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Construcao e evidencias psicometricas de uma escala de avaliacao da percepcao visual.

Resumo

Este estudo teve como objetivo construir e conhecer os parametros psicomtricos de um instrumento para analise da percepcao visual de adultos. Para a construcao da escala participaram 295 adultos saudaveis, sem deficits cognitivos ou perceptivo-visuais. Nesta etapa foi formulada uma escala tetrafatofial constituida por 20 itens que avaliam quatro dimensoes referentes a percepcao visual: constancia da forma, figura-fundo, posicao e relacao espacial. Para obter evidencias de validade foi utilizada uma amostra de 183 voluntarios com boa saude fisica e mental e acuidade visual normal ou corrigida. Os dados obtidos relatam a existencia de concordancia interjuizes, adequacao semantica e significancia no teste-reteste do instrumento. Os coeficientes de fidedignidade variaram de 0,84 a 0,93. Os quatro fatores esperados foram encontrados, cada um contendo 5 itens, ejuntos explicaram 57,52% da variancia do constructo. O instrumento apresentou parametros psicometricos adequados, o que pode justificar sua utilidade em pesquisas basicas e na pratica clinica.

Palavras-chave: Percepcao visual, avaliacao psicologica, adultos.

Abstract

The main objective of this study was to develop and examine the psychometric parameters of an instrument used to evaluate adults' visual perception. The basic assumption was that visual perception includes constancy of form, figure-ground, position and spatial relation. A 4-factor solution was expected. Respondents were 183 healthy adults without cognitive or visual perception impairment. In the instrument it was possible to establish the existence of inter-judges agreement, semantic adequacy and test-retest significance. The reliability coefficients ranged from 0.84 to 0.93. The four expected factors were found, each one containing 5 items. This solution accounted for 57.52% of the construct variance indicating that the instrument has good psychometric parameters, which suggests its applicability in scientific research and clinical practice.

Keywords: Visual perception, psychological evaluation, adults.

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Construction and Psychometric Evidences of a Visual Perception Scale

O homem, como um organismo visualmente sensitivo, tem grande parte de suas atividades sob o controle direto da visao, o que lhe possibilita uma interacao dinamica com o ambiente. Nessa interacao, a busca por informacoes que lhe permitem o controle adequado de suas acoes reflete o seu envolvimento com o meio e indica a relevancia de concatenar a percepcao-acao no desenvolvimento de sua identidade. Quanto mais essa relacao se aprimora, comportamentos mais compativeis com suas metas podem ser observados (Oliveira & Rodrigues, 2005).

A reducao da capacidade visual implica no detrimento da qualidade de vida decorrente de restricoes ocupacionais, economicas, sociais e psicologicas. Para a sociedade, representa encargo oneroso e perda de forca de trabalho. Deve-se ressaltar, portanto, a necessidade de implementar programas de deteccao de disturbios perceptivo-visuais na pratica clinica, uma vez que os custos dessas acoes sao incomparavelmente menores do que aqueles representados pelo atendimento a portadores de disturbios oculares e cognitivos (Granzoto, Ostermann, Brum, Pereira & Granzoto, 2003).

Luria (1987) descreve a percepcao visual como um processo ativo de procura de informacao. A estrutura percebida e analisada, havendo uma sintese dos seus componentes com o auxilio da linguagem. Segundo Forgus (1971), o desenvolvimento da percepcao visual e um pre-requisito para a adequada conduta do individuo com o seu ambiente.

Em referencia a este desenvolvimento, Frostig e Muller (1986) constataram que, em condicoes favoraveis, ele e caracterizado por um complexo de habilidades e funcoes diferentes e relativamente independentes umas das outras. Estes pesquisadores desenvolveram mecanismos para analisar mais consistentemente a percepcao, considerando o desenvolvimento de cinco areas perceptivas: percepcao viso-motora, figura-fundo, posicao no espaco, relacoes espaciais e constancia da forma.

Seguindo essa proposta de areas perceptivas, varias escalas analisam o desenvolvimento da percepcao visuai, principalmente em criancas. Na decada de 60, Marianne Frostig (1964) elaborou o DTVP (Developmental Test of Visual Perception), o qual foi aplicado em mais de 6 milhoes de criancas de 4 a 6 anos nos Estados Unidos. Este instrumento analisa cinco categorias da percepcao visual: coordenacao visuo-motora, figura-fundo, constancia da forma, posicao e relacao espacial (Deliberato, 2000).

Posteriormente, Hammill, Pearson e Voress (1993) revisaram o DTVP e construiram uma nova versao do instrumento, o DTVP-2, o qual foi aplicado em 1.972 criancas americanas de 6 a 10 anos. Alem de apresentar algumas alteracoes do instrumento original desenvolvido por Frostig (1964), o DTVP 2 substitui o parametro coordenacao visuo-motora pela categoria oculo-motora. Este grupo e assim nominado por estar mais de acordo com as modalidades abarcadas na tarefa do que com o tipo de percepcao visual envolvida. Este instrumento apresenta adequada confiabilidade e evidencias de validade testada por varios estudos (Kaiser, Albaret & Doudin, 2009; Moryosef-Ittah & Hinojosa, 2006).

Tanto o DTVP quanto o DTVP-2 foram desenvolvidos na lingua inglesa o que, em certa medida, exige maior adequacao para amostras cuja lingua materna seja outra, como e o caso da populacao brasileira. Contudo, ha um instrumento relacionado a avaliacao da percepcao visual que, embora tenha sido elaborado na Europa, foi construido em lingua portuguesa. O Programa de Treinamento da Percepcao Visual (PTVP), desenvolvido por Dias e Chaves (2000a), e um instrumento com recursos de imagem destinado a criancas com idades entre 6 e 9 anos com deficiencia de aprendizagem e disturbios da percepcao visual. Este programa foi aplicado em varios estudos envolvendo escolares e apresentou resultados consistentes com a estimulacao de padroes perceptivovisuais minorados e associados com deficits de aprendizagem. As criancas submetidas ao programa, quando comparadas ao grupo controle, apresentaram evolucao em varias dimensoes, tais como melhora na coordenacao oculo-manual, capacidade de copia e percepcao de objetos com variadas formas, identificacao de figura-fundo, orientacao de posicao e relacoes espaciais bem como da velocidade visual motora e da capacidade de fechamento visual (Dias, 2009; Dias & Chaves 2000b, 2001).

Para avaliacao da percepcao visual de adultos, destacam-se testes como o DTVP-A (Developmental Test of Visual Perception -- Adolescent and Adult), desenvolvido por Reynolds, Pearson e Voress (2002), que se baseia nos principios do DTVP classico, elaborado por Frostig (1964). O DTVP-A e composto por uma bateria de 6 subtestes para medir habilidades perceptivas visuais e motoras de adolescentes e adultos. Outro teste usualmente referenciado na literatura e o CTMT (Comprehensive Trail Making Test), desenvolvido em 1938 por Partington e com evidencias psicometricas para populacao americana (Gray, 2006). Este e um instrumento utilizado para avaliacao neuropsicologica, envolvendo parametros de mensuracao relacionados a velocidade visual motora, atencao e processamento cognitivo (Gray, 2006).

No Brasil, Noronha e Primi (2005) publicaram um estudo cujo objetivo foi identificar os instrumentos psicologicos mais conhecidos e utilizados por psicologos brasileiros. A pesquisa envolveu 304 participantes das regioes Norte, Nordeste, Centro-oeste, Sul e Sudeste e apontou que, relacionado a percepcao visual, os testes mais populares no pais foram: DTVP-2, Teste Cubos de Kohs, Teste de Figuras Complexas de Rey e Teste Guestaltico Visuomotor de Bender.

O DTVP-2, desenvolvido por Hammill et al. (1993), e voltado para analise da percepcao visual de criancas. Ja o Teste Cubos de Kohs, que teve suas propriedades psicometricas testadas em uma amostra de 30 criancas por Toni (2010), avalia a inteligencia espacial e sua relacao com varias habilidades visuo-espaciais.

O Teste de Figuras Complexas de Rey foi idealizado por Andre Rey em 1942. As evidencias de validade para este teste foram obtidas por M. Oliveira, Rigoni, Andretta e Moraes (2004) em uma amostra de 515 participantes de 5 a 15 anos de idade. Este instrumento e empregado para investigar a memoria visual, a habilidade visuo-espacial e algumas funcoes de planejamento e execucao de acoes. O Teste Guestaltico Visuomotor de Bender para criancas foi originalmente construido por Lauretta Bender, em 1938, com o proposito de fornecer uma avaliacao psicologica segundo os principios da teoria gestaltica (Santos & Jorge, 2007).

Varios sistemas alternativos de correcao tem sido desenvolvidos no Brasil com intuito de buscar evidencias de validade e precisao do teste de Bender (Bartholomeu, Rueda, & Sisto, 2005; Pinelli & Pasquali, 1990). Dentre eles, encontra-se o estudo de Posada (2002) que desenvolveu um sistema de classificacao das respostas fundamentado nos principios piagetianos de construcao e representacao espacial. Os resultados obtidos com aplicacao de seu sistema indicaram bons parametros psicometricos e vantagens em relacao ao metodo de Koppitz. Tambem nesse sentido, Sisto, Noronha e Santos (2006) desenvolveram o teste Gestaltico Visomotor de Bender -- Sistema de Pontuacao Gradual (B-SPG), tendo como embasamento os pressupostos teoricos do Bender. Os dados obtidos demonstraram a sensibilidade do B-SPG para a captacao do carater maturacional do desenvolvimento psicomotor, indicando que com o aumento da idade, as distorcoes da copia progressivamente diminuem.

Segundo Silva e Nunes (2007), Bender analisou, ainda, a producao do Teste Guestaltico Visuomotor em pacientes adultos, com algum tipo de afasia ou apraxia, sendo constatados erros de movimento e percepcao do estimulo. Entretanto, muras pesquisas, realizadas internacionalmente e no Brasil, usam impressoes clinicas gerais quando avaliam protocolos do Bender, nao tendo, contudo, uma correcao padronizada do teste. Conforme sugerem os autores, a elevada subjetividade na interpretacao dos resultados frente ao teste colabora para reduzir a confianca no mesmo.

Contudo, contrapondo-se a estes resultados, pode ser citado o estudo de Bandeira e Hutz (1994), por exemplo, que investigaram o grau de predicao do rendimento escolar por meio da aplicacao dos testes Desenho da Figura Humana (DFH), Bender e Raven. Os dados obtidos apontaram para correlacoes significativas entre os tres testes e o rendimento, embora apenas o Bender e os itens evolutivos do DFH tenham contribuido para explicar a variancia do rendimento escolar. Do mesmo modo, vale destacar o estudo desenvolvido por Sisto, Bueno e Rueda (2003) que analisaram tracos de personalidade em criancas sem historico clinico, em relacao a escala de maturacao neurologica. Segundo os autores, a aplicacao do teste de Bender permitiu constatar que os elementos estruturais gestalticos parecem guardar relacoes com sintomas psicopatologicos.

A maioria das pesquisas desenvolvidas no Brasil, relacionadas a percepcao visual de adultos, aplica instrumentos como o VOSP (Visual Object Space Perception), o VFD (Visual Form Discrimination Test) e o JOL (Judgment of Line Orientation; Caixeta & Nitrini, 2001; C. Oliveira, Rodrigues, & Fonseca, 2009; Quental, Brucki, & Bueno, 2009; Teixeira, 2008) que nao apresentam normatizacao e analise de validade ou confiabilidade para nossa populacao.

Em 2005, Toselo realizou um estudo de normatizacao do Teste VOT (Hooper Visual Organization Test) para a populacao brasileira. O VOT e um instrumento utilizado para medir a habilidade de adolescentes e adultos em organizar estimulos visuais e, desta forma, explorar a existencia de qualquer dificuldade na discriminacao visuai. No entanto, esta pesquisa envolveu apenas adultos jovens de 18 anos, o que limita sua aplicabilidade para individuos mais velhos (Toselo, 2005).

As dimensoes dos objetos, a nocao de profundidade, as relacoes figura-fundo sao aspectos que interagem entre si e se complementam para proporcionar o equilibrio necessario na identificacao de um objeto. De modo que, havendo deficit ou alteracao em algum destes atributos, os demais tambem irao se mostrar alterados. Ou seja, alteracoes visuais na percepcao de objeto ou na coordenacao visuo-motora acarretarao disturbios de atencao, estabilidade e adaptacao ao meio (Goldstein, 2005).

Apesar da importancia de se estudar a percepcao visual de individuos adultos, a maioria dos instrumentos elaborados e voltada para avaliacao de criancas. Alem disso, os estudos realizados no Brasil utilizam instrumentos cujas propriedades psicometricas sao desconhecidas, tendo sido, muitas vezes, desenvolvidos em estudos internacionais, o que dificulta seu emprego para populacao brasileira. Baseado nestes preceitos, este trabalho teve como objetivo construir e conhecer os parametros psicometricos de uma medida de avaliacao da percepcao visual para adultos, a Escala de Avaliacao da Percepcao Visual (EAPV).

A Escala de Avaliacao da Percepcao Visual (EAPV) foi baseada no instrumento desenvolvido por Dias e Chaves (2000a), intitulado Programa de Treinamento da Percepcao Visual (PTPV). O PTPV foi escolhido dentre os varios instrumentos referenciados na literatura, por (a) tratar-se de um teste originalmente elaborado na lingua portuguesa, o que facilita o processo de adaptacao cultural e semantica; (b) corresponder a um programa baseado em estudos ja realizados sobre a implementacao de programas envolvendo esta tematica em varios paises (Dias, 2007) e (c) ser fundamentado nos principios postulados por Frostig (1964) e Luria (1987), envolvendo aspectos de avaliacao da percepcao visual, como constancia da forma, fechamento visual, percepcao figura-fundo e orientacao espacial.

Estes predicados sao os principios norteadores da Teoria da Gestalt, uma das principais teorias da percepcao da forma. Seus alicerces estao na lei da pregnancia da forma, isto e, todas as formas tendem a ser percebidas em seu carater mais simples. Segundo a Gestalt, o importante e perceber a forma por ela mesma, ve-la como "todo" estruturado, resultantes de relacoes entre as partes do todo (Gomes, 2000). Outros testes tambem incluem os parametros referidos anteriormente como e o caso do DTVP classico e suas modalidades (DTVP-2 e DTVP-A), amplamente empregados em avaliacoes clinicas e pesquisas cientificas envolvendo analise da percepcao visual (Gray, 2006; Ito et al., 2008; Ziviani, Copley, Ownsworth, Campbell, & Cummins, 2008).

O embasamento logico subjacente a escolha das categorias componentes da EAPV e tambem fundamentado nos estudos de diversos investigadores dessa tematica (Chalfant & Scheffelin, 1969; Deliberato & Goncalves, 2003; Gabbard, 1992), que consideram varias categorias da percepcao visual inseridas na Teoria da Gestalt e em consonancia ao defendido por Frostig (1964). Esta consistencia teorica foi a base da decisao dos autores para designar os subtestes da EAPV.

Dessa forma, o presente trabalho compreende dois estudos, orientados pelos seguintes objetivos: (a) Construcao da Escala de Avaliacao da Percepcao Visual (EAPV), (b) Analise das Propriedades Psicometricas da EAPV.

Estudo 1 - Construcao da Escala de Avaliacao da Percepcao Visual

Metodo

Amostra. Aamostra foi do tipo nao probabilistica, composta por 295 acompanhantes de usuarios de servicos de saude, com idades entre 35 e 65 anos (M = 46,21 e DP = 3,40), declarando-se pertencer a classe socio-economica media (53,4%) ou media baixa (46,6%). Os participantes apresentaram grau de escolaridade variando entre o ensino fundamental (54,2%), medio (41,8%) e superior (5,8%).

Instrumento. A EAPV foi baseada no instrumento desenvolvido por Dias e Chaves (2000a), intitulado Programa de Treinamento da Percepcao Visual (PTPV), aplicado em criancas com dificuldade de aprendizagem.

O instrumento original possui 64 itens que avaliam oito categorias da percepcao visual: coordenacao oculo manual, copia, relacoes espaciais, posicao no espaco, figura-fundo, velocidade visual motora, lacunas visuais e constancia da forma. Foi desenvolvido, originalmente, para o treino dessas competencias da percepcao visual em criancas com deficiencia de aprendizagem.

Para a operacionalizacao do construto, foram seguidos criterios estabelecidos por Pasquali (2001), como simplicidade, clareza, relevancia, precisao, variedade, tipicidade, modalidade, credibilidade, amplitude e equilibrio. Dessa forma, foi elaborada uma versao preliminar da escala, com 40 itens, a partir do instrumento original, PTPV, sendo suas respostas pontuadas como correto (1), errado (0) ou faltante (0).

Procedimentos. Apos o contato e consentimento dos participantes, foi efetuada a aplicacao do instrumento. Esta atividade contou com a colaboracao de tres examinadores previamente instruidos para intervirem o minimo possivel. Os questionarios foram aplicados individualmente, em ambiente arejado, bem iluminado e livre de ruidos. A aplicacao do instrumento foi realizada em um tempo medio de 25 a 35 minutos. Todos os voluntarios assinaram Termo de Consentimento Livre e Esclarecido no qual eram informados sobre o protocolo da pesquisa e o objeto do trabalho.

Resultados

Selecao dos Itens. A partir da analise fatorial com extracao de fatores pelo criterio de Kaiser (1958), que propoe considerar apenas os autovalores superiores a um, foram obtidos alguns fatores saturados em cinco itens. Conforme sugerem estudos da literatura (Ford, MacCallum, & Tait, 1986; Rego, 2000), foram retirados estes fatores, assim como aqueles itens cujas saturacoes foram superiores a 0,40 em mais de um fator e aqueles cuja diferenca entre as duas saturacoes mais elevadas era inferior a 0,20. Este procedimento permitiu a formacao de uma escala tetrafatorial constituida por 20 itens que avaliam quatro dimensoes referentes a percepcao visual. Nos 4 subtestes, cada um dos itens foi pontuado como correto (1), errado (0) ou faltante (0). Assim, em cada subteste o escore minimo e zero e o maximo corresponde ao total de itens do subteste. Desse modo, a versao final da EAPV, cuja pontuacao total varia de 0 a 20 pontos, foi constituida pelas seguintes categorias:

Constancia da forma (itens 1, 5, 9, 13 e 17): envolve o reconhecimento de caracteristicas dominantes de certas figuras ou formas, quando aparecem em diferentes sombreados, texturas, tamanhos e posicoes. Para cada resposta correta, e atribuido 1 ponto, assim sua pontuacao varia de 0 a 5 pontos. A Figura 1 mostra um dos itens deste teste.

[FIGURA 1 OMITIR]

Figura-fundo (itens 2, 6, 10, 14 e 18): envolve o reconhecimento de figuras inseridas em um fundo sensorial comum. E atribuido I ponto para cada acerto. Sua pontuacao varia de 0-5 pontos. A Figura 2 mostra um exemplo de item deste teste.

Posicao no espaco (itens 3, 7, 11, 15 e 19): envolve a discriminacao das reversoes e rotacoes de figuras. Para cada resposta correta, e atribuido 1 ponto, desse modo sua pontuacao varia de 0 a 5 pontos;

Relacoes espaciais (itens 4, 8, 12, 16 e 20): envolve a analise de formas e padroes em relacao a um corpo e espaco. E atribuido 1 ponto para cada acerto, podendo sua pontuacao variar de 0-5 pontos.

[FIGURA 2 OMITIR]

Analise de Juizes

Para a conducao da analise de juizes, foi elaborado um formulario contendo a definicao operacional do constructo, os itens propostos e as instrucoes para sua analise, baseado no protocolo desenvolvido por Cerqueira e Nascimento (2008). A avaliacao dos itens incluiu os seguintes quesitos: (a) adequacao do conteudo, (b) identificacao do locus do controle, (c) a pertinencia, (d) a relevancia, e (e) a adequacao da formulacao. O formulario tambem incluiu espaco para que os juizes apresentassem sugestoes.

Para a analise de juizes, foi estruturada uma equipe formada por profissionais de saude com conhecimento da lingua portuguesa e larga experiencia na aplicacao de escalas de percepcao e atendimento a pacientes com disturbios cognitivos e visuais. Estes profissionais receberam o formulario de avaliacao dos itens propostos e os dados foram analisados considerando cada um dos quesitos avaliados e as sugestoes de reformulacao dos componentes. O criterio para a manutencao do item na escala foi a obtencao de pelo menos 80% de concordancia entre os juizes em cada um dos quesitos (Pasquali, 2001). Houve consenso quanto a adequacao da escala para populacao brasileira, sendo todos os itens mantidos.

Analise Semantica

Apos a analise dos juizes, procedeu-se a analise semantica conforme protocolo desenvolvido por Paschoal e Tamayo (2008). O objetivo desta etapa foi verificar a compreensao dos itens por membros da populacao-alvo. O instrumento foi aplicado em seis voluntarios divididos em dois grupos de tres individuos. Todos os participantes eram acompanhantes de usuarios de servicos publicos de saude, apresentavam boa saude fisica e acuidade visual normal ou corrigida. Os voluntarios possuiam nivel socio-economico medio e grau de escolaridade variando entre ensino fundamental (N=2), medio (N=3) e superior (N=1). A escala foi aplicada individualmente e apos o termino foi solicitado aos voluntarios que apontassem suas dificuldades em relacao as instrucoes e aos termos presentes nos itens. As instrucoes foram compreendidas por todos os participantes tais como apresentadas e foram mantidas. Nenhum item foi modificado.

Estudo 2- Analise das Propriedades Psieometrieas da EAPV

Metodo

Participantes. A amostra foi constituida por 287 voluntarios, acompanhantes de usuarios de servicos de saude da rede publica, convidados a participar da pesquisa enquanto aguardavam o atendimento de seus familiares em Postos Municipais de Saude. A selecao da amostra foi nao probabilistica, do tipo intencional.

Foi aplicado o Mini Exame de Estado Mental (MEEM) para assegurar a inclusao de individuos saudaveis no estudo. O MEEM e composto por cinco dimensoes (concentracao, linguagem/praxis, orientacao, memoria e atencao), amplamente utilizado para deteccao e acompanhamento da evolucao de alteracoes cognitivas (Valle, Castro-Costa, Firmo, Uchoa, & Lima-Costa, 2009). Os voluntarios tambem foram avaliados atraves da Cumullative Ilness Research Scale (CIRS), que investiga a presenca de 14 "conjuntos" de doencas (cardiaca; vascular; hematologica; respiratoria; oftalmologica; gastrointestinal alta e gastrointestinal baixa; hepatica e pancreatica; renal; geniturinaria, musculoesqueletica e tegumentar; neurologica; endocrina e metabolica; mamaria; e psiquiatrica). A CIRS considera as situacoes de ausencia, leve, moderada, severa ou extremamente severa para cada "conjunto", com pontuacoes que variam de 0-4 (Navega & Oishi, 2007). A acuidade visual foi medida com a carteia de optotipos "E" de Rasquin.

A perda amostrai (36,23%) foi maior do que a prevista devido ao numero de participantes pertencentes a um ou mais criterios de exclusao desta pesquisa: (a) acuidade visual prejudicada ou nao-corrigida, (b) disturbios cognitivos, (c) doencas associadas, (d) disfuncoes limitantes para a realizacao das provas, (e) disturbios psiquiatricos, (f) doencas oculares e (g) uso de medicamentos que modulam a atividade do sistema nervoso central.

Desse modo, este trabalho analisou 183 individuos saudaveis sendo 106 mulheres e 77 homens, com faixa etaria entre 35-65 anos (M= 47,98 e DP = 7,47) e nivel socio-economico medio (69,9%) e medio-baixo (30,1%). O grau de escolaridade dos participantes distribuiu-se entre o ensino fundamental (54,1%), medio (43,7%) e superior (2,2%) [Tabela 1].

Procedimentos de Coleta de Dados

O presente estudo e uma pesquisa descritiva, com corte transversal, realizada em Unidades de Saude e Centros de Tratamento Municipais, no periodo de outubro a dezembro de 2009. Para sua execucao, o estudo seguiu as recomendacoes do Conselho Nacional de Saude (Resolucao 196/96 e suas complementares) e foi submetido a avaliacao e aprovacao do Comite de Etica em Pesquisa da Instituicao. Os participantes assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido autorizando a realizacao e a publicacao do estudo.

Apos as avaliacoes iniciais, realizadas com o MEEM e a CIRS, os participantes foram convidados a preencher um questionario com perguntas relativas a dados socio-demograficos. Em seguida, foi realizada a avaliacao da percepcao visual utilizando a EAPV.

Os dados foram coletados individualmente, em local silencioso, bem iluminado, arejado e livre de interrupcoes exteriores. As instrucoes e as questoes da escala eram lidas pelo examinador. Os voluntarios foram orientados sobre o preenchimento do instrumento e estimulados a informar ao examinador sobre eventuais duvidas. Ao final da aplicacao foi fomecido endereco e telefone atraves dos quais os participantes poderiam obter informacoes sobre os resultados do estudo. A coleta de dados teve duracao media de 15 a 25 minutos.

Estudo Psicometrico

Os dados obtidos foram submetidos a analise estatistica, utilizando o pacote estatistico SPSS (Statistical Package for the Social Sciences), versao 16.0 para Windows. Para o estudo psicometrico foi realizada avaliacao da confiabilidade e validade fatorial do instrumento.

A avaliacao da confiabilidade foi medida atraves do Alfa de Cronbach para comprovacao da consistencia interna e de aplicacao do teste-reteste para analise da estabilidade temporal da escala. O valor minimo de 0,70 foi recomendado por Rowland, Arkkelin e Crisler (1991) para considerar que os itens avaliam consistentemente o mesmo constructo. Valores de alfa altos, no entanto, sao necessarios, mas nao suficientes, uma vez que e uma estimativa "otimista" da confiabilidade (Streiner & Norman, 1995). A fidedignidade por meio do teste-reteste foi realizada com 171 individuos (94,44% do total de participantes), sendo o intervalo de tempo entre as duas aplicacoes nao superior a 14 dias. O Coeficiente de Correlacao Intra-Classe (ICC) foi utilizado para verificar a concordancia teste-reteste de escores da escala.

Para o tratamento dos dados, as respostas faltantes foram repontuadas como zero. Na investigacao de evidencias de validade, foram realizadas analises fatoriais exploratorias com o objetivo de avaliar o grau de representatividade dos constructos. Inicialmente, foi verificada a fatorabilidade da matriz gerada. Foram calculados os valores do teste de esfericidade de Bartlett (AIC) e do Kaiser-Meyer-Olkin (KMO). E para a rotacao e extracao dos fatores foi utilizado o metodo PAF (Principal Axis Factoring) com rotacao obliqua. O pressuposto inicial foi de que o instrumento seria formado por quatro fatores. A fim de assegurar que cada item representava o constructo subjacente ao fator, foi estipulada uma carga fatorial minima de 0,40 para aceitar o item.

Resultados

Na analise da consistencia interna, o coeficiente Alfa de Cronbach variou de 0,84 a 0,93 nas 4 sub-escalas, apontando que o instrumento apresenta adequada consistencia interna (Tabela 2).

Quanto a reprodutibilidade, nao houve diferenca estatisticamente significativa nas medias dos escores, quando foram considerados o momento 1 (teste) e o momento 2 (reteste). Os coeficientes de correlacao entre os escores dos momentos 1 e 2 foram significativos, variando de 0,88 (p<0,001) a 0,95 (p<0,001).

Em relacao a analise fatorial, O KMO encontrado foi de 0,89 e o teste de esfericidade de Bartlett indicou valor de 5195,50 (p<0,001), ambos apontando para a fatorabilidade da matriz. Obteve-se uma estrutura tetrafatorial, que no seu conjunto explica 57,52% da variancia (Tabela 2).

O instrumento ficou composto por quatro fatores. O primeiro, constancia da forma, com cinco itens e Alfa de Cronbach de 0,93, explica 25,78% da variancia; o segundo fator, figura-fundo, com cinco itens e Alfa de Cronbach de 0,89, explica 14,65% da variancia; o terceiro fator, posicao no espaco, com cinco itens e Alfa de Cronbach de 0,86, explica 9,62% da variancia; por fim, o fator relacao espacial, com cinco itens e Alfa de Cronbach de 0,84, explica 7,47% da variancia. Juntos, os quatro fatores explicam 57,52% da variancia do constructo.

O instrumento ficou composto por quatro fatores. O primeiro, constancia da forma, com cinco itens e Alfa de Cronbach de 0,93, explica 25,78% da variancia; o segundo fator, figura-fundo, com cinco itens e Alfa de Cronbach de 0,89, explica 14,65% da variancia; o terceiro fator, posicao no espaco, com cinco itens e Alfa de Cronbach de 0,86, explica 9,62% da variancia; por fim, o fator relacao espacial, com cinco itens e Alfa de Cronbach de 0,84, explica 7,47% da variancia. Juntos, os quatro fatores explicam 57,52% da variancia do constructo.

Discussao e Consideracoes Finais

De acordo com Pasquali (2001), os testes psicologicos sao considerados instrumentos de medida e, por isso, devem apresentar algumas caracteristicas para serem confiaveis. As caracteristicas consideradas mais importantes dizem respeito a validade e a precisao do instrumento.

O Programa de Treino da Percepcao Visual (PTPV), no qual foi baseada a EAPV, foi originalmente elaborado para aplicacao em criancas, na faixa etaria dos 6 a 9 anos, com dificuldades de aprendizagem. As afericoes empregadas no estudo original relacionadas a equivalencia entre os itens, equivalencia operacional e validade de conteudo, realizadas por meio de avaliacao de juizes, apresentaram consonancia com os dados obtidos no presente trabalho. Segundo Dias (2007), os resultados demonstraram que os itens do PTPV sao faceis de serem compreendidos; estao redigidos com clareza; avaliam aspectos importantes e tem potencial para discriminar componentes alterados da percepcao visual. Conquanto este instrumento tenha sido aplicado previamente em uma amostra de 353 alunos de escolas do Conselho de Braga, em Portugal, nenhuma informacao foi encontrada sobre sua validade de construto e consistencia interna.

A Escala de Avaliacao da Percepcao Visual apresentou parametros psicometricos satisfatorios, boa consistencia interna, concordancia interjuizes, adequacao semantica, significancia no teste-reteste e evidencias de validade de constructo. Em sintese, os calculos permitiram confirmar a adequacao da validade fatorial e consistencia interna da medida. Os resultados sugerem a coerencia do modelo tetrafatorial proposto.

Teixeira (2008), em um trabalho envolvendo analise da percepcao de formas e espaco em 35 participantes com disturbios neurologicos, verificou que todos os pacientes quando comparados ao grupo controle apresentaram dificuldade na discriminacao da forma de objetos. Estes resultados sao semelhantes aos encontrados por Parmentes, Weinstock-Guttman, Gang, Munschauer e Benedict (2007), em pacientes com Esclerose Multipla, e por Haberecht et al. (2001), em individuos com Sindrome de Turner, o que evidencia a importancia de analisar a dimensao constancia da forma, podendo ser este um marcador clinico do quadro evolutivo de pacientes com deficiencias na identificacao de objetos.

Em um estudo semelhante ao da presente pesquisa, Gomes e Borges (2009) avaliaram as propriedades psicometricas do Conjunto de Testes de Habilidade VisuoEspacial, em adultos jovens, e verificaram a associacao de aspectos visuo-motores intimamente ligados a parametros como memoria e fechamento visual, sendo este ultimo um aspecto importante na avaliacao e caracterizacao do perfil perceptivo-visual do individuo.

Em relacao a discriminacao figura-fundo, posicao e relacao espacial, os estudos de Ribeiro (2006) demonstram que a organizacao espacial, envolvendo parametros como posicao e relacoes espaciais do objeto, encontra-se relacionada a outros aspectos da percepcao, a exemplo da discriminacao figura-fundo. Em seu trabalho, o autor sugere a existencia de possiveis alteracoes na percepcao visual de luminosidade a partir de variacoes fisicas dos estimulos, com base na organizacao espacial de figurafundo criada pela associacao dos efeitos ilusorios de contraste e contornos subjetivos.

O presente trabalho apresenta algumas limitacoes, como a forma de selecao da amostra. Sugere-se, portanto, o fomento de pesquisas na area utilizando amostragem probabilistica. Aponta-se tambem a necessidade de futuras investigacoes para orientar construcoes de versoes da EAPV voltadas para areas da percepcao como lateralidade e esquema corporal, presentes em estudos multifatoriais, que se relacionam com o desempenho do individuo na discriminacao dos objetos e que podem interferir na analise dos parametros perceptivos visuais ou motores (Freitas, 2008). Alem disso, apesar dos resultados favoraveis da analise fatorial, esta e uma tecnica de natureza exploratoria, sendo, deste modo, necessarios novos empreendimentos envolvendo amostras clinicas e o emprego de outras tecnicas de analises estatisticas, como a analise fatorial confirmatoria, atraves dos modelos de equacao estrutural (Hair, Black, Babin, Anderson, & Tatham, 2009).

A partir dos dados obtidos, verifica-se que este estudo apresenta contribuicoes substantivas. A EAPV pode ser considerada um instrumento eficaz na avaliacao das dimensoes componentes da percepcao visual, em diversas areas de aplicacao do campo das ciencias psicologicas, psicometricas, neurologicas e cognitivas. Alem disso, demonstrou ser um teste de simples aplicacao e levantamento, facilitando a aplicabilidade na pratica clinica. Diante dos custos para realizar outros tipos de exames que avaliam tais funcoes, a Escala de Avaliacao da Percepcao Visual mostra-se eficaz, fidedigna e de rapida aplicacao.

Recebido: 29/04/2010

1a revisao: 04/11/2010

Aceite final: 11/11/2010

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Suellen Marinho Andrade *,(a), Maria Manuela Caldeira de Brito da Silva Dias (b), Eliane Araujo de Oliveira (a), Francisco Locks Neto (c), Renata Maria Toscano Barreto Lyra Nogueira (d) & Natanael Antonio dos Santos (a)

(a) Universidade Federal da Paraiba, Joao Pessoa, Brasil, (b) Instituto Piaget, Gaia, Portugal, (c) Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, Brasil & (d) Universidade de Sao Paulo, Sao Paulo, Brasil

* Endereco para correspondencia: Centro de Ciencias Humanas Letras e Artes, Departamento de Psicologia, Universidade Federal da Paraiba, Laboratorio de Percepcao, Neurociencias e Comportamento, Campus I, Cidade Universitaria, Joao Pessoa, PB, Brasil 58051-900. Tel.: (83) 3216 7006; Fax: (83) 3216 7337. E-mail: suenenandrade@gmail.com
Tabela 1
Dados Socio-demograficos dos Participantes

Categorias         Mulheres F (%)    Homens F (%)

Faixa Etaria
  35-45 anos           41(38,67%)      32(41,55%)
  46-55 anos           43(40,56%)      25(32,46%)
  56-65 anos           22(20,75%)      20(25,97%)
Escolaridade
  Primeiro Grau        66(36,06%)     33 (42,85%)
  Segundo Grau         38(20,76%)      42(54,54%)
  Terceiro Grau          2(1,09%)        2(2,59%)
Total                106 (57,92%)      77(42,07%)

Tabela 2
Matriz Fatorial dos Testes e Precisao dos Fatores

Item

 1.    Assinale as formas que tem o mesmo formato do retangulo acima
 5.    Indique que figuras sao iguais a destacada
 9.    Marque as figuras que tem formato identico
13.    Aponte quais as formas sao iguais aquela destacada acima
17.    Mostre qual destes animais corresponde aquele indicado acima
 2.    Indique, na figura, que animais estao representados
 6.    Aponte, na figura, os chapeus representados em sobreposicao
10.    Assinale, na figura, as ovelhas representadas em sobreposicao
14.    Marque na figura as formas que voce ve no retangulo de cima
18.    Indique, na figura, os postes representados em sobreposicao
 3.    Aponte qual a seta esta na mesma posicao daquela situada
       no primeiro quadro
 7.    Marque qual a figura esta na mesma posicao dos simbolos a
       esquerda
11.    Assinale, em cada fileira, os desenhos que estao na mesma
       posicao
15.    Indique quais os quadrados apresentam figuras na mesma posicao
19.    Mostre qual a figura esta na mesma posicao dos retangulos a
       esquerda
 4.    Marque, nos retangulos com pontos, tracos na mesma posicao
       dos do retangulo inicial
 8.    Una os pontos como demarcado no primeiro quadro
12.    Ligue os pontos formando tres figuras iguais a primeira
16.    Faca, em cada quadro, tracos formando uma figura igual a
       primeira
20.    Junte os pontos para que fiquem igual ao primeiro desenho

Eigenvalue
da Variancia
Total de itens
Alfa de Cronbach

Item             Fator 1    Fator 2    Fator 3    Fator 4

 1.                0,898
 5.                0,864
 9.                0,777
13.                0,763
17.                0,648
 2.                           0,819
 6.                           0,781
10.                           0,759
14.                           0,686
18.                           0,632
 3.                                      0,786
 7.                                      0,745
11.                                      0,689
15.                                      0,571
19.                                      0,512
 4.                                                 0,651
8.                                                  0,624
12.                                                 0,567
16.                                                 0,485
20.                                                 0,409

Eigenvalue         7,258      3,431      2,441      1,769
da Variancia      25,783     14,658      9,623      7,471
Total de itens         5          5          5          5
Alfa de Cronbach   0,933      0,892      0,867      0,840
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Title Annotation:articulo en portugues
Author:Marinho Andrade, Suellen; de Brito da Silva Dias, Maria Manuela Caldeira; Araujo de Oliveira, Eliane
Publication:Psicologia: Reflexao & Critica
Date:Jan 1, 2012
Words:7658
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