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DIFERENTES INTENSIDADES DE EXERCICIO FISICO SOBRE OS ASPECTOS PSICOLOGICOS EM ATLETAS PARAPLEGICOS/Different intensities of physical exercise on psychological aspects in paraplegic athletes.

INTRODUCAO

O termo lesao medular (LM) refere-se a qualquer tipo de lesao que ocorre nos elementos neurais do canal medular, resultando em deficits sensitivos, motores e autonomicos (Jacobs e Nash, 2004).

Alem das alteracoes locomotoras e sensitivas implicadas pela LM, essa populacao pode apresentar diversas alteracoes psicologicas tais como aumento nos sintomas de depressao, ansiedade e uma piora no estado de humor (Tran, Dorstyn e Burke, 2016; North, 1999).

Isso desencadeia uma piora na qualidade de vida e aumenta o risco e doencas mentais em pessoas com LM (Van Leeuwen e colaboradores, 2015)

O exercicio fisico e uma das principais terapias nao-farmacologicas para a reabilitacao e durante toda a vida de individuos com LM (Van Der Scheer e colaboradores, 2017; Martin Ginis e colaboradores, 2017).

A pratica de exercicio fisico regularmente e tambem o exercicio fisico agudo sao conhecidos pelo seu efeito antidepressivo, ansiolitico e por promover alteracoes positivas no estado de humor em pessoas sem LM (Kvame colaboradores, 2016; De Mello e colaboradores, 2013).

Ja em pessoas com LM a literatura se mostra controversa. Uma meta analise avaliou o impacto do nivel de atividade fisica sobre os sintomas depressivos em pessoas com LM (Ginis e colaboradores, 2010).

Esses autores encontram uma correlacao negativa entre a pratica de atividade fisica e a presenca de sintomatologia depressiva, ou seja, quanto maior o nivel de atividade fisica menor a presenca de sintomas depressivos (Martin Ginis e colaboradores, 2010).

Mello e colaboradores, (1996) e Goia e colaboradores (2006) encontram menores valores em questionarios que avaliaram os sintomas de depressao e ansiedade em atletas com LM comparado a pessoas com LM sedentarias.

Em contraste, no estudo de Foreman, Cull e Kirkby (1997) nao foram encontradas diferencas significativas nos escores de ansiedade e depressao em atletas LM comparada a pessoas com LM que nao praticavam nenhuma atividade esportiva.

Alem disso, Bradley, (1994) encontrou aumento nos sintomas depressivos apos participacao em um programa de exercicio com estimulacao eletrica.

Assim, e possivel que outros fatores, alem da pratica regular de exercicio fisico, possam influenciar o perfil psicologico em atletas com LM.

Outro ponto importante e que nenhum destes estudos exploraram os efeitos do exercicio fisico agudo sobre o perfil psicologico em atletas com LM.

Nesse sentido o objetivo do presente estudo esta sendo 1) comparar os efeitos de diferentes intensidades de exercicio fisico agudo sobre o humor, sintomas de ansiedade e depressao em atletas paraplegicos e 2) comparar o perfil psicologico de atletas paraplegicos com individuos sem LM fisicamente ativos.

Nossa hipotese e que o exercicio fisico agudo leva a reducao em sintomas de depressao, ansiedade bem como melhora no estado de humor tanto no grupo LM quanto no grupo controle (sem LM, fisicamente ativos) e esse efeito e intensidade dependente.

Alem disso, nos acreditamos que os atletas paraplegicos apresentarao um perfil psicologico estavel e semelhante ao grupo controle composto por individuos fisicamente ativos sem LM.

MATERIAIS E METODOS

Amostra

Todos os procedimentos desse estudo foram aprovados pelo comite de etica em pesquisa (CEP - 0294/11) da Universidade Federal de Sao Paulo, de acordo com as normas brasileiras para pesquisas em seres humanos (Resolucao n[degrees] 466/2012). Todos os voluntarios assinaram um termo de livre consentimento para a participacao no estudo.

Logo apos a aprovacao do protocolo pelo CEP, foram contatadas por telefone ou pessoalmente, entidades publicas ou privadas que trabalhavam com atletas lesados medulares. Os voluntarios do grupo controle (C) foram recrutados na propria universidade.

Dezoito voluntarios do sexo masculino, sendo 9 com lesao medular (LM) jogadores de basquetebol em cadeira de rodas e 9 controles (C) sem lesao medular, fisicamente ativos participaram do estudo. Todos os voluntarios com LM possuiam lesao traumatica completa entre a setima vertebra toracica e primeira vertebra lombar (categoria A segundo American Spinal Injury Association) (Jacobs e Nash, 2004).

Os jogadores de basquetebol em cadeira de rodas estavam engajados a uma equipe de basquetebol em cadeira de rodas que disputou o campeonato brasileiro no ano de 2014. Todos os voluntarios faziam parte da equipe a pelo menos 4 anos.

Durante a temporada que antecedeu os experimentos, os atletas apresentaram um volume de treinamento de 20 horas/semanais com intensidades variando entre 40% a 100% da capacidade maxima de cada jogador dependendo da fase do treinamento em que os atletas se encontravam (informacao essa relatada pela comissao tecnica).

Uma parte do volume de treinamento, que corresponde ao treino da parte tecnica do atleta, nao teve a intensidade controlada. A temporada anterior teve uma duracao de 6 meses e incluiu todo o periodo do campeonato brasileiro de basquetebol em cadeira de rodas.

Para a inclusao dos voluntarios com LM foram atendidos os seguintes criterios: ter idade igual ou superior a 18 anos no inicio da pesquisa, ter no minimo um ano de lesao medular, usar cadeira de roda como unico metodo de locomocao e possuir resultado normal no eletrocardiograma de repouso e esforco.

Foram considerados criterios de exclusao: presenca de doenca cardiovascular, diabetes dos tipos 1 e diabetes tipo 2, doencas inflamatorias cronicas ou agudas, presenca de algum tipo de infeccao aguda, que fizessem uso de medicamentos para tratamento de dislipidemia, uso de antibiotico ou anti inflamatorios durante o periodo de coleta dos dados e retornarem uma visita seguinte apos sete dias da visita anterior.

Para o grupo C foram utilizados os mesmos criterios de inclusao e exclusao, porem aqueles criterios relacionados a particularidades dos voluntarios com LM nao foram considerados.

A massa corporal foi mensurada atraves do uso de uma balanca eletronica adaptada para cadeirante (Tanita[R]), com o minimo de roupa possivel (sunga) no momento da avaliacao. A estatura foi mensurada com o voluntario deitado em uma superficie plana, sendo realizada a medida entre os pontos distais da cabeca e dos pes na posicao de 90. A analise de composicao corporal foi realizada pelo metodo de dobras cutaneas.

Delineamento Experimental

Os voluntarios compareceram ao laboratorio em cinco visitas separadas (figura 1). Todas as visitas foram realizadas no periodo da manha com o intuito de evitar variacoes circadianas nas concentracoes hormonais e na performance fisica. No primeiro dia os voluntarios foram esclarecidos sobre todas as informacoes relativas ao estudo.

Nesta visita os voluntarios foram submetidos ao eletrocardiograma de repouso e esforco a fim de verificar a ocorrencia de alguma limitacao cardiaca a pratica de exercicios fisicos. Apos laudo medico, os voluntarios foram convidados a retornarem a uma segunda visita em ate sete dias da visita anterior, sendo excluidos aqueles que nao pudessem retornar dentro desse prazo.

Na segunda visita os voluntarios realizaram um teste ergoespirometrico maximo para determinar o consumo pico de oxigenio (VO2pico) e o limiar ventilatorio1 (LV1). Em seguida, todos os participantes completaram tres sessoes de exercicios fisicos de diferentes intensidades (terceira, quarta e quinta visita) (adaptado de Tsao e colaboradores, 2012).

Estas sessoes foram conduzidas com intervalo minimo de 48 horas entre as sessoes, para garantir a recuperacao completa da sessao anterior e no maximo sete dias apos a sessao anterior. As tres sessoes de exercicio fisico agudo foram fixadas nas intensidades do VO2 pico no LV1, 15% abaixo do LV1 e 15% acima do LV1. O volume da primeira sessao de exercicio fisico agudo (terceira visita) foi controlado, ou seja, 30 min para todos os voluntarios de ambos os grupos.

Na quarta visita a intensidade foi determinada de forma aleatoria de acordo com o sorteio dos participantes podendo o mesmo ter realizado o exercicio fisico agudo nas intensidades de 15% abaixo do LV1 ou 15% acima do LV1. Durante todas as sessoes de exercicio fisico foram aplicados questionarios antes e apos o exercicio fisico agudo para avaliacao do estado de humor, sintomas de ansiedade e sintomas de depressao. Alem disso, foram realizadas coletas de sangue antes, imediatamente apos e 30 minutos apos cada sessao de exercicio fisico.

O gasto calorico (GC) de cada participante foi estimado (kcal/min) durante as sessoes de exercicio fisico. Nas sessoes 15% abaixo do LV1 e 15% acima do LV1, o calculo do volume de foi baseado no gasto calorico dos participantes na intensidade do LV1 por 30 min.

Como resultados, os volumes das sessoes de exercicio fisico agudo 15% abaixo do LV1, LV1 e 15% acima do LV1 foram de 34,2 min (DP = 0,9), 30 min e 24,6 min (DP=0,9) respectivamente no grupo C. No grupo LM os volumes das sessoes de exercicio fisico agudo 15% abaixo do LV1, LV1 e 15% acima do LV1 foram de 34,7 [+ or -] 1,2 min, 30 min e 24,2 [+ or -] 0,9 min respectivamente.

Determinacao do [VO.sub.2pico] e doLV1

Para determinacao do [VO.sub.2pico] e do LV1 foi realizado um teste incremental ate a exaustao maxima do voluntario no segundo dia de visita. Para o grupo C foi utilizada uma esteira ergometrica tradicional (Lifefitness[R] 9100HR, Schiller Park, IL, USA) enquanto os voluntarios do grupo LM realizaram o teste em uma esteira adaptada para cadeira de rodas.

Os dois grupos se exercitaram em diferentes ergometros, pois o nosso objetivo foi de avaliar e comparar os dois grupos em uma situacao real de movimento (membros superiores x membros inferiores) buscando auxiliar no desenvolvimento de evidencias especificas para a prescricao de exercicio fisico na populacao com LM.

No grupo C iniciou o teste com inclinacao fixa de 1%, em uma velocidade de 5km/h durante 3 minutos, e apos essa fase houve um aumento da velocidade de 1km/h a cada 1 minuto ate a exaustao voluntaria maxima. Ja o grupo LM, o voluntario iniciou o teste com inclinacao fixa de 1%, em uma velocidade de 6km/h durante 3 minutos, com incremento de 1km/h a cada minuto ate a exaustao voluntaria maxima.

A exaustao voluntaria maxima foi determinada por um plateau no consumo de oxigenio ([VO.sub.2]), quociente respiratorio > 1.10, a partir a propria indicacao do voluntario por sintomas de fadiga muscular, fadiga geral, dor muscular ou articular e falta de coordenacao para manter o ritmo da esteira (passada da corrida ou toque na cadeira de roda) (Howley, Bassett e Welch, 1995).

As variaveis respiratorias (VE, [VO.sub.2] e [VO.sub.2]) foram medidas respiracao a respiracao utilizando analisador de gases (Quark PFT 4Ergo[R], Cosmed, Roma, Italia), que foi calibrado antes de cada teste de acordo com as instrucoes do fabricante. Os analisadores de [O.sub.2] e C[O.sub.2] foram calibrados utilizando gases de concentracoes conhecidas, e o sensor de volume foi calibrado com uma seringa de 3 L.

A obtencao do [VO.sub.2pico] foi definida pelo maior valor de [VO.sub.2] relativo (ml/Kg/min) atingido no durante do teste. Para a determinacao do LV1 dois avaliadores independentes observaram os criterios adotados por Gaskill e colaboradores, (2001): (1) aumento do equivalente ventilatorio de [O.sub.2] (VE/[VO.sub.2]) sem aumento concomitante do equivalente ventilatorio de CO2 (VE/VC[O.sub.2]) e/ou (2) quebra da linearidade do aumento da ventilacao-minuto (VE) (Gaskill e colaboradores, 2001). A frequencia cardiaca (FC) foi registrada a cada 5 segundos com um sistema de telemetria de curto alcance (RS800CX, Polar Electro Oy, Kempele, Finlandia).

Questionarios aplicados antes e apos a sessao de exercicio fisico Escala de Humor Brunel (Brums)

Esta escala foi desenvolvida para medir o estado de humor (Mcnair, Lorr e Droppelman,1971). A escala consiste em uma lista de 24 itens colocados na forma de pergunta ("Como voce se sente agora") relacionados ao estado de humor e registrando cada adjetivo de acordo com uma escala do tipo Likert 0-4: 0 = nada; 1 = um pouco; 2 = moderado; 3 = um pouco; 4 = muito. Esses 24 itens podem ser agrupados em sub-escalas que contem quatro itens. Os itens de cada sub-escala da avaliacao do estado de humor sao: raiva: irritado, zangado, com raiva e mal humorado; confusao: esgotado, inseguro, desorientado e indeciso; humor deprimido: deprimido, desanimado, triste e infeliz; fadiga: esgotado, exausto, sonolento e cansado; tensao: apavorado, ansioso, preocupado e tenso; vigor: animado, com disposicao, com energia e alerta. O tempo estimado de aplicacao foi 2 minutos.

Inventario de Depressao de Beck (BDI)

O BDI foi traduzido para o portugues em 1982 (Beck e colaboradores, 1982) e validado por Gorenstein e Andrade (1996).

O BDI e um instrumento estruturado, composto de 21 categorias de sintomas e atitudes, que descrevem manifestacoes comportamentais cognitivas afetivas e somaticas da depressao. Sao elas: humor, pessimismo, sentimentos de fracasso, insatisfacao, sentimento de culpa, sentimentos de punicao, auto depreciacao, auto-acusacao, desejo de autopunicao, crises de choro, irritabilidade, isolamento social, indecisao, inibicao no trabalho, disturbios do sono, fatigabilidade, perda de apetite, perda de peso, preocupacao somatica e perda da libido.

Cada categoria contem quatro ou cinco alternativas que expressam niveis de gravidade dos sintomas depressivos. A pontuacao para cada categoria varia de zero a tres, sendo zero a ausencia dos sintomas depressivos e tres a presenca dos sintomas mais intensos.

Inventario de Ansiedade de Beck (BAI)

Foi desenvolvida para avaliar a intensidade dos sintomas de ansiedade. Selecionaram-se 21 itens que refletissem somaticamente, afetivamente e cognitivamente os sintomas caracteristicos de ansiedade, mas nao de depressao.

A escala consiste de 21 itens descrevendo sintomas comuns em quadros de ansiedade. Ao entrevistado, foi perguntado o quanto ele estava incomodado por cada sintoma durante aquele momento dentro de uma escala de 4 pontos variando de 0 (nao todas) a 3 (severamente).

Analise Estatistica

Devido ao tamanho amostral (n = 18) foi utilizada analise nao parametrica para comparar os resultados. As comparacoes entre os grupos foram realizadas por meio do teste de Mann-Whitney. Para comparar os diferentes tempos de coleta dentro do mesmo grupo foi utilizado o teste de Wilcoxon com o intuito de identificar entre quais tempos de coleta estavam as diferencas. Todas as analises foram conduzidas na versao 20.0 do SPSS (SPSS Inc., Armonk, NY, USA) e os valores sao apresentados como mediana e quartis 1 e 3. O nivel de significancia adotado foi de p <0,05.

RESULTADOS

Caracteristicas antropometricas e cardiorrespiratorias

A idade (p = 0,269), estatura (p = 0,086), percentual de gordura corporal (p = 0,265) e frequencia cardiaca pico ([FC.sub.pico]) (p = 0,772) nao foram diferentes entre os grupos.

Os voluntarios do grupo LM apresentaram valores menores de massa corporal (p=0,009), [VO2.sub.pico] (p<0,001), ventilacao pico ([VE.sub.pico]) (p = 0,003) e pulso de oxigenio pico ([PO.sub.pico]) (p=0,002) comparado aos voluntarios do grupo C (Tabela1).

Efeito das diferentes intensidades de exercicio fisico sobre o estado de humor e sintomas de ansiedade e depressao.

Nao foi encontrada qualquer diferenca significativa nos resultados do Inventario de Ansiedade de Beck (BAI) quando comparamos os grupos ou os diferentes momentos de coletas (antes e depois) entre o mesmo grupo.

A tabela 2 mostra os valores encontrados no Inventario de Depressao de Beck (BDI) e cada sub escala relacionada ao estado de humor (BRUMS) (tensao, depressao, raiva, vigor, fadiga e confusao) antes e depois de cada sessao de exercicio fisico nas diferentes intensidades avaliadas no presente estudo tanto no grupo C como LM.

Com relacao ao BDI, quando nos comparamos os grupos foram encontrados maiores valores neste questionario no grupo LM comparado ao grupo C (p = 0,046), antes da sessao de exercicio fisico realizada na intensidade de 15% abaixo do LV1 (Tabela 2).

Nao foi observada qualquer diferenca entre os grupos C e LM para as sub escalas tensao, depressao, raiva, vigor, fadiga e confusao durante as diferentes intensidades de exercicio fisico do presente estudo.

Ao comparar os efeitos do exercicio fisico agudo nas diferentes intensidades antes e a apos cada sessao no grupo C, foi encontrado reducao nos valores da sub escala tensao apos o exercicio fisico realizado na intensidade de 15% abaixo do LV1 (p = 0,042) e na intensidade do LV1 (p = 0,039) (tabela 2).

Ainda no grupo C foi observado que o exercicio fisico realizado na intensidade do LV1 tem uma tendencia a reduzir os valores da sub escala confusao apos a sessao de exercicio comparado aos valores de antes da sessao (p = 0,059) (tabela 2).

Ja no grupo LM observa-se uma reducao nos valores do BDI apos a sessao de exercicio fisico realizado na intensidade na intensidade de 15% abaixo do LV1 (p = 0,027) e na intensidade do LV1 (p = 0,033) comparado aos valores de antes do exercicio fisico (tabela 2). Nao foi encontrada nenhuma diferenca no estado de humor antes e depois do exercicio fisico realizado nas diferentes intensidades no grupo LM (tabela 2).

DISCUSAO

Os objetivos deste estudo foram 1) comparar os efeitos de diferentes intensidades de exercicio fisico agudo sobre o humor, sintomas de ansiedade e depressao em atletas paraplegicos e 2) comparar o perfil psicologico de atletas paraplegicos com individuos sem LM fisicamente ativos.

Com relacao ao efeito das diferentes intensidades de exercicio fisico agudo nos atletas paraplegicos, foi encontrado uma reducao no escore dos sintomas depressivos apos as sessoes de exercicio fisico realizadas na intensidade de 15% abaixo do LV1 e no LV1, sugerindo que o exercicio fisico agudo de intensidade leve a moderada pode exercer um efeito antidepressivo em atletas com LM.

Alem disso, foi encontrado um perfil psicologico semelhante entre os atletas paraplegicos e o grupo C (individuos sem LM fisicamente ativos) indicando que pessoas com LM que praticam exercicio fisico regularmente apresentam uma menor chance em desenvolver disturbios psicologicos como ansiedade, depressao e piora no estado de humor.

Um crescente numero de evidencias na literatura tem demonstrado os efeitos beneficos de apenas uma sessao de exercicio fisico (exercicio agudo) na populacao em geral sobre os aspectos psicologicos (Jaffery, Edwards e Loprinzi, 2017; Loprinzi e Kane, 2015).

Esses beneficios vao depender de variaveis como a intensidade e volume do exercicio fisico bem como a presenca ou nao de disturbios psicologicos nos individuos (Paluska e Schwenk, 2000).

Foi encontrado no presente estudo uma reducao nos sintomas de depressao no grupo LM apos as sessoes de exercicio fisico agudo nas intensidades de 15% abaixo LV1 e LV1. Estes resultados demonstram que o exercicio fisico de intensidade leve a moderada e eficiente para reduzir os sintomas depressivos em atletas paraplegicos.

Neste sentido, especula-se que o exercicio fisico agudo com intensidade leve pode ja ser suficiente para gerar o estimulo necessario para a liberacao de substancias cerebrais, como por exemplo, a serotonina desencadeando uma reducao dos sintomas depressivos (Klempin e colaboradores, 2013).

Alem disso, e importante ressaltar que o exercicio fisico realizado na intensidade acima do LV1 nao promoveu nenhum efeito benefico sobre as variaveis psicologicas no grupo LM. Esses resultados sao contrarios a nossa hipotese de que os efeitos beneficos do exercicio fisico agudo sobre as variaveis psicologicas seriam intensidade dependentes.

O exercicio fisico realizado em intensidades elevadas pode promover aumento no cortisol e nas catecolaminas atenuando os beneficios psicologicos do exercicio fisico agudo (Szabo, 2003).

Alem disso, pessoas com LM que praticam exercicio fisico regularmente, podem apresentar menores escores de ansiedade e depressao bem como um estado de humor favoravel nao respondendo ao exercicio fisico agudo (Mello e colaboradores, 1996).

No presente estudo foram encontrados melhora no estado de humor no grupo C, observado pela reducao da sub escala tensao, apos o exercicio fisico no LV1 e tambem 15% abaixo do LV1.

Esses resultados sugerem que o exercicio fisico na intensidade leve a moderada pode promover melhora do perfil psicologico. Entretanto no grupo C essa melhora esta relacionada ao estado de humor e nao ao grau de depressao ou ansiedade.

A pratica regular de exercicio fisico tem se mostrado na literatura como uma variavel de grande impacto sobre o bem-estar psicologico, reduzindo os sintomas de ansiedade, depressao e tambem melhorando estado de humor na populacao em geral (K De Mello e colabradores, 2013; vam e colaboradores, 2016; Paluska e Schwenk, 2000) e em pessoas com doencas psiquiatricas (Crafte Perna, 2004; Goodwin, 2003).

Por outro lado, pessoas com LM apresentam maior prevalencia nos sintomas de depressao, ansiedade bem como um pior estado de humor comparado a pessoas sem LM (Post e Van, 2012; Tran, Dorstyn e Burke, 2016).

Mello e colaboradores (1996) compararam o grau de ansiedade, utilizando a escala IDATE e o grau de depressao, utilizando o BDI em 34 voluntarios paraplegicos (19 sedentarios e 14 atletas). Os autores encontraram maiores escores de ansiedade e depressao no grupo sedentario comparado ao grupo de atletas, apesar do escore de grupo de sedentario estar abaixo dos valores considerados patologicos na literatura (Mello e colaboradores, 1996).

Os resultados deste estudo indicam que a pratica regular de exercicio fisico pode levar a reducao no grau de ansiedade e depressao (Mello e colaboradores, 1996).

Diferente do estudo de Mello e colaboradores (1996), nosso estudo comparou os atletas paraplegicos com um grupo controle sem LM fisicamente ativos.

Os resultados demonstram que atletas paraplegicos apresentam perfil psicologico semelhante ao de pessoas sem lesao medular fisicamente ativas demonstrando que a pratica regular de exercicio fisico pode impactar de maneira positiva sobre a saude mental em pessoas com LM.

A participacao em esportes e competicoes pode ser terapeutico e auxiliar nos processos de normalizacao e ajuste destas variaveis avaliadas no presente estudo (Ginis e colaboradores, 2017; Paulsen e colaboradores, 1990; Van Der Scheer e colaboradores, 2017).

O aumento das oportunidades esportivas para atletas com LM tambem levam a uma melhora do auto-conceito assim como fatores relacionados a reintegracao social e tambem a auto-estima (Mello e colaboradores, 1996).

Por fim outros aspectos, como por exemplo, uma boa qualidade de sono resultante da pratica regular do exercicio fisico, pode estar envolvida em uma melhora na saude mental.

No presente estudo foi observado maiores valores no BDI (sintomas de depressao) no grupo LM comparado ao Grupo C apenas antes da sessao de exercicio fisico na intensidade de 15% abaixo do LV1.

A depressao pode ser entendida como tendo dois componentes: o componente afetivo (humor) e o componente fisico ou "somatico". Possivelmente, alteracoes somaticas inerentes a LM poderia ter influenciado o escore aumentado nos sintomas de depressao durante um dia experimental.

Frente aos resultados encontrados acredita-se que exercicio fisico agudo apresenta efeitos beneficos sobre as variaveis psicologicas em atletas paraplegicos devido a uma reducao nos sintomas depressivos.

Alem disso, as intensidades recomendadas para estes beneficios apos o exercicio fisico agudo seriam as intensidades leve ou moderada como mostrado no presente estudo. Em termos de saude mental, esses resultados podem contribuir para a prescricao mais efetiva do exercicio fisico para pessoas com LM.

Finalmente, podemos concluir que atletas paraplegicos apresentam um perfil psicologico estavel e semelhante ao grupo controle composto por individuos fisicamente ativo sem LM, demonstrado que a pratica regular de exercicio fisico pode minimizar os problemas decorrentes da LM, como por exemplo, problemas de reintegracao social ou ate mesmo uma melhora na qualidade do sono e reducao nos disturbios do sono.

Dessa forma estudos investigando os mecanismos pela qual a pratica regular de exercicio fisico impacta sobre os sintomas de ansiedade, depressao e estado de humor poderiam contribuir na prescricao do treinamento para essa populacao.

AGRADECIMENTOS

Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnologico (CNPQ) pelo suporte.

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27-Van der Scheer, J.W.; Martin Ginis, K.A.; Ditor, D.S.; Goosey-Tolfrey, V.L.; Hicks, A.L.; West, C.R.; Wolfe D.L. Effects of exercise on fitness and health of adults with spinal cord injury: A systematic review. Neurology. Vol. 89. Num. 7. 2017. p. 736-745.

28-Van Leeuwen, C.M.; Edelaar-Peeters, Y.; Peter C.; Stiggelbout, A.M.; Post, M.W.; Psychological factors and mental health in persons with spinal cord injury: an exploration of change or stability. Journal of rehabilitation medicine. Vol. 47. Num. 6. 2015. p. 531-537.

Recebido para publicacao 19/08/2018

Aceito em 16/04/2019

Eduardo S Alves (1,2), Joao Pereira Rosa (2,3), Marco Tulio de Mello (2,3)

(1-)Departamento de Ciencias da Saude, Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), Ilheus-BA, Brasil.

(2-)Centro de Estudos em Psicobiologia e Exercicio (CEPE), Belo Horizonte-MG, Brasil.

(3-)Escola de Educacao Fisica, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte-MG, Brasil.

E-mails dos autores:

esalves@uesc.br

jpseipai@hotmail.com

tmello@demello.net.br

Endereco para correspondencia:

Marco Tulio de Mello.

Universidade Federal de Belo Horizonte (UFMG).

AV. Presidente Carlos Luz, 4664, Pampulha, Belo Horizonte-MG. Brasil.

CEP: 31.310.250.
Tabela 1 - Caracteristicas dos participantes do estudo.

                       Controle (n=9)

Idade (anos)                27,0 (24,00 - 31,00)
Estatura (cm)              179,50 (172,33 - 183,50)
Peso (kg)                   75,70 (63,14 - 83,25)
%GBP                        13,00 (11,88 - 15,50)
VO2 basal (ml/kg/min)        3,5(2,8 - 4,2)
FCbasal(bpm)                69 (64 - 70)
VEbasal(l/min)               7,2 (6,5 - 8)
PObasal(ml/bpm)              3,3 (2,5 - 3,6)
VO2 pico (ml/kg/min)        51,54 (50,06 - 54,16)
FCpico(bpm)                191,00 (182,75 - 197,75)
VEpico(l/min)              139,40 (130,85 - 158,40)
POpico(ml/bpm)              16,55 (13,58 - 19,00)

                       LM (n =9)                       p

Idade (anos)            29,00 (26,50 - 36,00)        0,269
Estatura (cm)          168,00 (164,50 - 175,50)      0,086
Peso (kg)               60,66 (55,25 - 66,20)   (*)  0,009
%GBP                    15,65 (11,68 - 21,75)        0,265
VO2 basal (ml/kg/min)    3,3 (3,3 - 3,6)             0,659
FCbasal(bpm)            72 (66 - 76)                 0,132
VEbasal(l/min)           6,5 (5,9 - 7)               0,287
PObasal(ml/bpm)          3,1 (2,6 - 3,5)             0,566
VO2 pico (ml/kg/min)    34,5 (31,89 - 41,71)    (*)  0,001
FCpico(bpm)            192,00 (170,00 - 200,00)      0,772
VEpico(l/min)           99,20 (82,20 - 107,90)  (*)  0,003
POpico(ml/bpm)          11,90 (10,50 - 12,47)   (*)  0,002

Legenda: LM lesao medular; bpm batimentos por minuto; cm centimetros;
kg quilogramas; % percentagem; ml mililitro; min minuto; FC Frequencia
Cardiaca; VE volume Pulmonar; PO pulso de oxigenio; valores de p pelo
teste Mann-Whitney. Valores expressos em mediana e quartil 1 e 3. (*)
diferente do grupo controle

Tabela 2 - Valores do Inventario de depressao (BDI) e cada sub escala
relacionada ao estado de humor (BRUMS).

                        15% abaixo LV1
                        Antes                 Depois

                         2,0                   1,5
        Control         (1 - 9,7)             (1 - 10)
BDI                     14,0                   4,0
        LM              (2,5 - 19) (*)        (1 - 7) (#)
                         1,5                   0,5
        Control         (0 - 6,0)             (0 - 1,0) (#)
Tensao                   0                     0
        LM              (0 - 1,0)             (0 - 0,5)
                         0                     0
        Control         (0 - 2,7)             (0 - 0,7)
Depre.                   0                     0
        LM              (0 - 0,5)             (0 - 1,5)
                         0.5                   0
        Control         (0-2                (Q-0,7)
Raiva                    0                     0
        LM              (0 - 3,5)             (0 -0,5)
                         9,0
                                               9,0
Vigor   Control         (4,7 -12,0)           (3,7- 13,5)
                         9,0                   9,0
        LM              (6 - 16,0)            (5,5-14,0)
                         1,0                   0,5
        Control         (0 - 3,5)             (0 - 3,7)
Fadiga                   1,0                   1,0
        LM              (0 - 4,0)             (0 - 4,5)
                         0                     0
        Control         (0 - 2,7)             (0 - 1,7)
Confus                   0                     0
        LM              (0 - 1,5)             (0 -1,5)

              LV
              Antes         Depois

             6,0              6,0
            (1 - 10)         (1,0 - 9,0)
BDI          6,0              4,0
            (5,5-12,5)       (0,5 - 6) (#)
             2,5              1,0
            (0,2 - 6,5)      (0 - 4,2) (#)
Tensao       0                0
            (0 - 1,5)        (0 - 1,5)
             0                0,
            (0 - 2,7)        (0 - 1,5)
Depre.       0                0
            (0 - 0)          (0 - 0)
             1,0              0
            (0-2,0)          (Q-1,7)
Raiva        0                0
            (0 - 1)          (0 - 0)
            10,5             11,5
Vigor       (7 - 12)         (3,2 - 12)
            10,0             10,0
            (4 - 16)         (4 - 16)
             1,0              2,0
            (0 - 3,5)        (0,2 - 4)
Fadiga       2,0              0
            (0 - 2,0)        (0 - 2,5)
             0                0
            (0 - 2,7)        (0 - 0,7)
Confus       0                0
            (0 - 0)          (0 - 0)

          15% acima LV1
          Antes           Depois

          4,0              3,0
         (2,0 - 9,0)      (1,5 - 9,0)
BDI       3,0              3,0
         (1,5 - 6,0)      (0,5 - 7,0)
          1,0              1,0
         (0 - 2,5)        (0 - 2,0)
Tensao    0                0
         (0 - 1,5)        (0 - 1,0)
          0                0
         (0 - 0,5)        (0 - 0,5)
Depre.    0                0
         (0 - 0)          (0 - 0)
          0                0
         (0-2,00)         (0-0)
Raiva     0                0
         (0 - 0)          (0 - 0)
         11,0             11,0
Vigor    (8 - 12)         (7 - 12)
         11,0              9,0
         (6 - 13,5)       (5 - 13,5)
          2,0              3,0
         (1,0 - 3,5)      (1,5 - 3,5)
Fadiga    1,0              2,0
         (0 - 3,0)        (0 - 5,0)
          0                0
         (0 - 2,0)        (0 - 2,0)
Confus    0                0
         (0 - 0)          (0 - 1,0)

Legenda: Control = controle; LV1 = limiar ventilatorio 1; LM = lesao
medular; Depre. = depressao; Confus. = confusao; BDI = Escala de
depressao de Beck. (*) = diferente do controle na mesma sessao; (#) =
diferente dos valores de antes do exercicio no mesmo grupo.
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Author:Alves, Eduardo S.; Rosa, Joao Pereira; de Mello, Marco Tulio
Publication:Revista Brasileira de Prescricao e Fisiologia do Exercicio
Date:May 1, 2019
Words:6234
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