Printer Friendly

Competitive spaces: monarchical euergetism, urban space and integration in Hellenistic Athens (2nd century BC)/Espacos competitivos: evergetismo monarquico, espaco urbano e integracao na Atenas helenistica (sec. II a.C.).

Introducao

A competicao feroz por medalhas nos Jogos Olimpicos atuais, com sua clara vinculacao a propaganda de regimes politicoeconomicos e blocos geopoliticos, e eloquente o bastante para destacar a indissociabilidade entre esporte e politica. De fato, em disputa estao nao apenas medalhas ou honras, mas discursos que legitimam as posicoes das potencias globais e regionais, vinculando habilidades corporais a identidades coletivas e ordenamentos sociais. Tal vinculacao, nao obstante as inumeras diferencas, e um dos elementos que identificam os Jogos atuais aos Jogos antigos. Este texto se propoe a discutir a relacao corpo, identidade e ordem em um caso especifico, qual seja a dedicacao de estatuas equestres a reis helenisticos pela cidade de Atenas no seculo II a.C., apos a vitoria desses monarcas em provas no principal festival da cidade, as Grandes Panateneias.

A escolha do periodo nao e corriqueira: os festivais competitivos gregos, cuja historia remonta ao periodo arcaico e segue rumo a Antiguidade tardia, tem no periodo helenistico um momento de inflexao. A partir do final do seculo IV a.C., o numero de festivais com pretensoes pan-helenicas, que chegavam a algumas centenas no periodo classico (Nielsen 2016), passa pelo que Robert (1984) qualificou como "explosao agonistica". Boa parte dessa explosao se deve a afirmacao da polis enquanto forma de organizacao social e politica no periodo, apesar do paradigma historiografico que postulava a "decadencia da polis" em funcao da reducao de sua autonomia internacional. Contrariando esse paradigma, o periodo helenistico foi marcado pela globalizacao tanto de tracos particulares da cultura grega quanto da propria polis como instituicao, e os festivais tornaram-se vetores da competicao entre antigas e novas polis na busca de relacoes com potenciais benfeitores e da reafirmacao de sua helenidade (Van Nijf 2013; Vlassopoulos 2013).

O objeto deste texto e discutir os sentidos dos festivais atleticos gregos no periodo helenistico, tomando como estudo de caso as intervencoes espaciais associadas as Grandes Panateneias em Atenas no seculo II a.C. Tais intervencoes estao diretamente relacionadas a uma dupla competicao: entre os reis helenisticos, interessados em imprimir sua presenca tanto na historia do festival quanto na paisagem urbana ateniense, e entre as cidades gregas, em busca dos presentes oferecidos pelos monarcas. A estrutura criada por esta interacao e o que foi denominado modernamente como "evergetismo", aplicado a concessao de honras pelas cidades a seus benfeitores, reis ou cidadaos, em troca de presentes variados, tais como protecao militar, facilitacoes diplomaticas, doacoes de alimentos, dinheiro, edificios, arrendamentos etc. (Andreau, Schnapp & Schmitt-Pantel 1978; Gygax 2016; Veyne 1969, 1976; Zuiderhoek 2009). As competicoes sagradas dos festivais gregos eram, assim, vetores das competicoes evergetas (entre benfeitores e entre cidades), reproduzindo-as e teatralizandoas --dai escolhermos a expressao "espacos competitivos" no titulo.

Para tanto, o texto esta dividido em tres partes. Na primeira, discutimos brevemente as especificidades do estudo da polis no periodo helenistico, tendo em vista a notavel vitalidade do paradigma "biologico" da polis grega. Na segunda, observamos a relacao entre evergetismo e tradicao competitiva grega no contexto da geopolitica especifica do seculo II a.C. Na terceira, analisamos a dedicacao de estatuas equestres aos reis helenisticos em Atenas associada as Grandes Panateneias. Na conclusao, sintetizamos os argumentos e discuto a relacao entre integracao mediterranica, monarquia helenistica e helenidade a partir do caso ateniense.

A polis helenistica e seus fantasmas

O estudo da polis grega, central na conformacao da Historia da Grecia enquanto forma (Guarinello 2003; Vlassopoulos 2007), desde a decada de 1990 tem passado por intensas transformacoes. Por um lado, projetos grandiosos de levantamento documental, tal como o extenso inventario produzido pelo Copenhagen Polis Centre (Hansen & Nielsen 2004), tem demonstrado a enorme diversidade de experiencias sociais e politicas que caracterizavam as polis gregas. Por outro lado, o impacto dos debates etico-politicos criticos ao eurocentrismo promoveu, no ambito da pesquisa, uma valorizacao de objetos historicos tradicionalmente tomados como subalternos, tais como historias de mulheres, estrangeiros, pobres, periodos como o helenistico e o imperial, ou temas como o cotidiano, as identidades ou o mundo rural (Alcock 1993; Van Nijf & Alston 2011).

Um dos resultados dessas transformacoes foi a revisao critica do conceito de polis, do ponto de vista seja de sua composicao, seja de seus elementos essenciais. Por um lado, a polis como sinonimo de "comunidade de cidadaos" deu lugar a diversidade de formas sociais que nao se reduzem ao direito pleno de cidadania nem a vinculacao a historia politica ou aos monumentos urbanos (Morales 2014). Por outro lado, caracteristicas tomadas como quintessenciais da polis, tal como a autonomia externa, foram contextualizadas: poucas cidades, num universo de mais de mil polis, detinham plena autonomia, e as polis nao autonomas nao deixavam de ser, por isso, polis (Hansen 1995).

Tal quadro teve, obviamente, impacto sobre a morfologia da Historia da Grecia. A morfologia tradicional (Guarinello 2003) parte da identificacao da Historia da Grecia a das polis gregas (excetuando assim as comunidades infra ou suprapoliades, como aldeias, ethne e confederacoes), as quais eram tomadas como "comunidades autonomas de cidadaos". A historia da Grecia, pois, estruturava-se ao redor das polis por excelencia (Atenas ou Esparta no periodo classico), dividindo-se em periodos anteriores a polis (a pre e proto-historia micenica e "obscura"), de formacao (arcaico), de apogeu (classico) e de decadencia da polis (helenistico e imperial). A polis era vista como organismo vivo, que passaria da infancia e juventude a maturidade, e desta a velhice. Desse modo, os manuais da historia da Grecia iniciavam a narrativa com Homero--ou, eventualmente, com o mundo micenico--e terminavam com Alexandre, o heroi dialetico hegeliano que a um passo expandia e estrangulava a liberdade da polis grega. A historia do periodo helenistico seria a historia do "helenismo", com breves passagens sobre as decadentes cidades gregas; a historia do periodo imperial seria, pois, historia de Roma.

Com as transformacoes do final do seculo XX, as trajetorias das cidades gregas pos-classicas seriam revistas. De fato, ainda nao tao bem equipados com producao literaria como o classico, os periodos helenistico e imperial apresentam uma abundancia incomparavel de material epigrafico e, em diversos contextos, tambem arqueologicos. As pesquisas pioneiras sobre as cidades gregas pos-classicas, tais como o livro de Jones ou a extensa producao de Louis Robert, ou os estudos arqueologicos ligados a sitios especificos, como a agora de Atenas, forneceram as bases para a renovacao do campo. Livre da sombra classica, a polis helenistica foi reabilitada. Robert Parker, em 2004, ja escrevia que a "continua vitalidade da polis no periodo helenistico" se tornara "algo como um cliche academico" (Parker 2004: 16). Assim, novas possibilidades se abriam para que a polis helenistica se tornasse objeto de experimentacao de diversas abordagens que buscam superar o eurocentrismo da morfologia tradicional.

Dessas abordagens, destacamos duas: a abordagem mediterranista e a abordagem historico-global. A primeira--proposta de modo estruturado no livro The Corrupting Sea, de Horden & Purcell (2000), sendo desde entao objeto de criticas e revisoes--se baseia na centralidade do Mediterraneo como elemento explicativo da Historia Antiga: o mar como propulsor ou facilitador das trocas, dos contatos, das conexoes. Tomado seja como fato ecologico de longuissima duracao (a fragmentacao e a precariedade das microecologias), seja como conjunto de modos de integracao que variam com o tempo e apresenta ritmos e intensidades diversos (as mediterranizacoes), o Mediterraneo aparece como alternativa a "Antiguidade greco-romana", formulada mais em termos de coerencia documental (a tradicao classica) do que sociocultural. A espacializacao da Historia Antiga, assim, desloca a historia das polis gregas do lugar de "berco da civilizacao" para articula-la a historia de uma regiao do mundo, o Mediterraneo. Claro esta, a abordagem mediterranista se articula a crescente importancia dos estudos da globalizacao contemporanea, que afetaria muitos outros campos da historiografia.

Ja a segunda abordagem, historico-global, ao contrario da mediterranista, nao conta com uma obra que sirva como marco decisivo: diversos estudos em diferentes contextos, tais como a world history, a histoire connectee, a transnational history, os subaltern studies e os post-colonial studies, entre outros, apontaram para a formulacao de uma abordagem que somente ha pouco tem recebido suas primeiras tentativas de sintese (Conrad 2016; Crossley 2008; Olstein 2014). Seu impacto na Historia Antiga--e seu encontro com o Mediterraneo--ainda esta em seus primeiros estagios, mas tem produzido, por exemplo, interessantes estudos sobre as "globalizacoes" mediterranicas (Vlassopoulos 2013), as conexoes do mediterraneo com outras regioes (Hildebrandt & Gillis 2017) e comparacoes de experiencias sociopoliticas ou intelectuais do mediterraneo com o extremo oriente (Lloyd & Zhao 2018; Scheidel 2009, 2015).

Nesse contexto, a historia das cidades helenisticas tem sido terreno particularmente fecundo. A propria polis enquanto forma social foi globalizada, transformando-se em funcao, por exemplo, dos diferentes potenciais economicos de seus territorios, da intensidade da diversidade etnica de sua populacao, das modalidades de vinculacao a estados monarquicos etc. Onno Van Nijf chega a falar em "second rise of the Greek City" (Van Nijf 2013: 311). Cada vez mais "mediterranizadas" e "globalizadas", as cidades gregas no periodo helenistico sao tomadas pela historiografia recente como laboratorios de diversos dilemas enfrentados pelas sociedades contemporaneas. Em um mundo de horizontes ampliados, mas tambem de atores geopoliticas tao instaveis quanto ameacadores (as monarquias e, com o tempo, a republica romana), a interacao entre as cidades se intensifica, seja pela formacao de ligas e redes, seja pela competicao por beneficios locais ou supralocais. Desse modo, a difusao do evergetismo (civico e monarquico) e a multiplicacao dos festivais e dos equipamentos urbanos associados sao fenomenos de particular relevancia. Vejamos.

Competicoes atleticas, competicoes evergetas

O periodo helenistico testemunhou um crescimento extraordinario do numero de festivais (Parker 2004; Pleket 2014). Na base dessa multiplicacao estao a propria difusao da polis como forma de organizacao social e o novo estatuto da identidade helenica. Por um lado, a globalizacao da polis acompanhava a ampliacao dos limites do mundo grego operada pelo estabelecimento dos reinos macedonios, por outro, as referencias identitarias da helenidade eram tanto esgarcadas quanto reforcadas pelos novos atores em cena. Entre essas referencias, os festivais, em particular aqueles que incluiam competicoes atleticas, permitiam uma nova articulacao entre o nivel local, com a multiplicacao de eventos e equipamentos urbanos, e global, com a intensificacao do movimento de embaixadores, atletas e espectadores nos novos eventos mais prestigiosos. Parker (2004: 9) sugere que os festivais podem ser a primeira "instituicao promotora de mobilidade".

Na fronteira entre o local e o global, os festivais eram maleaveis o suficiente para manter a identidade da polis e abrirem-se para os fluxos mediterranicos: as competicoes poderiam ser abertas ou fechadas para estrangeiros, assim como as regras, as modalidades e as premiacoes poderiam ser mais ou menos sintonizadas com os grandes festivais. As Grandes Panateneias, por exemplo, continham competicoes exclusivas para cidadaos, como a corrida com armamento, ao lado de competicoes abertas, como a corrida de quadrigas (Shear 2001). Quanto a universalizacao de padroes competitivos, sao eloquentes as proclamacoes de festivais como "isolimpicos", "isopiticos" ou "isonemeus", pratica iniciada com Ptolomeu II Filadelfo na criacao da Ptolemaia em honra de seu pai, Ptolomeu I Soter (Parker 2004), e ilustrada de modo eloquente na celebre inscricao de Magnesia no Meandro, que registra a solicitacao (e diversas respostas) da cidade ao reconhecimento do carater pan-helenico do festival a Artemis Leukophyene, enviando embaixadores da Sicilia a Mesopotamia (Thonemann 2007).

A multiplicacao dos festivais foi acompanhada pelo movimento de transformacao da relacao das polis com os ginasios. Por um lado, ocorrem transformacoes arquitetonicas e espaciais: ate entao estruturas arquitetonicas relativamente modestas, localizadas em geral na regiao extramuros das cidades, os ginasios, no periodo helenistico, sao construidos no coracao das cidades, assumindo um carater cada vez mais monumental. Por outro lado, a cidade, a partir do corpo de magistrados, passa a ter um controle muito mais efetivo sobre as atividades realizadas nos ginasios (Gauthier 1995; Van Nijf 2013). O ginasio helenistico manteve a vinculacao tradicional ao treinamento militar e a formacao cultural, mas cada vez mais se articulou ao treinamento--de jovens e adolescents--voltados aos festivais competitivos (atleticos e artisticos). Ainda que a restricao dos frequentadores as elites raramente fosse enunciada, o ginasio era essencialmente destinado as classes possuidores de tempo e recursos necessarios para a dedicacao a tais atividades (Van Nijf 2013: 316).

A multiplicacao dos festivais competitivos e a multiplicacao de estruturas ginasiais estao intimamente articuladas: os ginasios eram espacos formativos para os atletas que, a partir de cada polis, competiriam nos festivais pan-helenicos. Assim, aos magistrados responsaveis pelos ginasios cabia nao somente o acompanhamento das atividades, como tambem o financiamento e a organizacao de competicoes, entao transmutadas em rituais que reiteravam os valores das elites poliades da competicao entre iguais e sua vinculacao a polis--fatores fundamentais para a manutencao de sua posicao enquanto elites (Van Nijf 2013). Desse modo, festivais pan-helenicos e ginasios poliades reforcavam-se mutuamente, formando uma "cultura atletica" composta por rituais que a um passo serviam como imaginarios sociais e vetores da reproducao social das hierarquias (Van Nijf 2013).

A cultura atletica helenistica, em sua reproducao, articulava-se profundamente com as relacoes evergetas, tanto no nivel poliade quanto internacional. No nivel poliade, a difusao das magistraturas financiadas nao pela cidade, mas pelo proprio ocupante, reforcavam a posicao dos magistrados como evergetas, responsaveis pelos recursos e pela gestao das estruturas ginasiais. No nivel internacional, o reconhecimento do carater pan-helenico de determinados festivais era incorporado as relacoes de troca entre presentes e honras: inscricoes homenageavam as comunidades ou individuos que "doavam" o reconhecimento e facilitavam as missoes dos embaixadores; entre as honras, contavam as aclamacoes ou os assentos reservados durante as atividades.

Nesse contexto, os proprios festivais eram integrados ao evergetismo: um evergeta particularmente generoso poderia ser homenageado com a instituicao de um novo festival. Aqui, vale a pena retomar a discussao de Hans-Ulrich Wiemer acerca da natureza dos festivais helenisticos. Contra a equivalencia dos diversos festivais ao rotulo de "festivais civicos", o autor distingue aqueles organizados pela cidade e voltados para as tradicoes poliades ("festivais civicos") daqueles organizados pelo monarca e voltados para a celebracao de seu poder ("festivais monarquicos"). Enquanto nos primeiros os cidadaos reforcavam sua identidade e participavam ativamente da organizacao e execucao das cerimonias, nos ultimos os cidadaos eram espectadores de atividades organizadas pela corte, que teatralizavam os valores vinculados ao poder monarquico. O autor menciona alguns casos-limite que diminuem a nitidez dessa oposicao, tais como festivais organizados pelas cidades em homenagens aos reis, em agradecimento a protecao em situacoes extremamente perigosas, como quando Teos honra Antioco III e a rainha Laodice no final do sec. III a.C., ou quando a cidade servia como residencia dos reis, como no caso exemplar de Pergamo em relacao a Atalo III, onde a identidade poliade fundia-se a comemoracao dinastica atalida. Nesses casos, ainda, tratavase de festivais civicos, nos quais os reis eram homenageados, mas nao os organizadores dos festivais (Wiemer [S.d.]).

A distincao de Wiemer e util para demonstrar ao mesmo tempo a separacao e a fusao de logicas diferentes entre e intrafestivais. Aqui, interessa-nos particularmente o lugar dos reis na comemoracao das Grandes Panateneias de Atenas. Nao menos desprotegida que cidades menores como Teos, Atenas tem consigo, no entanto, a vantagem competitiva de ser considerada uma das referencias centrais da helenidade, capital extremamente valorizado em tempos de globalizacao helenistica. Assim, se nao se exime de eventualmente criar festivais em homenagem a evergetas--tais como Diogenes e Ptolomeu III, associados a libertacao em relacao a Macedonia em 229 a.C.--, a cidade tem em seu principal festival um espaco para negociar as relacoes evergetas com uma audiencia cada vez maior: os reis buscam as Grandes Panateneias para demonstrar sua helenidade e sua ligacao com Atenas. As Grandes Panateneias no periodo helenistico sao, sem duvida, festivais civicos, organizados e performados pelos cidadaos; no entanto, a presenca crescente dos reis aliados--lagidas, seleucidas e atalidas--reafirma tanto o carater de Atenas como referencia da helenidade quanto transforma a cidade em palco para a celebracao dinastica.

A participacao monarquica nas Grandes Panateneias nos e conhecida pelas inscricoes com listas de vencedores e algumas poucas passagens na tradicao literaria, todas elas analisadas por Shear (2001: 606-636; 862-884). Quatro tipos de participacao sao atestadas: a recepcao de embaixadas que convidavam para o festival (como a enviada a Ptolomeu VI, para os Jogos de 170/9 a.C.); a participacao como financiadores e organizadores (como Ariarates V da Capadocia, agonoteta em 138/7 a.C.); a recepcao de homenagens como a aclamacao ou a concessao de coroas douradas (como Farnaces e Nisa do Ponto, em 194/3 a.C.); a participacao como competidores nas diversas modalidades hipicas (como Ptolomeu V e Ptolomeu IV em 182/1 a.C.; os quatro irmaos atalidas Atalo II, Eumenes II, Filetairo e Atenaios em 178/7 a.C.; Eumenes II e Atalo II em 170/169 a.C.; Cleopatra II, Ptolomeu VI e Eumenes II em 162/1 a.C.; Mastanabal, principe da Masinissa, e Ptolomeu VI em 158/7 a.C.; e Alexandre Balas da Siria em 150/9 ou 146/5 a.C.). A essas, devem se adicionar outras, nao atestadas, mas com provavel participacao dos reis como espectadores ou como celebrantes na grande procissao final.

Tal listagem, incompleta por conta do carater fragmentario ou pela ausencia de algumas inscricoes panatenaicas, parece indicar uma hierarquia da participacao monarquica: familias reais de primeiro escalao (do Egito, de Pergamo e da Siria) tendem a dominar a amostragem de vencedores em competicoes hipicas, enquanto reis de segundo escalao (da Capadocia e do Ponto) aparecem entre agonotetas ou homenageados com coroas. Tal hierarquia, no entanto, e mais evidente nas intervencoes espaciais associadas ao grande festival, que eternizam na paisagem urbana a presenca monarquica e que sao objeto da discussao a seguir.

As intervencoes panatenaicas

As intervencoes espaciais relacionadas aos reis e as Grandes Panateneias podem ser divididas em dois tipos. Em primeiro lugar, os monumentos com referencias diretas a participacao monarquica nos jogos, tais como os pilares comemorativos de vitorias. Em segundo lugar, os edificios e monumentos edificados nos espacos engajados nos rituais do festival, mas que nao fazem referencia direta a participacao monarquica.

Do primeiro tipo, destacam-se os pilares dispostos na acropole e na agora e identificados, com graus variaveis de seguranca, como monumentos comemorativos de monarcas atalidas. Na acropole, ha vestigios de dois pilares que sustentavam quadrigas de bronze. O mais preservado e aquele situado sobre o terraco ao norte da via de acesso a acropole (diante da "pinacoteca" do propileu): trata-se de um pilar composto por blocos de marmore azul do Himeto (corpo principal) e branco do Pentelico (moldura inferior e superior), com fundacoes em poros e atingindo uma altura de cerca de nove metros (Fig. 1). Marcas na superficie superior dos blocos preservados (Fig. 2) sao coerentes com a reconstrucao de um monumento equestre de bronze composto por uma quadriga e seus condutores. Esse pilar e conhecido como "pilar de Agripa" ou "quadriga de Agripa", em funcao da inscricao dedicatoria encontrada em uma de suas faces que apontava Marco Vipsanio Agripa, genro de Augusto, como o destinatario da homenagem. No entanto, como demonstrado por Dinsmoor (1920), a dedicacao a Agripa estava inscrita sobre uma mais antiga, que foi apagada. O fato de as tecnicas construtivas e da ornamentacao dos perfis serem dataveis da epoca tardo-helenistica fez com que Dinsmoor sugerisse que a inscricao originaria dedicava o monumento aos reis atalidas e a Eumenes II em particular.

Tal hipotese se baseia principalmente na atestacao de vitorias de Eumenes II e seus irmaos Atalo (II), Filetairos e Ateneu nas competicoes equestres da Grande Panateneia de 178/7 a.C. (Shear 2001: 1223), mas Eumenes II e Atalo (II) tambem sao vitoriosos na Grande Panateneia de 170/69 a.C. De qualquer modo, o fato de os quatro irmaos terem vencido competicoes no mesmo ano aponta para a dedicacao da quadriga em 178/7 a.C., incorporando figuras dos quatro no mesmo monumento.

Outro pilar, nao tao bem conservado, e aquele situado na quina nordeste do Partenon (Figs. 3-4), estudado em detalhe por Korres (2000: 320-325). Suas similaridades com o pilar diante do propileu (tecnica, ornamentacao e rededicacao na epoca imperial) apontam para uma datacao semelhante. Uma hipotese plausivel seria sua dedicacao a vitoria dos reis atalidas na Grande Panateneia de 170/69 a.C.

Nao ha indicios claros para a iniciativa da dedicacao dos dois monumentos, mas e plausivel que tenha sido feita pelos demos, mesmo que contando com apoio financeiro dos proprios homenageados. A dedicacao de quadrigas era pratica ja atestada em centros pan-helenicos, em particular em Delfos (Korres 2000). Um pilar semelhante aos da acropole ateniense foi encontrado em Delfos, diante da Estoa de Atalo I (Stewart 2004: 211), datando do inicio do seculo II a.C.; tal intervencao, paralela aos monumentos atenienses, denota a percepcao da acropole de Atenas como equivalente ao santuario de Delfos, utilizado como espaco de exposicao para a monarquia atalida. No caso ateniense, a ligacao do motivo figurativo do monumento--a quadriga--com uma das mais prestigiosas competicoes do principal festival da cidade e coerente com o efeito propagandistico: as competicoes equestres foram, entre as decadas de 180 e 140 a.C., espacos para a competicao entre reis helenisticos, em particular de Pergamo, do Egito e da Siria (Shear 2001: 1223). Posicionados na entrada da acropole e na quina nordeste do Partenon, os dois pilares abriam e fechavam o percurso da procissao panatenaica sobre a acropole, reforcando, pelo dialogo com o templo de Atena Nike (Nike/Atenas, Nikephoros/Pergamo) num caso, e com a Dedicacao Atalida e o Partenon noutro, o paralelismo entre a acropole de Pergamo e a acropole ateniense.

Na agora, vestigios de outros dois pilares apresentam indicios--ainda que frageis--de uma associacao direta ao festival. Diante da Estoa de Atalo, construida em meados do seculo II a.C., localiza-se o pilar conhecido como "monumento do doador" (Fig. 5): um enorme pilar de marmore do Himeto que atingia o segundo andar da Estoa de Atalo, praticamente identico ao pilar de Eumenes II/Agripa na acropole, e que sustentava uma quadriga em seu topo. Proximo deste, outro pilar (Fig. 6) se localizava na quina norte-ocidental da Estoa Media; os parcos vestigios encontrados pelos escavadores, no entanto, nao permitem a identificacao do tipo de estatua em seu topo, ainda que sua base e sua proximidade da Estoa Media apontem para uma semelhanca com o "monumento do doador" anteriormente mencionado.

O segundo tipo de intervencao--sem referencia direta, mas edificado nos espacos engajados no festival--se concentra na agora (Morales 2015: 134-160) (Fig. 7), sendo composto por edificios que emolduram espacos abertos (o conjunto formado pelo Metroon, a Estoa Media e a Estoa de Atalo na agora), monumentos pelos quais os celebrantes passam durante a procissao (como a base dos herois eponimos) e um edificio cujos vestigios apontam para sua identificacao com um ginasio (o conjunto conhecido como Praca Sul, interpretado por alguns como o ginasio de Ptolomeu mencionado em fontes literarias e epigraficas) (Marchetti 2012).

Na primeira categoria, o efeito de emolduracao do espaco da agora e feito pela sequencia de longos edificios de fachadas colunadas. Ainda que se tratem das celebres agoras "em ferradura", a referencia ao urbanismo microasiatico parece clara. Assim, a construcao do Metroon em meados do seculo II a.C., com intensa participacao pergamena (revelada pelas similaridades do edificio com a Biblioteca de Pergamo) completava no lado ocidental da agora a sequencia colunada das estoas Real e de Zeus. A extensa Estoa Media, com seus 147 m de comprimento e com colunatas nos quatro lados, articulava-se em orientacao e em altura da base com a Estoa de Atalo, que se estendia por 111 metros ao longo do lado leste. A construcao das duas estoas (a Media, poucos antes de 180 a.C., e a de Atalo, em meados do mesmo seculo) regularizavam a orientacao dos edificios do lado sul e leste ortogonalmente, dispostos de modo ligeiramente diagonal em relacao a via Panatenaica. Desse modo, alem do efeito visual de emolduracao, as estoas serviam como plataformas de observacao das atividades realizadas na via, tais como algumas competicoes de corrida ou a propria procissao.

Entre a area central e oeste da agora estava o monumento dos herois eponimos, composto por uma extensa base que sustentava estatuas dos doze herois eponimos das tribos atenienses, entre os quais se incluiam, apos a reorganizacao posterior a 200 a.C., os monarcas Ptolomeu III e Atalo I. Na medida em que muitas das atividades do festival eram organizadas a partir das estruturas tribais, e plausivel postular a importancia do monumento que identificava as tribos durante as atividades.

Finalmente, vale retomar brevemente a discussao acerca da identificacao da chamada "Praca Sul", escavada pelos arqueologos americanos nos anos 1930 (Morales 2015: 134-147). Ocupando uma area total de 10 mil metros quadrados--entre areas cobertas e abertas--, a Praca Sul e composta por diversos edificios: a Estoa Media, que marca seu limite setentrional; o Edificio Leste, que funcionava na triagem do acesso ao espaco interior; a Estoa Sul II, que substituiu a Estoa Sul I em meados do seculo II a.C., e limitava a area ao sul, na elevacao do terreno no sentido da acropole; o Peribolo Retangular, construido no final do periodo arcaico e reformulado, internamente, no seculo II a.C., que limitava a area a oeste; e a fonte sudoeste, que se articulava a via que ligava a agora a regiao do Areopago. Ha indicios ainda de dois edificios retangulares no espaco interior da praca Sul de base bastante similar a templos, mas a escassez dos vestigios nao permite uma identificacao mais precisa.

A identificacao do edificio, e consequente atribuicao de usos e de personagens associados, e objeto de debates acalorados entre os especialistas desde sua descoberta. Alternativamente como tribunal, area comercial ou deposito de graos: recentemente novos argumentos foram aduzidos a identificacao do complexo como um ginasio, e, particularmente, ao ginasio de Ptolomeu, mencionado por Pausanias e por algumas inscricoes. Entre os principais argumentos, estao a area central do complexo, que lembra o espaco de uma palestra, a area coberta da Estoa Media, que se assemelha a estrutura de um xystos (pista coberta), a disposicao dos espacos no edificio Leste, que indicariam uma selecao da entrada em funcao da estrutura tribal, e a existencia de facilidades hidricas, como uma pequena fonte da Estoa Sul II e a grande Fonte Sudoeste. A associacao ao "ginasio de Ptolomeu" mencionado por Pausanias se da por conta da proximidade a agora implicada no relato do periegeta; o elevado terraco no limite setentrional do complexo, para Marchetti, significaria que ele nao fazia parte da agora, estando, entretanto, proximo dela, como relata Pausanias.

A essa interpretacao, adicionariamos tres indicios particularmente relevantes. O primeiro e o material utilizado na construcao da Estoa Media: calcario de Egina, ilha entao sob dominio de Pergamo. O segundo e a articulacao do complexo ao Peribolo Retangular, ja identificado com alguma seguranca como o Aiakeion mencionado por Herodoto; vale lembrar que algumas inscricoes indicam que no Aiakeion de Egina era realizado o culto conjunto a Ajax e a Atalo I de Pergamo. O terceiro e a semelhanca do provavel xystos da Estoa media com o xystos do ginasio da cidade de Pergamo. Ora, esses tres elementos apontam para a participacao de Pergamo na construcao do complexo, fosse ele ou nao o ginasio de Ptolomeu. A construcao posterior da Estoa de Atalo, no lado oriental, e do Metroon, no lado ocidental, reforcaria, pois, a posicao de Pergamo na paisagem da agora, indicada de modo incipiente na construcao da Praca Sul/Ptolemaion, dialogando, assim, com as intervencoes atalidas na acropole.

Conclusao

A polis grega no periodo helenistico nao "decaiu": a intensidade do engajamento de comunidade civica, viajantes e monarcas com as instituicoes poliades e indicio da vitalidade da polis enquanto forma de organizacao social. A globalizacao da polis foi acompanhada pela construcao de redes que ao mesmo tempo reforcavam as posicoes locais das polis e as integravam em comunidades mais amplas - entre essas redes, os festivais panhelenicos certamente ocupam lugar central. A multiplicacao dos festivais, acompanhada da multiplicacao de espacos associados ao treinamento nas cidades--os ginasios--fazem parte da construcao de uma "cultura atletica" que tem novos horizontes e novos atores no periodo helenistico. Sem duvida, uma das mudancas mais relevantes em relacao aos periodos arcaico e classico e a centralidade dos monarcas, que fomentavam a multiplicacao dos festivais e ginasios nos termos das modalidades do evergetismo, instituicao fortalecida no contexto de reforco das oligarquias, da competicao interpoliade e da instabilidade geopolitica.

A multiplicidade de articulacoes entre festivais, ginasios e evergetismo e flagrante: as cidades, em funcao de suas dimensoes e seus capitais culturais, articulavam de modos diferentes os festivais civicos e monarquicos, os lugares dos atores na organizacao e execucao dos festivais, as relacoes entre elites e povo no contexto das atividades ginasiais. O caso da Atenas helenistica, cidade tao forte do ponto de vista cultural quanto fragil do ponto de vista militar, e revelador das solucoes disponiveis as polis: Atenas abre seu principal festival civico de modo especial para os monarcas (muitas vezes honrados com o titulo de cidadania), ao mesmo tempo reforcando seu prestigio e suas tradicoes culturais e servindo como palco para a teatralizacao do extraordinario poder de alguns poucos reis no Mediterraneo oriental. Como decorrencia dessa articulacao especifica, o espaco urbano sera ocupado e disputado entre os monarcas avidos por inscrever seus nomes em uma das capitais da helenidade; Atenas se torna, assim, representacao simbolica e vetor da reproducao das relacoes evergetas que articulavam a geopolitica anarquica do Mediterraneo oriental. O aparecimento de Roma nesse cenario traria novos parametros para o modo como as cidades se relacionavam entre si e com as grandes potencias. Mas, como atestam tanto o continuo crescimento do numero de festivais quanto, especificamente, a centralidade das Grandes Panateneias na estruturacao das intervencoes romanas em Atenas, os festivais continuarao sendo meios tanto simbolicos quanto materiais para a compreensao e intervencao no mundo das polis em geral e da polis dos atenienses em particular.

Referencias bibliograficas

Alcock, S. 1993. Graecia Capta: the landscapes of Roman Greece. Cambridge University, Cambridge.

American School of Classical Studies at Athens. 1953. Monument base at the northwest corner of the Middle Stoa terrace. Disponivel em: <https://goo.gl/BFypc9>. Acesso em: 26/3/2018.

American School of Classical Studies at Athens. 1958. The Donor's Monument partially restored. Disponivel em: <https://goo.gl/6gdTkd>. Acesso em: 26/3/2018.

Anderson, R.C. 1992. General plan of the Agora in the 2nd century A.D. Disponivel em: <https:// goo.gl/CXSFC2>. Acesso em: 26/3/2018.

Andreau, J.; Schnapp, A.; Schmitt-Pantel P. 1978. Paul Veyne et l'evergetisme. Annales: Economies, Societes, Civilisations 33 (2): 307-325.

Conrad, S. 2016. What is global history? Princeton University, Princeton.

Crossley, P. 2008. What is global history? Polity, Cambridge.

Dinsmoor, W. B. 1920. The monument of Agrippa at Athens (abstract). American Journal of Archaeology, 24:83.

Gauthier, P.H. 1995. Notes sur les roles du gymnase dans les cites hellenistiques. In: Worrle, M.; Zanker, P. (Eds.). Stadtbild und Burgerbild im Hellenismus. C. H. Beck, Munchen, 1-11.

Guarinello, N. 2003. Uma morfologia da Historia: as formas da Historia Antiga. Politeia 3 (1): 41-61.

Gygax, M.D. 2016. Benefactions and rewards in the ancient Greek city: the origins of euergetism. Cambridge University, Cambridge.

Hansen, M. 1995. The "Autonomous City-State": ancient fact or modern fiction? In: Hansen, M.H.; Raaflaub, K. (Eds.). Studies in the Ancient Greek Polis. Franz Steiner, Stuttgart, 21-43.

Hansen, M.; Nielsen, T.H. 2004. An inventory of archaic and classical poleis. Oxford University, Oxford.

Hildebrandt, B.; Gillis, C. (Eds.). 2017. Silk: trade & exchange along the silk roads between Rome and China in antiquity. Oxvow, Havertown.

Horden, P.; Purcell, N. 2000. The corrupting sea: a study of Mediterranean history. Blackwell, Oxford.

Korres, M. 2000. A [phrase omitted]. In: Jaquemin, A. (ed.). Delphes cent ans apres la Grande fouille. Essai de bilan. Actes du colloque organise par l"EFA, 17-20 septembre1992. EFA, Athenes, 293-329.

Lloyd, G.; Zhao, J.; Dong, Q. (Eds.). 2018. Ancient Greek and China compared. Cambridge University, Cambridge.

Marchetti, P. 2012. Metamorphoses de l'agora d'Athenes a l'epoque augusteenne. In: Cavalier, L.; Descat, R.; Courtils, J. (Eds.). Basiliques et agoras de Grece et d'Asie Mineure. Ausonius, Bordeaux, 207-223.

Morales, F. 2014. A democracia ateniense pelo avesso: os metecos e a politica nos discursos de Lisias. Edusp, Sao Paulo.

Morales, F. 2015. Atenas e o Mediterraneo romano: espaco, evergetismo e integracao (200 a.C.-14 d.C.). Tese de Doutorado em Historia. Universidade de Sao Paulo, Sao Paulo.

Nielsen, T.H. 2016. Reflections on the number of athletic competitions in pre-Hellenistic Greece. In: Mann, C.; Remijsen, S.; Scharff, S. (Eds.). Athletics in the Hellenistic world. Franz Steiner, Stuttgart, 31-41

Olstein, D. 2014. Thinking History globally. Palgrave Macmillan, London.

Parker, R. 2004. New 'Panhellenic' Festivals in Hellenistic Greece. In: Schlesier, R.; Zellmann, U. (Eds.). Mobility and travel in the Mediterranean from antiquity to the Middle Ages. Lit, Munster, 9-22.

Perry, C. 2013. Pedestal of Agrippa. Disponivel em: <https://goo.gl/BwEY5H>. Acesso em: 26/3/2018.

Pleket, H. 2014. Sport in Hellenistic and Roman Asia Minor. In: Christesen, P.; Kyle, D. (Eds.). A Companion to sport and spetacle in Greek and Roman antiquity. Wiley-Blackwell, Oxford, 364-375.

Robert, L. 1984. Discours d'ouverture. In: Hypourgeio Politismou kai Epistemon. Praktika tou 8. diethnous synedriou hellenikes kai latinikes epigraphikes. Epigraphiko Mouseio, Athena, 35-45.

Scheidel, W. 2009. (Ed.). Rome and China: comparative perspectives on ancient world empires. Oxford University, Oxford.

Scheidel, W. 2015. State power in ancient China and Rome. Oxford University, Oxford.

Shear, J.L. 2001. Polis and Panathenaia: the history and development of Athena's Festival. Doctoral dissertation in Art and Archaeology of the Mediterranean World. University of Pennsylvania, Pennsylvania.

Thonemann, P. 2007. Magnesia and the Greeks of Asia (I. Magnesia 16.16). Greek, Roman and Byzantine Studies (47): 151-160.

Van Nijf, O. 2013. Ceremonies, athletics, and the city: some remarks on the social imaginary of the Greek city of the Hellenistic period. In: Stavrianopoulou, E. (Ed.). Shifting social imaginaries in the Hellenistic period: narrations, practices, and images. Brill, Leiden, 207-232.

Van Nijf, O.; Alston, R. 2011. Political culture in the Greek city after the Classical Age. Peeters, Leuven.

Veyne, P. 1969. Panem et circensis: l'evergetisme devant les sciences humaines. Annales: Economies, Societes, Civilisations 24 (3), 785-825.

Veyne, P. 1976. Le pain et le cirque: sociologie historique dun pluralism politique. Editions du Seuil, Paris.

Vlassopoulos, K. 2007. Unthinking the Greek polis: ancient Greek history beyond the eurocentrism. Cambridge University, Cambridge.

Vlassopoulos, K. 2013. Greeks and Barbarians. Cambridge University, Cambridge.

Wiemer, H.-U. [S.d]. Festival in Hellenistic cities: reflection on theis meaning and functions. Disponivel em: <https://goo.gl/itUH7u>. Acesso em: 1/12/2017.

Zuiderhoek, A. 2009. The politics of munificence in the Roman Empire. Cambridge University, Cambridge.

Fabio Augusto Morales, Professor Adjunto de Historia Antiga, Universidade Federal de Santa Catarina. <fabio.morales@ufsc.br>

Caption: Fig. 1. Fotografia do pilar de Agripa. Fonte: Perry (2013).

Caption: Fig. 2. Desenho do estado atual da superficie do "pilar de Agripa", feito por Manolis Korres em 1986.

Caption: Fig. 3. Desenho do estado atual do pilar na parte nordeste do Partenon.

Caption: Fig. 4. Proposta de reconstituicao do "pilar atalida" na parte nordeste do Partenon.

Caption: Fig. 5. Vestigios do "monumento do doador", localizado diante da Estoa de Atalo.

Caption: Fig. 6. Vestigios da base de um monumento (pilar?) na quina norte-ocidental da Estoa Media.

Caption: Fig. 7. Proposta de planta da agora no periodo imperial (II d.C.).
COPYRIGHT 2018 Museu de Arqueologia e Etnologia - Universidade de Sao Paulo
No portion of this article can be reproduced without the express written permission from the copyright holder.
Copyright 2018 Gale, Cengage Learning. All rights reserved.

Article Details
Printer friendly Cite/link Email Feedback
Title Annotation:texto en portugues
Author:Morales, Fabio Augusto
Publication:Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia
Date:Jan 1, 2018
Words:5857
Previous Article:Breaking with idealization: the athletic greek bodies/Rompendo idealizacoes: os corpos atleticos gregos.
Next Article:Religious meaning and political role of the Olympic agones in the archaic and classical periods/O sentido religioso e a funcao politica dos agones de...
Topics:

Terms of use | Privacy policy | Copyright © 2019 Farlex, Inc. | Feedback | For webmasters