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Comportamento ingestivo de ovinos alimentados com farelo da vagem de algaroba associado a niveis de ureia.

Intake behavior of sheep fed mesquite pod meal as a function of urea level

Introducao

Os sistemas modernos de criacao de ovinos, com adocao de praticas de manejo e alimentacao adequadas, possibilitam melhor desempenho dos animais e, por consequencia, melhor retorno economico (CARDOSO et al., 2006). O estudo do comportamento ingestivo tem recebido atencao crescente de pesquisadores das areas de Producao e Nutricao Animal (CARVALHO et al., 2006, 2008; MACEDO et al., 2007; MORAIS et al., 2006; POMPEU et al., 2009).

Segundo Carvalho et al. (2008), animais em regime de confinamento geralmente consomem alta quantidade de concentrados para suprir as exigencias de energia e proteina. Entre os ingredientes mais utilizados destacam-se o milho e o farelo de soja, pois formam excelente combinacao de energia e proteina de alto valor biologico, entretanto, o elevado custo constitui fator limitante a sua utilizacao. Neste contexto, esforcos tem sido despendidos na busca por alimentos alternativos de baixo custo que possam substituir parcial ou totalmente os ingredientes padroes (CARVALHO et al., 2006, 2008; HENRIQUE et al., 2003; SOUZA et al., 2004; ZEOULA et al., 2003).

Segundo Van Soest (1994), o tempo de ruminacao e influenciado pela natureza da dieta e parece ser proporcional ao teor de parede celular dos volumosos. O mesmo autor relata que animais confinados gastam em torno de 1h consumindo alimentos ricos em energia ou ate mais de 6h para fontes com baixo teor de energia e alto em fibra. Alimentos concentrados e fenos finamente triturados ou peletizados reduzem o tempo de ruminacao, enquanto volumosos com alto teor de parede celular tendem a elevar o tempo de ruminacao. O aumento do consumo tende a reduzir o tempo de ruminacao por grama de alimento.

O conhecimento do comportamento ingestivo se tornou ferramenta importante na avaliacao das dietas, possibilitando o ajuste do manejo alimentar animal para obtencao de melhor desempenho produtivo (CARDOSO et al., 2006). Assim, o estudo do comportamento ingestivo dos ruminantes tem sido usado com o objetivo de estudar os efeitos do arracoamento ou quantidade e qualidade nutritiva de alimentos sobre o comportamento ingestivo; estabelecer a relacao entre comportamento ingestivo e consumo de nutrientes; e verificar o uso potencial do conhecimento a respeito do comportamento ingestivo para melhorar o desempenho animal.

Os parametros mais estudados para avaliar o comportamento ingestivo sao o tempo de alimentacao, ruminacao e ocio, eficiencia de alimentacao e ruminacao, numero de mastigacoes mericicas por bolo alimentar, tempo gasto com mastigacoes por bolo ruminal e numero de mastigacoes mericicas por dia (BURGER et al., 2000). Segundo Macedo et al. (2007), para entendimento completo do consumo diario de alimentos, e necessario estudar individualmente seus componentes, que podem ser descritos pelo numero de refeicoes consumidas por dia, pela duracao media das refeicoes e pela velocidade de alimentacao de cada refeicao.

O farelo da vagem de algaroba e classificado como concentrado energetico (VALADARES FILHO et al., 2006) e possui alto teor de sacarose, atraindo os animais pela alta palatabilidade. Por outro lado, a ureia, fonte de nitrogenio nao-proteico (NNP), possui sabor adstringente e baixa palatabilidade, podendo reduzir o consumo quando adicionado em altos niveis na dieta. Nesse sentido, conduziu-se este trabalho com o objetivo de avaliar o comportamento ingestivo de ovinos da raca Santa Ines alimentados com dietas contendo farelo da vagem de algaroba associado a niveis de ureia.

Material e metodos

O experimento foi conduzido no Setor de Ovinocaprinocultura, Departamento de Tecnologia Rural e Animal -- DTRA, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Campus de Itapetinga, localizada a 1[grados] 09' 07" de latitude Sul, 40[grados] 15' 32" de longitude Oeste, precipitacao media anual de 800 mm, temperatura media anual de 27[grados]C e com altitude media de 268 m. A coleta de dados a campo ocorreu entre os meses de junho e setembro de 2008.

Foram utilizados oito ovinos da raca Santa Ines, machos castrados, com peso corporal medio de 33,5 kg e idade de cinco meses, ao inicio do experimento. Os animais foram vermifugados e confinados em gaiolas metalicas metabolicas de 1,0 x 0,80 m (0,80 [m.sup.2]) com piso ripado, com acesso a comedouros e bebedouros individuais, distribuidos em dois quadrados latinos (QL) 4 x 4 balanceados, de forma que cada tratamento precedesse o outro no mesmo numero de vezes. O experimento teve duracao de 91 dias, sendo sete dias iniciais destinados a adaptacao dos animais as instalacoes e manejo e quatro periodos de 21 dias, dos quais seis dias foram para adaptacao a mudanca nos teores de ureia, oito dias para adaptacao as dietas e sete dias para coleta de dados.

A dieta foi fornecida como dieta total com relacao volumoso:concentrado de 40:60 com base na MS do feno e do concentrado. O FVA foi o principal ingrediente do concentrado, compondo 50%, o que representou 30% na MS total da dieta. As dietas foram formuladas para serem isoproteicas (12% PB), para os seguintes tratamentos: 0; 0,5; 1,0 e 1,5% de ureia com base na MS da dieta total.

Ao inicio de cada periodo, foram realizadas coletas de amostras do concentrado e do feno para determinacao da MS e manutencao das proporcoes dos alimentos nas dietas. As amostras dos alimentos oferecidos e sobras foram colhidas do 15[grados] ao 19[grados dias de cada periodo experimental formando amostras compostas, acondicionadas em sacos plasticos e armazenadas em freezer com temperatura a -10[grados]C. Ao termino do periodo de coletas, as amostras foram descongeladas e homogeneizadas, em seguida foi realizada a pre-secagem em estufa de ventilacao forcada a 55[grados]C por 72h, sendo trituradas em moinho de facas dotado de peneiras de crivo 1 mm de diametro. As avaliacoes bromatologicas das dietas experimentais, do farelo da vagem de algaroba e do feno de capim Tifton 85 foram feitas conforme metodologia descrita por Silva e Queiroz (2002). Na Tabela 1, esta exposta a composicao quimica do feno, FVA e concentrados enquanto na Tabela 2, encontra-se a proporcao dos ingredientes e a composicao quimica das dietas experimentais.

A racao foi distribuida duas vezes ao dia, pela manha, as 7h, e a tarde, as 16h, com agua disponivel todo o tempo. A quantidade de alimento oferecida foi reajustada conforme o consumo do dia anterior, permitindo a disponibilidade de 10% de sobras como margem de seguranca. Diariamente, foi registrada a quantidade de racao oferecida e as sobras foram retiradas e pesadas, objetivando avaliar o consumo medio diario. O consumo de MS e FDN (kg 24[h.sup.-1]) foram calculados pelas formulas:

CMS = (MNo x %MS) - (sMN x %MSs) CFDN = (MSo x %FDN) - (sMS x %FDNs)

em que:

CMS = consumo de MS (Kg 24[horas.sup.-1]);

MNo = Materia natural oferecida (kg);

%MS = MS da dieta (%);

sMN = sobras de materia natural (kg);

MSs = MS das sobras (%);

CFDN = consumo de FDN (kg 24[horas.sup.-1]);

MSo = MS oferecida (g);

% FDN = FDN da dieta (%);

% FDNs = FDN das sobras (%).

Os teores de carboidratos totais (CHOT) foram calculados segundo a equacao proposta por Sniffen et al. (1992).

CHOT = 100 - (%PB + %EE + %MM)

em que:

CHOT = carboidratos totais (%MS);

EE = teor de EE (%MS);

PB = teor de PB (%MS);

MM = teor de MM (%MS).

Os teores de CNF nas amostras de alimentos, sobras e fezes foram avaliados por meio da equacao proposta por Hall (2000). No caso das dietas nas quais se utilizou ureia como fonte de compostos nitrogenados nao-proteicos, os teores dieteticos de CNF foram estimados por adaptacao a proposicao pelo mesmo autor:

CNF= 100 - (PB + EE + MM + FDNcp) CNF = 100 - [(PB - PBu +U) + EE + MM + + FDNcp]

em que:

CNF = teor estimado de CNF (%MS);

PB = teor de PB (%MS);

EE = teor de EE (%MS); MM = teor de MM (%MS);

FDNcp = teor de FDN corrigido para cinzas e proteina (%MS);

PBu = teor de PB proveniente da ureia (%MS);

U = teor de ureia (%MS).

O teor de nutrientes digestiveis totais (NDT) observado foi obtido a partir da equacao somativa:

NDT = PBD + (2,25 x EED) + FDNcpD + +CNFD

em que:

PBD = proteina bruta digestivel;

EED = extrato etereo digestivel;

FDNpD = fibra em detergente neutro (corrigida para cinzas e proteina) digestivel;

CNFD = carboidratos nao-fibrosos digestiveis.

A avaliacao do comportamento ingestivo ocorreu sempre no 17 e 18 dia experimental. No registro do tempo despendido em alimentacao ruminacao e ocio, adotou-se a observacao visual dos animais a cada 5 min., por quatro periodos integrais de 24h (JOHNSON; COMBS, 1991). Foram realizadas observacoes por tres periodos, das 10 as 12h, 14 as 16h e 18 as 20h, conforme metodologia descrita por Burger et al. (2000), determinando-se o numero de mastigacoes mericicas bolo [ruminal.sup.-1] e o tempo gasto para ruminacao de cada bolo.

A coleta de dados para se conhecer o tempo gasto em cada atividade foi efetuada com o uso de cronometros digitais, manuseados por dois observadores, que observaram os animais nos periodos pre-determinados. Foram feitas observacoes durante 24h seguidas, em que todos os animais foram observados simultaneamente, perfazendo 288 observacoes diarias a intervalos de 5 min., a fim de identificar o tempo destinado as atividades de alimentacao, ruminacao e ocio. No periodo noturno, o ambiente recebeu iluminacao artificial. A coleta de dados referentes aos fatores comportamentais: eficiencia de alimentacao e ruminacao, tempo de mastigacao total (TMT), numero de bolos ruminais, tempo de ruminacao [bolo.sup.-1], alem do numero de mastigacoes mericicas [bolo.sup.-1], foi conduzida conforme metodologia descrita por Burger et al. (2000). Sendo os resultados referentes aos fatores do comportamento ingestivo obtidos pelas relacoes:

[EAL.sub.MS]= CMS (g) / TAL (min.)

[EAL.sub.FDN]= CFDN (g) / TAL (min.)

[ERU.sub.MS]= CMS (g) / TRU (min.)

[ERU.sub.FDN]= CFDN (g) / TRU (min.)

TMT = TAL (h [dia.sup.-1]) + TRU (h [dia.sup.-1])

NBR = TRU (s [dia.sup.-1]) / MMtb

MMnd = NBR x MMnb

em que:

[EAL.sub.MS]; [EAL.sub.FDN] = eficiencia de alimentacao (g MS [h.sup.-1]); (g FDN [h.sup.-1]);

CMS = consumo de MS;

TAL = tempo de alimentacao;

[ERU.sub.MS]; [ERU.sub.FDN] = eficiencia de ruminacao (g MS [h.sup.-1]; g FDN [h.sup.-1]);

TRU = tempo de ruminacao;

TMT = tempo de mastigacao total (h [dia.sup.-1]);

NBR = numero de bolos ruminados (no [dia.sup.-1]);

MMtb = tempo de mastigacoes mericicas por bolo ruminal (s [bolo.sup.-1]);

MMnd = numero de mastigacoes mericicas por dia (no [dia.sup.-1]);

MMnb = numero de mastigacoes mericicas por bolo (no [bolo.sup.-1]).

As analises estatisticas dos dados foram realizadas utilizando-se o programa SAEG -- Sistema de Analises Estatisticas e Geneticas (RIBEIRO JUNIOR, 2001) versao 9.1 e os resultados foram interpretados estatisticamente por analise de variancia e regressao, adotando-se o nivel de 5% de significancia.

Resultados e discussao

Nao foi observada diferenca (p > 0,05) para o consumo de MS e FDN (Tabela 3). Church (1974) relatou que a ingestao de alimentos podera ser reduzida pelo sabor amargo da ureia, quando fornecida em grande quantidade. A quantidade de ureia de 1,5% na MS total da dieta pode ser considerada alta, entretanto, nao afetou o consumo, provavelmente, pelo fornecimento da dieta na forma de racao completa e o farelo da vagem de algaroba apresentar alta palatabilidade.

Segundo Mertens (1987), o consumo de MS esta inversamente relacionado com o teor de FDN e, dietas com elevada concentracao de fibra limitam a capacidade ingestiva do animal, em virtude da replecao do reticulo-rumen. A semelhanca no consumo de MS e FDN pode ter ocorrido em funcao das dietas apresentarem a mesma proporcao volumoso:concentrado e teores de MS, FDN e PB, que provavelmente nao alterou a digestibilidade.

Os valores medios (1,20 a 1,30 kg [dia.sup.-1]) de consumo de MS encontrados se assemelham aos preditos (1,05 a 1,32 kg [dia.sup.-1]) pelo NRC (2007). Prado et al. (2004) tambem nao observaram diferenca para o consumo de MS em ovinos alimentados com dietas contendo teores crescentes de proteina degradavel no rumen (ureia variando de 0 a 1% da MS total da dieta e fonte de amido de alta degrabilidade ruminal (farinha de varredura de mandioca). Semelhantemente, Zeoula et al. (2003) avaliaram niveis crescentes de proteina degradavel no rumen (PDR), com a ureia variando de 0,10 a 1,10% na MS total da dieta, para ovinos castrados pesando 38,5 kg, e nao encontraram variacao no consumo de MS, registrando valores medios de 1,23 kg [dia.sup.-1].

O tempo de alimentacao -- TAL (317,19 min.) e ruminacao - TRU (468,59 min.) nao foram influenciados (p > 0,05) pelos niveis de inclusao de ureia nas dietas. Geralmente, o aumento no consumo eleva o tempo de alimentacao e reduz o tempo de ruminacao (VAN SOEST, 1994). Dessa forma, a semelhanca no consumo para as diferentes dietas pode ser um fator que contribuiu para nao diferenciacao no TAL e TRU.

O ato da ruminacao pelo animal tem por objetivo reduzir o tamanho de particula do alimento para facilitar o processo de degradacao.

Segundo Van Soest (1994), o teor de fibra e a forma fisica da dieta sao os principais fatores que afetam o tempo de ruminacao. Neste trabalho, as dietas apresentaram teores de FDN semelhantes e mesmo tamanho de particula, pois foi utilizado um unico tipo de volumoso e igual proporcao volumoso:concentrado. Entretanto, a inclusao de niveis de PDR (ureia) a dieta, disponibiliza maior quantidade de N para os microrganismos do rumen, teoricamente aumentando a eficiencia microbiana e consequentemente a degradabilidade e digestibilidade da MS e FDN, o que iria reduzir o tempo de ruminacao. Entretanto, a digestibilidade desses nutrientes pode nao ter sido influenciada pela inclusao de ureia na dieta, justificando a ausencia de efeito nessa variavel do comportamento ingestivo.

Os periodos de refeicao e ruminacao (no [dia.sup.-1]) nao foram influenciados (p > 0,05) pela inclusao de ureia na dieta e seus valores medios foram de 19,22 e 23,31, respectivamente (Tabela 4).

Carvalho et al. (2008) trabalhando com ovinos confinados tambem nao encontraram diferenca no numero de periodos de refeicao e ruminacao, registrando valores medios para essas variaveis de 13,6 e 20,2, respectivamente.

Semelhantemente ao numero de periodos, nao foi observado variacao (p > 0,05) no tempo despendido por periodo (min.), refletindo a semelhanca nos tempos de alimentacao, ruminacao e ocio (min. [dia.sup.-1]) e no numero de periodo de cada atividade (no [dia.sup.-1]) entre os niveis de ureia testados (Tabela 4), indicando que a inclusao de ureia ate o nivel de 1,5% na MS total da dieta nao afeta a discretizacao das series temporais em ovinos nas condicoes de alimentacao deste experimento.

As quantidades de MS e FDN consumidas por refeicao (Tabela 4) nao foram influenciadas (p > 0,05) pelos tratamentos, sendo observadas medias de 0,068 kg de MS e 0,029 kg de FDN por refeicao. Diferencas significativas nessas variaveis seriam esperadas caso o tempo de alimentacao, o numero de refeicoes diarias e o consumo de MS e FDN fossem influenciados pela inclusao niveis de ureia na dieta dos animais.

Nao houve diferenca (p > 0,05) entre tratamentos no tempo gasto pelos animais para o consumo de MS e FDN (Tabela 4), observando medias de 256,1 e 599,2 min. [kg.sup.-1], respectivamente. Esse tempo pode ser influenciado pela composicao da dieta, principalmente no teor de PB, que quando em maior porcentagem nas dietas pode reduzir esse tempo de consumo. Carvalho et al. (2008) forneceram dietas para ovinos em confinamento com media de 16% de PB, relatando menores tempos (218,6 e 506,8 min. [kg.sup.-1]) de consumo para MS e FDN.

O tempo de mastigacao total (TMT) (Tabela 5) em horas [dia.sup.-1] nao foi influenciado (p > 0,05) pelos niveis de inclusao de ureia, provavelmente em funcao da semelhanca nos tempos despendidos em alimentacao e ruminacao entre as dietas, e pelo fato de nao ter ocorrido diferencas nos consumos de MS e FDN. Macedo et al. (2007) relataram valor medio do TMT (895 min.) superior ao encontrado (786 min.) nesse trabalho, podendo ser o baixo teor de PB (6,24%) utilizado pelo autor o que influenciou nessa variacao.

O numero de bolos ruminados (Tabela 5) tambem nao diferiu (p > 0,05) em funcao dos niveis de ureia na dieta, sendo o valor medio de 609,81 bolos [dia.sup.-1]. O NBR e dependente do tempo de ruminacao e do tempo gasto para ruminar cada bolo, e o fato de nao ter ocorrido variacao nesses tempos explica a semelhanca do NBR entre os tratamentos. Esperava-se que com o aumento da PDR (ureia) ocorresse maior degradacao da fibra e menor numero de bolos ruminados.

Macedo et al. (2007) observaram 899,8 e 744,0 bolos ruminados quando as dietas apresentaram teores de FDN de 50 e 43% e de PB de 6,47 e 7,45%, respectivamente. O NBR foi superior ao encontrado nesse trabalho, em que as dietas apresentaram valores medios de 46,45% de FDN e 12,33% de PB.

Em relacao as mastigacoes mericicas, o tempo gasto (MMtb) e o numero de mastigacoes por bolo (MMnb) e por dia (MMnd), expostos na Tabela 5, foram semelhantes (p > 0,05) entre os tratamentos, com medias de 47,09 s [bolo.sup.-1]; 60,65 mastigacoes [bolo.sup.-1] e 36.954,56 mastigacoes [dia.sup.-1]. Macedo et al. (2007) nao observaram diferenca para o MMtb e MMnb; entretanto, o MMnd sofreu efeito linear decrescente a medida que aumentou o teor de PB e reduziu o teor de FDN, sendo o valor medio para o MMtb (46,97 s) semelhante ao encontrado (47,09 s) nesse trabalho.

Os valores medios para as eficiencias de alimentacao e ruminacao (g MS e FDN [h.sup.-1]), expostos na Tabela 6, nao foram influenciados (p > 0,05) pelos niveis de inclusao de ureia. Geralmente, essas variaveis sao influenciadas pelo consumo de MS e FDN, fato comprovado por Carvalho et al. (2004) que observaram menor eficiencia de ruminacao quando os animais consumiram menores quantidades desses nutrientes.

A ausencia de efeito sobre as eficiencias de alimentacao e ruminacao encontradas pode ser explicada pela semelhanca observada no consumo de MS e FDN e nos tempos de alimentacao e ruminacao. Isso pode ser comprovado ao se comparar com os resultados observados por Carvalho et al. (2008), mediante os respectivos resultados de consumos de MS de 1,25 e 1,38 kg [dia.sup.-1]; e FDN de 0,53 e 0,60 kg [dia.sup.-1], para a eficiencia de alimentacao de 243,07 e 278 g de MS [h.sup.-1]; 104,06 e 119,9 g de FDN [h.sup.-1]; e para a eficiencia de ruminacao de 163,27 e 181,6 g de MS [h.sup.-1]; 69,86 e 78,4 g de FDN [h.sup.-1].

Conclusao

A ureia pode ser incluida em ate 1,5% na materia seca total, em dietas com relacao volumoso:concentrado de 40:60 e que tenha 50% farelo de vagem de algaroba na composicao do concentrado, pois nao altera as eficiencias de alimentacao e ruminacao e demais parametros do comportamento ingestivo dos ovinos.

DOI: 10.4025/actascianimsci.v32i4.8832

Received on November 23, 2009.

Accepted on September 9, 2010.

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Evanilton Moura Alves *, Marcio dos Santos Pedreira, Carlos Alberto Santana de Oliveira, Luzyanne Varjao Aguiar, Mara Lucia Albuquerque Pereira e Paulo Jose Presidio Almeida

(1) Programa de Pos-graduacao em Zootecnia, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Praca Primavera, s/n, 45700- 000, Itapetinga, Bahia, Brasil. * Autor para correspondencia. E-mail: alveszootec@gmail.com
Tabela 1. Composicao quimica dos alimentos e concentrados.

                                           Concentrados

                                      Nivel de ureia na MS da
                                             dieta (%)

Item                FVA    FT-85     0      0,5     1,0     1,5

MS (%)             92,97   88,41   88,32   88,07   87,59   87,15
MO (% MS)          96,56   94,97   95,45   95,60   96,11   96,17
PB (% MS)           9,09    8,02   15,04   15,33   15,10   15,35
NIDN (% N-total)   22,15   35,26   14,87   15,06   15,25   15,44
PIDN (% MS)         2,01    2,83    2,24    2,31    2,30    2,37
EE (% MS)           0,87    1,66    2,22    2,26    2,16    2,26
CHOT (% MS)        86,60   84,29   78,19   78,00   78,84   78,56
FDN (% MS)         33,02   80,36   24,65   24,24   24,05   23,75
FDNcp (% MS)       28,17   73,61   19,79   19,26   18,87   18,71
FDA (% MS)         20,43   40,29   12,76   13,03   12,50   40,29
CNF (% MS)         58,43   10,68   58,40   61,67   65,86   68,67
LIG (% MS)          6,45    6,28    3,99    3,90    3,78    3,75
MM (% MS)           3,44    6,03    4,55    4,40    3,89    3,83

FVA = Farelo vagem algaroba; FT-85 = Feno Tifton-85.

Tabela 2. Composicao das racoes experimentais (% MS).

                              Nivel de ureia na MS da dieta (%)

Alimento (%)                 0         0,5        1,0        1,5

Farelo vagem algaroba       30,00      30,00      30,00      30,00
Milho moido                 18,5       21,5       24,5       27,5
Farelo de soja              10,50       7,00       3,50       0,00
Ureia                        0,00       0,50       1,00       1,50
Mistura mineral              1,00       1,00       1,00       1,00
Feno Tifton-85              40,00      40,00      40,00      40,00
Total                      100,00     100,00     100,00     100,00

                                     Composicao quimica

MS (%)                      88,36      88,21      87,92      87,66
MO (% MS)                   94,86      94,94      95,25      95,29
PB (% MS)                   12,23      12,41      12,27      12,42
NIDN (% N-total)            23,02      23,14      23,25      23,37
PIDN (%MS)                   2,48       2,52       2,51       2,55
EE (% MS)                    2,00       2,02       1,96       2,02
CHOT (% MS)                 80,63      80,52      81,02      80,35
FDN (% MS)                  46,94      46,69      46,57      46,39
FDNcp                       41,32      41,00      40,77      40,67
FDA (% MS)                  24,01      23,77      23,93      23,61
CNF (% MS)                  39,31      41,28      43,79      45,48
[NDT.sub.obs] * (% MS)      69,32      71,47      69,17      74,68
LIG (% MS)                   4,91       4,85       4,78       4,76
MM (% MS)                    5,14       5,06       4,75       4,71

* NDTobs = NDT observado.

Tabela 3. Consumos de materia seca (CMS) e de fibra em
detergente neutro (CFDN) em 24h, tempo despendido em
alimentacao (TAL), ruminacao (TRU) e ocio (TO).

                       Nivel de ureia na MS
                           da dieta (%)

Item                0      0,5     1,0     1,5    Regressao   CV %

CMS em 24h (kg)     1,30    1,27    1,20    1,22  ? = 1,25     9,58
CFDN em 24h (kg)    0,56    0,55    0,51    0,52  ? = 0,53    10,98
TAL (min.)        331,25  287,50  315,63  334,37  ? = 317,19  19,61
TRU (min.)        473,13  480,62  465,00  455,63  ? = 468,59  16,22
TO (min.)         635,63  671,87  659,38  650,00  ? = 654,22  16,28

CV = Coeficiente de variacao.

Tabela 4. Consumos de MS e de FDN por refeicao (kg), tempos
gastos com os consumos de MS e de FDN (min. [kg.sup.-1]), numero
de periodos e tempo gasto por periodo de refeicao, ruminacao e
ocio (min.) em ovinos alimentados com dietas contendo niveis de
inclusao de ureia.

                           Nivel de ureia na MS
                               da dieta (%)

Item                     0,0    0,5    1,0    1,5   Regressao  CV %

Numero de periodos

Refeicao                18,75  17,75  20,00  20,37  ? = 19,22  22,91
Ruminacao               21,25  24,25  23,00  24,75  ? = 23,31  21,21
Ocio                    33,75  33,37  35,37  35,75  ? = 34,56  16,68

Tempo gasto por periodo

Refeicao (min.)         17,67  16,20  15,78  16,41  ? = 16,52  23,93
Ruminacao (min.)        22,26  19,82  20,22  18,41  ? = 20,18  32,02
Ocio (min.)             18,83  20,13  18,64  18,18  ? = 18,95  17,17

Consumno de MS e FDN refeicao

MS/refeicao (kg)        0,071  0,075  0,063  0,063  ? = 0,068  32,28
FDN/refeicao (kg)       0,031  0,032  0,026  0,026  ? = 0,029  32,98

Tempo gasto com os consumosde MS e FDN

MS (min. [kg.sup.-1])   256,1  228,4  263,0  276,9  ? = 256,1  18,59
FDN (min. [kg.sup.-1])  592,4  530,9  620,4  652,9  ? = 599,2  18,68

Tabela 5. Tempo de mastigacao total (TMT), numero de bolos ruminados
(BRU) por dia, tempo gasto em mastigacoes mericicas por bolo (MMtb)
e numero de mastigacoes mericicas por bolo (MMnb) e por dia (MMnd)
em ovinos alimentados com dietas contendo niveis de inclusao de
ureia.

                               Nivel de ureia na MS da dieta (%)

Item                         0,0        0,5        1,0        1,5

TMT (horas [dia.sup.-1])      13,41      12,80      13,01      13,17
NBR (no [dia.sup.-1])        579,82     633,65     603,24     573,72
MMtb (s)                      48,96      45,51      46,25      47,65
MMnb                          63,22      58,77      59,49      61,10
MMnd                       36655,98   37239,34   35886,94   35054,35

Item                        Regressao     CV %

TMT (horas [dia.sup.-1])   ? = 13,10      13,56
NBR (no [dia.sup.-1])      ? = 597,61     21,74
MMtb (s)                   ? = 47,09      16,74
MMnb                       ? = 60,65      22,99
MMnd                       ? = 36209,15   23,32

Tabela 6. Eficiencia de alimentacao e ruminacao (g MS e FDN
[hora.sup.-1]) em ovinos alimentados com dietas contendo niveis
de inclusao de ureia.

                       Nivelie ureia na MS
                           da dieta (%)

Item                0      0,5     1,0     1,5    Regressao   CV %

                    Eficiencia de alimentacao

g MS [h.sup.-1]   235,47  265,04  228,12  218,92  ? = 236,89  20,30
g FDN [h.sup.-1]  101,43  114,18   99,95   93,31  ? = 101,62  20,61

                      Eiciencia de ruminacao

g MS [h.sup.-1]   164,86  158,55  154,84  160,66  ? = 164,86  14,55
g FDN [h.sup.-1]   71,02   68,66   65,81   68,48  ? = 71,02   13,52
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Title Annotation:texto en portugues
Author:Moura Alves, Evanilton; dos Santos Pedreira, Marcio; Santana de Oliveira, Carlos Alberto; Varjao Agu
Publication:Acta Scientiarum Animal Sciences (UEM)
Date:Oct 1, 2010
Words:5629
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