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Convergencia e divergencia morfologica nas linguas romanicas e no ingles: os sufixos provenientes de-TIO(NIS).

* RESUMO: Neste estudo, analisa-se a estrutura morfologica das bases verbais e dos sufixos normnalizadores com origem em -TIO, -TIONIS do portugues, espanhol, frances, italiano e ingles, distinguindo as variantes disponiveis para a formacao de novos nomes e as que tem uma configuracao historicamente motivada. A analise tem em conta as dimensoes historicoetimologicas dos sufixos e dos nomes em que ocorrem e discute o contributo de diferentes abordagens teoricas para o funcionamento dos representantes atuais de -TIO, -TIONIS nessas linguas. As configuracoes que o sufixo latino -TIO, -TIONIS apresenta na lingua inglesa e nas linguas romanicas permitem-nos estabelecer uma delimitacao tipologica singular entre (i) portugues, espanhol e italiano, por um lado, e (ii) frances e ingles, por outro. Essa diferenca tipologica podera contomar a assuncao de que as linguas romanicas se regem todas por um mesmo padrao no que toca a configuracao dos seus sufixos e comprovar que os padroes do ingles nao se aplicam necessariamente a outras linguas de circulacao internacional como o espanhol ou o portugues.

* PALAVRAS-CHAVE: Derivacao. Morfologia. Historia da Lingua. Linguas Romanicas. Portugues. Ingles.

* ABSTRACT: This study analyzes the morphological structure of verbal bases and nominalizing suffixes of Portuguese, Spanish, French, Italian, and English which correspond to Latin--TIO, -TIONIS, to distinguish (i) the vafiants which are available for the formation of new names, and (ii) those with a historically motivated configuration. Taking into account the etymological dimension of the the suffixes and/or the names in wtnch they occur, the analysis focuses on the contfibution of different theoretical approaches on the function of the current forms of -TIO, -TION(IS) in these languages. The configurations presented by the Latin suffix--TIO, -TION(IS) in English and Romance languages allow a new typological split: on the one hand, (I) Portuguese, Spanish, and Italian; on the other, (II) French and English. This typologicaI diffference may weaken the assumption that all Romance languages are governed by the same patterns of suffixal delimitation, and may also prove that English derivational guidelines of affixal segmentation do not apply to other languages of international circulation such as Spanish or Portuguese.

* KEYWORDS: Derivation. Morphology. History of language. Romance languages. English.

Morphological convergence and divergence in English and in Romance Ianguages. Suffixes deriving from TIO(NIS).

Pressupostos teorico-metodologicos

Em termos de ancoragem teorica, este trabalho respalda-se numa arquitetura da linguagem alicercada na interface entre teoria morfologica, processamento da linguagem e historia da lingua.

No que a teorizacao morfologica diz respeito, o quadro teorico que serve de referencia a analise aqui expendida e essencialmente o da morfologia construcional, tal como desenvolvida por Corbin (1987), Varela (2005) e Booij (2005, 2007, 2008). No que concerne a descricao historica dos fatos morfologicos considerados, recorremos ao vasto acervo de dados coligidos e interpretados por estudiosos da morfologia, da linguistica historica e romanica, como Malkiel (1970, 1978), Posner (1996) e Klausenburger (2006), respectivamente.

Em relacao ao processamento da linguagem, baseamo-nos essencialmente no pensamento de Jackendoff (2002). De fato, os modelos descritivos ganham em ser explicativos do modo como os falantes armazenam e processam as informacoes morfolexicais que tem na sua gramatica mental. Por isso, a representacao que aqui propomos deve ser tambem a um tempo input-oriented e output-oriented, conjugando as inferencias que os falantes formulam a partir da observacao das palavras de estrutura composita a que estao expostos com os calculos de boa formacao que tem de ser ativados para que os novos produtos tenham uma configuracao conforme com as condicoes de gramaticalidade da lingua. Veremos de que forma o carater mais ou menos (de)composicional ou holistico dos objetos morfologicos em analise estao intimamente relacionados com a sua estrutura morfologica interna, ou seja, com a natureza dos radicais, temas e sufixos envolvidos, e com a percepcao que deles tem os falantes.

Partimos do pressuposto de que uma analise estritamente sincronicista--mais propriamente, em que os dados sao observados na atual sincronia--pode conduzir a uma erronea analise da estrutura interna das palavras, atribuindo, por exemplo, o estatuto de produtos genolexicais a palavras que efetivamente nao o tem, nao obstante o carater composito da sua estrutura (RIO-TORTO, 1998).

A luz destes considerandos, nomes herdados do latim como os que se apresentam no Quadro 1 nao sao considerados palavras derivadas nas linguas sob escopo. Respeitando a origem, a genese e a historia dos recursos morfolexicais em jogo e, ao arrepio do que algumas descricoes atuais propoem, as variantes sufixais eruditas que se mantem nos cultismos que figuram nesse quadro, nao serao aqui consideradas variantes formais dos atuais sufixos disponiveis nas linguas em analise. Trata-se antes, como veremos adiante, de configuracoes hodiernas de formas sufixais latinas que, nas linguas contemporaneas, nao tem estatuto sufixal. (1) Tendo em linha de conta os resultados obtidos em estudos da especialidade (VANNEST; POLK; LEWIS, 2005), e nossa conviccao que o processamento morfologico desses nomes e feito de forma holistica e nao (de) composicional, o que corrobora o seu carater nao construido dentro da lingua atual de acolhimento.

Ja palavras como adoracao (port.), adoracion (esp.), adorazione (it.), adoration (fr.) ou adoration (ing.), cuja genese pode ser diretamente reportavel ao etimo latino ADORATIO, -ONIS, podem tambem ser consideradas palavras derivadas dessas linguas, uma vez que nada impede que, das respectivas bases verbais, possa-se proceder e/ou ter procedido a sua derivacao atraves dos sufixos nelas presentes.

Por via de regra, o espaco morfomico (ARONOFF, 1994) dos verbos cujos nomes aqui analisamos alberga um conjunto diversificado de variantes radicais e/ou tematicas (em portugues, dig-, diz-, diss- para dizer, ou pec-, ped- para pedir), cuja descricao provavelmente nao sera possivel concretizar no seio de um modelo abrangente e absolutamente coeso. Em linguas morfologlcamente ricas como as que estao sob nosso enfoque, o espaco morfomico de cada verbo, que inclui rodas as manifestacoes de base (radicais e/ou temas) necessarias para que o verbo funcione flexionalmente (em portugues, fac-, faz-, fez-, fiz- para fazer) e derivacionalmente (dic- em diccao, fac- em faccao, feit- em feito, feitura), pode acusar um grau de dispersao assinalavel. Como sabemos, em cada caso (de flexao ou de derivacao) e em funcao de condicionalismos morfologicos, alguns dos quais historicamente determinados, sao convocados fragmentos desse espaco morfomico. Seria ideal conseguir congracar, num modelo unico de representacao, as diferentes manifestacoes que esse espaco recorta, em cada lingua, por via da derivacao com sufixos descendentes de -TIO, -TIONIS. Mas a historia de cada lingua, ao fazer perviver marcas de tempos preteritos no presente, nao permite a rasura daquelas, garantindo assim a nao homogeneizacao dos sistemas linguisticos e, por arrastamento, das suas dimensoes culturais.

Sufixos e variantes

Portugues e espanhol

Em portugues e em espanhol, aos temas verbais da primeira, da segunda e da terceira conjugacoes, marcados pelas vogais tematicas -a-, -e- e -i-, podem acoplar-se os sufixos -cao e -cion, respectivamente, para assim formar nomes que denotam a acao, a atividade, o processo, o estado e/ou o resultado do que a base verbal denota. Em portugues, como em espanhol, os sufixos -cao (2) e -cion sao os constituintes atualmente disponiveis para a formacao de novos derivados.

Em ambas as linguas, o sufixo combina-se com o tema verbal, que termina em -a- nos derivados da la conjugacao (devastar, port. devastacao, esp. devastacion) e em -i- nos derivados da 2a (port. render-rendicao, esp. perder-perdicion (3)) e da 3a conjugacoes (fundir, port. fundicao, esp. fundicion).

A base verbal selecionada e a participial, explicando-se assim a presenca da vogal tematica -i- nos derivados de verbos da 2a conjugacao. Os verbos da 2a e da 3a conjugacoes latinas sofreram, na sua evolucao para as linguas romanicas, diversas vicissitudes. Para a 2a conjugacao do portugues, transitaram nao apenas os verbos da segunda conjugacao latina, mas tambem alguns da terceira conjugacao; por seu turno, os verbos da 3a conjugacao portuguesa albergaram os da 4a conjugacao latina e alguns (mormente em -io e -eo) da 3a conjugacao (NUNES, 1989).

Tal como acontece com a correspondente forma portuguesa -(s)sao (opressao, compreensao, adesao), tambem a configuracao espanhola -sion e uma manifestacao da heranca latina na lingua espanhola (LLOYD, 1993). Em todo caso, a consideracao de -(s)sao ou de -sion como variantes alomorficas nao anula a historia das palavras em que ocorrem.

Italiano

Segundo Scalise (1984, 2001), em italiano, coexistem duas configuracoes com origem em -TIONEM:

(i) -zione, que "[...] seleziona il tema verbale hei caso della coniugazione dei verbi regolan" (SCALISE, 2001, p.498) (devastare-devastazione, ripetere-ripetizione e guamire-guamizione);

(ii) o alomorfo -ione, que se acopla a verbos irregulares (persuasione < persuadere) e que seleciona como base o participio passado italiano ou latino (accensu(m)-accensione, do verbo accendere).

Ja para Dardano e Tritione (1997), os deverbais em -zionetem por base verbos de tema em -a- e os em -sione, verbos de tema em -e-. Para esses autores, a variante "[...] -sione [...] comporta un mutamento nella base (la base e constituira dal participio passato o da una forma colta): accendere--accensione; aggredire--aggressione [...]" (DARDANO; TRITIONE, 1997, p.527).

A variante atualmente disponivel e -zione (SCALISE; BISETTO, 2008), acoplando-se ao tema participial de verbos regulares e de configuracao italiana, qualquer que seja a sua classe conjugacional (devastare-devastazione, ripetere ripetizione, guarnire-guarnizione). A investigacao historica mostra que a configuracao -sione apenas ocorre em derivados de constituicao latina e que os derivados em -ione, efetivamente associados a verbos irregulares, ja apareceram atestados em latim, a fazer fe nas fontes etimologicas (CORTELAZZO, 1979; TEKAVCIC, 1980). Com o intuito de reunir, num mesmo esquema descritivo, todas as manifestacoes de cada sufixo, Montermini (2006) propoe uma representacao fonologica unica para o sufixo com uma parte constante (-zione-/-sione-) e subespecificacoes a sua esquerda, a saber, a, i, e, o, u ou soante (r, l, n), que fazem parte do tema. Essas formas estao dispostas hierarquicamente em ordem decrescente em funcao da sua frequencia e, complementarmente, da sua maior ou menor regularidade: -azione- (interrogazione), -izione- (descfizione), -ezione- (correzione), -ozione- (rimozione), -uzione- (introduzione), -rzione- (asserzione), -isione- (espulsione), -nzione- (estinzione).

Essa abordagem, por abarcar todas as manifestacoes de cada sufixo, tem a vantagem de as ordenar em funcao da sua frequencia, ao mesmo tempo que descreve as condicoes de ocorrencia de cada uma. (4) Todavia nao anula o que de essencial fora proposto para o italiano. E embora tenha intencao de refletir a frequencia de uso de cada variante, nao da indicacao de quais sao, em termos de producao, as efetivamente indisponiveis, porque historicamente cristalizadas.

Frances

A situacao do frances e em parte semelhante a do portugues e a do espanhol, mas apresenta singularidades que afastam essa lingua romanica das demais.

Em frances, coexistem as variantes -ation (devaster-devastation), que ocorre com bases verbais da primeira conjugacao, -tion, presente em verbos de tema em -i- (repartir-repartition), e -ition, presente em verbos do tipo perdre-perdition.

A variante -ation, atualmente a unica produtiva, tem uma confguracao distinta da dos sufixos portugues, espanhol e italiano por apresentar uma vogal inicial que estes nao possuem. Como em frances a base de derivacao desses nomes (v.g. memorisation) e o radical dos verbos em -er (v.g. [[memoris].sub.Radical verbal] verbal de memoriser), torna-se necessaria a presenca de uma vogal no inicio do sufixo, que assim assume a configuracao -ation. A opcao por -a- no inicio do sufixo respeita a deriva mais disponivel no latim e nas linguas romanicas, ja que, em todas essas linguas, a classe tematica verbal em -a- e a dominante.

A configuracao -tion apenas esta presente em nomes cujos verbos de base sao de tema em -i- (abolition, demolition, munition, partition, punition), muitos dos quais podem ter origem num processo derivacional latino, como atestam os dicionarios etimologicos do frances (GAFFIOT, 2000). Nao e, pois, linear que, em frances, -tion seja encaravel como uma variante disponivel que selecione temas verbais da 3a conjugacao.

A configuracao -ition, a semelhanca do que se verifica com o sufixo italiano -ione, ocorre apenas em derivados atestados em latim (perdition < PERDITIO).

As bases dos derivados em -ession sao verbos "[...] d'origine latine dont le segment apparement basique est -prim(er)" (CORBIN, 1987, p.151), como comprimer, deprimer, exprimer, opprimer, supprimer, que se nominalizam em -ession. Formas como agression, que essa autora correlaciona com verbos terminados em -ess (agresser), estao atestadas em latim, logo sao historicamente explicaveis.

As analises que nao tem em conta a evolucao historica da lingua francesa apontam para a existencia de um ou de varios sufixos, a saber -ion (KERLEROUX, 2005), -ation (CORBIN, 1987) e/ou -(t)ion (DI-LILLO, 1983). Ja um comparatista como Meyer-Lubke (1895) regista que, em frances antigo, coexistem -aison (conjugaison, inclinaison, semaison, tondaison) e -ison (confondison) e que as formulacoes viriam a ser substituidas pelas latinizadas -azione e -ation. (5)

Kerleroux (2005), ao analisar as condicoes de ocorrencia do sufixo -ion, defende a postulacao de "extra stems" Xat- (denvat-, nidificat-) nao manifestados na flexao, mas visiveis em derivados corno derivat-ion, nidificat-ion. Segundo essa especialista em morfologia do frances, a grande vantagem dessa formulacao, que transfere para a morfologia derivacional o conceito arronoffiano de morfoma, consiste no fato de o tema formado por adjuncao de -at ser comum a nomes deverbais sufixados, como agregat-ion, alternat-if, attentat-oire, correlat-ion, correlat-if, format-eur, supplet-if, e a nomes pos-verbais nao sufixados, porque formados por conversao, como agregat, alternat, attentat, correlat. Desse modo, evita-se a proliferacao de temas verbais bastante diversos nos verbos de padrao menos regular, com consequente sobrecarga em termos de memorizacao dos mesmos. Nesse modelo, apenas o que e verdadeiramente supletivo (v.g. conduction) tem necessidade de ser memorizado ad hoc. Por certo, o espaco tematico dos verbos franceses (e das respectivas bases verbais) alberga um conjunto diversificado de variantes tematicas, cuja descricao a autora mencionada nao se propunha levar a cabo. Por isso seria interessante saber de que modo esta concebe os demais derivados em -ion em cuja base nao e possivel conjecturar uma estrutura Xat-, como dispers-ion, e como os integraria ao modelo que propoe. 7

Relativamente a possibilidade de se propor uma "extra stem" de tipo Xat-para os derivados em analise e supostamente tambem a todos os congeneres nas linguas sob escopo, importa sublinhar o seguinte: em primeiro lugar, ao conceito de morfoma, tal corno concebido por Aronoff (1994), nao esta associada qualquer informacao semantica, sendo, portanto, um constructo formal concebido no alheamento desta. Nada impede que, perante estruturas como adversativo, nominativo, acusativo, vocativo, proibitivo, conceba-se uma estrutura morfomica, terminada em -VOGAL (a/i)T-, a que se associaria o sufixo -iv-, para a formacao de adjetivos. Importa dizer que um morfoma deste/do tipo sugerido para o frances nao se aplica aos dados equivalentes do portugues, como se comprova por meio dos pares afirmativo, afirmacao, proibitivo, proibicao, reprodutivo, reproducao.

Em todo o caso, resta saber--e faltam estudos a esse respeito aplicados ao portugues--em que medida uma estrutura morfomica daquele tipo estaria mais em consonancia com o saber interiorizado dos falantes sobre as unidades morfolexicais e, portanto, em que medida essa solucao reflete melhor, ou nao, o modo de processamento desses dados por parte dos utentes comuns da lingua, quando operam com palavras do tipo olfativo, interpretativo, reprodutivo, transitivo, proibitivo, televisivo. Por certo, em palavras como essas a que os falantes estao expostos com relativa facilidade, o processamento e feito de forma (de)composicional, sendo possivel, portanto, reconhecer-se o sufixo e a base, independentemente da estrutura que seja a esta associada. Ja em relacao a palavras de tipo mais erudito, como adversativo, nominativo, vocativo, solucao, peticao, parece mais plausivel que o seu processamento seja mais holistico do que (de)composicional, dado que a generalidade dos falantes nao tem conhecimentos relativos a historia da sua lingua que possam, de alguma forma, orientar o modo como procedem a (des)construcao dessas palavras. Esse e um aspecto sobre o qual nos debrucamos em trabalho em elaboracao.

Ingles

Segundo Aronoff (1985), em ingles, coexistem a configuracao -ation (humanize-humanization), sem restricoes de aplicacao, e as variantes -ion (rebel-rebelhon) e -tion (redeem-redemption), que ocorrem em nomes cujas bases tem origem latina terminadas, respectivamente, em som [+coronal] e [-coronal].

A configuracao atualmente disponivel na derivacao inglesa (BAUER, 1987; BIBER, 1999; QUIRK, 1985) e -ation (reahze-reahzation; imagme-imagination).

Tal corno em frances, tambem em ingles o sufixo adquire uma configuracao de certo modo analogica, pois nele esta presente uma vogal -a- cuja genese nao e determinada pela morfologia interna dos constituintes em presenca. A pressao do paradigma noviiatino em -a- faz com que a configuracao adotada pela lingua inglesa seja -ation. Alias, o carater internacional da sufixacao em portugues -izar e em ingles -ize, ou em portugues -ificar e em ingles -ify nao faria esperar outra solucao que nao essa. Mas um fato historico ajuda a explicar a feicao novilatina do sufixo -TIO- em ingles. A lingua inglesa sofreu, na Idade Media--o chamado Middle English (1150-1470)--, forte influencia do frances medieval (BILYNSKA, 2007), tendo entao acolhido numerosas unidades lexicais deverbais em -ment (amerceement) e em -ation (administration), o que explica a permanencia da configuracao anglo-normanda deste ultimo sufixo no ingles contemporaneo.

As formas sufixais -ion e -tion refletem um processo de formacao de palavras latino e nao ingles. Nessa medida, as variantes -ion e -tion aproximam-se tipologicamente das variantes -sao (port.), -sion (esp.), -ione (it.), resultantes da evolucao historica do latim para as linguas romanicas.

As linguas inglesa e francesa assemelham-se por terem como configuracao mais disponivel um sufixo iniciado por vogal: -ation (fr. presenter-presentation, ingl. present-presentation). Nas demais linguas romanicas, este -a- faz parte da base verbal. A inexistencia de vogal tematica em ingles (install-installation) e o fato de a sequencia -ation ser muito representada desde o latim explicam que, por defeito, seja esta a selecionada.

Sintese

Os sufixos romanicos e ingles com origem em -TIO, -TIONIS que se encontram atualmente disponiveis tem como conflguracoes -cao (port.), -cion (esp.), -zione (it.), -ation (fr.) e -ation (ing.). Os exemplos seguintes mostram os verbos e os nomes deles derivados em que estes sufixos ocorrem.
(i) espanhol:      instalar-instalacion      realizar-realizacion
(ii) italiano:     installare-intallazione   realizzare-realizzazione
(iii) portugues:   instalar-instalacao       realizar-realizacao
(iv) frances:      installer-installation    realiser-realisation
(v) ingles:        install-installation      realize-realization


Os sufixos portugues, espanhol e italiano sao iniciados por consoante e selecionam temas verbais.

As linguas inglesa e francesa apresentam, ao contrario das restantes, um sufixo iniciado por vogal: -ation. Essa configuracao do sufixo e historica e sincronicamente justificavel. Muitos dos derivados latinos em -TIO, -TIONIS sao antecedidos pela vogal -a-. Sincronicamente, a presenca da vogal deve-se ao fato de estes sufixos selecionarem radicais verbais.

Estrutura da base

As bases selecionadas pelos sufixos--cao (port.), -cion (esp.) e--zione (it.) tem configuracao morfologica diversa das selecionadas por--ation (fr.) e por--ation (ing.).

Em latim, a base de--TIO, -TIONIS era o tema verbal do supino; nas linguas romanicas em analise (portugues, espanhole italiano), o sufixo cognato seleciona o tema participial (MONTERMINI, 2006).

O frances e o ingles apresentam como bases radicais verbais. A ausencia de vogal tematica em ingles e motivacoes historicas e analogicas para o frances explicam o fato de os/estes sufixos frances e ingles serem iniciados pela vogal -a-.

Portugues, espanhol e italiano

Os sufixos--cao (port.), -cion (esp.) e--zione (it.) selecionam temas verbais, sendo a conjugacao mais representada a de tema em -a-.

Sao escassos os nomes que tenham por base verbos da 2a conjugacao. Se se considerar que rendicao (port.), rendicion (esp.), perdicion (esp.), perdizione (it.), repeticao (port.), repeticion (esp.) e ripetizione (it.) podem ter origem latina (< REDDITIO, -ONIS; < PERDITIO, -ONIS; < REPETITIO, -ONIS), fica diminuida a possibilidade de se encontrarem derivados em--cao, -cion e--zione que tenham por base verbos da 2a conjugacao nas respectivas linguas. A presenca de -i- nos nomes derivados de verbos da 2a conjugacao deve-se ao supino latino que o sufixo -TIO, -TIONIS tomava como base.

A escassez de derivados romanicos de verbos de tema em -e- tem uma explicacao historica e sincronica. E que ja "En latin solo eran productivas dos conjugaciones, la del tipo amare y la del tipo audire" (ALVAR; POTTIER, 1993, p. 172), o que se repercute igualmente nas linguas romanicas sob escopo.

Um outro fator da fundamento acrescido a escassa representacao de nomes deverbais em -cao que tomem por base temas da segunda conjugacao. Em portugues (RIO-TORTO, 2004), os verbos em -ec- sao os mais produtivos da 2a conjugacao; estes bem corno os em -ej- da primeira conjugacao apenas sao compativeis com -mento (escurecimento, travejamento), sendo resistentes a selecao de--cae (*escurececao, *travejacao). Essa restricao de selecao explica, por conseguinte, a mitigada derivacao de nomes em--cao a partir de bases verbais de tema em -e-.

A 3a conjugacao e mais receptiva a afixacao de -cao (port.), -cion (esp.) e -zione (it).

Os dados presentes no Quadro 2 ilustram a realidade acima descrita.

Frances e ingles

Ao contrario do que se verifica nas linguas do eixo portugues-espanholitaliano, na lingua francesa, o sufixo--ation seleciona radicais verbais (facilit(er)-facilitation), como se atesta nos dados do Quadro 3. A incorporacao da.vogal -a- na fronteira inicial do sufixo assegura a semelhanca paradigmatica do frances com as demais linguas romanicas.

Em relacao aos verbos franceses de tema em -i-, fica por esclarecer se a base selecionada e o tema, tendo entao o sufixo a configuracao - tion, ou o radical; nesse caso o sufixo seria -ition.

Um dado aduzido por Meyer-Lubke (1895) leva-nos a admitir que, na base dos derivados desse tipo, possa ter estado o radical. Afirma o autor que, no frances antigo, regista-se nourresson (de nourrir), e que esta formulacao viria a ser substituida no frances moderno por nourisson. A ser assim, a presenca desta vogal -e- em derivados de verbos de tema em -i-, como nourrirou pourrir (frances antigo: pourresson), nao pode ser explicada por influencia do sufixo, levando a admitir que, tal como em pourriture, ela tera mais a ver com a base, que assim seria um tema e nao um radical verbal. Na falta de outros dados, a solucao registada no quadro seguinte e esta.

Em ingles a base derivacional do sufixo--ation e um radical. Assim acontece nos numerosos verbos (de paradigma regular) terminados em--ize (legalizelegalization), e bem assim nos verbos terminados em O do tipo motive-motivation, imagine-imagination.

Na ausencia de vogal tematica, o sufixo selecciona um radical (legaliz-), e apresenta na sua fronteira inicial a vogal -a-.

Como se verifica identico comportamento em frances, o sufixo apresenta-se com a mesma configuracao (-ation (fr., ing.)) nas duas linguas.

Semelhancas e dissemelhancas entre as linguas (6)

A comparacao entre as linguas romanicas aqui tidas em conta e a lingua inglesa mostra que aquelas nao constituem um conjunto homogeneo, revelando antes a existencia de um gradiente constituido pelo grupo (i) portugues-espanholitaliano e pelo grupo (ii) frances e ingles.

Essas semelhancas e diferencas fazem-se sentir na configuracao dos sufixos representantes de -TIO, -TIONIS, como se observou anteriormente, e na configuracao morfologica das bases.

Aspectos morfologicos

A diferenca tipolOgica entre as linguas sob escopo assenta na estrutura do sufixo e na da base por este selecionada, sendo possivel reunir essas linguas em dois grupos distintos.

Num primeiro grupo incluem-se o espanhol, o italiano e o portugues. Os sufixos e as bases dessas linguas nao apresentam mudancas estruturais em relacao ao latim. As bases, tal como as latinas, sao temas verbais, e os sufixos--cao (port.), -cion (esp.) e--zione (ital.) iniciam-se por uma consoante (Quadro 4).

O segundo grupo e constituido pelo frances e pelo ingles. As bases sao radicais verbais (fr. devast-, em devastation, ingl. humaniz-, em humanization), e o sufixo -ation (do frances e do ingles) e iniciado por vogal (Quadro 4). Essa vogal e identica a que, num elevado numero de casos, antecedia o sufixo latino.

Um dos poucos aspectos comuns as cinco linguas reside no fato de todas apresentarem fricatizacao da consoante inicial do sufixo latino (que de [-continua] e [-soante] passa a [+continua] e [+ o -]soante]), ainda que o ingles e o frances a tenham feito anteceder por uma vogal.

Como Meier (1943) e Posner (1996) amplamente evidenciam, nao obstante a familiaridade linguistica que as une, as linguas romanicas configuram um todo heterogeneo, sob diferentes pontos de vista, podendo sempre reunir diferentes linguas e constituir novos subconjuntos com uma composicao bastante diversa, em funcao de criterios de natureza fonologica, morfologica e/ou sintatica. Aspectos ha que singularizam uma lingua relativamente as demais, e e possivel encontrar-se outros que sustentam subconjuntos numericamente variaveis e de regioes nem sempre contiguas. A centralidade ou a perifericidade de cada lingua romanica, ou dos subconjuntos interlinguas descritivamente formados, variam em funcao dos parametros invocados.

O denominador comum registado entre as linguas ibericas e a italiana, por um lado, e o frances e o ingles, por outro, sendo de natureza morfolexical, tem origem nas diferentes solucoes fonicas que as linguas gaulesa e inglesa apresentam no padrao regular dos seus temas verbais. Nas linguas espanhola, italiana e portuguesa, a vogal tematica dos verbos de base mantem-se nos derivados nominais portadores dos representantes atuais de--TIO(NIS). Pelo contrario, no frances e no ingles, os representantes hodiernos de--TIO(NIS) apresentam a forma -ation, acoplando-se em ambas as linguas a radicais verbais. Fica, assim explicada, a dicotomia "convergencia e divergencia" que figura no titulo.

Aspectos fonicos

Aparentemente, nao sera facil encontrar grandes volumes de dados que igualizem as linguas inglesa e francesa, com geneses e substratos tao diversos, por contraste com as demais linguas romanicas sob escopo.

Mas o continuum entre portugues, espanhol e italiano, por um lado, e frances e ingles, por outro, encontra paralelo com um aspecto da estrutura fonica das linguas em mencao, que selecionamos porque representativo de um percurso homologo ao que assinalamos em termos morfoderivacionais.

A evolucao dos grupos latinos PL--e CL--em posicao inicial nas diferentes linguas (Quadro 5) espelha o mesmo tipo de denominador comum as linguas ibericas e italiana, que apresentam diferentes graus de palatalizacao (confira a iodizacao presente em italiano), em contraste com o frances (e tambem o provencal e o catalao), que preserva as configuracoes mais matriciais, conjuntamente com o ingles, ainda que neste tal aconteca por razoes diferentes. Com efeito, na lingua inglesa, as configuracoes registadas no Quadro 5 sao devidas a uma influencia direta do frances antigo, e nao a uma origem genetica latina. O radical de plenty (a que corresponde o anglo-saxonico full) e o mesmo do frances plenitude e do latim PLENITAS, este mesmo ja construido a partir do radical adjectival PLEN-. Por isso se assinala no Quadro 5 que plenty e claim nao sao diretamente procedentes do latim. Acresce que, em ingles, (to) claim significa em primeira mao sustentar, argumentar, e so depois chamar ou clamar, e, em frances, para chamar o verbo mais usado e appeler, pois clamer denota (re)clamar.

Assim, enquanto as linguas ibericas e italiana apresentam solucoes que envolvem diferentes graus de palatalizacao, o frances e o ingles, quando adotam palavras de origem novilatina, optam pela preservacao dos grupos consonanticos PL--e CL-. Esse e, pois, um aspecto que corrobora a perifericidade do frances assinalada por Posner (1996) no conjunto das linguas romanicas, por contraste com a maior prototipicidade do italiano seguido, num registo de "parecenca de familia", pelas linguas ibericas.

Balanco final

As diferencas tipologicas assinaladas entre os dois conjuntos de linguas-(i) frances e ingles; (ii) espanhol, italiano e portugues--revelam-se de enorme alcance em termos da arquitetura dos dois conjuntos idiomaticos delimitados. Assim e porque:

* as dimensoes exploradas incidem sobre um aspecto nuclear da estrutura das linguas--a morfologia interna dos verbos e dos nomes deverbais-;

* os paradigmas envolvidos sao muito produtivos na atualidade, em grande parte devido a enorme disponibilidade de--iser (fr.), de--ize (ingl.), de--izar (port) e de -izzare (it.), que reforcara as derivas registadas.

A visao que aqui propomos nao intenta estabelecer demarcacoes estanques entre a base e os sufixos, mas procura descrever, com respeito pelos paradigmas historicos das linguas e pelo modo como se faz o processamento das suas unidades morfolexicais, as regularidades que, no ambito das classes morfologicas envolvidas, regem as combinatorias entre bases verbais e os sufixos que se lhes acoplam.

Uma analise que inclua no mesmo conjunto todos os deverbais em--ion (fr., ingl., ital.), em--ion (esp.) e em--c/s-ao (port.) conduziria certamente a uma visao mais global do acervo lexical de cada lingua, seja herdado e/ou importado, ou nao. Resta avaliar, tambem em termos de processamento linguistico, se o grau de formalismo e de abstracao necessarios seriam mais explicativos.

No cerne da questao estao, em nosso entender, diferentes concepcoes teoricas e metodologicas do objeto de analise, que nao sao incompativeis entre si. Uma, de base morfologica, que prioriza a estrutura morfologica (radical, tema) das bases verbais envolvidas e que, ao mesmo tempo, nao descura a importancia que o legado latino tem na atual configuracao morfolexical das linguas em analise, indo, assim, ao encontro do modo de processamento das unidades morfolexicais. Outra, de base morfomica, constroi formalismos abstratos que pretendem explicar o maior numero possivel de fatos correlacionados, mesmo que para tal nao atente na natureza herdada/importada ou autoctone e construida dos mesmos.

Em ultima instancia, poderiamos considerar que, em todos os verbos dos paradigmas regulares de cada uma das linguas mencionadas, sejam as linguas romanicas ou o ingles, atua um morfoma--ATION (nao equivalente a um qualquer sufixo), que assim estaria presente na formacao das nominalizacoes deverbais de tipo nao erudito. Dessa forma, todos os nomes deverbais regulares apresentariam um morfoma--ATION, que faz jus ao modelo latino mais representado, ja entao com a mesma configuracao. Todavia uma representacao desse tipo nao respeita a estrutura morfologica dos itens lexicais envolvidos e o modo de processamento dos mesmos, seja em termos de producao, seja em termos de compreensao. Acresce que nao e inclusiva dos muitos nomes eruditos em--SION que as linguas possuem (confira port. expulsao, intromissao, recessao), e que muito provavelmente sao objeto de um tratamento holistico por parte dos falantes que nao tem conhecimentos sobre a historia da lingua que lhe permitam fazer uma descricao tecnicamente mais criteriosa.

Conjugando (i) as hipoteses formuladas sobre o modo de processamento decomposicional de palavras de estrutura regular (port. administracao, legislacao), e das que sao holisticamente tratadas (port. confusao, peticao, repressao, solucao, sujeicao), porque importadas e/ou morfologicamente opacas, com (ii) os dados disponiveis sobre a historia e a morfologia dos derivados em analise e com (iii) a conviccao de que os modelos explicativos nao perdem incisividade pelo fato de, de forma iconica, reproduzirem o modo como os falantes percepcionam e usam os dados linguisticos, consideramos que o utilizador da lingua ganha em ter consciencia de que:

* processo de construcao de um nome desse tipo faz-se com recurso a uma base de tipo radical ou tema, consoante a lingua, e o sufixo tem diferentes configuracoes, em funcao do tipo de base;

* processo que envolve--cion (esp.), -zione (it), -cao (port), e--ation (fr. e ingl.) verifica-se com os verbos de padrao regular, que concomitantemente sao os mais representados;

* todas as demais variantes, em cada lingua, se bem que relacionaveis com a estrutura formal das suas bases, tem uma explicacao historica e nao estao disponiveis para a producao de novos derivados, sendo a sua memorizacao impositiva. Tudo leva a crer que, nesses casos, o processamento dos nomes se faca de forma holfstica, e nao (de)composicional.

Por certo uma descricao de base morfologica, complementada com o conhecimento mais formal(izado) em termos morfomicos, afigura-se com uma capacidade explicativa acrescida, no tocante a estrutura da lingua, a sua historia e ao modo de processamento das unidades lexicais.

Agradecimentos

Desejo exprimir os meus agradecimentos aos pareceristas anonimos pela leitura critica deste texto. Um agradecimento e devido a Ana Barbosa, pelo frutuoso dialogo na elaboracao de uma antiga versao deste artigo. Os erros e imprecisoes desta nova versao sao da minha exclusiva responsabilidade.

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Recebido em fevereiro de 2010.

Aprovado em maio de 2010.

(1) Para o portugues, Carolina Michaeelis de Vasconcelos (1916) apresenta como variantes de -cao, -ao, -xao, -chao, -sao, -ssao e -zao, sem se pronunciar sobre o estatuto historico e/ou funcional de cada uma.

(2) Ja Piei (1940, p. 230) afirma que "Como sufixo produtivo temos hoje apenas -cao [...] ao passo que -sao se encontra apenas em latinismos que refletem diretamente palavras latinas em -SIO, -SIONE", nao podendo, por isso, ser considerados produtos denvacionais do portugues

(3) Exemplo retirado de Santiago Lacuesta e Bustos Gisbert (1999) Adiante se menciona que, em portugues, os verbos em -ecer e em -escer sao os unicos disponiveis da segunda conjugacao para a producao de novos derivados e apenas admitem combinar-se com -mento (amarelecimento, rejuvenescimento), rejeitando -cao

(4) Modestamente, o autor reconhece que "[...] la hierarchie proposee n 'a aucune valeur explicative en sei; le fait de dite que [atsjone] est la variante par defaut du suffixe est une simple constatation. [...]Ce qui est important, donc, ce n 'est pas tellement la valeur descriptive du schema (qui prend en compte quand meme toutes les possibilities attestees en italien), mais plutot le fait de recennaitre que les suffixes possedent structuralement des variantes allomorphiques, et que celles ci sont ordonnees hierarchiquement." (MONTERMINI, 2006, p 302)

(5) Sobre as aportacoes que a histona pode facultar acerca do estatuto de -tion, ver adiante

(6) Sao as seguintes as marcas dos paradigmas da conjugacao verbal em latim e em diferentes linguas romanicas. Nos dados que se seguem ' precede vogal breve e o marca a inexistencia de representantes; os verbos latinos em 'ERE transitaram para a 2a (VENDER-vende) OU para a 3a conjugacoes (PETERE-pedir) em portugues e em espanhol

(I) Latim -ARE : italiano--are, frances--er, espanhol e portugues--ar

(II) Latim -ERE : italiano -ere, frances--oir, espanhol e portugues--er

(III) Latim --'ERE : italiano -'ere, frances -'ere, espanhol e portugues o

(IV) Latim -REE : italiano ire, frances-ire, espanhol e portugues--ir

Graca Rio-Torto, UC--Universidade de Coimbra. Centro de Estudos de Linguistica Geral e Aplicada--Faculdade de Letras-- Departamento de Linguas, Literaturas e Culturas Coimbra--Portugal. 3004-530--gracart@gmail.com
Quadro 1--Nomes herdados do latim.

latim              portugues   espanhol    italiano

OPPRESSIO, -ONIS   opressao    opresion   oppressione
ADHAESIO, -ONIS     Adesao     adhesion    adesione

latim               frances     ingles

OPPRESSIO, -ONIS   opression   opression
ADHAESIO, -ONIS    adhesion    adhesion

Quadro 2--Distribuicao dos sufixos -cao (port), -cion (esp), -zione
(it.) e -ation (fr.) pelas classes conjugacionais verbais mais
representativas.

                1.a conjugacao              3.a conjugacao

portugues    devastar     devastacao      fundir       fundicao
espanhol     devastar     devastacion     fundir      fundicion
italiano    devastare    devastazione    guarnire    guarnizione
            manipolare   manipolazione   ripartire   ripartizione

Quadro 3 -Distribuicao dos sufixos -cao (port.), -cion (esp),
-zione (it.) e -(a)tion (fr.) pelas duas classes conjugacionais
verbais mais representativas.

            Verbos da 1a conjugacao       Temas verbais em -i- e
Linguas     e respectivos derivados       respectivos derivados

portugues   realizar     realiza-cao      fundir     fundi-cao
espanhol    realizar     realiza-cion     fundir     fundi-cion
italiano    realizzare   realizaa-zione   guarnire   guami-zione
frances     realiser     realis-ation     repartir   reparti-tion

Quadro 4--Classes de base e sufixos.

                    Base: classe
        Linguas     morfologica    Base verbal   Sufixo

(I)     espanhol    TEMA           realiza-      -cion
        italiano                   realizza-     -zione
        portugues                  realiza-      -cao

(II)    frances     RADICAL        realis-       -ation
        ingles                     realis-       -ation

Quadro 5--Manifestacao dos grupos latinos PL- e CL- nas
linguas romanicas e tambem--indiretamente--em ingles.

Latim                PL- (PLENU-)           CL- (CLAMARE)

portugues            cheio                  chamar

espanhol             lleno                  llamar

italiano             pieno                  chiamare

frances              plein                  clamer

ingles (por          plenty (nao
influencia           diretamente            chim (nao diretamente
do frances antigo)   procedente do latim)   procedente do latim)

Fonte: Lausberg (1981, p.178-179).
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Title Annotation:ARTIGOS ORIGINAIS
Author:Rio-Torto, Graca
Publication:Alfa: Revista de Linguistica
Date:Jan 1, 2011
Words:7402
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