARA-PRADO et al., 2004). Dado que, fragmentos pequenos, apesar de terem sua importancia ecologica muitas vezes negligenciada, podem abrigar uma grande diversidade de lepidopteras e ter uma dinamica de populacoes complexa, relevante de ser estudada e compreendida para futuros estudos de manejo e conservacao.

Com base neste contexto, o objetivo deste trabalho foi conhecer e avaliar a fauna de Lepidoptera do fragmento de Mata Atlantica do IFSULDEMINAS--Campus Muzambinho--MG, caracterizando ecologicamente sua diversidade e abundancia. Como este ecossistema se assemelha com inumeros outros da regiao, que tambem nao tiveram a sua fauna de Lepidoptera estudada, este pode ser a base para futuros estudos de monitoramento e dinamica de fragmentos desta regiao. Pretende-se tambem verificar a relevancia deste ambiente como reservatorio de especies, usando como indicador a Lepidofauna.

MATERIAL E METODOS

Area de estudo

A pesquisa foi realizada em um fragmento florestal, de aproximadamente 20 hectares, pertencente ao Instituto Federal de Educacao, Ciencia e Tecnologia do Sul de Minas Gerais-- campus Muzambinho, de latitude 21[degrees]22'33" S e 46[degrees]31'32" W, altitude 1048m (IBGE, 2014), em Minas Gerais, Brasil.

A area e recoberta por mata com presenca de arvores de medio e predominando as arvores de grande porte (altura media superior a 10 metros e o diametro medio e superior a 12 centimetros) associadas a varias outras formas biologicas, principalmente epifitas e lianas. Possui rica biodiversidade de diversas especies animais e vegetais, com especies tipicas do Cerrado, mas com grande predominancia das de Mata Atlantica (observacoes pessoais--dados nao publicados). O fragmento florestal faz divisa com diversas culturas ao seu redor, como cultura de cafe, banana, pastos, milho, eucalipto e se localiza bem proximo a dois acudes (Figura 1).

Planejamento de amostragem

O estudo foi realizado entre marco de 2013 e fevereiro de 2014, com capturas diurnas (no intervalo de 9h ate 16h) realizadas quinzenalmente, atraves de busca ativa de duas horas, utilizando rede entomologica. As coletas ocorriam nas trilhas, no interior e proximo as bordas da mata. Os insetos capturados eram colocados em camara mortifera, identificados em estereolupa (20 x) por meio de chaves dicotomicas e literatura especializada (COSTA-LIMA, 1950; EHRLICH, 1958; ACKERY, 1984) e por consulta a especialistas. Posteriormente, os especimes foram esticados e colocados em caixas entomologicas da colecao do Laboratorio de Biologia do Instituto Federal de Ciencia, Educacao e Tecnologia do Sul de Minas.

Os dados de precipitacao e temperatura ao longo do periodo de coleta foram proporcionados pela estacao meteorologica do Instituto Federal de Ciencia, Educacao e Tecnologia do Sul de Minas, localizado a 800m do fragmento estudado.

Analises de dados

Para a analise dos dados ecologicos de diversidade, dominancia e equitabilidade foram utilizados o indice de diversidade de Shannon-Wiener (H') apropriado para amostras aleatorias de especies de uma comunidade ou subcomunidade de interesse, o indice de diversidade e dominancia de Simpson (D), que reflete a probabilidade de dois individuos escolhidos ao acaso na comunidade pertencerem a mesma especie e o indice de equitabilidade (E), que se refere a distribuicao da abundancia das especies (URAMOTO; WALDER; ZUCCHI, 2005). Realizados por meio do Software DivEs--Diversidade de especies (RODRIGUES, 2005).

RESULTADOS E DISCUSSAO

Durante 12 meses de coleta foram capturados 590 individuos pertencentes a 69 especies (Tabela 1), distribuidos em 10 familias da ordem Lepidoptera.

Em relacao a riqueza total, a maioria dos individuos pertence a familia Nymphalidae (73,56%), seguida por Pieridae (7,80%), Hesperiidae (6,10%), Notodontidae (5,25%), Geometridae (3,56%), Lycaenidae (1,52%), Arctiidae (1,02%), Crambidae (0,51%), Papilionidae (0,34%) e Riodinidae (0,34%).

Alguns trabalhos descrevem resultados semelhantes aos encontrados neste estudo em relacao a abundancia da familia Nymphalidae. Morais, Lemes e Ritter (2012), por exemplo, registraram 73,7% de ninfalideos em seu levantamento de lepidopteros no Rio Grande do Sul. Ja Silva (2008) encontrou uma porcentagem menor com 46,1% de ninfalideos em um fragmento de mata urbano, ainda sendo tambem a familia mais representativa. Acredita-se que Nymphalidae e a familia mais frequente em ambientes de mata devido a sua maior diversificacao de habitos e morfologia (BROWN JUNIOR; FREITAS, 1999; LAMAS, 2004) e adaptacao em seus diferentes nichos e micro-habitat caracteristicos destes ecossistemas. Neste estudo, dentro dos Ninfalideos (73,56%), a especie mais abundante foi Godartiana muscosa, esteve presente em quase todo o periodo de coleta. Seus individuos foram capturados sempre proximos as trilhas e em baixa altura em relacao ao solo, geralmente pousados com as asas fechadas. A segunda especie mais abundante, a Mechanitis lysimnia, tambem foi observada em quase todo periodo de coleta, o que tambem foi observado por Schmidt et al. (2012), sendo nestes estudos considerada uma especie constante. O fato de adultos de especies mais abundantes serem encontrados em todos os periodos do ano deve indicar existencia de populacoes com ciclos independentes, o que possivelmente evita a competicao intraespecifica.

A segunda familia mais abundante neste estudo foi a Pieridae (7,8%) na qual muitas especies sao especialmente mais abundantes em areas abertas e/ou antropizadas (OWEN, 1971; BROWN JUNIOR; FREITAS, 1999). A representacao desta familia no levantamento de mata urbana realizado por Schmidt et al. (2012) foi de apenas 1,45% e esta diferenca deve estar relacionada pelo fato deste estudo estar mais relacionado as areas rurais. Das seis especies encontradas, Ascia monuste foi a mais abundante (ocorrencia apenas nos meses mais quentes e chuvosos). Ascia monuste utiliza-se, nos estagios imaturos, principalmente de plantas hospedeiras da familia Brassicaceae, comuns em hortas (LINK et al., 1977; PEREIRA; PASINI; OLIVEIRA, 2003) e e considerada indicadora de areas perturbadas ou matas secundarias assim como segunda especie mais abundante desta familia, a Eurema albula (BROWN JUNIOR, 1992).

Outra familia abundante, Hesperiidae (6,10%) foi representada por especies de duas subfamilias, Pyrginae e Hesperiinae. Giovenardi et al. (2008) encontraram uma proporcao semelhante de 5,38%. Os hesperideos sao considerados de dificil amostragem e identificacao, porem, de grande importancia como indicadoras de qualidade ambiental (BROWN JUNIOR; FREITAS, 1999). Neste estudo, esta familia apresentou 13 especies, sendo a Pyrgus orcus a mais abundante. Esta especie e considerada uma especialista de borda (RIES; DEBINSKI; WIELAND, 2001), muito comum em habitat aberto ou perturbado e rara em matas primarias (BROWN JUNIOR, 1992; MIELKE; CASAGRANDE, 1997; MORAIS et al., 2007). Os individuos de Pyrgus orcus estiveram presentes apenas nos meses de setembro, dezembro e janeiro, o que difere do estudo de Fonseca, Kumagai e Mielke (2006), em que foi considerada uma especie constante, com ampla ocorrencia ao longo do ano.

A familia Notodontidae foi a quarta mais abundante, com 5,25% dos individuos coletados. Em um levantamento realizado por Bittencourt et al. (2003) foi encontrada uma porcentagem semelhante, cerca de 6,7% dos individuos. Neste trabalho encontraram-se tres especies, sendo a Notascea brevispula a mais representativa. Notascea brevispula foi encontrada em apenas um pequeno periodo de coleta, referente a abril e maio. Esta mariposa esta descrita como restrita a floresta costeira do Atlantico, perto do Rio de Janeiro (MILLER, 2009) sendo a primeira vez registrada nesta regiao do sul de Minas Gerais, na qual foi a nona mais frequente. Ha poucos estudos sobre esta especie.

Apesar dos adultos de Geometridae possuirem habito noturno, em sua maioria, e serem mariposas cosmopolitas (BARROS, 2007), estes representaram 3,56% do total, mesmo em coletas estritamente diurnas. Segundo Pitikin (2002), os geometrideos compreendem mais de 2000 especies descritas na fauna mundial, sendo uma das tres familias de Lepidoptera mais ricas em especies. Aqui foram encontrados representantes de seis especies, todavia, nao foi possivel classifica-las devido a dificuldade de identificacao de algumas mariposas. Algumas especies desta familia estao relacionadas a herbivoria de eucalipto (BITTENCOURT et al., 2003).

Brown Junior e Freitas (1999) citam respectivamente as familias Nymphalidae, Hesperiidae e Lycaenidae, como as mais ricas em especies no Brasil. Lycaenidae e quase tao diversificada quanto Nymphalidae e e considerada importante indicadora ambiental, pois suas especies respondem rapidamente as perturbacoes ambientais por serem fieis ao seu micro-habitat e especialistas em recursos, tais como as plantas hospedeiras (RITTER et al., 2011). Giovernardi et al. (2008) registraram 0,74% de especies de Lycaenidae em seu estudo, o que semelha com este trabalho, no qual representa apenas 1,52%, sendo uma das familias menos abundantes, possivelmente devido a modificacoes frequentes no ambiente do estudo. Das tres especies encontradas, Arawacus meliboeus foi a mais representativa e ocorreu apenas nos meses mais quentes.

Segundo Brown Junior e Freitas (1999), 16,5% das especies de Lepidoptera do Brasil sao da familia Arctiidae. De acordo com Hilty e Merenlender (2000), esta familia esta entre os lepidopteros noturnos mais utilizados como bioindicadores no monitoramento de ecossistemas. A diversidade de Arctiidae e maior em locais com vegetacao florestal (principalmente de Mata Atlantica) (FERRO; TESTON, 2009). Aqui, esta familia representou apenas 1,02% do total das capturas. Esta baixa porcentagem deve estar relacionada a coleta diurna. Das tres especies encontradas desta familia, Hyalurga rica foi a mais frequente, porem, ocorreu apenas em um curto periodo, nos meses mais quentes. E uma especie de pouca informacao na literatura.

A familia Crambidae tem na America um grande numero de representantes, principalmente na regiao neotropical, alguns, alias, de grande porte. Contudo, no geral, sao mariposas geralmente pequenas ou de porte medio, com cores pouco vistosas (pardas, amareladas, cinzentas ou prateadas) (COSTA LIMA, 1950). Neste estudo, representando 0,51% dos individuos, e relatada apenas uma unica especie (nao identificada), de porte pequeno, cor amarelada, ocorrendo apenas em fevereiro.

Muitas especies de Papilionidae podem ser indicadoras de matas bem conservadas e recursos hidricos abundantes, porem, algumas especies sao associadas a areas abertas e ate mesmo urbanas (BROWN JUNIOR; FREITAS, 1999). Neste estudo foram registradas apenas duas especies de papilionideos: Parides anchises e Parides bunichus bunichus, ambas com apenas um individuo, representando 0,34%, que ocorreram na estacao mais quente. Foram encontrados proximo a clareiras e trilhas bem abertas, o que confere com seu habito.

A familia Riodinidae representou 0,34% dos individuos, dado semelhante ao de Sackis e Morais (2008) que encontraram 0,5% em seu estudo. A unica especie representante desta familia foi Caria plutargus, coletada especificamente nos meses mais quentes. Os riodinideos, em geral, possuem uma grande proporcao de especies incomuns (CALLAGHAN, 1978).

A maioria das especies encontradas neste estudo sao tipicas de areas modificadas ou abertas, porem, sao encontradas tambem, em menor quantidade, especies raras e outras associadas a ambiente de florestas. A diferenca dos periodos em que adultos de diferentes especies sao capturados indica a complexidade deste ambiente, pois ha individuos de determinadas especies que sao encontrados o ano todo e enquanto que de outras, em apenas um curto periodo de tempo. Ademais, este estudo apresenta poucas especies e individuos referentes as mariposas, por ser um estudo com metodologia aplicada ao dia.

As cinco especies mais abundantes foram Godartiana muscosa (52) (8,81%), Mechanitis lysimnia (48) (8,13%), Hermeuptychia sp. (46) (7,80%), Mechanitispolymnia casabranca (32) (5,42%) e Heliconius erato phyllis (40) (6,78%), todas pertencentes a familia Nymphalidae. Estas especies indicam ambientes antropicos, urbanos e/ou perturbados indicando que o ambiente estudado e predominantemente uma mata secundaria, ainda em estado de formacao (DEVRIES, 1987; BROWN JUNIOR, 1992; CANALS, 2000). Apesar de algumas especies como as supracitadas serem abundantes, poucas especies apresentaram abundancia superior a 20 individuos (13%), especies com abundancia entre 5 a 20 individuos representam (29%) e especies entre 1 a 5 individuos representam a maior parte dos individuos estudados (58%).

Os meses de maior captura foram os com maior temperatura e precipitacao (Figura 2). Possivelmente, devido ao seu metabolismo, os insetos geralmente cessam suas atividades reprodutivas (procura de parceiros, acasalamento, oviposicao) durante os periodos mais frios, adequando seu ciclo de forma que as fases mais resistentes, como a de ovo ou a pupal, atravessem estes periodos com condicoes climaticas menos favoraveis. A precipitacao ocasiona uma maior e mais favoravel umidade do ar e tambem e importante para eclosao dos ovos e pupas, alem de um melhor desenvolvimento, longevidade e fecundidade entre os insetos (RODRIGUES, 2004).

Ao longo do periodo de coleta, no qual cada mes equivale a 4h de esforco amostral, a curva de acumulacao de especies capturadas nao atingiu sua assintota, o que demonstra que a amostragem deste estudo nao foi suficiente para esgotar a totalidade de especies locais ou mesmo que ha um fluxo constante de especies neste fragmento, com vinda permanente de novas especies (Figura 3).

Quanto mais proximo de zero for o indice de diversidade de Shannon-Wiener (H'), menor a diversidade do ecossistema, ja que e menor o grau de incerteza sobre a proxima especie a ser capturada e, portanto, a diversidade da amostra e baixa (DIAS, 2004). Neste estudo, o indice de Diversidade de Shannon-Wiener teve a media de H': 1,5716. Em um estudo realizado em Seara--SC, tambem em um fragmento de Mata Atlantica, encontrou-se H = 2,06 e foi considerado pelos autores como uma diversidade mediana (SCHMIDT et al., 2012). Como a diversidade em areas maiores raramente ultrapassa a 4,5 (MAGURRAN, 1988) e o fragmento deste estudo e menor que o de Schmidt et al. (2012) pode-se considera-lo tambem como portador de uma media biodiversidade.

O indice de dominancia de Simpson e derivado de indices heterogeneos que medem os pesos das especies abundantes mais comuns em uma comunidade (DIAS, 2004). No presente estudo, este indice foi de 0,0078, indicativo de menor abundancia e maior diversidade de especies. O Indice de Simpson e alternativo ao de Shannon-Wiener, quando o numero de especies e insuficiente (COLINVAUX, 1993). Segundo o estudo de Schwartz e Di Mare (2001), em que foram comparadas sete localidades de Santa Maria--RS, de menor indice com 0,648 e maior indice 0,841, o que pouco se assemelha com este, com indice de diversidade de Simpson com 0,9922. Observou-se que a diversidade de especies capturadas ao longo do ano e inversamente proporcional a dominancia. Nos meses frios, a diversidade diminui, dando espaco a poucas especies dominantes (Figura 4).

O indice de Equitabilidade avalia as proporcoes relativas de cada especie em uma comunidade, de forma que, quanto maior a semelhanca destas proporcoes, maior a equitabilidade, determinando assim, o padrao de distribuicao de individuos (DIAS, 2004). No presente estudo, o indice de Equitabilidade foi de 0,86616, relativamente alto, ja que o maximo e 1,0. Verifica-se que assim como a diversidade, a equitabilidade e inversamente proporcional a dominancia. Desta forma, o desenho ambiental revelado por estes indices demonstram um ambiente complexo e uma distribuicao em geral equitativa da maioria das especies.

CONCLUSAO

O fragmento apresentou muitas especies indicadoras de areas perturbadas e de mata secundaria, o que e coerente com sua situacao. Simultaneamente, ocorreram especies raras, que indicam estado de formacao e regeneracao, mostrando a complexidade deste ecossistema e a sua importancia como reservatorio de biodiversidade. Apenas algumas especies foram capturadas na maioria dos meses de estudo, as demais foram encontradas apenas em alguns dos meses do ano, demonstrando alternancia de ciclos, que pode ser uma estrategia para evitar competicao. Porem, a maioria e encontrada em epocas de maior temperatura e precipitacao, fato comum na classe Insecta. Os indices caracterizam o fragmento como de menor abundancia e maior diversidade de especies, refletido sua variedade de nichos. Indicando uma biodiversidade mediana, por ser uma area pequena e nao ter sido completamente amostrada.

Recebido para publicacao em 22/09/2014 e aceito em 31/03/2016

AGRADECIMENTOS

A FAPEMIG pela concessao da bolsa durante o periodo de pesquisa e ao biologo Augusto Henrique Batista Rosa pela colaboracao na identificacao das especies.

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Dirlene Aparecida de Andrade (1) Isabel Ribeiro do Valle Teixeira (2)

(1) Biologa, Mestre do Programa de Pos-Graduacao em Ciencias Ambientais, Diversidade Biologica e Conservacao, Universidade Federal de Alfenas, Rua Gabriel Monteiro da Silva, 700, Centro, CEP 37130-00, Alfenas (MG), Brasil. dir.nr@hotmail.com

(2) Biologa, Df., Professora Adjunta do Instituto Federal de Ciencia e Tecnologia do Sul de Minas, Campus Pocos de Caldas, Av. Dirce Pereira Rosa, 300, Jardim Esperanca, CEP 37713-100, Pocos de Caldas (MG), Brasil. ribeirodovalleteixeira@homail.com

Caption: FIGURE 1: Forest area of IFSULDEMINAS--Campus Muzambinho--20 ha-- surrounded by crops: coffee (1) Banana (2), Pastures (3), Corn (4), Eucalyptus (5) and weir (6). (Source: Google Maps, 2014).

FIGURA 1: Area da mata do IFSULDEMINAS--Campus Muzambinho--20 ha--rodeada pelas culturas agricolas: Cafe (1), Banana (2), Pastos (3), Milho (4), Eucalipto (5) e acude (6). (Fonte: Google Maps, 2014).

Caption: FIGURE 2: Abundance and weather conditions. Solid bar = species richness (n); Dashed + solid bar = abundance (n); Continuous line = precipitation (mm); Dashed line = temperature ([degrees]C).

FIGURA 2: Abundancia de individuos capturados e condicoes climaticas das respectivas coletas. Barra continua = riqueza de especies (n); Barra continua + tracejada = abundancia (n); Linha continua = precipitacao (mm); linha tracejada = temperatura ([degrees]C).

Caption: FIGURE 3: Species accumulation curve of Lepidoptera in the forest fragment IFSUDEMINAS--Campus Muzambinho. Dashed line = confidence interval, continuous line = species richness.

FIGURA 3: Curva de acumulacao de especie de lepidopteros no fragmento de mata IFSUDEMINAS Campus Muzambinho. Linha tracejada = intervalo de confianca, linha continua = riqueza de especies.

Caption: FIGURE 4: Dominance index and Simpson's diversity index over the study months, from March/2013 to February/2014.

FIGURA 4: indice de dominancia e diversidade de Simpson ao longo dos meses de estudo, seguindo marco/2013 a fevereiro/2014.
TABLE 1: List of Lepidoptera species in the IFSULDEMINAS forest
fragment--Campus Muzambinho.

TABELA 1: Lista de especies de Lepidopteros presentes no fragmento
Florestal do IFSULDEMINAS--Campus Muzambinho.

Taxons                                          Numero de
                                                individuos

ARCTIIDAE
Ctenuchinae
Cyanopepla jucunda (Walker, 1854)                    2
Pericopinae
Hyalurga rica (Hubner, [1831])                       3
Phaloe cruenta (Hubner, 1823)                        1

CRAMBIDAE
sp.1                                                 3

GEOMETRIDAE
sp.4                                                 12
sp.5                                                 1
sp.6                                                 1
sp.7                                                 4
Ennominae
Melanchroia chephise (Stoll, 1782)                   2
Sterrhinae
Heterusia quadruplicaria (Geyer, 1832)               1

HESPERIIDAE
Hesperiinae
Hylephila phyleus (Drury, 1773)                      4
Thespieus sp. (Hewitson, 1866)                       2
Vinius letis (Plotz, 1883)                           2
sp.8                                                 1
sp.9                                                 1
sp.10                                                1
sp.11                                                1
Pyrinae
Celaernorrhinus eligius punctiger                    3
  (Burmeister, 1878)
Urbanus teleus (Hubner, 1821)                        1
Urbanus simplicius (Stoll, 1790)                     5
Urbanus dorantes (Stoll, 1790)                       1
Urbanus proteus (Linnaeus, 1758)                     2
Pyrgus orcus (Stoll, 1780)                           12

LYCAENIDAE
Theclinae
Arawacus meliboeus (Fabricius, 1793)                 5
sp.2                                                 1
Polyommatinae
Leptotes sp. (Lindley, 1853)                         3

NOTODONTIDAE
sp.3                                                 2
Dioptinae
Notascea brevispula (Miller, 2008)                   20
Polupoetes rufipuncta (Schaus, 1894)                 9

NYMPHALIDAE
Biblidinae
Myscelia orsis (Femea) (Drury, 1782)                 1
Hamadryas feronia (Linnaeus, 1758)                   3
Danainae
Aeria olena olena (Weymer, 1875)                     14
Episcada carcinia (Schaus, 1902)                     8
Danaus gilippus (Cramer, 1775)                       2
Danaus plexippus (Linnaeus, 1758)                    2
Episcada hymenaea hymenaea (Prittwitz, 1865)         9
Hypoleria lavinia (Hewitson, [1855])                 11
Hypothyris euclea (Godart, 1819)                     11
Hypothyris ninonia daeta (Boisduval, 1836)           19
Ithomia agnosia zikani (R.F. d'Almeida, 1940)        24
Mechanitis lysimnia (Fabricius, 1793)                48
Mechanitis polymnia casabranca (Haensch,             32
  1905)
Pseudoscada acilla acilla (Hewitson, 1867)           4
Nymphalinae
Eresia lansdorfi (Godart, 1819)                      3
Anartia amathea (Linnaeus, 1758)                     1
Anartia jatrophae (Linnaeus, 1763)                   2
Ortilia orthia (Hewitson, 1864)                      16
Heliconiinae
Actinote discrepans (R.F. d'Almeida, 1958)           8
Agraulis vanillae (Linnaeus, 1758)                   1
Heliconius erato phyllis (Fabricius, 1775)           40
Tegosa claudina (Eschscholtz, 1821)                  23
Vanessa braziliensis (Moore, 1883)                   7
Vanessa myrinna (Doubleday, 1849)                    2
Satyrinae
Euptychoides castrensis (Schaus, 1902)               2
Godartiana muscosa (A. Butler, 1870)                 52
Hermeuptychia sp. (Forster, 1964)                    46
Morpho helenor (Cramer, 1776)                        12
Paryphthimoidesphronius (Godart, [1824])             5
Yphthimoides affinis (A. Butler, 1867)               4
sp.12                                                22

PAPILIONIDAE
Papilioninae
Parides anchises (Godart, 1819)                      1
Parides bunichus bunichus (Hubner, [1821])           1

PIERIDAE
Pierinae
Ascia monuste (Linnaeus, 1764)                       15
Dismorphiinae
Pseudopieris nehemia (Boisduval, 1836)               5
Coliadinae
Eurema albula (Cramer, 1775)                         14
Eurema deva (Doubleday, 1847)                        4
Phoebis philea (Linnaeus, 1763)                      6
Pyrisitia leuce (Boisduval, 1836)                    2

RIODINIDAE
Riodininae
Cariaplutargus (Fabricius, 1793)                     2
Total                                               590
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Author:de Andrade, Dirlene Aparecida; Teixeira, Isabel Ribeiro do Valle
Publication:Ciencia Florestal
Date:Oct 1, 2017
Words:5247
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