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Corpo cheiroso, corpo gostoso: unidades corporais do sujeito no discurso.

Introducao

O corpo discursivo

Para iniciar, gostaria de colocar alguns elementos que surgem aqui e acola quando falamos de corpo no interior da Analise do Discurso, aqui, no Brasil, pelo menos da maneira como o compreendo, a partir dos postulados de Michel Foucault e dos trabalhos de Jean-Jacques Courtine. Uma das primeiras coisas que precisam ficar claras e que o corpo considerado como unidade discursiva nao e o corpo que fala, que trabalha, que vive. Nao e tampouco o mesmo corpo que pratica esportes, que se deixa ver nas fotos de familia, que se deita no sofa. Nao e, pois, o corpo que vive as praticas diarias e corriqueiras, automatas ou refletidas como andar, transar, comer, dormir ou ler. O corpo com suas funcoes biologicas, que exerce suas praticas socio-historicas do cotidiano nao e ainda o corpo do discurso.

Para estarmos diante de um corpo discursivo nao basta nos depararmos com praticas do fazer do nosso dia-a-dia. Precisamos focalizar a existencia material desse objeto que denominamos corpo, em consonancia com suas formas e carnes por meio da representacao sob a qual o identificamos. Para tanto, precisamos considerar esse corpo do qual falamos, colocando em evidencia a sua existencia historica, o seu status material, reafirmando o questionamento foucaultiano "quem fala?" (FOUCAULT, 2000a, p. 57) no momento de olharmos para nossos involucros corporais. Ainda, sera preciso olhar de perto o lugar no qual esse corpo se insere, a data que ele marca, enfim, estabelecer os limites que fazem com que ele apareca ali naquele momento, naquele lugar e nao em outro.

Se assim considerarmos o que inicialmente identificamos como corpo, poderemos compreendelo nao somente como uma simples pratica corporal e objetivante, mas como pratica discursiva. Foucault (2000a, p. 136) define pratica discursiva como "um conjunto de regras anonimas, historicas, sempre determinadas no tempo e no espaco, que definiram, em uma dada epoca e para uma determinada area social, economica, geografica ou linguistica, as condicoes de exercicio da funcao enunciativa", o que faz com que o corpo, entendido agora como enunciado, surja em sua materialidade, emergindo em redes, possibilitando deslocamentos e modificacoes, que criam novos campos de saber e delineiam certo tipo de sujeito do conhecimento.

Ao observamos tais mecanismos que constroem o corpo como discurso, destacando sua existencia material, teremos, antes de mais nada, a pergunta: que tipo de conhecimento vai produzir o corpo no discurso? Quais praticas discursivas entrelacam essa materialidade corporeo-discursiva? Que artes do existir essa pratica corporal discursiva coloca em evidencia? Quais materialidades e jogos podem constituir uma identidade no discurso?

Postos tais questionamentos, quero deixar claro que me proponho a pensar brevemente sobre os deslocamentos de praticas de si do sujeito, considerando suas vidas em tres diferentes momentos: a infancia, a juventude e a velhice, porem nao para repartir a vida em fases, antes para compreender praticas de governo dos sujeitos, que nao se reduzem ao lugar de marcas temporais. Portanto, discutirei esses momentos, considerados fases da vida, muito mais como atitudes diante dela, independentemente de idade cronologica, na medida em que aponta praticas de si que falam de sujeitos controlados, sujeitos que governam a si e sujeitos que cuidam de si e dos outros.

Corpo discursivo e praticas higienizantes

Colocadas tais premissas, quero me dedicar, entao, a espessura material de tres videos que facilmente se encontram no youtube. O primeiro (I), e a reproducao de parte do programa educativo Castelo Ra-Tim-Bum (2008), veiculado na TV Cultura, momento em que criancas lavam as maos sob o refrao musical 'Uma mao lava a outra', com voz e autoria de Arnaldo Antunes; o segundo (II), e uma propaganda da Bombril (MON BIJOUX..., 2008), particularmente conhecida, porque traz o gala global Reinaldo Giannechini ao lado do garoto da Bombril; o terceiro (III), uma propaganda de cerveja Argentina, cuja marca e Isenbeck (SABEDORIA..., 2008), na qual assistimos a homens que deixam um campo de futebol e vao para o banho no vestiario. Sei bem que para uma analise enunciativa, como nos explicou Foucault (2000a), deve-se considerar tambem o suporte material que o tempo e o lugar da enunciacao utilizam, porem nao me coloco como objetivo a discussao da materialidade do video como suporte, pois, para mim, antes do formato de video que ocupam os enunciados no youtube, tomo o corpo como suporte primeiro na recepcao e producao dos ecos de nossa cultura.

Inicialmente, temos, portanto, ao agrupar esses tres videos, uma serie de enunciados que pertencem a campos diferentes, mas que, certamente, estao obedecendo a regras de funcionamento comum e produzem cisoes historicamente determinadas, isto e, segundo Revel (2005, p. 37), criando, "uma funcao normativa e reguladora [que] coloca em funcionamento mecanismos de organizacao do real por meio da producao de saberes, de estrategias, de praticas". Quero dizer que, dessa maneira, descreverei e analisarei o corpo no interior de praticas discursivas higieneizantes, elemento regularizador entre os objetos selecionados, que indicam nao somente o nosso comportamento no processo de civilizacao, mas tambem certo tipo de conhecimento que se produziu historicamente ao longo dos seculos. Tais lugares apresentarao as marcas e indicios do que consideramos um 'corpo cheiroso' e as relacoes que ele engendra ao lancar-se nos processos que envolvem o bem-estar dos corpos, abrangendo o controle na saude dos corpos e suas extensoes no campo de uma erotica do sujeito, aquilo que chamaria de 'corpo gostoso', retomando a referenciacao de memorias de enunciacoes em nossa lingua.

Por meio da construcao historica da higiene, vamos ver emergir a questao da identidade tanto dos enunciados selecionados como a de certo sujeito, que reinventou suas praticas de como estar limpo, em um jogo de contraposicoes, entre o que seria estar sujo. Minha trajetoria, entao, levar-me-a a mergulhar nas aguas do campo discursivo da limpeza. Assim, primeiro, vamos precisar compreender as normas de higiene como formas de controle corporais que produzem um determinado saber para, depois, investigar o sujeito e suas novas identidades nesse afluente de relacoes.

O corpo como identidade no discurso

Comecemos com a observacao das imagens veiculadas no programa Castelo Ra-Tim-Bum. Ao assistir a sequencia de imagens que evidenciam inumeras criancas lavando as maos, acredito que seria necessario pensar esse dominio de imagens a partir dos tracos que o identifiquem no espaco e que o individualizem no tempo, ou seja, repetindo Foucault (2000a, p. 29), busco as unidades desse discurso, investigando "segundo que leis elas se formam". Ha uma imposicao das imagens por meio da repeticao dos closes nas maos--fio regular de toda a sequencia, unidade consistente que se repete a cada segundo--protagonista incansavel que mantem sua visibilidade ate o final das imagens. Essa repeticao e essa insistencia sobre as maos comecam a produzir certos conhecimentos acerca do corpo e seu intrincamento no discurso.

Por que olhar, entao, para as maos e nao para outra parte do corpo? "Por que esta enumeracao e nao outra?", perguntaria Foucault (2000a, p. 49), fazendo ecoar a voz de Nietzsche (2003, p. 45): "Por que nao Heraclito? Ou Filon? Ou Bacon? Ou Descartes?--e assim por diante, arbitrariamente". Talvez a resposta nao exija um porque, mas a elaboracao de um percurso que faca emergir um enunciado em detrimento de outro, imprimindo singularidade a um acontecimento pelo fato de excluir tantos outros. Tal movimento acaba por construir a identidade do enunciado que se constroi discursivamente por meio dos enunciados com os quais se relaciona ou nao. Portanto, "a identidade de um enunciado esta submetida a um segundo conjunto de condicoes e de limites" (FOUCAULT, 2000a, p. 119).

A primeira vista, talvez, tambem, pareca imperioso convocar certos discursos que o enunciado 'Uma mao lava a outra'--refrao da musica--fazem emergir, como aquele calcado no discurso da solidariedade, se compreendido como o auxilio de um trabalho em grupo no enlace das maos ou, ainda, o discurso religioso retomado por meio da memoria discursiva que nos remete ao lavar as maos de Pilatos, como bem podemos ler na biblia: "Entao Pilatos, vendo que nada aproveitava, antes o tumulto crescia, tomando agua, lavou as maos diante da multidao, dizendo: Estou inocente do sangue deste justo. Considerai isso" (Biblia, Mt. 27:24). Mas o foco primeiro de minhas inquietacoes e justamente a compreensao das condicoes de existencia das maos nesse padrao de limpeza.

Vejo que, no video analisado, se abre um campo corporal discursivo que traz uma das partes do corpo que se limita as partes visiveis da pele, enfatizando a exposicao de extremidades corporais, ao destacar a posicao do sujeito em praticas cotidianas como o aperto de mao, o segurar a caneta, o entregar um papel, o oferecer um copo d'agua, o segurar um cigarro. Nao gostaria de incitar as maos como um fetiche, mas ressaltar a funcao que ao mesmo tempo explica e restringe gestos que unem o sujeito a sua posicao, como a mao que coloca a coroa na cabeca do rei e para, finalizar, as maos que trocam aliancas em casamento. Esses sao exemplos de alguns lugares corporais discursivos que nos dizem que a mao ou, mais precisamente, ate o borrao do dedao sobre o papel, sao marcas identitarias construidas discursivamente na relacao do sujeito frente as posicoes que assume.

Nessa esteira rolante, as maos se tornam tracos que embasam a morfologia de uma identidade corporal determinada por apagamentos. Se voltarmos a materialidade da lingua da musica Uma mao lava a outra, sem grande esforco de memoria, como num jogo de adivinhacao, completariamos o proverbio com 'e as duas juntas lavam o rosto'. Portanto, o refrao traz o apagamento da marca primeira de identidade do sujeito que foi ao longo do tempo marcado pelo seu rosto, responsavel por medir sua periculosidade, seus comportamentos, seu status social. E o rosto que faz "reconhecer de imediato uma identidade, distinguir os indicios que autentificam uma pessoa, indicar sem erro 'quem e quem', uma vez apagado os nomes e os primeiros aspectos" (COURTINE; VIGARELLO, 2006, p. 341-342).

Ao meu ver, o fato de se bater na mesma tecla, mostrando as maos, e o resultado de um esquadrinhamento do corpo que serve ao exame para entender o sujeito diante do qual nos colocamos hoje. Essa "semiologia

da marca" (COURTINE; HAROCHE, 1988, p. 59) aponta para uma separacao do corpo que tende a apagar a identidade dos rostos, desidentificando o sujeito de suas paixoes, esquivando-o de seus lugares politicos e sociais, tornando-o um anonimo na multidao, protegendo a privacidade em um mundo no qual a visibilidade e a palavra de ordem. Para Courtine e Vigarello (2006, p. 341), "A sociedade democratica apaga os indicios fisicos tradicionais, embaralha os velhos codigos da sociedade de ordem, banaliza a postura, mascara as hierarquias.", ajudando, assim, a camuflar as identidades no espaco publico, cuja identidade visa a busca de uma nao-identidade. Seria por que somos tantos e outros ao mesmo tempo?

Vontades de dominacao sobre o corpo

Mas qual seria, pergunto novamente, a lei que estaria regendo essa arte da conveniencia social centrada nessa construcao higieneizante das maos? Seguindo a pista foucaultiana, ao olhar para meu objeto de estudo, parece que o projeto de recordacao intermitente das maos precede ao proprio codigo de nossa sociedade, que faz circular regras ensinadas desde as primeiras disciplinarizacoes na cartilha e na carteira da escola: lavar as maos antes das refeicoes, depois de ir ao banheiro, depois de manusear dinheiro etc. Lanco-me, entao, a observar essa producao discursiva do lado do campo pedagogico com a finalidade de compreender a construcao de formas de protecao do corpo, que aplica receitas e terapeuticas, cujo objetivo abraca a vigilancia e o controle. Ai esta um tipo especifico de discurso pedagogico que traz tecnicas de gerenciamento do sujeito, sob a mascara da direcao e dos mestres da propagacao de uma midia escolar.

A producao de um jogo imagetico como temos em Uma mao lava a outra incita-nos a pensar que a escola, sob a direcao dos mestres da midia escolar, toma para si o lugar do sujeito, ocupando-se dele e governando-o, ocupando o espaco deixado em aberto pela familia. Esse emaranhado de lugares que se cruzam coloca o corpo em um ringue no qual lutam filhos e pais, alunos e suas instancias de controle. A construcao desse discurso pedagogico que nos ensina como protegermos nosso corpo, eliminando tudo o que considera sujeira, como vermes, bacterias, coloracoes, fuligem, po, graxa, manchas de pele, arrasta-nos a outras margens, trazendo-nos para o lado do discurso cientifico, que se da a ver sob o brasao de praticas educativas.

Emerge, dessa maneira, uma genealogia de condicoes impostas por um controle sobre a vida, sob as luzes de um conceito que engloba a protecao dos corpos contra infeccoes e enfermidades. Se observarmos a materialidade linguistica da musica que acompanha o video, dar-nos-emos conta da criacao de um universo do 'mal', representado pelos pequenos monstros invisiveis e visiveis que trazem a doenca e que precisam ser eliminados. A letra da musica de Antunes diz: "A doenca vai embora junto com a sujeira /Verme, bacteria, mando embora embaixo da torneira/ Agua uma, agua outra". De-se, ainda atencao ao elemento 'agua' que, hoje, para nos simbolo de limpeza, ja foi olhado como propagacao da peste, ao abrir os poros por meio do banho, levando a doenca para dentro do corpo (VIGARELLO, 1985); uma construcao historica acerca da limpeza que vai ao longo dos tempos se deslocando ate inverter-se totalmente. Essa materialidade, assim, nos afirma que o corpo tem seus limites historicos e que sua aparencia pode revelar mecanismos que pertencem a um terreno biossocial.

Portanto, a midia instaura uma forma de controle pedagogico sobre o homem e a populacao, evocando sinais cientificos de uma identidade construida sobre um biopoder que se dissemina sob as imagens e cancoes do mundo infantil. Enfim, um conjunto de enunciados que conduzem "ao desejo de seu proprio corpo atraves de um trabalho insistente, obstinado, meticuloso, que o poder exerceu sobre o corpo das criancas, dos soldados, sobre o corpo sadio" (FOUCAULT, 1985, p. 146).

A lei desse discurso mostra ao mesmo tempo um controle dos sujeitos pelo Estado e uma promocao do cuidado do sujeito consigo proprio. Duas correntes, entao, se entrelacam: o governo do outro, de um lado, e o governo de si, do outro. Poderiamos compreender tal vies a luz do pensamento foucaultiano, trazendo uma "Necessidade de ocupar-se consigo mesmo na medida em que se ha de governar os outros" (FOUCAULT, 2004, p. 56). Dessa maneira, estabelece-se uma regra que esta associada a certo cuidado de si, tomado pelo sujeito como uma coercao das disciplinas constituintes de sua identidade por meio da prova e do exame sobre corpos que precisam ser e continuar sendo uteis nas sociedades, cumprindo o seu papel docil, eficazmente, no seio de regras coletivas. Configurase, assim, uma dupla governamentalidade que trara consigo a elaboracao de uma erotica do sujeito, como veremos a seguir.

Entre o intimo e o social

Acredito que tenha ficado claro que o corpo e investido por dominios de poder e de saber, ou seja, ter o seu corpo dominado por preceitos institucionais ou dominar seu corpo, imprimindolhes marcas singulares, e incluir-se como sujeito. Vivemos, portanto, um corpo que se adapta as moralidades de nosso tempo, necessidades que vem por meio de tecnicas impostas pela sociedade no quadro das resistencias empenhadas pelos sujeitos. Isso me faz repetir mais uma pergunta de Foucault (1985, p. 148), "De que corpo necessita a sociedade atual?" Poderia dizer que o corpo do qual necessitamos e aquele corpo que foge as disciplinas para viver seus prazeres e paixoes. No entanto, tambem sabemos que nao podemos dizer qualquer coisa em qualquer lugar, que nao podemos fazer tudo o que queremos sem seguir os rituais dos lugares e das relacoes entre os sujeitos.

Somos, portanto, sujeitos entre sins e naos. A sequencia de imagens faz contracenar com os autores um leque de produtos de limpeza dispostos sobre um balcao. Ao observarmos os produtos sobre o balcao na frente do garoto propaganda da Bombril e da celebridade representada na figura de Reinaldo Giannechini, constatamos a atencao que e dada a limpeza no que concerne tanto ao olhar quanto ao cheiro. A limpeza, diferentemente do video anterior, nao se liga a pele, mas, aqui, ela se refere as toalhas, as roupas, isto e, aos elementos que cobrem o corpo. Isso amplia o leque de sensacoes corporais desenvolvidas no processo de civilizacao, que insiste nao somente na pureza do corpo, mas tambem no pudor do linho que a cobre. A historia que temos agora e a historia da limpeza e do comportamento, restituindo um novo itinerario para pensarmos o lugar do sujeito e sua identidade.

Constitui-se, assim, "uma pratica social, dando lugar a relacoes interindividuais, a trocas e comunicacoes e ate mesmo a instituicoes" (FOUCAULT, 2004, p. 50). Por um lado, temos a regra: 'seja limpo e cheiroso', estabelecida por disciplinas de conveniencia social aplicadas a instituicoes como a midia e a clinica. Por outro, ao aceitarmos essa regra nos vinculamos a uma disciplina normalizadora, mas tambem comecamos a nos posicionar como o sujeito que se ocupa consigo mesmo na relacao interindividual com as trocas do dia-a-dia.

Sem negar a necessidade que o rigor dos costumes tem em nossas vidas, passamos a exercitar uma arte, a arte da existencia de nos mesmos, tendo cuidados conosco, aplicando-nos a nos proprios. Agora nao estamos somente servindo as normatizacoes pedagogico-midiaticas as quais as criancas foram submetidas no video anterior, estamos buscando o governo de nos mesmos e, parafraseando Foucault (1985), ainda enquanto somos jovens. A juventude marcada pela presenca de Reinaldo Giannechini, que reforca o imaginario do corpo jovem, belo, vigoroso, e a vigilancia exata que se solicita do sujeito. Nao temos, aqui, uma mera gestao do controle da vida: a juventude se apresenta como sinal de eternidade ao lado de seu par, a efemeridade (MILANEZ, 2004).

Essa atitude e essa forma de se comportar desenvolveram-se em procedimentos, praticas e prescricoes que refletem a constituicao da saude, imbricando o discurso estetico e produzindo um tipo de conhecimento que caminha em direcao a elaboracao de um saber sobre o corpo, que o compreende sob dois aspectos: um, a compulsoriedade de um rito de purificacao a qual o sujeito deve se submeter no que tange diretamente a sua pele e ao envelope que o veste; outro, a mobilidade social do corpo que faz ventilar ares de liberdade face as praticas sociais. Vislumbro, pois, que o cuidado de si para si e um forte trabalho entre o intimo do sujeito e seu lugar social.

Controle dos desejos

Nessa propaganda da Bombril, o tipo de pratica discursiva que emerge do enunciado visual e sonoro introduz mudancas de posicoes em relacao ao discurso da limpeza. Volto meu olhar agora para a materialidade linguistica do video. Seus personagens cantam o refrao 'Me aperta, me cheira, me chama de Mon Bijoux'. Procuro compreender qual e o tipo de organizacao desse enunciado, ao seguir os indicios deixados por Foucault (1985, p. 41), escavando "um conjunto decididamente heterogeneo que engloba discursos, instituicoes, organizacoes arquitetonicas, decisoes regulamentares, leis, medidas administrativas, enunciados cientificos, proposicoes filosoficas, morais, filantropicas", ou seja, demarcacoes possiveis para um enunciado compreendido sob a otica da nocao de dispositivo.

'Apertar, cheirar e chamar de' constroem a formacao de um campo que ultrapassa os limites da higiene domestica, atribuindo um valor e uma significacao que deslizam das roupas para o corpo, narrando possibilidades nas relacoes amorosas entre os individuos, regulamentando um lugar para o sexo, abrindo a porta da intimidade e dos desejos do sujeito, atrelada a objetos de desejo que nos remetem a ecos de nossa cultura visual, alavancando imagens que fazem parte de nosso arquivo coletivo, "imagens de lembrancas, as imagens de memoria, as imagens de impressao visual armazenadas pelo individuo" (COURTINE apud MILANEZ, 2006, p. 168).

Portanto, essas imagens do video que traz Giannechini fazem surgir outras imagens sobre ele que colocam em evidencia o corpo. Esse tipo de mecanismo pode ser compreendido por meio da nocao de intericonicidade de Jean-Jacques Courtine (apud MILANEZ, 2006), que coloca em destaque a iconicidade como um dispositivo em rede, ancorando-se em um arquivo de imagens constituidas tantos pelas memorias das imagens externas aos individuos quanto pelas suas memorias internas. A problematizacao recente dessa nocao propicia discussoes sobre a memoria das imagens e sua producao e recepcao por nossos corpos como suportes e interpretes das imagens que fundamentam nossas identidades. Para tanto, basta dar busca em um arquivo de imagens na internet para nos depararmos com inumeras imagens de Gianecchini, sentado ou deitado em poses sensuais, de camiseta ou envolto por toalhas de banho, de sunga, de cueca, seminu coberto por um lencol, entre outras coisas, um arsenal erotico de imagens para mobilizar e agenciar desejos sobre produtos comerciais diversos.

E o que a emergencia desse discurso pode revelar? Vivemos numa sociedade que, ao contrario de camuflar ou mascarar os discursos sobre a sexualidade, precisa falar deles, divulga-los, espalhalos e incita-los. A sexualidade e uma criacao cultural que entende o triangulo corpo-sexo-prazer como um conjunto de enunciados que administram dominios de conhecimento que fazem com que nos reconhecamos como sujeitos de uma sexualidade (FOUCAULT, 2001a, p. 338). Apresentar-se como sujeito nessa posicao implica articular sistemas de regras que coagem nosso modo de vida. O corpo, assim, e o elemento que nos permite criar discursos que falam de nossas necessidades, expondo nossos desejos e emocoes. O controle, nesse caso, nao sera soberano, pois trara a possibilidade do individuo voltar-se para si e praticar-se como sujeito, dando margem para um pequeno exercicio de liberdade, multiplicando o sexo como historia, como significacao e, tambem, como certo tipo de identidade clivado pelo social e pelo historico.

Vigores do corpo fisico e moral

Quando o corpo entra em um jogo de relacoes, como vimos, ele pode estar assujeitado a um saber, passando a ser governado. Pode ser controlado mediante um tipo de governo do sujeito que lhe dirige, mas que apresenta fissuras nas quais o sujeito pode se movimentar. Vamos ver agora de que maneira o corpo pode nao somente resistir, mas ocupar uma posicao libertaria. Basta retomarmos os acontecimentos produzidos em maio de 68, no que se refere ao lugar conquistado pelas mulheres, pelos gays e lesbicas, pelo 'paz e amor' em Woodstock, ou pela firmacao das individualidades por meio do I am what I am cantado nas 'discotecas' nos anos 1970 (MILANEZ, 2007). Nada mais que formas particulares de resistencia, que ampliam um espaco privado que era tido como interdito as esferas do espaco publico.

Entendamos, e claro, que resistencia nao significa apenas dizer nao, pois se trata de um processo transformador do qual o sujeito, por meio de seus deslocamentos de posicao, pode criar e recriar as situacoes nas quais esta envolvido, reconfigurando as estrategias de poder das quais compartilha. Compreendamos, ainda, liberdade, como um tipo de governo de si, uma autoafirmacao do sujeito a partir do momento que vai participando de um exercicio de si para si. E sera esse exercicio constante direcionado a si mesmo que provocara uma pratica de liberdade, visando ao espaco de poder entre todas as relacoes, buscando o bem dos outros e deixando a mostra o prazer do conhecimento que carregamos pela vida afora.

Vejamos nosso corpus de investigacao, o video intitulado Sabedoria de Veterano, cujos enunciados sao constituidos pelas unidades discursivas do corpo em relacao a outra forma do cuidado de si, outra forma de alteridade em relacao aos videos anteriores. A propaganda se inicia com os personagens entrando em um vestiario. Usam uniforme, elemento que caracteriza a formacao de um grupo e nos remete a disciplina constituinte ao esporte, na rigidez de suas regras, com tecnicas e estrategias bem estabelecidas. Esse tipo de disciplina das praticas esportivas cria um efeito de visao energetica do corpo, construindo um campo de forca que acolhe corpos fortes, no vigor da juventude, marcados por musculos e flexibilidade. Diria que e uma ideia perfeita de autogoverno de si. Depois de findo o jogo, para a eliminacao do que consideramos como excesso e para demonstrar o cuidado que se tem de si para si, os personagens vao ao banho como um ritual de purificacao para eliminar as impurezas produzidas pelos humores, que exalam fluidos e cheiros normalmente execrados na convivencia do dia-a dia, exceto no que se refere a erotica dos corpos. Digo isto, pois esta formacao cria um efeito sexualizante nao somente porque os corpos estao nus, mas pelo fato de deixarem transparecer, como rastros a serem investigados, pelos pubianos, contornos, tamanho e massas corporais.

O banho desses corpos erotizados tem um coadjuvante que rouba toda a cena: um sabonete, arma que ao mesmo tempo serve para eliminar a sujeira e mostrar o cuidado que se tem por si, tornando-se o objeto de temor quando cai no chao do banheiro. A memoria coletiva de nossas imagens traz a intericonicidade que faz vir a baila um campo do discurso sexual e de dominacao, relembrando-nos que aquele que pegasse o sabonete caido no chao estaria fadado a passividade do sexo por outro ou outros companheiros com os quais compartilha o banheiro do vestiario. Abaixar-se para pegar o sabonete deixaria a mostra a bunda, o que seria compreendido como um oferecimento, ecoando em uma aceitacao. Quem pegaria, entao, o sabonete? Quem aceitaria acionar a estrategia tabu de um concerto heterossexual compulsorio e punitivo do sexo anal entre homens? A ordem discursiva do quadro disciplinar heterossexual parece precisar ser mantida por todos ali presentes. Nesse momento, a camera focaliza varios rostos apreensivos, assustados, ameacados e ameacadores.

O corpo vigoroso e musculoso, aos poucos, da lugar ao corpo que envelhece. A camera focaliza tres homens como se estivessemos diante de fases da vida depois da juventude: a) um homem ja careca; b) outro calvo na parte de cima da cabeca e com os bracos bem menos musculosos que os esportistas focalizados no inicio do video; c) ate chegar a um homem velho, de ombros caidos e o peito murcho, em contraposicao aos torax bombados dos mais jovens. O mais idoso de todos e que resolve o problema. Tomando banho de chuteira, um homem prevenido (?), pega o sabonete com as agulhas que caracterizam esse tipo de sapato, trazendo o sabonete a sua mao. O personagem solta uma gargalhada. A risada do 'velho' contradiz a fragilidade de seu corpo, se comparado aos corpos estetizados que estavam em destaque, colocando o corpo amadurecido como lugar de memorias que trara um novo acontecimento: a valorizacao do corpo nao mais considerado por seus atributos fisicos, englobando, por outro lado, os aspectos que colocam ao corpo uma moral, nao no sentido moralizante, mas de atributos que caracterizam um modus vivendi, baseado no desejo de acolhimento do outro, apagando as relacoes de poder nas quais se deseja submeter seu 'adversario'. Uma pratica de si que subleva estrategias dominantes e castradoras para focalizar o sujeito como forca plastica criadora.

Resistencias e liberdade do corpo

Temos, portanto, no cenario que configurei, a partir desse ultimo video, pelo menos tres pontos que quero destacar: a questao do sexo como forma de controle, da velhice como pratica libertadora, do investimento contra a morte.

Primeiro ponto: a posicao em torno da sexualidade, como podemos construi-la a partir do enunciado observado, coloca em evidencia o sexo como forma de controle, reafirmando seu tabu, sobretudo do sexo entre homens, e a possibilidade de um aspecto de prazer mantido em segredo sobre os desejos do sujeito. O sexo, assim, instaura novas formas de relacoes, de amor e de criacao (FOUCAULT, 2001b). No caso do sabonete, que escapa das maos e que espera alguem para pega-lo, alia sexo e prazer. Isso revela uma sociedade que ainda nao ultrapassou os limites do corpo para considerar seus prazeres, colocando o corpo como fonte para um unico tipo de prazer, pois toma uma nocao tradicional de prazer ligada aos prazeres fisicos. Tais aspectos indicam a frustrante relacao que se estabelece entre prazer sexual, interdicao e liberdade.

Nessa esteira, o 'velho' da propaganda esta autorizado a subverter as regras do jogo, pois por ter atingido a maturidade ja nao esta mais sujeito a destemperanca do sexo, sabe controlar seus desejos, mostrando dominio de si. A situacao que esse sujeito combate e tomada, portanto, como resistencia em relacao a esse poder sobre o sexo, obrigando-nos a pratica-lo como ordem discursiva numa sociedade trabalhadora e sexualmente ativa. Dessa maneira, o corpo representado pelo 'velho' e fonte de uma possibilidade de prazeres, porque ultrapassa o binomio sexo/prazer e se reconhece como senhor de si na resistencia aos proprios saberes sobre o sexo, que determinam aleatoriamente a identidade de seu povo. Para que haja criacao e preciso, segundo Foucault (2001b, p. 1557), uma "dessexualizacao do prazer", da qual o 'velho' no video parece compartilhar.

Segundo ponto: o enunciado todo coloca em questao o "valor ambiguo ou limitado da velhice" (FOUCAULT, 2004, p. 134). Ao mesmo tempo que ficar velho pode significar ser mais fraco, ter inabilidade de ser ativo, depender dos outros, o discurso que se produz ali e o de sabedoria (justificando-se o titulo do video no youtube), experiencia adquirida e cuidado nao somente com si, mas para com os outros. Temos aqui um tipo de cuidado de si para si que se sonha e se preocupa com o outro, segundo Foucault (2001c), escapando a tecnica de si que busca um autogoverno para liderar o outro. O sujeito velho que se constitui no enunciado em questao, se ocupa tanto de si a ponto de saber seus deveres em relacao ao outro e ao grupo ao qual pertence naquele momento.

O velho, dessa maneira, se torna lugar de tranquilidade, um porto seguro. Isso coloca-nos diante da questao de que caminhar para a velhice seja uma tendencia, o desejo de um anseio, diferentemente de ser objeto de resignacao ou de afronta. Sob esta otica, para Foucault, isto nao quer dizer que devemos desejar ficar velhos, mas que devemos nos preparar para ficar velhos, porque mesmo sendo jovens devemos nos direcionar ao desapego e a completude, como se fossemos alguem que ja tivesse chegado a velhice. Nesse sentido, ser velho nao caracteriza apenas uma ordem cronologica no tempo, nos remete, ao contrario, a uma volta a nos mesmos.

Terceiro ponto: como em cascata, a ideia de viver a vida plenamente antes de atingir o seu fim procura colocar o homem feito sujeito de sua saciedade, ao mesmo tempo completa e perfeita. A organizacao para viver como um velho, aquele que conhece e domina seus prazeres e paixoes, nos leva diretamente a um tabu ainda maior do que o sexo, o tabu da morte (FOUCAULT, 2000b; MILANEZ, 2004). A morte seria, nesse sentido, a propria realizacao da finitude que nos, sujeitos contemporaneos, denegamos tao fortemente, utilizando tecnicas de autocontrole veiculadas pela clinica, desde um creme para rugas ate a cirurgia plastica estetica ou mesmo a pseudociencia midiatica nas reportagens de revistas que reproduzem dietas e ginasticas, ensinando-nos como ocupar-nos com nossos corpos. Enfim, um mecanismo pedagogico sutil para possibilitar o prolongamento de nossas vidas.

Essa ansia pelo desejo da vida ate sua ultima gota reveste, assim, a morte do gozo total por uma pratica ideal de si. A mesma ansia levanta o medo da morte, buscando evita-la a todo custo por meio de praticas de satisfacao consigo proprio. Mais uma vez cito a risada do velho no vestiario ao pegar o sabonete, exemplo de satisfacao por ter um conhecimento que nao estava liberado aos outros mais jovens, fazendoos viver o momento tensamente. A risada e, ainda, momento de liberacao para uma situacao desejada, porem recalcada pelos personagens, pois fugia a ordem pre-estabelecida. Por isso, o enunciado visual nos diz: 'dirija-se a velhice, viva como um velho e sua sabedoria'. Vivamos, entao, nessa direcao, como se estivessemos vivendo sempre o nosso ultimo dia: agora, nao temendo a morte, porque 'hoje e proibido morrer', voltando as cameras para o palco da imortalidade.

Pratica de fim: entre coercoes e liberdades

As reflexoes que proponho, obviamente, podem ser realmente acompanhadas se ouvirmos o intrincamento de dois lugares discursivos, o deste texto como enunciado que tem a sua margem os videos do youtube. Ainda havera o dia em que poderemos unir essas duas instancias enunciativas em um mesmo espaco para o sujeito-leitor? Enquanto andamos nesta direcao de universos discursivos heterotopicos, discutimos o sujeito da maneira como o apreendemos em nossa atualidade, burlando esquemas discursivos, suas/nossas lutas diarias para compreendermo-nos no interior de determinadas praticas discursivas.

As praticas de higiene moveram certo esboco e me deram um percurso para que eu pensasse a civilidade, as convencoes sociais, enfim, o lugar da limpeza como movencia na historia. Sobretudo, busquei compor um breve e pequeno quadro de unidades discursivas que mostram como o corpo pode ser compreendido como formacao de novos discursos, ou seja, acontecimentos discursivos, produzindo saberes ao constituir uma linha genealogica, mesmo que tenue, diante de nossos trabalhos cientificos, destacando o corpo em suas relacoes de poder no ambito da dominacao, da resistencia e de sua libertacao, na medida em que chegamos ao cuidado de si, nao somente direcionado a nos proprios, mas em relacao ao outro.

E, ao finalizar meus apontamentos, reafirmo a posicao de que o sujeito do qual temos falado em nossos trabalhos em Analise do Discurso, e do qual tanto escavo e busco escarafunchar nesse estudo, procura aliar um sujeito do presente com as transformacoes pelas quais estamos passando, se visualizarmos as quebras de fronteiras espacial-geograficas, espaciais discursivas, geograficas e os contornos de um corpo que vao montando nao a historia evidente aos olhos do corpo que temos, mas do corpo de um sujeito por vir. Que enunciados eles nos revelam, a que destino historicamente orientado estaremos fadados? Misterio? Acredito que nao. Basta seguirmos as linhas das unidades e irregularidades que tracam os atalhos e nossas vontades de criar verdades para uma nova vida, nao nos esquecendo de que quem cria a historia sao nossos leves, curtos ou largos passos no solo arqueologico tracado por nos mesmos, face a composicao historica que nos precedeu e nos da possibilidades de criar estradas outras e multiplas.

Received on March 26, 2009. Accepted on May 20, 2009.

Referencias

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DOI: 10.4025/actascilangcult.v31i2.6684

Nilton Milanez

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Title Annotation:texto en portugues
Author:Milanez, Nilton
Publication:Acta Scientiarum Language and Culture (UEM)
Date:Apr 1, 2009
Words:6721
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