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Collaterals branches of the aortic arch and its main rami in rabbit (Oryctolagus cuniculus)/Ramos colaterais do arco aortico e suas principais ramificacoes em coelho da raca Nova Zelandia (Oryctolagus cuniculus).

INTRODUCAO

O coelho domestico Oryctolagus cuniculus e um lagomorfo da familia Leporidea, que pertenceu por muito tempo a ordem dos roedores (ANDRADE, 2002). E um animal que se destaca pela intensidade do seu uso como animal de experimentacao, o qual, ao longo de toda a historia da medicina experimental, seja no ambito da cirurgia, da farmacologia ou da imunologia, vem desempenhando papel de indiscutivel relevancia (HARKNESS & WAGNER, 1993). Informacoes morfologicas sobre o coelho sao raras, sendo encontrados dois relatos sobre as ramificacoes do arco aortico nessa especie. Para confronto de resultados, utilizaram-se referencias de alguns roedores na discussao, como: chinchila, nutria, porco-espinho, paca, cobaia, capivara e moco.

O presente trabalho tem como objetivo sistematizar e descrever os ramos colaterais do arco aortico e suas principais ramificacoes em coelho da raca Nova Zelandia, estabelecendo um modelo padrao e as principais variacoes nessa especie.

MATERIAL E METODOS

Foram utilizados trinta coelhos da raca Nova Zelandia (Oryctolagus cuniculus), machos e femeas, adultos, provenientes de criatorios da Regiao Metropolitana de Porto Alegre, RS.

Os animais foram contidos e eutanasiados com injecao de T 61 (3ml [animal.sup.-1]) pela via intrapulmonar. A pele foi rebatida, a cavidade toracica aberta em plastrao, o saco pericardio aberto, a aorta toracica canulada em contrafluxo e as duas veias cavas craniais seccionadas proximas ao coracao.

O sistema foi lavado com solucao salina aquosa a 0,9% e heparina (5000UI [animal.sup.-1]) na quantidade de 120 ml [animal.sup.-1] e preenchido com latex 603 corado em vermelho. Os animais permaneceram imersos em agua corrente para a polimerizacao do latex por uma hora e meia, sendo em seguida, seccionada a coluna vertebral na altura das ultimas vertebras toracicas. As pecas foram fixadas em formaldeido a 20% por sete dias e, transcorrido esse periodo, foram dissecadas as arterias do espaco mediastinico cranial e pescoco. Desenhos esquematizados de todas as pecas foram realizados com auxilio de lupa para a confeccao dos resultados. Alguns exemplares foram fotografados para documentacao e os vasos nomeados conforme a NOMINA ANATOMICA VETERINARIA (2005). A analise estatistica dos resultados constou da aplicacao do calculo de percentagem.

RESULTADOS

A aorta do coelho nasceu do ventriculo esquerdo e projetou-se craniodorsolateralmente a esquerda, formando o arco aortico em todas as preparacoes. O arco aortico emitiu como ramos colaterais em sequencia o tronco braquiocefalico e a arteria subclavia esquerda em 80% das amostras (Figuras 1 A e 2 A). Em 13,4% das pecas, a sequencia dos ramos foi o tronco braquiocefalico, a arteria carotida comum esquerda e a arteria subclavia esquerda (Figuras 1 B e 2 B). Ja em 3,3% dos achados, a sequencia dos ramos colaterais do arco aortico foi o tronco braquiocefalico, tronco comum cervical superficial-profunda e arteria subclavia esquerda. Em 3,3% dos casos, a sequencia dos ramos colaterais do arco aortico foi o tronco braquiocefalico, a arteria carotida comum esquerda, o tronco comum cervical superficial-profunda e a arteria subclavia esquerda.

O tronco braquiocefalico emitiu em 83,3% dos casos uma arteria carotida comum esquerda, e milimetros depois uma arteria carotida comum direita, continuando-se para a direita como arteria subclavia direita (Figuras 1 A e 2 A). Ja em 16,7% das preparacoes, o tronco braquiocefalico lancou, alguns milimetros depois de sua origem, uma arteria carotida comum direita e continuou-se como arteria subclavia direita (Figuras 1 B e 2 B).

As arterias carotidas comuns direita e esquerda ascenderam o pescoco, acompanhando a traqueia, lateralmente, alcancando a base do cranio dividindo-se, na altura da alca do nervo hipoglosso, em arteria carotida interna, que participava da irrigacao do encefalo do coelho, continuando naturalmente como arteria carotida externa, a qual se distribuiu com seus ramos na face. A arteria carotida interna direita esteve presente como ramo da arteria carotida comum direita em 96,7% dos achados. Em 3,3% das pecas, a arteria carotida interna direita esteve ausente, porem, a arteria do antimero esquerdo originou, na base da hipofise, um ramo que a substituiu. Em todas as preparacoes, a arteria carotida interna esquerda esteve presente como ramo da arteria carotida comum esquerda, indo cooperar com a vascularizacao do encefalo.

A arteria subclavia direita emitiu, de medial para lateral, como ramos colaterais principais, as arterias: vertebral como primeiro ramo em 53,3%; tronco comum cervical superficial-profunda como segundo em 33,3%; e tronco costocervical-toracica interna como terceiro em 50% dos achados (Figura 2 A). Ja a arteria subclavia esquerda emitiu, tambem de medial para lateral, como ramos colaterais principais, as arterias: vertebral como primeiro ramo em 43,3%; intercostal suprema como segundo em 23,3%; toracica interna como terceiro em 26,6%; escapular dorsal como quarto em 20%; e tronco comum cervical superficial-profunda como quinto ramo em 36,6% das preparacoes (Figura 2 B).

Os vasos em tronco ou isoladamente apresentaram um territorio constante de vascularizacao arterial, ou seja: a arteria vertebral projetou-se craniodorsalmente, adentrando ao canal transversal no forame transverso da sexta vertebra cervical. Percorreu o canal transversal ate atingir o atlas, onde contornou a incisura alar adentrando ao canal vertebral pelo forame vertebral lateral. Anastomosou-se com sua homologa contralateral na base da entrada do forame magno, formando a arteria basilar que emitiu ramos colaterais responsaveis pela vascularizacao do rombencefalo. O tronco cervical superficial-profunda emitiu como ramo mais calibroso a arteria cervical superficial que percorreu a face lateral superficial do pescoco, irrigando a musculatura ventral deste e a musculatura extrinseca do membro toracico na parte cervical. Seu ramo de menor calibre, a arteria cervical profunda, ramificou-se um pouco mais profundamente no pescoco na musculatura extrinseca do membro toracico, mais caudal. O tronco costocervical foi um vaso volumoso, cujos ramos irrigaram a maior parte da regiao cervical dorsal e as partes dorsocraniais da parede toracica. Ele originou as arterias escapular dorsal e intercostal suprema. A arteria escapular dorsal irrigou a face profunda da musculatura extrinseca do membro toracico. A arteria intercostal suprema acompanhou o colo das quatro primeiras costelas, emitindo as quatro primeiras arterias intercostais dorsais e a arteria broncoesofagica. Ja a arteria toracica interna percorreu caudalmente entre as cartilagens costais e o musculo transverso toracico emitindo todos os ramos intercostais ventrais, terminandose no processo xifoide nas arterias musculofrenica e epigastrica cranial.

As ocorrencias dos ramos colaterais da arteria subclavia, a direita, foram: a arteria vertebral, sendo emitida individualmente como primeiro ramo em 53,3% (Figuras 2 A, 2 B, 2 C e 2 E), como segundo em 43,3% (Figura 2 D) e como terceiro ramo em 3,3% dos casos. O tronco cervical superficial-profunda, emitido como primeiro ramo da arteria subclavia direita em 36,7% (Figuras 2 C e 2 D), como segundo em 33,3% e como terceiro ramo em 26,7% das pecas. Nos restantes 3,3% dos casos nao houve a formacao de tronco, sendo a arteria cervical profunda emitida isolada como segundo ramo da arteria subclavia direita e a arteria cervical superficial foi originada da arteria axilar (Figura 2 E). O tronco costocervical, formado pelas arterias escapular dorsal e intercostal suprema, mais a arteria toracica interna foram emitidos da arteria subclavia em tronco comum, a direita, em 80% dos casos; sendo terceiro ramo em 50% (Figuras 2 A e 2 B), segundo em 20% (Figura 2 E) e primeiro ramo em 10% dos casos. Nos 20% restantes, esses ramos colaterais foram emitidos em uma sequencia de vasos isolados ou formando troncos compostos de formas variadas. Em uma peca, houve a formacao do tronco costocervical, sendo a arteria toracica interna emitida isolada como quarto ramo da arteria subclavia direita. Ja em outra amostra, dentro dos 20%, as tres arterias foram emitidas de forma isolada, sendo a arteria intercostal suprema o terceiro ramo, a arteria toracica interna o quarto e a arteria escapular dorsal o quinto ramo. Ainda em quatro pecas dentro dos 20%, do final do arco aortico originou-se um tronco que se projetou para o antimero direito emitindo as arterias intercostal suprema, escapular dorsal e toracica interna (Figuras 2 C e 2 D). Em uma destas quatro pecas, houve a formacao de um tronco comum toracica interna-escapular dorsal como terceiro ramo, sendo a arteria intercostal suprema emitida da arteria toracica interna como se fosse uma arteria vertebral toracica (Figura 2 D). Tambem ocorreu a formacao de outro tronco isolado originado da aorta toracica que atravessou a linha mediana para o antimero direito, lancando nesse percurso uma arteria broncoesofagica direita, seguindo caudalmente como arteria intercostal suprema (Figura 2 D). Nos outros tres casos, o tronco isolado originado da aorta no fim do arco aortico emitiu, no antimero direito, caudalmente a arteria intercostal suprema, a qual lancou uma arteria broncoesofagica direita, e cranialmente um segundo tronco que originou a arteria escapular dorsal e a arteria toracica interna direitas (Figura 2 C).

Ja a esquerda, as ocorrencias dos ramos colaterais da arteria subclavia foram: a arteria vertebral, sendo primeiro ramo em 43,3 % das pecas (Figuras 2 A, 2 B e 2 E), segundo em 23,3% (Figura 2 D), quarto em 20% e terceiro ramo em 13,3% das amostras (Figura 2 C). O tronco cervical superficial-profunda, que foi quinto ramo em 36,7% dos casos (Figuras 2 A e 2 B), terceiro em 16,7%, quarto em 13,3% e segundo ramo em 3,3% das amostras. Em 6,7%, o tronco cervical superficial-profunda originou-se do arco aortico entre o tronco braquiocefalico e arteria subclavia esquerda. Em 3,3% das pecas, o tronco cervical superficial-profunda foi emitido da arteria escapular dorsal e em outros 3,3% era ramo da arteria toracica interna. Nos restantes 16,7% das pecas onde nao houve a formacao de tronco: em duas dessas amostras a arteria cervical profunda apresentouse como terceiro ramo; em outras duas pecas como quarto ramo; e em um dos casos como quinto ramo da arteria subclavia esquerda. Em todos esses casos em que a arteria cervical profunda esteve isolada, a esquerda, a arteria cervical superficial foi emitida da arteria axilar (Figuras 2 C, 2 D e 2 E). A arteria toracica interna esquerda foi lancada de forma isolada da arteria subclavia esquerda em 66,7% dos casos, sendo terceiro ramo em 26,7% (Figuras 2 A e 2 B), segundo em 16,7%, primeiro em 13,3% (Figura 2 C) e quarto ramo em 10% das amostras. Em 30% dos casos, a arteria toracica interna esquerda originou-se da arteria subclavia esquerda em tronco comum com as arterias do tronco costocervical de forma variada, conforme a tabela 1. A arteria intercostal suprema esquerda foi emitida da arteria subclavia esquerda de forma isolada

em 53,3% das amostras, sendo o primeiro ramo em 23,3%, o segundo em 23,3% (Figuras 2 A e 2 B) e o terceiro em 6,7% das pecas. Em 43,3% dos casos, a arteria intercostal suprema originou-se da arteria subclavia esquerda em tronco comum com as arterias toracica interna e escapular dorsal esquerdas de forma variada, conforme a tabela 1. A arteria escapular dorsal foi emitida da arteria subclavia esquerda de forma isolada em 53,3% das amostras, sendo terceiro ramo em 26,7%, quarto em 20% (Figuras 2 A e 2 B) e segundo ramo em 6,7% das preparacoes. Em 43,3% dos casos, a arteria escapular dorsal originou-se da arteria subclavia esquerda em tronco comum com as arterias toracica interna e intercostal suprema esquerdas de forma variada, conforme a tabela 1.

Em 3,3% das pecas, a aorta, no final de seu arco, emitiu um tronco curto que lancou caudalmente uma arteria intercostal suprema esquerda e lateralmente outro tronco que originou as arterias toracica interna e escapular dorsal esquerdas (Figura 2 E).

DISCUSSAO

O arco aortico em chinchila (ARAUJO et al., 2004), nutria (CAMPOS et al., 2010), paca (OLIVEIRA et al., 2001), moco (MAGALHAES et al., 2007) e porquinho-da-india (KABAK & HAZIROGLU, 2003) projetou-se para a esquerda e emitiu como ramos colaterais, em sequencia, o tronco braquiocefalico e a arteria subclavia esquerda na maioria dos casos, coincidindo com o encontrado em coelho. Tambem em chinchila (ARAUJO et al., 2004) e nutria (CAMPOS et al., 2010), observou-se a emissao do tronco braquiocefalico, seguido da arteria carotida comum esquerda e da arteria subclavia esquerda em algumas pecas, sendo isso semelhante com o achado em coelho. Ainda, foi encontrada neste estudo, a emissao do tronco comum cervical superficial-profunda do arco aortico do coelho na minoria dos casos, o que nao foi observado em outras especies estudadas. Em capivara, do arco aortico foi lancado apenas o tronco braquiocefalico (CULAU et al., 2007), nao sendo isso constatado em coelho.

Do tronco braquiocefalico foram emitidas, em sequencia, as arterias carotida comum esquerda, carotida comum direita e subclavia direita na maioria dos achados em chinchila (ARAUJO et al., 2004), nutria (CAMPOS et al., 2010), moco (MAGALHAES et al., 2007), porquinho-da-india (KABAK & HAZIROGLU, 2003) e paca (OLIVEIRA et al., 2001), como tambem em coelho. Ja em poucas pecas em chinchila (ARAUJO et al., 2004) e em quase metade das amostras em nutria (CAMPOS et al., 2010), do tronco braquiocefalico foram lancadas apenas as arterias carotida comum direita e subclavia direita, o que tambem foi visto em coelho em algumas amostras.

ALBUQUERQUE et al. (1987), evidenciaram que em coelho, o tronco braquiocefalico lancou a arteria carotida comum esquerda, seguida de ramo de origem das arterias carotida comum direita e subclavia direita, sendo a arteria subclavia esquerda lancada do arco aortico, em quase todas as amostras examinadas, concordando com o presente estudo tambem em coelho. Porem, em alguns casos, esses autores encontraram o tronco braquiocefalico emitindo a arteria subclavia direita seguida de um tronco bicarotideo, fato nao observado nos coelhos analisados. Em moco, na maioria dos achados houve a formacao do tronco bicarotideo depois da origem da arteria subclavia direita (MAGALHAES et al., 2007). CULAU et al. em (2007), encontraram na maioria das capivaras estudadas, um tronco braquiocarotideo sendo lancado do tronco braquiocefalico apos a emissao das arterias subclavia esquerda e carotida comum esquerda. Esse tronco, que deu origem as arterias carotida comum direita e subclavia direita, nao foi identificado em coelho.

Para BARONE (1996), as arterias carotidas comuns em coelho, na altura da alca do nervo hipoglosso, bifurcaram-se nas arterias carotidas externa e interna, sendo que a primeira foi em direcao a face, e a segunda cooperou com a irrigacao do encefalo; o que coincide com os resultados deste trabalho, exceto em um caso, em que a arteria carotida interna direita esteve ausente, porem, a arteria carotida interna contralateral originou na base da hipofise um ramo que a substituiu. Ja em nutria (CAMPOS et al., 2010), as arterias carotidas comuns dividiram-se nas arterias carotida externa e occipital, sendo que esta ultima emitiu uma fina arteria carotida interna que nao participou da irrigacao encefalica. Em chinchila (ARAUJO et al., 2004), em apenas dois casos, a esquerda, a arteria carotida interna chegou a participar da irrigacao encefalica.

Com relacao a ramificacao da arteria subclavia, em paca (OLIVEIRA et al., 2001) e em porquinho-da- india (KABAK & HAZIROGLU, 2003) essa arteria ramificou-se nas arterias vertebral, tronco costocervical, cervical superficial, toracica interna e axilar. Ja em chinchila (ARAUJO et al., 2004) e nutria (CAMPOS et al., 2010), como tambem neste estudo em coelho, houve uma variacao significativa quanto a sequencia de emissao desses vasos nos dois antimeros. Em chinchila (ARAUJO et al., 2004), a maior prevalencia de emissao da arteria subclavia direita, de medial para lateral, foi: as arterias vertebral, escapular dorsal, tronco comum toracica interna-vertebral toracica e tronco comum cervical superficial-profunda. Em nutria (CAMPOS et al., 2010), nao houve a formacao do tronco comum entre as arterias toracica interna e vertebral toracica, sendo emitidos cinco vasos da arteria subclavia direita. Ja em coelho, a sequencia de ramos encontrada foi: as arterias vertebral, tronco comum cervical superficial-profunda .e tronco costocervical-toracica interna.

A arteria subclavia esquerda em chinchila (ARAUJO et al., 2004) lancou os mesmos quatro vasos do antimero direito, havendo apenas alteracao na sequencia de emissao: tronco comum toracica interna-vertebral toracica, vertebral, escapular dorsal e tronco comum cervical superficial-profunda. Em nutria (CAMPOS et al., 2010), foram emitidas as arterias, de medial para lateral: vertebral toracica, toracica interna, vertebral, tronco escapular dorsal com tronco comum cervical superficial-profunda. Ja em coelho, foi observada a seguinte sequencia de vasos: vertebral, intercostal suprema, toracica interna, escapular dorsal e tronco comum cervical superficial-profunda.

Diferentemente do encontrado em nutria (CAMPOS et al., 2010), em que na minoria dos casos houve formacao de um tronco comum entre as arterias cervical superficial e profunda, tanto a direita quanto a esquerda; em coelho foi encontrado este tronco comum em quase todos os casos, assim como em chinchila (ARAUJO et al., 2004).

Segundo BARONE (1996), a arteria intercostal suprema teve essa denominacao em coelho, devido ao fato desta originar as quatro primeiras arterias intercostais dorsais, diferente do que ocorre em carnivoros, chinchila (ARAUJO et al., 2004), nutria (CAMPOS et al., 2010), paca (OLIVEIRA et al., 2001) e porquinho-da-india (KABAK & HAZIROGLU, 2003), nos quais as tres primeiras arterias intercostais dorsais foram emitidas diretamente do tronco costocervical. Por isso, nao foi considerada uma verdadeira intercostal suprema, recebendo o nome de arteria vertebral toracica. Porem, em um caso a direita em coelho, houve a formacao de um tronco comum toracica interna-escapular dorsal, sendo a arteria intercostal suprema emitida da arteria toracica interna com o comportamento de uma arteria vertebral toracica. Nesse mesmo caso, tambem se originou da aorta toracica outro tronco isolado, que atravessou a linha mediana e seguiu como uma arteria intercostal suprema caudalmente.

Nao foi encontrada na literatura pesquisada nenhuma citacao de casos de formacao de tronco originado no final do arco aortico, o qual era direcionado para o antimero direito ou esquerdo e emitia as arterias intercostal suprema, escapular dorsal e toracica interna, como achado em alguns dos coelhos analisados.

CONCLUSAO

Com base nos resultados obtidos podese concluir que o padrao dos ramos colaterais do arco aortico em coelho foi, em sequencia, o tronco braquiocefalico e a arteria subclavia esquerda, enquanto que as variacoes encontradas foram tronco braquiocefalico, arteria carotida comum esquerda e arteria subclavia esquerda; e dois casos em que o tronco cervical-superficial-profunda tambem era ramo colateral do arco. Os ramos colaterais da arteria subclavia direita foram mais constantes do que os ramos da arteria subclavia esquerda, tendo-se encontrado mais variacoes no antimero esquerdo.

AGRADECIMENTO

A Coordenacao de Aperfeicoamento de Pessoal de Nivel Superior (CAPES), pela bolsa de estudo.

COMITE DE ETICA E BIOSSEGURANCA

O experimento foi aprovado pela Comissao de Etica na Utilizacao de Animais (CEUA) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Brasil, sob numero 19383, em 30 de setembro de 2010.

REFERENCIAS

ALBUQUERQUE, J.F.G. et al. Contribuicao ao estudo dos Colaterais Calibrosos do Arco Aortico no Coelho (Oryctolagus cuniculus, LINNAEUS 1758) da Raca Nova Zelandia. Ars Veterinaria UNESP, v.3, p.1-4, 1987.

ANDRADE, A. et al. (Org.) Animais de laboratorio--criacao e experimentacao. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2002. 388p.

ARAUJO, A.C.P. et al. Ramos colaterais do arco aortico e suas principais ramificacoes em chinchila (Chinchilla lanigera). Revista Portuguesa de Ciencias Veterinarias, v.99, p.53-58, 2004. Disponivel em: <http://www.fmv.utl.pt/spcv/PDF/pdf3_2004/549_53_58.pdf>. Acesso em: 20 jul. 2012.

BARONE, R. Anatomie comparee des mammiferes domestiques: Angiologie. Paris: Vigot, 1996. 5v.

CAMPOS, R. et al. Ramos colaterais do arco aortico e suas principais ramificacoes em nutria (Myocastor coypus). Acta Scientiae Veterinariae, v.38, p. 139-146, 2010. Disponivel em: <http://hdl.handle.net/10183/29229>. Acesso em: 23 jul. 2012.

CULAU, P.O.V. et al. Colaterais do arco aortico da capivara (Hydrochoerus hydrochaeris). Acta Scientiae Veterinariae, v.35, p.89-92, 2007. Disponivel em: <http://hdl.handle. net/10183/20565>. Acesso em: 23 jul. 2012.

HARKNESS, J.E.; WAGNER, J.E. Biologia e clinica de coelhos e roedores. Sao Paulo: Roca, 1993. 238p. International Committee On Veterinary Gross Anatomical Nomenclature. Nomina anatomica veterinaria. New York: Nomina anatomica veterinaria, 2005. 190p.

KABAK, M.; HAZIROGLU, R.M. Subgross investigation of vessels originating from arcus aortae in guinea-pig (Cavia porcellus). Anatomia, Histologia, Embryologia, v. 32, p.362-366, 2003. Disponivel em: <http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1439-0264.2003.00497.x/abstract; jsessionid=8993E630F3CCD E0CDBA50EDBD5D2821A.d01t02?deniedAccessCustomisedM essage=&userIsAuthenticated=false>. Acesso em: 24 jul. 2012. doi: 10.1111/j.1439-0264.2003.00497.x.

MAGALHAES, M. et al. Ramos do arco aortico no moco (Kerodon rupestris). Revista Portuguesa de Ciencias Veterinarias, v. 102, p.49-52, 2007. Disponivel em: <http://www.fmv.utl.pt/spcv/PDF/pdf6_2007/49-52.pdf>. Acesso em 24 jul. 2012.

OLIVEIRA, F.S. et al. Gross anatomical study of the aortic ARC branches of the paca (Agouti paca, Linnaeus, 1766). Brazilian Journal of Veterinary Research and Animal Science, v.38, p.103-105, 2001. Disponivel em: <http://revistas.usp.br/bjvras/article/view/5891>. Acesso em: 24 jul. 2012. doi: 10.1590/S1413-95962001000300001.

Fernanda de Souza (I) * Andreia Zechin Bavaresco (I) Rui Campos (II)

(I) Programa de Pos-graduacao em Ciencias Veterinarias (PPGCV), Faculdade de Veterinaria, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), 91540-000, Porto Alegre, RS, Brasil. E-mail: fesouzavet@yahoo.com.br. *Autor para correspondencia.

(II) Laboratorio de Anatomia Animal, Departamento de Ciencias Morfologicas, Instituto de Ciencias Basicas e da Saude (ICBS), UFRGS, Porto Alegre, RS, Brasil.

Recebido 20.12.12

Aprovado 04.07.13

Devolvido pelo autor 18.09.13

CR-2012-1333.R1

Tabela 1 - Frequencia de variacao na formacao de troncos comuns
entre as arterias toracica interna, intercostal suprema e
escapular dorsal como ramo colateral da arteria
subclavia esquerda.

Tronco comum            Como 1[degrees] ramo   Como 2[degrees] ramo

Aa. I.S. & T.I.         3,3%                   --
Aa. I.S., T.I. & E.D.   13,3%                  10%
Aa. E.D. & T.I.         --                     3,3%

Aa. I.S. & T.I.= arterias intercostal suprema e toracica interna;
Aa. I.S., T.I. & E.D.= arterias intercostal suprema, toracica
interna e escapular dorsal; Aa. E.D. & T.I.= arterias escapular
dorsal e toracica interna.
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Author:de Souza, Fernanda; Bavaresco, Andreia Zechin; Campos, Rui
Publication:Ciencia Rural
Date:Dec 1, 2013
Words:3626
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