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Comparative analysis of hospital networks: differences between the public--private/Analise comparativa de redes hospitalares: diferencas entre o publico--privado/Analisis comparativo de redes de hospital: diferencias entre el publico--privado.

1 INTRODUCAO

O estudo de redes tem sido tratado com maior enfase por pesquisadores em uma perspectiva interorganizacional. Alguns destes estudos que abordaram o tema de redes interorganizacionais sao os estudos seminais Ahuja (2000), Gulati & Gargiulo (1999), Owen-Smith & Powell (2004), Phelps, Heidl, & Wadhwa (2012), Provan & Milward (1995), Provan; Fish & Sydow (2007). A analise de redes interorganizacionais vem recebendo atencao relativamente recente, e crescente, de autores brasileiros dentro dos estudos da estrategia. Ao realizar uma busca no SPELL--Scientific Periodicals Electronic Library da Associacao Nacional de Pos-Graduacao e Pesquisa em Administracao--ANPAD, com as palavras 'redes interorganizacionais' foram encontrados dezenas de trabalhos publicados sobre a tematica.

Em um contexto competitivo globalizado, a busca pela vantagem competitiva tornou-se mais ardua e mais complexa, exigindo, por parte das empresas, niveis de servico superiores a precos cada vez mais reduzidos (Hitt,, Ireland, & Hoskisson, 2008). Como resposta a esse desafio, surgem novas estruturas organizacionais, que estao ligadas a constituicao de novas formas de relacionamento entre empresas (Amato Neto, 2000). Para Peci (1999), no atual ambiente competitivo, as empresas devem se concentrar nas suas competencias basicas e estabelecer parcerias com outras organizacoes por meio da formacao de redes organizacionais. Castells (1999) concorda com a importancia da estrutura em rede e afirma que as redes sao e serao os componentes fundamentais das organizacoes e que tal estrutura sera a forma predominante de concorrencia na nova economia global. Esse autor destaca ainda que as organizacoes tradicionais, ao operarem de forma individualizada, enfrentarao dificuldades quanto aos seus novos desafios.

Um dos segmentos mais complexos de analisar as relacoes em rede e o setor de saude. Como argumenta Daft (2006), o hospital e uma empresa de servicos, que pode ser classificada a partir das cinco dimensoes propostas pelo autor: (1) producao e consumo simultaneos; (2) produtos personalizados; (3) participacao dos pacientes nos processos de producao; (4) produto intangivel; e, (5) enfase em pessoas. Estas caracteristicas tornam a Gestao Hospitalar complexa e dificil mensuracao em seus resultados. Para mais, a realidade brasileira envolve provedores de servicos em saude publicos e privados em uma proposta de atendimento universal, tornando o processo gerencial complexo, nao so da perspectiva financeira, mas tambem da politica e organizacional. Uma das formas de superar as dificuldades gerenciais e contingenciais e a atuacao em rede.

Como concluem De Borba & Neto (2008) existe uma grande preocupacao com o uso e a construcao do conhecimento para a pratica de gestao na area de saude. Essa necessidade de mudanca comportamental nas praticas de saude, buscando o conhecimento coletivo e uma enfase na explicitacao dos conhecimentos para a organizacao. Portanto, analisar as formas de cooperacao e aprendizagem das organizacoes hospitalares em rede torna-se necessario para proposicao de novas praticas na gestao destas organizacoes. O modo como os estrategistas dos servicos de saude atuam em rede, pode ser observado para melhor compreender os fenomenos organizacionais de competicao, cooperacao e aprendizado relacional. Esse entendimento e relevante para a identificacao dos fatores chave ao analisar o comportamento em redes.

Objetiva-se compreender Como os fatores relacionais--(i) Atuacao em Rede, como as empresas se comunicam, trocam informacoes, participam de eventos em conjunto; (ii) Cooperacao, como as empresas trocam recursos e informacoes estrategicas, e; (iii) Aprendizagem Relacional, como as empresas aprendem umas com as outras e produzem conhecimento--se comportam em uma rede publica, localizada em Belo Horizonte/MG e regiao Metropolitana e uma rede privada, na regiao metropolitana da grande Vitoria/ES. Para isso, este estudo pretende analisar e comparar os fatores relacionais Atuacao em Rede, Cooperacao e Aprendizagem Relacional nas duas redes hospitalares, publico e privado, por meio da Analise de Redes Sociais e Analise de Regressao Linear. Logo seguem os itens aprofundados nas bases teoricas e empiricas deste artigo.

2 REFERENCIAL TEORICO

O significado de "rede" pode variar conforme o campo de conhecimento, o contexto e a aplicacao. Independente do campo de conhecimento, rede e compreendido como um conjunto de nos interconectados (Castells, 1999). Este estudo apoia-se na concepcao de redes interorganizacionais como constelacoes de organizacoes que se reunem para estabelecer contratos ou acordos sociais (Barringer & Harrison, 2000). Por ser mais abrangente, a definicao de Barringer e Harrison (2000) e mais coerente com a abordagem epistemologica adotada, baseada em aspectos sociais, para a compreensao e analise do fenomeno das redes interorganizacionais.

O conceito "rede", por si so, e uma abordagem abstrata no que se refere a um conjunto de "agentes" conectados por relacionamentos interorganizacionais. Na teoria das organizacoes, o emprego do conceito de rede torna-se aplicavel quando demonstra modos de coordenacao, diferenciacao e integracao entre os participantes da rede que atuam de forma especializada, tendo em vista que, nas relacoes economicas, as organizacoes sao precedidas por relacoes sociais (Castells, 1999). O estudo das redes tornou-se um ponto de confluencia de varias disciplinas e de distintas abordagens e um espaco fecundo de interacao e sinergia entre conceitos teoricos, metodologias e resultados empiricos (Vasconcellos & Lopes, 2010). Alguns conceitos da Analise de Redes Sociais segue apresentado pelo Quadro 1.

Ao aprofundar sobre tipologia de rede, Lazzarini (2008) classifica as redes como horizontais e verticais, e afirmando que e muito raro, em contexto interorganizacional, encontrar lacos baseados exclusivamente em uma dessas caracteristicas. Para o autor, grande parte das redes existentes e formada por um conjunto complexo desses lacos. Outro fenomeno da analise de redes sao buracos estruturais apresentados por Burt (2009), em que redireciona a atencao para a forma ou topologia da rede do ego de um ator. Especificamente, Burt (2009) equipara o desempenho na rede do ator com a falta de lacos entre os atores de um no, uma condicao que ele nomeia furos estruturais. Ele argumenta que a abrangencia de furos estruturais fornece o real mecanismo para mensurar os lacos fracos (Borgatti & Foster, 2003).

Para Porter (1998), o conceito "redes" extrapola o ambito da teoria organizacional e e definido como o metodo organizacional de atividades economicas por meio da coordenacao e da cooperacao entre as empresas. Ja Lazzarini (2008), define redes como um conjunto de organizacoes interligadas por meio de relacoes que se dao de diversas formas possiveis. Em perspectiva cooperativista, Jarillo (1988) explica "redes" como um acordo de longo prazo, com propositos bem definidos, entre empresas distintas, que tem um relacionamento em comum. Dessa maneira, e possivel desenvolver ou sustentar uma vantagem competitiva diante das demais empresas que nao participam da rede. As redes sao, entao, estruturas formadas a partir da definicao de papeis, atribuicoes e relacoes entre seus atores, o que permite a flexibilizacao do funcionamento da rede atraves de relacoes de cooperacao. Porem, os autores afirmam que esses fatores de atuacao em rede nao eliminam, necessariamente, os conflitos e a competicao.

O ambiente externo das organizacoes esta em constante alteracao, em meio a um cenario de incerteza. A empresa hierarquizada e de estrutura engessada, nao consegue adaptar-se frente as intensas mudancas economicas, tecnologicas e institucionais. Neste contexto, surgem novas formas organizacionais e atuar em rede e uma das possibilidades. As redes organizacionais nascem em consequencia da coexistencia de fatores como: 1) resposta as mudancas ambientais, que conduzem a necessidade de interdependencia; 2) incapacidade das empresas focadas em escala integrada verticalmente e de pequenas empresas isoladas sobreviverem em ambiente altamente mutavel; e 3) demanda por recursos especializados (Peci, 1999).

A ideia de redes sociais agrega a teoria de estrategia a compreensao de que as organizacoes agem no interior de um sistema de relacoes concretas e em permanente desenvolvimento, em redes interorganizacionais. Assim, a nocao de redes, utilizada inicialmente por uma sociologia relacional, vem sendo aplicada "aos arranjos organizacionais flexiveis e plurais que se formam no setor economico, politico ou sociais" (Migueletto, 2001, p. 7).

Em um estudo bibliometrico realizado por Balestrin, Verschoore e Junior (2010) com dados de 2000 a 2006 do campo de redes interorganizacionais no Brasil, identificou mais de uma centena de trabalhos. Como argumenta os autores, os resultados demonstram o crescimento do campo no Brasil que se observa em continua expansao e robustez. Conforme os autores concluem no estudo as redes horizontais (simetricas), formadas por multiplas organizacoes de um mesmo elo da cadeia produtiva, sao o principal interesse das pesquisas, mas nao falam sobre comparacoes estruturais de diferentes redes do mesmo seguimento.

Corroborando com Balestrin, Verschoore e Junior (2010) este trabalho possui orientacao predominante de teorias de estrategia, dependencia de recursos, redes sociais e institucionais. Como premissa deste trabalho apresentado por Balestrin, Verschoore e Junior (2010), os antecedentes que levam as organizacoes Atuar em Redes de cooperacao com maior e a necessidade de acesso a recursos materiais e imateriais, alem da congruencia de objetivos. Para manutencao e convergencia da rede, os autores defendem que o fator Aprendizagem, e um dos resultados ou ganhos proporcionados pelas redes de cooperacao com maior interesse nos estudos brasileiros. Os construtos teoricos trabalhados como fatores relacionais deste trabalho estao apresentados a seguir.

2.1 Modelo hipotetico proposto

2.1.1 Atuacao em rede

Para Borgatti & Foster, (2003) o ator e normalmente visto como um agente racional, ativo que explora a sua posicao na rede, a fim de maximizar o ganho. A posicao do ator na rede e apresentada por uma representacao abstrata de lacos desejaveis. Os beneficios para o ator e ligada a posicao topologica na estrutura da rede, compreendendo a possibilidade de alavancar as estruturas relacionais da empresa. Assim, o comportamento de cada ator e interpretado a partir de padroes de vinculos interacionais e morfologicos em sua rede social. Em uma perspectiva topologica as interdependencias causais e interacionais em configuracoes sociais devem ser consideradas. As regularidades dos caminhos entre atores dos grafos dividem o campo social em varias regioes. Desta forma, as oportunidades para atores moverem-se no mundo de redes sociais sao determinadas por fronteiras das regioes em que estao alocados. As restricoes impostas pelas fronteiras sao as forcas que determinam o comportamento do grupo (Scott, 2012).

As atuacoes em rede podem ser explicitas ou implicitas e tem sido observadas em diversos tipos de segmentos economicos. As explicitas evolvem acordos formais, conhecidos publicamente e de carater multilateral. Ja nas implicitas os acordos baseiam-se em estrutura bilateral entre grupos informais. Nestas, ha tendencia de maior interacao entre membros que mantem maior ligacao bilateral em comparacao a empresas externas a rede (Lazzarini, 2008).

Para apresentacao do modelo hipotetico utilizado neste trabalho, considera-se atuar em rede participar de forma institucionalizada ou nao, por meio de contatos ou reunioes em conjunto, sem necessidade de cooperar. Como paradoxo das teorias de estrategia que explicam o comportamento em rede, os fatores relacionais se embasam em uma diade de competir/cooperar, em que em situacoes de grande complexidade pode-se cooperar em determinado contexto e competir em outro (Vasconcellos & Lopes, 2010). Compreende-se cooperacao como troca de recursos, informacoes e conhecimento. A partir disso, tem-se a primeira hipotese deste estudo: (H1o) atuar em rede me leva a cooperar.

2.1.2 Cooperacao

Para Smith, Carroll e Ashford (1995), muitas definicoes de cooperacao enfocam processos pelos quais agentes se unem, interagem e formam relacoes para ganhos ou beneficios mutuos. Ja Ring e Van de Ven (1994) definem a cooperacao de forma dinamica, incluindo a disposicao dos agentes em continuar as relacoes de cooperacao, que sao mecanismos socialmente construidos para a acao coletiva, a qual e continuamente reestruturada por acoes e interpretacoes simbolicas das partes.

Amato Neto (2000) afirma que uma rede de cooperacao entre empresas une organizacoes que antes eram fechadas e independentes. Empresas que cooperam entre si tem em comum os seguintes pontos: proximidade geografica e pertencem a um mesmo segmento de mercado. Essas organizacoes que atuam de forma cooperativa conseguem coordenar-se para melhorarem suas condicoes competitivas no mercado, por meio de estrategias comuns aos envolvidos na rede.

Verschoore (2004) afirma que as redes de cooperacao sao formadas por um grupo de empresas com objetivos em comum, que estao formalmente relacionadas e que a cooperacao nao possui prazo para o seu termino, sendo uma relacao duradoura. Assim, tem-se que o desenvolvimento de acoes conjuntas entre empresas que visam objetivos em comum e a base do conceito de cooperacao entre empresas. Alem disso, considera-se que uma premissa das teorias de estrategia relacionadas com aprendizagem e redes e que cooperar tanto troca como desenvolve conhecimento tacito entre atores da rede, possibilitando o surgimento de vantagens competitivas (Prahalad & Hamel, 2005). Tem-se a segunda hipotese: (H2o) cooperar me leva a aprender.

2.1.3 Aprendizagem relacional

Como afirma Borgatti & Foster, (2003) o mantra atual e que a criacao e utilizacao do conhecimento sao fundamentalmente humanas e acima de tudo processos sociais. Fleury e Fleury (1997) afirma que e pelo processo de aprendizagem e gestao do conhecimento que as organizacoes podem desenvolver competencias necessarias para obterem vantagem competitiva, ou preservarem a sobrevivencia no mercado. Atualmente, privilegia-se o integrado, em detrimento do que fragmenta e isola organizacoes, em que o mais relevante e a integracao de conhecimentos, que eleva a aprendizagem das organizacoes que atuam integradas, tanto em relacao aos individuos, quanto as relacoes organizacionais (Fleury & Fleury, 1997).

Para Senge (2009), a medida que o mundo se torna mais interligado e os negocios mais complexos e dinamicos, o trabalho torna-se cada vez mais ligado ao aprendizado. Nao basta que poucas pessoas aprendam e detenham o conhecimento da organizacao. E preciso que todos os niveis e departamentos da empresa envolvam-se na aprendizagem, de modo a incentivar o pensamento sistemico, em que a totalidade pode ser maior que a soma das suas partes.

Independente da transformacao no aprendizado organizacional ao longo do tempo, observa-se que o conhecimento tornou-se importante fonte de vantagem competitiva (Prahalad & Hamel, 2005; Nonaka & Takeuchi, 1997) e que o principal fator de produtividade e competitividade das organizacoes esta em gerar, processar e transformar conhecimento em ativo economico (Balestrin & Fayard, 2003). Tem-se que o conhecimento, mais que o capital ou o trabalho, e o recurso mais relevante da sociedade pos-capitalista capaz de definir a posicao competitiva das empresas (Druker, 1999). A aprendizagem e producao de conhecimento nas organizacoes pode ser reforcada quando se atua em rede (Drucker, 1999).

Para Borgatti & Foster, (2003) o termo gestao do conhecimento pode em breve desaparecer a medida que os atores se esforcam pouco para utilizar as solucoes tecnologicas para ajudar as organizacoes a armazenar, compartilhar e criar novos conhecimentos, ou seja, se os atores percebem que nao estao aprendendo, pode-se criar buracos estruturais. Diante disso, considera-se relevante a seguinte hipotese: (H3o) apreender com a rede me leva reforcar a atuacao em rede.

2.2 Hospitais publicos e privados

Com a evolucao dos servicos em saude ampliou a profissionalizacao da atividade hospitalar e suas funcoes variadas, surgindo a necessidade da gestao administrativa, medicos, enfermeiros e outras profissoes relacionadas, aumentando a complexidade das instituicoes hospitalares (Glouberman & Mintzberg, 2001; Porter & Teisberg, 2007).

Daft (2006) descreve o hospital como uma empresa de servicos, que pode ser classificada a partir das cinco dimensoes propostas pelo autor: (1) producao e consumo simultaneos: o atendimento caracteriza-se como um servico. O paciente recebe ao mesmo tempo em que e realizado pelo medico; (2) produtos personalizados: apesar dos padroes de conduta e protocolos, que apoiam decisao medica, os pacientes recebem atendimento personalizado, pois e percebido como unico para o prestador do servico; (3) participacao dos pacientes nos processos de producao: as informacoes dos pacientes sao fundamentais para o diagnostico do medico; (4) produto intangivel: no processo de atendimento, nao existe produto fisico resultante. O produto e o proprio atendimento; e, (5) enfase em pessoas: os servicos sao realizados pelos funcionarios na presenca dos pacientes. Alem disso, a complexidade de gestao na area hospitalar alinha-se a avaliacao do hospital, como componente de um sistema de saude mais amplo e a analise das caracteristicas internas do hospital.

(A complexidade dos hospitais deriva de suas caracteristicas, como: I) dificuldade para definir e medir resultados; II) grande variabilidade do trabalho desenvolvido; III) natureza emergencial das atividades; IV) pouca margem de ambiguidade e de erro aceitavel; V) a alta lealdade a profissao acima da organizacao; VI) pouco controle organizacional ou gerencial sobre o grupo medico e VII) existencia de dupla linha de autoridade, a tecnica e a burocratica, gerando problemas de coordenacao e responsabilidades (Shortell & Kaluzny, 2000). Hoje os hospitais sao referencias na cadeia de servicos de assistencia de saude, representando dois tercos dos gastos do setor e boa parte dos servicos produzidos (Santos, 1998).

La Forgia e Couttolenc (2009,) afirmam que a administracao dos servicos hospitalares sao complexos e onerosos resultando em grandes desafios para gestao. Compreender os processos e componentes do servico hospitalar e necessario. Ao ponto que e importante controlar os resultados e desempenhos de forma confiavel e atualizada. Os hospitais no Brasil sao descritos quanto ao tipo por geral e especializado. Um hospital e geral quando se destina a prestacao de atendimento nas especialidades basicas, podendo dispor de urgencia / emergencia. O hospital especializado e destinado a prestacao de assistencia a saude em uma unica especialidade, podendo dispor de urgencia / emergencia (Brasil, 2011).

A natureza administrativa que define a vinculacao administrativa dos hospitais a origem do capital social classificam-se: administracao direta da saude, administracao direta de outros orgaos, administracao indireta (de autarquias, fundacao publica, empresa publica, organizacao social publica), servico social autonomo, economia mista, sindicato, fundacao privada, empresas privadas, cooperativas e entidade beneficente sem fins lucrativos (Brasil, 2011).

3 METODO

A pesquisa e quantitativa e faz uso do instrumento metodologico de questionario para coleta de dados. Em geral consiste em questionario estruturado com metrica e representacao numerica, com numero significativo de respondentes, destinado a obter informacoes especificas dos entrevistados. O estudo e considerado transversal, pois representa um corte no tempo da realidade observada (Malhotra, 2012; Goncalves & Meirelles, 2004).

3.1 Populacao

A populacao de redes e, por natureza, nao probabilistica. Em geral, os pesquisadores de redes estao mais focados na descoberta de relacoes entre parametros/variaveis e a base teorica do que em deduzir padroes aplicaveis a uma populacao de redes alheia ao objeto de estudo. Por isso, este estudo nao utiliza amostra (Goncalves & Lebarcky & Muylder 2015). Foram utilizados dados de 21 hospitais da rede publica FHEMIG e 21 hospitais privados da grande regiao de Vitoria.

A Fundacao Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG) foi criada pela Lei 7.088, em 1977, e todos os hospitais da rede sao vinculados a Secretaria de Estado de Saude de Minas Gerais. A FHEMIG, atualmente, e constituida em rede com vinte unidades hospitalares, onze localizadas na capital e as demais em Bambui, Barbacena, Betim, Juiz de Fora, Patos de Minas, Sabara, Tres Coracoes e Uba. A Rede FHEMIG e uma das maiores gestoras de hospitais publicos do Pais e tem atuacao em seis complexos assistenciais: Urgencia e Emergencia, Especialidades medicas, Saude Mental, Hospitais Gerais Reabilitacao e Cuidado ao Idoso e MG Transplantes.

A RMGV atualmente possui unidades em Vitoria, Vila Velha, Cariacica, Serra, Fundao e Guarapari. Estes sete municipios abrigam quase metade da populacao total do Espirito Santo (46%) e 57% da populacao urbana do estado. Produzem 58% da riqueza e consomem 55% da energia eletrica produzida no ES. Populacao estimada em 1.730.000 habitantes. Os hospitais que servem a populacao se distribuem de forma homogenea nos municipios de Vitoria, Vila Velha, Cariacica e Serra (Espirito Santo, 2005). Dos 21 hospitais, 81% e de natureza privada lucrativa. Os demais (19%) caracterizam-se como entidade beneficente sem fins lucrativos.

3.2 Coleta e tratamento dos dados

Para esta pesquisa, utilizaram-se como instrumentos e tecnicas de coletada de dados questionarios e entrevistas estruturadas com gestores participantes do processo decisorio das unidades hospitalares. Foram entrevistadas 42 pessoas participantes ativas do processo decisorio das redes analisadas, portanto, 21 diretores da FHEMIG e 21 proprietarios dos Hospitais privados e filantropicos da RMGV, entre os meses de novembro de 2012 e marco de 2013. Todos os questionarios aplicados foram validados. A entrevista estruturada seguia uma das abordagens para a pesquisa em redes sociais, a lista fixa. Ou seja, compilou-se uma lista de atores (ou organizacoes) antes da coleta de dados comecar (Carrington, Scott, & Wasserman, 2005). Assim, utilizou-se um questionario para a rede publica com os hospitais da FHEMIG, e outro com os hospitais privados do Espirito Santo, seguindo a mesma estrutura. A partir do banco de dados tabulado em Excel foram realizadas analises pelo software Ucinet. Ucinet, apesar de pago, e uma das melhores ferramentas para analise de redes, pela variedade de medidas que processa (Borgatti, 2002).

3.3 Metodo de analise dos dados 3.3.1 Analise de redes sociais

A abordagem da analise de redes sociais tem sua base na sociologia, psicologia social e antropologia (Freeman, 1996). Wasserman e Faust (1994) argumentam que os atores da rede, em que as ligacoes sao observadas, sao representacoes de individuos, grupos, empresas e demais grupos. O que diferencia esse tipo de estudo e a enfase nas ligacoes entre os atores, e nao as caracteristicas individuais de cada ator.

A analise de redes possui diversas vantagens metodologicas, que compreendem desde a exploracao de mapas visuais ate a elaboracao de modelos matematicos. Os estudos de redes sociais utilizam design de redes egocentradas (egocentric) ou de redes inteiras (whole-network). Na primeira observam relacionamentos de um ator com outros atores, enquanto na segunda examinam conjuntos de objetos interrelacionados (Marsden, 2005). Quatro caracteristicas estao na analise de redes sociais moderna (Freeman, 2004): a) analises de redes sociais sao motivadas por uma visao estrutural baseada em lacos vinculando atores sociais; b) sao fundadas em dados empiricos sistematicos; c) baseiam-se fortemente na imagem grafica; e d) baseiam-se no uso de modelos matematicos e computacionais.

Os principais tipos de informacao em analise de redes sao informacoes de atributo (atitudes, comportamentos, qualidades e caracteristicas), denominadas tambem como "propriedades", e informacoes relacionais (contatos, lacos e conexoes que relacionam um agente a outro) (Scott, 2012). Com importantes contribuicoes nas areas de Saude, Sociologia, Psicologia, Administracao Publica, Fisica, Estrategia, Comportamento Organizacional, Comunicacao e Ciencias da Computacao a analise de redes tem se destacado (Provan; Fish & Sydow, 2007). Para facilitar a interpretacao dos resultados da rede, torna-se relevante a adocao de conceitos para interpretacao das medidas de centralidade e coesao da rede, vide Quadro 3.

3.3.2 Analise de regressao linear

Como o objetivo inicial deste trabalho foi comparar os fatores relacionais dentro dos contextos de rede hospitalar publico e privado, propoe-se realizar uma analise de regressao linear simples para verificar o modelo proposto (Fig. 1). A analise de regressao tem como objetivo verificar relacoes de causa e efeito, e mensurar a significancia destas relacoes (Hair Jr, Anderson, Tatham & Black, 2005). Para os dados da regressao foram utilizados o grau medio de entrada e saida da metodologia de redes. Estas medidas sao geradas pelo software UCINET, por meio da media de numeros atribuidos para cada relacao, por cada ator da rede. Desta forma, possibilita-se correlacionar os graus de centralidade dos fatores Atuacao em Rede, Cooperacao e Aprendizagem relacional. Para isso, foi necessario avaliar os pressupostos necessarios a uma analise linear de dados, utilizando-se para este calculo o software estatistico SPSS for Windows 17.0. Pelo fato de baixa quantidade de casos compondo a amostra, foi realizada, entao, a analise de regressao linear simples, para testar as hipoteses da pesquisa.

4 RESULTADOS E DISCUSSAO

Para facilitar a compreensao dos graphos segue na Fig. 2 uma legenda para interpretacao das relacoes. O tamanho dos nos esta relacionado a medida de centralidade, as cores dos nos esta categorizada com os resultados de cada grupo de hospitais, as cores dos lacos esta relacionada com a reciprocidade ou nao reciprocidade do laco. Cada no (circulo) representa uma organizacao, as setas que saem do no representam o grau de saida, e as que indicam para o no, o grau de entrada. Assim, observa-se a direcao relacional da interacao entre os nos da rede.

Logo, seguem as analises de cada fator relacional, com suas medidas e interpretacoes. Para as interpretacoes dos dados foram utilizados os conceitos, indices e medidas apresentadas anteriormente neste trabalho. O grapho relacional atuacao em rede (Fig. 3) se originou da pergunta "Com quem o hospital mantem contato e ATUA EM REDE (troca ligacoes, troca e-mails, participa de reunioes, encontra em eventos)".

Pode-se observar na Fig. 3. que os graficos relacionais de atuacao em rede do setor publico e privado sao similares. Em sua tipologia apresenta-se parcialmente descentralizado e bem denso com maioria enlaces (setas que ligam os nos) reciproco, destacado na cor vermelha, o que demonstra a forte relacao entre os atores da rede, podendo inferir que seja uma caracteristica do setor. Podendo ser um dos motivos que ate mesmo os hospitais privados realizam atendimento pelo SUS, nao havendo em si uma concorrencia de mercado, diferenciando o segmento de servicos hospitalares dos demais. Apesar de similares, a rede publica possui relacoes reciprocas mais descentralizadas, isto se deve a institucionalizacao da rede. A FHEMIG, possui uma unidade central de administracao que auxiliaas unidades hospitalares. Ao contrario da rede da RMGV de hospitais privados. Entretanto, por ser uma rede privada, a rede da RMGV se destaca pela conectividade dos seus atores. Algo a ser inferido sobre isso, e que os sindicatos patronais do setor de saude sao conhecidos pelo seu alto grau de corporativismo, natural da classe media de uma forma geral. A atuacao em conselhos, associacoes podem ser usadas para criar barreiras de entradas (POTER, 1985) como diminuir as incertezas do ambiente externo.

Outro fator relevante e a quantidade de nos (hospitais) no centro e periferia da rede. Pode-se observar que a quantidade dos atores e bem parecida. Uma explicacao para essas caracteristicas e o perfil dos hospitais das duas redes, que mesmo sendo de outros estados e objetivo mercadologico o tipo de atendimento e bem diversificado nas duas populacoes, com maternidades, hospitais gerais, clinicas especializas entre outros. Uma caracteristica observada e que os hospitais gerais especializados em pronto atendimento tendem a ficar no centro da rede, por atender as demandas ate mesmo das outras unidades hospitalares.

No grapho relacional cooperacao se originou da pergunta "Com quem o hospital COOPERA dentro da rede (troca recursos, troca informacoes, compartilha conhecimentos, possui projetos em comum)". Cooperacao e um dos pilares teoricos deste estudo, no caso, buscou-se captar como funciona a estrutura cooperativa das empresas por meio da rede. Para inferir sobre estrategias utilizadas, segue a apresentacao grafica na Fig. 4.

A rede relacional Cooperacao ja apresenta mudancas significativas comparadas ao grapho relacional Atuacao em Rede. A rede privada possui menor conectividade do que a rede publica, isto se deve a institucionalizacao da rede FHEMIG, que nao so influencia como modifica o carater obrigatorio da cooperacao. Entretanto isso nao necessariamente significa que a rede privada nao possui alta cooperacao. Para o ambiente privado e competitivo a rede da RMGV possui alta densidade de relacoes com muitas relacoes reciprocas. Entretanto, na rede privada alguns atores estao na periferia e de forma isolada, ligados a rede apenas por um laco nao reciproco (setas de cor azul). Ja na rede publica, todos os atores possuem pelo menos uma relacao reciproca (setas de cor vermelha). Visualizando a tipologia da rede, a rede publica esta mais descentralizada comparada a rede privada. Uma das pre-disposicoes dos atores do centro e o tamanho do escopo de recursos, que proporcionada uma vantagem competitiva.

Uma evidencia empirica a ser observada no segmento hospitalar, comparando as duas realidades distantes (rede publica em Minas Gerais versus rede privada no Espirito Santo) e a forte atuacao em rede. Pode-se inferir que o comportamento das organizacoes esta evoluindo. Atuar em rede e cooperar ja e uma estrategia utilizada neste segmento que tem em sua atuacao especificidades e complexidades que exigem a reducao de incertezas, o compartilhamento de recursos e desenvolvimento de conhecimentos.

O grapho relacional aprendizado (Fig. 5) se originou da pergunta "Com qual hospital voces APRENDEM dentro da rede (pelo conhecimento tacito, pela experiencia de mercado, pelos contatos, pela tecnologia desenvolvida)". Nesta pergunta buscou-se captar a percepcao dos gestores sobre hospitais que conseguem repassar determinados conhecimentos relevantes para o setor. Como se observa no grapho relacional aprendizado na rede, a rede publica possui uma densidade de relacoes maior que a rede privada. Isto pode ser explicado pelo tempo que a rede existe possibilitando o acumulo do conhecimento relacional e desenvolvimento de novos processos que fomentam esse aprendizado. Entretanto, para uma rede privada, existe uma densidade significativa, mas as ligacoes reciprocas nao alcancam todos os membros da periferia da rede. Enquanto na rede privada possuem diversos atores centralizados, na rede publica destacam quatro atores pelo tamanho e conectividade.

Para melhor compreensao das analises de rede, tem-se (Fig. 6) alguns indices e graus que colaboram para interpretacao dos resultados. A analise das medidas priorizou a centralidade (entrada) indegree e (saida) outdegree, medidas menos sensiveis para valores faltantes em grupos de dados (Balestrin, Verschoore, & Perucia, 2014). Ao analisar o quadro geral das analises de redes, observa-se que tanto a publica quanto a privada possuem 21 hospitais neste estudo, possibilitando melhor ainda a comparacao. As redes privadas de atuacao em rede e aprendizado relacional obtiveram maior densidade do que as redes publicas. Entretanto, a rede publica possibilitou maior reciprocidade nas relacoes, com isso obteve maior grau de centralidade do que a rede privada. O grau de intermediacao da rede publica foi menor nos graphos atuacao em rede e cooperacao e maior que a rede privada no grapho aprendizado relacional. O grau de proximidade da rede publica foi maior que o da rede privada, por consequencia das relacoes reciprocas.

Com o objetivo de validar as hipoteses relacionadas ao modelo hipotetico foram realizadas analises que verificaram a relacao linear entre os construtos propostos na pesquisa. Primeiro, foram desenvolvidos graficos de dispersao para todas as tres hipoteses levantadas e foram calculados os respectivos coeficientes de correlacao de Pearson. De acordo com Hair Jr, Anderson, Tatham e Black (2005), o coeficiente de correlacao linear de Pearson e uma medida da forca da relacao entre duas variaveis que representam dados quantitativos. O coeficiente de correlacao varia entre -1 e +1, de modo que -1 [less than or equal to] r [less than or equal to] 1, e quanto mais proximos desses extremos maior a relacao linear entre as variaveis. Quanto mais proximo a zero maior o indicio de que as variaveis nao sao correlacionadas. O que se deseja verificar e se a variavel referente a um construto aumenta ou diminui em proporcoes parecidas quando outro construto se altera. Uma vez que as correlacoes lineares existam e sejam validadas por testes de hipotese, tem-se indicios sobre a causa e o efeito de uma variavel em relacao a outra. A Analise de Regressao foi utilizada para verificar essas relacoes. Somente apos a analise estatistica descritiva e que os modelos de regressao linear pelos metodos de minimos quadrados foram ajustados.

Todos os resultados foram significativos. Ressalta-se que, ao analisar o Beta padronizado (Fig. 7), as forcas das relacoes entre os construtos "Atuacao em Rede" e "Cooperacao" (H1), e entre os construtos "Cooperacao" e "Aprendizagem Relacional" (H2) foram maiores na rede privada do que na rede publica. Entretanto, a forca da relacao entre os construtos "Aprendizagem Relacional" e "Atuacao em Rede" (H3) foi maior na rede publica do que na privada. Isto e, o reforco da atuacao em rede e mais representativo na rede publica do que na privada e aprender na rede nao significa aumentar a atuacao, no caso da rede privada.

Procurando maiores evidencias, foram realizados testes de hipoteses (Fig. 7) para verificar se e aconselhavel ou nao rejeitar a hipotese nula (H0) de que nao ha correlacao linear entre os construtos, ou seja, o coeficiente de correlacao de Pearson e igual a zero (r = 0). Rejeitar a hipotese nula e o mesmo que afirmar que a correlacao entre dois construtos e estatisticamente significativa, portanto diferente de zero. De acordo com Hair Jr, Anderson, Tatham e Black (2005), ao se calcular o Valor P quando esse e menor ou igual ao nivel de significancia conclui-se que ha uma correlacao linear significativa entre as variaveis. Caso contrario, nao existe evidencia suficiente para apoiar a afirmacao de que exista uma correlacao linear. Segundo Hair Jr, Anderson, Tatham e Black (2005), o valor P e a probabilidade de se obter um valor da estatistica de teste que seja, no minimo, tao extremo quanto o que foi encontrado e representa os dados amostrais, supondo que a hipotese nula seja verdadeira. A hipotese nula e rejeitada se o valor P for muito pequeno, menor que o nivel de significancia do teste (a). Utilizando um nivel de significancia de 0,05 (5%), nao existe evidencia estatistica para rejeitar nenhuma hipotese. Com estes modelos de causa e efeito espera-se encontrar modelos de regressao lineares significativos para todas as hipoteses. Todos os resultados foram significativos.

A Regressao Linear, segundo Hair Jr, Anderson, Tatham e Black (2005) permite que seja identificada o tipo de relacao estatistica que existe entre uma variavel dependente (ou explicativa) e uma variavel independente (ou resposta). A Fig. 7 apresenta o resultado das principais medidas estatisticas dos modelos de Analise de Regressao ajustados. Os modelos foram gerados utilizando-se o software SPSS. As medidas estatisticas e suas interpretacoes permitem testar o modelo hipotetico viabilizando a decisao de aceitar ou nao as hipoteses formuladas. Para os modelos de regressao, os quais se verificaram a existencia de relacoes lineares e a identificacao de uma inclinacao da reta de regressao pelo coeficiente pi foram realizados os testes de validacao do modelo.

De acordo com Hair Jr, Anderson, Tatham e Black (2005) para a validacao de um modelo de Regressao Linear e necessario que tres suposicoes acerca dos residuos ou erros de previsao sejam atendidas: os residuos devem ser distribuidos segundo uma distribuicao de probabilidade normal; os residuos sao independentemente distribuidos ou nao correlacionados, de forma que o valor de um erro nao depende de qualquer outro erro; os residuos possuem variancia constante, ou seja, o modelo seja homocedastico, de forma que a variancia dos erros seja constante para qualquer valor da variavel explicativa. A Fig. 7 apresenta as medidas estatisticas calculadas por intermedio da Regressao Linear para cada hipotese do modelo hipotetico. A primeira delas e o r2 que segundo Hair Jr, Anderson, Tatham e Black (2005) mede a proporcao da variacao em y (variavel dependente ou resposta) que pode ser explicada pela variavel x (independente ou explicativa) no modelo de regressao. O r2 ajustado foi apresentado na Fig.7.

5 CONCLUSAO

Neste estudo foi possivel alcancar o objetivo proposto de compreender como os fatores relacionais (i) Atuacao em Rede; (ii) Cooperacao; e (iii) Aprendizagem Relacional--se desenvolvem em comparacao as redes hospitalares publico x privado, de MG e ES. Observou-se que todos os resultados foram significativos. Destaca-se a existencia de diferencas pontuais em relacao a fatores relacionais entre as redes analisadas. As hipoteses H1 e H2 da rede privada foram mais representativas que da rede publica, enquanto a H3 da rede publica foi mais representativa que da rede privada. Isto e, na rede privada considerase que atuar em rede conduz a cooperacao, bem como a cooperacao conduz ao aprendizado. Porem, atuar em rede, cooperar e aprender, nao significa, necessariamente, aumentar a atuacao em rede. Em paralelo, na rede publica, observa-se maior relacao entre a aprendizagem relacional e o reforco da atuacao em rede. Alem disso, observa-se que a rede publica possui maior reciprocidade nas relacoes e, por isso, possibilita de forma geral uma maior proximidade dos seus atores.

Observa-se nos resultados que as redes hospitalares publicas e privada possui uma forte tendencia que cooperar leva ao aprendizado. Entretanto, como argumentado por Borgatti & Foster, (2003) o a vontade de aprender pode em breve desaparecer a medida que os atores se esforcam pouco para utilizar as solucoes tecnologicas para ajudar as organizacoes a armazenar, compartilhar e criar novos conhecimentos, ou seja, a medida que os atores percebem que nao estao aprendendo quanto desejam, pode-se criar buracos estruturais. Outro ponto relevante e se este conhecimento produzido pelo processo de aprendizado nao e inovador, pode-se influenciar a reducao de lacos para busca de novos atores para oxigenar a rede.

Dentre as limitacoes deste estudo, destacamse: (1) impossibilidade de se deduzir padroes aplicaveis a uma populacao de redes alheia ao objeto de estudo, imposta pelo proprio metodo utilizado; (2) numero de respondentes reduzidos a 21 por rede, o que influencia negativamente a analise de regressao linear realizada; e (3) amostra por conveniencia para analise estatistica. Apesar disso, este estudo foi importante para aprofundar a compreensao e diferenca das redes hospitalares publico e privado. Este estudo abre margem para novas questoes, como: verificar as premissas do modelo em outro contexto de redes; compreender o porque das redes publicas tenderem a reforcar sua atuacao em rede quando percebem estar aprendendo com a interacao relacional, enquanto a rede privada nao; entre outras que possibilitem novas compreensoes na atuacao organizacional em rede.

DOI: 10.5585/riae.v16i1.2430

Data de recebimento: 10/08/2016

Data de Aceite: 28/12/2016

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Carlos Alberto Goncalves (1)

Rui Fernando Correia Ferreira (2)

Benny Kramer Costa (3)

(1) Doutor em Administracao pela Universidade de Sao Paulo--USP. Professor na Universidade FUMEC e Universidade Federal de Minas Gerais--UFMG. Brasil. E-mail: carlos@face.ufmg.br

(2) Doutorando em Administracao pela Universidade Federal Minas Gerais--UFMG. Brasil. E-mail: ruifernandof@gmail.com

(3) Doutor em Administracao pela Universidade de Sao Paulo--USP. Professor, Diretor e Pesquisador do Programa de Mestrado Profissional em Administracao--Gestao de Esportes da Universidade Nove de Julho--PMPA-GE/UNINOVE. Brasil. E-mail: benny@uni9.pro.br

Caption: Figura 1--Modelo hipotetico proposto

Caption: Figura 2--Legenda Grafica da Rede: Lacos e Nos

Caption: Figura 3--Atuacao em rede--Privado versus Publico

Caption: Figura 4--Cooperacao--Privado versus Publico

Caption: Figura 5--Aprendizado relacional--Privado versus Publico
Quadro 1--Conceitos e medidas para Analise de Rede.

Ator            E cada individuo, setor ou departamento que esta
                interligado a rede.

Ligacoes        Sao representacoes graficas de linhas que conectam os
                pontos (atores).

Subgrupos       Subconjuntos de atores de determinada rede. A formacao
                destes subconjuntos pode estar relacionada com posicao
                hierarquica, localizacao, afinidade, idade,
                escolaridade, sexo. Quando envolvem ligacoes entre dois
                atores sao "diades" e quando envolvem tres atores sao
                "triades".

Relacao         E um tipo especifico de lidacoes de um determinado
                grupo.

Tamanho         E a quantidade de conexoes existentes entre os atores
                de uma rede.

Distancia       E o caminho mais curto entre dois atores de uma rede.
Geodesica

Coesao          Trata-se do forte relacionamento entre atores de uma
                rede, formando subgrupos em virtude de vinculos
                estabelecidos por afinidades. Este campo de estudo
                possui forte apelo na correlacao entre a coesao e
                padroes de comportamento destes subgrupos.

Reciprocidade   As ligacoes entre os atores podem ser analisadas quanto
                ao sentido (representadas por setas). Nestes casos, a
                ligacao e reciproca quando flui nos dois sentidos.

Posicao         Diz respeito aos individuos que estao, de forma
                semelhante, envolvidos em redes de relacao, logo,
                potencialmente, intercambiaveis sob a otica da analise
                sociologica.

Papel           Diz respeito aos padroes de relacoes obtidas entre
                atores ou posicoes.

Fonte: Azevedo & Rodriguez, 2010; Lago Junior, 2005

Quadro 2--Conceitos das medidas de centralidade utilizados

Tamanho                 Indica o total de atores que compoe a rede, bem
                        como a totalidade de relacoes identificadas.

Densidade               E o quociente entre o numero de ligacoes
                        existentes pelo numero de ligacoes possiveis um
                        uma determinada rede. Esta retrata a
                        potencialidade da rede em termos de fluxo de
                        informacoes, ou seja, quanto maior a densidade
                        mais intensa a troca de informacoes na referida
                        rede e vice-e-versa.

Grau de saida           E a medida do numero de ligacoes que um ator
                        estabelece co outros atores desta rede,
                        denotando expansividade.

Grau de entrada         E a medida do numero de ligacoes que um ator
                        recebe de outros atores, denotando popularidade
                        ou receptividade.

Grau de centralidade    Calcular a centralidade de um individuo da rede
                        significa analisar a posicao em que este se
                        encontra em relacao aos outros. A centralidade
                        considera como medida a quantidade de elos que
                        se colocam entre eles. Esta nao e uma posicao
                        fixa, nem hierarquica, mas, em se tratando de
                        redes, a centralidade de um ator pode
                        significar poder. A posicao centralizada de um
                        individuo na rede favorecera o recebimento e
                        troca de comunicacao ao mesmo tempo.
                        Entretanto, o fato de um individuo nao estar em
                        posicao central na rede nao significa
                        necessariamente que este nao esteja bem
                        posicionado na rede.

Grau de Proximidade     Esta medida caracteriza a independencia de um
                        ator em relacao ao controle dos outros. Na
                        centralidade de proximidade, considera-se que
                        um no e tao mais central quanto o menor caminho
                        que este necessita percorrer para alcancar
                        outro individuos da rede.

Grau de Intermediacao   Esta calcula o potencial dos elos que servem de
                        intermediarios, "ponte" na rede. Estes
                        individuos "ponte" sao facilitadores do fluxo
                        da informacao entre os elos da rede. Um
                        individuo pode nao estar em posicao central,
                        nem mesmo possuir contatos fortes, mas pode ser
                        importante mediador no fluxo, e direcao das
                        informacoes.

Grau de reciprocidade   Indica a proporcao dos pares de atores cujas
                        relacoes fluem nos dois sentidos (relacoes
                        simetricas), considerando o total de pares que
                        mantem relacao entre si (relacoes simetricas e
                        assimetricas).

Fonte: Azevedo & Rodriguez, 2010; Lago Junior, 2005.

Figura 6--Indices de centralidade e coesao das redes--Publico versus
Privado

          Medidas                  Tamanho
REDE                                                      Densidade
PUBLICA   Construtos               Atores    Relacoes   (Normalizada%)

          Atuacao em Rede            21        244            58
          Cooperacao                 21        203            48
          Aprendizado Relacional     21        156            37

          Medidas                  Tamanho
REDE                                                      Densidade
PRIVADA   Construtos               Atores    Relacoes   (Normalizada%)

          Atuacao em Rede            21        392            84
          Cooperacao                 21        181            39
          Aprendizado Relacional     21        226           48,9

                                                      Centralidade
          Medidas
REDE                               Reciprocidade    (media do indice
PUBLICA   Construtos               (Normalizada%)    normalizado %)

          Atuacao em Rede                56              58,09
          Cooperacao                     62              48,33
          Aprendizado Relacional         36              37,14

                                                      Centralidade
          Medidas
REDE                               Reciprocidade    (media do indice
PRIVADA   Construtos               (Normalizada%)    normalizado %)

          Atuacao em Rede              50,31             36,99
          Cooperacao                   28,89             24,99
          Aprendizado Relacional       30,56             30,07

                                    Intermediacao       Proximidade
          Medidas
REDE                               (media do indice   (media do indice
PUBLICA   Construtos               de centralidade)     de entrada)

          Atuacao em Rede                2,2                 72
          Cooperacao                     2,71              66,95
          Aprendizado Relacional         4,37              56,74

                                    Intermediacao       Proximidade
          Medidas
REDE                               (media do indice   (media do indice
PRIVADA   Construtos               de centralidade)     de entrada)

          Atuacao em Rede                4,56               70,2
          Cooperacao                     4,26              46,47
          Aprendizado Relacional         3,16               46,1

Fonte: Elaborado pelos autores.

Figura 7--Resultados da analise de regressao--Publico versus Privado.

                        Modelos de
REDE      Hipoteses      Regressao       Variavel (Y)     [beta]
PUBLICA
             H1       Atuacao em Rede     Cooperacao      0,278
             H2         Cooperacao        Aprendizado     0,778
             H3         Aprendizado     Atuacao em Rede   0,371

                        Modelos de
REDE      Hipoteses      Regressao       Variavel (Y)     [beta]
PRIVADA
             H1       Atuacao em Rede     Cooperacao      0,530
             H2         Cooperacao        Aprendizado     0,920
             H3         Aprendizado     Atuacao em Rede   0,592

                        E.P.              [beta]              [R.sup.2]
REDE      Hipoteses   ([beta])   Vaor-p   padr.   [R.sup.2]     adj.
PUBLICA
             H1        0,067     0,001    0,688     0,473      0,44526
             H2        0,179     0,000    0,706     0,499       0,472
             H3        0,056     0,000    0,833     0,649       0,678

                        E.P.              [beta]              [R.sup.2]
REDE      Hipoteses   ([beta])   Vaor-p   padr.   [R.sup.2]     adj.
PRIVADA
             H1        0,108     0,000    0,741     0,549       0,526
             H2        0,165     0,000    0,782     0,612       0,526
             H3        0,137     0,000    0,694     0,481       0,453

Fonte: Elaborado pelos autores.
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Author:Goncalves, Carlos Alberto; Ferreira, Rui Fernando Correia; Costa, Benny Kramer
Publication:Revista Ibero - Americana de Estrategia
Date:Jan 1, 2017
Words:8175
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