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Correlatos valorativos de crencas em teorias da conspiracao/Correlatos valorativos de creencias en teorias de conspiracion Ualues Correlates of Beliefs in Conspiracy Theories.

Introducao

Nas tres ultimas decadas tem aumentado o interesse por um conjunto de fenomenos identificados sob a denominacao de teorias da conspiracao (TC). Certos eventos complexos, que sao de dificil explicacao (e.g., o ataque terrorista nos Estados Unidos em 2001, a recente crise financeira mundial em 2008, o acidente aereo com o candidato a Presidente do Brasil, Eduardo Campos, em 2014), tem dado lugar a cenarios politico-sociais permeados de incertezas e desconfiancas (Byford, 2014). Neste contexto, tem surgido varias especulacoes e opinioes, por vezes infundadas, produzindo "teorias da conspiracao" que tem ganhado visibilidade em diferentes canais midiaticos (e.g., Facebook, Instagram, jornais, revistas).

Dentro de tal conjunta e possivel constatar a disseminacao das teorias da conspiracao nos mais variados meios de redes sociais. A esse respeito, pode-se citar eventos como o atentado terrorista as torres gemeas nos Estados Unidos em setembro de 2011 e a crenca de que a guerra do Iraque foi arquitetada por um grupo de empresarios. Face a esse contexto, as ideias conspiratorias sao difundidas na realidade social, fazendo parte do vocabulario das pessoas.

Em termos gerais, estas teorias conspiratorias atuam como forma de se opor as forcas do capitalismo e de empresas que detem poder, permitindo assim ir contra as hierarquias socialmente estabelecidas, bem como desenvolver explicacoes nao convencionais para eventos que ocorrem na realidade social (Sapountzis & Condor, 2013). Dentro dessa conjuntura, e possivel pensar que individuos guiados por valores mais normativos, caracterizados por uma maior enfase na preservacao da cultura e a obediencia a regras sociais, seriam contrarias a explicacoes baseadas em teorias conspiratorias (Gouveia, 2013).

Desta forma, tais teorias atribuem determinados eventos sociais e politicos importantes as acoes de grupos considerados poderosos, malevolos e, por vezes, secretos (Uscinski & Parent, 2014). Este fenomeno, que tem sido recorrente para explicar a realidade social, tem despertado o interesse de diversos pesquisadores, que vem empreendendo esforcos para medi-lo, possibilitando uma compreensao mais adequada e precisa acerca de como se apresenta, inclusive permitindo que se conhecam os seus correlatos (Cichocka, Marchlewska & Zavala, 2016; Douglas, Sutton, Callan, Dawtry & Harvey, 2016; Swami & Furnham, 2012).

Neste contexto, Byford (2014) enfatiza que a adesao a explicacoes baseadas em ideias conspiratorias pode ser entendida a partir de diferencas individuais, tais como vieses de processamento de informacao (Swami, Voracek, Stieger, Tran & Furnham, 2014), estrategias de manutencao de identidade (Uscinski & Parent, 2014) e caracteristicas de personalidade (Swami, Chamoro-Premuzic & Furnham, 2010). A proposito, este autor ressalta a pertinencia de ter em conta outros construtos que possam auxiliar no entendimento do endosso as teorias conspiratorias, sugerindo que se considere o papel de variaveis de cunho social. Dentro do campo da Psicologia Social, especificamente, as pesquisas apontam que variaveis sociais auxiliam no entendimento de porque as teorias da conspiracao parecem mais atraentes para os individuos que sentem que sua imagem pessoal esta sendo ameacada (Cichocka et al., 2016), para aqueles que tem uma grande necessidade pessoal de singularidade (Lantian, Muller, Nurra & Douglas, 2017) ou para os individuos que procuram ordem e entendimento em seu ambiente (Umam, Muluk & Milla, 2018). Nesta direcao, os valores humanos podem ser um candidato importante, sobretudo por guiarem o comportamento dos individuos no meio social e apresentar estreita relacao com o processo de socializacao e contexto social (Gouveia, Vione, Milfont & Fischer, 2015), sendo central no sistema cognitivo do individuo (Maio, 2016; Rokeach, 1973).

Portanto, o estudo em questao buscou averiguar em que medida da conspiracao estao relacionadas com os valores humanos. Neste sentido, inicialmente, procura-se a seguir, tratar as teorias da conspiracao, oferecendo uma definicao deste construto, identificando as necessidades psicologicas subjacentes a tais crencas e seus correlatos. Posteriormente, consideram-se os valores humanos, descrevendo brevemente o panorama dos estudos a respeito desde a perspectiva psicologica, dando enfase ao modelo emergente que vem se consolidando, isto e, a teoria funcionalista dos valores humanos (Maio, 2016). Por fim, apresenta-se o estudo empirico propriamente.

Crencas em Teorias da Conspiracao

Na atualidade, os individuos constantemente se defrontam com eventos ou fatos que colocam em risco a estabilidade social. Esses eventos servem de base para o desenvolvimentos de teorias da conspiracao. Tais teorias podem ser conceituadas como crencas que servem para explicar comportamentos e acoes de grupos ou organizacoes secretas (Zonis & Joseph, 1994). A partir disso, as teorias da conspiracao estao relacionadas a argumentos nao "convencionais" ou "ilusorios" para eventos que normalmente vao contra a uma interpretacao ja oficial e politicamente correta de um dado acontecimento (van Prooijen & Acker, 2015). Bessi et al. (2015) elencam que individuos que endossam tais teorias, sao em geral, mais pessimistas em relacao as explicacoes que sao dadas por instituicoes ou pessoas poderosas.

Douglas, Sutton e Cichocka (2017), revisando estudos da literatura, sugerem que a adesao a explicacoes baseadas em teorias da conspiracao satisfazem necessidades psicologicas importantes, que podem ser identificadas como epistemicas (e.g., desejo de compreensao, precisao e certeza subjetiva), existenciais (e.g., desejo de controle e seguranca) e sociais (e.g., desejo de manter uma imagem positiva do eu ou do grupo). Estes autores ressaltam que sua taxonomia e util para classificar as motivacoes associadas ao endosso de crencas conspiratorias.

Encontrar explicacoes causais para eventos e parte fundamental da construcao de uma compreensao estavel, precisa e internamente consistente do mundo social (Heider, 1958). Deste modo, a motivacao epistemica inclui a necessidade de reduzir a incerteza e o desconforto do individuo, frente a informacao que nao esta disponivel, proporcionando significado e sentido aos eventos. Neste sentido, as teorias da conspiracao fornecem explicacoes amplas e internamente consistentes, que possibilitam que as pessoas preservem suas crencas diante de situacoes que envolvem incerteza e contradicao. De fato, a crenca em teorias da conspiracao e mais forte quando os eventos sao especialmente grandes ou significativos e deixam as pessoas insatisfeitas com explicacoes superficiais (Leman & Cinnirella, 2013), ou quando elas experimentam ansiedade como resultado de eventos que nao possuem respostas oficiais claras (Marchlewska, Cichocka & Kossowska, 2018). Portanto, tais crencas podem satisfazer necessidades epistemicas, como protecao de acontecimentos que geram incerteza, estando associadas com niveis mais baixos de pensamento analitico (Swami et al., 2014) e escolaridade (Douglas et al., 2016), assim como a tendencia a superestimar a probabilidade de acontecimentos que nao existem (Brotherton & French, 2014).

As explicacoes baseadas em pensamentos conspiratorios tambem atendem a necessidade que as pessoas tem de se sentirem seguras e exercerem controle sobre o meio ambiente (Swami et al., 2014). Por exemplo, aquelas que sentem esse controle ameacado costumam ter em conta as teorias conspiratorias como forma de rejeitar narrativas oficiais e criar explicacoes alternativas, reduzindo o sentimento de ameaca e instabilidade (Bost & Prunier, 2013). Alem disso, estudos indicam que as pessoas aderem as teorias conspiratorias quando se sentem ansiosas (Grzesiak-Feldman, 2013), impotentes (Abalakina-Paap, Stephan, Craig & Gregory 1999) e percebem falta de controle sociopolitico (Bruder, Haffke, Neave, Nouripanah & Imhoff, 2013).

As explicacoes baseadas em ideias conspiratorias ainda sao motivadas por necessidades sociais, a exemplo do desejo de pertencer a um grupo e manter uma imagem positiva tanto de si quanto do grupo. Por exemplo, tem sido sugerido que as teorias de conspiracao valorizam o eu e o grupo ao permitir que a culpa de resultados negativos seja atribuida a outros (Douglas et al., 2017; Marchlewska et al., 2018). Neste sentido, pode-se esperar que as teorias da conspiracao sejam particularmente atraentes para pessoas que consideram que a imagem de si ou do grupo esteja sendo ameacada (Cichocka et al., 2016). Neste marco, estudos experimentais sugerem que membros de grupos que tem status baixo devido a sua etnia (Crocker, Luhtanen, Broadnax & Blaine, 1999) ou renda (Uscinski & Parent, 2014) sao mais propensos a aderir a teorias da conspiracao, estando estas tambem associadas ao preconceito contra grupos percebidos como inimigos (Kofta & Sedek, 2005) e poderosos (Imhoff & Bruder, 2014). Tais descobertas sugerem que estas teorias podem ser utilizadas para aliviar o grupo de uma sensacao de posicao desfavorecida (Bilewicz, Winiewski, Kofta & Wojcik, 2013).

Mesmo apesar do crescente interesse da Psicologia (Douglas et al., 2017; Imhoff & Bruder, 2014; Swami et al., 2014), sobre as teorias da conspiracao, ainda se faz necessario a realizacao de novas pesquisas que contribuam para conhecer de maneira mais aprofundada as crencas nas teorias conspiratorias. Diante disso, o estudo em questao teve como objetivo principal investigar o quanto os valores humanos estao associados ou predizem as crencas conspiratorias endossas pelas pessoas. Os valores tem sido considerados uma das variaveis psicologicas importantes no marco dos estudos sobre crencas, atitudes e tracos de personalidade (e.g., Araujo, 2016; Medeiros, Sa, Monteiro, Santos & Gusmao, 2017), podendo de algum modo contribuir neste contexto.

Valores Humanos

Desde a obra classica, The Nature of Human Values (Rokeach, 1973), tem sido crescente o interesse pelos valores humanos, que se consolida como um tema central em psicologia social, da personalidade e transcultural, por exemplo (Maio, 2016). Considerados como centrais na selecao e no julgamento de atitudes e acoes humanas (Rokeach, 1981), eles tem sido objeto de diversos desenvolvimentos teoricos, elaborando-se modelos que os explicam nos ambitos individual/pessoal e grupal/cultural. Entretanto, nesta oportunidade se considera apenas a perspectiva psicologica, que trata o individuo como elemento basico de analise (KuKlick, 2002). Toma-se em conta especificamente a teoria funcionalista dos valores humanos (Gouveia, 1998; Gouveia, Milfont, & Guerra, 2014).

A presente teoria estabelece pressupostos basico, sendo eles: (1) a natureza humana e benevola; (2) os valores tem base motivacional, expressando cognitivamente necessidades humanas; (3) eles sao principios-guia de comportamentos, isto e, sao categorias que orientam as condutas dos individuos em meio social; (4) possuem um carater terminal, representando um proposito em si; e, por fim, (5) tem condicao perene, admitindo-se que os valores sao aproximadamente os mesmos no tempo e no espaco, variando em razao de papeis sociais assumidos (Gouveia et al., 2015).

Gouveia (2013) em sua teoria postula que os valores humanos apresentam duas funcoes principais: (1) guiar o comportamentos os individuos no meio social, sendo visto como tipo de orientacao e (2) e expressar cognitivamente as necessidades humanas, sendo tido de motivador. Diante disso, a primeira funcao psicologica dos valores e representada por tres tipos de orientacao: pessoal, central e social, enquanto que a segunda e composta por dois tipos de motivadores principais: materialista (pragmatico) e idealista (humanitario).

A combinacao das funcoes tipo de orientacao (social, central e pessoal) e tipo de motivador (materialista e humanista) da origem a uma estrutura circumplex 3x2, formada por seis sub-funcoes valorativas, a saber: (1) experimentacao (pessoal-humanitario) diz respeito a satisfacao das necessidades fisiologicas, sendo composta pelos marcadores valorativos prazer, emocao e e sexualidade; (2) realizacao (pessoal-materialista): inclui os marcadores valorativos exito, poder e prestigio, compreendendo as necessidades de autoestima; (3) existencia (central-materialista), esta relacionada a satisfacao das necessidades mais basicas, onde o individuo prioriza aspectos relacionados a saude, sobrevivencia e estabilidade pessoal; (4) suprapessoal (central-humanitario), caracteriza individuos que priorizam a estetica e cognicao, sendo formado pelos marcadores valorativos de conhecimento, maturidade e beleza; (5) interativa (social-humanitario), caracterizado por individuos que endossam as necessidades de pertenca, amor e filiacao pelos seus pares; e (6) normativa, que compreende o respeito pelas normas e tradicao da cultura, sendo representada por religiosidade, tradicao e obediencia (Gouveia, 2016).

Esta teoria reune evidencias de sua adequa-bilidade psicometrica, mostrando-se relevante em diversos contextos e para explicar uma serie de variaveis, que incluem atitudes, crencas, interesses e condutas, por exemplo (Gouveia, 2016). Alem disso, suas hipoteses de conteudo (lista de valores especificos e numero de valores basicos) e estrutura (representacao espacial dos valores) tem sido testadas em mais de 90% dos estados brasileiros (Araujo, 2016; Gouveia et al., 2014, 2015; Medeiros, 2011), abrangendo, ainda, mais de 40 paises (Gouveia, 2013; Soares, 2015). Portanto, justifica-se o seu emprego na presente pesquisa.

Metodo

Delineamento e Hipoteses

Tratou-se de um delineamento correlacional, considerando medidas de autorrelato (e.g., valores humanos, crencas em teorias da conspiracao). Tendo em conta o que tem sido descrito na literatura acerca das necessidades epistemicas, existenciais e sociais das teorias da conspiracao e os fundamentos da teoria funcionalista dos valores humanos, elaboraram-se tres hipoteses principais: (1) as pessoas que pontuam alto em valores de experimentacao endossarao mais crencas em teorias da conspiracao. Essa hipotese foi formulada tendo como principio a ideia de que pessoas guiadas pela subfuncao experimentacao, dao enfase a promocao de mudancas e inovacao na sociedade, nao se conformando facilmente com normas sociais, buscando assim informacoes que possibilitem o enfrentamento de hierarquias socialmente estabelecidas (Sapountzis & Condor, 2013); (2) pessoas que pontuam alto em valores suprapessoais endossarao mais crencas em teorias da conspiracao. Essa segunda hipotese teve como subsidio a premissa de que pessoas orientadas pela subfuncao suprapessoal expressam as necessidades de estetica e cognicao, buscando equilibrio e coerencia cognitiva, estabelecendo assim correspondencia com as necessidades epistemicas das crencas em teorias da conspiracao (Douglas et al, 2017); (3) pessoas que pontuam alto em valores interativos endossarao mais crencas em teorias da conspiracao. Por fim, para formulacao da terceira hipotese, considerou-se a ideia de que o endosso as teorias conspiratorias esta atrelado a necessidade social de manter uma imagem positiva de si e do grupo de pertenca (Uscinski & Parent, 2014).

Em termos gerais, o fundamento destas hipoteses e que pessoas que priorizam valores idealistas costumam estar mais abertas a experiencias, promovendo maior justica social e acolhendo opinioes de terceiros (Gouveia, 2013). Nesta direcao, os valores de experimentacao, interativos e suprapessoais, que compartilham um tipo de motivador idealista, funcionam como um condao de promover mudancas, de modo que as pessoas que os priorizam buscam experiencias diversas, estando abertas a conhecer e pensar acerca de formas diferentes de entender a realidade (Freires, Gouveia, Bertolotti & Ribas, 2014). Portanto, isso parece coerente com elaborar e endossar crencas em teorias conspiratorias.

Participantes

Participou do estudo uma amostra nao probabilistica, composta por 205 estudantes universitario de instituicao publica de Joao Pessoa. Estes tinham idades que variam de 18 a 49 anos (M = 21.7; DP = 5.14), sendo a maioria do sexo feminino (56.6%), solteira (92.2%), catolica (35.6%) e heterossexual (78%), autodeclarando-se de classe socioeconomica media (54.6%).

Instrumentos

Alem de perguntas demograficas (como idade, sexo, orientacao sexual e estado civil), que foram introduzidas ao final, os participantes responderam um questionario composto pelas seguintes medidas:

Escala de Crencas Gerais Conspiratorias. Originalmente elaborada por Rezende et al. (2018, no prelo), esta escala e composta por 15 itens distribuidos em cinco componentes: manipulacao farmaceutica (e.g., Experiencias envolvendo novos medicamentos sao realizados nos cidadaos sem seu consentimento; a = 0.74), conspiracoes globais (e.g., Alguns atos de violencia sao financiados pelo proprio governo; a = 0.80), manipulacao de grupos secretos (e.g., Grupos anonimos controlam a politica mundial; a = 0.80), encobrimento de contato extraterrestre (e.g., Missoes espaciais sao forjadas para que os cidadaos nao descubram a existencia de alienigenas; a = 0.92) e controle de informacoes (e.g., O governo esconde da populacao geral muitos segredos importantes; a = 0,60). Apos ler cada item, o respondente indica seu grau de concordancia/discordancia em escala tipo Likert, variando de 1 (Discordo totalmente) a 5 (Concordo totalmente). Este instrumento apresentou indicadores de ajustes considerados aceitaveis [e.g., CFI = 0.96, RMSEA = 0.06 (90% IC = 0.043-0.078)] para o contexto brasileiro.

Questionario dos Valores Basicos. Reune 18 itens ou valores especificos, cada um apresentando dois descritores (e.g., Apoio social. Obter ajuda quando a necessite; sentir que nao esta so no mundo), sendo respondidos em escala de sete pontos, variando de 1 (Totalmente nao importante) a 7 (Totalmente importante). Este instrumento apresentou indicadores de ajustes aceitaveis [e.g., GFI = 0.92, RMSEA = 0.07 (90% IC = 0.07-0.08)] na realidade brasileira, alem de indicadores de consistencia interna que, no conjunto, sao adequados: os alfas de Cronbach das subfuncoes (valores basicos) variaram de 0.48 (interativa) a 0.63 (normativa), enquanto os indices de homogeneidade (correlacao media inter-itens) ficaram entre 0.24 (interativa) e 0.38 (normativa) (Medeiros, 2011).

Procedimento

A coleta de dados teve lugar em uma universidade publica, de acordo com as seguintes etapas: (a) levantamento de e-mails de docentes responsaveis pelas disciplinas; (b) envio de mensagem solicitando a disponibilizacao de turmas para a coleta de dados e definicao de horario de conveniencia; e (c) coleta de dados propriamente dita. Neste caso, os aplicadores se apresentavam aos participantes e explicitavam os objetivos da pesquisa, ressaltando o anonimato da participacao, informando-lhes sobre a possibilidade de desistirem da participacao sem qualquer onus. Apesar de ter ocorrido em uma ambiente coletivo de sala de aula, as respostas dos participantes ocorreram de forma individual. Levou-se em consideracao os procedimentos eticos de acordo com a resolucao 510/16, com a devida aprovacao do comite de etica (CAAE: 76972917800005188). No geral, os participantes levaram cerca de 20 minutos para o termino do estudo.

Analise dos Dados

Para analise dos dados utilizou-se o Software estatistico SPSS (versao 21). Inicialmente foram realizadas estatisticas descritivas (medias de tendencia central, dispersao e frequencia) a fim de caracterizar o perfil demografico da amostra. Posteriormente foram realizadas correlacoes de r de Pearson para verificar a relacao entre as crencas em teorias da conspiracao e as subfuncoes valorativas. Por fim, empregou-se a analise de regressao multipla (metodo de stepwise) para verificar o poder preditivo dos valores nas crencas conspiratorias.

Resultados

Inicialmente, com a finalidade de testar as hipoteses deste estudo, computou-se a pontuacao total para a medida de crencas em teorias da conspiracao, somando-se os 15 itens da escala. Posteriormente, calcularam-se as pontuacoes especificas desta medida, isto e, para cada um de seus cinco componentes, conforme indicado em instrumentos. Calculadas as pontuacoes totais de cada subfuncao/valor basico, procurou-se correlaciona-las com aquelas de crencas em teorias da conspiracao. Os resultados podem ser observados na tabela 1 a seguir.

No que diz respeito as tres hipoteses deste estudo, todas foram corroboradas. Especificamente, as correlacoes das crencas em teorias conspiratorias, como avaliadas a partir da pontuacao total da medida correspondente, foram todas positivas e significativas (p < 0.05) com as subfuncoes de valores idealistas ou humanitarios: experimentacao (r = 0.23), suprapessoal (r = 0.22) e interativa (r = 0.14). Ressalta-se, ainda, que a pontuacao no valor realizacao se correlacionou nesses mesmos termos com tais crencas (r = 0.16). Quanto aos componentes especificos da medida de crencas, observou-se o seguinte:

Manipulacao farmaceutica. Esta dimensao se correlacionou com quatro das seis subfuncoes valorativas, repetindo o mesmo padrao observado para a pontuacao total, isto e, os valores idealistas (experimentacao, suprapessoais e interativos), alem daqueles de realizacao.

Conspiracoes globais. Estas crencas se correlacionaram exclusivamente com os valores que representam um motivador humanitario, isto e, valores idealistas, destacando-se com maior magnitude aqueles de experimentacao, embora tambem os suprapessoais e interativos tenham sido significativos.

Manipulacao de grupos secretos. Este componente apenas se correlacionou com dois valores, sendo os menos congruentes na estrutura valorativa, correspondendo aqueles de experimentacao e normativos. Porem, com estes ultimos, as crencas em teorias conspiratorias se correlacionaram mais fortemente.

Encobrimento de contato extraterrestre. Dois, dos tres valores basicos idealistas, correlacionaramse diretamente com as pontuacoes de crencas em teorias conspiratorias, correspondendo aos valores de experimentacao e suprapessoais. Porem, alem deles, observou-se correlacao significativa e na mesma direcao com o valor realizacao.

Controle de informacoes. Este ultimo componente de crencas em teorias da conspiracao, correlacionou-se apenas com os valores interativos, reproduzindo o padrao e a magnitude observados para a pontuacao total dessas crencas.

Como ultimo passo, buscou-se verificar o poder preditivo das subfuncoes valorativas na explicacao das crencas conspiratorias. Para cumprir tal objetivo, adotou-se a analise de regressao linear multipla, especificamente, o metodo stepwise, a fim de dirimir o efeito de multicolinearidade entre as variaveis. A partir disso, a pontuacao total das crencas conspiratorias foram tidas como variavel criterio, e as subfuncoes valorativos como variaveis explicadoras. Os resultados correspondentes sao mostrados na tabela 2 a seguir.

Os resultados indicaram que duas unicas sub-funcoes (suprapessoal e experimentacao) lograram explicar a variacao em tais crencas [F (2, 202) = 8.22, p < 0.001; [R.sup.2] ajustado = 0.06]. Especificamente, estes valores contribuiram de forma positiva para a pontuacao na dimensao geral de crencas em teorias da conspiracao [suprapessoal ([beta] = 0.22) e experimentacao ([beta] = 0.23)].

Discussao

O estudo em questao buscou analisar a relacao entre valores humanos e as crencas em teorias da conspiracao. Acredita-se que este objetivo tenha sido alcancado. No geral, os valores tem um papel importante em explicar tais crencas, reforcando a importancia e centralidade desse construto no sistema cognitivo dos individuos (Gouveia, 2016; Rokeach, 1973). Nao obstante, as crencas em teorias da conspiracao nao podem ser reduzidas aos valores humanos; outros fatores explicadores precisarao ser explorados, incluindo aqueles de ordem pessoal (e.g., tracos de personalidade, estados afetivos), social (e.g., representacoes sociais, crenca no mundo justo) e macrossocial (e.g., indicadores de desenvolvimento humano, estabilidade politico-social). Porem, cabe discutir aqui os principais achados deste estudo.

Levando-se em consideracao os postulados da teoria funcionalista dos valores humanos (e.g., Gouveia, 2013, 2016; Gouveia et al., 2014, 2015), os valores tem funcoes que permitem explicar como atuam em dado contexto e influenciam certas variaveis. Uma dessas funcoes compreende o tipo de motivador, existindo dois tipos principais: humanitario, tambem nomeado como abstrato e idealista, e materialista, que pode ser descrito ainda como concreto e pragmatico. Enquanto que pessoas que adotam valores humanitarios costumam ser mais abertas ao novo, a experimentar ideias e opinioes diferentes, convivendo e aceitando diferencas (Freires et al., 2014; Gouveia, 2016), aquelas que priorizam os valores materialistas costumam ser mais rigidas, aceitando com mais facilidade a hierarquia nas relacoes interpessoais e se identificando com grupos tradicionais (Gouveia, 2016; Gouveia, Albuquerque, Clemente & Espinosa, 2002). Portanto, os resultados deste estudo foram na direcao esperada, indicando que quem prioriza valores humanitarios tende a ser mais provavel concordar com crencas em teorias da conspiracao. Cabe considerar, entretanto, cada valor basico por separado.

No que concerne a subfuncao experimentacao, observou-se uma relacao positiva e significativa com as crencas em teorias da conspiracao. Tal resultado pode ser fundamentado a partir das caracteristicas que compoem essa subfuncao, tais como a nao conformacao com regras socialmente estabelecidas (e.g., tradicao, obediencia) e a busca de novas ideias que contestem as normas e explicacoes convencionais sobre os fatos (Gouveia, 2016). Tais resultados mostram conformidade com estudos que indicam que a mentalidade conspiratoria esta associada a atitudes negativas em relacao ao governo (Brotherton & French, 2014), desconfianca politica (Jolley & Douglas, 2014), acoes desfavoraveis contra individuos e grupos que ocupam altos cargos de poder e autoridade (Imhoff & Bruder, 2014), reinvindicacao por transparencia politica (Swami & Coles, 2010) e contestacao de estruturas sociais dominantes (Sapountzis & Condor, 2013).

Em paralelo com estes resultados, Aloha (2017) em um estudo que tinha como objetivo verificar a associacao entre valores humanos e a prontidao para questionar pontos de vista de especialistas, mostrou que os individuos que endossavam valores hedonistas (modelo de Schwartz), dimensao que apresenta conteudo similar com os valores de experimentacao, tenderam a contestar em maior medida o ponto de vista dos especialistas, indo em busca de informacoes alternativas que justificasse seu ponto de vista contrario.

Os valores suprapessoais, em razao das necessidades em que se fundamentam (e.g., cognitivas, autorrealizacao; Gouveia, 2013), sao a propria essencia das crencas em teorias da conspiracao, que procuram informacoes atualizadas e diversas sobre eventos presentes (Bessi et al., 2015; van Prooijen & Acker, 2015). Ademais, estima-se que acreditar em teorias da conspiracao pode ajudar a fornecer um senso de estrutura e resposta aos eventos que ocorrem no meio social (Oliver & Wood, 2014; van Prooijen & Jostmann, 2013), coerente com os que endossam valores suprapessoais, que espera ter uma visao mais ampla e integrada do mundo, comumente evidenciando maior maturidade (Gouveia et al., 2015).

Coerente com os estudos da literatura, os resultados da presente pesquisa convergem com a ideia de que pessoas guiadas pela subfuncao suprapessoal apresentam maior necessidade de cognicao (Gouveia, 2013). A esse respeito, Newheiser, Farias e Tausch (2011), tomando como base as necessidades epistemicas, pontuam que o desejo dos individuos de entender o mundo social esta intimamente relacionado com a necessidade de ter controle sobre o seu meio ambiente. Alem disso, estudos mostram que fenomenos que estao intimamente associados a ameaca de controle, tais como ansiedade da morte (Newheiser, Farias & Tausch, 2011), incerteza cognitiva (van Prooijen & Jostmann, 2013), ambivalencia atitudinal (van Harreveld, Rutjens, Schneider, Nohlen & Keskinis, 2014) e ameaca de controle social (van Prooijen & Acker, 2015), exercem influencia significativa no endosso a teorias da conspiracao.

Em direcao similar, Moulding et al. (2016) verificaram que pensamentos conspiratorios estiveram positivamente correlacionados com a intolerancia a incerteza, evidenciando que a necessidade de explicar um fenomeno que e considerado "inexplicavel" faz com que os individuos sustentem ideias conspiratorias para amenizar o sentimento de incerteza. Isso sugere que pessoas com baixa tolerancia para ambiguidade ou com alta intolerancia a incerteza, podem preferir explicacoes simplificadas engendradas por crencas conspiratorias (Galliford & Furnham, 2017).

Por fim, quanto aos valores interativos, a literatura tem indicado que buscar explicacoes pautadas em teorias da conspiracao pode ter sustentacao em necessidades sociais (Douglas et al., 2017; Sapountzis & Condor, 2013; Uscinski & Parent, 2014). E possivel que se busque manter uma imagem positiva de si mesmo, mas tambem de seus pares. A proposito, Cichocka et al. (2016) mostraram que as teorias da conspiracao buscam a valorizacao do eu e do grupo, atribuindo a culpa dos resultados negativos aos exogrupos, que sao considerados ameacadores (Bilewicz, Cichocka & Soral, 2015), poderosos (Kofta & Sedek, 2005) e malevolos (Imhoff & Bruder, 2014). Este aspecto, por certo, tambem contribui para explicar a relacao de tais crencas com outro valor social, como se discute a seguir.

A subfuncao normativa, em principio de forma inesperada, tambem se correlacionou com as crencas em teorias da conspiracao. Concretamente, sua correlacao se deu com o componente de crencas denominado como manipulacao de grupos secretos. Entretanto, ha que se considerar a especificidade do conteudo deste componente (e.g., Grupos anonimos controlam a politica mundial; um grupo secreto de pessoas e responsavel por tomar todas as decisoes mundiais importantes). Portanto, parece ressaltada a dimensao de identidade grupal ou social, contrastando o grupo de pertenca (e.g., nos, nosso grupo, a gente) com um exogrupo (e.g., eles, o grupo secreto, esse povo estranho), que e sempre desvalorizado e responsabilizado por tudo de ruim (Uscinski & Parent, 2014; Zonis & Joseph, 1994). Os valores normativos (e.g., tradicao, obediencia, ordem social) sao marcadores importantes de identidade social, isto e, pessoas que os priorizam costumam se identificar mais com grupos proximos (Gouveia et al., 2002).

O fato de os valores de realizacao se correlacionarem positivamente com as crencas em teorias da conspiracao, embora nao previsto, pode encontrar explicacao no tipo de orientacao destes valores. O foco e intraindividual, isto e, o individuo por ele mesmo (Gouveia et al., 2014), o que pode indicar alguma disposicao a agir com independencia de grupos ou pessoas convencionais, sobretudo quando os proprios interesses sao ameacados (manipulacao farmaceutica), ou o individuo se sente em situacao de incerteza, privado de informacoes sobre assuntos que fogem ao seu controle (encobrimento de contato extraterrestre). Em qualquer caso, haveria que replicar esses achados; nao se descartam flutuacoes em razao de caracteristicas amostrais.

Em paralelo com a discussao acerca da flutuacao dos dados devido a caracteristicas amostrais, Hanel y Vione (2016), utilizando variaveis atitudinais e tracos de personalidade, avaliaram em 59 paises as possiveis diferencas entre amostras formadas por estudantes universitarios e o publico em geral. Os resultados indicaram que as diferencas entre essas amostras eram em geral parcialmente incoerentes e contraditorias quando comparadas com estudos anteriores. Alem disso, os autores ressaltam que a generalizacao de dados provenientes de estudantes para o publico em geral pode ser problematica, uma vez que estudantes universitarios sao mais homogeneos em relacao a classe economica e nivel educacional, enquanto o publico em geral e mais heterogeneo quanto a essas variaveis. Pensando na amostra do presente estudo, e possivel especular que, caso a amostra fosse formada unicamente por individuos da populacao geral, haveria uma menor enfase na subfuncao realizacao e maior endosso na subfuncao normativa, uma vez que individuos mais velhos priorizam em maior medida as normas sociais e a tradicao. Todavia, como o presente estudo e formado por uma amostra exclusivamente de jovens universitarios com uma media de idade de 21 anos, ha uma enfase maior na obtencao de estabilidade pessoal, como o termino do curso superior e a busca por emprego na area de formacao (Vione, 2012).

Os valores de existencia nao parecem apresentar qualquer contribuicao para compreender a adesao as crencas em teorias da conspiracao. Nao obstante, neste ponto e importante ter em conta a natureza da amostra, formada por jovens estudantes universitarios, que, em media, estima-se que gozam de melhores condicoes de vida do que as pessoas da populacao geral. Entretanto, talvez em contextos variados, isto e, se fossem consideradas pessoas que vivenciassem graus variados de escassez, os resultados poderiam ter sido outros, pois haveria maior variabilidade de endosso de existencia (Fischer, Milfont & Gouveia, 2011). Neste contexto, talvez licoes importantes possam ser tomadas de Kohn (1969), quando trata da dimensao autodi-recao-conformidade, e Inglehart (1977), quando se refere a dimensao materialismo-pos-materia-lismo. E possivel que pessoas socializadas em contextos em que as ideias sao importantes, sendo guiados pela autodirecao e o pos-materialismo, a existencia pode significar contestar o status quo, pensando em formas alternativas de ver o mundo; porem, aquelas socializadas em contextos em que precisam superar questoes concretas, tendo que se conformar e pensar em termos materialistas, existencia pode significar aceitar o que as autoridades afirmam. Contudo, estas conjeturas precisam ser analisadas, reunindo evidencias empiricas que possibilitem testa-las.

Em sintese, os valores parecem ser uma base para crencas em teorias da conspiracao, embora nao sejam a unica. A analise de regressao mostrou que dois sao os valores basicos mais importantes para predizer tais crencas: experimentacao e suprapessoal. Isso pode ter uma aplicacao pratica, evidenciando que as teorias da conspiracao tem uma funcao ou cumprem uma necessidade nao anunciada por Douglas et al. (2017), que e de autorrealizacao ou propriamente de crescimento, evolucao das pessoas e formas de viver e se relacionar em sociedade.

Consideracoes finais

Apesar de alcancados os objetivos deste estudo, reconhecem-se limitacoes potenciais, inclusive como ja referido, em relacao a especificidade da amostra, que considerou apenas estudantes universitarios. Porem, um outro aspecto que precisa ser ponderado e a natureza das medidas realizadas, que foram de autorrelato, podendo introduzir vies decorrente de desejabilidade social, o que poderia ser amenizado contando com medidas implicitas (Gouveia, Athayde, Mendes & Freire, 2012), mas se recomendaria tambem controlar o efeito deste vies de resposta (Soares et al, 2016). E importante ressaltar, ainda, que o delineamento da pesquisa nao permite afirmacoes de causa e efeito (Pereira, Sindic & Camino, 2013), nao sendo possivel afirmar, por exemplo, que quem se guia por valores humanitarios endossara crencas em teorias da conspiracao. Neste sentido, estudos futuros precisarao replicar os achados aqui descritos, atestando sua adequacao.

Por fim, quanto aos novos estudos, alem de sanar os potenciais problemas previamente indicados, poder-se-a avaliar a influencia do nivel educacional no endosso de crencas de teorias da conspiracao. A literatura da area indica uma relacao negativa entre alto nivel educacional e crencas em teorias da conspiracao, tal relacao se deve ao fato de que ao longo da trajetoria educacional as pessoas aprendam a resolver problemas de forma independente, adquirindo habilidades sociais para influenciar seu ambiente, o que as faz mais ativas no controle de suas vidas, diminuindo, assim, o sentimento de impotencia e, consequentemente, o endosso as teorias conspiratorias (Mirowsky & Ross, 2003; Whitson, Galinsky & Kay 2015). Podera ser tambem interessante realizar estudos experimentais que comprovem o efeito da exposicao a teorias da conspiracao em comportamentos civicos (e.g., engajamento politico, preocupacao ambiental). Estudos previos sugerem que esta exposicao provoca sentimentos de desconfianca com o governo (Kim & Cao, 2016), menor envolvimento em politicas de vacina (Stojanov, 2015) e reducao do engajamento em comportamentos pro-ambientais (Jolley & Douglas, 2014).

Referencias

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Alessandro Teixeira Rezende (*), Valdiney Veloso Gouveia (*), Anderson Mesquita do Nascimento (*), Roosevelt Vilar (*), Karen Guedes Oliveira (*)

(*) Universidade Federal da Paraiba, ccHLA, Departamento de Psicologia. Correio eletronico: als_tx29@hotmail.com

Fecha de recebido: agosto 07, 2018

Fecha de aprovado: fevereiro 19, 2019

Doi: http://dx.doi.org/10.12804/revistas.urosario.edu.co/apl/a.7211
Tabela 1
Correlatos entre Valores Humanos e Crencas em Teorias da Conspiracao

                ECGC        Manipulacao    Conspiracoes  Manipulacao de
                Total       farmaceutica   globais       grupos secretos

Experimentacao  0.23 (**)   0.20 (**)      0.21 (**)     0.14 (*)
Realizacao      0.16 (*)    0.14 (*)       0.10          0.09
Existencia      0.02        0.09           0.03          0.07
Suprapessoal    0.22 (**)   0.22 (**)      0.15 (*)      0.12
Normativa       0.09        0.11           0.09          0.22 (**)
Interativa      0.14 (*)    0.18 (*)       0.16 (*)      0.04

                 Encobrimento de          Controle de informacao
                 contato extraterrestre

Experimentacao   0.20 (**)                0.06
Realizacao       0.16 (*)                 0.08
Existencia       0.01                     0.01
Suprapessoal     0.21 (**)                0.08
Normativa        0.09                     0.12
Interativa       0.01                     0.14 (*)

Nota. (*) p < 0.05; (**) p < 0.001.

Tabela 2
Regressao linear da crenca em teorias da conspiracao, tendo os valores
como preditores

Preditores     R      [R.sup.2]   F(gl)          B      Beta   T

Suprapessoal   0.23    0.06       F (2, 202)     0.16   0.22   3.34
                                  = 11.16 (**)
Experimen-     0.27    0.07       F (2, 202)     0.15   0.23   2.25
tacao                             = 8,22 (**)

Notas. * p < 0.05; (**) p < 0.001
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Author:Rezende, Alessandro Teixeira; Gouveia, Valdiney Veloso; do Nascimento, Anderson Mesquita; Vilar, Roo
Publication:Avances en Psicologia Latinoamericana
Date:Jul 1, 2019
Words:8176
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